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Um filme de Érica de Paula e Eduardo Chauvet DIREçÃO: Eduardo Chauvet


Chauvet Filmes e MasterBrasil Filmes em associação com HTRON apresentam

Um filme de Érica de Paula e Eduardo Chauvet

Direção Eduardo Chauvet (Brasil, 2013, 90 min)


6th LOS ANGELES BRAZILIAN FILM FESTIVAL

2013

www.benfeitoria.com/o-renascimento-do-parto

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ASSESSORIA DE IMPRENSA F&M ProCultura Tel.: 11 3263-0197 Margarida Oliveira: margom@uol.com.br Carolina Moraes: carolina@procultura.com.br


“Poesia, informação, amor, cenas reais de nascimentos, a voz dos obstetras, a voz das mães, a voz dos pais, o choro da mulher que sentiu seu parto roubado, o choro da mulher que trouxe seu parto de volta, as parteiras, as pesquisas, a coragem feminina que é minada, a coragem feminina que é recuperada, o imediatismo, os profissionais que são mal pagos, os bons médicos que desistem, o paradigma tecnocrata, o estigma dos 52%, a epidemia oculta, o parto que é visto como dor, corte, sangue, morte, a vontade que vai sendo perdida, a prematuridade, as mulheres vistas como incapazes, o corpo-máquina, o corpo que é perfeito, o ritualismo do nascimento, a marca da violência no primeiro sopro de vida, o parto que foi sofrimento, o parto que foi poesia, o parto que precisa ser ensinado às crianças. A gestora pública que se emociona ao falar dos dados. O choro da mãe que se confunde com o do filho que acabou de sair de dentro dela. A obstetra que enfrentou o preconceito para parir seu próprio filho. O Renascimento do Parto não é um filme apenas sobre parto e nascimento. É um filme sobre amor, sobre seres humanos, sobre cultura, história, economia, psicologia. Sobre a educação, a sociedade e os nossos valores. Sobre o paradigma atual de vida. Sobre o futuro. É um filme de resgate, de esperança e de alerta. Capaz de despertar, simultaneamente, todas as emoções que uma pessoa pode experimentar: amor, surpresa, emoção, susto, medo, tristeza, alegria, identificação, indignação e sentimento de que há esperança. Um documentário capaz de promover uma grande mudança coletiva, da sociedade em geral aos gestores da saúde. O Renascimento do Parto é um filme sobre os nascimentos no Brasil. Sobre o que está acontecendo com o nascimento das nossas crianças, com as mulheres que vão se tornar mães, sobre como o nascer se tornou uma indústria das mais rentáveis e poderosas. É um filme preciso sem perder a poesia; doce sem perder a determinação.


O Renascimento do Parto mostra a importância da busca pela informação, do empoderamento conquistado pela mulher que encontra e faz uso dessa informação. Mostra a clara e explícita sensualidade do parto que é encarado como parte natural da vida. E o reconhecimento de que estamos transpondo a violência, o egoísmo e o egocentrismo das relações humanas para o nascimento de nossos filhos e para a forma como vemos o corpo feminino. É um filme de interesse coletivo, social, nacional, que certamente levará milhares de pessoas às salas de cinema, pessoas que sairão emocionadas e transformadas e o recomendarão a tantas outras De fotografia primorosa, edição impecável, informações técnicas valiosas, conteúdo profundamente transformador, O Renascimento do Parto é um filme revolucionário. De sua concepção ao modo como chega aos cinemas. Um filme independente, idealizado por uma equipe que destinou meses para produzi-lo como forma de comprometimento social, totalmente financiado pelo público, pela coletividade, na maior ação de financiamento colaborativo que o Brasil já presenciou. O Renascimento do Parto é isso: um filme que pergunta se vale a pena nascer. E que responde: vale. Contanto que se permita que o parto renasça em nossa sociedade.”

Ligia Moreiras Sena

Autora do blog Cientista Que Virou Mãe Mãe, pesquisadora da violência obstétrica no Brasil, co-autora do documentário “Violência Obstétrica – A voz das brasileiras”, ativista buscando, junto a tantas outras mulheres, o renascimento do parto no Brasil.


