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Av Nilo Peçanha, 50 - Grupo 2409 - Centro - Rio de Janeiro / RJ - CEP: 20020-906 - www.aepet.org.br

Rio de Janeiro Ano 41 nº 373 - SETEMBRO / 2010

CAMPANHA NACIONAL DE “DESREPACTUAÇÃO” DA PETROS A diretoria da AEPET conclama a todos os petroleiros a se engajarem na Campanha Nacional de “desrepactuação” da Petros. O prazo para ingressar com ações judiciais contra a “repactuação” dos contratos com a Petros termina no dia 28/11/10 Charge: Latuff

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AEPET, Associações e Sindicatos filiados à Fren te Nacional dos Petroleiros (FNP), estão dando início a uma campanha nacional de esclarecimento aos petroleiros que desejem anular a ‘repactuação‘ do seu contrato com o Plano Petros. Conforme alertou a AEPET, esta ação era prejudicial a quem a a ceita sse. O pro cesso de repactuação foi uma campanha conjunta da Petrobrás, Petros e FUP (Federação Única dos Petroleiros) pela repactuação do Plano Petros. Agora, alguns anos depois do referido ato, confirmou-se que a repactuação é nociva e que a Petrobrás, Petros e FUP não puderam cumprir com suas promessas. Aproximando-se a data limite para que o repactuante possa entrar com o seu pedido de anulação da repactuação, a AEPET vem informar aos petroleiros que

desejarem fazer essa anulação que deverão seguir os seguintes passos: 1. Preencher a ficha anexa ‘Declaração‘ (em três vias), que, respectivamente, a 1a via será entregue à Petros, a 2a via a ser guardada pelo participante (ativo, aposentado ou pensionista), com o protocolo de recebimento da Petros, e a 3 a via deve ser encaminhada à AEPET; 2. Caso não receba resposta da Petros no prazo de uma semana, o participante deverá agilizar o início da ação judicial para desrepactuar, com a assessoria dos seu advogados de confiança. O prazo para ingressar com as ações termina no dia 28/11/10, par a os p etrol eiros que repactuaram seus contratos com a Petros. Os intere ssados em desrepactuar deverão providen-

ciar, com urgência, a entrada das citadas ações através de seus advogados, para não perderem o prazo acima citado.

Para baixar a declaração de desistência da repactuação, acesse o endereço:

A AEPET e as demais associações e Sindicatos filiados à FNP estão à disposição para mais informações. Diretoria da AEPET

ht t p: // www .ae pe t .o rg. br /t m p/ declaracao_de_desistencia_repactuacao2010.pdf

CONSIDERAÇÕES SOBRE A TERCEIRIZAÇÃO NA PETROBRÁS Pedro da Cunha Carvalho

A Petrobrás, com a criação das Unidades de Negócio, deu aos gerentes ampla liberdade para contratação de serviços e mão de obra terceirizada. Tal liberdade, levou a um número excessivo de terceirizados, que hoje atinge a 295.60, segundo Relatório de Sustentabilidade 2009, da Patrobrás. Para melhor situarmos o problema, dizemos que terceirização é quando uma empresa colocandose como tomadora, contrata uma

outra empresa para que esta execute um serviço especializado que não é da especialidade da tomadora. Assim, na terceirização propriamente dita, uma empresa presta serviços especializados para uma outra, usando seus próprios recursos de pessoal, material e conhecimentos técnicos. O pessoal utilizado não pertence nem irá pertencer à empresa tomadora. Na intermediação de mão de obra, que é uma forma promíscua e ilegal de trabalho, a tomadora contrata uma outra empresa para

que lhe contrate pessoal que ela indica e após isso coloque essas pessoas à sua disposição e sob o seu comando. Isso é chamado de “merchandising”, que é tratar trabalho humano como mercadoria. A análise da Sumula 331 do TST (*) já dá uma noção clara do que é terceirização e do que é “intermediação de mão de obra”. Lá está definido como serviços a terceirizar a vigilância, limpeza, conservação e atividades-meio que envolvam serviços especializados. Um exemplo para a Petrobrás seria, a limpeza de paredes de

tan ques com jato de areia. Na terceirização, a tomadora não pode interferir na seleção do pessoal da terceirizada. A intermediação de mão-deobra é ilegal, salvo no caso de empresas de trabalho temporário. Mesmo assim, por prazo de noventa dias ou dentro do permitido pela Lei 6019/1974.

