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babel

REVISTA LABORATORIAL DO CURSO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL/ULBRA-CANOAS/RS

JULHO DE 2007

ANO 1

NÚMERO 2

O mundo no blog de Luiz Carlos Azenha

Maria do Carmo em horário nobre na UlbraTV

Deraldo Goulart, o repórter gaúcho na cena nacional

PÁGINA 8

PÁGINA 24

PÁGINA 30

TORNADOS A CAMINHO DO SUL Fenômeno assusta cada vez mais países da América do Sul. A região Oeste do Estado é a mais vulnerável à ocorrência de ventos fortes. PÁGINA 12

Verdades e mitos sobre o aquecimento do planeta PÁGINA 16


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EDITORIAL O meio ambiente e o profissional de comunicação Reitor Ruben Eugen Becker Vice-reitor Leandro Eugênio Becker Pró-reitor de Administração Pedro Menegat Pró-reitor de Graduação da Unidade Canoas Nestor Luiz João Beck Pró-reitor de Graduação das Unidades Externas Osmar Rufatto Pró-reitor de Pesquisa e Pós-graduação Edmundo Kanan Marques Capelão Geral Pastor Gerhard Grasel Ouvidoria Geral Eurilda Dias Roman Diretora de Comunicação Social Sirlei Dias Gomes Coordenador de Imprensa Rosa Ignácio Leite Diretor da área de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas Sérgio Roberto Lima Lorenz (RPMT/ RS 9250) Coordenador do curso de Jornalismo Douglas Flor (RPMT/RS 7384 ) Jornalista responsável Rosane Torres (RPMT/RS 5141) Projeto Gráfico Jorge Gallina (RPMT/ RS 4043) Fale conosco: agexjorn@ulbranet.com.br Revista produzida pelos alunos da disciplina de Produção Jornalística II no primeiro semestre de 2007. Eduado Brancalion, Fernanda Rosito, Kamila Urbano, Marcelo de Oliveira, Pablo Rozados, Rafael dos Santos Munhos, Raoni Vasconcelos Avozani, Rodrigo Bitar Franskoviak, Vanessa Ciechowicz. Colaboração de Rita de Cássia da Silva. Fotografia: Leonardo Lenskij. Revisão: Astomiro Romais (RPMT/RS 7947).

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O planeta começou a ser degradado no momento em que a produção industrial acelerou os processos produtivos, de modo a não deixar tempo para os recursos naturais se recuperarem naquilo que vinha sendo tomado da natureza para produzir mais e melhor. Mas, a tomada de consciência demorou. Foi preciso que as conseqüências da exploração despreocupada das águas e da madeira se mostrassem de maneira dramática. Foi necessário que o céu não aparecesse mais azul e que a terra mostrasse suas entranhas comprometidas, sem energia, sem oferecer qualquer riqueza a mais para arrancar de lá. Foi preciso o homem adoecer, muito, de muitas doenças. Mas, ainda bem, profissionais de comunicação têm feito sua parte para trazer consciência a todos sobre os riscos da exploração despreocupada dos recursos naturais. Jornalistas vêm reportando os abusos cometidos contra o meio ambiente, assim como as ações que vão acontecendo para minimizar seus efeitos. Profissionais de publicidade e propaganda usam seus recursos técnicos para mostrar o que empresas ambientalmente responsáveis estão fazendo e para cooptar o público para um comportamento compatível com esta responsabilidade. Relações-públicas trabalham com as altas direções/gerências das organizações para que criem riqueza com responsabilidade ambiental. E com seus públicos, para que usem seus produtos/serviços da mesma forma. Fotógrafos e cineastas registram e exibem tudo isto, com beleza, poesia, dramaticidade, cores e efeitos especiais. Que bom que existem bons profissionais de comunicação. Porque, mesmo que alguns digam que separar o lixo reciclável e realizar outras pequenas mudanças de atitude no nosso dia-a-dia – como escovar os dentes com a torneira fechada – são pouco, a soma dessas ações fazem diferença. Fazem com que cada um pense na parte que lhe cabe para a manutenção da vida no planeta em condições de saúde e bem-estar. Das práticas individuais até as exigências sociais quanto a empresas e governos ecologicamente responsáveis. A presente edição da Babel, revista produzida na disciplina de Produção Jornalística II e finalizada na Agência Experimental de Comunicação Integrada, traz matérias que podem ser vistas com uma contribuição dos alunos do curso de Comunicação Social da ULBRA para o esforço racional em prol da manutenção de uma vida mais saudável do e no planeta terra. São parte do resultado do trabalho de alunos e professores do curso para, na experiência de formação profissional, incluir a perspectiva da responsabilidade de cada um na qualidade de vida de todos. Aproveite.


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ÍNDICE

URBANISMO

TURISMO

Prédio histórico do Mercado Público é restaurado na capital

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MUSEU Memória do esporte ganha sala em shopping de Porto Alegre

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BAIRRO Restinga vive novos tempos e experimenta tranqüilidade

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TECNOLOGIA Máquinas digitais se popularizam e caem no gosto dos consumidores

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ENSINO Um bom RP deve ser um bom pesquisador, afirma professor espanhol

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Prédios como o da Prefeitura da capital estão no roteiro de quem quer conhecer belezas da cidade

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VIDA NOTURNA O conjunto do Olaria perdeu o clima de tranqüilidade e recebe centenas de pessoas, especialmente à noite

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MEIO AMBIENTE Uma das regiões mais ricas do Estado enfrenta o drama da poluição do Rio dos Sinos

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CIDADE GRANDE A dura rotina do papeleiro Silveira, 34 anos, que sobrevive trabalhando nas ruas de Porto Alegre

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REVISTA BABEL - JULHO DE

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PORTO ALEGRE 4

A cidade que o turista procura Pablo Rozados Os roteiros turísticos disponíveis na internet, nas bancas de jornal e livrarias não incluem a capital gaúcha. Mas Porto Alegre não é desprovida de pontos turísticos. Questionado sobre as belezas da cidade, qualquer morador indicaria, sem dúvida, a Usina do Gasômetro, a Estátua do Laçador e o pôr-do-sol do Guaíba. Para quem está chegando ou para quem mora em Porto Alegre, o guia especializado em turismo e funcionário da Secretaria de Turismo, Frederico Mendes, tem um roteiro pronto. Segundo ele, o passeio começa pelo Monumento do Laçador, localizado próximo ao Aeroporto Internacional Salgado Filho. – Com 4m45cm de altura e pesando 3,8 toneladas, o monumento é a representação de um gaúcho e foi escolhido como símbolo da capital em 1991 pela maioria dos votos populares – explica o guia. O prédio do hotel Majestic, que teve seu auge entre os anos 30 e 50, e que hoje abriga a Casa de Cultura Mário Quintana, localizado no centro da cidade, é um dos pontos que desperta interesse do turista. – Uma das atrações é a reconstituição fiel do quarto onde o poeta morava, que é uma verdadeira viagem A Catedral Metropolitana é um dos pontos em destaque no tempo – diz Mendes. Também chamam a atenção de quem passa por Porto Alegre o histórico prédio do Santander Cultural, que abriga exposições de obras de arte, e o do Museu de Artes do Estado (Margs), ambos no centro. – As exposições do Margs mostram obras de todos os períodos e movimentos culturais que se desenvolveram na região. Do início do século XIX até obras contemporâneas – informa o guia. A cidade que não aparece nos guias de turismo oferece outras belezas arquitetônicas aos visitantes, como os prédio do Palácio Piratini, Teatro São Pedro e Palácio Farroupilha (onde funciona a Beleza do antigo prédio dos Correios e TTelégraf elégraf os encanta visitant es elégrafos visitantes Assembléia gaúcha). REVISTA BABEL - JULHO DE 2007


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e no roteiro turístico; ao lado, o prédio do Margs

Belezas arquitetônicas e recantos ainda não totalmente explorados fazem o charme da capital dos gaúchos.

U ma das jóias da cidade, o prédio do TTeatr eatr o São P edr o ffoi oi tto o talment e restaurado eatro Pedr edro talmente REVISTA BABEL - JULHO DE 2007


COMPORTAMENTO 6

Minorias do Olaria Eduardo Brancalion Mal a tarde começa a cair, aos domingos, e parte da rua Lima e Silva se transforma. Vira uma praça de guerra. Aparece gente de todos os lados. O ponto de convergência é o conjunto de cinema, restaurante, bares e livraria, conhecido como Shopping Guion. Adolescentes, homossexuais, punks, roqueiros e baderneiros de todos os quadrantes da Capital e da Região Metropolitana. O conjunto do Olaria, que no passado foi um reduto alternativo para quem queria fugir do tumulto dos grandes shoppings, perdeu o clima de tranqüilidade, que lembrava uma praça das pequenas cidades, com chafariz ao centro e bancos e mesas espalhados na calçada da frente e em um pátio interno. Aos domingos, todos os espaços ficam lotados, principalmente as calçadas do Guion e a rua diante do prédio. As intenções da multidão são as mais diversas e vão desde uma simples paquera até barulhentas confusões movidas a álcool. As desavenças envolvem também os moradores do próprio bairro, que se sentem incomodados, os comerciantes, que não suportam mais os clientes indesejados e integrantes de tribos diversas. Em meio às confusões, que não respeitam nem mesmo os motoristas que tentam trafegar pelo lugar, é possível se ver manifestações exacerbadas de carinho público. Algo que beira o atentado ao pudor e deixa a todos, principalmente vizinhos do Guion, constrangidos. O clima de baderna predomina. Se alguém desembarcar naquele espaço numa noite qualquer de domingo, haverá de pensar que “caiu” numa terra de ninguém, sem lei, sem policiamento, sem autoridade... Este é o aspecto da Lima e Silva na tarde-noite de domingo: um salve-se quem puder. Se você não quiser se irritar, evite a área, transite por outro lugar, faça voltas com seu carro, mas não passe por ali. Nas tardesnoites de domingo, a Lima e Silva não é de ninguém, ou melhor, é dos baderneiros. Mas o que quer esta multidão, afinal? Para a adolescente Lívia Antunes, 15 anos, residente na vila Leopoldina, em Porto Alegre, este espaço é sua única alternativa de paquera: – Venho aqui por que acho pessoas que pensam como eu. Eu gosto de meninas e muita gente não aceita isso. Aqui me sinto bem. A namorada de Lívia, Carla Schain,16 anos, de Gravataí, também concorda que o espaço que se abre no Guion é sinônimo de liberdade. – Não tenho liberdade em casa. Minha mãe não sabe da minha opção sexual. E onde eu moro não tem um REVISTA BABEL - JULHO DE 2007

