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CONTROLE BIOLÓGICO DA VASSOURA-DE-BRUXA DO CACAUEIRO: PASSADO E PRESENTE

ISBN 0102-5511

Cleber Novais Bastos

BOLETIM TÉCNICO Nº 23

MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, PECUÁRIA E ABASTECIMENTO Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira Superintendência do Desenvolvimento da Região Cacaueira no Estado do Pará 2009


INTRODUÇÃO

A Amazônia, em especial a brasileira, além de depositária de grande parte da biodiversidade do cacau (Theobroma cacao L.), é uma região tradicional no cultivo desta espécie, a qual foi levada para o sul do Estado da Bahia no final do século XVIII, transformando-se em pouco tempo na mola propulsora do desenvolvimento agrícola daquela região. Em decorrência da modernização da lavoura baiana, os laços da CEPLAC com a Amazônia começaram bem através das visitas constantes do pessoal de pesquisa, quer para coleta de material botânico para produção de novos híbridos, quer para um aprofundamento no conhecimento das enfermidades do cacaueiro (Oliveira, 1981). Tendo

como

objetivo

promover

nas

áreas

propícias

da

Amazônia,

o

desenvolvimento racionalizado da cacauicultura, mediante estudos, pesquisas, assistência técnica, revenda de materiais e insumos agrícolas, O Departamento Especial da Amazônia (DEPEA) implantou sua estrutura departamental. Com o avento do PROCACAU – Programa Nacional para Expansão da Cacauicultura Brasileira (CEPLAC, 1977), a partir de 1976, a Amazônia brasileira tornou-se definitivamente uma importante região produtora de cacau, na sua maior parte nos Estados de Rondônia e Pará. Todavia, poucas ou nenhuma pesquisa tinha sido conduzida intensivamente para resolver os problemas fitossanitários do cacaueiro, principalmente no que se refere ao “bicho papão” da lavoura na Amazônia – a vassoura-de-bruxa (Oliveira, 1981).

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A VASSOURA-DE-BRUXA

A vassoura-de-bruxa é causada pelo fungo basidiomiceto Crinipellis permiciosa e considerada a enfermidade mais perniciosa ao cacaueiro (Theobroma cacao). A vassourade-bruxa é ocorre de forma endêmica nas populações de cacau silvestre do vale amazônico e em ciclos epidêmicos nas plantações tecnicamente implantadas nas terras firmes dessa região. Os danos por ela provocados refletem diretamente na produção e, em alguns casos, o ataque é tão severo que chega a devastar totalmente as plantações (Bastos, 1990). O fungo C. perniciosa além de afetar o cacaueiro, ele ataca outras espécies da família Malvaceae (Sterculiaceae), e possui hospedeiros nas famílias Solanaceae, Bixaceae, Malpighiaceae e Bigoniaceae (Luz et a.l, 2006). O patógeno é hemibiotrófico e possui duas fases fisiológicas e morfológicas distintas: a) fase parasítica de crescimento intercelular, caracteriza por um micélio grosso, monocariótico e sem grampo de conexão, encontrado somente nos tecidos vivos infectados; b) fase saprofítica com micélio fino, intracelular, dicariótico, com grampo de conexão e encontrados nos tecidos mortos e meios de cultura (Evans & Bastos, 1979; Evans, 1980_). È sob a forma de micélio saprofitico que o fungo produz os corpos frutíferos de coloração rósea e de tamanho variável, entre 5 e 25 mm de diâmetro, denominados basidiomas (basidiocarpos), cujo ciclo de vida é de 5 a 8 dias (Rudgard, 1984). No interior dos basidiomas são produzidos os basidiósporos hialinos que medem 10-14 x 4-5 m. Os basidiomas são produzidos em todos os tecidos afetados, depois de mortos ou mumificados, quer estejam presos à árvore, que se achem no solo. Cada basidioma libera, freqüentemente à noite (18:00 às 6:00 h), milhares de basidiósporos que são disseminados pelo vento. A germinação dos esporos é rápida, iniciando-se após uma hora em atmosfera saturada de umidade (80 a 90%) e completando-se cerca de 4 horas depois. Em unidade relativa abaixo de 80% ela é interrompida, por serem os esporos extremamente suscetíveis à desidratação (Baker & Crowdy, 1943; Holliday, 1952). A infecção causada pelo patógeno ocorre principalmente em tecidos jovens, meristemáticos em crescimento, tais como brotos vegetativos, almofadas florais e frutos, provocando sintomas característicos, resultantes de desequilíbrio hormonal da interação patógeno hospedeiro. Os ramos vegetativos infectados tornam-se hipertrofiados e com

