Agir e Calar | Dezembro de 2015

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CONGREGAÇÃO DE SÃO JOSÉ JOSEFINOS DE MURIALDO Ano XLI - Nº 1 | ISSN 2447-9004 Edição 110 - Dezembro de 2015 www.agirecalar.com.br



Entrevista

Raimundo Demori 4

Cotidiano

Editorial Estimado leitor, estimada leitora! No momento em que escrevo estas linhas a sociedade brasileira está mergulhada numa crise política, econômica e particularmente ética, colocando em risco nossa tenra democracia. Não cabe aqui discorrer sobre o porquê chegamos a este momento tão crucial e perigoso. Percebemos que um “sequestro emocional” tem conduzido parte da população e também dos dirigentes, manifesto na intolerância, na raiva e sobretudo na incapacidade de ter bom senso. As forças indutoras deste quadro são uma mídia parcial que informa e desinforma, pisa e repisa aquilo que lhes convém, os justiceiros a qualquer custo e um governo acuado e sem rumo. Na contramão de tudo, Agir&Calar apresenta, em sintonia com o Papa Francisco, o Perdão e a Misericórdia. Não se trata, digamos de imediato, de varrer os erros para debaixo do tapete e compactuar com a injustiça. Tudo o contrário. Anunciamos que o perdão supera o ódio e a misericórdia ultrapassa justiça. Manifestar o rosto misericordioso de Deus Pai é ser cativado por Jesus Cristo e por seu Evangelho e assim testemunhar a possibilidade de viver relações humanas que, pautadas pelo perdão e misericórdia, tornam os homens e as mulheres muito mais felizes. Caro leitor, cara leitora, vamos tomar nas mãos a chave do Perdão e da Misericórdia para abrir os nossos corações e assim o nosso hoje e amanhã também, serão luzidios e esperança e alegria. “Estamos nas mãos de Deus, estamos em boas mãos”. Pe. Antonio Lauri de Souza - csj Provincial Revista da Província Brasileira Josefinos de Murialdo

Revisão Roberta Tomé

Ano XLI - Edição 110 - Número 2 Dez./2015 | ISSN 2447-9004

Pré-impressão (CTP) e Impressão Gráfica Murialdo graficamurialdo@graficamurialdo.com.br Fone: (54) 3221.1422

Provincial Pe. Antônio Lauri de Souza Equipe Técnica Pe. Joacir Della Giustina Júlio César Rodrigues Bernardete Chiesa Jornalista Responsável Bernardete Chiesa - MTb 10187 Projeto Gráfico Júlio César Rodrigues Editoração Marco Rodrigues Júlio Rodrigues

Nosso Endereço Casa Provincial - Rua Hércules Galló, 515 Centro - 95020.330 - Caxias do Sul (RS) Fone: (54) 3221.4711 www.josefinosdemurialdo.com.br Atendimento ao Leitor atendimento@agirecalar.com.br Tiragem 2.500 exemplares O conteúdo dos artigos publicados são de inteira responsabilidade de seus autores.

ANALAM realiza 1º Encontro dos Presidentes FAMUR comemora os resultados de 2015 Ex-alunos do Seminário Josefino se reúnem A vocação e a missão da família na igreja Severino Lisboa é ordenado sacerdote

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Formação

Josefinos de Murialdo: Tradição na inserção social 16 I mosconi si prendono con il miele 20

Capa

Perdoar para bem viver 18

Marcas do que se foi

Para Cristo, para sempre, para o mundo 22 Cronologia da Ação Social e Educativa 24

Ponto de Vista

Misericordiosos como o Pai 26 É preciso soprar a cinza 28 Mãe de todas as raças 29

Notícias

Papa abre Ano da Misericórida CF 2016 terá como tema o Saneamento Básico Papa confirma venerabilidade do Pe. João Schiavo Todos contra o mosquito aedes aegypti Josefinos participam de exercícios espirituais Papa confirma venerabilidade do Pe. João Schiavo Congresso Eucarístico Nacional Visita Canônica à Prov. Brasileira inicia em Belém JMJ 2016 acontecerá na Polônia Revista AGIR&CALAR conta com código ISSN

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Dicas

Dica de Filme 33 Dica de Livro 33

Curiosidades

Você Sabia?

Reflexão

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Pedras ou diamantes 35


Foto: Júlio Rodrigues

O Murialdo me ensinou a ser gente

A presente edição da revista Agir&Calar traz a entrevista com o ex-semi-interno do Abrigo de Menores São José de Caxias do Sul da década de 60 e o atual presidente do Esporte Clube Juventude, clube tradicional da cidade, Raimundo Demori. Entusiasta pelo esporte, bem humorado, homem de sucesso e de muitos amigos, Demori recebeu a Equipe do Agir&Calar e falou, com emoção, sobre a formação que recebeu no Murialdo.

A&C.: Fale um pouco sobre o senhor. Onde nasceu? Quantos irmãos têm? Sua família, sua trajetória... Demori: Sou Raimundo Demori, casado, pai de três filhos, amante da vida e um apaixonado pelo futebol. Eu trabalhei quatro anos na madeireira De Zorzi e 25 anos na Marcopolo. Depois, passei a ser dono do próprio negócio com a Vinhedos Refeições Coletivas; fornecia em média 33.000 refeições/dia. Hoje eu tenho uma cantina de vinhos em Fazenda Souza, que é o meu passatempo. São 64 anos de vida bem vividos. A&C.: Como o senhor se tornou um torcedor do Juventude? Demori: Tornei-me torcedor do Juventude por causa do meu pai. Quando ele vinha para o campo, eu vinha junto. Gostei, gostei, gostei. Eu sempre dizia que se um dia eu tivesse a possibilidade, boa cabeça e boa estrutura, queria ser o presidente do Clube.

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A&C.: E de torcedor para presidente do Clube? Demori: Trabalhei alguns anos aqui no Juventude e aí, em 2010, fui assessor da presidência; em 2011, fui vicepresidente de futebol; de 2012 até o final de 2015, sou presidente. São 4 anos de muito trabalho e dedicação.

A&C.: E como é ser presidente de um clube de futebol? Quando se passa a ser dirigente de um clube ou de qualquer outro negócio, precisa-se trabalhar com a razão, porque se for só paixão, aí a gente se atrapalha! Mas eu quero dizer que é uma atividade bem desgastante; eu diria uma grande escola. Você tem que ter habilidade, experiência, sabedoria, jogo de cintura e muita paciência. Você se torna uma pessoa pública, todos acham que você ou é isso ou é aquilo, e você tem que saber aceitar e administrar isso. Levantar a cabeça e tocar em frente, sempre.


ENTREVISTA com Raimundo Demori

A&C.: Qual foi a maior alegria enquanto torcedor juventudista? Demori: Sem dúvida foi a conquista da Copa do Brasil em 1999. Especificamente aquele jogo com o Inter, no Beira Rio, ganhando de 4 a 0 e como aquele jogo nos habilitou a disputar a final do campeonato. Foi tão gratificante quanto jogar com Botafogo no Maracanã, com mais de 130 mil pessoas, assim como a Conquista no Campeonato Gaúcho. A&C.: E qual foi a maior decepção? Demori: Ficar fora do campeonato por um gol, né! Foi uma paulada muito grande ficarmos fora por um detalhe tão pequeno que é um gol... é muito triste para um dirigente e torcedor do Juventude. A&C.: E a sua história com os religiosos Josefinos, mais precisamente com o então Abrigo de Menores São José, em Caxias do Sul (RS)? Demori: Eu me lembro muito bem de que fiz o exame de admissão para fazer o curso ginasial no Abrigo de Menores São José. Foi na década de 60. Tinha a 1ª, 2ª, 3ª e 4ª séries. Não podia entrar ninguém durante o curso e quem reprovasse estava fora. Nós terminamos em 11 formandos, dos 46 iniciantes. Eu era semi-interno e tinham os internos, lembro-me do Remo, do Antônio, do Adão, do Abel, do Xingu e de vários outros amigos que ainda hoje encontro por aí. A grande maioria que passou pelo Abrigo são pessoas de bem e de sucesso. A&C.: Como era a rotina no Abrigo? Demori: A gente estudava de manhã e para ganhar o almoço tinha que fazer uma atividade à tarde. Lembro que tinha um barranco, as quadras, em baixo e, em cima, exista um galpão onde se empalhava garrafão. Eram muitas crianças e havia um irmão ou padre que cuidava e ensinava a gente. Eu prestei bem atenção naquilo e depois fui pra casa e fazia empalha-

mento de garrafão pra ganhar um troquinho. Eu começava, minha mãe e minhas irmãs faziam a parte do corpo do garrafão e, depois, eu finalizava. Assim fomos criando gosto e nos virando na vida. A&C.: Do que mais o senhor lembra? Demori: Eu me lembro com emoção da chegada do fogo simbólico em Caxias do Sul, no Abrigo de Menores. Era muito solene. Uma vez fomos buscá-lo em Flores da Cunha, num carro do exército. Eles colocavam os caras em cima do carro e a cada 3 ou 4 km nos revezávamos, isso debaixo de chuva, mas a gente fazia com amor e empolgação.

Eu não posso ser egocêntrico e achar que quando eu resolvi o meu problema, resolvi de todo mundo A&C.: Qual a maior e melhor lembrança do Abrigo? Demori: Uma das coisas que mais me chamou atenção e que lembro muito bem foi quando o Padre Bonetto nos contou a seguinte história: no Abrigo tinha um grande número de guris e, muitas vezes, faltava comida e não se tinha recurso para comprar. Num dia desses, entrou uma carreta no pátio cheia de mantimentos. Aí, os religiosos com as crianças, naquela alegria, descarregaram as doações. Quando voltaram, não tinha mais ninguém. O padre disse a um dos meninos e a um irmão: “vão atrás e agradeçam”. Quando eles foram até a rua, não viram mais ninguém. É uma história verídica. Pra mim é milagre: tem que ter a mão de Deus, de São Leonardo Murialdo. Como alguém, do nada, chega com comida, descarrega e vai embora? Correm atrás para agradecer e cadê? Até hoje não se sabe quem teve aquele coração generoso. Foi coisa de Deus.

A&C.: O senhor lembra quem eram os religiosos que trabalhavam na Instituição? Demori: Como se esquecer daquelas figuras? Tinha o Irmão Greguinni, brabo que era um bicho (risos); Ir. Ricieri, que era muito brincalhão; tinha o Pe. Ruy Girardi, o Pe. Armando Pietrobelli (era o diretor), o Pe. Lucio e o Pe. Miguel Modelski, que eram irmãos um do outro. Lembro que o Pe. Miguel adorava andar com o apito na boca. Ele era uma boa pessoa. De modo geral eram uns italianos bem rígidos, nada da gente andar fora da linha, mas, ao mesmo tempo, boa gente e brincalhões. Aprendi muito com eles. A&C.: E como era a educação? Demori: A educação andava muito com a religião. Eu me lembro que todos os internos e semi-internos tinham de ir à missa, no domingo e na segunda, apresentar a presença registrada. Quem não tinha, não entrava na sala. Olha bem, sabe onde é a casa do professor da UCS hoje? A gente morava lá e eu vinha de lá a pé – ida e volta. Confesso que falta isso hoje, pois estamos indo para um caminho muito de ninguém, sabe. Hoje as pessoas não estão nem aí para as coisas, não são disciplinadas, parece que elas não têm dever. Eu fui gerente de RH na Marcopolo, na época tinha 5000 funcionários e, volta e meia, sentia o peso dos 5000 nas minhas costas. Eu entrevistava dois caras e já sabia quem ia contratar. Hoje tu entrevista 10 e tem dúvida nos 10. Então, isso mudou radicalmente. Os valores, os princípios, o comprometimento das pessoas. E acredita: a sociedade só vai melhorar se tiver disciplina, organização e educação. A&C.: O que significa o Abrigo de Menores para a sua vida? Demori: No Murialdo, a gente aprende a ser gente, a ser uma pessoa que tem respeito pelos outros. Eu tenho isso comigo: o Abrigo de Menores São José foi a grande escola de respeito, de saber entender e ajudar os outros. A gente comprava umas bolinhas de plásticos pra jogar... as quadras todas eram de pedra, tu caía e raspava todo