O Shopping Guion per deu o clima de tranqüilidade, q ue perdeu que lugar para os homossexuais se encontrarem. Aqui não tem problema. O que eu não gosto é da confusão que fica a rua. E estão até falando que a culpa disso é dos homossexuais. Mas isto é mentira – afirma ela. O conjunto do Olaria é, sim, um espaço de quem não gosta dos grandes centros, mas é, também, um reduto de homossexuais na capital. Os próprios lojistas garantem que já estão acostumados com este público. Todos os comerciantes do lugar são unânimes em afirmar, no entanto, que os freqüentadores incomodam os donos de lojas, os moradores e os motoristas pela baderna que promovem nas tardes-noites de domingo. Uma comerciante que – por motivos óbvios – pediu para não ser identificada, disse que está pensando em não abrir mais sua loja aos domingos. – Muitos dos meus clientes não têm mais paciência para vir à loja. Eles se sentem desconfortáveis e muitas vezes são alvos de brincadeiras de mau gosto, de pessoas mal intencionadas – reclama ela. O segurança do shopping Guion é instruído por seus chefes a não deixar os adolescentes usarem a parte interna do local por que o histórico dos jovens é de desrespeito aos padrões normais. Vandalismo, uso de drogas e orgias já foram flagrados no banheiro e nas dependências do lugar. O que os lojistas pedem é respeito, sem esboçar críticas à opção sexual, um direito de todo o cidadão.


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“Muitos dos meus clientes não têm mais paciência para vir à loja.”

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ENTREVISTA/Luiz Carlos Azenha 8

O mundo cabe num

BLOG

Raoni Vasconcelos Avozani Dizendo-se cansado do jornalismo que se faz na televisão brasileira, o jornalista Luiz Carlos Azenha – formado pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (USP) – trocou a toda poderosa Rede Globo por um site na Internet. – Para mim, o formato da matéria curtinha está esgotado. Quero buscar outra forma de fazer TV pela Internet – diz ele, que agora produz sozinho “Vi o Mundo”, que pode ser acessado no endereço http:// viomundo.globo.com por quem estiver interessado em acompanhar o que “nunca pôde ver pela TV”. Azenha tem mais de 30 anos de vida jornalística. Como correspondente internacional, passou por mais de 40 países e cobriu fatos que marcaram o milênio. Além da Globo, tem passagens pela Manchete e pelo SBT. – Quem tem uma câmera e um computador como eu pode fazer uma TV na Internet. Vou comandar investigações jornalísticas com internautas – diz ele, referindo-se ao conteúdo do site. Azenha conta que começou muito cedo no jornalismo: – No quarteirão em que morava, em Bauru, com meu irmão José Carlos, fazíamos um jornal da vizinhança. Os primeiros sinais de um futuro de sucesso começaram a surgir em 1980, quando foi contratado pela TV Bauru, então filiada à Rede Globo. Após cinco anos de experiência e aprendizado, tornou-se, em 1985, correspondente internacional da Rede Manchete nos Estados Unidos. Trabalhou como repórter para o SBT Brasil, juntamente com Boris Casoy e foi correspondente da Globo em Nova York, entre 2001 e 2004, chegando a ser repórter especial da emissora. Conhecedor de diferentes culturas, práticas e costumes dos mais importantes veículos do país, ele admite que, das expectativas em relação à profissão, algumas não se confirmaram. – Para mim, o jornalismo representava um serviço público. Minhas expectativas foram parcialmente correspondidas, uma vez que, como empregado, você nem sempre pode escrever tudo o que quer. Mas sempre tentei prestar um serviço público e acho que consegui parcialmente – afirma. Azenha acredita que a imprensa REVISTA BABEL - JULHO DE 2007

brasileira demonstra sinais pouco contundentes de evolução, mas que o primeiro passo já foi dado: – Acho que o jornalismo brasileiro deu uma guinada bárbara desde a eleição de Lula. Passou a aplicar no presidente todos os critérios que havia se negado a aplicar durante o governo Fernando Henrique Cardoso. Isso ficou mais claro ainda na véspera da reeleição, com o tremendo esforço da mídia para levar a eleição para o segundo turno. Não se trata de apoiar ou não o Lula. Muita gente, com razão, rejeita ou critica o governo. – Está claro que existem dois pesos e duas medidas. Todos os defeitos do governo são ressaltados e todas as virtudes escondidas. Pior que isso só a cobertura absolutamente distorcida do que acontece na Bolívia e na Venezuela – declara. Apesar deste cenário obscuro do jornalismo, Azenha acredita que existem saídas importantes e empolgantes. Para ele, a cada dia um novo desafio é traçado e se coloca à frente dos profissionais, fazendo com que ele tenha a necessidade de uma constante e qualificada atualização. A qualificação, alerta o jornalista, “é a saída para fugir do comodismo”: – Eu acho que é essencial desenvolver o espírito crítico. Por isso recomendo à minha filha, que estuda Jornalismo, que leia sobre Sociologia, História, Antropologia e Filosofia. As técnicas a gente vai aprendendo aos poucos, na própria redação. Mas o espírito crítico não. Se eu fosse sugerir técnicas a se aprender atualmente, neste período de grandes mudanças, seriam as voltadas para o uso da Internet. Embora entenda que alguns modelos estão se esgotando, Azenha diz acreditar nas possibilidades de crescimento do jornalismo, no sentido de expandir suas áreas de atuação. – Estão surgindo muitos canais, que precisam de conteúdo. Portanto, precisam de gente capaz de produzir conteúdo – alerta. Não deixa, contudo, de demonstrar preocupação com uma possível acomodação da categoria a um ambiente de total dedicação às vontades dos patrões: – Lembre-se que jornalismo é um serviço público. O interesse público é mais importante do que o do patrão. É lógico que o patrão só deixa ir ao ar ou sair escrito o que ele quiser. Mas o jornalista deve batalhar para publicar uma cobertura equilibrada e que não


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“No quarteirão onde eu morava com meu irmão, fazíamos o jornal da vizinhança.” AS FRASES DE AZENHA Trechos do texto de apresentação do Vi o Mundo.

– A gente vê coisas que a câmera não capta. – Há sons, cheiros, expressões faciais – ou seja, a atmosfera toda em torno de um acontecimento. É difícil reproduzi-los com exatidão na tevê.

Para Azenha (D e no detalhe na página ao lado), o jornalismo brasileiro deu uma guinada represente apenas um dos lados. Deve questionar. Deve lembrar-se sempre que as concessões de rádio e tevê são concessões públicas e, portanto, os donos de emissoras devem satisfação, sim, à sociedade. Profissional de TV por mais de duas décadas, Azenha coleciona passagens curiosas, algumas arriscadas, que marcaram sua vida de repórter. Talvez o momento de maior dificuldade, recorda ele, tenha sido durante uma reportagem realizada na Índia. Na ocasião, fora investigar uma denúncia de trabalho infantil e estava em um bairro popular de Jalandhar, lugar em que as famílias costuravam bolas de futebol para intermediários de grandes empresas. – As crianças eram colocadas no trabalho sem qualquer constrangimento. O clima era pesado, já que as pessoas logo perceberam o objetivo do nosso grupo – relata. A equipe de reportagem, então, foi hostilizada pelos trabalhadores: – Alguns intermediários se revoltaram com a nossa presença. Fomos cercados e espancados por uma multidão enlouquecida. O repórter não esconde o medo que passou quando percebeu o despreparo do guia contratado. Mas a ânsia de finalizar a matéria não o deixou desistir: – Foi uma imprudência do nosso guia, um ativista local pelos direitos humanos. Quase morremos. Mas a reportagem foi ao ar.

