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BELÉM, MAIO DE 2011

A notícia como espetáculo

Saídas para a hora do aperto

Jornais sensacionalistas ganham espaço no mercado e provocam debate sobre ética e responsabilidade no tratamento da notícia. Professor da Unama analisa a questão em entrevista.

Comer bem pode sair caro. Lanchonetes e restaurantes da área do Campus BR oferecem cardápio variado. Apesar das opções, os preços muitas vezes são salgados e exigem pesquisa.

Página 7 CURSO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL - UNAMA

ANO I, NÚMERO 1

Página 3 BELÉM, MAIO DE 2011

Ano I, Número 01

Twitter mostra sua força e expande os canais de relacionamento na internet Tuiteiro Pedro Loureiro (foto acima), o @pedrox, destaca o papel das redes sociais nos dias de hoje. Página 8 OPINIÃO

O outro lado da democratização Avanço em comunicação ou reforço de desigualdades econômicas? Letícia Cardoso analisa questões sobre a internet e a revolução tecnológica. Página 6

Pesquisa estuda casos de abandono de bebês no Pará

Pesquisa da Agência Unama de Comunicação pelos Direitos da Criança e do Adolescente, desenvolvida por bolsistas da universidade, estuda o papel da mídia na cobertura dos casos de abandono de bebês, nos últimos meses, no Estado do Pará. Segundo as notícias publicadas nos jornais, foram oito as ocorrências registradas de dezembro de 2010 até abril deste ano. O trabalho, coordenado pela professora Neusa Pressler, pretende analisar o tratamento dispensado pela imprensa do ponto de vista da linguagem, da ética e da responsabilidade social com a informação, além de aprofundar a discussão sobre o problema.

ARTIGO

Abril sangrento na mídia brasileira Iaci Gomes lembra que o Dia do Jornalista, este ano, foi marcado pelo massacre na escola de Realengo, no Rio de Janeiro, e tira lições da tragédia. Página 2

PRONTOFALEI

Deu o que falar na internet No Twitter, professores e alunos criticam e ironizam situações do dia a dia. Na seção #prontofalei, confira as tuitadas mais quentes da rede. Página 8

GOELA

APRENDIZADO

Com a boca no trombone Você tem alguma queixa para fazer? Não fique calado. Escreva sua reclamação para a coluna Goela. O espaço está aberto. Página 2

Páginas 4 e 5

Coordenadora Alda Costa e professores do curso de Comunicação Social convocam alunos para o projeto experimental

Unama investe em jornal laboratório Curso de Comunicação Social da Unama lança o primeiro número do jornal laboratório Arara News. Trabalho experimental envolve professores

e alunos das habilitações em Jornalismo, Publicidade e Relações Públicas. Proposta é reforçar a relação entre Comunicação e Amazônia. Página 6

NEGÓCIOS

Sites apostam na febre da compra coletiva

Descontos e promoções atraem cada vez mais consumidores paraenses. Redes sociais na internet abrem a porta para o novo negócio. Página 8

ILUSTRAÇÃO: PRISCILA SANTOS

Para colaborar, fale com a gente: agencia.com@unama.br


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goela

editorial

Um instrumento para a transformação Ousadia. Essa é a palavra que melhor sintetiza a proposta do novo projeto do curso de Comunicação Social da Universidade da Amazônia (Unama), o jornal laboratório Arara News. Produzido por alunos de Jornalismo, Publicidade e Relações Públicas da instituição, o veículo surge com linha editorial que pretende abrir um canal de ligação da academia com a comunidade e o mercado de

trabalho. O Arara será uma plataforma de aprendizagem para a formação dos futuros jornalistas da Unama – com cara e abordagem novas, sem fugir dos princípios do jornalismo de qualidade e primando pela informação como um bem social. A influência dos jovens na redação de matérias e na escolha das pautas é inegável. Por isso, está entre os objetivos do projeto

derrubar preconceitos, quebrar a referência negativa de alienação e desinteresse que o conservadorismo radical costuma associar à juventude. Neste primeiro número, matérias sobre a febre do e-commerce, com os sites de compra coletiva, e o Twitter dividem espaço com a polêmica que envolve os recentes casos de abandono de bebês. A edição procura mostrar, assim, como as novas tecnologias

arrancam para o futuro uma sociedade que ainda se arrasta na ignorância e na miséria. Por se tratar de proposta experimental, haverá sempre espaço para mudanças, aprimoramento e colaboração. O desafio é de todos: promover o debate democrático, com a livre manifestação do pensamento, e fazer da notícia instrumento de informação que renove e transforme.

ILUSTRAÇÃO: PRISCILA SANTOS

engatou na universidade, quando os dois estudavam juntos matérias do curso História da Arte (somente depois é que o príncipe optou por se formar em Geografia); porém, cada um procurou estruturar a própria carreira após a graduação (ela, pode-se dizer, não se esforçou tanto

assim); romperam por um tempo e, quando reataram, foi pra valer! Moraram juntos, noivaram, casaram e, daqui a um tempo, herdeiros vão chegar. Parecidíssimo com a história da prima-do-namorado-da-amiga-do-meu-irmão. A diferença entre a vida real e

a vida da Realeza é que, no primeiro caso, talvez só o sentimento não seja o bastante. Os comentários sobre o matrimônio do século deixaram claro que, na terra dos súditos, outras coisas vêm antes do amor (ou em igual prioridade): trabalho, dinheiro, contas, viagens, roupas, carro, bebidas e por aí vai. No mundo dos mortais é permitido brigar, separar, começar de novo ou morrer infeliz. Na dos monarcas, nunca. Não por outro motivo, Camilla Parker Bowles continua persona tão non grata, mesmo com a pompa do título Duchess of Cornwall. Mas com William e Kate a história será diferente. Eles serão felizes para sempre – pelo menos é o que se espera, pois se eles podem, quem sabe nós também não tenhamos alguma chance. THAÍS BRAGA