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intensa proliferação lateral de outros brotos, apresentado aspecto característico de uma vassoura. Os brotos infectados apresentam diâmetros maiores que os normais, entrenós curtos, e folhas geralmente grandes, curvadas ou retorcidas e com pulvinos hipertrofiados (Bastos, 1990). Os frutos infectados exibem uma variedade de sintomas, dependendo do genótipo, método de infecção e idade do fruto. Frutos originados de flores infectadas apresentam uma forma globosa denominada “morango”, tornando-se negros e petrificados. Quando os frutos são infectados ainda jovens e diretamente por esporos através do epicarpo, tomam a forma de

“cenoura”.

Esses

frutos

geralmente

têm

seu

crescimento

paralisado

com

aproximadamente 15 cm de comprimento. Antes de se tornarem negros e petrificados. À vezes, os frutos são infectados quando têm 2 a 5 cm de comprimento e, neste caso, tornamse inchados e deformados com amadurecimento precoce. Frutos infectados em estádios mais desenvolvidos (8 cm de comprimento), apresentam quando adultos uma mancha negra e dura, de formato mais ou menos circular. Com o desenvolvimento da infecção, estes se tornam secos e mumificados, perdendo o valor comercial devido ao apodrecimento das amêndoas, as quais ficam aderidas entre si (Bastos & Silva, 1980).

O CONTROLE BIOLÓGICO

A maneira tradicional de definir controle biológico de fitomoléstias é considerá-lo como o controle de um microrganismo através de outro microrganismo (Bettiol, 1991). Entretanto, definições abrangentes são aceitas pelos fitopatologistas, como sendo a redução da quantidade de inóculo ou das atividades indutoras de enfermidade causada por um patógeno, através da utilização de um ou mais organismos, que não o homem (Cook & Baker, 1983). Os antagonistas são agentes biológicos dotados de um potencial capaz de interferir nos processos vitais do patógeno, aniquilinando-o. Os mecanismos básicos das interações antagônicas entre microrganismos antagonistas e C. perniciosa podem ser divididos nas seguintes categorias: i) parasitismo direto (hiperparasitismo); ii) antibiose, que é a produção de metabólitos por um organismo que tem efeito danoso sobre a vida do patógeno); iii) competição trófica de elementos essenciais ao patógeno e disputa de nichos (espaço) de

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sobrevivência) ou de penetração do hospedeiro (micoparasitismo); iv) pelo estímulo do hospedeiro ativando mecanismos de resistência (proteção induzida), ou a produção de substâncias inibidoras, tais como fitoalexinas . Os resultados que vêm sendo obtidos com os microrganismos endofíticos nesta categoria (indução de resistência) são bem animadores. Os endofíticos são aqueles microrganismos que penetram ou habitam os tecidos internos das plantas e que não causam danos aparentes ao seu hospedeiro. Colonizando o interior da planta, eles podem competir por espaço e nutriente com o patógeno, reduzindo dessa forma o aparecimento de doenças. Além disso, os endófitos podem produzir compostos antagônicos ao patógeno ou ativar o sistema de defesa da planta, reduzindo o poder de infecção do patógeno (Azevedo et al., 2003). Do ponto de vista agrícola, pode-se enfocar o controle biológico de duas formas: o controle biológico natural e o controle biológico clássico (aplicado) (Evans, 1999). O controle biológico natural envolve as ações combinadas (fatores bióticos e abióticos) atuando na preservação ou no aumento da população antagônica residente (Bueno, 2006). O controle biológico clássico implica na introdução de uma biomassa de um antagônico, obtida em meios de cultura ou substrato adequado, na área de influência do hospedeiro. Os estudos do controle biológico clássico feitos pela introdução/aplicação de inimigos naturais vivos de C. perniciosa já identificaram fungos antagônicos hiperparasitas que atacam basidiomas (C. amazonense) (Figura 1) ou colonizam vassouras secas (T. stromaticum). (Figura 5)

