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OLHO NA AGENDA Proposta para os HUs Nesta terça-feira, dia 24, ao meio dia haverá a exposição da proposta para fortalecimento dos hospitais universitários da UFRJ. O professor Nelson Souza e Silva, Titular aposentado da Faculdade de Medicina, participará do evento no Teatro de Arena do Cento de Ciências da Saúde (CCS). Andes-SN Ano XII no 818 23 de setembro de 2013 Central Sindical e Popular - Conlutas Jornal da Seção Sindical dos Docentes da UFRJ

No mesmo dia e horário, a professora Maria Malta, do Instituto de Economia da UFRJ, realiza a apresentação da proposta de reestruturação dos HUs no Centro de Tecnologia (CT). A exposição ocorre no Auditório do Bloco E. Os dois Centros se localizam no campus do Fundão.


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ESPECIAL

Silvana Sá, Rodrigo Ricardo e Redação

Para Ebserh, só

O

debate envolvendo a contratação da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) tem combustível suficiente para encher o auditório (o reitor prometeu realizar a sessão em local mais amplo) onde se realizará sessão do Conselho Universitário nesta quinta-feira, 26 de setembro. Render-se às pressões mercantis ao aceitar a intrusão de uma empresa na gestão de suas unidades de saúde ou reafirmar a integridade de sua autonomia universitária são questões que estão no centro deste debate. A posição da Adufrj-SSind (que ao lado do Sintufrj e do DCE, tem sido ativa protagonista do debate) durante todo o processo de discussão com a comunidade acadêmica e no Conselho Universitário foi de buscar o diálogo e a construção coletiva de propostas baseadas na experiência dessa universidade. Por essa razão, a proposta de reestruturação dos hospitais universitários tem por base o resgate do projeto do Complexo Hospitalar. No entanto – como explicita o presidente da entidade, Mauro Iasi, no vídeo postado no nosso site – nossas posições sempre foram atacadas por aqueles que defendem o contrato com a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). Por mais que tenhamos respeitado posições divergentes, não tivemos o mesmo tratamento. Os defensores da empresa a todo o momento tentam desqualificar o debate político, como se tratasse de um mero jogo. A reitoria, na pessoa do rei-

Vai lotar. Auditório no Fundão será utilizado para acomodar com mais conforto a comunidade acadêmica que tem participado das sessões do tor Carlos Levi, passou de mediadora a propositora da Ebserh. O reitor abandonou seu posto de presidente do Conselho Universitário para se tornar o principal agente articulador e

AG da Adufrj-SSind aprova manifesto, divulgado para a comunidade acadêmica, e que foi encaminhado para o 32º Congresso do Andes-SN, contra a Ebserh. Levi tenta acelerar aprovação da empresa no Conselho Universitário, mas é criticado por conselheiros.

Janeiro Procuradorgeral da República, Roberto Gurgel, ajuíza Ação Direta de Inconstitucionalidade no Supremo Tribunal Federal contra a Ebserh.

Fevereiro

propagandista da empresa. O movimento docente considera que essa postura fere os princípios basilares da universidade. O Estatuto da UFRJ é outro instrumento ferido pela pro-

posta de contrato com a Ebserh. O que defendemos é que, por se tratar de um projeto que muda a configuração do Complexo Hospitalar, a Ebserh só pode ser discutida para deli-

Luta contra Ebserh se intensifica na UFRJ. Começam os primeiros atos e panfletagens no HUCFF. Ocorre o 32º Congresso do Andes-SN e Ebserh é tratada como tema central a ser enfrentado nos meses seguintes. Reitor faz lobby pró-empresa, conversa com extraquadros e pressiona pela aprovação da Ebserh. Movimento consegue pautar na universidade uma agenda de debates, que entra no calendário oficial da UFRJ. Ocorreram debates em todos os Centros, à exceção do CT.

Março

beração em uma sessão especial, com quórum qualificado. É isso que diz nossa legislação interna. aE é isso que defendemos: que vença a proposta discutida e aprovada por uma

Debates avançam nos diversos Centros. Consuni se debruça sobre Ebserh.

