Issuu on Google+

RESUMOS AUDITORIA

1. INTRODUÇÃO E ASPECTOS GERAIS

A informação produzida pelas empresas (normalmente demonstrações financeiras) deve ser credível, uma vez que a mesma será interpretada por uma vasta gama de destinatários/utentes, com vista à tomada de decisões. Os utentes podem ser investidores, trabalhadores, clientes, fornecedores, financiadores, entre outros. Apesar da informação ser necessária para a tomada de decisão, esta é subjectiva, é alvo de diferentes interpretações e observa risco de erro.

 Características qualitativas da informação financeira: o Compreensibilidade (informação deve ser de rápida compreensão pelos utentes); o Relevância (informação é relevante quando influencia a decisão dos utentes); o Fiabilidade; o Comparabilidade (através do tempo e de forma relativa face a outras empresas).  Risco de informação: devido à distância; parcialidade; motivações; volume e complexidade.

 Minimização do risco da informação: a Auditoria independente aumenta a credibilidade da informação financeira, a qual é da responsabilidade do órgão de gestão/administração.  Objecto da Auditoria Financeira: são as asserções/realidades/afirmações subjacentes às demonstrações financeiras.

1


 Objectivos da Auditoria: o Exame da informação; o Aumento da fiabilidade e credibilidade; o Redução do risco de informação; o Expressão de uma opinião sobre as DF’s por parte de um profissional independente.  AUDITORIA: é um processo de acumulação e avaliação da informação para determinar o grau de correspondência entre as informações e os critérios estabelecidos. Tem de ser realizada por um auditor competente e independente para permitir que a sua opinião seja credível – sigilo profissional.  Auditoria Externa: exame de contas de uma entidade, por perito independente qualificado, de acordo com as normas técnicas, com o objectivo de expressar opinião sobre a conformidade da informação financeira com uma estrutura de princípios contabilísticos. Esta envolve a existência de: o Normas Técnicas de Auditoria: têm origem em cada país, sendo a Ordem dos Revisores Oficiais de Contas em Portugal. Têm como objectivo regulamentar e harmonizar a competência e independência dos auditores. o Estrutura de Princípios Contabilísticos Geralmente Aceites – SNC: englobam princípios, regras, critérios e métodos de contabilização e valorimetria dos factos económicos e transacções; e a preparação e apresentação das contas e notas anexas incluindo estrutura e conteúdo.  Estrutura de uma Certificação Legal de Contas: o Introdução: apresentar o valor das DF’s obrigatórias, nomeadamente o valor do Balanço, do Capital Próprio e do Resultado Líquido. Apresentar qual a informação analisada. o Responsabilidades: apresentar quais as responsabilidades da empresa e quais as do auditor. o Âmbito: o que inclui o referido exame à informação financeira da empresa. o Opinião: dizer se as DF’s apresentam, ou não, de forma verdadeira e apropriada, em todos os aspectos materialmente relevantes, a posição financeira da empresa. o Ênfases: aspectos que são relevantes mas que não alteram a tomada de decisão nem a opinião do auditor apresentada acima. o Relato sobre outros requisitos legais: opinar se a informação constante do relatório de gestão está, ou não, de acordo com as DF’s do exercício. 2


 Âmbito da Auditoria: refere-se aos procedimentos de auditoria considerados necessários na circunstância para atingir o objectivo da auditoria. O âmbito da Auditoria não contempla: o Opinião sobre a eficácia dos actos de gestão ou sobre a viabilidade económico-financeira da empresa; o Detecção de fraudes ou detecção exaustiva das deficiências do sistema de controlo interno; o Certificação das declarações fiscais ou cumprimento de toda a legislação.

 Limitações da Auditoria: o Segurança Razoável: o trabalho desenvolvido pelo auditor para formar uma opinião está também permeado de julgamento no que diz respeito à recolha de prova de auditoria e à extracção de conclusões baseadas na prova de auditoria recolhida; o Exame e não verificação (Amostragem); o Probabilidade de detecção/erro; o Decisões de gestão; o Latitude de opções nos princípios contabilísticos (ex: a propriedade de investimento de um edifício pode ser mensurada ao custo ou ao justo valor); o Conhecimento da actividade.

AUDITORIA  Examina as contas preparadas pela empresa;  Por testes;  Materialidade/Segurança razoável;  Relatório de Auditoria;  Independente/propriedade do auditor.

CONTABILIDADE  Prepara as contas de acordo com as asserções;  Analisa a 100%;  Correcção total/exactidão;  Demonstrações financeiras;  Dependente/propriedade da empresa.

Serviços e Tipos de Auditoria: o Auditoria Financeira (apresentada acima); o Peritagem Contabilística frequente em processos judiciais e clarifica questões pontuais (ex: determinar se os processos de cálculo de uma indemnização estão ou não correctos);

3


o Auditoria Interna: análise, verificação e avaliação das actividades da empresa, e da eficácia e conformidade do funcionamento das demais técnicas de controlo. Corresponde a uma técnica de controlo de gestão, é contratada ao exterior da empresa e auxilia a auditoria externa; o Auditoria Operacional: respeita à própria essência do negócio, o seu planeamento e controlo. Está relacionada com a qualidade, ambiente, higiene pessoal, etc. o Exames Simplificados: âmbito mais reduzido que o da auditoria completa. O relatório contém uma expressão clara de segurança negativa, isto é, a opinião contempla “não há nada que me indique que há distorções”; o Procedimentos Acordados: entre o auditor e o seu cliente e referem-se apenas a uma ou mais componentes das DF’s; o Compilação: não é emitida opinião; apenas é pedido para sumariar a informação financeira; o Outro Serviços: Tax (parte fiscal); Consultoria; Contabilidade; etc.

AUDITORIA

Tipos de erro: o De princípio: desconhecimento; vício do raciocínio; o De aplicação:  Validade das transacções (ex: processamento de transacções não autorizadas);  Integridade do processamento (ex: registo de transacções inválidas; omissão do registo de transacção; duplicação de registo);  Exactidão do processamento (ex: incorrecta classificação, valorização, cálculo aritmético, lançamento, periodização da transacção, etc.); o Fraudes (têm carácter intencional).

Processo

Recolher evidência / Provas de auditoria

Analisar a informação (DF's)

Retirar uma opinião se a informação está de acordo com as Normas e princípios contabilísticos

4


2. SÍNTESE DO PROCESSO DE AUDITORIA

O processo de Auditoria tem, resumidamente, as seguintes fases: 1. 2. 3. 4.

Actividades preparatórias; Estratégia e planeamento; Execução do programa de Auditoria; Revisão e interpretação das conclusões (e pedimos as correcções que podem ser feitas ou não); 5. Preparação do Relatório.

1. Actividades Preparatórias 

Integridade do Cliente: o Identidade e reputação dos principais sócios e gestores do cliente, partes relacionadas e responsáveis de governação; o Natureza das operações do cliente, incluindo práticas empresariais; o Interpretação destes agentes de práticas contabilísticas e controlo interno; o Preocupação do cliente em ter os honorários tão baixos quanto possível; o Indicações de limitações despropositadas acerca do âmbito do trabalho; o Indicações de que o cliente possa estar envolvido em actividades ilícitas como lavagem de dinheiro; o Razões pelas quais o cliente se propõe a nomear a firma e não reconduzir a anterior. Exemplos: facturas falsas; vendas “por fora”; dívidas ao Estado; pedido de auditoria em espaço curto; etc. Procedimentos de Código de Ética: aceitação após informação de ROC.

Procedimentos para retenção de clientes: similarmente, o auditor tem, também, de fazer procedimentos para analisar a retenção de clientes, isto é, tem de avaliar a continuidade da manutenção do cliente.

5


Carta de compromisso: o auditor deve enviar uma carta de compromisso ao cliente, antes de iniciar o trabalho, de modo a prevenir possíveis divergências de entendimento. A carta de compromisso documenta e confirma a aceitação do auditor para o desempenho das funções para o qual foi designado, o objectivo e o âmbito da auditoria. O auditor pode também desejar incluir na carta certos aspectos: calendarização dos trabalhos, honorários, condições de facturação, etc. Esta carta não é obrigatória mas permite reduzir o “expectation gap” do cliente face ao auditor.

Contrato de Prestação de Serviços de Revisão Legal de Contas: adicionalmente, o ROC exerce as suas funções de auditor por força de decisões legais, estatutárias e contratuais, mediante contrato escrito. Esse contrato deve estipular honorários, duração e serviços a prestar.

Outros factos Preparatórios: o Responsabilidade do Órgão de Gestão: a responsabilidade de identificação e estrutura conceptual e de apresentação das DF’s é do órgão de gestão. O auditor é responsável pela expressão de opinião acerca das DF’s. o Controlo de Qualidade: interno à firma; externo; e aos organismos profissionais e acreditadores. o Honorários: dependente de Horas estimadas e do custo e experiência dos meios envolvidos; sistema de controlo interno (se for pior, terei de ter mais honorários); e risco de auditora (ex: construção envolve maior risco, então representa um maior honorário para o auditor).

2. Estratégia e Planeamento Planeamento: consiste em desenvolver uma estratégia geral e uma abordagem pormenorizada quanto à natureza, oportunidade e extensão esperadas na auditoria. O auditor planeia fazer uma auditoria de forma eficiente e oportuna. Nesta fase é avaliado o risco de auditoria, que consiste na probabilidade do auditor emitir uma opinião inapropriada sobre as contas, isto é, as contas conterem erros ou omissões materiais não detectados pelos procedimentos de auditoria. O auditor deve obter um bom conhecimento do negócio da entidade a auditar, que contribui para identificar acontecimentos, transacções e práticas que podem ter um efeito materialmente relevante para as DF’s.

6


Na fase de planeamento existem 2 documentos importantes que o auditor deve preparar: 

Plano global de auditoria: são linhas de orientação que justificam a programação específica – trabalho de campo (Quem vai fazer o trabalho? Quantas horas? Quem é o responsável?); Programas de auditoria é um plano de acção para orientar e controlar a execução dos trabalhos e, consequentemente, define a extensão do exame considerado necessário.

3. Execução do programa de Auditoria: consiste na execução dos testes de controlo e dos procedimentos substantivos definidos no programa de auditoria.

4. Revisão e interpretação das conclusões: Concluídos os procedimentos de auditoria específicos para cada uma das áreas, é necessário fazer uma revisão dos papéis de trabalho, preparar um resumo das situações detectadas ao longo do trabalho e avaliar se as conclusões obtidas estão devidamente suportadas do ponto de vista da evidência. Relativamente aos erros encontrados e se estes forem considerados materialmente relevantes, o auditor deve persuadir o órgão de gestão no sentido de rectificar as DF’s.

5. Preparação do Relatório: o relatório do auditor é o resultado de todo o trabalho efectuado e das conclusões a que chegou. Este deve conter uma expressão clara e por escrito da opinião sobre as DF’s tomadas como um todo.

7


3. OBJECTIVOS DE AUDITORIA

Objectivo da Auditoria: é a emissão de uma opinião sobre se as DF’s estão conformes com os princípios contabilísticos geralmente aceites. O auditor tem responsabilidade de planear e executar a auditoria de forma a obter segurança razoável de que as DF’s representam de forma apropriada a situação financeira da empresa, e ausente de falhas materiais, causadas por erro ou fraude. O auditor não tem responsabilidade por falhas sem materialidade. Sempre que há fraude, o auditor deve comunicá-la, independentemente de ser de 1€ ou 1.000.000 €. Auditor deve ter uma atitude de Cepticismo Profissional, isto é, deve ser desconfiado; deve questionar os dados; deve ver onde há possibilidades de erro.

Responsabilidade de Detectar Actos Ilegais: o Acumulação de evidência quando não há razão para acreditar que existam Actos ilegais com efeito indirecto (ex: violação de leis ambientais podem levar a multas que indirectamente afectam as DF’s); o Acumulação de evidência quando há razão para acreditar que existam Actos ilegais. Conhecimento do Acto ilegal: 1. Verificar o impacto nas DF’s; 2. Questionar relação com a Gestão da empresa (Escondem mais situações?); 3. Comunicar ao Comité de Auditoria; 4. Comunicar autoridade e terminar contrato com o cliente se não houver correcção.

8


As categorias de asserções consideradas objectivos de auditoria são as seguintes: OBJECTIVO Existência, ocorrência, validade

PERGUNTAS As operações registadas na contabilidade existem?

Integralidade

Todas as operações estão reflectidas na contabilidade? Os activos/ passivos reflectem os direitos/ obrigações da empresa? Está a ser utilizada a política de mensuração correcta?

Direitos e obrigações

Valorização

Mensuração/Registo

Existe algum erro no registo contabilístico?

Apresentação e divulgação

São divulgados todos os aspectos essenciais para a compreensão das DF’s?

FIM DO OBJECTIVO Certificar a validade/existência dos activos e passivos e a ocorrência das transacções ou acontecimentos registados (ter a certeza que as vendas registadas realmente aconteceram). Certificar que todas as transacções que deveriam ser registadas o foram efectivamente. Certificar que os activos ou passivos respeitam à entidade numa determinada data.

EXEMPLOS Os valores a receber dos clientes não se encontram recebidos, nem descontados em instituições de crédito. Todas as vendas são contabilizadas.

Certificar que as diferentes rubricas estão registadas pelos valores adequados à luz dos princípios contabilísticos. Diz respeito a aspectos como o custo histórico, valor líquido, imputações de custos, provisões e estimativas. Certificar que as transacções são registadas com exactidão, classificação e periodização adequadas.