INÍCIO DA PESQUISA

As pesquisas na área de controle biológico da vassoura-de-bruxa, no âmbito do DEPEA, tiveram início em 1977, através do projeto de N 314 – a- 02 intitulado “Controle Biológico da Vassoura-de-bruxa do Cacaueiro” , aprovado pela Comissão de Projetos do Centro de Pesquisa do Cacau (CEPEC), na Bahia. O projeto tinha como objetivos: i) determinar a flora microbiana da vassoura-de-bruxa, durante a emissão de basidiomas de C. perniciosa; ii) selecionar microrganismos antagônicos ao patógeno, afim de utilizá-los no controle biológico da enfermidade; iii) testar em condições de laboratório e campo, o efeito antagônico dos isolados; iv) testar em condições de laboratório e de casa de vegetação, a

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ação fungicida e fungistática dos filtrados de cultura dos isolados antagonistas, sobre C. perniciosa. O DEPEA não dispunha de laboratórios, então a Embrapa (CPATU) cedeu algumas salas de um prédio, onde foram instalados a COPES (Coordenadoria de Pesquisa) e improvisado o laboratório de Fitopatologia. Os equipamentos (microscópios, lupas, autoclave e estufa para esterilização) foram adquiridos pela CEPLAC e UK Ministry of Overseas Development (DM), através do Dr. Harry C. Evans, fitopatologista que trabalhou no DEPEA no período de 1977 a 1980.

PRIMEIROS RESULTADOS DE PESQUISA

O primeiro ensaio foi realizado in vitro, usando o método de pareamento, para avaliada a capacidade antagonista ao C. perniciosa, de seis cepas de fungos e de uma bactéria isolados de basidiomas e de cultura de C. perniciosa contaminada. Os resultados preliminares da inibição do patógeno pelos microrganismos, mostraram que Eurotium sp., Penicillium lilacium, P. purpurescens,

Aspergillus terreus, e Bacillus subtilis

demonstraram atividade antagônicas (Bastos, 1978). Em 1978 foi observada no vassoureiro telado (câmara indutora de basidiomas) e no campo, no município de Belém, PA, a presença de um fungo exercendo ação parasitária sobre basidiomas de C. perniciosa (Figura 1). Procedeu-se a um levantamento da ocorrência do hiperparasita, na mata, e verificou-se a sua presença constante em fungos do gênero Crinipellis e de outros Agaricáceos, exercendo, desta maneira, um controle biológico nestas condições naturais. A partir de basidiomas de C. perniciosa parasitados, foram realizados isolamentos do antagonista, que foi identificado como Dactylium sp (= Cladobotryum Nees) (Bastos, 1979). Através de ensaios realizados em condições controladas, foi demonstrado que, quando uma suspensão de esporos mais fragmentos de micélio do hiperparasita era aplicada em vassouras secas contendo basidiomas em diferentes estágios, o antagonista colonizava os basidiomas impedindo a disseminação de basidiósporos de C. perniciosa. Observações efetuadas em basidiomas parasitados revelaram que os basidiósporos por eles liberados

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eram aderidos ao micélio do fungo antagônico e não germinavam quando transferidos para meio de cultura artificial. Comprovou-se que a perda da capacidade germinativa está relacionada a uma substância tóxica liberada pelo micélio do hiperparasita (Bastos, 1979). Posteriormente o fungo foi identificado como sendo como uma nova espécie e descrito como Cladobotryum amazonense Bastos, Evans e Samson (Bastos, et al., 1981). Em adição, constatou que o antagonista produz um extracelular e termoestável metabólito que induz inibição da germinação e plasmólise de basidiósporos de C. perniciosa. Em experimento conduzido em campo (Tabela 1), o filtrado de cultura de C. amazonense revelou capacidade de proteger frutos do cacaueiro contra infecção de C. perniciosa, sem apresentar toxidade (Bastos, 1980)

FIG. 1. Basidioma (basidiocarpo) de Crinipellis perniciosa parasitado pelo micélio (seta) do fungo Cladobotryum amazonense.

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TABELA 1. Efeito dos intervalos de tratamento in vivo com filtrado decultura de Cladobotryum amazonense no controle de vassoura-de-bruxa do cacaueiroa.

Intervalos

a

N de frutos

N de frutos

Total

Perda

(dias)

sadios

doentes

(%)

8

448

70

518

13,5

15

317

91

408

22,3

30

233

111

344

32,2

Cinqüenta cacaueiros por tratamento.

