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N° 2 / Maio 2014

A Revista do Site

Conheça um pouco da Festa do Divino Confira a programação da 5ª Semana da Canção Brasileira A Igreja Matriz entregue à população luizense

Distribuição Gratuita


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Editorial

- Conheça São Luiz - Página 04 - 5ª Semana da Canção Brasileira - Página 05 - Igreja Matriz São Luiz de Tolosa - Página 08 - Giro Pela Cidade - Página 10 - Festa do Divino Espírito Santo - Página 12 - Serviços e Comércio - Página 16

São Luiz do Paraitinga em revista – 2ª edição ano 2014 - A revista São Luiz do Paraitinga é uma publicação da Crescente Produções - Site - www. saoluizdoparaitinga.info - Projeto editorial, arte e diagramação: Crescente Produções - Fotografias: Sergio Costa (sergiocostaslp@hotmail.com); Fabio Gomes (fabio@ agenciacrescente.com.br) e Fernanda Presser Lanzoni (ferlanzoni@hotmail.com) - Impressão: Resolução Gráfica Tiragem desta edição: 5.000 exemplares - Para anunciar: Contato - Sergio Costa (sergio_Kosta1@hotmail.com ) tel. 12 3671 2467 - Colaboraram nesta edição: João Rafael Cursino (texto sobre festas sacras); Judas Tadeu de Campos (texto história da cidade); Fernanda Presser Lanzoni (artes anúncios). Esta publicação está disponível em versão eletrônica gratuita em diversas plataformas. Para baixar acesse o site www.saoluizdoparaitinga.info e veja como é fácil e rápido. Baixe para o seu computador, Tablet, Smartphone, IPod e IPhone. Indique para seus amigos.

São Luiz do Paraitinga www.saoluizdoparaitinga.info

São Luiz do Paraitinga fica na Serra do Mar no caminho que vai do Vale do Paraíba descendo até as praias de Ubatuba. Deitada num pequeno vale banhado pelo Rio Paraitinga, abriga em seu município diversas belezas naturais e parte da remanescente e preciosa Mata Atlântica. Antiga parada de tropeiros é cidade de forte traço rural, visível e palpável no jeito de sua gente. Já foi rica, quando o café era ouro. A riqueza de outrora ficou estampada na Igreja Matriz e em seus casarões, que juntos criavam um belo conjunto arquitetônico da Praça Oswaldo Cruz. A última grande enchente de 2010 conseguiu destruir a igreja e alguns casarões e danificar seriamente outros. Mas a enchente já é página virada. O presente é de uma cidade funcionando, reconstruindo sua Igreja Matriz e seus prédios. O futuro próximo é de uma cidade renovada, com prédios antigos restaurados e novas estruturas construídas. Uma cidade com mais uma história de superação a ser contada para a posteridade. Foi chamada de “Ultimo Reduto Caipira”, talvez não seja o ultimo, nem o único, mas é certamente o mais genuíno. Aqui a rica cultura do caipira está presente em todas as suas formas de expressão: Nas falas das esquinas; no jeito desconfiado e ao mesmo tempo cordial de olhar e receber “os que vêm de fora”; na religiosidade manifestada com solenidade; em sua culinária simplesmente saborosa; em seu rico imaginário de histórias, causos e lendas; em sua musicalidade transbordante e que teve em Elpidio dos Santos seu grande expoente. Cidade festeira, de festas sacras e profanas, todas populares, São Luiz do Paraitinga é feita pelo seu povo, que a fez no passado e a está fazendo agora, enfrentando o desafio de conciliar suas tradições com as mudanças que todo dia vêem chegando, o desafio de conseguir que seus maiores patrimônios – a sua cultura e sua natureza – se preservem sem se fechar para o futuro.

