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A VOZ DA ONÇA MAIO . 2018

Foto: Shutterstock


QUEM SOMOS O Projeto Onças do Iguaçu é um projeto institucional do Parque Nacional do Iguaçu, e vai dar continuidade ao trabalho realizado pelo Projeto Carnívoros do Iguaçu, criado em 1990.

NOSSA MISÃO Conservação da onça-pintada, como espécie-chave para a manutenção da biodiversidade na região do Parque Nacional do Iguaçu

NOSSA EQUIPE Ivan Baptiston - Coordenador Geral Yara Barros - Coordenadora Executiva Carlos Brocardo - Pesquisa Thiago Reginato - Engajamento Aline Kotz - Voluntária Adaildo Policena - Auxiliar de pesquisa Colaboradores Ronaldo Morato - CENAP/ICMBio Rogério Cunha de Paula - CENAP/ICMBio Edilson Esteves - PARNA Iguaçu/ICMBio Rosane Nauderer - PARNA Iguaçu/ ICMbio Kátia Ferraz - ESALQ Sílvio Marchini - Chester Zoo e ESALQ Gediendson R. de Araújo Peter Crawshaw Jr. Proyecto Yaguareté


LANÇAMENTO DO PROJETO ONÇAS DO IGUAÇU No dia 22 de abril, aconteceu o lançamento do Projeto Onças do Iguaçu, em um coquetel oferecido pelo Hotel Belmond Cataratas. A cerimônia contou com a presença do Presidente do ICMBio, Ricardo Soavisnki, membros da comunidade e parceiros do ICMBio. O evento também contou com o patrocínio de empresas de Foz do Iguaçu: Ilse Eventos, Equalize, Eco Natural, Floricultura JK, Cataratas S.A. e Macuco.


EQUIPE Ivan Baptiston - Coordenador Geral. Engenheiro Florestal, natural de Chapecó - SC. Desde 2002 é servidor do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Foi conselheiro da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, e em 2015, assumiu a chefia do Parque Nacional do Iguaçu.

Yara Barros - Coordenadora Executiva. Bióloga, doutora em zoologia pela UNESP. Também coordena o Programa Ex Situ dentro do Projeto Harpia.  Trabalhou com conservação de fauna ameaçada, in situ e ex situ, tanto no governo quanto na iniciativa privada. Participa de Planos de Ação Nacionais para a conservação de espécies ameaçadas e integra o CPSG Brasil (Grupo Especialista em Planejamento para a Conservação/IUCN).

Thiago Reginato - Engajamento. Gestor Ambiental pela UTFPR de Medianeira, tem experiência com trabalho em Educação Ambiental, é fotógrafo e editor de imagem. Também realizou estágio na Estação Agrometeorológica do Iapar.


EQUIPE Carlos R. Brocardo - Pesquisa. Biólogo cascavelense, que atua com mastofauna na região oeste do Paraná desde sua graduação pela UNIOESTE. Tem mestrado e doutorado pela UNESP. Durante o doutorado pesquisou os efeitos da defaunação e fragmentação florestal sobre os mamíferos e suas interações ecológicas na Floresta com Araucária, onde incluiu o Parque Nacional do Iguaçu como uma das áreas de estudo.

Adaildo Policena - Auxiliar de Pesquisa. Natural de Capanema, vem auxiliando pesquisas no Parque Nacional do Iguaçu desde de 2002, onde já atuou em inúmeras pesquisas. Seu grande conhecimento sobre o Parque Nacional do Iguaçu dá segurança para a execução das atividades em campo.

Aline Kotz - Voluntária. Natural de São Miguel do Iguaçu é Gestora Ambiental pela UTFPR de Medianeira. Tem experiência na reprodução artificial de aves e assistência técnica rural ao pequeno produtor onde atuou pela ADEOP.


O Projeto Onças do Iguaçu tem como mascote o Avati, que tem esse nome por conta de um ser encantado dos Guarani. Ele vai ilustrar nosso material educativo, sendo um aliado para passar a mensagem da importância da conservação da onça-pintada para as crianças. O Avati tem 3 versões, e foi criado pelo nosso talentoso parceiro, Pedro Rodrigues Busana.


Outras ilustraçþes feitas por Pedro Rodrigues Busana.


