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BIANCA BARBOSA

LAURO QUADROS

ARQUIVO BABEL

MILTON JUNG

babel Entusiasmo é a receita do sucesso

A voz da Rádio Guaíba

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REVISTA LABORATORIAL DO CURSO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL/ULBRA-CANOAS/RS-AGOSTO/2006-ANO1-N°0

OS CAMINHOS DO ETERNO REPÓRTER

LEONARDO LENSKIJ

Documentário da Ulbra registra vida e obra de Flávio Alcaraz Gomes PÁGINA CENTRAL ARQUIVO BABEL

LEONARDO LENSKIJ

CLIPAGEM

ULBRA TV

Tecnologia dá outro sentido ao monitoramento da informação

O surgimento da emissora e a experiência com profissionais jovens

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2 - REVISTA BABEL ÍEDITORIAL

Várias vozes da comunicação

Reitor Ruben Eugen Becker Vice-reitor Leandro Eugênio Becker Pró-reitor de Administração Pedro Menegat Pró-reitor de Graduação da Unidade Canoas Nestor Luiz João Beck Próreitor de Graduação das Unidades Externas Osmar Rufatto Pró-reitor de Pesquisa e Pósgraduação Edmundo Kanan Marques Capelão Geral Pastor Gerhard Grasel Ouvidoria Geral Eurilda Dias Roman Diretora da Assessoria de Comunicação Social Sirlei Dias Gomes Coordenador de Imprensa Luiz Figueredo Diretor da área de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas Gustavo Assed Coordenador do curso de Comunicação Social Sérgio Roberto Lima Lorenz (RPMT/RS 9250) Coordenador da Agência Experimental de Comunicação Integrada Luiz Artur Ferraretto (RPMT/RS 6252) Professora responsável Rosane Torres (RPMT/ RS 5141) Projeto Gráfico Jorge Gallina (RPMT/ RS 4043). Revista laboratorial do curso de Comunicação Social/ULBRA-Canoas/RS - Ano 1 - N° 0. Elaborada pelos alunos da disciplina de Produção Jornalística II em 2006/1: Alexandre Ernst, Bianca Barbosa, Bruno Pinto Carreira, Candice C. Feio, Clarisse Passos Pantoja, Cristina Monteiro Duarte, Felipe Torresini Escobar, José Antônio Soares Martins Filho e Tiago Dimer. Fotografia: Leonardo Lenskij. Revisão: Astomiro Romais. Impressão: Zero Hora

A torre de Babel bíblica queria tocar o céu com as mãos. Um falar único, então, multiplicou-se. Trouxe várias vozes, idiomas, divergentes em seu conjunto, mas todos, de cada um dos seus pontos de vista, comunicando tudo. Traduzir as várias vozes da Comunicação Social, neste início de século, é o objetivo desta outra Babel, revista que se pretende especializada. Sem ser sisuda, sem ser chata. Produzida por alunos com apoio de professores. Sem ser acadêmica, sem ser hermética. É uma forma de experimentar, de fazer revista, no texto, no visual, aprendendo como se dá o processo de produção. E aprendendo com os temas abordados, todos estes próximos, de interesse. E a quem falam as vozes de Babel? A você, aluno ou professor de Comunicação Social, desta e de outras universidades. A você, profissional dos jornais, estações de rádio, emissoras de TV, portais da Web, agências, assessorias... A todos vocês, porque a idéia é, todo semestre, distribuir amplamente a revista. Em cada palavra, o leitor vai tomar contato, assim, não só com o detalhamento de um assunto, a particularidade de uma opinião, as convergências e divergências do mercado de comunicação. Indo além de uma reportagem específica, vai sentir o trabalho dos alunos de Jornalismo da Universidade Luterana do Brasil, resultado do esforço conjugado de um grupo de professores e de seus estudantes. Babel não chega com um discurso único. Não pretende tocar o céu com as mãos, mas quer olhar, lá de cima, uma estrutura de várias vozes e diversos falares. E do topo, sol forte sobre a cabeça, ajudar a compreender o conjunto, sem esquecer dos pequenos detalhes. Longe e perto. Vozes diversas. Babel, revista de comunicação.


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índice FOTOS LEONARDO LENSKIJ

BLOG A nova mania dos internautas Todos têm um espaço na “www” para contar suas histórias

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RÁDIO GAÚCHA

ENTREVISTA ARQUIVO BABEL

Mercado de trabalho Clóvis Rossi alerta os estudantes de Jornalismo

Correspondente Ipiranga André Machado avalia a mudança de formato

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LAZER Série da Ulbra TV Histórias voltadas para o público jovem fazem sucesso

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EDITORIAL Revista reflete o trabalho dos alunos de Jornalismo

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OPINIÕES

Diário Gaúcho, um novo jeito de fazer jornalismo popular 8 Publicitário que não é criativo pode ser substituído por máquinas O profissional de Relações Públicas deve estar em sintonia com o mercado 18

QUALQUER NOTÍCIA BOA... Aniversário do Jornal O Sul e, no mercado editorial, dois lançamentos que os estudantes não devem deixar de ler

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4 - REVISTA BABEL ÍPERFIL

BIANCA BARBOSA

AS LIÇÕES DE LAURO Babel: Para ser um bom jornalista... Lauro Quadros: É preciso ser honesto no que tu estás passando, apresentar os fatos e não a versão dos fatos, por mais que ela seduza. Ser honesto é ser isento, imparcial. Babel: Como o senhor reage diante de prêmios e homenagens? LQ: Olha, eu sou um pouco refratário, resisto um pouco a essas coisas, não é por falsa modéstia, eu sempre digo. Eu não sou um caçador de prêmios. Se eles acontecem, bom, que bom, não posso dizer também que não quero ser homenageado. Não é isso.

Babel: Gremista ou Colorado? LQ: Eu sou Lauro Quadros Futebol Clube. Babel: Já foi tendencioso no ar? LQ: Não. Estou tão acostumado, há meio século praticamente fazendo o que eu faço, que a pessoa fica anestesiada. Encaro a coisa profissionalmente. E tenho quatro filhos e quatro netos que torcem para Grêmio, Internacional e até um neto que mora em Buenos Aires e torce para o Boca Juniors. Babel: Qual sua lembrança mais remota?