Os Editores 3


São Luiz do Paraitinga A história do último reduto caipira

Os primeiros moradores de São Luís do Paraitinga se instalaram no lugar no dia 5 de março de 1686. A povoação já contava com cerca de 50 casas quando, no dia 7 de maio de 1769, o sargento-mor (major) Manoel Antônio de Carvalho oficializou essa existência, com a fundação oficial. Em 31 de março de 1773 foi elevada à categoria de vila. Por muitos anos, até o início da década de 1840, os moradores, quase todos na zona rural, viveram de uma agricultura de subsistência, em pequenas propriedades adquiridas por ocupação de terras devolutas. Com a chegada do café o panorama econômico mudou completamente. Na zona rural, o aparecimento de latifúndios, sedes de fazendas, escravaria e grande produção de alimentos e outras mercadorias, pertencentes a fazendeiros. Esses proprietários passaram a fazer parte da oficialidade da Guarda Nacional e teve até um representante da nobreza imperial. Isso levou também à mudança do aspecto urbano. Na cidade começaram a surgir casarões, sobrados, ruas calçadas com pedras irregulares, chafarizes, santa casa e outras obras que denotavam a riqueza trazida pela monocultura cafeeira. Também surgiram manifestações artísticas como teatros, carnaval, bandas de música, um instituto literário, missas solenes com orquestra e coro, danças populares e festas grandiosas, como a do Divino Espírito Santo, com distribuição de comida, o “afogado”, para toda a população. E recebeu o título de “Imperial Cidade de São Luíz do Parahytinga”, do próprio imperador D. Pedro II. 4

Essa riqueza durou até o final da década de 1880, quando começou a decadência da cafeicultura no Vale do Paraíba. No início da década de 1930, a chegada de migrantes mineiros trouxe uma nova fonte de renda, a pecuária leiteira. No apogeu dessa atividade econômica, por volta de 1960, o município produzia cerca de 40 mil litros de leite por dia, fornecidos para duas empresas de Taubaté e para a Usina Vigor. A partir daí, a produção começou a diminuir, embora ainda seja considerada importante. Atualmente no município, que é considerado estância turística, existem três vertentes muito importante: o patrimônio arquitetônico, o mais representativo do período imperial no Estado de São Paulo; o Núcleo Santa Virgínia, do Parque Estadual da Serra do Mar, assim como outras atrações naturais: paisagens de região montanhosa, cachoeiras, clima temperado, o Rio Paraibuna, talvez o mais limpo entre os rios paulistas, onde se realiza a prática esportiva do “rafting”. As tarefas mais importantes para o município atualmente são duas: na cidade, a reconstrução do que foi destruído pela trágica enchente ocorrida no início de 2010; e, na zona rural, a recuperação da economia, com a renovação de atividades agropastoris que possam gerar novas fontes de riquezas e livrar os moradores da migração para a zona urbana e da dependência de alimentos, agora quase todos vindos de outros centros produtores. Texto: Professor Judas Tadeu de Campos


5ª Semana da Canção Brasileira de São Luiz do Paraitinga Criada em 2007 com o objetivo de promover uma discussão em torno da Música Popular Brasileira, analisar e reavaliar sua história e fomentar seu desenvolvimento e sua continuidade, a Semana da Canção Brasileira, de São Luiz do Paraitinga, é um acontecimento fundamentado na reflexão sobre a música brasileira e essa avaliação é construída através do estabelecimento de um ambiente favorável para a discussão entre os diversos públicos que fazem a música acontecer. Já passaram pelos palcos da Semana da Canção nomes como: Arnaldo Antunes, Chico César, Zeca Baleiro, Lenine, Zélia Duncan, Luiz Melodia, Tom Zé, Pedro Luís e a Parede, Cordel do Fogo Encantado, Pena Branca, Paulinho Boca de Cantor, Palavra Cantada, entre tantos outros. Em sua 5ª edição, o evento vem com a qualidade de sempre, trazendo grande nomes da música brasileira, confira a programação.

