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ANO 39, Novembro/Dezembro de 2009, nº 252

Os três P’s que mobilizam a agricultura e a pecuária: Propriedade, Produção e Preservação Revisão dos índices de produtividade, reforma agrária, legislação ambiental, os temas que povoam a vida do produtor rural são polêmicos e complexos e merecem ser tratados de forma racional

Orgulho de servir à agronomia As celebrações pelo Dia do Engenheiro Agrônomo na Esalq e no Clube dos Agrônomos de Campinas


Associação de Engenheiros Agrônomos do Estado de São Paulo Filiada a Confederação das Federações de Eng. Agrônomos do Brasil (Confaeab)

editorial O lamentável episódio da invasão pelos Sem Terra ao laran-

Presidente Arlei Arnaldo Madeira aeasp@sti.com.br 1º vice José Antonio Piedade piedade@cati.sp.gov.br 2º vice Angelo Petto Neto petto@widesoft.com.br 1º secretário Ana Meire Coelho Figueiredo Natividade anikka@lexxa.com.br 2º secretário Francisca Ramos de Queiroz Cifuentes ninacifuentes@hotmail.com 1º tesoureiro Luis Alberto Bourreau bourrea@terra.com.br 2º tesoureiro Rene de Paula Posso reneposso@uol.com.br Diretor Glauco Eduardo Pereira Cortez Glauco.cortez@uol.com.br Diretor Luiz Ricardo Viegas de Carvalho ricardoviegas@terra.com.br Diretor Marcos Roberto Furlan furlanagro@yahoo.com.br Diretor Nelson de Oliveira Matheus Júnior nmatheus@sp.gov.br Diretor Sebastião Henrique Junqueira de Andrade aeasp@sti.com.br Diretor Tulio Teixeira de Oliveira aenda@aenda.org.br

jal da Cutrale em outubro causou grande indignação à opinião

CONSELHO DELIBERATIVO Aguinaldo Catanoce, Arnaldo André Massariol, Celso Roberto Panzani, Fernando Penteado Cardoso, Francisco José Burlamaqui Faraco, Genésio Abadio de Paula Souza, Henrique Mazotini, José Amauri Dimarzio, José Maria Jorge Sebastião, José Paulo Saes, Luiz Henrique Carvalho, Luiz Mário Machado Salvi, Pedro Shigueru Katayama, Tais Tostes Graziano, Valdemar Antonio Demétrio

meio de seus diretores, um parecer ao deputado João Caramez, na

CONSELHO FISCAL: André Luis Sanches, Anthero da Costa Satiago, José Eduardo Abramides Testa Suplentes: Francisco Frederico Sparenberg Oliveira, João Jacob Hoelz, Celso Luis Rodrigues Vegro

pública. Até mesmo aqueles que são favoráveis a causa da Reforma Agrária desaprovaram a ação criminosa. De outro lado, a proposta de atualização dos índices de produtividade da terra feita pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), continua gerando controvérsias. Esses acontecimentos estão relacionados a produtividade, ao uso da terra, temas complexos e que precisam de espaço para discussão e reflexão. O Jornal do Engenheiro Agrônomo está atento e faz questão de dar espaço para o debate democrático. A nossa matéria de capa traz alguns importantes depoimentos sobre essas questões cruciais para a agricultura e a pecuária deste país. Um assunto que também está na pauta das prioridades para o setor agronômico paulista e por conseguinte na pauta da AEASP é o Projeto de Lei 743/2009, de autoria do Deputado Simão Pedro, o qual prevê o banimento no Estado de todos os agrotóxicos contendo 14 tipos de ingredientes ativos. A questão está sendo abordada em um artigo do nosso diretor Túlio Teixeira de Oliveira nesta edição do JEA. E a AEASP se posicionou a respeito entregando, por Assembléia Legislativa. Outubro foi um mês de celebrações, afinal comemoramos o Dia do Engenheiro Agrônomo. E ele foi comemorado em grande estilo pelo Clube dos Engenheiros Agrônomos de Campinas e pela ESALQ, no encerramento da 52ª Semana Luis de Queiroz. Como não podia deixar de ser, a AEASP prestigiou os dois eventos que tradicionalmente congregam os profissionais da agronomia. Faltam agora poucas semanas para encerrarmos o ano de 2009, se fizermos um balanço veremos que foi um ano de muitas batalhas para os engenheiros agrônomos e para o setor agropecuário. Em um mundo cujo papel da agricultura é cada vez mais relevante, a AEASP , que completou 65 anos, está atenta a todos os acontecimentos e pronta para participar ativamente de todos os temas que dizem

Órgão de divulgação da Associação de Engenheiros Agrônomos do Estado de São Paulo Conselho Editorial Ana Meire Coelho F. Natividade Ângelo Petto Sebastião Junqueira Diretor Responsável Nelson de Oliveira Matheus Jornalista Responsável Adriana Ferreira (mtb 42376) Colaboradora: Sandra Mastrogiacomo Secretária: Alessandra Copque Tiragem: 10.000 exemplares Produção: Acerta Comunicação Diagramação: Sígride Gomes Redação Rua 24 de Maio, 104 - 10º andar CEP 01041-000 - São Paulo - SP Tel. (11) 3221-6322 Fax (11) 3221-6930 aeasp@sti.com.br/aeasp@aeasp.org.br Os artigos assinados não refletem a opinião da AEASP. Permitidaa reprodução com citação da fonte.

respeito a agronomia e ao engenheiro agrônomo. Um Feliz Natal a todos os nossos associados e leitores e as suas famílias e que 2010 traga a todos nós desafios estimulantes e saborosas vitórias! Boa leitura! Um abraço, Eng. Agr. Arlei Arnaldo Madeira

Rua 24 de Maio, 104 - 10º andar CEP 01041-000 São Paulo - SP Tel. (11) 3221-6322 Fax (11) 3221-6930 aeasp@sti.com.br/aeasp@aeasp.org.br


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Celebrar é preciso Churrasco, música e muita animação marcaram a festa do Clube dos Agrônomos de Campinas Entre sócios, parentes, amigos, profissionais de áreas correlatas e convidados, cerca de 240 pessoas estiveram reunidas na Sede do Clube dos Agrônomos de Campinas, (CAC) para prestigiar a tradicional Festa dos Agrônomos. Em clima de descontração, o CAC homenageou vários colegas com o Prêmio Mérito Profissional. Numa festa regada a churrasco do bom e embalada pela legítima música popular brasileira, os presentes celebraram o Dia do Engenheiro Agrônomo. E quem recebeu a medalha Destaque Mérito profissional deste ano foi a engª. Agr. Ana Meire Coelho F. Natividade, diretora da Aeasp e do CAC. Ela agradeceu, emocionada, aos pais, aos amigos e colegas de profissão e chamou seu filho Pedro ao palco para receber o prêmio junto com ela e ofereceu o prêmio especialmente a ele pelo apoio e a participação do garoto nos momentos mais importantes de sua vida. “Depois da minha casa e da casa de meus pais, o CAC é a minha casa, a minha família. Aqui nós temos embates calorosos, técnicos e políticos, sobre o destino da agronomia, mas também temos o apoio de uma família, somos como irmãos”, discursou Ana Meire. O reconhecimento ao Destaque do Estado de São Paulo, Medalha Fernando Costa, na categoria Iniciativa Privada, foi conferido pela Aeasp ao eng. agr. Henrique Mazotini, sócio do Clube desde 1975. Para Mazotini, o CAC reflete a importância da pesquisa e da extensão e do compromisso profissional dos engenheiros agrônomos. “Por isso ser homenageado aqui é um feito de muita honra”, diz. O eng. agr. Nelson Sabino, presidente do Conselho Deliberativo do CAC e o eng. agr. Arlei Arnaldo Madeira, presidente da Aeasp