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Uma paixão que não se acaba Décadas depois da estréia em rádio, Lauro Quadros mantém o mesmo entusiasmo pelo que faz BIANCA BARBOSA

A vocação artística de Lauro José Quadros foi descoberta ainda quando garoto, fascinado pela figura da mãe, que declamava e escrevia poesias. No colégio, embora não fosse um aluno nota 10, como admite hoje, era com prazer que participava do Grêmio Literário do Rosário. Nascido em Porto Alegre e criado à beira da Lagoa dos Quadros, em Osório – a qual levou o nome por causa de sua família – o apresentador Lauro Quadros, 66 anos, ainda conserva o espírito jovem e a boa forma. – Caminho demais, todos os dias, só se chover eu não caminho. Além de considerar a saúde um bem fundamental, ele não dispensa uma boa música, um bom filme (de preferência musical) e uma boa viagem (de preferência para a França). Aliás, visitar a França é um destino anual religioso. – Há 17 anos, todos os anos eu vou para a Fran-

ça. Eu tenho uma paixão pelo país. É um vício caro e eu me dou esse prazer. O ano passado eu traí a França, fui para a Itália, mas foi só uma vez também, porque já estou voltando para lá. De todas as paixões de sua vida, definitivamente o rádio é a mais antiga. Aos 19 anos ele já era locutor comercial e plantonista de estúdio na Rádio Gaúcha. – Eu me senti vocacionado para trabalhar em rádio. Não pensava em jornal, muito menos em TV (1959, imagina né?), eu pensava: pô, esse troço aí é comigo... e foi, e deu certo. Tanto deu certo que se tornou um sucesso pouco tempo depois de começar a trabalhar. Depois de sua primeira experiência na Gaúcha e após ter passado pela Difusora, Lauro cobriria sua primeira Copa do Mundo, em 62, no Chile, pela Rádio Guaíba – a, então, líder na programação esportiva. Há 21 anos no mesmo horário na Gaúcha, hoje o

Í LQ: Quando meus pais “esqueceram” de mim dentro de um barco na hora de fazer uma baldeação na Lagoa dos Quadros. Eu tinha quatro anos e hoje, com 66, ainda não esqueci. Marcou muito. Foi uma tragédia na minha vida. Babel: Um ídolo da adolescência... LQ: Um cara chamado Karl May. Ele escrevia histórias que se passavam no Oriente Médio. Contam que ele era um cara preso, um alemão, que nunca tinha saído da prisão e lá escrevia os livros. Como se tivesse vivido as situações.

Babel: A palavra mais bonita... LQ: Felicidade é uma palavra muito gostosa. ...e a mais feia... Burrice. Babel: Um hábito arraigado. LQ: Sou cinéfilo. Assisto a filmes compulsivamente. O filme precisa ser muito ruim para eu não querer ver. Os filmes da minha predileção eu vejo todos. Uma comédia romântica é bom, musicais eu adorava, agora são raros... os filmes de drama, históricos... Eu gosto muito de História, eu gosto também de ler sobre História. Então, não abro mão do cinema. Mas a minha paixão é viajar,


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faculdade e ser um sujeito que não acompanha nada. Mas eu sempre digo: que bom que as pessoas possam fazer um curso superior, que pena que eu não fiz um. É HORA DE REAPRENDER

Profissional tem que ler muito, afirma Lauro

jornalista está satisfeito com a própria trajetória. – As pessoas dizem que eu correspondo, então eu acho que está bem. Autodidata, sem nunca ter cursado uma faculdade, ressalta que para ser um bom jornalista é preciso conhecer todos os assuntos. – Assim como o médico atua como clínico geral, o jornalista também. O que vier no Polêmica, (programa que apresenta todas as manhãs na emissora) seja assunto de política, economia, comportamento ou medicina, eu tenho que estar preparado para mediar o programa tendo conhecimento, mesmo que superficial, destes assuntos todos. Então, por isso que eu digo que o jornalista tem que ser generalista. Qual o segredo, então, se a pessoa nem faculdade fez? Ser obsessivo e compulsivo em matéria de leitura, acompanhar as coisas. Não adianta também ter feito uma

Na década de 70, ainda quando estava na Guaíba, a vida do jornalista daria um salto. Depois da Copa do Mundo e antes da volta definitiva à Rádio Gaúcha, seria a vez da televisão. Por iniciativa de Carlos Bastos, do Câmera 10, Lauro se reinventaria para enfrentar mais um desafio: – Era uma coisa gozada porque, eu trabalhava em rádio, eu era locutor comercial, fazia futebol e tinha uma voz interessante para o rádio, digamos assim, mas eu era baixinho, feio e as pessoas me ouviam, principalmente as mulheres, e pensavam que eu era loiro, 1m90cm de altura e tudo.... no imaginário delas eu era esse ator maravilhoso e tal. Daí, daqui a pouco eu vou para a televisão, me desnudo, né? Eu não vejo nisso maior importância, o cara ser feio ou bonito na televisão, e aí, apesar da minha estampa não ser esteticamente de acordo com as expectativas das pessoas, eu acabei dando certo da TV, modéstia à parte. Lauro lembra que foi preciso fazer um “reaprendizado” para o novo veículo. – Usei mais ou menos a característica que eu tinha no rádio: eu era descontraído, eu dizia as coisas com clareza, tinha comunicação com o grande público, não era um comunicador hermético. Então as pessoas identificaram isso como valores positivos: descontraído e falar com objetividade, assim eu me caracterizei. Casado há 45 anos com Maria Helena, pai de Marcelo, Carla, Carmem, e Laura, avô de Vitor, Pedro, Cícero e Ernesto, Lauro demonstra claramente seu amor pelos seus. É o legítimo apaixonado pela vida, pelas artes, pelo belo, pelo que é saudável e faz bem. Para ele, dia perfeito é na praia, com muito sol e muitas caminhadas.

Í AS LIÇÕES DE LAURO primeira coisa na minha vida... Eu não jogo na mega-sena, raramente jogo, mas se um dia eu ganhar, aí nós vamos viajar por dois meses e ficar um mês aqui, por causa dos netos e tal. Vou ter 90 anos, vou viajar em grupo, mas vou estar viajando.