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As lições de uma tragédia a situação de um ponto de vista diferente e muito interessante. “Precisamos falar sobre o Kevin” é um livro de ficção, da escritora Lionel Shriver. Apesar disso, trata do assunto de forma muito aberta e assusta por ser muito realista. O livro é escrito em forma de várias cartas que uma mãe escreve para seu marido ausente. Através desse recurso ela conta a história do seu filho desde a gravidez, passando pelo massacre de que ele foi autor e contando a vida dela e dele pós-massacre. Durante os relatos ela mostra um bebê que conseguia mandar todas as babás embora, uma criança com boas médias na escola, mas pouca expressão e socialização. E depois, um adolescente considerado esquisito e que ninguém da escola

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Operadora sem sinal

Casamento de outro mundo

O dia 7 de abril deste ano, em vez de ser lembrado apenas como o “Dia do Jornalista”, ficou marcado por uma tragédia sem precedentes na história do país. O massacre no colégio de Realengo chocou e transtornou os brasileiros, além de pessoas ao redor do mundo. Ficam a dor e as dúvidas que perturbam: o que leva uma pessoa a fazer isso? Como identificá-la antes que cometa o crime? O caso do colégio Tasso da Silveira veio entrar para a lista de cerca de 400 massacres em escolas de todo o mundo, de acordo com a revista Veja. É inevitável a comparação e relembrar todos esses assassinatos, principalmente o mais famoso deles, o do colégio Columbine. Entre tantos livros escritos sobre esse tipo de crime, li um que aborda

O serviço de transporte coletivo em Benevides é péssimo. Só há uma empresa de ônibus que faz Benevides-Belém e as pessoas dizem que os motoristas não fazem o percurso todo, geralmente vão até São Braz. Sem contar que eles demoram a passar. Quem precisa ir para o Centro, precisa pagar duas passagens. MARIA BARBALHO

artigos O casamento real mexeu com os ânimos de todo o mundo no fim do mês passado. Não importa se os comentários eram azedos, açucarados ou indiferentes: a união do príncipe William com Kate Middleton não passou despercebida. Claro que a mídia, famigerada, deu um empurrãozinho para a cerimônia se transformar em espetáculo – como se tudo o que é veiculado já não o fosse naturalmente. O que senti dessa vez, no entanto, era que, ao falar do jovem casal, cada um falava um pouco de si próprio. Como se a história deles fosse apenas uma desculpa para renovar a fé no tal amor. Até porque, se William não fosse membro da Monarquia Britânica, a relação dele com Kate nada teria de conto de fadas. Pelo contrário, seria apenas mais uma entre tantas que conhecemos. Quer apostar? O namoro

Transporte deficiente

gostava de chegar perto. Aos quinze anos, Kevin parecia capaz de atos cruéis sem o menor remorso. A mãe diz que os sinais estavam ali, ela viu todos, mas não fez nada, não quis acreditar. Uma das professoras que quis ajudar e notou algo errado não pôde fazer nada também. No que diz respeito a Wellington Menezes de Oliveira, os boletins mostravam avisos sobre como ele não era sociável, que ele era um rapaz fechado, parecia viver em seu próprio mundo. Hoje os estudos dos casos apontam muitas coisas em comum entre cada situação, o planejamento detalhado é uma delas. No livro, Kevin planejou passo a passo tudo que pretendia fazer, assim como Eric Harris e Dylan Klebold em Columbine, assim como Wellington Oliveira em

Realengo. O que tiramos disso? Não se pode voltar atrás e evitar que cada um desses assassinos tire vidas inocentes. Mas podemos identificar, atentar para os sinais. Não só em casa, as escolas devem ter pedagogos prontos para identificar possíveis distúrbios. Checar a internet, não no sentido de ver se o filho acessa jogos violentos, mas observar o que ele lê, quais ideias publica, o que admira e o que repudia, se seus valores estão corretos. Não podemos excluir todas as possibilidades, mas, se possível, fazer tudo o que puder para prevenir e evitar mais sofrimento como o que temos acompanhado desde o dia 7 de abril. IACI GOMES

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Minha reclamação é sobre a Tim. Nós tentamos fazer ligações, mas não conseguimos porque nunca tem sinal. A empresa oferta essa promoção dos R$ 0,25 centavos, mas a verdade é que não dá para passar mais de 30 segundos ao telefone sem a ligação cair. Daí, a gente tem que retornar a chamada até conseguirmos falar tudo. Quando se vê, já foi gasto praticamente o preço de uma ligação normal. JOÃO GABRIEL AMARO

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Programação irregular Belém tem uma má distribuição de filmes no circuito comercial. No Boulevard shopping, por exemplo, há seis salas exbindo uma produção só, que é o filme “Rio”. Enquanto que, na sala que sobra, são exibidos filmes de forma alternada. Ainda tem o problema dos filmes chegarem atrasados à cidade. Isso é um desrespeito, porque se a estreia é nacional, as salas de cinema devem obedecer, é um acordo. ROBERTO VASCONCELOS

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Transporte deficiente Não acho certo as pessoas jogarem lixo nas ruas, nos canais, não separarem os resíduos, desperdiçarem água e energia, entre outros. O compromisso com o meio ambiente começa com cada um fazendo sua parte para, depois, cobrarmos das ações das autoridades. THAÍS BRAGA

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Na hora da fome, o preço fala mais alto

