Page 1


LUCY BERHENDS _________________________ __________________________

UM CEO PRA CHAMAR DE MEU


Copyright © Berhends, Lucy Todos os direitos são reservados à autora, sendo esta uma produção independente. É uma obra de ficção e qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência. 1ª Edição. Formato digital Julho de 2015 Foto da capa: pixabay.com - atribuição não requerida Revisão: Lucy Berhends

luberhends@bol.com.br https://www.facebook.com/autoralucyberhends


SINOPSE

Você já leu um conto onde se sente personagem da história? Acredita que um CEO lindo e possessivo exista além dos livros de romance? Laís e Antony o convidam a conhecer e a participar desse intenso enredo que envolve desafios, surpresas, raiva, sexo, e muito, muito amor. Laís Oliveira é uma garota com grandes sonhos profissionais e que luta bastante para alcançálos. Ela foi criada no interior, mas veio para a cidade grande em busca de vencer por seus próprios esforços. Quer terminar seu mestrado e se tornar professora universitária. Antony Cavalcanti é um CEO viciado em controle. Ele cuida de tudo o que lhe pertence e os mantêm em segurança, mas talvez precise aprender que pessoas não são propriedades de ninguém. Eles se esbarram um no outro, literalmente, e juntos vão construir uma história cheia de obstáculos até que o amor fale mais alto e, finalmente, alcancem seu ‘happy end’.


– Droga, já estou atrasada. Saí correndo de minha sala, onde eu estava assistindo a aula de uma disciplina chata, mas indispensável para que eu alcance o título de mestre em Letras: Linguística Aplicada. A minha praia sempre foi literatura. Eu sempre gostei de me envolver com os personagens, viajar na história e sonhar. Sim, posso dizer que sou uma sonhadora. Ah, não me apresentei? Me desculpe. Sou Laís Oliveira, tenho vinte e três anos, estatura média e loira, mas nada parecida com essas Barbies que você conhece. Sou mais como uma garota normal, cheia de carne e curvas nos lugares certos, eu acho. Trabalho para uma grande editora no centro de elaboração de material didático como revisora e nesse momento, eu estava revisando o livro de um autor conceituadíssimo com um cronograma mais que apertado. – Olha por onde anda, sua louca. – Desculpe, foi sem querer. Me bati com uma garota no corredor de tanta pressa que eu estava. Eu tinha que estar na editora o mais rápido possível. Caminhei em direção ao meu carro que estava estacionado do outro lado do campus e logo o avistei. – Tomara que o trânsito esteja calmo hoje. – Fiz uma prece em voz alta. Abri a porta do Celta e joguei minha bolsa, me preparando para entrar quando senti uma mão grossa segurar meu braço. Era a mão de uma cigana. – Deixe-me ler a sua linha do destino, menina. Eu sinto que terei boas notícias.


Boa noticia? Sério? Alguém ainda acreditava nesse tipo de coisa? Para mim, neste momento, boa notícia seria não encontrar engarrafamento a caminho do trabalho. – Estou atrasada, senhora, desculpe-me. Entrei no carro e o liguei, ouvindo o ronco do motor que já pedia para ser aposentado. Aguente firme, bebê, eu não posso te trocar agora, falei com meu velho carro. Comecei a dar a ré para acertar o veículo e já estava me preparando para seguir meu percurso quando a velha insistiu, parando na frente do carro. Ah, Deus, era só o que faltava. – Senhora, por favor, me dê licença. Ela fez o que pedi, mas não antes de se aproximar de minha janela e me deixar com o que pensar depois de sua última frase: – Ainda hoje você terá uma surpresa. Não resista. Seu futuro depende da escolha que fará. Ela não podia estar falando sério. Não tinha uma frase mais cliché? É lógico que o meu futuro e o de qualquer pessoa dependeria das escolhas que fizéssemos. Eu, hein? Assenti, sem tempo sequer para questionar suas premonições e acelerei para o trabalho, tendo sorte de encontrar o trânsito quase livre. Dessa vez, meu atraso não seria percebido. Estacionei o carro de qualquer jeito e entrei na editora, tentando chegar o mais rápido possível à minha sala. Estava tão concentrada em chegar ao meu destino que não percebi alguém vindo em minha direção. Ploft! Me esbarrei com um homem no caminho. Eu sabia que aquele era o momento de abrir a boca e, mais uma vez, pedir desculpas por ser tão desastrada, mas não consegui encontrar minha voz quando olhei para ele. Talvez a forma como o avaliei tenha dito mais do que palavras poderiam dizer. Passeei com o olhar de cima a baixo. Meu Deus do céu, quem é esse homem delicioso à minha frente? O que estaria fazendo na editora? – Minha mente não me dava respostas. Ele tem olhos de um castanho quase verdes e cabelos negros que fazem um contraste perfeito com seus olhos. Seu corpo é forte e está coberto por um terno que não conseguia esconder todos os seus músculos. Eu estava praticamente hipnotizada, quando ele quebrou o silêncio, me acordando de meus devaneios.


– Terminou a inspeção? Espero que tenha gostado do que viu. Agora, se possível, poderia me dar passagem? Vergonha me dominou, uma vez que eu não tinha me dado conta do tanto de tempo fiquei o observando. – Senhor, desculpe-me. Eu estava distraída e com pressa. Não percebi que alguém estava vindo. Agora foi a vez dele fazer seu escrutínio. Baixou seus olhos em direção ao meu corpo e passeou com eles até fixá-los em meus olhos negros. – Sem problemas, Laís, nos vemos outra hora. Ele saiu, me deixando atordoada. Eu repeti sua última frase na mente à caminho da sala. Como ele sabia o meu nome e o que significava “outra hora”? Aquela não era a hora de me perder em meus pensamentos, pois a vida prática me esperava com urgência. Peguei o livro didático que estava sobre a mesa e tentei centralizar toda a minha atenção nele. Passei um tempo fazendo o meu trabalho, mas fui interrompida por uma voz que reconheci como a do meu chefe. – Laís, lamento te atrapalhar, mas preciso de um pouco da sua atenção. Gostaria de te apresentar ao Sr. Antony Cavalcanti, CEO e proprietário do complexo editorial Cavalcanti. Gelei, pois se tratava do mesmo exemplar de macho que estava rodeando meus pensamentos há algumas horas atrás. Aquele homem é o CEO da editora? Oh, Deus, que péssima primeira impressão eu havia deixado. – Sr. Cavalcanti, é um prazer tê-lo conosco. Espero que tenha vindo por um bom motivo. – Disse, nervosamente. – Obrigado. Estou fixando a matriz da empresa aqui e pretendo diversificar as publicações e ampliar o setor de livros didáticos. – O Sr. Cavalcanti fez grandes elogios ao seu trabalho, Laís, e estamos fechando um importante contrato neste setor. – Meu chefe, Sr. Osvaldo Vieira Filho, falou parecendo bastante orgulhoso. – O que é isso, Sr. Vieira, todos aqui fazem um grande trabalho. Espero contribuir para que não se arrependa de ter se mudado pra cá.


Sr. Cavalcanti agora me observava com olhos felinos. – Tenho certeza de que não me arrependerei e que você poderá contribuir bastante para isso. Oh, Deus, por que senti tanto calor de repente? – Eu quis dizer, Sr. Cavalcanti, que espero que não se arrependa de ter mudado a sede da empresa para a nossa cidade. – Tentei retificar. – Faremos o possível para que isso não aconteça. Agora vamos deixá-la continuar seu trabalho. – Sr. Vieira disse. Fiquei me perguntando como conseguiria achar concentração com um homem daqueles circulando à minha volta. Permaneci revisando por toda a tarde e quando me preparava par ir embora, a secretária da empresa, Claudia, entrou na sala. – Menina, você viu que homem gostoso é o dono disso tudo aqui? Pensei que fosse um velho babão. Sortuda, ele quer falar com você no escritório. Divirta-se! Olhei para Claudia como se ela fosse louca e me levantei para atender ao chamado do meu novo chefe. Mil e um motivos passaram por sua mente para justificar ser convocada pelo CEO da editora. Decidi ser otimista e me apegar aos bons motivos. Não tinha o que temer. Cheguei na frente da sala e ajeitei minha saia, buscando uma imagem profissional. A porta estava entreaberta, então bati, logo sendo convidada a entrar. – Pois não, Sr. Cavalcanti, gostaria de falar comigo? – Tranque a porta, por favor. Fiz o que pediu e ele prosseguiu: – Para começo de conversa, quero que me chame de Antony assim como a chamo por seu primeiro nome. Agora, vou direto ao ponto: Laís, você tem namorado, noivo, marido ou qualquer outro compromisso? Céus, será que bati a cabeça em algum lugar e estou sob efeito do tombo? Eu não consegui entender aonde ele queria chegar com essa pergunta. – Tenho apenas Alfred que é meu... – Entendo. – ele pareceu irritado – E que tipo de relação você tem com ele? Esse homem estava começando a me dar medo e ao mesmo tempo que tenho esse sentimento,


outro está começando a se manifestar. Eu estava sentindo ondas de calor só em estar próxima a ele e o clima do ambiente estava passando a ficar pesado. Controle-se, Laís, você não é assim. – O tipo de relação mais verdadeira que possa haver entre um cachorro e sua dona. – Respondi. Ele demonstrou alívio. – Ótimo. Então Alfred não vai se importar se sua dona tiver que chegar um pouco mais tarde algumas vezes, não é? – Se for realmente necessário, não, mas estou conseguindo cumprir o cronograma em um turno. – Não é o suficiente. Eu preciso de você... por mais tempo na empresa. – Mas... o meu contrato com a editora estabelece o meu horário até as dezessete horas. – Isso não será problema. Necessito de você aqui até o horário que for necessário, então pagaremos hora extra. Levei alguns segundos para pensar e me vi sem saída. Sonhava em ser professora universitária, porém enquanto estudava para isso, teria que tentar manter meu emprego atual. Ficar até mais tarde perto dele seria uma tortura, pois só nesse pouco tempo que estava ali já não encontrava minha respiração direito, imagine se for assim por mais dias. Ele tirava meu fôlego. – Traga o livro que está revisando até aqui. Vamos trabalhar juntos. Sua voz grossa fez com que meu corpo se esforçasse para obedecer com se fosse um convite sensual e soube naquele momento que caso esse homem tentasse me seduzir, não resistiria. Saí do escritório e percebi que restavam apenas poucos funcionários que já se preparavam para ir embora. Por que ele havia me escolhido? – A pergunta não cessava. Voltei para a sala do CEO da empresa e abri o livro no lugar onde havia parado. Ele sequer olhou para o material. Seus olhos estavam grudados em mim. – Está revisando um livro de que disciplina? – Perguntou, diminuindo cada vez mais a distância entre nós. – Ciências. Estou revisando um livro de ciências. Eu estava começando a ficar nervosa com sua aproximação.


– Qual a temática principal do livro? – Sua voz era suave, mas carregada de sensualidade. – O corpo humano. – Hum... que interessante. Será que ele trata sobre a atração que dois corpos sentem quando ambos se desejam? Ele já estava tão perto de mim que me obrigou a dar passos para trás, me esbarrando no limite da mesa. Seu rosto parou diante do meu a ponto de me fazer sentir sua respiração profunda. – Não, ele não trata. – Eu respondi, ofegante. – Que pena. Talvez porque seja algo impossível de explicar com palavras, é necessário sentir para entender. Sua boca já estava próxima da minha e fechei os olhos me preparando para sentir seus lábios quentes encostados aos meus, mas o que eu esperava não veio. Uma sensação de abandono me tomou quando senti uma passagem de ar entre nós e abri os olhos, percebendo que ele havia se afastado. – Como é possível que uma mulher como você esteja solteira, Laís? Minha mente era um poço de confusão naquele momento. Ele se recusou a me beijar e continuava fazendo perguntas pessoais? – Uma mulher como eu? Sobre o que está falando. – Sem falsa modéstia. Você é linda e deve ser disputada por muitos homens, mas diz que tem apenas um cachorro. Por que não tem um namorado? O que me deixava mais confusa é que ele estava me bombardeando de perguntas sem mudar sua aparência profissional por um segundo. Quem entrasse naquela sala, apostaria que estávamos falando de negócios e não sobre mim. – Eu não tenho tempo para namoro. Estudo, trabalho muito e estou focada em alcançar um objetivo, portanto como vê, não há espaço para um namorado em minha vida. Ele me inspecionava a ponto de me intimidar com tanta virilidade, me deixando atordoada e corada por despertar tanto desejo em mim. Nunca foi assim tão intenso com outro homem. O que estava acontecendo comigo? – Faça um resumo do livro, Laís, tenho muito trabalho a fazer e você também. Meu tempo é muito precioso. Como? O cara me bombardeia de perguntas e sou eu quem está gastando o seu tempo?


– Bem... é... o livro trata, de forma contextualizada através de textos e imagens, como o corpo humano funciona, seus órgãos e suas funções. Ele apresenta uma parte interativa... – Continuei explicando a um homem sério que quase não piscava os olhos prestando atenção ao que eu dizia. Em determinado momento, ele me parou, me dando as costas e sentou em sua mesa de escritório, teclando no computador como se eu não estivesse ali. – Pode continuar trabalhando. Eu preciso checar meus e-mails. Não trocamos mais nem uma palavra sequer pelo resto da noite e nem tive o direito a um segundo olhar em minha direção. Esse cara só poderia ser bipolar, não havia outra explicação, mas é, sem dúvidas, o executivo mais bonito deste país. Sua beleza é de encher os olhos. Como diria Alana, minha amiga e companheira de apartamento, ‘ô lá em casa’! – Já são nove da noite e você deve estar cansada. Como te prendi até agora, vou levá-la em casa. – Não precisa. Meu carro está no estacionamento. Acho que consegui adiantar bastante, então se eu já estiver liberada, gostaria de ir. – Vá no seu carro e eu a seguirei. Está muito tarde e é meu dever zelar por sua segurança. – Se prefere assim, tudo bem. Fiquei olhando pelo retrovisor e percebi que cumpriu o que disse, me acompanhando até a minha residência, em seu imponente Mercedes. Quando percebeu que eu estacionava em meu prédio, passou por mim buzinando e seguiu seu caminho. Ah, finalmente eu tinha chegado ao fim deste dia. E que dia! Eu só ia conseguir tomar um banho e me jogar na cama. Estava torcendo apenas para que esta noite fosse uma daquelas cheias de sonhos eróticos. Eu já tinha até um personagem escolhido para protagonizá-los.