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ENTREVISTA com Raimundo Demori

o joelho e, mesmo assim, isso era a atração, a gente se divertia e gostava de dividir com os outros. E, claro, uma das coisas que tinha muito era a rigidez, acho que também não precisaria ser tanto quanto foi. A gente tem que se preocupar com um todo. Eu não posso ser egocêntrico e achar que quando eu resolvi o meu problema, resolvi de todo mundo. O mundo não é assim. Quando posso ajudar as pessoas, ajudo. Num dia desses, estava no mercado, um cara passou por mim e disse: “Oi, o senhor não se lembra de mim, né?!” Eu respondi: desculpe-me, mas eu não me lembro de você. “É, o senhor ajeitou a minha vida, sabia?! Eu vim do interior e o senhor me deu emprego”. Eu disse para ele: “Mas, foi tu que ajeitou a tua vida e não eu; eu só te dei a oportunidade e tu a abraçou”. Entendeu? Aquela história que contei antes quando entrei no Abrigo de Menores, tem tudo haver. Toda pessoa precisa aprender que se não aproveitar a oportunidade, tá fora e não pode repetir no mesmo estabelecimento. Isso me mostrou o quanto tem que valorizar as coisas e as oportunidades que aparecem. Eu ganhei uma oportunidade no Abrigo e aproveitei... e as portas se abriram pro resto da vida. A&C.: Em sua opinião, o que é

preciso ser feito para que as crianças e os adolescentes de hoje andem pelo caminho do bem? Demori: Meu grande orgulho é ter a meninada aqui no Juventude, na escolinha de base. Saber que temos 500 crianças que vêm aqui todo dia. O poder público tem o conhecimento disso, mas não ajuda, não leva a sério como deveria. As crianças e os adolescentes precisam, desde cedo, estar ocupadas com atividades sadias. Isso é pensar no futuro. É construir bem a base para o desenvolvimento. Pensa que não são todos que têm condições de dar escola e creche de qualidade. Muitos vivem ociosos, aprendendo com a rua e com as más companhias. Esse é o grande problema da humanidade: muitas pessoas não têm acompanhamento, não têm discernimento, pensam que ter filho é uma coisa normal e esquecem que é pra toda a vida. Se quisermos uma sociedade melhor, nós temos que cuidar e educar cada vez mais as nossas crianças. A&C.: O que está precisando para a sociedade ser melhor? Demori: Esse sentimento de compromisso. De compromisso com a tua cidade, com a tua estrutura, com a tua família, com o teu “eu”. Precisamos

educar, qualificar. E nem se fala na corrupção. Parece que ser corrupto é normal, mas não é. Vivemos num mundo cheio de desânimo, intolerância, delegamos aos outros o que é nosso compromisso. É preciso que todos façam bem feito o que é de sua competência. Vou te dizer uma coisa... somos feitos de relações, e hoje as pessoas se relacionam com o celular. Ontem fui numa reunião; tinham 15 pessoas; dessas, 12 estavam no celular e a reunião andando, mostrando, fazendo. Que reunião foi essa? Aqueles caras que ainda não adotaram o celular, esses vão ser felizes. As pessoas precisam despertar a vontade de chegar e de crescer. A vontade de buscar. Essa meninada de hoje se conforma com muito pouco. Eles precisam ter ambição na vida. O que tu quer fazer? Construir uma família, dar um conforto, melhorar de condições? Não tenho a menor dúvida: tudo passa pela educação. E somos um país que carece de educação, princípios e valores. Não tenho dúvidas: o Muriado representa uma instituição de perfeição, honestidade, trabalho, ajuda. Nele, não se brinca de ensinar, se ensina e se educa de verdade.

Oficina de empalhamento de garrafões - Década de 60 Foto: Arquivo ILEM

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Foto: Divulgação A&E

COTIDIANO

CAXIAS DO SUL

ANALAM realiza 1º Encontro Nacional dos Presidentes de Núcleos os dias 31 de julho, 01 e 02 de agosto, em Fazenda Souza (Caxias do Sul), aconteceu o 1º Encontro dos Presidentes dos Núcleos da Associação Nacional dos Leigos Amigos de Murialdo (ANALAM) e religiosos assessores espirituais dos núcleos de Leigos de Caxias do Sul (AAMur, Alambosco, Alamschiavo, Alamar e Alamfaz) Porto Alegre (Partenon e Restinga), Araranguá (SC), Londrina e Maringá (PR), São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ) e Planaltina (DF). Além de contar com a presença dos membros da Diretoria Nacional e do Conselho Formativo, fizeram-se presentes o Provincial dos Josefinos de Murialdo, Pe. Antonio Lauri de Souza, a Provincial das Irmãs Murialdinas, Irmã Cecília Inês Ferrazza, e os ex-presidentes da ANALAM, Tadeu Zulian e Leonel Wassen dos Reis. O encontro teve início no dia 31 de julho, com acolhida dos participantes, atos de abertura com a composição da mesa de autoridades e pronunciamento das mesmas, especialmente da presidente da ANALAM, Carmelita Masiero Fontanella, que destacou a importância do evento para a unidade da organização. Após o jantar, o diretor da Faculdade Murialdo, Pe. Joacir Della Giustina, apresentou a trajetória dos 100 anos da chegada dos Josefinos ao Brasil. O segundo dia do encontro foi destinado ao aprofundamento do tema “Liderança”. A primeira palestra foi com a psicóloga Carla Martinotto, que abordou o perfil e as competências do líder; após, Pe. Geraldo Boniatti falou do líder Murialdo e de sua missão atual. Em seguida, Leonel W. dos Reis e Eloi Gallon apresentaram o contexto histórico do tempo de Murialdo e a prática da sua missão em nosso cotidiano.

No domingo, Irmã Cecília Ferrazza e Bernardete Chiesa retomaram os assuntos dos dias anteriores e explanaram sobre a encíclica do Papa “A Alegria do Evangelho”. Também foram realizados trabalhos em grupos para troca de experiências, desafios, alegrias e dificuldades encontradas no cotidiano dos núcleos, sendo avaliados como importantes momentos para o fortalecimento mútuo. A diretoria apresentou questões pertinentes à administração da ANALAM e salientou sobre a importância de fazer acontecer as prioridades do triênio 2013/2016, votadas no Congresso Nacional realizado no Rio de Janeiro, em 2013: Definir estratégias para inserir mais pessoas, inclusive jovens, aos Leigos Amigos de Murialdo; Comunicação: melhoria e aprimoramento de canais de comunicação entre os núcleos, e destes com a Diretoria Nacional;Formação: Consolidar a formação dos Leigos Amigos de Murialdo na mística e espiritualidade de São Leonardo Murialdo, fortalecendo os encontros locais e regionais. A celebração eucarística, no final da tarde de sábado, foi na capela, junto ao túmulo do Pe. João Schiavo, e animada pelos Amigos de Murialdo do núcleo Alamschiavo. O encerramento do encontro aconteceu com uma emocionante missa de envio na Capela do Seminário, na qual Pe. Geraldo Boniatti e Irmã Cecília presentearam cada presidente dos Núcleos participantes com uma imagem de São Leonardo Murialdo e uma vela, simbolizando a luz, as bênçãos e a missão de cada presidente junto aos seus núcleos. Em julho de 2016, acontece o Congresso Nacional em Ibotirama (BA).

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FACULDADE MURIALDO comemora os resultados de 2015

om quase quatro anos de história, a Faculdade Murialdo vem apresentando crescente desenvolvimento, seja em número de cursos, em número de alunos, mas, especialmente, vem se solidificando como uma instituição séria, que oferece ensino humanizado e de qualidade. O ano de 2015 foi especial para a FAMUR por vários motivos. Os cursos de Pedagogia e Ciências Contábeis tiveram início no primeiro semestre do ano e três cursos, que se iniciaram em março de 2012, foram reconhecidos pelo Ministério da Educação (MEC). A estrutura física da Unidade Sede foi reformulada, com melhorias em vários ambientes e instalação de novos laboratórios de informática. Na Unidade de Ana Rech, um novo prédio próprio para a Faculdade foi inaugurado. Também foi lançada a Pós-Graduação em Espiritualidade no Trabalho – que deve começar no início de 2016 – e diversos cursos de extensão foram realizados: Auxiliar de Apoio Docente; Gestão Educacional e os desafios da Indisciplina; Legislação Básica para MPEs; Oficina de Finanças e Custos. O novo Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) acaba de ser finalizado, projetando o futuro da Faculdade para os próximos cinco anos, baseado no Planejamento Estratégico que foi cuidadosamente elaborado por representantes de várias instâncias da FAMUR. Foto: Kaéllen Pereira

Palavra da direção “Toda a comunidade acadêmica, bem como o grupo de gestão, se sente realizada nesses últimos quatros anos de caminhada acadêmica. Muitos foram os desafios enfrentados a partir do cenário universitário nacional, como crise econômica, diminuição dos financiamentos estudantis, queda nas matrículas, entre outros. Sem contar a inserção da Faculdade Murialdo em um contexto municipal no qual coexistem 22 Instituições de Ensino Superior. Mesmo diante desse cenário, a FAMUR tem conquistado o seu espaço e reconhecimento por parte da comunidade caxiense e da região. O desejo da Faculdade Murialdo em expandir suas atividades acadêmicas faz com que se desafie a projetar-se futuramente como um centro universitário católico, contando com novos cursos de graduação, pós-graduação e extensão, bem como mestrados e doutorados, e mantendo-se comprometida com o carisma de Murialdo, com a formação de cidadãos críticos e profissionais qualificados para o mercado de trabalho.” (Professor Me. Ir. Pedro Paulo da Silva membro da direção e coordenador do curso de Pedagogia).

Novo PDI: missão e visão A Faculdade Murialdo procurará fortalecer a sua missão, que é de garantir ensino de excelência e formação de profissionais humanizados, assumindo a responsabilidade social e a promoção do desenvolvimento sustentável da região. Tem como visão para os próximos cinco anos: Ser reconhecida pela inovação pedagógica, excelência acadêmica e a humanização das relações. Quer ser fiel aos seus princípios, a saber: INOVAÇÃO PEDAGÓGICA: prática do ensino investigativo; RELAÇÕES HUMANIZADORAS: valorização das pessoas e defesa da vida; FÉ E RAZÃO: conhecimento científico aliado

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aos princípios cristãos; RESPONSABILIDADE SOCIAL: justiça e desenvolvimento; ÉTICA E TRANSPARÊNCIA: atitude com coerência; RESPEITO ÀS DIFERENÇAS: grandeza na alteridade; SUSTENTABILIDADE: ecologicamente correta, economicamente viável, socialmente justa e culturalmente aceita, sem com isso perder o seu foco na Educação Humanizada.

Reconhecimento com conceito 4 No primeiro semestre, os cursos de Administração e Sistemas para Internet receberam visita in loco da Comissão de Avaliação do INEP/MEC. No segundo semestre, foi a vez do curso de Agronegócio. Os três cursos receberam conceito quatro, em uma escala de zero a cinco, o que representa uma avaliação muito boa. “Esses reconhecimentos são de toda a comunidade acadêmica da FAMUR. Estamos no caminho certo, visando, na excelência acadêmica, o nosso futuro. Vamos continuar na busca da inovação pedagógica, tendo o ensino investigativo como princípio que baliza nossa ação educativa”, afirma a professora Roberta Lopes Augustin, coordenadora acadêmicopedagógica.


COTIDIANO Juliana Rossa

Atividade Prática Supervisionada (APS) Institucional / Fórum de Iniciação Científica Todos os semestres, os acadêmicos da FAMUR dividemse em grupos de três, do mesmo curso de graduação, para o desenvolvimento dos trabalhos da Atividade Prática Supervisionada (APS) Institucional, sob a orientação de um professor. Esses trabalhos são desenvolvidos extraclasse , configurando a iniciação científica e o ensino investigativo da Faculdade. Os acadêmicos do primeiro e segundo semestre realizam trabalhos nas áreas de Responsabilidade Social e Socioambiental, respectivamente. A partir do terceiro semestre, os trabalhos executados voltam-se às temáticas profissionais de cada curso de graduação. No final de cada semestre, os alunos apresentam o resultado das suas pesquisas no Fórum de Iniciação Científica, que, no segundo semestre de 2015, chegou à IV edição. Durante as

duas edições do Fórum no ano de 2015, foram apresentados mais de 180 trabalhos. Essa produção pode ser conhecida por todos por meio dos ANAIS do evento, publicado no site da FAMUR.

Formandos No final deste último semestre de 2015, quatro alunos do curso de Sistemas para Internet defenderam seus Trabalhos de Conclusão de Curso (TCCs). Já no curso de Administração, oito alunos defenderam seus projetos para a banca de qualificação do TCC. No próximo semestre, apresentarão as pesquisas finais. Além disso, quatro acadêmicas de Recursos Humanos apresentaram seus diagnósticos de RH. Semestre que vem, as concluintes apresentarão propostas de intervenção em RH. E durante o ano de 2016, a Faculdade Murialdo realizará suas primeiras formaturas.

NOVO PRÉDIO EM ANA RECH O início do ano letivo, no dia 2 de março, ficou marcado pela inauguração do Bloco 1 do curso de Medicina Veterinária, na Unidade Ana Rech. O novo prédio conta com salas de aula, laboratórios, miniauditório, cantina, biblioteca, área administrativa e salas para estudo em grupo e individual. Entre as diretrizes do Planejamento Estratégico da Instituição está a instalação da Faculdade em sede própria. Atualmente, a Faculdade encontra-se junto ao Colégio Murialdo, no Centro de Caxias do Sul.