Estudantes do campus BR pesquisam cardápio de olho no bolso THAÍS BRAGA 7JLV1

Quem precisa passar o dia todo no campus BR da Universidade da Amazônia (Unama) pode almoçar em pelo menos oito restaurantes diferentes, localizados na BR-316, entre o Entroncamento e o viaduto do Coqueiro. As lojas Computer BR e Makro são locais que ofertam refeições por quilo. Carnes, saladas, arroz e feijão geralmente estão no cardápio. Já o restaurante Yamaga, bem como a lanchonete Sanduba’s, que fica na garagem do campus, vende pratos executivos. Lasanha, yakisoba, peixe, filé ou frango à milanesa são servidos acompanhados de porções pré-determinadas de arroz, batata frita e salada. O preço do almoço nesses locais, porém, não é menor do que R$ 13,00, excluídas bebidas e sobremesas. E, dependendo da escolha do local, ainda é preciso arcar com a despesa do deslocamento. A praça de alimentação do Shopping Castanheira, por exemplo, fica a aproximadamente 8 km da Unama BR). “Não é uma distância que se possa percorrer a pé no intervalo curto do almoço. Mas, para mim, vale a pena pegar o ‘busão’ quando fico enjoado da comida dos restaurantes mais próximos”, afirmou Evandro Paixão, 24 anos, estudante de Publicidade. Para o coordenador do curso de Economia da Unama, Kléber Mourão, o custo da refeição nesse trecho da BR não está barato, nem caro. “O valor da comida em pratos executivos ou vendida por quilo está dentro da faixa de preço que o mercado de restau-

FOTO: MARIA PEREIRA

tribuna Certidões na mira da lei O Ministério Público do Estado está de olho nos cartórios de registro de Belém. Uma recomendação da Promotoria de Justiça da Família alerta para o cumprimento da Lei nº 8.560/92, que obriga os oficiais de registro civil a encaminharem ao juiz de direito registros de nascimento em que constem apenas o nome da mãe. A intenção é averiguar oficiosamente a procedência do suposto pai. O documento foi expedido após os membros

constatarem, em levantamento feito em duas escolas do “Projeto Defesa da Filiação nas Escolas”, na capital, que nas certidões de registros de nascimento de 78 crianças e adolescentes aparece apenas a maternidade. Caso a recomendação seja descumprida, serão tomadas as medidas judiciais cabíveis, inclusive no sentido da apuração das responsabilidades civil, administrativa e criminal dos agentes por ação ou omissão.

“ Lanchonete pode ser boa opção para a hora do aperto

rantes em geral cobra. Quem quiser economizar pode optar por pratos econômicos, que são aquelas marmitas. Geralmente custam R$ 7,00. Mas a alimentação é mais popular”, disse. Parte da equipe da rádio Unama FM costuma optar pelos pratos econômicos. O alto custo das refeições leva alguns estudantes a optarem por lanches e frituras, em vez de uma alimentação mais saudável. É o caso da aluna do sétimo semestre de Jornalismo, Maria Carolina Silva Martins Pereira, 21 anos. Ela não pode ir em casa na hora do almoço, pois mora em Castanhal, a 68 km de Belém, trabalha no programa de monitoria no período da manhã e estuda à tarde. “O tempo é curto, não dá para eu

procurar outro restaurante que não esses daqui de perto. Quando tenho pouco dinheiro, o jeito é comer sanduíche mesmo ou algo mais barato”, comentou a universitária. A nutricionista Nathália Garcia recomenda que as pessoas não fiquem muito tempo sem se alimentar. “O certo é fazer refeições leves de três em três horas, para que a fome seja reduzida e não haja uma supercompensação nas refeições seguintes”, explicou. A profissional sugere que frutas e barras de cereal estejam sempre na bolsa ou mochila, assim como a própria garrafa de água mineral, a fim de manter o corpo com o mínimo de equilíbrio ao longo do dia.

PREÇOS MÉDIOS DE REFEIÇÕES NA BR ILUSTRAÇÃO: PRISCILA SANTOS

É o momento pra acabarmos com esse bullying que sofremos nas mãos de uma imprensa provocadora e irresponsável.

Senador Roberto Requião (PMDB-PR), tentando justificar o injustificável: ameaça e confisco do gravador de um repórter dentro do Congresso Nacional.

Demissões Está prevista para o fim deste mês a distratação de 63 funcionários temporários da Fundação Paraense de Radiodifusão (Funtelpa). A presidente da instituição, Adelaide Oliveira, não esclareceu como será a ordem dos desligamentos, mas afirmou que o procedimento obedecerá “critérios”. Para ocupar os postos de trabalho, deverão ser convocados 52 profissionais aprovados no concurso público C-156/2010.

Trânsito Os debates sobre os problemas do trânsito de Belém chegaram à Assembleia Legislativa do Estado. Na semana passada, os deputados procuravam soluções para a construção de vias alternativas de saída da capital. Resta saber quando a conversa vai se converter em melhorias reais para a população.

Alerta Um buraco está aberto há mais de uma semana no meio do cruzamento da avenida Pedro Álvares Cabral com a travessa Tavares Bastos, na Marambaia. Ainda não há registro de acidentes no perímetro. Mas, pelo descaso dos órgãos responsáveis, falta pouco para um trágico episódio acontecer.

Perigo Moradores de Castanhal não usam as passarelas para pedestres construídas ao longo de três quilômetros da rodovia BR-316. A intenção inicial era prevenir acidentes e ajudar estudantes a atravessar a via, mas o local está cada vez mais frequentado por ladrões, usuários de drogas ou mendigos, que o usam como banheiro e dormitório.


