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ACESSIBILIDADE EM E-LEARNING PARA INDIVÍDUOS COM DEFICIÊNCIA VISUAL Potencialidades, entraves e necessidades ao nível do hardware e do software Vanessa Martins Brito Gonçalves Agrupamento de Escolas Dr. Costa Matos vanessambgoncalves@gmail.com

INTRODUÇÃO

Na sociedade dos nossos dias, onde a informação e as novas tecnologias desempenham um papel primordial, torna-se cada vez mais uma necessidade básica o poder/saber trabalhar com esses recursos. Cada vez mais, instituições, organismos públicos ou privados, informatizam os seus serviços, “obrigando” qualquer cidadão a adquirir competências no uso das TIC. Devido às suas características, estas podem efetivamente funcionar como um elemento de info-inclusão. Porém, para todos poderem ter as mesmas oportunidades, é necessário adaptar esses recursos a quem, por qualquer motivo, possui alguma limitação (física ou psíquica). Na verdade, as novas tecnologias poderão abrir portas que, até então, estariam eternamente fechadas a cidadãos portadores de deficiência. O e-learning tem-se fomentado em Universidades e outras Instituições de Ensino Superior há cerca de uma década e mais recentemente nas escolas de ensino básico e secundário. Todavia, só apenas nos últimos anos se tem dado a devida atenção à questão da acessibilidade. Mais uma vez, o suporte tecnológico revela-se uma maisvalia para estes indivíduos, os quais se transformam seus fieis utilizadores. Não obstante, as dificuldades técnicas continuam a ser muitas, e é ainda muito complexa a tarefa de criar ambientes de e-learning para cidadãos portadores de deficiência visual. Este trabalho pretende então contextualizar, de forma breve, o estado da acessibilidade no uso das TIC, nomeadamente no e-learning, sem que, previamente, sejam apresentadas algumas normas e tecnologias de acessibilidade à informática.

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O QUE SE ENTENDE POR DEFICIÊNCIA VISUAL Normalmente, associamos a expressão deficiência visual apenas a pessoas que possuem perda total de visão (cegueira). Porém, esquecemo-nos das muitas pessoas que, no seu dia a dia, se debatem com problemas de integração e de acessibilidade, devido à perda parcial ou resíduo mínimo de visão. Assim, facilmente inferimos que um indivíduo portador de deficiência visual é todo aquele que se vê limitado no seu desempenho, pela sua deficiência. Existem muitas causas para este problema, mas as mais comuns são o glaucoma e a catarata congénitos, a diabetes, as doenças infeciosas, a atrofia ótica e, por vezes, as queimaduras ou acidentes.

1.1 Integração das pessoas com deficiência – evolução Atualmente, nas sociedades mais desenvolvidas, debatem-se conceitos e normas de integração e de acessibilidade para todos aqueles que, por alguma limitação ou deficiência, se veem impossibilitados de aceder ou integrar-se nas coisas mais banais, e por vezes essenciais, do quotidiano, para que assim possuam os mesmos direitos, e também deveres. Todavia, se espreitarmos um pouco o passado, apercebemo-nos que nem sempre foi assim, e que só a partir do século XVIII é que as pessoas portadoras de deficiência, nomeadamente invisuais, começaram a ser aceites e a integrar-se na sociedade. Inicialmente, durante as épocas primitivas, pensava-se que as crianças deficientes eram possuídas por espíritos malignos, o que levava ao seu extermínio. Ao contrário do que se possa pensar, apesar das condições de vida serem bastante precárias, os casos eram poucos. Contudo, mais tarde, e com o desenvolvimento de algumas religiões monoteístas, (estes consideravam as crianças órfãs, os idosos e os cegos como protegidos), foram criados alguns hospitais e asilos. Mas os deficientes continuavam a ser indivíduos sem direitos ou igualdade. A situação piorou drasticamente em pleno século XVI, quando Martinho Lutero (fundador do Luteranismo), afirmou que os deficientes eram pessoas sem Deus, influenciando assim todos os países que na época aderiram ao protestantismo. O aparecimento do Iluminismo, da industrialização da sociedade e de alguns deficientes ilustres, principalmente cegos, deram origem às primeiras conquistas jurídicas e também alguma aceitação social. 2|P á gin a


No século XX, com a declaração dos direitos da criança, em 1921, e posteriormente a dos direitos do Homem, em 1948, abriram-se definitivamente as portas à integração dos deficientes.

