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olh ar d fot ógr e afo

Guarapuava - jun/2011 - Ed 3 . Ano 07

revista

Ágora

p. 26


índice literatura música

uma leitura nada convencional a dança das palavras

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a transa entre dois cinemas

14 18 22

fotografia

clério back: o retrato de um artista

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ex-preguiça

Judô: a arte da disciplina

34

download

malefícios da tecnologia

caixa zero

coletivando benefícios

cinema

kitnet RG

pode entrar, só não repara a bagunça

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estamira, para todos e para ninguém

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Las Meninas - Picasso

eu que fiz

project arcadia

expediente

equipe ágora

49 50


editorial

EM BUSCA DO ENQUADRAMENTO PERFEITO A fotografia é o retrato da vida que nos conduz a caminhos no mínimo inusitados. Perplexos, nos deparamos com uma imagem que, seja pela composição ou até mesmo pela cor, nos remete a um mundo de ideias e sentimentos. Nostalgia, lembrança, adoração, revolta, tudo em torno da magia existente entre o fotógrafo e o seu recorte, da química que envolve seus dedos com a máquina e que fazem no disparar de um gatilho o instante perfeito. É nessa atmosfera poética e romântica da fotografia que a revista Ágora chega a 3ª edição. Nossa capa remete ao trabalho do fotógrafo Clério Back e sua relação com a imagem e o cinema. Além disso, entre os destaques estão ainda os judôcas e a realidade esportiva guarapuavana, o novo livro do poeta Giancarlo Marinho e a façanha possível com os sites de compra coletiva. Saiba mais sobre os malefícios da tela do computador sobre os olhos e o ’problema psicológico’ da bagunça em kitnets. Temos também uma matéria sobre os cinemas de Eduardo Baggio e Christian Caselli, dois inventivos cineastas que passaram pela cidade mostrando seus filmes e suas ideias. Já no ritmo, o Ágora caminha em estradas ora precisas, ora tortuosas, mas cujo perfil experimental aliado ao potencial do meio impresso proporcionam um terreno fértil para a expressão criativa. O intelectual francês Voltaire disse uma vez: “A leitura engrandece a alma”. É nessa perspectiva que a equipe da revista lhe convida, caro leitor, a ler as próximas páginas de mundo jovem. Aliás, a idade nunca foi motivo de barreira para engrandecer a alma, muito pelo contrario, é na juventude que está concentrada toda a energia necessária para a viagem. Boa leitura.


Uma

LITERATURA

Matéria: Ana Carolina Pereira

ET CLICHÉS QUEBRA NORMAS E RIMAS, COM A INTENÇÃO DE CAUSAR IMPACTO NO LEITOR

convencional

nada

leitura


04-05


[

O que esperar de um livro de poesia sem rimas, com palavras ao avesso e versos invertidos? O autor Giancarlo Marinho Costa explica:“São ironias que eu faço com as palavras, quebrando as rimas; solto uma frase para deixar o leitor pensar a situação”. À primeira vista, o livro Et Clichés pode despertar indagações pela falta de uniformidade e integração, mas isso é intencional, resultado da utilização de formas de expressão não convencionais em prol de uma identidade literária. O escritor e professor de filosofia afirma que Et Clichés, seu quinto livro, foi bem recebido pelo público, porém o formato das poesias causaram polêmica. “Algumas pessoas pensam que é exagero, pois faço algumas críticas fortes à arquitetura e à cidade, que podem até parecer romantizadas”. Sem um formato definido, o conteúdo é justamente trabalhado para causar impacto e despertar a imaginação do leitor. A partir da leitura não convencional, a doutoranda Milene Bicudo descreve a impressão que teve do livro: “Como leitora de livros técnicos, revistas científicas e romances policiais, confesso que o livro me surpreendeu. O conteúdo tem a intenção de total interação com o leitor, por meio de um constante cruzamento de formas, estilos e linguagens”. A inspiração para o livro, segundo Giancarlo Marinho, veio da própria convivência social, bagagem cultural e, ainda, do desafio de romper a ideia de linearidade. “O livro não tem o começo, meio e fim de uma história. Procurei fazer poesias de todas as formas possíveis, tem poesias que vão estar de cabeça para baixo e outras em branco, por exemplo”. Por meio de expressões e formas geométricas, o livro traz a representação de um processo histórico, como explica Milene Bicudo.“A visão de mundo que o autor expressa na poesia indica de forma metafórica as experiências humanas marcadas pelo medo e pela impossibilidade de superação dos conflitos e das dificuldades, ainda que estas não sejam esclarecidas, cabendo ao leitor apontar suposições para a identificação”.

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“São ironias que eu faço com as palavras”

Escritor: Giancarlo Marinho

“O livro não tem o começo, meio e fim de uma história” Fotos: Ana Carolina Pereira

06-07


“A poesia é construída a partir da metáfora e da subversão da língua”

“O conteúdo tem a intenção de total interação com o leitor”

Leitora: Milene Bicudo Fotos: Ana Carolina Pereira


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Giancarlo Marinho conta que o interesse e gosto pela escrita começou cedo, aos sete anos de idade. Além da literatura, o autor revela que também é apaixonado pelo cinema. “Cinema e literatura se completam. O cinema revela o que um livro não consegue mostrar, esse nosso mundo reduzido”. Natural de Recife, o autor do livro relata que a cultura em que nasceu e foi criado o influenciou significativamente na vida cultural. “Vivi em um ambiente que tinha Maracatu, Cavalo Marinho, os Emboladores de Coco, que são as manifestações culturais da minha região”. O processo de produção do livro foi pensado a partir dos hábitos de uma sociedade audiovisual. “Leitura é hábito, o problema está no comodismo das pessoas. Uma criança de seis anos, por exemplo, chega à educação infantil graduada em televisão, isso sem contar com a internet. Sendo assim, como fazer essa sociedade criar o hábito da leitura?”. Daí surgiu a opção de democratizar o livro. “A ideia principal foi disponibilizar a obra Et Clichés na internet para download gratuito. Não para vender”. Segundo Giancarlo, o livro perde todo o sentido e a essência quando visto apenas como mercadoria, principalmente em um país onde não existe o hábito da leitura. Por meio de formatos desregrados da construção literária, Et Clichés retrata as questões políticas e sociais da sociedade. “Muita gente pode não entender a ideia de clichés, mas, o que eu poderia destacar são essencialmente minhas ironias com as palavras”, finaliza o autor. Para os interessados em uma leitura não convencional fica a dica de Milene Bicudo: “É uma experiência diferente, onde a poesia é construída a partir da metáfora e da subversão da língua”.

08-09

[


de cabeça para baixo:

exemplo é a poesia montada

normas literárias. Um

livro está na quebra das

Marinho, a essência do

Como explica Giancarlo

Et Clichés Rio de Janeiro, 20 de dezembro de 2010. Editora Prestígio. Gênero: poesia brasileira, poesia concreta.

Et Clichés é o quinto livro do autor pernambucano Giancarlo Marinho Costa. A obra tem 245 páginas e transita pelo terreno concretista, com fortes influências de Pignatari, Antunes, Leminski e dos irmãos de Campos. Suas poesias são de caráter social e político. A capa do livro é de autoria do artista visual gaúcho James Zortéa, que sem quebrar a tensão traçada nas linhas retas, se inspirou nas galáxias de Haroldo de Campos.