APRESENTAçÃO

Atualmente, o Brasil figura como o país campeão mundial de cesarianas. Em 2010, pela primeira vez, o percentual de cesarianas superou o de partos normais, atingindo 52% do número total de nascimentos do país (hoje, estima-se que esse número esteja em 56%, sendo quase 40% na rede pública e mais de 80% na rede privada). Em contrapartida, a OMS (Organização Mundial de Saúde) recomenda que essa taxa não ultrapasse 15%, sob o risco de graves consequências maternas e perinatais. Esse elevado índice de partos cirúrgicos está associado não apenas à vontade das mulheres, visto que pesquisas recentes demonstram que a maior parte das mulheres desejam ter um parto normal, mas sobretudo à comodidade de todo um sistema médico e financeiro que rege o nascimento. Além disso, diversos mitos colaboram para que as mulheres não queiram ou não consigam ter os seus partos de uma maneira fisiológica e natural. Para agravar ainda mais a situação, em praticamente todos os partos vaginais ocorrem diversas intervenções perigosas, traumáticas e desnecessárias, demonstrando um grande descompasso entre a prática médica corrente e a medicina baseada nas mais recentes evidências científicas. Infelizmente, nota-se hoje um grande desconhecimento da fisiologia e das necessidades básicas de uma mulher em trabalho de parto, até mesmo entre os profissionais que atendem ao parto, fazendo com que vivamos um momento sem precedentes na história da humanidade, em que os “hormônios do amor” estão se tornando inúteis. Visando uma urgente e necessária mudança de paradigmas, o filme “O Renascimento do Parto” propõe uma reflexão sobre os rumos que o nascimento está tomando no século XXI.


SINOPSE

O filme “O Renascimento do Parto” retrata a grave realidade obstétrica mundial e sobretudo brasileira, que se caracteriza por um número alarmante de cesarianas ou de partos com intervenções traumáticas e desnecessárias, em contraponto com o que é sabido e recomendado hoje pela ciência. Tal situação apresenta sérias conseqüências perinatais, psicológicas, sociais, antropológicas e financeiras. Através dos relatos de alguns dos maiores especialistas na área e das mais recentes descobertas científicas, questiona-se o modelo obstétrico atual, promove-se uma reflexão acerca do novo paradigma do século XXI e sobre o futuro de uma civilização nascida sem os chamados “hormônios do amor”, liberados apenas em condições específicas de trabalho de parto.


TEMAS ABORDADOS

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O parto de antigamente até os dias de hoje Recomendações da oms e das mais recentes evidências científicas a respeito do parto e nascimento A cientificação do amor e as necessidades básicas da mulher em trabalho de parto Aspectos antropológicos, psicológicos, sociais, espirituais e financeiros do nascimento A humanização do nascimento Diferentes profissionais que atendem ao parto O parto domiciliar urbano e planejado A indústria por trás do nascimento e os planos de saúde Medicina baseada em evidências Parto normal x cesárea: riscos e benefícios O futuro da humanidade nascida com medicamentos e intervenções substituin do os “hormônios do amor”.