2. A QUESTÃO DA ACESSIBILIDADE Acessibilidade é um conceito um pouco vasto que significa “aquilo que é acessível” 1, ou seja, que pode ser abordado, utilizado por qualquer indivíduo. Nos últimos anos, este tema tem sido bastante debatido e explorado em contextos tão diversos como, o acesso das pessoas com deficiência a um edifício, público ou privado, aos transportes e principalmente às tecnologias da informação e da comunicação / e-learning. Considera-se cidadão portador de deficiência aquele que, devido ao seu problema, físico ou psicológico, enfrenta dificuldades específicas suscetíveis de lhe limitar a atividade ou restringir a participação na vida social, económica e cultural. Neste sentido, garantir a acessibilidade em todos os meios a estes cidadãos, mais do que um dever, é possibilitar-lhes o exercício de cidadania e de autonomia.

2.1 O acesso à informática O acesso à informática é, cada vez mais, uma questão fulcral nos dias de hoje. Não é portanto de estranhar que se fale tanto de acessibilidade nesta área. Em Portugal, para além do Ministério da Educação e da Ciência, existem outros organismos que se debruçam neste campo, entre os quais se destaca o Instituto Português da Qualidade2. Juntos, e seguindo os mesmos princípios, têm publicado alguns documentos que regulamentam e definem um conjunto de critérios de acessibilidade às Tecnologias da Informação e Comunicação. Mas porquê o acesso à informática? Como todos sabemos, o computador é progressivamente considerado uma ferramenta indispensável para qualquer atividade, seja de trabalho ou de lazer. Esta ferramenta trouxe grandes benefícios para as pessoas portadoras de deficiência, ficando estas seus fiéis utilizadores. Contudo, apesar da sua imensa utilidade e versatilidade, a informática continua a apresentar algumas lacunas no que concerne ao seu acesso por parte de pessoas com limitações, limitações essas a nível de físico (hardware), e de navegação e utilização de ferramentas (software). 3|P á gin a


2.2 Tecnologias de acessibilidade visual À medida que se vão debatendo e criando condições (leis, serviços, meios) para a integração de pessoas portadoras de deficiência no mundo do trabalho e da informação, vão-se igualmente concebendo dispositivos tecnológicos que possibilitem essa mesma integração. Neste ponto iremos apresentar algumas das tecnologias que permitem a inclusão e a reabilitação de cidadãos portadores de deficiência: as chamadas ajudas técnicas. Estas encontram-se previstas na lei e são comparticipadas pelo Estado. Por vezes pode parecer impossível ou muito difícil imaginar como um utilizador cego consegue utilizar o computador. Para ter uma ideia empírica de como isso acontece, apague o monitor e continue a trabalhar. A tarefa torna-se impossível. Nesse sentido foram criadas diversas tecnologias, entre as quais se destacam os leitores de ecrã e as linhas Braille. Outra das técnicas utilizadas por alguns utilizadores com limitações do foro visual é alterar as características gerais de visibilidade, nomeadamente aumentar o tamanho das letras ou modificar o contraste. Para este efeito são utilizados monitores grandes e software de ampliação. Vejamos então alguns dispositivos e ferramentas:

2.2.1

Leitores e Ampliadores de Ecrã Os leitores e ampliadores de ecrã são instrumentos tecnológicos utilizados por pessoas invisuais, ou com baixa-visão, no sentido de conseguir captar a informação que se encontra num ecrã ou num monitor. Estes aparelhos podem ser utilizados em conjunto, ou em separado, consoante o caso, ou seja, dependendo do grau de limitação do utilizador.

No caso de pessoas com baixa-visão, o recurso mais adequado é o ampliador de ecrã (portátil ou fixo). Este permite que a informação visual transmitida pelo computador seja ampliada. As pessoas com cegueira total recorrem aos leitores de ecrã, dado que estes possibilitam a audição dos textos, utilizando, para isso, uma placa de som ou sintetizador de voz. Também poderá fornecer informação táctil quando associado a uma linha Braille.