SINOPSE DO LIVRO

NO DIA SEGUINTE:

TRAGO EM HÁBEAS INSTINTOS ENCARCERADOS CUJA (IN) FINITA PROPENSÃO DESEJA A DIMENSÃO QUE EXPANDE SEU VAGAR ULTERIOR


mĂşsica

A dança das Palavras Entrevista: Luciana Grande

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Marcelo A melodia em uma dança de passos exatos com a poesia. A essência embalada entre versos. Por mais complexo (e poético) que isso soe, é uma ótima definição para Toque Dela, o segundo álbum solo de Marcelo Camelo, ex-guitarrista e ex-vocalista da banda Los Hermanos. O cantor e compositor, que atualmente pode ser incluído na chamada nova geração da MPB, conta, em entrevista exclusiva ao Ágora, que faz música por prazer e que busca parcerias que possam acrescentar no resultado final do seu trabalho, que é elaborado minuciosamente. Marcelo Camelo falou ainda sobre o processo de composição e elaboração do seu novo disco, que foi gravado em São Paulo, um ambiente bem diferente da sua terra natal, o Rio. Falou também sobre a experiência de tocar para o público paranaense, já que a conversa foi pouco antes do festival Lupaluna de Curitiba, em que seu show foi uma das atrações.

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No seu novo álbum Toque Dela, é clara a inspiração e a complexidade das letras e dos arranjos. Foi um trabalho difícil? Mais trabalhoso que o álbum Sou? Opa, ao que parece você gostou. Que bom! É difícil comparar os trabalhos nestes termos. Como é o que eu faço no meu cotidiano, tenho uma relação de prazer que se mistura com o próprio objetivo da composição do repertório. Todo disco que faço tem uma parte de envolvimento que cria a própria natureza do disco. Então seria como assumir que esta etapa da vida foi mais difícil ou mais fácil que a anterior. Eu fiz o disco usando um método diferente do anterior, do Sou. Neste gravei os instrumentos um a um, no outro eu ensaiei bastante antes de gravar e gravei tudo ao vivo. Muitas coisas pequenas desse tipo somadas compõem o dia-a-dia da feitura. Acho que o mais justo é dizer que sob alguns aspectos esse foi mais fácil e sob outros mais difícil.

Camelo

o novo álbum solo e a sensação de tocar no Paraná


Foto: Divulgação

No Sou as composições transmitem uma energia bem diferente das presentes no álbum novo. Enquanto o primeiro trata da solidão, o segundo faz exaltação ao amor. Isso é o resultado natural de um “novo” Marcelo Camelo, em outros ares, ou foi algo que você realmente premeditou? O disco é fruto de perguntas existenciais que seu inconsciente te lança a partir das suas próprias vivências. Neste sentido toda mudança pessoal afere um componente da estética que está sendo montada. A música surge ao mesmo tempo, junto com os passos dados. De que forma você trabalha com as parcerias de outros artistas em seus álbuns solos?  Procuro me cercar de gente legal, que quer construir, contribuir para a coisa. Gente qualificada que eu admiro, mas não só isso, gente que tem disposição para trabalhar em função do resultado de outra pessoa. Isso é algo muito específico, para a qual tem que se dar muito valor, porque é uma força que caminha nem sempre de mãos dadas com a competência, eficiência, estas coisas.... Procuro gente para estar com e para o disco. Para tocar o que sente com o disco e não o que pensa sobre ele. Assim em todos os aspectos, do cara que faz a arte da capa até o engenheiro de som que mixa o disco. Os músicos, enfim... Busco uma espécie de amor pelo diferente. Agora falando um pouco do público aqui do Paraná. Nas vezes em que se apresentou aqui, com ou sem os Hermanos, como foi a experiência?   Muito diversa. Cada vez é uma vez, né? Já fizemos shows pequenos sensacionais. Lembro de um especificamente numa espécie de garagem rebaixada muito legal. Já tocamos no Guaíra, não? São tantos anos que é difícil dizer uma coisa só. Sempre é meio assim na verdade, cada show é diferente. Agora vou tocar em uma situação de festival, que é sempre muito diferente de um show único. Então estou na torcida pra ser legal.

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download

Malefícios da Tecnologia Você fica muito tempo em frente ao computador? Então, preste Atenção! Matéria: Nathana D’amico

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O uso do computador é inevitável, principalmente entre os jovens. Vira e mexe e logo os dedos estão no teclado, é ou não é? Seja para fazer os trabalhos da faculdade, para pesquisar ou mesmo para usá-los no lugar dos cadernos. Nas horas de lazer, em que não temos a necessidade de fazer uso do computador, nós o aderimos como forma de entretenimento, para acessar serviços como Orkut, MSN, Twitter, Facebook, Formspring, eBuddy e blogues. Ficamos tão envolvidos que não percebemos o tempo que passamos ‘interagindo’ com o computador. Porém, por mais que facilite a nossa vida e nos sirva de distração nos momentos vagos, é importante termos cuidado, pois ficar muito tempo em frente do computador pode prejudicar a saúde dos olhos e afetar nossa visão. A acadêmica Natália Fará passa em torno de dezesseis horas, por dia, em frente ao computador. “Geralmente, utilizo o computador para estudar, tanto na faculdade quanto em casa. Durante as aulas fico resolvendo atividades que nossos professores nos passam. E em casa, além dos assuntos relacionados a faculdade, às vezes fico no MSN e no Orkut”.

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Foto: Nathana D’amico

“É como manter o foco de uma câmera fotográfica com zoom ligado durante duas horas ou mais”

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A consequência dessa rotina já é percebida por Natália: “Depois de um tempo, observo que a minha visão fica um pouco embaçada”. A vista embaçada também é um sintoma do estudante de Ciência da Computação Christian da Silva, que fica mais de oitos horas mexendo com computadores diariamente. “Minha mãe sempre fala: ‘Larga disso, vai prejudicar os olhos’. Mas não tem como eu evitar, isso faz parte dos meus estudos. E em função dessa rotina, quando fico direto, sinto que minha vista fica embaçada”. Segundo a oftalmologista Eliana Pires, isso ocorre porque: “quando olhamos para longe, há um músculo lá dentro do nosso olho, chamado ciliar, que entra em estado de

relaxamento. E quando olhamos para algo próximo esse músculo se contrai”. É esse processo que ocorre enquanto estamos em frente ao computador, o músculo fica contraído. Eliana explica que: “se ficarmos mais de duas horas na frente de um monitor, nós induzimos uma situação chamada fadiga visual, que é a dificuldade do olho em manter a qualidade do foco”. É como manter o foco de uma câmera fotográfica com zoom ligado durante duas horas ou mais. Essa fadiga não gera necessariamente uma lesão, mas pode deixar a “vista cansada”, que, de acordo com Eliana, contribui para a evolução da miopia, da hipermetropia e/ou do astigmatismo. “Com isso, pessoas que não


“Muito tempo diante do monitor foi um dos fatores que contribuiu para eu usar óculos”

precisariam de óculos, talvez tenham de corrigir a visão em alguns graus”. O acadêmico Alexandre Guedes já usa óculos em decorrência do tempo que permanece diante do computador. “Quando sei que vou ficar muito tempo na frente do monitor, eu coloco os óculos para não prejudicar mais a vista. O fato de antigamente eu ler no computador, à noite, só com a luz do monitor acesa, também contribuiu para o astigmatismo”. Porém, Guedes comenta que não há como ele ficar longe dessa tecnologia. Ele passa mais de dez horas, por dia, lidando com computadores em função da faculdade. “Na maior parte do tempo fico programando. Às vezes levo até cinco horas para resolver alguns problemas básicos. Nessas circunstâncias, de tempo em tempo procuro fazer uma pausa de pelo menos 15 minutos para alongar o corpo e descansar os olhos”.

