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Cobertura:

Expoagro Afubra 2014

Páginas centrais

ANO XI Edição 129 20 de Abril à 20 de Maio de 2014 R$ 8,00

jornal.terraecampo@hotmail.com

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on Facebook: jornal terra e campo

Foto: Carlos Guilherme Rheingantz

Especial

O Mercado do Leite

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www.jornalterraecampo.com.br


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20 DE ABRIL À 20 DE MAIO DE 2014

Editorial

Expediente

Charge

Já falei e torno a repetir, a agropecuária vive um momento ímpar, estamos em plena colheita de soja e os produtores gaúchos estão otimistas com a nova safra. Em se tratando de pecuária a ovinocultura deu uma estabilizada nos preços - recuando o mercado – mas o valor ainda se mantém estável, já o gado de corte está em alta, o preço do boi gordo está subindo e o do terneiro também. No leilão Calafate – Pelotas – as médias para terneiros da raça Angus ficaram em R$ 7,00 o kg.

Embora a fase seja ótima para os investimentos, o que preocupa grande parte dos produtores, principalmente os de maior porte é a mão de obra especializada, parece que nem mesmo toda a tecnologia disponível para o campo é capaz de convencer os jovens a permanecerem na atividade. Talvez seja necessária uma campanha de conscientização sobre a importância de produzir alimentos, afinal se ninguém mais quiser produzir como é que vai ser?Boa Leitura!

General Osório, 1400 Galeria Acosta sala 10 Fone: (53) 3252.2183 Diretor: Éverton Neves Depto. Comercial: Lindamar Neves Jornalista responsável: Éverton Neves DRT 13145 Projeto gráfico: Luiz Antônio Machado Jr. Diagramação : Matheus Ferreira da Silva

Silva Tavares 1187 - Canguçu/RS

Frase destaque

começa “ Ona tambo lavoura

Na pecuária de leite, o momento é bom, embora estejamos na entre safra, as médias durante o ano, agradam os produtores, que voltaram a investir na atividade, basta analisarmos o preço dos animais. No leilão Pretas e Brancas – Pelotas, animais de elite da raça holandesa foram comercializados a mais de 15 mil reais. Em se tratando de animais a campo é comum novilhas da raça holandesa a 5 mil reais.

Fundado em outubro de 2002 Grafik Gráfica Expressa CNPJ: 05.038.806/0001-92

Fabio da Silva - Produtor Rural / Boqueirão/ São Lourenço do Sul/RS.

Índice

Envio de materiais, fechamento redação: até o dia 23 Fechamento publicitário: até o dia 20.

Agenda de Leilões/ Eventos......4

Especial Expoagro Afubra..16 à 18

Especial Mercado do Leite ........5

Entrevista ...............................23

Mercado / Repórter Rural..........6

Perfil - Vence Tudo ...............24

Raças - Jersey .............................7

Ovinos Negócio ....................26

Pecuária em destaque...............8

VIP Rural ...............................27

Especial Mercado do Leite.........10

Info Afubra ...........................28

Especial Mercado do Leite........12

Informativo Seapa....................30

Especial Mercado do Leite.........14

Especial Cavalo Crioulo............31

Colaboradores: Dejalmo Prestes, Fernando Furtado Velloso, Gerson Pinto, Cristiano Costalunga Gotuzzo, Luiz Carlos Guilherme Rheingantz, Daniel Barros,Emerson Sabedra. Tiragem: 10.000 exemplares Abrangência: Regiões Sul e Campanha. Foto Capa: Carlos Guilherme Rheingantz Conselho Editorial & Assessoria:

O Jornal Terra & Campo não se responsabiliza por conceitos emitidos em colunas e artigos assinados e não devolve originais, publicados ou não.


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20 DE ABRIL À 20 DE MAIO DE 2014


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Calendário de Leilões - Abril e Maio Cavalos: 03/05

Gado Geral: Leilão Cabanha Rio Bonito Local:Ponta Grossa/PR Horário: 20:00h

06/05 Leilão Virtual Crioulos de Livramento Local: Agro Brasil TV Horário: 21:00h 11/05

V Remate Quatro C Local: Parque da UFSM Santa Maria/RS Horário: 21:00h

Criadero Las Callanas 17/05 Local: Canal Rural Horário: 21:00h 22/05

30/05

Cotações agropecuárias

Leilão Cabanha Mapa Gaúcho Local: Parque Assis Brasil - Esteio/RS Horário: 21:00h 4º Remate Ponta de Tropa Local: Osório/RS Horário: 20:00h

Remate preferencial de 29/04 novilhos na sequência gado geral Local: Canguçu/RS Horário: 20:00h 8º Leilão Influência 29/04 Local: Pelotas/RS Horário: 20:00h Leilão Angus 08/05 Querência 2014 Local: Sindicato Rural de Livramento/RS Horário: 14:0h 42ª Feira de Terneiros, 10/05 Terneiras e Vaquilhonas Local: Parque Serafim Dorneles Vargas São Borja/RS Horário: 14:00h 14/05 II Feira de Gado Certificado Pampa Local: Parque Assis Brasil - São Gabriel/RS Horário: 14:00h 15/05 Gado Geral Local: Pinheiro Machado/RS Horário: 20:00h

Entre 21/04 à 25/04/2014 | Fonte: EMATER/RS

Eventos - Maio 01 a 04/05 XVII Feira do Gado Leiteiro – Alegrete/RS 03 a 04/05 XXI Crioulaço – São Sepé – RS 08 a 11/05 XXXIV Credenciadora ao Freio de Ouro – Bagé/RS 14 a 18/05 XXXVII Expoleite – Esteio/RS 14 a 18/05 XXVI Fenovinos - Santiago/RS 19 a 25/05 Exposição Nacional do Hereford e Braford- Alegrete/RS

Leilão Calafate Produção Angus e Red Angus 2014 sucesso absoluto em pista Ocorreu com sucesso absoluto na última quinta-feira, em Pelotas, o Leilão Calafate Produção Angus 2014. Lotado de produtores de varias regiões, amigos e clientes, o leilão, em 1h e meia, teve a pista ágil, com vários lances e disputas por cada lote demonstran-

Foto: Everton Neves

do a total liquidez dos produtos. A Fazenda Calafate, de propriedade de Genuino Farias Ferreira, com 57 anos de seleção Angus, no município Rio Grande/RS apresentou em pista, liberalmente a venda, 267 terneiros Angus

certificados pela associação brasileira, através do programa carne angus e o total de 149 vacas, 133 com prenhez confirmada por ultra-som e as demais com serviço. Os terneiros angus certificados alcançaram o valor liquido R$ 1.206,00 e as vacas prenhas, o va-

lor médio líquido R$ 1.995,00. “Sem duvida, a qualidade, padrão racial e uniformidade dos animais apresentados foram essenciais para o êxito alcançado”, comenta Rodrigo Crespo, que juntamente com o irmão, leiloeiro André Crespo, conduziram o leilão a cargo da Casarão Remates. “Estamos muito felizes com o sucesso do leilão Calafate, no entusiasmo de estarmos no caminho certo, com o reconhecimento ao produto que ofertamos”, afirma a médica e administradora da Fazenda Calafate, Ana Carolina Issler Ferreira Kessler. “Agradecemos a todos, em especial a Associação Brasileira de Angus pelo apoio técnico, aos veterinários e agrônomos, aos nossos clientes e aos amigos que nos prestigiaram”, finaliza.


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4º Pretas e Brancas sinaliza negócios aquecidos para o outono de 2014

Foto:Everton Neves

ESPECIAL

O MERCADO

DO LEITE

Uma pista ágil e grande liquidez foram as marcas do 4º Remate Pretas e Brancas, realizado no dia 5 de abril na Associação Rural de Pelotas. Todos os 44 lotes da raça Holandesa foram vendidos para compradores de Dom Pedrito, Santana do Livramento, Santa Vitória do Palmar, Rio Grande e Capão do Leão. O Remate foi a oportunidade de passar em pista as produções da Cabanha Maciel, Estância Vale da Prata, Estância do Passo Comprido e de Eloy Schneider, todos da Zona Sul do Estado. A oferta formada por novilhas prenhes e próximas a parir demonstrou o interesse dos compradores de adquirir animais com breve possibilidade de iniciar a somar na produção de leite dos tambos. Segundo José Ernesto Ferreira, vice presidente da Gadolando, criador em Rio Pardo e convidado a comentar o perfil genético dos lotes que entravam em pista, os animais estavam muito bem apresentados e o pregão atraiu um público que superou a expectativa dos organizadores. Para José Ernesto, a liquidez da raça é uma tendência que deve ser verificada em todo este outono. As duas novilhas mais caras foram de propriedade da Estância do Passo Comprido. Passo Comprido 1027 Dramatic Dundee, prenhe de Planet (sexado), valor de R$ 25.000,00 e Passo Comprido 1004 Roy prenhe de Observer (sexado) valor de R$ 22.400,00 foram os preços mais elevados. Outros destaques foram Passo Comprido 1044 GW Atwood, prenhe de Planet( sexado), R$

18000,00 e Passo Comprido 1045 prenhe de GW Atwood, também por R$ 18000,00. O preço mais elevado, R$25.000,00 foi adquirida pela Agropecuária Leonense, de Capão do Leão. Em menos de três horas, o martelo de Marco Petruzzi, da leiloeira Rédea Remates, bateu para 100% da oferta das matrizes Holandesas selecionadas pelas cabanhas vendedoras que foram se somar aos plantéis de produtores de vários municípios gaúchos.

em proporcionar uma oferta selecionada de animais com genética melhoradora e sanidade comprovada, o que contribuiu significativamente para consolidar o leilão como um dos eventos mais importantes do outono e na história do gado Holandês gaúcho. Foto:Everton Neves

As duas novilhas mais caras foram de propriedade da Estância do Passo Comprido. Passo Comprido 1027 Dramatic Dundee, prenhe de Planet (sexado), valor de R$ 25.000,00 e Passo Comprido 1004 Roy prenhe de Observer (sexado) valor de R$ 22.400,00

A média geral das vendas, R$11.700,00, provavelmente será uma das mais altas e difíceis de ser atingida, em leilões de gado leiteiro neste ano em eventos similares, afirma o titular do Rédea Marco Petruzzi.. O remate Pretas e Brancas, este ano em sua quarta edição, nasceu da proposta dos promotores

Jeferson Maciel, Nelson Maciel, César Hax, José Paulo Machado dos Santos e João Ruben Almeida, encontraram um ambiente diferenciado na Rural de Pelotas. No espaço entre o Pavilhão de Gado Holandês e o Núcleo de Cavalos Crioulos, foi instalada uma estrutura com pirâmides e palco para a realização do evento, que recebeu elogios e aprovação dos presentes pelo funcionalidade e decoração do conjunto.

Os produtores de leite, amigos e convidados de Eloi Scheineder,

O preço mais elevado,R$25.000,00 foi adquirida pela Agropecuária Leonense, de Capão do Leão


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20 DE ABRIL À 20 DE MAIO DE 2014

Marco Medronha mmedronha@hotmail.com

REPÓRTER RURAL

Foto: Divulgação

Safras frustradas Programa

III Circuito de Concurso de Carcaças Carne Pampa inicia em maio O III Circuito de Concurso de Carcaças Carne Pampa® terá três etapas. Promovido pelo Programa Carne Certificada Pampa®, da Associação Brasileira de Hereford e Braford (ABHB), em parceria com o Marfrig Group, o certame inicia no dia 14 de maio, em Alegrete, durante a Exposição Nacional HB. Bagé sedia a segunda etapa no dia 18 de julho, e São Gabriel encerra a disputa no final de outubro, ainda sem data definida. Concurso de CarcacasO regulamento prévio estabelece bonificações adicionais para os três primeiros colocados de cada etapa. Os animais serão julgados a partir de critérios específicos, com pontuações distintas para cada um deles. Todo processo será acompanhado por um corpo de jurados composto por um representante da ABHB, um representante do Marfrig e um profissional convidado. Após a classificação geral e premiação do melhor lote, a comissão julgadora também esco-

lherá o melhor lote Hereford e o melhor lote Braford de cada etapa. Novilhos gordos criados para fomentar as raças Hereford e Braford em um cenário competitivo, onde cada vez mais se busca eficiência no campo e na industrialização de carnes de qualidade, o concurso cumpre uma importante função no desenvolvimento da pecuária gaúcha. “O circuito viabiliza a troca de experiências entre os produtores, estimulando o interesse pelo programa. Trata-se de uma ferramenta de marketing para os produtos certificados, bem como para a indústria frigorífica e os produtores de genética alinhada à produção de carne de qualidade”, pondera o presidente da ABHB, Fernando Lopa. O regulamento do concurso estará disponível nos próximos dias. Participe, será uma satisfação tê-los conosco neste ano. Qualquer dúvida entrar em contato com Alfredo Drissen, gerente do Programa Carne Pampa.