ELENCO

Marcio Garcia e Andrea Santa Rosa: ator, produtor e diretor e sua esposa nutricionista que passaram pelas experiências de um parto cesariana, um parto normal hospitalar e um parto natural domiciliar com enfermeira obstetra. Michel Odent: cientista e médico obstetra francês considerado atualmente uma das maiores referências mundiais em obstetrícia. Fundador do centro de pesquisa “Primal Health Research Center” em Londres. Possui 12 livros publicados em 22 línguas e mais de 50 artigos científicos que, ao longo dos anos, vem revolucionando a obstetrícia moderna. Robbie Davis-Floyd: Antropóloga norte-americana PhD, pesquisadora sênior do Departamento de Antropologia da Universidade do Texas. Especializada em antropologia médica e da reprodução. Conferencista internacionalmente conhecida e autora de mais de 80 artigos e 10 livros sobre o nascimento. Naoli Vinaver: Parteira mexicana certificada e antropóloga. Palestrante internacionalmente conhecida. Possui um grande trabalho de capacitação de parteiras tradicionais do México. Maria Esther Vilela: médica obstetra graduada pela UFMG, professora de saúde coletiva da Universidade de Brasília (UnB) e coordenadora do Núcleo de Saúde da Mulher e do Programa Rede Cegonha do Ministério da Saúde. Melânia Amorin: médica obstetra PhD, professora adjunta doutora da Universidade Federal de Campina Grande (PB) e professora da pós graduação do instituto de Medicina Integral de Recife. Possui 136 publicações completas e 15 artigos aceitos para publicação em periódicos nacionais e internacionais. Autora de 6 livros e 20 capítulos de livros. Uma das maiores referências em humanização do parto no Brasil e no mundo. Ana Cristina Duarte: Obstetriz formada pela USP-EACH, Educadora Perinatal, instrutora em capacitação de doulas e conferencista sobre humanização da assistência ao parto. Fundou o site doulasdobrasil.com.br e o GAMA (Grupo de Apoio à Maternidade Ativa). Autora do livro “Parto Normal ou Cesárea – o que toda mulher deve saber e todo homem também”. Ricardo Jones: médico obstetra e homeopata de Porto Alegre (RS), coordenador nacional e


ELENCO

Membro do Conselho Consultivo da ReHuNa (Rede pela Humanização do Parto e Nascimento). Palestrante em nível nacional e Internacional sobre a humanização do nascimento e autor dos livros “Memórias do Homem de Vidro” e “Entre as orelhas – histórias de parto”. Heloisa Lessa: enfermeira obstetra PhD, com experiência de trabalho com parteiras tradicionais e população indígena brasileira. Conferencista internacionalmente conhecida e organizadora do “The Mid-Pacific Conference on Birth and Primal Health Research”. Daphne Rattner: médica epidemiologista PhD, professora da Universidade de Brasília (UnB), diretora da International MotherBaby Childbirth Organizatrion (IMBCO) e presidente da ReHuNa (Rede pela Humanização do Parto e Nascimento). Co-autora do livro: Humanizando Nascimentos e Partos. Laura Uplinger: psicóloga formada por Sorbonne e educadora perinat do Rio de Janeiro com experiência de mais de 30 anos sobre gestação e parto conscientes. Roteirista do premiado vídeo “A Gift for the Unborn Children”. Conferencista internacionalmente conhecida pelo trabalho que desenvolve na América do Sul, América do Norte e Europa. Ricardo Chaves: médico pediatra do Rio de Janeiro, chefe do serviço de pediatria do Hospital Universitário Pedro Ernesto e professor do Departamento de Pediatria da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). Fernanda Macedo: médica obstetra do Rio de Janeiro conhecida nacionalmente pelo seu trabalho de apoio e resgate do parto natural e fisiológico. Parteiras Tradicionais de cidades do interior do Brasil Mães diversas relatam seus partos e suas experiências Outros profissionais (doulas, etc).


SOBRE OS AUTORES

Eduardo Chauvet: Eduardo Chauvet é bacharel em Comunicação com especialização em produção audiovisual pela Temple University, Philadelphia, EUA e MBA em Gestão Estratégica de Marketing pela Fundação Getúlio Vargas. Nos Estados Unidos, produziu e dirigiu vídeos para a Temple University e trabalhou no longa-metragem Edge City. Atuou como Diretor de Imagens na TV Globo Brasília; Co-diretor e montador do curta-metragem Carpe Circus, selecionado para vários festivais; Diretor Responsável da série de 52 episódios “O Caminho do Anhanguera - A Inédita História do Brasil Central.” É Diretor e Apresentador do Programa Alternativo no Sbt Brasília há 13 anos e durante 10 anos também nas Rádios Transamérica, Nova Brasil FM e Rádio Executiva FM. É Diretor, Montador e Produtor Executivo do longa-metragem “O Renascimento do Parto - O Filme”. Érica de Paula: Doula e Educadora Perinatal com diversas formações na área de obstetrícia e saúde da mulher com algumas das maiores referências brasileiras e internacionais. Psicóloga graduada pela Universidade de Brasília (UnB) e Acupunturista especializada no atendimento de gestantes e bebês. Grande ativista da humanização do parto e nascimento, é coordenadora de grupos de apoio à gestantes em Brasília e também Co-autora, Produtora e Roteirista do longa-metragem “O Renascimento do Parto - O Filme”. Site: ericadepaula.com.br


