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FEDEP-RJ

organização administrativa mundial, importados, so- de educação dos diferentes governos dos países do bremaneira, dos conceitos dos grupos de gestão de EFA (Education for All – Educação para Todos). negócios do “business internacional”, para uso nas diEstavam lançadas as propostas e referências sobre ferentes áreas do conhecimento, têm como fonte de in- as quais o movimento dos docentes do ensino superior, corporação o senso comum, forjado no viés econômico em particular, e os movimentos sociais integrantes do capitalista em sua versão “moderna” neoliberal, a partir Fórum Nacional em Defesa da Escola Pública, de um dos novos padrões de regulação econômica. modo geral, se debruçariam para o debate nacional soO Estado brasileiro vincula-se, historicamente, bre a “nova” lei da educação no país. Não havia Plano aos interesses do setor privado, caracterizando-se pela Nacional de Educação no Brasil, o que imprimiu adesão, principalmente, na última década (1990) e nos ao processo de elaboração/discussão da LDB uma anos 2000, pelo domínio econômico das políticas de maior importância, haja vista o vazio deixado pela ajuste estrutural dos organismos internacionais, entre inexistência de um instrumento para a organização eles, o Fundo Monetário Internacional (FMI), o Banco dessa política pública. Isso definiu e conferiu maior Interamericano de Desenvolvimento responsabilidade ao debate nacional da Não havia Plano Nacional (BID) e a Organização Mundial do educação em todos os seus níveis e moComércio (OMC). Sua influência atindalidades. de Educação no Brasil, ge todos os setores da organização do A LDB do ANDES-SN, assim fio que imprimiu ao Estado-Nação, especialmente as políticou conhecida, também se propunha processo de elaboração/ cas públicas que vão sendo transferia superar a luta corporativa, apresendiscussão da LDB uma das, em nome do ajuste fiscal, para a tando ideias de interesse para a maiomaior importância, haja iniciativa privada, materializando a sua ria trabalhadora da sociedade, sendo vista o vazio deixado transformação em serviços a serem ofeum empreendimento previsto para pela inexistência de recidos pelo setor privado. ser “instrumento e arma no embate um instrumento para Diante dessa orientação para os ideológico” para a transição da Nova a organização dessa países mais pobres e periféricos do República. “A matriz neoliberal política pública. mundo, e frente à chamada moderniconstitui uma das tendências mais zação conservadora, os valores do importantes, com seu apelo à lógica mundo globalizado vão sendo absorvidos a partir empresarial como modelo para a educação, à redução da ressignificação de conceitos. Na década de 1990 e do papel do Estado na educação, à autonomia univerna primeira metade dos anos 2000, as mudanças de- sitária, enquanto forma de cada universidade gerar seu sencadeadas pela alegada “crise do capitalismo”, na orçamento, mantido o controle político do Estado sua versão neoliberal, ocorrida nos países periféricos, sobre as instituições e teses semelhantes.” (DALpodem ser assim resumidas: internacionalização do ROSSO, 1991, p. 2) mercado financeiro; redução da produção industrial; Em 1982, o ANDES-SN lançou a sua primeira ascensão desordenada do setor de serviços; substituição versão da “Proposta das Associações de Docentes e do paradigma fordista de base micromecânica, para a da ANDES para a Universidade Brasileira”, na qual eletroeletrônica – especialização flexível; privatizações expressava sua proposta de ensino superior. Essa divisão internacional do trabalho e fim do Estado de proposta veio a ser modificada e reconstruída, apriBem-Estar Social (Welfare State). morando-se nos diferentes congressos dessa entidade, Em 1991, conviveu-se com o impacto da queda até que, em 2004, foi revista e publicada como Caderno do Muro de Berlim, com o avanço da globalização do ANDES-SN para a Universidade Brasileira. no mundo, divisão internacional do trabalho, e suas O projeto de LDB do Sindicato Nacional foi putransformações no mundo do trabalho, no plano inter- blicado na Revista Universidade e Sociedade, nº 1, nacional, entre outras; no plano educacional, com a de fevereiro de 1991, ficando, assim, socializada para Conferência Internacional de Educação para Todos o conjunto das outras entidades do Fórum Nacional em Jomtien (Tailândia), marco definidor das políticas em Defesa da Escola Pública a contribuição desse moUNIVERSIDADE E SOCIEDADE

DF, ano XXI, nº 48, julho de 2011 - 39

Revista Universidade e Sociedade - N°48  

Revista do Sindicato Nacional ANDES-SN

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