Os premiados

Patrocinadores:

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chamaram ao palco o eng. agr. Ivan Wedekin, escolhido engenheiro agrônomo do ano, para receber as homenagens. Fernando Gallina, presidente do CAC, agradeceu a presença de todos e destacou a participação dos patrocinadores sem os quais não seria possível realizar tal evento, “são empresas que acreditaram nos agrônomos como profissionais que continuam a alavancar a agricultura”. Galina disse que para ele o CAC é uma oportunidade de relacionamentos pessoais e profissionais. Ele também falou da importância de resgatar a participação dos engenheiros agrônomos nesse tipo de evento. “Como se pode ver, o CAC ainda tem muito poder de sinergia. E queremos ampliar essa sinergia no relacionamento com a sociedade, entidades afins e com a iniciativa privada”. “A Aeasp e o Clube dos Agrônomos de Campinas tem um casamento antigo, nasceram praticamente juntos”, comentou Arlei Arnaldo Madeira, presidente da Aeasp. E continuou. “Essa é a união do útil com o agradável, o útil dos serviços prestados pela Aeasp na defesa dos interesses dos agrônomos com o agradável do CAC que é o espaço para as comemorações e as celebrações das glórias da agronomia. Tem movimentos que começam no Clube e chegam na Aeasp e viceversa. A maioria dos ex-presidentes do Clube foram da Aeasp”. Aqueles que já foram contemplados com o Prêmio Mérito Profissional em anos anteriores também receberam a Medalha “Mérito Profissional. Um a um foram chamados ao palco os eng. agrônomos Ângelo Paes de Camargo, 1991( in memorian); Jose Fernando Lazzarini, 1992; Carlos Marçal Zuppi da Conceição, 1993; Reinaldo da Silva Ramos, 1994 (in memorian); Hilton Silveira Pinto, 1995; Natalino Babá, 1996 (in memorian); Orivaldo Brunini, 1997; Anthero da Costa Santiago, 1998; Álvaro Zingra do Amaral, 1999; José Osmar Lorenzi, 2000; Benedito Eurico das Neves Filho, 2001; Rogério Remo Alfonsi, 2002; Fernando Gallina, 2003; Nelson Paulieri Sabino, 2004; Rubens Rodolfo Albuquerque Lordello, 2005; Roberto Antonio Tomaziello, 2006; Henrique Mazotini, 2007 e Taís Tostes Graziano, 2008.

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A importância do Equipamento de Proteção Individual no campo Recentemente o Serviço Nacional de Informações Toxicológicas (SINITOX), da Fundação Oswaldo Cruz, publicou uma informação preocupante. Houve aumento do número de intoxicações originadas no setor rural e causadas pelos agroquimicos. Cerca de 17 % foi o valor deste aumento. Se fizermos um rápido raciocínio com base em uma informação da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, veremos que para cada caso notificado nos hospitais da rede pública, acontecem outros 50 que não foram notificados. Portanto é um número enorme, causando danos à sociedade e um grande ônus ao setor de saúde pública. Por outro lado, o uso de proteção durante as aplicações de agroquímicos é lei e tem seu uso exigido pela Norma Regulamentadora 31 (NR31). Tal fato não vem sendo observado tanto quanto seria desejável. No entanto nota-se que nos últimos anos têm crescido o uso do EPI no meio rural. Os esforços do governo, empresas fabricantes de agrotóxicos, entidades ligadas ao setor produtivo rural são grandes. Os fabricantes de EPI têm feito novos investimentos em melhoria da qualidade, além de tentarem oferecer novos produtos com maior grau de proteção. A indústria tem feito enormes investimentos em novos e mais seguros produtos. Mas ainda não é suficiente para que se evitem intoxicações. É preciso, antes de tudo, que o agricultor tenha consciência da gravidade do problema e das conseqüências quando ocorre uma intoxicação. Alguns países não tributam este segmento por entender que é melhor proteger o trabalhador, tal medida empurra o preço do EPI para baixo, o que promove conseqüente aumento na utilização. Esse modelo também seria o ideal para o Brasil. E já temos um bom exemplo, o estado do Paraná foi o pioneiro em dar deferimento de 100%, ou seja, o total do ICMS sobre a fabricação local do EPI. O Instituto Agronômico de Campinas tem um trabalho feito pelo Dr. Hamilton Ramos que mostra o índice de segurança fornecida pelos EPI’s atualmente no mercado nacional, mais de 95 % de proteção. Por isso é essencial que o engenheiro agrônomo insista na indicação de uso do equipamento. Porém só o uso do EPI não basta para proteger o aplicador. É necessário que ele tenha atenção e cuide da máquina e da sua regulagem correta. Portanto a tecnologia da aplicação de defensivos deve contemplar os vários aspectos do conhecimento adquirido. O Instituto Agronômico de Jundiaí em conjunto com indústrias realiza o treinamento de aplicadores.

Orientação correta Cada vez mais precisamos ter conhecimento global e incluir outros aspectos como: cultura, praga ou doença a ser combatida, opções de tratamentos, máquinas ideais, clima, entre outros. É comum o aplicador não ter sido treinado para trabalhar com segurança, nem mesmo orientado em como utilizar as máquinas e equipamentos de proteção. Devemos orientar os empregadores para procurar órgãos como o Instituto Agronômico e o Senar para treinamentos dos aplicadores. Recentemente, a Anvisa alertou sobre o fato de que os EPI’s devem ser adequados ao trabalho efetuado e propiciar conforto térmico ao aplicador. Assim, várias empresas que fabricam EPI têm foco para o sistema de aplicação (trator, costal, atomizador, aéreo, etc), também voltado para a cultura. Nota-se que o EPI que se usa em soja ou milho não é o mesmo que devem ser utilizado em culturas como flores e fruticultura. Os modelos devem observar as características da cultura. O Engenheiro Agrônomo é o grande propulsor desta empreitada que visa proteger os aplicadores. Ele é que irá orientar quanto ao uso correto e a adequação do EPI ao trabalho do aplicador. Em meu MBA

Crédito: Divulgação.

Eng. agrônomo Paulo S. Formagio, da Protect Confecção de EPIS

pude observar que no cinturão verde de São Paulo, 18% dos horticultores, fruticultores e floricultores usavam EPI. Ou seja, há ainda uma grande necessidade de conscientizar produtores e aplicadores sobre a importância do EPI.

Novidades do mercado Uma grande novidade é à entrada de empresas como a INOVE que aluga o EPI e fica responsável pela higienização e descontaminação dos mesmos. Para as grandes empresas do agronegócio é compensador, pois elas eliminam a necessidade de construir lavanderias, que possuem alto custo, demandam mão de obra especializada e controle de tamanhos e produtos. Existe produto que não remove o fluocarbono, que na verdade é o responsável pela hidrorepelência. O Desoquem é novo no mercado e tem registro para esta finalidade. A proteção do trabalhador rural também deve observar o uso de protetor solar, tão importante na prevenção de tumores de pele. Hoje existem, inclusive, combinações com repelente de insetos.