FICHA TÉCNICA

O Renascimento do Parto (Brasil, 2013, 90 min) Direção: Eduardo Chauvet Roteiro: Érica de Paula Produção: Érica de Paula Produção Executiva: Eduardo Chauvet Direção de Fotografia: Rafael Morbeck Montagem: Eduardo Chauvet Trilha sonora original: Charles Tôrres e Marcello Dalla Pesquisa: Érica de Paula Som direto: Rafael Morbeck Desenho de Som: Marcello Dalla Edição de som: Vagner Oliveira


ENTREVISTA COM OS AUTORES ÉRICA DE PAULA E EDUARDO CHAUVET

- Como surgiu a ideia de fazer um filme sobre a realidade obstétrica mundial e brasileira? Quando isso aconteceu? A idéia de realizar esse documentário surgiu no início de 2011, quando percebemos a enorme carência de informações de qualidade sobre o assunto “parto e nascimento” no cenário brasileiro. Como estávamos no período do dia das mães, tivemos a idéia de realizar um especial para televisão sobre parto humanizado que em seguida se tornaria um curta metragem e logo depois um longa metragem, pela abrangência e complexidade do assunto. Portanto, o filme foi possível por meio da junção entre as nossas profissões (Érica é doula e educadora perinatal. Eduardo, formado nos EUA, é produtor e diretor audiovisual e há 13 anos comanda o Programa Alternativo no Sbt Brasília). Aos poucos, fomos agregando diversos parceiros ao projeto, que foram fundamentais para viabilizar a produção da obra sem nenhum recurso externo num primeiro momento (como, por exemplo, o nosso diretor de fotografia Rafael Morbeck). - Quanto tempo demorou para o projeto ser finalizado? Porque a estréia do documentário foi adiada tantas vezes nas redes sociais? A pesquisa para o filme começou no início de 2011, quando também gravamos as primeiras entrevistas, o que continuou acontecendo até 2012, na medida da nossa disponibilidade de tempo e recursos financeiros. O roteiro foi mudado muitas vezes ao longo do processo de filmagem e até mesmo de edição, pois muitas idéias foram amadurecidas enquanto a produção era realizada, como por exemplo a importância e urgência de determinados temas no filme. Em outubro de 2011, disponibilizamos um promocional de 8 minutos no Youtube (http://www.youtube. com/watch?v=3B33_hNha_8) com trechos do material que havíamos gravado até o momento, tornando o projeto muito conhecido pelo público interessado no assunto e aumentando a pressão pela estréia. No entanto, devido ao fato do filme ter sido realizado por uma equipe enxuta e sem remuneração, tínhamos apenas o nosso tempo livre para nos dedicarmos ao projeto, o que acabou atrasando o nosso cronograma. Até que em 2012 o filme foi montado e em maio de 2013 foi completamente finalizado. A escolha dos personagens também foi difícil, pois gostaríamos de apresentar ao mesmo tempo experts no assunto, mas também mães e pais que viveram as mais diversas experiências de parto, para que o público pudesse se identificar com os relatos.