– Vi o colapso do muro de Berlim e o do regime de Saddam Hussein. – Dei uma breve caminhada com o Bill Clinton e tomei cafezinho com o Luciano Pavarotti. – Mergulhei num lago de água sulfurosa na Islândia e explorei o único lugar do Japão que tem a cara da Amazônia. – Almocei com o Albert Sabin, jantei com o Émerson Fittipaldi e tomei caipirinha com o George Harrison. – Cenas da guerra civil de Serra Leoa ainda me assombram, assim como o dia em que quase morri espancado na Índia. REVISTA BABEL - JULHO DE 2007


URBANISMO 10

Mercado Público revitalizado Rafael dos Santos Munhos Patrimônio histórico e cultural de Porto Alegre, o Mercado Público está passando por um processo de recuperação e embelezamento. A revitalização inclui reformas hidráulicas, elétricas, recuperação do telhado, pintura externa e interna, além da troca do piso e de calhas, a abertura de uma churrascaria no segundo andar e padronização de cadeiras e mesas para os bares e restaurantes. A Prefeitura investiu mais de R$ 1 milhão no novo layout do prédio com o objetivo de modernizar a estrutura física e os serviços oferecidos. De acordo com o secretário da Produção, Indústria e Comércio (Smic), Idenir Cecchim, há mais de 10 anos que não era feita uma grande reforma no prédio: – Queremos dar mais conforto para quem freqüenta e trabalha no Mercado Público. Teremos o cuidado de manter as mesmas características, sem transformá-lo num shopping. A revitalização do prédio conta com a aprovação dos funcionários dos estabelecimentos comerciais espalhados pelos dois andares do Mercado Público. Valdir Sauer, gerente de uma banca de carnes, acredita que um prédio mais cuidado vai ajudar a atrair novos consumidores: – Estou adorando esta modificação no mercado. As obras estão deixando-o mais claro e bonito. Trabalho há três anos aqui e digo que tenho o prazer de ver isso tudo novo e cada vez mais atraente. Para nós, feirantes, é um incentivo trabalhar com novidades. O Mercado Público foi inaugurado em 1869 para abrigar o comércio de abastecimento da cidade. Na década de 90, passou por um processo de restauração, que recuperou a concepção arquitetônica original de estilo neoclássico do responsável pela obra, o engenheiro Frederico Heydtmann. Com o desenvolvimento da cidade, o prédio sofreu várias alterações, entre as quais estão a construção de chalés de madeira. Em 1912, foi erguido o segundo pavimento para abrigar escritórios comerciais e repartições públicas. O Mercado Público passou por incontáveis mudanças arquitetônicas e sobreviveu a enchentes e incêndios. Também foi ameaçado de demolição para a construção de uma avenida. A última reforma resgatou as circulações internas do local e criou novos espaços de convivência. Foi construída uma nova cobertura que possibilitou a integração entre o térreo e o segundo pavimento. O prédio foi dotado de moderna infra-estrutura, que qualificou seu espaço interno e externo, como duas escadas rolantes, dois elevadores, nove sanitários, entre outras melhorias. REVISTA BABEL - JULHO DE 2007

Nos anos 90, Mercado sofreu reformas que recuperaram


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A Prefeitura da capital investe R$ 1 milhão na reforma de um dos prédios mais tradicionais da cidade.

a concepção arquitetônica original de estilo neoclássico do responsável pela obra, engenheiro Heydtmann REVISTA BABEL - JULHO DE 2007


MEIO AMBIENTE 12

Definitivamente na rota dos

TORNADOS

Raoni Vasconcelos Avozani O Rio Grande do Sul entrou para o corredor dos tornados. Agora, juntamente com Argentina e Paraguai, o Estado se insere na rota desse fenômeno que passa a assustar cada vez com mais freqüência a América do Sul. De acordo com especialistas, a região Oeste do Estado é a mais vulnerável à ocorrência de tornados. O último deles ocorreu em Antônio Prado, em 11 de dezembro de 2003. Antes disso, em 8 de julho, os moradores de São Francisco de Paula sentiram de perto os efeitos das fortes rajadas de vento. Nesses dois municípios, seis pessoas morreram, entre elas quatro crianças, durante a passagem de um tornado. Mas foi no dia 28 de março de 2004 que aconteceu uma das maiores catástrofes naturais dos estados de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul. Naquele dia, o litoral Sul do país foi devastado pelo furacão Catarina, que varreu a região com ventos de até 150 km/h. A Defesa Civil gaúcha contabilizou 3 mil casas atingidas, sendo 436 destelhadas e 80 completamente destruídas. Além disso, 70 dos cem postes de energia elétrica de Torres foram derrubados. Na BR 101, o tráfego de veículos foi interrompido em diversos trechos devido à queda de árvores. Um congestionamento de 35 quilômetros se formou rapidamente. Dias após a catástrofe, que gerou um prejuízo de R$ 1 bilhão aos dois estados, quase 2 mil famílias estavam cadastradas para receber telhas e alimentos na

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prefeitura de Torres. Muitos ainda se perguntavam por que os órgãos de segurança do Estado não alertaram a população antes da tragédia. De acordo com o pesquisador do Núcleo de Pesquisas Antárticas e Climáticas do Departamento de Geografia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Fernando Pohlmann Livi, o tempo médio que se pode prever um furacão varia entre três e quatro dias. Para ele, este foi um fato isolado e em uma região tão desacostumada que acabou pegando todos de surpresa. Na época, não houve consenso entre os especialistas quanto à classificação do fenômeno, que logo foi identificado por observadores do Centro Nacional de Furacões, de Miami, nos Estados Unidos, como um furacão. Os técnicos americanos basearam-se em três razões para categorizar o fenômeno: muita chuva concentrada numa pequena área, massa circular e simétrica em torno de um olho visivelmente claro e medições indicando que a temperatura no centro da tempestade era maior do que nas bordas. – Era tudo muito assustador, a gente não sabia o que fazer. Era um tumulto generalizado, pessoas correndo de um lado para o outro tentando se proteger do vento – comenta Juliana D’ávila, moradora de Torres, que viu de perto a passagem do Catarina. O pânico relatado pela jovem foi compartilhado por todos os moradores da região. Ela conta ainda que ninguém sabia exatamente o que fazer: – Não adiantava procurar ajuda porque estávamos todos na mesma situação.


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A região Oeste do Estado é mais vulnerável à ocorrência de fortes rajadas de vento.

Primeiro furacão foi registrado em Saturno Em 11 de novembro de 2006, um furacão com diâmetro equivalente a dois terços da Terra castigou o pólo Sul de Saturno, conforme imagens da nave Cassini-Huygens (projetada por americanos e europeus). Com 8 mil quilômetros, foi a primeira tempestade já detectada em um planeta que não seja a Terra. Cientistas que analisaram as imagens perceberam que a tempestade tinha características de furacão e os ventos chegavam a 550km/h. Entretanto, diferentemente dos furacões vistos na Terra, a tempestade parecia estar fixa no pólo e não em movimento.

O medo era percebido também entre os pescadores, que assistiam desolados à destruição dos seus barcos. O único meio de sobrevivência para muitos deles era arrasado pela força da natureza. A Marinha recomendou que embarcações de pequeno e médio porte saíssem das áreas de risco. As ondas alcançavam facilmente os cinco metros de altura e provocaram o desaparecimento de vários barcos em alto-mar. Nelma Happ, estudante que costuma passar as férias em Torres, diz que ficou impressionada quando viu os estragos. – Quando eu e meu pai fomos lá, Torres estava sendo reconstruída. A beira-mar estava horrível. Tinha areia na cidade inteira. As dunas diminuíram e muitos bares e restaurantes que ficavam ali no centro, perto da praia, desapareceram. Não sobrou nada. A pracinha foi destruída também e até as árvores voaram. Foi horrível, afirma. Durante a década de 90, estima-se que 2 bilhões de pessoas foram afetadas por catástrofes naturais no mundo, três vezes mais do que na década de 70. No mesmo período, as perdas econômicas aumentaram quase cinco vezes: de US$ 138 bilhões para US$ 629 bilhões. A prevenção e a divulgação com antecedência das ocorrências desses fenômenos continua sendo uma tarefa complicada e, de acordo com os centros de pesquisas, é possível que novos Catarinas voltem a rondar a região Sul do país.

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MEIO AMBIENTE 14 Fernanda Rosito 7 de outubro de 2006. Esta data vai ficar na memória dos gaúchos, especialmente dos moradores do Vale do Rio dos Sinos. Esta é a data da tragédia que se abateu sobre uma das regiões mais ricas do Rio Grande do Sul: o Rio dos Sinos. Uma cena incomum chocou a população no Rio dos Sinos, que é abastecido por mais de 3 mil quilômetros de arroios e córregos. Em uma extensão de mais de 190 quilômetros, boiavam milhares de peixes, alguns mortos e outros agonizando pela falta de oxigênio. O saldo da tragédia mostra um número assustador: aproximadamente 85 toneladas de peixes mortos. Os culpados? Algumas empresas e municípios da região do Sinos que não investem em saneamento básico, enfim, todos, de alguma forma colaboraram com o acidente ecológico. Se não bastasse essa realidade, de acordo com ambientalistas, essa não foi a primeira e, tudo indica, não será a última vez que essa catástrofe ambiental se repetirá. – Nos próximos 10 anos vamos decidir a sobrevivência de toda uma região. Se destruirmos o rio, estaremos matando todo o Vale dos Sinos – alerta o biólogo e ambientalista Rafael Altenhofen, da União Protetora do Ambiente Natural (Upan) – entidade sócio-ambiental de atuação regional, com sede em São Leopoldo – sobre uma região que responde por 30% do Produto Interno Bruto (PIB) do Rio Grande do Sul, totalizando quase 1,5 milhão de pessoas em 32 municípios. Desde os anos de 50 e 60, ambientalistas, entre eles José Lutzemberger, alertavam para o perigo do crescimento descontrolado, que não respeitava as nascentes, as matas e os banhados. Desde aquela época, pouco ou nada foi feito, resultando na situação atual. – São Leopoldo chegou a ter 80% do esgoto tratado na década de 1940. Só que a cidade cresceu e o saneamento não – comenta Altenhofen. Atualmente, São Leopoldo trata 20% do seu esgoto, enquanto outros municípios da região considerados grandes, como Canoas e Novo Hamburgo, praticamente ignoram o tratamento de seus resíduos. Toda a região produz cerca de 80 mil quilos de resíduos todos os dias, sendo que apenas 5% dele são tratados. – Chega a dar pena de ver. Há 25, 30 anos, era possível tomar banho no Rio dos Sinos. Hoje têm dias que não dá para suportar o mau cheiro – lembra o agricultor Sérgio da Silva Maciel, 72 anos, que vive há 53 no município de Nova Santa Rita, fronteira com o Sinos. A situação, que parece estar atualmente tranqüila devido à normalidade das chuvas, não passa de aparência. No período de excesso de chuvas o rio enche, aumentando, assim, o volume de água e favorecendo o aparecimento de mais peixes boiando. – Nosso trabalho de conscientização é pequeno se olharmos a importância do assunto. Precisamos da ajuda de todos, inclusive da mídia para alertar as pessoas sobre a importância de prevenir esses desastres – explica o secretário de Meio Ambiente de São Leopoldo, Darci Zanini. A tragédia ecológica levou a Comissão Mista do Orçamento do Congresso Nacional a aprovar, por indicação do senador Paulo Paim (PT-RS), o envio de REVISTA BABEL - JULHO DE 2007

