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INFORME PUBLICITÁRIO

PUBLICAÇÃO MENSAL | MAIO 2012 | EDIÇÃO 03/ANO 01

AGRO AGENDA

Feicorte, Rio + 20, SuperAgro Minas e Bahia Farm Show

AGRO ENTREVISTA Antônio de Pádua Rodrigues, da Unica: setor sucroalcooleiro quer investir R$ 156 bi. AGRO PRODUTOR Evandro Guimarães cria a Rede Gado Bom para aumentar produção de leite com alta tecnologia

AGRO HISTÓRIA

Ele mostrou para o mundo a força do agronegócio brasileiro Roberto Rodrigues, Coordenador do Agro Guia | Março 2012 Centro de Agronegócios da Fundação Getulio Vargas

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É mais que produto. É tecnologia, programas e serviços de qualidade. O Brasil é o maior exportador de carne do mundo e a Dow AgroSciences tem papel importante nessa conquista. Com um portfolio completo de soluções para pastagens, a Dow AgroSciences vai além dos melhores produtos e oferece programas e serviços de qualidade que contribuem para o aumento da produtividade por hectare. Inovações que dão todo o suporte para o pecuarista e o país continuarem crescendo. 0800 772 2492 | www.dowagro.com.br


Informe PublIcItárIo

Índice

Agro Agenda

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Agro Mensagens

(11) 3063.1899 / Al. Itu. 1063 - 2° andar CEP: 01421-001 - Jardins - São Paulo/SP www.publique.com | publique@publique.com

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PRESIDENTE E FUNDADOR: Carlos Alberto da Silva.

Agro Eventos

Editor-Chefe Carlos Alberto da Silva

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MTB 20.330

Redação Béth Mélo

Agro Entrevista

beth@publique.com André Casagrande andre@publique.com Paulo Roque pauloroque@publique.com

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Colaborador Nathã Carvalho Apoio Comercial Carlos Alberto da Silva

Agro História

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Projeto Editorial Gutche Alborgheti

Vinicius Gallo Balsys Juliana Vizzáccaro

Diagramação e Vinicius Gallo Balsys Edição de Imagens

Agro Agricultura

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Capa Foto: Arquivo Roberto

Rodrigues

Agro Pecuária

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Agro Sustentabilidade

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Twitter @GRUPOPUBLIQUE Facebook facebook.com/gpublique Slideshare slideshare.net/grupopublique You Tube youtube.com/GrupoPublique

PARA ANUNCIAR NO GUIA Agro Produtor

Gerente Comercial Marcela Marchi marcela.marchi@grupofolha.com.br (011) 3225-4546

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Informe Agro Econômico

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Contato Comercial Larissa Ayumi Yokomizo larissa.yokomizo@grupofolha.com.br (11) 3224-4545 Representante Comercial Sonia Maciel soniamaciel@novojeito.net

Agro Educação

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Mirian Domingues miriandomingues@novojeito.net tel: (11) 3021-1644


Informe PublIcItรกrIo

Agro Guia | Abril 2012

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Informe PublIcItárIo

Agro Agenda

Próximo Eventos AgroGuia – Junho/Julho 2012 29/5 a 2/6 19ª Fenasoja – Parque de Exposições, Santa Rosa, (RS), tel. (55) 3512-6866 www.fenasoja.com.br 31/5 a 3/6 2ª Expoxingu – São José do Xingu (MT), tel. (66) 3568-1253 sindsjxingu@famato.org.br 1/6 12° Fórum de Mercado e Política do Café - Patrocínio (MG), tel. (34) 3831-8080

11 a 14/6 VI Congresso Brasileiro de Soja – Cuiabá (MT), tel. (43) 3371-6061 (Carina ou Dulce) www.cnpso.embrapa.br/cbsoja. 11 a 15/6 Conferência Internacional de Coffea Canephora – Vitória (ES), tel. (27) 3636-9888 www.conferenciaconilon.com.br Feicorte 2012 – São Paulo (SP), tel. (11) 5067-6767 www.feicorte.com.br 21ª Exposição Nacional das Raças Simental e Simbrasil – São Paulo (SP), tel. (28) 3521-5666 12 a 15/6 Fispal Tecnologia 2012 – São Paulo (SP), tel. (11) 3598-7880 www.fispaltecnologia.com.br 13 a 22/6 Rio+20 – Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável – Rio de Janeiro (RJ), tel. (61) 2030-9885 www.rio20.gov.br

3 a 10/6 SuperAgro Minas 2012 – Belo Horizonte (MG), Tel. (31) 3334-5783 www.superagro2012.com.br 7 a 10/6 3ª Expo Araçá – Nova Araçá (RS), tel. (54) 3275-1150 www.wxpoaraca.com.br 7 a 17/6 Expobento 2012 – Bento Gonçalves (RS), tel. (54) 2105-1966 www.expobento.com.br 8 e 9/6 Confinar 2012 - Campo Grande (MS), www.confinar.net 8 a 10/6 19ª Mountain’s Arabian – Belo Horizonte (MG), tel. (11) 3674-1744 www.abcca.com.br

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11 a 13/6 27º Seminário Cooplantio – Gramado (RS), tel. (51) 3205-3374 www.cooplantio.com.br/seminario

20 a 22/6 19ª edição da Hortitec – Holambra (SP), tel., (19) 3802-4196 www.hortitec.com.br/2011/index.asp 26 a 28/7 IX Congresso da Sociedade Brasileira de Sistemas de Produção Luziânia (GO), tel. (61) 3388-987 www.cpac.embrapa.br/sbsp/ 1 a 8/7 Megaleite 2012 – Uberaba (MG), tel. (34) 3331-6000 www.girolando.com.br/ megaleite2012/?principal 4 e 5/7 Suinfest – Ponte Nova (MG), tel. (31) 3819 3919 www.suinfest.com.br/portal/ 4 a 6/7 Simpósio sobre Micronutrientes e Magnésio – Esalq/USP, Piracicaba (SP), tel. (19) 3417-6604 (Maria Eugênia) / (19) 3417-2138 (Silvia), www.fealq.org.br www.gape-esalq.usp.br


Informe PublIcItárIo

Foto Zzn Peres

Agro Editorial

Caros Leitores, O Agro Guia chega à sua terceira edição podendo já exibir uma trajetória vencedora e de muito sucesso. Nossas matérias, bastante consistentes, têm agradado ao mercado, que respondeu muito bem a esta iniciativa. Nesta edição, a matéria de capa traz a história de como Roberto Rodrigues, ex-ministro da Agricultura, mostrou

toda a força de nosso Agro para o mundo. Contamos também outras histórias de leitura obrigatória, como a de um executivo urbano que tem como meta mudar a história de nossa pecuária leiteira. Na Agro Entrevista, o presidente interino da Unica fala de como o setor se prepara para investir mais de 156 bilhões nos próximos anos. Tudo isso e muito mais aqui no Agro Guia deste mês de maio. Boa leitura a todos. Carlos Alberto da Silva Editor

Agro Mensagens

Parabéns pela iniciativa do Agro Guia. Ficou muito bom! Abraços, Lécio Silva, diretor/Marketing da Uby Agroquímica Ltda. Aqui quem escreve é Felipe Correia, da assessoria de imprensa da Unidade de Proteção de Cultivos da Basf. Parabenizo-os pela iniciativa do Agro Guia. Foi uma grata surpresa encontrar o caderno encartado na Folha de São Paulo. A qualidade dos textos, das imagens, enfim, material muito interessante. Felipe Correia, XComunicação Primeiramente parabenizo pelo primeiro número do Agro Guia. Li e gostei muito das informações passadas, em razão do que gostaria de saber se a publicação será vendida ou fornecida para assinantes da Folha de São Paulo, visto haver interesse de minha parte receber o guia. Madson Geraldo Coimbra O deputado Raimundo Gomes de Matos, presidente da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento da Câmara dos Deputados, está interessado na publicação Agro Guia, razão pela qual pergunto se há interesse de vocês cederem um exemplar mensal à Comissão, ou só há possibilidade de assinatura, com custo? Moizes Lobo, secretário da CAPADR Resposta: O Agro Guia circula junto com a Folha de São Paulo no último domingo de cada mês. Não é vendido separadamente. Agro Guia | Maio 2012