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PALESTRA “FIM DO LIMITE DE CONTRIBUIÇÃO À PETROS” REÚNE CENTENAS DE PETROLEIROS “PÓS-82” 2

A IMPORTÂNCIA DA DESCOBERTA DE LOBATO NA EXPLORAÇÃO PETROLÍFERA DO BRASIL (I)

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SINDIPETRO-RJ REALIZA O MOVIMENTO “CORRENTE DA JUSTIÇA”

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ATO EM DEFESA DA ENGENHARIA E DA EMPRESA GENUINAMENTE NACIONAL HOMENAGEIA GUILHERME ESTRELLA 4

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“DESREPACTUAÇÃO” JÁ! 2

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Editorial

COLUNA DO ASSOCIADO

“DESREPACTUAÇÃO” JÁ! A recente (e esmagadora) vitória dos Conselheiros Eleitos pelos participantes, nas Eleições Petros 2009, foi um grito dos petroleiros contra o processo de “repactuação” dos seus contratos com o Plano Petros. Em 2009, os conselheiros venceram com larga vantagem, num processo eletivo que teve a maior participação de eleitores na história da Petros (33.738), 10% acima do pleito anterior (30.292). A informação é do CDPP – Comitê em Defesa dos Participantes do Plano Petros, ao anunciar a vitória da Chapa “Unidos para Garantir o Que é Nosso”. A Chapa foi composta, para o Conselho Fiscal – Silvio Sinedino (Titular) e Oscar Scottá (Suplente); e para o Conselho Deliberativo – Ronaldo Tedesco (Titular) e Agnelson (Suplente). Eles receberam os apoiados do Yvan Barretto (AMBEP), do Fernando Siqueira (AEPET), do Paulo Teixeira Brandão (APAPE), dos diretores e conselheiros da AEPET, bem como pela Frente Nacional dos Petroleiros e inúmeras lideranças de petroleiros. Com vitória, por 52,5% dos votos (no Conselho Deliberativo) e 53,1% (no Conselho Fiscal), os novos conselheiros iniciaram campanha, juntamente com as entidades que integram o CDPP, para recuperar a os direitos e a estima da categoria, gravemente atingida pelas falsas promessas da “repactuação”, aprovada no “tapetão”, pois não havia alcançado o número estabelecido para sua aprovação. Nesta edição, publicamos artigos sobre o processo da “desrepactuação”, para chamar atenção do sócio da AEPET e demais petroleiros que as condições para derrotarmos a “repactuação” estão dadas. É a grande oportunidade de aprofundar a vitória dos Conselheiros, em 2009. Agora é de “desrepactuação” já!

Expediente AEPET - Associação dos Engenheiros da Petrobrás Tel.: 21 2533-1110 - Fax: 21 2533-2134 Av. Nilo Peçanha, 50 /2409 - Centro/RJ Presidente: Fernando Siqueira Vice-Presidente: Pedro da Cunha Carvalho

PALESTRA “FIM DO LIMITE DE CONTRIBUIÇÃO À PETROS” REÚNE CENTENAS DE PETROLEIROS “PÓS-82” Centenas de petroleiros ingressantes na Petrobrás a partir de 1982, compareceram à palestra “Fim do Limite de Contribuição à Petros”, no dia 05/08, no auditório do Clube de Engenharia, Centro do Rio de Janeiro. Os palestrantes foram os conselheiros da Petros, eleitos pelos participantes: Sylvio Sinedino, Ronaldo Tedesco e Paulo Brandão. Eles falaram sobre as questões relativas à “Lista Pós-82”. A palestra é uma promoção da AEPET e está sendo realizadas em diversas cidades brasileiras. O diretor de Pessoal da AEPET, Silvio Sinedino, informou que os petroleiros “Pós-82” totalizam 27 mil empregados da Petrobrás, dos quais 17 mil não atingiram o teto de contribuição, sendo que apenas o restante está nesta situação. Isso começou com o decreto de 1982, que criou este tipo de limite de contribuição. Mas a verdade é que até 1986 ninguém atingiu o teto. No entanto, explicou Sinedino, esta decisão valeu até 2002. Os palestrantes mostraram uma série de cálculos atuariais, que usam vários fatores como a idade do profissional, a expectativa de vida, tempo de contribuição e o total de recursos a serem pagos ou recebidos pelo contribuinte. Os gráficos apresentados pelos conselheiros demonstraram as ten-