Visite a nossa fan page e acompanhe o evento: www.facebook.com/saoluizdoparaitinga.info 5


s a n i c fi

O

Programação de Oficinas nas escolas Datas: 5, 6, 7, 8 e 9 de maio Horário: 9 às 12h e 14h às 17h Local : Em todas as escolas de ensino básico de São Luiz do Paraitinga (apenas para estudantes da rede pública do município). Oficineiros:

Tata Fernandes;

Ivan Vilela Horário: 14h às 16h Local: Assessoria de Educação 5 de maio – Tema: A Música Caipira... 6 de maio – Tema: O que caracteriza um movimento musical? Verlucia Nogueira.

Elaine Marin;

Oficinas abertas ao público Zuza Homem de Mello Mazé Cintra; Sergio Molina

Ilka Cintra;

Paulo Padilha;

Pedro Brusque;

Horário: 10h às 12h Local: Assessoria de Educação 5 de maio – Tema: Olho de Peixe (20 anos), uma análise do álbum de Lenine e Suzano, o último “clássico” da MPB 6 de maio – Tema: “A agulha do real nas mãos da fantasia”: Chico, Gil e Caetano, Sinhá/A linha e o linho/Peter Gast 7 de maio – Tema: Sentinela: uma abordagem da canção popular como gênero complexo do discurso musical (M.Bakhtin) a partir da canção de Milton Nascimento e Fernando Brant na versão de 1980. 8 de maio – Tema: Circuladô Caetano Veloso: uma análise do álbum de 1991 9 de maio – Tema: “Uma pausa de mil compassos”: Paulinho da Viola - escuta orientada do álbum de 1971

Horário:14h às 16h Local: Assessoria de Educação 7 de maio - Tema: Atual Noel 8 de maio – Tema: Genial Caymmi 9 de maio - Tema: Musicalidade de Elis

Oficina para professores

Carlos Kater Datas 5, 6, 7, 8 e 9 de maio Horário: 18h às 20h Tema: Por uma educação musical musicante


s w o h S

Programação de

8 de maio – Quinta feira Show do Rolando Boldrin Horário: 18h Local: Mercado Municipal

9 de maio – Sexta feira Show - Metá Metá Horário: 18h Local: Mercado Municipal

8 de maio – Quinta feira

DJ Pedro participação Joana Egypto Horário: 22h Local: Mercado Municipal

9 de maio – Sexta feira

Show com Laeticia Horário: 16h Local: Coreto Antonio Nicolau de Toledo

9 de maio – Sexta feira

Show - Mulheres Negras e O Terno Horário: 22h Local: Coreto Elpídio dos Santos

10 de maio - Sábado

10 de maio - Sábado

10 de maio - Sábado

10 de maio - Sábado

11 de maio - Domingo

11 de maio - Domingo

Show - Oficineiros (infantil) Horário: 11h Local: Mercado Municipal

Show - Wanderléa Horário: 22h Local: Coreto Elpídio dos Santos Fonte: Divulgação Coletivo de produção

Show com Dani Black Horário: 16h Local: Coreto Antonio Nicolau de Toledo

Show com Celma e Célia Horário: 11h Local: Coreto Antonio Nicolau de Toledo

Show - Isca de Polícia Horário: 18h Local: Mercado Municipal

Show - Gangorra (infantil) Horário: 16h Local: Coreto Elpídio dos Santos 7


Igreja Matriz

São Luiz de Tolosa

Igreja Matriz antes da enchente de 2010, as ruínas remanescentes encontram-se protegidas dentro da nova Igreja, que em sua reconstrução utilizou parte do material recuperado dos escombros. 8


A

primeira edificação da igreja, construída em taipa de pilão, foi erguida no século XIX (1839). Os recursos vieram da colaboração de famílias abastadas da época que recebiam a garantia de serem enterradas lá. A igreja, que originalmente tinha uma única torre, recebeu em 1872 a segunda torre, sob as orientações do Mestre Pedro Pereira Rio Branco, o engenheiro da cidade. No início de 2010 a cidade sofreu com a maior enchente de sua história que a fez perder muitos de seus edifícios históricos incluindo a Igreja Matriz, principal símbolo da cidade, que desabou sobre si mesma quando as águas do rio Paraitinga invadiram sua base. Após a enchente teve início a reconstrução da cidade, através do recebimento de recursos federais e estaduais. Dentre as obras de recuperação da cidade estava a reconstrução da igreja de São Luiz de Tolosa, que será entregue para a população no primeiro semestre de 2014.

