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expansão e precarização do trabalho na universidade

esse aumento referido pelos trabalhadores no ritmo do trabalho e, consequentemente na velocidade deste, pode ser uma evolução natural do aumento de afazeres a que os servidores estão submetidos. Outra hipótese que pode ser levantada é a de que as chefias estejam mais bem preparadas para o trato com seus subordinados e que a cobrança seja tão natural ao trabalho que deixa de ser percebida como tal. 4.6 A saúde dos servidores sob nova regulamentação De acordo com informações e dados fornecidos pela Junta Médica da UFSM, devido às mudanças ocorridas na forma de apresentação dos pedidos de afastamento para tratamento de saúde – como a obrigatoriedade da presença do servidor na hora da apresentação dos atestados médicos, dos prazos para essa apresentação agora serem definidos e da necessidade de prévio agendamento para o atendimento dos servidores, quando da entrega desses –, houve queda no número de atestados apresentados. O número de atestados, segundo os dados fornecidos pela Junta Médica, foi de 1734 em 2007, 2181 em 2008 e 2102 em 2009; a queda em números percentuais foi de 3,76% para o ano de 2009 em relação a 2008. Queda essa que se deu, segundo a chefa da Junta Médica, devido às mudanças administrativas implantadas no ano de 2009. Quando perguntado sobre sua saúde hoje em relação ao período que ingressou na UFSM, com as opções de resposta: melhor, igual ou pior, a resposta mais frequente por parte dos trabalhadores foi igual, seguida da resposta pior, com uma pequena diferença. Dos 125 questionários aplicados, em 11 a resposta foi melhor, em 59 foi igual e em 55 a resposta obtida foi de que a saúde dos servidores está pior, alguns referiram a idade como fator agravante para um pior estado de saúde. 4.7 Quanto ao relacionamento interpessoal Quando questionado sobre como está o relacionamento interpessoal em seu local de trabalho, as respostas foram as seguintes: 39 trabalhadores responderam bom ou satisfatório, 26 muito bom, 12 disseram ser ótimo, 7 classificaram como péssimo ou ruim e 41 deram respostas diferenciadas, entre elas que melhorou, que piorou, que poderia melhorar ou 62 - DF, ano XXI , nº 48, julho de 2011

ainda fizeram ressalvas às respostas bom, muito bom e ótimo. Alguns relataram o acúmulo de trabalho, a falta de pessoal e também o convívio com diferentes tipos de trabalhadores em um mesmo setor como fatores que prejudicam o relacionamento interpessoal. Pela diversidade dos depoimentos é possível notar que as relações interpessoais estão prejudicadas pelo excesso de trabalho e pela falta de tempo para o convívio, pois mesmo os trabalhadores que responderam que tem um bom relacionamento com os colegas ressaltaram essas dificuldades. 5. Conclusões A pesquisa realizada evidencia com clareza que realmente ocorreram mudanças no trabalho do servidor público federal no período pós Reforma Administrativa de 1995. As medidas de enxugamento do Estado, propostas pela Reforma, trouxeram efeitos irreversíveis para os trabalhadores dos órgãos públicos federais, sejam eles fundações ou autarquias. A extinção dos cargos de apoio abriu a oportunidade de um mercado de trabalho paralelo e diferenciado dentro do serviço público federal – o de serviços terceirizados. As diferenças salariais a que são submetidos os terceirizados, se comparados com os servidores concursados, é enorme, o que precariza esses trabalhadores e faz com que em muitos casos tenham que ter além da jornada diária algum outro trabalho, como faxinas nos finais de semana ou vendas de algum produto, estimulado pela necessidade de complementação da renda. O fortalecimento das Fundações ditas de apoio abre a possibilidade de que esta seja partícipe de processos, os quais antes não eram de sua alçada, como a contratação de trabalhadores para a instituição, pois embora essas contratações se deem através de projetos, os contratados integram a mão de obra da UFSM. Nesse caso, a formação exigida é a mesma e o trabalho realizado é igual, o que diferencia estes trabalhadores é a remuneração recebida por eles, o que gera descontentamento entre os trabalhadores contratados pela Fundação. Constatou-se, a partir do exame nos contratos iniciais e das informações obtidas através das chefias das firmas terceirizadoras de serviço, um aumento do número de trabalhadores terceirizados da ordem de 36,9%, UNIVERSIDADE E SOCIEDADE

Revista Universidade e Sociedade - N°48  
Revista Universidade e Sociedade - N°48  

Revista do Sindicato Nacional ANDES-SN

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