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saberes diferentes O simples fator de saber nadar já transforma o indivíduo em pessoa mais culta e aprimora mente e corpo ao mesmo tempo. Nos tempos antigos, o filósofo Platão afirmava que quem não sabia nadar não era educado - palavras fortes, convenhamos. O texto abaixo se refere ao belíssimo conto sobre “Saberes Diferentes”. Em um rio largo, de difícil travessia, havia um barqueiro que atravessava as pessoas de um lado para o outro. Em uma das viagens, iam um advogado e uma professora. Como quem gosta de falar muito, o advogado pergunta ao barqueiro: - Companheiro, você entende de Lei? - Não, respondeu o barqueiro. - E o advogado, compadecido: - É uma pena! Você perdeu metade da vida. A professora, muito social, entra em conversa: - Seu barqueiro, você sabe ler e escrever? -Também não, responde o remador. - Que pena, lamenta-se a mestre, você perdeu metade da vida. Nisso, uma onda bastante forte vira o barco. O canoeiro, preocupado, pergunta: - Vocês sabem nadar? - Não, respondem eles rapidamente. - Então é uma pena. - E concluiu o barqueiro. - Vocês perderam toda a vida! "Não há saber mais ou menos: há saberes diferentes." (Paulo Freire) Falando em cultura, nesta edição temos a matéria sobre o Hall da Fama Internacional da Natação, que é o principal centro de informações históricas da nossa modalidade, presenteando os brasileiros com justa homenagem ao “gigante” Gustavo Borges. Também temos a consagração da arbitragem nacional, com a convocação de Daniel Schneider, na natação, e Ricardo Ratto, nas águas abertas, como árbitros oficiais dos Jogos Olímpicos de Londres-2012. Para atletas que têm vida muito corrida e optam por treinar no horário de almoço, vejam a matéria sobre nutrição, que auxilia a equilibrar ao máximo o tempo de recuperação e a alimentação correta. E para quem ainda não sabe nadar, nunca é tarde demais: leiam o texto sobre aprendizagem na melhor idade. Boa leitura! PATRICK WINKLER EDITOR-CHEFE DA SWIM CHANNEL

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Editor-Chefe: Patrick Winkler

Índice

patrick@swimchannel.com.br Diretoria Executiva: Sávio Bertolani savio@swimchannel.com.br e André Matheus andre@swimchannel.com.br Jornalista Sênior: Guilherme Freitas guilherme@swimchannel.com.br Redator: Daniel Takata daniel@swimchannel.com.br

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BLOGUEIROS AQUÁTICOS

SAÍDA DO NADO DE COSTAS

Publicidade: Taciana Hirota taciana@swimchannel.com.br

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Eventos: Cleyton Carregari cleyton@swimchannel.com.br

ÁRBITROS BRASILEIROS NOS JOGOS DE LONDRES

ALIMENTAÇÃO E REINAMENTO NA HORA DO ALMOÇO

Fotógrafo: Satiro Sodré Colunistas: Alexandre Pussieldi e Luiz Lima Colaboradores: Alan Pessotti, Almir Marchetti, Fernando Vanzella, Marcelo Tomazini, Renê Leite, Dra. Tathiana Parmigiano e Wlad Veiga Capa e Projeto Gráfico: Agência Yo Diagramação: Agência Yo Revisão de Textos: Serg Smigg Assessoria de Imprensa: Luciana Lima luciana.lima@c7comunicacao.com.br Distribuição: Global Press

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HALL OF FAME

BENEFÍCIOS DA FILMAGEM AQUÁTICA

Venda de exemplares individuais e assinaturas: swimchannel.com.br Contato: contato@swimchannel.com.br Marketing: marketing@swimchannel.com.br

A revista swim channel é uma publicação da Endurance Sport Business. É proibida a reprodução total ou parcial sem prévia autorização da editora. Todos os direitos reservados.

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GUSTAVO BORGES: ENTRE OS GRANDES O PRIMEIRO

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NADANDO NA MELHOR IDADE


Atletas disputam a Travessia dos Fortes. O tradicional evento de águas abertas, com o trajeto do Forte de Copacabana até o Forte do Leme, completou dez anos e mais uma vez teve uma chegada emocionante na prova masculina foto: SATIRO SODRÉ

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BLOGUEIROS AQUÁTICOS

Blogs de natação nacional estão entre os melhores e mais acessados do mundo. Confira algumas sugestões Alexandre Pussieldi, o famoso Coach, durante treinamento de sua equipe por PATRICK WINKLER | fotos: ARQUIVO PESSOAL/DIVULGAÇÃO

Mesmo considerando países onde a natação tem grande destaque, como Austrália e EUA, o Brasil é uma das grandes referências mundiais em conteúdo editorial

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O Brasil pode orgulhar-se de seus blogueiros. Independente do assunto, os brasileiros são sempre destaque mundial

chamado, publica as notícias mais recentes da natação competitiva. Cobertura de eventos, resultados e matérias sobre os nadadores da elite mundial são os principais temas abordados. A influência do Blog do Coach é de tamanha proporção que literalmente mudou alguns conceitos e tendências mundiais. A revista americana Swimming World tem a credibilidade de eleger os melhores nadadores da temporada anualmente. Em 2007, a revista optou por abrir a votação ao público. Nesse mesmo ano, Michael Phelps

na produção de noticias on-line. Dentre as modalidades olímpicas, os blogs nacionais direcionados à natação estão entre os melhores do mundo e ditam tendência jornalística. Uma das grandes curiosidades dos blogs de natação é o publico para os quais são produzidos, deixando nítido o objetivo final. Entre os principais temas de blogs, encontramos notícias mais recentes, dados históricos, informações técnicas ou políticas, informações para novos apaixonados pelo esporte, informações para natação master e outros. O Blog do Coach (sportv.globo.com/platb/blogdocoach/), produzido pelo editor chefe da Bestswimming e colunista da SWIM CHANNEL Alexandre Pussieldi, é o grande destaque da natação mundial. Coach Alex, assim carinhosamente

ganhou sete medalhas de ouro no Campeonato Mundial de Melbourne, tornando-se fortíssimo candidato a melhor nadador do ano. Acontece que 2007 também foi o ano dos Jogos PanAmericanos do Rio de Janeiro e o auge da performance de Thiago Pereira. O Blog do Coach promoveu campanha em favor da votação de Thiago Pereira e, para surpresa mundial, este foi eleito como o melhor nadador do mundo na escolha on-line. À exceção dos brasileiros, todos os outros países não gostaram do resultado final, mas tiverem de aceitar. Em 2008, Phelps tornou-se o atleta que mais conquistou medalhas olímpicas de ouro entre todas as modalidades esportivas e mais uma vez foi o principal candidato a melhor nadador do ano. Também em 2008, Cesar Cielo venceu os

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50m livre nos Jogos Olímpicos de Pequim para alegria da natação nacional. Como no ano anterior, o Blog do Coach liderou a campanha de votação em Cielo e, novamente para surpresa geral, um brasileiro foi considerado o melhor nadador do mundo na votação on-line. Devido ao potencial de internautas brasileiros e o “poder” de opinião do Blog do Coach, a Swimming World decidiu alterar o sistema de premiação on-line de melhor nadador da temporada.

Outros Blogs O SporTV, analisando os excelentes resultados do Blog do Coach, resolveu investir na natação, hospedando o blog em questão e também o de uma repórter muito especial: Mariana Brochado. O Blog da Mariana (sportv.globo.com/ platb/marianabrochado) apresenta linguagem direcionada para nadadores que estão se apaixonando pelo esporte e não especificamente para atletas de elite. Mariana, que foi atleta da seleção brasileira na década passada, também aborda as cinco modalidades aquáticas da Fina - natação, águas abertas, polo aquático, saltos ornamentais e nado sincronizado. Ou seja, embora ambos os blogs sejam temáticos em natação, não são concorrentes, tornando

possível a aquisição pelo SporTV. Quem procura por abordagens técnicas, a grande referência é o Blog do Tomazini (marcelotomazini.com.br/ blog/). Marcelo Tomazini é ex-atleta da seleção, técnico do Esporte Clube Pinheiros e consultor técnico da marca Finis. O blog aborda questões de técnicas de nado como grande diferencial editorial. Interessante comentar que as informações do Blog do Tomazini adaptam-se a nadadores da categoria infantil até a master. Para quem gosta de dados estatísticos e histórias da natação, o melhor blog é o Raia Quatro News (raiaquatronews.com.br). É produzido por Daniel Takata, que é também redator da SWIM CHANNEL. Os principais temas são histórias de grandes ídolos de 1896 - primeira edição de Jogos Olímpicos - até o período atual.Se o internauta busca informações de política esportiva, uma ótima leitura é o Blog do Fischer (eduardofischer.com.br/blog/). O nadador de peito, que participou dos Jogos Olímpicos de Sidney-2000 e Atenas-2004, relata diversos assuntos, mas os principais textos realmente estão direcionados à política. Especializado em águas abertas na Bahia, o blog Sou + Água (soumaisagua.blogspot.com.br/) apresenta inovações muito positivas no quesito de cobertura de eventos e linguagem séria e, ao mesmo tempo, humorística sobre 11


Mariana Brochado é produtora do SporTV e mantém um blog no canal

a natação. Palavras como “camaragua” e “até mares” são utilizadas com bastante frequência pelos blogueiros do Sou + Água. Ainda na Bahia, destacamos o blog do nadador Ricardo Serravalle (ricardoserravalle.blogspot.com.br/). Nesse espaço, o atleta de águas abertas aborda assuntos ligados à modalidade, como treinamento, notícias e formas de como se preparar para competições. O blog também conta com muitas fotos e vídeos, além de matérias sobre triatlo, outra paixão do autor. Uma curiosidade é o blog Loucos por Natação (loucospornatacao.blogspot.com.br/), produzido pela jornalista Patricia Angélica. A blogueira nunca foi nadadora, mas cultivou amor por essa modalidade e apresenta reportagens e matérias constantemente atualizadas. Na briga pelas atualizações mais rápidas da web, outro destaque é o Swim Brasil (swimbrasil.com.br/blog/) que, além de informações recentes, também trabalha o e-commerce, disponibilizando excelentes acessórios esportivos, como os da Speedo e os da Arena. Para fomentar e orientar a vasta classe de professores de Educação Física, o técnico do Davies Nadadores, Alexandre 12

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Dentre as modalidades olímpicas, os blogs nacionais direcionados à natação estão entre os melhores do mundo e ditam tendência jornalística Indiani, lançou recentemente o blog da Associação Nacional de Técnicos de Natação (antn.com.br/). O site visa unir e fomentar informações para professores de Educação Física de todo o Brasil. A família Romero faz parte da natação nacional por diversos motivos, entre eles, performance, jornalismo, comércio de material esportivo, websites e política. O destaque vai para os irmãos Julian e Rogério. Julian, que é editor chefe do site Swim It Up, um dos mais tradicionais da natação mundial, recentemente lançou o Regra da Natação (regrasdenatacao.com.br/). O blog aborda as várias dúvidas e interpretações diferentes que as regras de natação e águas abertas apresentam. Já Rogério, que atualmente também faz parte da Secretaria de Esportes e da Juventude de Minas Gerais, aborda em seu blog (colunistas.ig.com.br/ rogerioromero/) análises sobre principais eventos e atletas da natação mundial. Mesmo considerando países onde a natação tem grande destaque, como Austrália, EUA e diversos países europeus, o Brasil é uma das grandes referências mundiais em conteúdo editorial, talvez a maior. Viva a cultura aquática!

