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expansão e precarização do trabalho na universidade

relatórios, documentos e empréstimos financeiros dos 1. A política de expansão da educação superior organismos multilaterais a serviço dos Estados cenno contexto de crise do capital s atuais políticas implementadas pelo governo trais. No documento “La enseñanza superior: las lecciones para a educação superior no Brasil estão relacionadas com a estratégia de inserção da economia derivadas de la experiencia”, 1995, o Banco Mundial brasileira nas grandes transformações que vêm ocor- apresentou as diretrizes para a educação superior na rendo na base produtiva do sistema capitalista em América Latina. Nesse documento explicitou-se a neâmbito mundial. Essa estratégia determinou a impo- cessidade de se implantar nas universidades públicas o sição de um conjunto de reformas orientadas pela modelo de gestão gerencial, diversificando as formas busca da redução de custos com as políticas sociais, de financiamento e instituindo instrumentos de avaliaatingindo a educação de modo geral e a universidade ção pautados nos resultados quantitativos. Isto é, sob em particular. As restrições orçamentárias, a que vem o discurso da lógica gerencialista, os organismos insendo submetida, contribuíram para que a universidade ternacionais buscam novos mercados para a venda de pública brasileira, incapaz de resistir ao impacto da produtos e serviços, pressionando os governos latiluta pela produtividade, acabasse adaptando-se às no-americanos para a liberalização da exploração conovas condições e procurando meios alternativos de mercial do ensino. No Brasil, esse movimento reformista foi iniciado a financiamento. O processo de expansão da educação superior partir dos anos 1990, por meio do intenso processo de brasileira está diretamente ligado ao movimento re- privatização e mercantilização da educação superior formista, orientado por organismos multilaterais de e pela implantação do modelo de gestão gerencial financiamento como o Fundo Monetário Internacio- nas universidades públicas. Esse processo tem sido nal (FMI) e o Banco Mundial (BM). As reformas acentuado na primeira década do século XXI e tem educacionais impostas por esses organismos são provocado mudanças substanciais que adentram no condicionadas pela consecução de recursos das mais universo acadêmico, segundo a racionalidade capitadiversas ordens. Como receita para superar o déficit lista, transformando a organização e o funcionamento público e estabilizar as convulsionadas economias, das universidades. A contrarreforma da educação superior no esses organismos defendem a redução dos custos, o aumento da competitividade e a formação de recur- Brasil deve ser entendida a partir do seu caráter sos humanos mais produtivos e competitivos. A contraditório, que une, a um só tempo, marcas de ideia básica presente nas reformas educativas, nas permanência e mudança: a expansão do acesso das décadas de 1980 e 1990, em consonância com esses classes trabalhadoras ao ensino superior é coetânea da desqualificação desse nível de ensino, organismos multilaterais, é que os sisO processo de principalmente pela descaracterização temas de ensino devem se tornar mais da educação superior (especialmente da diversificados e flexíveis, objetivando expansão da educação universidade) como espaço de produção maior competitividade com contenção superior brasileira de conhecimento técnico-científico; ou dos gastos. está diretamente seja, a manutenção da educação como Praticamente todas as universidades ligado ao movimento um dos distintivos de classe é condição e instituições de ensino superior, mesmo das mudanças a serem introduzidas que inseridas em países com economias reformista, orientado por nos sistemas de ensino no sentido de distintas e sendo portadoras de histórias organismos multilaterais sua expansão. Desse modo, a reforma e “identidades” bastante diferenciadas, de financiamento como aparece como uma das expressões das foram afetadas, de forma mais ou menos o Fundo Monetário tensões estruturais do capitalismo e das intensa, nas últimas décadas, pelas novas recentes tentativas da classe hegemônica demandas da economia global, pelos Internacional (FMI) e o de recompor sua capacidade de connovos papéis atribuídos ao Estado, e Banco Mundial (BM). vencimento, em um momento de apropelas “recomendações” embutidas em

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UNIVERSIDADE E SOCIEDADE

DF, ano XXI, nº 48, julho de 2011 - 65

Revista Universidade e Sociedade - N°48  

Revista do Sindicato Nacional ANDES-SN

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