As perdas por imparidade de clientes estão devidamente registadas.

Certificar a adequação da apresentação das diferentes rubricas nas DF’s. Refere-se à identificação, classificação e ordenação das rubricas nas DF’s.

As restrições sobre as contas a receber são divulgadas.

A especialização/ corte de operações das vendas é devidamente efectuada. As contas a receber apresentadas na rubrica de curto prazo vencem-se a menos de um ano.

O auditor deve obter suficiente prova/evidência de auditoria para suportar as asserções presentes nas DF’s.

9


4. EVIDÊNCIA (PROVA) DE AUDITORIA

Evidência de auditoria: significa toda a informação obtida pelo auditor (através da análise dos documentos e registos contabilísticos) que lhe permita chegar às conclusões sobre as quais se baseia a opinião de auditoria. A evidência deve ser apropriada (qualidade) e suficiente (quantidade) de forma a permitir ao auditor retirar conclusões razoáveis.

1. SUFICIENTE 

Procedimentos de auditoria: são instruções detalhadas destinadas a auxiliar o auditor na recolha de evidência para um determinado tipo de procedimento. O auditor não examina toda a informação disponível porque as conclusões acerca de um saldo ou de um controlo, podem ser atingidas por meio da utilização de julgamento ou de procedimentos de amostragem estatística. Os procedimentos de auditoria podem ser executados antes, após, ou na própria data do fecho das contas.

Dimensão da amostra: deve ser determinada para cada procedimento de auditoria.

Itens da população: a selecção dos itens a examinar pode ser efectuada aleatoriamente, basear-se em determinados critérios ou através da combinação de vários métodos.

2. APROPRIADA 

Relevância: a evidência é persuasiva se for relevante para os objectivos de auditoria.

Fiabilidade: tem a ver com a credibilidade da evidência. A fiabilidade não aumenta pelo facto do auditor alargar a dimensão da amostra.

10


A fiabilidade da evidência depende: o Independência de quem fornece a informação (informação externa é mais credível); o Eficácia da estrutura de controlo interno; o Conhecimento directo do auditor (evidência obtida directamente pelo auditor através de inspecção, observação é mais credível do que a obtida indirectamente, isto é, através da empresa); o Qualificações de quem fornece a informação; o Grau de objectividade da evidência obtida (evidência objectiva é mais credível do que evidência que requeira julgamento – evidência subjectiva).

Tipos de Evidência: o Evidência Analítica:  Análise de diagnóstico: relações gerais entre transacções e conhecimento das operações do negócio que resultam em transacções (ex: um aumento das compras leva a um aumento dos fornecedores).  Avaliação do controlo interno: métodos ou meios de processar as transacções. Um sistema com apropriados procedimentos, verificação e testes evita e proporciona a detecção de erros. Examinado o sistema e determinado como produz resultados, podem-se tirar conclusões a propósito do rigor desses resultados. o Evidência Corroborativa:  Testes de transacções: suportes documentais ou testemunhais de cada transacção.  Testes de saldos: suporte testemunhal ou de observação do resultado de um conjunto de transacções (ex: contagem física das existências finais).

Os factores que influenciam o julgamento são, entre outros: o Risco inerente ao nível das transacções, saldos e contas finais; o Natureza dos sistemas contabilísticos e de controlo interno; o Materialidade do elemento em apreciação; o Experiência em auditorias anteriores; o Resultados dos procedimentos aplicados, incluindo erros ou fraudes; o Origem e credibilidade da informação disponível. 11


A evidência tem de ser registada em papéis de trabalho. À medida que o auditor desenvolve o seu programa de auditoria, recolhendo evidência, deve ter meios para gravar, para posterior apreciação, estudo e consideração. 

Papéis de trabalho: meios específicos para guardar essas evidências (ex: discos, disquetes, etc.). Tudo o que eu recolho são papéis de trabalho. Estes fornecem: o O principal suporte para o relatório do auditor; o Evidência que o exame foi conduzido de acordo com as Normas Técnicas; o Um meio para ajudar no planeamento e na execução da auditoria; o Um meio para ajudar na coordenação e supervisão e na análise do trabalho.

O uso de alguns papéis de trabalho normalizados, tais como, listas de verificação, modelos de cartas ou mapas de trabalho, pode melhorar a eficiência da auditoria, facilitando a delegação do trabalho e proporcionando um meio de controlo de qualidade. O auditor pode também servir-se de mapas, análises e qualquer outra documentação preparada pela empresa desde que se assegure de que tal documentação foi adequadamente preparada. O auditor deve registar nos seus papéis de trabalho, informação sobre o planeamento, sobre a natureza, extensão e data dos procedimentos de auditoria executados, sobre os respectivos resultados e sobre as conclusões obtidas. No papel de trabalho deve ficar evidenciado quem os preparou e quando foram revistos.

Estrutura do papel de trabalho: o Identificação da entidade auditada; o Período coberto (ano, meses); o Descrição do teste efectuado; o Fonte de informação; o A assinatura do preparador e do supervisor; o Data; o Legendas para os picos/cumes; o Referência cruzada para outros papéis de trabalho e para o programa de trabalho; o Trabalho efectuado; o Objectivos e conclusões.

12


Os papéis de trabalho podem ser arquivados em: o Dossiers permanentes: englobam todas as informações que o auditor considera importantes e que tenham de ser consultadas ao longo das auditorias presentes e futuras. o Dossiers correntes: valem para o ano e para o exame que está a ser feito.

Os papéis de trabalho são propriedade do auditor mas podem ser sujeitos a controlo de qualidade e podem ser revistos por outros auditores.

Procedimentos de auditoria: acções que o auditor realiza para obter evidências. São o meio para o auditor adquirir evidências, mas não são em si evidência. Para obter evidência são necessários 2 procedimentos: o Testes de conformidade: são realizados para obter evidência sobre os sistemas contabilísticos e de controlo interno com o objectivo de:  Constatar a sua existência;  Avaliar se é adequada a concepção, devendo esta visar a prevenção, detecção e correcção de distorções materialmente relevantes;  Avaliar o seu funcionamento eficaz ao longo do período sob exame. o Testes substantivos: são realizados para obtenção de evidência sobre a existência ou não de distorções materialmente relevantes nas DF’s e são de dois tipos:  Testes de pormenor de transacções e saldos (o seu propósito é determinar a existência de quaisquer erros monetários ou irregularidades aí existentes);  Procedimentos analíticos aplicados à informação financeira (envolvem o estudo e comparação de relações entre dados; têm por objectivo obter conhecimento da actividade do cliente, detectar problemas de continuidade das operações, identificar variações estranhas e reduzir a necessidade de testes substantivos detalhados).

13


PRINCIPAIS PROCEDIMENTOS DE AUDITORIA Evidência analítica Análise diagnóstico Observação, Indagação, Procedimentos Analíticos Análise do controlo interno Observação, Indagação, Confirmação documental Evidência corroborativa Inspecção, Confirmação, Cálculos Teste de Transacções Inspecção, Observação, Confirmação, Testes de Saldos Cálculos TIPOS DE EVIDÊNCIA

 

Inspecção: consiste no exame dos registos, dos documentos de suporte e dos activos tangíveis (ex: contar existências e registar a quantidade nos papéis de trabalho; analisar numa apólice de seguros o valor do edifício e equipamento coberto pelo seguro). Observação: consiste em presenciar a execução por outrem de um processo ou procedimento. Indagação: consiste na procura de informação, escrita ou oral de pessoas conhecedoras dentro e fora da entidade, através de entrevistas e questionários (ex: analisar as contas dos clientes com o gestor de crédito no sentido de avaliar a sua cobrabilidade). Confirmações: o Externas: consiste na resposta a uma indagação para corroborar/confirmar informações contidas nos registos contabilísticos. o Internas: o auditor selecciona documentos criados aquando da realização de transacções e verifica se a informação constante dos documentos está devidamente registada na contabilidade. o Reconstituição do processamento de dados: o auditor selecciona registos dos registos contabilísticos e inspecciona a documentação que serviu de base àqueles registos para determinar a correcção e validade dos registos. Cálculo (re-execução): consiste na verificação da correcção aritmética dos documentos de suporte e dos registos contabilísticos (ex: depreciação; descontos de pronto pagamento; multiplicar a quantia registada na listagem de inventário pelo preço de custo para avaliar a exactidão do registo). Procedimentos analíticos: consiste na análise de rácios e tendências significativas incluindo a investigação de flutuações.

14


5. ESTRATÉGIA E PLANEAMENTO DE AUDITORIA

Significa desenvolver uma estratégia geral e uma abordagem pormenorizada (programas de auditoria / de trabalho) quanto à natureza, oportunidade e extensão dos procedimentos de auditoria. Será um processo de seleccionar procedimentos de auditoria que se achem adequados, com vista a obter evidência que se considera suficiente e adequada para suportar a opinião do auditor sobre as DF’s. A definição de uma adequada estratégia e planeamento da auditoria contribui para assegurar que se dedique maior atenção às áreas de risco de auditoria e que potenciais problemas sejam identificados. Nesta fase existem dois documentos fundamentais que o auditor deve preparar: 1. Plano global/estratégico de auditoria; 2. Programas de auditoria.

Há contudo a necessidade de estabelecer um programa base, que pode ser:

Se funcionar bem

Programas mínimos

Se funcionar mal

Programas máximos

Testes ao controlo interno

Estes programas incluem todos os possíveis procedimentos que devem ser usados nas situações de análise ao controlo interno.

O auditor deve planear a auditoria com uma atitude de cepticismo profissional (não tomar como garantia as certezas dadas pelos órgãos de gestão) relativamente à integridade do órgão de gestão, erros e irregularidades ou actos ilegais.

15


O auditor deve obter evidência suficiente, relevante e fiável em vista a obter uma base racional para emitir a sua opinião profissional. Cada um destes elementos implica um julgamento subjectivo por parte do auditor.  Suficiência: tem a ver com a quantidade de evidência a obter. Deverá ser função de materialidade, risco relativo (importante mas não material), factores económicos e características e dimensão da população (ex: nº vendas a crédito; nº contas-correntes de clientes; nº euros numa conta de balanço).  Relevância: evidência tem de ser pertinente para a decisão do auditor.  Fiabilidade: está directamente relacionada com a eficácia do sistema de controlo interno da empresa. Depende da origem (circunstâncias em que a evidência é obtida – ex: através de fontes independentes ou não, através de bom SCI ou não) e da objectividade (evidência que seja objectiva é mais fiável que a subjectiva – ex: fontes exteriores).  Base Racional: o julgamento do auditor é influenciado, entre outros, pelos seguintes factores: o Regras e padrões profissionais (contribuem para uma uniforme aplicação da qualidade e quantidade de evidência requerida); o Integridade do órgão de gestão (auditor requer mais evidência fiável quando tem dúvidas sobre a integridade do órgão de gestão); o Existência de transacções entre partes relacionadas (transacções entre empresas relacionadas podem ser motivadas pelo desejo de ocultar problemas financeiros ou outros – auditor requer mais evidência fiável); o Capital aberto ao público/disperso ou privado (é exigida maior segurança); o Condições financeiras (a ameaça de ruptura financeira tende a elevar o padrão de avaliação subjectiva que o auditor faz da definição de base razoável para emitir opinião).

16


1. Plano Estratégico – Plano Global de Auditoria

Componentes de um plano global de auditoria e sequência pela qual é normalmente desenvolvido: a. b. c. d. e. f. g. h.

Conhecer a actividade e características do negócio da empresa; Conhecer o sistema de controlo interno da empresa; Definir critérios de materialidade; Definir critérios de risco de auditoria; Identificar os objectivos da auditoria; Considerar o efeito de outros assuntos relevantes; Calendarizar o exame; Escalonar pessoal para o trabalho de auditor (dizer quem vai trabalhar e quantas horas).

a. Conhecer a actividade e características do negócio da empresa: uma grande variedade de procedimentos pode ser usada para adquirir este conhecimento: o Rever os papéis de trabalho dos anos anteriores (ex: empresas similares); o Rever dados sobre a actividade e o negócio da empresa (ex: leitura de actas das reuniões; analisar as DF’s recentes; familiarizar-se com os regulamentos governamentais; ler os contratos; etc.); o Circular pelas instalações da empresa (percebe-se o ambiente de controlo, a dimensão, as regras, etc.); o Comunicar com a auditoria interna (ex: obter informação sobre os pontos fortes e fracos do controlo interno; etc.); o Fazer indagações – entrevistas/questionários – junto do órgão de gestão; o Desenvolver procedimentos analíticos – rácios (ex: comparar informação financeira com a de períodos anteriores; analisar informação previsional; analisar informação relativa ao sector; etc.).

b. Conhecer o Sistema de Controlo Interno: obtém informações através de revisão da documentação; inquéritos ao órgão de gestão e a empregados chave; e observação dos procedimentos de controlo.