Planejar para conservar. Entre 18 e 20 de abril de 2018 foi realizado um Workshop de Planejamento Estratégico, com a participação de especialistas de diversas instituições. Foram definidos objetivos e ações para os próximos cinco anos, incluindo o monitoramento das onças, censos periódicos, avaliação da percepção da comunidade sobre as onças, ações de educação ambiental e de capacitação para reduzir o conflito e promover a coexistência entre moradores e esses animais.


Parceria e capacitação.

Entre 14 e 17 de abril, o CPSG Brasil e o Projeto Onças do Iguaçu promoveram no Parque Nacional do Iguaçu o curso: “Dimensões Humanas da Conservação”, ministrado pelo Sílvio Marchini. Participaram a equipe do Projeto Onças do Iguaçu, representantes do Parque das Aves, Mater Natura, Tamanduás do Iguaçu e Conicet (Argentina). A capacitação teve como objetivo proporcionar maneiras de incorporar as dimensões humanas na gestão da biodiversidade. Essa é uma abordagem que aplica as ciências sociais (economia, sociologia, educação e comunicação) para identificar, compreender, envolver e influenciar os grupos de interesse (comunidades e instituições, por exemplo). Assim, buscando o maior benefício possível, tanto para a biodiversidade, como para a sociedade e para a busca por resolução de conflitos.


Segurança.

Considerando que existem onças que frequentam a área de visitação do PARNA Iguaçu, está sendo criada uma Equipe de Resposta a Emergências (ERE), para questões relacionadas às onças. A função da ERE, além de proteger os animais, é manter a segurança de nossos visitantes, funcionários, moradores e pesquisadores em situações que envolvam contato com felinos silvestres. Está sendo elaborada uma matriz de análise de riscos e protocolos preventivos e de emergência para definir as condutas que funcionários, visitantes, moradores e pesquisadores devem seguir em situações de contato com esses animais. Após a definição dos protocolos, os membros da ERE serão capacitados para atendê-los. Já foram realizadas duas reuniões com concessionárias (Cataratas SA, Macuco), Hotel Belmond, Itaipu Binacional e Parque Nacional Iguazú (Argentina), além de palestras sobre segurança para as equipes do Hotel Belmond e Macuco Safari. Foto: Jõao Marcos Rosa


Dia Mundial da Vida Selvagem.

Dia 3 de março é o Dia Mundial da Vida Selvagem, que em 2018 teve como tema os grandes felinos, cada vez mais ameaçados pelas atividades humanas. O Projeto Onças do Iguaçu celebrou a data com uma exposição nos dias 3 e 4, no Porto Canoas. Nela, foram apresentados dados sobre a biologia das onças, ameaças, atividades do projeto e também foram realizadas atividades com crianças. O material da campanha foi traduzido para o português e teve o seu vídeo legendado. Então, foi enviado para zoos e aquários, com o objetivo de maximizar o alcance da campanha.


Onças em Destaque.

Além do Dia Mundial da Vida Selvagem, também foi realizada a exposição: “Trabalhando para Salvar as Onças do Iguaçu”, entre 10 e 14 de janeiro, no Porto Canoas, em comemoração ao aniversário do Parque Nacional do Iguaçu.

Dia Nacional da Alegria.

No mês de abril, participamos das comemorações do Dia Nacional da Alegria, em uma ação para cerca de 40 crianças do projeto Força Verde Mirim, da Polícia Ambiental. Foi apresentado um teatro sobre as onças e a ameaça da caça, além de uma pequena exposição montada para as crianças.


Capacitar para multiplicar o alcance.

CURSO PARA PROFESSORES Em abril, o Projeto Onças do Iguaçu participou de duas formações de professores. A primeira, promovida pela UHE Baixo Iguaçu, para Docentes em Educação Ambiental. Foi um curso ministrado para professores da rede municipal e estadual de cinco municípios lindeiros ao Parque Nacional do Iguaçu. Nossa equipe participou oferecendo palestras e uma exposição sobre o projeto. A segunda, SOS Fauna, é um projeto de capacitação de professores promovido pelo Parque das Aves. O nosso objetivo em participar desses eventos é ensinar aos professores um pouco sobre nossas atividades, além das possibilidades de coexistência entre humanos e onças. Dessa forma, os professores tornam-se multiplicadores de saberes e potenciais atores da conservação das onças do Iguaçu.


Pesquisa.

Entre janeiro e abril de 2018, o Projeto Onças do Iguaçu fez um monitoramento continuado de onças-pintadas e outros mamíferos. com o uso de armadilhas-fotográficas. Elas foram instaladas na região turística, na área intangível do Parque, a fim de entender o uso do espaço pelas espécies.