dências para o tempo de contribuição da massa dos empregados, do total de beneficiados até o momento da aposentadoria e mais uma série de números sobre a luta dos “Pós82”. Paulo Teixeira Brandão destacou que a Petros está com um déficit nas suas contas e que na verdade este resultado é apenas contábil e que a mantenedora [Petrobrás] terá que colocar dinheiro para equilibrar as contas. Foi sublinhado que os recursos estão sendo desviados para outros fins. O Conselheiro Ronaldo Tedesco afirmou que é preciso mobilização dos petroleiros, bem como o comparecimento aos encontros e reuniões, para fazer pressão no sentido de sensibilizar a Diretoria da Petrobrás, para que esta atenda às reclamações dos seus empregados. Os palestrantes ressaltaram a importância de que seja aumentado o número de petroleiros na “Lista Pós-82”. Assim, os empregados da Petrobrás serão ouvidos. Um dos mecanismos usados pelas várias direções da Petrobrás foi utilizar formas diferenciadas e variadas de remuneração para os empregados, ou seja, uma forma de fragilizar a unidade dos petroleiros. Sobre os cálculos atuariais, os

palestrantes disseram que existem diferenças entre os vários grupos de empregados da Petrobrás, para atingirem as remunerações que contam para o final dos benefícios na aposentadoria. A diferenciação dos cálculos, também, é uma maneira de dividir os empregados. Assim, a luta da categoria ficaria individualizada e não teria um sentido coletivo. Por isso, os vários mecanismos e um emaranhado de leis e decretos tornam mais complexa uma reivindicação unitária dos petroleiros “Pós-82". Os conselheiros informaram, ainda, que o documento dos Conselheiros Deliberativos Eleitos pelos participantes já foi despachado pelo Presidente do Conselho Deliberativo da Petros, Wilson Santarosa. Os conselheiros estão aguardando que o tema entre em pauta na Petros. Os interessados em ingressar na “Lista Pós-82” devem encaminhar mensagem para o correio eletrônico sinedino@yahoo.com (JCFL)

Benefícios AEPET

Diretor Administrativo: Henrique Sotoma Vice-Diretor Administrativo: Gilbert Prates Diretor de Comunicações: Roldão Marques Fernandes Vice-Diretor de Comunicações: Diomedes Cesário da Silva Diretor de Assuntos Jurídicos: Paulo Teixeira Brandão Vice-Diretor de Assuntos Jurídicos: David Garcia de Souza Diretor de Pessoal: Silvio Sinedino Pinheiro Vice-Diretor de Pessoal: Ronaldo Tedesco Vilardo Diretor Cultural : João Victor Campos Vice-Diretor Cultural: Felipe Campos Cauby Coutinho C on s e lh o F i s ca l

AEPET Notícias

Efetivos: Ricardo Maranhão, Arthur Martins, Ricardo Latgé Suplentes: Clemente F. da Cruz, Hamilcar Beviláqua Neto, Clovis C.Rossi

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N ú cl eo s Aepet-Bahia: Admilson Quintino Sales / Aepet-BR: Adalberto César P. Costa / AepetMacaé: José Carlos L. de Almeida / Aepet-NS: Solon Mauro S. Fagundes / Aepet-SE/AL: Francisco Alberto Cerqueira de Oliveira D e le ga do s Juiz de Fora: Murilo Marcatto / Espírito Santo: Paulo W. Magalhães - S.José dos Campos: Clemente F. da Cruz / Curitiba: Ernesto G. R. de Carvalho / Pernambuco: Adelmo José Leão Brasil / Brasília: Velocino Tonietto R e da çã o Jornalista Responsável: José Carlos Moutinho (Mtb 24460) Reportagem: José C. Moutinho / Julio César Lobo Fotografia: Alessandra Bandeira Projeto Gráfico: Marta P. Guimarães - magainter@globo.com Arte / Ilustração: Alessandra Bandeira Diagramação: Alessandra Bandeira Impressão: Monitor Mercantil Tiragem: 16.500 mil exemplares Correio Eletrônico: aepet@aepet.org.br