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Agro Eventos/Destaques

Feicorte terá leilões de produção

Espaço Carne Em continuidade ao projeto Pecuária Sustentável – Sim é Possível, a Feicorte e a NFT Alliance apresentam, pelo segundo ano, o Espaço Carne, para demonstrar os trabalhos realizados pelas empresas, pecuaristas e outros elos envolvidos na 8

cadeia produtiva, na busca pela excelência da carne brasileira. Um evento de destaque do Espaço Carne é o Prêmio Nelson Pineda Excelência em Confinamento - Ano II, que será entregue no dia 12 de junho, às 20 horas. Serão homenageados os 40 confinamentos mais eficientes do País e os 10 que mais se destacaram em sustentabilidade e bem estar animal, em 2011. O Prêmio é uma iniciativa do Agrocentro, Assocon (Associação Nacional dos Confinadores) e Scott Consultoria e foi criado para homenagear o pecuarista Nelson Pineda, que sempre deu prioridade à preservação do meio ambiente, o respeito às pessoas e a utilização de melhoramento genético na evolução da atividade pecuária e com sustentabilidade. Este ano, a Feicorte dará continuidade ao Projeto Academia da Carne, com um ciclo de palestras voltadas para acadêmicos das áreas de zootecnia, veterinários, agrônomos e alunos de colégios agrícolas. Carla Tuccilio, gerente de Agronegócio do Agrocentro, espera receber caravanas de estudantes de várias universidades para conhecer a feira e as atrações do Espaço Carne. (BM)

Foto Daniela Collet

A novidade da Feicorte 2012 – 18ª Feira Internacional da Cadeia Produtiva da Carne, de 11 a 15 de junho, em São Paulo (SP), é a realização de leilões de produção, com grande quantidade de lotes. O Super Corte Nacional vai oferecer 15.000 animais para cria, recria e engorda, o Leilão Reprodutores Nelore Mocho CV ofertará 300 tourinhos criados a pasto, prontos para servir, e o Matrizes PO – Santa Bárbara venderá 500 animais. “Ao todo, serão 14 leilões de bovinos, com oferta de genética de ponta e de produção, e também um de cavalos mangalarga”, informa Décio Ribeiro, diretor do Agrocentro. O Centro de Exposições Imigrantes deve abrigar mais de 4.000 animais, de 20 raças, entre bovinos de corte caprinos e ovinos (Brahman, Santa Gertrudis, Tabapuã, Canchim, Limousin, Simental, Simbrasil, Nelore, Angus, Bonsmara, Caracu, Senepol, Wagyu, Guzerá, Brangus, Hereford, Braford e Sindi, Dorper,White Dorper, Santa Inês,Texel,Suffolk, Anglonubiano, Boer entre outros). Estão programados cerca de 120 eventos paralelos, entre reuniões, seminários, workshops, conferências, palestras e cursos, além de julgamentos. Cerca de 250 empresas de genética, saúde e nutrição animal, máquinas e equipamentos, frigoríficos, além de órgãos de pesquisas e entidades, estarão presentes.


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Agro Eventos/Destaques

Foto Renan Antonelli

Sustentabilidade é tema de congresso da ABMR&A

Maurício Mendes presidente da ABMR&A

Sustentabilidade e Diferenciação na Cadeia do Agronegócio é o tema do IX Congresso Brasileiro de Agronegócios, que ocorrerá nos dias 7 e 8 de agosto de 2012, no Transamerica Expo Center, em São Paulo, durante a Agrinsumos&Induspec Expo&Business, feira de insumos, serviços e logística para o agronegócio. Segundo Mauricio Mendes, presidente da ABMR&A (Associação Brasileira de Marketing Rural e Agronegócio), organizadora do evento, “a ideia é percorrer novamente o espectro total da cadeia produtiva do agro, com ênfase na sustentabilidade das empresas”. O primeiro dia ocorrerá em conjunto com o II Congresso da Andav (Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas) e Veterinários que acontece, também, dentro da Agrinsumos&Induspec Expo&Business, quando estarão 10

reunidas entre 800 e 1.000 pessoas para debater as consequências da Rio+20 e o Código Florestal. Haverá, também, um debate mais estratégico, para discutir tendências para o agronegócio, com a presença de expoentes do setor como o ex-ministro Roberto Rodrigues. No segundo dia, as apresentações são centradas nas empresas e entidades do setor. “Teremos cases de agroindústrias de alimentos explorando o relacionamento sustentável com seus produtores; o marketing utilizado por agropecuaristas na diferenciação de produtos, antes commodities; serão discutidos ainda os desafios do agro na comunicação com a sociedade, como ocorre com o setor de defensivos”, informa o presidente da ABMR&A. Para Mauricio Mendes, a contribuição do marketing rural para a questão da sustentabilidade é fundamental. Primeiro, por uma questão lógica e geográfica: “entre todos os setores da economia, o que está mais próximo do meio ambiente é o agronegócio e, por isso, é o setor mais alvejado por aqueles que entendem que a agricultura e a pecuária são responsáveis por todas as mazelas do meio ambiente”, diz ele. “Então, à medida que comunicamos à sociedade sobre o que a agricultura e a pecuária fazem em prol do meio ambiente, isso torna o marketing rural relacionado à sustentabilidade cada vez mais importante”, acrescenta. (PR)


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Agro Eventos/Destaques

Boas expectativas para a Bahia Farm Show Maior feira de tecnologia e negócios do Nordeste, e uma das cinco maiores do gênero do Brasil, a Bahia Farm Show será realizada de 29 de maio a 2 de junho, em Luís Eduardo Magalhães (BA). A expectativa dos organizadores é reunir cerca de 50 mil visitantes, ante 44,3 mil, em 2011, e superar faturamento de R$ 570 milhões, apurado no ano passado. Em uma área de 70 mil metros quadrados, mais de 400 marcas e 180 expositores apresentarão as novidades em tecnologia para as lavouras. “Os lançamentos mais modernos do mercado mundial estão na feira, refletindo a consolidação do cerrado baiano como um grande polo Rio + 20, o evento do ano A Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, um dos mais importantes eventos sobre sustentabilidade do mundo, de 13 a 22 de junho, no Rio de Janeiro, promete debates acirrados, centrados em dois temas principais: A economia verde no contexto do desenvolvimento sustentável e da erradicação da pobreza e A estrutura institucional para o desenvolvimento sustentável. A Rio+20 marca o 20° aniversário da Unced (Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento), organizada em 1992, e o 10º aniversário da Cúpula Mundial sobre o Desenvolvimento Sustentável 2002, realizada em Johanesburgo, na África do Sul. Segundo Laura Antoniazzi, pesquisadora da RedeAgro, os países devem decidir qual organização da ONU será responsável pelo desenvolvimento sus12

produtor de alimentos e fibras”, afirma o presidente da Aiba (Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia), Walter Horita. O Oeste da Bahia deve colher, na safra 2011/2012, 7,3 milhões de toneladas de grãos, 7% a mais que na anterior.