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2.2.2

Linhas Braille As linhas Braille são dispositivos utilizados juntamente com leitores de ecrã, que servem para os utilizadores, cegos ou com baixavisão, poderem aceder, de forma táctil, à informação contida no monitor. São compostas por uma fileira de células Braille eletrónicas que

podem reproduzir o texto presente no ecrã do computador e funcionam como uma alternativa ao sintetizador de voz, ou um complemento deste. Estes dispositivos têm sofrido uma grande evolução, podendo, atualmente, também ser utilizados como terminais Braille independentes ou bloco de notas. 2.2.3

Computadores Portáteis Braille

A oferta a nível de computadores portáteis Braille é já considerável e podemos encontrar no mercado diversas opções entre PDAs e Braille Notes. Os PDAs apresentam características mais modestas e básicas para o dia a dia, enquanto que os computadores portáteis possuem já algumas características de robustez. De entre outras aplicações, é já possível usufruir, nestes dispositivos, de ferramentas tão úteis como um processador de texto, folha de cálculo, explorador de ficheiros, calendário, lista de contactos, e-mail, acesso à Internet, capacidade de gerar a sua própria tabela Braille, calculadora científica, entre outras. Estes dispositivos permitem ainda imprimir diretamente para as impressoras Braille ou impressoras normais e podem igualmente ser ligados a um monitor. 2.2.4

Impressoras Braille As impressoras Braille são impressoras normais que, em vez de imprimirem os caracteres a negro ou cores, produzem

pequenas

saliências

no

papel

que

representam os caracteres do alfabeto Braille. Este tipo de impressão permite, aos cegos, a leitura, em papel, de documentos produzidos por computador.

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2.2.5

Leitor de documentos

Os leitores de documentos são scanners especiais que digitalizam o documento, reconhecem todo o texto e leem-no, de entre outras línguas, em Português de Portugal, em apenas alguns segundos. Não necessita de ser ligado ao computador, uma vez que possui o seu próprio disco rígido, com espaço disponível para mais de dez milhões de páginas. 2.2.6

Braille Note GPS O Braille Note GPS é um dispositivo que, através dos satélites de GPS (Global Positioning System), permite a qualquer pessoa com perda de visão, saber onde está, usando para isso um recetor GPS do tamanho de um telemóvel. Este aparelho permite ainda programar as rotas normais

de deslocação, as lojas ou restaurantes preferidos, localizar a residência quando volta para casa, encontrar paragens de autocarro ou de comboio, etc. 2.2.7

Openbook O Openbook é um dispositivo que permite transformar documentos de texto impressos, ou documentos gráficos baseados em texto, em formato eletrónico, através de tecnologia de reconhecimento de caracteres (OCR) e de síntese de voz.

O Openbook permite ainda utilizar um sintetizador de voz, suportando a maioria destes dispositivos, por hardware. 2.2.8

Jaws O Jaws, para WINDOWS, é um leitor de ecrã muito popular que permite aos utilizadores com problemas de visão o acesso às aplicações mais comuns e também à Internet. Através do sintetizador de voz interno e da placa de som do PC, a

informação do ecrã é lida, possibilitando o acesso a uma larga variedade de informação e a diversas aplicações de trabalho e educacionais. Este programa permite igualmente o envio de informações para linhas Braille, destacando-se assim dos outros leitores de ecrã, uma vez que facilita o acesso a esta tecnologia.

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2.2.9

Magic

O Magic é um programa que combina funções de ampliação de texto, com leitura de ecrã para baixa-visão, quando adquirido com opção de voz. Uma das suas particularidades é permitir escolher qual a informação que quer ler, enquanto trabalha com as aplicações. Este software é de fácil utilização: possui voz e ampliação de caracteres, interface de utilizador com novas cores e também combinação de teclas que evitam conflitos com o Windows ou outras aplicações. 2.2.10 Tradutores de Música Como o próprio nome indica, os tradutores de música são programas que “traduzem” as pautas musicais para a grafia Braille musical. Possibilitam, por isso, também a utilização destes recursos, por parte de pessoas que deem aulas de música a pessoas com deficiência de visão, transcrever uma pauta impressa, para formato Braille sem ter de aprender a grafia Braille. Os softwares de acesso a programas musicais são Scripts para o leitor de ecrã Jaws, que permitem um melhor acesso a programas como Cakewalk 3 e Sybellius4 que, pela sua interface demasiadamente gráfica, não permitem um trabalho fácil sem esta ajuda. 2.2.11 Kits Multimédia Existem, disponíveis on-line, alguns manuais digitais que poderão ser consultados e de onde se poderá fazer o download de software e informação diversa sobre o problema da acessibilidade. Assim, no site acessibilidade.net estão disponíveis três kits: 