As ruínas logo após a enchente mostram claramente o tamanho da destruição que o edifício sofreu.

O início das obras envolveu uma grande equipe de resgate e salvamento dos escombros. Todo o material resgatado foi cuidadosamente restaurado.

Para proteger as ruínas e a futura obra de reconstrução foi erguida uma grande cobertura metálica.

Durante as obras foram promovidas diversas visitas guiadas, durante as quais membros da comunidade luizense e imprensa puderam comprovar o andamento dos trabalhos.

Finalmente chegou a hora da retirada da grande cobertura. O fato criou uma enorme expectativa na população.

A igreja está pronta por fora, aguardando o fim dos trabalhos em seu interior.

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Giro pela Cidade

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1. Igreja Matriz São Luiz de Tolosa - A primeira edificação da igreja foi no século XIX (1839). Os recursos vieram da colaboração de famílias abastadas da época que recebiam a garantia de serem enterradas lá. Depois da destruição total na enchente de 2010, foram encontrados muitos destes túmulos. Totalmente reconstruída a Igreja Matriz mantém as ruínas remanescentes em seu interior, protegidas por vidros. Apesar de utilizar novos materiais na reconstrução, foram aproveitados todos os antigos que puderam ser recuperados dos escombros.

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2. Praça Oswaldo Cruz - Segundo Mário Aguiar, ...” a praça é a sala de visita da cidade. Todas as festas, religiosas ou profanas, tem seu começo e seu fim nesse grande e bem cuidado quadrilátero, limitado por construções de vários tipos, todas com seus abrigadores beirais, entremeados de quatorze casas de sobrados, quase todas em estilo colonial” .

3. Igreja do Rosário - Foi a primeira Igreja do povoado, porém no local da atual edificação tinha outra capela. No início do século XX o padre italiano Ignácio Gioia decide pela derrubada total da igreja, por causa de seu péssimo estado de conservação, dando início à construção da igreja atual sob a responsabilidade do Mestre Pedro Pereira Rio Branco. A construção em estilo gótico foi inaugurada em 29/05/1921 e completamente restaurada no período de 2011-2013.


4. Largo do Teatro - É um agradável recanto junto ao Largo do Rosário com um bonito mural azulejado e uma fonte ao meio. Aqui é realizado o mais que consagrado café da manhã do Bloco Carnavalesco Juca Teles, pontualmente às 7 horas do sábado de carnaval.

5. Rua do Cruzeiro - paralela à rua Floresta, também leva ao Alto do Cruzeiro, toda calçada em pedra bruta com um lindo sobrado no início da subida na esquina da rua Monsenhor Ignácio Gioia. A rua é um dos acessos para a Casa do Oswaldo Cruz.

6. Rua Floresta - Por aqui passavam as tropas de burros para pegar a estrada de Ubatuba. Foi construída por escravos e é toda calçada de pedra bruta. Os tropeiros, em trânsito pela cidade, subiam até o Alto do Cruzeiro e desciam do outro lado, na Estrada da Terra Podre, chegando ao trevo da Vargem dos Passarinhos, seguindo daqui para Ubatuba.

7. Casa do Oswaldo Cruz - A casa, uma antiga sede de fazenda, foi construída em 1834 em taipa-de-pilão, com paredes internas de pau-a-pique. Quarenta anos depois a casa abrigou a família de Oswaldo Cruz. O pai de Oswaldo, o médico Bento Gonçalves Cruz, originário do Rio de Janeiro, prestou seus serviços na cidade durante alguns anos. Neste período nasceu aqui o ilustre sanitarista.

8. Ladeira das Mercês - A versão é controversa, porém, dizem que foi construída por escravos com pedras retiradas do Rio Paraitinga. Verdade ou não hoje é uma linda ladeira que sobe do Largo das Mercês até a casa do Oswaldo Cruz. O calçamento foi recentemente reformado, depois da enchente de 2010.