– É hora de acordar, são seis horas. É hora de acordar são seis horas. Ah, maldito despertador! Eu acho que só não o quebrei porque é meu celular, mas eu juro que


mudo esse toque ainda hoje. Fiz minha higiene matinal e fui para a mesa tomar café, já encontrando Alana lá sentada. Ela me olhou, parecendo animada e começou a me encher de perguntas. – Deu uma esticadinha ontem? Cheguei e não a encontrei em casa e quando fui pra cama você ainda não havia chegado. – Dei uma esticadinha, mas foi na editora. O bam bam bam da empresa apareceu lá e pediu para que eu ficasse até mais tarde. – Ah, entendi, então. E eu aqui pensando que você tinha decidido dar um up em sua vida e se divertir. Esses homens velhos geralmente tem uma mulher que não o satisfaz em casa e que só pensa em como gastar seu dinheiro, por isso gosta de prender funcionários na empresa. Bando de malamados. Lembrei que ele fez perguntas sobre minha vida pessoal, mas não lhe fiz nenhuma. Ele poderia ter uma esposa? Estava tão distraída que não percebi se tinha uma aliança. – Ele não é velho. – Falei. Ela parou de mastigar o pão e fixou seus olhos em mim como se tivesse feito uma descoberta. – Ele não é velho e a prendeu na empresa até tarde? Porra, me diga que outros funcionários foram obrigados a ficar lá também. – É... não, apenas eu. Ela levantou e começou a fazer uma dancinha esquisita como se estivesse comemorando algo. – Laís arrumou um namorado rico... Laís arrumou um namorado rico... – Cantarolava. – Está louca, Alana? Ele é apenas meu chefe. MEU – CHEFE! Ela sentou novamente. – Se você está enfatizando tanto essas palavras, é sinal de que ele é feio, não é? Eu não lhe dei qualquer resposta. Minha mente foi de encontro à imagem de um rosto sério, mas com cada traço milimetricamente perfeito e másculo. Não havia nada de feio naquele homem. Alana me tirou do transe, quando quase me ensurdeceu, gritando. – Não, ele não é feio. Seu chefe é bonito? Estou vendo em seu rosto que ele é. Diz pra mim, Lalai, você vai investir nele, não vai? Se ele for solteiro e você der mole, tenho certeza de que vai te


querer. Você é tão linda e precisa ter alguém ao seu lado. – Deixa de falar besteiras, Lana. Você sabe que não tenho tempo nem para me coçar, quanto mais para me envolver com um cara tão complicado quanto Antony. – Chamando o chefe pelo primeiro nome? Ah, prevejo dias agitados nesta casa. Ela falou em previsão e lembrei da cigana que me abordou ontem. Ela falou sobre algum acontecimento em minha vida. Será que teria relação com meu chefe? Balancei a cabeça, tentando afastar esse pensamento. Você não acredita nessas conversas de previsões lembra, Laís? – Eu preciso ir, estou atrasada novamente. – Saí pela tangente, não querendo responder às intermináveis perguntas da minha amiga. Coloquei a ração de Alfred, tomei uma xícara de café preto para alimentar meu vício em cafeína e corri para a Universidade Federal de Verdes Montes.

– Está linda hoje, Laís. Não que você não estivesse nos outros dias, mas está com um brilho diferente no olhar, parecendo mais animada. Meu colega de mestrado Leandro estava ao meu lado me encarando com um sorriso sedutor nos lábios. Foi a primeira pessoa com quem fiz amizade logo que iniciei o curso e só consigo enxergá-lo assim, como um bom amigo. Às vezes o pego me olhando de um jeito meio estranho, mas nunca alimentei qualquer investida sua. Sempre o levei na brincadeira. – É impressão sua, Leo. Estou como sempre fui, tão cheia de trabalho e atividades que muitas vezes não consigo dar conta. – Está assim, mas não é por falta de convite. Já te chamei várias vezes para ir ao meu apartamento para estudarmos e já me ofereci para ir no seu, mas nunca está disponível. O meu próximo convite será para sairmos pra balada. Acho que é isso que você está precisando. – Não seja bobo. Olha, a aula vai começar. Vamos fazer silêncio. O nosso professor de Texto e Ensino, Sr. Alcântara, entrou na sala nos cumprimentando e já anunciando que receberíamos uma visita inusitada naquela manhã. Ele descreveu o homem como um dos grandes benfeitores da universidade e que patrocinava diversos cursos na área de linguagens, sendo o nosso um deles.


Eu estava curiosa para saber quem era esse homem tão poderoso e com atenção voltada às letras. Quando o professor anunciou que era proprietário de uma das maiores editoras do país, senti arrepios transitarem por meu corpo. Poderia ser ele? Não era possível. Seria muita coincidência. A porta se abriu e todos os pescoços viraram para conhecer quem era o homem cujas qualidades estavam sendo tão enaltecidas na sala. Adivinha quem era? Algo me dizia que iriamos nos encontrar mais do que eu presumia. – Queridos alunos, deixe-me apresentá-los ao Sr. Antony Cavalcanti, CEO do complexo editorial Cavalcanti e patrono da nossa universidade. Em nome dos nossos estudantes, te dou as boas vindas, Sr. Cavalcanti. O burburinho na sala foi geral. Os rapazes falavam sobre a possibilidade de uma oportunidade na editora ou de publicar seus livros. As meninas também comentavam sobre essa possibilidade, mas não deixaram de destacar a beleza do executivo. Eu fiquei apenas surpresa, de boca aberta por reencontrá-lo mais uma vez e fora do ambiente de trabalho. – Obrigado, Sr. Alcântara. Eu sempre contribuí com a universidade, mas nunca despertei o interesse em conhecer os beneficiados pelos nossos programas mais de perto. Fico feliz em saber que estou dando uma força para a realização do sonho de vocês, de alguma forma. Estou apenas devolvendo o que fizeram por mim um dia e espero que não desperdicem essa oportunidade. Sucesso a todos. Ele fez todo o seu discurso tem tirar os olhos de mim. O que será que o despertou a conhecer os alunos, já que afirmou nunca ter esse interesse antes? – Você percebeu que ele não tirou o olho de você, Laís? Já o conhece de algum lugar? Deixei de olhar para o homem magnífico que era o foco da atenção de todos e me virei para responder a Leandro. – Ele é meu chefe na editora. Quer dizer, só o conheci ontem e não tivemos muito contato. Ele é o CEO, então, como revisora, eu só convivo com meu chefe imediato. – Menti, sem querer dar margens a especulações. – Ah, então deve ser isso, mas ele continua te olhando e não parece um olhar de chefe para sua funcionária. Ele parece bastante irritado. Levantei minhas vistas a fim de olhar novamente para Antony e percebi quando ele falou algo


no ouvido do professor, que me buscou com os olhos pela sala até encontrar. Ele voltou sua atenção ao patrono, balançou a cabeça e Antony se despediu da turma, sem voltar a olhar em minha direção. Notei que algumas colegas fitavam meu rosto e outras até cochichavam alguma coisa, olhando para mim. Baixei as vistas e fingi que estava lendo a apostila da aula de hoje. Eu não gostava de ser o centro de fofocas. – Ele não tinha motivo para ficar irritado, Leo. Que eu lembre, não cometi nenhum erro ontem na editora. Deve ser impressão sua ou ele deve ser sério assim mesmo. – É, deve ser impressão minha. – Ele falou, sem parecer convencido com o que disse. A aula transcorreu sem maiores problemas e, quando eu estava saindo ao lado de Leandro, o professor me chamou. – Laís, está com muita pressa para ir embora? Parece que o nosso patrono gostaria de conversar com você. – Comigo? O que ele teria para falar comigo? – Respondi confusa. – Parece que pesquisou sobre a vida escolar de alguns alunos e se interessou pela sua. Vá falar com ele. Talvez tenha uma boa proposta de emprego em sua editora. – Ah... está certo. Onde devo encontrá-lo? – No escritório doze. Leandro ficou curioso sobre minha conversa com o professor, mas desconversei, dizendo que precisava ir ao banheiro e que não deveria me esperar. Ele insistiu em aguardar, porém consegui convencê-lo. Caminhei até o escritório, me fazendo mil perguntas. Cheguei até lá e bati na porta, ouvindo uma voz que pedia para eu entrar. Abri a porta e dei dois passos para dentro. – Pois não, senhor? Queria falar comigo? – Quem é aquele cara que estava quase em cima de você na sala de aula? – Como? Antony andou em minha direção e parou muito próximo a mim. – Eu te perguntei quem era aquele cara que estava dando em cima de você descaradamente,


Laís. Olhei pra ele assustada e balancei a cabeça sem entender a razão daquela pergunta. – Desde quando eu te devo explicações da minha vida pessoal, Sr. Cavalcanti? – Antony, Laís. Para você, eu sou apenas Antony. Pensei que estava estudando para se tornar uma grande profissional e não para conseguir um namorado no campus. Estreitei mais a nossa distância, se é que isso era possível. Eu não estava disposta a aturar essa invasão de privacidade, ainda mais fora do meu ambiente de trabalho. – Não é da sua conta o que eu faço ou deixo de fazer fora da editora. Quem você pensa que é para insinuar algo desse tipo? – Não é da minha conta? É o que vamos ver. Sem que eu percebesse, ele agarrou os meus ombros e me empurrou para a parede mais próxima, cobrindo o meu corpo com o seu e tomou os meus lábios em um beijo ardente e faminto. Suas mãos começaram a ter vida própria e passaram a viajar pelo seu corpo, tentando reconhecer cada curva como se estivesse me mapeando. Senti que aquecia completamente, mas estava ainda mais quente em um lugar específico. Minha boceta já estava molhada e implorava por sua invasão que traria o alívio que ela tanto precisava. Eu não tinha forças para lutar. Eu não queria lutar. Havia uma força que me atraía a ele que acabava com todo o meu sistema de defesa. Eu seria dele ali, na minha universidade sem pensar duas vezes. Lhe daria tudo o que me pedisse, mas, repentinamente, ele parece que mudou de planos. Senti quando forçava o seu corpo a se separar de mim e conseguiu forças para fazê-lo, me deixando mais uma vez confusa e envergonhada. Esse homem ia acabar me enlouquecendo com seus jogos, sabendo que eu não resistia ao seu toque. – O que foi isso, Sr. ... Antony? – Perguntei ao mesmo tempo que percebia sua enorme ereção marcar sua calça. – Isso foi apenas uma resposta a sua ousadia. Parece que o seu corpo acha que tudo sobre você é da minha conta, Laís. Ele acabou de dizer a quem você pertence. Eu não estava acreditando que ele havia me testado. Meu Deus, em que loucura estou me


metendo? – Você é alguma espécie de maluco ou algo parecido? Ele não respondeu. Caminhou até a mesa do escritório e sentou na cadeira, vestindo uma máscara de CEO em seu rosto como se não tivesse acabado de me jogar em uma parede e me beijado. – Tem o lançamento de um livro esta noite e gostaria que fosse como minha acompanhante. Você não vai para a editora esta tarde. Marquei um horário no salão de beleza e preciso que esteja perfeita para o evento. – Eu não posso ir a lugar algum hoje. Preciso terminar a revisão do livro, pois nosso prazo está curto. – Eu sou o dono da editora e eu decido como as coisas devem funcionar. Se estou dizendo que não vai para o trabalho é porque não vai. Seja obediente, linda, será melhor para você. Procurei por uma justificativa para me livrar da cilada de ter que ficar ao lado desse homem que tanto me atrai. Eu não posso com ele, então preciso fugir dele. – Não tenho roupa para ir a um evento desse tipo, Antony. Desculpe, mas acho que não será possível. Ele levantou e se aproximou de mim, olhando no fundo dos meus olhos. – Entenda uma coisa, Laís, não há impossível para mim. Esta palavra não está no meu dicionário. Você pode usar todas as justificativas, mas nenhuma irá me convencer de que não estará comigo esta noite. O vestido será entregue pela tarde no salão. Pode ir, embora ache difícil que fique mais linda do que já é. Pegou um cartão de seu bolso com o endereço e voltou para a mesa, baixando a cabeça para ler alguns papéis que estavam sobre ela. Droga, por que esse homem exerce tanto poder sobre mim? Por que eu não consigo mandá-lo ir à merda e enfrento suas ordens? Fui para a cantina da universidade almoçar e depois olhei para o cartão com o endereço do lugar que me transformaria em Cinderela. Vamos lá, né? Talvez não seja tão ruim acompanhá-lo ao lançamento de um livro. Quem sabe até aproveite para comprar um exemplar. Cheguei ao salão e quando reconheceram que eu era a convidada de Antony, os funcionaram


começaram a se movimentar como loucos para me dar atenção, reversando entre meus cabelos, minhas unhas e meu rosto. Eu tinha várias pessoas em cima de mim em questão de segundos. Em algum momento, enquanto eu estava sendo moldada como um vaso, um dos funcionários comentou: – Sr. Cavalcanti já mandou muitas meninas bonitas para o nosso salão, mas como você ainda nenhuma. Garota, você seria uma grande modelo fotográfica com todo esse corpo e esse rostinho lindo. Então eu era apenas mais um enfeite para o seu braço esta noite. Já vi que é o tipo de cara que gosta de se exibir com uma mulher diferente a cada dia. Comigo será diferente. Vou deixar claro para todos no evento que sou apenas sua funcionária. Nada mais. – Já recebi convites, contudo nunca me interessei por esse tipo de trabalho. Eu, com certeza, não me encaixo na mesma situação das tantas garotas que são enviadas a este salão. O Sr. Cavalcanti precisava de alguém que trabalhasse com literatura para acompanhá-lo e acabou me convidando. Sou apenas sua funcionária. – Apenas funcionária? Sei... Resolvi que naquela tarde iria relaxar. Não ia dar mais importância a fofocas de salão. Depois daquele dia não veria mais essas pessoas, então porque me dignaria a ficar lhes dando satisfações, não é mesmo? O fim da tarde chegou depois de muito estica daqui, alisa de lá. Não deixaram que me olhasse no espelho até que estivesse pronta. Eu não estava nem um pouco ansiosa para ver como fiquei, já que eu era obrigada a ir a esse evento. – Pode virar, maravilhosa. – Um dos funcionários falou girando a cadeira para eu ficar de frente para o espelho. Eu quase não reconhecia aquela mulher que estava diante de mim. Eu parecia uma daquelas modelos super sensuais que estampam as capas de grandes revistas. Meu olhar estava esfumaçado com bastante delineador com tanta perfeição que não ficou vulgar. Eles ressaltaram meu tom de loiro, deixando em uma tonalidade que eu já tinha tentado, mas ainda não tinha conseguido alcançar com nenhum produto que já usei. Eu estava simplesmente... linda. – Nossa, vocês devem gostar muito de seu cliente para ter caprichado tanto assim.


