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Consciência de classe, organização de classe

nantes apreendidas como idéias; portanto, são a exnos ajudar no trabalho da consciência. Ela é injusta, pressão das relações que fazem de uma classe a classe desigual, fundada na exploração, na desumanização, dominante, são as idéias de sua dominação (Marx e destrói qualquer capacidade da vida se expressar como Engels, 2007: 47). vida, sendo fácil entender por que as pessoas se antagonizam contra a exploração e a reificação. Por outro Notem que a dialética materialista tomou conta lado, não é fácil entender por que a maioria mantém-se passiva diante desse antagonismo da ordem do capital dos autores. Não se trata apenas de um conjunto de em relação à vida. Não pode ser somente pela reprodu- ideias que se impõem como dominantes. Elas são doção e imposição de ideias, valores e conceitos prontos. minantes porque são da classe dominante, mas a classe Caso restringíssemos a explicação até o que foi ex- só é dominante porque se insere em relações sociais de produção historicamente determinadas, posto, corremos o risco de aceitar como Concordando que que as colocam no papel de dominação. fundamento de nossa tese não os presOra, a tarefa ficou mais difícil porque se supostos marxianos, mas outra formucabe mudar as ideias que constituem uma ideologia lação, a de Emile Durkheim (1976), que as estruturas, são expressões das relações de dominaacreditava que a consciência era formuas relações sociais ção, a superação delas pressupõe a sulada pela imposição coercitiva das forma de produção que são peração destas relações e, como Marx e de ser, pensar e agir. Não por acaso, para Engels concluirão na mesma obra, isso a base real da esse pensador, a educação encontrava-se pressupõe um “movimento prático, uma no centro deste processo que ele entedia expressão ideológica, revolução” (idem: 42). como positivo e saudável. qual seria o papel O paradoxo é que se esse caminho Creio que nós podemos ser induda educação, nos ajuda a compreender melhor o fenôzidos a um erro ao compreender o femeno, ele também pode nos levar a um seja ela pensada nômeno da ideologia dessa maneira, ou outro impasse, caindo em uma linearidaseja, acabamos por pensar a sua superano campo da de tão positivista quanto a primeira. ção como a mera contraposição de um educação formal ou Concordando que cabe mudar as esnovo conjunto de ideias e valores. no contexto de truturas, as relações sociais de produção Caso a ideologia fosse apenas um que são a base real da expressão ideolópráticas alternativas? conjunto de valores e ideias que nos são gica, qual seria o papel da educação, seja impostas coercitivamente pelos aparatos Nenhum? ela pensada no campo da educação forde produção e disseminação do conhecimento e, portanto, também pela educação, a resposta mal ou no contexto de práticas alternativas? Nenhum? Caso não nos permitamos pensar dialeticamente seria contrapor a essa educação uma educação revoluque a mudança da educação seria consequência da cionária, pensada a partir de conteúdos e formas dismudança social, mas a mudança social não poderia tintas da educação conservadora. Não se trata de negar a necessidade de pensar e de- ser pensada como fator de alterações no processo senvolver formas pedagógicas inovadoras e de realizar educativo. Nessa concepção, o que deveriam fazer os educaa batalha das ideias. O problema é que esse caminho, dores revolucionários? Ora, fazer a revolução e não louvável e necessário, pode nos levar a um impasse. perder tempo na busca de formas e conteúdos de uma Vejamos porquê. A pista para uma visão mais complexa e profunda educação revolucionária, a não ser como mera agitação para compreender o fenômeno da consciência está nas da necessidade da revolução. Tentando resgatar a dialética de seu exílio para que próprias formulações marxianas e engelsianas presenela possa nos ajudar na compreensão dessas polaridates na Ideologia alemã. des de maneira menos mecânica, teríamos que pensar Dizem os autores: As idéias dominantes não são nada mais do que a ex- de forma um pouco distinta. A consciência só pode se pressão ideal (ideológica) das relações materiais domi- originar e se desenvolver como expressão de relações

124 - DF, ano XXI , nº 48, julho de 2011

UNIVERSIDADE E SOCIEDADE

Revista Universidade e Sociedade - N°48  

Revista do Sindicato Nacional ANDES-SN

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