17


c. Materialidade: a informação é (de relevância) material se a sua omissão ou inexactidão influenciarem as decisões económicas dos utentes tomadas na base das DF’s. A base para a determinação da materialidade deverá ser as DF’s de períodos anteriores bem como as DF’s do período corrente, existentes, à data. Esta deve ser reavaliada ao longo de todo o trabalho de auditoria, em função dos resultados que vão sendo obtidos. O auditor faz um julgamento preliminar acerca dos níveis de materialidade na programação de auditoria. Materialidade envolve considerações tanto quantitativas (é necessário fixar os níveis de erro que podem ser admitidos) como qualitativas (relacionam-se com a natureza das distorções materiais – ex: não divulgação do não cumprimento de requisitos legais). Numa auditoria, o auditor deve definir o nível de materialidade a dois níveis: o Ao nível das DF’s: dado que a sua opinião se vai referir às DF’s tomadas como um todo; o Ao nível do saldo das contas: uma vez que examina as contas individualmente para obter uma conclusão sobre a globalidade das DF’s.

d. Critérios de Risco de Auditoria: trata-se do risco de o auditor emitir uma opinião inapropriada sobre as DF’s.  Componentes do risco de auditoria: o Risco inerente: a susceptibilidade de uma conta para o erro material, partindo do princípio que a empresa não tem mecanismos de controlo interno para o evitar; o Risco de controlo: o risco de um erro material numa conta não ser detectado em tempo oportuno pelo sistema de controlo interno; o Risco de detecção: o risco de que os procedimentos do auditor para verificar os saldos das contas não detectem um erro material quando, de facto, ele exista. Existe uma relação inversa entre a materialidade e o nível de risco de auditoria, isto é, quanto mais elevado o nível de materialidade, mas baixo o risco de auditoria e vice-versa.

e. Objectivos de Auditoria

18


f. Outros Assuntos Relevantes  Coordenação e supervisão (envolvimento de outros auditores; dispersão geográfica de entidade);  Utilização de meios informáticos pelo auditor e pela entidade (extensão da utilização e disponibilidade de dados; complexidade das operações tratadas; utilização de serviços externos; dispersão geográfica da entidade; utilização de técnicas de auditoria assistidas por computador);  Possibilidade do princípio da continuidade poder ser posto em causa;  Existência de partes em relação de dependência;  Natureza e oportunidade de relatórios a emitir e outras responsabilidades assumidas;  Quaisquer outros assuntos relevantes para o exame a efectuar.

g. Calendarizar o exame: é normal classificar o trabalho de campo em duas categorias: o Trabalho intermédio: realizado ao longo do ano; o Trabalho de fim de ano: que normalmente se estende desde a data a que se reporta o balanço até cerca de dois meses após.

h. Escalonar pessoal para o trabalho de auditoria: no escalonamento do pessoal deve ser tido em conta a composição da equipa de auditoria no que diz respeito a experiência global; responsabilidade; supervisão; e conhecimentos técnicos.

Planeamento Estratégico

Programas de Trabalho

2. Programa de Auditoria/Trabalho 

Programa de Auditoria: define a natureza, oportunidade e extensão dos procedimentos de auditoria planeados necessários para implementar o plano global de auditoria. Trata-se de elaborar listas com os procedimentos de auditoria a levar a cabo na fase de trabalho de campo. Estes proporcionam uma descrição sobre o trabalho a realizar e instruções sobre a sua execução; uma base para coordenar, supervisionar e controlar a auditoria; e o registo do trabalho realizado. Dizer o que fazer passo a passo. 19


ETAPAS:  

 

Analisar as contingências dos anos anteriores (no relatório); Verificar se o Balanço (Activo Líquido) está de acordo com o Balancete (Activo Bruto, ao qual se tem de deduzir as amortizações, depreciações e perdas por imparidade); Pedir o mapa de Activos Fixos Tangíveis e validar se é o final (comparar com o Balancete);  ∑ Aquisição activo do Mapa de AFT = Valor conta 43 Balancete;  Coluna depreciações acumuladas do Mapa AFT = Depreciações acumulados no Balancete. Testar o saldo inicial (tem de ser igual ao saldo do ano anterior); Aquisições: o Pedir contratos/facturas; o Contrato de locação (Financeira vs. Operacional);  Locação Financeira: forma de financiamento; é muito provável que no final da vida útil do contrato haja aquisição;  Locação Operacional: pagar rendas pela utilização do activo/bem. Alienações: 1. Pedir contrato de venda; 2. Avaliar o preço de venda; 3. Analisar sinistros (ex: roubo; incêndio; quebra de mercadorias; acidentes); 4. Recalcular as mais e menos-valias do resultado.

Exercício: 

Procurar imóveis

AFT

NOTA: No Balanço aparece o valor do Activo Líquido, isto é, o valor das aquisições deduzidas das depreciações e das perdas por imparidade.

AFT (todos os imóveis que a empresa tem – fábrica); Propriedade de investimento (ex: imóveis para arrendar).

Balanço (valor da conta AFT) DR (depreciações e ganhos – ORG – e perdas – OGP) Anexo (ver nota 7 – na coluna notas do Balanço e da DR; Activo Bruto, Amortizações e perdas por imparidade acumuladas, valor líquido).

20


Se eu achasse que os Clientes não fossem pagar porque tinham um processo O valor dos Clientes no Balanço seria igual a zero.

Disponibilidades: o Caixa: analisar as variações de fluxos de caixa; e fazer a contagem do caixa; o Depósitos à ordem: fazer a circularização ao banco (extracto bancário); este serviço é cobrado pelo banco à empresa.

MATERIALIDADE (Margem de erro)  

Balanço: TA (Total do Activo) e CP (Capital Próprio); Demonstração de Resultados: VN (Volume de Negócios) e RAI (Resultado Antes de Imposto).

Maior risco de Auditoria

Necessário ser mais rigoroso

Menor margem de erro/ materialidade/ (%)

31/12/2010

21


RESOLUÇÃO:

As percentagens (%) apresentadas no quadro acima dependem do juízo profissional; as margens são mais ou menos sempre as mesmas, não dependem dos valores do Balanço e da DR.

Com base nos controlos existentes na empresa e do conhecimento que possuímos, consideramos que a empresa apresenta um risco global final baixo. Desta forma, optamos por um nível de materialidade global em termos agregados, para o Balanço e DR, no valor de € 100.000.

Para além disso teremos igualmente em consideração questões qualitativas que possam distorcer a análise das DF’s. Posso ter de atribuir conta a conta níveis subjectivos de materialidade (ex: pode faltar no total € 35.000. Não são relevantes a nível material, mas se faltarem € 35.000 numa conta de inventários de € 50.000, já pode ser relevante, uma vez que representa quase todo o valor da conta).

MATERIALIDADE GLOBAL: € 100.000 (valor aproximado).

NOTA: 

Empresa com risco muito baixo:

235.000 + 45.000 = 140.000 2

Empresa com risco muito alto:

105.000 + 22.500 = 63.750 2

Empresa com risco baixo/médio:

140.000 + 63.750 = 101.875 2

22


6. SISTEMA DE CONTROLO INTERNO

SCI: todas as políticas e procedimentos (controlos internos) adoptados pela gestão de uma entidade que contribuam para salvaguardar os activos; testar a confiança dos dados contabilísticos; promover a eficiência operacional; e encorajar a adesão às políticas de gestão. O controlo interno inclui: o Controlos contabilísticos: controlos associados à fiabilidade dos registos contabilísticos. Tem relação directa com o sistema contabilístico; o Controlos operacionais: controlos associados à organização, eficiência na utilização dos recursos e adesão às políticas de gestão. Tem relação indirecta com o sistema contabilístico.

Importância do controlo interno resulta de: o O objectivo e dimensão das actividades das organizações se ter tornado tão complexo e largo que a gestão se deve apoiar em numerosos relatórios e análises para controlar eficazmente as operações; o O controlo e revisão inerentes a um bom sistema de controlo interno proporcionam protecção contra fraquezas humanas e reduzem a possibilidade de ocorrerem erros e irregularidades; o É impraticável para os auditores, auditar a maior parte das empresas dentro de determinados limites de custo sem se apoiarem no sistema de controlo interno da empresa.

Limitações de um SCI: o A relação custo/benefício na concepção e na implementação do controlo interno, normalmente impede a concretização de “modelos ideais” por ser requisito da gestão que o custo de um controlo não exceda os benefícios que se esperam extrair; o A separação de funções pode ser extinguida por conluio; o A maioria dos controlos internos tende a dirigir-se a transacções de rotina e não a transacções fora de rotina; o A competência e integridade do trabalho humano podem sofrer deterioração por pressão interna e externa. A eficácia do sistema pode ser abalada, por exemplo, por erros de apreciação ou interpretação, falta de cuidado ou fadiga e distracção; o Os procedimentos de controlo podem tornar-se inadequados/desactualizados, devido a alterações nas condições e a sua aplicação pode deteriorar-se.

23


Componentes de um SCI: o “Ambiente de controlo”: que significa a atitude geral, a consciencialização e as acções de gestão e do órgão de gestão a respeito do sistema de controlo interno e a sua importância dentro da entidade e que dá a tónica a uma organização, influenciando a consciência de controlo do seu pessoal. É o ponto de partida para os outros componentes do controlo interno, proporcionando disciplina e estrutura; o “Avaliação do risco”: é a identificação e análise pela entidade dos riscos relevantes para a realização dos seus objectivos, formando a base para a determinação de como os riscos devem ser geridos; o “Procedimentos de controlo”: são as políticas e procedimentos que ajudam a assegurar que as directivas da gestão são executadas; o “Informação e comunicação”: é a identificação, recolha e troca de informação de forma a permitir aos empregados levarem a cabo as suas responsabilidades; o “Monitorização”: é o processo que avalia a qualidade do desempenho do controlo interno ao longo do tempo.

Ambiente de controlo  

Métodos de delegação de autoridade e responsabilidade: completas descrições de funções; Métodos de controlo de gestão: trata-se da capacidade de gestão para supervisionar eficazmente a globalidade das actividades da empresa. Os três métodos-chave são: o Orçamento (proporciona meios para o estabelecimento e comunicação através de toda a organização dos planos de gestão); o Relatórios internos (um eficaz sistema de relatórios internos a todos os níveis de gestão é essencial para um saudável ambiente de controlo); o Auditoria interna (é uma função de avaliação); Políticas e práticas de recursos humanos: o pessoal deve existir em número suficiente e ter suficientes recursos para desempenhar as suas responsabilidades; Influências externas: o controlo pode ser reforçado pela existência de requisitos impostos por corpos legislativos e de regulamentos (ex: sector bancário).

(As pequenas e médias entidades podem implementar os factores do ambiente de controlo diferentemente das grandes entidades. Por exemplo, PME podem não ter um código escrito de conduta mas, em vez disso, desenvolver uma cultura que reforça a 24


importância da integridade e comportamento ético através da comunicação oral e pelo exemplo de gestão).

Avaliação do risco A gestão pode iniciar planos, programas ou acções para tratar riscos específicos ou pode decidir aceitar um risco devido ao custo que lhe está associado. Os riscos podem surgir ou mudar devido às circunstâncias, tais como, mudanças no ambiente operacional, novo pessoal, rápido crescimento, etc. (Os conceitos básicos do processo de avaliação do risco devem estar presentea em todas as entidades, independentemente da dimensão, mas o processo de avaliação do risco é provável de ser menos formal e menos estruturado nas PME do que nas grandes).

Procedimentos de controlo Os procedimentos de controlo podem ser classificados nas seguintes categorias:  

Procedimentos de autorização: pretende assegurar que as transacções são autorizadas por pessoas agindo de acordo com as suas competências; Segregação de funções: envolve a afectação de responsabilidade para uma transacção por forma a que os deveres/atribuições de um funcionário proporcionem automaticamente conferências cruzadas do trabalho de um ou mais funcionários. O objectivo principal é a prevenção e pronta detecção de erros ou irregularidades no desempenho das responsabilidades consignadas; Documentos e registos: Os documentos proporcionam evidência da ocorrência de transacções bem como sobre o preço, natureza, e prazos das transacções (ex: facturas; cheques; contratos; etc.). Os documentos pré-numerados são úteis na manutenção do controlo e rigor. A pré-numeração ajuda a assegurar que todas as transacções são registadas e que nenhuma transacção é registada mais do que uma vez. Nestes casos, todos os documentos anulados devem ser conservados. Os registos incluem as folhas de salários e os registos dos inventários. Os registos são depois comparados com a soma das entradas correspondentes para determinar se todas as transacções foram registadas;

25


Controlos de acesso: são essenciais para a salvaguarda dos activos. Acesso significa tanto acesso físico aos activos como acesso indirecto através da preparação ou processamento de documentos como ordens de venda que autorizam a alienação dos activos. O acesso directo previne-se através de controlos físicos. Através de meios de segurança como armazéns devidamente fechados e à prova de incêndio (actuação a nível interno), ou de mecanismos de salvaguarda dos depósitos bancários (actuação a nível externo) ou, ainda, através da limitação no acesso a determinadas áreas ao pessoal autorizado; Verificação interna independente: envolve revisões independentes por outro indivíduo sobre a qualidade do desempenho de um funcionário e a correcção de documentos, montantes registados e relatórios.

(É provável que os conceitos subjacentes aos procedimentos de controlo em PME sejam similares àqueles utilizados em grandes entidades, embora possa variar a formalidade em que eles operam. Adicionalmente, PME podem achar que certos tipos de procedimentos de controlo não são relevantes, porque os controlos são aplicados pela gestão).

Informação e comunicação 

Um sistema de informação envolve tarefas que: o Identifiquem e registem todas as transacções válidas; o Descrevam numa base contínua as transacções com um suficiente detalhe para permitir adequada classificação das transacções para o relato financeiro; o Mensurem o valor das transacções numa forma que permita registar o seu adequado valor monetário nas DF’s; o Determinem o período de tempo em que as transacções ocorreram para permitir registar as transacções no apropriado período contabilístico; o Apresentem adequadamente as transacções e divulgações relacionadas na DF’s. A comunicação implica proporcionar uma compreensão das funções e responsabilidades individuais no que diz respeito ao controlo interno sobre o relato financeiro. Vai até ao ponto em que o pessoal compreenda como as suas actividades no sistema de informação de relato financeiro se relacionam com o trabalho de outros e os meios de relatar excepções a um apropriado nível dentro da entidade. Canais de comunicação abertos ajudam a assegurar que as excepções são relatadas e que se actua.