Foto: Divulgação

MERCADO

O trabalho no campo é notada- vas. Os pescadores de camarão mente, uma atividade de risco onde das nossas Colônias, também reo agricultor sempre paga para ver. mam contra a maré, por anos a fio. Os principais custos de produção para dar início a um cultivo são os gastos com sementes, fertilizantes e adubos. Depois vêm os tratos culturais, prevenção ao ataque de pragas, controle de doenças e quando está pronto para colher fica sujeito ao preço fixado pelo mercado ou na mão de compradores, que quase sempre pagam muito menos, deixando uma margem de lucro minguada ou quase nenhuma.

Nesta safra, o crustáceo não apresentou tamanho suficiente para a captura e comercialização.

As frustrações de safras sucessivas também são responsáveis pelo êxodo rural e o abandono das atividades. Produtores rurais da nossa região passam atualmente por muitas dificuldades.

Enquanto isso, o dono do armazém apresenta a conta do “caderno”, onde tudo é anotado para pagamento na colheita e a economia das localidades sofrem em cadeia.

Aqueles que aderiram o Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro) ou programas oferecidos por seguradoras privadas conseguem minimizar os prejuízos. Contudo, no momento do pagamento das indenizações é comum que o valor esteja em desacordo com as condições Depois de se submeter a todos es- estabelecidas pelos programas. tes fatores de produção, o trabalhador rural ainda está sujeito a uma Os mecanismos existentes de variável incontrolável, o clima. Em apoio as famílias, tanto juditodo o País, as variações climáticas ciais quanto governamentais, não configuradas por chuvas em ex- são ágeis o suficiente para situacesso, estiagens prolongadas, altas ções emergenciais. Quase semtemperaturas, quedas de granizo, pre, as famílias após frustrações geadas e outros eventos da natu- de safras estão descapitalizadas reza deixam marcas profundas. e os recursos chegam atrasados.

Nos municípios de Tavares, São José do Norte e Rio Grande, a cultura da cebola, por sucessivas safras acumula prejuízos pela desorganização do setor e por fatores climáticos adversos, como o calor excessivo somado as chu-

Uma saída para superar as dificuldades é a busca do diálogo entre devedores e credores. O entendimento entre eles é fundamental, pois além dos danos financeiros e psicológicos, a frustração de safra pode levar a depressão e não raramente a tragédias.


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Foto: Divulgação

A raça Jersey é originária de uma pequena Ilha de apenas 11.655 hectares no Canal da Mancha, entre a Inglaterra e a França (região da Normandia). É denominada “Ilha de Jersey”, e pertence ao Reino unido da Grã-Bretanha. A Jersey tem sido criada puramente há mais tempo do que qualquer outra raça bovina, desenvolvendo-se a partir do ano 1.100. Há informações de que ela se formou do cruzamento do pequeno gado negro de Bretanha com os grandes bovinos vermelhos da Normandia. Em 1763, foram decretadas leis

Jersey

Fonte: www.jerseyrs.com.br

RAÇAS Foto: Divulgação

Herd Book, a partir do qual todo o gado Jersey Puro de Origem se origina. A partir daí, a própria Associação passou a incrementar a seleção da raça em termos de rusticidade, precocidade, prolificidade, facilidade de parição, longevidade, O mais importante acontecimento e produção leiteira e mantegueira. em toda a história da Raça Jersey foi, indubitavelmente, a criação do Os primeiros animais Jersey introEm 1833 foi criada a Royal Jer- Jersey Herd Book, a 4 de abril de duzidos no Brasil foram adquiridos sey Agricultural and Horticultural 1866. Na primeira inspeção, seis por Joaquim Francisco de Assis Society, e a 31 de março de 1834 jurados inscreveram 42 touros Brasil, grande pecuarista e embaifoi realizada a primeira exposição como “Rebanho Fundador”, e uma xador plenipotenciário em Lisboa, da Raça Jersey em Cattle Market, semana depois, 182 vacas foram no ano de 1895 do rebanho Winna Beresford Street. Em 1838 foi inscritas, iniciando assim o Jersey dsor, da Rainha Vitória, Inglaterra. que proibiam a entrada na Ilha de Jersey de qualquer animal vivo que pudesse transmitir doenças aos seus bovinos. Até hoje os animais que vão competir em exposições fora da Ilha lá deverão ser vendidos por não poderem retornar à origem. Essas leis sacramentaram a pureza da Raça.

criado um sistema de pontuação baseado na classificação obtida nos julgamentos das exposições, sendo anotadas em um sistema de registro que deu origem ao Herd Book, efetivado em 1866.


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PECUÁRIA EM

DESTAQUE

Para os produtores de genética e profissionais deste setor o Relatório ASBIA (Associação Brasileira de Inseminação Artifical) é sempre esperado com ansiedade. Os dados deste relatório nos dão um muito bom cenário do uso de genética, das preferências dos produtores e do mercado. Deve-se valorizar este trabalho e a disponibilidade pública das informações, pois neste quesito o trabalho da ASBIA é exemplar. Países como a Austrália, admirada pela eficiência de sua pecuária, não possuem relatórios desta natureza e fiz questão de checar esta informação com contatos confiáveis que tenho neste país. Ponto para nós! Sempre sou muito crítico em relação à falta de informação setorial em nossa pecuária, mas neste tema estamos bem servidos. Sempre em fevereiro/março recebemos o fechamento do mercado de sêmen do ano anterior e esta informação é muito bem vinda. Os dados do fechamento de 2013 da ASBIA são surpreendentes e históricos, pois a raça Angus volta a vender mais doses de sêmen no Brasil do que a raça Nelore e demais raças zebuínas. Em 2013, a raça Angus (somando variedades preta e vermelha) vendeu 44% de todas as doses de raças de corte, na sequência a raça Nelore (padrão e mocho) participou com 38,1% do mercado. O número de doses vendidas pela Angus somou 3,36 milhões de unidades e o Nelore com 2,92 milhões de doses. A variedade preta da raça Angus comercializou sozinha mais doses que a raça Nelore e alcançou a marca histórica de 2,91 milhões de doses. A polarização da genética usada no Brasil em Nelore e Angus é um fato que se consolida a cada ano. O relatório da ASBIA mostra que em 2013 todas as demais raças somadas (zebuínas e europeias) representam menos de 20% do mercado de inseminação no país. O gráfico publicado no ABS News (Março, 2014) mostra com clareza esta situação:

Revolução total no mercado de inseminação Angus preto vende mais sêmen que Nelore no Brasil em 2013.

Participação das principais raças de corte em número de doses no mercado de IA (Fonte: ABS News, Março 2014).

Em 2013 o mercado de gado de corte no país comercializou 7,65 milhões de doses de sêmen e o crescimento foi de 2,87% em relação a 2012. Esta taxa de crescimento pode ser considerada pequena se comparada ao período de 2009 a 2011, onde a inseminação crescia em taxas anuais superiores a 20%. No último ano, a raça Nelore teve redução em vendas de 11%, o Angus (preto) crescimento de 24,5% e o Red Angus redução de 15,8%. Em relação às diferenças de evolução do mercado das variedades da raça Angus podem ser discutidas algumas questões. O Angus preto é predominante no mundo e sua população é muito maior do que a de animais vermelhos. Esta situação é simples de entender, pois a característica “pelagem preta” tem gene dominante. O Brasil viveu uma fase (final dos 90 e início dos 2000) de preferência por animais vermelhos, porém a prática, experiência obtida e os dados de campo direcionaram os produtores ao maior uso de animais pretos, conforme ocorre na grande maioria dos países onde a raça tem expressão. O receio da menor tolerância ao calor dos animais pretos comparativamente aos vermelhos foi um fato que no passado teve importância e hoje parece estar superado. O crescimento da venda de sêmen de Angus no Brasil nos permite pensar em diversas questões da pecuária brasileira relacionadas ao cruzamento industrial: o aumento de uso de tecnologia, a busca por mais produtividade dos rebanhos, a maior popularização dos confinamentos e sistemas intensivos de engorda, a especialização de alguns pecuaristas para o mercado de carne de qualidade, o crescimento dos programas de carne de qualida

de, etc. A Inseminação Artificial à Tempo Fixo (IATF) é uma das principais responsáveis pelo crescimento do uso do cruzamento no Brasil, pois a técnica popularizou e ampliou o volume de fêmeas prenhes via inseminação artificial. Nacional ou importado? A velha discussão sobre genética nacional ou importada ainda está na pauta. No caso do Nelore praticamente a totalidade do produto é nacional e a importação em alguns anos é igual a zero. Assim foi em 2013. Já para o Angus, somos fortemente dependentes da genética importada e a relação aproximada de 70:30 (Importado : Nacional) segue se repetindo nos últimos anos. Veja como ocorreu em 2013 especificamente na raça Angus:

Participação de sêmen Nacional e Importado em 2013.

Os principais fornecedores de genética Angus para o Brasil seguem sendo em ordem de importância: Estados Unidos, Canadá e Argentina. Existe para muitas pessoas a percepção que após os EUA o próximo país em importância seja a Argentina, mas tanto para Angus preto ou vermelho o Canadá vem em segundo lugar, com mais de o dobro de doses importadas que a Argentina. Sintéticos: Brangus ou Braford? Um fato curioso ocorre na comercialização de raças sintéticas.

ARTIGO Foto: Divulgação

Fernando Furtado Velloso - Médico Veterinário (CRMV RS 7238) Inspetor Técnico – Associação Brasileira de Angus Sócio da Assessoria Agropecuária FFVelloso & Dimas Rocha

Seria natural esperar que a participação do Brangus fosse muitas vezes maior que a do concorrente Braford, pois ambas as raças tem as mesmas finalidades e perfil de uso, porém esta situação não se verifica na prática do mercado. Em 2013 a Brangus participou com 2,8% do mercado (218 mil doses) e a Braford com 1,8% (139 mil doses). Logo, a carreira está parelha e ambas as raças vem crescendo continuamente no mercado de inseminação nos últimos 5 anos. Para esta situação que pode contrariar a lógica esperada ficam os elogios e méritos para os criadores de Braford e para a Associação Brasilieira de Hereford e Braford (ABHB) que vem realizando um trabalho profissional e intenso nos últimos anos. O grande número de fêmeas ½ Angus nascidas a cada ano cria espaço para o uso das raças sintéticas como boa alternativa de acasalamento. Na maioria dos programas de cruzamento as fêmeas cruzadas seguem para engorda (terminal), porém a possível retenção destas matrizes na cria é um grande mercado para as raças sintéticas e adaptadas. Adaptadas. Falando em adaptadas, as raças Senepol e Bosmara seguem ocupando importante espaço e desbancando outras raças tradicionais no Brasil. As duas raças somam em 2013 aprox. 165 mil doses (2,2% do mercado) e também vem em ritmo forte de crescimento nos últimos 5 anos. As justificativas para uso destas raças são diversas: busca por adaptação, tolerância ao calor, pelo zero, temor ao carrapato, necessidade de opção genética para uso em fêmeas Cruza Angus, Bonsmara Beef, etc. Estou no grupo dos descrentes que poucos anos atrás achavam que estas raças eram “chuva de verão”, mas comecei a morder a língua, pois elas permanecem firmes e fortes por aqui. Errando e aprendendo


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Vacacaí: Remate de touros na Expogrande ofertará animais adaptados ao centro-oeste Os animais que estarão em oferta durante o 10º Remate da Cabanha Vacacaí, de São Gabriel/RS, já foram selecionados no criatório. Segundo Alfredo Southall, proprietário da cabanha, este é um remate realizado pensando nos clientes do centro-oeste Brasileiro, com animais selecionados para a região e com facilidades aos compradores. “Não queremos que nossos clientes tenham qualquer dificuldade. Eles não precisam vir ao Rio Grande do Sul e nem mesmo comprar nossa genética através de leilão online. Nós levamos a oferta de animais que selecionamos especialmente para este remate” aponta Southall. Um ponto importante deste remate é a logística feita pela Vacacaí. É uma viagem longa, cerca de 60 horas, e o estresse causado nos animais também deve ser levado em consideração. “Nós levamos os animais uma semana antes para que haja

tempo de se recuperarem da viagem, onde eles ficam estressados e podem perder alguns quilos. No dia do remate eles já estão com o peso recuperado e mais acostumados com a região” disse Raul Southall, que administra a cabanha. Para a família Southall, um fato que não deve ser deixado de lado é o futuro da pecuária no Brasil. “O futuro da pecuária no Brasil é na região do MS e arredores, e, fatalmente, vai se estender para o pantanal. É necessário que os produtores tenham essa visão e invistam sua genética também em animais adaptados para lá” explicou Alfredo. O mercado no Mato Grosso está aquecido para as raças britânicas. Segundo o leiloeiro Claudio Gasperini, responsável pelo martelo do Remate Vacacaí em Campo Grande, o cruzamento industrial é o futuro da pecuária no Brasil. “Nó temos um excelente rebanho zebuíno e hoje, atra-

vés do cruzamento industrial, nós unimos qualidades do zebu com a de taurinos britânicos”, disse. Sobre o Remate Vacacaí, Gasperini comenta o sucesso em todas as edições: “O remate realizado pelo sr. Alfredo Southall sempre foi um grande sucesso aqui no MS. Primeiramente por eles ofertarem animais de grande qualidade, adaptados a região. Segundo

Foto:Carlos Eduardo Nogueira

pela fidelização dos clientes, que anos após ano voltam para adquirir essa genética. Outro motivo é a facilidade para os clientes. Não precisam ir ao Rio Grande do Sul comprar. Os animais já estão aqui em frente aos olhos” aponta. O 10º Remate Vacacaí acontece dia 2 de maio, às 19 horas, na Expogrande – Campo Grande/MS. O leilão está a cargo da Leiloboi.