Juliana Rossa

Mestre, Professora e Coordenadora das Atividades Práticas Supervisionadas (APSs) da Faculdade Murialdo

Mais sobre a FAMUR:

Telefones Sede: (54) 3039.0245 | Ana Rech: (54) 3535.7350 E-mail relacionamento@faculdademurialdo.com.br

Endereço Sede: Rua Marquês do Herval, 701 | Caxias do Sul (RS) Unidade Ana Rech: Avenida Rio Branco, 1595 Bairro Ana Rech | Caxias do Sul (RS)

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Site: www.faculdademurialdo.com.br

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Ex-alunos do Seminário Josefino se reúnem em Fazenda Souza o soar de uma campainha, como nos velhos tempos, os ex-seminaristas foram entrando para a capela do Seminário onde aconteceria a celebração da Eucaristia. Era uma pequena multidão. Vieram de diversas partes do RS, de SC, SP e Brasília, alguns acompanhados de filhos e até de netos. Chegou gente de todas as idades, dos antigos, como o senhor Dr. Aldo Comerlato, da primeira turma de noviços do Seminário nos anos 41-42, aos mais novos.

estava no páreo; porém, por desinteresse desta população e certa simpatia por Fazenda Souza, optou-se por ela para sediar a Escola Apostólica (Seminário). Aconteceu, na sequência, uma série de troca de correspondências entre Pe. João Schiavo e o Pe. Otavio Colle, Provincial, na Argentina, também sobre a nova casa, até que chegou autorização para a sua construção, em 21 de dezembro de 1940. E, com dinheiro emprestado pelos moradores, iniciou-se a construção em 23 de dezembro do mesmo ano.

Voltar ao Seminário é sempre um exercício para a memória, a saudade e a gratidão. Neste instante, lembramos dos tempos duros, porém sem apagar os valores semeados e que foram colhidos como frutos saborosos no decorrer da vida .

Pe. João Schiavo escreveu ao Pe. Geral, Pe. Luigi Casaril: “No ano passado, 19 de março de 1941, abrimos a nova residência de Fazenda Souza, uma construção em madeira sobre um terreno doado à congregação pela população da localidade, onde instalamos o Noviciado e a Escola Apostólica, composta então de 13 aspirantes”.

O trabalho foi coordenado pelo professor Jaime João Dall’alba, a quem cumprimentamos efusivamente. Menção especial também se deve ao atual presidente da Associação dos Ex-alunos, o jovem e dinâmico Paulo de Benetti, que coordenou a realização do evento. E porque ninguém é de ferro, ao meio-dia aconteceu o almoço festivo no salão paroquial da Paróquia Nossa Senhora da Saúde de Fazenda Souza. Vila de Fazenda Souza foi escolhida pelo Pe. João Schiavo para a construção do Seminário Josefino. Vila Seca também

1947

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Decidiu-se chamá-lo Seminário Josefino porque já havia no Rio Grande do Sul um seminário denominado São José. Tal abertura contou com a presença de autoridades de Caxias e a bênção foi dada por D. José Baréa, 1º Bispo de Caxias do Sul, que, aliás, permaneceu todo aquele 19 de março, data de seu honomástico, junto aos Josefinos em Fazenda Souza. Nos primeiros tempos, Ana Rech e Fazenda Souza se constituíam uma única comunidade. Quase todo o sustento e serviços, inclusive de lavanderia, dependiam de Ana Rech. Por anos a fio, o imponente casarão de madeira acolheu seminaristas, noviços e clérigos da província brasileira até que, em 1958, entra em pauta a realização de outro projeto para o Seminário. Desta vez, o grande artífice é o Pe. José Lorencini, segundo Provincial. Diante do crescimento do número de vocacionados, houve a necessidade de nova construção. O tema começou a ser levado pelo Pe. José Lorencini ao Conselho Geral , em Roma, no ano de 1956, e só em 25 de

Fazenda Souza, 1947 - Seminaristas Orides Ballardin, Honorino Dall'Alba, Ângelo Dall'Alba e Cornélio Dall'Alba

Foto: Arquivo ILEM

Ao término da Eucaristia, presidida pelo Provincial, Pe. Antonio Lauri, e concelebrada por uma dezena de confrades sacerdotes, também das antigas e novas gerações, aconteceu outro momento solene para as recordações. Foi lançado o livro Seminário Josefino de Fazenda Souza – uma Experiência de Formação, uma bela e volumosa obra com a participação de 38 articulistas que retratam histórica, poética, linguística, pedagógica, psicológica e, enfim, vitalmente os acontecimentos de 1941 até o término do seminário.


COTIDIANO abril de 1958 recebeu-se a resposta, conforme carta de Pe. José em que comunica a “alegria pela chegada da permissão para construir” a Escola Apostólica. “Il giorno 18 maggio faremo La festa della posa della prima pietra”. O Seminário Josefino, ainda que com finalidade de formar religiosos, certamente nunca teve a ilusão de que todos os que o frequentassem, e foram mais de 2000 mil, chegassem àquela meta. Por isso, é chamado Seminário, que significa sementeira. Todas as sementes foram regadas com a água pura da formação humano-cristã e da sólida formação acadêmica. E assim, como rejubila-se com os religiosos crescidos à sombra e ao sol do Seminário Josefino, não é menor a alegria e o entusiasmo com o laicato comprometido e ótimos cidadãos, expoentes em suas profissões e como pais de família. Elencando os diretores, homenageamos a todos os Josefinos que passaram pelo Seminário ou ainda estão atuando naquela obra. Pe. João Schiavo (1941-1946); Pe. Ezio Julli (1947-1952); Pe. Nebrídio Bolcatto (1953-1954); Pe. Ruy José Girardi (1955-1960); Pe. João Biondo (1961-1965); Pe. Vittorio Costa (1966-1968); Pe. Orides Ballardin (1969-1974); Pe. Genuíno Roman (1975-1980); Pe. Carlos Paludo (1981); Pe. Genuíno Roman (1982-1983); Pe. Aleixo Susin (1984-1985); Pe. Carlos Paludo (1986); Pe. Angelo Dall”Alba (1987-1989); Pe. Luiz Carlos M. dos Reis (1990-1995); Pe. Dirceu Rigo (1996-2004); Pe. Genuíno Roman (2005-2007); Pe. Marcionei Miguel da Silva (2008-2011); Pe. Antônio Lauri de Souza (2012); Pe. Geraldo Boniatti (2013); Pe. Ivo Ballardin (2014 aos dias atuais). Em 2014, o Noviciado, diante dos apelos carismáticos e dos desafios da formação, foi transferido para o bairro Santa Fé em Caxias do Sul, com três noviços e seu mestre Pe. Geraldo Boniatti. A gruta da BR 116 e as festas O local onde se encontra a gruta hoje era conhecido como o “chuveiro”, por cair água lá de cima da rocha. Bem antes da estrada federal, hoje, BR 116 – quilômetro 133, ser aberta, os

peraus do local eram escalados por jovens moradores da região, com objetivo de encontrar cachopas de abelhinhas silvestres e ninhos de corvos. Contava Carino Dall’Alba que os grupos se aventuravam a subir o perau para observar as matas. Ao ser aberta a estrada federal em 1943, era comum ver andarilhos se protegerem debaixo da gruta contra as intempéries e mesmo dormirem à noite. Costume ainda hoje verificado. No ano de 1950, o Dr. Virvi Ramos dirigiu-se ao Bispo de Caxias do Sul, Dom José Barea, conseguindo que o mesmo fosse dar a bênção solenemente ao local da gruta, com missa e terço animados pelo Bispo. Depois da inauguração da gruta de Nossa Senhora das Graças, realizou-se, no dia 11 de novembro de 1951, a primeira festa solene. A organização esteve a cargo do padre Cornélio Todesco, auxiliado pelos moradores da Ponte do Rio São Marcos e imediações. Foi impressionante o número de caminhoneiros que veio receber a bênção da Virgem Maria Santíssima. Os seminaristas de Fazenda Souza sempre ajudaram na festa (do embelezamento a tudo o que era preciso realizar), iniciando um domingo antes; também o pessoal de Fazenda Souza ia auxiliar no que precisava. Até os nossos dias, a tradição continua. Uma vez por mês, celebra-se a Eucaristia na gruta. Há uma bela afluência de moradores que a sentem como sua capela. Anualmente acontece a Festa da Gruta, num grande abraço solidário entre os moradores das proximidades do Balneário dos Ballardin com o empresariado de Caxias do Sul, São Marcos e outros. A coordenação está a cargo do Seminário de Fazenda Souza. Os resultados financeiros são destinados para a manutenção dos vocacionados dos Josefinos de Murialdo. Nossa revista homenageia todos os benfeitores e benfeitoras que, além de devotos da Santinha da Gruta, auxiliam na promoção vocacional e na manuntenção dos seminaristas e vocacionados dos Josefinos de Murialdo.

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SÍNODO DA FAMÍLIA

A vocação e a missão da família na Igreja e no mundo contemporâneo

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COTIDIANO Pe. Mario Aldegani

e 04 a 25 de outubro, aconteceu, em Roma, o Sínodo da Família, convocado pelo Papa Francisco. O evento teve como tema “A vocação e a missão da família na Igreja e no mundo contemporâneo”. A Assembleia contou com a participação de 270 padres sinodais, provenientes dos cinco continentes, assim divididos: 54 da África, 64 da América, 36 da Ásia, 107 da Europa e 9 da Oceania. Colaboram com os trabalhos 24 especialistas, 51 auditores e 14 delegados fraternos. Além disso, 18 casais participaram da Assembleia Sinodal. Dentre os participantes, fez-se presente o Superior Geral dos Josefinos de Murialdo, Pe. Mário Aldegani.

capaz de praticar a hospitalidade como movimento fundamental para o seu próprio bem estar; capaz de tornarse presença viva no contexto da sociedade que a circunda. Desejo, enfim, que o sínodo aponte um novo rumo. Aqui não convém, ao que me parece, um documento final que se preocupe de todas as sutilezas necessárias para um confronto entre teólogos; precisa-se de um documento com uma linguagem simples, que use palavras e imagens da vida, que possa ser compreendido por todos e atinja a todos. Reli nestes dias as catequeses semanais do Papa Francisco sobre o tema da familia… Então, desejaria que esta linguagem, que é simples, mas não simplista, fosse a linguagem com a qual o Sínodo se dirija ao povo de Deus no mundo:

PALAVRAS DO PE. MÁRIO ALDEGANI AOS PADRES SINODAIS

- Reafirmando com palavras claras e belas as variedades das famílias como valores essenciais da convivência humana;

A família está vivendo hoje uma profunda crise. É como se o homem contemporâneo não mais conseguisse dar consistência às próprias relações, nem àquelas mais profundas que estruturam as ligações entre as gerações.

- Anunciando as suas leis não como um peso, mas como um dom e um bom valor para todos;

A palavra “crise” significa momento de dificuldade e perigo, mas também de possível cura e de nascer de novo. Nesta ótica, a Igreja deveria contemplar a crise contemporânea da família, na perspectiva do nascimento de uma família ainda melhor.

- Falando ao mundo de uma Igreja que é casa para todas as famílias, lugar de encontro, de participação e de protagonismo, na convivência que “a melhor família está ainda para chegar”.

A família do futuro que a Igreja pode acompanhar é a família capaz de praticar a hospitalidade

O primeiro caminho se refere à questão de “gênero”. A nova família pode nascer na realização de uma relação mais equilibrada e rica entre o homem e a mulher, no reconhecimento e na plena valorização das duas dimensões que os constituem e das suas diferenças. É um desafio que a Igreja deve enfrentar, pela importância que ela atribui à tal diversidade.

O segundo diz respeito às relações entre as gerações. Trata-se, neste caso, de acompanhar a família a estar verdadeiramente à altura de sua missão geradora. O ponto nodal das relações intergeracionais é sentido agudamente neste momento histórico, sobretudo pelo individualismo radical que todos respiramos e que nos autoriza a desligar-nos das relações, vistas somente como vínculos limitadores. O terceiro caminho diz respeito às relações entre a família nova e o seu contexto circunstante. A família que está hoje em crise é a família que com o tempo se tornou muito individualista: fechou-se em si mesma, apostando na autossuficiência. A família, porém, é sempre um ponto nodal, um cruzamento de relações no espaço e no tempo, não é um ninho ou uma toca defendendo-se do presente. Não é um âmbito privado contraposto ao público, mas fermento da sociedade, um canteiro de obras para formas de sociedade mais humana e mais rica. A família do futuro que a Igreja pode acompanhar é aquela

SÍNODO: UM ATO DE AMOR À FAMÍLIA Impressões de Pe. Aldegani Terminou o Sínodo sobre a família, uma asssembleia ampla e um afresco admirável da catolicidade da Igreja, no qual se manifestou a sensibilidade e ressoaram as vozes de todos os continentes.