SINTOMAS DA FADIGA OCULAR Podemos apresentar sintomas da fadiga visual e não notar. Eliana explica que os sinais geralmente são quase impercebíveis. “As pessoas dizem: ‘Consigo enxergar bem tanto longe quanto perto, mas depois de algumas horas lendo ou na frente do computador, começo a ter um pouco de dor de cabeça, a sentir secura nos olhos, visão embaçada, irritabilidade, sono’. Esses são sintomas claros da fadiga visual e servem de alerta”. Para evitar a fadiga, recomenda-se uma pausa de alguns minutos a cada duas horas de uso contínuo do computador ou de leitura para, por exemplo, tomar água. Mas não adianta só deixar o copo do lado do teclado, porque assim você mantém os olhos e a visão à mesma distância dos objetos. O correto é sair, ir até a cozinha da sua casa e voltar. Nesse percurso, o foco ocular muda e isso ajuda a promover um relaxamento da visão.

ENQUANTO UTILIZAMOS o computador DEVEMOS MANTER UMA DISTÂNCIA do monitor QUE VARIA DE 50 A 60 CENTÍMETROS.

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Laura Nubuck (Pol么nia) @RoyaltyFree

Caixa Zero

do an os tiv 铆ci le ef Co en b

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CADA VEZ MAIS POPULARES, os SITES DE COMPRA COLETIVA GANHAM ESPAÇO NO MERCADO FAZENDO MUITO SUCESSO COM O PúBLICO Matéria: Mário Raposo Jr.

Seguindo a tendência da era digital, onde tudo é feito online, a nova moda agora são os sites de compra coletiva. Esses sites tiveram início em 2008, com o americano Andrew Mason, criador do Groupon, ideia que tornou o ex-funcionário do Vale do Silício milionário. Em 2010, a moda chegou ao Brasil com o carioca Julio Vasconcelos e mais dois sócios, que lançaram o Peixe Urbano. Hoje, um ano depois, o negócio já se espalhou por todas as regiões do país, incluindo Guarapuava, que já conta com vários sites especializados em compra coletiva. Sergio Bianco é um dos empreendedores que viu em Guarapuava uma carência deste tipo de proposta. O correspondente de Guarapuava do site Abuze diz que a crescente inclusão digital foi um dos fatores determinantes para trazer o serviço para a cidade. “No decorrer de alguns anos observamos que as pessoas estão se envolvendo mais com a informática, tendo mais facilidade com o

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“se o empresário utilizar este recurso e não proporcionar qualidade em serviços ou produtos, ele realmente terá várias desvantagens. como dizem, irá queimar a cara” acesso a internet, perdendo o medo de realizar transações financeiras tipo home-banking. Vimos nesta situação um mercado promissor para o setor de compras coletivas”. Apesar de vivermos na era da internet, muitas pessoas tem receio quando os negócios são feitos online, mas Sérgio garante que a receptividade na cidade foi muito positiva. “Os empresários de Guarapuava estão por dentro de tudo o que acontece no mercado financeiro e estavam entusiasmados com a ideia, mas, os que estavam muito mais interessados eram aqueles que já haviam usufruído de benefícios como usuários deste serviço em cidades como Curitiba e São Paulo”. Para os que não sabem, sites de compra coletiva, basicamente, oferecem um determinado produto ou serviço a várias pessoas por um preço menor do que o normal, chegando, às vezes, a atingir

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90% de desconto. Essas ofertas atraem a atenção de muita gente. Entre elas está a estudante Karine Kaneko. Segundo Karine, a praticidade, aliada ao desconto, é um diferencial que chama bastante a atenção para os sites: “A principal vantagem é o desconto, pois a maioria dos sites oferece produtos com, no mínimo, 50% de desconto. Já comprei pizza, ingressos para festas e pacote de revelação de fotos. Além do desconto, existe a facilidade de pagar antecipadamente e poder consumir na hora o produto ou serviço, sem preocupação com dinheiro”. “Fiquei satisfeita com tudo que comprei, indico a todos, mas também dou um conselho: cuidado! Por que são tantas promoções boas que às vezes você se vê comprando por impulso coisas que você nem gosta tanto só por que estão mais baratas”. O publicitário Estevan Petyk também aprova esse novo sistema de compras. “Eu gostei


Apesar dos grandes descontos, Karina diz que controle é fundamental para não sair comprando tudo o que vê pela frente

da facilidade, sabe? Fica mais fácil ainda para quem já tem cartão de crédito. Você digita o número do cartão e o pagamento é feito pelo Pagseguro, então, caso você tenha algum problema com seu cupom, seu dinheiro é devolvido”. Contudo, o publicitário atenta a alguns problemas que os compradores mais desatentos podem vir a ter. “Já vi acontecer de o consumidor não observar as regras da promoção, além de que algumas empresas exigem que você exiba o cupom assim que você entra no estabelecimento. Se você não fizer isso eles não vão autorizar você a utilizar. É importante a pessoa, assim que efetuar a compra, observar bem essas regras”. Já Sérgio aponta não só as vantagens para o consumidor, mas também para o empresário. “O comerciante sério que busca promover sua marca ou serviço e aumentar sua renda, se ele se comprometer a oferecer o mesmo serviço no site que presta em seu estabelecimento, com qualidade, a um curto

e médio prazo terá ótimos resultados. Porém, se ele utilizar este serviço e não oferecer a qualidade tanto em serviços quanto em produtos, este empresário realmente terá várias desvantagens; como dizem, irá queimar a cara”. Sobre o futuro dos sites de compra coletiva, Sérgio é otimista, mas realista. “Há muito que crescer nesta área, as empresas em geral irão adotar o sistema de compra coletiva para gerirem parte de seus negócios, pois há um mercado de consumidores a espera de produtos de qualidade a preços acessíveis”. Mas o empresário também faz questão de apontar que não é por ser um negócio online que o trabalho exige menos empenho. “As empresas de compra coletiva que não tiverem profissionais capacitados e criativos, que não agirem com excelência, se acomodarem, e que não ajam com honestidade com os consumidores, estarão fadadas ao fracasso, pois a concorrência está ai”.