TRAGÉD NAS ÁGUAS DOS

Estima-se que 85 toneladas de peixes morreram em uma d R$ 30 milhões para recuperação da Bacia Hidrográfica do Sinos. O recurso é pequeno perto da necessidade e, também, se comparado ao valor das multas que podem ser aplicadas a empresas poluidoras, de até R$ 50 milhões em nível estadual, e de R$ 400 mil pelos municípios. – Infelizmente, a fiscalização é precária. Muitas vezes as próprias empresas enviam seus relatórios ambientais. Para nossa sorte, hoje as empresas já estão se tocando que investir em certificados ambientais é agregar valor a seus produtos e diminuir gastos com resíduos – comenta Altenhofen. A água é fator determinante para a existência do ser humano, e não há como lutar contra os fatos de que


DIA IA SINOS SINOS

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Ambientalistas vinham alertando há décadas para os perigos do crescimento descontrolado

a das maiores tragédias ecológicas que já atingiu o Estado com as mudanças climáticas, a população fará em 50 anos aquilo que em cinco mil ninguém conseguiu fazer: destruir o Rio dos Sinos. – Em 2005 e 2006 estivemos no limite da vazão do rio. Com a estiagem, chegamos a ter menos água do que o necessário. O que nos salvou do caos foram os 30% de banhados restantes e a transposição do Rio Caí, que poucas pessoas sabem que existe – alerta Altenhofen. A demanda da população na região é de 4,4 metros cúbicos de água por segundo. Em alguns dias, durante a estiagem, o volume de água que poderia ser retirado foi de 4,1 metros cúbicos por segundo. A UPAN defende a preservação dos banhados, que servem como uma

esponja e um filtro, acumulando água na época das cheias e largando de volta, de forma lenta e progressiva, para o rio em épocas de estiagem. – Atualmente o Rio dos Sinos é praticamente um valo, e sem os banhados e os arroios limpos é nisso que ele vai se transformar. A população deve ser conscientizada que preservar o rio é um investimento em qualidade de vida, e não um gasto – explica Altenhofen, insistindo que o que está em jogo é a sobrevivência da região. Os governos municipais se defendem das acusações de descaso por parte dos ecologistas, apresentando planos e ações a serem realizadas em médio e longo prazos. A partir de um acordo entre os municípios da região, foi assinado o protocolo do Consórcio Público de Saneamento Básico da Bacia do Rio dos Sinos (PrósSinos). O protocolo pretende fazer com que até 45% dos esgotos sejam tratados. Outros projetos, como a fase II do Projeto Pró-Guaíba, do governo estadual em parceria com organismos internacionais – que destinaria grande parte de seus recursos para a região dos Sinos – estão parados. – Parece que só agora está caindo a ficha de que as perdas ambientais também resultam em perdas econômicas. Temos que estabelecer cada vez mais parcerias entre a população, o setor industrial e o setor público para salvarmos o Rio dos Sinos – salienta Zanini. Acusado de grande poluidor, o setor de curtimento de couro também se defende, dizendo que as acusações feitas às empresas por danos ambientais devem-se ao senso comum e ao preconceito que ainda existe. Segundo o engenheiro químico Ubiratan Hack, diretor da Hack Consultoria, com sede em Novo Hamburgo, os grandes problemas dos curtumes são o estigma e a falta de comunicação. – Todo o processo industrial gera resíduo. Alguns setores investem mais em pesquisa para tornar sua atividade mais limpa, outros não – afirma Hack. Os dados da Fundação de Economia e Estatística do Rio Grande do Sul (FEE-RS) mostram que, do total de resíduos orgânicos lançados no Sinos, 95,33% são provenientes de esgoto sanitário, enquanto pouco mais de 4% são de efluentes industriais tratados. Outro dado da mesma pesquisa da FEE mostra que o Rio Grande do Sul está entre os cincos estados brasileiros com menores índices de esgoto tratado, aproximadamente 22%. Mesmo com os dados, a Promotoria de Justiça de Estância Velha, cidade acusada de ter em seus limites a maioria das empresas que causaram o acidente em outubro de 2006, fez denúncia contra cinco razões sociais. Cinco empresas e uma estação de depósito de resíduos foram oficialmente considerados culpados pelo incidente. As empresas lançaram grande quantidade de poluentes no Arroio Portão, que desemboca no Sinos. – Como muitas empresas depositam seus resíduos nesse arroio, podemos dizer que cerca de 600 empresas são co-responsáveis pelo desastre – afirma Zanini, que também conta que o acidente ocorreu ironicamente no mesmo mês em que São Leopoldo recebeu o Prêmio Nacional da Qualidade em Saneamento, promovido pela Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental. REVISTA BABEL - JULHO DE 2007


MEIO AMBIENTE

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O planeta em AL Kamila Urbano

Nunca como agora tem se falado tanto no aquecimento global. O assunto ganhou maior espaço na mídia e são publicadas diariamente matérias relacionadas ao fenômeno e seus efeitos. A divulgação do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) das Nações Unidas foi um dos fatores principais para a permanência do tema em destaque. Com o objetivo de fornecer dados científicos, técnicos e sócio-econômicos, o painel apresenta informações relevantes para o entendimento das mudanças climáticas. Salvar o planeta é a missão de muitas Organizações Não-Governamentais (ONGs) e também de autoridades mundiais que estão impondo cotas para a redução da emissão de gases. Em palestra realizada este ano na Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), o pesquisador Jefferson Simões mostrou as evidências físicas do aquecimento global e os mitos e verdades sobre o tema. Simões, que é coordenador do Núcleo de Pesquisas Antárticas e Climáticas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), foi o primeiro glaciólogo (profissional que estuda todo o gelo existente na natureza, como a neve e as formas da água em estado sólido) brasileiro a participar de uma expedição à Antártida. Para entender o aquecimento global é preciso retomar as aulas de biologia e buscar num cantinho da memória os ensinamentos que explicam como se dá o efeito estufa. Este fenômeno é um processo natural para a existência da vida na terra. O consumo exacerbado e a queima de energia descontrolada, porém, intensificam seus efeitos. Assim, o efeito estufa, que serve para equilibrar a temperatura média do planeta, é bombardeado de gases que são absorvidos pela superfície terrestre. O resultado disso é que a temperatura da atmosfera próxima à superfície do planeta está realmente aumentando. Simões explica que o efeito estufa intensificado não é uma variação natural no sistema climático, e sim, um processo antrópico, ou seja, ocasionado pelo homem.

Pesquisador mostra as evidências do aquecimento global e fala dos mitos e verdades sobre o tema. REVISTA BABEL - JULHO DE 2007


ERTA

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Saiba os mitos e verdades sobre e o tema e quais atitudes evitam o agravo do problema

O INÍCIO A revolução industrial foi a causa de tudo. Os homens foram substituídos por máquinas e a poluição aumentou. O surgimento das metrópoles e os distritos industriais que geravam os empregos e garantiam o sustento da população agravam o problema e o índice de emissão de gases hoje extrapola qualquer previsão. – O problema da intensificação do efeito estufa e o conseqüente aquecimento global é muito sério e real – observa Simões.

O PROBLEMA Fumaças dos carros, desmatamento e principalmente o consumo de energia desnecessária contribuem para os altos índices de gases estufas. O glaciólogo exemplifica o uso irracional do meio de transporte: – Tudo isso tem um custo ambiental – destaca Simões. O Brasil é um dos países que segue o protocolo de Kyoto, um tratado internacional com compromissos para a redução da emissão dos gases que provocam o efeito estufa, considerado, de acordo com a maioria das investigações científicas, um dos causadores do aquecimento global. O Protocolo de Kyoto foi o resultado da 3ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, realizada no Japão, em 1997, após discussões que se estendiam desde 1990. A conferência reuniu representantes de 166 países para discutir providências em relação ao aquecimento global. O documento estabelece a redução das emissões de dióxido de carbono (CO2), que responde por 76% do total das emissões relacionadas ao aquecimento global, e outros gases do efeito estufa, nos países industrializados. Os signatários se comprometeriam a reduzir a emissão de poluentes em 5,2% em relação aos níveis de 1990. A redução seria feita em cotas diferenciadas de até 8%, entre 2008 e 2012. Os EUA desistiram do tratado em 2001, alegando que o pacto era caro demais e excluía de maneira injusta os países em desenvolvimento. O atual presidente americano, George W. Bush, alega ausência de provas de que o aquecimento global esteja relacionado à poluição industrial. Ele também argumenta que os cortes prejudicariam a economia do país, altamente dependente de combustíveis fósseis. Em vez de reduzir emissões, os EUA preferiram trilhar um caminho alternativo e apostar no desenvolvimento de tecnologias menos poluentes.

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MEIO AMBIENTE 18

FIQUE POR DENTRO.... O Brasil

reduz e se intensifica conforme o período.

Na lista dos países que mais poluem o planeta, o Brasil aparece em quinto lugar, atrás de Estados Unidos, China, Japão e Índia. O desmatamento de florestas tem peso significativo nesta classificação.

O histórico ambiental

O que fazer? Poupar energia elétrica é fundamental nessa situação. Uma casa que gasta em média R$ 100,002 por mês de eletricidade emite 820 quilos de C0 na atmosfera por ano. Plante árvores e evite queimadas. Cerca de 75% das emissões de gás carbônico e metano são provenientes dos desmatamentos de florestas tropicais.