Bebês abandonados s 4

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Casos de abandono de recém-nascidos no Pará serão discutidos em bate-papo com estudantes IACI GOMES, CAMILA MACHADO E CAROLINA AMORIM 5JLM1

Os paraenses têm presenciado vários casos de abandono de bebês. De acordo com pesquisa feita pelas bolsistas da Agência Unama de Comunicação pelos Direitos da Criança e do Adolescente, foram registrados na mídia oito casos desde dezembro de 2010 até abril deste ano. Percebendo essa problemática, as bolsistas da Agência, Lorena Silva e Bruna Brabo, fizeram uma pesquisa e apresentaram a ideia de fazer um documentário, sob coordenação da professora Neusa Pressler. O projeto inicial era esse e a produção de um artigo. A professora sugeriu, então, a conversa. A pesquisa foi feita nos três principais jornais da nossa região, O Liberal, Amazônia e o Diário do Pará. Dos oito casos analisados, um aconteceu em Santa Isabel, dois em Ananindeua, três na capital e um em Castanhal, de acordo com o que foi arquivado pela Agência. A pesquisa das bolsistas foi base para a entrevista que a professora Neusa deu ao programa “Barra Pesada” e para o “Jornal da Noite”, ambos da Band. Elas reuniram 60 matérias já publicadas sobre o assunto. “A ideia do bate-papo surgiu para infor-

mar as pessoas e chamar mais a atenção delas para o assunto”, explica Lorena Silva, que faz o quinto semestre de Jornalismo na Unama. “Queremos juntar vários cursos como Jornalismo, Publicidade, Psicologia e Direito”, afirma Bruna Brabo, aluna do terceiro semestre de Jornalismo na Unama. Para isso, as bolsistas já conseguiram profissionais de cada área para participar da conversa, que será na Unama da BR, nos dias 10 e 11 de maio, pela manhã. A professora Neusa Pressler deu apoio para a iniciativa das bolsistas e afirma que o bate-papo deve ser utilizado para abordar os mais diversos pontos de vista. “Devemos ver isso inclusive do ponto de vista da mãe. Perguntar o que leva uma mulher a fazer isso, quais suas motivações”, propõe Neusa. ARREPENDIMENTO O repórter Dilson Pimentel, do jornal O Liberal, que cobriu vários casos de abandono de recém-nascido, diz que, quando a própria mãe abandona, ele tenta entender o que a levou a cometer tal ato. “Geralmente, as mães se arrependem de suas atitudes, e afirmam que vão lutar para ter a guarda da criança”, afirma o jornalista. O repórter conta ainda

CONFIRA ALGUNS CASOS REGISTRADOS PE

que as agressoras geralmente se arrependem depois de cometer os crimes Os dados da pesquisa mostram que das oito mães das crianças abandonadas, três foram encontradas, duas morreram e três foram internadas. Segundo a Agência, o bate-papo será um modo de compartilhar todos os dados que foram reunidos. “O aumento do número de casos chamou a nossa atenção e por isso decidimos saber mais do assunto”, afirma Lorena Silva. Alem do Pará, outros Estados têm notícias de bebês abandonados. Um dos casos mais recentes aconteceu em Jundiaí, São Paulo. Segundo matéria do Jornal Nacional, um menino, provavelmente prematuro, foi abandonado na lixeira de um hospital da cidade. A mãe, nesse caso, foi encontrada e deverá responder na Justiça. O Jornal Nacional também noticiou sobre uma criança deixada em um quintal de uma casa na Zona Norte paulista. De acordo com a matéria, “mães e pais devem procurar o Juizado da Infância e Juventude e entregar a criança para a adoção. Existe um cadastro nacional de meninos e meninas que aguardam uma família, assim como de pessoas habilitadas a adotá-los. FOTO: NAIR ARAÚJO

Bolsistas da Agência Unama levantaram dados na mídia impressa sobre o abandono de bebês

O caso é do dia 16 de março deste ano, em Belém. O bebê ainda estava com a placenta e a mãe também não foi encontrada. A criança sobreviveu.

O feto era de seis meses e foi encontrado ao lado do cemitério Santa Isabel, em Belém. Junto a ele havia objetos de magia negra. O caso é de fevereiro deste ano.

Em Belém, o bebê foi abandonado no Natal do ano passado, jogado de um muro de dois metros de altura. A mãe depois disse que estava arrependida. A criança passa bem.

Psicólogo vê perigo na generalização O psicólogo Erivaldo Ramos da Silva conta que é extremamente delicado dar uma resposta definitiva para as causas que levam mulheres a abandonarem seus próprios filhos. “É complicado gerneralizar esses acontecimentos, cada um tem uma motivação específica. Cada pessoa tem uma constituição psíquica e emocional diferente da outra”, afirma. Erivaldo conta que poderia ser cogitada a possibilidade de essas mães estarem passando por um Ajustamento Criativo Disfuncional. Essa abordagem psicológica é o processo através do qual o indivíduo se relaciona de forma ativa e criativa com a sociedade, objetivando a busca da satisfação de suas necessidades, tentando encontrar equilíbrio. “Ajustamento seria por

se ajustar a uma determinada situação; criativo, por ser a forma que cada um cria o comportamento e disfuncional, por se tratar de um procedimento errado na visão do senso comum”, explica o psicólogo. “É uma forma que elas encontram para dar uma resposta a algum conflito, que as está incomodando. Seu aspecto emocional não está normal”, afirma Erivaldo. O psicológo alerta também para outros fatores que podem ser determinantes para esse tipo de ato. “Se for feito um levantamento desses casos, provavelmente estará relacionado a valores econômicos, por não ter condições de sustentar a criança, a questão da desestrutura familiar e da falta de planejamento.”


são tema de pesquisa 5

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Estudos devem ouvir as mães

ELA IMPRENSA PARAENSE

Ano de 2011

A criança foi encontrada em Ananindeua no dia 22 de março deste ano. A dona de casa que achou o bebê no quintal o levou para o hospital. A mãe não apareceu.

A mãe teve o filho prematuro, que foi internado. Ela abandonou o bebê no hospital e quando ele recebeu alta, não havia ninguém para levá-lo. O caso é de janeiro deste ano.

