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Jornal da ADUFF

Luiz Fernando Nabuco

Luta contra PEC da Previdência deve continuar, dizem docentes

Docentes no ato contra PEC 287 no Centro do Rio

Enquanto diz que os servidores são privilegiados e vão quebrar a Previdência, governo aprova, na Câmara, MP que dá ajuda fiscal de R$ 1 trilhão a petroleiras Hélcio Lourenço Filho Da Redação da Aduff

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inco dias antes dos protestos e paralisações nacionais de 5 de dezembro, que levaram às ruas não só a rejeição à reforma da Previdência como a convicção de que o déficit alardeado pelo governo é ficção, 208 deputados federais votaram uma medida provisória que concede 25 anos de isenções fiscais a empresas petroleiras nacionais e estrangeiras. A MP 795/2017 teria potencial para abater dos cofres públicos cerca de 1 trilhão de reais, na avaliação que se es-

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Dezembro/2017 • www.aduff.org.br

palhou para o país. Embora chame a atenção tamanha concessão para o provável setor mais rico da indústria mundial, os meios de comunicação comerciais pouco falaram disso. A TV brasileira dedicou-se, nesse período, seja nos comerciais ou nas notícias, a dizer que o sistema previdenciário está a ponto de explodir em decorrência dos privilégios dos servidores públicos, classificados na propaganda do governo como seres que “trabalham pouco, ganham muito e se aposentam cedo”. Na esteira da investida contra a Previdência, já se cos-

tura as bases para outra ‘reforma’, que teria como alvo derrubar o patamar salarial do país. Isso ficou explícito no “Jornal Nacional”, da TV Globo, na noite dos protestos nacionais contra a PEC 287, que pôs no ar ‘reportagem’ na qual suposto estudo do Banco Mundial mostraria que o Brasil é o país de servidores marajás. Essa combinação de reformas fecharia o cerco em curso a direitos da classe trabalhadora. Enquanto duas delas foram aprovadas – a trabalhista e a que asfixia os orçamentos do setor público por 20 anos –, o governo ainda

tenta votar a previdenciária e pavimentar o ambiente para ceifar salários.

Brasília A pedra no caminho do Planalto e da elite empresarial é que não havia, até a primeira semana de dezembro, os 308 votos necessários para aprovar a PEC 287 na Câmara. “O governo tenta fazer uma onda positiva, mas, por baixo dessa espuma, está longe de ter os votos que precisa, porém ainda não jogou a toalha”, disse, à reportagem, o analista parlamentar Thiago Queiroz. Na reunião que teve com representantes sindicais do

funcionalismo no dia 28 de novembro, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), admitiu faltar votos e não saber quando colocaria a PEC em pauta. O deputado, hoje peça-chave para votá-la, recebeu os servidores pouco depois do ato nacional que reuniu cerca de cinco mil pessoas na porta da Câmara. “Nós demos um recado inicial ao governo e ao Congresso, mas ainda precisamos dar nas ruas uma resposta contundente contra a retirada de direitos”, disse a professora da UFF Lorene Figueiredo, que integrou a delegação da Aduff-SSind que foi a Brasília. Essa resposta não aconteceu como se esperava na greve nacional prevista para o dia 5 de dezembro e desmarcada, às vésperas, por seis das oito centrais que a convocavam (CUT, Força Sindical, CTB, UGT, Nova Central e CSB) – e mantida apenas pela CSP-Conlutas e Intersindical. Mas os protestos, mesmo reduzidos, aconteceram em todas as capitais e em dezenas ou talvez centenas de lugares. “Temer não tem popularidade, já disse que não vai disputar eleição, e faz tudo isso comprando deputados. Temos que ir para as ruas [nessas semanas decisivas] para impedir que a reforma seja aprovada”, disse o professor Gustavo Gomes, presidente da Aduff, no ato em frente às Barcas de Niterói.

Luiz Fernando Nabuco

Aduff inicia Plantão Jurídico Itinerante nos campi da UFF fora da sede

Advogado da Aduff atende docentes em Volta Redonda

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ealizado semanalmente às sextas-feiras, de 9h às 13h, na Aduff-SSind, em Niterói, o Plantão Jurídico, que agora irá aos campi fora da sede, é um espaço para do-

centes sindicalizados tirarem dúvidas com a assessoria jurídica da Seção Sindical. Inaugurado na UFF de Volta Redonda no dia 30 de novembro, o Plantão

Jurídico itinerante e regular nos campi fora da sede aconteceu após assembleia descentralizada realizada no campus Aterrado. A proposta da diretoria da Aduff-SSind é que ele passe a acontecer pelo menos uma vez ao mês em cada cidade. A proposição, debatida nos fóruns da categoria, é parte da política de defesa da multicampia de fato na universidade, inclusive na organização sindical dos docentes, e busca aproximar os diversos campi e permitir que mais professores participem das questões

relacionadas à categoria e à universidade. Ainda em estágio probatório, a professora Alexandria Estevez, da UFF de Volta Redonda, elogiou a iniciativa da assembleia e do plantão jurídico descentralizados. “Entrei na UFF este ano, então foi ainda mais importante para mim poder contar com um espaço de esclarecimento de dúvidas com a assessoria jurídica do sindicato, para saber quais são meus direitos e entender melhor essas propostas de contrarreformas”, ressaltou a docente do curso de Psicologia.

“Como primeira experiência, foi muito positivo poder ficar à disposição dos docentes para tirar dúvidas e atender e encaminhar demandas funcionais de professores que não podem comparecer aos atendimentos jurídicos na sede. Vamos nos organizar junto com a diretoria da Aduff-SSind para montar e divulgar uma agenda prévia dos plantões, em todos os campi”, afirmou o advogado Júlio Canello, que integra a assessoria jurídica da seção sindical. (Por Lara Abib)

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Jornal Aduff-SSind | dezembro 2017  

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