Abril

Comunidade acadêmica lota auditório no HUCFF

Maio Adufrj, Sintufrj e DEC lançam documento conjunto em defesa da autonomia universitária e contra a Ebserh. No dia 9, o Reitor Carlos Levi desrespeita o Regimento do Consuni e inviabiliza votação da proposta autônoma para a reestruturação dos hospitais universitários. No dia 23, Consuni aprova criação das comissões de acompanhamento e técnica para fazer um diagnóstico independente e autônomo dos hospitais.


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ESPECIAL

sessão especial Questão de Mérito

Fotos: Marco Fernandes

O conselheiro Roberto Leher espera que a próxima sessão do Consuni seja aberta com os pareceres das comissões. “Assim combinou o reitor e a minha expectativa é que possamos examinar o mérito das questões apontadas pelos documentos, inclusive o fato de que a pauta relativa à adesão ou não à Ebserh deva ser submetida a uma sessão especial”. Para o representante dos Titulares do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFCH), houve um erro de encaminhamento na votação que encerrou o último Conselho. “Não era uma questão de ordem, mas de mérito”, frisa Leher, evitando, no entanto, qualquer previsão sobre o que irá ocorrer, de fato, no Consuni desta quinta. “Será, por certo, uma sessão difícil, até porque a Reitoria vem se valendo de mecanismos de persuasão e até de constrangimento para impor a Ebserh. Num momento que, empiricamente, avalia-se que ela não é a melhor solução para os hospitais universitários”. O conselheiro recorda que a auditoria do SUS pede a

Leher: “Erro de encaminhamento da reitoria no Consuni do dia 12” anulação do vínculo da UFPI com defesa pela maior participação da a empresa. Já na UnB, a promes- comunidade acadêmica. “Não posa da contratação imediata de 1,5 demos olhar de forma fracionada mil profissionais se traduziu num as decisões dentro da universidaedital para apenas 500 trabalha- de”. Segundo Carol Barreto, integrante do Diretório Central dos dores.   Estudantes,  a votação conduzida Força máxima pelo reitor pode ser classificada Autor da proposta para que o como “tosca”.  Se for o caso, ela próximo Consuni seja realizado espera que se refaça a votação. “É num lugar mais amplo, provavel- o mínimo. Agora, independente mente no auditório do Centro de do local, estaremos presentes e Tecnologia, Leher reitera a sua com força máxima”.

Acórdão do TCU é ignorado

Consuni maioria qualificada do Consuni, e não por imposições de uma minoria pessoalmente empenhada em aprovar a empresa na universidade.

Motivo de pedido de sindicância, por parte das entidades (Adufrj-SSind, o Sintufrj e o DCE), o acórdão do Tribunal de Contas da União aponta fragilidades e graves falhas administrativas no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF). Os dados, publicados em edição especial pelo Jornal da Adufrj, trazem constatações técnicas do relatório de uma das 24 auditorias que compuseram a Fiscalização de Orientação Cen-

Ebseh anuncia nos estudos que fez sobre o HUCFF e a MaternidadeEscola o afastamento de servidores RJU. Portaria do reitor nomeia componentes da comissão técnica, mas não respeita decisão do Consuni sobre comissão de acompanhamento.

nharia requisitou dispensas de licitação no valor total de R$ 16.824.400,65. Apesar da gravidade das denúncias, nenhuma medida objetiva quanto ao acórdão chegou ao Conselho. “É uma peça importante e esclarecedora em alguns aspectos, a reitoria não pode ser omissa, correndo o risco de a universidade ter a CGU novamente em seu encalço”, definiu Roberto Leher, que teme pelos ataques à autonomia universitária.

Gestão de Marcus Eulálio no HUCFF colapsa e reitoria intervém. É divulgado relatório do TCU sobre a administração do hospital. Adufrj-SSind, Sintufrj e DCE ingressam com pedido de sindicância na reitoria para investigar a situação do hospital e o que o levou ao caos. Adufrj-SSind apresenta à comunidade acadêmica a Proposta de Modelo de Gestão para o Fortalecimento dos HUs. Alguns Titulares do CCS assinam manifesto próEbserh. No Consuni do dia 29 são apresentadas: a proposta dos movimentos para reestruturar os HUs, a proposta da Fasubra para fortalecer os hospitais e a proposta da reitoria, para assinar contrato com a Eberh.