9. A Capela das Mercês - foi construída no final do século XVIII, suas paredes são feitas de taipa de pilão e é a única em estilo colonial da cidade. Construída por ordem de Maria Antônia dos Prazeres para pagar uma promessa. Abriga a imagem de Nossa Senhora das Mercês, padroeira da capela e única santa grávida da história. Foi totalmente destruída na enchente e reconstruída em 2011.

10. Instituto Elpídio dos Santos - Espaço cultural da entidade que leva o nome do ilustre músico luizense. Reconstruído após a enchente na casa da Vó Nira (viúva do Elpídio) é dedicado à obra do mestre Elpídio e abriga o Memorial da Reconstrução.

11. Mercado Municipal - Em forma de quadrilátero, montado em arcadas com a parte central descoberta, o prédio recebeu diversas e sucessivas reformas. Atrás dos arcos tem um corredor onde estão as lojas vendendo de artesanato a hortaliças e carnes, além de restaurantes de comida caseira. Desde o século passado é também lugar de manifestações populares, teatrais e musicais.

12. Centro Cultural Nelson José de Oliveira Coelho – Construído em meados do século XIX, este sobrado era de propriedade do irmão do Barão do Paraitinga. No andar superior já funcionou o Clube Imperial Luizense. No início do século XX o andar térreo foi sede da companhia telefônica Tupi e posteriormente pertenceu a Telefônica que após a enchente o doou para o município.

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A Festa do Divino EspĂ­rito Santo

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A Festa do Divino Espírito Santo é, sem sombra de dúvidas, a mais conhecida, tem como primeira referência documental, apontada pelo pesquisador Jaime de Almeida - hoje professor da Universidade de Brasília – o ano de 1803 em São Luiz do Paraitinga, já citando elementos que versam sobre uma festividade que já surgira anteriormente. Ou seja, são mais de dois séculos – houve poucas interrupções da parte profana, mas a festa religiosa sempre se manteve – de realização, abarcando diversas gerações e marcando indiscutivelmente a identidade da cidade. A Festa do Divino reúne diversos eventos, sejam as novenas sempre solenes, as lindíssimas procissões do Encontro das Bandeiras e de encerramento, as apresentações dos grupos folclóricos como congadas, moçambiques, a distribuição de comida (afogado), sempre com um propósito maior de exaltação do Espírito Santo através da congregação da comunidade, já que toda a festa é fruto do trabalho de colheita de prendas do festeiro com a folia daquilo que o povo reservou e ofereceu, principalmente pela sua fé, e que permitiu a realização da mesma. Não há individualidade como tanto o mundo moderno valoriza hoje dentro de uma festa como esta. E este com certeza é o segredo de sua força! Texto: João Rafael Cursino

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Folia do Divino Antes da festa se iniciar um grupo de pessoas têm um papel fundamental na realização da Festa, é a Folia do Divino. Durante muitos meses os foliões percorrem os bairros rurais de São Luiz do Paraitinga e parte dos municípios vizinhos (Cunha, Taubaté etc). Sua função é arrecadar prendas (doações que financiarão a festa) e convidar o povo para os festejos. Ao chegar em cada casa a Folia cumpre um pequeno ritual: a dona da casa recebe a bandeira, oferece as fitas que pendem do mastro para que todos os membros da família beijem e, enquanto os foliões cantam, o dono da casa oferece a prenda. É comum que a dona da casa leve a bandeira ao interior dos cômodos para abençoar a casa. A bandeira do Divino é o centro das devoções da zona rural. Ali se colocam retratos de parentes como ex-votos de alguma graça alcançada.