Onde encontrar mais informação: • Órgãos como o IAC tem ajudado no desenvolvimento de testes de EPI. O Instituto montou laboratório para avaliação de tecidos e EPI no mercado. • A ANDAV oferece treinamento de vendedores de revendas. • A ANDEF contribui, via fabricantes de agroquimicos, fazendo treinamentos e palestras. • As empresas fabricantes de agroquimicos tem feito esforço e vários são os programas como: Aplique Bem, da Arysta; EPI Responsável, da Ihara; Segurança e Solidariedade, da Syngenta; Segurança no Campo, da Du Pont, entre outros. A Jacto, maior fabricante de pulverizadores do país, colocou um forte programa de expansão do uso correto do EPI. JORNAL DO ENGENHEIRO AGRÔNOMO

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Revisão dos Índices

de produtividade e reforma agrária É preciso menos ideologia e mais racionalidade

A revisão dos índices de produtividade da terra proposta pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) chama a atenção do país para a questão da função da terra e para a produção agrícola. De acordo com o projeto, os índicadores que medem a produtividade das propriedades rurais devem ser atualizados por meio de uma portaria interministerial tomando como base os números da Produção Agrícola Municipal (PAM) realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) entre 1996 e 2007- os índices atuais são de 1975. O ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel afirma que não é um projeto do MDA, mas uma medida que busca atender a um dos artigos da Constituição que determina a função social da terra no Brasil. Por sua vez, o ministro da agricultura Reinhold Stephanes diz que não é contra uma discussão aberta e plural em relação aos índices, mas que isso precisa ser feito de forma transparente. A senadora Kátia Abreu (DEM/TO), também presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA) conseguiu aprovar um substitutivo na Comissão de Agricultura e Reforma Agrária do Senado (CRA) ao projeto de Lei 202/2005 da senadora Lúcia Vânia (PSDB/GO), que acaba com a exigência de que o produtor rural atinja, simultaneamente, os índices de 80% do Grau de Utilização da Terra (GUT), e de 100% do Grau de Eficiência de Exploração (GEE). Hoje, caso o produtor não atinja os dois indicadores, sua propriedade será considerada improdutiva e pode ser destinada à reforma agrária. O projeto da senadora goiana, altera a Lei Agrária (8.369) e determina a participação do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e do Conselho Nacional de Política Agrícola no estabelecimento dos índices, hoje determinados pelo MDA. O consenso parece distante, mas entre um extremo e outro, surgem propostas alternativas. O eng. agrônomo e pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Eliseu Alves, desenvolveu um método que calcula a produtividade a partir da renda da empresa agropecuária. Nesse caso, a divisão da renda bruta da propriedade pelo custo total do produtor gerariam o índice de produtividade. O pesquisador afirma que um índice adequado deve levar em conta fatores adicionais ao do uso da terra, como o custo do produtor, que influencia a saúde financeira da propriedade, diferente do que estabelece a atual forma de cálculo.

Produtor acuado A Sociedade Rural Brasileira também é contra os índices de produtividade e em artigo escrito por seu presidente, Cesário Ramalho para a Folha de São Paulo, ele sugere um outro modelo para viabilizar o acesso a terra. “Será que uma reforma agrária distributivista é a única forma que o governo imagina para o acesso à terra? Para as cidades, temos programas de financiamento, como o “Minha casa, Minha vida”. Por que

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Credito: Dodora Teixeira / Itesp

Gustavo Gonçalves Ungaro, diretor executivo do Itesp (foto 1) e Assentamento Santo Expedito, em Teodoro Sampaio (SP) (foto 2)

não tentar algo similar para o campo? O debate sobre o tema deve ser feito sem viés ideológico”, assinala o dirigente. O episódio da invasão pelos Sem Terra ao laranjal da Cutrale reforça o questionamento sobre a reforma agrária nos moldes como tem sido concebido no país. Se o objetivo da reforma é realizar a divisão social justa da terra e promover e gerar renda e produtividade para as pessoas assentadas e comunidades. A pergunta que se faz é: os assentamentos estariam capacitados a também se enquadrarem em algum nível de produtividade? É de conhecimento público que poucos assentamentos no Brasil conseguem ser produtivos. Na maioria deles, as pessoas ainda estão tentando simplesmente sobreviver. De acordo com notícia publicada no jornal O Estado de São Paulo, a partir do anúncio da revisão do índice de produtividade, houve uma corrida rumo aos assentamentos na região noroeste do Estado de São Paulo. Nessa região, considerada a nova fronteira da cana-de-açúcar no Estado, muitas fazendas não atingirão o novo índice porque são áreas que estão no limite do índice de produtividade atual, de 70 toneladas de cana por hectare. Portanto os produtores rurais dessas terras correm risco de perdê-las. Cabe aí outra pergunta: como justificar à sociedade uma possível decisão de tomar de um produtor rural uma terra que gera 70 toneladas de cana e transferi-la a agricultores que, sem o devido suporte, certamente não atingirão nem metade desta produção? O diretor do Instituto de Terras de São Paulo, Gustavo Gonçalves Ungaro acredita ser possível transformar a reforma agrária numa política de desenvolvimento econômico. “Ela deve aproveitar áreas improdutivas, ociosas ou indevidamente utilizadas e de inclusão social, pois deve beneficiar trabalhadores rurais pobres, propiciando condições para melhoria da qualidade de vida e da produção de alimentos”. Ele critica, no entanto, o episódio ocorrido na lavoura da Cutrale. “A reforma agrária deve ser executada conforme determina a Constituição, nos moldes democráticos do Estado de Direito, com o poder público cumprindo seu dever e a sociedade participando do processo, sem negociatas nem violência”. E continua. “A reforma nunca deveria ser confundida com destruição, selvageria, banditismo. Ações midiáticas de derrubada de árvores frutíferas, danificação de equipamentos e instalações voltadas à produção rural, expulsão de trabalhadores de suas casas não são exemplos da livre e legítima manifestação pública, e sim condutas contraproducentes, que despertam antipatia e repulsa, contribuindo para a estigmatização negativa de uma política pública essencialmente positiva a todos”. Ungaro afirma que em São Paulo a produtividade dos assentamentos é superior à verificada nos demais Estados. “As famílias contempladas pela reforma agrária em São Paulo melhoram muito de vida ao serem assentadas, pois deixam de viver precariamente, muitas vezes em barracos de lona instalados em beiras de estradas, passam a ter espaço para produzir, sustentar-se e gerar a própria renda, morando sem custo e contando com apoio técnico para o desenvolvimento, acessando financiamentos específicos”. E acrescenta. “Há espaço no Brasil para a agricultura familiar e para o agronegócio, ainda existem terras devolutas e improdutivas para a realização de novos assentamentos”. Já o eng. agr. Francisco Alberto Pino, pesquisador do Instituto de Economia Agrícola, é categórico: “o país perdeu o melhor momento para fazer uma reforma agrária séria, o que talvez tenha acontecido em algum ponto entre 1970 e 1990. A discussão, hoje, é meramente política, não técnica”.

Legislação ambiental O prazo final para a averbação das Reservas Legais nas propriedades rurais, que estava previsto para este mês, será adiado, o governo não informa o novo limite. Mas todos sabem que quando entrar em vigor, os produtores que não estiverem regularizados poderão sofrer multas que chegam até 100 mil reais. Independente da lei, muitos já estão correndo para se adequar às normas ambientais e ainda precisam lidar com a pressão pelos índices de produtividade. “De uma maneira geral essa revisão do índice vem no momento errado, já estamos trabalhando para nos ajustar às novas determinações ambientais, isso após sair de uma crise em que estamos começando a nos recuperar”, comenta Alexandre Afonso Bradley Alves, que possui um plantel de 4 mil cabeças no município de Xinguara (PA) e é diretor do sindicato rural na região. “É do conhecimento de todos que os fazendeiros do Pará sofrem pressões, inclusive do mercado para atender as normas ambientais. Aqui fizemos um termo de ajuste de conduta com o ministério publico cujo prazo vence em 8 de janeiro. Essa revisão dos índices agrícolas parte de um período (1996-2007) em que o agronegócio estava muito bem, mas agora não é o caso”, reforça Bradley. Na opinião de Francisco Pino, pesquisador do IEA, “não existem soluções mágicas, de curto prazo”. “Em primeiro lugar, é preciso que as pessoas se conscientizem de que o ambiente é limitado e se for destruído, o restante também o será, inclusive a agropecuária”. O pesquisador complementa. “Uma vez que se tenha decidido produzir de forma racional, o passo seguinte será desenvolver os pacotes tecnológicos que atendam a essas necessidades, tarefa reservada às instituições de pesquisa científica e tecnológica”. “A criatividade e as inovações nos métodos produtivos são necessárias ao momento histórico contemporâneo e o papel do agrônomo nessa nova empreitada, de interesse global, tem especial destaque e relevância”, complementa o diretor do Itesp.