Após golpe, reitor sai do Consuni sob vaias e protestos Junho

tralizada dos Hospitais Universitários. Em relação ao HUCFF, por exemplo, os auditores afirmam que não identificaram qualquer tipo de controle sobre os gastos dos setores do Hospital. O documento indica, por exemplo, que  no final do exercício de 2011, o HUCFF recebeu R$ 17 milhões em recursos relativos do  Programa de Reestruturação dos Hospitais Universitários Federais (Rehuf). Entretanto, a Divisão de Enge-

Julho Professor Nelson Souza e Silva tem negado seu pedido de emerência no Departamento de Clínica Médica, da Faculdade de Medicina, por ser contrário à Ebserh. Trabalhadores do HUCFF denunciam ações orquestradas da direção para fechar as portas da unidade de saúde. Haveria tentativa de forçar aprovação da Ebserh.

Agosto

Suspenso contrato entre a UFMA e a Ebserh O contrato entre a Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) foi suspenso pelo juiz José Carlos do Vale Madeira, da 5ª Vara da Justiça Federal do Maranhão. A decisão atende ao pedido da Seção Sindical dos Docentes da UFMA Apruma-SSind. A Seção Sindical considerou autoritária a forma como a reitoria da UFMA efetivou a adesão à empresa. Alegou, ainda, que a assinatura do contrato não seguiu as normas estabelecidas pelas leis internas da universidade. Para que pudesse haver uma deliberação em torno da contratação da empresa, a UFMA deveria estabelecer discussões no seu Conselho Universitário e no Conselho de Administração. O magistrado, além de considerar os argumentos da Apruma, também argumentou que o contrato “macularia o princípio da moralidade administrativa e repercutiria drasticamente na situação econômico-financeira da universidade”. A decisão é uma importante vitória para a comunidade acadêmica organizada na defesa da autonomia universitária e abre caminho para que ações semelhantes aconteçam em outras federais do país, inclusive na UFRJ, que tem testemunhado ações deliberadas de desrespeito ao seu Estatuto. Com informações da Apruma-SSind e G1.

Estudantes ocupam Consuni Setembro

No dia 5, Levi se coloca como garoto-propaganda da Ebserh dentro da universidade. Uma série de manobras do reitor e de seus aliados pró-empresa é criticada pela comunidade acadêmica. São cometidas novas violações ao Regimento do Consuni. Estudantes ocupam sessão. No dia 12, Walter Suemitsu (decano do CT) e Roberto Medronho (diretor da Faculdade de Medicina e decano substituto do CCS) assinam documento encaminhando a restrição da participação da comunidade acadêmica nas sessões do Consuni. Limitação do número de pessoas e identificação dos participantes eram algumas das propostas. O conselheiro Roberto Leher (Titular do CFCH) neutralizou o atentado à democracia com proposta de realizar a próxima sessão, prevista para o dia 26, em auditório amplo no campus do Fundão.


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SEMINÁRIO

Coletivo marxista na UFRJ discute formação docente Seminário de dois dias, realizado na Praia Vermelha, debateu as diversas dimensões da formação dos professores

D

iscutir a formação docente no âmbito do trabalho. Este foi o objetivo de dois dias de encontro organizado pelo Coletivo de Estudos Marxismo e Educação (Colemarx) da Faculdade de Educação da UFRJ. Coordenado pelo professor Titular da FE, Roberto Leher, o grupo de pesquisa, constituído há um ano, pela primeira vez realiza um seminário sobre o assunto. A conferência de abertura, na manhã de terça-feira 17, contou com a participação da professora Eveline Algebaile, da Faculdade de Formação de Professores da Uerj. Ela apresentou

aspectos da organização das “Políticas de formação docente a partir dos anos 90 no Brasil”. Para a professora, a partir da década de 1990 o governo começa a impor o que chamou de “formação institucionalizada”. Desde então, segundo ela, houve o estabelecimento de novas formas de organização das políticas educacionais. O problema, disse ela, são os marcos nos quais isso se apresenta: “Em geral, é uma decisão verticalizada e de cima pra baixo”. A estratégia utilizada pelos diversos governos para levar os professores novamente às salas de aula é considerada perversa pela docente: “O que acontece quando eu sou submetida sistematicamente à necessidade de formação? Ou o que ocorre quando somos convencidos de que nos falta algo? O discurso era de que a culpa das lacunas no sistema de ensino era nossa, porque não tínhamos formação adequada”, salientou.