KIT ACESSO (url: http://www.acessibilidade.net/at/kit/)

KIT Necessidades Especiais (url: http://www.acessibilidade.net/at/kit2004/index.htm)

KIT Tecnologias de Informação sem Barreiras no Local de Trabalho – Manual Digital (url: http://www.acessibilidade.net/trabalho/index.htm)

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3. ACESSIBILIDADE AO HARDWARE Os problemas de acessibilidade no hardware centram-se, essencialmente, no transtorno que é, habitualmente, fazer pequenas ações num computador e respetivos periféricos, tais como manusear botões, interruptores ou reguladores. Para dar alguns exemplos comuns destes problemas, imaginemos como será, para um indivíduo cego, ligar/desligar um PC, ligar/configurar uma impressora ou até mesmo introduzir/retirar uma disquete ou CD-ROM. Atendendo a todos estes exemplos supra mencionados, facilmente concluímos que a solução mais eficaz seria a criação de um só programa que proporcionasse a execução de todas estas etapas e fornecesse toda a informação necessária aos utilizadores invisuais. Outra questão relevante prende-se com a disposição e formatos dos botões dos dispositivos. Estes nem sempre estão dispostos no melhor local e nem sempre têm o melhor tamanho ou formato. Neste sentido, a opção ideal seria que os botões estivessem colocados na parte frontal do aparelho, possuindo um design côncavo. Estes não deveriam ainda ser de pequena dimensão ou estarem muito juntos uns dos outros, para não causarem confusão ou erro de utilização. Para além destas características, e no caso da deficiência

visual,

seria

aconselhável

que

os

botões

tivessem

igualmente

acompanhamento sonoro das suas funções, bem como rótulos para uma mais fácil identificação, ou informação em Braille. Para evitar conflitos na utilização e manutenção dos diversos periféricos do computador, é aconselhável evitar operações ou movimentos complexos. Os elementos (ecrã, impressora, rato, etc.) devem ser independente do CPU, possibilitando assim uma maior personalização e adaptação da máquina ao homem. Outro aspeto que deverá ser levado em conta é a forma como estes aparelhos ficarão dispostos. Devem estar bem regulados a nível de orientação e de altura e ter uma sustentação estável e anti-deslizante. As unidades de armazenamento amovível são muito utilizadas nos dias de hoje e apresentam igualmente alguns problemas no seu uso por parte de pessoas com deficiência visual. Existe o problema de introduzir corretamente estes materiais e também das ranhuras onde devem ser inseridos. Assim, deverá haver o cuidado de criar plataformas deslizantes para a sua introdução, com botões ergonómicos de controlo, bem como avisos para o utilizador para quando este insere incorretamente o dispositivo. 8|P á gin a


Por fim, e no que concerne às impressoras e scanners, é aconselhável que estas possuam bandejas de armazenamento de folhas, as quais sejam de fácil manuseamento, ou seja, sem coberturas ou sem obrigatoriedade de retirar a bandeja para colocar mais papel.

4. ACESSIBILIDADE AO SOFTWARE A questão da acessibilidade ao software está estreitamente direcionada aos programadores de software, os quais deverão ter em conta diversos aspetos na criação de um programa informático. Em primeiro lugar, deve-se ter em conta que as limitações de interação com o programa informático estão do lado da interface e não do lado do utilizador com deficiência. Em segundo lugar, é igualmente imprescindível que se tenha em conta as diferentes dificuldades e limitações de uma pessoa deficiente e de quais as soluções que as permitam ultrapassar. Apesar de parecer complexa, esta tarefa poderá não ser tanto complicada se o programador tiver em consideração alguns aspetos-chave: redundância a nível da interação e da comunicação e compatibilidade com as tecnologias existentes. No capítulo das tecnologias de acessibilidade visual, foram apresentados alguns programas de ampliação ou leitura de ecrã, mais concretamente o Jaws e o Magic. Não obstante, este tipo de software não resolve, por si só, alguns dos problemas que podem ocorrer. Por exemplo, não é possível ler um gráfico ou uma imagem. De igual forma, quando um utilizador com baixa-visão amplia a imagem, ou modifica o contraste, poderá encontrar muitos problemas no manuseamento do rato. Neste sentido, e no âmbito da deficiência visual, é absolutamente fundamental que o programador possibilite a interação com o software e o acesso à informação, tendo em conta que o utilizador o possa fazer recorrendo a diferentes elementos, tais como: teclado, leitores de ecrã, opções de alto contraste do sistema operativo e programas de ampliação. No contexto dos Sistemas Operativos, existe já uma considerável preocupação pela questão da acessibilidade. A Microsoft Office, por exemplo, disponibiliza algumas opções, entre as quais, no campo da dificuldade visual, se destacam: 

Suporte de alto contraste e cor personalizáveis;

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Capacidade de dimensionar e fazer zoom (lupa);

Atalhos do teclado;

Teclado no ecrã;

Menus e barras de ferramentas personalizadas.