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A TRANSA ENTRE

DOIS CINEMAS

Christian Caselli E Eduardo Baggio 22


CINEMA

Uma geração marcada pelo curta-metragem e principalmente pelas novas tecnologias

Matéria: Vinícius Comoti

Jairo Ferreira já dizia no livro O Cinema Segundo a Crítica Paulista, de 1986: “Felizmente ventos novos começam a chegar na área do curta-metragem, território de reserva da revitalização geral”. Mesmo se tratando de outro contexto - a década de 80 foi um período conturbado para o cinema brasileiro -, o crítico e cineasta paulista acertou em cheio na previsão. No mês de maio Guarapuava recebeu o trabalho de dois cineastas que exploram principalmente o curta-metragem e que expressam nele essa nova cara do cinema brasileiro. O carioca Christian Caselli, conhecido pelos curtas experimentais e pela filmografia composta de mais de 30 vídeos realizados com baixo orçamento; e o paranaense Eduardo Baggio, diretor de curtas documentais e do longa-metragem Amadores do Futebol, documentário indicado ao Grande Prêmio do Cinema Brasileiro. Christian veio a Guarapuava participar de um projeto acadêmico no qual produzirá vídeos com o intuito de promover o debate sobre a educação ambiental e aproveitou para divulgar o seu trabalho. “Vim por causa da educadora ambiental Adriana Cataoca, que achou interessante fazer um documentário para tornar público essa matéria multidisciplinar. A idéia é fazer um produto muito cativante para o ensino médio e fundamental”. Já Baggio teve o seu novo trabalho, o documentário experimental curto, Rejoneo, apresentado no cinema da Unicentro na mostra organizada pelo Sesc intitulada Imagens e Poéticas no

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Christian Caselli

“O grande diferencial do cinema não é a filmagem e sim a edição. É a maneira com que se concatena todas as imagens e se constrói o sentido” Documentário. O filme trabalha o duelo entre homem e touro nas famosas touradas espanholas a partir de fotografias. Aliás, Baggio ressalta a importância da fotografia no seu cinema. “É muito grande, quase subconsciente. Fiz um filme chamado Fotos de Família em que a protagonista é uma fotógrafa, e as fotos dela estão na história. Tem outro, chamado 28 Anos, que fiz só com fotos minhas e do meu pai. Em Rejoneo, usei fotos estáticas do Michaud. É uma tendência”.

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Christian é mais radical e considera a fotografia um meio de produção alternativo no qual a edição criará o filme. “O grande diferencial do cinema não é a filmagem e sim a edição. É a maneira com que se concatena todas as imagens e se constrói o sentido. Tanto que uma provocação que eu faço é que eu já fiz filmes sem câmera. O grande barato da edição é o quebra cabeça, é ali que você cria o conceito do filme”. O maior exemplo dessa produção é o curta

Paradoxo da Espera do Ônibus, animação na qual o diretor usou apenas imagens de desenhos guiadas pela narração, criando uma atmosfera filosófica que já recebeu mais de 470 mil visitas no YouTube. A internet como canal distribuidor gerou, além de facilidade na exibição, um meio de divulgação do seu trabalho, lhe rendendo convites para a realização de oficinas em todo o Brasil com o intuito de promover a produção cinematográfica de baixo orçamento. A internet também propiciou a criação dos webdocumentários, um produto híbrido e interativo de muito potencial, que também expressa as novas possibilidades da era digital. Para Caselli, a nova linguagem é interessante, mas o que vale ainda


“Digital é essencial por questões de custo. precisamos chegar logo a um parque exibidor digital mais abrangente para que nosso cinema seja mais visto e seja mais plural” Eduardo Baggio é a criatividade. “Me interesso muito pelos webdocs, pelo uso do meio, da interação e pela difusão incrível. Isso é ótimo, mas, no fundo, o que importa é ter bons temas e abordagens. E isso independe de ser web ou não”. Em relação ao cinema brasileiro, Baggio destaca os diretores João Moreira Salles, Joel Pizzini e Carlos Nader e não esquece também de nomes importantes do cenário internacional como Dziga Vertov, Joris Ivens e o francês Jean Rouch. Atualmente, o cineasta está centrado em filmes mais ficcionais. “Tenho me voltado muito para os filmes da chamada New Hollywood, filmes que conseguiram público e crítica. É uma fase, depois vão mudando as predileções”. Christian diz estar alheio ao cinema atual, mas reconhece o valor de alguns trabalhos nacionais. “Eu sou meio que um ex-cinéfilo, não ando vendo muita coisa. Sobre o cinema brasileiro, está tendo um boom de novos cineastas. Tem um pessoal do Ceará e também uma galera mais velha, como o Cao Guimarães. Esse pessoal

está fazendo filmes com um orçamento muito pequeno, muito inventivo, embora seja o tipo de filme que não me toca. O que tem me tocado mesmo é a atitude deles, de não esperar edital para fazer filmes e estão fazendo um grande sucesso, além de uma provocação muito boa”. Sobre o futuro do cinema, ambos são otimistas. Christian se apropria do jargão do Cinema Novo, idealizado pelo cineasta Glauber Rocha, para expressar a cara dessa nova geração. “Uma ideia na cabeça e uma câmera na mão, de fato, pode ser feito agora que temos a democracia do multimídia”. Eduardo enfatiza a facilidade do digital e lembra o 3D. “Digital é essencial por questões de custo. precisamos chegar logo a um parque exibidor digital mais abrangente para que nosso cinema seja mais visto e seja mais plural. Já o 3D tenho dúvidas, já foi moda outras vezes e acho que agora pode ser também. Mas não são coisas que se comparem, digitalização e uso de 3D. Isso porque uma coisa é mudar a base produtiva e de dis-

tribuição, outra é usar recursos 3D para efeitos”. Atualmente, Baggio está finalizando um novo projeto, o longa-metragem Traço Concreto, feito em parceria com o roteirista Danilo Pschera. A produção deve estrear em três meses. “Traço Concreto é sobre a arquitetura modernista. Trata de três casas como personagens principais, falando da construção, da vida, da memória. Fala também do modernismo, de arte e estética”. O carioca Christian, além de estar envolvido em diversas oficinas pelo país e não parar de produzir curtas, é um dos apoiadores da Mostra do Filme Livre, atuando como curador e produtor do evento. A mostra tem dez anos de existência e tem por objetivo projetar filmes sem incentivo fiscal, fomentando a cena atual do cinema alternativo brasileiro. Christian e Eduardo são cineastas de estilos e linguagens diferentes, mas que fazem parte da mesma geração faminta pela produção de cinema. Uma geração potencializada pelo processo digital, que gerou um terreno fértil para um cinema livre.

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FOTOGRAFIA


Back

Clério

Da publicidade o estilo apurado e do cotidiano o tema de seus trabalhos. Clério Back, publicitário, fotógrafo profissional e especialista em artes visuais, demonstra que um bom fotógrafo precisa ter tato e uma visão apurada do mundo.


Conheça um pouco mais sobre a carreira do fotógrafo profissional Clério Back.