ENTREVISTA COM OS AUTORES

- Qual é a relação de vocês com o tema do filme? Érica é doula, educadora perinatal e ativista da causa desde 2009, mas desde 2007 já trabalhava com mulheres grávidas e atendia partos como acupunturista. Eduardo acabou se tornando ativista da causa pela convivência com a esposa e consequentemente com o movimento de humanização do parto no Brasil. - Qual a intenção do filme? O filme pretende promover uma maior consicentização da população em geral a respeito dos aspectos fisiológicos, emocionais, culturais e financeiros que estão por trás do parto e nascimento. Temos observado com espanto o quanto as mulheres são desinformadas quando se trata do parto (ou seja, de uma coisa que acontecerá com o corpo delas), deixando todas as decisões na mão do profissional médico, sem nenhum questionamento mais aprofundado, e se deixando levar por grandes mitos que cercam o assunto. Por esse motivo, a intenção é informar não apenas as mulheres, mas a população de um modo geral, a respeito das implicações que o tipo de parto e a assistência obstétrica pode ter no indivíduo e na sociedade. - Quando o projeto do documentário surgiu, ele já tinha a pretensão de ir para as salas de cinema? Quando o projeto surgiu, não fazíamos a menor idéia da dimensão que ele tomaria ao longo do tempo. O roteiro foi feito, nós realizamos as entrevistas, o material tinha muita qualidade (tanto técnica quando informacional) e o resultado final foi muito impactante. Colocamos um promocional no Youtube e logo milhares de pessoas se sentiram extremamente tocadas com aqueles 8 minutos disponibilizados. Isso nos deu mais ânimo para continuar (ainda estávamos na etapa de produção). Daí em março de 2013, uma vez que não tínhamos patrocínio mas já havia o interesse de uma distribuidora em exibir o filme nos cinemas, surgiu a idéia do financiamento coletivo (pela plataforma Benfeitoria), pois precisávamos levantar recursos para a distribuição e o dinheiro do casal havia acabado, risos. - Quase todas as etapas do documentário foram realizadas de maneira totalmente independente, quais foram as dificuldades encontradas em conseguir recursos?


ÉRICA DE PAULA E EDUARDO CHAUVET

Nós fizemos o caminho inverso de todas as produções. Normalmente, consegue-se o recurso e depois a produção é iniciada. Nós tínhamos pressa, e começamos a percorrer todas as etapas de forma independente, para não ter que passar pelas burocracias envolvidas em recursos públicos e nem ter o corte de conteúdo do filme submetido à interesses de terceiros. Cinema de guerrilha. Sempre acreditamos que o recurso ia sair em algum momento, até que o filme ficou pronto, e os recursos não poderiam ser retroativos. Fomos bancando as contas que apareciam e quando nos demos conta já estávamos na etapa de lançamento. Nesse momento, resolvemos iniciar a campanha de crowdfunding, que acabou superando todas as nossas expectativas. - Em quantos dias conseguiram atingir a meta do financiamento coletivo? Em três dias arrecadamos a primeira meta de R$ 65 mil (suficiente para os custos de distribuição e seus mais diversoas custos) e em sete dias a segunda meta de R$ 110 mil (necessária para pagarmos muitas contas do filme que haviam sido bancadas por nós - autores). Assim batemos o recorde brasileiro de financiamento coletivo: nunca rrecadou-se tanto e tão pouco tempo. No total, foram arrecadados R$ 143.350,00 em 60 dias, nos ajudando inclusive com despesas do trailer oficial, contratação de profissionais e diversos outros custos relacionados aos eventos de pré estréia. O crowdfunding não serviu para nos pagar, mas quitamos todas as dívidas com esse dinheiro. - Quais foram as estratégias de divulgação usadas para chegar a essa proporção? Na verdade, apenas lançamos a campanha em nosso facebook pessoal, nas comunidades específicas sobre o assunto e na fanpage oficial do filme. Rapidamente ela se tornou um viral, principalmente com a grande mobilização das ativistas, blogueiras, mães e do movimento de humanização do parto brasileiro, que é muito forte e presente nas redes sociais. - Já imaginavam o sucesso da campanha (recorde brasileiro de recursos levantados por tempo de campanha)? Vocês creditam esse sucesso a qual motivo? Jamais imaginamos esse recorde, tínhamos esperança de atingir a primeira meta (65 mil) dentro dos 60 dias estipulados, mas nunca pensamos em conseguir mais do que o dobro disso em