A Rota do Braford: regime de chuvas e boas pastagens se aliam à genética de ponta em Rosário do Sul Como já é de conhecimento de pecuarístas de todo o Brasil, o município de Rosário do Sul, no Rio Grande do Sul, mantém o título de praça com maior oferta da raça Braford no país. E não é por menos. Com tantos criatórios, a busca por uma genética de ponta e a já cultural criação do sintético, cruza de Hereford com Zebu, tornam o município alvo de muitos compradores de todas as regiões Brasileiras. O Remate Criadores de Braford, que em 2013 foi o maior da raça no Brasil, vendeu 500 fêmeas e 80 touros, com faturamento superior a R$ 1,5 milhão. Para Ricardo Madeira Camps, da Estância Umbu, essa grande oferta é fruto de um trabalho dedicado, de anos de melhoramento, e ulti-

mamente, das condições climáticas e de pastagens em Rosário do Sul. “Nas estâncias Umbu e Ponta, a preparação dos animais para o Criadores de Braford 2014 está de vento em popa. Nós atribuímos isto a diversos fatores que convergem em uma melhor oferta para o comprador. De janeiro a abril, o regime de chuvas somou 800mm e há disponibilidade de alimento no campo nativo e nas pastagens de verão”, aponta. Além destes fatores, nos quais o homem pouco pode influenciar, Camps apontou o aprimoramento constrante do tripé - genética, nutrição e sanidade – como outro fator de importância. A criação de gado de corte necessita de uma boa suplementação, e o acerto nutricional mais preciso

do gado do remate se faz necessário para melhores resultados. Camps comentou também que um investimento constante em novas tecnologias, como IATF e TE, bem como um bom trabalho de in-

tegração lavoura – pecuária podem levar à um ganho muito importante para os animais. “Nós utilizamos pastagens de azevém germinadas em restevas de soja”, conta. Foto: DIvulgação


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20 DE ABRIL À 20 DE MAIO DE 2014 Foto: Arquivo

ESPECIAL

O MERCADO

DO LEITE

A nutrição da vaca leiteira

Para uma vaca produzir, por exemplo, 25 litros de leite por dia, ela precisa de uma dieta com 15% de proteína bruta e mais ou menos 68% de energia.

sistema digestivo apresenta o rúmen, um compartimento habitaPós Graduado em Pecuária Leiteira. do por uma grande população de CRMV 5155 bactérias, protozoários e fungos que auxiliam muito na digestão Um dos ramos da atividade primá- dos alimentos, principalmente das ria que mais crescem no Brasil é o fibras dos volumosos. Por isso, o setor leiteiro. Já estamos entre os produtor profissional deve se preomaiores produtores mundiais e o cupar em ter e produzir volumosos estado do Rio Grande do Sul apa- de qualidade e quantidade, na forrece na segunda colocação dentro ma de pastagens, silagens e fenos. do país, somente atrás de Minas A terneira, já nos primeiros dias Gerais. Entretanto, poderíamos de vida, já pode receber rações dicrescer ainda mais, pois a produção tas pré-iniciais, para que se habimédia de uma vaca leiteira brasi- tue ao fornecimento de grãos, cuja leira é de 7 litros por dia, ou seja, fermentação vai auxiliar bastanpouco, se compararmos a alguns te no desenvolvimento ruminal. outros países, que chegam à média de 20 litros de leite por dia. Sabe- Nosso objetivo é que, aos 24 memos que em algumas regiões, tanto ses de idade e cerca de 550 kilos do país quanto do nosso estado, te- de peso vivo, fêmeas da raça Homos vacas que produzem uma mé- landesa já tenham seu primeiro dia de 50 litros, entretanto, pen- parto. Para isso, é necessária uma sando-se em uma produção oficial, dieta equilibrada, com volumoesses valores ainda são baixos. sos de qualidade e uma ração na quantidade e nos níveis de proteUma média que poderia ser con- ína apropriados para este período. siderada interessante, se calcularmos que uma vaca pro- A produção de um rebanho leiteiduz durante 300 dias do ano, ro está baseada em 3 pontos: geseria 9.000 litros por lactação. nética; manejo sanitário; nutrição. Para termos essa vaca, desde o Temos condições de adquirir o nascimento até a fase produtiva material genético via insemina(a qual conseguimos, hoje, facil- ção artificial (sêmen dos melhomente, com 24 meses de idade) res países do mundo). Contudo, é preciso ofertar uma nutrição é preciso explorar esse potencial correta, que permita explorar o e a dieta que podemos oferecer é potencial genético desta vaca. que vai fazer com que o animal A vaca é um ruminante, cujo seu seja ou não ser eficiente na proPor Egon Hruby Médico Veterinário

priedade. Não podemos esquecer que o custo de mantença de um animal bom ou ruim é o mesmo. Em muitos casos, para confirmar a eficiência de uma vaca, medimos somente a sua produção de leite, porém hoje, em muitas propriedades, o item reprodução é preocupante, pois vaca vazia não tem parto e, sem parto, não há leite, pico de produção etc.

recer. Os ingredientes devem conter: energia; proteínas; minerais; vitaminas A, D e E. Além disso, as rações para animais de melhor produção devem apresentar aditivos e tamponantes. Na linha leite da Irgovel, a IRGOLEITE, temos rações com ingredientes selecionados, analisados e bem equilibrados, com os diversos níveis proteicos adequados às fases de crescimento e produção dos animais. Para determinar o nível proteico das rações para vacas em lactação, o critério é o tipo de volumoso da época, por exemplo: agora que estamos entrando no período de inverno, quando as pastagens apresentam alto nível de PB (proteína bruta), podemos e devemos compor a dieta com uma ração de menor nível de PB.

Ao calcular uma dieta analisa-se, principalmente, o volumoso que está disponível, por ser o item alimentar mais barato, usado em muita quantidade, com o qual volumoso temos a fibra, as proteínas e alguns minerais necessários. No entanto, também é importante o item energético, ou seja, o amido, obtido nas rações e nas silagens de milho com muito grão, para que a vaca tenha condições de produção e reprodução. Assim, temos que nos preocupar muito No verão, quando as pastagens têm com o aspecto da energia, que é menos PB e os animais comem mais o mais impactante para o animal. silagem de milho, devemos ofertar rações com um nível maior de PB. Para uma vaca produzir, por exem- Resumindo, só teremos aniplo, 25 litros de leite por dia, ela mais produtivos e em boas precisa de uma dieta com 15% de condições reprodutivas ofereproteína bruta e mais ou menos cendo dietas equilibradas em quan68% de energia, logo, a quanti- tidade, sem esquecer a qualidade. dade de alimentos que ofereçam Com as rações IRGOLEIenergia deve ser muito maior. TE, o produtor tem todas as Energia = amido=ração. Devemos condições para obter resultasaber exatamente os ingredientes e dos eficientes em seu rebanho. os níveis da ração que vamos ofe-


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Foto: Émerson Sabedra

Sementes: mercado em expansão na Região da Campanha Há alguns anos, o mercado de sementes passava por um problema quanto à multiplicação de sementes. A necessidade de uma certificação no Registro Nacional de Sementes e Mudas (Renasem), orgão regulador do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) fez com que muitos produtores tivessem que importar esse produto ou buscá-lo em outras regiões.

Probajé Sementes, empresa que atua há três anos como multiplicadora de sementes e também com limpeza, armazenagem e venda de grãos, tornou-se uma importante aliada do produtor. Certificada pelo Renasem, a empresa dirigida por Delmar Salton Júnior vem ganhando destaque na região.

Júnior contou que há alguns anos, a maior dificuldade era adquirir a semente base com os laboHoje, na Região da Campanha, ratórios. Hoje, por estarmos em isso não é mais um problema. A uma região que mostra grande

produção de grãos, esse problema já não existe mais. “Hoje os laboratórios acreditam na região e é mais fácil conseguir a semente base. Assim, a multiplicação Foto: Émerson Sabedra

torna-se mais acessível e o produtor já tem a quem recorrer”, disse. Inovação Pela primeira vez no município de Bagé, a empresa Probajé está utili zando para a estocagem de produção um armazem inflável. “Nossa produção está crescendo muito. Este ano nós inovamos e trouxemos este galpão inflável. Ele é muito utilizado em São Paulo, mas nunca foi visto em Bagé”, completa Delmar.

Procura por vacas de invernar é maior que oferta A Frivac acontece no dia 14 de maio, no Sindicato Rural de Rosário do Sul.

Há 14 anos, no mês de maio, a Veterano Remates realiza em Rosário do Sul a Feira da Vaca de Invernar e com Cria, a FRIVAC.

fato pode preocupar compradores: a falta de oferta. Fagundes comentou que a vaca de invernar está se tornando um artigo escasso no mercado e que a procura já é maior que a oferta. “Por isso não podemos precisar ainda a oferta que teremos. É necessário mais tempo para os vendedores decidirem se vão ou não ofertar esses animais”, explica o presidente.

É uma feira de muito sucesso no município de Rosário do Sul. Segundo o diretor da Veterano Remates, empresa que realiza a feira, Daniel de Pietro Fagundes, a ocasião é a malhor maneira de venda desses animais. “O vendedor faz o desmame do terneiro e já se li- A Frivac acontece no dia vra da vaca e o comprador já está 14 de maio, no Sindicacom a pastagem plantata”, afirma. to Rural de Rosário do Sul. Mesmo com todo o sucesso, um

Foto: Alexandre Teixeira


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20 DE ABRIL À 20 DE MAIO DE 2014 Foto: Everton Neves

ESPECIAL

O MERCADO

DO LEITE

A história do produtor rural Fabio da Silva é a mesma de milhares de jovens que ao completarem a maioridade deixam o campo pelas “facilidades” da cidade. Criado trabalhando na propriedade do avô na localidade de Boqueirão interior de São Lourenço do Sul/RS, após prestar o serviço militar, Fábio resolveu mudar-se para a cidade. Com o tempo passou a trabalhar na administração de uma rede de lojas do ramo calçadista. A experiência administrativa de anos, somada ao curso superior de Administração de Empresas, foram fundamentais para a retomada á propriedade da família. Com o passar dos anos o avô Dirceu da Silva, que enfrenta problemas de saúde, ficou impossibilitado de tocar os negócios da família – transporte de cargas, patrulhas agrícolas e o tambo de leite, ai entra Fábio na história. “Minha avó ficou um ano insistindo para que eu voltasse e as-

AApósrevanche da família Silva muita insistência da avó, Fábio se desafia a realizar um processo de renovação na propriedade.

sumisse a propriedade”, comenta. “Peguei a propriedade em uma fase complicada: animais velhos e despesas elevadas, para se ter uma idéia tínhamos 50 vacas em lactação para produzir 510 litros/dia”. Após muita insistência da avó, Fábio se desafia a realizar um processo de renovação na propriedade: Transformar um Tambo de Leite com baixa produção e custos elevados em uma atividade produtiva e rentável. Logo Foto: Everton Neves

de início, Fábio contratou a assistência técnica de dois médicos veterinários que lhe ajudaram a fazer um raio X da propriedade e do rebanho. Após quatro anos, Fábio dá risadas quando vê o que conseguiu melhorar no tambo da família, mas segundo ele, passou por maus momentos, além dos custos elevados, havia dívidas a serem pagas. Atualmente as 74 hectares da família Silva, estão totalmente dedicadas à atividade leiteira, com um rebanho de 86 animais da raça Holandesa, sendo 84 fêmeas, Fábio utiliza 100% de inseminação artificial. Com 36 vacas em lactação a produção atualmente é de 600 litros/dia, chegando no pico a 800 litros/ dia, entregues para a Coopar. “O tambo começa na lavoura”, comenta o produtor ao destacar que toda a alimentação é produzida na propriedade. “Eu utilizo 100% de plantio direto”, afirma. As instalações ainda são as mes-

mas dos tempos do avô, mas o manejo e a qualidade genética dos animais mudou em muito. Produzindo toda a comida necessária: silagem de milho, milho em grão, azevém, sorgo, milheto, trevo, pastagens perenes de Tifton e Gig’s e a ração concentrada, Fábio garante que somadas às receitas da venda do leite e das novilhas excedentes, a lucratividade chega a 35%. “Eu não me preocupo com o preço que a cooperativa paga, eu me preocupo é com os custos de produção”, comenta o produtor que hoje faz ração concentrada ao valor de R$0,70 o kg e possui um controle rigoroso de custos de produção, custos fixos e fluxo de caixa. “A propriedade tem que ser tratada como uma empresa” comenta. Quem viu o jovem Fábio indo embora, deslumbrado com a cidade, hoje vê um produtor rural dedicado, competente e que sabe o que faz, tanto, que deu uma verdadeira revanche na crise.


