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Escola Secundária de Camões Agrupamento de Escolas das Laranjeiras Agrupamento de Escolas de Santa Maria dos Olivais Edição N.º 7 Novembro de 2017

LANÇAMENTO DE A ESTRANHA ORDEM DAS COISAS O neurocientista Prof. Dr. António Damásio (também diretor do Brain and Criativity Institute na University of Southern California, em Los Angeles) lançou no dia 31 de outubro, na escola a que deu nome, em Lisboa, o livro "A Estranha Ordem das Coisas", onde defende que "os sentimentos - de dor, de sofrimento ou de prazer antecipado foram as forças motrizes primordiais do empreendimento cultural e os mecanismos que impulsionaram o intelecto humano na direção da cultura". Aborda os afetos humanos, o mundo das emoções e dos sentimentos, o como e o porquê de nos emocionarmos e de nos sentirmos, como usamos os sentimentos para construir as nossas personalidades, como os sentimentos ajudam ou prejudicam as nossas melhores intenções, como e porquê o cérebro interage com o corpo em apoio dessas funções. Pág.: 3 e 4


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EDITORIAL A colaboração é um vetor essencial em muitas esferas de atividade - na ciência, na educação, nas ações de cidadania. Não apenas porque vivemos numa sociedade em rede por efeito conjugado das tecnologias de informação e comunicação com as telecomunicações. Também porque a colaboração produz mais saber, mais inteligência, mais aprendizagem. Nesta perspetiva, ao acedermos a escrever o editorial deste número do Trívio, não podíamos começar de outro modo: felicitar os Agrupamentos das Laranjeiras, de Santa Maria dos Olivais e a Escola Secundária de Camões, as suas direções e, muito particularmente, as professoras bibliotecárias que em boa hora decidiram articular esforços para produzir um jornal comum. Desde há dois anos, o Trívio é um exemplo de trabalho colaborativo que, seguramente, enriquece aquelas três comunidades escolares e, por acréscimo, a Rede de Bibliotecas Escolares de Lisboa. Tanto mais que também se faz eco de iniciativas das bibliotecas escolares

OUTUBRO

como aconteceu, em março passado, com a celebração do Dia Mundial da Saúde Oral em ligação com o projeto SOBE - Saúde Oral Bibliotecas Escolares, que fez a capa do Trívio n.º 6. Enquanto jornal escolar, o Trívio é também um exemplo de educação para os media, uma área transversal de educação que ganha importância crescente nas escolas e nas bibliotecas escolares. Como verificamos ao ler os diferentes números, trata-se de um jornal feito essencialmente por alunos, provocados para a observação, para a leitura e para a escrita. Em tempo marcado pela comunicação e pelas redes sociais, implicar os jovens numa atividade jornalística constitui um bom pretexto para despertar interesses, promover uma visão crítica da realidade e produzir informação de forma rigorosa e fundamentada. É uma oportunidade para se trabalhar em equipa, proporcionar o debate e a construção de consensos, experiências que contribuem para uma melhor

MÊS DAS

consciencialização de si, do outro e do mundo. Exercita-se, assim, a cidadania, formando jovens mais curiosos, conhecedores e interventivos e, naturalmente, mais aptos a decidir de forma sustentada. O Trívio espelha bem o que desejamos para a ação das bibliotecas escolares e dos professores bibliotecários: o trabalho colaborativo na Escola, nos Agrupamentos, nas redes concelhias e com entidades externas que possam acrescentar valor às atividades educativas; a promoção de metodologias de aprendizagem que envolvam ativamente os alunos, incentivem a leitura e a escrita, a literacia de informação, o uso competente e crítico dos media. Estão de parabéns todos os que contribuem para o jornal Trívio - alunos, professores, professores bibliotecários e direções das escolas. Manuela Pargana Silva, Coordenadora da Rede de Bibliotecas Escolares

BIBLIOTECAS ESCOLARES

FICHA TÉCNICA Conceção e implementação do projeto: Professoras bibliotecárias Lígia Arruda (ES D. Pedro V), Lurdes Castanheira (ES António Damásio) e Teresa Saborida (ES Camões). Coordenação do projeto: Lígia Arruda, Lurdes Castanheira e Teresa Saborida. Revisão de artigos: Lígia Arruda, Lurdes Castanheira e Teresa Saborida, docentes do grupo 300. Colaboração das professoras bibliotecárias: Ana Vilela (Ag. das Laranjeiras), Lucinda Marques (Ag. das Laranjeiras), M.ª de Lourdes Martins (Ag. Santa Maria dos Olivais) e M.ª de Lurdes Grácio (Ag. Santa Maria dos Olivais). Montagem gráfica: Alexandre Rodrigues e Carla Rodrigues, docentes de Informática da ES D. Pedro V. Periodicidade: um por período letivo Email: ligia.arruda@ael.edu.pt - teresasaborida@escamoes.pt - lurdes.castanheira@aeolivais.pt - jornaltrivio@gmail.com


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ENTREVISTA À RESPONSÁVEL DA TEMAS E DEBATES 2. Para um editor, o que tem peso na decisão de publicar ou não um livro, um autor?

Este ano tivemos a imensa sorte de poder organizar o lançamento em Portugal, em língua portuguesa, do novo livro do Professor António Damásio, A estranha ordem das coisas. Aproveitámos a ocasião para trocar dois dedos de prosa com a sua editora, a Dra. Guilhermina Gomes, responsável pela Temas e Debates, chancela que publica as obras do nosso patrono. Pedimos-lhe umas palavras antes que tudo acontecesse e, simpaticamente, ela acedeu ao nosso pedido. Aqui fica a transcrição da entrevista que nos concedeu: 1. O que faz um editor? Um editor é um criador de cumplicidades com os autores e com os textos que publica, sendo a cumplicidade intelectual a mais importante, isto é, a defesa do autor e do seu texto em toda e qualquer circunstância. No meu caso e porque sou eu que testemunho, tenho absoluta necessidade de empatia com os livros dos autores que comigo trabalham. Sem esta cumplicidade a edição ficaria semelhante à mecânica da produção industrial (editar também é produzir) e parecer-se-ia com uma simples linha de montagem. Editar é publicar textos e prepará-los seguindo normas de qualidade bastante rigorosas: basicamente passa por preparar o texto, rever, paginar, introduzir correções até ao momento em que se considera o texto fechado para impressão. Tenho a felicidade de ter comigo três destes especialistas / editores que são profissionais de excelência.

Sou responsável por selecionar e organizar programas editoriais de acordo com o perfil das chancelas que dirijo: o Círculo de Leitores, um clube de livro generalista (tanto pode publicar livros de teor mais popular como livros mais sofisticados), contudo sempre servindo um vasto público de associados cujos gostos de leitura são muito diversificados. 3. Como definiria a editora Temas e Debates? A outra chancela que me ocupa é a Temas e Debates, neste caso estamos perante a edição de livros de ensaio (não ficção) nas diversas áreas temáticas: ciência, filosofia, história, arte, economia, ensaios literários e todos os textos que me pareçam de relevante qualidade, que sejam inovadores, que possam fazer pensar, refletir, problematizar. A decisão de escolha ocorre sempre que encontro livros e autores que estejam dentro do que considero o padrão de qualidade da Temas e Debates. Procuro a diversidade e busco tendências a nível internacional (importantíssima a Feira do Livro de Frankfurt); a nível nacional presto atenção à multiplicidade de manifestações culturais. 4. Como começou a parceria da Temas e Debates com o Professor António Damásio? Há cerca de dez anos, António Damásio estava a preparar um livro que veio a chamar-se “O Livro da Consciência” e precisava de mudar de editora em Portugal. Por um feliz acaso de circunstância, numa conversa com agentes literários, tomei conhecimento deste desejo do autor e imediatamente me perfilei manifestando-me sobre a possibilidade de vir a ser eu a sua nova editora. António Damásio conhecia o meu nome, tínhamo-nos falado algumas vezes, por isso quis confirmar se eu era quem ele pensava, e fê-lo com o seu

grande amigo, pessoa de sua total confiança, o Dr. Mário Soares. Eu fui editora do Dr. Mário Soares durante vinte anos, até ao seu último livro, tínhamos uma relação de muita estima e foi deste modo que o Dr. Mário Soares aconselhou António Damásio a aceitar-me como sua editora. 5. Como é lidar com o autor António Damásio? António Damásio é um dos mais importantes cientistas a nível mundial, é um filósofo e um defensor das humanidades. Se lhe perguntarem qual é o maior cientista de sempre responderá: “na minha área é Shakespeare”. Os seus livros são também obras de excelência literária, daí que são textos muito depurados até que ele sinta que no inglês (em que escreve) e na tradução portuguesa se alcançou a máxima perfeição. Até ser publicado, o livro sofre várias revisões feitas por nós e relidas por ele. Respeitamos em absoluto todas as correções que nos envia e introduzimo-las no texto até se considerar finalizado. Estamos perante um autor com um elevadíssimo padrão de qualidade e temos de estar à altura do seu rigor para merecermos a sua confiança. António Damásio colabora e cumpre prazos e interessa-se no desenvolvimento da preparação dos seus livros e isso é muito gratificante. É uma honra ser sua editora. Coordenação Lurdes Castanheira, professora bibliotecária da ES António Damásio