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apenas uma semana. Isso mostra que o assunto é urgente no país, que a população acredita e apóia essa causa, e que o movimento de humanização do parto e nascimento no Brasil é muito bem articulado e poderoso. - Como ocorreu a seleção dos personagens que participaram do documentário? Foram escolhidos algumas das maiores referências obstétricas nacionais e algumas internacionais. São profissionais que, além de atualizadíssimos com a realidade obstétrica brasileira e as evidências científicas mais recentes, também são grandes ativistas e defensores apaixonados da causa. Também escolhemos mães e famílias que passaram por diversas experiências de parto para que o público pudesse se identificar com suas histórias. - Por que vocês escolheram o ator e diretor de cinema Márcio Garcia e sua esposa para integrar a obra? O convite surgiu pelo fato do casal Garcia ter passado por todas as experiências de parto (uma cesariana, um parto normal hospitalar com intervenções, e um parto totalmente natural e domiciliar). Depois da última experiência, se tornaram ativistas pela humanização do parto e possuem uma visão bastante crítica sobre a realidade obstétrica atual, além de serem duas figuras muito queridas pelo público brasileiro. - Quais foram as maiores dificuldades enfrentadas por vocês durante o processo de produção do filme? As maiores dificuldades foram: fazer um projeto desse porte sem nenhum recurso externo (e bancando todas as despesas iniciais), conciliar esse projeto com nossa vida profissional habitual (trabalhamos por 2 anos durante madrugadas, finais de semana, feriados, férias, etc) e sobretudo ter montado uma ilha de edição dentro de casa, misturando nossa relação pessoal com a profissional (esse foi com toda certeza absoluta o maior desafio, risos). - O que mais surpreendeu vocês ao longo desse processo? O que mais nos surpreendeu foi a proporção que esse projeto atingiu ao longo do tempo e a visibilidade que a própria causa ganhou nos últimos meses, com todas as marchas realizadas no Brasil inteiro pelo direito de escolha da mulher, ganhando a grande mídia, etc. Tudo isso


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serviu para comprovar a urgência do tema e a grande demanda social por mais informações de qualidade e por uma transformação dos paradigmas obstétricos atuais. - Quais são os índices encontrados mais assustadores que vocês destacariam?
 O fato das pesquisas indicarem que até 80% das mulheres no início da gestação desejam parto normal, mas que menos de 10% delas conseguem no setor privado e menos da metade nos serviços públicos, foi uma informação que nos chocou bastante, pois sempre acreditamos que existia uma forte preferência das mulheres brasileiras pela cesariana. Outro dado muito impactante é o índice de violência obstétrica percebido por ao menos 1/4 das mulheres, que provavelmente é muito maior devido à violência oculta que já se encontra institucionalizada e incorporada ao serviço e à mentalidade coletiva. - Quais são os beneficios de um parto humanizado? Ter o seu corpo respeitado, não sofrer nenhuma intervenção traumática e desnecessária, não ser mal tratada e nem sofrer nenhum tipo de violência obstétrica, ter todas as suas escolhas e expectativas acolhidas pelo profissional, poder contar com uma assistência baseada em evidências científicas e de qualidade e vivenciar esse momento como ele deve ser: um momento sagrado, um ritual de passagem, provavelmente um dos momentos mais marcantes e especiais da vida daquela família. - Quais podem ser as consequências de uma cesarea eletiva e desnecessária? Alguns dos principais problemas envolvidos com a cesariana eletiva e desnecessária são: tirar o bebê antes dele estar preparado para nascer (o trabalho de parto é o maior indício de que o bebê está pronto para nascer), um risco 3 vezes maior de morte e complicações para a mãe, um risco maior de internação do bebê em uma UTI neonatal, maior chance de desconforto respiratório do recém nascido, maior risco de hemorragia e infecção para a mãe, sem contar em todos os riscos inerentes à qualquer cirurgia de médio/grande porte como é uma cesariana, entre diversos outros.