tentável do planeta, para monitorar indicadores de sustentabilidade, criar metas e administrar recursos financeiros”. Ela acredita que a agricultura deve estar no centro dos debates “Há uma compreensão mais clara de que a agricultura está diretamente relacionada à segurança alimentar, maior problema social da atualidade, e a sustentabilidade do planeta”, explica. A reunião de cúpula da Conferência deve reunir cerca de 100 chefes de Estado, no período de 20 a 22 de junho. A programação terá centenas de eventos e a expectativa é que do encontro resulte em um documento político com os novos desafios para os países na área ambiental, além de um modelo de desenvolvimento econômico mais sustentável, que priorize a diminuição das desigualdades sociais, a justiça social e o direito à água, aos alimentos e qualidade de vida. (BM)


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Agro Eventos/Balanço

ExpoZebu fatura R$120 milhões Maior feira de zebuínos do mundo, a ExpoZebu movimentou R$ 120 milhões. Pela pista de julgamento do Parque Fernando Costa, em Uberaba (MG), passaram 2.836 zebuínos de várias raças. A feira foi realizada de 28 de abril a 10 de maio, com participação de 100 empresas de vários segmentos, que negociaram cerca de R$ 71 milhões. A renda dos 40 leilões oficializados pela ABCZ (Associação Brasileira de Criadores de Zebu), organizadora da mostra, alcançou R$ 48.880.720 com a venda de 1.221 lotes, pela média de R$ 40.033, acima dos R$ 35.635, registrados em 2011. O lote mais valorizado foi a fêmea

nelore Rani FIV da Java, que teve metade de sua propriedade vendida no 28º Noite dos Campeões por R$ 1.220.000. O segundo animal mais cotado foi um clone Essência TE Guadalupe TN2, com 50% da posse vendida por R$ 740.000 no Elo de Raça. Cerca de 380 estrangeiros de 28 países, interessados na genética do zebu brasileiro, visitaram a feira. Em 2011 foram 347. A ExpoZebu sediou reuniões de entidades do setor e contou com palestras sobre temas como a Conferência da ONU Rio+20, benefícios do consumo de carne para a saúde humana, mudanças do Código Florestal, entre outros. (BM)

Agrishow supera expectativas O volume de negócios da 19ª Agrishow (Feira Internacional da Tecnologia Agrícola em Ação), uma das três maiores feiras do setor de agronegócio do mundo, alcançou R$ 2,15 bilhões. “Maior oferta de crédito e juros atraentes contribuíram para o sucesso do evento e para superar as expectativas, segundo Maurilio Biagi Filho, presidente da feira. Cerca de 152 mil visitantes passaram pela feira e muitos aproveitaram as ofertas de produtos de alta tecnologias e soluções para propriedades de diversos portes. Uma iniciativa rumo à internacionalização da Agrishow foi anunciada: a presença internacional da feira, com o acordo de cooperação assinado entre o presidente da Agrishow e Emília Williams, re14

presentante da Expoagro argentina. “Estaremos presentes na feira argentina, com um estande, e a mostra do país vizinho terá um estande em nosso próximo evento”, disse Biagi. Os organizadores já estão planejando os trabalhos de melhoria na área de exposição, que teve sua concessão renovada por mais 30 anos, conforme anunciado na feira deste ano. A Agrishow 2013 será realizada de 29 de abril a 3 de maio. (BM)


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Foto Niels Andreas / Cortesia Unica

Agro Entrevista

Antônio de Pádua Rodrigues, diretor técnico da Única, defende a adoção de políticas públicas e privadas para o setor.

Setor sucroenergético quer retomar investimentos Por Béth Melo

A vivência de mais de 30 anos no setor sucroalcooleiro foi o aval para a indicação de Antônio de Pádua Rodrigues, diretor técnico da Unica (União da Indústria da Cana-de-Açúcar), ao cargo de presidente interino, na transição entre a saída do Marcos Jank e a nomeação do novo “comandante” da entidade. Para se ter uma ideia, em 1983, ele implantou o Sistema de Pagamento de Cana por Teor de Sacarose e atuou como consultor dos fornecedores até 1990. Neste mesmo ano, ingressou na Unica, entidade que reúne 146 empresas que respondem por mais de 50% do etanol e 60% do açúcar produzidos no Brasil. Pádua foi também coordenador de administração e finanças do Planalsucar (Programa Nacional de Melhoramento da Cana-de-Açúcar) e atuou na supervisão dos projetos financiados pela Secretaria de Tecnologia Industrial do Ministério da Indústria, Comércio e Tecnologia. Eu sua entrevista para o Agro Guia, o presidente interino da Unica aponta as necessidades e os caminhos para o setor sucroenergético voltar a investir para crescer. 18

Agro Guia – Qual é o principal foco de sua gestão, nessa fase de transição entre a saída do Marcos Jank e a escolha do novo presidente da Unica? Antônio de Pádua Rodrigues – Nada muda na gestão da entidade. Independentemente de quem assuma a presidência executiva, a missão da Unica é liderar o processo de transformação do tradicional setor de canade-açúcar em uma moderna agroindústria capaz de competir de modo sustentável no


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Agro Entrevista

Brasil e ao redor do mundo nas áreas de etanol, açúcar e bioeletricidade. Agro Guia – O etanol brasileiro é referência em sustentabilidade no mundo. O que falta, em termos de políticas estratégicas do governo, para que o projeto tenha maior relevância nacional? APR – Do poder público são necessárias ações voltadas ao planejamento estratégico da matriz brasileira de combustíveis – permitindo uma maior previsibilidade ao mercado, medidas para a formatação de um marco regulatório que de fato reconheça os benefícios do etanol frente aos combustíveis fósseis, além de incentivar novos projetos (greenfields) e realizar leilões específicos para bioenergia. Do setor privado, são necessárias ações para a redução de custos, ganhos em eficiência e produtividade, além do desenvolvimento e disseminação de novas tecnologias. O setor entende que a política de manutenção da estabilidade do preço da gasolina nas bombas nos últimos seis anos pertence ao governo, e cabe apenas ao governo decidir pela alteração dessa estratégia. O que o setor quer é a desoneração tributária do etanol, a exemplo do que já vem ocorrendo com a gasolina. A Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Público), por exemplo, que em 2002 era equivalente a 14% do preço da gasolina na bomba, hoje representa apenas 2,6%. Ou seja, a diferença entre as cargas tributárias sobre a gasolina e o etanol é de apenas

quatro pontos percentuais, o que não valoriza os benefícios do etanol, colocando o Brasil na contramão do que se pratica em boa parte do mundo. Agro Guia – Quais os gargalos e desafios do setor sucroenergético brasileiro? APR – Defendemos a implantação de políticas públicas e privadas para que, em 10 anos, o país possa dobrar a produção de cana-de-açúcar. Queremos passar dos atuais 555 milhões de toneladas de cana para 1,2 bilhão de toneladas, em 2020, que produzirão 51 milhões de toneladas de açúcar, 69 bilhões de litros de etanol e 13 mil MW médios de bioeletricidade. Essa ambiciosa meta é necessária se quisermos continuar suprindo metade do combustível utilizado por veículos leves no Brasil (etanol hidratado puro e anidro misturado à gasolina) e metade do açúcar comercializado no mundo. Essa participação já foi alcançada em anos anteriores, depois de uma década de investimentos na qual crescemos mais de 10% ao ano. Agora é preciso buscar medidas para a retomada dos investimentos. Queremos investir R$ 156 bilhões no setor, dos quais R$ 110 bilhões na área industrial (o que inclui a construção de 120 greenfields) e R$ 46 bilhões na área agrícola. Com esse crescimento, o PIB do setor passará de US$ 48 bilhões para US$ 90 bilhões e as exportações saltarão dos atuais US$ 15 bilhões para US$ 26 bilhões. A mecanização da colheita já atinge 63% da área de cana de São Paulo e as novas