Em 23 de março deste ano, a criança foi encontrada em um terreno baldio no bairro de Águas Lindas, em Belém. O bebê sobreviveu e a mãe não deu notícias.

Quem somos A Agência Unama de Comunicação pelos Direitos da Criança e do Adolescente é um projeto de extensão da Universidade da Amazônia (Unama), que visa a garantia e divulgação dos direitos da infância e adolescência através da mídia. Para a realização do projeto, a Agência conta com a parceria do curso de Comunicação Social e o Programa Pós-Graduação e Extensão - PPE. Para a divulgação dos direitos da infância e adolescência, o projeto propõe uma série de pautas relacionadas a estas questões para os veículos de comunicação da cidade, além de produzir, com responsabilidade, matérias próprias divulgadas no site da Agência.

O bebê não sobreviveu e foi encontrado à beira de uma estrada em Icoaraci. O caso é de abril deste ano e a mãe também não foi encontrada.

DIVULGAÇÃO

Dilson: o jornalista nunca deve perder a capacidade de se indignar

Reportagem tem que sair do superficial Trabalhando há mais de 15 anos na Editoria de Polícia do jornal O Liberal, o jornalista Dilson Pimentel foi o responsável pela cobertura da maioria dos casos de mães que abandonaram crianças recémnascidas. Dilson conta que “toda violência praticada contra crianças deixa qualquer pessoa sensibilizada. E não é diferente comigo”. O jornalista afirma ainda que busca ir além do superficial, e entender os motivos que levaram a mãe agressora a cometer tal crime. “Acho que, ao divulgar notícias como essa, temos que ter a preocupação de procurar contextualizar o problema. É preciso tentar entender as razões pelas quais essas mães foram capazes de matar seus próprios filhos ou abandoná-los logo

após o parto.” “Para fazer a minha reportagem, eu conversei com uma empregada doméstica que abandonou o filho logo após o parto. Por causa da repercussão do caso, ela teve que mudar de endereço, pois foi ameaçada de morte. Ela disse que praticou tal ato porque foi vítima de estupro”, afirma Pimentel. Dilson sugere o que seria a dica principal para jornalistas que buscam lidar com esse tipo de caso. “De certa forma, o que sentimos acaba se refletindo naquilo que escrevemos. O repórter não pode, nunca, perder a capacidade de se indignar. Se ele perder tal capacidade, passará a achar normal aquilo que deveria ser exceção”, conclui o jornalista.

A professora Neusa Pressler, da Universidade da Amazônia, falou da importância de considerar o outro ponto de vista. De acordo com ela, “não pode só dizer que essa mãe é uma mãe desnaturada, tem que promover debates e procurar respostas para saber o que está acontecendo”. Neusa comentou o discurso apresentado na mídia e criticou a abordagem do problema. “Não existe análise na mídia em relação a isso”, afirmou a professora, sobre o comportamento das mães e suas motivações. A questão também será tema do bate-papo que será promovido pela Agência Unama de Comunicação pelos Direitos da Criança e do Adolescente. “O trabalho tem que ser algo mais aprofundado, chamar outras áreas do conhecimento para debater o assunto, sair de algo simples, ir além da comunicação”, explica a professora. Ela propõe que se discuta o perfil da mãe que abandona um filho, para saber se ela tem qualquer conceito de família, se ela teve qualquer estrutura familiar. “A gente, como universidade, tem que abrir para esse tipo de debate. Nós precisamos tomar providências. A grande questão é realmente essa, se preocupar com o porquê dessas mães fazerem isso, quais as causas desses atos”, concluiu a professora. FOTO: NAIR ARAÚJO

Profa. Neusa propõe um debate mais aprofundado


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primeira edição do jornal laboratório do curso de Comunicação Social da Universidade da Amazônia (Unama) saiu do forno este mês. Sob coordenação do professor Antonio Carlos Pimentel Jr., alunos de diferentes semestres produziram matérias e fotografias a fim de colocar em prática o aprendizado de sala de aula. A Agência Unama de Comunicação e Marketing (Agecom) também colaborou com o projeto ao produzir a diagramação e ilustrações para o periódico. A coordenadora do curso, Alda Cristina Costa, afirmou que o jornal laboratório era uma reivindicação antiga dos estudantes. Em 2007, a professora Ana Lúcia Prado chegou a organizar uma edição experimental com os alunos da disciplina Jornalismo Impresso, mas era preciso sistematizar o trabalho e estabelecer uma rotina de produção. “Com a chegada do professor Antonio Carlos à instituição e com o amadurecimento do projeto, por meio da renovação do plano pedagógico, pudemos organizar melhor nossos objetivos para o jornal laboratório”, disse. A ideia inicial é que o Arara News, nome sugerido pelos professores Kléber Fadel e Antonio Carlos, tenha edições mensais. Para isso, os docentes contam com a ajuda de todos os alunos das três habilitações do curso de Comunicação Social – Jornalismo, Relações Públicas e Publicidade e Propaganda. “Todos devem se sentir à vontade para participar da produção do jornal. “O formato ainda não é definitivo, então sugestões são sempre bem-vindas para reforçar a relação entre comunicação e Amazônia”, comentou Alda. “Trata-se de um

Estudantes ganham jornal laboratório

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Veículo serve de aprendizado para alunos do curso de Comunicação

Investigação na era on-line O Sexto Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo será de 30 de junho a 2 julho na Universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo. Este ano, o tema do evento é o jornalismo on-line e os desafios. Inscrições no site www.abraji.org.br

Cumbuca cheia na UFPA A Muvuca na Cumbuca promete agitar os estudantes de comunicação de Belém. O evento é parte da Semana da Comunicação da Universidade Federal do Pará (UFPA). Os participantes vão discutir “A Comunicação em várias dimensões”. O encontro será de 11 a 14 de maio. Site: www.muvuca.ufpa.br

