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Aduff-Ssind

Suplemento

Julho de 2017

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Docentes debatem experiências e propostas para atuação sindical na multicampia da UFF de trabalho, nossa democracia, nossa dinâmica, apesar de todas as escaramuças e distensões. Nossa dinâmica é muito rica, e a gente tem que garantir que ela continue existindo”, disse.

Luiz Fernando Nabuco

Debate sobre a multicampia, no segundo dia do I Encontro dos Docentes: busca de propostas para a nova realidade da UFF

Encontro aprofunda discussão sobre desafios da multicampia na UFF e como descentralizar as instâncias de debate e deliberação sem fragmentar a categoria Lara Abib Da Redação da Aduff

A

realidade da multicampia na UFF e os desafios para ampliar a atuação sindical na instituição. Esse foi um dos temas do 1º Encontro de Docentes da UFF, realizado entre os dias 26 e 28 de maio, no hotel Saint Moritz, na região serrana do Rio. Na mesa temática, composta por Alexandre Carvalho, secretário-geral do Andes-SN, Antonio Andrade, professor da Unifesp, e Antônio Espósito, diretor do Instituto de Humanidades e Saúde da UFF de Rio das Ostras, os docentes puderam conhecer experiências de outras universidades e debater as situações vividas no cotidiano de trabalho da UFF, nos campi de Niterói, Volta Redonda, Angra dos Reis, Pádua, Rio das Ostras, Campos, Nova Friburgo, Macaé e, agora, Petrópolis. Em comum, a constatação de que o debate sobre

Multicampia não pode encerrar-se no diagnóstico da precarização. Se é verdade que a expansão das universidades para o interior tenha sido, quase sempre, marcada pela precarização das condições de trabalho, de estudo e de desenvolvimento do tripé ensino, pesquisa e extensão, também é verdade que ela permitiu acesso ao ensino superior público em regiões que jamais teriam, como ressalta o professor da UFF de Rio das Ostras e diretor da Aduff-SSind, Edson Teixeira. “A multicampia possibilitou a ressignificação da subjetividade de um conjunto de alunos que certamente não teria vaga nas universidades públicas do Brasil, que seria refém do telemarketing ou de algo ainda mais degenerado. Isso não é pequeno. Também não podemos perder de vista a resistência dos docentes dos campi no interior; a multicampia só persiste na UFF por conta da teimosia de professores que compraram esse projeto

sob outra perspectiva. Precisamos pensar novas formas de atuação na universidade. Esse projeto de interiorização precarizada, que a burguesia faz na sede, não interessa à classe trabalhadora. E é um terreno fértil para que professores se sintam desestimulados e caiam na passividade”, disse. A presidente do Andes-SN e professora da UFF, Eblin Farage, concorda. Para ela, a interiorização da universidade e a multicampia não são obstáculos para a atuação sindical, mas questões a serem debatidas com o objetivo de repensar a própria organização do movimento docente. “É uma questão mais nova para nós das federais, mas que os docentes das universidades estaduais já discutem há bastante tempo no Sindicato Nacional. Durante muito tempo, o Andes foi acusado de ser contrário à expansão da universidade, mas nós somos totalmente favoráveis à expansão da universidade pública. A questão é que ela não

se expandiu com a qualidade que deveria, por isso o Andes foi contra o Reuni, porque era contra uma expansão precarizada, mas não contra a expansão da universidade”, enfatizou. No Encontro, Eblin defendeu a experimentação de modelos de organização em cada seção sindical, com a realização de assembleias descentralizadas ou rodadas de assembleia, por exemplo, para aproximar os professores dos campi fora de sede do sindicato e intensificar a organização docente nos locais de trabalho. RESISTÊNCIA Professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e convidado para compor a mesa de debate sobre multicampia, Antonio Andrade assinalou que a situação só não está pior nas universidades brasileiras graças à organização e mobilização docente. “Olha para a América Latina inteira e vê o desmonte que foi feito nas universidades. Qual o elemento objetivo de intervenção que impediu que aqui ocorresse, na mesma proporção, o que aconteceu na Argentina, no México, no Chile? Foi nosso Sindicato, nossa forma de organização no local

‘DESCENTRALIZAÇÃO’ Para Gustavo Gomes, presidente da Aduff-SSind, um dos grandes desafios do movimento docente na UFF é descentralizar as instâncias de debate e deliberação sem fragmentar a categoria. Ele conta que muitos professores da universidade relatam dificuldade para participar das assembleias gerais docentes – realizadas sempre em Niterói – e cobram mais presença do sindicato no cotidiano dos campi fora de sede. “Não vai ter um modelo acabado ou único, temos que experimentar. Depois a gente avalia essas experiências e avança. Nosso objetivo não é seguir um modelo de organização como um dogma. O modelo de organização está a serviço da participação das pessoas e da integração entre sindicato e docentes, que vão usá-lo como ferramenta na luta por condições de trabalho e pela universidade pública”, destacou. Professora da Faculdade de Administração e Ciências Contábeis da UFF em Niterói, a professora Agatha Justen Gonçalves Ribeiro, há apenas cinco meses na universidade, pontua ainda que o debate sobre a realidade da Multicampia aponta para outro, sobre como crescer. “Isso é muito importante, o sindicato não é só assembleia ou só diretoria. O caminho para resolver essa questão não tem fórmula, vai ser decidido na realidade de cada universidade e precisa necessariamente passar pela expansão e ampliação do próprio sindicato. Cabe-nos, como tarefa, levar o sindicato para o cotidiano dessas unidades”, frisou.

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Suplemento jornal aduff julho 2017 internet  

Suplemento do jornal da Aduff-SSind de JULHO de 2017; I Encontro de Docentes da UFF - realizado em Friburgo.

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Suplemento do jornal da Aduff-SSind de JULHO de 2017; I Encontro de Docentes da UFF - realizado em Friburgo.

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