Permitid a a reprod ução na ín tegra ou em parte, desde que citada a fonte

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AO SE APOSENTAR, CONTINUE SÓCIO DA AEPET O petroleiro e associado da AEPET, ao se aposentar, pode continuar nos quadros da Entidade. Para tanto, deverá assinar e encaminhar a nova autorização de desconto à Petros, garantindo sua permanência na AEPET e desfrutando dos benefícios oferecidos pela Entidade. E o mais importante: continuará contribuindo com a luta em defesa do Sistema Petrobrás e seu corpo técnico e da soberania do Brasil sobre o seu petróleo. Continue na AEPET e convide os seus amigos para que se associem. Acesse o portal da AEPET, coluna do associado, para baixar a Nova Ficha de Associado. 14/9/2010, 17:54


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CONSIDERAÇÕES SOBRE A TERCEIRIZAÇÃO NA PETROBRÁS Pedro Carvalho A intermediação de mão de obra, usada à guisa de terceirização, traz efeitos maléficos para os trabalhadores. O trabalhador não tem garantia de emprego, nem de salário adequado nem tão pouco de previdência. Para a empresa, como é o caso da Petrobrás, a terceirização traz uma serie de prejuízos. O primeiro é a não formação de um quadro permanente de empregados concursados que garanta um cabedal de conhecimentos e experiência para a Petrobrás, pois os terceirizados não pertencem ao quadro efetivo de pessoal da Empresa. Outro inconveniente, é que o emprego de pessoal não treinado especificamente para executar tarefas relativas às áreas operacionais da atividade da empresa leva a um aumento do número de acidentes de trabalho com evidente prejuízo em pessoal, material e lucros cessantes. Isto vem sendo confirmado pelo crescente número de acidentes ocorridos, muitos deles não levados ao conhecimento público. A insistência da Petrobrás em empregar mão de obra intermediada, vem causando prejuízos aos aprovados nos concursos públicos da Empresa, que veem suas oportunidades desaparecerem enquanto suas vagas são preenchidas por mão de obra terceirizada. Tal prática infringe não só a le-

gislação, mas ainda prejudica aqueles que foram aprovados em concurso público e aguardam sua vez de ingressar na Empresa. Há pessoal terceirizado que vem trabalhando na Petrobrás há mais de dez anos e que poderia ser incorporado aos quadros permanentes desde que sua experiência e capacidade fossem devidamente comprovados. A Petrobrás vai precisar de um A intermediação de mão-de-obra, usada à guisa de terceirização, traz efeitos maléficos para os trabalhadores. O trabalhador não tem garantia de emprego, nem de salário adequado nem tão pouco de previdência.

quadro de pessoal bem superior aos cerca de 60000 empregados que hoje possui para fazer face aos desafios do pré-sal. Outro prejuízo que a terceirização cria na Empresa, é que o seu corpo de técnicos começa a envelhecer e não há uma oxigenação com a admissão de novos empregados para ocupar os lugares daqueles que se aposentam. Desta forma, o cabedal de conhecimentos técnicos e experiência vai se perdendo pela falta de novos empregados aos quais possam ser transferidos. Não bastassem todos esses males, a Petrobrás está enfrentando ações na Justiça, umas impetradas

pela Procuradoria Geral do Trabalho contra o descumprimento da legislação sobre terceirização, e outras por aqueles que, aprovados em concurso público, veem suas vagas preenchidas por pessoal terceirizado. Segundo informou, em 25/08/ 10, o Tribunal de Contas da União (TCU) deu prazo de 6 anos para que as empresas estatais, entre elas a Petobrás, identifiquem seus trabalhadores terceirizados irregulares, encerrem os contratos com as empresas e realizem concursos públicos para preenchimento das vagas. Na decisão, os ministros deram prazo de 6 meses para que as estatais e o Ministério do Planejamento definam que tipo de terceirização de mão de obra é permitido em cada uma das empresas. Em no máximo 5 anos, todos os irregulares deverão ser substituídos por empregados concursados. Finalmente, a terceirização tem criado oportunidade para a prática sem rodeios do nepotismo com a admissão de parentes, namoradas e amigos de gerentes. Por todas estas razões, é necessário que se faça uma revisão da política de Recursos Humanos da Petrobrás com uma drástica redução da terceirização e do poder de contratar dos seus gerentes. Pedro Carvalho é Presidente em Exercício da AEPET