Pela reforma que reforma O Itesp é uma fundação pública, vinculada à Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania, dedicada ao planejamento e à execução da política agrária e fundiária no Estado. Possui 24 escritórios, mais de 600 servidores concursados e concentra suas atividades nas regiões que mais demandam políticas públicas, atendendo a mais de 10,2 mil famílias assentadas, mais de mil famílias quilombolas. Já entregou mais de 25 mil títulos de propriedade por meio do programa Minha Terra de regularização fundiária. Atualmente trabalham no Itesp 70 eng. agrônomos, a maioria em atividades no campo, orientando assentados. Eles também realizam vistorias e laudos de avaliação da produtividade de imóveis rurais, subsidiando tecnicamente o processo a ser formalizado judicialmente pelo Incra. A entidade também investe nos assentamentos já instalados, em infra-estrutura, recuperação ambiental, programas de capacitação, de aumento da produção, de geração de renda e de fortalecimento da cidadania, apoiando a criação de associação e cooperativas e a inclusão em programas sociais.

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Golpe de estado na sanidade vegetal Eng.º Agrônomo Tulio Teixeira de Oliveira, diretor executivo da Associação Brasileira dos Defensivos Genéricos (AENDA)

Era uma vez um país americano democrático, pero no mucho. Sua carta de constituição demandava três poderes a serviço da população. A principal tarefa desses poderes era prover ao povo a alimentação, representada pelo pão. Ao 1º Poder cabia a produção ou aquisição do trigo e um pouco de mandioca, para dar um sabor nativo. O 2º Poder era responsável pelo fabrico do pão. O 3º Poder tinha a incumbência de distribuir o sacrossanto alimento. Um belo dia o 2º Poder recusou um grande lote de trigo do 1º Poder, alegando contaminação por 14 agrotóxicos. Resultado: um quarto da população ficou sem pão... Só água que naquelas terras era abundante. O 1º Poder afirmou que não era bem assim, que os agrotóxicos eram necessários, pois pior era ficar sem eles e não alcançar a quantidade de trigo e mandioca planejada. O 3º Poder informou que a distribuição havia sido racionada, de forma que toda a população havia recebido seu pão, em quantidades “sustentáveis”. Como o 2º Poder não abriu mão de seu direito discricionário, a situação permaneceu e novos lotes de trigo foram recusados e a população apertou mais ainda o cinto com a nova dieta imposta. Reuniram-se os mandachuvas da nação. A representação do 1º Poder solicitou a suspensão do rechaço dos lotes, enquanto os Três Poderes não chegassem a um acordo. Não houve armistício, o problema persistiu. Foi chamada a Organização Euroasiatica (OEA) oder, alegando contaminaote de trigo do 1o a alimenta para intermediar (*). Em frente ao Castelo Cívico onde a conferência se realizava o povo fazia protestos. (*) OEA = Organização Não Governamental dos países mais produtores de agrotóxicos, portanto entendidos no assunto. OEA recomendou retirar da grade de produtos usados na produção aqueles agrotóxicos mais antigos (e mais concorridos) e substituí-los por novos produtos (*), não importando o custo. (*) Os mais antigos são mais estudados e já se sabe os riscos potenciais, enquanto os novos produtos não apresentam grandes riscos, ao menos nos primeiros 20 anos de vida, quando estão sob proteção de patente. O 1º Poder “fez beicinho”, mas concordou. O Ministro Em Chefe do Castelo Cívico bateu então o martelo. Estava encerrado mais um golpe dentro do democrático, desarticulado e incompetente Estado americano. E os custos dispararam. Pobre Estado, incapaz de administrar suas potencialidades, avesso a planejamento sério e continuado, prefere a emoção pontual à razão conjuntural, freqüente e facilmente se rende a influências e estratégias externas. www.aenda.org.br / aenda@aenda.org.br

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Reflexões no dia do agrônomo na ESALQ Todos os anos a ESALQ celebra em Piracicaba o Dia do Agrônomo, comemorado em 12 de outubro, com a reunião de técnicos que completam 25 e 50 anos de formatura. Este ano, dentre os destaques das festividades, ocorreu a homenagem da entrega pelo Diretor Roque Dechen de significativa cópia do alto relevo “O Semeador” ao eng. agr. Fernando Cardoso “pelo muito que semeou em prol do agronegócio brasileiro”. O presidente da Fundação Agrisus, graduado há 73 anos, agradeceu comovido a honraria. Convidado a falar em nome da classe agronômica, sugeriu que sua fala se resumisse a um Momento de Memória ao agrônomo Norman Borlaug, recém falecido, que havia enobrecido a profissão com suas atividades direcionadas à produção de alimentos e ao combate à fome no âmbito universal. Cardoso disse que a vida de Borlaug era uma inspiração para o exercício da profissão ligada à agronomia e relembrou que ele foi um grande amigo do Brasil e um entusiasta da conversão dos solos fracos do cerrado em terras agricultáveis de alta fertilidade. E leu trechos pronunciados por Borlaug em 2004, naquele mesmo salão da ESALQ: “Sempre tenho lido a respeito dos terrenos ácidos do cerrado. Depois de nove anos os revisitei. E porque estou fascinado? Simplesmente porque esses solos tinham uma produtividade baixa e nunca foram cultivados. A natureza também ocasiona desastres, tirando [do solo] todos os nutrientes como o cálcio, o magnésio e todos os demais componentes dos fertilizantes. Vocês têm corrigido este aspecto negativo da natureza e isso me deixa fascinado. Agora, nesta viagem, estive vendo não somente terrenos novos ou recuperados do cerrado, mas estive vendo terrenos que por muitas décadas foram de pastagem, com forragem para o gado, e que voltaram a ser cultivados em rotação para aumentar a produção, com tecnologia como o plantio direto, reduzindo assim a erosão. Vocês têm sido pioneiros nestes dois aspectos e admiro o que têm conseguido. Isso me deixa muito gratificado quando leio a respeito das neces-

sidades de alimento do mundo para as próximas três décadas. Logicamente que com 90 anos não tenho como pensar nos próximos 30 anos pois não estarei presente. Mas vocês jovens e também os senhores com menos anos do que eu, verão muitas dessas mudanças”. O orador lembrou ainda trechos de correspondência recebida em 1995 e 2004, após visita ao cerrado do Brasil Central em sua companhia: “Estou convencido de que o que está ocorrendo no Cerrado é um dos mais espetaculares eventos de desenvolvimento agrícola que se realizou no mundo nos últimos cem anos. Eu jamais poderia imaginar que durante minha vida pudesse presenciar o desenvolvimento de uma tecnologia que iria converter essas grandes áreas de solo infértil e com boas chuvas, de uma vegetação de campo e arbustos para um solo agrícola altamente produtivo. Eu ouso prever que lá pelo ano 2010 haverá uma tremenda quantidade de grãos básicos ‑ arroz, milho, sorgo, soja e feijão ‑ a ser exportada para os mais diversos países do mundo, a qual terá sido produzida no cerrado. Penso que a tecnologia de produção como cultivo mínimo ou plantio direto que vocês estão introduzindo no Cerrado, tem especial significado por ser, em si mesmo, um método conservacionista de especial excelência. O progresso alcançado por seu país desde minha visita em 1995 é fantástico. A rápida expansão da soja em muitas áreas de solo ácido, com rendimento crescente, é, por si só, uma conquista fantástica. Todavia, uma conquista talvez ainda maior virá a ser a transformação dos pastos de braquiária em solos pobres, ora com capacidade de suporte de uma vaca por hectare. Produtores adiantados estão adubando, calcareando e desenvolvendo rotações de soja/soja com retorno a pasto então melhorado, obtendo um acréscimo de capacidade de suporte de menos de 1 animal por ha para mais de 4,5 cabeças por ha. Isso torna possível aos criadores aumentar de muito sua receita em dinheiro durante 3 ou 4 colheitas, com melhoria das pastagens durante os períodos subseqüentes de 4 a 5 anos. Para mim trata-se de um procedimento novo do maior interesse, muito embora somente os pecuaristas mais progressistas o estejam adotando”.