– Querida, gostamos muito do Sr. Cavalcanti. Ele é muito generoso, porém não foi difícil deixá-la com está. Sua beleza natural ajuda muito. – Obrigada. – Deixe-me ver um vestido para combinar com a cor dos seus olhos e sua maquiagem. Ah, esse aqui é perfeito! – uma funcionária disse, levantando uma peça longa, mas cheia de decotes. – Vista. Tenho certeza de que vai ficar deslumbrante em seu corpo. E não é que ela tinha razão? A peça abraçou meu corpo como se fosse confeccionada para mim. Era preto, em um tecido fino que se agarrava à cintura, destacando todas as minhas curvas, com um enorme decote nos seios e que deixava as costas nuas. Fiquei grata que esta noite estava quente, pois o vestido deixava muito à mostra, então combinava com a noite de calor. Pensando bem, só o fato de estar perto daquele homem me dava a certeza de que frio era a última coisa que ia sentir, independente do tempo. – Flor, você está per-fei-ta! – um deles exclamou, fazendo caras e bocas, me girando. – Você disse que Sr. Cavalcanti é o que mesmo seu? Apenas chefe? Só se ele fosse cego para não tentar ir além. Eu sorri e agradeci por tanta atenção, indo para o closet tirar o vestido. Eu me arrumaria em casa, que foi o lugar marcado para me buscar.

Antony estava em silêncio no caminho para o evento que seria no restaurante de um hotel. Quando apareci diante dele, arregalou os olhos, me inspecionando de cima a baixo, mas não falou qualquer palavra. Apenas me convidou a entrar na limusine. Ele também estava lindo em um terno perfeitamente cortado e uma gravata preta que combinava com meu vestido. Segurou minha mão sem me dar uma segunda olhada e senti uma tensão elétrica que tomou todo o meu corpo. Deus, se apenas seu toque fazia isso comigo, imagine se me tomasse por inteiro? Saímos do carro de mãos dadas e entramos no hotel debaixo de dezenas de flashes e jornalistas tentando se aproximar. Os seguranças os impediram e conseguimos chegar ilesos.


– Se comporte como uma boa garota, entendeu? Tem muitos abutres que vão tentar se aproximar e não quero ter problemas com isso. – Ele me advertiu como se eu fosse uma criança de cinco anos. – Essa é a sua forma de dizer que estou bonita? Quem sabe até não esteja dizendo que estou irresistível? – Não me provoque, Laís. – E você, pare com suas ordens. Eu vou me comportar do mesmo jeito de sempre. Se estava insatisfeito com quem sou, não deveria ter me convidado. Ele abriu a boca para responder, quando uma mulher de meia idade, mas muito bem conservada se aproximou dele, o cumprimentando. – Fico feliz que achou um tempo em sua agenda apertada para vir prestigiar o lançamento do meu livro, Antony. – Eu não perderia por nada, Elizabeth. Além de tudo, estou transferindo a sede da editora para Verdes Montes e pretendo ficar mais próximo dos amigos como você. – Obrigada. Quem é essa linda garota? – Essa é Laís Oliveira, mestranda em Letras e apaixonada por livros. – Muito prazer, Laís. Posso te chamar assim, não é? Eu estava sem voz por saber que estava diante de uma das maiores romancistas deste país. Elizabeth Monroe estava falando comigo naquele momento, sem saber que estava diante de uma grande fã. Já li todos os seus livros. – O prazer é todo meu, Sra. Monroe. Sou uma admiradora do seu trabalho e já li todos eles. Parabéns por nos presentear com uma excelente escrita. – Ah, que fofa ela é, Antony. Gostei da garota. Pode me chamar de Elizabeth, queridinha, principalmente agora que percebo um clima entre você e meu amigo aqui. Algo me diz que vamos nos ver novamente. – Não, desculpe se passei uma impressão errada. Eu sou apenas sua funcionária na editora, nada mais. Antony me surpreendeu, puxando meu corpo para mais perto dele e colocou uma mão possessiva em minha cintura.


– Você a verá mais vezes, Elizabeth, pode ter certeza disso. Olhei para ele com um ar questionador e seu rosto não mostrava qualquer preocupação, muito pelo contrário, parecia mais despojado e à vontade na presença de amigos. Ele abriu um sorriso sensual para a sua amiga. Eu nunca tinha o visto sorrir e naquele momento senti como se tivesse tomado um tombo. Medo me invadiu. Medo de quê? Acredite, de repente tive medo de me apaixonar por aquele estonteante sorriso. Era tão lindo, mas tão lindo que deveria ser fotografado e colocado em exposição, pois não perdia para as maiores obras de arte já produzidas pelos maiores artistas. Lindo! Simplesmente lindo! – Chegou o momento do discurso, Antony. Você é o dono da editora e tem que falar bem de mim na frente desse povo metido. Vá lá e me faça uma diva, querido. – Você é uma diva, Beth, não vou contar nenhuma mentira. Ele me deu um beijo que, a princípio pensei que seria na boca, mas desviou, alcançando as maçãs do meu rosto, me deixando um pouco decepcionada. – Se comporte. – Falou baixinho, antes de subir no palco. Vá se foder com suas ordens, Antony. – Claro que falei isso comigo mesma. Fiquei sentada assistindo seu discurso enquanto bebia um drink, paralisada por aquele sorriso que não deixava seu rosto. Céus, se eu ficasse mais tempo ao lado desse homem, estava fodida da Silva. Percebi que eu não era a única. Das mais jovens às mais velhas babavam por tanta masculinidade e beleza. Todas o queriam. Inclusive eu. Sua retórica terminou e todos aplaudiram, dando espaço à autora que agora tomava o seu lugar. Eu já tinha bebido pra lá de cinco copos de champanhe e já estava começando a me sentir zonza. Será que foram mais de cinco? Acho que perdi as contas. Antony veio sentar-se ao meu lado e, sem olhar para mim, perguntou: – Ela é maravilhosa, não? Também já li todos os seus livros e não sei dizer qual o melhor deles. Todos são bons. – Ela nasceu para escrever. É uma das minhas favoritas.


Dessa vez, ele virou para me olhar. – Qual o seu sonho, Laís? O que pretende fazer quando terminar o mestrado? – O grande projeto da minha vida é me tornar professora universitária. Sei que ainda tenho um grande caminho para trilhar, mas farei o possível para chegar lá. Quero compartilhar esse amor que tenho pela literatura com outras pessoas. – Eu te entendo. Foi por isso que abri uma editora. É o que gosto também. Ele estava descontraído, despojado, sem aquela máscara fria que gostava de manter nesse lindo rosto. Eu estava adorando conhecer esse outro lado dele. Entornei mais um copo de champanhe, sentindo o sabor doce descer em minha garganta. Eu nunca tinha experimentado uma bebida tão gostosa. Talvez porque não me lembrasse da última vez que tinha saído, muito menos consumido álcool. – Não acha que já bebeu demais? Eu ouvi bem ou ele estava me chamando de bêbada? Esse homem ia acabar conhecendo meu pior lado com tantas perguntas ofensivas. – Não sou sua filha para ficar me dando limites. Se acha que estou bêbada em sua festa de gente esnobe, me leve pra casa. Eu não pedi para vir em primeiro lugar. Ele não respondeu, mas levantou impetuosamente e foi em direção a Elizabeth, lhe dando um abraço e dois beijos no rosto. Ela olhou para mim e acenou de longe, se despedindo. O filho da puta ia me levar para casa mesmo, pois não queria manter uma bêbada a tiracolo. Droga, o que aconteceu comigo para beber tanto esta noite? Ele segurou em minha cintura e se encaminhou até a saída sem dizer mais qualquer palavra e com sua máscara de executivo de volta no rosto. No caminho, um cara lhe parou. – Antony, bonito discurso. Quem é essa? A cada dia seu gosto por mulheres fica melhor, hein? Posso conhecê-la? – Não, você não pode... – Olá, sou Laís, a eficiente funcionária do Sr. Cavalcanti. – Falei, sentindo minha voz oscilar e em meios a risos que depois reconheci como meus. – Apenas funcionária? Que bom saber. De qualquer modo, Antony já tem Marcela, não é amigo?


– Estamos com pressa, Luís, outra hora nós conversamos. – Ele tem que me levar, pois acha que estou bêbada. Eu pareço bêbada, Luís? Convença seu amigo de que ainda está cedo para irmos. Com as vistas nubladas, percebi que o cara só me olhava e sorria, enquanto Antony me carregava de lá às pressas. Entrei no carro, dando gargalhadas e me jogando sobre ele que não esboçava qualquer reação. – Chefinho, sabe que andei lendo uns livros ultimamente que me deixaram subindo pelas paredes? Acho que se fosse com você, teria coragem de me deixar ser amarrada. O que acha da ideia? Ele não me dava qualquer resposta, apenas me mirava com o seu olhar impenetrável e voltava a olhar para as ruas pela janela do carro. – Vai fazer greve de conversa, é? Eu sei que você me quer, senão eu não estaria aqui ao seu lado. Por que luta tanto contra isso? – Continuei provocando, ao mesmo tempo sorrindo das minhas próprias piadas. Olhei para o lado e reconheci que estava chegando no bairro que moro. Logo chegamos ao meu prédio e ele desceu para me acompanhar até a entrada. Aproximou o seu rosto do meu e beijou minha bochecha, se virando para ir embora. Agarrei seu braço. – Se não tinha planos de continuar, por que me beijou hoje mais cedo? Ele pareceu confuso, mas não me respondeu. Na verdade, fez outra pergunta. – Vai ficar bem? Sua amiga está em casa? Porra, será que esse homem sabe tudo sobre mim? Como ele ficou sabendo que moro com uma amiga? – Não sei se ela está, mas que tal subir comigo e conferir? – Gosto de minhas parceira lúcidas. Se tiver algum problema, me ligue. Ligar? Eu o conheço há pouco mais de um dia e nem tive tempo de pedir seu telefone. Como iria ligar? – Antes que me pergunte, meu número está gravado em seu telefone. Boa noite, Laís. Oi? Quando foi que ele pegou meu celular? Céus, esse homem é uma caixa de mistérios.


Subi para o meu apartamento e assim que entrei passei a ter um relacionamento sério com o vaso sanitário, vomitando o que ingeri durante todo o dia. É, acho que a noite não chegou nem perto do que ele planejava. Nem do que eu tinha em mente.

Faz dias que não vejo meu lindo chefe. Sr. Vieira disse que ele estava em uma das filiais da editora e não apareceria por lá tão cedo. Eu estava contente de não ter que pedir um milhão de desculpas tão cedo, mas estava triste por não ter aqueles lindo rosto para admirar todos os dias. O pior era que já estava começando a ficar viciada em seu jogo de sedução. Estava em minha mesa revisando outro livro da coleção que era responsável quando o meu interfone tocou. Minha concentração era tanta que meu desejo era de ignorar as chamadas, mas sabia que poderia ser importante, então atendi. Era o Sr. Vieira. – Laís, poderia vir até a sala do Sr. Cavalcanti? Por que ele estaria me chamando na sala do poderoso chefão e não na sua própria sala? Ah, que saco! Desse jeito eu não ia conseguir cumprir os prazos nunca. – Estou indo, senhor. Fechei o livro, deixando um marcador onde havia parado e peguei minha bolsa, me dirigindo ao andar de cima, onde ficava o escritório. Bati na porta e entrei, pois estava destrancada. A sala estava um pouco escura, com apenas alguns reflexos da luminosidade externa clareando o ambiente. – Sr. Vieira? Eu não vi o que estava vindo. De repente fui empurrada contra a mesa do escritório e um corpo me cobriu, liberando um perfume que já era familiar aos meus sentidos. Antony tomou os meus lábios de forma selvagem, sedento como se fosse me comer viva naquela sala. Eu não tinha forças para lutar contra aquela atração. Meu corpo, minha alma, tudo de mim ansiava por seu toque, por seu cheiro, por seu sabor. Ele levantou as minhas pernas, encaixando-as em seus quadris e levantou minha saia até a


cintura, deixando à mostra minha pequena calcinha de renda. A fina peça virou manteiga em suas grandes mãos que a fez desaparecer em um só puxão. Minha respiração estava entrecortada pelo desejo que me invadia de ser possuída por aquele homem másculo e viril. Senti sua ereção roçando a minha boceta e sabia que precisava me preparar para recebê-lo em minha apertada entrada. Já fazia mais de um ano que eu não transava e só tive um parceiro até agora. Ele seria o meu segundo. – Diga que me quer, Laís. – Sim, Antony, eu o quero. – Diga que sentiu minha falta. – Muita. Eu me perguntava se não o veria mais e me entristecia com a possibilidade. Estava frustrada pelo que poderia ter acontecido e não aconteceu. – Você é como uma droga em minhas veias. Desde que te vi, sabia que tinha que ser minha. Só minha. – Sim, sua, Antony, apenas sua. Ele não pensou duas vezes. Abriu o zíper de sua calça e, rapidamente, vestiu um preservativo em seu pau, me possuindo ali mesmo. Penetrou minha apertada boceta com toda força, fazendo com que minhas paredes molhadas se esticassem para recebê-lo completamente. Senti um pontada de dor a princípio que logo se transformou em prazer intenso e joguei minha cabeça pra trás, aproveitando a mistura de sensações que eram novas para mim. Só havia sentido dessa forma com ele. Seus movimentos mostravam o quanto era experiente e como sabia alcançar os lugares certos para que eu gritasse em êxtase. Nos mantemos nessa dança sensual como dois animais se acasalando sem pudores, inconsequentes, muito menos recordando que estávamos em uma sala de escritório. Sem tempo nem lugar. Apenas duas almas sedentas se encontrando para ofertar um ao outro o que tínhamos de melhor. Antony deu uma última estocada e eu sabia que não resistiria, pois já estava à beira de um orgasmo. Joguei minha cabeça pra trás e, repentinamente, meu corpo se transformou em um vulcão em erupção, derretendo nas mãos daquele homem másculo.