“Queremos investir R$ 156 bilhões no setor”

Agro Guia | Maio 2012

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Agro Entrevista

usinas já nascem mecanizadas. Estimamos uma aquisição adicional de, pelo menos, 11 mil tratores, plantadoras e colhedoras e 10 mil caminhões novos. Agro Guia – A Agência de Proteção Ambiental dos EUA reconheceu que o etanol de cana reduz a emissão de gases causadores do efeito estufa em até 91%, em relação à gasolina. O que significa esse reconhecimento? APR – Esse reconhecimento foi o primeiro passo para o país retomar as exportações de etanol para os Estados Unidos, além de demonstrar que o etanol de cana é sustentável e, em termos de agressão ao meio ambiente, é melhor do que qualquer outro combustível. Agro Guia – O que o setor sucroenergético representa para a economia brasileira? APR – Primeiro produtor mundial de açúcar, o Brasil responde por 25% produção e por 50% das exportações. É o segundo do ranking de produtor mundial de etanol, com 20% da produção e 20% das exportações. O PIB setorial é de US$ 48 bilhões e as exportações representam US$ 15 bilhões. Atualmente, conta com 430 unidades produtivas e 70 mil produtores de cana-de-açúcar e responde por 1,2 milhão de empregos diretos. É a segunda fonte de matriz energética do Brasil, com 18% do fornecimento.

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Agro Guia – O que mudou o círculo virtuoso do setor, iniciado em 2003, com o advento dos automóveis flex, e causou descompasso entre oferta e demanda de etanol, a partir de 2008? APR – Depois de 10 anos em pleno crescimento, a indústria desacelerou

depois da crise financeira de 2008, com os investimentos direcionados para a compra de empresas em dificuldades, graves problemas climáticos, aumento de custos e perda de competitividade do etanol frente à gasolina. Agro Guia – Pela sua vivência de mais de 10 anos na Unica e atuação no mercado há mais de 30, como o senhor vê o futuro do setor? APR – Altamente promissor. Tivemos ganhos efetivos de produtividade. Saímos de 2.600 litros de etanol por hectare e estabilizamos em 7.100 litros por hectare. Usando toda a tecnologia disponível, novas variedades e etanol de segunda geração, poderemos ultrapassar 20 mil litros de etanol por hectare. Com isso, e com a definição clara da participação do etanol na matriz de combustível, o Brasil continuará tendo a matriz mais limpa do planeta, com ganhos efetivos para o consumidor e o Estado brasileiro. Agro Guia – Qual a sua mensagem para o setor? APR – Vale lembrar que o Proálcool, como projeto, terminou na década de 80, porém, jamais morreu. Sobreviveu, cresceu, gerou emprego, renda, economizou divisas para o país. Vamos passar por esse momento ruim como já ultrapassamos tantos outros. Nossa atividade voltará a ocupar a escala que ela merece dentro do agronegócio.

“... as novas usinas já nascem mecanizadas”


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Foto LIDE

Agro História

Roberto Rodrigues

A referência do agronegócio brasileiro Uma das maiores autoridades do agro nacional, Roberto Rodrigues fez o mundo conhecer e respeitar a força do Brasil como grande produtor de alimentos. Foi nomeado o novo embaixador da FAO para o Cooperativismo

Por Paulo Roque 24


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Agro História

Ele é a referência do agronegócio brasileiro. Aqui e no exterior é reconhecido como a maior autoridade e porta-voz do setor, seus feitos o credenciam. Sua grande contribuição, entre tantas, foi fazer a agricultura ser respeitada ao dar a noção da força do agronegócio brasileiro ao próprio país e ao mundo. Nascido em Cordeirópolis, SP, Roberto Rodrigues que, em agosto completa 70 anos, já reclama, em tom de brincadeira, da aposentadoria, por idade, “isso não é aposentadoria compulsória, mas, sim, expulsória”, da sua cadeira de Cooperativismo, no Departamento de Economia Agrícola da Unesp Joboticabal. Coordenador do Centro de Agronegócios da Fundação Getulio Vargas, seu currículo é extenso, tão vasto e admirável quanto a sua vida e trabalho no setor mais importante da economia do Brasil. Aqui, ele tenta resumir toda a sua trajetória, do curso de Engenharia Agronômica na Esalq/USP – Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, em Piracicaba, à sua passagem pelo Ministério da Agricultura e aos dias atuais. No próximo dia 29 de maio, Roberto Rodrigues será nomeado embaixador da FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação) para o Cooperativismo. Cooperativismo Desde seu tempo de estudante, na Esalq, em Piracicaba, “já tinha um verniz sobre isso”, mas entrou pra valer no cooperativismo, em 1971 e, dois anos depois, assumiu a presidência da Coplana (Cooperativa dos Plantadores de Cana da Zona de Guariba). Em 1974, montou uma cooperativa de crédito rural. A pedido da Ocesp (Organização das Cooperativas do Estado de São Paulo) organizou uma rede estadual de cooperativas de crédito rural e, solicitado pela OCB (Organização das Cooperativas do Brasil), o Programa Nacional de Cooperativas de Crédito. Em 1985, ano da redemocratização do país, foi eleito presidente da OCB. “Com a convocação da Assembleia Nacional Constituinte, elegemos 47 deputados e criamos a Frente Parlamentar de Cooperativismo, que chegou a ter 217 deputados federais. Conseguimos inserir seis artigos na Constituição, dois fundamentais, o da autogestão,

que proíbe o Estado interferir na criação e funcionamento das cooperativas e o que exige o apoio e a promoção do cooperativismo pelo Estado.” Em 1989, filiou a OCB à ACI (Aliança Cooperativa Internacional), com sede em Genebra, Suíça e, seis anos depois, em 1997, foi eleito seu presidente – o único não europeu e o único do setor agrícola. Com a recente ascensão do José Graziano da Silva à diretoria geral da FAO, Rodrigues sugeriu a criação de um Departamento de Cooperativismo dentro organização. A FAO realizará uma reunião, em Roma, no próximo dia 7 de julho, Dia Internacional do Cooperativismo, para montar esse departamento. Agricultura Em 1965, terminou o curso de Agronomia, na Esalq, e foi trabalhar na fazenda do pai, a Santa Isabel, em Jaboticabal. Instalou um projeto baseado no tripé tecnologia (econômico), recursos humanos (social) e ecologia. “Naquele tempo, não se falava meio ambiente, era ecologia. E fiz um trabalho Agro Guia | Maio 2012