Dando prosseguimento com as pesquisas com C. amazonense foram realizados estudos na University College of Wales, em Aberystwyth, Wales, UK, visando determinar a estrutura química e atividade antibiótica do seu metabólito. O composto foi isolado, purificado e os testes qualitativos indicaram que o antibiótico é um polipeptídeo. Testes realizados in vitro demonstraram que além do efeito inibitório sobre o desenvolvimento de C. perniciosa, o antibiótico tem um amplo espectro de ação, sendo capaz de inibir várias espécies de fungos fitopatogênicos, inclusive patógenos causadores de doenças no cacaueiro, como Phytophthora palmivora (podridão parda) e Moniliophthora roreri (monilíase) (Bastos, 1984; Bastos, et al., 1986). Em 1985 foi depositado no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) o Pedido de Patente de Invenção N 8502218 “Processo de preparação de um antibiótico polipeptídeo a partir do fungo Cladobotryum amazonense”. Em 1987 foi constatada a presença de um fungo colonizando vassouras secas de cacaueiros e impedindo efetivamente a formação de basidiomas..O fungo foi classificado com Trichoderma viride, e a partir de uma série de experimentos realizados sob condições controladas e de campo, verificou-se que suspensão de conídios do antagonista quando aplicada em vassouras secas em estádios de produtividade provocou drástica redução na indução de basidiomas.(Bastos, 1988) O antagonista geralmente colonizava as vassouras formando na superfície das mesmas massas esporógenas brancas (Figura 2). Em experimento de campo realizado em Belém, PA, em áreas formadas por cacaueiros com 108


12 anos de idade com alto índice de infecções na copa e nos frutos, o agente biológico reduziu significativamente o número de frutos infectados (22,8%) em relação à testemunha (57,2) (Bastos, 1996). Posteriormente, o antagonista foi reclassificado como uma espécie, recebendo o nome de Trichoderma estromaticum. (Samuels et al., 2000), com base nas suas estruturas ou pústulas brancas denominadas de estromas. . Em 1994, com patrocínios da Fundação Pau Brasil, FUNDECAU, CEPLAC e CNPC foi realizado no CEPEC, Ilhéus, BA um Fórum sobre controle biológico da vassoura-de-bruxa do cacaueiro, com a finalidade de discutir a possibilidade de utilização de agentes biológicos no controle da enfermidade. O grupo manifestou de acordo, em que as pesquisa deviam ter continuidade na Amazônia e no sul da Bahia, dando especial atenção aos experimentos conduzidos na Amazônia, que tem revelado eficazes com o uso de T. stromaticum. Uma das decisões do Fórum foi a de duplicação no sul da Bahia das pesquisas realizadas na Amazônia, com suporte financeiro do FUNDECAU. Um projeto foi elaborado conjuntamente com os fitopatologistas do CEPEC, e os experimentos instalados em condições de campo, respectivamente, em Uruçuca (BA) e na Estação de Recursos Genéticos Jos´´e Haroldo (ERJOH), em marituba, (PA). Nas duas regiões, utilizando o T. stromaticum, verificou-se inibição expressiva da produção de basidiomas de C. perniciosa. Em Uruçuca foi observada redução de 99,7% no número de basidiomas nas vassouras deixadas na serrapilheira e de 56,6% nas vassouras penduras nas copas dos cacaueiros (Costa et al., 1998). No experimento da ERJOH, foi verificado que o antagonista reduziu a infecção em ramos e almofadas florais e a formação de basidiomas nas vassouras deixadas tanto nas copas quanto na serrapilheira dos cacaueiros ( Figuras 3 e 4).(Bastos, 2000). O mecanismo de ação antagonista de T. viride (T. stromaticum) foi primeiramente estudado por Bastos (1996a) na Universidade de Sheffield, em Sheffield, Inglaterra, UK. In vitro, através do pareamento de cultura o antagonista cresceu mais rápido que C. perniciosa paralisando o crescimento deste e as hifas do antagonista se enrolavam em torno das hifas do patógeno, não sendo observado formação de zonas de inibição nem produção de metabólitos voláteis e não voláteis. Avaliando a atividade lítica de T. stromaticum contra o micélio de C. perniciosa in vitro e em vassouras secas de cacaueiros, constatou que o micélio do patógeno perdeu a viabilidade após seis dias do tratamento com o antagonista. A capacidade do antagonista de produzir enzimas capazes de degradar a parede celular de