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- Qual a importância dos “hormônios do amor” durante o parto? E na vida? Durante o trabalho de parto, a mulher libera um coquetel de hormônios que denominamos hormônios do amor. Isso se deve ao fato do principal hormônio do parto, a ocitocina, estar presente em outras manifestações de amor, como orgasmo, ejaculação e ejeção de leite. No parto, além de serem responsáveis pelas contrações e todo o processo fisiológico do nascimento, esses hormônios estão profundamente relacionados ao vínculo entre o binômio mãe-bebê. Esses hormônios atravessam a barreira placentária e são de suma importância para o bebê, não apenas no momento do nascimento, mas na própria capacidade de amar do indivíduo futuramente. De acordo com Michel Odent, a não liberação desses hormônios durante o parto e durante a primeira hora após o parto, que é inibida quando temos uma cesariana ou um parto com ocitocina sintética, pode estar relacionada com inúmeras psicopatologias no futuro. - Qual o culpado do alto índice de cesarianas no Brasil? Existe um fator determinante ou é um conjunto de fatores? O alto índice de cesarianas do nosso país pode ser atribuído à vários fatores, entre eles: desinformação da população, presença de mitos a respeito do assunto, questões financeiras que envolvem o profissional, o hospital e o plano de saúde, e um modelo altamente tecnocrata. No entanto, estudos recentes da Fiocruz e outros pesquisadores mostram que ao menos 70% das mulheres brasileiras gostariam de ter seus filhos por parto normal, apesar de apenas 10% delas conseguirem (na rede privada). Se a própria OMS recomenda que o índice de cesarianas não ultrapasse 15%, é fácil perceber que algo aconteceu no meio do caminho. E esse algo é que as mulheres mudam de idéia durante o pre-natal a partir da posição dos seus médicos, ou são literalmente enganadas por eles, que alegam motivos não justificados pelas evidências científicas para indicarem cesarianas que na verdade são desenecessárias, como por exemplo circular de cordão umbilical no pescoço do bebê. Para o profissonal médico, é evidente que a cesariana é uma opção muito mais cômoda, pois gera mais lucros e permite um maior controle de agenda. O hospital e o plano de saúde também não tem interesse na gestante de parto normal, uma vez que elas não gastam nada além da hotelaria do hospital. Além disso, hoje em dia os profissionais médicos saem das faculdades mal preparados para lidar com o parto normal fisiológico (sem intervenções desnecessárias).


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Formam-se basicamente cirurgiões, e não “parteiros”. - De que forma vocês acreditam que o documentário pode colaborar com uma transformação na realidade obstétrica brasileira? De onde acha que virá esse renascimento (dos médicos, profissionais humanizados, mulheres)? Acreditamos no poder da informação, principalmente se essa informação vem corroborada com os dados científicos. Hoje, temos a nosso favor a Organização Mundial de Saúde, o Ministério da Saúde e todas as evidências científicas, que provam de forma cada vez mais contundente o quanto é melhor para mães e bebês respeitar aquilo que é fisiológico. O documentário vai levar informações de qualidade para muitas pessoas, quebrando mitos e paradigmas que envolvem o assunto. Ele é capaz de provocar profundas reflexões sobre o que estamos fazendo com as mulheres e os bebês em uma etapa tão importante de suas vidas, e as repercussões que o parto tem em curto, médio e longo prazo. Também esperamos sensibilizar os profissionais da área e as instituições hospitalares e governamentais sobre a importância de oferecer um novo modelo de assistência mais humanizado e baseado em evidências científicas sólidas. Embora seja de fundamental importância uma mudança de paradigmas, uma mudança na formação tecnocrática e centrada na intervenção que os profissionais da saúde recebem, estamos convencidos de que a principal mudança virá a partir das mulheres! Quando as mulheres começarem a fazer escolhas mais conscientes a respeito de seus partos e a demanda mudar, o mercado irá se adaptar à essa realidade e mudará também, como tudo em nossa sociedade capitalista. Uma vez que a mídia foi uma das grandes responsáveis pela industrialização do nascimento e a criação de mitos a respeito do assunto (com diversos partos sendo retratados em novelas, filmes, e etc de uma maneira inadequada), nada mais justo que a mídia ofereça também o resgate da informação correta, oferecendo um contraponto de tudo que estamos acostumados a ver. - Como falar sobre um tema polêmico como parto sem que as mulheres se sintam culpadas ou acusadas por terem optado por uma cesariana no nascimento de seus filhos?