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LANÇAMENTO DO LIVRO DO PROF. DR. ANTÓNIO DAMÁSIO A ESTRANHA ORDEM DAS COISAS No dia 31 de outubro, tivemos a excelente oportunidade de assistir ao lançamento do novo livro de António Damásio. O livro chama-se A estranha ordem das coisas e, do que ouvimos, concluímos que deve apresentar ideias bastante interessantes. Nesta obra, o Professor fala sobre os sentimentos e a sua importância. São os sentimentos, os bons e os maus, que

nos fazem evoluir, tanto como indivíduos como em sociedade. Para nós, um momento muito curioso, foi quando António Damásio contou a história de como descobriu que a escola tinha o seu nome e a primeira vez que entrou em contacto telefónico com a escola. Havia uma multidão (estimamos quase oitocentas pessoas!) com os olhos pos-

tos nele e, naquele momento, ver António Damásio deu-nos imenso orgulho, uma vez que é o Patrono da escola e ainda temos a possibilidade de o ouvir e de falar com ele. O Professor António Damásio é uma pessoa ainda mais extraordinária ao vivo e foi um prazer poder ouvi-lo. Beatriz Pita, Beatriz Cabral, Catarina Henriques, Ísis Ribeiro, 11º Humanidades, ES António Damásio


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OS SEGREDOS DO TEMPO

As pessoas dizem que perdemos tempo, que o tempo e o dinheiro, que o tempo voa e que tentamos ganhar tempo. Mas o que é realmente o tempo? Um bom exemplo é imaginar um rio que corre para uma direção, o futuro. Como é que se pode saber o que é o tempo? Primeiro, medindo-o, usando os relógios de vários tipos e tamanhos. Medimos o tempo com mais precisão do que se podia pensar nós séculos passados. Pensando que o primeiro relógio era uma pedra e usava o sol, depois passámos a relógios com uns ponteiros num movimento circular. O melhor sítio para saber a hora exata é no National Institute of Standards and Technology, NIST, no Colorado. O tempo no NIST é medido com uma precisão muito elevada, usando um átomo de Césio, Cs. Os átomos têm uma vibração natural de 9,192,631,770 por segundo, e o que vibra repetitivamente pode ser usado como relógio. Mas por mais preciso que seja, o tempo ainda continua a ser um mistério. Os relógios podem dizer que horas são, mas não explica o que é o tempo e o que medimos verdadeiramente? Albert Einstein colocou o mundo do avesso com uma visão nova da natureza do tempo. Ele percebeu que havia mais sobre o tempo do que na realidade se sabia. A maioria das pessoas tem um modo simples e linear do tempo. O tempo corre para todas as pessoas do mesmo modo. É uma visão sensata que foi transmitida pelo pai da física moderna, Isaac Newton. Por mais que seja sensata a visão de Newton, Einstein percebeu que não estava certa, e ainda percebeu que o tempo pode correr em diferentes velocidades, o que significa que pode ser diferente para mim ou para vós. Einstein percebeu o conceito de uma relação entre o tempo e o espaço, ou seja, que um não pode existir sem o outro. Imaginemos que estou sentado na sala de aula. A professora diz que eu estou parado, mas na realidade eu não estou a mover-me no espaço, mas estou a mover-me no tempo. Em 1974, pegaram no relógio atómico e puseram-no no avião, enquanto outro ficou em terra. Quando os dois foram confrontados havia uma pequena

diferença. Então percebeu-se que espaço e tempo não podiam ser separados. Então unificou uma estrutura quadridimensional chamada espaçotempo. Einstein percebeu que a distensão de passado, presente e futuro é só uma ilusão muito persistente. Imaginemos o tempo como o pão: podíamos ver na primeira fatia o big bang. Mas Einstein percebeu que também há várias maneiras de cortar o pão. Para ter uma ideia melhor: imaginem a professora sentada a corrigir os testes e um alien a 100 milhares de anos-luz de distância. Se os dois estão parados, os seus relógios andam na mesma velocidade. Então as fatias vão ser cortadas da mesma maneira, mas se o alien começa a correr na direção oposta da professora a sua fatia vai ser cortada de outra maneira, pois o seu ângulo de corte pode ser muito pequeno. Mas se for percorrida uma grande distância a ângulo será tão grande que o que acontece não será a professora a corrigir os testes mas sim Mozart a escrever uma das suas sinfonias. Eu sei que parece muito estranho ou difícil de compreender. O passado, presente e futuro não existem, porque são a mesma coisa. Tudo o que aconteceu e tudo o que tem de acontecer já aconteceu. Einstein fez confundir a nossa ideia de tempo, mas se qualquer acontecimento já existe, como é que explicamos a nossa realidade que é baseada no presente, como temos a perspetiva do tempo que se dirige sempre para o futuro? Talvez o tempo não seja um rio que corre, mas sim um rio congelado. Mas como é que o tempo se relaciona com a nossa experiência? É com num filme que já está tudo feito. Só que para o filme há um projetor a passar todos os momentos do filme, enquanto para o tempo não há nenhum projetor. Mas se o tempo é como este rio congelado podemos viajar para o futuro ou para o passado? Viajar no tempo é possível. Basta usar a força da gravidade, porque esta influencia o tempo. O tempo passa mais rápido para uma pessoa no décimo andar, do que a do primeiro, usando as equações de Einstein chamadas wormhole. São buracos no tecido espaço-tempo que ligam não só dois lugares, mas também dois tempos diferentes. O problema seria o paradoxo do avô. Se eu viajo no passado e mato o meu avô como posso existir? Uma teoria explica que por mais que se mudem os acontecimentos eles acabarão por suceder só que de outra maneira. E há outra teoria do multiuniverso, o que implica que nós viajámos para outro multiuniverso onde matas o teu avô de outro multiuniverso sem ter

qualquer problema existencial. Claro que nunca vimos ninguém a viajar para o passado, por isso supomos que ainda não seja possível. Então o que nos leva a pensar que o tempo segue sempre para a frente? Os cientistas dizem que há a seta do tempo, mas qual a razão de o tempo seguir sempre em frente? Qual o motivo dos acontecimentos irem sempre em frente? Mas não há leis da física que não permitem que os acontecimentos não possam andar para trás? Os cálculos podem ser aplicados tanto para trás como para a frente. Todas as pessoas sabem o que acontece se deixamos alguma coisa de vidro cair. Mas basta inverter a velocidade de tudo, cada pedaço de vidro, cada átomo de ar e de vidro até que não se parta. Um físico e matemático austríaco Ludwig Eduard Boltzmann escreveu S=K. log W que é uma teoria chamada entropia. Entropia é a medida do caos, desordem e uma teoria muito importante porque no universo tudo passa da ordem a desordem. Por exemplo o big bang era a ordem até que explodiu criado o universo de hoje com conhecemos. Então temos de voltar ao ponto de partida para perceber? Então podemos saber mais sobre o que leva o tempo a ir só para o futuro? Recentes descobertas mostram que o espaço está a expandir-se cada vez mais rápido. Imaginemos o carro que viaja na estrada: se o condutor tirar o pé do pedal o carro vai parando lentamente mas o universo está a expandirse cada vez mais rápido. É como se em vez tirar o pé do pedal tivesse carregado a fundo o que leva a grandes consequências. Daqui a cem milhares de anos as outras galáxias vão estar tão longe que a nossa vai parecer estar sozinha. Os nossos descendentes não poderão olhar para o passado das estrelas como nós, porque estão tão longe que a luz demora milhares e milhares de anos para chegar até não se ver mais luz. E o fim do tempo, segundo uma teoria do fim do tempo, os buracos negros dominarão o universo e aí tudo desaparecerá deixando algumas partículas no universo. Federico Pretese, 10.º 1, ES D. Pedro V

Fontes: National Geographic, Peter Galison, Neil de Grasse Tyson, William Phillips, Albert E i n s t e i n , Discovery S c i e n c e , Isaac Newton e muitos dos físicos que estudam o tempo


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VIAJAR COM TODOS OS SENTIDOS