Babel: Um desafio... LQ: Fui convidado para ser presidente do Conselho Administrativo do Instituto do Câncer Infantil há 14 anos. Foi convite de um médico, Algemir Brunetto, para que eu pudesse participar desse movimento, hoje vitorioso, em prol das crianças com câncer. Foi um desafio bacana, foi a melhor coisa que aconteceu recentemente na minha vida.

Babel: Um talento que o senhor gostaria de ter. LQ: Ser um grande músico. Se eu pudesse tocar bem piano... Porque antes do cinema, junto com as viagens, eu sou apaixonado por música, principalmente norte-americana. E sou metido a cantor também. Sou grande ouvinte de música, colecionador. Babel: Uma saudade... LQ: A minha mãe. Ela morreu faz cinco anos, com 90 anos, morreu legal. Mas ela podia ter 200 anos e eu ia sentir da mesma maneira, então já faz cinco anos e não adianta...


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ÍBLOGS

Todos diferentes, mas muito iguais A explosão da “blogsfera” revela o mundo dos internautas que adoram relatar experiências ou criar sites temáticos ALEXANDRE ERNST

LEONARDO LENSKIJ

Marina Souza, 19 anos, gosta de escrever poemas. Juliana Perroni, 18, dá dicas para ser feliz e fala de tudo um pouco. Pierre Maccaro, 21, conta as últimas do futebol mundial. Lisiane Kolbe, 17, prefere ser diferente: destaca o que não aconteceu em seu dia. Postar a Todos têm idades e caracterívida em sticas diferentes, mas uma coisa algum em comum: eles têm blog, lugar da fazem parte da blogsfera, o “www” mundo surgido da tecnologia da virou febre informação. Postar a vida em algum lugar da “www” é uma febre. Não apenas entre adolescentes, claro. De março até bola – técnica usada, inclusive, por jornalistas este ano, mais de 10 milhões de blogs foram como Juca Kfouri, Ricardo Noblat, além dos ativados na Internet mundial, segundo pesquisa jornais Zero Hora, Folha de São Paulo, The da Technorati, principal ferramenta de acompaNew York Times, entre outros. nhamento do que ocorre na blogsfera. Só para – Um colega comentou comigo que não se ter uma idéia do fenômeno: nesse ritmo, daqui sabia sobre a transferência de um jogador entre a seis meses o ciberespaço poderá somar um dois times da Europa e que ficou sabendo ao total de 80 milhões de diários virtuais. ler meu blog. Impossível não me orgulhar – – Postar em meu blog é o máximo. Tudo destacou Pierre. pode ser assunto – explicou Juliana. Para a pesquisadora Giselle Beiguelman, Os idiomas campeões no número de blogs ainda professora da pós-graduação em Comunicação são o japonês, o mandarim e o inglês. Não há e Semiótica da PUC-SP, os blogs são a ponta estatísticas sobre o número de blogs existente no do iceberg da Internet no que ela é, ou seja, Brasil, mas sabe-se que, como nos “uma mídia bidirecional de outros países, os blogs permitem produção barata”. As pessoas Valem uma clicada categorias diversas, desde diários não podem ter uma estação de (ou mais): pessoais a potenciais veículos de TV ou rádio, mas podem Blog do Tas comunicação. colocar no ar um site, pequeBlog do Juca Kfouri – Certo dia, minha mãe me nos veículos de comunicação Blog do Sérgio Dávila mostrou seu diário, com chave com micro-audiências, dirie tudo. Eu também tenho meu gidos a públicos igualmente Viaje na Viagem diário, só que tem login e senha pequenos. Cora Ronái – revelou, sorrindo, a blogueira Muitos blogs brasileiros, na Blog do Noblat Lisiane. opinião de Giselle, trazem alguBiscoito Fino Pierre fala de seu blog com mas sátiras sobre comunicação orgulho. Viciado em futebol, code massas, mas uma quanmeçou a escrever pequenas críticas sobre o que tidade incontável de ciberlixo é produzida, ocorria nos estádios brasileiros. Passou a ficar fazendo com que se pense que trazem, como antenado nas notícias dos clubes e relata, de a Internet no seu todo, o melhor e o pior da hora em hora, acontecimentos do mundo da comunicação.

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8 - REVISTA BABEL ÍOPINIÃO

Um jeito diferente de fazer jornal O Diário Gaúcho produz jornalismo popular da melhor qualidade

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á um novo jornalismo no ar, quer dizer, no pa pel. É o jornalismo popular ressuscitado pelo jornal Extra, no Rio, em 1997, e praticado pelo Diário Gaúcho desde 2000, aqui no Rio Grande do Sul. Mas é uma ressurreição diferente. O corpo pode ser igual ao do ente falecido: fotos grandes, muita cor, tipologia agressiva, páginas recortadas, textos curtos. A alma, no entanto, é outra. É melhor. Mas nenhuma mudança é tranqüila, sabemos disso. Ainda mais quando mexe em valores subjetivos, matéria-prima de significativa parte do jornalismo que praticamos, sejamos populares ou não. E o que me preocupa neste momento de transição de um tipo de jornalismo popular para outro é a falta de percepção de alguns profissionais do nosso meio para um detalhe: os jornais que mais crescem no Brasil (em novos títulos e em circulação) pertencem ao grupo dos populares. Basta conferir o ranking mensal divulgado Alexandre pelo Instituto Verificador de Circulação (IVC). Bach é Editor-chefe E crescem em cima do quê? Do jornalismo que do jornal fazem. Quando me perguntam por que o Diário Diário Gaúcho é um sucesso, sempre respondo: porque Gaúcho é um jornal que olha para as pautas com o olhar de seu leitor, procura histórias interessantes para contá-las e agrega utilidade à informação. Fico assustado com a reação dos inquisidores a esta resposta. Não pelas suas expressões de cara séria, algumas vezes ar de deboche, mas por não perceberem a sutileza da resposta: só o novo jornalismo popular deve trabalhar tendo em pauta o interesse do seu leitor? O novo jornalismo popular, queiram ou não, é um retorno ao jornalismo de raiz.