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hifas de C. perniciosa foi investigada in vitro e, constatou-se que o antagonista é capaz de produzir enzimas hidrolíticas como com celulase, amilase e protease (Bastos, 1996b). Trichoderma stromaticum não apresenta atividade antagonista por antibiose, podendo ser considerado como um fraco competidor em nível de filoplano e rizosfera, mas com alta capacidade de sobrevivência em vassouras secas e especificidade por C. perniciosa. Os resultados promissores obtidos até então, chamou atenção de outras instituições científicas e pesquisadores interessados em trabalhar com agente biológico. Pesquisadores do Biological of Plant Disease Laboratory (BPDL), do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), em Belstville, Maryland, USA prontificaram em cooperar no desenvolvimento de uma tecnologia para fermentação e formulação do Trichoderma para uso no controle da vassoura-de-bruxa. Isolados do antagonista foram enviados e ao serem analisados por um cientista especialista nesse gênero de fungo, concluiu que não era T. viride e sim uma nova espécie, que foi descrita como T. stromaticum nov. sp, como já mencionado acima. A fase sexuada de T. stromaticum foi encontrada na região cacaueira da Bahia, a qual foi posteriormente classificada como Hypocrea stromatica (Bezerra et al., 2000). Em 1999 foi inaugurada a Unidade de Biocontrole da CEPLAC, no CEPEC, em Itabuna, Ilhéus, BA, onde T. stromaticum é produzido em alta escala sob nome comercial Tricovab.(Bezerra et al., 2000). O processo utilizado para produção do Tricovab é a fermentação sólida, tendo o arroz autoclavado como substrato. O fungo cultivado neste substrato produz cera de cinco milhões de esporos por grama em sua superfície.

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FIG. 2.

Vassouras secas de cacaueiros colonizadas por propรกgulos de Trichoderma

stromaticum

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FIG. 3. Trichoderma stromaticum e produção de basidiomas de Crinipellis perniciosa em vassouras de cacaueiros: Trichoderrma aplicado à vassouras penduras (A); Trichoderma aplicado à vassouras sobre a serrapilheira (B); Testemunha 1 – vassouras penduradas (C); Testemunha 2 vassouras sobre a serrapilheira (D). As colunas representam médias de quatro repetições de 50 vassouras.

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FIG. 4. Trichoderma stromaticum e infecções de ramos vegetativos (RV) e almofadas florais (AF) de cacaueiros: Trichoderma aplicado à vassouras penduradas (A); Trichoderma aplicado à vassouras sobre serrapilheira (B); Testemunha 1 – vassouras penduradas (C); Testemunha 2 – vassouras sobre serrapilheira (D). As colunas representam médias de 50 cacaueiros.

AVANÇOS DA PESQUISA E NOVAS DESCOBERTAS

Em 1999 foi observado sobre ramos de bambu (Bambusa vulgaris Schr.) a presença do basidiomiceto Hohenbuehelia sp., cujos basidiocarpos apresentavam parasitados por um fungo identificado como Hypomyces sp. Este foi isolado e determinado a sua atividade parasitária sobre basidiocarpos de C. perniciosa. Observou-se que após 72 horas da aplicação os basidiocarpos apresentavam-se colonizados pelo micélio de Hypomyces sp., comprovando sua capacidade de parasitismo ao C. perniciosa (Bastos & Bezerra, 2000), constituindo dessa maneira, num agente promissor no controle do inóculo do patógeno da vassoura-de-bruxa.

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Recentemente isolou-se de vassouras secas e de mudas de cacaueiros infectadas por C. perniciosa fungos antagonistas do gênero Clonostachys spp. (= Gliocladium spp.) Foi realizada uma série de bioensaios in vitro e experimentos em casa de vegetação e campo, visando verificar atividades antagônicas dos isolados. Utilizando a técnica de pareamento de culturas, constatou-se que nenhum dos isolados induziu a formação de halos de inibição. Em casa de vegetação, utilizando mudas de cacau, suscetíveis a vassoura de bruxa, pulverizadas com suspensões de conídios (1.5 x 108 conídios/ml) de dois isolados de Clonostachys (C1 e C2). e, inoculadas com C. perniciosa 15 e 36 dias após a aplicação dos antagonistas, revelaram que C1 e C2 foram eficientes no controle da vassoura-de-bruxa quando comparado à testemunha (Figura 5). Aos 15 dias da inoculação com C. perniciosa, os isolados propiciaram, respectivamente, média de incidência de plantas doentes de 24% e 12%, enquanto que na testemunha foi de 76%. Aumentando o intervalo de tempoinoculação para 36 dias, incidência de plantas doentes foi 28%, 4% e 72% para C1, C2 e testemunha, respectivamente. (Bastos, 2003; Bastos, 2004) Em bioensaios para avaliar o mecanismo de ação dos agentes de biocontrole, foram evidenciadas a penetração dos antagonistas no hospedeiro e a proteção contra infecção por C. perniciosa. Isolamentos dos antagonistas in vitro, a partir de discos de folhas tratadas, demonstraram que os isolados têm ação endofítica Resultados obtidos de experimento de campo mostraram redução na incidência de vassouras vegetativas depois da aplicação de Clonostachys sp. (C1) no tronco (via injeção) e nas folhas via pulverização (Figura 6). Os isolados de Clonostachys spp. testados são potenciais para controle da vassourade-bruxa do cacaueiro pela atividade protetiva apresentada contra infecções de C. perniciosa e pela capacidade da provável indução de resistência do cacaueiro.