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2012,

O MUNDO VAI SE

SURPREENDER

“O Carbon Pro é um traje sensacional. Mal posso esperar para competir as olimpíadas usando ele.”

Cesar Cielo

Campeão Olímpico

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DEZ ANOS DA TRAVESSIA DOS FORTES por LUIZ LIMA

Escrevo este texto aqui mesmo no Posto 6 em Copacabana, meu local de trabalho, no ponto de largada e chegada das águas abertas nas Olimpíadas de 2016 e também no local da largada da especial Travessia dos Fortes. E nada como falar sobre as dez edições da Travessia dos Fortes. Assim como o evento é especial pra mim, tenho certeza de que também é para milhares de pessoas. Dez edições...como o tempo passa! E o tempo seguramente foi gentil com a Travessia dos Fortes e com a modalidade de águas abertas. Nestes dez anos, tivemos inclusão da modalidade nos Jogos Pan-Americanos e nos Jogos Olímpicos e aumento significativo no número de praticantes. A Travessia dos Fortes mudou meu destino de forma muito positiva. Tive a felicidade de participar de sete edições. Fiz minha estreia em 2002, na segunda edição. Foi uma ótima estreia, sendo meu primeiro grande evento de travessias. Tive boa adaptação, venci a prova e me apaixonei definitivamente pela modalidade, o que me fez integrar a Seleção Brasileira e criar o Projeto Natação no Mar e a equipe Luiz Lima Gladiadores, ambos no Posto 6. Falar de Travessia dos Fortes é falar de sucesso em todos os sentidos. O evento é disputado entre as praias de Copacabana e Leme - na verdade, é a mesma praia com aproximadamente 3.500 metros; e ainda tem a cobertura ao vivo pela TV Globo. Neste ano, tivemos 2.500 inscritos via internet em apenas trinta minutos, o que reflete a popularidade do evento e todo o potencial da modalidade em nosso país. Costumo falar que águas abertas é a nova corrida de rua. Não há e não houve em toda a história da natação brasileira uma competição tão popular e midiática como a Travessia dos Fortes. Fico emocionado quando me recordo de edições 16

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passadas, como a de 2006, em que tivemos mais de 4.000 atletas (posteriormente, o número foi reduzido por motivo de segurança). E em 2012, houve muitos atletas que não conseguiram participar. Ou seja, neste ano, foi mais difícil se inscrever para a prova do que completá-la. Eu me emociono também quando recordo a primeira edição transmitida ao vivo, em 2004. A temperatura da água estava em 16 graus, o que é muito fria. Minhas lembranças desse ano são de absoluta superação. Senti muito frio durante a prova e seguramente foi a minha vitória mais emocionante em águas abertas: a prova foi decidida na batida de mão com meu amigo Glauco Rangel; dela, também surgiu o menino Allan do Carmo, que ficou com o bronze. É também emocionante lembrar a edição de 2006, quando fui pentacampeão consecutivo da prova e meus pais, minha esposa Milene e minha filha Luiza me esperavam na areia. A Travessia dos Fortes foi e é muito especial em minha vida. Hoje, como treinador com a felicidade de ter mais de cinquenta atletas disputando a prova, me emociono de outra forma. Percebo a magnitude de um evento que ajuda a elevar a autoestima das pessoas também a felicidade de cada atleta que supera um desafio pessoal. Já são quase 11h da manhã e ainda estou aqui no quiosque do Posto 6, tomando minha água de coco e vislumbrando todo o trajeto da travessia em direção ao Pão de Açúcar. Realmente, esse evento não tinha como dar errado. Estamos apenas no começo da festa e história desse lindo evento. Quero estar presente na festa do cinquentenário e vou torcer para que o meu netinho possa assistir ao centenário da Travessia dos Fortes. Não tenho dúvida de que será cada vez mais marcante, deslumbrante e popular esse evento. Amigos, poderíamos ter falado de aspectos técnicos, mas a Travessia dos Fortes já está em outro patamar: virou poesia, magia e sonho.

LUIZ LIMA ATLETA E TÉCNICO DE MARATONAS AQUÁTICAS E PENTACAMPEÃO DA TRAVESSIA DOS FORTES

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SAÍDA DO NADO DE

COSTAS

Como melhorar e aperfeiçoar sua técnica durante a partida para as provas deste estilo

por FERNANDO VANZELLA | fotos SATIRO SODRÉ

O nado de costas tem sua saída executada de dentro da piscina e o atleta não tem visão para onde vai se deslocar. Esse talvez seja um dos primeiros desafios da saída de costas Na natação competitiva, são muitos os fatores que contribuem para boa performance. Um deles é a saída. Se pensarmos em prova de velocidade - 50m -, 30% dela são relativos à saída; na prova de 100m, 15%; e assim por diante. Quanto mais rápida a prova, a saída passa a ter papel mais importante. Dessa forma, treinar esse fundamento é necessário para o sucesso do atleta. A saída do nado de costas é sem dúvida um dos movimentos mais bonitos entre os fundamentos na natação. Exige muita agilidade e coordenação, sendo necessária prática constante tanto dentro como fora da água. O nado de costas, diferente dos outros estilos, tem sua saída executada de dentro da piscina. Ao sinal do primeiro apito do árbitro de saída, os nadadores entram na piscina e, no segundo, se posicionam de frente para o bloco de partida de costas para a piscina. A partir desse momento, o atleta não tem mais visão para onde vai se deslocar. Esse talvez seja um dos primeiros desafios da saída de costas. O nadador executa os movimentos sem ter a visão do local de entrada na piscina. Muitos jovens nadadores têm dificuldade em executar o movimento exatamente pelo receio a esse ponto. A partir de treinamento desse fundamento, o atleta vai ganhando a confiança necessária para executar o movimento de forma perfeita. Dividiremos a saída de costas em fases para entendermos melhor cada momento desse fundamento e estudarmos os detalhes para aperfeiçoamento.

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Fase 1: Posição do corpo no bloco de partida Fase 2: Reação Fase 3: Empurrão Fase 4: Voo Fase 5: Entrada na água e deslize Fase 6: Ondulação Fase 7: Break out e início do nado

Fase 1. Posição do Corpo no bloco de partida Devemos colocar um pé ao lado do outro, nos apoiando com os dedos próximos à superfície da água ou ligeiramente acima, conforme sintamos maior conforto. Os joelhos devem estar em ângulo de 90 graus (calcanhar, joelho, quadril). O tronco deve ficar ereto e a cabeça posicionada entre os braços. Ao comando do árbitro de partida, flexionamos os braços e elevamos o quadril em relação ao nível da água, mantendo o joelho na posição. Fase 2. Reação Devemos estar prontos para executar a saída. A atenção ao sinal sonoro que permite o início do movimento é nosso principal foco nessa fase. Assim que o escutarmos, iniciamos o movimento, procurando lançar a cabeça e os braços para traz e soltando as mãos do bloco de saída. Esse movimento deve ser executado com os braços ligeiramente flexionados. Fase 3. Empurrão Logo que o tronco estiver em 90 graus entre pernas e quadril, iniciamos o empurrão na parede. Nesse momento, as pernas passam da posição de 90 graus para a posição estendida. Fase 4. Voo O pé deixa a parede e nesse momento podemos enxergar um “arco” - o quadril deve subir o máximo possível. Geralmente essa é a imagem mais vista em fotos relacionadas à saída de costas, pois é uma das fases mais bonitas do movimento.

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Quanto mais rápida a prova, a saída passa a ter papel mais importante. Dessa forma, treinar esse fundamento é necessário para o sucesso do atleta

Fase 5. Entrada na água e deslize Com os braços protegendo a cabeça, na posição streamline iniciamos a entrada na água, procurando fazer com que todo o corpo entre através de um “buraco”. Ao final, as pernas executam pequena golfinhada antes que todo o corpo entre na água. Esse movimento nos auxilia a ficar na posição horizontal de maneira mais rápida, o que minimiza a resistência. Com isso, conseguimos manter boa velocidade no início do nado submerso. Fase 6. Ondulação No final da década de 80, a Federação Internacional de Natação – Fina – limitou o nado submerso a até 15 metros. A partir dessa marca, devemos iniciar o nado de costas. Isso aconteceu porque os nadadores estavam competindo a maior parte da prova embaixo da água, uma vez que o nado submerso muitas vezes é mais rápido que o nado de costas propriamente dito. Durante o movimento de ondulação, os braços devem estar sempre na posição de streamline (protegendo a cabeça); mantemos o tronco o mais imóvel possível, movimentando apenas as articulações do quadril, joelho e tornozelos. A amplitude da pernada não deve ser exagerada, procurando-se otimizar ao máximo a potência das pernas e minimizar a resistência da água. Naturalmente, o corpo inicia a subida para a superfície, não havendo necessidade de o atleta mudar a posição da cabeça ou tronco para isso acontecer. Fase 7. Break out e início do nado Essa fase acontece quando estamos próximos à superfície

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da água. Inicia-se simultaneamente a braçada e a pernada. Ao final da primeira braçada, a cabeça rompe a superfície da água, o que chamamos de break out. A cabeça deve aparecer fora da água antes de ultrapassar a distância de 15 metros permitida pela regra. Nesse movimento de transferência entre a ondulação e o início do nado, devemos manter atenção para que não tenhamos prejuízo na velocidade.