– Aaaaaahhhhh, Antony. Fui atingida por um nirvana extraordinário que me fez perder o fôlego, enquanto eu gritava o único nome de que me lembrava naquela hora. Ele me acompanhou, se derramando dentro de mim, soltando o gemido mais sensual que já ouvi da boca de um homem. Ele era lindo até gozando. Na verdade, ele era lindo principalmente gozando. Era uma imagem que queria guardar em minha mente por toda a vida. Seus olhos não saiam dos meus enquanto tentávamos encontrar ar para encher nossos pulmões. Meu coração batia de forma acelerada, mas eu sabia que não era apenas pelo melhor sexo da minha vida. Havia um outro motivo que o fazia bater acelerado e que eu não sabia denominar. Acho que eu não queria denominar. – Hum... então eu não era o único com saudades, hein? – Ele perguntou com um sorriso sensual, ainda dentro de mim. Oh, céus, aquele sorriso ainda seria minha perdição. Eu precisava achar um jeito de deixar esse homem sempre sorrindo. – É, acho que não. Não posso negar que senti sua falta. – Claro que não. Seu corpo ia te desmentir se negasse. – Convencido. Ele saiu de dentro de mim e foi em busca de um lenço molhado para me limpar, trazendo um pouco de alívio à minha boceta dolorida. Ajustou minha saia e depositou um beijo rápido em meus lábios. – Eu não pretendia voltar a Verdes Montes tão cedo, mas lembrei de uma certa cobrança que me fez e não resisti. Precisava te ver. – O que exatamente te cobrei? – Disse que eu teria que terminar o que comecei e não havia algo que eu mais quisesse fazer, e faria, caso não estivesse bêbada naquela noite. Eu sabia que ele tinha razão, mas senti raiva pelo seu jeito arrogante de falar. – Quem disse que aconteceria algo entre nós naquela noite? Eu não sou uma mulher desesperada a ponto de me abrir para o primeiro que aparecer.


– Não? Então atribui sua reação à bebida? Por falar nisso, seu modo de extravasar de vez em quando é enchendo a cara, Laís? Parecia muito familiar com a bebida naquela noite. Você teria paciência com um homem desses, mesmo sendo lindo, gostoso e etc.? Eu não podia acreditar que o mesmo cara que estava me dando o maior prazer da minha vida, estava me fazendo acusações naquele momento. – E eu que pensei que soubesse tudo a meu respeito. Suas investigações não incluíam a quantidade de álcool que eu consumo por semana? – É, confesso que investiguei isso também, mas pensei que poderia ter algum erro em minha pesquisa. Então ficou bêbada por falta de costume? – Belíssima conclusão. Eu até pediria desculpas por aquela noite se fosse um pouco menos arrogante, porém pensando melhor, talvez tenha embebedado justamente por me sentir oprimida em sua presença. – Fico feliz em saber que consigo tirar alguma reação de você. Pelo menos não me ignora. Ele passou a andar pela sala, me deixando zonza e continuou: – Laís, o fato é o seguinte, agora que tive um pequeno gosto do seu sabor, senti que ainda não estou satisfeito e sei que você também não está. Em outras palavras, estou tentando dizer que a quero em minha cama. Preciso viajar novamente e gostaria que viesse comigo. – Está me pedindo em namoro ou algo desse tipo, Antony? – Namoro? Não, de jeito nenhum. Estou pedindo para que seja minha companheira nesta viagem, que desfrute do meu corpo e eu do seu. Estou dizendo que a desejo demais e sei que esse desejo não se esgotará tão cedo. Estou sugerindo o que você quer também, linda. Sexo extraordinário e muito, muito prazeroso como o que acabei de experimentar. – Ah, acho que entendi. Está propondo que eu seja sua amante? – É um termo muito pesado. Não precisamos classificar a atração que sentimos um pelo outro. Eu a quero, você me quer, fim de história. – Não sei com quem está me confundindo, mas eu nunca me prestaria a esse papel. Não sou mulher de esquentar cama de homem algum e nem preciso disso para me sentir realizada. Minha vida está muito bem, obrigada. – Você não vai facilitar as coisas, não é mesmo, Laís? Que droga! Se eu dissesse que é um


namoro, você viria comigo? Não sei por que as mulheres vivem tanto em busca de compromisso. Isso torna as coisas mais chatas, não acha? – Sr. Cavalcanti, – ele levantou uma sobrancelha em questionamento. – Se o senhor não tiver nenhum assunto profissional para tratar comigo, gostaria de pedir sua licença para voltar ao meu trabalho. Sabe aquele olhar mortal que chega a dar uma ponta de medo? Era assim que ele me encarava. Só que medo era a última coisa que eu estava sentindo. Na verdade raiva poderia ser a palavra mais adequada. – Pare de me provocar ou terei que te provar que seu corpo anseia por aceitar minha proposta. Dei as costas para ele, pegando a bolsa para voltar à minha mesa, quando senti uma mão forte me segurando. Levantei as vistas e mirei o fundo daquelas esferas esverdeadas. – Você ainda vai se render e não vai demorar muito. Você é minha, Laís, e eu sou seu, pelo menos até o tempo que durar. Puxei meu braço do seu aperto de forma ríspida e dei passos longos para sair daquela sala antes que ele cumprisse sua promessa e me provasse que eu não tinha forças contra o poder de sua atração. E eu estava cada vez mais convencida disso.

Antony viajou novamente e é claro que não o acompanhei. Além das minhas aulas de mestrado e do meu trabalho, não aceitaria jamais aquela proposta ridícula dele de me tornar sua amante. Já fazia dias que não o via e estava me sentindo mais livre para respirar no trabalho sem sua sufocante presença. Mentira! A quem você quer enganar, Laís? A verdade é que meu peito está apertado de saudades daquele troglodita. – Adoro essa série. A história dessas meninas é tão parecida com a nossa. Elas têm que ralar muito para ganhar a vida. É noite e eu estou em casa com Alana assistindo televisão. Ela não perde um capítulo de 2 Broke Girls, um seriado da TV a cabo que conta a história de duas garotas pobres com um sonho em comum.


– Eu também gosto muito. Quando elas estão chegando lá, sempre acontece algo para impedilas, mas mesmo assim não desistem. – Verdade. Que milagre você está em casa hoje. Seu chefe gostoso não precisou de você até mais tarde? – Graças a Deus ele não está na cidade para me prender no trabalho. – Sei. Sua cara não é de contente por estar longe do grande CEO opressor. Pelo que te conheço, deve estar até com saudades. – Então você não me conhece, Lana. Estava tão na cara assim que eu não via a hora de rever Antony? Acho que preciso disfarçar melhor meus sentimentos. Minha amiga e sua boca são um perigo. A campainha tocou e meu cansaço não deixou que eu me levantasse. Alana foi atender. Desviei minha atenção da televisão quando percebi que Alfred não parava de latir e olhei para a minha amiga que estava espantada com a mão cobrindo a boca. Sim, isso mesmo. Antony estava em minha porta. – Lalai, visitinha pra você. – Ela me chamou, com um tom sugestivo em sua voz. Caminhei até a porta e parei, olhando para ela que continuava imóvel fitando Antony. Está certo, eu sei que o cara chama a atenção de qualquer mulher, mas ele estava ali para me ver. Será que eu não tinha o mínimo de privacidade? – Alana, sua série está passando. – Ah, verdade, a série. A ficha dela caiu e ela saiu, nos deixando a sós. – Sr. Cavalcanti, o que faz aqui? Não me diga que precisa dos meus serviços a uma hora dessas. Ele mirou meus olhos, fazendo um gesto sensual que quase me empurrou para os seus braços. O magnetismo era tamanho que não sabia como conseguia me controlar. – Eu sempre preciso dos seus serviços, Laís, e meu nome é Antony. Sempre Antony para você. – Estou cansada e não pretendo trabalhar mais esta noite. Amanhã estarei na editora no horário certo.


– E quem disse que estou falando de trabalho? Eu quero conversar com você. Pode sair um pouco? – Não pretendo sair hoje. – Eu te peço então que me acompanhe até o estacionamento. Não vou demorar e depois a deixarei em paz. – Tudo bem, vamos lá. Fechei a porta atrás de mim e o segui até o carro. Encostei em sua Mercedes e fiquei esperando o que tinha a me falar. – Querida, sei que fui grosso com você da última vez que conversamos e gostaria de reparar isso. Estive pensando e acho que minha proposta pode melhorar um pouco. Que tal se nos conhecermos melhor, sairmos para jantar, ter momentos divertidos a dois e aí a gente vê até aonde vai? – Pode ser mais direto, Antony? O que está me propondo agora? – Ufa, voltamos ao Antony. Eu tenho uma vida muito corrida para pensar em relacionamentos, linda, mas com você... com você estou sentindo o desejo de estar perto, de dividir momentos, de conhecê-la melhor, então não me peça mais explicações porque não saberia te dar, porém o fato é que quero estar com você. O que eu deveria fazer agora? Deveria resistir? Está pensando o quê, que sou de ferro? – Hum... acho que sua proposta está começando a me interessar. Ele diminuiu a distância entre nós, encostando seu corpo no meu. – Senti sua falta. Não consigo esquecer o dia que me pertenceu naquele escritório. – Eu também revivi todas aquelas cenas em minha mente. Não tive a chance de dizer mais nada. Ele me pressionou na lataria do carro, puxou meus cabelos, colando meus lábios aos seus e sugou com avidez, provando o quanto estava com saudades e não deixei por menos, demonstrando toda a fome que sentia por seu contato. Suas mãos serpentearam por meu corpo, parando quando encontraram dois botões duros e sedentos por atenção. Ele passou uma mão por baixo da minha blusa e começou a massagear meus seios com leveza, puxando esporadicamente e enviando um raio de desejo direto para a minha boceta já encharcada.


– Antony, estamos em um estacionamento. Alguém pode nos ver. Ele parou o que fazia só a tempo de abrir a porta do carro e me jogar no banco traseiro, cobrindo o meu corpo com o seu e fechando a porta atrás de nós. Inquieto pelo desejo, levantou minha blusa e passou a chupar meus seios, me levando a arquear o corpo e pedir mais e mais. Eu o queria lá embaixo. Era a minha boceta inchada quem precisava de cuidados agora. – Eu o quero dentro de mim. Não demore. Ele deveria sentir o mesmo desejo intempestivo que eu, pois, em questão de segundos, puxou meu short junto com a calcinha e revestiu seu pau com um preservativo, me enchendo com todo seu comprimento. Naquele momento, fui transportada por um mundo de prazer e luxúria e sequer lembrei que estava em um estacionamento de um prédio. Antony sabia que botões apertar para que o meu instinto mais selvagem se manifestasse. Eu quero esse homem para mim. Eu preciso fazê-lo meu. Seu toque, seu cheiro e o modo como faz amor são extremamente viciantes. Eu me tornava uma felina que nem eu mesma conhecia quando estava com ele. Depois de algum tempo em nossa dança sensual, percebi que seu corpo começava a estremecer e não resisti, o acompanhando em um êxtase surpreendente, intergaláctico, que me fez perder o fôlego. – Você está bem, Laís? – Antony perguntou ao mesmo tempo que me dava um beijo na testa. Tentando encontrar ar em meus pulmões, respondi: – Melhor impossível. Ele riu. – Da próxima vez, prometo que faremos amor em uma cama. Já observou que não fomos nada convencionais até agora? Como eu amava aquele sorriso! – Verdade. Nada convencionais. Eu quero ser tomada por você sobre uma cama, sem pressa, sem incômodo e na segurança de quatro paredes. – Se continuar falando assim, terei que levá-la daqui agora.


– Pare de brincar, meu CEO. Ele sentou para olhar em meu rosto, com um sorriso nos lábios. – Seu o quê? – Meu CEO. Sabe, eu pensei que executivos lindos só existiam nos livros de romance. Você é real ou será que é fruto da minha imaginação? – Posso te provar o quanto sou real, linda. Agora mesmo, se quiser. Sentei, me ajeitando também. Sua proposta era muito tentadora, mas precisava ser racional, coisa difícil ao lado deste homem. – Amanhã acordo cedo para estudar e preciso ir, Antony. – Dei um beijo rápido em seus lábios. – Nos vemos na editora. – Tudo bem, vá descansar. Seu CEO também precisa de algum descanso. Até amanhã. Entrei no elevador e me virei para ver se ele ainda estava lá. O homem mais lindo deste mundo ainda se mantinha no mesmo lugar, me fitando até que as portas do elevador se fecharam. Se eu morresse naquela hora, morreria feliz.

– Caros alunos, hoje, novamente, teremos a ilustre presença do Sr. Cavalcanti em nossa turma, mas desta vez como aluno ouvinte. – Disse o professor Alcântara. Que diabos Antony queria em minha sala de novo? Aluno ouvinte? Essa história estava muito mal contada. – Fiquem à vontade e me vejam como um de vocês. Faz tempo que não frequento uma sala de aula e senti interesse em estar aqui hoje depois que o professor me contou qual seria o tema. Cantigas de Maldizer e de Escárnio, de Amor e de amigo. Parece interessante. Com a maior cara de pau do mundo, sentou-se ao meu lado, dando um cumprimento de bom dia como se eu fosse apenas mais uma aluna naquela sala. Franzi minha testa em questionamento e ele apenas me ofereceu um sorriso, abrindo um


pequeno bloco de anotações e voltando sua atenção ao professor. Filho da puta! Ele estava aprontando alguma. – Esse cara está aqui por sua causa, Laís? – Leandro perguntou. Claro que eu precisava desconversar. Não queria saber de boatos com meu nome na universidade. – Que nada. Ele deve estar realmente interessado no tema da aula. – Se você diz... então, o que pretende fazer no fim de semana? Pensei em te convidar para extravasarmos um pouco e... – Silêncio, vocês estão me incomodando. – Antony repreendeu Leo. Meu colega de classe ia responder, quando o interrompi. – Acho que não tenho programa para o fim de semana, Leo. Talvez sair um pouco seja tudo o que eu precise pra esfriar a cabeça. Provoquei Antony, pois não estava engolindo aquela história de ficar me perseguindo agora. Eu amava estar ao lado dele, mas sua presença me oprimia, às vezes. – Você estará na editora esse final de semana, Laís. Os prazos estão apertados e terá que fazer hora extra. – Ele falou, sem sequer olhar em minha cara. Leo parecia enfurecido com a intromissão dele, mas não replicou, talvez por saber que se tratava de meu chefe e não ia se meter em minha vida profissional. – Me avise quando estiver livre, Laís, e eu preparo algo para nós. Apenas assenti, sabendo que o cara do meu outro lado não estava com cara de bons amigos. Meu professor continuou falando: – Uma das características da literatura medieval são as cantigas divididas em líricas e satíricas. Alguém poderia dar um exemplo? Leandro levantou a mão e o professor lhe deu a fala. Ele recitou olhando para mim e percebi que Antony estava cada vez mais furioso. “Senhora minha, desde que vos vi, Lutei para ocultar esta paixão Que me tomou inteiro o coração;


Mas não o posso mais e decidi Que saibam todos o meu grande amor, A tristeza que tenho, a imensa dor, Que sofro desde o dia em que vos vi." – É uma cantiga de amor de Alfonso Fernandes, professor. – Muito bem, Leandro, linda cantiga. Quem poderia recitar outra? Não. Antony não ia fazer isso. Ele levantou-se e se virou para o professor, pedindo a fala, e depois para Leandro. – Eu lembro de um trecho de um poema de Carlos Drummond de Andrade que não é dessa época, mas acho que se adapta bem para um exemplo de Cantiga de escárnio. É mais ou menos assim: “Amor é um bicho instruído. Olha: o amor pulou o muro O amor subiu na árvore Em tempo de se estrepar. Pronto, o amor se estrepou. Daqui estou vendo o sangue Que corre do corpo andrógino. Essa ferida, meu bem, Às vezes não sara nunca Às vezes sara amanhã.” Todos na sala aplaudiram e eu fiquei procurando um buraco para enfiar minha cabeça. Só eu que estava entendendo o que acontecia ali, minha gente? Leo fingiu que não tinha entendido e fez um gesto como se estivesse me entregando uma flor. Eu fiquei sem saber o que fazer naquela situação e acabei entrando na brincadeira, pegando a flor imaginária. Adivinha o que aconteceu? Nada do que imaginou. Intempestivamente, Antony pegou o meu material de cima da carteira e puxou a minha mão com grosseria, me dando tempo apenas para pegar minha bolsa e acompanhá-lo.