Através do estudo do gelo é possível reconstruir o histórico ambiental do planeta. Os testemunhos de gelo (coluna cilíndrica de gelo obtida pela perfuração das geleiras) contam uma história rica sobre a atividade vulcânica, extensão do mar congelado e principalmente a poluição global. Exemplificando, o aumento do C02 desde o início da Revolução Industrial foi detectado através do estudo das bolhas de gases retidos no gelo. Oscilações na temperatura atmosférica foram estimadas para os últimos 400 mil anos a partir de variações nos isótopos também presentes no material coletado.

Os mitos e as verdades

Os ciclos naturais Segundo Simões, a cada 25 anos o planeta passa por ciclos naturais de aquecimento e esfriamento. Atualmente o planeta passa pela fase do aquecimento, refletindo em altas temperaturas e invernos menos rigorosos. Simões observa que essas mudanças climáticas não têm relação com o aquecimento global e sim com atividade solar que

Simões afirma que as catástrofes na grande maioria ainda são fenômenos naturais. Entretanto, se não houver consciência, quem sofrerá com o aquecimento global são as próximas gerações. O pesquisador também mostra preocupação com o uso indevido da água do planeta. É indispensável racionar o uso, diz ele, lamentando que ainda hoje muita gente lava carros e calçadas com água tratada.

UM GUIA PARA DIMINUIR OS DANOS As medidas recomendadas pelo Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC), da ONU, em seu terceiro relatório para estabilizar os níveis de concentração de gases do efeito estufa na atmosfera: ENERGIA • Aumentar o uso de energias renováveis para 30% a 35% da matriz energética. Hoje, elas representam somente 18% • Considerar um aumento de 2 pontos porcentuais no uso de energia nuclear, passando de 16% de participação em 2005 para 18% • Avançar no uso de tecnologias de captura e armazenamento de gases do efeito estufa nas usinas que REVISTA BABEL - JULHO DE 2007

utilizam combustíveis fósseis para produzir energia PRÉDIOS • Adotar a construção de mais prédios “verdes”, que façam melhor uso de iluminação e ventilação naturais. Até 2030, isso pode diminuir em 30% as emissões de gases nocivos desse setor INDÚSTRIA • Incentivar a substituição de fábricas obsoletas e poluidoras por indústrias mais eficientes do ponto de vista energético TRANSPORTE • Expandir o uso de biocombustíveis para um percentual entre 5% e 10%

do combustível utilizado no planeta. Hoje, eles representam 1% do consumo mundial • Estimular a adoção de tecnologias mais eficientes, como carros híbridos e bicombustíveis AGRICULTURA • Diminuir as emissões de metano de algumas culturas, como a de arroz e das criações de bovinos • Restaurar áreas degradadas FLORESTAS • Combater o desmatamento. Metade do potencial de redução das emissões nos trópicos está na manutenção das florestas LIXO • Diminuir a produção de lixo e, ao mesmo tempo, aumentar a reciclagem • Usar o lixo e seus subprodutos, como o gás metano, na geração de energia


MUSEU 19

Para reverenciar o ESPORTE Marcelo de Oliveira

Luvas de Éder Jofre e Popó, quimono de João Derly, camisa de Pelé, além de chuteiras, calções, medalhas e troféus de personalidades do esporte, como Falcão, Ronaldinho Gaúcho, Romário, Daiane dos Santos, Barrichelo, Robinho entre outros. A lista de objetos que compõem o acervo do Museu do Esporte de Porto Alegre é imensa. Inaugurado este ano, o museu era um sonho acalentado há pelo menos 10 anos pelo vereador e secretário de Esportes, jornalista João Bosco Vaz. – A camisa do Pelé é de 1972 – conta ele, orgulhoso, para logo emendar: – Eu era guri em Bagé, com 17 anos, e ganhei do Vicente, meu conterrâneo que jogava no Santos. A camisa era toda autografada, mas minha mãe, Amélia, lavou e os autógrafos saíram. Mas guardei a camisa. Há três anos fui com o Dunga encontrar o Pelé e ele autografou de novo para mim. Histórias como esta fazem parte do dia a dia do museu, localizado no Centro Cultural do Shopping Total, onde também foi inaugurada a “calçada da fama”. Representantes de várias gerações do futebol deixaram ali a sua marca dos pés ou das mãos em placas de cimento. A velha guarda do futebol gaúcho, técnicos renomados em nível nacional e internacional, representantes da crônica esportiva, além de jogadores consagrados no futebol mundial foram eternizados na homenagem de Bosco Vaz. Apaixonado por esporte e autor dos livros Pisando na Bola, Causos e Gafes do Futebol e Causos e Gafes da Política, Bosco Vaz lembra que o projeto do Museu

João Derli contribuiu com o acervo do Museu

do Esporte começou a ganhar forma quando ele conheceu as instalações do All Star Café, uma espécie de museu do futebol americano. O novo ponto turístico de Porto Alegre está aberto diariamente das 10h às 19h, com ingresso a R$ 6,00 e R$ 3,00 para estudantes. O bar temático funciona das 19h às 24h. O local oferece ainda aos freqüentadores três TVs de plasma de 42 polegadas para acompanhar as competições esportivas, computadores para acesso à Internet e espaço para jogos de videogame. – Recebemos muitos estudantes e idosos durante o dia. Em dias Está localizado na Avenida de jogos importantes, Cristóvão Colombo, 545, em o bar fica completaPorto Alegre, mente lotado. O local telefone (51) 3018-7765. está sendo freqüentado também por diverVocê pode acessar a página sos atletas profissiodo museu no endereço nais, informa a guia www.museudoesporte.esp.br Márcia Silva.

Por dentro do Museu do Esporte

Museu ffoi oi instalado no Shopping TTo otal

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CIDADE 20

O lixo que não

é lixo

Quem se ocupa da garimpagem urbana, sai cedo de casa. O dia rende quando há faxina nos escritórios REVISTA BABEL - JULHO DE 2007


21 Pablo Rozados O dia começa antes de o sol raiar para Vanderlei Silveira. Como a maioria dos brasileiros que trabalha duro para sobreviver, este gaúcho de 34 anos, que tem como profissão o “garimpo” do lixo alheio, acorda antes das 6h. Depois de tomar um copo de café preto com pão, margarina e mortadela, deixa a casa onde mora, na Vila São Pedro, na Avenida Ipiranga, em Porto Alegre, para percorrer as ruas da capital à cata de papéis. Antes, apronta o cavalo que comprou para ajudá-lo a carregar o peso do material que recolhe nas ruas e nos escritórios. Se a coleta é boa e o material é vendido antes do meio-dia, Silveira faz uma pausa para o almoço. Caso contrário, só pára mesmo à noite, quando chega em casa. A carga – caixas de papelão, material de escritório, jornais e revistas – é vendida na Avenida Farrapos. No país que movimenta R$ 6,5 bilhões com o setor da reciclagem e que em 2005 reciclou 174 mil toneladas só de embalagens PET (polietileno tereftalato), como as garrafas de refrigerantes descartáveis, Silveira comemora quando consegue voltar para casa com R$ 20,00 no bolso. – Já tirei mais, já tirei menos. Normalmente fecho o mês com uns R$ 450,00 ou R$ 500,00. A sorte é que a minha mulher trabalha também, é manicure, então não nos falta comida na mesa. A gente não tem muita coisa, mas o importante é sobreviver – consola-se. Silveira reclama da “exploração” dos donos de depósitos de reciclagem: – Como tem muitos papeleiros trabalhando nas ruas, eles compram pelo preço que acham melhor, só que nem sempre o nosso esforço vale só R$ 0,15 centavos – desabafa ele, fazendo referência ao preço do quilo do lixo. O dia rende mesmo quando as empresas fazem limpeza nos seus escritórios, afirma Silveira. – Algumas empresas têm dia certo para fazer isto e muitas já me conhecem e repassam todo o lixo seco quando eu chego – diz orgulhoso. Mas os papeleiros também têm algumas estratégias para driblar a exploração. Silveira cita algumas, como molhar parte do papelão para aumentar o peso do fardo, ou colocar um pouco de areia dentro das latinhas de alumínio antes de amassá-las. O trabalho rende, eventualmente, algumas surpresas, confirmando a idéia de que o conceito de lixo não é o mesmo para todos. – O mais comum é encontrar um rádio. Já peguei uns quatro rádios funcionando. Está tudo lá em casa. Junto com uma torradeira, cadeiras, armários. Às vezes, é só arrumar uma coisinha e “tá” novo. As pessoas acham que só porque é velho, não funciona mais – ressalta Silveira, revelando que mobiliou a casa com muito material achado no lixo. Certo dia, confidencia ele, encontrou um objeto “bem novinho”: – Achei um celular dentro de uma sacola plástica, junto com papéis de escritório. Pensei em devolver, mas não tinha condições nem de saber onde tinha achado. Vendi para o dono da reciclagem. Com o dinheiro, comprei uma cesta básica e ainda sobrou um dinheirinho.

Silveira reclama da exploração dos donos de depósito de reciclagem e comemora quando consegue R$ 20,00 por dia.