O namoro de Clério Back com a fotografia começou durante a graduação em Publicidade e Propaganda. Foi ali que teve o primeiro encontro com a câmara escura, onde aprendeu a revelar negativos. Depois da faculdade, especializou-se em Artes Visuais e desde 2007 encara as imagens como um estilo de vida. Natural de Palmital, o fotógrafo de 25 anos também atua como professor universitário, lecionando sobre fotografia. O cotidiano é o tema de seus trabalhos, que variam entre projetos experimentais, no qual explora as novas linguagens como a fotografia multimídia; e projetos documentais, como a série Trabalhadores. Todos com o estilo refinado herdado da publicidade, destacados em mostras e concursos, resultando em vários prêmios e uma maior visibilidade de seu trabalho. No singelo clique de um botão, a realidade é moldurada e configurada em uma obra de arte. Expressão visual que simboliza o tato em meio ao cotidiano. A fotografia sintetiza a vida. E as imagens traduzem o sentimento de um artista.

Entrevista: Vinícius Comoti

1

1

O

retrato de um artista

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Foto: Thalita Catharina Cebulski

Clério, além de fotógrafo, é professor. Ele leciona em Comunicação e Publicidade e Propaganda na Unicentro.

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A série T um do rabalhadore s proje sé tos de Clério que mais g osta.

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Qual elemento você considera mais importante na fotografia? Um dos elementos mais importantes, tecnicamente falando, é a composição. A composição ajuda na leitura da foto. Por exemplo, muitos fotógrafos têm uma preocupação técnica com o desfoque e a abertura. Com o passar do tempo esses elementos se tornam naturais, fazendo da composição um elemento essencial na leitura da foto.

bom

sempre

vai

ter

preocupação independente

da

Câmera velha é sinônimo de foto desqualificada? Não concordo com isso. Dependendo do que você for fazer vai precisar de uma determinada câmera, mas isso não quer dizer que com a melhor câmera você terá as melhores fotos. Quem faz a foto não é a câmera e sim o fotógrafo. Um bom fotógrafo com uma boa câmera vira um excelente fotógrafo. Entretanto, um bom profissional, sabendo usar todos os recursos da câmera, por mais simples que ela seja, continua sendo um bom profissional. Todo mundo pode fazer boas fotos.

O

uma

Para quando esta prevista a próxima exibição de suas fotos? A previsão é para alguma coisa no meio do ano na Unicentro. Ainda estou selecionando algumas imagens. Além disso, dois trabalhos meus foram selecionados em festivais. Um deles, mais experimental, participará do Museu de Arte de Goiânia, e a série Trabalhadores será exibida na Câmara dos Deputados de Brasília. Aliás, essa série já foi exposta na Unicentro e é um dos trabalhos de que mais gosto.

autor

Como surgiu o interesse pela fotografia? Eu comecei a gostar de fotografia ainda na faculdade. Cursando Publicidade e Propaganda, tive acesso ao laboratório de imagens preto e branco, onde comecei a ter mais contato com a fotografia fazendo revelações. Depois fiz um curso de especialização em Curitiba aonde aprofundei meu conhecimento. Tentei trabalhar em agências de publicidade e na edição de vídeos, mas foi com a fotografia mesmo que eu me identifiquei. Atualmente, o que mais gosto é a fotografia de rua, a fotografia documental.

ferramenta 31


da

Cuidar

luz, do

enquadramento,

do

plano, tudo isso vai

o filme

enriquecer

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Quem você destaca da nova geração brasileira de fotografia? Destacaria muitos. Mas um trabalho em especial é o da Cia. de Foto. Eles lidam muito bem com a linguagem da internet ao mesmo tempo em que buscam formas criativas de se fazer um ensaio fotográfico. Qual a Sua visão sobre o processo digital de fotografia? Eu considero bom o digital, aumentou a quantidade de produção de uma maneira geral. Hoje eu posso fazer um filme caseiro muito rapidamente e divulgar pela internet. Tornou a produção muito mais democrática. Só que, por outro lado, essa democratização tem gerado uma falta de cuidado. O bom autor sempre vai ter uma preocupação independente da ferramenta. O que é fotografia multimídia? É trabalhar a fotografia sobe outros aspectos, juntando com outros elementos como o vídeo, a trilha sonora e o design. Justamente pela ascensão das novas mídias e pela necessidade de uma informação mais rápida e diferenciada, atualmente a fotografia multimídia é uma tendência no mercado, principalmente na área do fotojornalismo. VOCÊ TAMBÉM TEM INTERESSE POR CINEMA. Qual a importância da fotografia NOS FILMES? A fotografia é uma das peças fundamentais no cinema e por isso tem que ser pensada e planejada. Cuidar da luz, do enquadramento, do plano, tudo isso vai enriquecer o filme de uma maneira geral. Uma boa fotografia vai ressaltar a produção, o figurino, a atuação, sem contar que aumenta ainda mais o potencial narrativo do filme. A fotografia para você é? A fotografia é entender o mundo, uma auto reflexão. É o meu estilo de vida.


www.clerioback.com www.flickr.com/cback777

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JU

DÔ 34


a arte da

disciplina Matéria: Poliana Kovalyk

EX-PREGUIÇA

JOVENS atletas. Estudam áreas diversas, trabalham em ramos diferentes, realizam diferentes atividades em seu dia-a-dia, mas mantém um sentimento em comum: o amor pelo judô. esses jovens começaram a lutar apenas por brincadeira de criança para passar o tempo, e hoje se identificam no esporte, ao qual se dedicam inteiramente. O judô faz parte da vida deles e agora lutam por uma filosofia, por uma história e, claro, por um merecido reconhecimento. E É muita luta.

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Foto: Poliana Kovalyk

Para esses judocas, os ensinamentos ajudaram a quebrar barreiras e a superar obstáculos. E as medalhas são reflexo da determinação dentro e fora do tatame.

Para muitos judocas, o ensinamento passado pela arte marcial aliado à experiência dentro do tatame, serviu não apenas de lição para a carreira de lutador, mas para a vida toda. Para eles, esta não é apenas uma luta qualquer, já que os valores aprendidos melhoraram suas vidas, dada a sua abrangente diversidade de valores físicos, morais, intelectuais e espirituais. Há oito anos Lidiane Fernandes da Silva começou a lutar judô, incentivada pela mãe, mas desestimulada por muitas outras pessoas. “As pessoas falavam: ‘ah, isso é coisa de menino’, ‘é só pra gastar dinheiro’, ‘isso não vai levar a nada’. Tive muito mais ‘desincentivo’ do que incentivo”. Mesmo assim, a paixão pelo que fazia falou mais alto.

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Karine: Perdi a final, e a pior coisa que tem é A judoca conta que nunca lutou unicamente por si mesma, mas também por toda a equipe, o que ela fez mesmo depois de ter fraturado a costela em um campeonato, uma de suas piores experiências dentro e fora do tatame. “Eu tive de parar alguns meses para me recuperar. É complicado porque o judô é minha vida e eu parei e me arrependi, tanto que voltei. Não tem como parar. Só que voltei com outro pensamento. Antes eu pensava só em competir e competir, ganhar e ser campeã. Hoje eu vejo que não é só isso, há muitas outras coisas. Agora

você chegar na final e perder. Então chega uma hora que você diz: ‘'cansei’, não vou mais ficar em segundo! Eu vim para ser campeã. É isso ou nada'.