Projeto amplia rumo cultural projeto experimental, aberto à criatividade e a novas propostas. O jornal servirá como exercício de edição, diagramação e produção de texto jornalístico”, acrescentou Antonio Carlos. A participação estratégico-operacional da Agecom foi importante para que o primeiro número do jornal laboratório saísse do papel. De acordo com o coordenador Marcelo Mendes, o

trabalho permitiu o resgate do caráter experimental da Agência de Comunicação e Marketing. “Durante um tempo, ficamos muito voltados para a prestação de serviços publicitários para a instituição. Agora, a nova proposta é viabilizar projetos acadêmicos, bem como oferecer aprimoramento aos estudantes”, contou. O estudante do sétimo semestre de jornalismo, Victor Almei-

da, 21 anos, recomenda a participação dos alunos para que eles possam se familiarizar com o dia a dia da profissão. “Os novos alunos devem aproveitar esse meio que a universidade disponibiliza para aprender na prática o que os professores comentam na teoria. É também uma boa chance para aprender a lidar com as relações interpessoais, já que as diferenças sempre vão existir”, concluiu.

OPINIÃO

A revolução tecnológica acende o alerta A tecnologia, sem dúvida, é um dos assuntos mais comentados da atualidade. Apesar de ser um tema muito discutido, percebo que a maioria das pessoas talvez por estarem imersas nessa realidade - não nota o grau de importância que este processo atingiu. Saber utilizar o twitter não é o mesmo que compreender que o site representa uma ruptura na história. A tecnologia de hoje já é considerada por muitos estudiosos um novo período para a humanidade. Apesar das marcas desse avanço tecnológico estarem presentes na sociedade, ainda falta um “olhar de historiador”

anote

para se perceber o que está realmente acontecendo. A verdade é que não sabemos. Vivemos uma era de incerteza e de contradições. Se temos acesso a todo tipo de informação via enciclopédias virtuais como a Wikipédia, ainda existem comunidades rurais que nem sequer têm acesso à energia elétrica. A sociedade pode ser moderna, mas ainda conserva problemas arcaicos. A modernidade chegou de forma aleatória. Atingiu as camadas privilegiadas, enquanto que as classes mais baixas ainda vivem uma realidade quase medieval. Na maioria das vezes, a tecnologia exclui aqueles que não

têm acesso a ela. Quem não sabe acompanhar essa aceleração fica para trás. Claro que é impossível negar as facilidades e avanços alcançados. Mas também não se pode dizer se a tecnologia realmente é uma melhora, em comparação a outros períodos. Mais importante do que ter nas mãos o que há de mais novo no mercado tecnológico é saber utilizar as ferramentas. Entender que estamos caminhando para uma nova era, marcada pela colaboração. A informação veiculada na internet já não parte de um indivíduo, mas de várias pessoas que criam uma rede de compartilhamento de informações. Os instrumentos tecnológi-

cos facilitam e democratizam essa troca, até possibilitam qualificar pessoas a longa distância. Já estão mudando o modo de criação de bens e serviços. Sabemos que a tecnologia foi um dos instrumentos principais para a articulação da revolução no Egito, e que possibilita a troca de informações em uma velocidade instantânea, inédita para a história. No entanto, basta analisar a realidade para se chegar à conclusão de que os problemas sociais, econômicos e políticos apenas foram transferidos para a tela do computador. LETÍCIA CARDOSO

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Gosta de Jornalismo Cultural? Produza sua reportagem para o programa Rumos, do projeto Itaú Cultural, até o dia 15 de julho. Os selecionados vão participar de um Laboratório On-line de Jornalismo Cultural, com apoio financeiro. Professores e alunos podem se inscrever em www.itaucultural.org.br

Concurso leva até a CNN Participe do 7º Concurso Universitário de Jornalismo CNN criando uma reportagem em vídeo sobre Energia Renovável. Mande seu material até o dia 6 de julho. Os vencedores vão conhecer os estúdios da CNN em Atlanta, nos Estados Unidos. Para mais informações acesse www.concursocnn.com.br

Oficinas para capacitação Oficinas de criação, edição e elaboração de produtos serão realizadas de maio a junho para os alunos de Comunicação Social da Unama. Fique ligado na programação.


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ILUSTRAÇÃO: PRISCILA SANTOS

A espetacularização na mídia

Professor da Unama analisa a explosão de jornais e programas sensacionalistas no País AMANDA OLIVEIRA, KAUANNE OLIVEIRA E ALANA FLEXA 7JLV1

O sensacionalismo impera na a imprensa. Entre os meios de comunicação, existem aqueles que buscam atingir camadas mais populares da sociedade, por meio de uma linguagem nada convencional, cujas características são o exagero, o apelo emotivo e o uso de imagens fortes na cobertura jornalística. “Retratam preferencialmente o cotidiano sob o signo da tragédia, bárbaro, expondo-os sobre a forma explosiva e espetacular”, afirma Mauro Celso Feitosa, 45 anos, professor da Universidade da Amazônia (Unama). Formado em Ciências Contábeis, Jornalismo e Sociologia pela Universidade Federal do Pará (UFPA), Mauro é professor desde os 25 anos. Há dois anos, leciona na Unama disciplinas como Teorias da Comunicação, Comunicação, Cultura e Cidadania e orientação de Projetos Experimentais. Para o docente, o jornalismo sensacionalista é capaz de influenciar na formação da opinião dos leitores, telespectadores e ouvintes.