O Banco Mundial e outros mecanismos internacionais ditam as políticas para formação docente no Brasil

Perspectiva do Colemarx é conhecer outros grupos de pesquisas que discutem o mesmo tema

Jussara Macedo Professora da Faculdade de Educação da UFRJ

Entre os anos 1990 e 2000, a maior parte dos estudantes das universidades, sobretudo públicas, nos cursos de Licenciatura e Pedagogia era composta por professores da rede municipal de ensino. “Na Uerj, por exemplo, toda vez que perguntávamos o que os motivava a estarem novamente em sala de aula, a resposta era apenas uma: ‘Disseram que eu iria perder meu emprego se não apresentasse o diploma do curso superior, por isso estou aqui’. O que era, rigorosamente, uma grande mentira”, afirmou. Outro aspecto apontado por Eveline é a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), que em sua reedição abre a possibilidade para que qualquer pessoa que tenha formação superior possa dar aulas. Para Jussara Macedo, professora da Faculdade de Educação da UFRJ, que mediou o debate, essa permissão é um elemento que dificulta a organização dos

professores como categoria. “O Banco Mundial e outros mecanismos internacionais ditam as políticas para formação docente no Brasil”, afirmou Jussara.

Mundo do trabalho

Claudia Piccinini, que também compõe o Colemarx, disse que para além do debate sobre a formação docente, o coletivo tem por objetivo conhecer outros grupos de pesquisa que estudam o tema. “O grupo tem essa perspectiva de discutir o mundo do trabalho de forma associada à Educação. Com este seminário queremos fazer um debate qualificado sobre os ataques impetrados contra a Educação pública”. De acordo com a docente, a perspectiva do grupo de pesquisa é realizar seminários anuais sobre a temática. Esse ano, todos os convidados são do Rio de Janeiro, mas a expectativa é que nos próximos encontros seja possível a participação de estudiosos do tema de todo o país.

Plantões do convênio com a Unimed Nesta semana, continuam os plantões especiais para atendimento a professores interessados no convênio firmado com a Unimed. Os docentes que preferirem

agendar atendimento em suas Unidades poderão fazê-lo pelo telefone 9969-1348 (Solange). Informações também podem ser obtidas pelo e-mail: solangejm-1957@ hotmail.com.

A tabela de valores, os serviços opcionais, os adicionais gratuitos e a relação de documentos exigidos para a adesão ao plano podem ser conferidos em: http://migre.me/g4qXL.

Plantões de atendimento: 26/09/2013 25/09/2013 (quarta-feira) 10h às 16h Sede da AdufrjSSind, no prédio do CT, Bloco D, sala 200 (Ilha do Fundão)

(quinta-feira) 10h às 15h Sala da Administração da da Decania do CCJE (Praia Vermelha)

Ligue para 9969-1348 (Solange) para agendar seu atendimento.


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Docente

Debate na Faculdade de Letras aponta distorções na carreira Professores se reúnem na Unidade e aprofundam discussão sobre lei imposta pelo governo Elisa Monteiro - 18/09/2013

Um novo encontro será realizado no início de outubro, no prédio da Reitoria. Desta vez, além da carreira, será debatido também o tema assédio moral, reivindicação surgida na reunião Elisa Monteiro

elisamonteiro@adufrj.org.br

O

Luciano Coutinho e Cláudio Ribeiro destrincham alterações na carreira e suas implicações acadêmicas e funcionais e sobre a divisão da instituição em ilhas abastadas frente a uma maioria precarizada foram recorrentes. Um novo encontro será realizado no início de outubro, no prédio da Reitoria. Desta vez, além da carreira, será debatido também o tema assédio moral, reivindicação surgida na reunião.