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ESPECIAL

O MERCADO

DO LEITE

Por Roberto Fossa Barcelos Engenheiro Agrônomo RC Agroeste Sementes Com a vinda de novas tecnologias o campo tem se modernizado cada vez mais em todos os sentidos e modos, hoje temos tecnologias das mais simples as mais complexas cabe a nós conseguirmos identificar quais são as nossas necessidades e fazer com que os nossos objetivos sejam atingidos de maneira mais rápida e com o menor custo possível. Não é diferente na hora de fazer a silagem, a genética dos animais cada vez mais apurada e a exigência nutricional muito maior para podermos atingir os melhores índices de conversão alimentar seja em leite ou carne. Por isso, que precisamos de comida de qualidade. Antigamente quando íamos comprar uma semente de milho o que mais se ouvia era o produtor pedindo milhos de porte alto e que não tinham problema de tombar, o que significava? Que o

Silagem de qualidade Vale a pena lembrar que a cultura do milho é uma das que mais responde a adubação.

milho que iríamos fazer silagem era com alto teor de fibra e hoje o que queremos é que a silagem tenha um teor de fibra digestível. O que devemos levar em consideração para se fazer uma boa silagem: Escolher um hibrido de milho que seja com esta finalidade - silageiro, com isto iremos ter uma relação de qualidade e quantidade. Com este híbrido ainda teremos uma “janela de corte” maior, ou seja, ele ficará no ponto de corte por um período maior. Organizar o maquinário – afiar as facas da ensiladeira e fazer as devidas regulagens. Isso é fundamental para que possamos ter um tamanho de partícula ideal, para melhor aproveitamento do animal como também para fazer a compactação do silo.

Escolher um local seco para fazer o silo. Usar lonas de boa qualidade para que não se tenha problemas de micro furos e que aconteça de rasgar a lona, com isso entrará ar no silo diminuindo a qualidade da silagem. Com o uso de um hibrido indicado para silagem iremos ter bastante grão e folhas dando uma qualidade na nossa silagem. Para o ponto ideal de corte temos que cuidar a linha de leite do grão, que quando este estiver 2/3 de grão duro esta no momento certo de ensilar. Este momento varia de cada hibrido e empresa, mas dando o exemplo dos milhos da Agroeste este ponto vai ser por volta de 100 a 115 dias, dependendo da época de plantio. Se tivermos uma planta de milho que as folhas estão verdes e a espiga lourando teremos uma qualidade de corte muito boa, porque vai cortar muito melhor e o grão irá quebrar bem uniforme, nos dando um tamanho de partícula de silagem muito bom tanto para a compac-

tação como também para o aproveitamento no rumem do animal.

Vale a pena lembrar que a cultura do milho é uma das que mais responde a adubação, principalmente a nitrogenada, por isso, tanto para silagem como para grão somente iremos ter produtividades elevadas se tivermos adubações elevadas e somente teremos produtos de qualidade se tivermos matéria prima de qualidade, ou seja, se o milho que vamos fazer silagem é ruim a silagem vai ser ruim e como estamos investindo em genética do nosso gado temos que fornecer comida de qualidade.


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Expoagro Afubra 2014

ESPECIAL

EXPOAGRO

recebeu público recorde

AFUBRA

Com todos os dias de tempo bom, a 14ª Expoagro Afubra chegou ao final na quinta-feira, 27 de março, com número recorde de visitantes. Após três dias de grande movimentação, 80,4 mil pessoas estiveram no Parque da Expoagro, localizado em Rincão Del Rey, Rio Pardo/RS. São 11,4 mil a mais do que a edição de 2013, quando o público foi de 69 mil visitantes. Os números de excursões também superaram as expectativas, pois esta-

vam confirmadas 570 ônibus e foram contabilizadas 624 caravanas. Segundo o presidente da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), Benício Albano Werner, o número de visitantes surpreendeu, mas a organização estava preparada para o incremento, especialmente com o aumento no estacionamento e as alterações no fluxo de veículos visando maior mobilidade. “Com as alterações

nas entradas e saídas do estacionamento, não tivemos congestionamentos como havia ocorrido no ano passado”, comentou. Para Werner, o esforço da organização, junto com instituições apoiadoras, expositores e dos funcionários da Afubra mostrou resultados positivos. “Recebemos elogios de visitantes e expositores, o que mostra que estamos trabalhando certo”, acrescentou. “Os restaurantes tiveram filas em alguns horários, mas são problemas solucionáveis”, disse.

A presença de 150 agroindústrias se constituiu em uma atração especial.

Foto: Bertuol

Conforme o coordenador geral da Expoagro, Marco Antonio Dornelles, os dias de sol foram favoráveis, mas a infraestrutura do parque está preparada para receber os visitantes com qualquer tempo. Ele lembrou ainda que as melhorias para a próxima edição serão feitas com base na pesquisa realizada com expositores e visitantes. “Os parceiros também foram fundamentais para que a programação planejada fosse toda desenvolvida”, elogiou. Na edição de 2014, novamente, os produtores tiveram acesso às atra-

ções, novas idéias, informações e tecnologias para incrementar suas atividades rurais. Os 400 expositores apresentaram produtos, serviços e tiveram a presença de especialistas para tirar dúvidas dos visitantes. Instituições de pesquisa e ensino, entidades ligadas à agricultura e ao meio ambiente, setor de animais, demonstrações de máquinas e implementos, lavouras demonstrativas e representações governamentais levaram o que têm de melhor para a exposição. Também foram três dias de discussões sobre as questões econômicas e sociais ligadas ao setor primário. Palestrantes, visitantes, painelistas e debatedores discutiram problemas e soluções em dezenas de seminários, reuniões, palestras e painéis, promovidos com o objetivo de unir a diversidade de opiniões e buscar soluções conjuntas. A presença de 150 agroindústrias se constituiu em uma atração especial, com produtos coloniais, como queijos, sucos, salames, pães, bolachas, flores, geléias, compotas, entre outros. Inclusive, o mix de produtos orgânicos cresce a cada ano na Expoagro.


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Fertec: Pioneira em nanotecnologia Dentre os produtos fabricados pela FERTEC estão o Nyon Solo Cal e Nyon Power Mag.

Por Marco Aurélio Pigatto Engenheiro Agrônomo Gerente Com. Regional Sul A FERTEC é uma empresa nacional de nutrição vegetal situada na cidade de Barretos/SP, pioneira em fazer uso da nanotecnologia, em suas formulações de suspensões fluidas de alta concentração, devidamente certificada pelo IBD – Instituto Biodinâmico de Certificação e registrada no MAPA para fabricação e comercialização de Fertilizante Mineral Misto , de natureza fluída, tendo como princípio buscar incessantemente inovação de produtos e serviços com sustentabilidade ao meio ambiente, possuindo um laboratório próprio e credenciado junto ao Ministério da Agricultura, para controle da qualidade de suas matérias primas e produtos acabados. Dentre os produtos fabricados

Foto: Everton Neves

pela Fertec estão o Nyon Solo Cal e Nyon Power Mag. Estes produtos são compostos porCaO e MgO que aliado a tecnologia de nanoparticulação confere ao produto uma rápida reação no solo e correção do perfil do solo fornecendo Ca e Mg, neutralizando Al e aumentando o pH. Por se tratar de um produto líquido a sua aplicação é facilitada uma vez que é aplicado em superfície em área total com um pulverizador, o que proporciona um rendimento maior no processo de calagem. A Fertec fabrica também produtos com elementos simples como por exemplo o Nyon Solo Boro, Nyon Solo Zinco e Nyon Manganês. Todos com alta concentração e nanoparticulados, com aplicação via solo. Como exemplo de produto contendo dois elementos pode-se citar o Acelere NK 15, produto a ser utiliza-

Empresa esteve presente na Expoagro Afubra 2014.

do via solo como fonte de N e K. A FERTEC possui representantes espalhados por todo o país,

sendo profissionais capacitados para prestar toda assistência que requer produtos de alta tecnologia.

Fórum de Ovinocultura apresenta case de sucesso Foto: Everton Neves

Na tarde de quinta-feira, 27 de março, aconteceu, durante a programação da Expoagro Afubra 2014 o Fórum da Ovinocultura. No encontro se falou sobre a viabilidade da ovinocultura nos Vales do Taquari e Rio Pardo, sobre o Fundovinos e sobre o Projeto Cordeiro do Alto Camaquã. A falta de coordenação da cadeia produtiva, a falta de confiança entre os setores da cadeia, a oferta irregular e a indefinição sobre a qualidade eram alguns dos problemas enfrentados pelos ovinocultores da região do Alto Camaquã. Com o objetivo de superar

estes e outros desafios, em 2009 um grupo de produtores se uniu em uma associação e criou o Projeto Cordeiro do Alto Camaquã. Organizados em grupo, eles tiveram a oportunidade de negociar com a indústria e o varejo para a venda da produção. Assim, definiram padrões de qualidade, preço, prazo e quantidade. A demanda cresceu, assim como a oferta. Apenas no ano de 2013, em abril eram comercializados cerca de dez cordeiros por semana. Em dezembro, esse número passou de 300. Hoje, o projeto faz parte de um grupo que agrega 20 associa-

ções, conta com cinco linhas de produtos e mais de 30 itens entre carne, artesanato e culinária. De acordo com o pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Bagé, Marcos Borba, a tendência é um incremento ainda maior na produção com a busca de novos mercados e pontos de venda. Ele explica ainda que “a qualidade tem mais relação em fazer a utilização correta dos recursos naturais do que com a capacidade de investimento do produtor.” E é isso que o Projeto Cordeiro do Alto Camaquã quer vender cada vez mais, ovinos com padrão de qualidade e procedência. A ideia de Borba é compartilhada pelo Médico Veterinário Marcelo Grazziotin, consultor do Programa Juntos Para competir, que falou sobre a viabilidade da ovinocultura nos Vales do Taquari e Rio Pardo. Para Grazziotin, não há como definir se a criação de ovinos é viável ou não. “Existem aspectos importantes para o sucesso do empreendimento, mas a produção tem a capacidade de ser rentável e viável para qualquer tamanho de pro-

priedade.” O Médico Veterinário explica que, para isso, alguns fatores são determinantes, entre eles, a raça mais adequada de acordo com o tamanho e as características da propriedade. “Além disso, para uma produção bem sucedida, o mais importante não é o investimento, mas o manejo adequado.” Durante o Fórum de Ovinocultura o Secretário Executivo do Fundo de Desenvolvimento da Ovinocultura (Fundovinos) ainda falou sobre o fundo, instituído em 1998, que dispõe sobre a produção e circulação de carne e derivados como lã. Segundo Roberto Azambuja, além de disponibilizar recursos para financiar a produção, um dos papéis principais do Fundovinos é “promover o desenvolvimento socioeconômico do setor, através da qualidade dos produtos.” Entre os projetos validados pela Câmara Setorial e aprovados pelo Fundovinos estão a certificação da carne de cordeiro, melhoramento genético de produtores de lã, qualificação da lã da raça Merino Australiano e melhoramento genético de reprodutores.