E durante a permanência numa casa a bandeira (feita com pano vermelho, encimado por uma pomba prateada na ponta do mastro) fica sempre em lugar de honra. A folia do divino é formada por quatro foliões, sendo dois tocadores de viola (mestre e contramestre), um de caixa de percussão (contralto) e outro de triângulo (típi). São antecedidos pelo alferes que é quem conduz a bandeira e é geralmente o próprio festeiro que por sinal é quem cuida da parte administrativa da festa. Faz parte da folia ainda o cargueiro cuja incumbência é recolher as prendas. A folia do Divino incorpora um ritual que procura reforçar a crença no sagrado. Em todo o município e, de forma mais acentuada nos bairros encostados na Serra do Mar, observa-se que a Bandeira é recebida com muito 14

respeito e reverência. Acreditando-se inclusive que o Divino Espírito Santo leva por meio da sua benção, proteção contra as pragas das plantações e todo o mal que possa existir.

Congada

O congado é uma manifestação cultural e religiosa de influência africana celebrada em algumas regiões do Brasil. Trata basicamente de três temas em seu enredo: a vida de São Benedito, o encontro de Nossa Senhora do Rosário submergida nas águas, e a representação da luta de Carlos Magno contra as invasões mouras. É um bailado popular dramático em que se representa a coroação do rei do Congo, por meio de danças e cantos com elementos musicais originários da África e da Península Ibérica. Os instrumentos utilizados são caixas, pandeiros, reco-recos, cuícas, triângulos, apitos, sanfonas, etc. Atualmente em São Luiz do Paraitinga existem o Grupo de Congada do Alto do Cruzeiro e a Congada de Todos os Santos.

Moçambique O Moçambique era a dança predileta dos escravos africanos, nos dias em que os senhores lhes concediam folga nos trabalhos. É dançado ainda hoje, embora bastante modificado pelos seus organizadores. Os participantes formam um grande roda, e ao som dos tambores e pandeiros, executam um a um sapateado ritmado e monótono, trocando no ar golpes de bastão e cantando estrofes que louvam São Benedito e Nossa Senhora do Rosário, santos da devoção dos escravos.

Com forte apelo rítmico e com uso de bastões e guizos amarrados aos tornozelos, chamados “paiás”, os integrantes dos Moçambiques se alinham conforme um batalhão, certa alusão às batalhas de Carlos Magno entre os exércitos cristãos e mouros da época das cruzadas, representadas na roupa da maioria dos grupos pelas cores vermelho e azul das faixas cruzadas sobre o dorso dos dançarinos. Na décadas de 50 e 60 São Luiz do Paraitinga chegou a ter 18 grupos de Moçambique, sendo classificada pelo estudioso, pesquisador e folclorista Alceu Maynard Araújo, como a Capital da Zona Moçambiqueira Paulista.

Atualmente São Luiz do Paraitinga possui a Cia. De São Benedito, moçambique do bairro dos Alvarengas liderado pelo Mestre Raul Pires.

João Paulino e Maria Angu Há mais de um século que a apresentação do Casal de Gigantes (Bonecões) “João Paulino e Maria Angu” vem se repetindo nas festas religiosas e profanas da cidade. Os bonecos representam a autenticidade do folclore local, sendo indispensáveis nas festas, principalmente na do Divino. Conta-se que o casal de bonecões teria sido feito pela primeira vez em meados do século passado por um português que veio morar em São Luiz do Paraitinga, o nome do português era João Paulino e ele percebeu que nas festas do Divino, já grandiosa naquela época, faltava uma diversão para as crianças. Os bonecos são influenciados pelas tradições européias, especificamente ibéricas.


Em são Luiz, João Paulino, autor dos bonecões era casado com uma mulher chamada Maria, que vendia pastéis de Angu (muito comuns em São Luiz), desta forma se criam os nomes dos bonecos que sobreviveram ao seu criador e se tornaram tradição nas festas.

baseado no livro Carlos Magno e Os Doze Pares da França, uma coletânea de histórias fantásticas sobre esse rei. No Brasil, registr am-se desde o século XVII e acontecem principalmente durante as festas do Divino, nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do Brasil. Nesse teatro equestre dois grupos de cavaleiros (um total de 24) vestem uniformes em que prevalecem as cores azul e vermelho, tendo como complementos várias fitas e outros adornos. Enquanto os cristãos (de azul) e os mouros (de vermelho) combatem a cavalo,

