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L SIETCEÇÃO R AT UCRO ANO TS I NLUA IVM R O/S C DI E RJA CO N E/I RAU O L AS / WO R KS H O P S

FERNANDO PINTO DO AMARAL

ADÍLIA LOPES

GERTRUDE STEIN

FREDERICO LOURENÇO

BANDOLIM

PARIS FRANÇA

BÍBLIA - VOLUME I

MANUAL DE CARDIOLOGIA

ASSÍRIO & ALVIM

RELÓGIO D’ÁGUA

QUETZAL

DOM QUIXOTE

Adília Lopes começou a publicar na década de 1980. As redes sociais chegaram 20 anos mais tarde e é extraordinário ver a poesia da autora como precursora do uso mais interessante que as facilidades do novo século ajudaram a difundir. Mas consigo própria, talvez não: “A net é um sorvedouro de tempo, disse-me uma poetisa francesa.” Em todo o caso, podemos olhar para este livro como uma rede social de dois, de sentido único, onde cada leitor é interpelado de sua vez. Voltamos a encontrar a teia quotidiana de bichos e citações, inspirações e trocadilhos, que nos agarram com a sua graça e uma capacidade de observação a que não é alheio o sentido de irrisão. O livro abre e fecha com uma sequência de imagens que podiam figurar num perfil de Facebook invulgar. Adília Lopes apresenta o fora que há no comum, em prosa e em verso. “Uma doente internada no Júlio de Matos disse-me: ‘Não tenho gostos’. É horrível.” Um hospital sem rede deve ser mesmo horrível. RG

Hemingway escreveu em Paris É Uma Festa que era fácil criar o hábito de passar, ao fim da tarde, no 27 da Rue de Fleurus pelos “bons quadros e pela conversa”. Gertrude Stein, escritora norte-americana, viveu em Paris desde 1903. O seu famoso salão acolhia a elite intelectual e artística da época: Picasso, Satie, Apollinaire, Cocteau, Pound, Fitzgerald, Man Ray. Vanguardista, Stein criou um estilo de escrita de vanguarda que tinha por modelo a pintura cubista apta a reproduzir várias perspetivas do objeto representado. Pretendia dar a impressão de um “presente contínuo” através de uma construção frásica assente em ritmos repetidos e circulares e em estranhas regras de pontuação. Este livro oferece, numa aparente desordem, um sem número de impressões pessoais sobre os franceses, a guerra, a arte, a gastronomia ou a moda, que variam entre o pertinente e o improvável. Paris França é um livro de viagens tão excêntrico como a sua autora, mas delicioso.

Frederico Lourenço, ficcionista, ensaísta e poeta, é o tradutor da mais completa versão da Bíblia em Língua Portuguesa. Este primeiro volume inclui os Quatro Evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João e integra-se num projeto que contempla a versão em língua portuguesa a partir do original (a chamada Bíblia Grega) e contém todos os livros do Novo e do Antigo Testamento. Um longo trabalho reconhecido pelo prémio Pessoa 2016 que sublinhou os “elevados critérios de integração contextual, história e linguística, deste livro maior de ressonância universal em toda a história”. José Tolentino de Mendonça destacou como elemento determinante desta tradução o desejo de oferecer uma Bíblia “como matéria de estudo universitário entendido sob uma forma não-religiosa. (…) A dimensão pedagógica é aqui também um elemento diferenciador que pode ser de utilidade para colocar a Bíblia nas mãos de novos leitores”.

Fernando Pinto do Amaral publica, aos 56 anos, um novo livro de poesia. Manual de Cardiologia é dedicado “aos estudiosos do coração humano e dos seus males”. A obra assume-se como uma descida aos abismos, um exorcismo de uma experiência amorosa que não correu bem. Nesta intensa viagem emocional sente-se, por vezes, no autor, a presença do antigo estudante de medicina num olhar clínico que contrasta com a intensidade e com lado confessional dos poemas (…) “O que existe / é um músculo O resto / são impulsos elétricos fenómenos / da física Até isso / que dizem ser a alma é hoje apenas química”. A ciência pode avançar, Darwin e a evolução das espécies, o aparecimento do eletrocardiograma, os transplantes do Dr. Barnard, porém o coração permanece um “mistério”. Basta “uma palavra uma descarga elétrica uma luz” e esse “vulcão” que “acreditaste estar enfim extinto (…) recomeça a bater todos os dias / e não sabes porquê”. LAE

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Agenda Cultural Lisboa | janeiro '17  

Em 2017, Lisboa será a Capital Ibero-americana de Cultura, um evento que trará a cerca de 40 equipamentos culturais e às ruas de Lisboa, exp...

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