Arquivo pessoal

VAGNER: “Eu quero ganhar a faixa preta e, pelo menos, conseguir o terceiro

Judocas Vagner José Ribas Mucci e Lidiana Fernandes da Silva, ambos faixa marrom

lugar no Nacional, porque, até hoje, lutei em dois Nacionais e não fui bem” eu não paro mais. Quem sabe eu me afaste, mas parar? Não”. Karine Madureira de Brito é outra judoca que se recupera de uma lesão. No último Campeonato Paranaense do qual participou, quebrou a clavícula em uma luta, e resolveu dar um tempo para se recuperar e também estudar para o vestibular. Mas ela conta que parar de fazer aquilo que ela mais gostava foi uma de suas piores experiências. “Foi difícil parar porque você vem de um treinamento bem intenso, daí do nada, pára. E quando você vê os outros lutando vai dando aquela angústia. Oito anos lutando antes de quebrar a clavícula. Eu parei algumas vezes, mas eu nunca larguei totalmente”.

Há dez anos Karine se interessou pela arte marcial, interesse bem diferente dos sonhos que sua mãe tinha. “Eu ia do colégio direto para casa e ficava lá sem fazer nada o dia inteiro e ai comecei a engordar. Minha mãe falou: ‘você vai ter que fazer alguma atividade física!’, ela queria que eu fizesse balé, e eu fui fazer judô”. Depois que ingressou em uma academia de judô, Karine mudou completamente de vida. E após o seu primeiro kimono, teve certeza de que não era apenas uma brincadeira. Com toda a dedicação, logo começou a se destacar entre seus adversários. Exemplo disso, foi ter participado de um campeonato no Chile, onde as vitórias marcaram sua história e sua carreira. Ganhou experiência, medalhas e ainda uma carreata na cidade em sua homenagem. “Meu primeiro Paranaense e fui campeã. No Sub-Brasileiro e no Brasileiro fiquei em segun-

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do, e no Sul-Americano fiquei em terceiro. Isso mudou totalmente a minha vida”. Desde que ingressou na academia, a judoca vem se dedicando cada dia mais para alcançar seu objetivo maior, que é conquistar a faixa preta. “A faixa preta é o sonho de qualquer judoca. Eu participei de três campeonatos e fui vice nos três, então chega uma hora que você diz: ’cansei, não vou mais ficar em segundo. Eu vim para ser campeã. É isso ou nada’. Eu quero ser campeã brasileira ainda, e não vice!”. Para Ariane Merchiori Pichoz, esse já é um sonho conquistado. Há oito anos ela se dedica ao judô. O amor pela arte marcial, a determinação e o incentivo da família foram cruciais

para que ela conseguisse suas vitórias dentro do tatame. Atualmente ela vive uma nova etapa em sua vida esportiva, sendo a primeira judoca guarapuavana a receber a faixa preta, sendo que nossa cidade conta com apenas cinco faixas pretas. Ariane associa suas vitórias principalmente ao patrocínio que tem recebido, o que a levou a competir em diversas cidades do Brasil. Acadêmica do 3º ano do curso de Educação Física e instrutora de judô em uma escolinha da cidade, ela afirma que a faixa preta é só o início de uma carreira, que há ainda muitas coisas

Arquivo pessoal

"Acho que quem leva o judô para a vida, sempre sonha em fazer algo para continuar"

Judoca Alexia Carolina de Lima, faixa marrom

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Lidiane: O judô é minha vida e Eu parei e me arrependi, tanto que voltei. Não tem como parar.

para aprender e muitos campeonatos a serem conquistados. Quando iniciou uma turma nova em sua escola, Alexia Carolina de Lima se identificou na hora e nem quis saber de experimentar outras modalidades: logo quis ser judoca. “Eu não achei tão interessante os outros como eu achei o judô, por isso comecei na modalidade e não quis nem experimentar os demais. Depois eu até parei um tempo, mas voltei. Acho que me identifiquei mesmo com o esporte”. O que mais lhe chamou a atenção foram os valores pregados pela arte marcial. Isso acabou ajudando a judoca a se desenvolver tanto fisicamente quanto psicológica e socialmente, já que antes tinha problemas em conviver com outras pessoas. O seu objetivo agora é ir longe, competir e vencer cada vez mais. “Acho que quem leva o judô para a vida, sempre sonha em fazer algo para continuar”. Vagner José Ribas Mucci também quer continuar lutando. O judô é a vida dele. Vagner já

só que voltei com outro pensamento. Antes eu pensava em competir e competir, ganhar e ser campeã. havia tentado futsal e capoeira, mas foi a luta que o interessou e que continua o inspirando hoje, oito anos depois. “Eu era bem gordinho naqueles tempos, era bem quieto na sala, não conversava com ninguém e ficava isolado. Não recebi incentivo, na verdade eu que realmente quis, porque eu não fazia nada, só ficava em casa dormindo e comendo. A partir daí eu comecei a criar juízo”. Vagner lembra até hoje de suas experiências no tatame. Uma derrota nunca é esperada pelos lutadores que dedicam várias horas do dia ao treinamento, mas elas também contribuem na formação do atleta. Vagner, por exemplo, explica que o campeonato que mais o marcou foi um em que perdeu. “Eu treinei bastante para os colegiais do ano passado, acabei perdendo na

hoje eu vejo que não é só isso, há muitas outras coisas. Agora eu não paro mais. Quem sabe eu me afaste, mas parar? Não.

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Arquivo pessoal

"Não importa há quanto tempo você está no judô. na hora da luta sempre vai ter frio na barriga". Karine

final para um menino de Londrina. Fiquei bem chateado porque eu queria ganhar e perdi por um momento de bobeira”. Agora, Vagner se empenha para conseguir uma faixa preta e também ganhar campeonatos de nível mais elevado. “Eu quero conseguir pelo menos o terceiro lugar no Nacional, porque até hoje lutei em dois Nacionais e não fui bem”. Apesar da histórias de vida tão diferentes umas das outras, o que todos esses judocas têm em comum é a vontade de se superar dentro e fora dos tata-

Foto: Poliana Kovalyk

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mes. “Na luta você não está só por você, mas está pelas meninas, pela equipe, então, mesmo machucada, eu lutei por elas”, conta Karine, que sempre reconheceu o incentivo do time. Lidiane também leva consigo a filosofia de vida dos judocas: “O que a gente aprende a gente passa. E não é só em campeonatos que você é campeão. Na escola, por exemplo, você é muito mais vencedor. Então é isso que eu entendo por judô e que tento passar. A aula não é só para dentro do tatame, é para a vida inteira”.

A judoca Ariane é a primeira mulher a conquistar a faixa preta em Guarapuava.


KITNET

Pode entrar, só não repara a bagunça

Matéria: Katrin Ko

rpasch

Se essa fala é corriqueira quando você recebe visitas ,a desorganização pode estar tomando conta da sua Kitnet.