Dança de Fitas Um grupo de meninas da cidade realiza evoluções ao redor de um mastro de fitas em trajes multicoloridos ao som de marchinhas e polcas. O mastro do centro tem dois metros de altura e dele pendem seis fitas vermelhas e seis azuis. Os primeiros passos lembram um pouco a quadrilha das festas juninas, mas logo o mastro graças ao entrelaçamento das fitas fica todo quadriculado em azul e vermelho. Por muito anos a dança de fitas de São Luiz do Paraitinga foi liderada e organizada pela Sra. Didi Andrade.

Programação

desenhando evoluções no campo, diversos rapazes e meninos – os “espias” ou “palhaços” – fazem brincadeiras entre o público, desenvolvendo um “combate” paralelo ao de Carlos Magno contra os mouros. Atualmente a Cavalhada de São Pedro de Catuçaba de São Luiz do Paraitinga é liderada pelo Sr. Renô Martins e Sr. Lauro de Castro Faria.

Afogado

Atualmente sua sobrinha Rosa Antunes é quem cuida do grupo, dando continuidade a essa importante manifestação da cultura local.

Cavalhada As cavalhadas recriam os torneios medievais e as batalhas entre cristãos e mouros, algumas vezes com enredo

tará com um argumento absolutamente verdadeiro, que é: “O povo oferece ao Divino sua prenda e recebe do Divino o afogado da festa”. Segundo as crenças dos devotos, é o afogado da festa que transmite força para o organismo.

A culinária é marca registrada na cultura de todos os povos, através dela pode-se conhecer quais os hábitos alimentares, a cultura agrícola e até mesmo a hospitalidade do povo de um determinado lugar, e em São Luiz não é diferente, boa parte das prendas recebidas pela folia são cabeças de gado para a preparação do afogado. Este é um cozido de carne com batata, acompanhado de macarrão, preparados em grandes tachos de cobre, servidos gratuitamente e que se tornaram marca registrada da Festa do Divino de São Luiz do Paraitinga. Qualquer festeiro que um dia imaginar em acabar com esta tradição enfrentará uma resistência gigantesca, mesmo porque se defron-

Dia 31/5, sábado 17:00 – Apresentação Dança de Fitas e Grupo de Adoração ao Presépio das Irmãs Amália, de Taubaté 20:00 – Distribuição gratuita do afogado (OBS: levar pratos e talheres)- (Local: Mercado Municipal) 21:00 – Apresentações de Moçambiques e Congadas em frente ao Império Dia 7/6, sábado 12:00 – Distribuição gratuita do afogado (OBS: levar pratos e talheres)- (Local: Mercado Municipal) 14:00 – Desfile dos Bonecões João Paulino e Maria Angú pelo Centro Histórico 15:30 – Cavalhada de São Pedro do Distrito de Catuçaba - (Local: Rua Benedito Pião Sobrinho – Antigo Centro de Lazer) 21:30 – Apresentação de Danças de Fitas de São Luiz do Paraitinga, Lagoinha e São Paulo em frente ao Império Dia 8/6, domingo – Dia de Pentecostes 05:00 – Alvorada com a Congada do Alto Cruzeiro e Maracatu Baque do Vale 09:00 – Apresentação de Moçambiques, Congadas, Dança de Fitas e Cavalo Marinho - (Local: Rua do Império e Centro Histórico) 13:30 – Pau de Sebo e saída dos bonecões - (Local: Praça Dr. Oswaldo Cruz) Veja a PROGRAMAÇÃO completa na contracapa

Fonte: Site da Prefeitura de São Luiz do Paraitinga-SP

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Utilidade pública Prefeitura – Tel. 3671 7000 / Correio – Tel. 3671 1313 Elektro – Tel. 3671 1141 / Hospital – Tel. 3671-1299 Pol. Civil – Tel. 3671-1130 / Pol. Militar – Tel. 3671-1300 e 190 Sabesp – Tel. 3671 1149 / Cons. Tutelar – Tel. 99739-0888