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ÍENTREVISTA / CLÓVIS ROSSI

“O mercado é, sim, exigente e seletivo” CRISTINA DUARTE

LEONARDO LENSKIJ

Jornalista com 40 anos de carreira, Clóvis Rossi é autor do livro O que é Jornalismo, lançado nos anos 80, uma das obras mais lidas por estudantes, que vêem neste paulista nascido em 1943 um exemplo profissional a ser seguido. No longo percurso por redações brasileiras e internacionais, Rossi trabalhou em três dos quatro grandes jornais do país – O Estado de São Paulo, Folha de SãoPaulo e Jornal do Bradil – e foi correspondente em Buenos Aires e Madri. Hoje, o velho repórter ostenta um dos mais caros títulos para quem fez a opção de viver respirando notícia: é “repórter especial” da Folha de São Paulo. Rossi também é colunista e membro do Conselho Editorial do jornal. O profissional que fez incontáveis coberturas, testemunhou todas as mudanças pelas quais a imprensa brasileira passou. Babel: Como o senhor vê este interesse dos estudantes universitários, renovado a cada semestre, pelo seu livro O que é Jornalismo? Clóvis Rossi: Fico feliz e preocupado ao mesmo tempo. O livro é antigo, o mundo mudou muito, o jornalismo também e deveria haver algo mais atualizado a ser lido por alunos de jornalismo.

Babel: O mercado de trabalho é seletivo e exigente, ou complacente com os novos profissionais que chegam ao mercado com muita expectativa e com pouca experiência? Rossi: É tudo isso ao mesmo tempo. Seletivo e exigente porque as redações estão cada vez mais com menos gente, mas, ao mesmo tempo, todos os chefes sabem que não podem esperar um Truman Capote aparecendo atrás de cada estudante de jornalismo. Babel: Com relação à tecnologia que avança sobre o campo do jornalismo, o senhor acredita que o jornal impresso tem futuro? Rossi: Não sei, francamente.

Babel: O senhor nunca pensou na possibilidade de lançar uma edição atualizada, que contemple as novas tecnologias? Não acha necessário? Rossi: É necessário, sim, mas eu, “Não podemos primeiro, fiquei viciado em trabalhar. Estou no jornalismo diário há esperar um mais de 40 anos e isso vicia. Logo, Capote atrás não me sobra muito tempo.

Babel: Como o senhor está vendo a explosão de blogs de jornalismo? Rossi: Os blogs me dão a sensação de ser como as velhas de antigamente, que ficavam na jade cada nela vendo o mundo passar e faBabel: Aos 22 anos, o senhor era estudante.” zendo fofocas a respeito das peschefe de reportagem do jornal O Essoas e fatos que viam passar. Ou tado de São Paulo. Que conselhos o seja, têm mais fofoca do que fato, senhor daria para aqueles que estão começane têm uma visão curta da realidade, limitado e almejam uma carreira brilhante como a sua? da até onde alcança a vista do blogueiro. Rossi: É difícil dar conselhos, porque cada Nada contra. Especialmente os blogs feitos tem suas próprias características, anseios, vopor profissionais do jornalismo com traquejo cação. Agradeço o “brilhante” da pergunta, e passagem por outras mídias. Mas, no gemas não acho que tenha sido brilhante. Fui ral, os blogs têm provocado mais calor do esforçado. Bastante. que luz.

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10 - REVISTA BABEL ÍDEPOIMENTO

“EU AMO O JORNALISMO” A trajetória de Alcaraz Gomes é assunto de documentário na Ulbra Bianca Barbosa

Contar a história de Flávio Alcaraz Gomes é fácil. É só pesquisar os fatos que marcaram o século XX, que lá estará ele, ou melhor, grande parte da história dele. Também não faltarão informações em seus seis livros e dois CDs. Para quem quer recontar a trajetória de Flávio, o difícil mesmo é abordar o tema tantas vezes visitado de uma maneira nova, torná-lo mais uma vez emocionante para o leitor e para o próprio entrevistado. E foi este desafio que o Centro de Produção Audiovisual (CPA) da ULBRA decidiu enfrentar ao produzir o documentário Itinerárisonagens marcantes da História. os de um Repórter, sobre a vida e Os vídeos Pedrinho Morreu obra deste profissional de 79 anos. na Primavera e Marçal: – Foi emocionante. Eu, minha “Eu, minha Polícia, Povão e Revolução, mulher e meus filhos nos emocioforam produzidos em 2004 e mulher e namos o tempo inteiro com o deram início ao processo de documentário. Gostei de mim meus filhos dotar a Universidade de uma quando disse que fiz tudo à minha ficamos memória histórica. O primeiro maneira. Adorei, também, a trilha é uma homenagem ao raemocionados.” dialista Pedro Carneiro Pereira sonora – afirmou o jornalista. Idealizado por Luiz Artur Fere conquistou prêmio no Grararetto, e produzido por alunos e mado Cine Vídeo, de 2005. O técnicos do CPA, o resgate da vida e obra segundo vídeo trata da vida e obra do de Flávio faz parte do projeto de criar um jornalista João Batista Marçal, que traacervo com documentários sobre perbalhou em diversas emissoras de rádio em


LEONARDO LENZKIJ

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veu alunos da ULBRA e profissionais do CPA são 45 minutos de uma entrevista que rendeu quatro horas de gravações. – Em vídeo, esse é o depoimento mais completo sobre a vida de Flávio – informou Ferraretto. A primeira lição que Flávio aprendeu com os jornalistas veteranos, na época em que ainda era um garoto, no início da década de 40, foi não revelar o tema de uma matéria antes de publicá-la. O segundo ensinamento foi amar o que faz. Hoje, com 59 anos de profissão, ele não apenas é um ícone do jornalismo brasileiro, como continua colocando em prática as lições do passado. – Eu amo o jornalismo. No jornal, temos a resposta imediata. Colhemos o mal ou o bem imediatamente, enquanto no Direito, faculdade em que me formei, o resultado se arrasta por longos anos – comparou Flávio. Famoso por façanhas extraordinárias, como a da Copa do Mundo de 1958, na Suécia, de onde fez a primeira transmissão com retorno da história do Brasil, através do sistema Single Side Band (SSB), o experiente repórter que cobriu guerras e viajou pelo mundo, diz que muitas vezes se pergunta como aquilo foi possível. Mas não tem uma resposta: – Apenas fui e consegui. Assim como a derrota é órfã, a vitória tem muitos pais. Na longa trajetória profissional, Flávio Flávio Alcaraz já viu e viveu um pouco de tudo. Gomes se – Mas não tudo – brincou ele. emocionou Orgulhoso representante da velha escola com o de jornalistas, tornou-se fiel a antigos hábitos. documentário – Eu tenho uma resistência enorme a essa geração anímica. Nunca dispensei minha máquina de escrever e não uso celular – disse. É bem provável que o sucesso do jornaPorto Alegre durante a ditadura. lista também esteja ligado a alguns atribuFerraretto e seus colegas do CPA deciditos naturais e invejáveis: memória prodigiram transformar o projeto em osa (basta ler seus livros para atividade didática e começaram “Nunca comprovar isto) e senso de hua resgatar a história de vida de mor. dispensei Flávio. Com uma trajetória cheia de – Ele é o único jornalista de minha surpresas, sucessos, alegrias e inquem eu gostaria de fazer uma fortúnios, Flávio tem grande parbiografia – ressaltou Ferraretto. máquina de te de sua história de vida registraA missão foi gratificante para escrever.” da em Itinerários de um Repórter. toda a equipe do CPA. Mas esta história não acabou. – Como profissional, me senComo guerrilheiro da notícia, ele ti realizado – afirmou Daniel Fernandes, dicontinua escrevendo a própria história, enretor de fotografia. trevistando e mediando debates, seja na RáO resultado desse trabalho que envoldio ou na Televisão Guaíba.