Nas câmeras apareceram animais como o gato-mourisco, a jaguatirica, a suçuarana, a paca, a cutia, a anta, o cateto, o veado-mateiro, entre outras espécies. Para onças-pintadas em especial, foram registrados três animais já conhecidos: Croissant (um macho adulto), Atiaia (uma fêmea adulta) e seu filhote, Caiuá, que já tem quase dois anos de idade. Ao longo do monitoramento pudemos perceber a gradual independência desse jovem macho, que nos últimos registros aparece sempre desacompanhado da mãe, com visual saudável, indicando que já consegue obter comida por conta própria.


Pesquisa.

O Projeto Onças do Iguaçu agora integra o “Projeto Ecologia trófica, diversidade funcional e ocorrência de mamíferos na Mata Atlântica”. Ele tem como objetivo fazer uma avaliação da comunidade de mamíferos em toda a Mata Atlântica, como mostra o mapa abaixo. Assim, somaremos agora nossos dados a esse esforço, e esperamos que os nossos resultados auxiliem no entendimento de como está a base de presas de onças-pintadas na Mata Atlântica, o que ajuda a traçar medidas de conservação.

Outra ação desenvolvida pelo projeto é o registro de todos os casos de observações de grandes felinos que nos são comunicados. Esse registro é importante para entender o comportamento dos animais e, assim, nos guiar em decisões quanto a segurança das pessoas e onças no Parque.

O macho juvenil Caiuá flagrado pelo mestrando Marcos Fianco (UNILA) durante atividades de sua pesquisa. O pesquisador, além de nos fornecer as fotos, preencheu rapidamente um formulário padrão, contribuindo com nosso entendimento sobre o comportamento das onças frente à presença humana.


Atendimento à Comunidade.

O Projeto Onças do Iguaçu fez atendimentos à população em locais onde houve comunicação de suspeita ou presença de grandes felinos.

Atendimento na comunidade de Vista Alegre (Realeza), após comunicado da presença de onça-parda. Aproveitamos a ocasião para passar mais informações sobre a espécie e medidas de manejo para o gado.

Atendimento aos moradores de uma chácara em Foz do Iguaçu que encontraram uma árvore arranhada e suspeitaram ser de uma onça. No local, a equipe pôde constatar que na verdade se tratava de arranhões causados por tamanduámirim, que tentava acessar um formigueiro abaixo da casca da árvore. Explicamos a diferença dos arranhões feitos por onças e acalmamos os moradores, para que saibam que a presença de onças pode ser comum por morarem no entorno de uma Unidade de Conservação. Por fim, reforçamos nossa disponibilidade para qualquer necessidade.


Apoio técnico à ações de fiscalização.

Em março, o Projeto Onças do Iguaçu fez a análise e identificação de todo o material que recebeu de uma grande apreensão, realizada pela Polícia Ambiental, que incluía peles e carnes de alguns animais.

Resgate de Felinos Atropelados.

Em janeiro, o Projeto Onças do Iguaçu foi até Céu Azul para resgatar um gatomourisco que foi atropelado em Capanema. O animal foi levado para o Refúgio Biológico Bela Vista, da Itaipu, onde passou por uma cirurgia ortopédica, mas não sobreviveu devido aos ferimentos extensos.