Nos dias 9 e 10 de novembro foi tempo de reuniões intercalares e de atividades extracurriculares para os alunos. A equipa da BE/CRE dinamizou um workshop de escrita coletiva – Viajar com todos os sentidos. Em que consistia? Uma das professoras da equipa teatralizou uma situação ligada a uma agência de viagens fictícia – Viagens Ida & Volta – e desafiou os alunos a viajar com as palavras, os objetos dentro das caixas (cada um associado aos 5 sentidos) e a criatividade dos grupos (máx. 5 alunos). Dez textos cheios de imaginação foram o resultado e revelamos dois. Fechou os olhos, reclinou-se na poltrona gasta e deixou-se levar. E o seu pensamento ligeiro voou até … aos seus vinte anos de idade. Era de noite. Num palco iluminado, atuava uma catalã que tocava castanholas enquanto dançava elegantemente. Felip olhava-a admirado, em pura adoração. O cheiro a cânfora pairava no ar. Preparava-se para lutar pela sua pátria e despedir-se da sua adorada família, brevemente. Em menos de uma semana sabia que iria estar nas trincheiras. Devido àquela pressão e

àquele medo da guerra, Felip decidiu entrar naquele bar para tomar um copo de Brandy Croft e fumar um dos seus últimos charutos. Enquanto aproveitava essa ataraxia que sabia que porventura iria acabar, Felip deparouse com a tal catalã. Por mais que se esforçasse, não conseguia tirar os olhos dela. No fim do espetáculo, num ato de espontânea loucura, decidiu seguila. Lembra-se de a ter visto chegar a uma rua escura, repleta de árvores. Viu -a a entrar num prédio alto e arcaico. Passados alguns minutos viu acenderse a luz do segundo andar. Apressado, subiu para o ramo de uma das inúmeras árvores, para poder vê-la melhor. Discretamente, tirou os binóculos – que utilizava nos treinos da tropa – para ter um melhor alcance. A luz refletia a sua silhueta feminina e delicada. Maravilhado com o que via, apaixonou-se de imediato. No dia seguinte, voltou ao mesmo bar para ver de novo a rapariga, tentar falar com ela, perguntar-lhe o seu nome, mas foi em vão, porque mal acabou de dançar, a rapariga correu apressada para casa. Sem pensar duas vezes, Felip voltou a segui-la. A meio do caminho, numa rua escura e silenciosa, dois homens encorpados aproximaram -se da rapariga, tentando assustá-la. Felip correu e empurrou-os, fazendo-os desequilibrar. Pegou na mão da sua amada e ambos fugiram para a entrada do seu prédio, escondendo-se aí, sem fôlego. Ela agradeceu e reparou nele, nos seus olhos azuis e cristalinos e reconheceu-o como o rapaz taciturno e solitário que vira no bar. Já tardava, mas não ligando às horas dirigiram-se a um pequeno café que ficava aberto até tarde. Sentaram-se, pediram um café, que vinha acompanhado com um chocolate à sua escolha. Ela pediu um Toblerone, doce crocante, e ele um Nespresso, amargo como a sua vida. Falaram, ele contou o seu mágico destino. No dia seguinte partiria para a frente, haveria tiros e medo. Ao despedirem-se, a mão de Felip toca suavemente no laço azulão e aveludado que enfeitava os cabelos da rapariga.

Só que é da boémia vagueia nas madrugadas de alma nostálgica lembrando momentos vividos a dois, ou somente consumindo-se no amor platónico. De repente, ele volta à realidade da sua velha sala e da sua velha poltrona, segurando o suave laço que ela lhe tinha oferecido para sua recordação. Catarina Casanova, Matilde Rosello e Maria Piedade, 12.º A, ES de Camões

E se eu partisse numa viagem sem data marcada de regresso? Sim, foi esse o pensamento que, aos poucos, se apoderou dela. Foi por isso que teve de partir. A vida, como a conhecia, perdera o rumo, passava a ser nada mais do que um mar de cansaços e desilusões. À descoberta da vida e de si própria, andou por todos os cantos do mundo. Viu, com os seus próprios olhos, aquilo de que já ouvira falar: o amanhecer, o entardecer e o anoitecer. Mergulhou nas mais profundas águas, onde tocou nos corais e nas suaves esponjas dos quentes mares do Oriente. Aprendeu a meditar ao cheiro do incenso dos povos das montanhas e contemplou a música dos negros bosques das terras que nunca conheciam o dia. Provou, pela primeira vez, os doces frutos da romãzeira, pelos quais se apaixonou instantaneamente. Enfim, viu tudo o que havia para ver. Foi por isso que teve de voltar. Só aí se apercebeu da incurável tristeza que sempre a perseguira como uma sombra. Sentada, agora, no alpendre, ao som de uma caixinha de música, recordava a sua viagem. Nem aí fora feliz. A sombra baloiçava fielmente ao seu lado. Seria, por ventura, mais uma das inúmeras ilusões da vida? Ao tirar os óculos escuros, a visão não mudara. Sorriu. Já não sabia viver sem ela. No seu colo, recordações impressas sentavam-se para a atormentar. As águas de outros tempos tornaram-se frias e superficiais, os corais e as esponjas enrijeceram. O incenso perdeu-se desconcertantemente no ar e a música dos bosques nunca fora tão mecânica e inflexível. Até as romãs desce-


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VIAJAR COM TODOS OS SENTIDOS cont. ram do seu pedestal e perderam o sabor. Extinguiu-se a aurora e o crepúsculo. Agora, tudo era noite. Helena Fonseca, João Pestana e Thomas Childs, 12.º B, ES de Camões 20 de maio de 1988, estou num restaurante em Koh Lanta e tudo me recorda o meu espacinho, aquele espacinho onde procurava a felicidade. Não sei se é do vinho, se é de mim, mas penso que a encontrei. Há algo de familiar aqui... Uma melodia que acorda em mim algo que há muito havia desaparecido. Tenho que a encontrar, sinto que não consigo viver sem ela. Vou sair. Nem consigo acreditar no que me aconteceu. Assim que saí do restaurante à procura dessa harmonia, pareceume ver alguém familiar. Um jovem alto, bem parecido, tipicamente português. No momento em que me aproximei

dele, magoei-me. Pisei um estúpido ouriço e quando me voltei, ele já lá não estava. Nunca me consigo realizar... mais vale parar. Aceitar que se calhar estou a mais no mundo. “Está tudo bem? Precisas de ajuda?” Ouvi uma voz ao longe. Virei-me, tirei as mãos da cara e reparei que ali estava o rapaz. Que coincidência!!! Ele aproximou-se e cada vez mais me apercebia da familiaridade do seu rosto. Eu conhecia-o, não sei de onde, não sei de quando. Tudo em mim congelou. Eu queria responder-lhe, mas não sabia como, portanto simplesmente o olhei nos olhos que prenderam como a lua prende as estrelas. “Sou o João. Como te chamas?” perguntou-me. A sua voz lembrava a melodia que outrora ressoava. “Maria.” Respondi. Quando dei por mim, as horas passavam como minutos e, como o sol, algo nascia dentro de mim. Pairava um cheiro a amor e canela. Se pudesse, parava o tempo. Foi uma viagem ao

paraíso. Que mais poderia desejar?

na Oriental de Lisboa, que se reuniram para celebrarem o Dia de Núcleo 2017, na Escola Secundária António Damásio. A comemoração culminou numa cerimónia presidida pelo Cardeal Patriarca

de Lisboa, D. Manuel Clemente. As fotografias que vos mostramos são da JF dos Olivais.

Filipe Baixinho – 11º C; Arissa Matsumoto, Júlia Matias, Luís Portela, Miguel Santos, 12.º F, ES de Camões

DIA DE NÚCLEO 2017 Cada vez mais, a vida das escolas fazse também de intercâmbios, de colaborações. Desta vez, foram os escuteiros que usaram as nossas instalações, nos dias 11 e 12 de novembro. Foram mais de 1300 escuteiros, da Zo-

Lurdes Castanheira, PB da ES António Damásio


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IGREJA DE SÃO ROQUE No dia 4 de outubro de 2017, a turma 1 do 11.º ano, acompanhada pela Diretora de Turma e professora de Português, Alda Cruz, foi à Igreja de São Roque, em Lisboa. A visita realizou-se no âmbito da disciplina de Português abordando o tema: “Padre António Vieira e o Barroco” (visto o seu célebre sermão “Sermão de Santo António aos Peixes” estar a ser lecionado). Os alunos foram de metropolitano e, quando chegaram ao local, tiveram uma pequena palestra acerca da vida de Padre António Vieira, o que ajudou a perceber ainda melhor a empatia que o Padre tinha para com os indíge-

nas, o sacrifício da vida dele mas, acima de tudo, a sua coragem e determinação. De seguida, com a guia do serviço educativo da Igreja, os alunos aprenderam, com pormenor, a história e arte das várias capelas existentes no monumento religioso. Para além disso, também se falou nos contrastes entre os dois períodos predominantes existentes na arquitetura da mesma: o maneirista e o barroco, dando, claro, mais ênfase ao segundo (dado ser o período no qual o sermão se insere). Apesar de ter sido extenso e, na opinião de alguns alunos, um pouco cansativo, todos gostaram do facto de terem aprendido tanto sobre arte e ficaram espantados pela cultura da guia e pela riqueza material e cultural da igreja. No final, no regresso à escola, fez-se uma pequena paragem no célebre

café: “A Brasileira” dado ser um importante estabelecimento quer na história lisboeta, como também na história do modernismo. Por um lado, alguns estudantes consideraram que a parte do “Sermão de Santo António aos Peixes” ou até mesmo o autor em si deviam ter sido temas mais aprofundados pela guia ao invés de ter maioritariamente falado na pintura e escultura. Por outro lado, no geral, os alunos consideraram a visita interessante e valiosa, na medida em que o que aprenderam ser-lhes-á certamente útil para perceber as mentalidades da época, o que ajuda à compreensão do texto oratório, mas também porque fornece um maior conhecimento da cultura portuguesa. Pedro Alves, n.º 18, 11.º 1, ES D. Pedro V

MUSEU NACIONAL DO TEATRO E DA DANÇA Nós, as turmas do 2.º ano, da escola n.º 120 das Laranjeiras, visitámos com as nossas professoras, no mês de outubro, o Museu Nacional do Teatro e da Dança que fica na Estrada do Lumiar.