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Filme reacende discussão sobre jornalismo literário Quando escreveu A Sangue Frio, Truman Capote decretou: “Estou criando um novo estilo que vai revolucionar o jornalismo, o nãoficção”, mais conhecido como jornalismo literário ou new journalism. Foi a mistura de jornalismo com literatura que o tornou um dos autores mais célebres do mundo nos anos 60. Existem ainda outras versões sobre quem teria dado início ao JL. A mais conhecida é o relato de John Hershey sobre o que ocorreu no dia 6 de agosto de 1945, reconstruindo a história de seis sobreviventes, no famoso Hiroshima. Ou ainda Lílian Ross em

Filme, relato sobre os bastidores da filmagem de A Glória de um Covarde de John Huston. Quando se fala em JL não se pode deixar de citar Gay Talese, Tom Wolfe, Norman Mailer e Joseph Mitchell. Embora Capote seja uma das mais fortes referências desta tendência de fazer jornalismo, a paternidade do JL é controversa. O recente filme Capote, que rendeu o Oscar de melhor ator para Philip Seymour Hoffman (foto), reacende a discussão no meio acadêmico sobre as origens e a importância do JL. (Cristina Duarte)

O Sul: cinco anos de vida ARQUIVO BABEL

Com uma tiragem diária de 60 mil exemplares – o Jornal O Sul, do grupo Pampa, completou cinco anos em julho de 2006. Segundo o chefe de redação do diário e professor da ULBRA, Elton Primaz, “o jornal ainda está em fase de construção e buscando sua real estabilidade”. (Clarisse Passos Pantoja)

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QUALQUER NOTÍCIA BOA...

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Tablóide irreverente vira livro Reunindo textos, entrevistas e ilustrações de nomes famosos do jornalismo, da música e do cinema brasileiros, foi lançado este ano o livro O Pasquim Antologia - 1969/1971 (Editora Desiderata, R$ 69,00), o primeiro de uma série (pode chegar a quatro edições). O livro traz o melhor dos primeiros 150 números do tablóide que tinha na irreverência sua mais eficaz arma contra a ditadura. (Felipe Torresini Escobar)


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ÍCLIPAGEM

Tecnologia decreta o fim do “recorta cola” O monitoramento da informação ganha agilidade e rapidez TIAGO DIMER

FOTOS LEONARDO LENZKIJ

Uma área especí– O monitoramenfica da comunicação to da informação é está evoluindo muito constante. É possível com o avanço da tecter acesso de qualquer nologia, o monitoralugar do mundo, é em mento da informatempo real e ainda ção. Fita-cassete, paconserva a memória. pel, tesoura e cola esClipping hoje é coisa tão com os dias conséria – afirmou Rafael tados. As empresas Faria, presidente da Cardoso investe estão se especializanassociação. no segmento do no segmento e inO diretor da CWA há 10 anos vestindo no mundo Clipping, Carlos Aldigital para proporciberto Cardoso, emonar aos clientes um presa especializada serviço rápido e com qualidade. no segmento, que há 10 anos atende clientes no O monitoramento da informação – clipping, Rio Grande do Sul e no resto do país, acredita ou clipagem, como a atividade é conhecida nos que o mercado gaúcho é restrito, mas confia meios de comunicação – é o acompanhamento principalmente na experiência e na importândo que a mídia está noticiando. Profissionais treicia do serviço para o cliente. nados para a função fazem a leitura dos jornais, – Estamos conseguindo mostrar que ter a ina escuta dos programas de rádio e televisão, formação correta e com agilidade faz a diferenpesquisam sites de notícias e selecionam o maça entre vencedores e fracassados – ressaltou. terial relacionado ao interesse do cliente. As informações são disponibilizadas pela O investimento em tecnologia, princiInternet ou enviadas por e-mail. Os jornais são palmente na digitalização de áudio e vídeo, e na recebidos em arquivos de imagem e impressos capacidade de armazenamento da informação para comodidade e mobilidade do material. Até tem sido um divisor de águas entre as empresas um serviço de alerta pelo celular, quando a emcada vez mais especializadas. O crescimento na presa ou órgão é veiculado, é oferecido. área tem sido significativo nos últimos anos. Até Mesmo com toda tecnologia exercendo um uma associação brasileira das empresas de papel fundamental para que o monitoramento monitoramento, com funcione, os profissisede no Rio de Janeiro, onais que selecionam foi criada para analias notícias devem ser sar e medir o mercado, treinados e a equipe além de promover a valorizada. Cardoso troca de experiências observou que a CWA na área. A Associação trabalha com base em Brasileira de Empresas fundamentos da admide Monitoramento da nistração, que valoriInformação (Abemi) foi zam a pessoa e o encriada em 1998 e ajuvolvimento da equipe. Profissionais da a fortalecer um Conhecer o mundo da preparados garantem mercado ainda descoinformação é impora qualidade do trabalho nhecido para muitos tante para estar sintocomunicadores. nizado com o cliente.