Participar deste evento foi para mim uma grande graça e uma extraordinária ocasião para crescer no conhecimento e no amor à Igreja. O Papa Francisco, no Angelus do dia 25 de outubro, comentou o Sínodo com estas palavras: “Convido a todos para agradecer a Deus por estas três semanas de trabalho intenso, animado pela oração e por um espírito de verdadeira comunhão. Foi fadigoso, mas foi também um verdadeiro dom de Deus, que trará seguramente muitos frutos. A palavra ‘sínodo’ significa ‘caminhar juntos’. E aquilo que vivemos foi uma experiêcnia de Igreja em caminho, em caminho especialmente com as famílias do Povo santo de Deus espalhado por todo o mundo”. Era um Sínodo muito esperado; foi muito seguido pelos Meios de Comunicação Social. Em certos dias havia uma selva impressionante de jornalistas e de telecâmeras na entrada e saída da sala Nervi. O Papa, desde o início, ajudou-nos a viver o Sínodo no seu vardadeiro sentido. “O Sínodo, como sabemos, é um caminhar juntos com espírito de colegialidade e de sinodalidade, adotando corajosamente a parresia, o zelo pastoral e doutrinal, a sabedoria, a franqueza e tendo sempre em frente aos olhos o bem da Igreja, das famílias e a lei suprema: a salavação das almas”.

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O documento final que os padres sinodais aprovaram e entregaram nas mãos do Papa é um texto muito rico e articulado que precisa ser lido com muita atenção. Parece-me que ele apresenta uma reviravolta na linguagem, que poderia exprimir em quatro pontos:

1. É uma Igreja que fala com as palavras do Concílio Vaticano II A cinquenta anos deste extraordinário evento que mudou a vida da Igreja, este elemento é de grande importância, assinala um novo início; direi, anuncia uma nova primavera.

dificuldades que encontram no seu caminho”(n 56).

4. É uma Igreja que fala a linguagem da ternura, a linguagem de Jesus “É necessário adotar uma linguagem que seja significativa. O anúncio deve fazer que se experimente ser o “Evangelho da Família” a resposta às aspirações mais profundas da pessoa humana: a dignidade e a realização plena na reciprocidade, na comunhão e na fecundidade. Não se trata só de apresentar uma normativa, mas de anunciar a graça que à capacidade de viver os bens da família” (n.56).

É significativo o fato de que o documento final se inicia com a Gaudium et Spes 1, como a retomar o fio de um discurso e de um método começado com o Concílio há cinquenta anos: “Tivemos sempre presentes as famílias do mundo, com as suas alegrias e esperanças, com as suas tristezas e angústias. Os discípulos de Cristo sabem que “nada lhes é verdadeiramente humano que não encontre eco nos seus corações . (...) Por isso a comunidade dos cristãos sente-se real e intimamente solidária com o gênero humano e com a sua história” (GS 1).

Em síntese, do Sínodo emerge uma Igreja aberta, uma Igreja em escuta, que anuncia com alegria a verdade do Evangelho com a linguagem de Jesus e que, como Ele, colocase ao lado das pessoas, de todas as pessoas e famílias, com atitude de compreensão e não de julgamento, para entender, acompanhar, iluminar, sustentar e ajudar.

2. É uma Igreja que fala a linguagem do Papa Francisco

“Este Sínodo inaugura a Igreja da ternura e decreta o fim da Igreja que divide o mundo entre bons e maus”. A síntese eficacíssima é do bispo salesiano Luc Van Looy. “Não distinguindo as famílias entre famías boas e famílias ruins, fala de modo claro sobre a ternura que a Igreja quer mostrar para qualquer situação da família”.

Um dos elementos que caracteriza o documento final do Sínodo é o fato de assumir muitas passagens das homilias e catequeses do Papa Francisco: aquelas plavras simples e profundas, que tocam o coração, não só dos fiéis, mas de tantos homens e mulheres, por vezes, distantes da fé ou da Igreja.

3. É uma Igreja que escuta, não uma Igreja que julga “Em todo o mundo, na realidade das famílias, podemos ver tanta felicidade e alegria, e também tanto sofrimento e angústia. Desejamos olhar esta realidade com os olhos que Jesus a olhava quando caminhava entre os homens do seu tempo. A nossa atitude quer ser de humilde compreensão. O nosso desejo é de acompanhar cada uma e todas as famílias para que descubram o melhor caminho para superar as

Um dia depois do final do Sínodo, li os títulos das primeiras páginas dos jornais italianos. Nenhum deles me satisfez. Eu daria um título assim: “O Sínodo: um ato de amor para a família”. É a sensação mais profunda que vivi participando ao vivo deste longo percurso.

Há cinquenta anos do Concílio, a Igreja recomeça daqui. A Igreja da Ternura, da Misericórdia, da Escuta: O Papa Francisco deu o exemplo e o sinal, comovendo e convertendo o mundo. Agora o compromisso é para cada pastor, de cada comunidade e para cada fiel. Pe. Mario Aldegani

Superior Geral dos Josefinos de Murialdo (Roma)

Foto: Sínodo da Família, Roma, 04 a 25 de outubro

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Foto: Divulgação A&C

Foto:Divulgação A&E

COTIDIANO

Severino Lisboa é ordenado sacerdote

Planaltina (DF) o dia 05 de dezembro, na Igreja Matriz Santa Rita de Cássia de Planaltina (DF), aconteceu a Ordenação Presbiteral do religioso Josefino de Murialdo Severino Lisboa Campos Filho. A solenidade foi presidida pelo Arcebispo de Brasília e Presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Sérgio da Rocha, concelebrada pelo provincial dos Josefinos de Murialdo no Brasil, Pe. Antônio Lauri de Souza, e vários outros sacerdotes. O evento, marcado por muita emoção e fé, contou com a presença de fiéis, mães apostólicas, membros da Família de Murialdo, seminaristas e religiosos oriundos do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Piauí e, claro, do Distrito Federal. Na semana que antecedeu à Festa da Ordenação, realizouse, na Paróquia Santa Rita de Cássia, um Mutirão Vocacional. Numa dinâmica de fraternidade, contou-se com a presença de leigos que trabalham com as vocações na Paróquia (SAV)

e com a presença das Irmãs da Congregação das Murialdinas de São José, das Irmãs Franciscanas da Santíssima Trindade e dos Religiosos Josefinos de Murialdo. Também aconteceu um grande encontro com a juventude da Paróquia, com a presença do Severino Lisboa, que deu seu testemunho vocacional, bem como com a partilha dos carismas das demais Congregações. Em toda a semana que antecedeu à Ordenação, um grupo de jovens da Legião de Maria Juvenil apresentou um Jogral Vocacional para sensibilizar a comunidade e os jovens sobre o chamado que Deus faz a cada um de nós. Nesta mesma semana, as crianças atendidas pelos Josefinos no CEMEC foram contempladas com um dia inteiro de atividades vocacionais. Que as sementes lançadas germinem e produzam frutos na vinha do Senhor, pois "Deus chama quem, como e quando Ele quer".

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JOSEFINOS DE MURIALDO TRADIÇÃO NA INSERÇÃO SOCIAL

ara os católicos, Magistério e Tradição são termos flagelados em geral. No século XIX, justamente no tempo fundamentais porque compõem o acervo que de Murialdo, surgiu uma plêiade de fundadores e fundadoras, explica e explicita a fé bíblica vivida e testeque atendendo aos apelos de Jesus de amar os pobres, a munhada durante a vida da Igreja. Por analogia, eles dedicaram a vida e fundaram congregações. A partir transpondo estes dois termos para a para a vida da Rerum Novarum de Leão XIII, foi se configurando na dos Josefinos de Murialdo e para a Família de Murialdo, Igreja o Pensamento Social ou a sua Doutrina Social, de também nós somos credores de um Magistério que vem de forma sistemática e articulada. Toda esta riqueza ofereceuMurialdo e de seus sucessores, nas reflexões da congrenos conteúdos, estímulos e desafios para nossa Tradição gação, produzidas por eles e por outros confrades no suceder e Magistério. dos anos. O mesmo se diga da Tradição concernente à Dos Artigianelli de Cocchi, Gicinto Tasca, Berizzi, Murialdo, dimensão religiosa, bem como no fazer Constantino e Reffo, os Josefinos chegam pedagógico. Esta coletânea de pensaao Brasil em 1915, mediante o convite para Os jovens pobres mentos, reflexões e normas, calcadas nas uma missão bem específica: dirigir uma vivências, gerou um estilo de ser e de agir, estão no centro de escola agrícola para meninos pobres em isto é, foi configurando uma identidade. Quinta, na periferia de Rio Grande (RS). nossa atenção nascimento próximo de nossa Tradição vem Nestes cem anos no Brasil, expandimos do Pe. Giovanni Cocchi (1813-1895), um “porque foram salvos a atuação, fechando obras e abrindo outras, inquieto sacerdote diocesano de Turim que pelo sangue de Jesus inovamos na qualidade da atenção à desejava ser missionário. Foi a Roma para Cristo” educação e ação social com crianças, de lá seguir missão ad gentes. Viu os adolescentes e jovens, principalmente com oratórios e voltou a sua cidade cuidar dos os pobres, sem alterar, talvez como meninos de rua, ao longo do Pó, nas feiras e por todos os devíamos, as modalidades de atuação. lados. Para isso foi criando oratórios, escolas; mudou de Com a promulgação da Constituição Brasileira de 1988, endereço como cigano, levando junto os meninos, estranhousurgiram os Conselhos, organismos que permitem a se com D. Bosco e fundou o Colégio Artigianelli em 1850, participação da sociedade civil na formulação e no controle chegando ao Corso Palestro, em novo edifício, em março das políticas públicas. A participação de religiosos de 1863. Foi um visionário fundador de obras, mas em josefinos e de leigos e leigas nestas instâncias foi um termos de gestão deixava a desejar. O “Agir e Calar”, tão próximo e estimado por nós, foi uma herança que ele nos grande avanço e, talvez, a grande novidade que vem deixou. Faleceu no Colégio Artigianelli no Natal do ano criando tradição em nosso meio. Vemos pessoas 1895. Murialdo o definiu como “um humilde sacerdote, ligadas à Família de Murialdo participando dos pobre de dinheiro, rico só de fé em Deus e de caridade para Conselhos da Criança e do Adolescente, da os irmãos”. Assistência Social, dos Conselhos Tutelares, da Juventude e até mesmo da Saúde. Desejando ainda retornar no tempo, encontraremos raízes de nossa tradição nos santos Padres, entre eles em Os programas de nosso agir no curso João Crisóstomo, com seu “Ne Perdantur”, para que não dos anos, em si, não garantem a fidelidade se percam, bem como na idade Média quando foram criadas à Tradição, pois estes devem sim ser instituições caritativas que acolhiam doentes, crianças e atualizados de acordo com as

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FORMAÇÃO Pe. Antonio Lauri de Souza

necessidades locais de cada época, conforme os “sinais dos tempos”. Esta atenção e diálogo com a realidade, para bem conhecê-la e nela interagir, isto sim faz parte da tradição educativo-apostólica da Família de Murialdo. Revisitar o apostolado social dos supracitados personagens, mesmo aquele de Murialdo, que foi tão vasto e fértil, parece agora desnecessário e nem há espaço para isso. Cabe-nos sim elucidar em traços breves qual o espírito, a Tradição, que foi perpassando o tempo e ultrapassando as fronteiras para chegar a nosso país e nele permanecer sem fugas do essencial. Sustentação teológica para o apostolado e os destinatários: A experiência do amor de Deus vivida por Murialdo gerou nele uma espiritualidade e um estilo que o conduziu à opção preferencial pelos “jovens pobres e abandonados e mais necessitados de ajuda e de educação cristã”. Com isso, Murialdo legou-nos a misericórdia, como elemento constitutivo de nossa Tradição Pedagógico-pastoral, e a identificação dos jovens pobres como “mais dos nossos”. Dizendo de outro modo: os jovens pobres estão no centro de nossa atenção “porque foram salvos pelo sangue de Jesus Cristo”. Sustentação Pedagógica: é uma pedagogia preventiva e de promoção humana que amorosamente visa educar o coração, centro da pessoa – Pedagogia do Amor e Educação do Coração. Este agir pedagógico se orienta pela acolhida, pelo estar no meio dos jovens com o olhar sereno…, com doçura e firmeza. Este olhar é atento e abrangente aos tempos e circunstâncias da vida dos jovens. Quando Murialdo fala de preparar “bons cristãos e honestos cidadãos”, ele projeta o homem na sua dimensão singular, social e religiosa, no hoje, no amanhã e para a eternidade. Pedagógico: o fazer pedagógico visa realizar uma obra grandiosa no coração dos jovens

com a participação deles. É um projeto de “fazer o bem e fazê-lo bem”. Utopia pedagógica: A Família de Nazaré, a Bem Unida Família, por excelência, é o modelo pedagógico a ser perseguido. As escolas e centros sociais e profissionais são lugares de encontros e de relações humanizantes, modeladas por um estilo de família a ser recuperado. Isto é o ideal, porém, com as profundas transformações sofridas pelas famílias, é bom precisar de que família se está falando. Por isso, olhar para a Família de Nazaré e sublinhar a figura de São José, o educador de Jesus, o Filho de Deus, e tomá-la como modelo; é perseguir uma utopia pedagógica. Relações Educativas: Em decorrência da adoção da Família de Nazaré como modelo de espaço educativo, deduzimos os laços que unem educador e educandos. Tratase do tríptico: Amigo, Irmão e Pai. O educador, identificado no seu papel, será para os jovens o amigo, o irmão e pai e o jovem assim vai considerá-lo. Ser fiel à própria vocação e missão, preservando a identidade e a harmonia com Deus, consigo, com outros, é a tarefa e o desafio constante para todas as pessoas e também para as organizações, como aquela da Congregação de S. José e de toda a Família de Murialdo. Esta fidelidade não se garante só pela clareza e constância dos textos e das tradições que se perpetuam. Aliás, se os mesmos não forem adaptados aos tempos, como vimos, perdem vigor e atualidade. A garantia de identidade, isto sim, se produz no dia a dia da atenção aos “mais” nossos, com o estilo misericordioso de Jesus, adotado por são Leonardo Murialdo.

