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Movimentos sociais

Ao observarmos a história das ideias políticas po1. Introdução mbora as questões políticas tenham sido quase demos perceber várias mudanças na concepção de sempre enfocadas num prisma que privilegia política que, em determinados momentos históricos, predominantemente a política institucional, há, privilegia um ou outro aspecto. Ao discorrermos sona realidade, uma multiplicidade de facetas que se bre a gênese do pensamento político nos remetemos atribui à palavra ‘política’. Nessa perspectiva, longe imediatamente à Grécia, onde a política era caracteride definições imprecisas, o que queremos é delimitar zada como atividade que visava atender aos interesses nossa compreensão de política para além da esfera ins- da polis, a cidade, por meio da participação direta do titucional, evidenciando que as relações sociais que es- cidadão livre nas decisões. A concepção grega clássica de política se funda no amplamente conhecido pensatabelecemos possuem profundo sentido político. No processo da ação política, a juventude vem as- mento de Aristóteles de que o homem é um animal sumindo um papel central com significativa interven- político. Com base nisso, Atenas estabelece um regição na conjuntura nacional e inserção nos mais diver- me político no qual “o poder central é exercido pela sos espaços de participação política e movimentos Assembleia Popular, que reúne todos os cidadãos sociais, entre os quais, destacamos, especialmente, o dez vezes por ano e nas circunstâncias graves; é ela que toma as decisões soberanamente” Movimento Estudantil (ME) como senAo discorrermos sobre a (CHÂTELET, DUHAMEL e PISIERdo o que mais aglutina e organiza esse gênese do pensamento KOUCHNER, 2000, p. 16). segmento. político nos remetemos Por sua vez, com as elaborações de Desse modo, objetivamos problemaNicolau Maquiavel, um dos mais citados tizar os fundamentos da política e dos imediatamente à Grécia, pensadores clássicos da política, adotamovimentos sociais na sociabilidade onde a política era se a concepção de política como sendo capitalista. Nessa abordagem, resgatacaracterizada como “a arte do possível”, especialmente num mos a concepção de política de alguns atividade que visava contexto em que grande parte dos gopensadores clássicos e nos detemos, de vernantes não conseguia manter-se no forma mais precisa, na compreensão atender aos interesses poder por mais de dois meses (SADEK, de política sob a ótica marxista, entenda polis, a cidade, por 2005). Em sua produção, na qual se dendo-a como uma mediação para a meio da participação destaca a obra ‘O príncipe’, Maquiavel emancipação humana. Em seguida, a direta do cidadão dedica-se a reflexões acerca do Estado partir de uma análise teórica e conceitual e, principalmente, da sua capacidade de dos movimentos sociais, delineamos livre nas decisões. governar, apresentando com isso uma nossa concepção de movimento estudantil considerando três elementos em especial: o caráter nova interpretação para a questão da política. Para o pluriclassista, a transitoriedade dos militantes e o seu pensador, o fundamental seria “o triunfo das dificuldades e a manutenção do Estado. Os meios para isso papel na luta de classes. nunca deixarão de ser julgados honrosos, e todos os aplaudirão1” (Maquiavel apud SADEK, op. cit., p. 24). 2. Organização política como mediação Nas formulações de Marx e Engels, a compreensão para a emancipação humana Partimos da concepção de que somente o ser so- teórica do movimento histórico em seu conjunto prescial possui a capacidade de agir politicamente. Este é supõe como central a concepção de que a história da compreendido, de acordo com Netto e Braz (2007), sociedade até hoje é a história da luta de classes e, não como único ser que se particulariza porque é capaz de: existindo economia desvinculada da política, toda realizar atividades teleologicamente orientadas; objeti- luta de classes é antes de tudo uma luta política. Ou var-se material e idealmente; comunicar-se e expressar- seja, enquanto a questão básica para Maquiavel seria se pela linguagem articulada; tratar suas atividades e a si as condições de ser governo e, para isso, foi levado ao mesmo de modo reflexivo e consciente; escolher entre estudo do Estado, para Marx o Estado manifesta os interesses de determinada classe e o cerne da questão alternativas concretas; universalizar-se e sociabilizar-se.

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132 - DF, ano XXI , nº 48, julho de 2011

UNIVERSIDADE E SOCIEDADE

Revista Universidade e Sociedade - N°48  

Revista do Sindicato Nacional ANDES-SN

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