QUEM DISSE QUE RENDIMENTO E BELEZA NÃO PODEM NADAR JUNTOS?

Hoje em dia, todos esses momentos são analisados por treinadores e biomecânicos, buscando sempre diminuir o gasto energético e ganhar o máximo de tempo possível no início da prova.

Dicas para aperfeiçoar a sua saída: Faça exercícios de coordenação, agilidade e flexibilidade durante a preparação física fora da água, como por exemplo: pontes, saltos, fit ball, etc. Use a escadinha da piscina como aparelho para apoiar os pés e treinar sua saída Na fase do voo, procure olhar para o lado oposto da piscina (borda, relógio, ou qualquer material colocado no lado oposto da piscina) Coloque uma prancha ou qualquer outro material na superfície da água logo atrás dos quadris e execute a saída procurando passar por cima dela sem tocá-los.

FERNANDO VANZELLA TÉCNICO DA SELEÇÃO BRASILEIRA DE NATAÇÃO

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TREINANDO NA HORA DO

ALMOÇO

Confira algumas sugestões de alimentos ideais para consumir durante seu treinamento bem no meio do dia por RENÊ ALMEIDA LEITE | foto: REPRODUÇÃO

Não é fácil encontrar a alimentação ideal para esse período, visto que é necessário intensidade no treinamento e pouco depois voltar ao trabalho

Devido a correria do dia a dia, os horários para as práticas de exercícios estão cada vez mais diferentes. No caso da natação, é fato que a grande maioria realiza seus treinos no período matinal - antes do expediente de trabalho - ou no período noturno - após o término do expediente. Uma alternativa, que não é nova, mas vem crescendo bastante, é a prática de atividades durante o período de almoço, principalmente para os que dispõem de uma hora e meia ou duas horas de intervalo. Contudo, não é fácil encontrar a alimentação ideal para esse período, visto que é necessário intensidade no treinamento e, poucos minutos depois, estar praticamente “novo em folha” para a segunda jornada de trabalho. O que não pode acontecer é deixar de almoçar para treinar e, após o treino, comer “qualquer coisa” em vez de fazer uma boa refeição.

Para que a atividade física tenha realmente efeito, é necessário que tenhamos alimentação saudável e bem balanceada. Portanto, assim que terminar de treinar, é extremamente importante se alimentar da maneira certa ou o mais próximo da correta. Desta forma, para que nosso corpo desenvolva todo o esforço da atividade, é necessário que tenha energia suficiente para tal tarefa. O carboidrato é responsável pela oferta de energia e, durante o exercício, é muito consumido. Assim, é necessário repô-lo para manter a qualidade da atividade e intensidade aplicada, reposição que deve ser receitada por um profissional A melhor opção que temos no mercado hoje é a maltodextrina. Para quem vai treinar, é importante consumir alimentos que sejam fontes de carboidratos, como por exemplo:

Frutas Frutas desidratadas Biscoitos integrais (como os cookies) Sucos de frutas E logo após o treinamento pode-se alimentar de duas opções: Lanche Natural ou Refeição normal (com macarrão ou pudres: batata, mandioca, mandioquinha) Portanto, continue com seu treinamento no horário do almoço, mas não descuide nunca da alimentação. Estar bem alimentado é essencial para manter o bom andamento dos treinos. RENÊ ALMEIDA LEITE NUTRICIONISTA E ESPECIALISTA EM FISIOLOGIA E BIOMECÂNICA DO EXERCÍCIO

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Árbitros brasileiros nos Jogos de Londres

MINHA PRIMEIRA

OLIMPÍADA

Ricardo Ratto e Daniel Schneider serão os árbitros brasileiros respectivamente nas águas abertas e natação nos Jogos Olímpicos de Londres

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por GUILHERME FREITAS | fotos: SATIRO SODRÉ & DIVULGAÇÃO

Os atletas brasileiros de natação e águas abertas para os Jogos Olímpicos ainda não foram definidos, mas os árbitros já. E dois deles participarão de uma Olimpíada pela primeira vez em suas carreiras. Ricardo Ratto será o representante do Brasil para as provas de águas abertas e Daniel Schneider, o da natação. Ambos compõem há anos o quadro oficial da Federação Internacional de Natação – Fina – e são reconhecidos como autoridades na arbitragem nacional. Ex-nadador e jogador de polo aquático na juventude, Ratto participa de diversas competições durante o ano entre eventos nacionais e internacionais. Arbitrou sua primeira competição em águas abertas há quase vinte anos e sem nenhum curso específico para a função. Hoje é o principal nome da arbitragem no país e foi escolhido pela Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos – CBDA – para ministrar cursos de formação de árbitros para águas abertas.

Atualmente também trabalha para o outro lado, treinando a nadadora Mariana Mello, que disputa etapas do Grand Prix da Fina, em que as provas do circuito são superiores às distâncias de 15 km. Argentino de nascimento, Schneider mudou-se com a família para o Brasil ainda criança. Formou-se em Educação Física pela faculdade de Santo André em 1986 e, no ano anterior, iniciou carreira de árbitro de natação, participando de eventos no estado de São Paulo. Em 1998, assumiu a presidência da Comissão de Arbitragem da Federação Aquática Paulista – FAP –, cargo que ocupa até hoje. Também é professor da escola Mater et Magistra; foi nomeado árbitro internacional pela Fina em 2007. Desde então, esteve em campeonatos mundiais e agora se prepara para sua primeira Olimpíada. A SWIM CHANNEL conversou com eles e você confere essa entrevista agora. 25


E!

NOVIDAD

SWIM CHANNEL Vocês são árbitros oficiais e também pertencem ao corpo de arbitragem da Fina há muitos anos. Como foi o início da carreira e por que decidiram se tornar árbitros? RICARDO RATTO Sempre gostei de esportes. Quando era mais jovem, nadei muitas travessias e joguei polo aquático. Cursei Educação Física e dava aulas de natação e de Educação Física em pré-escola onde também estudavam os netos do Dr. Luis Sodré, sócio-fundador da Luarsa – órgão que organiza competições no Rio de Janeiro. O Dr. Sodré era campeão brasileiro master de natação e havia vários atletas em sua família. Certo dia, me convidou para trabalhar no staff de uma travessia de 25 km, uma seletiva para um Campeonato Mundial da Fina. Naquele evento, trabalhei como juiz de volta e não tinha nenhum curso ou preparação específica. Em 1998, fui convocado para trabalhar em uma prova da Fina na Praia de Copacabana e inovei ao colocar boias nas posições corretas, fotografando o nível da água para simular a visão que o nadador teria dentro d’água e ver quais seriam os pontos de referência. O delegado da Fina gostou e conversou comigo. Meses depois, entrei para lista oficial da entidade.

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AS ESTRELAS AQUÁTICAS ESTÃO ONLINE! Que alegria! A revista FINA Aquatics World Magazine já está disponível em formato eletrônico! Visite o site da FINA (www.fina.org) e faça o download da edição para o seu computador, tablet ou smartphone. Quer poupar dinheiro? As melhores reportagens de natação, saltos ornamentais, pólo aquático, nado sincronizado e águas abertas estão disponíveis em apenas um clique. Vista do Centro Aquático dos Jogos Olímpicos de Londres

DANIEL SCHNEIDER Iniciei na arbitragem de natação em 1985 na antiga Federação Paulista de Natação, hoje FAP. Na época, por causa da faculdade, tive de fazer um estágio de

decisões devem ser tomadas rapidamente, sem titubeios, já que a segurança dos nadadores vem em primeiro lugar. Se necessário, temos de interromper uma prova ou não autorizar uma largada. E essas são medidas muito impopulares, mas nunca tremi para decidir. SCHNEIDER De fato, a exposição do árbitro de natação é menor se comparada ao de outras modalidades, mas procuro estar sempre concentrado e deixar preparados todos os

dinheiro e trabalho árduo de atletas e técnicos. O árbitro de águas abertas, assim como o de futebol ou o de polo aquático, deve ter a prova nas mãos. Se perder o controle, a pancadaria pode se instalar. Temos de estar posicionados e de olho o tempo todo no pelotão da frente, onde estão os que decidem a prova. Os demais árbitros ficam com os pelotões de trás. A imparcialidade é fundamental. SCHNEIDER Saber as regras, estar sempre atento,

vinte horas em competições de natação. Acabei gostando da experiência e, desde então, atuo como árbitro. Em 2007, fui nomeado árbitro internacional pela Fina e tornei-me apto para arbitrar grandes eventos internacionais.

detalhes antes do início de cada etapa, como piscina, corpo de arbitragem, infraestrutura local etc. Isso ajuda a evitar erros e problemas entre atletas e técnicos com a arbitragem. Como árbitro-geral, procuro passar tranquilidade aos demais.

SC Normalmente, as pessoas prestam muito mais atenção nos atletas dentro d’água do que na arbitragem, diferentemente do futebol ou polo aquático, por exemplo, em que o juiz está constantemente exposto. Em que situação há pressão sobre vocês? RATTO Como você bem disse, nossa exposição é bem menor nas maratonas aquáticas. Mas se errarmos, vamos aparecer muito mais do que os nadadores, pois são vidas que estão em jogo num ambiente que não podemos controlar. As

SC As águas abertas é um esporte em que o contato físico é muito comum; é preciso estar sempre observando a movimentação dos nadadores. Já na natação, o árbitro precisa estar sempre atento aos movimentos dos atletas nas viradas e saídas de revezamento, por exemplo. Quais são os principais cuidados que um árbitro deve tomar durante as competições? RATTO Se deixamos de desclassificar um nadador e outro é prejudicado, você nem imagina o problema, pois envolve

posicionar-se bem e ter ética. Estas são as principais virtudes e cuidados que um árbitro de natação precisa ter. Também é sempre difícil falar sobre desclassificações, porque todas geram certo stress. O que normalmente percebemos é que uma desclassificação pode alterar um pódio, por exemplo. Nesses casos, existe uma pressão maior ainda.