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agrônomo é notícia

O XXVI Congresso Brasileiro de Agronomia 2009 (CBA) teve como tema “Agricultura Forte: Alimento, Energia e Meio Ambiente”. A forte demanda agrícola dos países emergentes, o potencial da agricultura brasileira em todos os aspectos, inclusive no domínio das tecnologias verdes, e também os desafios das mudanças climáticas para o setor foram os assuntos mais debatidos. O presidente e os diretores da AEASP estiveram presentes a este importante evento e puderam testemunhar a relevância dos temas tratados. Realizado pela Confederação dos Engenheiros Agrônomos do Brasil (Confaeab) e Sociedade de Agronomia do Rio Grande do Sul (Sargs), o evento teve como patrono o engenheiro agrônomo Luiz Fernando Cirne Lima, ex-ministro da Agricultura. O Congresso teve o apoio do Conselho Federal de engenharia, arquitetura e Agronomia (Confea) e do Conselho Regional de engenharia, arquitetura e Agronomia (CREA-RS). A governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius, presidente de honra, abriu o CBA 2009, em seu discurso ela saudou o retorno do evento ao estado após 40 anos. “O Congresso foi um sucesso e teve a participação de mais de 1000 profissionais inscritos, além dos que passaram pelo mesmo sem

Credito: Divulgação.

Congresso Brasileiro de Agronomia 2009

Diretores da AEASP no CBA 2009

se inscreverem. Destaque merece ser dado aos colegas palestrantes, Roque Dechen (ESALQ), Roberto Rodrigues (FGV), José Mentem (ANDEF) e Pinazza (ABAG) que brilharam com suas apresentações”, comenta o diretor da AEASP, Nelson de Oliveira Matheus.

ALESP parabeniza os engenheiros agrônomos A Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo encaminhou seus votos de congratulações para aos engenheiros agrônomo por meio de ofício enviado à AEASP, em outubro. Assinado pelo dep. Edmir Chedid, reproduzimos abaixo um trecho: “O agrônomo exerce atividades sempre direta ou indiretamente ligadas à agropecuária, que envolvem a utilização de recursos naturais (água, solo e ar), de métodos, técnicas e insumos em potencial perigosos à saúde da população e dos animais e para o meio ambiente. Por isto é importante que estes profissionais, ainda mais do que os de outras especialidades, estejam atualizados e sempre muito bem informados sobre as conseqüências de seu trabalho”. “Nesta data tão significativa e com a certeza da importância dessa profissão para todos os brasileiros, parabéns pela passagem de mais um aniversário”.

Os diretores da AEASP, Luiz Ricardo Viegas de Carvalho, Tulio Teixeira de Oliveira e Nelson de Oliveira Matheus estiveram na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo (ALESP) para entregar Parecer da entidade contra o Projeto de Lei 743/2009, de autoria do Deputado Simão Pedro, o qual prevê o banimento no Estado de todos os agrotóxicos contendo determinados ingredientes ativos. São 14 os ingredientes ativos atingidos, fato que trará grande perda para a defesa fitossanitária e aumento imediato dos custos da produção agrícola. O Deputado João Caramez, da Comissão da Agricultura, recepcionou a comitiva e prometeu defender “essa justa causa da AEASP e do setor agrícola”.

Credito: Divulgação.

AEASP contra o PL 743/2009

Da direita para a esquerda, Luiz Ricardo Viegas de Carvalho, Dep. João Caramez, Tulio Teixeira de Oliveira e Nelson de Oliveira Matheus

Agricultura orgânica em festa Comemorou-se no dia 14 de novembro o aniversário de 20 anos da Associação de Agricultura Orgânica (AAO). A festa aconteceu no anfiteatro do Parque da Água Branca com direito a café da manhã, a base produtos orgânicos, claro. AEASP se fez presente com dois de seus diretores, Nelson de Oliveira Matheus e o Rene de Paula de Posso. Também compareceram a senadora Marina da Silva, o secretário Xico Graziano e a brilhante eng. agrônoma Ana Maria Primavesi. E alguns dos militantes da causa, como os eng. agrônomos José Pedro Santiago e o Baltazar, conhecido como “Carcaça”, o prof. Adilson Pascoal e a presidente da Câmara Setorial de Agricultura Ecológica, Aracy Kamiama. A presidente da AAO é a colega Ondalva Serrano, aposentada da ESALQ, expert em planejamento que com energia e criatividade busca novos rumos para a entidade.

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AEASP promove encontro

Em 07 de outubro de 1944, um grupo de engenheiros agrônomos fundou a Sociedade Paulista de Agronomia que a partir de 1970 passou a chamar-se Associação de Engenheiros Agrônomos do Estado de São Paulo. Ao completar 65 anos, a entidade mantém o propósito firme de tornar a engenharia agronômica cada vez mais reconhecida pela sociedade e enche a todos de orgulho por sua história. Os diretores e o presidente da AEASP desejam que o crescimento e a representatividade da Associação venha atender aos anseios de todos. O sonho dos fundadores se mantém vivo.

Em 5 de outubro, a AEASP promoveu em sua sede o encontro dos colegas José Levi Montebello e Fernando Cesar Juliatti , ambos concorrentes ao cargo de presidente da CONFAEAB. Na ocasião os candidatos fizeram suas proposições. E no dia 14 de outubro ocorreram as eleições da CONFAEAB, o eng. agr. Levi Motebello foi escolhido como o novo presidente da entidade. Fotos: Luciana Magalhães.

65 anos de AEASP

Lançamento: "Adubação Verde no Estado de São Paulo" Recentemente foi lançado o Boletim Técnico: "Adubação Verde no Estado de São Paulo". Esta publicação de 89 páginas e amplamente ilustrada, contém recomendações úteis sobre a prática da adubação verde. Os autores: Elaine Wutke; Paulo E. Trani; Edmilson Ambrosano, do Instituto Agronômico de Campinas e Mário Ivo Drugowich da CATI, consideram a utilização de adubos verdes como uma técnica agronômica perfeitamente inserida dentro do contexto de agricultura sustentável.

Diretores da AEASP reunidos na sede da entidade

O Boletim Técnico pode ser adquirido junto à CATI através dos fones (19) 3743-3858 e (19) 3241-7191 ou pelo e-mail: carmen@cati.sp.gov.br

Nova diretoria da Mútua nacional A nova Diretoria Executiva da Mútua é composta pelo arquiteto José Wellington Costa (diretor presidente), engenheiro agrônomo Cláudio Pereira Calheiros (diretor de Benefícios), engenheiro agrônomo Ricardo Antonio de Arruda Veiga (diretor Financeiro), engenheiro civil Geraldo Sena Neto (diretor Administrativo) e técnico agrícola Marcos de Sousa (diretor de Tecnologia da Informação) - este, reeleito. O diretor financeiro Ricardo de Arruda Veiga, também conselheiro da AEASP, ressaltou que a Mútua é uma organização em eterna construção. “Vai ser um prazer poder colocar um azulejo na construção da Mútua. Juntos, nós, que assumimos agora a diretoria executiva da Mútua, vamos poder inserir com letras de ouro algo sólido e bonito para ficar nas páginas que constituem a história desta Instituição”.