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20 DE ABRIL À 20 DE MAIO DE 2014 Foto: Arquivo

ESPECIAL

EXPOAGRO

AFUBRA

Graziela Menezes Tecnóloga em Desenvolvimento Rural - UFRGS A produção de noz pecan tornou-se uma boa e nova opção no campo como fonte de geração de emprego, renda e motivação para a permanência do homem do campo no campo, já que, esta cultura só vem a contribuir e agregar valores as propriedades sejam elas desenvolvidas dentro do sistema de agricultura familiar ou do agronegócio. Esta cadeia produtiva encontrou um nicho de mercado totalmente carente, onde a produção da fruta é absolutamente insuficiente para abastecer a demanda nacional, visto que o país importa hoje cerca de 90% do produto que consome. Este fato também vem estimulando muitos produtores locais, regionais, estaduais e nacionais a investir nesta cultura, visando agregar valor as suas propriedades, bem como planejar o futuro de seus filhos e netos, uma vez que estes produtores desejam que seus herdeiros permaneçam no campo sob uma ótica de uma propriedade produtiva, lucrativa e sustentável, onde se possam colher bons frutos da terra sem agredir ao meio am-

Noz Pecan : Uma nova opção no campo o investimento inicial gira em torno de R$ 5 a R$ 7 mil por hectare e a produção pode render entre R$15 a R$18 mil /ha por ano

biente e ao ser humano, e não mais sob uma visão de que o campo é sinônimo de atrasado como foi estigmatizado nas últimas décadas. A grande vantagem para o produtor que se dispõe a investir nesta cultura diz respeito aos rendimentos, onde o investimento inicial gira em torno de R$ 5 a R$ 7 mil por hectare e a produção pode render entre R$15 a R$18 mil / ha por ano em sua fase produtiva quando atinge a estabilidade, e sempre visando uma perspectiva de maior produção a cada ano. Para estes produtores interessados em dar início aos seus pomares, estão disponíveis linhas de crédito via Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (PRONAF) e Agricultura de Baixo Carbono (ABC), com prazo de 12 anos com carência de até 8 anos. Para implementar um pomar de pecan, a orientação e acompanhamento técnico oferecidos pela Paralelo 30 Sul vem a contribuir com os agricultores para garantir a qualidade e alta produtividade. Com manejo, solo e clima adequados, um pomar de noz pecan pode produzir 3 toneladas por hectares. Em áreas irrigadas, esse volume supera as 4 toneladas no

auge produtivo, entre o 12º e o 15º anos. A produção de uma árvore adulta corretamente implantada varia entre 20 e 50 quilos na fase adulta. Um pomar de noz pecan implantado de maneira apropriada garante produção precoce e longevidade nas colheitas. A experiência da empresa demonstra que algumas árvores começam a produzir com 2 anos, com colheita econômica a partir do 5º anos de implantação. Por serem perenes, as nogueiras ultrapassam gerações, oferecendo estabilidade e rentabilidade para as famílias. Outra vantagem que a pecanicultura apresenta frente a outras culturas é referente à capacidade de consorciamento que ela possibilita desde sua fase inicial de plantio a sua fase produtiva. Nos primeiros anos do pomar, é possível consorciar a produção de nogueiras com sementes de forrageiras, melancia, abobrinha, tabaco, milho e ovinocultura, no sistema “voisin”. Na fase adulta, tornam-se possíveis opções como o gado leiteiro, de corte e os ovinos. Desta forma, o consórcio se torna um aliado dos produtores para baixar os custos e aumentar o lu-

cro, onde agregar renda nas propriedades rurais é um dos principais desafios para os agricultores. Por estes, e por muitos outros motivos, que a PARALELO 30 SUL AGROPECUÁRIA, entrou no mercado para revolucionar os conceitos em mudas de noz pecan, oferecendo aos produtores e futuros produtores, mudas de nogueiras com alta genética adaptadas ao nosso clima, prestando assistência técnica e atuando na compra e venda de noz pecan. “Temos solo e clima apropriado para produzir, a nossa empresa tem a muda com qualidade genética de alta produção, desta forma com a implantação de novos pomares será possível ampliar a produção de pecan e vir a suprir parte do nosso mercado interno que é carente deste produto,” estima Jorge Alberto Porto, engenheiro agrícola da Paralelo 30. “Estamos à disposição dos produtores para prestar todas as informações necessárias para a implantação de novos pomares, aja vista que pecanicultura só tem a contribuir para o fortalecimento da agricultura o que tange os aspectos de geração de emprego, renda e a permanência do homem no campo.” completa.


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Crédito para o homem do campo O Sicredi, uma instituição financeira cooperativa possui soluções de crédito rural para seus associados.

O crédito e o financiamento rurais são importantes armas para o produtor que quer ampliar, modernizar ou mesmo adquirir animais durante as diversas feiras de cada temporada. As maiores feiras de terneiros, por exemplo, contam com crédito e financiamento através dos mais variadas instituições financeiras. O Sicredi, uma instituição financeira cooperativa, por exemplo, possui soluções de crédito rural para seus associados, que atendem as necessidades de custeio, investimento e comercialização dos produtos, com limites que variam com a necessidade de cada produtor. Durante as feiras agropecuárias, há uma observância detalhada para as necessidades de cada associado. Mas de modo geral, a cooperativa oferece atendimento balizado nos laços de relaciona-

mento com os associados e, segundo a instituição, nessa forma de olhar o mercado que são conduzidas as participações em feiras. Para aquisição de animais nas feiras de terneiros, disponibiliza a linha de investimento pecuário que tem prazo de até 3 anos para pagamento, podendo atender produtores enquadrados no Pronaf, Pronamp ou Demais Produtores. Segundo o Superintendente Regional do Sicredi para a Região Fronteira Sul, com sede em Bagé e abrangência em 11 municípios, Luiz Alberto Lopes, é importante procurar a instituição antes das feiras para definir os limites de crédito: “É importante que os produtores interessados procurem o Sicredi onde são associados com antecedência, para encaminharem suas demandas e assim poderem participar das feiras já com seu limite de crédito definido,

através do crédito pré-aprovado”. O Sicredi tem alguns diferenciais por ser uma cooperativa de crédito. “Entender o que o associado precisa é essencial, principalmente no segmento da Agropecuária que é a mola propulsora do Sicredi. Buscamos mapear as necessidades reais de cada associado para, a partir dessa lógica, desenvolvermos junto a construção das melhores

opções de crédito para o projeto produtivo ou o crescimento almejado de seu negócio”, ressalta o diretor de desenvolvimento da Sicredi RS/SC, Gilson Heidrich. Foto: Divulgação (foto abaixo)

Foto: Divulgação

De janeiro a março deste ano a concessão de crédito pelo Sicredi cresceu 20,65% sobre igual período de 2013. O que mostra o cenário de avanço desse segmento na tomada de financiamentos.

Leilão inédito no Brasil com foco na pecuária gaúcha recebe inscrições até 30 de abril Com modelo consagrado internacionalmente, Lance Rural acontece em 21 de maio, em Porto Alegre (RS), e disponibiliza terneiros Angus, Brangus, Hereford e Braford.

Os criadores de gado de corte têm até 30 de abril para inscreverem seus animais na primeira edição do leilão virtual certificado Lance Rural. O evento marca a entrada do Brasil nesse sistema já utilizado com sucesso nos Estados Unidos, Uruguai, e Argentina. Nos leilões virtuais certificados, os compradores têm acesso a um conjunto de informações atestadas por técnicos que visitam as fazendas. Esse modelo de negócio é muito vantajoso para vendedores e compradores, já que traz mais credibilidade transparência à transação, alem de redução de custos aos produtores

categoria, cruzamentos, idade e peso estarão à disposição dos interessados antecipadamente, facilitando o processo para o comprador. Outro importante diferencial é que o animal não precisa ser transportado até o recinto. O gado só sai da fazenda do vendedor para ser entregue ao comprador.

Todos os lotes a serem leiloados são filmados e inspecionados por técnicos credenciados. As informações sobre os animais como

São nove leiloeiras envolvidas no projeto: Boinaweb, Coxilha Remates e Negócios Rurais, Grandero Compra e Venda de

Entre as vantagens desse sistema ainda há a transparência, já que todos os resultados e as cotações detalhadas por categoria animal são disponibilizados após o evento, e a valorização dos lotes, com superioridade e uniformidade.

Gado, Knorr Leilões, La Rural, Lund Negócios, Mercado Agropecuário, Rédea Remates e Tellechea & Bastos Leilões. Com foco na pecuária gaúcha, o Lance Rural – Leilão Certificado número 1 disponibilizará 5 mil cabeças de gado, principalmente Angus, Brangus, Hereford e Braford, além de Charolês, Devon e suas cruzas, e acontecerá no Jockey Club do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre (RS), no dia 21 de maio, a partir das 14h. O evento terá transmissão ao vivo pela TV e pelo site C2Rural (www.c2rural.com.br). A coordenação geral, o sistema de informações, transmissão dos leilões, divulgação e promoção é do Canal Rural, principal plataforma de comunicação especializada

em agronegócio do Brasil. A coordenação técnica e certifi¬cação é da Assessoria Agropecuária FFVelloso & Dimas Rocha. “O leilão virtual certificado oferece muitas vantagens. Além da transparência e credibilidade, tem a realização da venda por peso e não por unidade, melhor tanto para quem vende como para quem compra, e a possibilidade de prever o horário de cada um dos lotes vendidos, facilitando a organização da agenda do comprador”, explica Fernando Velloso, coordenador do projeto e sócio da Assessoria Agropecuária FFVelloso & Dimas Rocha. Mais informações sobre o projeto podem ser conferidas no site www.lancerural.com.br.


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20 DE ABRIL À 20 DE MAIO DE 2014 Foto: Everton Neves

ESPECIAL

O MERCADO

DO LEITE

A história da Pomerano Alimentos está diretamente ligada à história da COOPAR, entidade esta, fundada em maio de 1992, com 41 associados, dedicava-se a trabalhar basicamente com grãos e insumos. Em 12 de janeiro de 2001, a cooperativa entra no mercado do leite, um período não muito bom, pois o produto sofria uma queda nos preços. Em 60 dias de trabalho: 300 produtores e 450 mil litros de leite/mês, neste período a cooperativa apenas recolhia o produto e repassava para uma indústria de laticínios. Por terem entrado em uma região que não havia concorrência, o leite neste mesmo período sofreu um acréscimo de mais de 30%. Em apenas quatro anos mais de 500 produtores e dois milhões de litros/mês. Passados sete anos, a diretoria da entidade começa a pensar em implantar uma indústria que pudesse beneficiar a produção e agregar valor ao produto. Através do PROINCO/BNDS foram arrecadados 2,3 milhões de reais, sendo 60% do investimento a fundo perdido e o restante do pagamento com 10 anos de prazo. Através do

Pomerano Alimentos: a união de produtores que se transforma em marca forte na região sul do estado

MDA com contrapartida da Prefeitura Municipal foi arrecadado 500 mil e 1 milhão de reais com recursos próprios, somando 4 milhões como investimento inicial. Em 14 de dezembro de 2010, começa a operar a Pomerano Alimentos, produzindo queijos, bebida láctea, creme de leite em balde e doce de leite, industrializando 5 mil litros/dia. Seis meses depois, a produção de queijos passou para 10 mil litros/dia – 1 tonelada de queijo, dos tipos: Prato, Mussarela e Golda, aumentando gradativamente até 30 mil litros/dia. Com duas unidades de produçãoprimeira localizada na Boa Vista – interior de São Lourenço do Sul/ RS e a segunda, as margens na BR 116 – São Lourenço do Sul em direção á Porto Alegre. Operando desde outubro de 2012 a segunda unidade da Pomerano alimentos recebe 100 mil litros de leite/dia, industrializando 30 mil litros, sendo o restante comercializado para a BRF/SA uma das três maiores empresas de lacticínios do Brasil. Atualmente 500 produtores estão distribuídos em cinco municípios –

São Lourenço do Sul, Amaral Ferrador, Cristal, Canguçu e Pelotas e mais três cooperativas – Coopal, Cooplerg, Coopacs e uma associação de produtores de Pelotas são os responsáveis pela produção. A média dos produtores ainda é baixa, cerca de 140 litros/dia, mas o volume de leite é grande o que garante a produção de três toneladas de

leite ao produtor ficou em R$ 0,93 – oscilando de R$ 0,85 a R$ 1,05.

queijo/dia, comercializados na região sul, serra gaúcha e campanha.

Pomerano Alimentos uma marca forte que se consolida no mercado da região sul: a união de produtores, homens simples e trabalhadores, que se transformou em indústria com o nome que homenageia as suas origens.

Foto: Everton Neves

No ano de 2013 o faturamento da Pomerano chegou a 33milhões de reais, sendo 9,5 milhões resultado dos produtos industrializados. A média do valor pago pelo litro de

Hoje, os investimentos da Pomerano Alimentos ultrapassam os 5 milhões de reais, somente na segunda unidade de produção, com a aquisição e implantação de uma linha de produção de queijos totalmente automatizada, com equipamentos nacionais e italianos. Segundo Fabio Bender – gerente da Pomerano, a previsão é que até o mês de julho serão produzidos seis mil kg de queijo/dia. Estratégias de comunicação e marketing serão implantadas para aumentar a penetração da marca no mercado, a estimativa é que em dois anos a comercialização deverá dobrar. Para garantir a qualidade dos produtos a Pomerano conta com a consultoria do mestre queijeiro José Luiz Ipar – Uruguai, com passagens pelas empresas LG e Santa Clara.


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Aberta inscrições para a maior

Exposição Nacional HB de todos os tempos Criador, não perca a oportunidade de participar da Exposição Nacional de Hereford e Braford 2014.