Exclusão

Cláudio Ribeiro apresentou a lei que define a nova carreira docente, aprovada em 2012, e complementada este ano. O docente relacionou a proposta para os professores com projeto de universidade do governo federal. “A exclusão do debate coletivo, acumulado pelo Sindicato Nacional, com a assinatura de um falso acordo (firmado pelo Proifes) é muito expressiva, nesse sentido”, disse Cláudio. “Da mesma forma é sintomático que a lei traga uma parte mínima de texto sobre a carreira e páginas e páginas de tabelas (salariais) anexas”, acrescentou o professor. Cláudio Ribeiro observou que a nova carreira não pode ser bem compreendida isola-

Junto à criação da Ebserh e do Funpresp (previdência privada para servidores), a lei da carreira completa a reforma universitária que ainda não terminou

presidente eleito da Adufrj-SSind, Cláudio Ribeiro, fez duras críticas à lei da carreira docente imposta pelo governo – apesar da greve nacional de mais de 100 dias em 2012. Segundo Cláudio Ribeiro, a atual lei se apresenta sem lógica institucional e se traduz num projeto centrado na redução de custos e na meritocracia, num viés produtivista. O professor lembrou a insensibilidade de Brasília que ignorou o debate acumulado pelo Andes-SN e preferiu o caminho do adesismo do Proifes (instituição chapa-branca criada para apoiar o governo). As afirmações do dirigente foram feitas no debate realizado na Faculdade de Letras e que reuniu ainda o professor Luciano Coutinho, também diretor eleito, e a advogada da Seção Sindical, Ana Luísa Palmisciano. “Quando a gente pega a lei e vê que desaparecem (termos como) autonomia e indissociabilidade, já sabemos para onde a coisa caminha”, observou a professora Cinda Gonda, do Conselho de Representantes da Adufrj-SSind. “É a cultura do publicar ou morrer. Todos enlouquecidos pelos setes (conceito mais alto de avaliação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) da Capes, orientador assinando artigos feitos por alunos na política do eu te cito e tu me citas”, criticou a professora da Faculdade de Letras. “No mais, uma política do imponderável com aceno de que todos podem ser Titular, mas não se sabe nunca como nem quando”, disparou. No debate, questionamentos sobre o projeto de universidade

Cláudio Ribeiro

Adufrj-SSind/FAU

damente: “Junto à criação da Ebserh e do Funpresp (previdência privada para servidores), a lei da carreira completa a reforma universitária que ainda não terminou”, afirmou. “Os impactos políticos e acadêmicos destas transformações serão sentidos em breve. E precisam ser avaliados por nós”. O professor Luciano Coutinho reforçou a análise de Ribeiro, apontando uma série de distorções da carreira, entre as quais a remuneração do professor 20 horas superior à metade do valor recebido pelos profissionais 40 horas. Coutinho enfatizou que a lógica empreendedora impressa na nova carreira agrava o quadro de desigualdades na distribuição dos recursos entre as unidades acadêmicas. “Nem todos têm o mesmo potencial para captar recursos”, frisou. “O sistema meramente quantitativo está longe de refletir a diversidade da universidade”, afirmou, criticando as consequências da lógica concorrencial dentro da universidade. “O resultado disso (desigualdades), a gente percebe na estrutura até das salas de aula”, disse.

Barreiras para progressão

A advogada da AdufrjSSind, Ana Luiza Palmisciano, disse que as implicações da nova legislação para os docentes da UFRJ ainda é parcialmente obscura. “Há muita margem de interpretações e a reitoria ainda não se posicionou sobre muitos temas”, informou. Na avaliação da assessora, as mudanças mais significativas para vida funcional dos professores dizem respeito à progressão. “A GED (Gratificação de Estímulo à Docência) acabou, mas a vinculação às avaliações continua”, analisou ela. “E a regulamentação (disso), ainda está por vir”, advertiu em seguida. A advogada sublinha a fragilidade da lei: “em menos de um ano, já recebeu em seu corpo de texto alterações três vezes”. Ana Luísa destaca que enquanto a legislação anterior a 2012 explicitava no texto da lei os percentuais de remuneração, a posterior substituiu a definição por valores fixados em tabelas “anexas”, conforme citado por Cláudio Ribeiro.