Arlei Arnaldo Madeira (ao centro) recebe José Levi Montebello e Fernando Cezar Juliatti

Lançamento A eng. agr. Márcia Inês Martin Silveira Lopes, pesquisadora do Instituto de Botânica, acaba de lançar o livro “Patrimônio da Reserva Biológica do Alto da Serra de Paranapiacaba - a antiga Estação Biológica do Alto da Serra”. Em novembro, a Reserva Biológica do Alto da Serra de Paranapiacaba completou 100 anos.

Uma engª. agrônoma no Conselho Estadual da Agricultura Familiar Os membros do Conselho Estadual de Desenvolvimento da Agricultura Familiar (Cedaf ) tomaram posse em outubro último. O conselho é presidido pelo secretário João Sampaio e conta com a engenheira agrônoma Marly Teresinha Pereira como secretária executiva, ela também é responsável pelo Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf/SP). O Ceaf foi instituído pelo Decreto nº 53.623, de 30/10/2008, pelo governador José Serra, como órgão colegiado integrante da estrutura básica da Secretaria de Agricultura e Abastecimento. O evento representa um marco importante para o fortalecimento da agricultura familiar paulista, que hoje conta com cerca de 150 mil famílias no Estado, conforme dados do Levantamento Censitário das Unidades de Produção Agropecuária de São Paulo (Lupa). A agricultura familiar representa 50% das unidades de produção rural do Estado.

Marly Terezinha Pereira, Secretária Executiva Estadual do PRONAF Estadual e Integrante do Conselho Estadual do CEDAF.

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Esalqueanos celebram a agronomia O encontro de confraternização dos ex-alunos da Esalq encerrou a 52ª Semana Luiz de Queiroz. Na ocasião foram homenageadas as turmas qüinqüenais de Engenharia Agronômica, Engenharia Florestal, Economia Doméstica e Ciências Econômicas de 1934 (Jubileu de Diamante), 1939, 1944, 1949, 1954, 1959 (Jubileu de Ouro), 1964, 1969, 1974, 1979, 1984 (Jubileu de Prata), 1989, 1994, 1999, 2004. A emoção esteve presente em vários momentos, o clima era de alegria e celebração. No salão lotado, esalqueanos de todas as idades se cumprimentava, se reencontravam e reverenciavam o seu ofício; nada menos que 11 ex-alunos vierem do exterior especialmente para o evento. No palco estavam Roberto Rodrigues, Arlei Arnaldo Madeira, Roque Dechen, Cristiano Walter Simon, Fernando Penteado, Cesário Ramalho, Ivan Wedekin, Natal Antonio Vello, Joaquim José de Camargo Engler, Wilson Roberto Soares Mattos e Antonio Carlos Mendes Thame. Num dos pontos altos da comemoração, o Dr. Fernando Penteado, após receber do diretor da Esalq, Roque Dechen, uma cópia em alto relevo do “Semeador” e ser ovacionado pelos presentes, agradeceu. “Talvez eu mereça o prêmio Semeador por ter semeado conhecimentos técnicos. Hoje eu me senti uma espécie de ave rara ao receber aplausos de todos aqui, mas não precisam ter ciúmes porque se trata de uma espécie em extinção”, brincou. Ele exaltou a figura de Norman Borlaug, falecido recentemente, destacou sua luta para alimentar os povos da Ásia e África e relembrou que ele foi um grande amigo do Brasil e um entusiasta da conversão dos solos fracos do cerrado em terras agricultáveis de alta fertilidade. José Cassiano Gomes dos Reis Júnior, que presidiu o Centro Acadêmico da Esalq (Calq) em duas gestões (1956-1957/1957-1958), também foi homenageado e, sob os aplausos dos colegas, recebeu medalha e diploma da atual presidente do Calq, Maria Luisa Aguiar. A entrada das turmas reservou vários momentos emocionantes dos quais se destacam o discurso de Marcos Jank, orador da turma de 1984, que falou dos bons momentos vividos na Esalq, da saudade e do prazer de rever os colegas, encerrando com um poema de Carlos Drumont de Andrade. Outro destaque da festa foi a participação do Sr. Hylton de Carvalho, da turma de 1959, que adentrou o salão nobre em cadeira de rodas e muito emocionado recebeu o aplauso dos presentes. Na turma de 1944, quem diria, havia uma mulher. Se hoje é crescente o número de mulheres nos cursos de agronomia, pode-se dizer que a Sra. Dixier Marozzi Medina foi pioneira. Ela subiu ao palco para receber as homenagens de seu neto, o pesquisador da Esalq Rodrigo Medina. José Carlos Masquete era só alegria ao ser chamado ao palco para ser cumprimentado pelas três filhas engenheiras agrônomas. O orgulho de ser engenheiro agrônomo era algo que se via em cada rosto presente ao evento de encerramento da 52ª Semana Luiz de Queiroz. Além das turmas, também receberam homenagens por seus aniversários, a Universidade de São Paulo (USP), 75 anos; Centro Acadêmico Luiz de Queiroz (CALQ), 100 anos; Sociedade Rural Brasileira (SRB), 90 anos; Reconhecimento da Profissão de Engenheiro Agrônomo pelo sistema Confea/Crea, 75 anos; Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia de São Paulo (Crea-SP), 75 anos; Associação de Engenheiros Agrônomos do Estado de São Paulo (Aeasp), 65 anos; Scientia Agricola, revista científica da USP, 65 anos; Pós-Graduação da ESALQ, 45 anos; Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep), 45 anos; Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef ), 35 anos; Emissoras Pioneiras de Televisão (EPTV), 30 anos; Convênio ESALQ/BM&F, 15 anos. Como manda a tradição, durante o evento, a Aeasp prestou homenagem ao Engenheiro Agrônomo do Ano, neste ano o indicado foi Ivan Wedekin (ESALQ F-74), atual diretor de commodities da BM&F/BOVESPA.

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Agronomia da UFSCar, pronta para os novos tempos

O curso de Engenharia Agronômica do Centro de Ciências Agrárias (CCA) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) foi criado em 1993 com a proposta pioneira de oferecer um curso que compreenda as transformações sociais, tecnológicas e principalmente ambientais, que acontecem em ritmo crescente no âmbito da produção agrícola. Com duração de cinco anos, o curso tem por objetivo formar profissionais com sólida capacidade técnico-científica e responsabilidade social, tornando o aluno apto a administrar e aperfeiçoar os diversos fatores que compõem os sistemas de produção agrícola, buscando o desenvolvimento rural sustentável. Assim, temas como Ecologia, Biotecnologia, Agroindústria, Bioenergética, entre outros, são abordados para integrar as novas áreas do conhecimento. O compromisso do Curso de Engenharia Agronômica da UFSCar com a sociedade brasileira traduz-se na formação de profissionais dotados de uma visão interdisciplinar. E que sejam capazes de contribuir para o desenvolvimento da ciência e da tecnologia como cidadãos comprometidos com a construção de uma sociedade justa, equilibrada e auto-sustentável. Este compromisso está em estreita consonância com a filosofia que tem norteado as atividades de ensino, pesquisa e extensão praticadas na Universidade Federal de São Carlos. Espera-se, também, que o profissional formado pelo curso seja um ativo gerador e difusor de conhecimentos para o constante aperfeiçoamento da sociedade brasileira e, principalmente, que venha pautar as suas atividades profissionais nos princípios de respeito à fauna e à flora; na conservação e/ou recuperação da qualidade do solo, do ar e da água, no uso racional integrado e sustentável do ambiente; no emprego do raciocínio reflexivo, crítico e criativo e no atendimento das expectativas técnicas, humanas e sociais. Para atingir todas essas qualidades e transmiti-las aos seus egressos, o curso desenvolve suas atividades de ensino, pesquisa e extensão caucado nos princípios da sustentabilidade. O jovem egresso do Curso de Engenharia Agronômica da UFSCar deve estar apto a oferecer ao mercado de trabalho e a sociedade: • Sólida formação básica, científica e tecnológica relacionadas aos sistemas agroecológico e agroindustrial. • Capacidade de se adaptar a várias funções na sua área de atuação profissional e ter consciência de que a sua formação profissional requer atualização continuada.