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SC De quantas competições vocês participam em média ao longo de um ano? RATTO No passado, eu arbitrava quase todas as etapas do Campeonato Brasileiro, mais algumas provas locais. Hoje participo de uma média de dezoito provas por ano. Hoje, temos mais árbitros nos estados, muitos formados por mim, e alguns deles já com o título de internacionais. O presidente

A FINA Aquatics World Magazine é um tesouro de informações, notícias, opiniões e perfis das federações internacionais e das cinco modalidades aquáticas ao redor do mundo. A versão impressa é constantemente elogiada pela sua alta qualidade e pelo benefício que contempla a comunidade aquática em todo o planeta. A revista com 124 páginas é 100% colorida, sendo publicada seis vezes ao ano, de dois em dois meses.

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Ricardo Ratto e Daniel Schneider compþem hå anos o quadro oficial da Fina e são reconhecidos como autoridades na arbitragem nacional. da CBDA, Coaracy Nunes, me pediu para ministrar clínicas de arbitragem em todo o Brasil tambÊm. SCHNEIDER Aproximadamente 35 competiçþes, alÊm dos cursos de arbitragem. E o nível dos eventos vem melhorando a cada dia, principalmente pela evolução dos nossos atletas. SC Os Jogos Olímpicos de Londres estão se aproximando e vocês são os únicos brasileiros em suas respectivas modalidades. Como estå a expectativa para esse grande evento? RATTO AlÊm de ser o único brasileiro na modalidade, sou o único representante de todo o continente americano porque, devido a regra, serå apenas um årbitro por continente. Quando soube que iria à Olimpíada, quase nem acreditei. É o sonho de todo atleta, tÊcnico e årbitro. Agora estou me preparando para Londres. Jå posso morrer feliz (risos). SCHNEIDER Estou um pouco ansioso e preocupado tambÊm (risos). Quero representar muito bem a arbitragem brasileira e o país em Londres. SC Para ser årbitro Ê preciso passar por curso pråtico e teórico. O que o candidato precisa fazer para conseguir participar de competiçþes? RATTO Primeiro, deve procurar a federação estadual e se informar sobre possíveis cursos de arbitragem de maratonas no estado. Caso não haja previsão, o interessado precisa pedir

O ĂĄrbitro Daniel Schneider durante o Mundial Junior do MĂŠxico em 2008

ao presidente ou secretårio de federação uma autorização para realizar o curso em outro estado. Obedecemos a uma federação e confederação e elas investem em nós. Não Ê justo sair por aí arbitrando provas não oficiais, sem autorização. A Êtica tem de ser uma das qualidades de qualquer årbitro. SCHNEIDER Aqui em São Paulo, a FAP realiza cursos todos os anos em vårias cidades do estado e tambÊm recicla os årbitros antigos para que possam atuar novamente. Existe prova teórica e estågios a serem feitos tambÊm. Com isso, a qualidade dos årbitros tem melhorado ano após ano. Mas não podemos nos acomodar, precisamos sempre estar atualizados com as regras da Fina. SC Jå se imaginam participando dos Jogos Olímpicos do Rio2016? Qual seria o sentimento de arbitrar o evento esportivo mais importante do mundo em casa? RATTO Sim, jå me imagino. E penso depois disso atÊ em me aposentar. O que poderia esperar mais da minha carreira? Aliås, isso não Ê carreira, Ê um sonho! Se puder, gostaria de desempenhar a mesma função que tive nos Jogos PanAmericanos em 2007: diretor de arbitragem e årbitro-geral de uma das provas. SCHNEIDER Vamos com calma, Guilherme (risos). Vou dar um passo de cada vez. No momento, não estou pensando nisso; estou mais focado em Londres.

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SWIM CHANNEL

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por DANIEL TAKATA | fotos : PATRICK WINKLER & DIVULGAÇÃO

No mundo da natação competitiva, existe algo mais difícil que chegar ao pódio olímpico? Uma medalha conquista-se com performance, mas há um tipo de reconhecimento a uma carreira cujo tributo é realmente merecido. E é um prêmio restrito: a indicação para o Hall da Fama Internacional da Natação (em inglês, International Swimming Hall Of Fame). É o panteão da natação. Para um esportista aquático, é o equivalente a ter seu nome registrado na calçada da fama de Hollywood.

HALL FAME OF

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SWIM CHANNEL

Panteão da natação abriga a história desse esporte e imortaliza seus maiores nomes. E o Brasil está muito bem representado 31


Os primeiros óculos de natação feitos em vibra de bambu desenvolvidos por Duke Kahanamoku

Painel comemorativo dos Jogos Olímpicos de Pequim-2008

A biblioteca do local é a maior do mundo relacionada aos esportes

O complexo do Hall da Fama engloba um museu com exibições

aquáticos, com registros escritos e digitalizados de quatro séculos

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SWIM CHANNEL

No final do ano passado, a comunidade aquática brasileira recebeu com honra e alegria a notícia de que Gustavo Borges terá seu nome imortalizado, em cerimônia no dia 12 de maio. “Uma honra para qualquer nadador, estar ao lado dos ícones do nosso esporte, como Matt Biondi, Mark Spitz, entre outros grandes da natação”, manifestou-se Gustavo por meio de seu twitter quando soube da indicação. O feito é particularmente significante, pois, antes dele, Maria Lenk era o único nome brasileiro a figurar na galeria imortal. “Os resultados obtidos são um dos critérios para a escolha; outros passam pelo legado para o esporte de maneira geral”, disse Gustavo para a SWIM CHANNEL. “Para minha indicação, acho que uma série de ações das quais faço ou fiz parte foi levada em conta.” O Hall da Fama da Natação não abrange águas abertas; para esse tipo de atividade, existe o Hall da Fama Internacional de Maratonas Aquáticas, que funciona no mesmo complexo. Os critérios de indicação são um pouco diferentes, mas os nomes que lá estão indiscutivelmente também fizeram a história do esporte. O Brasil se faz presente com Abílio Couto e Igor de Souza (veja matéria na edição 6 da SWIM CHANNEL).

permanentes e temporárias, um vasto acervo de acessórios históricos e uma piscina olímpica onde ocorrem competições

UM POUCO DE HISTÓRIA Em 1962, a União de Atletas Amadores dos Estados Unidos (AAU), a partir de comitê liderado pelo então presidente da Federação Internacional de Natação – Fina, R. Max Ritter, lançou a ideia da criação do Hall da Fama da Natação. Fort Lauderdale, na Flórida, foi escolhida para sediar o projeto. No mesmo ano, iniciaram-se as construções que terminaram em 1965. No dia 27 de dezembro, o complexo do Hall da Fama da Natação, que incluía piscina de 50 metros, era inaugurado. O evento, com inclusive competição de natação, foi transmitido em rede nacional pela CBS. Durante os Jogos Olímpicos de 1968, em congresso da Fina, o projeto tornou-se o primeiro hall da fama esportivo oficialmente reconhecido no mundo. Em particular nos Estados Unidos, o conceito já era difundido com o Hall da Fama do Beisebol tendo surgido na década de 30. De acordo com a própria instituição, sua missão é “promover os benefícios e a importância da natação como chave para a boa forma, boa saúde, qualidade de vida e segurança das crianças”, partindo do reconhecimento de

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grandes atletas que “servem para inspirar, educar e servir de modelo.” Para tanto, a cada ano, uma lista de nomes é imortalizada. São nadadores, saltadores, jogadores de polo aquático e atletas de nado sincronizado, além de técnicos e nomes que colaboraram com o desenvolvimento dos esportes aquáticos, entre jornalistas, dirigentes etc. Para que um nome seja admitido, passa por criteriosa análise pelo quadro da instituição. A primeira lista foi elaborada já no primeiro ano, em 1965, e contava com alguns dos maiores atletas de todos os tempos, como os americanos Johnny Weissmuller, também famoso por interpretar Tarzã no cinema, e Duke Kahanamoku, campeão olímpico e popularizador do surfe, e da australiana Dawn Fraser, tida como a maior nadadora da história.

Bonecos de cera de dois mitos da natação: Johnny Weissmuller e Duke Kahanamoku.

HONRA PARA POUCOS Os atletas indicados devem ter deixado o esporte pelo menos quatro anos antes de ter o nome figurado na lista. Isso explica porque o nome de Michael Phelps, já considerado por muitos o maior nadador da história, não figura lá. Por outro lado, estrelas que deixaram o esporte recentemente, como o russo Alexander Popov, a holandesa Inge de Bruijn e a australiana Susan O'Neill (veja entrevista com seu ex-técnico Scott Volkers na edição 6), já tiveram seus nomes imortalizados. O australiano Ian Thorpe, apesar de estar em atividade, teve seu nome indicado ao Hall da Fama durante seu período de aposentadoria. Em uma passada rápida pela lista dos nominados, é possível encontrar os maiores nadadores da história. Por outro lado, não basta ser medalhista ou vencedor olímpico. É preciso que o atleta sirva de inspiração. Muitos nadadores 34

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que venceram uma Olimpíada não aparecem. Por outro lado, Gustavo Borges não tem medalha de ouro, mas brilhou em quatro Olimpíadas, além de em vários campeonatos internacionais, influenciando e inspirando gerações. Uma curiosidade: Jon Urbanchek, técnico de Gustavo na Universidade de Michigan de 1992 a 1995, teve seu nome indicado ao Hall da Fama em 2009. O complexo em Fort Lauderdale engloba um museu com exibições permanentes e temporárias, representando a maior coleção de itens históricos relacionados aos esportes aquáticos. A história da natação é contada não somente pelo registro dos acontecimentos, mas também pela exposição de objetos que ajudaram a construir essa história. Estão lá, por exemplo, diversas medalhas olímpicas, como todas as conquistadas por Johnny Weissmuller. Vídeos relacionados aos atletas imortalizados também podem ser vistos. A biblioteca é a maior do mundo relacionada a esportes

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aquáticos, com registros escritos e digitalizados de quatro séculos, bem como livros e revistas, desde os mais atuais até raridades do século passado. Em suma, a história da natação não somente passa pelo Hall da Fama, como também é construída e registrada nele. Ter o nome lá gravado é uma das maiores honras para um atleta. Quando esse atleta é o principal nome da lista de indicados, certamente tem algo de diferente. Entre os nomes que serão condecorados no dia 12 de maio, há cinco campeões olímpicos, como os ex-nadadores Domenico

Fioravanti (Itália) e Jozsef Szabo (Hungria). Mas, acima deles, está um brasileiro. De acordo com comunicado do próprio Hall da Fama, “a lista de indicados é encabeçada por Gustavo Borges, do Brasil”. Mesmo longe das piscinas, ele continua orgulhando nosso esporte. Mais informações: International Swimming Hall Of Fame Endereço: One Hall of Fame Drive, Ft. Lauderdale, FL 33316, USA Site oficial: ishof.org/

Mark Spitz, o nadador mais condecorado do Hall da Fama, posa com suas sete medalhas dos Jogos de Munique-1972

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LUZ,

CÂMERA, AÇÃO!