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DIREITOS HUMANOS

Perseguição política no Rio imita a ditadura elisamonteiro@adufrj.org.br

A

s histórias mostradas em sequência na Faculdade de Direito da UFRJ (FND) revelaram uma realidade espantosa. O testemunho de 12 jovens e alguns de seus familiares que romperam o medo parecia emergir de um cenário de sombras extinto com a ditadura. Mas o caldeirão de horrores exposto ali para a plateia perplexa que lotava o salão nobre da FND apresentava casos que atingiram pessoas que foram às ruas nas mobilizações iniciadas em junho deste ano no Rio de Janeiro. Os registros apontam prisões arbitrárias, abusos policiais, acusações e flagrantes forjados, ameaças de morte, violências físicas e psicológicas. Os depoimentos foram prestados na terça-feira 17 no encontro “Legalidade ou perseguição política?” Os relatos deram conta de práticas de intimidação por parte dos agentes do estado que operavam numa zona nebulosa muito próxima da ação clandestina: espionagem e perseguições policiais incompatíveis com Estado democrático de direito e típicas de regimes de exceção foram denunciadas. Além disso, os episódios expostos trouxeram de novo à cena a ação de grupos paramilitares, as milícias que atuam em várias regiões da cidade. O evento teve como organizadores a professora Julieta Schachter, da UFRJ, advogados e entidades ligadas aos Direitos Humanos e teve apoio AdufrjSSind e da direção da FND. Ian, Caio, Maíra e suas famílias receberam, entre 5h e 6h grupos de policiais em suas casas, apresentando mandados de busca e apreensão. Tiveram computadores, arquivos eletrônicos, cadernos, agendas, livros, objetos pessoais confiscados para averiguação por suspeita de prática de suposto crime de quadrilha, em relação a pessoas que nunca tinham se encontrado antes. “Levaram livros sobre

Esses relatos lamentáveis só demonstram que ainda estamos engatinhando em nossa democracia

Elisa Monteiro

Luciana Boiteux Adufrj-SSind

anarquismo, bandeiras e materiais de trabalho. E uma máscara de Veneza que a Maíra ganhou de presente”, contou Felipe (namorado de Maíra). A estudante estava em viagem à Bolívia, quando houve a batida policial. Orientada por advogados, ela não mais voltou ao país. Pais expressaram perplexidades sobre os episódios. “Um vizinho abriu o portão da vila e quando saí do quarto, de calcinha, me deparei com aqueles policiais no meio da minha sala”, disse uma mãe. “Nossa desorientação era tão grande que não conseguimos balbuciar qualquer direito”, relata o pai de um dos perseguidos. O responsável de Ian conta: “foram direto ao notebook no quarto e conheciam os arquivos do meu filho melhor do que ele”.

Milícias

Participantes de outros movimentos recentes, como os Ocupa Cabral e Ocupa Câmara, também tornaram públicas informações preocupantes a respeito da política de segurança do Rio de Janeiro. Relatos de sequestros relâmpagos, telefonemas anônimos, coação por milícias e perseguições armadas foram denunciadas por ativistas e militantes.

No salão da FND, o professor Luiz Eduardo Soares e a professora Luciana Boiteux

Um vale-tudo De acordo com o professor da UFRJ e integrante do Instituto de Defensores de Direitos Humanos (IDDH), Carlos Eduardo, acusações sem correspondente tipificação foram banalizadas durante operações de repressão não apenas a militantes e a ativistas, mas contra qualquer pessoa com participação na agenda de mobilizações de ruas a partir de junho. Como exemplo, Eduardo

citou a recorrente acusação de “formação de quadrilha” que legalmente “pressupõe estabilidade para cometer crime”, e que não poderia ser aplicado em outro caso. Outras violações à lei foram listadas, como a detenção e encaminhamento ao sistema penitenciário sem o devido acompanhamento de advogados e o isolamento de familiares. É o caso dos três jovens enviados ao Complexo Peni-