Gostámos de estar numa pequena oficina de expressão dramática, fizemos o jogo da estátua, o jogo do bobo, o jogo da marioneta, o jogo do espelho e aprendemos que o “corpo também fala”. Fizemos uma visita à exposição permanente. Vimos e explicaram-nos alguns trajes usados em peças de teatro. Vimos esta maqueta de um teatro grego. Aprendemos que o termo grego

“theatron” significa “lugar para ver”. Vimos também uma máquina que dando à manivela fazia o som do vento e outra máquina que fazia o som da chuva. No final, pudemos apreciar um teatro de marionetas da história “Dom Quixote”. Gostámos muito.

estudo foi muito agradável, nomeadamente em relação à Patrícia, a nossa guia, que nos levou a conhecer os diferentes tipos de ramos e produtos disponíveis na companhia. Foi também bastante dinâmica e educativa porque enquanto a Patrícia nos mostrava o olival, por exemplo, ia-nos ensinando técnicas, conceitos e curiosidades acerca, não só da produção e da apanha da azeitona, como também da produção de azeite. Por ser uma companhia com quase 20 mil hectares, numa certa altura da visita guiada, tivemos de ir de autocarro ver o arrozal

e o gado bovino, tendo as guias a falar constantemente, o que se tornou um pouco monótono. No final da visita, foinos proporcionado a autorização, para podermos comprar os variados produtos disponíveis e de produção própria. Em conclusão, no geral, a visita à Companhia das Lezírias foi instrutiva, ativa e encantadora, devido a um conjunto de fatores como guias simpáticas e divertidas e ao conjunto de noções interessante que conseguimos absorver.

EB1/JI das Laranjeiras – 2.º A, 2.º B e 2.º C

COMPANHIA DAS LEZÍRIAS No dia 17 de Outubro de 2017, as turmas do 11.º 5 e 11.º 7, com os seus respetivos professores de Geografia A, foram a uma visita de estudo para ver as explorações agropecuárias e florestais presentes na Companhia das Lezírias. No recinto da visita foi-nos apresentado um conjunto de conceitos sobre as variadas atividades exploradas entre elas a vinha, o olival, a floresta, que contém a área de montado, o eucaliptal e o pinhal, a produção animal entre o gado bovino e o equino e o arrozal. Na minha opinião esta visita de

Diana Pires, N.º 6, 11.º 5, ES D. Pedro V

ENCONTRO COM OS NOSSOS AFILHADOS No dia 19 de setembro de 2017, a minha turma, 4.º A, e os meninos da sala 1 do JI, encontrámo-nos para fazer a escolha dos padrinhos e para a troca de presentes. O encontro realizou-se na sala do Jardim de Infância. Esta atividade permitiu uma melhor integração dos alunos mais novos na escola. Os mais velhos ajudaram os mais novos a conhecer melhor os espaços do recinto escolar e também brincaram todos juntos no recreio. Cada aluno do 4.º A construiu um marcador de livros para oferecer ao seu

afilhado da sala 1 do JI. Na construção do marcador utilizámos cartolina e lápis de cor. Também construímos a dobragem do cão que colámos no marcador. Quando chegámos à sala do JI apresentámo-nos e, depois, a Educadora Patrícia pediu a cada menino e menina da sua sala para escolher o seu padrinho ou madrinha. O Dilan escolheu-me a mim para ser o padrinho dele e, de seguida, trocámos as prendas. Eu ofereci-lhe o marcador e ele ofereceu-me um lápis, que tinha uma

carinha feliz colada na ponta. Quando todos os afilhados acabaram de escolher o seu padrinho ou madrinha despedimo-nos e dirigimo-nos para a nossa sala de aula. Gostámos muito de conviver com os nossos afilhados. Esperamos fazer mais atividades em conjunto ao longo deste ano letivo. Martim Louro, 4.º Ano, Turma A, da EB1/JI Frei Luís de Sousa, trabalho realizado no Apoio


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DA SAUDADE COMO SENTIMENTO CRIADOR

Há dias, numa aula de 11º ano, a propósito de poesia, falou-se de Saudade. Na verdade, a minha costela académica “das literaturas”, leva-me a topar com este tema a cada passo. Se é verdade que foram os portugueses que inventaram a Saudade, não é menos verdade que os nossos escritores ao longo dos séculos se encarregaram de não deixar morrer esse sentimento e, em cima dele, fizeram alguns dos mais belos textos que os nossos olhos podem contemplar. Ou não estivessem as donzelas medievais saudosas por seus amigos que tardam, e Ruís de Castel-Branco partisse levando meus olhos saudosos por vós, meu bem. Sempre a literatura se alimentou desse sentimento de perda, de falta, de angústias interiores que se traduzem muitas vezes em melancolia, em antecipação de sofrimentos, em lamentosos suspiros de alma que ecoam através dos tempos. Até aos nossos dias, a Saudade tem sido companheira de poetas e prosadores. Saudade de Pessoas, de Amores que já passaram, do Lar, da Terra, do País e até, com Fernando Pessoa, do Futuro. O Saudosismo literário, no final do séc. XIX, marcou apenas mais uma das etapas que a Saudade percorreu no nosso imaginário coletivo, marcado aí pelas

angústias finisseculares, que antecipavam o fim e lamentavam o que já tinha sido. Daí para cá a Saudade nunca nos largou. Mas a Saudade é criativa, digo eu. Basta olhar para toda a riqueza literária que inspirou ao longo dos tempos. Não podemos é correr o risco de a confundir com Sebastianismo. Como alguém dizia, creio que Eduardo Lourenço, o Sebastianismo fez-nos ficar parados, à espera daquele que virá para fazer aquilo que podemos fazer nós se deitarmos mãos à obra. A Saudade não tem de ser assim. Pode ser exatamente o contrário. Porque temos a Saudade e porque temos saudades, podemos olhar em frente e reconstruir caminhos que nos levem a novos destinos. Ter os olhos postos no que passou, mas querendo renovar, criar o Novo, para de novo vivenciar a Saudade. Porque só temos saudades do que foi bom e sabemos que pode voltar a ser. O Fado nem sempre é triste. E, mesmo quando é triste, também pode alimentar. No sentido em que o homem é feito de contradições, de sinais positivos e negativos, de avanços e recuos, ele também se constrói de Invenções e de Saudades. É por isso também que eu gosto da Saudade. Além de ser uma belíssima palavra, rica de musicalidade, profunda, é um sentimento rico que pode conduzir ao conhecimento melhor de si. Importa saber porque temos saudades disto ou daqueles, importa perceber os passos que damos na vida. Enquanto escrevo estas palavras, toca mesmo ao meu lado o disco dos MADREDEUS, Um Amor Infinito. De repente, oiço palavras envoltas em música quase celestial, que me dizem que realmente a Saudade é um belo sentimento, de descoberta e de partilha. Não

resisto a partilhar convosco este belo poema de Pedro Ayres Magalhães, assim me despedindo até ao próximo jornal, quem sabe .

sentações que revelaram um pouco do trabalho que foi desenvolvido nas AEC durante o corrente ano letivo, ao nível das disciplinas de Inglês, Atividade Física e Desportiva e Atividades Lúdico Expressivas. Nesta que foi a Festa dos Valores, cada turma realizou uma apresentação onde expôs um dos valores trabalhados ao longo do ano: o Respeito, a Tolerância, a Igualdade, a Solidariedade, a Justiça, a Responsabilidade, a Autoestima, a Liberdade e a Empatia. O desafio consistia em os familiares presentes descobrirem qual o valor que estava a ser apresentado, antes do mesmo ser divulgado pelos alunos. Já as CAF/AAAF (Componente de Apoio à Família / Atividades de Anima-

ção de Apoio à Família) da Junta de Freguesia de São Domingos de Benfica encerraram as suas atividades deste ano letivo com uma grande festa no Pavilhão N.º 2 do SL e Benfica, no passado dia 24 de junho.