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Agro História

em cima desses três pontos, que são exatamente os pilares da sustentabilidade”, acentua. “Mais de 70 filhos de funcionários concluíram cursos de nível superior e médio, bancados inteiramente pela fazenda. Montei um centro de puericultura. Isso deu origem a uma mudança na estrutura da casa dos empregados, com banheiro, água encanada, forro, tudo voltado para a saúde. Mais tarde, fizemos um programa de habitação. Todas as 60 famílias que moravam na fazenda têm casa própria na cidade, financiadas pela Santa Isabel.” À sua ex-esposa, Eloísa, coube a tarefa de cuidar da parte ecológica. “Montamos um viveiro de mudas de espécies nativas e começamos a plantar árvores. Hoje, são 400 mil árvores nativas plantadas na fazenda. Toda questão ambiental, que se discute hoje, lá foi tratada há quatro décadas.” Foi pioneiro na introdução da rotação de culturas, soja com cana, que originou o Coplana, nome inspirado na sigla da Cooperativa de Guariba. Trata-se de um programa que incentiva a produção de cana em rotação com outras culturas geradoras de alimentos, inspirado na experiência da Fazenda Santa Isabel. A vertente agrícola o levou a secretário da Agricultura de São Paulo, quando criou a Agrishow, a partir de uma ideia do David de Araújo Neto, então presidente da Sociedade Rural do Paraná. Através de um convênio

com a Abag (Associação Brasileira de Agronegócio), montou a feira em Ribeirão Preto. “Eu digo que a Agrishow é um ponto de inflexão à tecnologia de mecanização agrícola no Brasil”, enfatiza. Enquanto presidente da OCB, via que a agricultura não tinha força política, não era olhada com respeito, nem pelo governo, nem pela sociedade, e imaginava como criar um modelo de força política. E criou a Frente Ampla da Agropecuária Brasileira, com o Alysson Paolinelli, à época constituinte, e o Flávio Telles de Menezes, da Sociedade Rural Brasileira, que chegou reunir 73 entidades. “Elaboramos, com o apoio do economista Alberto Veiga, a Carta de Princípios da Frente Ampla, de sentido liberal, que foi a base doutrinária para a criação da Abag. A Frente Ampla foi muito importante, porque deu ao agro brasileiro a noção de força”, relembra Rodrigues.

“... a Agrishow é um ponto de inflexão à tecnologia de mecanização agrícola no Brasil”

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Ministério da Agricultura De 1 de janeiro de 2003 a 3 de julho de 2006, ocupou a pasta da Agricultura no governo Lula. “Tive dificuldades, não era filiado a nenhum partido, muito menos ao partido governista, que tinha certos conceitos sobre agricultura que não eram desenvolvimentistas. Fui com a clara intenção de montar as bases da agricultura do futuro, o que implicava muitas mudanças estruturais”.


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Agro História

Como ministro promoveu a completa reestruturação do ministério, trabalhou pelas leis de biotecnologia, dos produtos orgânicos, seguro rural, novos documentos de comercialização, regulamentou a defesa sanitária, ampliou o comércio agrícola brasileiro e implementou as bases de uma agricultura moderna, com ênfase na agroenergia. Segundo ele, “tudo caminhava bem. Com a crise financeira mundial (2004/2008) fomos colhidos por uma série de fenômenos. Entre 2004 e 2006 os preços agrícolas despencaram, os custos de produção subiram. Houve seca no Sul do país, deixamos de colher quase 100 milhões de toneladas de grãos. A inadimplência explodiu. Apareceu a aftosa no Mato Grosso do Sul e no Paraná, além da gripe aviária. Os agricultores tinham que ser socorridos, ao mesmo tempo em que preparávamos a grande estrutura do ministério”. “Não havia nenhuma sensibilidade na área financeira do governo para resolver os problemas. Os produtores esperavam que eu resolvesse, porque sabiam que, como líder rural, eu tinha clareza dos problemas. Sabiam que eu sabia resolver, mas ministério não tinha o poder das soluções. Assim, o desgaste enorme na negociação com as outras áreas do governo acabou me tirando a alegria de continuar trabalhando pelo agro brasileiro como governo. Então me demiti”, desabafa. A única coisa que pedia a Deus, enquanto ministro, era que sua paixão à agricultura o aceitasse de volta, compreendendo tudo aquilo que tinha ocorrido. E confessa: “tinha muito medo de não ter o mesmo carinho, o mesmo respeito que tinha antes de ir para o gover-

no. Mas, graças a Deus isso não aconteceu, fui recebido de braços abertos e montei o Cosag (Conselho de Agronegócio) e o Deagro (Departamento de Agonegócio) da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo). E foi possível realizar um sonho de 30 anos, lançar o SouAgro, “movimento que tem como objetivo estabelecer uma comunicação mais consistente com a sociedade urbana para mostrar, para o rural e para o urbano, a intensa interdependência que ambos têm um do outro. O Cosag permitiu isso e o Sou Agro foi o instrumento para fazer isso acontecer”.

“A Frente Ampla foi muito importante, porque deu ao agro brasileiro a noção de força” Foto Renan Antonelli

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Agro Agricultura/ Commodities

MILHO Crescimento Segundo estimativa da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), o Brasil deve bater o recorde de produção de milho, com 6 5.903 milhões de toneladas, ante 57.407 t na safra anterior, crescimento de 14,8 % na comparação. A previsão, para o milho segunda safra é de crescimento de 40,6%, equivalente à produção de 8,70 milhões de toneladas. A produção do milho primeira safra cresceu apenas 0.6%. A área cultivada com milho apresentou crescimento, destaque para o milho segunda safra, que cresceu 21,7% ou 1,280 milhão de hectares, e de primeira safra, com ganho de 4,6% ou seja, de mais 366 mil hectares. SOJA Exportações em alta A colheita da soja está terminando e a pesquisa da Conab estima redução de 8,7 milhões de toneladas, de 75,32 milhões/t colhidas em 2010/2011 para 66,68 milhões/t na atual safra. Segundo o Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), as exportações do complexo soja cresceram nos primeiros quatro meses 28

de 2012, na em relação ao mesmo período do ano anterior: de US$ 6 bilhões para US$ 8 bilhões, uma evolução de 27%. Os destaques foram soja em grão (36%); farelo de soja (8%) e óleo de soja (20%). CAFÉ Colheita recorde O segundo levantamento da safra 2012 de café, divulgado no início de maio, pela Conab, em parceria com o Mapa estima 50,45 milhões de sacas beneficiadas, ante 43,48 milhões de sacas de 60 kg, aumento de 16%. O avanço é creditado à alta bienalidade da cultura e ao investimento realizado pelo produtor. Como a expectativa de consumo é de 20 milhões de sacas de café no mercado interno e exportações de 30,5 milhões de sacas, praticamente não sobra excedente para estoque no Brasil. CANA-DE-AÇÚCAR Produção menor A produção de açúcar da região Centro-Sul foi estimada em 32 milhões de toneladas pela trading Copersucar, no começo deste mês. O número fica abaixo da expectativa da Unica (União da Indústria da Cana-de-Açúcar), que é de 33,1 milhões de toneladas, e do levanta-

mento da Conab, que é de 38,85 milhões/ t, ambos divulgados em abril. A Conab prevê moagem de 602,2 milhões de t de cana, na safra 2012/2013, ganho de 5,4% em relação à safra 2011/2012 para a produção de cana. A Conab trabalha com expectativa de produção de 23,96 bilhões de litros de etanol, 4,81% de incremento em relação à safra 2011/2012. ALGODÃO Fase de baixa Segundo a pesquisa da Conab, a área plantada com algodão no País, na safra 2011/2012, é de 1.391,4 mil hectares, 0,6% abaixo dos 1.400,3 mil ha cultivados na safra anterior. Retração creditada ao aumento da produção mundial na safra 2011/2012, redução do consumo mundial e crescimento dos estoques de passagem, com reflexos na forte queda nos preços internos e externo. A produtividade média do algodão em caroço deverá chegar a 3.717 quilos/ hectare, ante 3.705 kg/ ha na safra passada, crescimento de 0,3%. A pesquisa estima redução da produção de algodão em pluma, de 0,5% em relação à safra anterior, de 1.959,8 toneladas para 1.950,5 mil t. (BM)


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Agro Pecuária/Commodities

BOVINOS Foco no mercado externo A ocorrência de um caso de doença de vaca louca nos Estados Unidos abre perspectivas para o Brasil ganhar espaço nas exportações de carne bovina e conquistar novos mercados. Para Antonio Camardelli, presidente da Abiec (Associação Brasileira dos Exportadores de Carne Bovina), o registro da doença nos EUA abre a possibilidade de o Brasil agregar valor ou entrar em mercados nos quais não atua, como Coreia do Sul, Japão, Taiwan e Indonésia, países que tradicionalmente pagam mais pela carne bovina. Em 2011, os embarques brasileiros caíram 11%, para 1,09 milhão de toneladas.