FOTO: AMANDA OLIVEIRA

elas contam aquilo que nós não assistimos diretamente. As notícias são, assim, resultado dessa necessidade. Sobre a presença do sensacionalismo na mídia, acredito que é mais um segmento da sociedade a maltratar problemas tão sérios, que dizem respeito muito mais à decadência do espaço público e à falência dos projetos pseudomodernizadores. O jornalismo sensacionalista mexe diretamente com o sentimento. Esse exagero nos fatos pode enganar as pessoas? Sim, pois desvia do que é essencial. Mas outros fatores atuam para que não entendamos que esse engano é absoluto. Há possibilidade de reação por parte do leitor. Os leitores não são todos iguais. Qual o nalismo dentro O jornalismo, práticas culturais,

limite do jorda sociedade? como as demais deve estar comprometido com a defesa da humanidade. Sua tarefa é produzir informação, pautada o mais próximo possível da objetividade, perseg uindo -a, com apuração rigorosa, responsabilidade com a verdade. Não pode dizer qualquer coisa, em nome da liberdade de expressão e de informar.

O jornalismo deve estar comprometido com a defesa da humanidade

O jornalismo influencia a opinião de muitas pessoas. O que você acha sobre todo esse sensacionalismo presente na mídia hoje? Sim, o jornalismo influencia, pois está presente de forma consolidada no cotidiano, na vida social. Todas as pessoas precisam de notícia, porque

O jornalismo sensacionalista seria uma forma de especulação? É o exagero, o apelo quase sem medida ao visível, a necessidade de ser

pode ser exemplo de um jornalismo sensacionalista? Por quê? Ali se viu, como no caso da jovem Eloá, também em São Paulo, e outros que seguem a mesma linha de tratamento, um caso típico. O caso é exemplar, pois justamente serviu para ser retratado em um formato que se parece com a novela, com ingredientes de um enredo trágico e uso de recursos para comover leitores e apreciadores em geral.

Mauro: liberdade de expressão não justifica apelação

visto, a utilização extremada dos recursos tecnológicos de comunicação. Na sua opinião, por que os programas jornalísticos sensacionalista têm tanta audiência? Porque retratam preferencialmente o cotidiano sob o signo da tragédia, do bárbaro, expondo-o sob a forma explosiva e espetacular. Trata-se de um comportamento sádico diante de coisas tão sérias. Esses programas sensacionalistas ainda podem ser considerados jornalísticos? Sim, pois as rotinas de produção da espécie sensacional é a mesma de qualquer notícia. O que o diferencia são a forma e o conteúdo. Você assiste a programas como Brasil Urgente e Rota Cidadã? Assistir, religiosamente, não. Me sinto desconfortável com o que vejo, do ponto de vista jornalístico, a notícia maltratada, apresentadores cumprindo atribuições que não

lhes pertencem, quase inquisitoriais. Existem programas com caráter essencialmente sensacionalista, mas até mesmo jornais mais sérios apelam a esse formato em alguns casos. Por quê? Porque se desviam, se distanciam das tarefas que lhes cabem, noticiar os fatos, sem recursos espetaculares. Tudo isso em nome da audiência e da sobrevivência no mercado da informação. Acredito que erram de avaliação, ao tratar o leitor assim. Podem ser mais analíticos, mais plurais, menos ideológicos, partidários.

Você pode citar um caso que tenhasidomuitoexploradodemaneira sensacionalista pelo jornalismo? Além dos casos citados acima, o do goleiro Bruno, do Flamengo; a recém-nascida abandonada no lixo, em Belém – caso recorrente; o suposto “mensalão” de Brasília. Existe alguma solução para esse problema do sensacionalismo no jornalismo brasileiro? Pr o d ut o r e s e leitores podem e devem reagir. Esse é um passo importante. Precisamos pensar as significações dos discursos e das imagens produzidas no jornalismo dessa espécie. Os jornalistas precisam de uma preparação que os coloque de frente aos problemas que afligem a humanidade, uma humanidade pouco conhecida, é necessário esse exercício crítico. E a academia tem forte responsabilidade sobre essa situação.

Precisamos pensar as significações dos discursos e das imagens

O caso Isabela Nardoni foi exaustivamente explorado pela imprensa brasileira. Esse caso

expediente Reitor Antônio de C. Vaz Pereira Jornal Laboratório do Curso de Comunicação Social da Universidade da Amazônia UNAMA

CESA - Centro de Estudos Sociais Aplicados

COORDENAÇÃO Profa. Dra. Alda Costa, Profa. Msc. Vânia Torres REDAÇÃO Prof. Esp. Antonio Carlos Pimentel Jr. Alunos: Alessandra Fonseca, Camila Machado, Iaci Gomes, Carolina Amorim, Letícia Cardoso, Nair Araújo, Yuri Tembra, Maria Carolina Pereira, Laís Teixeira, João Gabriel Amaro, Maria Barbalho, Roberto Vasconcellos, Amanda Oliveira, Kauanne Oliveira e Alana Flexa DIAGRAMAÇÃO Agência UNAMA de Comunicação e Marketing ILUSTRAÇÃO Priscila Santos MONITORIA Thaís Braga IMPRESSÃO RM Graph TIRAGEM 1.000 exemplares DISTRIBUIÇÃO gratuita.