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ESTILO DE VIDA 22

cortar matéria

Amigas se reúnem há quase dez anos para confeccionar roupas; produção vai toda para bebês carentes

Solidariedade incondicional Fernanda Rosito Bastam alguns novelos de lã e agulhas. O restante fica por conta do carinho e da criatividade que sete aposentadas colocam nas mãos para tecer casacos, meias e sapatinhos para bebês carentes. Nos encontros, que ocorrem há quase 10 anos regados a bolinhos e chá de maçã, comparecem Elisabete dos Santos, Doceli Elias, Adelaide Elias, Amélia Elias, Amélia Bastos, Sônia Maria Elias e Adelaide Casa Nova. Além das agulhas e novelos de lã, elas sempre levam às reuniões de trabalho sorrisos estampados nos rostos. As dificuldades comuns à terceira idade – como mãos trêmulas e pouca visão – não impedem o exercício da solidariedade. Os termômetros podem marcar 10ºC ou 30ºC. A chuva pode bater no telhado. O sol pode passar por entre as frestas da janela do quarto pequeno, onde um sofá, duas poltronas e várias sacolas de lã compõem o cenário onde as amigas se encontram diariamente para fazer tricô. A produção sai direto da casa cor-de-rosa, no bairro Santana, em Porto Alegre, para o Hospital Santa Casa, onde é doada aos bebês carentes. Adelaide, 75 anos, lembra como tudo começou: – Um dia encontramos uma mãe que estava sem ter o que colocar em seu bebê. Ela usava as próprias mãos para aquecer os pés da criança. REVISTA BABEL - JULHO DE 2007

Mas a confecção de roupinhas para doar começou mesmo como pagamento de uma promessa depois que Adelaide recebeu uma graça. A produção começou de forma solitária e, embora trabalhasse diariamente, ela não conseguia dar conta da demanda por casaquinhos de lã. A ajuda veio com a amiga Doceli, 81 anos, depois as outras reforçaram o time das tricoteiras e hoje elas nem lembram mais qual foi a promessa que Adelaide fez há quase 10 anos. A causa é mais do que justa: suprir de roupinhas pessoas cujas famílias não têm recursos. Esse grupo de mulheres que se reúne por amor ao próximo só tem uma preocupação: aumentar a produção para atender à demanda cada vez mais crescente. Entre um ponto e outro de tricô, elas vão fazendo as contas e garantem que a cada ano superam suas metas. No último inverno, doaram 13 enxovais (um casaco de lã, cobertor, camiseta, fralda, meias e sapatinhos). – Usamos lã de qualidade e colocamos fita mimosa em todos os casacos – revelam as irmãs Adelaide e Amélia. Emocionadas, elas dizem que fazem questão de fazer a entrega pessoalmente a cada mãe. – Essa é a melhor parte. Ver a alegria das mulheres quando entregamos agasalhos para seus filhos, não há o que pague – confessa Amélia. – Tendo lã, a gente produz – completa Elisabete. A solidariedade do grupo vai mais além dos casaquinhos e sapatinhos de lã para bebês. Como se não bastasse esse gesto de amor aos pequenos que enfrentam dificuldades logo ao nascer em uma família pobre, elas distribuem brinquedos no Lar de São José, instituição filantrópica que acolhe meninas grávidas, e no Lar Maria de Nazaré, casa que abriga idosos. – A ajuda que recebemos delas contribuiu muito com a nossa instituição. Nossas crianças são carentes e não têm agasalhos suficientes para suportar o frio – conta, agradecida, Michele das Neves, pedagoga que trabalha no Lar de São José, referindo-se a solidariedade que começa a tecer seu caminho no bairro Santana, em Porto Alegre, numa modesta casa cor-de-rosa.


BAIRRO 23

Restinga se renova Rodrigo Bitar Franskoviak Freqüentador assíduo dos espaços dedicados ao noticiário do mundo do crimes, o bairro Restinga, de Porto Alegre, está conseguindo superar esta imagem negativa e forjar uma nova identidade. A transformação do bairro é resultado de uma série de iniciativas que visam ocupar o tempo daqueles que mais facilmente podem ser atraídos por atividades ilegais, como os jovens. Para tanto, foram criadas oficinas de música e grafite e a inauguração da Vila Olímpica, uma parceria entre o jogador de futebol Paulo César Tinga, o atual técnico da seleção brasileira de futebol, Dunga, e a Associação Cristã de Moços (ACM). – Sem dúvida que estes exemplos de boa vontade das pessoas em ajudar o bairro e seus moradores influenciam as crianças e os jovens, pois, além de saírem das ruas, elas vêem que também está ao alcance delas o sucesso ou pelo menos uma vida mais digna longe das drogas e do crime – observa o técnico contábil Paulo Renato Longaray, 24 anos, morador da Restinga. Orgulho do bairro, a escola de samba Estado

Maior da Restinga também trabalha duro na área social para ajudar a comunidade. E o diretor de harmonia Jorge Alberto de Matos, o Mestre Kid, não tem dúvida de que a escola influencia na redução dos índices de violência na região. – Conseguimos tirar muita gente das ruas. Desde a sua fundação, em 1977, tiramos jovens, crianças, até mesmo adultos das ruas, fazendo com que eles tenham uma atividade dentro da Tinga e não fiquem à toa pelas ruas, onde poderiam estar fazendo bobagens – diz Mestre Kid, que também é um dos fundadores da escola. Mas ele também atribui ao “progresso do bairro” a boa fase que a população vive: – Eu moro aqui há 34 anos e posso dizer que a Avenida do Trabalhador deu espaço para o comércio crescer. Temos um fórum dentro da Restinga, temos uma delegacia, postos de saúde, temos campos de futebol, parques de diversões que se instalam aqui de vez em quando. Resumindo, as pessoas têm onde se distrair. O auxiliar de contabilidade, Fabiano Rebusti, 23 anos, se junta às vozes daqueles que acham que a Restinga vive um bom momento e que a violência tende a diminuir. – O bairro está crescendo porque a cultura está entrando na comunidade. As ONGs e o carnaval também estão mudando a cabeça das pessoas. Para o estudante Pablo Gonçalves, 25 anos, a inauguração dos novos terminais de ônibus do bairro foi fundamental para construir uma imagem positiva da Restinga, bairro que abriga 51 mil pessoas e está localizado a apenas 22 quilômetros do centro da capital. O poder público também lançou seu olhar sobre o bairro e está fazendo a sua parte. Uma antiga reivindicação dos moradores era o asfaltamento e a iluminação das ruas, que hoje já é uma realidade. ANELISE LUZ

Iniciativas que visam à renovação do bairro têm foco especialmente nos jovens moradores REVISTA BABEL - JULHO DE 2007


COMUNICAÇÃO 24

Notícia em horário nobre

Kamila Urbano Os telespectadores gaúchos têm uma nova opção de telejornal em seus vídeos: o Ulbra Notícias. Ancorado de segunda a sexta por Maria do Carmo Bueno Garcia e aos sábados por Ricardo Azeredo, o novo programa da Ulbra TV vai ao ar às 19h15min. Ainda que o telejornal seja transmitido somente à noite, o dia começa agitado para a equipe do programa. – Às 8h30min, Azeredo se reúne com os produtores, repórteres e estagiários para pautar os acontecimentos do dia – diz Maria do Carmo, uma das mais conhecidas apresentadoras de telejornal do Estado e que volta ao vídeo depois de um longo afastamento para, ao lado de Azeredo, comandar o projeto de produzir e apresentar o telejornal da emissora universitária. Nesta reunião, completa ela, são decididos os fatos que serão transmitidos durante os 20 minutos de telejornal. Enquanto a escuta segue acompanhando os acontecimentos, os repórteres são liberados para começarem a cumprir as pautas. Por volta de 13h30min, os editores avaliam a produção da manhã e orientam as equipes para as reportagens previstas para a tarde. O material disponível naquele momento (textos e imagens) são revisados. No final do dia, depois da avaliação de todo conteúdo que será veiculado, o programa está pronto para ir ao ar. Mudanças no roteiro também acontecem. Maria do Carmo afirma que desde a primeira edição do noticiário, muitos scripts foram alterados, devido à ocorrência de algum fato repentino. Além de cobrir os últimos acontecimentos referentes à política, economia, arte e segurança pública, o Ulbra Notícias dedica um amplo espaço à previsão do tempo. Entre as coberturas realizadas pelo telejornal, destacam-se a dengue no Rio Grande do Sul e a crise no setor calçadista. O Ulbra Notícias, que tem Laura Rejane como diretora-executiva, Maria do Carmo (editora-chefe) e Azeredo (editor), conta também com oito repórteres, três produtores (dois no turno da manhã e um à tarde) e quatro estagiários (dois em cada turno). – A estréia foi realmente uma estréia – observa Maria do Carmo. REVISTA BABEL - JULHO DE 2007

O programa Ulbra Notícias pode ser assistido na Região Metropolitana de Porto Alegre pelo canal 48 (UHF) ou 21 da Net. Em Santa Maria, está sendo transmitido pelo canal 23 (UHF), Torres 43 (UHF), Cachoeira do Sul 49 (UHF) e Jaguarão através do canal 6 (VHF).