26


(Os SI em PME são prováveis de serem menos formais que em grandes entidades, mas a sua função é tão necessária como significativa. A comunicação pode ser menos formal e fácil de alcançar numa PME do que numa grande entidade devido à menor dimensão da organização e menos níveis, bem como uma maior visibilidade e disponibilidade da gestão).

Monitorização É o processo que avalia a qualidade do desempenho do controlo interno ao longo do tempo. Envolve a avaliação da concepção e funcionamento dos controlos numa base periódica e tomar as necessárias acções correctivas. (Procedimentos de monitorização ao longo do tempo nas PME são prováveis de serem informais e são tipicamente executados como parte da gestão global das operações da entidade).

Identificação dos objectivos de controlo de um SCI:

Validação

Todas as transacções registadas representam eventos que ocorreram. Nenhum registo é fictício.

Integridade

Todas as transacções válidas são registadas.

Exactidão do registo

Os pormenores das transacções foram correctamente captados nos documentos fonte e os registos das transacções foram adequadamente valorados, classificados e registados em tempo oportuno.

Salvaguarda

Activos, documentos não utilizados e registos estão armazenados em áreas seguras e o acesso só é permitido de acordo com a autorização da gestão.

Responsabilização subsequente

Os saldos das contas de activos e passivos são comparados com os activos e passivos existentes em intervalos de tempo razoáveis e são tomadas acções apropriadas se existirem diferenças.

Problemas: a aplicação desta abordagem pode ser complicada pois mais do que um objectivo de controlo pode estar relacionado com uma asserção, logo o auditor vai ter evidência contraditória acerca dos controlos (ex: em caixa existe um risco de controlo. Se o saldo da caixa diminuir, o objectivo de controlo vai ser a validação. Se o saldo

27


aumentar, o objectivo de controlo vai ser a integridade. As evidências são contraditórias, logo o risco é mais alto).

Metodologia para conhecer o SIC: 1. Conhecer os componentes da estrutura de controlo interno; 2. Definição inicial do risco de controlo; 3. Desenvolver testes de controlo adicionais; 4. Definição final do risco de controlo; 5. Relacionar o risco de controlo com o risco de detecção; 6. Conceber testes substantivos apropriados para o risco de detecção.

1. Conhecer os componentes da estrutura de controlo interno Procedimentos para obter conhecimento: considerar a experiência prévia com a empresa em auditorias anteriores; questionar a gestão, direcção e pessoal apropriado; rever documentos e registos tais como manuais de contabilidade e de procedimentos; e observar as actividades e operações da organização. Documentar o conhecimento (documentar o processo de obtenção de conhecimento do controlo interno por parte do auditor nos papéis de trabalho) através de: preenchimento de questionários; fluxogramas (permite ver as relações existentes entre os controlos); e descrições narrativas. Conhecimento dos componentes da estrutura de controlo interno deve ser utilizado pelo auditor para: identificar tipos de potenciais registos errados nas DF’s; considerar factores que afectam o risco de registos errados materiais; e desenhar os testes substantivos planeados.

2. Definição inicial do risco de controlo Trata-se do processo de avaliar a eficácia com que um sistema de controlo interno previne ou detecta erros materiais nas DF’s. Deve definir-se um risco para cada aspecto das DF’s. Definir o risco de controlo depende do julgamento profissional. Para definir o risco de controlo o auditor necessita de: identificar erros que podem ocorrer (potenciais); identificar os controlos que podem prevenir ou detectar os erros (solução); e obter evidência através de testes de controlo para saber se os controlos estão a operar eficazmente. 28


3. Desenvolver testes de controlo adicionais Obter evidência através de testes de controlo para saber se os controlos estão a operar eficazmente. Pretende-se com estes reduzir o risco de controlo inicial. Se o auditor não pretende reduzir o risco de controlo, então não precisa de fazer estes testes. Testes: a) Natureza dos testes:  Testes de concepção (quando se preocupam se o controlo está adequadamente concebido para prevenir ou detectar erros materiais);  Testes operativos (preocupam-se com as questões “Como, Quando e Quem aplicou o controlo?”). b) Procedimentos de auditoria (proporcionam evidência quanto à eficácia, concepção e operacionalidade de um controlo):  Questionários (feitos ao pessoal relacionados com o desenvolvimento das suas tarefas);  Observação (do pessoal no desempenho das suas tarefas);  Inspecção (de documentos e relatórios que indicam a performance dos controlos);  Re-execução (do controlo pelo auditor, proporcionando melhor evidência). c) Extensão dos testes: é precisa mais evidência para suportar um nível de risco de controlo mais baixo do que um alto. A quantidade da evidência depende do julgamento do auditor que se pode basear em subjectividade ou em técnicas de amostragem estatística). d) Momento dos testes: são normalmente desenvolvidos ao longo do exercício. e) Programas de auditoria: preparam-se programas de auditoria para os testes adicionais de controlo. f) Testes com dois propósitos: na maior parte das auditorias os testes adicionais são desenvolvidos ao longo do ano e os testes substantivos durante o trabalho de fim de ano. No entanto, é possível desenvolver testes substantivos sobre pormenores de transacções para detectar erros monetários nas contas ao longo do ano. Quando isto acontece, o auditor desenvolve testes de controlo nas mesmas transacções. g) Utilização do trabalho dos auditores internos: é tarefa dos auditores internos rever o sistema de controlo interno.

29


4. Definição final do risco de controlo Conceptualmente, o processo de definição final do risco de controlo é o mesmo que para o inicial. Isto é, o auditor: identifica potenciais erros; identifica os controlos necessários para prevenir e detectar os erros; e considera evidência para a eficácia dos controlos necessários. Enquanto que os dois primeiros passos foram seguidos na definição inicial, o último diz fundamentalmente respeito à avaliação da evidência obtida nos testes adicionais de controlo: a) Inter-relação entre evidências: Em primeiro lugar, a relevância da evidência para uma específica asserção pode ser directa ou indirecta. Em segundo lugar, evidências obtidas em mais do que um teste de controlo podem ser relevantes para uma só asserção (ex: evidência de que há só uma factura para cada documento de expedição e que todas as facturas são contabilizadas são ambas relevantes para a asserção de “integridade”. Se suportarem a mesma conclusão, o grau de confiança aumenta; se suportarem conclusões diferentes, o grau de confiança diminui). b) Natureza e objectivo: envolve uma avaliação tanto quantitativa como qualitativa ao risco de controlo. O número de desvios encontrados num teste de controlo pode ser de tal magnitude que há razão para duvidar que o controlo é eficaz. No entanto, antes de concluir que o controlo é ineficaz, é necessário averiguar causas. c) Documentar a análise do risco de controlo: deve ser documentada em papéis de trabalho.

5. Relacionar o risco de controlo com o risco de detecção Há uma relação inversa entre o RC e o RD na determinação do RA (risco de auditoria desejado). O auditor tem de desenvolver sempre testes substantivos para saltos materiais de contas. O nível aceitável de RD para o auditor afectará a natureza, momento e extensão dos testes substantivos. RA = RI X RC X RD Risco de Auditoria desejado = Risco Inerente X Risco de controlo X Risco de detecção.

30


6. Conceber testes substantivos apropriados para o risco de detecção a) Natureza: a natureza do teste substantivo refere-se ao tipo e eficácia do procedimento de auditoria a desenvolver. À medida que o risco de detecção diminui, o auditor passa de um procedimento menos eficaz para um mais eficaz. Quando o RD é alto, o auditor usa documentação preparada internamente e desenvolve procedimentos de auditoria limitados. Quando o risco é muito baixo, o auditor obtém confirmação externa e procede a todos os cálculos. b) Momento: o nível aceitável de RD pode afectar o momento em que os testes substantivos se realizam. Se o RD é alto, os testes podem ser desenvolvidos vários meses antes do fim do ano. Quando o RD é baixo, os testes podem ser desenvolvidos na data a que se reporta o balanço. c) Extensão: o RD tem efeito directo na quantidade de evidência a ser obtida através de testes substantivos. Quanto menor for o RD, maior vai ter de ser a quantidade obtida de evidência.

Exercício sobre o SCI: Paga aos trabalhadores por transferência bancária. As ajudas de custos são processadas juntamente com as remunerações, dispensando-se assim a existência de qualquer documento de suporte.

Positivo: representa prova de pagamento.

Negativo: em termos fiscais porque, como os trabalhadores não têm de apresentar nenhum documento que comprove os gastos feitos no exterior (ao contrário do pagamento de despesas – ex: hotel, gasolina), a empresa não paga IRC nem SS. As remunerações variáveis (subsídios, Negativo: erro de especialização do exercício; têm de comissões e horas extraordinárias) são sempre ser contabilizadas no mês em que ocorrem, processadas e contabilizadas no mês seguinte independentemente do pagamento. àquele a que respeitam. Em termos do ficheiro do Pessoal existem Negativo: pode haver pessoas que já não trabalhem informações obtidas do sistema informático, na empresa e, então, é preciso actualizar os dados, havendo dados que nunca foram objecto de senão alguém ficaria com o dinheiro desse actualização. empregado fictício, supostamente pagando-lhe mensalmente. No que respeita às aquisições de bens, a Negativo: o facto de ser a Secção de Compras a empresa Alfa dispõe de uma Secção de escolher os fornecedores, esta pode ter combinado Compras que faz convergir as encomendas com um fornecedor que lhe comprava a ele obtendo para os fornecedores habituais. em troca uma comissão. O que aconteceria é que provavelmente haveria no mercado fornecedores mais baratos e a Secção de Compras não estaria a agir de acordo com os objectivos da empresa → Solução: consulta regular dos fornecedores. 31


De acordo com o responsável pelas compras, tal procedimento já estava instituído quando entrou para a empresa e acha que os fornecedores se devem manter. A nota de encomenda é emitida pela Secção de Compras em quatro exemplares, sendo o original e o duplicado para o fornecedor, o triplicado, sem evidência de quantidades, para a recepção e o quadruplicado para a própria Secção. As facturas de fornecedores, logo que recebidas, são directamente enviadas ao responsável do Armazém para conferência. Este trabalho tem verificado alguns atrasos, motivando manifestações de desagrado por parte do Directo Financeiro, que é confrontado com insistentes reclamações dos fornecedores. Após conferência das facturas, o processo de compra é enviado à Secção de Contabilidade para contabilização. Deduz o IVA num mês posterior àquele em que o deveria ter sido feito. No que se refere à contabilização das dívidas expressas em moeda estrangeira, só são reconhecidas diferenças de câmbio quando se paga. Foi igualmente salientado por aquele responsável que a contabilização das operações é geralmente feita com grande cuidado sendo a morosidade daí decorrente largamente compensada pela dispensa de conferência das contas correntes. Na contabilização dos inventários, a empresa Alfa adopta o sistema de inventário periódico. A inventariação anual é efectuada exclusivamente pelo pessoal do Armazém. 

 

Negativo: temos de avaliar o porquê das decisões já tomadas e procurar alternativas.

Positivo: a própria pessoa indica as quantidades; obriga a haver uma contagem; existe, portanto, uma verificação por quem encomenda e por quem recebe.

Negativo: deviam ser enviadas para a Contabilidade; o Armazém só tem de se preocupar com as quantidades. Negativo: ao demorar muito tempo a pagar aos fornecedores, acabam por se perder os descontos de pronto pagamento.

Negativo: conferência já devia ter sido feita pela Contabilidade. Negativo: só consigo deduzir o IVA muito tempo depois do que o que deveria ter sido feito. Negativo: é obrigatório fazer todos os anos a 31/Dez a actualização da taxa.

Negativo: é necessário fazer a conferência.

Negativo: tem de se aplicar o sistema de inventário permanente. Negativo: deve ser feita conjuntamente com o departamento da contabilidade.

Sistema de Inventário Periódico ou Intermitente: não se sabe as mercadorias que estão no armazém (porque não se registam as saídas) e não se sabe o resultado da empresa (desconhece-se os custos). Sistema de Inventário Permanente: permite-nos, a todo o momento, saber o valor dos stocks finais e o resultado do ano. Fornecedor paga IVA no mês seguinte ao da factura; mas só recebe o pagamento da venda passados 90 dias. 32


7. AMOSTRAGEM

Generalidades: 1. Selecção de elementos de teste 2. Importância da amostragem 3. Risco de amostragem / risco de não-amostragem 4. Tipos de amostras 5. Planos de amostragem / Testes de auditoria 6. Métodos de selecção de amostras 7. Tamanho da amostra 8. Papéis de trabalho

1. Selecção de elementos de teste – exame por testes:  Selecção de todos os elementos (100%) – quando forem poucos; ou  Selecção de elementos específicos (ex: elementos de alto valor ou principais; todos; os valores acima de uma certa quantia; elementos para obter informação; elementos para testar procedimentos); ou  Amostragem de auditoria o Amostras Estatísticas (extrapolável/generalizável – extrapolar o erro da amostra para a população; representativa da população; risco de amostra medido e controlado); o Amostras Não Estatísticas (amostra de julgamento; risco da amostra não é medido nem controlado; não extrapolável).