47.734 toneladas e apurou US$ 125,22 milhões, retração de 13,89% na receita no mesmo comparativo, segundo a Abipecs (Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína). Porém, de janeiro a abril, as importações absorveram 171.466 t, aumento de 1,39 % em toneladas e queda de 3,49% em receita de US$ 440,57, em relação ao primeiro quadrimestre do ano passado. Os principais destinos da carne suína brasileira, em 2012 foram Hong Kong (45.082 t e 26,29 % de participação), Ucrânia (36.889 t, 21,51%) e Rússia (30.293 t, 17,67 %).

SUÍNOS Exportações em queda Em abril, os embarques de carne suína caíram 6,30% em relação ao mesmo mês de 2011. O País exportou

Foto Divulgação

FRANGOS Receita menor A receita com as exportações de carne de frango caiu 0,5% no primeiro quadrimestre de 2012, em relação ao mesmo período do ano passado, totalizando US$ 2,543 bilhões, segundo a Ubabef (União Brasileira de Avicultura), que registrou aumento de 3,7% nos embarques, de 1,3 milhão de toneladas, no período analisado. O Oriente Médio, principal destino, importou 433,5 mil t de carne de frango, queda de 9,4% em relação ao mesmo período do ano passado. Já a Ásia, segundo maior importador, comprou 388 mil toneladas, 12,7% acima do mesmo período de 2011. As exportações para a África cresceram 43,9%, totalizando 210,7 mil toneladas. O mercado trabalha com expectativa de aumento de 2% nas exportações brasileiras, este ano.

AGRO NÚMEROS R$ 3 BILHÕES é a receita adicional, prevista para 2012, pelo Grupo JBS, com a locação de ativos da Doux Frangosul e incorporação das 12 unidades de bovinos.

R$ 34,5 MILHÕES foi o lucro líquido BRF Brasil Foods no primeiro trimestre de 2012, um aumento de 47% em relação ao período do ano passado.

R$ 33,160 MILHÕES foi o lucro da SLC Agrícola no primeiro trimestre deste ano, avanço de 48,2% sobre os R$ 22,373 milhões do mesmo período de 2011. Agro Guia | Maio 2012

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Agro Sustentabilidade

A partir da esquerda: Álvaro Dilli, Markus Heldt, Eduardo Leduc e Jaime Stupiello

É possível avaliar erros e acertos

Surge uma ferramenta capaz de mensurar impactos no meio ambiente dentro da cadeia produtiva É possível medir e avaliar sustentabilidade dentro de uma propriedade e mensurar os impactos provocados ao meio ambiente? A resposta chega através da Basf que, durante a sua Conferência Global para Imprensa da Unidade de Proteção de Cultivos, realizada em maio, em São Paulo, apresentou o AgBalance, um método capaz de apontar erros e acertos no setor produtivo e, assim, facilitar a busca de soluções. A nova ferramenta, que exigiu investimentos de 2 bilhões de euros, representa, segundo a empresa alemã, uma evolução de socioeficiência, com ênfase na sustentabilidade na agricultura. Para chegar a resultados criteriosos na análise das propriedades, a metodologia conta com 69 indicadores ligados aos três pilares da sustentabili30

dade – econômico, social e ambiental –, para calcular cerca de 200 fatores de avaliação. O AgBalance é aferido pela TÜV Süd da Alemanha, a norueguesa DVN (Det Norske Veritas), e pela NSF (National Sanitation Foundation), dos EUA. Segundo Markus Heldt, presidente mundial da Divisão de Proteção de Cultivos da Basf, “o Brasil chama a atenção de todo o mundo quando o assunto é a produção de alimentos e bioenergia. Porém, para atender a essa demanda é preciso que o agronegócio brasileiro esteja preparado para participar de processos de certificações, cumprindo às exigências de boas práticas de gestão cobradas pelos países importadores”. Foram apresentados resultados de testes realizados na SLC Agrícola


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Agro Sustentabilidade

(Fazendas Planalto, no Mato Grosso do Sul, e Fazenda Panorama, na Bahia) e na usina sucroalcooleira Guarani, em São Paulo. No caso da SLC, o estudo avaliou e comparou a produção de soja, milho e algodão, além da cadeia de suprimentos e logística de escoamento. Entre os vários pontos analisados, foi constatado que se o consumo de fertilizantes nas duas fazendas fosse reduzido em 10%, seriam economizados 14,8 milhões KWH, energia suficiente para abastecer, durante um ano, duas mil casas, o que evitaria a emissão de 7,9 mil toneladas de CO2. O gerente de sustentabilidade da SLC, Álvaro Dilli, afirma que a empresa tem como principal desafio a otimização do uso de insumos para garantir a produtividade das culturas. “A sustentabilidade não é algo esotérico, é possível lidar com ela. Não podemos esquecer que teremos nove bilhões de seres humanos para alimentar por volta de 2050”, disse. Na Guarani foram feitas avaliações nas unidades de Andrade, em Pitangueiras, e de Cruz Alta, em Olímpia. Foram apontadas falhas no aproveitamento dos subprodutos do processamento da cana-de-açúcar usados como fertilizantes minerais. O diretor agrícola da Guarani, Jaime Stupiello, afirmou que não havia, ainda, percepção do impacto ambiental, mas adiantou que a empresa desenvolveu um equipamento para a distribuição de nutrientes e destacou a importância da agricultura de precisão como ferramenta de apoio ao setor produtivo no que diz respeito à sustentabilidade.

“Para nós, sustentabilidade é produzir mais, consumindo menos produtos não renováveis. E é possível ver em qual parte do processo ocorre a degradação do meio ambiente, além de identificar pontos de melhoria para a excelência operacional do agronegócio”, acrescenta Eduardo Leduc, vice-presidente sênior da Unidade de Proteção de Cultivos da Basf para América Latina, Fundação Espaço ECO e Sustentabilidade para a América do Sul. (PR)

“Basf investiu 2 bilhões de euros em nova ferramenta de sustentabilidade para a agricultura”

Eduardo Leduc da Basf

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Foto Zzn Peres

Agro Produtor

Evandro Guimarães, proprietário da Fazendas do Basa

Senhor Rede Gado Bom

O empresário Evandro Guimarães propõe um novo modelo de política pública para aumentar a produção brasileira de leite Por Béth Mélo

Planejamento estratégico e observação do trabalho do avô na lida com o gado foram decisivos para Evandro Guimarães investir na atividade pecuária. Criado em sua cidade natal, a mineira de Leopoldina – onde seu pai, um farmacêutico, e sua mãe, uma professora, exerciam suas atividades profissionais –, herdou do avô, fazendeiro em Muriaé, o gosto pelo campo. Pela proximidade com o Rio de Janeiro, estudou na FGV (Fundação Getúlio Vargas). “Concluí o curso de administração e vim para São Paulo, onde estão as grandes empresas.” Passou apenas por três grandes companhias na capital paulista, sempre na área de comunicação (marketing): Ciba-Geigy (incorporada à Novartis em 1996), Caloi e Rede Globo, onde fez carreira por 34 anos, até janeiro deste ano. 32

A experiência empresarial e o conhecimento prático contribuíram para torná-lo conhecido no meio pecuário como grande investidor em genética de ponta. E culminou com um projeto que tem como proposta revolucionar a atividade leiteira no Brasil, a Rede Gado Bom. Dia 19 de maio, durante o 4º Leilão Girolando, em Muriaé (MG), Guimarães lançou o projeto e anunciou os quatro primeiros parceiros oficiais, Cleverson Boechat, Wesley Louzada, João Cruz e Jorge Pereira de Souza – produtores de leite da região da Zona da Mata Mineira e municípios vizinhos da fronteira de Minas com Rio de Janeiro e Espírito Santo, num raio de 100 quilômetros de suas fazendas. “Esse é o meu sonho, ajudar os produtores dessa região”, observa