Pe. Antonio Lauri de Souza

Provincial da Província Brasileira dos Josefinos de Murialdo

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misericórdia não é uma teoria ensinada em sala de aula, aprendida em livros ou entesourada nas bibliotecas. Ela é, sim, um modo de viver a vida. “Felizes os misericordiosos porque alcançarão misericórdia” (Mt 5,7). E o “caminho” para aprender a ser misericordioso passa pelo perdão, ou dito de outra forma, a maneira de viver a misericórdia é através do perdão. O pai que abraça o filho que volta sem exigências, sermão, sem castigo ou imposição (cf. Lc 15,11); o amigo que perdoa após conflitos ou agressão; esposo que perdoa a esposa, pais que perdoam os filhos.... são atitudes misericordiosas que revelam a grandeza do coração e um bálsamo que cura as feridas da alma. É incrível nossa capacidade de magoar. Observando as crianças no dia a dia de uma caminhada escolar, é fácil afirmar que magoamos e somos magoados desde cedo. Quando o professor não valoriza o seu trabalho, quando uma palavra pronunciada fere nosso coração, quando somos abandonados , tudo isso magoa. “Tão certo como o verão traz o sol, as pessoas trazem a dor”. Algumas vezes de modo deliberado; outras vezes aleatoriamente. “Em uma noite de 2014, Victoria Ruvolo voltava para sua casa. Estava dirigindo quando um Nissan prata se aproximou. Ela não se lembra do garoto de 18 anos inclinando-se para fora da janela, segurando um peru congelado. Ele jogou-o no para-brisa dela. A ave de 9 quilos atravessou o vidro, entortou a direção e estraçalhou o rosto dela como um prato no concreto. A violenta brincadeira a deixou na UTI, lutando pela vida. Ela sobreviveu, mas somente depois que os

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médicos colocaram fios em sua mandíbula, prenderam um dos seus olhos com película sintética e colocaram pinos de titânio em seu crânio. Ela não consegue se olhar no espelho sem se lembrar da dor.

longa. A retaliação tem seu apelo.

Nove meses depois da desastrosa noite de novembro, tendo o rosto com pinos de titânio, ela ficou frente a frente com o transgressor no tribunal. Ryan Cushing não era mais o garoto metido, atirador de peru, em um Nissan. Ele tremia, amedrontado e arrependido. As pessoas encheram a sala para vê-lo receber sua merecida punição. A sentença do juiz os deixou com raiva. Somente seis meses atrás das grades, cinco anos de condicional, aconselhamento e serviço à comunidade?

Mas Jesus tinha uma ideia melhor. O Evangelho de João, capítulo 13, recorda os acontecimentos antes da morte de Jesus. Ele reúne os seus amigos para uma ceia de despedida. Ele sabe o que está por vir: “Jesus sabia que o Pai havia colocado todas as coisas debaixo do seu poder e que viera de Deus e estava voltando para Deus” (Jo 13,3). Ele sabia do seu propósito. Veio para servir ao Pai. Ele tinha autoridade. Assim, “levantouse, tirou a capa e colocou uma toalha em volta da cintura. Depois disso, derramou água numa bacia e começou a lavar os pés dos seus discípulos, enxugando-os com a toalha que estava em sua cintura” (Jo 13,4-5). Jesus lavou os pés.

A corte veio abaixo. Todos contestaram. Todos, exceto Victoria. A pena reduzida foi ideia dela. O garoto caminhou até ela e ela o abraçou. À vista de todo o júri e da multidão, ela o abraçou com força, alisou o cabelo dele. Ele chorou e ela falou: ‘Eu o perdoo. Quero que sua vida seja a melhor possível’. Falando sobre seu gesto, disse: ‘Se não tivesse deixado aquela raiva para trás, eu seria consumida por essa necessidade de vingança. Perdoálo me ajuda a seguir em frente’” (Lucado).

Lavar o rosto é legal. Apertar a mão é mais fácil. Secar uma lágrima no rosto de uma criança, tranquilo! Colocar o braço em volta do ombro, reconfortante! Mas lavar os pés? Essa era uma tarefa para servos. Mas o cenáculo não havia servo. Jarro e água? Sim! Bacia? Com certeza. Toalha? No canto da mesa. Mas ninguém tocou nelas. Ninguém se mexeu. Um foi deixando para o outro; cada um pensava que o outro iria fazer. E alguém fez!

Provavelmente você não foi atingido por um peru enquanto guiava o carro ou caminhava na rua. Mas você é atingido por vários “perus” em seu dia a dia. A retaliação é sempre uma possibilidade e uma tentação. O “devolver na mesma moeda” ou o “não levar desaforo para casa” ecoa muito fortemente nos dias atuais. Quer seja na fila do supermercado, quando você é “cortado” por um motorista no trânsito, sorriso irônico no ambiente de trabalho, comentários maliciosos que ofendem... a lista pode ser muito

Jesus não excluiu ninguém. Com certeza, se ele tivesse deixado André e Felipe de lado, a gente iria entender. Afinal, eles questionaram e duvidaram de Jesus sobre a multiplicação dos pães (cf. João 6,7-8). O que Jesus faz com aqueles que questionam e duvidam? Lava os pés! Jesus anunciava que o maior no Reino dos Céus é aquele que serve. Tiago e João buscavam posições mais elevadas; queriam estar um à direita e outro à esquerda (cf. Mt


CAPA Pe. Vilcionei Baggio

20-21). O que Jesus faz com aqueles que buscam o Reino para promoção pessoal? Ele desliza uma bacia na direção deles. Pedro duvidou de Jesus na tempestade (Mt 14,30); tentou fazer Jesus mudar a trajetória de seu caminho (Mt 16,23). E Pedro iria trair Jesus! O que Jesus faz com aquele que quebra sua promessa? Usa a bacia e a toalha! E Judas! Com certeza Jesus não vai lavar os pés do traidor! Ninguém espera isso. Se ele lavar os pés do Judas dele, eu terei que lavar os pés também do meu. Daquele que me ofende, trai, difama, que nunca faz nada certo. “O Judas de Jesus fugiu com 30 moedas de prata. O seu Judas fugiu com sua segurança, trabalho, infância, aposentadoria, investimentos, honra, amizade” (Lucado). A grande maioria das pessoas não lava os pés de seu Judas! Elas “mantêm a raiva em fogo baixo”, porque “a vingança é um prato que se come frio”. Mas nós não somos a maioria das pessoas! Somos tocados pela graça. Nossos pés estão molhados, encharcados pela misericórdia e perdão de Deus. A água fresca da misericórdia nos banhou. O perdão chegou para nós. Devemos, portanto, deixar que a graça moldure todas as nossas respostas e escolhas. O que de bom o ódio já produziu? Que jardim foi plantado pelo desrespeito? Quais problemas já foram resolvidos pela vingança? As ruas estão mais livres do medo porque pessoas são eliminadas? Que estrada foi pavimentada pela agressividade? Que esperança a ira criou? Que ponte foi erguida pela retaliação? Nem sempre perdoar é fácil, e o perdão

pode não ser imediato. Mas, cedo ou tarde, ele deve chegar. Caso contrário, iremos construir uma prisão onde o medo será nosso senhorio; a ira, nossa companheira; a mágoa, cada tijolo da construção. Essa cela deverá ter uma única cama. Ninguém vai querer dividir esse quarto. Rancores guardados acabam com a alegria da vida. O caminho para o perdão, afirma Augusto Cury, passa pela compreensão. “O segredo para perdoar é não tentar perdoar, mas compreender. Não se esforce para perdoar a quem o magoou, invista sua energia em compreendê-lo. Se você compreender as suas fra-gilidades, insegurança, infelicidade, reações inconscientes, você espontaneamente lhe perdoará. Para perdoar também é necessário que possamos compreender nossas limitações e ter consciência de que estamos sujeitos a muitos erros”. Por isso, Jesus, do alto da cruz, olhando para aqueles que o tinham torturado, golpeado, desprezado, injuriado e o pregaram na cruz, diz: “Pai perdoa-lhes! Eles não sabem o que estão fazendo” (Lc 23,34). Ele olha e “considera a multidão sedenta de sangue e faminta de morte não como um bando de assassinos, mas como vítimas. É como se ele visse na face das pessoas não o ódio, mas a confusão. É como se ele as considerasse não como uma multidão belicosa, mas, como ele mesmo disse, ‘ovelhas que não têm pastor’” (Lucado). Sabemos hoje que a mágoa e o rancor são considerados extremamente prejudiciais para o cérebro e para o resto do corpo. Pessoas que guardam mágoa e procuram vingança são rancorosas, irascíveis, duras de coração, estressadas, potencializando, assim, riscos cardíacos. Aumentam a possibilidade

de desenvolver ansiedade, depressão e sono perturbado. Um estudo italiano, citado por Rosana Alves, revelou aspectos sobre o “perdão e a vingança. Ambos estimulam o córtex pré-frontal dorsomedial, responsável pela tomada de decisão consciente; porém, quando decidimos perdoar, estruturas cerebrais da empatia também são ativadas e passamos a julgar a situação a partir do ponto de vista do outro e não do nosso. Quando decidimos nos vingar, o córtex pré-frontal dorsomedial estimula estruturas que interpretam a intenção do outro como imperdoável, já que o ofensor escolheu nos prejudicar”. A mesma autora cita outro estudo realizado com dois grupos de pessoas: um foi incentivado a perdoar; outro foi incentivado a se vingar. Todos os participantes voluntários foram submetidos à ressonância magnética no momento do teste e foi possível perceber que “o perdão traz benefícios enormes para a pessoa: alívio imediato ao cérebro, reduz a pressão arterial e a frequência cardíaca. O desejo de vingança libera cortisol, o hormônio do estresse, gerador de muitas doenças”. É como se alguém afirmasse: “quer viver mais e melhor, perdoe”! Comece hoje mesmo a viver o perdão em todas as situações da vida: “perdoar setenta vezes sete” (Mt 18,22). Afinal, você tem os pés molhados pela graça misericordiosa. Obras. ALVES, R., 2016 com mais saúde. CURY, A., O Mestre do Amor. LUCADO, M. Por isso o chamam Salvador. Graça. Pe. Vilcionei Baggio

Diretor do Colégio Murialdo Araranguá (SC)

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I MOSCONI SI PRENDONO CON IL MIELE São Leonardo Murialdo: um Estilo Educativo

nome do menino era Gaspare Corte. Distinguiase pelos contínuos atos de indisciplina. Vittorio Mantelli era o assistente do menino no Colégio Artigianelli, em Turim (Itália). Em 30 outubro de 1897, Murialdo encaminhou-lhe uma pequena recomendação, por escrito. Eis uma preciosa demonstração da prática pedagógica na relação com os meninos com problemas de comportamento. “Caro Mantelli. Nestes dias conversei com o pobre Corte, para ver se conseguimos salvar uma alma. Para meu espanto ele demonstrou boa disposição e também deixou caírem algumas lágrimas. Aconselhei-o a fazer nessa tarde uma boa confissão. Confiemos em Deus e em Maria, porém se não cometer faltas graves, mas somente coisas de indisciplina, fechemos um olho, para não irritá-lo. Ao se apresentar uma oportunidade, converse você também com ele, bondoso o mais que puderes; se conseguíssemos, com um pouco de mel, acolher esse moscão.”

na ideia de que se não formos capazes de chegar ao coração dos educandos, qualquer outro esforço será inútil. A todo instante lembrava essa máxima da doçura no trato com os meninos. A primeira tarefa da instituição ou da escola é educar o coração. Instituições e escolas humanizadas, então carregadas do bem querer. Esse bem querer é o mel capaz de transformar pessoas. A história das instituições de atendimento a crianças, adolescentes e jovens sempre registrou a presença dos indisciplinados. Mas nem sempre tais alunos foram destinatários das boas práticas pedagógicas. Por outro lado, é bem verdade, é preciso relembrar o conceito de disciplina. Ela vai além das manifestações de quietude, de silêncio ou estagnação. Porque ela pode estar no alvoroço dos inquietos, na dúvida que instiga e na esperança que desperta, como afirma Paulo Freire. “É preciso que saibamos que, sem certas qualidades ou virtudes como amorosidade, respeito aos outros, tolerância, humildade, gosto pela alegria, gosto pela vida, abertura ao novo (...) não é possível a prática pedagógica progressista, que não se faz apenas com a ciência e a técnica.” Ou ainda: “Como prática estritamente humana jamais pude entender a educação como uma experiência fria, sem alma, em que os sentimentos e as emoções, os desejos, os sonhos devessem ser reprimidos por uma espécie de ditadura racionalista.”(FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia. Ed. Paz e Terra, Rio de Janeiro, 2014, p. 142.) E. Mounier também já destacava a importância do lugar da amorosidade para Educativo as práticas político-pedagógicas:

O núcleo do Estilo Educativo proposto por Murialdo é o amor. Todos os seus escritos que tratam da pedagogia que gostaria de ver acontecendo nas obras sociais com as quais estava envolvido ou que, depois, estariam aos cuidados da Congregação que fundava, usam uma mesma chave: “Importa educar o coração”. Veja-se que quando a Congregação de São José (Josefinos de Murialdo) estava comemorando seus 25 anos de fundação, em março de 1898, através de circular que enviou O Estilo aos membros, descreve três questões que proposto por considera como as “principais reformas” de que a mesma necessitava: renovação no Murialdo não pode fervor espiritual, melhor observância da Regra ser confundido com e crescimento no espírito de doçura para com os meninos. Dá-nos a impressão de que uma pedagogia do no quadro dos 25 anos ele repinta os três “faz de conta”. pilares sustentadores da Congregação. A espiritualidade, sem a qual perde seu sentido a vida religiosa. E aqui se fala da espiritualidade fundamentada na absoluta certeza de que somos amados por Deus, com um amor que é, como afirmava o fundador, “infinito, terno, pessoal, atual, e misericordioso”. Se para educar o coração do outro é preciso ter o próprio coração educado, parece que era na bondade do coração divino que os conflitos pessoais podiam encontrar-se com a compreensão e o perdão. A Regra, sem a qual perde sentido a família religiosa. Ela é um conjunto de princípios e recomendações para que se fortaleça a pertença a um grupo de pessoas que, pela fé, acreditaram numa causa. O Estilo Educativo, sem o qual perde sentido o apostolado josefino. É ao redor dessa última recomendação que queremos nos deter aqui. É aqui que ganha sentido mais profundo a expressão “cogliere questo mosconi”. Ou seja, a centralidade

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se expressava:

“Deveríamos dedicar ao amor, em nossas pesquisas, um espaço ao menos correspondente àquele que consagramos à inteligência, ou, com maior razão, à técnica”. (MOUNIER, Emmanuel. Oeuvres. Tome III. Paris. Editions du Seuil, 1962, p. 594) Murialdo, numa palestra aos mestresassistentes no Artigianelli, em 1872, assim

“Pobres e abandonados: eis os dois requisitos que constituem um jovem como um dos nossos, e quanto mais é pobre e abandonado, tanto mais é dos nossos. (...) Os nossos alunos são pobres, são meninos e acrescentemos também, às vezes, são bem outra coisa que inocentes. Mas este último aspecto, embora em si mesmo certamente não amável, deve tornar nossos jovens menos queridos” (...) Talvez nós esqueçamos alguma vez esta condição dos jovens a cujo bem desejamos consagrar a nossa vida. Logo que um jovem se mostra de índole infeliz, ou também perversa de caráter indisciplinado e pouco disciplinável, resistente à educação, soberbo, cabeçudo e persistente no mal, ou indo de mal a pior, logo nos desgostamos, desanimamos e desejaríamos sem mais que aquele pobrezinho nos livrasse de toda


FORMAÇÃO Pe. Joacir Della Giustina

incomodação e fosse embora ele e seus vícios. (...) Também caso se tratasse de crianças, adolescentes e jovens pertencentes a famílias educadas e cristãs, não deveríamos estranhar de encontrar defeitos e até vícios nos meninos porque se fossem já perfeitos, por que educá-los? (...) Ora, o que devemos esperar nós que acolhemos meninos da rua, ou vieram das mãos rudes de pais rudes ou escandalosos?” Sem dúvida, essa resenha de sua palestra faz pensar nossa prática educativa. Dar-se conta de que o papel da instituição e, por que não, da escola está ligado diretamente à convicção de que somos todos seres inacabados. Que os que chegam carregam suas mochilas de vivências. Que não é tão simples livrar-se delas. Que até nos passa a tentação da expulsão, a atitude mais simples e pode ser a mais covarde. Os educandos terão seus defeitos, mas e para que serve a educação? O Estilo Educativo proposto por Murialdo não pode ser confundido com uma pedagogia do “faz de conta”. Ou seja, “você faz de conta que aprende e eu faço de conta que ensino.” Muito menos com a da permissividade. Aquela que diz que como não existem punições, também não existem obrigações. Ela não perde, de um lado, a cientificidade e a busca continua dos saberes das ciências. Isso é algo rigoroso, técnico, científico e exige esforço, busca, comprometimento. O bem querer, a afetividade do Estilo Educativo de Murialdo também passa pela exigência da firmeza. Não se trata de tolher ou controlar liberdades; mas de cuidar. Quem ama cuida. Por outro lado, temos que denunciar como totalmente falsa a consideração que se faz da impossibilidade de harmonia entre a seriedade docente e a amorosidade. Engana-se quem pensa que a excelência de um educador ou professor deve ser medida pela sua severidade ou frieza que mantém na sua relação com os alunos, em função apenas dos conteúdos curriculares que deve ensinar.

essa uma das forças místicas que pode explicar a dedicação com que tantos educadores e professores levam em frente sua missão? Nesse sentido, podemos dizer que ser educador ou professor não é profissão, é mais que isso, é vocação. Entender também que em nome da dignidade dessa categoria de profissionais a luta por respeito a essa tarefa também se faz com a conquista de bons salários. É preciso reafirmar ainda que esse estilo educativo não se coaduna com a mediocridade do profissional. A prática desse estilo Educativo exige séria formação científica, necessita de constantes atualizações em formação permanente. Trata-se de ética profissional e de respeito e comprometimento com aqueles que me são profissionalmente confiados. Trata-se desse convencimento de que nós trabalhamos com gente, gurizada, adolescentes, geração “y”... Gente que ainda quer brincar, que está sonhando, crescendo, mudando, que está se formando. E, exatamente porque é gente é capaz de errar, de transgredir, de desafiar, de negar, de tumultuar. Essa tarefa exige de nós capacitação científica, que faz parte da nossa responsabilidade ética. Em nome dessa mesma responsabilidade não é possível recusar a atenção afetiva e amorosa às vivências mais ou menos esperançosas desse ou daquele educando. Bem verdade que não somos terapeutas, muito menos assistentes sociais. Mas somos gente e mestres. Carregar sempre conosco uma porção de mel também está no nosso humano.

Pe. Joacir Della Giustina

Diretor do Colégio e Faculdade Murialdo Caxias do Sul (RS)

Também é verdade que esse Estilo Educativo não deveria nos obrigar a querer bem. Não se pode obrigar alguém a amar. Amar é coisa do coração e o coração não se condiciona através de regras; muito mais com motivações ou estímulos em favor do bem. Não obriga também porque ele é parte integrante do processo ensino-aprendizagem. É a alma da Pedagogia do Amor. Está no DNA do professor que se envolve com esse Estilo Educativo. Todavia, não é verdade que ele conduz ao querer bem de forma igual, a todos os educandos da turma com quem estou lidando. Cada pessoa é única, como cada educador é único. As histórias de cada um são únicas. Como seres únicos, os educandos respondem de forma diferente aos estímulos que recebem. O Estilo Educativo de Murialdo desperta, estimula e busca desenvolver a prática do bem querer na tarefa pedagógica. Esse bem querer, o afeto, traz a alegria sem a qual a prática pedagógica perde sentido. Aliás, não seria

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Foto: Volga

PE. ORIDES BALLARDIN

PE. BRUNO A. BARBIERI

PE. ÂNGELO DALL’ALBA

PARA CRISTO | PARA SEMPRE | PARA O MUNDO | PARA OS JOVENS

SACERDOTES

FORAM ORDENADOS EM VITERBO, NA ITÁLIA, EM 03 DE ABRIL DE 1965 Congregação de São José está celebrando, neste ano de 2015, 100 anos de presença e atuação dos Josefinos de Murialdo no Brasil. Numa feliz coincidência, três sacerdotes – Padres Orides Ballardin, Bruno Barbieri e Ângelo Dall’Alba - da Província Brasileira vivenciaram meio século desta história, carregada de intensa fé, de trabalho, de serviço e de atendimento às crianças, aos adolescentes e jovens. A comemoração jubilar ocorreu no dia 27 de setembro, em Ana Rech (Caxias do Sul – RS). O evento, promovido pela Província, com a colaboração da Paróquia Nossa Senhora de Caravaggio e do Colégio Murialdo, contou com um Tríduo Vocacional, de 24 a 26 de abril, organizado pelo Serviço de Animação Vocacional (SAV, sob a coordenação do Pe. Ricardo Testa. O Tríduo foi realizado nas Capelas de São Valentim - Pe. Ângelo Dall’Alba; Santo Homobom - Pe. Orides Ballardin; Matriz Cristo Rei - Pe. Bruno Barbieri. Cada jubilando pode descrever o início de sua caminhada vocacional, dialogando com a própria comunidade. No domingo 27, aconteceu a Celebração Eucarística de Ação de Graças na Paróquia. Notável a presença de confrades das

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Comunidades Josefinas vizinhas, do Pe. Aleixo Susin, de Brasília; das Irmãs Murialdinas, do Instituto Secular Murialdo, dos Leigos Amigos de Murialdo, integrantes do Conselho Comunitário de Pastoral, de ex-alunos e de numerosa presença de fiéis das Comunidades-Igreja. Em destaque, a presença de professores do Colégio Murialdo, familiares e autoridades, entre elas a presença do Governador do Estado, Sr. José Ivo Sartori, que atuou como professor no Colégio Murialdo de Ana Rech, nos anos de 1971 e 1972. A concelebração foi presidida pelo Pe. Bruno Barbieri conjuntamente com os jubilandos, sendo que a homilia foi proferida pelo Provincial, Pe. Antonio Lauri de Souza, explicitando o sentido do evento jubilar no cenário das celebrações do Centenário da presença dos Josefinos de Murialdo no Brasil. No final, além das homenagens prestadas, foi entregue aos homenageados um pergaminho contendo os dizeres da Bênção Papal. Participaram do almoço festivo, no Salão Paroquial, mais de 600 pessoas entre confrades, familiares, amigos e convidados. No final da confraternização, os ex-seminaristas do Seminário de Fazenda Souza, representados por Jaime João Dall’Alba, Luiz Antonio Gallina e José Higino Benedet, aproveitaram para divulgar e promover o livro: “Seminário Josefino de Fazenda Souza,


MARCAS DO QUE SE FOI Pe. Bruno Barbieri Foto: Volga

uma experiência de formação”, na comemoração dos 75 anos de fundação do Seminário. Concluindo, foram entoados os tradicionais “Parabéns a Vocês” e foi manifestado um sincero agradecimento por parte dos homenageados aos organizadores do evento e, sobretudo, à Equipe Administrativa da Paróquia. Ana Rech: mera coincidência ou ajuste providencial? Os Josefinos de Murialdo, tendo como patrono e modelo São José, o homem da Providência, certamente perceberam mais do que nunca, neste Centenário, através de uma leitura atenta dos acontecimentos, os desígnios da Divina Providência. “Estamos nas mão de Deus, estamos em boas mãos” (Murialdo). Por que celebrar o jubileu sacerdotal em Ana Rech? A obra dos Josefinos em Ana Rech, Paróquia e Colégio, foi também o berço da Província, já que o trabalho anterior em Quinta, Jaguarão e Santa Vitória do Palmar, desde 1915, não tenha produzido frutos, amadurecendo vocações brasileiras para a Congregação. Mas a semente já tinha sido lançada pelos primeiros missionários josefinos, ainda hoje recordados pelo povo daquelas terras: serviço e dedicação total ao Povo de Deus, paciência histórica, criatividade, espírito missionário, amor à Igreja e à Congregação, alegria, confiança na Divina Providência e doação integral aos apelos dos mais carentes e necessitados. Em 1928, o Pe. Agostinho Gastaldo deu o primeiro passo assumindo a Paróquia Nossa Senhora de Caravaggio. Em 1929, com dois sacerdotes – e Pe. Agostinho Gastaldo e Pe. Jerônimo Rossi, e dois Irmãos – Ir. Gildo Schiavo e Ir. José Gasparini –, iniciou-se de imediato o trabalho vocacional e, assim, o Colégio Murialdo foi a primeira sede de formação dos futuros Josefinos no Brasil com a chegada do Venerável Pe. João Schiavo, em 1931. Dez anos antes da fundação do Seminário Josefino, em Fazenda Souza, o Colégio Murialdo foi Seminário e Noviciado. Vários outros josefinos se juntaram logo aos quatro primeiros e assim foi se intensificando e se firmando o trabalho vocacional. Hoje, Pe. Raimundo Pauletti é o atual Diretor do Colégio Murialdo. Em 1946, foi criada a Província Brasileira do Imaculado Coração de Maria com novo impulso vocacional. De 1955 a 1960, o Colégio Murialdo foi sede do Escolasticado, quando os confrades em formação cursaram o Clássico - Científico, em nível de 2º grau, tendo passado pelo Murialdo