AS PALAVRAS AUSENTES (Junto a Ti) Junto a ti É que eu aprendi a deixar ficar o silêncio as palavras ausentes Foi assim Aprendi assim que é bom ficar em silêncio quando o amor manda Foi assim Aprendi assim a deixar ficar o silêncio as palavras ausentes Ai, é a saudade quem fala assim é o amor que se ouve assim neste silêncio que eu descobri que é bom ficar junto a ti Neste silêncio que eu aprendi a ficar bem junto a ti Neste silêncio que descobri quando estou bem junto a ti Teresa Pedro, professora de Português da ES António Damásio

JFSDB Decorreu dia 22 de junho, nas Escola públicas da freguesia, a festa que assinalou o Encerramento do Ano Letivo das Atividades de Enriquecimento Curricular (AEC) da Junta de Freguesia de São Domingos de Benfica. Durante a festa, os alunos tiveram oportunidade de levar a cabo um conjunto de apre-

Dr.ª Cristina Parente, Coordenadora Pelouro da Educação da JFSDB


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A MINHA ESCOLA

Sou um aluno que frequenta a escola D. Pedro V. Já a conheço bastante bem, porque estudo nela há vários anos, desde o meu 7.º ano. Para mim, a escola é um local particularmente agradável, onde aprendo, convivo e onde me vou preparando para decidir o que fazer no futuro. Evidentemente, as ações dos superiores são fulcrais para que a formação dos alunos seja a mais correta. Assim vejo o papel dos professores e de todos os responsáveis. Ao longo destes últimos 5 anos, tenho criado imensas amizades, não só com colegas, mas também com professores que muito estimo.

Os professores são pessoas que eu admiro particularmente, não só pelos seus métodos de ensino, que se têm revelado bastante eficazes, mas também pelo esforço no sentido de que os seus alunos aprendam. Com eles, tenho aprendido a ser aquilo a que se pode chamar um “homem-bom”. Outro aspeto que me causa impressão nos professores é o facto de eles terem de enfrentar atitudes, na minha opinião, indelicadas, por parte de alguns alunos. Infelizmente, nem todos são respeitadores e não veem na escola um meio para alcançar objetivos de vida. Na escola, aprendi a criticar, a formar

opiniões, aprendi a gostar de ler e de escrever e aprendi os pequenos aspetos que devem sempre existir no quotidiano de qualquer pessoa. Por isso, considero muito importante que os alunos vejam nos seus professores amigos que amparam o percurso escolar. No que toca ao ambiente da escola, embora, por vezes, uma minoria apresente comportamentos de pouca civilidade, atitudes impossíveis de controlar nos dias de hoje, tenho também muito boas experiências a referir porque os colegas são bastante simpáticos e afáveis. Hugo Tomás Fernandes, Turma 11.º 7, Nº 12, ES D. Pedro V

HÁ FESTA NA ALICE VIEIRA No dia 29 de setembro de 2017, a Escola Básica Alice Vieira fez 20 anos. Foi um dia especial, que contou com uma convidada especial, a própria patrona da Escola. Alice Vieira é jornalista e escritora, já publicou muitos livros de histórias infantis e juvenis, e colaborou na elaboração de programas para a RTP, como a “Rua Sésamo” entre outros. Nascida a 20 de Março de 1943, em Lisboa, licenciou-se em Filologia Germânica, na Faculdade de Letras. Rosa, minha irmã Rosa foi o seu primeiro romance, publicado em 1979 e com o qual ganhou um prémio. Desde essa altura, não parou de escrever e publicar. São tantos livros que, para comemorar, a escola organizou uma representação teatral que girou à volta de várias histórias da autora, onde esta desempenhou o papel de narradora. No fim, não faltaram “os parabéns” à nossa Escola, com bolo de chantilly e fruta à mistura e, claro, muita brincadeira! Um dia verdadeiramente especial! Parabéns à Escola Alice Vieira! Ana Carolina Rodrigues Lopes, 2.ºB, nº1, EB/JI Alice Vieira

Há festa na Alice Vieira Chegados à Alice Vieira, Não há que enganar, Com tantos balões à entrada, Festa não há de faltar. Meninas e meninos, Vestidos a rigor, Da Básica ao Jardim, O azul fica um primor. A patrona já cá está, Que orgulho é recebê-la. Vê-la a contar os seus contos, Escritora é com certeza. Do baú vamos tirar, Tantos contos de encantar, Para um teatro fazer, E a todos entreter. Vinte anos já lá vão, Outros ainda estão por vir, Comendo bolo e a cantar, Vamos juntos celebrar.

Ana Carolina Rodrigues Lopes & Mãe, EB/JI Alice Vieira

Ex-alunos da escola, agora no 7.º ano da EB dos Olivais, participaram também nesta comemoração, cantando uma canção com letra original. Para eles, foi emocionante voltar àquela escola que, durante muitos anos, os viu crescer, os ensinou a ler. Eu contigo aprendi a ler Muitas histórias, histórias de encantar! E agora que aqui estás, Obrigado por tanto contar!

Olha bem para mim Dá-me a tua mão E ouvir “era uma vez”. E verás assim Nas histórias a razão De dizer conta outra vez! Conta um conto Que nunca contaste, Com as palavras amar e sonhar. Gosto tanto de ti, Alice Vieira, Um abraço te quero dar. Olha bem para mim Dá-me a tua mão E ouvir “era uma vez”. E verás assim Nas histórias a razão De dizer conta outra vez


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ABCEDÁRIO SEM JUÍZO 2.º B

A é a Ana, come uma banana. B é a Beatriz, que está feliz. C é a Catarina, que trabalha na mina. D é o Daniel, que brinca com o papel. E é a Eva, que gosta de brincar na relva. F é o Fábio, que caiu ao rio. G é o Gonçalo, na cabeça tem um galo. H é a Helena, viu um cavalo a correr na arena. I é a Inês, sabe falar francês. J é o João, que rebentou o balão. K é a Kate, fica gorda porque come chocolate de leite. L é a Leonor, não via nada por causa do vapor. M é o Manuel, que faz origamis de papel. N é o Nuno, diverte-se a jogar ao uno. O é a Otília, que limpa o pó à mobília. P é o Paulo, faz corridas com o galo. Q é o Quim, que tira a mão do pudim. R é a Raquel, vai à praia com o Manuel. S é a Sofia, tem uma gata que mia.

PROJETOS

T é o Tomás, ao pequeno-almoço come um ananás. U é o Ulisses, brinca muito e faz muitas tolices. V é a Vera, que faz anos na primavera. W é o William, brinca com a Júlia e não podiam. X é a Xana, que vive numa cabana. Y é a Yolanda, fez uma viagem à Holanda. Z é o Zé, tem uma ferida no pé.

Poema coletivo 2.º B EB1/JI Frei Luís de Sousa, Projeto de Português

ACRÓSTICO Gigante chega à Cornualha. Irrita-se com as crianças que brincam no seu jardim. Gigante vem brincar connosco! As crianças são proibidas de brincar no

jardim. No jardim do gigante instala-se o inverno. Tempo depois, o gigante ouve um pássaro. Entretanto as crianças entram no jardim. E sobem para as árvores, chega a primavera. Gigante vê jardim novamente florido e verdejante. O menino pequenino beija o gigante. Interroga as crianças: - Sabem onde está o menino pequenino? Simpatiza e fica amigo das crianças. Tempo depois, torna-se velho e fica débil.

As crianças encontram o gigante coberto de flores brancas. Acróstico coletivo 4.º C - Escola EB1/JI das Laranjeiras – Projeto de Português


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CORRESPONDÊNCIA COM A HUNGRIA Gostámos muito da iniciativa do projeto que nos apresentaram, de ter amiguinhos correspondentes doutro país, neste caso, a Hungria. Assim, lembrámonos de oferecer marcadores de livros com os símbolos do nosso país: o elétrico, a guitarra portuguesa, o coração de Viana, o manjerico e a sardinha. Fizemos um pequeno texto onde explicámos o significado de cada símbolo, dando assim a conhecer a cultura e a tradição do nosso país aos coleguinhas húngaros. Aqui estão eles: Elétrico – meio de transporte característico utilizado no centro da cidade.

