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expansão e precarização do trabalho na universidade

res tratem de questões relativas às realidades “locais”, no âmbito definido por fatores específicos de espaçotempo, razão pela qual sua distribuição em escala internacional nem sempre é a mais conveniente.

dos investigadores por financiamentos para seus projetos ou, até para aumentar seus salários, recebimento de diversos pagamentos por mérito (bolsas, por exemplo), e uma lista interminável de novas motivações “acadêmicas” postadas mais incisivamente para o docente que atua na pós-graduação. Formas de funcionamento desiguais e contraditórias são geradas nas universidades, que mediante ações dos docentes empreendedores aproximam a instituição das empresas e do mercado, como sugerido pelo V PNPQ e, possivelmente a ser induzido pelo VI PNPG, ainda em gestação. No Brasil, é a partir da Reforma do Estado e a constituição de um setor de serviços não exclusivos do Estado ou competitivos que se dá a possibilidade da produção de amplo arcabouço jurídico2, através do qual as universidades públicas – pois, salvo raras exceções são elas que possuem o capital humano para as pesquisas que têm demanda no mercado – podem ser reformuladas no sentido acima apontado, qual seja, no sentido de adequarem-se mediata ou diretamente em instituições com rincões (algumas pós-graduações) que produzem conhecimento voltado para a valorização do capital. Pode-se afirmar que ainda são poucos os grupos de pesquisa que aderiram pragmaticamente à venda dos seus produtos e mesmo às pesquisas sob encomenda. No entanto, toda uma cultura institucional está posta para que isso venha a ocorrer. O próprio produtivismo constrói uma nova sociabilidade docente que é aderente a essa lógica, de modo que com mais recursos e surgindo as oportunidades, o campo estará fértil para o desenvolvimento de atividades de pesquisa e inovação que potencializem as empresas e seu capital.

2.2 – Empreendedorismo, condições para a produção de conhecimento e a nova cultura acadêmica Um dos primeiros a desenvolver o conceito de empreendedorismo foi Joseph Schumpeter, em torno de 1950, em referência a pessoas com criatividade e capacidade de fazer sucesso com inovações, principalmente na geração de riquezas, na transformação de conhecimentos e bens em novos produtos-mercadorias ou serviços, gerando um novo método com o seu próprio conhecimento. O detalhamento, análise e crítica ao empreendedorismo no meio acadêmico foi feito já por vários autores, mas é no trabalho de Sheila Slaughter y Larry Leslie, Academic Capitalism, de 1997, que se pode encontrar grande originalidade e instigantes interpretações em torno da reestruturação da educação superior, particularmente das universidades que realizam pesquisa de ponta, como resultado dos processos de mundialização, apoiados em políticas de corte neoliberal. Reconhecendo o crescimento dos mercados globais, os autores localizam o desenvolvimento de políticas nacionais centradas na investigação aplicada e na inovação, a redução do financiamento direto do Estado à educação superior e, em decorrência, registram os vínculos cada vez mais orgânicos dos acadêmicos com o mercado. O capitalismo acadêmico, conforme Slaughter e Leslie, refere-se ao uso que a universidade faz do capital humano dos docentes, com o propósito Considerações finais A ciência moderna – como o direito de incrementar seus recursos; incentiA ciência moderna republicano moderno – nasceu e prosvando e induzindo, assim, um conjunto – como o direito perou quando se liberou suficientemende iniciativas e comportamentos econorepublicano moderno te o espaço público da tirania, dos intemicamente orientados para assegurar a resses e das razões privadas. A atividade obtenção de financiamentos externos. – nasceu e prosperou científica é incompatível com o priviléNo contexto de “capitalismo acadêquando se liberou gio do mesmo modo que é incompatível mico”, novas práticas são introduzidas suficientemente o espaço com a tirania das razões privadas (sejam e incentivadas nas universidades: desde público da tirania, dos sagradas ou não), e não pode florescer e a venda de produtos e serviços com a fiprosperar a não ser em ambientes culnalidade de autofinanciamento, passando interesses e das razões turais que criam e protegem os grandes pela concorrência feroz em editais (públiprivadas. espaços institucionais onde, bem defencos) dos Fundos Setoriais, a competição 82 - DF, ano XXI , nº 48, julho de 2011

UNIVERSIDADE E SOCIEDADE

Revista Universidade e Sociedade - N°48  
Revista Universidade e Sociedade - N°48  

Revista do Sindicato Nacional ANDES-SN

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