SEÇÃO SINDICAL DOS DOCENTES DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO DO SINDICATO NACIONAL DOS DOCENTES DAS INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR

Sede e Redação: Prédio do CT - bloco D - sala 200 Cidade Universitária CEP: 21949-900 Rio de Janeiro-RJ Caixa Postal 68531 CEP: 21941-972

tenciário de Gericinó (antigo Complexo de Bangu) por postarem mensagens e administrar a página Black Block em uma rede social (Facebook). Como outros detidos nos últimos meses, dois deles respondem em liberdade a processo criminal por formação de quadrilha armada e incitação à violência. Já Wallace Vieira dos Santos, 26 anos, segue preso no presídio em Bangu enquanto aguarda julgamento.

Tel: 2230-2389, 3884-0701 e 2260-6368

Diretoria da Adufrj-SSind Presidente: Mauro Iasi 1º Vice-Presidente: Luis Eduardo Acosta 2ª Vice-Presidente: Maria de Fátima Siliansky 1º Secretário: Salatiel Menezes dos Santos 2ª Secretária: Luciana Boiteux 1º Tesoureiro: José Henrique Sanglard 2ª Tesoureira: Maria Coelho CONSELHO DE REPRESENTANTES DA ADUFRJ-SSIND Colégio de Aplicação Letícia Carvalho da Silva; Renata Lucia Baptista Flores; Simone de Alencastre Rodrigues; suplentes: Maria Cristina Miranda da Silva; Mariana de Souza Guimarães; Rosanne Evangelista Dias; Escola de Belas Artes Beany Guimarães Monteiro; Patricia March de Souza; suplentes: Cláudia Maria Silva de Oliveira; Rogéria Moreira de Ipanema; Escola de Comunicação Eduardo Granja Coutinho; Escola de Enfermagem Anna Nery Walcyr de Oliveira Barros; Marilurde Donato; Escola Politécnica José Miguel Bendrao Saldanha; Escola de Serviço Social Rogério Lustosa; Janete Luzia Leite; suplente: Marcos Paulo O. Botelho; FACC Vitor Iorio; Faculdade de Arquitetura e Urbanismo Cláudio Rezende Ribeiro; Eunice Bomfim Rocha; suplentes: Luiz Felipe da Cunha e Silva; Sylvia Meimaridou Rola; Faculdade de Educação Claudia Lino Piccinini; Rosa Maria Corrêa das Neves; Roberto Leher; suplente: Vânia Cardoso da Motta; Faculdade de Direito Mariana Trotta Dallalana Quintans; Faculdade de Letras Gumercinda Nascimento Gonda; Vera Lucia Nunes de Oliveira; Faculdade de Medicina Romildo Vieira do Bomfim; IESC Regina Helena Simões Barbosa; EEFD Alexandre Palma de Oliveira; Luís Aureliano Imbiriba Silva COPPE Vera Maria Martins Salim Instituto de Economia Maria Mello de Malta; Alexis Saludjian; Instituto de Física José Antônio Martins Simões Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional Cláudia Ribeiro Pfeiffer; suplente: Cecília Campello do Amaral Mello; Coordenador de Comunicação Luiz Carlos Maranhão Editor Assistente Kelvin Melo de Carvalho Reportagem Silvana Sá e Elisa Monteiro Projeto Gráfico e Diagramação Douglas Pereira Estagiário Darlan de Azevedo Junior Tiragem 4.000 E-mails: adufrj@adufrj.org.br e secretaria@adufrj.org.br Redação: comunica@adufrj.org.br Diretoria: diretoria@adufrj.org.br Conselho de Representantes: conselho@adufrj.org.br Página eletrônica: http://www.adufrj.org.br Os artigos assinados não expressam necessariamente a opinião da Diretoria.