Em suma, é muito importante que as aplicações e programas criados considerem e respeitem a diferença, bem como a diversidade de características e necessidades dos utilizadores com deficiência. Quanto mais simples, conciso e abrangente for a aplicação, mais acessível será.

5. ACESSIBILIDADE WEB A acessibilidade à Web consiste no acesso, por parte de pessoas com limitações ou deficiência, à informação que circula na Internet. Para que esse acesso seja realizado nas melhores condições, é necessário que se tenha em conta alguns aspetos, tais como: 

«A respetiva leitura possa ser feita sem recurso à visão, movimentos precisos, ações simultâneas ou a dispositivos apontadores, designadamente ratos;

A obtenção da informação e a respetiva pesquisa possam ser efetuadas 5

através de interfaces auditivos, visuais ou tácteis.» . Para avaliarmos a qualidade de uma página da Internet, ao nível da sua acessibilidade, devemos apoiar-nos nas catorze Diretrizes de Acessibilidade ao Conteúdo da Web6 do consórcio World Wide Web (W3C), as quais atestam os requisitos de qualidade de um sítio Internet: 1. Fornecer alternativas ao conteúdo sonoro e visual; 2. Não recorrer apenas à cor; 3. Utilizar corretamente anotações e folhas de estilo; 4. Indicar claramente qual a língua utilizada; 5. Criar tabelas passíveis de transformação harmoniosa; 6. Assegurar que as páginas dotadas de novas tecnologias sejam transformadas harmoniosamente; 7. Assegurar o controlo do utilizador sobre as alterações temporais do conteúdo;

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8. Assegurar a acessibilidade direta de interfaces do utilizador integradas; 9. Pautar a conceção pela independência face a dispositivos; 10. Utilizar soluções de transição; 11. Utilizar as tecnologias e as diretivas do W3C; 12. Fornecer contexto e orientações; 13. Fornecer mecanismos de navegação claros; 14. Assegurar a clareza e a simplicidade dos documentos. Assim, é com agrado que consultamos já diversos sítios Internet portugueses que possuem funcionalidades de acessibilidade para cidadãos com deficiência, para diferentes ambientes, equipamentos e navegadores, possuindo assim o símbolo da acessibilidade.

6. ACESSIBILIDADE EM E-LEARNING O ensino a distância evidencia enormes potencialidades no que respeita aos indivíduos portadores de deficiência. Por um lado, permite o acesso a recursos e conteúdos que, de outra forma, seria impossível, e consegue ainda com que estes utilizadores se relacionem de uma forma mais natural com outros utilizadores, sem o entrave da deficiência, ou os constrangimentos que daí poderiam advir. Todavia, quando falamos em acessibilidade em e-learning, existem dois celeumas cruciais, que se prendem com aspetos técnicos e metodológicos. Ambos são fulcrais na criação deste tipo de ambiente: uma plataforma poderá possuir todas as condições técnicas para ser acessível, mas os conteúdos poderão não estarem estruturados para utilizadores invisuais; da mesma forma que um curso poderá estar desenhado para indivíduos portadores de deficiência visual, mas os suportes tecnológicos não permitirem o devido acesso a esses conteúdos. Outra questão fundamental está relacionada com o facto de muito do trabalho desenvolvido no ensino a distância ser feito através da Internet. Nos dias de hoje, e apesar de haver já melhorias significativas neste campo, existem ainda inúmeros sites que não cumprem com as normas de acessibilidade web criadas pelo W3C, não permitindo assim a sua navegação por parte deste utilizadores “especiais”.