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Agro Produtor

e acrescenta: “a Rede Gado Bom é um novo ciclo de esperança para a região que era uma importante bacia leiteira. Só Leopoldina produzia 250 mil litros de leite por dia, todo mundo tinha gado de leite, hoje, o produtor está desanimado”. Segundo ele, a rede é um novo modelo de atividade privada, que mereceria tornar-se uma política pública para aproveitar a expertise do Brasil: genética leiteira de alta qualidade, conhecimento tecnológico, escala de produção e os melhores laboratórios de FIV (fertilização in vitro). “Com esse pacote completo, o País pode fazer uma revolução no gado de leite, com um esforço empresarial privado e dos governos federal e estadual, para mudar o rebanho brasileiro”, afirma. Evandro Guimarães é proprietário das Fazendas do Basa, com atividades voltadas para a produção de leite, de animais girolando e seleção de gir leiteiro. São três propriedades, com cerca de 1.600 hectares, todas em Minas Gerais: Leopoldina, Muriaé e Cataguases. Conforme explica, a proposta da Rede Gado Bom é trocar milhões de fêmeas de baixa produção (a média brasileira é por volta de 3,8 quilos de leite), a partir de girolandas F1 de fêmeas gir leiteiro altamente produtivas, que seriam base de animais ¾ ou ¼ (Nordeste), e elevar a média nacional acima de 15 quilos de leite, em poucos anos. O rebanho leiteiro brasileiro é estimado 30 milhões de cabeças e a produção total alcança 30 bilhões de litros de leite. Em Leopoldina, o criador possui um núcleo de genética de gir leiteiro

para produzir e comercializar girolando F1 de alta qualidade, para atender os parceiros. Como uma agência facilitadora, o núcleo da rede será responsável pelo fomento técnico e comercial, pela produção e comercialização de gado que tenha padrão, além de procedência e genética conhecidas. “Resumindo, a rede facilitará financiamento, genética, tecnologia e gestão.” O titular da Fazendas do Basa pretende espalhar o projeto Rede Gado Bom pelo Brasil, com a formação de novos rebanhos núcleos, envolvendo, no total, cerca de 300 produtores. “Com a integração na pecuária de leite, como já ocorre em suínos e aves, poderíamos trocar 30 milhões de cabeças de gado de qualidade ruim, em um período de 4 a 5 anos, reduzindo o rebanho, mas com potencial para produção muito maior”, explica. Segundo ele, a procura já começou e há interesse de produtores da sua região, de Tocantins e Rio Grande do Sul, além de contatos com os governos de Alagoas, Sergipe, Ceará, Bahia, entre outros. Com alguns

“País pode fazer uma revolução no gado de leite, com um esforço empresarial privado e dos governos” Agro Guia | Maio 2012

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Agro Produtor

Estados ele está conversando e, com outros, oferecendo a ideia, seguindo o modelo da Rede Gado Bom.

Foto Zzn Peres

Investimentos Guimarães acumulou muito gir leiteiro bom, para ter um estoque de alta qualidade e atender à demanda da rede. Há cerca de 6 anos, começou a investir pesado. Adquiriu prenhezes e bezerras das melhores matriarcas desta raça, de aptidão e alta produção leiteira em controle oficial. Até criou uma campanha com o mote “doadoras filhas da mãe”, para divulgar seu time de matrizes gir leiteiro. Uma lista com mais de 140 nomes. Para aperfeiçoar o girolando, primeiro, multiplicou o rebanho de gir leiteiro com as doadoras de altíssima qualidade e há cerca de dois anos começou a produzir girolando F1 a partir de fêmeas gir leiteiro de alta produção – acima de 7 mil

Empresário quer revolucionar a pecuária leiteira do Brasil

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quilos. O criatório está fechando a lactação das fêmeas e muitas delas superam 10 mil quilos de leite na primeira lactação. Evandro Guimarães deixa um recado para o produtor: “Só compre gado certificado, com papel. Registrar o gado é o mínimo que o produtor deve fazer para ter boa produção e cooperar com o melhoramento genético do rebanho leiteiro nacional.”

“Só compre gado certificado, com papel. Registrar o gado é o mínimo que o produtor deve que fazer”


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Você sabia que... A irrigação bem implementada é importante para preservar o meio ambiente? Atualmente, a agricultura é uma das maiores usuárias de água no mundo. Cerca de 70% da água derivada dos cursos dos rios para uso humano é destinada à processos de irrigação. Sem esses processos, não conseguiríamos suprir as necessidades mundiais por alimentos, pois, ainda que pouco utilizados – cerca de 17% de toda área cultivada no mundo –, são responsáveis pela produção de 40% dos alimentos. Seguindo as tendências internacionais de redução da supressão de matas nativas, contrapondo com a crescente demanda mundial por alimentos, o desafio de se produzir mais em uma menor porção de solo passa a ser uma real necessidade de produtores rurais, e não apenas uma opção. Irrigar é somente um dos fatores para se conseguir benefícios econômicos, sustentabilidade social e ambiental. O propósito que se faz necessário neste momento é pensar no desenvolvimento de novas técnicas de manejo, de ferramentas computacionais e de novas tecnologias de irrigação. Tudo isso deve vir acompanhado de variedades produtivas e com bom valor comercial,

adubações, tratos culturais apropriados etc., de modo que cada gota de água ou cada m2 de terra seja utilizado da forma mais eficiente possível. A irrigação significa progresso e crescimento, sendo assim, não deve ser vista como algo que destrói o meio ambiente, mas sim, como fator de boa utilização dos seus recursos, claro, se bem implementada. Fonte: Página Rural (2012), “Irrigação: símbolo de progresso ou de destruição do meio ambiente?”. Página consultada em 4 de maio de 2012, <http://www.paginarural.com.br/ artigo/708/irrigacao-simbolo-de-progresso-oudedestruicao do-meio-ambiente> BERNARDO, S. (2008), “Impacto Ambiental da irrigação no Brasil”. Palestra Winotec 2008. Consultado em 4 de maio de 2012, http:// www.agr.feis.unesp.br/imagens/winotec_2008/ winotec2008_palestras/Impacto_ambiental_ da_irrigacao_no_Brasil_Salassier_Bernardo_ winotec2008.pdf