Artesanato Rê Decore Praça Dr. Oswaldo Cruz, 322 – Centro / Tel. 12 3671 2553

Farmácia Pharma G Praça Dr. Oswaldo Cruz, esquina da rua Barão do Paraitinga Tel.12 3671 2384

Material de construção Deposito Marcio Mikilim R. Mons. Ignácio Gioia, 267 / Tel. 12 3671 1119

Mercado Supermercado Cursino Praça Oswaldo Cruz, 58 / Tel. 12 3671 1123

Pousada dos Curiangos Estrada Rio Acima, km 3,2 / Tel. 12 99744 3037 curiangos@pousadadoscuriangos.com.br www.pousadadoscuriangos.com.br

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Pousada Quinta das Amoreiras Estr. Mun. do Alvarenga s/n, Km 0,5 / Corredor Turístico do Mato Dentro / Tel. 12 99603-9861 reservas@pousadaquintadasamoreiras.com.br www.pousadaquinta dasamoreiras.com.br Pousada Sertão das Cotias Rod.Oswaldo Cruz, Km 42, 5 / Tel. 12 3671-1318 contato@sertaodascotias.com.br www.sertaodascotias.com.br

Restaurantes no centro Cantinho dos Amigos Restaurante e Pizzaria R. Cel. Domingues de Castro, 121 / Tel. 12 3671-1466 restaurante@cantinhodosamigos.com.br www.cantinhodosamigos.com.br Canto da Praça Restaurante e Lanchonete Rua 31 de Março, 07 (Calçadão) / Tel.12 3671 1343 Lanchonete Delícias Choco Pira 31 de Marco, 67 – (Calçadão) / Tel. 12 99700 1230

Restaurantes fora do centro Empório da Roça Rod. Oswaldo Cruz, km 47,5 / Tel.12 3671-2142

Diversos Cachaça Mato Dentro Rod. Oswaldo Cruz Km 35 / Tel. 12 99179 6939 atendimento@cachacamatodentro.com.br / www.cachacamatodentro.com.br

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Calendário anual

Confira as datas no site da prefeitura www.saoluizdoparaitinga.sp.gov.br Janeiro

Encontro Folia de Reis Festa de Reis (Bairro Santa Cruz) Festa de São Sebastião (Bairro São Sebastião)

Fevereiro/Março

Festival de Marchinhas Carnavalescas Carnatuçaba Carnaval de Marchinhas Carnavalescas

Março

Festa de São José do Turvo (Bairro do Turvo)

Abril

Domingo de Ramos Semana Santa, Sábado de Aleluia e Páscoa Festa de São Benedito (Bairro São Benedito)

Maio

Dia 08 – Aniversário da Cidade Festa do Divino Espírito Santo Passeio Ciclístico e Caminhada Ecológica ao Núcleo Santa Virgínia

Junho

Festa Junina “Arraiá do Chi Pul Pul” Corpus Christi Festa de São Pedro de Catuçaba (Distrito de Catuçaba)

Julho

Temporada de Inverno “Um Friuzinho Esquentadô” Romaria de Cavaleiros a Aparecida Big Biker Festa de São Cristóvão

Agosto

Torneio Leiteiro Festa da Cozinha Caipira Semana Oswaldo Cruz Festa do Padroeiro São Luís de Tolosa Encontro Gospel Encontro “Cultura Popular Viva” de São Luiz do Paraitinga

Setembro

Semana Elpídio dos Santos Festival da Música Caipira de Raiz Festa de Nossa Senhora das Mercês

Outubro

Rodeio (Catuçaba) Projeto Resgatando a Inocência Festa do Saci e Seus Amigos

Novembro

Semana da Cultura Negra Festa de Santa Cecília

Dezembro

Comemorações Natalinas Reveillon 18

Fonte: Site da Prefeitura de São Luiz do Paraitinga-SP


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Revista São Luiz do Paraitinga .Info - n° 2  

Saiba tudo Sobre São Luiz do Paraitinga-SP

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