2. Importância da amostragem: processo inerente à auditoria; análise integral/completa pode ser impraticável/economicamente inviável; formular conclusões sobre um todo (população) a partir da análise de uma parte (amostra).

3. Risco de Amostragem e Não Amostragem  Risco de amostragem: o Risco de concluir que não existe erro quando existe. Pode conduzir a emissão de opinião inapropriada; o Risco de concluir que existe erro material quando não existe. Afecta a eficiência do trabalho: trabalho adicional para estabelecer que as conclusões iniciais estavam incorrectas; o Redução do risco por aumento de dimensão da amostra. 33


Risco de não amostragem: o Risco de conclusão errada por razões não relacionadas com a dimensão da amostra; o Risco de escolher a amostra e de alguém não estar incluído nessa amostra; risco de ter escolhido a amostra errada. o Redução do risco por conveniente planeamento, supervisão e revisão do trabalho.

4. Tipos de Amostras  Com reposição: um item pode ser seleccionado mais do que uma vez;  Sem reposição (mais frequente em auditoria): um item só pode ser seleccionado uma vez.

5. Testes de Auditoria  Testes de conformidade/ amostragem para atributos: pretende-se testar atributos (Sim/Não); não envolve testes de valores;  Testes substantivos/amostragem para variáveis PPS (Probability Proportional to Size): testar valores (variáveis de documento para documento). 6. Métodos se Selecção de Amostras  Amostragem aleatória simples: utilização simples e produz normalmente amostras bastante representativas; exige itens da população numerados sequencialmente – correspondência entre cada número aleatório seleccionado e cada elemento da população a incluir na amostra; tabela de números aleatórios ou programa informático para selecção da amostra.  Amostragem sistemática (ou por intervalos): selecção de elementos por intervalos (ex: 4º, 14º, 24º item de uma população); utilização mais fácil – não necessita de numeração sequencial; exige população distribuída aleatoriamente (ex: tenho 1.000 facturas e que testar 50 → 1000/50=20 → vou ter de testar, em média, de 20 em 20).  Amostragem por estratos: homogeneidade/dimensão da amostra; estratificação/subpopulações homogéneas; procedimentos específicos para cada estrato; amostras por estratos (aleatória simples ou intervalos); conduz a resultados mais eficientes (estratos mais homogéneos originam tamanhos de amostras menores) – ex: clientes com mais de 1M€ são importantes, testamos todos; clientes com menos de 1M€ – testamos apenas uma amostra.

34


Amostragem por blocos: população dispersa; selecção aleatória de amostra de blocos cujo itens são integralmente analisados ou objecto de amostragem adicional – amostragem multi-fase (ex: amostra de armazéns e, em cada um, uma amostra dos registos de stocks ou a totalidade).

7. Tamanho da amostra – depende de 4 factores:  Tamanho da população: tem de ser representativa (suficientemente grande) mas também eficiente (suficientemente pequena); o tamanho da amostra não aumenta proporcionalmente ao tamanho da população;  Variabilidade da população: depende se tenho 1.000 peixes idênticos num tanque, ou se tenho 1.000 peixes de várias espécies;  Nível de confiança: grau de certeza;  Precisão: nível de erro que eu esteja à espera que ocorra; intervalo de confiança. O nível de confiança e a precisão variam inversamente; quanto maior o nível de confiança e a precisão maior a amostra.

8. Papéis de trabalho – documentação dos procedimentos relativos ao processo de amostragem que deve incluir, entre outros:  O planeamento do processo de amostragem;  As razões da escolha de um determinado método de selecção de amostras;  Cópia da tabela de números aleatórios utilizada, com indicação do ponto aleatório de partida e da direcção predeterminada;  Os itens seleccionados para teste;  Os procedimentos aplicados aos itens seleccionados;  Os erros identificados;  A avaliação dos resultados;  As conclusões a que se chegou.

Perguntas possíveis para o teste: 1. Porque é que a auditoria é importante para o gestor? 2. Diga qual a relação entre risco e materialidade.

35


8. DISPONIBILIDADES

 Disponibilidades: Caixa (meios de pagamento); Depósitos Bancários (depósitos à ordem e a prazo); Títulos Negociáveis (títulos de aplicação de tesouraria de curto prazo).  Procedimentos substantivos de auditoria: são função da qualidade do sistema de controlo interno e dos erros e irregularidades que possam ser detectados. Um sistema de controlo interno apropriado tem por objectivo, entre outros, que: o Todos os recebimentos em dinheiro se depositem intactos; o Se façam unicamente os desembolsos autorizados; o Apenas os desembolsos de reduzido valor sejam feitos em dinheiro em sistema de fundo fixo de caixa; o Todos os desembolsos se façam por cheque; o Seja efectuada uma adequada contabilização dos recebimentos e pagamentos. O controlo interno deve incluir uma adequada separação de funções nas seguintes áreas: Recepção de dinheiro; Contabilização dos recibos; Depósitos no banco; Conciliação das contas; Autorização de desembolsos; Entregas de dinheiro. o Excepção: tesoureiro (recebe e paga – apenas um elemento a fazer as duas tarefas → esse colaborador deve ser, então, controlo e obrigado a emitir documentos). Se um bom sistema de controlo interno estiver implementado, a extensão dos procedimentos substantivos é menor.  Aspectos de Controlo Interno mais Relevantes das Disponibilidades: o Pagamentos:  Pagamentos por fundo de caixa;  Pagamentos por cheques;  Pagamentos por Transferência Bancária;  Ordens permanentes de pagamento. o Recebimentos:  Valores recebidos pelo correio;  Valores recebidos por cobradores;  Valores recebidos na tesouraria;  Valores recebidos por Vendas a Dinheiro. o Elaboração de Reconciliações Bancárias. 36


Pagamentos 

Por Caixa: Apenas devem ser efectuados pequenos pagamentos em dinheiro, referentes a despesas correntes de valor insignificante (ex: selos, transportes, táxis, pequenas refeições, etc.). Aquando de cada pagamento, o responsável deve verificar a autenticidade do documento, aprovação/autorização e proceder ao seu registo na folha de caixa, depois de apor um carimbo de “PAGO”. No momento da reposição do fundo deve ser emitido cheque nominativo, à ordem do responsável, pelo valor dos pagamentos efectuados. o Vantagens: limita o valor de numerário existente; e facilita o controlo (dinheiro restante + documentos = valor do fundo). O Caixa é simples de testar através da contagem.

Por Bancos – Cheques: Emissão de cheques a cargo do responsável, o qual deve sempre ficar com uma cópia do cheque. Todos os cheques devem ser nominativos (identificam a pessoa beneficiada; a quem se dirige) e cruzados, com excepção da reposição de caixa. Os cheques devem ser assinados sempre por duas pessoas com funções independentes. Os cheques devem ser apenas assinados na presença dos elementos de suporte, previamente conferidos, devendo a primeira pessoa que assina verificar a concordância do valor, e a segunda colocar o carimbo de PAGO nos documentos. Os cheques não assinados devem estar à guarda de um responsável em lugar seguro. A anulação de cheques deve levar o cheque a ser arquivado. Nunca devem ser assinados cheques em branco.

Por Bancos – Transferências: Alternativa aos cheques. Deve haver cuidados com autorizações similares aos dos cheques. Existe o problema do timing de entrada para bancos diferentes. As ordens permanentes devem ser tratadas com cuidado. o Vantagens: directamente do PC; pode ser colectiva (ex: débitos em conta; salários); só um lançamento contabilístico e consequentemente mais fácil reconciliação; e o factor preço. 37


Recebimentos (se a maioria dos pagamentos é por via bancária, os recebimentos devem também ser diariamente depositados nos bancos. O princípio básico de controlo refere-se ao facto de não se dever fazer pagamentos com as quantias recebidas): 

Valores recebidos pelo correio: A correspondência deve ser aberta por um funcionário não relacionado com contabilidade ou tesouraria. Este deve emitir uma lista de valores recebidos em 3 exemplares: original para a tesouraria, duplicado para a recepcionista (rubricado após verificação de valores) e triplicado para o director financeiro ou auditor interno. Nos cheques deve ser colocado o carimbo “Válido só para depósito” e é preenchido o talão de depósito. A emissão do recibo também deve ser feita em 3 exemplares: cliente, duplicado para a contabilidade e triplicado para arquivo sequencial. O registo contabilístico é efectuado com base no talão de depósito.

Valores recebidos de cobradores: Diariamente deve ser elaborada uma ficha de cobrança com os detalhes dos recebimentos e devem ser entregues aos cobradores os recibos respectivos para os fazerem chegar aos clientes. No fim de cada dia o cobrador deve prestar contas das suas cobranças, entregando na tesouraria os valores recebidos, os quais após conferência devem ser depositados no banco. Os recibos não cobrados devem ser transitados para o dia seguinte. Quando o cobrador recebe os valores, deve seguir os mesmos procedimentos dos valores recebidos pelo correio.

Valores recebidos na Tesouraria: O duplicado do recibo deverá suportar os valores recebidos os quais, após conferência, deverão ser depositados no banco. No caso de serem cheques, deverão ser seguidos os procedimentos já citados.

Valores recebidos por Vendas a Dinheiro: Na situação em que o cliente compra ao balcão “a pronto” é emitido um recibo em duplicado, normalmente denominado “Venda a Dinheiro – VD”. O original é entregue ao cliente e o duplicado justifica os valores recebidos. Em certas situações, recorre-se a registadoras que emitem os talões (recibos) que são entregues ao cliente. No final do dia, o totalizador indica o somatório dos valores recebidos, permitindo a conferência. 38


Deve ser definida a política de meios de pagamento aceites, nomeadamente cheques e cartões. No caso de ser aceite cheque ou cartão, deve ser verificada a identidade e assinatura.

Reconciliações Bancárias: Mensalmente, um empregado que não pertença á secção de Tesouraria ou de Contabilidade (com acesso a contas correntes) deve proceder a reconciliações bancárias, para o que devem ser remetidas directamente os extractos bancários. Como nas Contas Correntes da contabilidade há atraso, a reconciliação deve ser feita previamente com a posição diária dos Bancos. As reconciliações bancárias devem seguir uma forma padronizada. Os itens de reconciliação presentes em dois meses seguidos devem ser investigados. Se existirem débitos ou créditos não contabilizados, devem ser detectadas as razões. Se não existirem os documentos, ou tiverem sido extraviados, devem ser pedidas segundas vias ao Banco. No caso de cheques pendentes, deve ser contactado o seu beneficiário. Se não resultar, deve ser efectuado o seu estorno (anular) e instruir o banco no sentido de não proceder ao pagamento. Caso haja reclamação, será emitido um novo cheque ao cliente.

Objectivos de Auditoria – Após terminar o trabalho de Auditoria às Disponibilidades, o auditor deve poder concluir se: 1. Os procedimentos contabilísticos e as medidas de controlo interno relacionadas com as disponibilidades são adequados e se estão de facto a ser aplicados; 2. O saldo da conta Caixa apresentado no Balanço representa apenas um numerário ou meios líquidos de pagamento equivalentes, de propriedade da empresa; 3. Os saldos das contas de depósitos bancários apresentados no Balanço representa efectivamente meios de pagamento existentes nas instituições financeiras, em nome da empresa, e se os mesmos estão adequadamente classificados no Balanço; 4. Os saldos das contas de títulos negociáveis e outras aplicações de tesouraria pertencem à empresa, estão devidamente valorizados e classificados no Balanço e se os resultados estão adequadamente mensurados, registados e classificados na demonstração de resultados; 5. Todas as informações pertinentes estão adequadamente divulgadas no anexo. 39


Objectivo de auditoria

Objectivo de Auditoria específico

Procedimentos de auditoria normalmente utilizados para atingir o objectivo

Existência

Temos que ter evidência que as disponibilidades existem à data do balanço.

 Confirmação (externa);  Contagem física de caixa (inspecção);  Teste às reconciliações bancárias (inspecção).

Integridade

Queremos saber se todas as disponibilidades da empresa estão registadas à data do balanço (ex: se houver uma conta no estrangeiro que não aparece na empresa, esta não cumpre a integridade).

 Teste às reconciliações bancárias (inspecção);  Outros.

Direitos e Obrigações

As disponibilidades são propriedade da empresa sem quaisquer restrições (isto é, se não estão hipotecadas; se não têm ónus; etc.).

 Confirmação;  Outros.

Valorização

As disponibilidades estão registadas pelo valor correcto.

 Confirmação;  Teste às reconciliações bancárias (inspecção);  Outros (se existirem dólares em caixa – taxa de câmbio).

Mensuração

As disponibilidades estão registadas com exactidão e no período respectivo.

Apresentação e Divulgação

As disponibilidades estão apropriadamente descritas, classificadas e divulgadas

 Teste às reconciliações bancárias (inspecção);  Teste ao corte de operações.  Indagação;  Exame documental (inspecção);  Outros.