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Ainda no que concerne às ferramentas disponibilizadas por uma plataforma de ensino a distância, poderão ser muitos os problemas a surgir, como, por exemplo, a simples utilização de um Chat. Sendo uma ferramenta de comunicação síncrona, num Chat, os utilizadores escrevem e enviam mensagens muito rapidamente. Quando este processo tem de ser feito através de um leitor de ecrã, esta poderá transformar-se numa tarefa complicada. Estes dispositivos conseguem habitualmente trabalhar com algumas aplicações HTML, mas nem sempre o utilizador consegue controlar a forma ou a ordem como as mensagens são lidas. Assim, o que muitas vezes acontece, é que o leitor de ecrã vai lendo todas as mensagens, à medida que estas vão chegando, por vezes quase simultaneamente (se for um chat com vários utilizadores), tornando muito confusa, ou quase impossível a perceção das mesmas, por parte do seu utilizador. Neste contexto, e face às muitas dificuldades constatadas, são já alguns os estudos e as iniciativas realizadas a nível mundial.

7. PROJETOS SOBRE ACESSIBILIDADE EM E-LEARNING Nos últimos anos, e após algumas iniciativas mais tímidas, tem havido uma aposta crescente no tema da acessibilidade no ensino a distância. Um exemplo mais enraizado é a Hadley School for the blind, a qual lida com o ensino a distância para cegos desde 1920. Inicialmente através de cassetes, telefone ou Braille, esta instituição proporciona já alguns cursos a distancia, em diferentes níveis de ensino. Mais recentemente, na Alemanha, o projeto e-Learn-ViP7 (eLearning for visually impaired persons), aprovado pelo organismo responsável pela Educação e Formação da Comissão Europeia8, veio abrir novos horizontes e criar novas regras e critérios de avaliação de cursos a distância. O referido projeto tem como objetivo principal proporcionar o acesso ao e-learning, a indivíduos portadores de deficiência visual. Para tal, e de uma forma uniformizada, foi feita uma avaliação dos cursos a distância existentes nos países nele envolvidos, tendo-se criado posteriormente um símbolo de qualidade. Ainda no seguimento do sucesso deste projeto e dos bons feedbacks recolhidos, foi criado o consórcio: C4EA (Consortium for E-Learning Accessibility)9, o qual é responsável por abranger a acessibilidade em e-learning a outros tipos de deficiência. 12 | P á g i n a


CONCLUSÃO Após a realização deste pequeno estudo, e alguma reflexão, podemos retirar algumas inferências. Efetivamente o tema da acessibilidade é, cada vez mais, uma questão a refletir e a trabalhar no futuro. Neste contexto, as novas tecnologias desempenham um papel preponderante e abrem muitas portas que antigamente estariam automaticamente fechadas a todos aqueles que, por qualquer tipo de limitação, eram diferentes. A igualdade de direitos e de acesso deve ser, mais do que uma necessidade, obrigatória, sendo que as novas tecnologias proporcionam uma ponte para esse acesso. Para tal, é necessário criar e adaptar os recursos (hardware, software e web) para todos. Porém, esta tarefa é complexa e dispendiosa, dada a pouca oferta existente e a pouca participação das entidades governamentais. A construção de sites e de ambientes de e-learning acessíveis para cegos é bastante difícil (ao nível da programação e da navegação), sendo o desenho de cursos a distância altamente complicado. Mas a sua realização, de forma adequada e atenta, poderá abrir um novo mercado de trabalho, que até então não existia. A Acessibilidade continua a ser um tema desconhecido para muitas pessoas e a exclusão social, uma realidade escondida.

NOTAS DE RODAPÉ 1- In Nova Enciclopédia Larousse, Vol. I (1997). Círculo de Leitores. Edição nº 3886. 2- Normas de acessibilidade para pessoas com deficiência: Norma prNP 4429:2003 e Norma prNP4430:2003. 3- O Cakewalk é utilizado para criar todo o tipo de projetos musicais, desde demos de música, até jingles de rádio ou CD’s para artistas profissionais. 4- O Sybellius permite, aos utilizadores invisuais, trabalhar com um programa de anotação musical. 5-In Resolução de Conselho de Ministros (97-99) sobre "Acessibilidade dos sítios da administração pública na Internet pelos cidadãos com necessidades especiais". 6- Disponível no url: http://www.w3.org/TR/WAI-WEBCONTENT/. 7- Disponível no url: http://ec.europa.eu/education/programmes/elearning/projects/projects_2004/e-learn-vip.pdf 8- Disponível no url: http://ec.europa.eu/education/programmes/elearning/projects/041_en.html#7 9- Disponível no url: http://www.elearningeuropa.info/pt/article/Accessibility-guidelines-for-eLearning-systems-and-aConsortium-for-eLearning-Accessibility-results-of-E-Learn-VIP-proje

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BIBLIOGRAFIA 

Normas de Acessibilidade na Informática (2003). Coleção Apoios Educativos, nº 8. DEB – Ministério da Educação, Lisboa.