Coração de Viana – símbolo representativo da amizade e do amor utilizado nos trajes tradicionais portugueses. É maioritariamente realizado em filigrana, em ouro ou prata. Guitarra – instrumento musical que representa o fado, canção típica do nosso país. Manjerico - planta aromática elucidativa de uma festa muito importante que se realiza na nossa cidade, no mês de junho, em honra dos santos populares (Sto. António). Sardinha - é um peixe utilizado em pratos tradicionais da cozinha portuguesa, originário da região de Lisboa. É uma das 7 Maravilhas da Gastronomia de Portugal. É costume confecionar este prato no fim das festas populares, normalmente chamado de Sardinhada. Esperemos que gostem do nosso trabalho. Ficamos a aguardar a próxima iniciativa do projeto de correspondência. Até à próxima! A turma do 3.º A, EB1/JI António Nobre

ALIMENTAÇÃO BIOLÓGICA NAS ESCOLAS DOS OLIVAIS No dia 16 de outubro, a Escola Sarah Afonso teve almoço de festa. Nesse dia, a Junta de Freguesia de Olivais e a Agrobio assinaram um protocolo que viabiliza a realização de um Projeto Piloto de Alimentação Biológica em todas as escolas do 1.º Ciclo dos Olivais. Na assinatura do protocolo estiveram presentes o Secretário de Estado das Florestas e Desenvolvimento Rural, Dr. Miguel Freitas, o Vereador da Energia e Estrutura Verde, da CML, Dr. Sá Fernandes, e o Presidente da Agrobio, Dr. Jaime Ferreira. No fim da cerimónia foi servido um almoço (biológico!) no refeitório da es-

cola. É, sem dúvida, uma boa notícia para todas crianças dos Olivais, frequentadoras das escolas de primeiro ciclo. Bom seria que a medida se estendesse a outras freguesias (porque não a todas!) da cidade. Obrigada às nossas funcionárias da cozinha, que fizeram um belo almoço. E a “nossa” Sarah Afonso ficou mesmo bem nas fotografias. Até teve direito a reportagem na televisão, que podem espreitar aqui: https://www.facebook.com/JFOlivais/ videos/1307897785988727/

Lurdes Castanheira, PB do AE Santa Maria dos Olivais

EFEMÉRIDES


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DIA MUNDIAL DA ALIMENTAÇÃO

No dia 16 de outubro, o pré-escolar da Escola EB1/JI António Nobre comemorou o Dia Mundial da Alimentação de uma forma saudável e divertida. Começaram ao som e ao ritmo da canção “Ó maçã, maçã” (música Oh Malhão, Malhão). Depois de muita energia gasta e para a recuperar de forma saudável e colorida, as crianças construíram as suas próprias espetadas de fruta. Pequenos e graúdos terminaram o dia de forma divertida com uma dramatização, preparada pelas educadoras, para sensibilizar as crianças para uma alimentação saudável e equilibrada! Assim, foi entre gargalhadas e muita animação que a pequenada assimilou alguns conhecimentos alusivos a este tema. EB1/JI António Nobre – Educadoras salas 1, 2 e 3

No dia 16 de outubro, comemorámos o Dia Mundial da Alimentação, na turma 1 e 2 do Jardim de Infância das Laran-

jeiras. Todas as crianças comeram um lanche diferente do habitual. Nesse dia todos tiveram oportunidade de identificar, através dos sentidos, as diferentes variedades de fruta da época bem como elaborarem pratos com as mesmas. Foi um momento de convívio e descoberta para todos. Puderam sentir o cheiro, a textura e o sabor docinho ou amargo das frutas. No final, todos perceberam a importância de uma alimentação saudável. As docentes Maria Gomes e Zélia Reis, EB1/JI das Laranjeiras

As enfermeiras do Centro de Saúde de Sete Rios visitaram a turma do 1.º B da EB1/JI António Nobre e conversaram com os alunos acerca da importância da alimentação saudável. Os alunos separaram os alimentos por três grupos coloridos (verde, amarelo e vermelho) e refletiram acerca da importância dos lanches saudáveis. Os lanches têm sido alvos de uma pequena avaliação diária, que leva os alunos a refletirem acerca da necessidade de evitarem comer alimentos saturados de açúcar ou gorduras No âmbito das comemorações do Dia da Alimentação, foi explorada em sala

de aula a pirâmide dos alimentos. Os alunos refletiram acerca dos diferentes alimentos e das quantidades que podem ser consumidas dos mesmos. Cada um criou uma refeição saudável. EB1/JI António Nobre – 1.º B

UMA TRADIÇÃO PORTUGUESA: PEDIR O PÃO POR DEUS O dia 01 de novembro é feriado, pois celebra-se o dia de Todos os Santos. Na nossa escola, gostamos de manter a tradição portuguesa: pedir «Pão por Deus». Assim, os rapazes usaram uma boina e um lenço ao pescoço e as meninas um lencinho pelos ombros. Todos tínhamos um saquinho ou um cesto para guardarmos o bolinho. A nossa turma foi à sala do 1.ºB contar a história do Pão por Deus. Também cantámos algumas canções alusivas ao tema. No final, recebemos um bolinho muito saboroso, oferecido pela Associação

de Pais. Foi um dia especial, aprendemos muito e adorámos comer o bolinho. Texto coletivo da turma 3B, EB1/JI António Nobre

Como habitualmente, comemorámos o dia do Pão por Deus na nossa escola. Esta festa é uma tradição muito antiga no nosso país. Antigamente, as crianças iam de casa em casa fazer um peditório, no dia de Todos os Santos. Para celebrarmos a data, a nossa professora ensinou-nos uma canção que cantámos aos alunos do 1.ºB quando fomos bater à porta da sala deles e

pedimos os bolinhos. Os alunos dessa turma e a sua professora deram-nos bolinhos em forma de ferradura, muito saborosos e que cheiravam muito bem. À nossa sala veio uma turma do JI. Os meninos pequeninos cantaram-nos uma canção e pediram-nos o bolinho. Gostámos muito desta atividade, porque foi divertida e convivemos com meninos de outras turmas. Rodrigo (3B), com a ajuda da professora de apoio, EB1/JI António Nobre


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IMPRESSÕES DE LEITURA

Cesário Verde, na primeira secção do poema “Sentimento dum Ocidental” intitulada “Ave-marias”, deambula pela cidade de Lisboa ao anoitecer (cerca das cinco horas da tarde) e descreve-a através das suas impressões e sensações visuais. Encontra uma vida e uma cidade onde as pessoas traba-

POESIA, LEITURAS E LIVROS lham em péssimas condições e são infelizes. Considero que o sujeito poético se sente melancólico ao percorrer aquele espaço e que, de certa forma, “absorve” a tristeza das pessoas: ”Despertam-me um desejo absurdo de sofrer”. Tanto que, por dois momentos, procura a evasão: espacial e temporal. A espacial ocorre quando vê pessoas prestes a partir para outras cidades e que conseguem fugir da confusão e “respirar um pouco”. A temporal relaciona-se com a evocação dos Descobrimentos e de Luís Vaz de Camões, “as crónicas navais”, quando o povo português era glorificado e respeitado, embora tenha a plena consciência de que esse período já passou e que a realidade da época descrita (segunda metade do séc. XIX) é bastante diferente. Nas primeiras duas quadras do poema é revelado o estado de espírito do poeta, descrito como deprimido. De imediato surgem as, já abordadas, evasões. A partir do vigésimo quinto verso é retomada a descrição da vida ao seu redor e da tristeza que a caracteriza. Neste caminhar sem destino, o poeta encontra vários trabalhadores como as varinas, os calafates e os carpinteiros. Todos eles são retratados como citadinos cujas profissões são extremamente

duras e que chegam ao final do dia muito cansados e sujos, devido às precárias condições de trabalho a que estiveram sujeitos. É de salientar que, na poesia de Cesário, as mulheres deixam de ser descritas como o belo e o angelical e passam a ser trabalhadores comuns com profissões pesadas e até difíceis. Em suma, retomo a minha opinião inicial e reforço-a com o facto de o poeta ter sido um citadino e, por isso mesmo, se sentir oprimido, tal como a restante população. Cesário Verde apercebese dos males do mundo ocidental, onde as pessoas estão enclausuradas e sem rumo, acabando por se revoltar com a miséria e a degradação social, que resultaram da revolução industrial. João Bonacho n.º 14, 12.º B, ES António Damásio

Carlos Botelho (1899-1982)

APRESENTAÇÃO DE LIVRO No dia 1 de junho de 2017, na Biblioteca Isabel Alçada (EB2,3 dos Olivais), o aluno Ricardo Bento apresentou aos colegas de duas turmas do 9º ano o livro de sua autoria “A minha Vida - Autobiografia de Ricardo Bento”. O Ricardo tem paralisia cerebral e aproveitou para falar aos outros alunos sobre o seu percurso de vida, os seus interesses, as suas capacidades e dificuldades. O Ricardo nasceu sem problemas e, devido a uma situação de negligência médica que originou a falta de oxigénio no cérebro, ficou com paralisia cerebral. Daí resultaram dificuldades motoras graves. Este aluno teve sempre muito apoio da família que lhe proporcionou tratamentos e terapias de forma a melhorar a sua qualidade de vida. Foi submetido a diversas cirurgias e chegou a estar internado dois anos e meio num Hospital em Montemor-o-Novo. Frequentou o Jardim de Infância e as escolas do ensino Básico e esteve sempre incluído

em turmas de ensino regular, na zona dos Olivais. Nem sempre existiam nas escolas, as adaptações físicas necessárias, mas foram-se construindo, de forma a permitirem a deslocação ao Ricardo e a outros jovens com dificuldades de mobilidade que utilizam cadeiras de rodas. Sou um jovem como outro qualquer e, apesar da paralisia cerebral, quero mostrar as capacidades que tenho, quero ser útil à sociedade e ter amigos – este é o seu sonho. Como ele diz “qualquer um de nós pode vir a necessitar de cadeira de rodas” e não é por isso que deixa de ser um jovem feliz. Fátima Craveirinha (prof. Educação Especial), Ricardo Bento (aluno 6. ºB)