Câmeras podem ser o principal auxilio na evolução da técnica de nado

por WLAD VEIGA | fotos: SATIRO SODRÉ

O nadador necessita de subsídios práticos e efetivos para corrigir seus movimentos na água e filmagem aquática é a forma mais rápida de se conseguir isso

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SWIM CHANNEL

A análise a partir de vídeo de atletas, especialmente

A filmagem é o meio rápido e efetivo de corrigir o

no visor subaquático da piscina da AABB de São Paulo e via

nadadores, tornaram-se uma das ferramentas mais práticas nos dias de hoje por treinadores. O nadador necessita de subsídios práticos e efetivos para corrigir seus movimentos na água e a avaliação de sua técnica de nado juntamente com seu treinador é a forma mais rápida de se conseguir isso. O nadador executa semanalmente milhares de braçadas em seu treinamento, acarretando mecanização de gestos motores. Aliado a isto, não consegue ver o que está executando em partes de seu nado, como, por exemplo, na fase aquática do estilo costas ou na fase aérea do estilo borboleta. Esse gesto motor vai se tornando mecânico e, com o passar do tempo, um detalhe técnico errado é fator de diminuição ou de, principalmente, impedimento de desempenho.

problema. Vem sendo utilizada há décadas, porém, um dos grandes marcos da real introdução foi quando James “Doc” Coulsiman, um dos maiores treinadores e pesquisadores da natação mundial, utilizou-a com seus atletas na sua tese de mestrado. Na realidade, Coulsiman não filmou e, sim, fotografou seus nadadores embaixo d’água em piscina totalmente escura, onde adaptou uma pequena lâmpada estroboscópica. Disparando a máquina fotográfica, que ficou com o obturador aberto, conseguiu verificar a trajetória do traço de luz gravado na foto. Com isto, conseguiu avaliar por si mesmo a utilização do Princípio de Bernoulli na natação de forma prática, rápida e com baixo custo. Como treinador, cheguei a realizar filmagens há quase vinte anos utilizando câmera VHS. Deixava-a ligada apontada

as imagens em tempo real, por pequena TV preto-e-branco e um monte de fios por toda a piscina. Um meio um tanto arcaico, porém, funcional para a época. Nos últimos anos, tem se dado muito valor ao aumento da força na natação com exercícios de força específicos para água - nos quais se usam acessórios como paraquedas, extensores e outros - e recrutamento de força fora d’água como levantamento olímpico, por exemplo. Entretanto, o maior ganho em velocidade está na diminuição do arrasto e melhoria de força por técnica correta de nado. Neste caso, o objetivo pode ser alcançado com paciência na execução de educativos e na visualização da técnica de nado em filmagens. Atualmente, a tecnologia de filmagem apresenta fácil acesso a qualquer treinador. Existem todos os tipos de 39


Existem câmeras mais adaptadas para a natação, como a Aquacam, Swim-Pro ou a Swim Cam, esta última sendo muito utilizada pelos técnicos, devido sua alta definição equipamentos para uso dentro e fora d’água. Temos câmeras de baixo custo de filmagem em ultraslow que permitem correção precisa de saídas ou viradas; ainda, transfere-se rapidamente para um notebook e, com software de análise – o Dartfish, por exemplo -, produzi-se abrangente e minucioso estudo da técnica de nado do atleta. Entre os principais benefícios das filmagens, encontram-se: – Entendimento visual (quando o atleta verifica seu erro na filmagem) - Memória visual (produz memorização do gesto motor que se deve executar) - Memória motora (repete-se o gesto inúmeras vezes nos educativos ou nos nados técnicos para mecanização correta) Quantos de nós já jogamos golfe? Ou mesmo beisebol? Contudo, se nos for dado um taco de golfe ou um bastão de beisebol, conseguiremos facilmente imitar o gesto motor da 40

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jogada. Isso se chama memória visual. Logicamente, como não temos o movimento treinado - memória motora -, não teremos precisão ou mesmo força em nossa jogada. Isso é o mesmo na natação: quanto mais o atleta tem acesso a filmagens, quanto mais consegue ver o que está executando, mais facilmente conseguirá a correção de seu movimento. O treinador não precisa muitas vezes, nem mesmo dos softwares de avaliação biomecânica. Qualquer programa de visualização de vídeo - Windows Media Player, por exemplo – pode, em segundos, ser utilizado para que o atleta observe o eventual erro que está executando e ver como corrigi-lo. Claro, existem câmeras mais adaptadas para a natação, como a Aquacam, Swim-Pro ou a Swim Cam. Esta última é a que utilizo em meus treinamentos, alcançando todos os ângulos da braçada do nadador, registrando rapidamente em alta definição. Qualquer treinador pode então mostrar as imagens para o atleta na própria piscina, ou transferir para o notebook. Práticas e acessíveis a qualquer professor de natação, as câmeras auxiliam nadadores de qualquer nível e não exclusivamente atletas de elite. Sempre opto pelo trabalho científico, porém, prático, sendo que a filmagem tornou-se aliada dentro do programa de treinamento que aplico pelo fato de trazer embasamento teórico, como os de Bernoulli e de Newton, para a borda da piscina. WLAD VEIGA PÓS-GRADUADO EM FISIOLOGIA DO ESFORÇO, TÉCNICO DA SELEÇÃO BRASILEIRA E DO SPORT CLUB CORINTHIANS PAULISTA

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MUNDIAL NO

MEDITERRÂNEO A pequena e bela cidade de Riccione, localizada na costa do Mar Adriático, será palco do 14º Campeonato Mundial Master de Desportos Aquáticos

por GUILHERME FREITAS | fotos: ORGANIZAÇÃO DO EVENTO

O Mundial de Riccione terá uma curiosidade nas provas de natação. Elas ocorrerão simultaneamente em duas piscinas de 50 metros: uma coberta e outra descoberta

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Se os institutos climáticos já preveem muito calor para a Europa durante junho e agosto, o verão europeu promete ser ainda mais quente este ano. Afinal, será realizada na cidade italiana de Riccione a 14ª edição do Campeonato Mundial Master de Desportos Aquáticos, evento que engloba as cinco modalidades aquáticas – natação, águas abertas, polo aquático, nado sincronizado e saltos ornamentais - e é organizado pela Federação Internacional de Natação – Fina. Essa será a segunda vez que Riccione sedia a competição. A primeira foi em 2004. O Mundial Master será disputado durante os dias 3 e 17 de junho, na Polisportiva Comunale Riccione, associação esportiva que conta com mais de oito mil sócios e onde há um enorme complexo esportivo, com piscinas, quadras e campo de futebol. O local também foi o palco da seletiva olímpica da seleção italiana de natação para os Jogos de

Londres. As provas de natação ocorrem do dia 10 a 16 de junho. Já a maratona aquática será disputada no dia 17.

O nadador Paulo Motta disputou a competição há oito anos e lembra que o evento também ocorreu nas

Como sempre ocorre em competições internacionais da categoria master, os dez primeiros colocados em cada faixa etária serão premiados com medalhas. As categorias se dividem de cinco em cinco anos, a partir dos 25, idade mínima para um nadador tornar-se atleta master. Apenas não serão disputadas provas na distância de 1500m livre individual e 4x100m livre, 4x100m medley e 4x200m livre nos revezamentos. O Mundial de Riccione terá uma curiosidade nas provas de natação. Elas ocorrerão simultaneamente em duas piscinas de 50 metros: uma coberta e outra fechada. Elas serão utilizadas em dias alternados por homens e mulheres. A exceção será na etapa reservada para revezamentos, em que apenas a piscina coberta será utilizada.

duas piscinas simultaneamente. “Não há tanta diferença entre elas porque estamos acostumados a nadar tanto em piscinas fechadas como abertas. Além disso, os blocos eram iguais nas duas”, conta o atleta que, na ocasião, foi medalha de bronze nos 200m borboleta. As provas de águas abertas terão a distância de 3 km para todas as faixas etárias e serão disputadas na Praia de Riccione, local considerado como um dos mais bonitos da costa italiana (veja mais informações sobre a cidade na página 46). Segundo a organização do evento, a temperatura média da água deverá estar em torno de 23º C. O tempo limite para completar a maratona será de 90 minutos e o uso de wetsuits está liberado.