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BELÉM, MAIO DE 2011

novasmídias

Barato para todo mundo

Sites de compra coletiva invadem o mercado paraense e ampliam negócios na rede YURI TEMBRA e ALESSANDRA FONSECA 5JLM1

Para o investidor, uma oportunidade de vender e divulgar a marca. Para o consumidor, grande facilidade em adquirir produtos. Esse é o cenário das compras coletivas que movimentam o mercado nacional e vêm se consagrando na região Norte. O sistema oferece de tudo um pouco: desde tratamentos estéticos a viagens para outros Estados, e com um atrativo a todo comprador: os descontos. Em Belém, os sites de compras coletivas (uma modalidade do e-commerce – comércio eletrônico) viraram moda e quem utiliza garante a qualidade nas vendas. É o caso do site Barato Bom, 100% paraense e formado por três sócios, os irmãos Guto e Leonardo Risuenho e Marcelo Sousa, destaque no mercado. “Sabíamos que esta modalidade já existia nos Estados Unidos e que já tinha chegado ao Brasil, porém observamos que a região Norte sempre é esquecida, ou que todo processo de chegada é lento, então saímos na frente e implementamos uma empresa que está fazendo o processo contrário, saindo do Norte e abrindo franquias em outras regiões”, disse Guto Risuenho. Ainda segundo o empresário, o site já

TRAÇÃO: PRISCILA SANTOS

chegou a vender 500 pizzas em 16 horas, 700 ingressos em 18 horas e 800 ovos de chocolate em dois dias. A prioridade, no entanto, é a qualidade do atendimento e não os recordes de vendas. Assim, os sócios indicam um limite

para cada compra. O Peixe Urbano, o primeiro e maior site do gênero no país, chegou a Belém há pouco mais de um ano. Em nível nacional, já atingiu a marca de mais de um milhão de usuários e o número de adeptos é crescente com o sistema de indicação – os clientes que se cadastram possuem a opção de indicar o e-mail de outros amigos e ganhar créditos na próxima compra. A cliente Renata Feitosa conheceu os sites através de amigos e bastou achar um para descobrir outros. “O que ILUSmais atrai são as facilidades em adquirir produtos e serviços por um preço mais acessível e principalmente com a facilidade de comprar sem ter que sair de casa”, afirma. Outra usuária do serviço, Macklene Melo, também garante qualidade no serviço nos sites de compra em que é cadastrada. No entanto, admite a preferência pelos tradicionais shoppings. “O shopping tem produtos que são de suma importância e que dificilmente daria para comprar em sites de compras coletivas, um exemplo seria calçados e confecções, visto que temos que experimentá-los antes de comprar”, conclui.

Twitter expande o caminho da conexão NAIR ARAÚJO 5JLM1

FOTO: LAÍS TEIXEIRA

O @belemtransito tem cinco colaboradores que se As mídias sociais são o meio elerevezam na atualização do trônico utilizado para fortalecer ou perfil, recebendo em média criar relações entre pessoas. Pesquisa 200 tweets por dia. Um dos divulgada em março deste ano pelo episódios marcantes foi a noiIBOPE Nielsen Online afirma que te do #BTCaos. A hashtag 73,9 milhões de pessoas têm acesso à foi parar nos TTBR durante internet no Brasil. Desse total, 70% uma forte chuva que atingiu participam de mídias sociais. Belém no dia 18 de fevereiro O jornalista Pedro Loureiro de de 2011 e que deixou o trânBragança, o @pedrox, define as mísito da cidade praticamente dias sociais em uma palavra: relaparado. cionamento. Em 2001 ele criou seu Os sites LinkedIn e o primeiro blog e desde então procura foursquare poderiam ser mais “sempre se atualizar”. “Fui um dos utilizados pelos belenenses, primeiros a criar orkut – que eu co- Sempre conectado, Pedro diz que a força está no twitter segundo Pedro Loureiro. O nheço - e comecei a usar o Twitter primeiro é uma rede profisem 2009”, afirmou. está no Twitter Belém, que tem usuários sional, que atualmente reúne três milhões Segundo Pedro Loureiro, o orkut é a rede muito ativos. “Um assunto comentado na de brasileiros em busca de oportunidades de social de mais destaque no Brasil, mas ele acre- cidade vira Trending Topic facilmente”, diz. trabalho. dita que o Facebook está crescendo, especialO perfil @belemtransito é um que merece Já o foursquare mostra onde a pessoa mente depois do filme “A Rede Social”. Dados destaque. Criado pelo engenheiro mecânico está e a opinião dela a respeito de bares, resda pesquisa Royal Pingdom mostram que em Tiago Paolelli como forma de fazer piada so- taurantes, academias e locais que o usuário 2010 o Facebook ganhou 250 milhões de no- bre o trânsito da cidade, o perfil é considerado frequenta. “No foursquare a função menos vos perfis no mundo todo. por Pedro Loureiro um “serviço público” e já utilizada é a de fazer recomendações sobre O jornalista afirma que a força mesmo tem mais de 14 mil seguidores. os locais que vamos”, diz o jornalista.

#prontofalei falei @thiagoabarros

Não podemos aceitar a violência, a corrupção, entre outras mazelas, como situações cotidianas. São anomalias que devem ser combatidas.

@laisteixeira

Ok, meus caros habitantes de Belém. Duas coisas para (re) aprender: a ter paciência e a não buzinar no ouvido dos outros.

@_Byanka

As pessoas precisam entender mais do que saber. Com a exibição vertiginosa de notícias numa edição, você sabe tudo, mas não entende nada.

@tongacarlos

Repórteres disputam, nas coletivas, quem tuíta primeiro as declarações do entrevistado. Ninguém mais se lembra de perguntar.

@MarioCamarao

Obrigado a todos queridos amigos, alunos, ex-alunos que lembraram do nosso dia. Apesar da minha crise constante; jornalista sempre!

@rafael_samora

Paulo César Vasconcelos é o maior exemplo daquele cara chato ao cubo. Galvão Bueno School.

@Freirelucass

Descobri no trabalho hoje: Metallica em Belém - 03 de fevereiro de 2012. Último grande show antes do fim do mundo.

@Priscilada

Sugestão para o BBB 12: confinar os brothers em uma kitnet enquanto o Bial lê Paulo Coelho durante os 3 meses de cabeça para baixo.

@ProfFadel

A expressão “A nível de” está incorreta, opte pelas corretas: “Em nível de” ou “Ao nível de”.

@curtasdenislon

Seguindo para a Unama. Chego lá assim que o engarrafamento na Almirante Barroso permitir.


Arara News 01