– Sr. Alcântara, desculpe, mas preciso roubar sua aluna por um tempo. Tenho um assunto importante para tratar com ela. – Foi tudo o que ele disse antes de me arrancar da sala de aula e continuar me puxando pelo corredor do campus. Eu estava muito envergonhada, pois sabia que o que eu mais temia ia acabar acontecendo. Eu seria o assunto da universidade por um bom tempo e tinha medo inclusive de ser prejudicada por isso. Ele só freou quando chegamos ao estacionamento, mesmo sob meus protestos. – Está louco, Antony? Que direito você tem de me tirar da sala daquele jeito? Se sua atitude tiver consequências, eu nunca vou te perdoar. Eu não estou brincando na universidade, isso aqui é meu sonho. – Não era isso que parecia, Laís. Eu, e acho que todos na turma estávamos pensando que você estava em um teatro, encenando a garota fácil para o seu colega de turma. Raiva era pouco para definir o que eu estava sentindo naquela hora. – Respeito é o mínimo que eu posso exigir de você e de qualquer pessoa que fale comigo. Não vou admitir que me trate desse jeito. Eu não sou nada sua para que precise me controlar. Minhas palavras fizeram com que reagisse. Ele não pensou duas vezes em provar que sim, eu lhe pertenço, quando tomou meus lábios fervorosamente, me jogando em uma parede e levantou minha saia, enfiando sem dó dois dedos dentro de minha boceta. Pronto! Acabou a mulher! Me derreti em seus braços, rebolando para que seus dedos se afundassem ainda mais em minha carne macia, implorando sem palavras para que fizesse amor comigo ali mesmo em um estacionamento. – Fale as palavras, Laís. – Vá se foder, Antony. Ele aumentou a intensidade, colocando mais um dedo e gemi com a mistura de dor e excitação. Eu estava sendo esticada enquanto ele continuava com a provocação de não me dar o que tanto necessitava. – Se não disser as palavras, não pretendo parar com a pirraça. – Ai... O que você quer saber, Antony?


– A quem você pertence? Diga, quem é seu dono? – Porra, isso é gostoso. Eu quero mais. Eu não tenho dono. Sua mão que estava desocupada veio para um dos meus seios e ele apertou o bico, aumentando ainda mais meu tesão, se é que aquilo era possível. – Meu nome, querida. Diga a quem pertence. Ele mexeu em meu clitóris e eu devia estar muito sensível, pois não suportei mais. Gozei em sua mão, me derretendo em um prazer sobrenatural enquanto gritava o seu nome. – Voceeeeê, Antony. Eu sou suaaaaaaaa. Ele me abraçou, disfarçando para quem passasse por aquele lugar e me deu um beijo com seus dedos ainda enfiados em mim. Percebi quando olhou para os lados e relaxou, pois o estacionamento estava deserto. Tirou seus dedos da minha boceta e colocou em sua boca, lambendo todo o meu mel melado ali. Cerrou os olhos como se fosse o doce mais saboroso do mundo e depois que sua mão estava limpa, me encarou, abrindo um sorriso devasso. – Isso foi para que entendesse a quem você pertence. Espero que eu tenha deixado claro que você é minha e não quero que se sente próxima daquele cara novamente. – Ou? – Ergui a cabeça, o desafiando. – Ou vou ter que voltar à sua sala e me tornar aluno ouvinte com mais frequência, mesmo que isso não esteja nos meus planos. Não. Ele só podia estar blefando. – Sabe como isso soa? Parece tão... perseguidor. – Não me importo com a opinião de ninguém. Se vão me julgar como perseguidor, não me interessa. O que importa é que cuido do que é meu e não sei lidar com a derrota. Não vou perder você para um aspirante a professor. – Escritor. O que ele almeja é ser escritor. – O que seja. Não quero e não vou te perder. – Você é sempre tão mandão, controlador e convencido desse jeito? Será que eu tenho direito a alguma opinião? Leandro é meu amigo e não pretendo me afastar dele.


– Chega, Laís. Eu não estou para brincadeira. Eu acabei de te provar a quem seu corpo pertence e você sabe que não pode lutar contra isso. Eu também não quero lutar. Chega. Vamos sair. Eu preciso te mostrar um lugar. Entrei em seu carro e ele me levou para uma casa deslumbrante com ares coloniais. Parecia um lugar um tanto antigo, mas sua arquitetura tinha traços modernos, fazendo com que o contraste entre o velho e o novo ficasse perfeito. – É aqui que você mora, Antony? – Sim. Essa casa é da minha família há algum tempo, mas nunca a tinha ocupado. Meus planos eram fazer dela uma espécie de museu do livro com uma extensa biblioteca para visitação, mas acabei vindo morar aqui com a mudança da matriz. – É perfeita. Deve ser adorável viver neste lugar. – Das minhas casas é a que eu mais gosto. Venha, eu disse que tinha algo a te mostrar. Me acompanhe. Andamos por um corredor onde havia diversos quadros pendurados, provavelmente imagens de seus antepassados. Ele parou diante de uma porta e a abriu me mostrando um universo do qual sou apaixonada. Sabe que lugar era aquele? Tenho certeza de que você também ficaria admirado assim como eu se estivesse lá. Eu poderia passar dias e noites apenas naquele cômodo, malmente usando outros espaços da casa. Eu estava diante da maior biblioteca particular que já havia visto de perto. Era um espécie de salas de jogos com incontáveis livros perfeitamente organizados em ordem alfabética e gêneros. Na verdade, a sala parecia uma livraria, pois tinha uma disposição dinâmica com alguns lançamentos em destaque e várias mesas e sofás para leitura. Era um lugar que devia ser compartilhado mesmo. – Isso aqui... isso é maravilhoso. Só tem livros da sua editora? Ele riu. – Não. Quem dera que todos os grandes nomes trabalhassem conosco. Uma grande parte é da minha editora, mas tem livros aqui que são primeira edição. Minha empresa nem existia nessa época. Eu estava maravilhada com a grata surpresa. Passei as mãos por alguns livros, peguei um


exemplar novo e o abri, sentindo seu cheiro tão familiar. Aquilo era o paraíso. Antony enlaçou meu corpo com seus braços fortes e me deu um beijo, me convidando para conhecer outro lugar. Eu estava na casa dele, então ninguém precisa ter uma bola de cristal para imaginar para onde me levaria, não é? Exatamente! Finalmente fizemos amor em sua cama e foi melhor do que qualquer expectativa que eu pudesse ter. Era isso. Eu estava completamente apaixonada por aquele homem e tinha que admitir que estava fodida se descobrisse que ele só queria brincar comigo.

Ontem passei a tarde e a noite toda com Antony e hoje eu estava em mais uma tarde de trabalho na empresa que seria prolongada. Eu não sei que desculpas ele dava ao meu chefe imediato, só sei que até agora minhas faltas não foram questionadas. No campus, todos os professores estavam me tratando muito bem. As meninas da minha sala é que estavam virando a cara para mim, mas não me importava. Só tinha importância como o meu amigo ia reagir depois da cena de ontem. Claro que ele me bombardeou de perguntas, mas consegui desconversar. É o que acho, pelo menos. Eu não ia me afastar dele por conta de um cara que nem meu namorado era e ainda que fosse meu marido não me afastaria. – Laís, como está o andamento da coleção? Acha que pode dar conta para os próximos dias? Levantei as vistas e meus olhos encontraram o homem com quem eu tinha passado a noite inteira. Agora, ele havia vestido sua máscara de CEO todo poderoso e estava me tratando como qualquer funcionária da editora. – Acredito que posso me atrasar, Sr. Cavalcanti. Tive uma distração esses dias que me impediu de estar mais avançada em meu trabalho. Ele percebeu meu tom de voz, mas não entrou na brincadeira. – Veja o que pode fazer para adiantar. Temos um prazo a cumprir e somos conhecidos pela


pontualidade. Agora me responda: esse cara não é bipolar? Não é possível que o mesmo homem que me fez faltar ao trabalho estava diante de mim dissertando sobre prazos. Haja paciência! – Farei o que estiver ao meu alcance, Sr. Cavalcanti. Ele me deu as costas e deu alguns passos para voltar à sua sala, mas parece que lembrou de algo e virou novamente. – Meu nome é Antony, Laís. Para você, é Antony. – Tudo bem, Antony. – Enfatizei na última palavra. A tarde e a noite voaram enquanto eu estava concentrada no trabalho. Quando achei que o cansaço já me consumia, resolvi dar o dia por encerrado e saí da editora sem procurar meu chefe. Eu não o tinha visto pelo resto do dia e nem sabia se ainda estava lá. Assim que meus pés tocaram a entrada de casa, meu celular vibrou. Olhei para identificar a chamada e vi que era de minha mãe. Já fazia um tempo que eu não ia em casa, no interior, e que não ligava pra ela. Já devia estar preocupada. – A benção, mãe. – Deus te abençoe, minha filha. Como estão as coisas por aí? – Tudo bem. Trabalhando e estudando mais do que nunca. E papai, meus irmãos? Como estão todos? – Indo de acordo com a vontade de Deus. Estou te ligando para dizer que seu pai vai fazer um exame em Verdes Montes na próxima semana e vai precisar se hospedar em seu apartamento. Tem algum problema, querida? – Claro que não, mãe. Só me avise o dia e a hora que vou buscá-los na rodoviária. Vocês podem ficar em meu quarto que eu ficarei junto com Alana. – Nós vamos na terça e pegaremos o ônibus das nove da manhã. Devemos chegar aí por volta da cinco da tarde. É o tempo que você deve estar saindo do trabalho, não? – Está perfeito, mãezinha. Nos vemos na próxima semana, então. Estou com saudades. Uma lágrima caiu dos meus olhos, mas era de felicidade por saber que estaria próxima dos


meus pais novamente nem que fosse por apenas alguns dias. Eu só os via duas vezes ao ano quando estava de férias. Tomei um banho e conversei um pouco com Alana enquanto jantava. Ela disse que ia sair com um paquera e, quando terminei, fui para o meu quarto. Peguei um material para ler, mas meu celular tocou novamente. Atendi sem olhar. – Mãe, esqueceu alguma coisa? – Mãe? Você nunca comentou sobre sua família, agora fiquei curioso. – Antony, é você? Eu estava falando com minha mãe agora há pouco e pensei que era ela novamente. – Ficou com saudades da família, linda? – Muita. Eu adoro estar com meus pais. Me sinto criança novamente, sou tão mimada quando estou com eles, mas na verdade, minha mãe ligou para dizer que virão na próxima semana, pois meus pai tem um exame a fazer. – Sei. Que dia? – Ah, ela disse que devo pegá-la na rodoviária no final da tarde de terça, por isso, chefinho, já aviso que não posso ficar na empresa até tarde esse dia. – Entendo. Eles vêm de ônibus? – Nossa, está assustado? É assim que as pessoas comuns se locomovem, sabia? Nem todos têm uma nave espacial como você. Ouvi seu riso pelo telefone e me deu saudades de vê-lo sorrir pessoalmente. – Não veio ao meu escritório na saída. Fiquei te esperando. – Pensei que nem estivesse mais lá. – Sei que deve estar cansada e confesso que estou um pouco também. Como não podemos ficar juntos hoje, preciso de uma compensação. Qual a cor da lingerie que está usando agora, Laís? – Você quer fazer sexo por telefone? – Já fez alguma vez? Pode ser muito excitante. Deixei meu telefone no viva-voz.


– Não, nunca fiz, mas gostaria de experimentar. Eu não estou usando sutiã, apenas uma pequena calcinha preta. – Hum... meu pau já reagiu só em saber que seus seios pesados estão descobertos, prontos para ser tocados e chupados. Tire a blusa agora. Toque-os para mim e diga o que sente. Fiz o que me pediu, enchendo minhas duas mãos com meus redondos seios, beliscando os bicos como ele faria se estivesse ali. – Delícia, Antony, mas prefiro quando são suas mãos que os tocam. Eu já estou molhada só em imaginar. – Isso, linda, sinta como se fossem minhas mãos. Desça uma delas pelo seu ventre bem devagar, até alcançar seu pequeno grelo. Faça isso enquanto toco o meu pau. – Ai, querido, queria tanto você aqui. Sim, alcancei meu necessitado clitóris. Ele precisa tanto de atenção. – Dê atenção a ele. Pressione, massageie como se minha boca estivesse fazendo. Pegue a outra mão e enfie dois dedos em sua boceta deliciosa. Meu pau já está babando em expectativa. – Estou tirando minha calcinha para facilitar. Queria que fossem suas mãos que estivessem me despindo agora. – Se continuar falando isso, vou ter que ir ao seu apartamento. – Não seria má ideia. Oooooohhh, que gostoso. Posso pegar meu brinquedinho? – Você tem um? Claro que pode. Penetre de uma só vez, como eu faria. Rápido e doloroso. Tenho certeza de que vai gostar. Eu não suportaria muito tempo naquela tortura deliciosa. Penetrei meu brinquedo sexual em minha entrada e passei a bombear com toda força, enquanto massageava meu grelo. Não demorou muito e caí nos braços de Eros, liberando um gozo profundo e exaustivo. – Antony, aaaaaaahhhhhh. – Porra, Laís, também vou... gozar. Percebi quando quase não terminava a frase e sua respiração pesada, soltando pequenos gemidos de prazer no momento que se liberava também. Ficamos em silêncio por um tempo, tentando encontrar ar, até que decidi que já era tarde e precisava me despedir. Eu queria lhe provocar.