Christensen, Lars Ballieu (2000). The importance os information technology for visually impaired children and youngsters and the expectations for future development. Proceedings European Conference, Cracow. (url: http://www.icevi-europe.org/cracow2000/proceedings/ps3c.html

Ward, Mark (2002). Websites blind to disabled need. BBC on-line. (url: http://news.bbc.co.uk/1/hi/in_depth/sci_tech/2000/dot_life/2557637.stm)

SITES DE ENTIDADES OU ORGANIZAÇÕES: 

Ministério da Educação: Educação Especial e Apoio Sócio-Educativo URL: http://sitio.dgidc.min-edu.pt/especial/Paginas/default.aspx

SITES DE EMPRESAS DE PRODUTOS TECNOLÓGICOS/AJUDAS TÉCNICAS:  Anditec – Tecnologias de Reabilitação, Lda. (url: http://www.anditec.pt/)  Ataraxia (url: http://www.ataraxia.pt/)  Inclusive Technology (url: http://www.inclusive.co.uk/)  CNOTI Educação (url: http://educacao.cnotinfor.pt/)  Electrosertec (url: http://www.electrosertec.pt/)  Tiflotecnia – Informática e Acessibilidade, Lda. (url: http://www.tiflotecnia.com/index.htm)

SITES DE ENTIDADES OU ORGANIZAÇÕES:  ACAPO (url: http://www.acapo.pt/)  Centro de Inovação para Deficientes (url: http://www.cidef.org/)  Centro de Terapia Ocupacional (url: http://www.comunicacaoalternativa.com.br/adca/centro/Recursosdistribuidos.htm  CERCIFAF (url: http://www.cercifaf.pt/)  Disability Rights Comission (url: http://www.drc.org.uk/)

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 European Schoolnet (url: http://www.eun.org/portal/index.htm) 

International Council for Education of People European Region (url: http://www.icevi-europe.org/index.html)

with

Visual

Impairment,

 Núcleo de Apoio à Deficiência Visual (url: http://www.drec.min-edu.pt/nadv/index.html)  Portal do cidadão com deficiência (url: http://www.pcd.pt/)  Royal National Institute of the Blind (url: http://www.rnib.org.uk/xpedio/groups/public/documents/code/InternetHome.hcsp)  SKILL - National Bureau for Students with Disabilities (url: http://www.skill.org.uk/) 

SNPRID - Secretariado Nacional para a Reabilitação e Integração das Pessoas com Deficiência (url: URL: http://www.snripd.pt/)

 TechDis (url: http://www.techdis.ac.uk/)  UMIC – Agência para a Sociedade do Conhecimento (MCT-ES) (url: http://www.umic.pcm.gov.pt/UMIC/  Web Accessibility Initiative – Critérios de Acessibilidade WAI (url: http://www.w3.org/WAI/) SITES DE ACESSIBILIDADE:  Acessibilidade em estado de sítio (url: http://www.euroacessibilidade.com/index.htm)  Acessibilidade.net (url: http://www.acessibilidade.net/)  Apple Education Solutions: Accessibility in Education (url: http://www.apple.com/education/accessibility/)  IBM Acessibility (url: http://www-306.ibm.com/able/access_ibm/disability.html)  Microsoft Office on-line – accessibility (url: http://office.microsoft.com/pt-pt/assistance/HA010347422070.aspx)

OUTROS SITES:  Ajudas.com (url: http://www.ajudas.com/)  Educare (url: http://www.educare.pt/NEDESP/Nedesp.asp)  Ergonomia de Interfaces WWW para cidadãos com Necessidades Especiais (url: URL: http://www.minerva.uevora.pt/simposio/comunicacoes/ergoweb/)  Informática no Ensino Especial (url: URL: http://student.dei.uc.pt/~gilliam/sf/sf.html#Interface)  LERPARAVER (url: http://www.lerparaver.com/convencao_direitos.html)

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Acessibilidade em e-learning para indivíduos com deficiência visual  

artigo científico para 1.º Seminário de Educação Especial de Vila Nova de Gaia

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