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Vista da piscina coberta do Mundial Master

O BRASIL EM MUNDIAIS MASTERS Acostumado a conquistar medalhas e recordes mundiais em eventos masters, o Brasil também já sediou um Mundial da categoria - em 1990 -, na cidade do Rio de Janeiro. Na última edição realizada em Gotemburgo, na Suécia, no ano de 2010, o Brasil teve bons resultados, com destaque para Marcus Mattioli, que ganhou seis medalhas de ouro e quebrou três recordes mundiais; e Djan Madruga, que também subiu seis vezes ao pódio. Ao todo, foram 62 medalhas conquistadas e quatro recordes mundiais superados pelos atletas brasileiros nas provas de natação e mais duas medalhas nas águas abertas. Motta, que também tem uma travessia no Canal Mancha em seu vitorioso currículo, afirma que o clima entre os mais de mil nadadores masters que disputam o Mundial é de amizade durante o evento. “Todos participam de uma confraternização durante o campeonato em uma hora ou outra. É um clima de camaradagem, bastante alegre e que contagia todos os presentes”, finaliza o nadador. 44

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PROGRAMAÇÃO DO EVENTO

10/06

800m livre (M/F)

11/06

200m costas (M/F), 100m livre (M/F) e 100m peito (M/F)

12/06

400m medley (M/F), 200m livre (M/F) e 50m borboleta (M/F)

13/06

50m livre (M/F), 200m medley (M/F), 100m borboleta (M/F) e 50m peito (M/F)

14/06

Revezamento 4x50m medley misto, revezamento 4x50m livre misto, revezamento 4x50 livre

15/06

200m peito (M/F), 100m costas (M/F) e 200m borboleta (M/F)

16/06

50m costas (M/F) e 400m livre (M/F)

17/06

Maratona aquática de 3 km (M/F)

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Palmar Elite Hammerhead As provas de águas abertas terão a distância de 3 km para todas as faixas etárias e serão disputadas na Praia de Riccione, um dos locais mais bonitos da costa italiana

a cidade “PÉROLA VERDE DO ADRIÁTICO”

Hotel Cristallo Riccione

Este é o apelido que Riccione, uma comuna italiana - unidade básica de organização territorial, equivalente a município no Brasil - recebeu devido suas belezas naturais na costa do Mar Adriático. Com pouco mais de 30 mil habitantes e localizada próximo a Rimini, a cidade é um dos principais destinos turísticos do verão italiano. E agora, a SWIM CHANNEL apresenta algumas opções para vocês.

hotelcristalloriccione.it

Para começar o dia, é recomendada uma breve caminhada ao longo da linda costa adriática, observando o mar e as praias da pequena cidade. A população de Riccione é apaixonada por esportes e, nas praias, é muito comum ver pessoas praticando windsurf, surf e vôlei, além de passeios em pedalinho.

Hotel Alexandre Plaza

As possibilidades de entretenimento e lazer são muitas e agradam a todo tipo de turista, de baladas e festas concorridas até passeios pelas pacatas e estreitas ruas da cidade, onde o silêncio se faz presente. Outra marca registrada é a gastronomia. Em Riccione, os frutos-do-mar são os pratos mais famosos e solicitados pelos turistas. No verão, época do Mundial Master, é possível jantar ao ar livre num terraço à beira-mar ou em um jardim, apreciando o clima da cidade. E para quem planeja comprar alguma coisa, já vá preparando a carteira, pois a cidade conta com lojas das famosas grifes italianas.

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hotéis

SWIM CHANNEL

R$

40,00

Localizado no centro de Riccione e à cerca de 2 km do parque aquático, o hotel quatro estrelas tem quartos confortáveis, todos com vista panorâmica para a cidade. Também conta com duas grandes salas de reunião e um restaurante especializado em comidas típicas italianas, com vasto acervo de vinhos

alexandraplaza.it/index.php Hotel quatro estrelas, conta com quartos espaçosos, suítes e grande restaurante. Conta com uma bela vista para o Mar Adriático e também está localizado próximo ao centro da cidade. Para se chegar à piscina, cerca de 2 km do hotel, o hóspede pode pegar bicicletas disponíveis, sem custos, na recepção

Hotel Michelangelo Riccione michelangeloriccione.it/ A menos de 2 km do parque aquático e à beira do Mar Adriático, o quatro estrelas conta com quartos elegantes, além de ar-condicionado, cofre e internet wifi. O restaurante oferece refeições típicas, comida vegetariana e vasta variedade de vinhos italianos. Oferece piscina, sauna e área para massagem

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DIREITO ESPORTIVO

Entenda melhor como atletas podem evitar problemas jurídicos fora das piscinas

por PATRICK WINKLER | fotos: REPRODUÇÃO

Com o crescimento e evolução do esporte, tanto no Brasil quanto no mundo, as especializações cada vez mais se tornam importantes para todos os envolvidos no segmento. O Direito Esportivo ainda é um nicho pequeno em nosso país, mas tem fundamental importância em diversas ocasiões. Alan Pessotti foi atleta da seleção brasileira de natação por quase dez anos, sendo um dos grandes responsáveis pela nítida evolução do nado peito. Atualmente, é o representante oficial da marca esportiva Diana na América do Sul e advogado especializado em Direito Esportivo. Alan informa nas questões abaixo os grandes diferenciais desse tema. Confira: SWIM CHANNEL Qual a importância do Direito Esportivo nas modalidades desportivas aquáticas? ALAN PESSOTTI Os esportes aquáticos têm crescido em importância financeira no cenário nacional; são grandes eventos, maiores salários pagos aos atletas, patrocinadores utilizando imagens, incentivos fiscais e patrocínios públicos para federações. Isso faz que grandes montantes de dinheiro sejam movimentados e que todos devam se resguardar, pois os prejuízos também crescerão em casos de má gestão de carreiras, contratos e prestação de contas. Mas o Direito Esportivo não se atém a atletas de alto nível; todos estão sujeitos às regras do esporte e às Leis. Por exemplo, por mais amador que seja o atleta, sua imagem é 48

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sua propriedade. Mas o Direito Esportivo deve ser usado em conjunto com outras especialidades, como o Direito Civil para contratos de patrocínios, Direito Penal para nortear comportamento e Direito Trabalhista para reger relações profissionais com os clubes. SC Os atletas devem consultar um advogado especializado quando assinam contrato com clube ou patrocinador? É importante que um advogado especializado em esportes faça parte de clubes e empresas patrocinadoras? PESSOTTI Ambas as partes devem procurar um advogado especializado; a segurança jurídica de contratos bem feitos fará somente bem para todos e evitará desgastes futuros. Os contratos de imagem pouco variam juridicamente em relação a contratos de artistas, por exemplo, mas devem ser observadas algumas nuances, como participação em eventos previamente acordada para não prejudicar treinamentos ou, enquanto a serviço da Seleção Brasileira, o atleta não pode ser obrigado a usar a marca do patrocinador se a seleção o obriga a usar outra. Por outro lado, contratos profissionais entre clubes e atletas são muitíssimo diferentes de contratos de um trabalhador comum. Quanto à necessidade de ter advogado especialista contratado, isso dependerá da frequência com que assinam tais contratos: se forem muito esporádicos, vale a pena contratar consultas avulsas, mas para serviços permanentes, um advogado é absolutamente necessário nos grandes clubes.

SC Existem direitos de atleta profissional no Brasil? Os de nadadores são iguais aos de jogadores de futebol? PESSOTTI Os atletas profissionais dos esportes olímpicos são regidos pela Lei Pelé, e pela CLT naqueles direitos que a Lei Pelé não for específica. Os direitos e deveres dos nadadores durante o período de contrato são basicamente os mesmos direitos dos jogadores de futebol profissional. O que muda é a duração do contrato que, dos jogadores, é sempre por tempo determinado e, dos nadadores, normalmente por tempo indeterminado. Além disso, a existência de altas multas rescisórias no futebol, se existissem na natação, seriam ilegais, pois a rescisão contratual de um nadador se dá como a de qualquer trabalhador. SC Em casos específico como o doping ou agressão dentro da arena esportiva, por exemplo, seria aconselhável recorrer a advogado especializado em esporte? PESSOTTI Quanto ao doping, é de suma importância a participação de advogado especializado no processo, pois hoje em dia o atleta não é mais responsável automaticamente por aquilo que ingere, como era há alguns anos. Um bom advogado pode ajudar a inocentar o atleta, mesmo se culpado, pois agora são admitidos todos os tipos de prova. Sobre agressões, os atletas, técnicos, dirigentes e pais precisam entender que a atividade esportiva está sujeita às Leis como qualquer outra e não apenas às regras do esporte. Por exemplo, sempre escutamos pessoas falarem que certo atleta está atingindo bons resultados graças ao doping. Isso é crime de difamação, assim como também insinuar que um árbitro é desonesto. Na própria atividade atlética, também poderá haver crime se o atleta agir dolosamente contra as regras do esporte: se um jogador de pólo aquático eventualmente dá uma cotovelada em um adversário e quebra seu nariz, está sujeito a ser condenado criminalmente. Considero que cabe aos agredidos denunciarem às autoridades competentes os delitos acontecidos. Isso fará com que o ambiente esportivo seja, de fato, mais saudável.


ENTRE OS

GRANDES,

O PRIMEIRO

Nenhum nadador brasileiro tem tão numerosas conquistas quanto Gustavo Borges. Sem ele, provavelmente as da atual geração também não existiriam por DANIEL TAKATA | fotos: SATIRO SODRÉ

Uma lista dos quatro principais nomes da natação brasileira não deve ser muito diferente de Maria Lenk, Ricardo Prado, Gustavo Borges e Cesar Cielo. Sem eles, a natação nacional certamente seria outra. Talvez o maior exemplo disso seja Gustavo Borges, influenciando gerações futuras e absorvendo o que os mais velhos tinham a oferecer. Conhecer sua carreira é indispensável para compreender o momento atual da natação brasileira. Nascido em Ribeirão Preto, em 1972, sempre foi incentivado pelos pais à prática de esportes. Logo tomou gosto pela natação. Sua primeira medalha foi conquistada em 1984, em uma competição para nadadores nãofederados. Naquele mesmo ano, Ricardo Prado conquistou a medalha de prata olímpica nos 400m medley. Foi o início de uma grande idolatria. “Ele influenciou muito minha infância”, declarou Gustavo para a SWIM CHANNEL. “Via os resultados e comprava toucas, óculos e tudo mais que tivesse o nome dele”. Dois anos depois, recebeu uma medalha na fase eliminatória de uma competição das mãos do próprio Ricardo, uma de suas maiores alegrias. 50

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Àquela época, os tempos de nadadora de Maria Lenk haviam ficado muito distantes para servirem diretamente como inspiração. Mas ela soube, no final de 1989, do interesse de Gustavo em treinar e estudar nos Estados Unidos. Foi por intermédio dela que ele ingressou na Bolles School, em Jacksonville, na Flórida. “Ela foi uma importante figura consultiva e experiente que passou pela minha vida”, diz. “Teve uma influência muito grande na hora daquela decisão e nos vários momentos que estivemos juntos em conversas diversas”.