– Boa noite, Antony. Me deixaram cansada. Preciso dormir. – Laís, não ouse... Desliguei a ligação. Ele voltou a ligar, mas não atendi. Esse homem não me deixaria em paz se cedesse. Ele era intenso demais e eu precisava de longas horas de sono para aguentar. Os dias se passaram e minha rotina permanecia a mesma entre o campus, a editora e uma escapada, de vez em quando, na casa de Antony. Na empresa, ele me tratava como qualquer funcionária e aquilo já estava me dando nos nervos. Eu adorava ficar com ele e dividir sua cama, mas achava que já era hora de pedir mais. Essa quase relação já está durando cerca de um mês e continuo sendo seu pequeno segredo sujo. Eu não preciso disso. Terça chegou e eu estava na maior expectativa para rever meus pais. Preparei costelas de porco para assar mais tarde com batatas gratinadas que é o prato que meu pai mais ama. Adoro vê-lo sorrir. Eram três da tarde e eu estava concentrada no trabalho quando recebi um telefonema. Olhei o visor e percebi que era minha mãe. Atendi na hora. – Filha, já estamos instalados em seu apartamento, certo? Sua amiga nos recebeu muito bem e nos mostrou nosso quarto. A que horas chega? – O quê? Mas vocês não chegariam só às cinco da tarde? Ainda estou no trabalho, mãe. – Não se preocupe, querida, não precisa se apressar. Com um carrão daqueles que você mandou é claro que chegaríamos rápido. Agradeça ao seu chefe por nós. O motorista dele foi muito simpático. Antony. Ele estava por trás disso. – Ok, mãe, logo estarei ai. Larguei o que estava fazendo e dei longos passos para o seu escritório. A porta estava entreaberta e entrei sem bater. Ele estava sentado em sua mesa e levantou as vistas, estampando um enorme sorriso em seus lábios. – Como foi a viagem? Eles chegaram bem? Como era cara de pau! O cara de pau mais lindo que já conheci. – Por que fez isso? Eles não são nada seu e estão acostumados a andar de ônibus. Poderia ao


menos te me avisado. – Para você brigar comigo como está fazendo agora? Eu queria que fosse surpresa. Sabe, pensei em mandar um helicóptero, mas fiquei com receio de seus pais não aceitarem e tive medo de sua reação, então mandei um carro com motorista. – Como sabia onde eles moravam? – Eu tenho todos os seus dados aqui e os nomes dos seus pais são alguns que constam no sistema. Daí foi fácil encontrar. O que seus pais te ensinaram a responder quando alguém te faz um favor? Tem como eu ficar séria quando ele está com senso de humor? Aliás, tem como eu não me apaixonar? – Obrigada, Antony. – Hum... acho que não escutei. O que disse? Me aproximei dele e falei baixinho em seu ouvido. – Eu disse que tenho uma forma melhor de te agradecer, mas não pode ser hoje. Ele abriu seu sorriso capaz de fornecer energia para um quarteirão inteiro. Simplesmente lindo. – Agora acho que entendi e vou cobrar depois. Agora vá para casa. Seus pais devem estar te esperando. Dei-lhe um beijo rápido nos lábios e saí, pegando minha bolsa para ir pra casa.

– Essas costelas estão deliciosas, filha. Que saudades eu estava da sua comida. Ninguém faz esse prato como você. – Estou tão feliz que vieram a Verdes Montes nem que seja por pouco tempo. Quer um pouco mais, pai? Ele estendeu o prato e coloquei mais algumas porções de comida. Minha mãe não tirava os olhos de mim como se percebesse algo diferente.


– Filha, está acontecendo alguma coisa? Conheceu alguém? Estou te achando mais leve, menos preocupada. A intrometida da Alana tinha que se meter, não? – Sua filha está apaixonada, dona Teresa. Joguei um guardanapo em minha amiga e sorri, desmentindo sua história. – Conheci alguém, mas não estamos namorando e não estou apaixonada, apenas sinto um carinho por ele. – Sei, é da universidade? – Minha mãe perguntou. – Não. É da editora. – Filha, tenha cuidado com esses caras que não querem compromisso. Por que não estão namorando? Ele não gosta de você? – Foi a vez de meu pai. – Ele gosta, pai, mas é complicado. Estamos apenas nos conhecendo por enquanto. – Quando um homem quer levar uma mulher a sério não tem isso de se conhecer. Ele assume sua relação e pronto. Será que meu pai poderia ter razão? Antony poderia estar só me usando para depois me descartar? Nesse momento a sirene tocou e me levantei correndo para atender a porta. Para minha surpresa, sabe quem estava lá? Ele mesmo. Entrou, me dando um selinho na frente de meus pais e cumprimentou a todos, parecendo bastante à vontade. Acho que a única confusa ali era eu. – Boa noite, Sr. e Sra. Oliveira. Boa noite, Alana. Será que tem um lugar para mim à mesa, Laís? Eu comentei que ele era cara de pau? Já? Então, duas vezes cara de pau, mas eu ia pagar pra ver. Ele se acha muito esperto, mas meu pai não deixaria barato. – Claro, Antony, sente-se. Vou pegar mais um prato. Coloquei o jantar para ele, que pareceu se deliciar com o sabor do alimento. Meus pais apenas o olhavam, esperando que se apresentasse. – Pai, mãe, esse é o amigo de quem lhes falei. Seu nome é Antony e foi ele quem providenciou


o carro para buscá-los. Pronto! Meus pais juntaram dois mais dois e o caos estava formado. – Laís, você está se relacionando com seu chefe? Filha, sabe que esse tipo de relação nunca vai acabar bem e pode prejudicar sua carreira. – Minha mãe nunca poupava palavras quando achava que estava certa. – Sra. Oliveira, posso te garantir que sei separar as coisas e acredito que Laís também. De modo algum ela sofrerá consequências se as coisas não forem bem entre nós. Agora foi a vez do meu pai que só assistia a tudo calado. Quando vi que ia abrir a boca, fechei os olhos, pois sabia que lá vinha chumbo. – Olha, Sr... – Antony, pode me chamar de Antony. – Certo, costumo chamar quem não tenho intimidades pelo sobrenome, mas farei uma exceção hoje. Antony, sou um homem do interior e criei meus filhos com princípios, com isso, não estou questionando os seus, mas gostaria de saber quais são seus planos em relação a Laís? Ah, não, pai. O senhor não perguntou isso. E agora, quais minhas opções? Eu deveria pegar uma faca sobre a mesa e me matar ou tentar ficar viva e encarar a vergonha? Demorou demais para responder. Decidi pela segunda opção. Olhei para Alana e percebi que ela estava se divertindo com a situação, com a mão nos lábios, tentando esconder sua risada. – Sr. e Sra. Oliveira, estou aqui justamente para aproveitar a oportunidade de primeiramente conhecê-los e, segundo, pedir que me permitam namorar sua filha. Sei a garota de ouro que vocês criaram e com um futuro brilhante, além de ser linda. Não deixaria tantas qualidades reunidas escapar de minhas mãos. Eu estou ouvindo bem? Isso é mesmo sério? Antony, meu CEO, está pedindo para namorar comigo à moda antiga? Minha deusa interior fez uma dancinha de vitória. Mentira, eu não tenho deusa interior. Eu mesma tive vontade de me levantar e fazer uma dancinha em comemoração. Laís Oliveira, namorada de Antony Cavalcanti. Tudo isso parecia um sonho. Meu pai abriu um grande sorriso e naquele momento eu sabia que era mais um a se render à


sedução do meu CEO. – Se tem boas intenções com minha filha e pretende tratá-la como merece, é lógico que consentimos esse namoro. Ela é nossa única filha mulher e o maior bem que possuímos. Não a machuque. – Farei o que estiver ao meu alcance para que isso não aconteça. O jantar terminou e fomos para a sala jogar conversa fora. Claro que minha mãe tinha que contar sobre as coisas que eu aprontava quando criança e Antony comentou sobre algumas peripécias suas também. Eu estava amando conhecê-lo melhor.

O fim de semana chegou e eu estava sentada na beira da piscina infinita da mansão de Antony, enquanto ele dava braçadas na água, nadando rapidamente de uma raia a outra. O dia estava lindo e só pedia para que fosse aproveitado. Meus pais já tinham ido embora, depois que meu pai fez o exame no melhor hospital da cidade e os resultados seriam enviados para um grande cardiologista amigo de meu namorado. Meu namorado. Adoro repetir essas palavras. Antony é meu. Somente meu. – Venha dar um mergulho, Laís. – Ele me chamou e é claro que não recusei. Mergulhei na piscina e só emergi quando estava próximo dele, que me puxou pela cintura para me beijar. Suas mãos estavam começando a ter vida própria como eu gostava, mas, para nosso azar, ouvimos o barulho de carros chegando. Parece que ele tinha visitas. Dois carros se aproximaram e um casal saiu de cada um deles com homens e mulheres exuberantes em roupas de praia, claramente pertencentes à mesma sociedade frequentada por Antony. Ele saiu da piscina, me deixando lá e foi em direção aos seus convidados, cumprimentá-los. Uma loira magra, de rosto perfeito se pendurou no pescoço dele, dando-lhe dois beijos salientes.


– Antony, lindo como sempre. Estávamos passando por aqui e decidimos entrar. Faz tempo que não viemos a essa mansão. – Fiquem à vontade. A casa é de vocês. Ela estava inabitada, por isso não fiz mais eventos, porém decidi morar aqui, então voltarei a convidar os amigos. Uma linda morena, abraçada ao seu provável marido fez uma pergunta que me deixou com a pulga atrás da orelha, pois já tinha ouvido esse nome antes, não lembro onde. – Marcela está aqui com você? Quase não a vejo. Percebi que Antony enrijeceu e tentou mudar de assunto. – Só estamos eu, aquela linda garota e os empregados. Venham, a água da piscina está ótima. Então, eu sou ‘aquela linda garota’ na frente de seus amigos. Acho que esse dia será animado e tenho que descobrir quem é essa Marcela. Saí da piscina, pegando o roupão e me posicionei ao lado dele, tomando sua mão na minha. Ele não olhou em meus olhos, mas também não me repeliu. O homem carinhoso de agora há pouco havia ido embora. Será que Antony tinha vergonha de mim? – Essa é Laís. – ele me apresentou e se virou para apresentar os demais a mim. – E estes são meus amigos com suas esposas Brenda, Larissa, Silvio e Antônio. – Muito prazer. – Estendi a mão para a loira e percebi que a morena se afastava para não me cumprimentar, agarrando seu marido como se eu fosse uma ameaça. Louca! Nunca fui uma ladra de maridos e não começaria agora que tenho o meu CEO. Quer dizer, eu acho que tenho. Depois de apertar a minha mão, a tal de Brenda se virou para Antony, o provocando. Eu estava ansiosa que ela provocasse ainda mais, pois sabia que nesse mato tinha coelho. – Você é danadinho hein, Antony? Não perde tempo. Tenho pena de certas pessoas... – Brenda, às vezes você fala demais. – Seu marido a repreendeu. Meu namorado me puxou para longe deles, me convidando a ir até a cozinha para preparar algumas bebidas. Na verdade, eu estava louca para ficar a sós com elas e plantar verde para ver se colhia maduro.


– Trate de abrir a boca, Antony. Do que elas estão falando? Quem é Marcela? Ele parecia tenso, mas respirou fundo e respondeu: – Faz tempo que não os vejo e acham que ainda estou com uma ex-namorada, Laís. Não se preocupe, eles vão saber que não estou mais com ela e ninguém vai te destratar por isso. Venha, me ajude a levar essas cervejas. Vou pedir para os empregados prepararem drinks e tira-gostos. Fingi que estava engolindo essa história, mas sabia que estava mal contada. Se fosse assim tão simples, por que não havia me apresentado como sua namorada? Eu tenho cara de besta? Posso até ter, mas não existe uma veia de garota boba em meu corpo e Antony descobriria isso. – Olha aqui, trouxe cerveja e meu namorado vai trazer algo para comermos. – Que bom, estou com bastante fome. – Um dos rapazes respondeu, me encarando e sua esposa lhe deu um tapa, o repreendendo. Olhei de canto de olho para ver a reação delas quando disse ‘meu namorado’ e uma levantou a sobrancelha enquanto outra bufava, ostentando um sorriso sarcástico em seus lábios. Resolvi ousar. – Garotas, por que não deixamos os rapazes à vontade e tomamos um banho de piscina? Brenda concordou, me acompanhando e Larissa recusou o convite, dizendo que não ia molhar os cabelos. Depois de muita insistência, acabou aceitando sentar-se à borda da piscina. Já afastadas, comecei a perguntar: – Larissa, você comentou sobre uma pessoa chamada Marcela. Ela é parente de Antony? Ela deu de ombros. – Você não disse que é namorada dele? Então deveria saber. – A filha da puta ia dificultar minha vida. – O nosso namoro é muito recente, ainda não conheço sua família. Brenda se meteu. – Só te digo que tenha cuidado e nem pense em se apaixonar, pois ele não pode e não vai. Já vi muitas terem seu coraçãozinho quebrado. Marcela é...


Droga! Antony a interrompeu. – Trouxe alguns petiscos e champanhe para as garotas. Venham, fiquem aqui conosco. Vamos conversar todos juntos. Eu sabia que ele não as deixaria sozinhas comigo novamente. Quem não deve, não teme e Antony deve. Ah, se deve.