Procedimentos de Auditoria – Caixa – Testes de Pormenor a Executar: 1. Controlo simultâneo de todos os fundos (se não for possível, todos os cofres devem ser selados ao mesmo tempo para impedir transferências de um fundo para outro durante a execução da auditoria); 2. Inspecção/Contagem de Caixa: deve ser feita após o encerramento do dia de trabalho e de surpresa; examinar os justificativos de despesas (data, quantidades e aprovações); examinar a lista dos cheques existentes e comparar com os existentes no período anterior; os cheques não depositados devem ser registados em lista com menção do local, beneficiário, sacado, data de emissão e montante; 3. Obter a assinatura do responsável pelo caixa, acusando o recebimento da devolução dos elementos do fundo; 4. Verificar a aprovação para todos os justificativos de despesas, valores a cobrar e cheques de empregados que estejam em caixa; 40


5. Reconciliar o valor obtido na contagem com o saldo da conta caixa no razão geral; 6. Comprar os cheques em caixa com os talões de depósitos subsequentes; 7. Verificar somatórios dos justificativos de renovação do fundo; 8. Obter confirmação directa dos vendedores e de outro pessoal da quantidade em dinheiro registada em caixa como estando em sua posse; 9. Se os procedimentos foram aplicados depois da data do fecho do exercício, reconciliar os valores obtidos com os do balanço de fim de exercício; 10. O Auditor deve ter prova de auditoria dos procedimentos acima num mapa exaustivo onde descreverá de forma exaustiva tudo o que estiver incluído em Caixa.

Procedimentos de Auditoria – Depósitos Bancários – Testes de Pormenor a Executar: 1. Obter confirmação de toda a informação bancária relevante (saldos, contratos, compromissos, etc.) directamente de todos os bancos com os quais a empresa teve transacções desde a última auditoria; 2. Obter todos os extractos bancários, talões de depósito e reconciliações bancárias efectuadas, nomeadamente a fim de exercício; 3. Verificar os saldos dos extractos com as respostas dos bancos; 4. Preparar ou testar/rever as reconciliações bancárias para todos os bancos; 5. O Auditor deve ter prova de auditoria dos procedimentos acima num mapa exaustivo onde descreverá de forma exaustiva tudo o que estiver incluído em Depósitos Bancários.

41


EXERCÍCIO: 1. Apresente de forma organizada o resultado da contagem efectuada em 02/01/X1, tecendo os comentários que considerar apropriados sobre o sistema de controlo interno.

RESOLUÇÃO:

Balanço: Saldo da folha de caixa – Pagamentos + Recebimentos

4.635 (180) 1.155 5.610

Contagem Física: Numerário Cheques São meios Vale do Director Financeiro ilíquidos; vou Selos ter de os Senhas retirar do caixa

1.980 3.140 150 22 200 5.492

Diferença: 118 (Esta diferença não consegue ser justificada nem pela própria contabilidade).

42


2. Proponha os ajustamentos e/ou reclassificação entendidos por convenientes para a adequada apresentação das DF’s em 31/12/X0.

RESOLUÇÃO:

1. Vale do Director Financeiro Caixa

Dívida de pessoal (ou empréstimo aos

150

150

colaboradores)

2. Selos Caixa 22

Gastos operacionais (FSE) 22

3. Senhas Caixa 200

4. Diferença não justificada Caixa 118

Gastos com pessoal 200

Dívidas de pessoal 118

43


3. Apresente a reconciliação do banco Lusitano em 31/12/X0 de acordo com as técnicas de auditoria.

Objectivo: através das diferenças apresentadas, chegar ao saldo de DO que está no banco.

Para o banco (é ao contrário); é uma dívida que o banco tem com a empresa.

(fornecedores)

O procedimento está correcto porque sempre que a empresa emite um cheque tem de debitar em DO; o banco também agiu correctamente porque não houver nenhuma saída do banco; por algum motivo, o cliente ainda não levantou o seu cheque. Caiu-me uma transferência na conta e não me apercebi; então não a registei. Caíram 1.350€ na conta e não registei. Quando o banco vende acções cobra comissões → não registei esse valor. Empresa pede empréstimo (conta caucionada) e considerou-o no ano anterior. Só caem na conta no ano seguinte. Não me apercebi mas o fornecedor fez o débito da letra; o banco subtraiu porque já pagou a letra ao fornecedor.

44


RESOLUÇÃO: Correcções à Empresa √ √ * ** *** √ √ √

Saldo DO (banco) Cheques Transferência Crédito do Banco Despesas – comissão Conta caucionada Juros Letras Saldo DO (contabilidade)

13.000 (7.000) (8.000) (1.350) 30 10.000 (450) 1.200 7.430

Comparativamente, tenho menos este valor do que o banco tem. Se não registei, no meu saldo devo ter menos 8.000 do que o banco. Por comparação com o banco, tenho mais 10.000 do que ele contabilizou.

*Transferência: DO

Clientes

8.000 (entrou nos meus DO)

8.000 (dívida a clientes já não existe)

**Venda de participação: DO 1.350

Instrumentos financeiros 1.100

Ganho/Perda 250

= 1.000 Acções X 1,10 (cotação)

***Despesas – comissão: DO 30

Gastos financeiros 30

45


9. TERCEIROS – AUDITORIA ÀS CONTAS A RECEBER E A PAGAR

 Contas a receber: o Operações em moeda estrangeira: câmbio à data da operação; diferenças de câmbio (ganho ou gasto do exercício); o Clientes: perdas por imparidade; créditos incobráveis. 

Risco de crédito: o risco de crédito refere-se ao risco da contraparte incumprir com as suas obrigações contratuais, tal resultante numa perda para a empresa. Este risco é gerido através de uma análise continuada do rating de crédito de cada um dos clientes, antecipadamente à sua aceitação, e subsidiariamente, através da adequação dos prazos concedidos para pagamento. A avaliação do risco de crédito é efectuada numa base regular, tendo em consideração as condições correntes de conjuntura económica e a situação específica do crédito de cada um dos clientes, sendo adoptados procedimentos correctivos sempre que tal se julgue conveniente. Adicionalmente, e para fazer face a eventuais perdas não mitigadas/apaziguadas pela análise efectuada previamente à aceitação de clientes, a empresa tem contratados seguros de crédito que lhe possibilitam ser ressarcido/compensado de eventuais incobrabilidades em contas a receber de clientes resultantes da actividade comercial. Os ajustamentos para contas a receber são calculados tendo em consideração: o O perfil de risco do cliente; o O prazo médio de recebimento; e o As condições financeiras do cliente.

Os montantes apresentados no balanço encontram-se líquidos das perdas acumuladas de imparidade para cobranças duvidosas que foram estimadas pela empresa, de acordo com a sua experiência e com base na sua avaliação da conjuntura e envolventes económicas.

Procedimentos substantivos de auditoria para contas a receber: o Um sistema de controlo interno apropriado tem por objectivo, entre outros:  Aprovação do abate dos créditos incobráveis;  Classificação por idade dos vencimentos dos valores a receber o Deve incluir uma adequada separação de funções, entre outros, nas seguintes áreas:  A venda deve estar separada da sua contabilização e da custódia dos bens; 46


 

A contabilização da venda deve estar separada da recepção do dinheiro; A devolução, descontos e abates de incobráveis devem aprovarse devidamente e separar-se da função de recepção de dinheiro.

Exemplos de Programas de trabalho: o Conciliar os saldos de clientes com vendas e recebimentos (Vendas – Recebimentos = Sfclientes – Sfclientes); o Obter a lista das dívidas a receber por idades – Ver mapa de antiguidade de saldos; o Confirmação das dívidas a receber (a extensão dos pedidos de confirmação é, entre outros, função do controlo interno, do número de cliente e da existência de indícios de erros significativos ou fraudes) – Ver carta de circularização; o Avaliar se as contas são de compradores reais de boa fé e não contas fictícias; o Determinar o corte de operações apropriado na contabilização das vendas:  Avaliar a possibilidade dos livros de registo de vendas terem sido encerrados após a data do balanço, ou de ter sido posta data atrasada nas facturas;  Avaliar a possibilidade de se contabilizarem vendas fazendo os registos de débitos aos compradores, mas os stocks não se reduzirem no fecho do exercício; o Verificar os descontos; o Testas as devoluções, bonificações e notas de crédito correspondentes; o Analisar as mercadorias à consignação; o Segregar os saldos de empresas filiais; o Examinar o tratamento dado às dívidas a receber do estrangeiro; o Analisar a actualização dos saldos em moeda estrangeira e tratamento das diferenças de câmbio; o Segregar as dívidas a receber não comerciais de funcionários, directores e accionistas; o Analisar e segregar outros valores a receber não comerciais (ex: depósitos de garantia e reclamações); o Avaliar a cobrabilidade das contas considerando, nomeadamente:  Análise dos saldos devedores em função do prazo de crédito concedido;  Troca de impressões com o pessoal do departamento de crédito;  Análise do peso relativo dos clientes (muitos clientes pequenos tendencialmente indica melhor cobrabilidade); 47


Análise dos incobráveis de períodos anteriores comparativamente com o período em exame;  Exame da correspondência para avaliar eventuais reclamações, tentativas frustradas de cobrança, etc;  Análise da resposta do advogado à circularização no que diz respeito a processos associados a dívidas a receber;  Se existem contas em agências de cobranças ou em contencioso;  Se o cliente está a ser administrado judicialmente;  Se se vende a pronto a um cliente mas um saldo anterior pendente está em débito;  Se os débitos normalmente excedem os créditos;  Se um cliente deixou de compra e está a liquidar o seu saldo em prestações acordadas; o Avaliar se é suficiente a perda por imparidade; o Avaliar a razoabilidade dos saldos devedores considerados incobráveis e anulados, incluindo a autorização e os motivos que suportam a decisão:  Se o cliente desapareceu;  Se o saldo é muito antigo e não há respostas às solicitações para pagamento;  Se uma agência de cobranças indica a impossibilidade de cobrar;  Se os clientes liquidaram o negócio ou faliram. 

Após terminar o trabalho de Auditoria às contas a receber, o auditor deve poder concluir se: 1) Os procedimentos contabilísticos e as medidas de controlo interno estão de facto a ser aplicados; 2) O saldo das contas a receber apresentado no Balanço representa efectivos créditos da empresa; 3) Existe risco de incobrabilidade dos créditos, o qual se deverá reflectir nas perdas por imparidade; 4) Todas a informações pertinentes estão adequadamente divulgadas no anexo.

48


 Contas a pagar: o Operações em moeda estrangeira: câmbio à data da operação; diferenças de câmbio (ganho ou gasto do exercício); o Passivos: método do custo ou custo amortizada/justo valor.

Procedimentos substantivos de auditoria para contas a pagar: o Um sistema de controlo interno apropriado tem por objectivo, entre outros, que:  Todas as aquisições de bens e serviços são devidamente autorizadas e correctamente registadas;  Só são pagas facturas devidamente aprovadas;  Os movimentos que geram outras responsabilidades são controlados devidamente;  O trabalho de suporte para avaliar o número de anos de diferimento ou a vida útil para efeitos de imputação a resultados é devidamente efectuado;  Aprovação do abate dos créditos incobráveis.

Exemplos de Programas de trabalho: o Pedido de confirmação de saldos; o Análise das diferenças que possam resultar deste pedido; o Análise dos saldos circularizados para os quais não se obteve resposta, através de procedimentos alternativos:  Análise da documentação de suporte do saldo da conta;  Verificação da existência de um activo correspondente ao passivo reconhecido na sequência da transacção; o Análise do corte de operações no final do período; o Verificação da actualização de saldos em moeda estrangeira e tratamento das diferenças de câmbio; o Verificação dos processamentos e pagamentos ao Estado; o Contagem, após a data do fecho de contas, de movimentos tais como devoluções, notas de débito, etc. que podem ter impacto sobre as contas em exame; o Análise da resposta do advogado no que diz respeito a processos associados a credores; o Verificação de todos os movimentos relativos a entradas e levantamentos dos sócios; o Análise do cumprimento dos prazos; o Verificação da certidão de inexistência de dívidas; o Indagação aos advogados da empresa. 49


 Diferimentos activos: prémios de seguros; rendas e alugueres pagos antecipadamente; juros e comissões pagas antecipadamente; e custos plurienais. 

Exemplos de Programas de trabalho: o Prémios de seguros:  Obter relação e exame das apólices;  Cálculo e verificação dos prémios pagos antecipadamente;  Exame de eventuais devoluções e reclamações;  Determinar se os seguros são suficientes; o Rendas e alugueres pagos antecipadamente:  Analisar os contratos de arrendamento;  Obter relação das rendas pagas antecipadamente; o Juros pagos antecipadamente:  Obter relação das letras descontadas;  Verificar cálculo dos juros; o Comissões pagas antecipadamente:  Investigar os contratos existentes;  Confirmar os adiantamentos;  Abater eventuais adiantamentos incobráveis; o Custos plurienais:  Verificar os custos;  Avaliar a razoabilidade do procedimento de diferir custos.

50


10. ACTIVO FIXO TANGÍVEL

Activo Fixo Tangível/Imobilizações Corpóreas: activos fixos tangíveis, móveis ou imóveis, que a entidade utiliza na sua actividade operacional, que não se destinem a ser vendidos ou transformados, com carácter de permanência superior a um ano. Inclui benfeitorias/melhorias e reparações que sejam de acrescer ao custo daqueles activos. É valorizado ao custo (de aquisição ou produção) ou ao preço de mercado (se este for inferior ao custo).

Benfeitorias podem incrementar a vida útil e, como tal, levar a alterações no plano de amortização.

Compra de AF: seleccionar fornecedor; emitir ordem de compra ou celebrar contrato; recepcionar o bem; e conferir a factura.