Depois de um longo período de afastam

Maria do Carmo e Ricardo Azeredo, que responde


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amento, Maria do Carmo, uma das mais conhecidas apresentadoras de telejornais do Estado, está de volta ao vídeo

pela apresentação do telejornal nas noites de sábado

Ela conta que não houve programas pilotos e as falhas foram acertadas no ar. – Hoje a equipe está ajustada. Os nossos erros são muito pequenos – acrescenta. Maria do Carmo atribui à integração do grupo os bons resultados obtidos pelo programa. A presença de Azeredo, afirma ela, “traz confiança e ritmo à equipe”. – Ele é o nosso laboratório permanente – observa ela, referindo-se ao colega de bancada, que também é professor de Telejornalismo no curso de Comunicação Social da Ulbra. Maria do Carmo, Azeredo e Rejane apostam na atual equipe e acreditam que juntos poderão crescer mais. – O pessoal pegou com garra e vontade de fazer direito. Felizmente tudo está dando certo – comemora Azeredo. Segundo Azeredo, o programa tem um objetivo bem claro desde a sua concepção, que é informar com imparcialidade e ética. – Queremos que o telespectador pense a notícia após ela ser transmitida – enfatiza. Os índices do Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope) apontam uma boa aceitação do público e a emissora já pensa em ampliar o espaço dedicado ao Ulbra Notícias. – Por enquanto são 20 minutos, mas isso deve ser reformulado – afirma Azeredo. REVISTA BABEL - JULHO DE 2007


TECNOLOGIA 26

Instantâneo digital Kamila Urbano Negativos, nunca mais. Agora, as pessoas querem capturar uma imagem e vê-la imediatamente. A invasão da fotografia digital está presente no cotidiano dos fotógrafos profissionais e dos amadores. Fazer uma viagem para um local desconhecido era sinônimo de abastecer-se de filmes fotográficos. Clics que cortavam os pés ou as cabeças, isso quando era possível visualizar algum elemento na foto. Com o surgimento de equipamentos digitais, a fotografia ganha novos doEquipamento digital conquista consumidores mínios: está presente em blogs e em sites de relacionamentos virtuais. semi-profissionais e profissionais. Todas circulam A fotografia digital trouxe muitas facilidades. no mercado e a escolha só depende do interesse do Todo aquele processo de ir até uma loja especiafotógrafo, ou aspirante a fotógrafo. Cada equilizada em revelação de negativos e ampliação de pamento tem suas especificidades e vantagens. cópias está ficando para trás. Os recursos da Geralmente as pessoas que não atuam profissioinformática permitem que os fotógrafos armazenem nalmente com a fotografia buscam as câmeras mais suas imagens no computador (e muitas vezes se fáceis de operar. Neste caso, a função “automático” esqueçam de revelá-las!). A oferta cada vez maior é imprescindível. Nada de preocupação com o foco de celulares com câmeras acopladas também tem ou ajuste de velocidade e diafragma. um peso no aumento da captação de imagens. Independente do equipamento que está sendo Dificilmente o mercado oferece aparelhos que não utilizado, no entanto, é preciso ter o maior cuidado disponham desse recurso muito procurado pelos com a luz. O recurso automático não elimina o risco consumidores. Mesmo que a resolução das imagens de fotos subexpostas (pouca luz) ou superexpostas obtidas pelo celular seja menor que as de um (muita luz). equipamento profissional, já servem para o arquivo Para garantir registros bem elaborados, é pessoal ou para veiculação na internet. essencial pensar sempre no local em que se vai Além de permitir, logo depois de registrar a fotografar. Ambientes que são iluminados por imagem, o indefectível “deixa ver como ficou”, o lâmpadas incandescentes ou fluorescentes podem equipamento digital tem outros diferenciais. Na interferir no momento da captação da imagem. fotografia digital, por exemplo, é possível aplicar Nesse tipo de ocasião é bom carregar um flash, recursos avançados através de programas como o que irá neutralizar uma possível invasão de tons photoshop. Pode-se, ainda, adicionar às imagens verdes ou amarelados. elementos disponíveis no software, como reduzir o Antes de fotografar é importante tamanho e transformar o que é compor os elementos (pessoas, colorido em preto e branco. Aniobjetos, cenas) que serão registrados mações, tratamento e ajuste de cor Câmeras digitais invadem na imagem. Para que isso ocorra é são alguns exemplos de edição de cada vez mais o cotidiano preciso visualizar mentalmente uma fotos digitais. idéia, e em seguida capturá-la. É No quesito “vida útil”, atribui-se de profissionais e nesta hora que contam os fatores às máquinas analógicas mais resiscomo enquadramento, posição da tência. Em geral, as câmeras digitais amadores fonte de luz e contraste de cores. funcionam normalmente até 50 mil Outra dica interessante é adquirir clics. Esse número varia conforme os um tripé (apoio para câmeras fotocuidados com o manuseio e a gráficas). Esse acessório será útil qualidade do equipamento.Em se para evitar fotografias tremidas tratando de fotografia digital, as quando há necessidade de maior câmeras estão divididas em exposição. amadoras, amadoras-avançadas,

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ENTREVISTA/Antonio Castillo Esparcia 27

Uma visão européia das Relações Públicas ALDRIN BOTTEGA – ACS/ULBRA

Realizado todos os semestres, o Relações Públicas em Evidência, evento planejado e executado pelos alunos da disciplina de Eventos, da habilitação em Relações Públicas, do curso de Comunicação Social da Ulbra, trouxe ao campus Canoas, em sua terceira edição, em 2007/1, o professor doutor Antonio Castillo Esparcia (foto), da Universidade de Málaga, Espanha. Para uma platéia curiosa, formada em sua maioria por alunos da Comunicação, Castillo abordou o tema Uma visão européia das Relações Públicas. O evento contou com a mediação da professora Andréia Athaydes (*). Minutos antes da conferência, concedeu à aluna de Jornalismo Candice Feio a entrevista abaixo: Babel: Qual sua visão das Relações Públicas na América Latina e, em especial, na América do Sul?

Antonio Castillo Esparcia: Bom, a comparação entre o sistema europeu e o sistema da América Latina de Relações Públicas não apresenta muitas diferenças. Se fôssemos destacar alguma diferença, seria a favor do sistema da América Latina, porque aqui existem “estudos” muito mais específicos em Relações Públicas, enquanto no caso europeu, muitos dos “estudos universitários” de Relações Públicas estão dentro das faculdades de jornalismo. Isto faz com que, às vezes, exista uma diferença do conceito entre Jornalismo e Relações Públicas, quando as Relações Públicas não são o mesmo que Jornalismo. E creio que aqui na América Latina, inclusive, está muito mais clara esta diferença. Babel: Entre as ações denominadas planejamento, estratégias, pesquisa, planos de ação e eventos, qual o senhor destacaria como de maior importância, ou que não se pode deixar de considerar no trabalho de

Relações Públicas?

Castillo: Sem dúvida, a pesquisa. Creio que um bom relações públicas, além de um bom comunicador e um bom estrategista, essencialmente, deve ser um bom pesquisador para conhecer seus públicos e para pesquisar, em seguida, a eficácia da estratégia de comunicação que ele planejou. Babel: A profissão de Relações Públicas no Brasil é recente. Foi legalizada há 40 anos e muitas pessoas ainda desconhecem a abrangência da atividade. Qual a orientação que o senhor daria para alunos que se preparam para o mercado de trabalho?

Castillo: A questão da “intrusão” é generalizada em todo o mundo. RP é uma profissão que não está regulada sob o ponto de vista de que haja o exercício profissional obrigatório a partir dos estudos universitários, como ocorre, por exemplo, com os médicos, os advogados e os engenheiros. E isto faz com que a profissão tenha muita intrusão. Então, há muitas empresas que em muitas ocasiões estão trabalhando com pessoas ou que se autodenominam Relações Públicas e não têm em absoluto a formação adequada na área ou, ainda, que não se definem como RP, mas estão exercendo a função deste profissional. Ao final, quem sai prejudicado é a própria empresa. (Tradução: Profª Andréia Athaydes)

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Quem mora em Porto Alegre desfruta todos os domingos, das 9h às 17h, de um evento que é uma das marcas registradas da capital gaúcha, o Brique da Redenção, na Avenida José Bonifácio. Uma tradicional

feira onde o público encontra diversas antiguidades, ideal para colecionadores que procuram peças e objetos raros. No setor de artes plásticas, são comercializadas telas, caricaturas, xilogravuras e escultu-

Amigo de todas as horas

Sepultamento digno

Os estados do Rio de Janeiro, São Paulo e o Distrito Federal são pioneiros no trabalho de resgate e salvamento com o auxílio de cães. No Rio Grande do Sul, o grupamento de busca e salvamento da Brigada Militar de Porto Alegre se utiliza desses animais nas atividades de resgate e salvamento em mata fechada, escombros, água e fogo. As raças que mais se adaptam a este tipo de atividade são Labradores Retriever, Terra Nova o e Bluehound. (Pablo Rozados)

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QUALQUER NOTÍCIA BOA...

O brique e seus artistas

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ras. O artesanato é encontrado em diversas matérias-primas, como couro, prata, fios, madeira, resina, ferro, gesso, vidro e porcelana. E o segmento de gastronomia oferece lanches rápidos e integrais. Atualmente, segundo a Secretaria Municipal da Produção, Indústria e Comércio (Smic), órgão que coordena a feira, o Brique conta com 180 expositores de artesanato, 70 de antigüidades, 40 de artes plásticas e 10 de gastronomia. O Brique da Redenção é um espaço de lazer e convívio onde o visitante enriquece seus conhecimentos da cidade, costumes e sua cultura; é atração turística, um local para as mais livres expressões, desde as manifestações políticas e culturais. (Vanessa Ciechowicz)

Pensando na dor dos donos de animais que se preocupam em dar um enterro digno aos seus mascotes, o empresário José Serra Pratz criou em São Leopoldo o cemitério de animais Memorial Park. Inaugurado em 2004, o cemitério conta com aproximadamente 300 sepulturas. (Rodrigo Bitar Franskoviak)

Aventuras na serra gaúcha A serra gaúcha tem muito mais do que boa comida, frio e neve. Quem gosta de esportes radicais encontra nesta região do Estado um leque de opções que passa por cachoeiras, rios e cânions. As cidades mais procuradas para a prática de atividades junto à natureza, como rafting, rapel, tirolesa, trecking, vôo livre e pára-quedismo, são Três Coroas, Farroupilha, São Francisco de Paula, São José dos Ausentes, Cambará do Sul, Canela e Caxias. (Eduardo Brancalion)