BrachAnam9 (Estados Unidos) @RoyaltyFree

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Quantas vezes você já foi ao apartamento de um colega para pedir emprestado o material de uma aula que você faltou e ele simplesmente demorou para achá-lo no meio bagunça? Até parece que bagunça em casa de estudante é algo completamente normal. É claro que às vezes não dá tempo de deixar tudo no lugar, mas se essa desorganização chega ao ponto de fazer você perder algo dentro da própria casa, é hora de tomar uma atitude. Segundo a psicóloga Viviane Schüssler, a vilã da organização é a acumulação. “Juntar objetos, não jogar nada fora... Geralmente tem um aspecto psicológico que deve ser observado e tratado. Existem pessoas que têm mania de guardar coisas, desde caixas de sapatos, sacolas, revistas, roupas velhas e assim por diante. Essas pessoas têm em mente a frase: ‘e se um dia eu precisar disso?’. Vão se acumulando tantas coisas que não haverá mais espaço para manter o ambiente organizado. São duas forças que se agregam, a necessidade de acumular e consequentemente a dificuldade de manter a organização”. De acordo com a psicóloga, para essas pessoas, acumular e guardar objetos dá a sensação de segurança. Não é porque podem utilizá-los em algum momento, mas por acreditarem que estão mais seguras por ter coisas guardadas. “Em verdade, quanto

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mais objetos se guarda, menos o ar circula, mais o ambiente fica propício para o acúmulo de bolor, fungos, ácaros e mofo. O ambiente se torna contaminado, podendo causar problemas de saúde. Todos que vivem com essa pessoa sofrem por causa desse comportamento”. Para saber se a bagunça é decorrente de uma patologia ou simplesmente desleixo é necessário prestar atenção no comportamento do indivíduo. Quando se trata de uma doença, a pessoa não percebe a desorganização, não se dá conta do prejuízo emocional que sofre e tem muita dificuldade de auto-percepção para discernir se isso é normal ou não. Nesses casos existe a bagunça não pelo fato de não querer organizá-la, mas por não ter como fazer isso devido ao alto acúmulo de objetos. Viviane explica: “Em adolescentes é muito comum a desorganização, mas não há relação com alguma patologia e sim com desleixo, preguiça, falta de motivação para organizar, ou até mesmo a cultura que se tem, o nível de exigência dos pais em relação a organização. Se você entra no quarto de um adolescente e está bagunçado, isso não quer dizer necessariamente um distúrbio psicológico que precisa de tratamento, mas um fator até característico da idade, que precisa apenas de orientação”. Dependendo do perfil da pessoa, um ambiente desorganizado


Foto: Katrin Korpasch

Viviane afirma que os extremos nunca são bons, nem na organização.

pode gerar estresse ou desânimo. Um indivíduo organizado pode sair do sério quando tem que suportar um ambiente bagunçado. Já quando se tem um perfil não tão estruturado para a organização, a bagunça não é um grande problema. Mas cuidado, a sua desorganização pode estar afetando, e muito, o seu colega de kitnet. “Depende do nível de exigência com a organização, mas a bagunça desestrutura emocionalmente sim, a pessoa fica irritada, desanimada, nervosa. A falta de organização pode também prejudicar os estudos ou o trabalho. Se eu sei que o material de que necessito está em determinado lugar, eu o acesso sem dificuldades. Mas as pessoas que não sabem gastam muito mais tempo e isso gera um prejuízo no rendimento, no aproveitamento”. Porém, ser organizado demais também não é a melhor opção. Viviane explica que estudos atuais mostram que o excesso de organização pode ter uma relação com o Transtorno Obsessivo Compulsivo. “Para alguém que

é super-organizado é muito difícil morar em uma república, por exemplo. Os outros não verão problemas, já que quem não gosta de bagunça sempre vai arrumar tudo. Mas para você será muito mais difícil, a desorganização dos outros pode prejudicar muito. Eles não entendem que você pode ficar extremamente irritado com a falta de organização. Eles podem não ter a sensibilidade para captar isso. Ser obsessivo por organização pode gerar grandes problemas de relacionamento”. Situações extremas geram muitos desgastes, a melhor opção é o equilíbrio. Aos desorganizados se deve exigir mais, e os extremamente organizados devem se flexibilizar mais. Para isso a organizadora profissional Carol Sonda traz dicas importantíssimas para quem quer dar um fim na bagunça de maneira ágil e fácil, sem se tornar neurótico por limpeza. Mas não esqueça, faxina e organização são essenciais. Quando alguém vier pedir material emprestado não será ótimo ter tudo à mão?

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PARA COMEÇAR

Foto: Katrin Korpasch

Carol também morou fora quando estava na faculdade.

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A maioria dos jovens só se depara com a necessidade da organização quando passam a morar longe dos pais, quando viram universitários. Como eles devem proceder nos primeiros dias de kitnet nova? Quais são os primeiros passos para manter o ambiente organizado? É melhor achar o lugar certo para tudo logo no começo, já que tem sempre aquela história ‘amanhã eu arrumo’? A Carol explica: “Bom, vamos responder por partes, é assim também na organização. Você, jovem, vá com calma, mas não com tanta calma a ponto de não organizar nada. Em primeiro lugar você deve fazer uma listinha de coisas básicas que todo mundo precisa ter em casa, como utensílios de cozinha, banheiro, lista de compras, até mesmo móveis como escrivaninhas e coisinhas maiores. Nem sempre a gente tem tudo à mão, mas com esse pequeno inventário você já pode imaginar e planejar seu espaço e o lugar de cada coisa. Com certeza cada dia será novo, afinal você nunca viveu nada disso que está vivendo, mas seja esperto, tem coisas que provavelmente nunca vão mudar, como, por exemplo, onde devem ficar as roupas sujas... Todas as coisas que são necessárias em uma casa logo de cara devem ser organizadas, mesmo que você acabe mudando de lugar depois. Para começar leve para a casa nova, república ou kitnet, só o que for realmente necessário, OK? Pense onde cada coisa deve ficar para facilitar a sua vida, sua freqüência de uso e para que serve cada coisa. Feito isso, agora é agrupar tudo em categorias, por exemplo, materiais de escritório, materiais de limpeza, mantimentos e por aí vai”.


Phillip Collier (Austrália) @RoyaltyFree

LIVROS, TEXTOS, XEROX E PROVAS Não tem como frequentar a faculdade sem ir acumulando trabalhos, textos, livros e documentos em geral. Qual é a melhor forma de organizá-los? “Com pastas, muitas pastas... Na verdade, você deve, de tempos em tempos, rever todos os xerox e materiais para ver se não tem coisa demais sendo acumulada. Às vezes a gente fica com várias cópias da mesma matéria e não precisa mesmo de nenhuma. Use pastas para separar os conteúdos de cada disciplina. No final do ano você revê tudo isso novamente e arquiva aquilo que realmente faz diferença em uma pasta só, identificando-a, por exemplo, ‘Agronomia - 1º ano’. E nos próximos anos vai fazer a mesma coisa de novo”.

NA COZINHA “A primeira coisa é fazer uma lista de compras básicas de alimentos que não podem faltar na dispensa de nenhum calouro. Você deve ter o mínimo, ninguém mais estoca comida hoje em dia. Pode pedir ajuda da mãe, que ela vai amar tudo isso. Feito isso, mantenha na porta do armário essa lista e um bloquinho sempre perto, para não comprar aquilo que você já tem, para não se esquecer de comprar nada e para não gastar dinheiro à toa, afinal, nessa fase, qualquer real faz diferença para gente, certo? Você deve separar as coisas em categorias e complementos. Por exemplo, procure deixar o macarrão próximo ao molho de tomate e ao queijo ralado. Com produtos de limpeza é a mesma coisa, sabão em pó com amaciante. Deixe sempre os produtos mais altos por último, assim você consegue visualizar tudo o que tem rapidinho. Essa é a parte mais difícil, o resto é moleza. Talher deve ficar com talher, pano de prato com toalhas de mesa e jogo americano, panelas com panelas. Nada de misturar tudo por causa da correria, você só vai se atrapalhar mais. Procure dividir sua cozinha em três espaços: preparo, armazenagem e cozimento. Assim você vai conseguir manter tudo no devido lugar”.