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Informe Agro Econômico

Momento de definições no mercado de milho O mês de maio é dos mais importantes para o mercado de grãos. O mercado global é centrado em torno do milho, cuja produção se aproxima de 1 bilhão de toneladas e praticamente se iguala à soma de todos os outros grãos. A produção também é concentrada nos Estados Unidos, onde a produtividade atinge o dobro dos demais países. A produção americana possui assim grande influência sobre o mercado de milho no mundo inteiro. O preço do milho também interfere no preço de outras culturas, até mesmo em oleaginosas como a soja. A interferência vem do tamanho da cultura e da competição por terras. Como exemplo, o preço em alta do milho nos últimos seis anos desde que a produção de etanol cresceu ao ponto de usar 40% da produção americana de milho, elevou vários outros preços agrícolas internacionais, havendo, inclusive, a causalidade estatística do preço do milho sobre os demais. Por essas razões, a evolução do plantio americano chama tanto a atenção. O primeiro destaque é o recorde de intenção de área plantada. A área cresceu nos últimos anos, mas o crescimento deste ano é ainda mais expressivo. Outro destaque é a perspectiva desta safra atingir o recorde de produtividade, o que formaria a combinação de área, rendimento e produção mais elevados até o momento. A produtividade do milho vem sofrendo os efeitos da mudança climática. O rendimento caiu nos últimos anos, em particular na safra passada. A queda no rendimento evitou que o aumento de área fosse capaz de atender a demanda crescente. A insuficiência da oferta reduziu o estoque de milho nos Esta36

dos Unidos e no mundo, exatamente no momento em que a segurança alimentar exige maiores estoques para a proteção contra os riscos de quebra de safra pelas anomalias do clima. A perspectiva de esta safra recuperar os estoques de milho terá várias implicações. Uma vez que se confirme a área e a produtividade recordes, a oferta vai encontrar uma situação entre a estabilidade e a queda do uso de milho para a produção de etanol. Os Estados Unidos, assim como o Brasil, adicionam etanol à gasolina e a combinação de petróleo em alta, eficiência e combustíveis alternativos está reduzindo a demanda por gasolina, o que diminui o uso de etanol para a mistura. A proporção de milho destinado ao etanol recua de 41% para 34% nesta safra. Por essa razão a oferta de milho para outros usos irá crescer em um terço nesta safra. Os estoques de milho nos Estados Unidos serão recompostos de 6% para 14% do uso, o que traz um conforto para o mercado e retira o prêmio de escassez do preço do milho. A primeira condição para a produtividade recorde é o plantio na época correta. O rendimento da safra se relaciona fortemente com a proporção do plantio realizado até meados de maio. A proporção de 87% da área prevista já plantada neste início de maio é das maiores já registradas, o que proporciona um excelente ponto de partida para a safra enfrentar a segunda condição para uma boa produtividade, a qual depende do clima entre julho e agosto. Esta condição inicial já foi suficiente para deixar a cotação dos contratos futuros na bolsa de Chicago, com vencimento após a safra, cerca de 15% abaixo do preço


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Informe Agro Econômico

atual. Este recuo implícito na curva de preços futuros enfrenta o risco de não se confirmar, caso anomalias climáticas interfiram na perspectiva de oferta. Porém, por outro lado, este recuo já presente na curva futura pode ser ainda maior, na medida em que a possibilidade de safra recorde ganhe contornos mais concretos até a colheita em agosto. Os efeitos da recomposição dos estoques de milho nos Estados Unidos irão muito além do próprio mercado de milho. A menor pressão dos baixos estoques e a consequente redução no preço e na rentabilidade do milho irão liberar área para outras culturas, o que vai reduzir o preço futuro de outros grãos e de oleaginosas, como a soja, que podem ganhar área plantada sobre o milho no ano que vem. Outro risco para a não concretização da queda do preço do milho é a possibilidade de outra região do mundo decidir elevar as suas importações para recompor estoques. O estoque na Ásia está em queda este ano pela rápida expansão do uso do milho, enquanto os demais países possuem a perspectiva de manter o volume estocado estável. A tentativa de manter a mesma relação entre o estoque e o uso no sul da Ásia e na China, além de outros importadores relevantes como a União Européia e o Egito, retirariam um quinto do aumento de estoque previsto para os Estados Unidos, o que não parece tão dramático. O preço do milho no Brasil recuou antes do preço nos Estados Unidos, pois a boa safra de verão garantiu a oferta e estoque adequados no mercado doméstico. A colheita dentro de algumas semanas da safrinha, a qual apresentou quebras muito específicas, possui boa perspectiva de reforçar o quadro da oferta doméstica. A queda do preço internacional só não chegou com mais força à curva de preços na BM&F por conta da forte desvalo-

rização do real desde o início de março. A questão fundamental para o mercado global de milho é mesmo a confirmação da área e da produtividade da safra americana. As forças de mercado fizeram a sua parte no sentido de incentivar o aumento da área plantada. As forças da natureza deram uma primeira contribuição ao permitir o plantio no período adequado. Resta saber se estas mesmas forças irão colaborar para a confirmação da produtividade recorde ao proporcionar as condições climáticas ideais entre julho e agosto. Se tudo sair dentro do ideal, o mercado de grãos irá mudar depois desta safra.

Para outros relatórios e informações acesse: www.bancooriginal.com.br economia@bancooriginal.com.br

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Agro Educação

Confira as oportunidades de cursos de capacitação, treinamento e especialização - Junho IAC e ANDEF MBA em Fitossanidade Dia 25 de junho encerram as inscrições para o MBA em Fitossanidade do IAC (Instituto Agronômico de Campinas) em parceria com a Andef (Associação Nacional de Defesa Vegetal). Duração de um ano e meio. São 50 vagas e a seleção será por meio de análise de currículo. Início das aulas programado para 1.º de agosto e o custo do investimento é 18 parcelas no valor de R$ 500,00, mais a taxa de matrícula de R$ 100,00. Os interessados deverão preencher a ficha de pré-inscrição no site http:// www.eadiac.com.br/ pre-inscricao-form.php. O candidato que possuir vínculo empregatício deverá apresentar Carta de Concordância da empresa para a realização do curso e a liberação para as aulas presenciais. Cursos pela TV O Canal Rural já está transmitindo, aos sábados e domingos, às 6 horas, o Agrocurso, criação e realização da Fazu (Faculdades Associadas de Uberaba), voltado para a capacitação de trabalhadores rurais, com direito 38

a diploma. Inicialmente, serão três cursos direcionados à criação de gado, com os temas Manejo de Bovinos, Planejamento e Gestão na Fazenda de Pecuária de Corte e Nutrição e Alimentação de Bovinos. As aulas poderão ser acompanhadas pela TV, mas só receberá o certificado quem fizer a inscrição na internet. A matrícula custa R$ 150 ou R$ 100 para sócios da ABCZ (Associação Brasileira de Criadores de Zebu), entidade parceira da Fazu e do Canal Rural no projeto. Cada curso tem 40 horas/aula. CPT Cursos Presenciais • Anestesias em Equinos, 2e3 • Diagnóstico de Claudicação em Equinos, 4 a 6 • Primeiros Socorros em Bovinos, 6 a 8 • Cirurgias em Bovinos a Campo, 15 a 17 • Andrológico em Bovinos, 1 a 3 • Palpação Retal em Bovinos, 7 a 9 • Ultrassonografia e Aspiração Folicular para FIV em Bovinos, 10 a 14 • Exame Andrológico em Pequenos Animais, 12 e 13 • Neurologia em Pe-

quenos Animais, 14 a 17 de junho • Cão Pastoreiro ( básico), 20 a 22 • Cão Pastoreiro (avançado), 22 a 24 • Manejo Reprodutivo em Equinos, 15 a 17 • Palpação Retal e Ultrassonografia na Reprodução Equina, 18 a 20 • Planejamento e Produção de Frango de Corte, 23 a 25 • Abate, processamento e comercialização de farngo de corte, 26 a 28 • Alimentos e alimentação de frango de corte, 28 a 30 • Manejo Intensivo de Pastagens para a Bovinocultura, 25 a 27 • Interpretação Ultrassonográfica em Pequenos Animais, 29/6 a 01/7 Faculdade Cantareira Inscrições abertas para os seguintes cursos de pós-graduação, com início das aulas em agosto: Agronegócios, Ambiência e Bem Estar de Animais de Produção, Rastreabilidade e Certificação de Produtos de Origem Animal, Saúde Pública e Meio Ambiente, Educação Ambiental e Meio Ambiente Mais informações, tel. (11) 2790-5900, site: www. cantareira.br


AgroGuia Ed. Maio 2012  

Suplemento Mensal de Agronegócio no Jornal Folha de S. Paulo.

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