O termo paralisia cerebral é utilizado para designar uma desordem caraterizada por uma alteração do movimento devido a uma lesão não progressiva do cérebro em desenvolvimento e acontece no início da infância. Sabemos que o cérebro comanda as funções do corpo como os movimentos, a visão, a audição e a inteligência. Quando há uma lesão numa zona específica, vai afetar a função cujo comando é aí localizado. Uma criança com paralisia cerebral pode apresentar alterações que vão desde uma leve descoordenação dos movimentos à incapacidade de andar, segurar um objeto, falar ou engolir. http://www.apccoimbra.org.pt/?page_id=65


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A DAMÁSIO FOI AO TEATRO

Na sexta-feira 3 de novembro, fomos ao Teatro Municipal de Almada assistir à peça História do cerco de Lisboa, inspirada na obra homónima de José Saramago. Quando o revisor Raimundo Silva colocou um não onde deveria estar escrito um sim, na História do cerco de Lisboa, a sua vida mudou drasticamente. A Dra. Sara, diretora literária da editora onde trabalha, salva-o de ser sumariamente despedido impondo-lhe a condição de escrever, no prazo de três meses, uma nova História, um romance em que os cruzados não auxiliam os portugueses na conquista de Lisboa.

Raimundo Silva abandona então as rotinas aborrecidas e deixa-se ser “consumido” pela imaginação e pela fantasia, ao mesmo tempo que desenvolve o interesse pela Dra. Sara, acabando os dois por se relacionarem amorosamente. Como é que um revisor literário de repente se torna escritor? É aqui que entra José Saramago, personagem que se faz presente, e cuja voz real chegamos a ouvir, ao ajudar Raimundo Silva a começar o seu texto, explicando-lhe as chaves para construir uma boa história. Com dramaturgia de José Gabriel Antuñano e encenação de Ignacio Gar-

cía, esta apresentação foi possível graças ao trabalho colaborativo de quatro companhias teatrais. Os atores conseguem tornar a peça magnífica, divertida e cativante para o espectador. E não queremos deixar de mencionar a qualidade do som e da iluminação e a magnífica sala do teatro Joaquim Benite. Podemos ver nesta peça como uma palavra pode mudar o ruma da História e das histórias. E como o amor nos pode redimir. Nós gostámos muito e, se voltar a haver oportunidade, recomendamos que não percam. Isis Ribeiro, Beatriz Cabral, Catarina Henriques, 11.º Humanidades, ES António Damásio

PORQUÊ TEATRO? Porquê Teatro? Porquê artes? Porque amo, porque sinto, porque preciso. É o misto de emoções, é a adrenalina de entrar no palco. É a correção dos problemas no mundo, é o esquecimento de divergências pessoais. É o barulho dos aplausos, a gratidão para o aumento de cultura. É teatro! É arte!

A expansão corporal, mental e emocional. A rivalidade, a perfeição. O esforço e determinação. Exige o confronto com a insegurança, e a superação do medo. Contém liberdade e reencarnação. A sensação de estar na pele do outro, seja ele uma personagem ou não. Que alívio... Oh Teatro, Oh meu culto e livre Teatro. Luana da Silva, 10.º 13, ES D. Pedro V

FILME DOM QUIXOTE A propósito das Viagens na Minha Terra, de Garrett, lembrei-me de um filme que tinha em casa já há uns anos e que, estranhamente, me tinha fugido da mira. Realmente, um dia deparei-me, numa daquelas bancas de saldos, com uma versão cinematográfica de “Dom Quixote”. Dom Quixote entrou já na categoria de Mito. Porque nos explica, em muitos aspetos, porque nos retrata, porque nos questiona. Talvez Cervantes em 1605, quando publicou a 1ª parte da sua obra, O engenhoso fidalgo dom Quixote de La Mancha, não tenha pensado que a sua personagem per-

duraria tão perenemente, que serviria tantas vezes de inspiração e de exemplo. Mas assim é. Ao longo de três para quatro séculos, ei-lo aqui e ali a aparecer, mais ou menos fiel, mas sempre a servir o propósito de explicar os homens. Garrett fala dele para simbolizar a marcha do mundo, ora impulsionado pelo materialismo (tão bem representado em Sancho Pança), ora pelo espiritualismo (soberbamente figurado pelo sonhador Dom Quixote). É claro que Garrett deriva a sua leitura para o aspeto que lhe interessa focar, mas faz sentido ter uma ideia de como se desenrola na origem a história do Cavaleiro da Triste Figura. Assim, eu e os meus alunos (alguns, que a atividade foi em contra horário e voluntária) estivemos a ver o Dom Quixote de John Mortimer, que escreveu o guião a partir do texto de Cervantes, e de Peter Yates, que dirigiu no ano 2000. E lá está a história de um fidalgo espa-

nhol, fanático por novelas de cavalaria, que perde a sanidade mental e acreditando ser um cavaleiro, Dom Quixote de La Mancha, parte no seu velho cavalo Rocinante e acompanhado do improvisado escudeiro Sancho Pança, pelas terras de Espanha à procura das grandes aventuras que merecem o seu nome e a sua coragem. Com magníficas representações de John Lithgow , que tanto nos habituámos a ver nos Monty Python, como Dom Quixote, e Bob Hoskins como Sancho Pança, o elenco é ainda enriquecido com as presenças de Vanessa Williams, encarnando a paixão do cavaleiro, a dama Dulcineia, e ainda Isabella Rossellini, como Duquesa. O telefilme tem a duração de 120 minutos. Lurdes Castanheira, professora de Português da ES António Damásio


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EXPOSIÇÃO


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EXPOSIÇÃO Trabalhos realizados pelos alunos do 10.º e do 12.º anos da ES António Damásio. Visam o estudo das formas naturais, da cor, do movimento, e a utilização de várias técnicas e diferentes instrumentos. Da forma simples à composição final, num exercício primeiro de rigor e posteriormente de uso da imaginação criadora.


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RECEITAS LITERÁRIAS vossa tainha. Untai-a então de azeite e salpicai-a de sal. Em seguida assai-a num lume forte. Logo depois de bem assada e alourada, humedecei-a com vinagre superfino. Servi e louvai Neptuno, deus dos peixes. In, Notas Contemporâneas

Ingredientes [2 pessoas] 1 tainha ou robalo com kg

EÇA DE QUEIRÓS

Recheio 50 g queijo parmesão ralado 1 gema de ovo 4 dentes de alho salsa, coentros, louro 2 colheres de sopa de azeite sal q.b.

Peixe recheado

Biografia

Marcial ou Aulus-Gellius, não recordo qual, assegura que um bom jantar pode constar dum peixe, um bolo, um pudim e uma garrafa de vinho. Era este um jantar muito usual na Grécia, e depois em Roma, para a gente azafamada ou sóbria que queria comer rapidamente, sem despesa e sem pesadume. Equivale ao jantar moderno, em Paris ou Londres, engolido à pressa antes do teatro, mesmo no mundo do luxo, e que se compõe de uma sopa, duma costeleta, duma fruta e de garrafa de Bordéus. Pois eu sei como se cozinhava este jantar em Atenas ou Roma, aí pelos tempos de Augusto e ainda mesmo sob os Antoninos. O peixe, por exemplo, pode ser uma tainha. E aqui está como ela se prepara, oh estudiosos! Tomai essa tainha. Escamai e esvaziai. Preparai uma massa bem batida com queijo (que hoje pode ser Parmesão), azeite, gema de ovo e ervas fragrantes, e recheai com ela a

QUEIRÓS, JOSÉ MARIA EÇA DE [1845I900] Eça de Queirós, um dos mais prolíficos romancistas portugueses, deixou uma vasta obra na qual se reflete a agitação cultural da sua época (a "Questão Coimbrã"). Estreou-se como escritor nos jornais e em folhetins publicados na Gazeta de Portugal, entre os quais figura o Mistério da Estrada de Sintra (1870), paródia ao enredo romântico, em colaboração com o seu amigo