DO BRASIL PARA O MUNDO Após terminar a High School, foi para a Universidade de Michigan, onde cursou economia e tornou-se um dos maiores nadadores universitários da história do país. Nos quatro anos que disputou o Campeonato Universitário, ganhou por quatro vezes as 100 jardas nado livre. Nunca, em 72 anos de competição, nem mesmo lendas como Mark Spitz e Matt Biondi haviam alcançado o feito. Em seu último 51


Gustavo Borges e Fernando Scherer, os ídolos da geração atual da natação brasileira

Sua primeira medalha foi conquistada em 1984, em uma competição para nadadores não-federados. Dois anos depois recebeu uma medalha das mãos do seu ídolo: Ricardo Prado

A última prova que disputou no país foi o revezamento 4x100m livre, no Troféu Brasil em 2004. Sua última medalha também foi a primeira de Cesar Cielo, o seu sucessor

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de Roma, em 1994, em piscina de 50m, e outras dez em piscinas de 25m. Era um verdadeiro fenômeno em piscina curta. Seu biotipo - 2,03m de altura e 2,33m de envergadura, a maior da história da natação mundial - e o domínio dos fundamentos faziam a diferença. Chegou a ser recordista mundial dos 100m e 4x100m livre. Era, inclusive, chamado de Mr. Relay pelos americanos por sua capacidade de recuperação em revezamentos. No já citado Pan de 1999 e nos Mundiais de 1993 e 1994, deu ao time brasileiro medalhas que pareciam perdidas. E, acima de tudo isso, Borges tem história olímpica. O máximo que um nadador brasileiro conseguiu até hoje foi metade de suas quatro medalhas. E em sua trajetória, aconteceu de tudo. Confusão: em 1992, quando na chegada

ano, em 1995, foi o capitão da equipe que conquistou o título após 34 anos. Os Jogos Pan-Americanos de Havana, em 1991, foram um marco. Lá, conquistou cinco medalhas e assombrou a todos com sua marca de 49s48 nos 100m livre. “Aquele Pan foi muito importante. Entrei para o ranking mundial e apareci para o mundo”, diz. Em Pan-Americanos, aliás, escreveu uma das mais belas páginas do esporte nacional: com 19 medalhas em quatro participações, é o maior medalhista brasileiro da história da competição. Estão na memória as vitórias nos 100m livre em Mar del Plata, em 1995, contra os principais nadadores americanos, e no revezamento 4x100m medley em Winnipeg, em 1999. Nenhum brasileiro, em nenhum esporte, também conquistou mais medalhas que ele em campeonatos mundiais: nada menos que doze. Foram duas no Mundial 53


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Gustavo Borges com Cesar Cielo, seu sucessor nas piscinas

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dos 100m livre o placar marcou para ele um tempo absurdo; uma conferência de TV primeiro deu-lhe o quarto lugar e, depois, o segundo, quando já não escondia a decepção por ter ficado fora do pódio. “Aquela medalha foi crucial para o caminho que minha carreira tomou”, relembra. Surpresa: nos 200m livre em 1996, quando saiu de um quinto lugar nos últimos 50 metros para a medalha de prata. “Foi um resultado surpreendente”, recorda, pois quase não se classificou para a final da prova. Afirmação: com o bronze nos 100m livre, por muito pouco não se tornou o quarto nadador da história a nadar abaixo de 49 segundos, na época uma barreira mítica. “Claro que queria ter nadado na casa dos 48 segundos, mas esse não era meu maior objetivo”, comenta. “O resultado e a medalha olímpica têm gosto melhor do que os tempos que eu fiz”. Gustavo foi o primeiro atleta brasileiro a conquistar três medalhas olímpicas. Emoção: no revezamento 4x100m livre em 2000, superando concorrência fortíssima e contusão de outra estrela brasileira, Fernando Scherer, que nadou com o pé machucado, para conquistar mais um bronze. E mais emoção em 2004, na Olimpíada escolhida por ele como a última competição da carreira. Após o revezamento 4x100m livre, sempre reservado e contido, não segurou as lágrimas na entrevista coletiva. Foi escolhido, com toda justiça, para carregar a bandeira brasileira na cerimônia de encerramento.

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PASSANDO O BASTÃO Depois que terminou, iniciou uma bem-sucedida carreira de empresário, aplicando o que aprendeu em sua formação na Universidade de Michigan com os anos de experiência na natação. Abriu uma academia com seu nome, criou um torneio de natação para novos talentos e desenvolveu uma metodologia de treinamento. É pai de dois filhos, casado com a espanhola Barbara Franco, também ex-nadadora olímpica. Em maio desse ano, terá seu nome imortalizado no Hall da Fama Internacional da Natação, nos Estados Unidos (veja reportagem na página 30). E onde sua história se cruza com a de Cesar Cielo? O campeão olímpico jamais escondeu quem foi sua maior inspiração. Sem Gustavo Borges, provavelmente não haveria Cielo. “Assim como o Ricardo Prado influenciou minha geração, eu tive muita influência na geração atual e o Cesar terá na próxima. É um processo natural”, diz ele, sem negar sua importância para as atuais conquistas da natação brasileira. Simbolicamente, a última prova de Gustavo disputada no país foi o revezamento 4x100m livre, pelo Pinheiros, no Troféu Brasil - hoje, Troféu Maria Lenk - de 2004. Sua última medalha também foi, na principal competição nacional, a primeira conquistada na carreira de Cesar Cielo, que nadava no mesmo time. Não poderia haver melhor maneira de passar o bastão.

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Participar de aulas de natação pode ser a atividade ideal para essas pessoas, que buscam condicionamento, qualidade de vida e socialização

NATAÇÃO NA MELHOR IDADE por ALMIR MARCHETTI | foto: REPRODUÇÃO

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Com a evolução da medicina e consequentemente o aumento da expectativa de vida, a velhice passou a ser considerada momento de aquisição de novas experiências, de viagens e de dedicação a atividades de lazer; os idosos da atualidade estão cada vez mais ativos e saudáveis. Em busca do bem-estar e qualidade de vida, o aprendizado e treinamento de natação também se tornaram mais frequentes no cotidiano dessas pessoas. Hoje em dia, é comum vermos grupos de idosos nas aulas de natação e hidroginástica, em aulas de dança e atividades que exigem maior esforço e movimentação física. Participar de aulas de natação pode ser a atividade ideal para essas pessoas, que buscam condicionamento, qualidade de vida e socialização. Auxiliam no desenvolvimento da autoconfiança e aceitação das próprias limitações impostas pela idade. As aulas de

A prática da natação não tem idade e nos proporciona vida mais saudável, produtiva e feliz

natação estimulam a formação de novas amizades e grupos de interesses comuns, preenchendo um espaço deixado pelas antigas amizades e cotidiano de trabalho. O processo de aprendizado da natação independe da idade. Aos iniciantes, é preciso primeiramente desenvolver habilidades e consciência do meio líquido; para muitos, esse contato com a piscina acontece somente na melhor idade por indicação médica ou própria escolha e vontade em aprender a nadar. Alguns cuidados devem ser tomados. É importante que antes de iniciar as aulas ou treinos o aluno passe por avaliação médica e faça teste ergométrico ou de esforço, que medirão a capacidade cardíaca e verificarão a existência de doenças cardiovasculares, como

aterosclerose e hipertensão, por meio de exercícios físicos na esteira ou na bicicleta ergométrica. Nos primeiros contatos com a água, devem ser adquiridas habilidades fundamentais no meio líquido. Sem habilidade e controle do próprio corpo, até o andar na piscina fica difícil. É comum vermos pessoas que não conseguem andar na água, escorregam frequentemente e só andam com auxílio de outros. Caminhar em várias direções, afundar a cabeça, controlar a respiração, nadar submerso, flutuar de frente e de costas e pegar objetos no fundo da piscina são exercícios fundamentais para adquirir habilidades necessárias e iniciar o aprendizado dos nados competitivos. As limitações físicas devem ser respeitadas para o aprendizado dos nados - crawl, costas, peito e borboleta. É natural que haja dificuldades na flexibilidade, alongamento e força muscular. Utilizar nadadeiras para o trabalho de pernas pode ser uma boa opção, uma vez que elas darão maior velocidade de deslocamento, sustentação do movimento lateral de respiração no nado crawl e na braçada do nado costas. A coordenação dos nados pode levar mais tempo e devemos iniciar o exercício do movimento mais fácil até o mais difícil, coordenando aos poucos a locomoção de pernas e braços, pernas e respiração, braço e respiração e finalmente o nado completo. Com ganho de técnica e fluência dos nados, podemos iniciar o desenvolvimento da capacidade aeróbica e muscular a partir de programas bem elaborados voltados a necessidades e objetivos do nadador. A metragem nadada pode ser aumentada progressivamente - em média, os alunos desta faixa etária nadam entre 800 metros e 1500 metros por aula - respeitando a base aeróbica do aluno, sem cometer esforços anaeróbicos.

ALMIR MARCHETTI GERENTE E ASSESSOR TÉCNICO DA METODOLOGIA DE NATAÇÃO GUSTAVO BORGES

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TRÍADE DA

MULHER

ATLETA

Mulheres atletas são diferentes de mulheres normais. Entenda um pouco mais sobre os sintomas do stress físico do sexo feminino por DRA. TATHIANA PARMIGIANO | fotos: SATIRO SODRÉ

No caso, a “tríade” consta de alterações alimentares, seguidas de alterações hormonais e ósseas. Essa evolução pode e deve ser evitada a partir de informação e acompanhamento médico.