78 josefinos em formação. E a partir de 1970, o Colégio Murialdo sediou novamente o Seminário do Ensino Médio, até 2005. Nesse período passaram cerca de 520 jovens vocacionados, residindo no Seminário João XXIII. O prédio do Colégio Murialdo, por duas vezes, foi também sede da Província Brasileira: em 1946, quando o Venerável Pe. João Schiavo foi eleito o primeiro provincial; e de 1956 a 1964, com o Pe. José Lorencini, Provincial e Diretor do Colégio. Reconhecimento e gratidão Este jubileu de ouro sacerdotal não teve apenas uma conotação puramente festiva, mas serviu, sobretudo, de reflexão e de incentivo vocacional para quantos estão a caminho da vida consagrada e do sacerdócio. Hoje, não se pode contar com testemunhas da primeira etapa do histórico da presença dos josefinos, a partir de 1915, em terras gaúchas. É realmente fácil contar a história vivida por gerações passadas. Os que nos antecederam foram capazes de dar respostas aos desafios do seu tempo. Um desses desafios foi certamente a questão vocacional. Cada geração vai passando adiante seus conhecimentos e suas experiências. Como será o futuro vocacional nesta caminhada histórica? Ana Rech foi uma resposta acertada no contexto dos desafios da Missão Josefina. Em Ana Rech foram firmados os alicerces da Congregação no Brasil. Aconteceu o encontro dos primeiros missionários josefinos com a própria cultura provenientes da Itália: encontro com o forte da imigração. Hoje vivemos num mundo pluralista, buscando novos apelos

no contexto do cenário nacional, unindo numa mesma brasilidade as regiões do sul, do centro e do norte. A convicção é de que o futuro não está escrito em nenhum lugar. Os cenários sociais, políticos, culturais e religiosos exigem uma resposta adequada aos apelos e desafios de uma brasilidade mais ampla e voltada para os mais carentes e necessitados. Não é mais possível nivelar as culturas. Evangelizar e educar na era planetária exigem a incrível capacidade de construir pontes entre o passado de certezas e o futuro repleto de interrogações, com cenários alternativos, em permanente mudança. Como afirmava Murialdo: “Para tempos novos, novas respostas”. Mensagem final O essencial desta comemoração do jubileu sacerdotal é que prevaleça o trabalho de uma bem unida família, uma igreja missionária “em saída”, comprometida com a transformação da história e promovendo o protagonismo dos jovens e dos leigos. É preciso dar uma resposta em sintonia com os ensinamentos da Igreja. Na leitura dos sinais dos tempos, percebese a importância da presença do Papa Francisco em visita às Américas. Uma nova liderança para os novos tempos. “Não deixem que vos roubem a esperança”. (Papa Francisco). Esta é uma missão maravilhosa. “Ser amigo, irmão e pai dos jovens”. Um sincero agradecimento à Província, ao Colégio Murialdo, à Paróquia Nossa Senhora de Caravaggio e a quantos colaboraram para o êxito deste evento celebrativo. Pe. Bruno Barbieri Sacerdote Josefino da comunidade de Ana Rech – Caxias do Sul (RS)

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S BR O C AS IAL IL | E E 191 DUCATIVA 5 – 20 15

1915-1922

2 1925 - 1934

5 1928 - Hoje

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18 1999 - Hoje


MARCAS DO QUE SE FOI 1 1915-1922 - Rio Grande (RS) - Escola Agrícola de Quinta 2 1925-1934 - Jaguarão (RS) Patronato São José - Escola e Tipografia

3 1928 - Hoje

4 1947 - Hoje

3 1928 aos dias atuais - Ana Rech - Caxias do Sul (RS) Colégio: 1929 aos dias atuais Escola Normal Rural: 1942-1968 Escola Técnica: 1969 -1989 | Ação Social: 1996 – aos dias atuais Faculdade – 2014 aos dias atuais 4 1934-1937 - Galópolis – Caxias do Sul (RS) - Escola 5 1946-1948 - Canela (RS) - Colégio 6 1947-1953 - Pelotas (RS) - Abrigo de Menores

e Formação Profissional

7 1947 aos dias atuais – Centro - Caxias do Sul (RS)

8

7 1947 - Hoje

1950 - 1956

Abrigo de Menores São José - Internato 1947 - 1978 Formação de gráficos - 1948 | Centro Técnico Social (CTS): 1969 Semi-internato - 1969 | Grupo Escolar (anexo ao Abrigo) 1951 -1956 Escola Particular do Abrigo/Colégio - 1956 aos dias atuais Centro Educativo (continuidade ao semi internato) - 1969 aos dias atuais Centro de Formação Profissional – 1999 aos dias atuais Casa Família (Casas Lar) – 2000 aos dias atuais Faculdade - 2012 aos dias atuais

8 1950 – 1956 – Rio Grande (RS) - Abrigo de Menores Assis Brasil 9 1953 aos dias atuais - Porto Alegre (RS)

11 1966 - Hoje

12 1969 - Hoje

Associação Protetora da Infância Centro de Puericultura e Iniciação Profissional - 1957- 1970 Formação Profissional - 1995 aos dias atuais Grupo Escolar da API - 1956 | Colégio - 1960 aos dias atuais 1ª Escola no Morro da Cruz: 1964-1996 Creche no Morro da Cruz – 1983 (oficial 1988) atuais Centro Social no Morro da Cruz 1985 (oficial 1996) aos dias atuais

10 1955 aos dias atuais - Araranguá (SC) Colégio Nossa Senhora Mãe dos Homens - Ação Social 11 1966 aos dias atuais - São Paulo (SP) Centro Social - Centro Profissional

12 1969 aos dias atuais - Planaltina (DF) Centro Social - 2004 aos dias atuais

13 1969 aos dias atuais - Guará I (Brasília - DF) Casa Família - 1991 - Centro Social - 2002

15 1976 - Hoje

14 1970 aos dias atuais - Rio de Janeiro (RJ)

Casa do Menor Trabalhador - 1970 Creches - 1983-2006 Centro Social – 2004 aos dias atuais

15 1976 a hoje – Londrina (PR)

EPESMEL – Formação Profissional- 1976 Centro Social - 1981 a hoje

16 1995 aos dias atuais - Ibotirama (BA)

Centro Social - 2001 aos dias atuais

17 1999 aos dias atuais - Belém (PA) - Centro Social 18 2009 aos dias atuais - Fortaleza (CE) - Centro Social - 2010 19 2014 aos dias atuais - Santa Fé Caxias do Sul (RS) - Centro Social

19 2014 - Hoje

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Misericordiosos como o PAI

E

sta reflexão chega a você, carregada até as bordas de uma semente capaz de garantir perene alegria, oferecer condições para a paz e tornar-nos semelhantes a Deus Pai.

É o Agir&Calar entregando-lhes sementes de misericórdia! Diante delas, as atitudes esperadas são: recebê-las com alegria; com fé, plantá-las no coração da vida; cheios de esperança, a curto, médio e longo prazo, colher os seus frutos. Porém, talvez não seja exagerado afirmar que ainda vivemos sob o império do medo. É um absurdo o fato de o semelhante temer o seu semelhante; seria impensável andarmos inseguros diante de homens e mulheres da nossa raça e, presumivelmente, dotados de razão e de sentimentos; de sentir temor e tremor diante de criaturas criadas a imagem e semelhança de Deus. Contudo, é fato que não caminhamos serena e tranquilamente. E isso é muito triste! Este cenário é verificável no cotidiano das cidades, interiores e se estende para as relações internacionais,

onde se contempla horrendos barbarismos, também em nome de Deus e da fé. Não cabe aqui fazer uma análise para encontrar as causas, possivelmente entranhadas nos sistemas sociais, políticos, econômicos e também religiosos. Em síntese, vemos que parte da civilização ou da “incivilização” esqueceu a misericórdia, isto é, perdeu a capacidade de se colocar no lugar do outro e sentir as suas misérias; deixou de ser empática. Parece que perdoar é ser fraco e que a dignidade pessoal ou social, diante do mal se garante com a vingança ou por uma “justiça” a qualquer preço. Há outro aspecto a relevar: divulgam-se muito mais as desgraças, as patologias humanas pessoais e sociais do que o bem, o perdão e o amor, numérica e qualitativamente superiores. É preciso subir aos telhados, não para fazer propaganda ou proselitismo, e sim para anunciar o bom e o belo, contrapondo assim o apocalipse do mal. O Papa Francisco, escutando o coração do mundo e experimentando Jesus, como o Rosto da Misericórdia, convocou o Ano da Misericórdia. Disse ele: “Há momentos em que somos chamados de maneira ainda mais intensa, a fixar o olhar na misericórdia, para nos tornarmos nós mesmos sinal eficaz do agir do Pai” (Papa Francisco O Rosto da Misericórdia, 3). O grande estribilho, portanto, que soará em todo o mundo

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PONTO DE VISTA Pe. Antonio Lauri de Souza

cristão e além dele deverá ser: “Misericordiosos como o Pai!”.

benevolente que Deus tem sobre as pessoas e de reconhecer e amar até o mais simples sinal da Graça e do bem.

Brindamos agora nossos leitores, finalizando nossa reflexão, com as palavras do Pe. Mario Aldegani, Pe. Fazer nossa a misericórdia do Bom Pastor é o Geral do Josefinos de Murialdo, em carta dirigida aos compromisso de renovar-nos numa atitude educativa e seus confrades do mundo inteiro, por ocasião da abertura pastoral, na qual sabemos de estar muito próximos das do Ano da Misericórdia. “O Santo Papessoas, especialmente dos mais dre, abrindo a Porta Santa da Basílica feridos e sofredores; uma atitude que de São Pedro, invocou paz e justiça; nos proíbe a indiferença de fazer de Parte da civilização ou convidou-nos a ‘abandonar todo medo conta que não vê; a soberba de da “incivilização” e temor, que não combina com quem quem, do alto da sua presumida esqueceu a misericórdia, é amado’, a antepor a misericórdia riqueza, faz descer a sua ajuda sobre isto é, perdeu a à justiça e a fazer nossa a misericórdia quem precisa; a autorreferência de do Bom Pastor”. quem não pode ou não quer intercapacidade de se colocar romper o seu caminho para aproxino lugar do outro. São caminhos de esperança que mar-se do outro. acolhemos com alegria e com empenho em nossa vida, como filhos de A misericórdia do bom samaritano um Santo que experimentou a misericórdia de Deus, é estar próximo, acompanhar concretamente, é vivendo-a como energia para percorrer o caminho da proximidade verdadeira. É viver a solidariedade como santidade. estilo de vida. Abandonar todo medo e temor é o testemunho e o anúncio a que somos chamados e partilhar com um mundo amedrontado, com uma juventude incerta e confusa em relação ao futuro.

Pe. Antônio Lauri de Souza Provincial da Província Brasileira dos Josefinos de Murialdo no Brasil

Somos protegidos pela mão providente de Deus, que nos ama, nos conhece pelo nome e se inclina sobre cada um de nós com a ternura de sua misericórdia. Esta convicção não deixa nenhum espaço ao medo e ao temor. Antepor a misericórdia à justiça e o perdão ao juízo é o estilo das nossas relações em todos os níveis, começando pelas relações entre nós nas comunidades. Somos chamados a ser misericordiosos como o Pai, capazes de olhar o mundo com o mesmo olhar

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PONTO DE VISTA Rinaldo Fernandes

É preciso soprar a cinza empos atrás, conversando através de uma rede social com uma ex-aluna e agora minha amiga, lembrávamos das ações realizadas no projeto Sou Murialdo Solidário. Eu dizia a ela que aquele ano tinha sido muito produtivo para o projeto e principalmente para as entidades destinatárias. Mas que todo o êxito alcançado se devia tão somente ao esforço de cada um deles, dos alunos, que não mediram forças para o cumprimento das metas apontadas nos projetos. Ela silenciou um pouco e em seguida me disse: “Claro que o projeto teve êxito em razão do nosso esforço, mas principalmente em função do teu trabalho, professor”. Eu, logo em seguida, disse a ela: “A vontade de ajudar, a empatia, a solidariedade já estavam no coração de cada um de vocês. O único trabalho que eu tive foi o de ‘soprar a cinza’. A brasa da vontade de ajudar, da alteridade, da solidariedade já estavam lá latentes, mas cobertas por uma espessa camada de cinza. Foi somente soprar, foi isso que fiz”. Depois dessa conversa eu passei a pensar a respeito dessa metáfora: “É preciso soprar as cinzas”. E comecei a compreender e ver aos poucos que todos nós estamos, de alguma forma, cobertos por uma camada de cinza que não deixa o fogo da vida ressurgir. Precisamos ser soprados. E não podemos fazer isso sozinhos. Alguém tem que nos soprar. Até mesmo aquele ser mergulhado na mais profunda arrogância, que grita aos quatro cantos que tudo pode, que não precisa dos outros e nem mesmo de Deus, num determinado momento vai estar coberto de cinzas e precisará de alguém que o sopre. Assim é a vida. Nascemos para viver com o outro e, sem ele, não podemos seguir em frente porque precisamos soprar e ser soprados. Mas como saber que alguém precisa ser soprado? Como perceber que estamos em um determinado momento de nossa vida em que precisamos que alguém nos sopre? Muitas vezes, em razão da vida corrida, conseguimos perceber nas pessoas somente aquilo que