• Capacidade de tomar decisões técnicas e administrativas em empresas, cooperativas, associações e em outras formas de organização econômica e social. • Compreensão adequada dos processos agroecológico e agroindustrial que o qualifique para diagnosticar problemas e propor soluções dentro da sua realidade socioeconômica. • Capacidade de análise crítica e visão holística do processo de desenvolvimento em uma base sustentável. • Compreensão da realidade histórica, política e social que capacite a atuar com seu agente de modificação. • Capacidade de valorizar e respeitar o meio ambiente. • Espírito empreendedor, senso ético e capacidade de trabalhar em equipe. Direcionar o desenvolvimento agrícola para modelos que atendam exigências econômicas, sociais e ambientais constitui tarefa difícil e exige mudanças estruturais. E o agrônomo tem papel muito importante nesse contexto. Por isso é necessário que o graduando tenha formação interdisciplinar, capaz de contribuir para o desenvolvimento da ciência e da tecnologia, e que tenha como princípios o respeito e o uso racional do meio ambiente, atuando como cidadãos comprometidos com a construção de uma sociedade justa, equilibrada e auto-sustentável. O agrônomo atua no complexo agroindustrial desempenhando inúmeras funções nas várias etapas do processo de exploração de culturas, desde o planejamento e implantação até a comercialização final. Mas se engana quem pensa que o agrônomo está destinado a passar o resto da vida no campo, trabalhando diretamente na produção agrícola. No Brasil, o importante papel que o agronegócio desempenha na economia e no desenvolvimento contribui para a ampliação da atuação do agrônomo. Assim, este profissional pode atuar também nos setores públicos e privados, em órgãos e laboratórios de pesquisas, em indústrias de insumos, no melhoramento genético animal e vegetal, na nutrição e alimentação animal, em assessorias e consultorias, vistorias, perícias, avaliações, arbitramentos e pareceres técnicos, além das atividades de ensino, pesquisa e difusão de tecnologias. O curso de Engenharia Agronômica da UFSCar é ministrado no Campus do Centro de Ciências Agrárias, situado na Rodovia Anhanguera, km 174 - SP-330 - Araras - São Paulo – Brasil, aonde existem outros cursos que podem ser vistos no site www.cca.ufscar.br. JORNAL DO ENGENHEIRO AGRÔNOMO

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Instituto de Zootecnia 104 anos de pesquisas cientificas nas áreas de produção animal e pastagens Referência nacional e internacional pelo seu trabalho, o Instituto de Zootecnia (IZ-APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo completou, em 2009, 104 anos de pesquisa cientifica voltada à agropecuária. Em 1905, o Doutor Carlos Botelho, o então Secretario de Agricultura, criou o Posto Zootécnico Central no bairro da Mooca em São Paulo, onde permaneceu até 1929 quando foi transferido para o Parque da Água Branca, também na capital paulista. Em 19 de janeiro de 1970, foi criado oficialmente o Instituto de Zootecnia, no formato em que é conhecido hoje. Em 1975 a sede foi transferida para a região metropolitana de Campinas, no município de Nova Odessa (São Paulo). Atualmente o instituto possui 52 pesquisadores com formação básica bastante diversificada sendo a sua maioria engenheiros agrônomos seguidos de zootecnistas, médicos veterinários, biólogos, biomédicos, farmacêuticos e bioquímicos. Desse quadro, a quase totalidade possui titulação de mestrado e doutorado com alguns pós-doutorados. Importância Internacional O Instituto de Zootecnia é um dos três únicos institutos de pesquisa do mundo a trabalhar com toda a cadeia animal ao produzir ciência e tecnologia para uso imediato, principalmente pelos pequenos e médios produtores, com destaque em Biotécnicas aplicadas à área animal, uso de marcadores moleculares para maciez da carne, organismos geneticamente modificados (OGMS), teste ELISA, teste de imunolocalização, transferência de embriões (TE), criobipartição, biologia fina e zootecnia de precisão e rastreabilidade. Além disso, o instituto possui programas tradicionais de melhoramento genético na área animal, vegetal e em sistemas de produção. O diretor geral do IZ-APTA, pesquisador Paulo Bardauil Alcântara, salienta a importância do IZ para a agricultura e pecuária nacional e internacional “Como exemplo podemos citar nosso material genético de gado de corte que através de reprodutores ou de sêmen acha-se distribuído em todo território nacional e em muitos países, melhorando a qualidade dos rebanhos da iniciativa privada. Outro caso é o das forrageiras cujos cultivares selecionados ou melhorados pelo IZ estão em uso em todo o Brasil e em mais de vinte países, principalmente da América Latina.” O melhoramento genético de plantas forrageiras com o uso de ferramentas modernas tais como a análise multivariada, os marcadores moleculares, e os cruzamentos dirigidos para parentais bastante distantes têm garantido ganhos significativos na heterose, resultando em indivíduos superiores aos comerciais. “Também o programa de validação agronômica e zootécnica de novos cultivares possibilita um serviço inédito no Brasil direcionado às empresas de de suporte à pesquisa”, diz Bardauil. O diretor conta que nos últimos quatro anos de sua gestão o Instituto de Zootecnia avançou décadas tanto na área científica quanto na administrativa. “Merecem destaque o curso de Pós-Graduação ao nível de mestrado na área de “Produção Animal Sustentável” devidamente reconhecido pela CAPES e cujo maior diferencial é o fato de levar para a sala de aula o conhecimento acumulado em mais de cem anos de trabalhos no campo. Outro destaque deve ser dado à manipulação e obtenção de OGMs e ao macro programa de mudanças climáticas que têm como objetivo principal quantificar o impacto da pecuária de corte e leite no aquecimento global”, comenta ele. Parcerias A busca e a escolha de parceiros é algo comum no cotidiano de qualquer instituição pública. Ao longo da história do IZ, várias entidades públicas e privadas têm apoiado o Instituto através de projetos pontuais ou ao oferecer suporte às atividades de pesquisa.