(*) SUM-331 CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. LEGALIDADE (mantida) - Res. 121/2003, DJ 19, 20 e 21.11.2003. I - A contratação de trabalhadores por empresa interposta é ilegal, formando-se o vínculo diretamente com o tomador dos serviços, salvo no caso de trabalho temporário (Lei nº 6.019, de 03.01.1974). II - A contratação irregular de trabalhador, mediante empresa interposta, não gera vínculo de emprego com os órgãos da administração pública direta, indireta ou fundacional (art. 37, II, da CF/1988). Súmula A-92 III - Não forma vínculo de emprego com o tomador a contratação de serviços de vigilância (Lei nº 7.102, de 20.06.1983) e de conservação e limpeza, bem como a de serviços especializados ligados à atividade-meio do tomador, desde que inexistente a pessoalidade e a subordinação direta.

SINDIPETRO-RJ REALIZA O MOVIMENTO “CORRENTE DA JUSTIÇA” O Sindipetro-RJ organizou mais uma manifestação de impacto em defesa dos petroleiros ativos, aposentados e pensionistas do Sistema Petrobrás e contra a atual política de Recursos Humanos da Empresa. At é o fechamento da presente edição do AEPET Notícias, o movimento “Corrente da Justiça” chegava ao décimo oitavo dia de ocupação do Edifício Sede da Petrobrás (EDISE), no Centro do Rio de Janeiro. Diretores do Sindicato, ent re outras lideranças, se acorrentaram no EDISE até que a Empresa recue de sua política discriminatória. A Agência Petroleira de Notícias denunciou, em 28/08 último, que a gerência de RH da Empresa, durante reunião com as lideranças de petroleiros, não colocou em discussão a incorporação das reivindicações da categoria. A Empresa apenas tentava pôr fim

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ao moviment o. Revoltados, os petroleiros prometeram radicalizar os protestos, em função da intransigência da Petrobrás. Em assembleias iniciadas no dia 31/08, o Sindipetro-RJ programou discutir a possibilidade de continuidade da manifest aç ão, inclusive sua radicalização. O movimento “Corrente da Just iç a”, que é por tempo indeterminado, tem recebido diversas manifestações de apoio, inclusive de candidatos à Presidência da República e diversos parlamentares. No dia 29/08, o movimento colocou uma bandeira brasileira de 2,20 metros por 1,60m na frente do EDISE, para demonstrar o tom cívico do ato, bem como a reivindic ação para que a P et robrás seja uma empresa plenamente brasileira. “Uma empresa do povo não pode trat ar seus trabalhadores como a gerência da Petrobrás vem fazendo com a gente”,

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declarou o diretor do Sindipetro-RJ, José Maria Nascimento. Reivindicações: Solução para a discriminação com os aposentados, extensão para toda a categoria do reajuste de 29% concedido aos executivos, pagamento da “P ericulosidade para valer” e o reenquadramento de algumas funções no PCAC, que prejudicou diversas categorias, algumas com perdas de até t rês níveis. Os petroleiros protestaram, ainda, pelo fato de terem que recorrer à Justiça por questões humanitárias, como garantir a AMS - Assist ência Multidisciplinar de Saúde - para uma aposentada que descobriu um câncer, mas teve negado seu atendimento pela Empresa. (Agência Petroleira de Notícias/ Redação)

Geopolítica do Petróleo A IMPORTÂNCIA DA DESCOBERTA DE LOBATO NA EXPLORAÇÃO PETROLÍFERA DO BRASIL (I) Acyr Ávila da Luz