Do ponto de vista contabilístico e de controlo interno, deve existir um manual do imobilizado corpóreo, que deve referir: o Política de capitalização (na aquisição de um bem não destinado a ser transformado ou vendido deve ser decidido se o mesmo é capitalizado, tornando-se AF, ou assumido imediatamente como gasto. Para ser capitalizado deve ter vida útil mínima de um ano e ser material); o Procedimentos para AF construído pela própria empresa; o Classificação contabilística das facturas dos fornecedores; o Arquivo específico das cópias de facturas de fornecedores de imobilizado para rápida localização; o Política de depreciação/amortização; o Procedimentos relativamente a bens totalmente amortizados, mas em funcionamento; o Procedimentos de abate; o Codificação dos bens; o Existência de ficheiro de imobilizado (deve ter para cada bem: nº código, descrição, data aquisição, vida útil estimada, custo, IVA suportado, amortização acumulada, reavaliação, etc.); o Instruções para contagem física e comparação com o ficheiro; o Comparação do ficheiro por conta com os registos contabilísticos; o Procedimentos de leasing; o Cobertura de seguros (todos os bens de AF devem estar seguros contra riscos mais usuais).

51


Os procedimentos substantivos de auditoria são função da qualidade do sistema de controlo interno e dos erros e irregularidades que possam ser detectados. Um sistema de controlo interno apropriado tem por objectivo: o O activo seja adquirido unicamente com autorização apropriada; o O activo seja controlado por ficheiro detalhado apropriado; o Os abates ou vendas sejam devidamente autorizados; o Os elementos de pequena dimensão e facilmente transportáveis estejam sob o controlo de reduzido número de pessoas e afectos alugares específicos.

Testes de Pormenor a Executar: o Terrenos:  Obter relação dos terrenos;  Examinar os títulos de propriedade;  Determinar a base de avaliação do terreno;  Justificar benfeitorias;  Proceder à verificação física;  Pedir certidão à conservatória do registo predial de forma a confirmar a titularidade do terreno; o Edifícios, equipamentos e outras imobilizações:  Obter a relação dos bens;  Testar as adições;  Verificar as taxas, cálculos e dotação para amortizações;  Conciliar o mapa de amortizações com os valores do balanço e da DR;  Investigar se a cobertura de seguros é adequada;  Examinar o tratamento dos abates; o Imobilizado em curso:  Analisar as obras em curso de forma a verificar que não se encontram completas e em funcionamento à data do balanço;  Verificar o suporte e cálculos dos trabalhos para a própria empresa contabilizados;  Analisar os juros capitalizados e as diferenças de câmbio de forma a avaliar a sua razoabilidade; o Imobilizado corpóreo:  Obter a relação destas imobilizações;  Avaliar a razoabilidade da capitalização destes custos;  Testar as adições;  Verificar taxas, cálculos e dotação para amortização;  Conciliar o mapa de amortizações com valores do balanço e DR;  Examinar o tratamento dos abates. 52


3 Fases relevantes do Activo: o Aquisição; o Detenção/Registo; e o Venda.

1. Distinguir se o bem é um AFT ou um Gasto 

Ver se o bem gera benefícios nos anos seguintes. No entanto, também tem que pesar a materialidade. Por regra, o mobiliário é um AFT (gera benefícios nos anos seguintes porque é imaterial). Só se regista um bem se o ganho for maior do que o seu custo.

Locação financeira (= Leasing) ≠ Locação Operacional (= Renting).

o Locação financeira: quando compro o bem, entra imediatamente no meu activo (característica fundamental). AFT 50.000

Financiamentos 50.000

É o consumidor que escolhe tudo; apenas se pede ao Banco este tipo de financiamento. Propriedade jurídica do carro está em nome do Banco. No caso de eu não pagar as rendas, o carro fica para o Banco. Chegado o fim do pagamento das rendas, o carro volta para mim e fica em meu nome (nome do proprietário). No leasing, o Banco tem sempre o carro para sua segurança; como garantia.

o Locação Operacional: tenho uma renda, mas no final não fico com o carro para mim. É um mero aluguer, não é um financiamento. Não registo a viatura. Á medida que vou pagando as rendas, registo-as na contabilidade. AFT 500

Financiamentos 500 53


Não registo a viatura em nome da empresa.

 

Deve registar-se um bem na contabilidade pelo Valor de Aquisição acrescido dos impostos não recuperáveis. O Custo da montagem também deve ser incorporado no valor do activo.

2. Fase do registo do Activo 

Depreciar os activos: o Método das Quotas constantes / Método da linha recta (o método mais utilizado); o Método das Quotas degressivas / Quotas decrescentes; o Método das unidades de produção (amortização em função do nº de horas do avião que foi utilizado) – apenas utilizado, apesar de raramente, por empresas de aviação; o Duodécimos.

Os terrenos não são depreciáveis, não perdem valor. Devemos, então, mantêlos ao seu valor de aquisição. Modelo do Custo Mantenho o Activo pelo VA e vai-se depreciando.

Vs.

Modelo da Revalorização O Activo está pelo Valor de Mercado e vamos depreciando.

Calculam-se depreciações em ambos os casos.

3. Venda do Activo 

Tenho de comparar o Valor do Activo com o Valor da Venda.

54


EXERCÍCIO: No decurso da auditoria às contas, ainda não encerradas, referentes a 31/12/2012 da Empresa Gudiar, foram detectadas as seguintes situações. Pretende-se que efectue os ajustamentos e reclassificações que, na sua opinião, devem ser propostos à Empresa antes do encerramento das contas. a) O saldo da conta 681 – Impostos inclui a quantia de € 32.500 referente ao Imposto Municipal sobre as Transmissões Onerosas de Imóveis (IMT) pago pela aquisição de um prédio urbano, em 2 de Janeiro de 2010, pelo preço de € 500.000, quantia esta que corresponde ao saldo da conta Edifícios e outras construções. As despesas de escritura e registo ascenderam a € 7.500 e fazem parte do saldo da conta 6262 – Contencioso e notariado. A vida útil do imóvel foi fixada em 50 anos e a depreciação registada no exercício foi de € 10.000. MOVIMENTOS DE REGULARIZAÇÃO: 32 500

500 77 500

 Terreno = 25% → forma de separar o terreno da construção  75% = 1 – 25%  2% = 1 / 50

1 900 = 10.000 – 8.100

55


b) No mês de Julho de 2010, a conta de Equipamento básico (activo fixo tangível) foi movimentada a débito por € 2.100 por via de diversas ferramentas fabricadas pela própria Empresa às quais foi atribuída a vida útil de 2 anos. Os auditores verificaram, contudo, que a mão-de-obra utilizada (€ 2.400) não foi considerada no custo de produção e que a depreciação efectuada no exercício ascendeu a € 1.000.

MOVIMENTOS DE REGULARIZAÇÃO:

2 400

Cálculo dos duodécimos (o próprio mês também é considerado, mesmo que seja adquirido a 20 de Julho).

125

c)

Em Outubro de 2010, a Empresa Gudiar alienou por € 100.000 um terreno adquirido 10 anos antes por € 12.950 e reavaliado em 2009 para € 75.000 e que integra o saldo da conta Activo fixos tangíveis – Terrenos e recursos naturais. Em 31/12/2010 os saldos das contas Excedentes de revalorização e Ganhos em activos fixos tangíveis apresentavam, respectivamente, os saldos de € 62.050 e € 25.000. Sabe-se que nunca foi propósito da Empresa afectar o referido terreno à sua actividade operacional, pretendendo uma mera valorização no longo prazo.

56


MOVIMENTOS DE REGULARIZAÇÃO:

75 000 = 25 000

62 050 = 75.000 – 12.950

d)

A conta do activo Equipamento básico inclui, no exercício, um débito de € 10.800 relativo à factura nº 12746, de 01/07/2010, da Empresa ABC, cuja descrição é a seguinte: 1 Empilhador eléctrico modelo ZX-420

12.000

Retoma de um empilhador usado modelo ZX-180

(1.200) 10.800

Os empilhadores têm uma vida útil de 5 anos, tendo o ZX-180 sido adquirido em 03/01/2006 por € 5.000. As depreciações do exercício de 2010 foram objecto da contabilização.

57


MOVIMENTOS DE REGULARIZAÇÃO:

Entre 03/01/2006 e 01/07/2010 passaram 4 anos e 6 meses (4,5)

10 800 000 10 800

12 000

= (4.500 + 1.200) – 700

58


11. INVENTÁRIOS/EXISTÊNCIAS

Mercadorias: bens adquiridos pela empresa com destino a venda, desde que não sejam alvo de trabalho posterior de natureza industrial.

Produtos Acabados e Intermédios: principais bens provenientes da actividade produtiva da empresa, assim como os que, embora reentrem normalmente no processo produtivo, podem ser objecto de venda.

Subprodutos, desperdícios, resíduos e refugos: bens de natureza secundária provenientes da actividade produtiva.

Produtos e Trabalho em Curso: bens em fabricação ou produção, não estando em condições de serem armazenados ou vendidos.

Matérias Primas, Subsidiárias e de Consumo: bens que se destinam a ser incorporados materialmente nos produtos finais.

Adiantamentos por conta de compras: entregas feitas pela empresa relativas a compras com preço previamente fixado.

Regularização de Existências: contrapartida de quebras, sobras, saídas e entradas por ofertas, etc.

Ajustamentos de existências: regista diferenças para o curso de aquisição ou produção atendendo aos critérios de valorimetria.

Aspectos Contabilísticos: o Valorização à data de referência do Balanço ao custo de aquisição ou ao preço de mercado (custo de reposição ou valor realizável líquido), dos dois o menor. o Métodos de Custeio:  LIFO;  FIFO;  Custo Médio Ponderado;  Custo Específico.

59


Controlo Interno: o Entrada nos Armazéns: guia de recepção/entrada em armazém. Original para controlo de stocks, duplicado para contabilidade, triplicado para secção de compras e quadruplicado para arquivo em armazém. No caso de inventário permanente informatizado, deverá haver logo registo informático da valorização com base na guia de remessa. o Armazenagem, movimentação e saída: depois de conferidas as existências devem ser codificadas e arrumadas em locais referenciados, ordenados e devidamente protegidos. Nas empresas comerciais pode existir apenas um tipo de armazém, mas para as empresas industriais devem existir armazéns de matérias-primas e armazéns de produtos acabados. As saídas de existências de armazém devem ser feitas com base em documentos internos (requisições de produção, ordens de expedição, etc.) e com emissão de guia de remessa (original para controlo de stocks, duplicado para a contabilidade, triplicado para a secção que solicita, e quadruplicado para arquivo de armazém. Nos casos de empresas de pequena dimensão, a guia de remessa pode ser substituída por uma guia de saída. o Controlo físico das existências: é efectuado via inventariação ou contagem, a qual é um dos aspectos que deve merecer mais atenção. A inventariação é obrigatória quando não há sistema de inventário permanente, mas deve também ser executada quando ele existe, com o objectivo de confirmar a realidade física com a escritural. Em inventário intermitente tem de haver contagem obrigatoriamente no final do ano. o Instruções para contagens físicas: sempre que há inventariação anual das existências, devem ser emitidas instruções escritas sobre a sua forma de realização. Aspectos mais importantes das instruções: datas e locais de contagem; existências a serem inventariadas; procedimentos pré-inventário; equipas de contagem (contador, escrivão, encarregados e conferentes); formas de realização do inventário (sequência e marcação de itens inventariados); e anotação das contagens (listas de contagens e talões de contagens). o Corte de operações – Atenção a:  Artigos recebidos e incluídos no inventário sem, no entanto, terem sido contabilizados;  Artigos contabilizados, mas em trânsito (ainda não chegaram);  Transferência entre secções ou fases de produção;

60


Vendas contabilizadas antes do inventário, mas com expedição posterior e, consequentemente, presentes no inventário. Devem assim ser apostos/anexados a todas as guias de entrada e saída, perto da data de inventário, carimbos com a menção/referência se foram processadas antes ou depois do inventário.

o Pós-inventário: comparação das contagens com os dados contabilísticos. Discrepâncias devem ser analisadas e clarificadas, o mais rápido possível, pois movimentos posteriores a inventário podem tornar a análise e clarificação impossível. o Reunião preparatória: deve ser realizada para preparar todos os intervenientes no inventário.

Procedimentos substantivos de auditoria: o Os procedimentos substantivos de auditoria são função da qualidade do sistema de controlo interno e dos erros e irregularidades que possam ser detectados. Um sistema de controlo interno apropriado tem por objectivo que as existências sejam:  Pedidas;  Recebidas;  Controladas;  Segregadas;  Expedidas mediantes requisição; e  Contadas e valorizadas com rigor.

Programas de Trabalho – Testes de Pormenor: 1. Observar o inventário físico de existências e inspeccionar/testar as quantidades por amostragem; 2. Confrontar os valores apurados no inventário físico com os resumos nos livros de inventário; 3. Verificar as multiplicações, somas e resumos totais; 4. Confrontar os resumos de inventário com as contas do razão; 5. Testar a valorização dos inventários e considerar a consistência e o valor líquido de realização; 6. Avaliar o corte de operações para compras. Comparar que todas as encomendas recebidas até à data de contagem foram incluídas no inventário físico e que as correspondentes facturas foram registadas como um passivo; 61


7. Avaliar o corte de operações para as vendas; 8. Testar o tratamento contabilístico das mercadorias em trânsito; 9. Testar o tratamento contabilístico das mercadorias enviadas à consignação e considerar necessidade de inventário físico ou confirmação; 10. Examinar os compromissos de compra; 11. Efectuar teste à margem bruta e explicar variações significativas ou inesperadas; 12. Comparar os preços do inventário com os preços de reposição e de venda; 13. Analisar a rotação do inventário e considerar, entre outros: i. A detecção, durante o inventário físico, de elementos deteriorados; ii. A existência de monos e elementos de baixa rotação; iii. A análise das devoluções dos clientes; iv. A análise da antiguidade dos artigos sem ou com pouca rotação; v. Prováveis mudanças nas solicitações dos clientes devido ao desenvolvimento de novos produtos e processos de fabrico; 14. Avaliar a razoabilidade do ajustamento para depreciação de existências; 15. Examinar o procedimento aplicado aos subprodutos, desperdícios e resíduos; 16. Avaliar se a cobertura de seguros é apropriada.