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14 - REVISTA BABEL ÍP E R S O N A G E M

“Em time que está ganhando não se mexe” Dono de uma das vozes mais belas do rádio brasileiro, Milton Ferretti Jung faz história na Guaíba BRUNO CARREIRA

A voz forte, típica de locutor de rádio, sempre chamou a atenção das pessoas. Na escola ou em casa, o garoto Milton Ferretti Jung se sobressaiu dos demais pela entonação e pelo jeito de ler. Característica que ele explorou como poucos, até se tornar um dos principais locutores da história do rádio brasileiro. O Correspondente Portocred é a mais importante e mais tradicional síntese informativa da Rádio Guaíba, casa onde Milton reina absoluto com sua voz inconfundível. O noticiário editado pelo Departamento de Jornalismo da emissora, embora dê ênfase ao que ocorre no Estado e no país, não deixa de ser uma “volta ao mundo em 10 minutos”. Em toda a sua história, o Correspondente Portocred teve apenas três características musicais. A atual – criada pelo compositor Miguel Gustavo – é uma das marcas do noticiário mais antigo do rádio brasileiro. Milton prefere usar uma velha máxima para defender a manutenção de padrão do programa que comanda: – Em time que está ganhando não se mexe. No rádio, voz e carisma do apresentador de noticiário são muito importantes. Quem faz de conta que isso não é verdade, que siga procurando competir com o correspondente da Guaíba – observou ele. Com uma disposição invejável, aos 68 anos, Milton é o locutor que está há mais tempo no ar apresentando o mesmo noticiário entre todas as rádios do Estado. O patrocinador pode mudar, mas a locução do correspondente de

notícias da Rádio Guaíba é feita por ele há mais de 40 anos. Considerado “o recordista da locução”, revela que não imaginava “ficar tanto tempo assim no ar” e faz questão de dizer que não pretende parar: – Quando a gente gosta daquilo que faz, a motivação não acaba nunca. Em 1954, Milton fez um teste na Rádio Canoas e não parou mais de trabalhar. Em 1958, começou sua trajetória na Rádio Guaíba como locutor comercial e em 1964 estreou no Correspondente Renner, consagrando sua voz como marca registrada do noticiário, que foi ao ar pela primeira vez em 1957. Ao fazer um balanço de sua trajetória, Milton orgulha-se em detalhar as atividades paralelas às locuções na Guaíba durante todos esses anos: participou do radioteatro da emissora – como narrador do programa infantil dominical –, integrou a equipe esportiva de 1961 até o início de 2003. Durante os dois últimos anos, através de um acordo feito com a direção de esportes da Guaíba, Milton narrava somente jogos do Grêmio e com uma condição: só se fosse no Estádio Olímpico. Agora, o gremista de “carteirinha” não quer mais saber de narrar nenhum jogo. – Cansei. É mais fácil ficar em casa assistindo televisão. O fato de ser considerado “recordista de locução” também lhe rendeu várias propostas de trabalho em outras emissoras, mas a história construída na Guaíba sempre pesou mais. Titular do noticiário que já foi patrocinado pelos grupos Renner e Aplub, e hoje tem o patrocínio

“Quando a gente gosta do que faz, a motivação não acaba.”


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da Portocred, Milton faz a locução do programa em quatro edições de segundas a sábados e nos domingos e feriados em duas edições. Sua rotina de trabalho obedece aos horários do noticiário. De manhã, após apresentar a edição das 9h, ele vai tomar um cafezinho e permanece na rádio, pois ao meio-dia participa do programa de esportes Terceiro Tempo e logo apresenta a segunda edição do Correspondente, às 13h. À tarde, ele vai para casa, onde tem atividades variadas, sempre realizadas ao lado da mulher, Maria Helena, com quem é casado há 15 anos. No final da tarde, às 17h30min, volta para a Guaíba, e faz um comentário esportivo às 18h30min. Encerra o dia com mais duas edições do Correspondente, às 18h50min e 20h. O noticiário é editado pelo Departamento de Jornalismo da emissora. Milton não participa da produção e recebe o texto alguns minutos antes de entrar no ar. – Às vezes eu começo sem saber o que vou ler. Embora esteja há cinco décadas em atividade, afirma que sua motivação e orgulho em tra-

balhar é cada vez maior: – Se não tivesse motivação, não trabalharia mais. Quando tiro férias, não consigo escutar os outros colegas. Fico louco para voltar. Nas horas de folga, além de aproveitar a companhia de sua família, aproveita para ir ao supermercado, tomar banho de piscina, ir à missa (religiosamente todos os domingos de manhã), navegar na Internet e andar de bicicleta em companhia de Maria Helena. – Adoramos andar de bicicleta e o nosso bairro, o Assunção, é tranqüilo para isso. Milton tem três filhos do primeiro casamento: Jaqueline, que é professora, Milton Júnior, que seguiu os passos do pai e é apresentador de rádio e televisão em São Paulo, e Christian, que trabalha como mestre de cerimônias do Palácio Piratini. – Nota-se que a família gosta de falar ao microfone – ironiza Milton, orgulhoso da boa convivência com os filhos. Com bom humor, revela que seu “grande projeto para o futuro” é seguir mais 40 anos, pois seu único desafio é continuar vivendo.

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ÍOPINIÃO

Anote aí: trabalho, talento e sorte O publicitário deve equilibrar estes três fatores para ter sucesso na profissão

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orto Alegre. Brazil. É isto mesmo que você está lendo, Brazil com zê. Eu já explico. Estou escrevendo este artigo em junho de 2006. Mais precisamente durante o emocionante jogo entre Ucrânia e Arábia Saudita válido pela Copa do Mundo da Alemanha. Sem querer ser chato, tenho um certo orgulho de não conhecer um jogador da Ucrânia. Aliás, também não tenho nenhuma idéia da tabela de jogos e tampouco da classificação da Copa do Mundo. Sinto-me um estrangeiro. Agora, um correspondente. Nesta semana de quatro dias úteis, tenho cinco reuniões agendadas, uma campanha para aprovar, quatro monografias para corrigir, três viagens, sendo uma delas para São Paulo, para acompanhar as fotos de outra campanha que entra no ar na próxima semana. Quem mandou estudar? Sobre o mercado de trabalho tenho dois conselhos simples. O primeiro deles é você parar com tudo - inclusive de ler este artigo - e ir jogar bola. Marcelo Aimi é Sim, jogar bola. Treine bastante, arrume um bom publicitário, diretor empresário que você poderá inclusive jogar uma de criação da Copa do Mundo. Na pior das hipóteses, pela seleAgência Soul e professor ção da Tunísia. Caso você faça parte do outro time como eu, o conselho é fazer o óbvio. Você deve estar se perguntando, como assim fazer o óbvio se sou um publicitário e publicitários devem ser é criativos? Pois bem, ser criativo é pré-requisito para qualquer profissão. Quem não é criativo, pode ser substituído por máquinas que custam bem menos e não erram. Isto é óbvio. Para se dar bem nesta profissão você deve equilibrar os três principais fatores: trabalho, talento e sorte. Quando um deles se sobressai, compensa o outro. Outra dica óbvia. Tanto quanto ser jogador de futebol no Brasil.