Em recente entrevista, perguntaram-me qual era minha opinião sobre o significado e repercussão da descoberta do petróleo em Lobato, para o desenvolvimento da indústria petrolífera em nosso País. Farei antes, um breve relato sobre os acontecimentos relacionados à pergunta que me foi dirigida. Como é sabido, Manuel Ignácio Bastos, um curioso colecionador de amostras de minerais, em suas andanças pelos arredores da cidade de Salvador, chegou certo dia em Plataforma, uma estação da estrada de ferro Leste Brasileiro e em uma localidade próxima, Lobato, indagou do pessoal da terra, de onde obtinham o “gás” usado para alimentar seus fifós, ou seja, suas lamparinas. Informaram-no que colhiam uma lama oleosa existente nas tocas dos caranguejos, nos manguezais da região. Curioso em assunto de minérios, voltou várias vezes àquela localidade, decidindo, por fim, abrir uma escavação de 3 a 4 metros de seção e uns 5 metros de profundidade, na qual viu exsudar o líquido de que lhe haviam falado os moradores de Lobato. Com sua própria comprovação da presença de petróleo, Ignácio Bastos procurou várias pessoas para se associarem a ele, com vista a explorar a “mina” que descobrira. Mas ninguém lhe dava crédito, consideravam-no um maníaco. Persistindo em sua ideia de explorar a “mina”, resolveu procurar o Presidente da Bolsa de Mercadorias-da Bahia, Oscar Cordeiro. Este também pão lhe deu crédito. De tanto Manuel Ignácio insistir, Oscar Cordeiro acabou concordando em visitar a escavação, para, com seus próprios olhos, verificar se era verdadeira a presença do óleo relatado por Bastos. Ao constatar que, de fato, o óleo exsudava na cisterna, encheuse de entusiasmo, tomando-se um ferrenho “marqueteiro” da descoberta de petróleo em Lobato. Provocou, então, uma estrondosa campanha em toda mídia. Em 1932, Manuel Ignácio Bastos chegou a ir ao Rio de Janeiro para, pessoalmente, angariar apoio do Presidente Getúlio Vargas, ao seu projeto de explorar o petróleo de Lobato. Enquanto isso, a campanha de divulgação da auspiciosa notícia foi se polemizando, acabando, maldosamente a atingir o corpo técnico oficial, que, cautelosamente se pronunciava a respeito da real presença de petróleo, próxima á escarpa gnáissica, que bordeja, à oeste, a cidade de Salvador. Dentro dessa turbulência de opiniões, em que os geólogos do Serviço Geológico do Brasil eram duramente difamados, o DNPM, já então criado, resolveu contratar o geólogo especialista em pesquisa de petróleo, o lituano Victor Oppenheim, para que emitisse um parecer decisivo sobre o petróleo de Lobato. Tomo aqui a liberdade de transcrever o que o eminente geólogo pioneiro Pedro de Moura, coloca em seu valioso livro - que me serve como fonte bibliográfica - “EM BUSCA DO PETRÓLEO BRASILEIRO” (1976): “O parecer de Oppenheim, dois ou três meses após já contratado pelo DNP M, cantava outra cantiga: - Lobato, sob o ponto de vista da geologia de petróleo é positivamente desfavorável à presença de hidrocarbonetos. O petróleo de Lobato seria elemento estranho à sua formação geológica, bem como o local onde é encontrado”. Além de rechaçar toda a possibilidade geológica, Oppenheim, aferrado à sua interpretação, deblaterava que alguém tivesse injetado o óleo na formação (terreno salgado, em linguagem mineira) ou que a exsudação defluisse de antigos depósitos ali operados pela Cia. do Porto da Bahia. “Ele nunca se rendeu às provas de origem natural, posteriormente evidenciadas por outros técnicos, até que, em 1936, o Ministro Odilon Braga autorizou o DNPM a rescindir o contrato do joãoteimoso.” (Continua na próxima edição) Acyr Ávila da Luz é geólogo, foi chefe do Departamento Nacional de Produção Mineral e chefe de produção e exploração da Petrobrás, na Bahia.