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Plantas infectadas (%)

15 Dias

36 Dias

80 70 60 50 40 30 20 10 0 T

C1

C2

Tratamentos FIG. 5. Incidência de vassoura-de-bruxa em mudas de cacau pulverizadas com suspensão de conídios de dois isolados de Clonostachys sp. (C1 e C2), 15 e 36 dias antes da inoculação com Crinipellis perniciosa.

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Número médio de vassouras

70 60 50 40 30 20 10 0 Testemunha

Aplicação no tronco

Aplicação na folhagem

Tratamentos FIG. 6 Efeito de Clonostachys sp. na redução de vassouras vegetativas de cacaueiros sob condições de campo antagonista.

Em continuação às pesquisas na área de controle biológico foi isolado do interior de tronco de cacaueiro uma espécie de Trichoderma, que foi identificada como T. brevicompactum. O isolado de Trichoderma produziu in vitro metabólitos capazes de inibir em 100% o crescimento micelial e a germinação de basidiósporos de C. perniciosa quando o filtrado de cultura do antagonista foi usado na concentração de 2% e 10%, respectivamente. Em experimento conduzido em casa de vegetação demonstraram que, a aplicação de suspensão de conídios e de filtrado de cultura do agente biológioco na concentração de 5% reduziram significativamente a incidência de vassoura-de-bruxa em mudas de cacaueiro (Figura 7). Resultados da aplicação do agente biológico no campo (Figura 8) mostraram que a infecção em frutos causada pela vassoura-de-bruxa foi significativamente reduzida nos tratamentos com suspensão de esporos e filtrado de cultura, quando comparado com a

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testemunha. Resultados positivos também foram obtidos em experimento realizado em vassoureiro, visando inibição na formação de basidiomas em vassouras secas de cacaueiros.

Incidence of infected seedlings (%)

90 80 70 60 50 40 30 20 10 0

C

CFA

CFNA

ST

FIG. 7. Efeito de Trichoderma brevicompactum na redução da incidência de vassoura-debruxa em mudas de cacau seis dias antes da inoculação com Crinipellis perniciosa. C = testemunha; CFA = filtrado de cultura autoclavado (5%); CFNA = filtrado de cultura não autoclavado (5%); ST = suspensão de esporos. As barras representam o desvia padrão.

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20 B

Frutos infectados (%)

18 16 14 12 10 8 A

A

6 4 2 0

SP

CF

C

FIG. 8. Redução de frutos de cacau infectados por Crinipellis perniciosa pela aplicação de de Trichoderma brevicompactum. Suspensão de esporos (SP); Filtrado de cultura (CF); Testemunha (C).Colunas com letras iguais não deferem pelo teste de Tukey a 5%.

Em vassouras secas de lobeira (Solanum lycocarpum) procedente do Distrito Federal, foi observada a presença de um fungo colonizando os tecidos necróticos e possivelmente exercendo ação parasitária contra C. perniciosa (Figura 9).O suposto antagonista foi isolado e identificado como Trichothecium roseum Lk. Ex Fr. Ensaios conduzidos in vitro evidenciaram a formação de uma zona de inibição entre as culturas de T roseum e C. perniciosa (Figura 10) e, o líquido metabólico produzido em meio líquido de batata-dextrose (BD), usado nas concentrações acima 1%, provocou lise e total inibição na germinação de basidiósporos de C. perniciosa. Em casa de vegetação, o líquido metabólico na concentração de 5% apresentou efeito preventivo e ação sistêmica em mudas de cacaueiro, sendo capaz de reduzir consideravelmente a incidência da vassoura-de-bruxa, quando aplicado oito dias antes de inoculação de C. perniciosa, sem apresentar toxicidade (Figura 11). No tocante a ação sistêmica, constatou-se que o princípio ativo presente na substância produzida por T.