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Ambientes desorganizados podem gerar estresse ou desânimo. Um indivíduo organizado pode sair do sério quando tem que suportar um ambiente bagunçado.

CONEXÃO, FIOS, CABOS “Fios são inevitáveis, mas a melhor dica do mundo e baratíssima é aproveitar aqueles araminhos que vem nos saquinhos de pão de forma, sabe? Use-os para amarrar os fios, vá dobrando e deixando o fio o menos solto possível. Não acaba com eles, mas ajuda, e muito , além de deixar o visual menos desordenado. Outra dica: cole etiquetinhas neles e no alimentador do que é cada fio, PC, impressora, carregador... Fica mais fácil se encontrar nesse emaranhado”.

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MAQUIAGEM As dicas são: “Nunca deixa sua amiga de lado. Sim, para as moças, a maquiagem é muitas vezes a amiga mais íntima. Então, cuide dela como cuida de todo o resto. Procure uma caixinha com divisórias, você compra em qualquer casa de embalagens e custa dez reais, no máximo. Organize suas coisas por categorias como: ‘cabelo’, ‘sombras’, ‘pele’... E tenha sempre um nécessaire preparada para quando for sair. Ela deve ser leve e ter o essencial, nada de ficar fazendo coleção. Deixe tudo fora do alcance da umidade do banheiro e evite ficar emprestando suas coisas para as amigas, você pode transmitir ou pegar alguma doença”.


Em Guarapuava você encontra caixas que auxiliam na organização em qualquer loja de R$ 1,99.

E NA REPÚBLICA?

CHEGA DE DESCULPAS

“A primeira coisa é relaxar e não rodar a baiana com a galera para não causar um clima ruim. Proponha uma reunião e a divisão de tarefas. Cada um deve assumir responsabilidades por alguma coisa ou área comum e deve cuidar, claro, do seu próprio espaço. Hoje, muito jovens, mesmo com o dinheiro contado, contratam diaristas para dar aquela geral em tudo. Se não der, todo mundo vai ter que entrar na linha para manter o lugar, no mínimo, habitável”.

Um ambiente organizado é um ambiente limpo. Mas sempre há aqueles universitários que dão a desculpa de não ter tempo para a organização e, pior, dizem não se importar com a bagunça e com a sujeira em que vivem. “Dizer que não se importa é sempre a frase dos meninos, mas, não é verdade, eles se importam sim, só não sabem por onde começar e não gostam de botar a mão na massa. Quem é que não gosta de estar em um ambiente clean, cheiroso e espaçoso? Agora falando da falta de tempo, reveja sua rotina, suas necessidades e suas atividades mais importantes. Você deve estudar, mas a vida acadêmica não é só isso. Você deve se divertir, conhecer pessoas interessantes e ser sempre um pesquisador, pesquisador de conhecimentos e coisas novas, e precisa de tempo para tudo isso”. “Faça listas de tarefas, dentro delas estipule prioridades. Não deixe para amanhã o que era para ter sido feito semana passada. Estipule quinze minutinhos diários para organizar suas coisas, não deixe tudo acumular. Se você se dedicar de verdade a esse tempinho diário, vai ter muito mais tempo e disposição para viver tudo de bom que a faculdade pode trazer. Vamos tentar?”

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“REMETE-NOS A UMA REFLEXÃO ACERCA DA FALTA DE PREOCUPAÇÃO

RG

QUANTO AO LIXO QUE GERAMOS E A VIDA DAS PESSOAS QUE VIVEM DELE”. PELA REFLEXÃO SOCIAL QUE O DOCUMENTÁRIO PROPORCIONA, NARA HABERLAND, ACADÊMICA DE ENGENHARIA AMBIENTAL, INDICA O DOCUMENTÁRIO ESTAMIRA

NOME: Nara Tudela Haberland EU INDICO: Documentário Estamira PORQUE: Assisti o documentário Estamira em um projeto de extensão promovido pelo Departamento de Geografia, Campus Irati, chamado: A Sociedade em Cena. O diretor reuniu fotos e depoimentos de Estamira, uma senhora de 63 anos que ganha a vida em um enorme lixão do Rio de Janeiro. Retrata o cotidiano da mulher que fala sobre suas certezas e preocupações em relação às pessoas, ao lixo e ao mundo. A relação com os três filhos, que tentam embutir religião à mãe. Tudo isso em meio aos delírios e ataques de raiva de Estamira que fala numa linguagem única, marcada por expressões pessoais. Sua loucura assusta e provoca os expectadores fomentando percepções lúcidas que criticam algumas das relações mais estáveis da sociedade: religião e consumismo. Remete-nos a uma reflexão acerca da falta de preocupação quanto ao lixo que geramos e a vida das pessoas que vivem dele. É um filme memorável, ganhador de 33 prêmios, dentre eles o de Melhor Documentário, no Festival do Rio em 2004.

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eu que fiz

Desenho produzido por Caio Vinchi, acadêmico do 7º Semestre de Design com Habilitação em Comunicação Visual.

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expediente

Ágora revista

Reitor Prof. Vitor Hugo Zanette

Editor-Chefe da Edição 03 Vinícius Comoti

Tiragem: 500 exemplares Impressão: Gráfica Unicentro

Vice-Reitor Prof. Aldo Nelson Bona

Assistente de Redação e Revisor Mário Raposo Júnior

Contato (42) 3621-1325 e 3621-1088

Diretor do Campus Santa Cruz Prof. Osmar Ambrósio de Souza Vice-direção de Campus Prof. Darlan Faccin Weide Diretor do Sehla (Setor de Ciências Humanas, Letras e Artes) Prof. Carlos Eduardo Schipanski Vice-diretora do Sehla Prof(a). Maria Ap. Crissi Knüppel Dpto. de Comunicação Social Coord. Prof. Edgard Melech Professor Responsável Prof. Anderson Costa

Direção de Arte e Diagramação Final Anderson Costa Diagramadores Yorran Barone e Giovani Ciquelero Equipe A: Bárbara Brandão, Ellen Rebello, Gabriela Titon, Helena Krüger, Kaio Miotti Ribeiro, Luciana Grande, Yarê Protzek Equipe B: Ana Carolina Pereira, Giovani Ciquelero, Hilva Nathana D’amico, Katrin Korpasch, Mário Raposo Jr., Poliana Kovalyk, Vinicius Comoti, Yorran Esquiçati.

E-mail: agoraunicentro@gmail.com Capa Clério Back Todos os textos são de responsabilidade dos autores e não refletem a opinião da Unicentro. A Revista Laboratório Ágora é desenvolvida pelos acadêmicos do 3º ano de Jornalismo da Unicentro.

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Ágora Revista - 2011 - Ed 03  

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