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ATO EM DEFESA DA ENGENHARIA E DA EMPRESA GENUINAMENTE NACIONAL HOMENAGEIA GUILHERME ESTRELLA

Assista ao programa Debate Brasil em sua cidade. Para saber os dias e horários de transmissão acesse www.aepet.org.br Ou assista a qualquer hora o programa em seu computador na nossa

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mais eficaz de se garantir a soberania nacional plena. “O que nós estamos tratando, na verdade, não é de ciência e tecnologia, mas nós estamos tratando é de soberania nacional”. O diretor da AEPET, Roldão Fernandes, destacou que a Associação dos Engenheiros, no próximo ano, completará 50 anos em defesa da Petrobrás e seu corpo técnico, bem como do Monopólio Estatal do Petróleo, sancionado pelo Presidente Getúlio Vargas em 1953. “A AEPET, que no próximo dos maiores expoentes. “Quando ano comemorará seu cinquen- penso no percurso tecnológico tenário, não poderia deixar de se que a sociedade brasileira traça pronunciar neste evento em de- para atingir melhores condições de fesa da engenharia e da empresa vida para o nosso cidadão, não genuinamente nacional, do corpo tenho a menor dúvida que os jotécnico da Petrobrás, bem como vens, e não tão jovens como nós, do monopólio estatal do petróleo, de hoje, devem usar as atitudes pois estes são um dos itens do seu do Estrella para se orientar”. Estatuto e da sua razão de ser da Destacando diversas passagens AEPET”. da profícua carreira profissional do Roldão Fernandes destacou, geólogo Guilherme Estrella, gradutambém, a necessidade de se proado pela UFRJ em 1964, Almirante porcionar às empresas Othon destacou que o nacionais condições “Guilherme Estrella homenageado “sempara produzirem pre pautou sua vida sempre acreditou nas materiais e equiprofissional na potencialidades dos pamentos e crença do debrasileiros e liderou a desenv olver senvolvimento formação de engen o v a s da tecnologia nheiros, geólogos e te cn ol og ia s nacional. Por isso geofísicos que para a exploestamos homemudaram os destinos ração das árenageando ele geológicos do Brasil” as do Pré-Sal. hoje”. “O ‘comple“Isto poderá ser (Almirante Othon) xo de vira-lata‘, como conseguido pelo audizia o escritor Nelson mento das encomendas da Rodrigues, sempre passou astroPetrobrás na industria nacional. Tal nomicamente ao largo do Guilheração, irá incrementar a produção me Estrella, pois este sempre de novos e melhores equipamen- acreditou nas potencialidades dos tos para a indústria petrolífera pe- brasileiros e liderou a formação de las empresas brasileiras”. engenheiros, geólogos e geofísicos O presidente do CREA-RJ, que mudaram os destinos geolóAgostinho Guerreiro, avaliou que gicos do Brasil. Depois da formao Brasil está novamente numa fase ção dessa equipe, o Brasil nunca de expansão de crescimento, de- mais será o mesmo. Mudou compois de décadas falidas, perdidas, pletamente o nosso destino”. como foram as décadas de 1980 Estrella fundou cursos de póse 1990. “Estamos vendo diversos segmentos de nossa indústria co- graduação, entre tantas outras iniciativas e cargos de direção no nhecendo a própria indústria da área de petróleo, energia, os na- Sistema Petrobrás, elencadas (crovios que ninguém imaginava há nologicamente) pelo Almirante dez, quinze anos atrás, que sería- Othon, notadamente para a quemos capazes de termos sequer a bra de recordes de exploração em determinação de avançarmos por grandes profundidades na exploesse caminho, já estamos vendo ração marítima até chegarmos ao Pré-Sal, em 2007, quando Estrella os resultados”. Em homenagem ao geólogo já ocupava o cargo de diretor de Guilherme Estrella, o presidente da Exploração e Produção da Eletronuclear, Almirante Othon Luiz Petrobrás, cargo que assumiu em Pinheiro da Silva, leu o currículo do 2003. homenageado. “Eu, enquanto cidadão, sinto uma grande honra, muito grande mesmo, em ser indicado pelo Clube de Engenharia para saudar o geólogo Guilherme Estrella”. Ele sublinhou que na história da engenharia brasileira, Guilherme Estrella é sem dúvida um

O Almirante ressaltou, também, que a capacitação técnico de Guilherme Estrella é reconhecido no Brasil e no exterior. “A engenharia, em particular e geologia, procura entender o que a natureza nos proporciona ao realizar as transformações necessárias para melho14/9/2010, 17:54