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Diretor do IZ-APTA, Paulo Bardauil Alcântara e Prédio do Instituto

Dentro do setor privado alguns dos parceiros do IZ são a Cooperativa de Leite de Campinas, Usina Furlan, Sérsia, Lagoa da Serra, Alta Genetics, Sementes Matsuda, Wolf Seeds do Brasil, Sementes Rancharia, Ouro Fino Saúde Animal, Sementes JC Maschietto, CPFL, Luzia Regazzo, Copercana, BML SOL, Nutron Alimentos, Sod Solutions-EUA, Dow Agroscienses, Itograss, Semillas Papalotla-México, Fazenda Talisman, Corn Products, Hugo Tenório, Tortuga Cia Zootécnica Agrária,Vitagri, dentre outros. No setor público destacam-se a FAPESP, FINEP, CNPq-CAPES, além do apoio das fundações auxiliares FUNDAG, FUNDEPAG e FUNEP. Também o aporte do Governo do Estado feito a APTA, beneficiou o Instituto. “O Secretário João Sampaio, no ano de 2009, direcionou ao IZ reforços orçamentários significativos que foram investidos principalmente na reforma, ampliação de laboratórios de tecnologia fina. Também foram adquiridos equipamentos de última geração e recuperadas as estruturas de suporte à pesquisa”, diz Bardauil. Desafios e Perspectivas Para Paulo Bardauil, o maior desafio do Instituto de Zootecnia no momento é o seu quadro de funcionários extremamente reduzido, a falta de carreiras com remuneração adequada para enfrentar a sedução pela iniciativa privada e mesmo por outros órgão dos governos federal e estadual. De um quadro de 52 pesquisadores, 13 já possuem tempo para a aposentadoria. “A situação da área de apoio é semelhante, pois um percentual significativo já está em condições para se aposentar dentro de dois anos. A falta de um programa contínuo de reposição de pessoal, aliado aos salários não compatíveis com o mercado, oferecem uma situação de risco à continuidade dos trabalhos e mesmo à sobrevivência institucional”, alerta o diretor. “Também considero necessária uma política agrícola bem estruturada e segura que garanta investimentos significativos e contínuos à instituição, fazendo com que os projetos de médio e longo prazo possuam o necessário respaldo. Por fim, como órgão de pesquisa científica e tecnológica seus dirigentes devem estar imunes às flutuações político-partidárias, possuindo isenção e autonomia para direcionar os esforços para o benefício da sociedade.” Segundo Bardauil, as perspectivas para a Instituição estão basicamente concentradas nas mudanças e exigências da sociedade. “Nesse início de Século XXI, onde as mudanças acontecem de maneira vertiginosa, a instituição deve se preparar capacitando seu corpo técnico e administrativo para responder às demandas de maneira ágil e segura”. E continua. “A sociedade solicita, a cada dia, novas forrageiras, novas raças ou híbridos mais competitivos, alimentos mais seguros, rastreáveis e produzidos com o mínimo de impacto ambiental. Esse é, de uma maneira geral, o horizonte pelo qual a instituição deverá se pautar nos próximos quinze a vinte anos”, conclui.


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Alimentos saudáveis e qualidade de vida José Otavio Menten, mestre em Fitopatologia, doutor em Agronomia e diretor executivo da Associação Nacional de Defesa Vegetal, Andef.

A expectativa e a qualidade de vida dos homens e mulheres vêm melhorando nos últimos anos, no mundo e no Brasil. Em 30 anos, a vida média aumentou cerca de 15% e existem cada vez mais pessoas acima de 50 anos com excelente saúde e aspecto. Antigamente, essas pessoas eram consideradas “velhas”. Em 1950, havia 24.000 pessoas com mais de 100 anos no mundo. Atualmente são 269.000 e, em 2050, deverão ser 3.800.000. Dentre os diversos fatores responsáveis por esta situação que deve ser comemorada, estão: redução da taxa de mortalidade infantil no início da vida e aumento do índice de sobrevivência a doenças. Isto vem sendo conseguido graças à melhoria no saneamento básico, programas de vacinações, antibióticos/medicamentos, tecnologia médica e, em especial, aprimoramento da nutrição. Embora ainda existam obesos e subnutridos no mundo e no Brasil, em regiões ou sociedades com condições aceitáveis de desenvolvimento, as pessoas se alimentam cada vez melhor. Para que isto ocorra, há necessidade de maior disponibilidade e diversidade de alimentos de boa qualidade. Se compararmos a dieta básica dos brasileiros nas décadas de 50/60 e atualmente, serão encontradas diversas diferenças claras: mais consumo e diversidade de frutas, hortaliças, cereais e grãos. Isto significa mais proteínas/aminoácidos, sais minerais e vitaminas. A maior disponibilidade de alimentos depende, basicamente, da agricultura. São os agricultores, em suas hortas, pomares, sítios, chácaras e fazendas quem produzem os alimentos, essenciais para a melhoria da qualidade de vida das pessoas. Há 50 anos, a produção de frutas de clima temperado (uva,

maçã, pêssego etc.) era insignificante em São Paulo e no Brasil. Alface era uma das poucas verduras consumidas. Poucos conheciam rúcula, agrião, cenoura, beterraba etc. No café da manhã não se pensava em consumir suco de laranja, cereais e frutas. A utilização da gordura animal era muito maior que dos óleos vegetais. Diversos destes vegetais não eram cultivados por apresentarem muitas pragas, não tornando a produção sustentável. Dentre os diversos fatores que influem na produção está o manejo de pragas. E entre as alternativas de manejo, destaca-se o uso racional de defensivos agrícolas. Embora haja a hipótese de relação entre envelhecimento e exposição a defensivos agrícolas, os homens antes de 1930 – época em que os defensivos começaram a ser utilizados comercialmente –, envelheciam e morriam antes que nos dias atuais. Todos esses alimentos, quer sejam produzidos por técnicas convencionais (uso de fertilizantes químicos e defensivos agrícolas) ou por técnicas alternativas (orgânicos, biodinâmicos etc.) têm que ser saudáveis. Seguindo os procedimentos desenvolvidos em universidades e centros de pesquisa, produzir em quantidade, qualidade e diversidade é possível. O Brasil é o país com melhor tecnologia agrícola tropical em todo o mundo. Uma alimentação sadia e balanceada é fator essencial para a melhoria da qualidade de vida. E estes alimentos vêm do campo, da zona rural, de agricultores que assimilam o que existe de mais moderno em tecnologia agrícola. Com seu trabalho em fins de semana e feriados, com frio ou calor, chuva ou sol, estes profissionais contribuem para que os homens vivam mais e melhor.

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É fácil contribuir! Os engenheiros agrônomos e profissionais da área tecnológica que preenchem a Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) podem estar deixando de preencher o campo 31 do formulário, no qual o responsável tem o direito de destinar 10% do valor à entidade de classe de sua preferência. Ao preencher o campo com o número 058, da AEASP, o profissional estará automaticamente fazendo sua contribuição à associação, ajudando assim a manter o trabalho da Entidade de defesa e desenvolvimento da agronomia brasileira. Se o emissor deixar o campo 31 em branco a alíquota não é repassada para nossa entidade e vai direto para o Confea. Os tipos de ARTs específicas para o engenheiro agrônomo são as de Obras, Serviços, Receituário Agronômico, Desempenho de Cargo/Função e Crédito Rural.

DETALHES IMP ORTANTES: Será considerad a

nula a Anotaçã o de Responsabili dade Técnica, qu ando: 1. a qualquer te mpo, verificar-se a inexatidão de quaisquer dados nela cons tantes; 2. o Conselho Regional verific ar a incompati bilidade entre as ativid ades técnicas desenvolvidas e as atribuições pr ofissionais do s responsáveis técnicos respec tivos; 3. for caracteriz ado o exercício ilegal da profissão, em qualquer outra de suas formas . (artigo 9º - Reso lução nº 425/98 do Confea).

Tradição e Informação Para anunciar no JEA ou recebê-lo, entre em contato: Rua 24 de Maio, 104 - 10º andar CEP 01041-000 - São Paulo - SP Tel. (11) 3221-6322 Fax (11) 3221-6930 aeasp@sti.com.br/aeasp@aeasp.org.br

O Jornal do Engenheiro Agrônomo é uma publicação que completa 40 anos de existência em 2010. Ao longo dessas quase quatro décadas de atuação, este veículo tem atuado como uma tribuna para os profissionais da agronomia e para o setor agronômico, de modo geral. Seu público leitor é formado por engenheiros agrônomos, sócios da Associação de Engenheiros Agrônomos do Estado de São Paulo, autoridades, políticos e demais profissionais ligados à agropecuária. Se você precisa levar sua mensagem, seu produto ou serviço para esse público, anuncie no JEA.


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