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Í RÁDIO

Velho correspondente ganha “roupa nova” Rádio Gaúcha inova e faz sucesso ao mudar o formato do tradicional noticiário Ipiranga CANDICE FEIO LEONARDO LENZKIJ

No ar há cerca de cinco décadas, o Correspondente Ipiranga está de roupa nova. A síntese noticiosa que já foi Correspondente GBOEX (de 1966 e 1978), Correspondente Maisonave (de 1978 a 1985), Correspondente Strassburger/Rádio Gaúcha (de 1985 a 1988), e Alfred/Rádio Gaúcha (de 1988 a 1991), ganhou um estilo mais moderno, leve e novas vozes. O programa, tradicionalmente apresentado na voz do locutor José Aldair, tem agora um tom mais descontraído e coloquial com André Machado. Segundo o novo apresentador, a prioridade deixou de ser a voz: – Começamos a priorizar a maneira como a informação é dada. O noticiário conta agora com pelo menos quatro vozes: na abertura, na apresentação, nos comerciais e na previsão do tempo, além da freqüente participação de repórteres. Antes dividido em dois blocos, o noticiário passou a ter um terceiro. Ao invés de uma manchete, agora são três destaques na abertura. As chamadas de notícias para o próximo bloco: “Veja ainda nesta edição”, é inspirada nos modelos usados em telejornais. A mudança partiu, segundo Machado, da necessidade de ampliar a faixa etária de ouvintes que escutam o rádio AM. – Ele passa, sobretudo, por um processo de envelhecimento e o nosso objetivo como profissional é fazer com que esse meio viva por muito tempo, que o rádio não termine nunca, então o meio não pode ir desaparecendo junto com os seus ouvintes. De acordo com Machado, a aceitação do público ao novo modelo foi superior a 95%: – Se algumas pessoas deixaram de ouvir – e eu acredito que sim, algumas pessoas devem ter deixado de ouvir porque não gostam do formato, não gostam do apresentador – muitas passaram a ouvir, o que é o mais importante para a gente, ou seja, garantir essa renovação do público da rádio. Para muitos ouvintes, no entanto, a adaptação ao novo formato consolidou-se de maneira positiva.

Aceitação do novo modelo foi muito boa, diz Machado

– Houve um fenômeno muito interessante no que diz respeito ao Ipiranga. Eu tenho viajado muito para fazer o noticiário no interior e o que eu mais ouço nessas idas é isso: “No começo eu não gostei, achei estranho, hoje eu não consigo me lembrar de como era antes e sou fã do formato atual”. Machado afirma, ainda, que a decisão de inovar o noticiário não partiu do intuito de aumentar a audiência. – O que buscávamos, sim, era um novo produto. Mostrar que o rádio está vivo, está se transformando. A idéia foi essa e diferenciou o nosso noticiário do noticiário da Rádio Guaíba. Hoje são dois noticiários diferentes, são sínteses que têm uma proposta inicial que é semelhante: trazer os principais acontecimentos das últimas horas, mas que têm duas maneiras diferentes de levar essa notícia ao ar. Na verdade, são apenas duas edições por dia que são efetivamente concorrentes: das 18h50min e 20h, que estão no ar no mesmo horário. O Correspondente Ipiranga vai ao ar, ainda, diariamente às 9h e às 12h50min.

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ÍOPINIÃO

Desafios do profissional de Relações Públicas É fundamental estar aberto ao conhecimento e em sintonia com as necessidades do mercado

Um dos principais desafios do profissional de Relações Públicas, hoje, é compreender o mercado. As organizações estão voltadas à gestão e às estratégias que contribuam para atingir melhores resultados e competitividade. É neste cenário que o profissional de comunicação, e em especial o de RP, precisa estar atento e alinhado para contribuir e agregar os diferenciais de suas expertises em busca destes desafios. Precisa estar com o foco no negócio. Vale destacar que esta é uma área com oportunidades crescentes. Existem correntes, inclusive, que defendem que o curso de RP deveria estar ligado à área de administração e não à de comunicação. Não defendo essa posição, mas é preciso entender que grande parte do mercado profissional destinado ao RP passa por essa área. É preciso reconhecer e avaliar as reais potencialidades desta profissão, muitas vezes desvalorizada. Embora estejamos no campo da comunicação, há muito Luiz Ildebrando espaço para atuar em consonância com a área da gestão Pierry é formado empresarial. Por isso, é necessário esse repensar no senem Relações tido da modernização da profissão. Identificar o cenário Públicas e atual da comunicação e da administração, para avaliar coordenador como deve ser, efetivamente, o seu envolvimento para executivo do Programa atender as necessidades das organizações. O profissioGaúcho da nal precisa estar aberto ao conhecimento, em sintonia Qualidade e com as necessidades do mercado. Por isso, mesmo atuProdutividade ando no campo da comunicação, precisa conhecer a administração e seus conceitos, processos e ferramentas que estão sendo implantados nas organizações. Assim, poderá interpretar de forma adequada os conceitos do setor e utilizar estas informações como ferramentas estratégicas em sua rotina de trabalho. No entanto, é cada profissional, com sua atitude empreendedora e pró-ativa, que deve identificar estas oportunidades e se mobilizar para conquistar seu espaço no mercado.