Coexistência. Ação em casos de predação Em março, tivemos um registro de predação em São Miguel do Iguaçu. Marcos Antônio Alves teve três bezerros predados por um puma. Atuamos rapidamente, avaliando o local e orientando o produtor sobre boas práticas que poderiam evitar outros eventos de predação, e trabalhando com ele na implementação. Estamos colaborando na geração alternativa de renda, ajudando a vender a produção de queijos do Marcos. Em abril, foi realizado na propriedade o Mutirão da Onça. O que começou com uma ideia de proteger os bezerros de futuras predações, acabou sendo uma linda e intensiva ação de conservação. Durante o Mutirão: - Os fiscais do ICMBio e a Polícia Ambiental vasculharam a mata na região, procurando por “cevas” e acampamentos de caçadores; - A equipe do Projeto Acqua do ICMBio organizou a limpeza do rio ao lado da propriedade, recolhendo embalagens vazias de agrotóxico, rendendo uma reflexão sobre o descarte responsável dessas embalagens; - A equipe de manutenção do Parque das Aves fez melhorias estruturais no chiqueiro, de forma que onças não possam entrar; - As equipes de manutenção do Hotel Belmond Cataratas e do ICMBio fizeram melhorias na cerca elétrica no pasto, para dificultar a passagem de onças, e também fizeram o plantio de árvores nativas (doadas pela Cataratas S.A.); - A Cataratas S.A. e o Parque das Aves doaram comida e água para o evento; - O Projeto Onças do Iguaçu montou uma pequena exposição e conversou crianças e professoras de escola local sobre a proteção das onças; - O Prefeito de São Miguel do Iguaçu, Claudiomiro da Costa Dutra, atendeu à nossa solicitação para arrumar a estrada que dá acesso da propriedade do Marcos até o asfalto. Assim, Marcos pode vender sua produção de leite, que antes não era possível por conta das más condições da estrada. Então, convidamos a Lactomil para participar do Mutirão, e as negociações para a compra do leite do Marcos já estão em andamento; - O pessoal da Cooperativa LAR também esteve presente e estão dispostos a trabalhar em parceria; - Os senhores Ailton Peron e Antônio Peron, donos da propriedade, também compareceram, forneceram carne e ajudaram no preparo do almoço coletivo; - As equipes do WWF e da Fundación Vida Silvestre (Argentina) também participaram do Mutirão; - Vizinhos da propriedade do Marcos também compareceram e pudemos conversar sobre as onças, conservação e medidas de prevenção. Mas, principalmente, pudemos estabelecer um vínculo com todos.

Foi um dia intenso, que indicou que é possível a coexistência de pessoas e das onças do Iguaçu, desde que trabalhemos em conjunto para construir soluções viáveis. Ouvir o Marcos dizer que nunca pensou que uma onça pudesse trazer tanta felicidade, não tem preço.


Mutirão de Conservação.


Avaliação da percepção pública dos moradores do Entorno do PARNA Iguaçu sobre a onça. Para podermos proteger as onças do Parque Nacional do Iguaçu, é imprescindível envolver a população que vive no entorno do Parque e que pode de alguma forma ser impactada pelos felinos. Uma das linhas de ação do Projeto Onças do Iguaçu é trabalhar com as comunidades, avaliar qual a percepção pública sobre as onças e levar informações e orientações. A partir dessa vivência, buscamos avaliar o cenário, criar e estreitar vínculos e, junto com as comunidades, vamos construir estratégias que facilitem a coexistência de pessoas e onças. Com apoio financeiro da WWF, estamos conduzindo entrevistas e conversas para avaliar a percepção, e esse contato próximo tem também como resultado um ótimo trabalho de integração. Temos tido muita receptividade e acreditamos que esta convivência do projeto com moradores lindeiros ao Parque Nacional do Iguaçu está possibilitando que eles tenham um novo olhar sobre a importância das onças. A coexistência entre pessoas e onças é um dos nossos maiores desafios, e também uma oportunidade muito rica de troca de saberes. Estamos muito felizes com os resultados e com a abertura com que estamos sendo recebidos. Fomos convidados para integrar o Projeto Coexistence, coordenado pelo Dr. Sílvio Machini (Chester Zoo e ESALQ), que vai explorar formas de melhorar a análise e gestão dos conflitos entre humanos e animais selvagens, de modo a apoiar e aconselhar estratégias para transformar o conflito em coexistência. O objetivo é desenvolver um modelo ou estrutura unificada para avaliar o conflito entre humanos e animais selvagens, que incorpore dimensões naturais e humanas, processos de tomada de decisão e diferentes escalas.


Agradecemos aos parceiros que nos ajudam na execução desse projeto, o CENAP /ICMBio (Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros) e o Instituto Pró-Carnívoros. O Parque das Aves hoje é nosso principal patrocinador e parceiro de ações de conservação. Também recebemos recursos do Fundo Iguaçu, Hotel Belmond Cataratas e WWF. A Cataratas SA e Instituto Conhecer para Conservar nos apoiam em várias ações de educação e envolvimento da comunidade. Nosso logo foi uma construção de várias mãos: foi idealizado pelo Thiago Reginato, nosso Coordenador de Engajamento, tivemos alterações feitas pelo Pedro Busana e a agência finalizou a arte e fez a versão em inglês. Pedro Rodrigues Busana também nos deu como um presente a arte do nosso mascote, Avati.

PARCEIROS

PATROCÍNIO

APOIO


Oncasdoiguacu boletim 001 maio18  

Boletim 001 A voz da onça de maio de 2018

Oncasdoiguacu boletim 001 maio18  

Boletim 001 A voz da onça de maio de 2018

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