Ramalho Ortigão. A partir da primeira publicação de As Farpas (I87I), adotaria um estilo realista/naturalista, defendido nas Conferências do Casino sob o título A Nova Literatura. A sua fina ironia e a sua habilidade em retratar criticamente as idiossincrasias da sociedade da sua época granjearam-lhe um lugar de destaque na ficção realista do século XIX. Obras principais 0 Mistério da Estrada de Sintra (1870); 0 Crime do Padre Amaro (três versões em 1875, 1876 e 1880); 0 Primo Basílio (1878); 0 Mandarim (1880); A Relíquia (1887); Os Maias (1888). Ficção narrativa póstuma A Ilustre Casa de Ramires (1900); A Cidade e as Serras (1901); Contos (1902); Ecos de Paris (1905); A Capital (1925); A Tragédia da Rua das Flores (1980). Teresa Saborida, PB da ES de Camões

BOLO DE ABÓBORA E PEPITAS DE CHOCOLATE muito simples e rápido para os dias mais frescos que se aproximam! Ingredientes 2 chávenas de farinha 1 chávena de chá de açúcar 2 ovos 1 chávena de chá de abóbora cozida e bem escorrida 1 colher de chá de canela em pó 1/2 colher de chá de noz-moscada 1/2 chávena de chá de óleo 50g de pepitas de chocolate

O outono chegou à nossa sala invadindo-a com aboborinhas, folhas coloridas e muitos acrósticos no ar! Como gostamos de docinhos aqui fica uma receita de um bolo de abóbora

Preparação Junte a farinha, o açúcar, os ovos, a abóbora, a canela, a noz-moscada e o óleo. Bata um pouco para os ingredientes ligarem e junte as pepitas, mexendo mais um pouco, para envolver bem. Coloque numa forma untada

com manteiga e polvilhada com farinha. Leve ao forno pré-aquecido a 180ºC por 35 a 40 minutos (faça o teste do palito). Deixe arrefecer. Sirva com um chá ou chocolate quente. Bom apetite! Esperemos que tenham gostado da nossa sugestão! Até à próxima! A turma do 3.º A, EB1/JI António Nobre


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CONDUÇÃO PELA DIREITA

Naquele dia, a partir das 5.00h da manhã, a circulação nas estradas em Portugal passou a fazer-se pela direita. Nesse dia vingámos definitivamente o ultimato inglês e mudámos para um costume napoleónico. A decisão do governo visava uniformizar a circulação com a dos países da Europa continental, deixando apenas uma das colónias com o antigo costu-

1 DE JUNHO DE 1928

me em vigor — Moçambique. Isto porque aquele país lusófono parecia uma ilha, rodeada de colónias inglesas por todo o lado. Os ingleses e alguns países da Comonwealth permaneceriam orgulhosamente fiéis ao seu ancestral costume, que rezam as crónicas, remonta ao Império romano, época em que se fizeram as primeiras regras de trânsito

DIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA Hoje em dia, a atividade física é vista como um bem fundamental para a saúde do ser humano. O dia da Educação Física veio frisar a sua importância na Escola Secundária D. Pedro V, onde as turmas realizaram diversos desportos, quer individualizados, quer coletivos. Este tipo de eventos demonstram que a sociedade coopera com o bemestar. Os alunos com dificuldades de interação com os outros tendem a ter uma maior dificuldade na prática dos mes-

CURIOSIDADES

nas muitas vezes congestionadas vias romanas. Circular pela esquerda era uma necessidade imperial para os soldados manterem a mão direita livre para empunhar o gládio. Mais tarde, na Idade Média, as vantagens desta regra continuavam a ser de ordem ergonómica e bélica.

DESPORTO mos. Por exemplo, um aluno que não goste de jogar um dos desportos escolhidos terá maior dificuldade de interagir com os seus colegas. No entanto, é esta variedade de desportos que faz com que os alunos possam escolher aquele em que se sentem com menor dificuldade. Para os que se desafiam, escolhem aqueles em que se sentem com maior dificuldade. Esta variedade de desportos só é possível graças à união de várias turmas. Por exemplo, os alunos com

dificuldades num desporto podem ser ajudados por outros colegas que tenham níveis de desempenho mais elevados. Em suma, esta atividade teve um impacto bastante positivo. Criou-se e construiu-se um ambiente de trabalho muito agradável, onde se pode celebrar o dia de uma disciplina importante para todos nós, incluindo professores que fazem da disciplina a sua vida e a sua profissão. Iúri Rocha, 11.º 5, n.º 16, ES D. Pedro V


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III COLÓQUIO LUSO-BRASILEIRO COMO É QUE SE FAZ?

EDUCAR PARA O DIREITO

III COLÓQUIO LUSO-BRASILEIRO DOS OLIVAIS/LUMIAR XXIII COLÓQUIO DOS OLIVAIS IV COLÓQUIO RÁDIO + Cultura 20 – 25 DE NOVEMBRO DE 2017 CENTRO CULTURAL EÇA DE QUEIROZ

No dia 23 de novembro, teremos duas sessões, no Auditório Chaves Santos, de Educar para o Direito, promovidas pela Sr.ª Dr.ª Paula Varandas. Foram selecionadas pela Direção do Agrupamento algumas turmas para estarem presentes. As sessões terão início às 10h e às 11h45m. O objetivo é esclarecer os jovens sobre quais as prováveis consequências das suas erradas condutas face à Lei, pois verifica-se nos tribunais um crescente número de jovens que, na sequência da prática de crimes, mostram desconhecimento por não terem consciência das consequências de tais condutas. PB da ES D. Pedro V

24 de Novembro, Auditório da ESAD 9,45 H – Palavras do Exmo. Diretor do Conselho Diretivo da Escola 10,00 H – Américo José Pinheira Pereira - O Conde d’ Abranhos 10,45 H – Pausa Café 11,00 H – Nuno Campos- A Escola de Casal Ribeiro – uma Iniciativa Ideológico-Sentimental no Concelho dos Olivais 11,30 H – Paula Oleiro - Saramago em Diálogo com Garrett: Cruzamento das Narrativas “Memorial do Convento” e “Viagens na Minha Terra” 12,00 H – Miguel Gonçalves - A Mulher e o Amor na Ficção Queirosiana …………

No âmbito da Literacia da Informação, a equipa da BE/CRE e do Aprender + (a nossa sala de estudo) decidiram iniciar este ano uma série de curtas sessões com todas as turmas do 10.º ano. A transição para um novo ciclo de estudo não é fácil e pretende-se dotar os alunos de ferramentas que podem evitar a desmotivação e, por vezes, o abandono escolar. Estas sessões, com recurso a informação prática e desafios in loco estão a ter sucesso o que nos motiva a continuar. Ainda não completámos esta ronda e já estamos a preparar a seguinte - Como fazer apresentações orais. PB da ES de Camões

15,00 H – Nuno de Siqueira - Fados com História 15,30 H – Lurdes Castanheira - E se o Mundo Estivesse Cheio de Ternura – Um Olhar sobre a Obra de José Mauro de Vasconcelos. 16,00 H – Pausa Café 16,15 H – Elisabete Rocha - Lisboa de Luís Pastor de Macedo. Conclusão do Colóquio 25 de Novembro, Sábado, Visita de Estudo 10 H - Visita guiada pelo Comandante Vítor Rodrigues Mendonça ao Quartel de Campo de Ourique. PB da ES António Damásio

Escola Secundária de Camões

Praça José Fontana, 1050-129 Lisboa.

direcao@escamoes.pt

Escola Secundária D. Pedro V

Estrada das Laranjeiras, 122 1600-136 Lisboa

direcao@ael.edu.pt eb23delfimsantos@mail.telepac.pt

Escola Básica 2,3 Prof. Delfim Santos EB1/JI António Nobre

Rua António Nobre, 49 1500-046 Lisboa

eb1antonionobre@gmail.com

EB1/JI Frei Luís de Sousa

Rua Raul Carapinha 1500-042 Lisboa

escola.freiluis49@gmail.com

EB1/JI Laranjeiras

Rua Virgílio Correia, 30 1600-224 Lisboa

eb1daslaranjeiras@gmail.com

Escola Secundária António Damásio

Av. Dr. Francisco Luís Gomes 1800-178 Lisboa

direcao@aeolivais.pt

Escola EB 2,3 dos Olivais

Rua Cidade de Bolama 1800-077 Lisboa

eb23olivais@gmail.com

EB1/JI Alice Vieira

Rua Vila Catió

alicevieira.eb1ji@gmail.com

EB1/JI Manuel Teixeira Gomes EB1/JI Sarah Afonso

1800-000 Lisboa

Rua Manuel Teixeira Gomes 1900-000 Lisboa

eb1mtgomes@gmail.com

Rua Almada Negreiros

eb1183olivais@gmail.com

1800-000 Lisboa

Trívio n. º 7, novembro 2017  

agrupamentos, escolas, jornal

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