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Não é incomum ouvirmos falar sobre fraturas em atletas e as causas destas podem ser inúmeras. No triatlo, na corrida e mais raramente na natação, as mulheres podem apresentar fraturas de stress. Geralmente, as causas estão relacionadas a uso de calçados inadequados ou terrenos hostis durante o treinamento, mas no caso das mulheres, o problema pode

uso de laxantes e diuréticos para manutenção de peso, alcançando casos extremos de anorexia e bulimia. O resultado disso é um balanço energético negativo, ou seja, ingerimos menos do que gastamos e, assim, o corpo torna-se incapaz de desempenhar suas funções normais. O organismo, dessa maneira, tem de dividir seu aporte

atletas, podem ainda aparecer fraturas por stress. O mais importante é que as atletas conheçam as particularidades a que seus corpos estão expostos. São mulheres diferentes das mulheres “normais”. No caso, a “tríade” consta de alterações alimentares, seguidas de alterações hormonais e ósseas. Essa evolução pode e deve

ser também de origem hormonal. As mulheres atletas estão suscetíveis ao que chamamos de “Tríade da Mulher Atleta”. Apesar de não muito conhecida, três alterações distintas, mas interrelacionadas, podem acometer praticantes de exercício de qualquer nível competitivo. Sabemos, entretanto, que aquelas que exibem biotipo magro, que mantêm controle de peso ou praticam atividades com maior exposição do corpo podem correr maiores riscos. Preocupadas em manter baixo peso, associado, muitas vezes, a uma baixa taxa de gordura corporal, as atletas podem desenvolver alterações de hábito alimentar. Inicialmente leves, essas alterações podem estar relacionadas a dietas restritivas e pouco variadas, mas podem culminar com

energético entre metabolismo basal, produção hormonal e treinos e competições. Na escolha, a produção hormonal se vê prejudicada e a atleta passa a apresentar alterações em seu ciclo menstrual, seguido ou juntamente com queda de desempenho. Falhas na menstruação são consideradas, muitas vezes, como sinal de overtraining e associadas a quedas de performance. O estrogênio, principal hormônio feminino e responsável por grande parte do ciclo menstrual, é também um dos grandes mantenedores da saúde dos nossos ossos. Ossos fortes precisam desse hormônio para se renovar. Na falta dele, mulheres jovens podem desencadear queda da densidade mineral óssea, levando a ossos frágeis e culminando com casos de osteoporose precoce. No caso de

ser evitada a partir de informação e acompanhamentos médico e nutricional adequados. Não subestimem alterações menstruais. Atletas e profissionais envolvidos no cuidado de atletas mulheres devem estar atentos a essa patologia. Procure um ginecologista especializado se a menstruação começar a falhar. Esse é um dos mais importantes sinais para evitarmos que a “tríade” se instale, de forma que a performance se mantenha e os ossos permaneçam saudáveis.

DRA. TATHIANA PARMIGIANO GINECOLOGISTA DO COMITÊ OLÍMPICO BRASILEIRO

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Let’s 100m swim Costas

Confira uma sugestão de treinamento especial para a prova dos 100m costas. Bons treinos e boa prova! por CLEYTON CARREGARI

1ª semana

2ª semana 4º Treino - 2500 mts

1º Treino - 2000 mts 400

75 crawl 25 costas

8 x 25 8 x 100 ac: 1'30'' a 2'

crawl

10 x 25

costas forte / treinando saída e chegada ac: 1'

200

solto

I P

pr costas com rolamento saída com nado submerso

I P

crawl A 1 costas

4 x 125

costas progressivo a cada 25 mts desc: 30''

50 pr lateral 100 nadando costas 50 ondulação submersa fte

200

solto

1 x 400

costas ritmo treinando viradas

150

solto

400 = 2x

75 braço costas 50 braço borboleta 75 braço crawl

400 = 2x

200

solto

2º Treino - 2000 mts

600 = 3x

75 crawl 25 borboleta

200

nadando contando numeros de braçadas

1000

6 x 25

costas fte saindo do meio com virada

4 x 25 costas ac: 45'' 4 x 50 costas ac: 1' 15'' 4 x 75 costas ac: 1' 45'' 4 x 100 costas ac: 2'

600 = 3x

1 x 400

crawl ritmo A2

100 solto 100 perna crawl

400 = 2x

100 pr lateral ondulação 100 crawl 100 costas com pr de borboleta

300

variando estilo

solto

3º Treino - 2100 mts 400 3 x 3 x 50

aquecimento

finalização do costas

costas completa

crawl

4 x 25

saídas de costas com 4 ciclos de bracada

3 x 3 x 100 1º costas ac: 2'

ritmo A1

ritmo A2

ritmo A3

400

crawl

6 x 25

costas contando braçadas e treinando chegada

200

solto

8 x 100 costas ritmo

ac: 1' 30 a 2' 15''

300 = 3 x

400 = 2x

100 solto 100 perna costas

25 perna costas 0 crawl mão fechada 25 borboleta

200

solto

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10 x 100 ac: 1' 45''

100 crawl 100 medley

I P

educativos costas variado perna costas sem prancha costas ritmo

variando estilo

8º Treino - 2500 mts 400

crawl

1400 = 2 x

4 x 25 borboleta ac: 45'' 4 x 50 braço costas ac: 1' 15'' 4 x 75 braço palmar crawl ac: 1' 30'' 100 solto

600 = 2x

100 perna costas com nadadeira 100 solto nadando 100 perna submersa ondulando

100

solto

9º Treino - 2500 mts 900 = 3x

150 crawl 50 palmateio costas 100 nadando costas

10 x 25

costas com saída de prova

100

solto

2 x 200

costas ritmo desc: 15

8 x 25 =

12,5 100% / 12,5 solto

500 = 2 x

150 crawl 50 palmateio costas 50 nadando costas

150

solto

6º Treino - 2500 mts 400

palmateio frente

12 x 50

5º Treino - 2500 mts

6 saidas de costas com 2 ciclos de bracada

100

600 3 x

300

150 crawl 50 perna costas 50 costas

500 = 2x

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400

3ª semana 7º Treino - 2500 mts

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PROGRAME-SE jul

mai natação

03 e 06

XXI Torneio Sul-Brasileiro de Clubes Infanto-Juvenil Curitiba (PR)

19 e 20

Campeonato Paulista Master de Primavera Local: a ser definido

26 a 27

VI Copa Nordeste Interclubes de Natação Master Natal (RN)

águas abertas

20

Travessia de Ubatuba 5ª etapa do Circuito Paulista de Maratona Aquática Distâncias: 800m, 2,5 km e 8,5 km Ubatuba (SP)

20

3ª Etapa do Campeonato Baiano de Águas Abertas Distância: a definir Salvador (BA)

20

Desafio de Campos Gerais Distâncias: 600m, 2 km e 4 km Ponta Grossa (PR)

05 e 06

XTerra Brasil Swim Challenge Distância: 1,5 km Teresópolis (RJ)

05

7ª edição do Reveza 10 As equipes têm de se compor por dez atletas; cada um nadará 1,3 km Distância total: 13 km Distância: 1,3 km Ilha de Anhatomirim (SC)

20

Maratona Nacional de Vitória

jun natação

03 a 17

14º Campeonato Mundial Master de Desportos Aquáticos Riccione (ITA)

23

2ª Etapa do Circuito Paulista de Natação Master

29/06 a 01/07 Copa São Paulo de Inverno para Nadadores Vinculados Guaratinguetá (SP)

30/06 a 01/07 XVII Torneio Aberto Brasil de Natação Masters Ribeirão Preto (SP)

águas abertas

03 Rei e Rainha do Mar 2ª Etapa do Circuito Distâncias: 1 km e 3 km Rio de Janeiro (RJ)

17 4ª Etapa do Campeonato Baiano de Águas Abertas Distância: a definir Salvador (BA)

24 Travessia de Caraguatatuba ou Ilhabela 6ª etapa do Circuito Paulista de Maratona Aquática Distâncias: 1 km, 2 km e 4 km Local: a ser definido

natação

06 a 07 X Festival Mirim e Petiz do Norte de Natação Recife (PE)

14

Festival de Inverno Revezamento 6 horas nadando Curitiba (PR)

20 a 22 II Encontro Nacional de Árbitros de Natação Campo Grande/MS

21 e 22 Campeonato Estadual Master de Inverno Rio de Janeiro (RJ)

28/07 a 04/08 XXX Jogos Olímpicos Londres (GBR)

águas abertas

07 5ª Etapa do Campeonato Baiano de Águas Abertas Distância: a definir Salvador (BA)

Local: a ser definido

Distância: 10 km Vitória (ES)

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BRASIL: TRADIÇÃO

NO 4X100M LIVRE por ALEXANDRE PUSSIELDI

Xangai, China, julho de 2011. Primeiro dia de competição. O time não nadou bem. Marcos Macedo estreava na Seleção Brasileira e seus óculos caíram logo na saída. Poupamos Cesar Cielo, que ganharia o ouro nos 50m borboleta no dia seguinte. Mesmo assim, o revezamento brasileiro do 4x100m livre masculino garantiu vaga para os Jogos Olímpicos de Londres, por sinal, a única equipe oficialmente classificada até o momento. É um revezamento de história, tradição que se fez presente em oito das dez Olimpíadas em que a prova foi disputada. História que começa com um inesperado quarto lugar nos Jogos de 1972, em Munique, quando Rui Oliveira, Paulo Zanetti, Paulo Beckehatzy e José Roberto Aranha, logo na primeira participação do revezamento brasileiro em Olimpíadas, quase subiram ao pódio. De 1984 para cá, são sete participações olímpicas consecutivas nessa prova. Mais que isso, temos ainda uma medalha de bronze no Campeonato Mundial de piscina longa, em Roma-1994, e mais quatro medalhas nos Mundiais em piscina curta: duas de ouro, em Palma

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de Maiorca-1993 e Rio de Janeiro-1995; uma de prata em Indianápolis-2004; uma de bronze em Dubai-2010. A prova também é a mais "brasileira" de todas do programa dos Jogos Pan-Americanos. Em doze edições, já somamos cinco vitórias, quatro delas nas últimas quatro edições. Como não podia deixar de ser, a história e o retrospecto positivo viraram obsessão dos velocistas brasileiros. Bons resultados começaram a aparecer nos Mundiais da categoria júnior, nos Multinations e nos SulAmericanos da categoria juvenil. O 4x100m livre é prova que está na cabeça dos nadadores brasileiros. O revezamento tem chances de chegar à final em Londres. Muita chance. A presença de Cesar Cielo, entretanto, é determinante para o sucesso da equipe. Em Pequim, ele abriu o revezamento e ganhou forças para a competição. Ganhou confiança e se candidatou à medalha de bronze, que ganharia dois dias depois na prova dos 100m livre. O time foi desclassificado, após Nicolas Oliveira queimar a largada, mas, mesmo que não fosse, não teria chegado à final. Agora é diferente. O grupo está mais maduro, mais forte e mais preparado do que há quatro anos. Sonhar com medalha parece distante, mas uma final é bem real. E quem está na final disputa medalha. Vamos nessa Brasil, que acreditar não faz mal! ALEXANDRE PUSSIELDI EDITOR-CHEFE DA BEST SWIMMING E TÉCNICO DO DAVIES NADADORES SWIM TEAM

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Swim Channel 07