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roseum pode ser translocado de maneira descendente e ascendente nas mudas de cacaueiro, sendo capaz de proteger as plantas contra infecçþes por C. perniciosa (Bastos, 2007).

FIG. 9. Vassoura-de-bruxa de lobeira (Solanum lycocarpum) colonizada por propĂĄgulos de Trichothecium roseum.

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FIG. 10. Inibição micelial de Crinipellis perniciosa (colônia na parte inferior da placa) por Trichothecium roseum (colônia na parte superior da placa) em culturas pareadas em BDA, durante 18 dias de incubação.

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Incidência da vassoura-de-bruxa (%)

80 70

A

60 AB

50 40 B

30 20 10 0 TEST

LM

ESP

Tratamentos

FIG. 11. Incidência da vassoura-de-bruxa em mudas de cacau pulverizadas com líquido metabólico (LM) e suspensão de esporos de Trichothecium roseum (ESP), oito dias antes da inoculação com Crinipellis perniciosa. Colunas com letras iguais não diferem pelo teste de Tukey a 5%.

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PERSPECTIVAS FUTURAS

O controle biológico é uma alternativa viável num programa de manejo integrado da vassoura-de-bruxa do cacaueiro. Deve-se ressaltar que o biocontrole é capaz de reduzir a incidência da doença, porém sem eliminar o patógeno completamente. O sucesso do controle biológico da vassoura-de-bruxa, como de outra doença qualquer, depende de vários fatores e, as estratégias empregadas devem ser baseadas principalmente na interação entre fatores que afetam o fitopatógeno e o agente biocontrolador. Com base no exposto, pode-se inferir que as chances de sucesso de controle biológico, entre outros fatores, estão fundamentadas na escolha acertada do agente de biocontrole para as condições onde a doença é prevalente (Melo, 1998). Uma das linhas de pesquisa que deverão ser mais trabalhadas será o domínio de tecnologia de produção e formulação em larga escala, com baixo custo e sem a exigência de sistemas sofisticados. Outro desafio será o desenvolvimento de métodos de distribuição, comercialização e estocagem que permitam que o agente biológico permaneça viável por longos períodos. As estratégias para aumentar o nível de controle da vassoura-de-bruxa do cacaueiro, podem ser implementadas com o emprego de um agente de controle biológico e/ou com a combinação de agentes de maneira integrada com controle cultural e controle genético. Contudo, o sucesso do controle biológico não depende apenas da disponibilidade de produtos microbianos. O método deve ser encarado com uma visão ampla, dentro de um maneje integrado. Uma das estratégias poderia ser o aumento da população de antagonistas como Clonostachys spp no período da floração do cacaueiro, protegendo as almofadas florais e os frutos contra infecção por C. perniciosa, desde a formação até a maturação. Assim, no manejo integrado da vassoura-de-bruxa poderia ser compatibilizado com mistura de antagonistas com diferentes modos de ação: aplicações de T. stromaticum (para supressão ou redução do inóculo) e Clonostachys spp. (como ação protetiva) seriam bons exemplos, uma vez que um poderia complementar a ação do outro.

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AGRADECIMENTOS

Ao Dr. Fernando Antônio Teixeira Mendes pela revisão do texto e pela valiosa colaboração na organização do trabalho.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

AZEVEDO, J. L., MACCHERONI JR., W. & ARAÚJO, W. L. Importância dos microrganismos endofíticos na agricultura. In: LUZ, W. C. (Ed.) REVISÃO Anual de Patologia Vegetal (RAPP).Passo Fundo, RS. 2003. pp.333-371.

BAKER, R. E. D. & CROWDY, S. H.Studies in the witches´broom disease of cacao caused by Marasmius perniciosus (Stahel). I. Introduction, symptoms ane etiology. Port of Spain, Trinidad. Imperial College of Tropical Agriculture. Memoir n 7. 28 p. 1943

BASTOS, C. N. Antagonismo ao fungo Crinipellis perniciosa (Stahel) Singer, causador da vassoura-de-bruxa do cacaueiro. Revista Theobroma 8:146-150. 1978.

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Controle biologico da vassoura de bruxa