Todas as vezes que eu tocava no assunto da tal Marcela, Antony desconversava e acabava me enrolando com sexo. Ele sabia que era sua principal arma para me fazer esquecer e o pior era que sempre funcionava. Comecei a perguntar sobre sua família e pedir para conhecer e ele sempre dizia que estava ocupado demais, porém me apresentaria a eles qualquer dia desses. Esta manhã, eu estava cansada por ter passado a noite toda com ele, mas não podia me dar ao luxo de dormir até mais tarde, pois tinha aula. Peguei as chaves do meu Celta e saí correndo, como sempre atrasada. Estava próxima à universidade quando, em fração de segundos, percebi que uma criança soltava a mão da mãe e saia correndo em direção ao meu carro. Em um movimento rápido, joguei o veículo para outra direção, conseguindo salvar a criança, mas o inevitável aconteceu. Eu bati em outro carro. O acidente não foi grave, pois o motorista também tinha visto a criança e também reagiu, fazendo com que o meu carro e o dele tivessem apenas arranhões. O mais importante é que nada aconteceu com o menino. A mãe nos pediu mil desculpas e disse que pagaria pelos prejuízos. Ambos recusamos, pois tínhamos seguro e não seria difícil resolver. Cheguei ainda mais atrasada no campus e entrei na sala, me desculpando com o professor. – O que você tem, Laís? Está pálida. – Leo perguntou. – Quase atropelo uma criança, mas graças a Deus, consegui desviar o carro. Depois te conto


melhor. A aula foi muito produtiva naquela manhã e resolvi aceitar o convite de Leo para tomar um suco no refeitório. Quando estava saindo, o professor me chamou. – Laís, me procure amanhã depois da aula, pois possivelmente terei uma proposta a te fazer. Céus, será que era o que eu estou pensando? Eu poderia estar prestes a realizar um sonho? – Tudo bem, professor. Até amanhã. Fui para a cantina disposta a acreditar que nada acabaria com o meu dia. Acho que nem dormiria essa noite de tanta ansiedade. – Parece animada. O que o professor queria? – Leandro perguntou. – Disse que talvez tenha boas notícias para mim amanhã. Será que o campus está com vaga para professor substituto? Como o curso já está no final, eu poderia assumir. – Pode ser isso. Não há aluna mais perfeita que você na turma para assumir essa vaga. Aliás, acho você perfeita em tudo. Já te disse o quanto é linda, Laís? Deus, espero que essa conversa não tome um rumo desconcertante. Eu gosto muito dele e não gostaria de dizer algo que pudesse magoá-lo. – Obrigada, meu amigo. Espero que eu não seja escolhida pelos meus lindos olhos negros. – Brinquei. – Não. Você tem outros atributos. É linda, inteligente, carismática... eu daria tudo para ter uma chance com você, Lai. Não, Leo, não vá por esse lado. – Você sabe que no momento estou namorando Antony e estamos muito bem. Eu aprecio muito a nossa amizade para estragá-la com uma relação que poderia não dar certo. – Se fosse minha por um dia, te provaria o quanto poderia dar certo. Aquele cara vai machucála, eu sinto isso, mas quero que saiba que estarei sempre aqui para você, seja como amigo ou algo mais. Eu sempre vou lamber suas feridas. Sempre. – Me entristece ouvi-lo falar assim, porém sempre estarei para você também meu amigo. Sempre. Lanchamos e quando terminamos, Leandro me acompanhou até o estacionamento. Me despedi


dele e caminhei em direção ao meu carro. Meu Celta. Onde estava o carro que comprei com tanto sacrifício? Olhei na vaga onde deixei e nada. Procurei aos arredores para ter certeza se não estava enganada e nada do meu carro. Eu fui... roubada? E eu que pensei que nada mais poderia acontecer para arruinar o meu dia. Quando já estava pensando em procurar ajuda, com as lágrimas já rolando livremente por meu rosto, um homem vestido de preto tocou em meu braço, chamando minha atenção. – Srta. Oliveira? O Sr. Cavalcanti pediu para avisar que rebocou o seu carro e a partir de agora você tem um carro com motorista à sua disposição até que ele compre um mais seguro. – Como é a história? Antony mandou levar o meu carro? – Sim, senhora, este foi o recado que pediu para te dar. O chefe ficou muito irritado quando soube que quase se acidentou e mandou rebocar seu carro assim que o deixou no estacionamento. Eu estava explodindo de raiva. Quem Antony achava que era para controlar a minha vida desse jeito? Minha independência foi uma conquista para mim que saí do interior em busca de melhores condições de vida e não deixaria ninguém mandar e desmandar sem me consultar antes. – Eu quero que seu chefe vá tomar... banho. Me leve para a editora agora, por favor, pois ao contrário dele não mandarei recado. Direi na cara tudo que está entalado em minha garganta. – Sim, senhora. Ele me conduziu até um carro preto Sedan com aparência cara e abriu a porta para que eu entrasse. No caminho, fiquei ensaiando tudo o que diria àquele controlador. Não podia esquecer uma palavra do que pretendia despejar nele. Chegamos à editora e pulei do carro assim que ele parou. Caminhei a passos largos, rapidamente alcançando seu escritório que não estava com a porta fechada. – Amor, estava te esperando. Sabia que ia chegar como um trovão. – O filho da puta ainda mantinha um sorriso aberto no rosto. – Como ousa, Antony? Você sabe o sacrifício que fiz para comprar aquele carro? Eu o quero de volta. Ele apontou uma cadeira, me convidando para sentar, mas não o fiz. – Vamos por partes. – saiu de trás da mesa e veio em minha direção, parando diante de mim e


acariciando meu rosto. – Imagino o quanto se sacrificou para comprá-lo, por isso não a deixarei sem carro. Quanto a tê-lo de volta, aí será mais difícil. Eu o doei a uma instituição de caridade. – O quê? Você doou meu carro? Como? Eu não autorizei. Sabia que posso dar queixa sua? – Adoro seu jeito intempestivo. Eu tenho uma procuração assinada por você que me dá o direito a fazer o que quiser com ele. Você assinou ontem, lembra? – Eu não ass... aquele documento? Você disse que era para fazer um seguro coletivo de vida. Me enganou, Antony? – Foi por uma boa causa. Eu já queria trocar seu carro e sabia que não aceitaria pelas vias normais, então tive que buscar outros meios. Quando soube do quase acidente de hoje, aí foi a gota d ´água. Aquele carro não tinha o mínimo de segurança. Nem airbag tinha. – Mas era o que eu podia ter, droga. – Você pode e vai ter outro. Enquanto a gente não compra, terá sempre um motorista à sua disposição. – Você estava me vigiando esse tempo todo? O motorista também é para isso? Não pense que gosto que me sufoque desse jeito. Sou sua namorada e não sua propriedade. Lutei muito para ser independente e não preciso de você para determinar o que é seguro ou não para mim. – Assunto encerrado, Laís. Eu cuido do que é meu e pronto. Você não é minha propriedade, pois não é um objeto, porém é minha, pois seu corpo me pertence. Sua alma me pertence e eu também sou seu. – Vá se foder, Antony. Ele me agarrou pela cintura e começou a beijar meu rosto e meu pescoço, até a base da minha orelha, liberando deliciosos arrepios pelo meu corpo. – Não tem graça nenhuma me foder sozinho. Eu gosto de foder você, princesa. – Você é muito... controlador. – Meu tom de voz já começava a atenuar. Ele sempre conseguia vencer minha resistência. Antony levantou meu braços, segurando meus pulsos e me empurrou para a parede mais próxima, me encurralando com seu corpo, tomando meus lábios em um beijo quente e exigente. Arfei, sentindo seu pau roçar a minha boceta que já babava em antecipação, sabendo que seria fodida por aquele membro grande e grosso.


Antony tinha pressa e, rapidamente me aprisionou em sua teia de sedução. Me conduziu à mesa do escritório e levantou minha saia, colocando a calcinha de lado e abriu seu zíper em seguida. Senti sua ereção me encher, me esticar, alimentar minha boceta que estava tão faminta para têlo dentro de si. Transamos ali mesmo no escritório como já fizemos antes e todas as vezes pareciam únicas. Nunca teria o suficiente dele. Meu corpo sempre queria mais e mais de Antony. Eu precisava reconhecer, eu o amava. Eu o amo. Estremeci, me quebrando em um milhão de pedacinhos e logo o senti tremendo em minha boceta, liberando seu prazer e um gemido que eu tanto adorava ouvir. – Antony, eu preciso que me prometa uma coisa. Ele saiu de dentro de mim e me abraçou, depositando pequenos beijos em meu pescoço. – Diga, amor. – Prometa que vai me consultar antes de tomar decisões que me digam respeito. Ele se soltou do meu abraço e fitou meus olhos, tomando um tempo para admirá-los. Eu também amava fazer isso. – Prometo que vou tentar. Sempre que eu achar que sua segurança está em risco, vou agir, quer você queira ou não, mas se não for questão de segurança, acho que posso ser mais flexível. Assenti, arrumando minha saia. Não valeria a pena continuar essa discursão sobre o carro, mas nunca me acostumarei com seu jeito mandão e controlador.

– Bem, Laís, a chamei até minha sala porque um de nossos professores da graduação está para se aposentar e vai surgir uma vaga para professor substituto na área de literatura. Quando soube que precisaríamos de alguém, pensei logo em você. Acho que é a candidata perfeita. Céus, era isso mesmo que estava ouvindo? Eu poderia me tornar professora universitária ainda


mais na área que tanto amo. Eu poderia compartilhar meu amor pelos livros e ainda ganhar para isso? Parecia um sonho. – Eu aceito. Quer dizer, o que preciso fazer concorrer à vaga? – Só precisa de indicação. Como eu sou seu professor, me pediram opinião e acho que tem grandes chances. Aliás, fico feliz em saber que é tão próxima de um homem tão respeitado em nossa universidade. Sr. Cavalcanti tem muito a acrescentar no seu conhecimento e pode facilitar bastante a sua carreira. Eu me agarraria a ele com unhas e dentes se fosse você. Será que entendi bem? Ele estaria me oferecendo uma vaga por causa da influência de Antony e não por minha competência? – Eu preciso ir, professor. Tenho trabalho a fazer na editora. – Eu entro em contato, Laís. Ah, e mande lembranças para o seu chefe. Ele teve aqui ontem, mas não tivemos tempo de conversar direito, foi tudo muito rápido. Não, eu não podia acreditar. Ele estava se metendo em minha vida novamente, pois sabia que era o meu sonho. Eu não queria que fosse assim. Queria que me considerassem competente para o cargo e não a garota que o patrono indicou. Se bem o conheço, talvez tenha até ameaçado cortar a verba se não me contratassem. Não! Desta vez, ele passou dos limites. Eu não deixaria isso barato. Corri para o carro e pedi que o motorista me levasse para a editora. Eu iria confrontá-lo agora e se admitisse, pensaria no que fazer. Talvez deva repensar se vale a pena um relacionamento onde minhas asas são podadas o tempo inteiro. Eu o amo, contudo amo mais a mim primeiro. Subi as escadas correndo para falar com ele. Parece que nossa vida agora é viver nesse cabo de guerra com sua obsessão por controle. Não faz nem vinte e quatro horas que tinha me prometido ser mais flexível. Acabou de quebrar sua promessa. Abri a porta com tudo e entrei na sala. – Antony, você não tinha o direito... Uma mulher ruiva, de olhos verdes e rosto de boneca me olhou com os olhos semicerrados como se pudesse soltar um raio deles. Ela era do tipo que não passaria despercebida por nenhum lugar, como se tivesse acabado de sair de uma passarela de moda.


– Quem é essa mulher e por que está entrando em sua sala desse jeito, Antony? – Ela perguntou com sua voz em uma tonalidade carregada. Ele estava pálido e enrijecido. Fechou os olhos e, respirando fundo, respondeu. – Marcela, essa garota é minha funcionária. Porra, essa era a tal de Marcela e ele acabou de me apresentar como uma simples funcionária? – Você permite que seus funcionários te chamem pelo primeiro nome e entrem na sua sala falando com você nesse tom? Os olhos de Antony cruzaram com os meus e estavam mais frios do que um cubo de gelo. Aquele não era meu CEO. O que fizeram com ele e por que estava fazendo isso comigo? – Laís, por favor, vá. Depois a gente conversa. Agora não é o momento. Como eu deveria considerar suas palavras? Uma escolha? Ele estava me descartando e a escolhendo? Era assim que eu interpretava essa situação. – Não há mais o que conversar, Antony. Recebi uma proposta hoje e estou me demitindo da editora. Não precisa se preocupar comigo, resolva seu problema. Dei as costas para sair, quando decidi destilar meu veneno. – Ah, Marcela. – enfatizei o tom de voz no seu nome. – Quer saber quem eu sou? A namorada dele. Quer dizer, eu era a namorada dele. Passar bem. Saí com tanta pressa daquela sala que não enxerguei qualquer pessoa à minha frente. Quando dei por mim, já estava do lado de fora do prédio, buscando um pouco de ar puro para respirar. Antony sempre teve uma namorada ou esposa, sei lá. Eu sempre fui sua amante, por isso não me assumia em público. Fez toda aquela cena para os meus pais, pois sabia que provavelmente não os veria mais. Era tudo falso. O namoro era falso. Seu ciúme era falso. Seu cuidado era falso. E os sentimentos que eu pensava ter visto em seus olhos eram os mais falsos de todos. Ele não me amava. Eu era apenas uma diversão em sua cama temporariamente vazia.


Ouvi o motorista me chamar enquanto eu entrava rapidamente em um táxi. Pedi para que rodasse por um tempo pela cidade e depois indiquei o caminho de uma livraria no shopping. Não havia outro lugar onde eu me sentisse mais confortada.