A falta de conscientização e cuidados, como uso de preservativos e anticoncepcionais, justificam os altos números de gravidez na adolescência. Uma pesquisa realizada nas principais universidades do país revela que 70% das meninas não usam métodos anticoncepcionais na primeira relação, mas 95% delas conhecem pílulas e preservativos. Segundo o vice-presidente da ONG Brasil sem Grades, Roberto Cohen, um dos idealizadores do Planejamento Familiar proposto em parceria com o governo do Estado, o problema está relacionado à falta de informação dos pais: – O conhecimento sobre sexo começa em casa desde a infância. Os pais devem passar informações aos filhos, caso contrário, fica difícil controlá-los quando chegam à adolescência. No início de 2007, a ONG realizou, juntamente com o Ministério Público do Estado, o III Fórum Regional de Planejamento Familiar, em uma tentativa de mobilizar os municípios a adotarem a aplicação da política do Planejamento Familiar e agregar as organizações envolvidas com a questão do adolescente e fortalecer o conceito de paternidade consciente. (Rafael dos Santos Munhos)

Vítimas da falta de informação Pesquisa realizada na União Européia com mais de 1,5 mil mulheres de 18 a 25 anos mostrou que apenas 5% delas sabem o que é HPV e o que o provoca. Segundo a ginecologista e obstetra do Hospital de Clínicas de Porto Alegre e do Hospital Mãe de Deus, Sabrina Soraia Schroeder, no Brasil a situação não é muito diferente: – Todos os dias deparo com situações graves, como falta OS NÚMEROS de informação, mesmo a mais simples, como a necessidade No Brasil, cerca de de ter uma higiene íntima adequada - afirma. O HPV é um vírus transmitido pelo contato mulheres morrem sexual, e que afeta a área anualmente vítimas de genital tanto de homens como HPV, conforme dados do de mulheres, causando câncer Ministério da Saúde. de colo de útero. (Vanessa

7 mil

Ciechowicz)

Violência urbana A violência na capital gaúcha está assuntando os moradores e deixando em alerta as autoridades. Segundo relatório do 9º Batalhão de Polícia Militar, responsável por 16 bairros da capital, entre janeiro e abril foram registradas 829 ocorrências de furtos, seguido de 590 assaltos à mão armada, 84 furtos de veículos e de 113 prisões por posse de drogas. (Vanessa Ciechowicz)

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Gravidez fora de hora

LIVROS dica de

mestre GUSTAVO HASSE BECKER

Crise de imagem Em tempos de crises como as vividas pelas companhias aéreas Gol e TAM, decorrentes dos acidentes que dizimaram centenas de passageiros há não muito tempo, assim como a que recentemente acometeu o Senado Federal, que teve seu presidente envolto em denúncias que resultaram na implantação de uma CPI para investigá-lo, nada mais oportuno que voltar nossas atenções ao tema crise de imagem. Neste sentido, um livro que pode em muito contribuir para esta reflexão é A síndrome de Aquiles: como lidar com as crises de imagem, de Mário Rosa (São Paulo: Gente, 2001, 249 páginas). Com larga experiência em consultoria de imagem junto a empresas de grande porte, assim como com um significativo trânsito por campanhas políticas, o autor, que é jornalista, tem muito a dizer e ensinar com esta obra. Trata-se de um livro de fácil e convidativa leitura, que nos conduz a uma reflexão sobre o que são crises de imagem, por que elas acontecem, quais são os seus alvos preferenciais, como agir para que elas não aconteçam ou, ao menos, para que seus efeitos sejam minimizados. Tudo isso regado por uma gama de bons exemplos que perpassam acontecimentos envolvendo empresas, políticos, corporações ou personalidades do mundo econômico e empresarial. O autor é oportuno quando lembra que a crise bate indiscriminadamente à porta, seja de organizações e personalidades sabidamente vilãs, seja daquelas sérias e respeitadas, cujo comportamento jamais daria margem a suspeitas. Partindo desta premissa, Rosa recomenda: “A melhor forma de agir é incorporar os preceitos de administração de crises, montando um sistema capaz de detectar previamente focos desses eventos e trabalhar duro para que eles não aconteçam”. Em suma: “É melhor prevenir do que remediar!”. Este continua sendo, se não o melhor, o único caminho para que ninguém seja apanhado desprevenido. Então, por que será que é tão difícil incorporar tal procedimento? O tema é complexo! Vale, realmente, a leitura da obra, para que compreendamos melhor o assunto. Gustavo H. Becker é professor e coordenador do curso de Comunicação Social, habilitação em Relações Públicas. REVISTA BABEL - JULHO DE 2007


ENTREVISTA/Deraldo Goulart 30

“Mercado exige dedicação e talento” Rita de Cássia da Silva

Repórter com trânsito no cenário político, Deraldo Goulart (foto) conseguiu projeção rápida, mas ao custo de muito esforço e determinação. Estudo, paixão pelo jornalismo e vocação são aliados que ainda regem a carreira de sucesso que começou no interior do Rio Grande do Sul e conquistou Brasília. O atual coordenador do Núcleo de Documentários da TV Senado e apresentador do programa Brasil Regional na Rádio Senado é gaúcho de Linha Wink. Nesta pequena comunidade rural do interior de Estrela, viveu até os oito anos, quando a família se mudou para a sede do município. Completou o primário na Escola Rural Nicolau Müssnich, no bairro Boa União, passou ainda pelo Colégio Martin Luther e finalizou o Ensino Médio no Colégio Santo Antônio. Já nesta época gostava de freqüentar as bibliotecas das escolas. – A do Martin Luther era a mais completa – lembra ele. Babel: Como o senhor vê a formação do jornalista atualmente?

Deraldo Goulart: Com preocupação e esperança. A Internet, ao mesmo tempo em que é uma poderosa ferramenta, também pode representar uma acomodação, um lugar onde se acha tudo muito fácil. Não se pode abandonar os livros. Estes são as fontes do saber. Mas sempre haverá os que vão exercer a profissão com dignidade e compromisso com os fatos. Babel: O senhor daria uma dica para quem está começando?

Goulart: Não perder o foco. Dar o melhor de si nas tarefas cotidianas. Preparar-se para enfrentar um mercado que, por mais competitivo que seja, não pode prescindir da boa formação e do talento. Babel: Para ser um bom jornalista é preciso...

Goulart: Vocação, estudo, leitura e persistência. Ir além dos currículos universitários. Saber que a notícia não tem hora. Antever os fatos para estar no lugar certo na hora certa. REVISTA BABEL - JULHO DE 2007

PROFISSÃO A escolha da profissão aconteceu cedo, aos 12 anos. No gravador do irmão, o jovem Deraldo Goulart lia e relia textos em voz alta. A aparente brincadeira causou estranheza na avó, que certa vez perguntou à mãe do garoto: – O Deraldo está com algum problema? Ele passou a noite inteira falando sozinho. O sonho infantil de se tornar locutor de rádio virou realidade com grande esforço e dedicação. Goulart lembra que lia jornal todos os dias, ouvia rádio e assistia televisão sempre. – Eu tinha gana de saber as notícias, em especial de política e futebol – recorda. Aos 15 anos soube que uma emissora, a Rádio Independente de Lajeado, estava selecionando candidatos a repórter. Fez o teste e passou junto com outro candidato. Perdeu a vaga por não ter curso de datilografia. A partir daquele dia decidiu cursar jornalismo.


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A cidade que não aparece nos guias de turismo oferece outras belezas arquitetônicas aos visitantes

A TRAJETÓRIA Começou na Folha de Lajeado, mas gostava mesmo de rádio. Na rádio Independente teve a oportunidade de exercer a profissão. Também foi editor da revista Stalo, publicação que era do mesmo grupo lajeadense. Ainda abriu uma editora que publicava uma revista própria, a Vale Rural, jornais de sindicatos, associações e produziu matérias para o Correio do Povo. Em seguida fez testes da RBS TV para repórter da Sucursal de Lajeado e passou a fazer reportagens na região. Mais tarde foi transferido para a RBS TV Sucursal de Brasília. Em Brasília, também trabalhou na Rádio Gaúcha e fez matérias para o jornal Zero Hora.

O COMEÇO As primeiras matérias não foram boas, conforme o próprio jornalista hoje avalia. Depois melhorou, garante. – Aprendi a lidar com quase todas as editorias do jornal. Isso ampliou meu campo de visão e apuro jornalístico. O salário no começo da carreira era baixo, mas mesmo assim sobrevivi. Para sua surpresa, tudo aconteceu muito rápido. Em apenas 48 meses saía dos bancos universitários e chegava a Brasília.

Babel: Como é a sua rotina de trabalho?

Goulart: Gravação, roteiro e edição das produções do Núcleo. Pesquisa sobre temas da história para que acabem virando um belo documentário. Reuniões administrativas por conta do cargo que ocupo, o de Coordenador do Núcleo de Documentários da TV Senado. Babel: Como é a experiência de estar no centro político do país?

Goulart: No período em que fiquei na reportagem tinha contato mais constante com os senadores. Isso possibilitava um acompanhamento das notícias e também do estado de espírito dos parlamentares com suas vitórias, angústias e decepções. A história acontecia diante dos meus olhos e eu ainda participava dela. Babel: Esse segmento do jornalismo requer um preparo diferenciado do jornalista?

Goulart: Com certeza a Internet está quebrando paradigmas no jornalismo. Em todos os setores dos meios de comunicação está em marcha uma poderosa revolução via Web que vai transformar todo o atual conceito de mídia. Babel: Qual é o perfil ideal para um jornalista atuar nessa área?

Goulart: É preciso encarar a profissão como uma vocação. Interesse em aprender sempre mais, de correr atrás da notícia e de achar o melhor texto. Saber que a presteza da informação é mais importante que uma bela redação. Se o profissional puder aliar as duas coisas, melhor. Babel: Como o senhor se descreveria?

Goulart: Um apaixonado por jornalismo e música (apresento o programa Brasil Regional na Rádio Senado). Sonho em ver o Brasil ocupando o lugar que merece, para que o povo tenha plena cidadania. REVISTA BABEL - JULHO DE 2007



Revista Babel n.º 2