Foto: CREA-RJ

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A AEPET e o Clube de Engenharia promoveram, no dia 03/08, concorrido “Ato em Defesa da Engenharia e da Empresa Genuinamente Nacional”, realizado no auditório do Clube de Engenharia, no Centro do Rio de Janeiro. O encontro se constituiu numa celebração de metas em prol do resgate da engenharia brasileira e da empresa genuinamente nacional, consubstanciada nas perspectivas abertas pela Medida Provisória 495, de 19/07/10, que estabelece a preferência para produtos e serviços nacionais. Tal MP aumenta em muito de importância, sobretudo, pela descoberta do Pré-Sal pela Petrobrás. A MP 495 foi saudada por todas as lideranças presentes naquele evento, uma vez que coloca o desenvolvimento e a inovação brasileira em primeiro plano, questão há muitos anos abandonada a partir da onda neoliberal, que teve seu auge na década de 1990. O diretor de Exploração e Produção da Petrobrás, o geólogo Guilherme Estrella, foi o homenageado daquele encontro da cidadania brasileira, que reuniu técnicos da Petrobrás, lideranças de diversas entidades da sociedade brasileira e parlamentares. Cabe destacar as presenças do deputado estadual Paulo Ramos, dos deputados federais Alessandro Molon, Luiz Alberto, da deputada Jandira Feghalli, do presidente da Nuclep, Jaime Cardoso, do presidente licenciado da AEPET Fernando Leite Siqueira, que leu o “Manifesto de Defesa da Engenharia e da Empresa Genuinamente Nacional”, entre outros. Guilherme Estrella agradeceu ao presidente do Clube de Engenharia, Francis Bogossian, ao diretor de Comunicações da AEPET, Roldão Fernandes, ao presidente do CREA-RJ, Agostinho Guerreiro, pela organização do evento em prol da engenharia e das empresas genuinamente nacionais. Estrella destacou que, na sua vida profissional, o Almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva, presidente da Eletronuclear, presente no encontro, teve grande importância. “Para mim, hoje é um dia certamente muito especial”, disse o geólogo. Em discurso, Estrella demonstrou (com exemplos concretos do cotidiano) a importância do País contar com empresas genuinamente nacionais, em oposição à dependência de corporações estrangeiras que acabam filtrando e criando dificuldades para os acordos comerciais do Brasil no exterior. Estrella ressaltou que contar com empresas, engenharia e tecnologias brasileiras é a maneira

rar ou até mesmo tornar dignas as condições de vida. Então, um evento como o do dia de hoje é daqueles que quer tornar dignas as condições de vida dos brasileiros, portanto da vida nacional”. Para o Almirante Othon, o domínio das tecnologias é condição necessária para a real independência dos povos. “Os países que aceitam permanecer na condição de tecnologicamente debilitado, aceitam também que seus habitantes sejam cidadãos de segunda classe no cenário mundial. Isso não pode nunca acontecer conosco. Guilherme Estrella é um exemplo do esforço de termos uma sociedade digna”. “A decisão de homenagear Guilherme Estrella é muito feliz e emblemática, pois estamos homenageando um verdadeiro símbolo da tecnologia nacional e da brasilidade, sobretudo. O Clube de Engenharia vive, então, um dos dias mais importantes da sua história, pois reafirma sua posição em favor da engenharia nacional e das empresas genuinamente nacionais, bem como homenageia um dos brasileiros que mais contribuíram para a grandeza desse País”, ressaltou Othon. Ao finalizar seu discurso, e sob longos aplausos, o presidente da Eletronuclear declarou: “Se o escrivão que registrou Guilherme Estrella tivesse bola de cristal, teria colocado na certidão de nascimento o nome Guilherme Estrella de Primeira Grandeza”. O diretor de Comunicações da AEPET, Roldão Fernandes, e o presidente do Clube de Engenharia, Francis Bogossian, fizeram a e ntreg a de uma placa ao homenageado. Esta matéria (completa) se encontra no portal da AEPET (www.aepet.org.br, seção notícias), bem como os discursos de Guilherme Estrella, Francis Bogossian, Roldão Fernandes, Agostinho Guerreiro e o Manifesto de Defesa da Engenharia e da Empresa Genuinamente Nacional. José Carlos Moutinho.



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