62


12. OUTRAS ÁREAS

1. Investimentos Financeiros o Procedimentos Substantivos de Auditoria – Um sistema de controlo interno apropriado tem por objectivos que os investimentos financeiros sejam devidamente:  Registados;  Acompanhados do ponto de vista da sua performance;  Conferidos com os extractos bancários;  Controlados por um responsável pela gestão de investimentos. o Testes de Pormenor:  Obter prova da titularidade das partes de capital:  Verificar se as partes de capital estão valorizadas de acordo com os princípios contabilísticos geralmente aceites;  Obter cópias das DF incluindo a certificação legal das contas de todas as empresas participadas;  Verificar se os resultados relacionados com as partes de capital foram correctamente contabilizados;  Proceder à confirmação directa dos empréstimos a empresas participadas no final do ano.

2. Impostos sobre o Rendimento Objectivo de auditoria

Existência

Integridade

Direitos e Obrigações

Valorização

Objectivo de Auditoria específico Os proveitos e custos incluídos no lucro tributável estão de acordo com a legislação e foram realizados ou incorridos pela empresa durante o período. O imposto sobre os lucros estimado é adequado e não excessivo. Todos os proveitos fiscais realizados e custos dedutíveis incorridos foram incluídos na matéria colectável. As declarações de impostos foram entregues no fisco e os pagamentos efectuados dentro dos prazos e inquéritos ou recomendações/avaliações feitas pela autoridade fiscal foram consideradas de forma adequada. A provisão para impostos sobre os lucros a pagar e impostos diferidos estão expressos em conformidade com os princípios contabilísticos.

Procedimentos de auditoria normalmente utilizados para atingir o objectivo  Confirmação;  Inquérito e exame documental;  Cálculos.  

Exame documental; Confirmação.

 

Inquérito e exame documental; Outros.

  

Cálculos; Inquérito; Exame documental. 63


Mensuração

O imposto sobre o rendimento está registado com exactidão e no período respectivo.

Apresentação O imposto sobre o rendimento está apropriadamente e Divulgação descrito, classificado e divulgado.

    

Teste ao corte de operações; Outros. Indagação; Exame documental (inspecção); Outros.

3. Demonstrações Financeiras o Procedimentos Substantivos – Testes de Pormenor a efectuar / Programas de Auditoria:  Comparação das principais rubricas da demonstração dos resultados com valores do exercício anterior e do sector industrial, se disponíveis;  Analisar correlações com valores de balanço directamente relacionados;  Vendas e compras:  Conciliação global em quantidades e valor;  Examinar facturas de vendas (compras) e comparar com os registos contabilísticos;  Comparar facturas de vendas (compras) com as guias de remessa (e de entrada) respectivas;  Conferir preços de facturas com a tabela de preços aprovada (acordada com o fornecedor);  Verificar níveis de descontos e abatimentos concedidos (obtidos);  Para as vendas a dinheiro, verificar a existência de depósito periódico do total das vendas a dinheiro;  Verificar a entrada de bens ou serviços;  Verificar que as facturas de compra estão devidamente verificadas e aprovadas;  Custos com o pessoal:  Analisar a variação da rubrica face ao ano anterior, tendo em conta o aumento salarial, as entradas e saídas de pessoas, bem como as diferenças salariais existentes em função da categoria profissional;  Analisar o peso relativo das contribuições para a segurança social face ao valor bruto dos salários;

64


 

Para cada folha de salários:  Conferir o total dos salários líquidos com o valor pago;  Conferir se a folha está devidamente aprovada;  Testar cálculos da folha;  Verificar os correspondentes lançamentos contabilísticos;  Para cada trabalhador:  Verificar que consta do cadastro;  Verificar o salário com a lista devidamente aprovada;  Verificar cálculos dos salários e descontos;  Verificar que as deduções voluntárias estão aprovadas. Amortizações e custos financeiros:  Testar os mapas de amortizações;  Testar cálculos de juros tendo por base os contratos de financiamento;  Testar cálculos das diferenças de câmbio;  Testar ajustamentos do método da equivalência patrimonial. Ajustamentos e provisões:  Associar à análise das rubricas do balanço. Custos e proveitos extraordinários:  Analisar os valores mais significativos;  Dar particular atenção ao cálculo das mais e menos valias de imobilizado, anulações de saldos e correcções relativas a exercícios anteriores. Impostos sobre o rendimento:  Avaliar a razoabilidade do imposto corrente e diferido considerado em resultados. Articular com a verificação efectuada às contas relacionadas do balanço.

65


13. OPINIÃO E RELATÓRIO

Conclusões do Exame: o Avaliação e interpretação das evidências contingências e acontecimentos subsequentes; o Declaração do órgão de gestão; o Revisão final das demonstrações financeiras; o Relatórios de auditoria.

obtidas,

incluindo

Principais Relatórios:

Certificação Legal das Contas / Relatório do Auditor Interno: o Conteúdo:  Título (CLC);  Introdução (identificar a empresa e as DF’s analisadas);  Responsabilidades (do ROC – revisão – e dos Órgãos de gestão – preparação e veracidade das DF’s);  Âmbito (o trabalho do auditor teve por base Directrizes de Revisão de Auditoria – produzidas pela OROC);  Reserva (s);  Opinião (elemento diferenciador das CLC entre empresas);  Ênfases (ex: risco de continuidade; alteração da política contabilística com impacto relevante; etc.);  Data; e  Assinatura. o Reservas: Limitação de âmbito; e Desacordo. 

Modificação de Opinião – Reservas por Limitação de âmbito (escusa de opinião) – falta de informação ou por alguma razão não foi possível desenvolver procedimento e não há nenhum procedimento substituto:  Impedimento pela entidade de aplicação de procedimentos indispensáveis;  Exclusão pela entidade do exame de determinadas contas e/ou classes de transacções;  Deficiente sistema de controlo interno, documentação e registos contabilísticos inadequados que impeçam obtenção de prova/evidência apropriada; 66


Impossibilidade de aplicação de procedimentos indispensáveis que não possam ser substituídos por procedimentos alternativos.

Modificação de Opinião – Reservas por Desacordo (opinião discordante) – violação de normas contabilísticas e não alteração por parte da empresa:  Os desacordos podem resultar de erros ou omissões assim como de discordâncias relativamente: o À aplicação dos princípios contabilísticos adoptados como referencial; o Às asserções incluídas nas demonstrações financeiras; o À aceitabilidade das políticas contabilísticas adoptadas na preparação e apresentação das DF’s; ou o Ao método de aplicação dessas políticas, incluindo a sua adequada divulgação.

o Tipos de opinião:  Não Modificada;  Modificada:  Impossibilidade;  Escusa / Limitação de Âmbito;  Adversa / Por desacordo;  Reservas (vem sempre antes da opinião);  Ênfase. o Ênfases e Outras Matérias:  Assuntos que merecem o acordo do auditor e não afectam a sua opinião:  Incertezas fundamentais/continuidade;  A derrogação/anulação de princípios contabilísticos destinada a assegurar a imagem verdadeira e apropriada;  As alterações de políticas contabilísticas, que se destinam a assegurar a imagem verdadeira e apropriada; e  Outras situações necessárias para uma melhor compreensão das DF’s.

67


Carta de Recomendações: o Forma flexível; o Estrutura recomendada:  Introdução;  Âmbito;  Trabalhos efectuados:  Recomendações / informação complementar.

Outros relatórios: o Internos; o Forma flexível; o Análise e avaliação; o Recomendações.

EXERCÍCIO: Analise, de forma independente, cada uma das seguintes situações: 1. Uma empresa comprou um lote de pares de sapatos de criança no início de Dezembro de 2009 que lhe custou € 75.000. Essa compra foi efectuada com a intenção de participar numa feira a ser realizada na segunda quinzena de Janeiro de 2010, esperando realizar com esse lote um lucro de € 25.000. Em 31/12/2009 a empresa tomou conhecimento que os preços a praticar na feira lhe iriam permitir realizar um lucro de € 60.000. Adicionalmente constatou que o fornecedor que lhe havia vendido os sapatos havia aumentado o seu preço (se a Empresa os comprasse nesse momento eles custar-lhe-iam € 110.000). Tendo, pois, constatado a grande valorização dos sapatos adquiridos, a empresa decidiu registá-los por € 110.000 em 31/12/2009, por forma a que o lucro a realizar em 2010 fosse de € 25.000 como planeado. 

Se for materialmente relevante, é reserva por desacordo (violação de norma contabilística).

Segundo NCRF 18, o valor das existências deve ser o menor entre os dois: valor de mercado ou valor actual.

Se fosse um AFT e: o Estivesse a utilizar o modelo do custo  Ênfase (se tivesse avisado que mudou o critério); 68


Reserva por desacordo (é obrigado a avisar a alteração). o Estivesse a utilizar o modelo da revalorização → estava correcto.

2. O Revisor foi nomeado em Fevereiro pelo que não pôde assistir à inventariação física realizada em 31/12/2009. Não foi possível confirmar os inventários por procedimentos alternativos. O valor dos inventários era de € 1.000.000. 

Se for materialmente relevante, é reserva por limitação de âmbito.

3. A empresa não contabilizou os juros a pagar referentes a um empréstimo bancário no valor de € 5.000 

Se for materialmente relevante, é reserva por desacordo.

4. A empresa tem vindo a piorar a sua situação financeira ao longo dos anos. Em 31/12/2009 apresenta a sua autonomia financeira pela primeira vez abaixo de 25%. E, 25% é o mínimo estipulado no maior contrato de empréstimo que a empresa tem. Surgem agora dúvidas sobre a capacidade da empresa continuar a operar no futuro. As dificuldades financeiras da empresa estão descritas no Anexo. 

Ênfase: a empresa está em risco de continuidade, mas como tal está revelado nas DF’s, é apenas considerado ênfase.

5. Nos últimos três meses do ano corrente, a Refinação de Petróleo, S.A. decidiu mudar de rumo e dedicar-se à prospecção de petróleo. A Administração reconhece que este negócio é muito arriscado e pode comprometer o êxito do existente negócio de refinação. No entanto, as recompensas potenciais são significativas. No curto período de prospecção, a companhia teve três poços secos e nenhum sucesso. Os factos não estão divulgados nas demonstrações financeiras. 

Reserva por desacordo: empresa está em risco de continuidade, mas não cumpriu o normativo de o descrever no Anexo. Não divulgou no Anexo. 69


6. A Sociedade Férias & Trabalho adoptou, até 31/12/2008, a prática contabilística de contabilizar a perda por imparidade de inventários com base nas regras fiscais. A perda por imparidade em 31/12/2008 estava subavaliada, tendo em consideração o valor necessário numa perspectiva económica, em cerca de € 750.000 

Reserva por desacordo: Se for detectada grande diferença entre a regra fiscal e a contabilística, recomenda-se alteração – viola a norma contabilística.

7. A Sociedade Vai & Vem, S.A. tem diversos litígios com terceiros, tendo reforçado no primeiro semestre de 2010 a perda por imparidade existente em € 250.000, a qual passou a apresentar em 30/06/2010 um saldo de € 1.500.000. Segundo as respostas recebidas dos diversos advogados à circularização efectuada pelo Auditor Externo, não era possível quantificar, com razoável grau de segurança, o eventual valor das penalidades e/ou indemnizações resultantes dos litígios em curso. 

Reserva por limitação de âmbito: não é possível quantificar. A não ser que haja outro meio para verificar essa informação.

8. No decurso do exercício de 2004 ocorreu a seguinte situação na Sociedade Erra & Ajusta, S.A.: Até 2003 a Sociedade valorizava as saídas de existências ao custo médio. No entanto, em 2004, passou a adoptar o FIFO. Se a Sociedade tivesse valorizado as existências em 31/12/2004 utilizando o custo médio, o seu saldo seria inferior ao evidenciado no balanço em cerca de € 50.000. Contudo, se as existências em 31/12/2003 fossem valorizadas a FIFO o seu valor àquela data seria superior em cerca de € 37.500.

Se materialmente relevante, ênfase: devido à alteração da política contabilística.

70


9. O Revisor da empresa Finalmente, S.A., após a realização do trabalho sobre os registos contabilísticos existentes em 30/06/2004 e assistência às contagens físicas de inventário realizadas em 31/12/2004, deu início em 15/02/2005 ao trabalho final de exame das contas, altura em que foi informado que, pelo facto de ter havido uma inundação muito grave nas instalações da sociedade em Janeiro de 2005, os registos e arquivos contabilísticos e extra-contabilísticos do ano e anos anteriores tinham sido inutilizados e que apenas estava disponível para o seu trabalho alguns registos contabilísticos sintéticos (artificiais), actualizados para 31/12/2004 com base nesses valores sintéticos. 

Limitação de âmbito: não necessita de opinião. É tão impossível verificar seja o que for que tem de haver escusa de opinião. Só quando existem muitas reservas deste tipo é que podemos falar em escusa de opinião.

 Resumo: As reservas podem ser por desacordo ou limitação de âmbito. Se houver razão para muitas reservas por desacordo, damos uma opinião discordante. Se houver razão para muitas reservas por limitação de âmbito, damos uma escusa de opinião.

71


Resumos