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Painel Adufrj

A experiência revolucionária do governo da Unidade Popular transformou o socialismo em fenômeno de massas, observou Mauro Iasi. Iasi lembrou que, ao assumir o governo, Allende passou a cumprir o programa com o qual foi eleito. Nacionalizou a mineração, que representava 80% da economia do país e era controlada por empresas transnacionais. Estatizou o sistema financeiro. Estabeleceu normas contra os monopólios industriais e grandes empresas de telecomunicações, entre elas a gigante americana ITT.

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DA REDAÇÃO

O Chile na Lapa

Um pedaço da Lapa ganhou ares de Chile revolucionário na agradável tarde-noite de final de inverno. Os acordes do cavaquinho do botequim Vaca Atolada, no coração do bairro boêmio, foram substituídos pelo violão latino do grupo Canto Libre nas canções de Vitor Jara e Vio-

leta Parra. Os dois artistas são símbolos na cultura, da experiência revolucionária do governo da Unidade Popular (1970-1973) no país andino. Não faltaram empanadas e vinho na celebração em memória dos 40 anos do golpe militar no Chile que pôs fim ao governo socia-

lista de Salvador Allende, e deu início à ditadura sanguinária de Pinochet. A base de cultura do PCB, que organizou o evento, chamou para um debate sobre democracia e poder popular os professores Virgínia Fontes (Fundação Oswaldo Cruz) e Mauro Iasi (UFRJ). O professor

Jaime Osório, chileno, mas radicado desde o golpe no México, onde leciona na Universidad Autônoma Metropolitana, foi o convidado especial. “Tomar o céu por assalto”, sintetizou Osório ao tentar traduzir o que foi a experiência do governo Allende.

Base de Cultura PCB - 14/09/2013

O discurso de Iasi foi intercalado com apresentações de artistas reproduzindo canções de Vitor Jara, que teve as mãos decepadas ao ser assassinado pelo regime fascista. O professor lembra que a atmosfera revolucionária do Chile da Unidade Popular foi acompanhada de uma explosão de cultura popular. “Se a esquerda abraçou o povo, o povo abraçou suas bandeiras e o socialismo”, disse. No clima de tarde revolucionária, a professora Virgínia Fontes fez uma reflexão sobre as dificuldades de luta de classes no Brasil e no mundo. Virgínia começou lembrando que o papel de “gendarme do mundo” que os EUA chamaram para si, só é possível pela aliança com as burguesias locais.

Vida de Professor

Democracia e poder popular. Mauro Iasi, Jaime Osório, Virgínia Fontes e Marta (PCB) na tarde da Lapa

A professora destacou a truculência da burguesia brasileira (citou a violência da polícia nas manifestações de junho). Mas disse, também, que nos últimos 20 anos um setor dessa burguesia aprendeu a manejar formas aceleradas de convencimento. Chamou atenção para as armadilhas a serem enfrentadas. Uma delas: a suposição de que o desenvolvimento, “com a palavrinha mágica sustentável, que ninguém sabe o que quer dizer”, possa assegurar uma modifica-

ção das condições da existências das grandes massas é uma falácia. “Não pode”, ela disse. Pelas simples razão de que este desenvolvimento se dará pela lógica capitalista. Outra armadilha: a ideia de que existe uma “boa burguesia” que irá nos conduzir a um capitalismo autônomo. “Agora, vem cá: alguém acredita na possibilidade de capitalismo autônomo em pleno

século XXI?”, provocou. Virgínia Fontes disse que, hoje, no mundo, a exigência democrática que se coloca é a “igualdade”. Segundo ela, uma palavra que havia sido “proscrita” , reesignificada, trocada por equidade, participação, cidadania etc.. Depois de Virgínia, um chileno e uma mexicana do grupo Canto Libre cantaram Violeta Parra. “Gracias a La Vida” emocionou.

Foi nesse clima que Jaime Osório foi chamado a falar. Ele disse que as bandeiras, as músicas, a palavra dos que o antecederam, tudo isso o deixava muito comovido. O professor, que deixou o Chile logo depois do golpe, buscou a síntese para traduzir o que foi a experiência revolucionária no seu país. “É quando o extraordinário se torna o comum”, disse. “Foi tomar o céu por assalto”. Diego Novaes


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Jornal da Adufrj-SSind - Edição 818B - 23/09/2013  

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