Foto: Divulgação

Aberta, desde o dia 14 de abril, as inscrições de animais para a Exposição Nacional HB, que acontece de 19 a 24 de maio, no Parque de Exposições Dr. Lauro Dornelles, em Alegrete/RS. Os jurados serão Aldo Tavares para raça Hereford e Gustavo Isaacsson do Braford. Participe na maior vitrine das raças HB do ano e dê visibilidade ao seu negócio! As inscrições para a Exposição Nacional HB 2014 devem ser feitas até o dia 05 de maio através da ABHB, Av. General Osório, 1094, Caixa Postal 483, CEP: 96400-100, Bagé-RS, fone fax 53 32421332 ou 53 33128726, (horário comercial) e-mail: secretaria. hereford@braford.com.br. As fichas de inscrições padrão encontram-se para download na sessão documentos, no site www.abhb. com.br , podendo também ser pedidas à secretaria da Associação. Valores: I. Modalidade Galpão: i. de 01 a 05 animais – R$ 120,00 por animal / ii. de 06 a 10 animais –R$ 95,00 por animal / iii. mais de 10 animais – R$ 85,00 por animal II. Modalidade Rústicos (já incluído o reserva): i. de 01 a 03 trios – R$ 220,00 por

trio / ii. de 04 a 08 trios –R$ 200,00 por trio / iii. de 09 a 12 trios – R$ 175,00 por trio / iv. mais de 12 trios – R$ 160,00 por trio. III. Animais somente para apresentação : R$ 250,00 por animal b) as inscrições de animais somente a venda deverão ser feitas diretamente na Agenda Remates, Rua Nossa Senhora do Carmo, 80 - Alegrete - RS. Fones: (55) 3422.4664, 3422.5133 e 3422.4457 e-mail:agendaremates@pro.via-rs. com.br *Animais somente a venda não pagarão inscrição. Para os lotes de animais registrados, oriundos de propriedades situadas em cidades da área de abrangência do Núcleo Fronteira Oeste de Hereford e Braford, NFOHB, não associadas ao mesmo, será cobrada uma taxa de inscrição adicional de R$ 100,00 (para animais a galpão) e R$ 200,00 por lote para a venda em leilões na exposição. *Os animais já deverão vir devidamente loteados e portarem o brinco de identificação do Programa Gado Pampa Certificado. *As inscrições para animais somente a venda encerrar-se-ão no dia 16 de maio.


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ESPECIAL

O MERCADO

DO LEITE

Um dos maiores problemas enfrentados por produtores da região sul do Rio Grande do Sul, mais especificamente do município de Santa Vitória do Palmar, sempre foi a logística para a comercialização do leite. Pensando nisso, em 1997, produtores do município criaram uma cooperativa, com a finalidade de proporcionar melhores condições de mercado. Foi o ano em que a Sul Leite foi inaugurada. Uma cooperativa que une, em sua maioria, criadores da Raça Holandesa. No município, são utilizadas duas variedades da raça: a Holstei, talhada ao confinamento, e a Frisia, própria para produzir a pasto. Segundo o presidente da Cooperativa Sul Leite de Produtores de Santa Vitória do Palmar, Carlos Campos, o problema de logística do município era notório, uma vez que se trata de uma grande extensão, mas com largura estreita. Isso

Leite: Conheça o trabalho da Sul Leite em Santa Vitória do Palmar dificultava a venda da produção e com a cooperativa, o problema foi resolvido. “Nós temos uma parceria com a Consulati desde a criação da Sul Leite. Produzimos 600 mil litros/mês e com o problema de transporte resolvido, nós conseguimos comercializar toda essa produção in natura”, contou. A cooperativa cobra uma alíquota fixa de todos os membros, e com esse montante é possível fazer o escoamento da produção. Foto: Arquivo

Campos comentou que a cooperativa investiu em tecnologia, assistência, fomento, e criou um setor mercantil que possibilita maior lucratividade para os produtores. “O produtor recebe todo o valor da venda do leite in natura. Além disso, estamos conseguindo complementar o preço e os produtores acabam mais satisfeitos”, comenta. Há cerca de 5 anos, a prefeitura implantou uma indústria de laticínios no município, e foi entregue para a cooperativa administrar: “Nós queríamos acabar com a venda de leite em garrafas pet em Santa Vitória. Sabemos dos problemas à saúde dos consumidores, e começamos a trabalhar com leite em saquinho. Depois começamos a fabricar doce de leite, e com a ajuda de tecnologia internacional, hoje nosso produto é reconhecido por todos que provam”. O presidente contou também que o mercado do leite varia apenas no preço. Como todo produto agríco-

la, o preço depende, entre outros fatores, da produção. Hoje, tecnologias estão sendo agregadas para a melhora da produção de leite no município. Desde pastagens, insumos e melhoramento genético, ajudam a produzir um leite mais saudável e melhor para o consumidor. Mas ainda há um problema que vem se agravando no município: a mão de obra. Segundo a Sul Leite, a produção de leite requer uma mão de obra especializada. “É um trabalho que necessita de empenho. Iniciamos ainda pela. Também é necessário que os trabalhadores sejam pró ativos, busquem especialização e conhecimento para crescer junto com o mercado”, terminou Campos.


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Foto: Divulgação

ENTREVISTA

FERNANDO ZAMBONI Quando surgiu a importadora? A Winelands Importadora e Clube do Vinho completarão 2 anos e meio em julho. Por que a vontade de montar uma importadora? Desde os 20 anos sou apaixonado por vinhos e comecei a estudar muito o assunto logo surgindo a vontade de transformar isso em negócio, o que ocorreu finalmente em 2011. Antes disso trabalhava com exportação de produtos manufaturados para mais de 50 países. Para que o negócio tivesse sucesso eu precisava obter um conhecimento melhor sobre o mundo dos vinhos então me formei sommelier internacional e Juíz internacional para a qualificação de vinhos pela FISAR e então entrei para a Wine and Spirit Education Trustcursando até o WSET nível 3. Hoje, além da importadora e do Clube ministro cursos e palestras sobre vinhos semanalmente. Como foi o processo de montagem da importadora? O primeiro contato foi feito diretamente com os produtores? Lembra quais foram os primeiros? Queríamos fazer com que os membros aprendessem sobre vinhos enquanto participassem do Clube e para oferecer uma série de vantagens e diferenciais, tivemos que trabalhar muito no desenvolvimento de nosso site antes de ini-

Winelands clube do vinho O que você acha de participar de um Clube de Vinhos e receber belos exemplares no conforto de seu lar?

ciar as operações. Os contatos com os produtores sempre foram feitos por mim diretamente, seja em viagens de negócios ou em visitas em feiras especializadas. O primeiro fornecedor do Clube foi a vinícola Quinta dos Mattos de Portugal, esse produtor, no caso, foi uma indicação de um amigo. Atualmente, trabalham com quantos produtores? Qual região tem mais destaque na sua importadora? Trabalhamos atualmente com 30 fornecedores produtores, mas essa quantia aumenta mensalmente, pois como oferecemos aos nossos membros do Clube somente vinhos inéditos no Brasil somos obrigados a trazer novidades todos os meses, pois os vinhos não podem se repetir nos kits enviados aos membros. Vinhos de países não tão comuns são os que se sobressaem no Clube, vinhos búlgaros, eslovenos, húngaros, gregos etc... Vocês importam vinhos de quantos países? Atualmente importamos de 16 países, mas no momento estamos em negociações com outros 3 inéditos. Vocês comercializam para restaurantes e, também, consumidores finais? Pode citar alguns restaurantes? Somos um Clube de vinhos, im-

portamos praticamente para nossos membros (consumidores), mas desde o ano passado passamos a fornecer alguns e-commerces com vinhos exclusivos e essas parcerias estão dando muito certo e crescendo regularmente, já estamos sendo bastante procurados por esse tipo de comércio de vinhos porcausa de nossos rótulos diferenciados, de bom preço e não comuns no mercado brasileiro. Possuímos alguns clientes como distribuidores para vinhos exclusivos aqui no RS, ES e em SP. Para quais regiões do País vocês comercializam? O Clube atende e possui membros no país inteiro, mas pessoas jurídica (e-commerce) temos em SP, ES, RS e RJ. Os brasileiros estão bebendo mais vinho? Acredita que o vinho está se popularizando mais? Sim, os brasileiros estão bebendo mais vinho, inclusive noto um aumento maior no número de jovens procurando o vinho e em aprender sobre ele, mas dizer que o vinho está se popularizando no Brasil, é exagero, temos que crescer muito ainda e para isso precisamos começar com algumas mudanças básicas, rever a classificação do vinho que deveria ser considerado ‘’alimento’’ e não bebida alcoólica como é em outros países desenvolvidos e rever a carga tributária,

pois vinho no Brasil, infelizmente ainda é considerado artigo de luxo e custa muito caro, imagine se fizesse mal a saúde, quanto custaria? Que tipo de vinho é o preferido dos brasileiros? O vinho tinto é ainda o preferido com larga vantagem, mas o espumante vem bem e o vinho rosé que quase sempre é esquecido tem sua procura aumentada,pois já se tem muitos rosés com qualidade, não são mais como antigamente. O vinho branco está estagnado, mas acredito que aumentará a sua procura, pois ainda está sofrendo preconceito de exemplares do passado que não tinham qualidade, hoje em dia a qualidade de alguns brancos é indiscutível. Informações do Clube:

Entregamos em todo o país via TAM e PAC. Temos assinatura mensal de 1, 2, 4 e 6 garrafas que custam respectivamente: R$ 50,00, R$100,00, R$ 195,00 e R$ 290,00 (esse último c/ frete grátis). Se você está buscando identificar um Clube de vinhos realmente diferenciado de todos os demais então esse Clube é o Winelands, pois levamos 2 anos para formatá-lo porque queríamos criar algo realmente diferente e que proporcionasse vantagens reais aos membros e não que fosse somente um comércio de vinhos como é a maioria dos Clubes no Brasil.


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Sempre ao lado do agricultor, Vence Tudo comemora 50 anos de comprometimento e evolução

Fundador Nelson Lauxen, presidente Marcos e vice Marciano Lauxen.

Há 50 anos um homem visionário criou uma empresa dedicada ao aperfeiçoamento do cultivo e da colheita agrícola, ajudando o mundo a produzir mais alimentos. Vindo de uma família de origem alemã, aos 23 anos Nelson Lauxen começou a criar novos equipamentos para a lavoura em sua carpintaria, na Vila Alfredo Brenner, município de Ibirubá/RS. Com a sabedoria de quem trabalhou desde cedo na terra, o engenhoso Nelson sabia qual era a necessidade do trabalhador. Em 1965 começou a fabricar plantadeiras tracionadas por animais e ainda naquele ano inventou a primeira plantadeira com tração mecânica, nascendo assim a Indústria de Implementos Agrícolas Vence Tudo. O sucesso de suas vendas foi imediato e Nelson iniciou uma trajetória de desenvolvimento tecnológico interminável, buscando sempre atender a grande demanda de produtores rurais da região. Em 1967 o empresário desenvolveu um classificador de sementes, marco inovador na empresa, sendo o pioneiro neste segmento em todo Brasil. O sucesso de vendas fez com que a Vence Tudo tivesse que mudar suas instalações para um espaço maior, o que aconteceu em 1994, indo para a área industrial do município, às margens da RS 223. Sempre ouvindo o produtor

ARTIGO

Dejalmo Prestes Engenheiro Agrônomo e Consultor

rural, a Vence Tudo foi ampliando o mercado em todo país, desenvolvendo equipamentos que se adaptavam as condições de cada região, trazendo inovação e praticidade em cada produto lançado. Foi assim com o Plantio Direto, com o exclusivo sistema Pula Pedra, com a redução de espaçamentos no plantio do milho, com a agricultura de precisão, dentre outras contribuições para com o desenvolvimento da agricultura. Hoje, com 50 anos de atividade, a Vence Tudo atende todo o território nacional e exporta para mais de 30 países. É uma empresa forte, presente nas principais feiras agrícolas do mundo. É certificada com a ISO 9001-2008 e produz máquinas para o que há de mais moderno na agricultura mundial, o plantio de precisão, semeando e fertilizando corretamente a terra através de taxa variável e assim elevando ao máximo a produtividade da colheita. Hoje administrada pela segunda geração da Família Lauxen, os filhos Marcos e Marciano Lauxen, a Vence Tudo tem inúmeros desafios para satisfazer os pequenos, médios e grandes produtores. Por isso, investe em pesquisa e desenvolvimento de novos implementos, amplia sua infraestrutura e maquinário com o que há de mais moderno na produção fabril mundial e segue trabalhando ao lado do homem do campo.