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se apresenta. Falta-nos tempo e intenção para olhar nos olhos e perceber as necessidades daquela alma que ali está; do coração que às vezes padece por falta de atenção, abraço e cuidado. Precisamos que alguém acredite em nós. Que alguém nos sopre. Que alguém nos diga que somos importantes e que vamos conseguir. Então, se somos soprados, nos encontramos. As cinzas do medo, da insegurança, do não vou conseguir, são colocadas longe de nós. E daí passamos a perceber com mais facilidade que não estamos sozinhos. Que junto de nós existem pessoas que precisam de nossa ajuda. Que precisam de um sorriso, um abraço, uma palavra de otimismo. Somos tomados pelo espírito da solidariedade. Percebemos que existem organizações que atendem crianças, idosos, pessoas com deficiência, dentre outros, que necessitam de nossa ajuda. E somos convidados a nos lançar, a contribuir, a ajudar e isto nada mais é do que soprar. E o mundo precisa muito de sopro de vida para que o fogo da solidariedade ressurja cada vez mais forte e afaste de nosso meio as cinzas do egoísmo, do comodismo, da ingratidão e da indiferença. Rinaldo Fernandes

Professor, coordenador do Projeto “Sou Murialdo Solidário” do Colégio Murialdo Caxias do Sul (RS)


PONTO DE VISTA Pe. Harry Jung

Mãe de Todas as Raças Virgem morena e clara, coração de todas as cores! Carregas no colo um Menino, que não sei de que cor Ele é. Do Oriente, do Ocidente és filha. Comunhão de todas as raças! Do sol da tua carne brotou o esperado de todas as gentes. Teu braço irmana o universo. Tua alma, um retrato do céu. Maria, com cetro de ouro, que esmagas em teus pés o inferno. Maria, com vassoura na mão, vestida do avental da cozinha! És a última de todas as servas! A primeira das servas de Deus.

Maria, coroada de rosas do rosal de nossos amores. Rainha, coroada de cruzes, do martírio de nossos espinhos. Trouxeste o sorriso do céu para beijar as dores da terra. Virgem morena e clara, carregas para nós um Menino, comunhão de todas as raças. Quando olhei para Ele, era loiro. Quando olhaste para Ele, era negro. Quando olharam para Ele, era índio. Quando juntos o olhamos, quem era? Virgem morena e clara! Apresentas o Menino para todos, o Menino de todas as cores, da comunhão de todas as raças. Pe. Harry Jung

Religioso Josefino, autor de vários livros de poesia. É auxiliar de formação e vigário, em Londrina (PR)

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NOTÍCIAS Papa abre Porta Santa e dá início ao Ano da Misericórdia No dia 8 de dezembro, o Papa Francisco, em missa solene, deu início ao Ano da Misericórdia. “Este Ano Santo Extraordinário é dom de graça. Entrar por aquela Porta significa descobrir a profundidade da misericórdia do Pai que a todos acolhe e vai pessoalmente ao encontro de cada um. É Ele que busca, que vem ao nosso encontro. Neste Ano, deveremos crescer na convicção da misericórdia”, disse o papa Francisco na cerimônia que deu início ao Jubileu Extraordinário da Misericórdia.

Foto: Reprodução

Mais de 50 mil peregrinos do mundo todo acompanharam a abertura da Porta Santa, no Vaticano, na manhã do dia 8 de dezembro. A celebração litúrgica recorda a Festa da Imaculada Conceição e o 50º aniversário do encerramento do Concílio Vaticano II. Trata-se do 29º Ano Santo convocado pela Igreja Católica ao longo da história, com a proposta de convidar os fiéis a intensas jornadas de oração. Na homilia, disse que o início do Ano da Misericórdia marca uma caminhada penitencial e de conversão na vida de cada cristão, fazendo referência à liturgia mariana. Após a missa, o Papa Francisco realizou “gesto simbólico”, como ele mesmo referiu-se, abrindo a Porta da Basílica de São Pedro, no Vaticano. O Papa emérito, Bento XVI, participou da cerimônia. “Atravessar hoje a Porta Santa nos compromete a adotar a misericórdia do bom samaritano”, recordou Francisco. O Ano da Misericórdia encerra-se em 20 de novembro de 2016.

CF 2016 terá como tema o Saneamento Básico A Campanha da Fraternidade Ecumênica de 2016 terá como tema “Casa Comum: nossa responsabilidade” e lema “Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca” (Am 5,24). O objetivo principal da iniciativa será chamar atenção para a questão do saneamento básico no Brasil. A Campanha de 2016 reunirá outras igrejas cristãs além da católica. Tal como nas três versões anteriores, a ação será coordenada pelo CONIC. Uma das maiores novidades para esta IV edição é que ela deverá transpor fronteiras nacionais, já que contará com a participação da Misereor – entidade episcopal da Igreja Católica da Alemanha que trabalha na cooperação para o desenvolvimento na Ásia, África e América Latina. As reflexões sobre o saneamento básico contidas no texto-base demonstram que esse é um direito humano fundamental e, como todos os outros direitos, requer a união de esforços entre sociedade civil e poder público no planejamento e na prestação de serviços e de cuidados. De acordo com dados divulgados pelo Conic, mesmo entre as maiores economias do mundo, o Brasil possui mais de 100 milhões de pessoas sem saneamento básico. O Estado brasileiro tem deficiência na prestação de serviços relacionados ao tratamento da água e do esgoto e à coleta de lixo. É preciso lembrar que a responsabilidade pela Casa Comum é de todos: governantes e população. Ninguém tem o direito de se omitir!

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NOTÍCIAS

Foto: Divulgação A&C

Todos contra o mosquito aedes aegypti: essa responsabilidade também é sua

Religiosos Josefinos participam de exercícios espirituais

De 15 a 20 de outubro de 2015, no Centro de Eventos e Hospedagem Murialdo, em Fazenda Souza (Caxias do Sul – RS), aconteceu a primeira edição dos Exercícios Espirituais dos Confrades da Província Brasileira dos Josefinos de Murialdo. O Agir&Calar está na campanha nacional para intensificar o alerta sobre o risco de infecções com o mosquito aedes aegypti que transmite a dengue, a zika e a chikungunya. Os cuidados com a higiene dentro e fora de casa são fundamentais, pois é onde o mosquito pode se reproduzir. A população deve ser a grande vigilante nessa campanha que pretende eliminar o foco do mosquito transmissor das doenças. A dengue, chikungunya e Zika têm sintomas semelhantes. Atenção: tudo que acumule água é foco de mosquito.

Foram dias intensos, em clima de silêncio, para a escuta da Palavra de Deus, reflexão e prece. Vinte e quatro confrades de diferentes comunidades religiosas do Brasil participaram do Retiro, sob a orientação do Provincial dos Frades Franciscanos da Província do Sul, Frei Inácio Delazzari (OFM). De forma simples e profunda, Frei Inácio apresentou o ser religioso no seguimento de Jesus a partir do Evangelho e do pensamento do Papa Francisco.

Frater Luciano emitirá votos perpétuos

No dia 14 de dezembro, o Papa Francisco recebeu, em audiência, o Prefeito da Congregação das Causas dos Santos, Card. Angelo Amato, S.D.B.. No decorrer da audiência, o Santo Padre autorizou a Congregação a promulgar 17 decretos, entre os quais o reconhecimento das virtudes heroicas do Servo de Deus, João Schiavo, Sacerdote da Congregação de São José (Josefinos de Murialdo).

Foto: Arquivo pessoal

Foto: Arquivo ILEM

Papa confirma venerabilidade do Pe. João Schiavo

No dia 19 de março, às 19 horas, o Frater Luciano da Costa Pereira emitirá os Votos Perpétuos na Comunidade São Leonardo Murialdo, na Paróquia Cristo Bom Pastor de Londrina (PR). O religioso escolheu como lema “O Espírito do Senhor desceu sobre mim, pois me ungiu para evangelizar os pobres” (Lc 4,18).

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TOP das 10 coisas importantes que o dinheiro não pode comprar 10º Conhecimento e experiência 9º Respeito 8º Satisfação de realizar os sonhos 7º Saúde 6º Bons amigos 5º Amor, cuidado e preocupação 4º Uma família feliz e calorosa 3º Paz Interior O que é chuva ácida? É toda chuva que tem um pH abaixo de 7, o índice normal da água. Se essa regra for levada ao pé da letra, porém, toda chuva poderá ser considerada assim, já que sempre existe alguma concentração de ácidos nas torrentes. O bicho só pega mesmo quando o nível é de 5,6 ou menos: a partir daí, ela se torna capaz de matar peixes, destruir o solo e corroer materiais sólidos. O fenômeno rola porque as nuvens de chuva não são formadas só por vapor d’água, mas também por gases diversos. Os componentes gasosos da poluição, como o dióxido de carbono (CO2), o dióxido de enxofre (SO2) e o óxido de nitrogênio (NO), se misturam a eles e podem, inclusive, viajar com o vento e contaminar a chuva de outras cidades. No Brasil, há chuva ácida em lugares como a região metropolitana do Rio e Cubatão (SP).

2º Tempo 1º Felicidade: é a força principal motriz da vida e todos desejam ser felizes. A felicidade verdadeira é encontrada em pequenas coisas que estão muito além de comprar. O sorriso de um estranho, o riso de um recém-nascido, um abraço do melhor amigo ou um beijo do amado. Estes fatores tornaram a felicidade posição líder nesta seleção, das 10 coisas importantes que o dinheiro não pode comprar. Fonte: top10mais.org

Fonte: mundoestranho.abril.com.br

Por que as águas dos rios Negro e Solimões não se misturam? Porque a composição química, a temperatura e a velocidade dos dois são diferentes. Ao longo de um percurso de cerca de 6 km, os rios Negro e Solimões andam lado a lado sem se misturar antes de se tornarem um só - o grande Rio Amazonas. O Rio Negro, que carrega uma grande quantidade de matéria orgânica desde sua nascente na Colômbia (o que dá o tom escuro à sua água), corre a cerca de 2 km/h com uma temperatura de 28 °C. Já o Solimões, que nasce nos Andes peruanos e tem uma água de aspecto barroso, devido a uma carga de sedimentos vindos da erosão de solos de origem vulcânica, faz o percurso em uma velocidade aproximada de 4 a 6 km/h a uma temperatura de 22°C. Fonte: mundoestranho.abril.com.br

Qual é a maior ponte do mundo? A maior ponte do mundo não poderia ser em outro lugar. Na China, tudo é feito em tamanho maior devido à grande população. A ponte de Danyang-Kunshan liga a cidade mais populosa do pais, Xangai (23 milhões), a Nanjing (8 milhões) sobre o rio Yangtze. Ela é reconhecida como a mais longa do mundo pelo Guinness, com 164 km de extensão. Fonte: top10mais.org

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Pedras ou diamantes

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erta vez, um homem caminhava pela praia numa noite de lua cheia. Pensava desta forma:

preciosos tesouros por estarem esperando o que acreditam ser perfeito ou sonhando e desejando o que não têm, sem valorizar o que têm perto delas.

Se tivesse um carro novo, seria feliz...

Se olhassem ao redor, parando para observar, perceberiam o quão afortunadas são!

Se tivesse uma casa grande, seria feliz... Se tivesse um excelente trabalho, seria feliz...

Foi quando tropeçou numa sacolinha cheia de pedras. Ele começou a jogar as pedrinhas, uma a uma, no mar, cada vez que dizia: Seria feliz se tivesse... Assim o fez ficando somente com uma pedrinha na sacola, que decidiu guardá-la. Ao chegar em casa, percebeu que aquela pedrinha tratava-se de um diamante muito valioso! Imagine quantos diamantes ele jogou no mar enquanto não parava de pensar. Assim são algumas pessoas: jogam fora seus

Muito perto de si está sua felicidade. Cada pedrinha deve ser observada. Pode ser um diamante valioso... Cada um de nossos dias pode ser considerado um diamante precioso, valioso e insubstituível. Depende de nós aproveitá-los ou lançá-los ao mar do esquecimento para nunca mais recuperálos. E você: como anda jogando suas pedrinhas? A morte não é a maior perda da vida. A maior perda da vida é o que morre dentro de nós enquanto vivemos! Autor desconhecido

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JOSEFINOS DE MURIALDO:

Padres e Irmãos a serviço das crianças, dos adolescentes e dos jovens em obras sociais, colégios, paróquias e missões.

SERVIÇO DE ANIMAÇÃO VOCACIONAL

Rua Dante Marcucci, 5335 - Cx. P. 584 - Fazenda Souza - Caxias do Sul (RS) CEP: 95001.970 - Fone (54) 3267.1146 - www.josefinosdemurialdo.com.br