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Í TELEVISÃO

O desafio é fazer diferente CRISTINA DUARTE

LEONARDO LENZKIJ

Os alunos da Universidade Luterana do Brasil (ULBRA) estão acompanhando uma experiência rica na área da comunicação: o nascimento de um canal de televisão. A ULBRA TV, um dos mais novos empreendimentos da Universidade teve o seu transmissor ligado em 24 de novembro de 2004. Hoje, a emissora oferece 24 horas de variada programação diária – canal 48 UHF, e 21 na NET, ou por antena parabólica digital. Para o diretor da ULBRA TV, Mário Pool, dar chance aos recém-formados de participar deste processo é compensador: Babel: A emissora tem um slogan “Ulbra TV, você vê diferente”. O que a diferencia? Mário Pool: O nosso conceito é de TV educativa que tem de gerir seu sustento, buscar a forma de como produzir e ter autonomia em sua grade de programação. Temos de fazer televisão que seja competitiva e que consiga encontrar seu espaço no mercado enquanto produto e atratividade. Então o ser diferente do slogan é renovar o formato de TV educativa.

da Net são mais de cem canais disputando audiência. Sabemos que as pessoas estão sintonizando por causa dos filmes. Babel: E para o futuro, quais são os projetos da emissora? Pool: É a formação da rede da ULBRA TV para fechar o Estado. A meta até o final do ano é termos pelos menos quatro ou cinco retransmissores funcionando.

Babel: E como o telespectador percebe isto? Babel: No canal aberto? Pool: Ser diferente não significa produzir Pool: Sim. As retransmissoras são um fator programas diferentes. Com 30 títulos no ar, estratégico importante para expandir o sinal e buscamos o diferencial nas séries antigas como ampliar a fronteira da Grande Porto Alegre. McGyver, Chaves, Os Três Patetas, na seção de filHoje atingimos 3,5 milhões de pessoas, queremes originais com legenda nas mamos chegar até a fronteira, no oeste drugadas e nos domingos. Outra ca“Experiência do Estado e até o litoral. racterística dos nossos programas é o formato de 20 minutos, porque com os Babel: A TV abre espaço para as pessoas não têm muito tempo jovens os jovens profissionais. Como é trabalhar com recém-formados? para assistir televisão. Os 18 títulos produzidos aqui têm uma lin- tem sido Pool: É uma experiência boa. Quando decidimos que o canal ia guagem voltada ao público jovem. muito boa.” ter um segmento de público joBabel: Qual o ponto forte da provem, que buscávamos uma misgramação? tura da MTV, ESPN e Canal Futura, descobriPool: Eu diria que nesse momento é o pacote mos que só conseguiríamos isso com uma equide séries e filmes que está nos trazendo proxipe jovem. Noventa por cento dos nossos jormidade com o público. Porque fazer nome de nalistas, assessores de redação, produtores, programas produzidos por nós é uma questão ficam na faixa dos 20 aos 30 anos. A TV tem de construir o hábito no telespectador de assisesta cara porque é feita em cima dos conceitir ao canal. No canal aberto, estamos concortos, idéias, conhecimentos e vivência do grurendo com outras 14 ou 15 emissoras e dentro po jovem que está aqui.

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ÍLAZER

Friends porto-alegrense Série da Ulbra TV desperta interesse da gurizada da Capital ALEXANDRE ERNST LEONARDO LENZKIJ

Um grupo de amigos fala sobre o cotidiano, caminha pelo Bom Fim e pela Cidade Baixa e, muitas vezes, discute sobre o nada. Com exceção dos conhecidos bairros da Capital, parece a sinopse de um episódio da série americana Friends. Guardadas as proporções, pode até ser. Com o plus de se ouvir muito “tu”, “bah” e uma boa dose do bom e velho sotaque portoalegrense. A identificação do público com essas conversas cantadas e cheias de interjeições dos cinco personagens da série POARS pode ser a explicação para o sucesso repentino desta que é a primeira empreitada da Ulbra TV (canal 48 UHF e 21 da NET) em teledramaturgia. Com pouco tempo no ar e com uma dose de improviso típica de curtas universitários, a série acumula comunidades de fãs no Orkut e se tornou assunto obrigatório nas festas e shows de rock de Porto Alegre. Os acordes de bandas gaúchas como Cartolas e Cachorro Grande embalam os episódios diários de 15 minutos, que também contam com a presença de figuras ilustres da cena ro-

queira do Estado. King Jim, dos Garotos da Rua, e Zé do Bêlo foram alguns dos que já fizeram uma ponta ao lado do elenco fixo, composto por Luiza Pacheco ( Julia), Manu Menezes (Laura), Bruno Bazzo (Beto) e Marcos Kligman (Sheila), além de Pedro Maron, que interpreta ele mesmo e que é um dos roteiristas da série, ao lado de Thiago Lázeri. – Falamos de uma forma que não soa forçado e é completamente inspirada no nosso cotidiano – afirma Maron. Maron e Lázeri, os dois idealizadores da série, se conheceram em um chat. No verão de 2006, resolveram fazer um programa de televisão. Em um dia, escreveram, gravaram e editaram, e no outro estavam batendo na porta do canal comunitário PoaTV (canal 6 da NET). O episódio único foi ao ar e despertou o interesse dos produtores da Ulbra TV, que elegeram o projeto para iniciar os trabalhos de seu Núcleo de Teledramaturgia, coordenado por César Figueiredo. A equipe da série é formada por cerca de 20 profissionais e cada episódio tem um orçamento em torno de R$ 1 mil.

Ligado na programação do POARS O Núcleo de Teledramaturgia da Ulbra TV (NTU), apresenta o primeiro seriado da emissora, POARS. A série é exibida de segunda a sextafeira, às 22h15min, com reapresentação no dia seguinte,

às 13h15min. Aos sábados, os episódios que foram ao ar durante a semana são reprisados às 20h. O núcleo surgiu com a proposta de abrir espaço para incentivar a produção da teledramaturgia local.

Neste desafio, o projeto POARS é o pioneiro. A série mostra a história do cotidiano de cinco jovens que vivem na cidade de Porto Alegre. Em uma linguagem descontraída e irreverente.

Revista Babel n.º 0  

Revista laboratorial do curso de Comunicação Social/ULBRA-Canoas/RS - Ano 1 - N° 0. Elaborada pelos alunos da disciplina de Produção Jornalí...