Pimenta, um tempero para saúde As pimentas e os pimentões pertencem à família Solanaceae e ao gênero Capsicum. Produzida e consumidas em todo Brasil, principalmente na forma de conserva de fruto inteiro em vinagre ou azeite, molhos, seca moida. A pungência ou picância das pimentas deve-se a presença da capsaicina. A substância química que dá à pimenta o seu caráter ardido, é exatamente esta que possui as propriedades benéficas à saúde. A capsaicina têm propriedades medicinais comprovadas, atua como cicatrizante de feridas, antioxidante, dissolução de coágulos sanguíneos previne a arteriosclerose, controla o colesterol, evita hemorragias, aumenta a resistência física. Além disso, influencia a liberação de endorfinas, causando uma sensação de bem-estar muito agradável, na elevação do humor. Semeadura: Em copos plásticos fica melhor para transplantar direto sem causar murchamento.Utilizar um substrato poroso e fértil . Época de transplantio do recipiente para o solo: Pode ser feito em qualquer época do ano nas regiões mais quentes, desde que sejam irrigadas na seca, nas regiões frias devem ser transplantadas no verão. No plantio de 1 ha é necessário cerca de 300g de sementes. A germinação ocorrerá de 15 a 20 dias após o plantio e as mudinhas devem ser mudadas quando apresentarem de 4 a 6 folhas, cerca de 50 a 60 dias após a semeadura no recipiente. Em nossa região planta-se de setembro a janeiro e na média 1,0x 0,80 metro de espaçamento, isto nos dá em torno de 10.000 plantas por hectare. Na maioria das cultivares tem um ciclo de 120 a 180 dias e produzem de 2 a 3 anos. Exige um solo fértil e comporta boa adubação nitrogenada, uma aplicação em cada ciclo vegetativo. Recomenda-se o uso de 1 a 2 kg de esterco de curral curtido, 200 g de superfosfato simples e 20 g de cloreto de potássio por metro linear. Adubação com micronutrientes é importante, recomenda-se 2 kg/ha de B, 2 kg/ha de Zn,10 kg/ha de S. Até a fase de florescimento, as adubações de cobertura são feitas com em intervalos de 30-45 dias até o final do ciclo. Normalmente utilizam-se 30 kg/ha de N e 30 kg/ha de K2O. Qualidade: é muito importante a aparência da pimenta na hora da comercialização, devemos considerar que produção sem qualidade é muito difícil aceitação, as pimentas devem passar depois de colhida por um pro-

Foto: Divulgação

PERFIL

cesso de seleção, onde se separa todas as pimentas furadas ou deformadas, deixando apenas as de boa qualidade, retirando também o pedúnculo da pimenta, no caso de conserva. Pragas: as brocas causam danos derrubando-a verde ou madura, pode ser controlado com agroquímicos ou com produtos naturais, quando utilizar produtos químicos, sempre respeitar o período de carência, dando preferência para produtos pouco tóxicos e de baixa carência. O ácaro minúsculo, que raspa a folha, que quando cresce fica enrugada (como na imagem), e com as folhas menores lanceoladas, finas e pontiagudas, ataca principalmente na época da seca. Controle: utilização de acaricida registrado, ou produtos agroecológicos. Utilizar produtos registrados e respeitando sempre o período de carência. Conservação: secagem, molhos e na conserva do fruto inteiro para comercialização em larga escala, em água potável e sal, podendo ser armazenado por até um ano, sem perder a qualidade. Se trata de colocar uma solução saturada de água e sal (cerca de 25% de sal), em embalagens resistentes de plástico ou vidro. Conservantes: Vinagre + sal, Álcool + sal, Cachaça + sal, Azeite + sal, Utilizar frascos esterilizados. Branqueamento: Processo que fixa a cor e o sabor á pimenta, conservando-a por mais tempo sem clareamento nem formação no fundo do recipiente. Procedimento: colocar a pimenta 20 segundos em água quente com gotas de limão, retirar e colocar em água gelada. Função nutricional: as pimentas não servem apenas para temperar, elas são um grande alimento funcional, previnem e curam doenças. 1 – Potencial efeito antioxidante Previne o envelhecimento precoce. Os antioxidantes atuam na prevenção de doenças crônicas como cardíacas, diabetes, câncer, além do envelhecimento precoce. Antioxidantes presentes na pimenta: vitamina A (carotenoides, como o betacaroteno), vitaminas C e E, além de flavonoides, substâncias importantes para neutralizar a ação de radicais livres. 2 – Prevenções de doenças crônicas. Contribui também como desintoxicante do sangue, ativa o sistema imunológico e é considerada um alimento funcional. 3 – Auxiliam na digestão e protegem a mucosa.


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Uma grande ferramenta de gestão de sistemas pecuários é a UNIDADE ANIMAL (UA). A UA é um indicador de carga animal em relação ao consumo de forragem.Este indicador tem por finalidade analisar as equivalências entre categorias animais e diferentes espécies. Neste artigo vamos comentar a respeito do sistema mais utilizado no Uruguai, que considera 1 UA como o requerimento de uma vaca 380 kg de peso vivo em manutenção e suas correlações com outras categorias e espécies, segundo Crempien (1982). A Unidade Animal é um indicador que normalmente é utilizado para calcular a lotação de um potreiro, seja ele pastejado por bovinos, ovinos ou equinos. Entretanto este indicador pode ser utilizado para outros controles gerencias. Uma grande utilidade é para analisar o resultado econômico de uma atividade em função da carga animal. Um exemplo é uma propriedade que possui capacidade de suporte de 100 UA, sendo ela dividida em 80

Utilização da Unidade Animal como ferramenta de controle gerencial UA em bovinos e 20 UA em ovinos. Quando se analisa o faturamento desta propriedade o produtor observa que a ovinocultura responde por 35% do faturamento da propriedade e abovinocultura 65%. Recomendo que todas propriedades realizem esta análise, pois as prioridades de lotação em função da composição do faturamento podem estar invertidas. A tabela 1 serve de referência para cálculos de lotação, porém as diferentes situações produtivas (peso vivo, prenhez, ganho de peso, etc..) podem alterar estes dados. Um erro comum nas análises de carga animal é considerar que onde é possível pastejar um vaca de 380 kg, seria possível colocar 8,44 ovelhas de 45 kg que correspondem aos mesmos 380 kg de peso vivo. Porém esta análise não é fidedigna, já que o consumo de forragem do ovino é superior a esta simples relação de peso vivo. Analisando estes dados é possível afirmar que onde pasteja uma vaca de 380 kg é possível colocar de 6,66 ovelhas de 45 kg de peso vivo. Supondo que a taxa de des-

mame desta vaca seja de 70% (número muito superior as médias gaúchas)cada fêmea produz por ano 0,7 terneiro. Em relação a ovinocultura uma propriedade semelhante certamente possuiria taxa de desmame ao redor de 90%.

subsídio para comparações entre as diferentes atividades desenvolvidas dentro da empresa rural. Tabela 2. Produção média bovinos e ovinos por hectare.

*Terneiro 170 kg – R$ 5,00 kg *Cordeiro 40kg – R$ 4,00 *Vaca de 380 kg em manutenção * Ovelha 45 kg em manutenção

A Tabela 2 faz um resumo do faturamento das duas atividades em mesma unidade de área. A análise da UA é de extrema im portância para a gestão de negó cios pecuários, servindo de base para responder questões econômicas e produtivas, e serve de

Foto: Divulgação

ESPECIAL

OVINOS NEGÓCIO

ARTIGO

Daniel Barros - Médico Veterinário Consultor do SEBRAE - RS Sócio proprietário da Guarda Nova Consultoria Agropecuária


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VIP RURAL Foto: Everton Neves

Foto: Everton Neves

Foto: Everton Neves

Equipe da Maya Genética presente na Expoagro Afubra 2014 - Rio Pardo/RS.

Leiloeiro Rural Rodrigo Crespo Casarão Remates.

Marco Aurélio Pigatto Engenheiro Agrônomo Gerente Comercial Regional Sul Fertec presente na Expoagro Afubra 2014.

Foto: Everton Neves

Foto: Everton Neves

Graziela Menezes e Daniela Costa - Paralelo 30 na Expoagro Afubra 2014.

Foto: Everton Neves

Foto: Everton Neves

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Leiloeiro Rural Marco Petruzzi Remate Pretas e Brancas Pelotas/RS.

Ana Carolina Issler Ferreira Kessler e família durante o Leião Calafate - Pelotas/RS.

À esq. Marimonio e Fabio Bender - Pomerano Alimentos São Lourenço do Sul/RS

Ana Carolina Issler Ferreira Kessler e José Luiz Kessler no Leilão Calafate.

Foto: Everton Neves

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Leilloeiro Rural Andre Crespo Casarão Remates.

A direita, Ayrton Marçal - Presidente do Sindicato Rural de Rosário do Sul acompanhado de compradores.

Produtor Adir Guilherme Oliveira recebendo o premio de maior vendedor da 42ª Feira de terneiros,terneiras e vaquilhonas de Rosário do Sul das mãos do Jurado Sr. Marcos.

Foto: Divulgação

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Produtor Adalberto Zambrano recebendo o premio pelo Lote de Melhor Padrão Racial da Feira das mãos da Jurada Paula De Oliveira. Severo

Produtor Ricardo Leães recebendo premiação pelo lote de terneiros mais pesados da Feira. Com a Jurada Paula De Oliveira Severo .

Produtor Daltro Freitas recebendo o premio de Melhor Lote de Vaquilhonas da Feira das mãos da jurada Paula De Oliveira Severo.

Produtor Carlos Amilton Gonçalves recebendo premiação pelo Lote de melhor Cruza Industrial de Terneiros da Feira das mãos do Jurado Marcos Amaral.

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Produtor Antonio Augusto Pacheco do Amaral, recebendo a premiação pelo Melhor Lote de Terneiras da Feira das mãos do Jurado Marco.


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INFO AFUBRA

Município que abriga o maior número de minifúndios do Brasil, com cerca de 14 mil propriedades rurais, Canguçu, localizado na região das serras do Sudeste do Rio Grande do Sul, tem sua economia baseada na agricultura familiar. Dos 53.259 habitantes, 63% residem na zona rural. Do contingente campestre, uma significativa parcela tem na produção de tabaco a sua principal fonte de renda. Esse contexto foi instituído no início do século XXI, por força do aumento da produção fumageira sul-brasileira. Desde então, Canguçu tornou-se referência no ramo fumageiro nacional. O município ocupava, em 1995, a 19a posição em volume de produção de tabaco. Quase uma década e meia depois, o ranking aponta Canguçu em segundo lugar, fator que elevou empregos e renda e inseriu, social e economicamente, centenas de famílias no seio da comunidade. A expansão: na metade da década de 1990, a atividade fumageira envolvia 1.145 produtores canguçuenses. Atualmente, são 3.652, um incremento de 219%. No tocante às famílias que trabalham como arrendatárias, parceiras ou meeiras, a inserção social é ainda mais substancial. Em 1995, 107 famílias não possuíam terras. Atualmente, são 1.049 (elevação de 880%) que extraem do tabaco a renda necessária para viver dignamente. No mesmo período, o nível de empregos também evoluiu. Antes, o cultivo envolvia 5.008 pessoas. Hoje, são 18.804. A renda per capita também cresceu. Em 1995, era de R$ 2.682,00. Em 2012/13, atingiu R$ 16.316,00, um crescimento de 508%. Outro exemplo vem da renda bruta. O valor obtido com o tabaco saltou de R$ 6,4 milhões para mais de R$ 140 milhões (incremento de 2.065%). Rumo idên-

Esteio à diversificação nas serras do Sudeste tico tomaram as demais atividades desenvolvidas nas propriedades. A renda cresceu de R$ 6,2 milhões para R$ 151 milhões (incremento de 2.305%). Outro destaque é o aumento dos rendimentos provenientes de outras atividades. Em 1995, o tabaco representava 51% da renda total; atualmente, o percentual é de 48%, uma prova de que o aprendizado sobre novas técnicas, introduzidas constantemente no tabaco, se transfere para o desenvolvimento de outros cultivos. Zona Sul: além de Canguçu, outros 28 municípios, a maioria com áreas incrustadas nas serras do Sudeste, compõem a região fumageira da denominada zona sul do Rio Grande do Sul. Se comparado o quadro atual ao de 1995, o diagnóstico socioeconômico mostra situação semelhante. Na safra 1994/95, a região comportava 11.882 produtores. No último período, os registros apontam 22.126. A renda bruta oriunda do tabaco cresceu de R$ 62,6 milhões para R$ 755,1 milhões e, a obtida com outras culturas, saltou de R$ 50,3 milhões para R$ 674,7 milhões. Já a participação do tabaco na renda total da propriedade seguiu caminho semelhante ao de Canguçu. Ela caiu de 55% para 53%. Caminhos cruzados: para o presidente da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), Benício Albano Werner, a nova

era vivida pelas comunidades da região evidencia a fumicultura como atividade geradora de renda e de incremento a outras culturas, tanto para quem possui pequenas glebas quanto para muitos que não têm terras próprias. “Uma história que se repete a cada nova safra”, diz, ao lembrar o contingente total de produtores sem terras envolvidos com a produção de tabaco. No comparativo entre o último período (2012/13) e o anterior (2011/12), frisa o dirigente, o número cresceu de 39.720 para 43.410, o que corresponde a 26% do total de produtores. “São milhares de pessoas, plenamente integradas ao meio rural, vivendo de forma digna”, ressalta. A análise dos números que envolvem a produção de tabaco e de outras culturas revela ainda, segundo o presidente, outra forte característica da fumicultura: “a prática da diversificação, de maneira geral, integra o cotidiano das famílias fumicultores”, frisa. O diferencial, conclui Werner, está na rentabilidade que o tabaco proporciona em tão pouco espaço de terra (o cultivo ocupa, em média, apenas 16% da área total das propriedades). Volta ao passado: a nova realidade dos fumicultores de Canguçu, diz o secretário da Afubra, Romeu Schneider, faz lembrar o início do cultivo do tabaco no Sul do Brasil. Colonizadores de Santa Cruz do Sul, município-berço do plantio na

região Sul do Brasil, cultivavam a terra para produzir alimentos, com o objetivo de subsistir e vender os excedentes. “As dificuldades de comercializar a produção excedente, todavia, forçaram a busca por uma atividade alternativa, logo caracterizada pelo tabaco”, comenta. Diante dos dados atuais do segmento fumageiro, tanto em Canguçu quanto em toda a região fumageira, Schneider entende que pouco se alterou desde que as primeiras sementes foram lançadas à terra, em 1851. “Não há, hoje ainda, outra cultura produzida em larga escala, com mercado garantido, que utilize pouca área de terra e que proporcione rendimentos por hectare semelhantes ao tabaco”. Os números, segundo o secretário da Afubra, também mostram que a diversificação sempre fez parte do processo. “Ela não foi abandonada. Pelo contrário, o fumicultor, sempre que pode, a intensifica”, diz. Reflexos urbanos: além de impulsionar as atividades campeiras, Schneider lembra os reflexos à vida urbana de Canguçu. Nos últimos anos, relata, a cidade viu aumentar os postos de trabalho, com a intensificação dos setores de comércio, serviços e profissionais liberais, assim como a elevação do município e da região a um cenário de progresso e desenvolvimento. Como exemplo, o dirigente cita o expressivo orçamento da Prefeitura. “O atual é de R$ 97 milhões”. Fonte: Afubra