– Seja bem-vinda ao nosso corpo docente, Laís. É uma honra ter uma aluna tão dedicada como nossa funcionária agora. O coordenador do departamento de Letras me deu as boas vindas juntamente com os outros professores da graduação. Eu estava muito feliz por ter aceitado a proposta, embora soubesse que não foi por esforço próprio. Estava disposta a provar que eu seria a melhor escolha de todo modo. Convidei Leandro como uma pessoa próxima para me acompanhar, já que Alana não podia faltar ao trabalho. Já tinha mais de um mês que deixei a editora e fiz exames admissionais nesse período. Leo me ajudou muito a acreditar em mim mesma. – Obrigada. Farei o possível para ser tão boa professora quanto vocês são. Muitos me abraçaram e me parabenizaram. Leo me chamou para comemorar e aceitei, deixando o campus onde só assumiria minhas atividades na próxima semana. – Para onde vamos? – Pensei em tomarmos uns drinks e mais tarde jantar. O que acha? – Que tal se pularmos os drinks e irmos direto para o jantar? Estou com fome e dirigindo. Não quero beber. – Tem razão. Vamos. Caminhamos conversando em direção ao estacionamento. Leo me convidou para ir em seu carro, mas preferi ir no meu, pois de lá iria para casa. O quê? Eu não comentei sobre o carro? Então deixa eu contar. Desde o dia que deixei Antony no escritório da editora, não o vi mais. Ele até tentou me ligar,


mas não atendi e ele não insistiu. Acho que se convenceu que eu não queria mais ser usada. É claro que sofri como o cão, pois amava aquele homem e o pior é que ainda não esqueci, porém pretendo me esforçar para isso. Ele não me merece. Alguns dias se passaram e, certa tarde, cheguei em casa e havia uma chave de carro sobre a mesa. Peguei um papel que estava próximo a ela e vi que era um bilhete para mim. Ele tinha comprado um carro e mandou entregar em meu apartamento. Desci para o estacionamento e me assustei com o que vi. Havia nada mais, nada menos que um Aston Martin One-77 preto à minha espera. Aquele homem só podia ser louco. Ele dizia que prezava tanto por minha segurança e, com aquele carro, eu chamaria a atenção de todos os ladrões. Sabe o que eu fiz? Vendi, comprei outro Celta, desta vez novo, e doei o troco para a mesma instituição que ele doou meu carro. Pronto! Ninguém devia nada a ninguém. Chegamos ao restaurante. Leo puxou a cadeira para eu sentar e conversamos um pouco, antes de pedir a refeição. – Ah, Laís, esqueci de te contar. No dia que não pôde ir à aula por causa dos exames o professor fez um comentário sobre você. – Sobre mim? O que ele disse? – Colocou você lá em cima. Estava cheio de orgulho por ter uma aluna como sua nova colega de trabalho. Ele disse que seu currículo foi escolhido por uma banca de cinco professores e que só pediram a opinião dele para confirmar se concordava. Foi unânime. Todos da banca a escolheram por suas notas e por sua competência. O professor chegou a se emocionar na sala. – Mas, ele deu a entender que... Antony o tinha procurado no dia anterior. Eu cheguei a pensar que... talvez... ele fosse o responsável por minha contratação. – De modo algum. Ele também comentou que seu ex-chefe estava doando uma verba enorme para a reforma da biblioteca do campus e, de vez em quando, entrava em contato com ele. Deve ser por isso. Céus, eu não poderia ter notícia melhor. Eu fui contratada por méritos próprios e não porque alguém me empurrou lá dentro. Eu estava tão emocionada que levantei do meu lugar e fui de encontro a Leo, dando-lhe um abraço apertado. Ele ficou confuso, mas retribuiu, dando risada do meu jeito espalhafatoso.


– Estou muito, muito feliz. Eu, finalmente, serei professora universitária e por esforço próprio. Estou tão orgulhosa de mim mesma. Passamos grande parte da noite conversando descontraidamente. Tomei até meia taça de champanhe para comemorar, mas parei por aí, pois não podia me exceder. Estava me sentindo uma campeã que subia ao pódio para pegar sua medalha de ouro. Sim, eu sou uma vencedora.

Fui a um mercado próximo à minha casa comprar uns mantimentos que estavam faltando. Resolvi caminhar um pouco, pois não compraria muita coisa e não era longe. Andei devagar, apreciando as pessoas indo e vindo pelas ruas de Verdes Montes em uma tarde fria. Eu estava agasalhada até a alma, com direito a gorro e luvas. Nunca estive tão ansiosa para chegar em casa e me afundar em um lençol quente e macio. Percebi que um carro andava lentamente ao meu lado e, a princípio não dei importância, mas quando vi que me acompanhava, resolvi parar. As portas se abriram e meu coração disparou. Era como se eu pressentisse. Era ele. Eu sabia antes de ver que meu CEO sairia daquele carro para falar comigo. Não sei dizer o que me fez sentir. Talvez um sexto sentido que dizem ser característica das mulheres ou um déjà vu, mas eu sabia. Senti seu perfume e fechei os olhos com medo de abrir e descobrir que era tudo fruto da minha imaginação. Não era. Antony estava em minha frente. – Você pode me dar um minuto, Laís? Testei minhas emoções e vi que não sentia mais tanta raiva dele. Eu ainda o amava, mas não queria ser enganada novamente. Deixaria que falasse e depois seguiria meu caminho. – Claro. Como vai, Antony? – Não tão bem quanto você, mas levando. Você poderia ir a algum lugar comigo para conversarmos?


Não mesmo. Essa fase dele me tocar e eu me derreter como manteiga já passou. Quer dizer, eu preferia não pagar pra ver. – Eu já estava a caminho de casa e como me pediu um minuto, acho que pode gastá-lo aqui mesmo. Seja breve, Antony. – Serei, querida. Parece ridículo o que vou te dizer, mas quero que saiba que eu te amo, e antes que diga qualquer coisa, peço que lembre como éramos bons juntos, como nunca escondi meus sentimentos por você em cada gesto, em cada toque, quando fazíamos amor. – Terminou seu discurso? Sabe, você já foi melhor em fingir. Pelo menos nunca disse que me amava. – Eu precisava resolver algo antes de te dizer isso. Na verdade, ainda preciso. Eu queria te dizer as palavras sem qualquer impedimento, sem restrições. Nunca disse, mas sempre te provei com meu corpo e sei que me ama também. Não tente negar. Um bolo se formou em minha garganta e virei de lado para disfarçar a lágrima que teimava em descer de um olho. Não consegui. Ele passou o polegar por meu rosto e limpou. – O que você tem a resolver de tão importante que precisou me manter como seu pequeno segredinho sujo e ainda te impediu de me procurar por todo esse tempo? – É complicado, Laís, mas prometo que vou resolver essa situação. Só te peço que confie em mim e me dê um pouco mais de tempo. – Você só pode estar brincando comigo. Confiança? Você está pedindo que confie em você? – Eu sei que não estou em condições de te pedir isso, mas em nome do nosso amor eu te peço. Se me esperar, eu logo serei somente seu, apenas seu e de mais ninguém, mas se não quiser, vou entender, embora saiba que levarei uma vida de sofrimento, pois nunca amarei alguém como a amo. – Antony... – Por favor, me diga o que decide. Você escolhe confiar em mim e me esperar mesmo que isso pareça loucura ou quer que eu saia de uma vez da sua vida? Eu estava disposta a abrir mão daquele amor. Eu não acreditava em suas palavras e não queria me magoar ainda mais. Estava abrindo a boca para dizer aquelas amargas palavras quando uma mulher nos interrompeu. Era a cigana que leu minha mão no dia que conheci Antony.


– Posso ler sua mão, minha menina? – Ela pediu. Eu escancarei os olhos, pois estava assustada ao lembrar de suas palavras martelando a minha mente. Dei-lhe a palma da minha mão, mas ela não leu. Apenas a fechou, cobrindo com a sua, e disse: – Não resista. Seu futuro depende da escolha que fará. Piscou um olho para mim e saiu propagando seus serviços de vidente pela rua. Eu a segui com os olhos até que desaparecesse, sem acreditar no que tinha acabado de acontecer. – E então, Laís, qual é a sua escolha? Olhei no fundo dos olhos verdes mais lindos e intensos que já vi e abri um sorriso confiante para ele. – Minha escolha é sim, vou confiar em você e te esperar, meu amor. Ele parecia que tinha acabado de tirar um peso das costas e me tomou em seus braços, me rodando no meio da calçada, impedindo as pessoas de transitar. Antony tomou meu rosto em suas mãos e beijou minha boca de forma terna, suave, como se demonstrasse mais que desejo. Ele queria que eu sentisse seu amor e eu senti naquele momento. – Preciso ir, querida. Me espere, Laís, prometo que estarei de volta em breve. – Estarei te esperando mesmo que seja por toda a minha vida, Antony. Eu confio em você e sei que um dia vou entender seus motivos. Eu te amo. Ele entrou no carro e partiu, deixando meu coração feliz e esperançoso por sua volta.

Me tornei mestre em Letras mês passado e já faz dois meses que estou lecionando na universidade. Há mais de um que não vejo Antony e a saudade está me despedaçando, mas sei que ele está empenhado em resolver o problema que nos impede de ficarmos juntos. – Muito bem, alunos, hoje vamos falar sobre o amor. Esse tema está presente em grande parte dos textos literários. Camões, por exemplo, foi um poeta do século XVI que falou desse sentimento


como ninguém e é lembrado até hoje por seu soneto “Amor”. Quem sabe recitar? A porta da sala se abriu e toda atenção, repentinamente, foi voltada para quem entrava ali, carregando um enorme buquê de rosas vermelhas. Antony, o amor da minha vida, meu CEO estava ali parado diante de mim e, para minha surpresa, começou a recitar o soneto. “Amor é fogo que arde sem se ver; É ferida que dói, e não se sente; É um contentamento descontente; É dor que desatina sem doer.” (...)

Ai, Deus, será que ele estava de volta? Será que finalmente eu entenderia seus motivos e o teria só para mim? Ele terminou de recitar, mas seguiu falando: – É verdade que o amor está em quase todos os tipos de texto, mas o amor deve estar, primeiramente, nas pessoas. Não é importante apenas que se fale sobre ele. É importante sentir. Ele dói, como diz o poema? Sim. Ele tem suas contradições? Sim. Mas ainda é e continuará sendo um sentimento que vale a pena. Eu estava ofegante. Antony estava falando sobre o nosso amor diante de todos. Meu desejo era de me jogar em seus braços sem me importar onde estava, mas não conseguiria fazer isso diante de tantos olhos curiosos. Ele continuou: – Eu estou aqui neste momento para me declarar para a mulher mais batalhadora, inteligente e linda que conheço. Eu te amo, Laís. Eu a amo como nunca amei ninguém e como nunca vou amar. Oh, Deus, chama o SAMU que vou desmaiar. É muita emoção para alguém que chegou a desacreditar no amor. – Querida, amor da minha vida, você me daria a honra de me fazer o homem mais amado desse mundo e se tornar minha esposa? Casamento? Ele estava me pedindo em casamento? Eu deveria dizer que sim mesmo sem saber o que aconteceu nesse meio tempo? A turma começou a gritar a palavra ‘sim’ em um coral, mas não foi isso que me convenceu.


Lembrei novamente da cigana falando sobre minhas escolhas. Eu decidi confiar, então seria plenamente. – Sim, Antony, não há nada que eu mais queria no mundo. Todos os meus alunos aplaudiram e, é claro que a aula não tinha como continuar daquele jeito. – Gente, estudem a apostila que passei e tragam a atividade respondida na próxima semana. Hoje vocês estão liberados. Alunos! Eles sempre comemoram quando a aula acaba, não é? Esperei que saíssem para continuar minha conversa com Antony. – E então, será que tenho o direito de saber por que tive que esperar até hoje? – Claro. Antes eu não mereço um beijo? Pulei em seus braços como eu queria ter feito antes e lhe dei um beijo ardente, sedento e cheio de promessas. – Sente-se. Preciso te contar com calma. Fiz o que pediu e aguardei que continuasse. – Eu tinha um acordo com o pai de Marcela. Nos casaríamos, pois ele não aguentava mais a personalidade forte dela e eu me tornaria dono de grande parte do complexo editorial dele que tem o mesmo porte que o meu. – Uma espécie de casamento por conveniência? – Sim. Justamente isso. Não havia amor no acordo de nenhuma das partes. Na verdade, Marcela é apaixonada por um cara que não tem tantas condições financeiras como ela, mas seu pai prometeu deserdá-la caso mantivesse a relação. Como ela não queria perder o padrão de vida, abriu mão do namoro. – Nossa, que mulher fútil. Por que ela não enfrentou a tudo e a todos para lutar por seu amor? – Nem todo o mundo é como você, Laís, que buscou vencer por esforço próprio. Para mim, era conveniente o casamento desse modo até que você chegou e bagunçou tudo. – Está reclamando? – Não. Muito pelo contrário. Conhecê-la foi a melhor coisa que já aconteceu em minha vida. O pai dela estava relutante quanto a rescindir o contrato e me prometeu que se o ajudasse a livrá-la de


seu envolvimento com as drogas, ele voltaria atrás. – Ela usava drogas? – Passou a usar recentemente. Nesse tempo, tentei convencê-la a buscar ajuda, mas nada surtia efeito. Foi quando tive uma ideia. Talvez ela ouvisse o homem que amava e para isso seu pai teria que deixá-lo se aproximar. – Ele deixou? – A cartada foi perfeita. O rapaz a acompanhou em um centro de ajuda e com isso ganhou alguns créditos com o pai dela que acabou aceitando o namoro. – Isso quer dizer que... quer dizer que você não tem mais contrato? Que está livre? – Sim, querida. Quer dizer que estou livre para me tornar seu marido, para ser todo seu assim como prometi que seria. Me joguei nos braços do meu amor, agora sem qualquer receio. Ele agora é meu e nada vai nos impedir de ser feliz. – Eu te amo, meu CEO. Ele sorriu. – Eu também, minha linda.

Antony fez o pedido oficial na frente dos meus pais e de Alana que ficou muito emocionada com o convite de ser minha madrinha de casamento. Convidei Leo para ser meu padrinho e tive que comprar uma pequena briga com meu noivo, mas ele acabou cedendo, além do mais, meu amigo está namorando firme com uma garota de quem gostei muito. Acho que vai dar em casamento. Uma das caça-talentos da editora leu um manuscrito dele e o convidou imediatamente para publicar. Seu livro hoje está entre os mais vendidos do país e já tem previsão para lançar os próximos. Leandro estava se tornando conhecido e admirado por seu talento como escritor.


Alana também resolveu se estabelecer e estava emplacando um namoro. Espero que seja tão sério para ela quanto é pra ele. O rapaz parece apaixonado. Os exames do meu pai não acusaram qualquer problema de saúde e eu estava feliz por saber que seu coração de ouro estava salvo. E por falar em família, conheci os pais dele e descobri que são pessoas maravilhosas. Acho que me darei muito bem com eles. A tal da Marcela foi mais rápida que eu e Antony. Ela se casou com o grande amor de sua vida e ainda moravam juntos na casa de seu pai. Que ironia da vida, hein?

Até Alfred se deu bem. Eu adotei uma cadela para lhe fazer companhia e ambos só viviam em clima de romance agora. Acho que em breve serei avó de lindos filhotinhos. Quanto a nós? O nosso casamento está marcado para acontecer no próximo mês, mas estou pensando na possibilidade de antecipar. Quer saber por quê? Ando sentindo que algo está diferente em mim e já faz mais de dois meses que minha menstruação não desce. Você acha que devo fazer um exame? Vou fazer, mas o que vai acontecer depois, não vou te falar. Isso é uma história para outro conto. Agora preciso dar atenção ao meu futuro marido. Enquanto isso, continue em busca do seu CEO, pois o meu, já amarrei. Me sinto felizarda, pois tenho o privilégio de poder gritar aos quatro ventos que encontrei o meu CEO encantado. Um CEO pra chamar de meu.

FIM

Um CEO Para Chamar De Meu  
Um CEO Para Chamar De Meu  
Advertisement