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As mulheres precisam entender que, acima de qualquer escolha, está uma questão de saúde pública. O alto índice de cesarianas desnecessárias está colocando mulheres e bebês em riscos igualmente desnecessários, e os privando de benefícios importantes que irão repercutir em curto, médio e longo prazo. E sobretudo, precisam entender que nossa luta não é contra as mulheres que fazem essa escolha, mas contra um sistema cruel que apenas oferece uma ilusão de que as mulheres podem escolher alguma coisa quando se trata de parto. Pois uma escolha sem informações de qualidade a respeito do assunto não pode ser uma escolha consciente. Nós particularmente defendemos sempre a autonomia feminina sobre seus corpos e seu poder de decisão a respeito da via de parto que preferem (coisa que não acontece em muitos países desenvolvidos, onde as mulheres não podem escolher se submeter a uma cirurgia de grande porte sem indicação clínica), mas acreditamos que essa escolha precisa ser devidamente esclarecida, após o oferecimento de todos os dados referentes às duas opções. Se isso fosse feito, tenho certeza de que pouquissimas pessoas escolheriam uma cesariana, e ainda assim essas mulheres devem ter o seu desejo respeitado. É sabido que o parto natural favorece o vínculo entre mãe e bebê por diversos motivos (desde a liberação dos hormônios do amor à melhor recuperação do parto num menor período de tempo). No entanto, não somos apenas uma máquina biológica. É evidente que os hormônios são importantes, mas não é isso que define o amor e os cuidados maternos. Não queremos que as mulheres que passaram por uma cesariana ou tiveram seus filhos através de intervenções se sintam acusadas de serem menos mães ou de não amarem seus filhos. Não é disso que se trata o filme. Não estamos abordando casos individuais, mas o futuro de uma civilização inteira nascida sem esses hormônios do amor. - O que vocês acham dos países que proibem a escolha pela cesariana eletiva (como ocorre em alguns países europeus, por exemplo)? Esse é um assunto polêmico que envolve muitas variáveis. Poder escolher entre parto por cima e parto por baixo é uma situação muito nova na história da humanidade. Realmente, em muitos países (sobretudo nos desenvolvidos) ainda hoje praticamente não existe essa escolha. Nesses países, a cultura entende que normal é o parto vaginal, e a cesariana é vista como uma cirurgia de emergência, um procedimento para salvar vidas quando algo foge do fisiológico e entra no patológico. Mas somos a favor da escolha consciente. Acreditamos que a mulher deve ter sim o direito de escolher de que forma vai ter o seu bebê, mas isso deveria ser feito de


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maneira plenamente esclarecida, ou seja, levando-se em consideração todos os prós e contras dessa decisão (o que chamamos de consentimento informado). Infelizmente, não é isso que vemos acontecer no Brasil. E se, diante de todas as informações, ainda assim a mulher optar pela cesariana, somos a favor da cesariana feita em trabalho de parto, ou seja, após os primeiros sinais dados pelo corpo de que o bebê estaria pronto para nascer. Desta forma, diminuiríamos consideravelmente as desvantagens da cesariana em relação ao parto normal. - O que vocês diriam às mulheres que sentem medo do parto natural? Que é normal termos medo daquilo que não conhecemos. Estamos acostumadas a ter o controle de tudo, e a possibilidade de vivenciar um momento onde precisamos literalmente perder o controle e nos entregar parece realmente algo assustador. Mas, se conseguirmos ultrapassar a barreira do medo, podemos vivenciar uma experiência de absoluta plenitude e conexão com algo maior. Um parto que respeita o protagonismo feminino pode ser a experiência mais empoderadora da vida de uma mulher. Algo como: “se meu corpo deu conta de gerar e parir uma criança, significa que eu sou capaz de fazer qualquer coisa”. É importante ressaltar que grande parte do medo que as mulheres sentem do parto está baseado em mitos (do tipo: minha vagina vai alargar) ou em procedimentos que não são fisiológicos e são feitos de forma inadequada pelos profissionais (por exemplo, a episiotomia, corte na vagina feito sem indicação em mais de 90% dos casos). Por isso, defendemos que não basta o parto ser vaginal, mas sim humanizado, respeitando aquilo que é fisiológico e dando à mulher o protagonismo desse momento. O público alvo é composto apenas ou prioritariamente por gestantes e mães? O que o público pode esperar desse filme? O público alvo definitivamente não são apenas as gestantes ou mães, mas toda a sociedade, uma vez que esse é um assunto urgente de saúde pública com grandes repercussões sociais. Além do mais, todos nós nascemos um dia e provavelmente teremos filhos também. Portanto, o assunto diz respeito à todos nós!


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Jorge Kuhn

O Renascimento do Parto  

Pressbook oficial do filme