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Secretaria da Agricultura incentiva produção de sorgo para Etanol na Região Sul: A Secretaria da Agricultura, a Vinema Biorefinarias e a Cooperativa Agrícola Mista Aceguá (Camal) fecharam terça feira (15) parceria na produção de sementes de sorgo granífero para etanol. A produção está prevista para começar este ano em Bagé e Região, uma das que mais exporta esse tipo de cereal. Segundo o coordenador da Câmara Setorial de Agroenergia da Seapa, Valdir Zonin, a cooperativa é peça-chave no fomento da atividade, dos insumos e armazenagem do produto. Há tratativas com outras empresas produtoras da mesma semente para que se integrem à inciativa. “Atualmente temos tecnologia para produzir mais de 200 sacas de sorgo por hectare no RS”, aponta ele. O RS Mais Etanol, que será lançado pelo em maio pelo Governo do Estado, prevê na primeira etapa a instalação de seis biorefinarias na Metade Sul, sendo uma delas na região de Bagé. A demanda pelo produto nessa fase será de 450 mil toneladas, estima Zonin. “Será uma boa alternativa à região, pois o sorgo resiste às pragas, doenças e tolera estiagens, podendo-se utilizar variedades com tanino, resistente ao ataque de pássaros”. RS cria comitê técnico de produção integrada de citros: Comitê técnico criado nesta quarta-feira (16) na Secretaria da Agricultura com a participação de oito entidades ligadas ao setor agropecuário pretende integrar a produção de citros no Estado. A intenção também é melhorar a qualidade dos frutos e elevar o padrão de vida dos trabalhadores do campo, segundo o secretário estadual da Agricultura, Claudio Fioreze. Ele deve publicar nos próximos dias portaria instituindo o comitê e seus integrantes. Além da Seapa, fazem parte a Central de Abastecimento do Rio Grande do Sul (Ceasa), o Ministério da Agricultura (Mapa), Emater, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), Aprocitrus (Associação

ARTIGO

Cristiano Costalunga Gotuzzo Engº Agrônomo CREA/RS 131395

dos Produtores de Citrus do RS), Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária (Fepagro) e Embrapa Clima Temperado de Pelotas. A produção integrada trata de sistema moderno de produção agropecuária que valoriza o desenvolvimento humano e gera alimentos seguros. Adota métodos de monitoramento em todas as etapas do processo e utiliza tecnologias apropriadas, otimizando a produção. O pesquisador da Embrapa Clima Temperado, Roberto de Oliveira, diz que o comitê terá como uma das atribuições capacitar os produtores quanto ao uso racional dos recursos hídricos e à sustentabilidade. “Queremos garantir, a partir da implantação do comitê, a segurança alimentar, o aumento da produção e a diminuição do impacto ambiental”. Embora preveja a utilização de defensivos agrícolas, o sistema prega a racionalidade. “É uma espécie de meio termo entre a produção de alimentos em grande escala, que muitas vezes leva agrotóxicos em excesso, e a orgânica”, avalia Naldo Beck, da Aprocitrus. A adesão do produtor é voluntária. Conforme publicação da Embrapa, os que optarem pelo sistema terão de cumprir normas técnicas específicas como capacitação de trabalhadores e produtores rurais, responsabilidade ambiental, segurança alimentar, segurança no trabalho, rastreabilidade e certificação da produção. Em contrapartida, “elevam-se os padrões de qualidade e competividade dos produtos, principalmente num mercado mundial cada vez exigente”, afirma Fioreze. As certificadoras, avalizadas pelo Inmetro, realizam auditorias nas propriedades. Se atender às normas, o produto é certificado por meio de selo da Produção Integrada (PI), chancelado pelo Ministério da Agricultura (Mapa), que atesta as características dos produtos e da produção, garantindo procedência, segurança e qualidade.

Pastagem de azevém é cara? (parte 2) No mês passado fizemos alguns cálculos sobre o desembolso para implantar um hectare de pastagem de azevém, que variou de R$ 530,00 por ha até R$ 850,00 por ha. Mas como vamos implantá-la para obter um bom resultado? A forma de implantação vai depender do cultivo anterior, podendo ser sobressemeado numa resteva de soja, milho, arroz, dessecando invasoras e semeando com semeadouras de plantio direto com adubação na linha, ou até mesmo sobressemeado em campo nativo com uma posterior roçada par beneficiar a germinação das sementes. O importante é mobilizar minimamente o solo para preservar a sua estrutura e sua matéria orgânica, que são essenciais para a continuidade das sucessivas produções.

Esta pastagem depois de implantada deve ter uma cobertura de Nitrogênio que normalmente ocorre na forma de ureia para potencializar o crescimento da mesma. Estudos mostram que este crescimento pode varia de 40 kg de MS/ha/ dia quando não se utiliza nitrogênio para até 125 kg de MS/ha/dia quando se utiliza 150 de nitrogênio por ha, com isso a capacidade de suporte irá variar conforme o nível de adubação nitrogenada. Mas quando devemos aplicar esta ureia em cobertura? Muitos produtores tem o hábito de fazer a cobertura de ureia após o primeiro pastejo, porém, quando atrasamos essa cobertura estamos retardando

Foto: Divulgação

INFORMATIVO SEAPA

a entrada dos animais na pastagem e reduzindo o potencial de perfilhamento do azevém que ocorre a partir da 4ª folha da planta. Com isso o recomendado é fazer a primeira aplicação de ureia quando as plantas estão neste estágio de desenvolvimento para potencializar o perfilhamento e obter uma pastagem mais precoce no seu início de pastejo. A dose recomendada para esta primeira aplicação é de cerca de 100 kg de ureia/ha, pois assim dobramos o potencial de crescimento da pastagem e conseguimos adiantar a entrada dos animais em 20 a 30 dias. E qual a categoria animal ideal para colher esta pastagem? Vamos analisar a tabela abaixo levando em conta que teremos 150 dias de utilização da pastagem:

Podemos observar que o resultado do investimento com vacas de invernar e novilhos para o abate possuem uma margem muito baixa, tornando o investimento arriscado, porém, quando utilizamos esta pastagem com animais leves, onde colocamos um maior número de cabeças por hectare, conseguimos uma margem de cerca de 10 vezes maior do que com as demais categorias, resultado bastante satisfatório, podendo ser comparado as margens que conseguimos nas lavouras de verão.


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ESPECIAL

CAVALO CRIOULO Por Alan Garcia Assessoria Rural Em meados dos anos 1980, após o nascimento de Eduardo e de Marcelo Tellechea Cairoli, cada um havia sido presenteado pelo Avô Flavio Bastos Tellechea com uma égua crioula, o mesmo criou com a união destas duas éguas o afixo Reconquista, alusivo ao nome da estância pertencente aos avós paternos Gilda e José Cairoli. Durante esta década, sempre sobre a condução do mestre Flavio Tellechea , começaram a surgir os primeiros descendentes do afixo Reconquista e os primeiros resultados, como o finalista do freio Infante de Reconquista e a milionária BT Neblina. Nos anos 90, após o falecimento de Flavio Bastos Tellechea, coube a Lila e suas Filhas a condução da manada, tendo se destacado o cavalo Libertador da Reconquista, que na sequência tornou-se seis vezes finalista do Freio de Ouro, também conquistando o Freio de Ouro Jovem conduzi-

Um legado de Conquistas e a Reconquista de Um Legado do pelo criador Marcelo Cairoli. Em 2003, então, Marcelo assume de fato a manada Reconquista, e começa a recriar os potros na Estância Reconquista, em Alegrete. Já desta primeira leva de cinco potrancas da geração 2000 que constituíam a produção da Cabanha, duas delas Baronesa e Bárbara chegaram a final morfológica da Expointer e ditaram o inicio de um novo tempo na Reconquista de um legado. Baronesa da Reconquista foi também finalista da 1ª Copa Querência de Rédeas e Vencedora da 1ª Prova do Proprietário do Núcleo da 6ª Região montada pelo seu criador, além de ser diversas vezes 3 rosetas nas exposições morfológicas. Já Bárbara foi 2 rosetas na Expointer, 10ª colocada na final do Freio de Ouro e Melhor Exemplar da Exposição de Pelotas tendo ganho o prêmio “Mário Burck dos Santos”, além de incontáveis logros morfológicos ao longo de sua campanha. Durante os anos seguintes a criação foi, aos poucos evoluindo, em números de animais e conquistas, culminando no final da década, mais precisamente em 2009

quando conquistou a 3ª Melhor Fêmea da FICCC e 4ª no Freio FICCC e a Cabanha do Ano da Expointer, tendo feito a Reservada Grande Campeã, o 4º Melhor Macho, o Campeão Potranco Maior, o Reservado Campeão Potranco Menor e 3º Melhor potranco Menor, a Reservada Campeã Égua Menor e a 4ª Melhor Égua Adulta da Expointer. Em 2010, a Reconquista foi a Cabanha com o maior número de animais classificados para a Expointer e conquistou o 3º Melhor Macho e Melhores Aprumos com Hijo Bueno da Reconquista, a 4ª Melhor Fêmea, o Reservado Campeão Cavalo Menor, 3º Melhor Potranco Menor, 3ª Melhor Potranca Maior e a 4ª Melhor Égua Adulta. Entre 2009 e 2010 foram 11 animais Passaporte para a Expointer além de quatro finalistas do Freio de Ouro. Atualmente a Reconquista segue brilhando nas competições de alto nível sempre com feitos importantes como a Campeã Égua Menor Expointer 2011, a 4ª Melhor Fêmea da FICCC

2012, a 4ª Melhor Fêmea Expointer 2012, 4ª Melhor Fêmea de Palermo 2013 e a Reservada Grande Campeã Expointer 2013. Uma das características da Reconquista é ofertar qualidade em seus remates e prova disso é a atual Reservada Grande Campeã da Expointer Jaguatirica da Reconquista, adquirida pela Cabanha do Mako no Remate Reconquista. “No ano passado 5 dos 8 animais Reconquista que estavam na final da Expointer pertenciam a clientes. Podermos ver animais de nossa criação competindo em alto nível e proporcionando alegria aos compradores é uma enorme satisfação.” diz Marcelo Tellechea Cairoli. No próximo mês a Reconquista volta a fazer seu Remate. Dia 21 de maio, no Sindicato Rural de Guaíba, com Transmissão ao vivo pelo Canal Rural. O pregão será a cargo da Premier Leilões. A Assessoria Rural Alan Garcia está disponível para visitas e revisão dos lotes do Leilão.


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EMPRESA DESTAQUE

LEILÃO

Dia de campo Querência Foto: Assessoria Agropecuária

Henrique Loff .

Um dia para reencontrar amigos e clientes foi o Dia de Campo da Cabanha Querência realizado no dia 05 de abril em Alegrete/RS. Durante o evento que contou com palestras, os visitantes ainda puderam verificar em loco os produtos que irão à venda no remate marcado para o dia 08 de maio no Sindicato Rural de Santana do Livramento/RS. Entre os convidados criadores do Rio Grande do Sul e Paraná. Marcaram presença Reynaldo Salvador – ABA e Cia. Azul, Ivo Arnt Filho, Raul Ritter, Gil Fernandes, Gabriel Barros entre outros. O criatório possui um plantel de 850 matrizes e utiliza o PROMEBO como ferramenta de seleção, realizando avaliação de animais PC e PO em conjunto, buscando produtividade e bom fenótipo, o que resulta

na oferta anual de 140 touros e 200 ventres. A cabanha destaca-se por um importante trabalho de seleção na raça Angus, tendo como diferencial a precocidade sexual, facilidade de parto e fertilidade nas fêmeas, que entram em reprodução aos 14 meses. Outro fator é a rusticidade, todos os animais são criados a campo, sem qualquer suplementação, sendo totalmente adaptados as condições da Fronteira Oeste. Os touros que entrarão em pista são animais de 18 meses, já com os testes andrológicos feitos. O remate ocorre às 14hs, com transmissão ao vivo pelo Canal Rural e C2 Rural e conta com a assessoria de FF Velloso e Dimas Rocha - Assessoria Agropecuária. No martelo estará a Trajano Silva Remates.


Jornal Terra & Campo ABR-MAI/2014