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Textos CrĂ­ticos

XV Festival Catarinense de Teatro Um breve panorama das artes cĂŞnicas em Santa Catarina Por Afonso Nilson

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Textos Críticos

Texto sobre a realização do XV Festival Catarinense de Teatro, que traça um breve panorama das artes cênicas em Santa Catarina. Publicado originalmente no Caderno Plural, Jornal Notícias do Dia, em 1611-2010. 2


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O XV Festival Catarinense de Teatro, promovido pela FECATE, Federação Catarinense de Teatro, conta com um momento histórico muito favorável no panorama das artes cênicas do estado, visto que nunca antes o movimento teatral teve uma produção tão numerosa e com qualidade tão equilibrada. Para essa edição do festival foram 35 propostas que concorreram à mostra oficial, sendo 12 selecionadas. Além disso, outros 8 espetáculos vão participar da Mostra Teatro Escola do festival. Em um estado que até bem pouco tempo não dispunha de espetáculos suficientes para ocupar as poucas salas disponíveis para apresentações, é bastante significativo o fato de haver tanta variedade de produções, estéticas, grupos e gêneros simultaneamente em cartaz.

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Florianópolis, cuja produção é significativamente maior que outras cidades, teve quatro selecionados para mostra oficial: o Erro Grupo, com Formas de Brincar; Cia Traço, com Fulaninha e Dona Coisa; Luis Canoa Grupo Alkmico, com Viandeiros e Teatro Sim por que Não, com A Vida como Ela É. Os dois espetáculos mais recentes, Formas de Brincar e A Vida como Ela É, ambos de 2010, receberam prêmios de montagem e já realizaram suas temporadas na cidade. Viandeiros e Fulaninha e Dona Coisa circularam pelo estado em turnês de apresentações também neste ano. Ou seja, quatro grupos com produção constante, com espetáculos vivos, que seguem apresentando continuamente. É sintomático da situação atual que as produções tenham possibilidade de se manterem em cartaz, seja

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através de editais e projetos de circulação, ou festivais, que são cada vez mais numerosos. As leis de incentivo e os editais públicos de artes cênicas, apesar de ainda insuficientes, são parte importante desse panorama. A existência de dois bacharelados em teatro em universidades públicas, e de que a primeira licenciatura na área na cidade existe há quase trinta anos, formando não só professores mas um grande número dos profissionais de artes cênicas em atividade, é outro fator preponderante para o quadro. Outro fator notável é a presença do público. Em setembro último tivemos simultaneamente quatro festivais de teatro na cidade, ambos, com boa média de público. Além dos festivais, a produção local tem tido casa cheia em suas temporadas, como o caso dos espetáculos Retrato de Augustine e, mais recentemente Zylda,

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Anunciou é Apoteose, que praticamente lotaram o Teatro Álvaro de Carvalho quando estiveram em cartaz. Em teatros menores a situação não é diferente, as temporadas de, por exemplo, Uma Lady Macbeth, no Teatro da UFSC; Trilogia Lugosi, no Teatro do Sesc; Lugar Nenhum, na Casa das Máquinas e do Eu, Você, Ela, A Mãe no Teatro da Ubro foram bem concorridas. Tanto a diversidade de produções quanto a profissionalização do mercado vem criando uma situação não inédita, mas há muito tempo esquecida em Florianópolis: o hábito de ir ao teatro. Obviamente ainda não é possível um grupo viver apenas de bilheteria, mas já é possível, sim, planejar uma temporada sem tomar prejuízo.

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Entretanto, como atesta a procedência das inscrições do festival, toda essa produção é centralizada, ou limitada principalmente a três cidades, Florianópolis, Itajaí e Joinville. Cidades como Lages, Criciúma, Jaraguá e Blumenau também possuem grupos importantes, com circulação regional e nacional, mas estão longe de terem um movimento e uma oferta mais evidente. O oeste do estado, por sua vez, com escassas inscrições, pela segunda edição consecutiva do festival, não teve nenhum selecionado, o que pressupõe os problemas que os grupos encontram em fazer teatro por lá. Além das apresentações catarinenses, dois convidados nacionais fazem parte da programação: a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz (RS), com o Amargo Santo da Purificação, e o premiadíssimo Agreste, da Cia Razões Inversas de São Paulo, que participam do festival com apoio do Sesc.

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Esse ano o Festival da Fecate vai acontecer em Brusque, de 16 a 21 de novembro. A edição passada aconteceu em Joinville. A itinerância do festival, a variedade de estéticas e o porte do evento coloca a Federação Catarinense de Teatro como um dos grandes propositores, aglutinadores e agitadores culturais de Santa Catarina. E um festival com uma seleção do melhor do que se produz em teatro no estado, a ser mostrado em uma cidade diferente a cada edição, não apenas democratiza o acesso aos bens culturais, mas justifica a existência de uma entidade que represente os profissionais da cena em Santa Catarina, e reafirma que organização e qualidade são chave para fundamentar uma ação cultural de longo prazo.

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