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Uma sedução perigosa! Rachel Holt passou anos se comportando como a filha exemplar, a anfitriã perfeita e a noiva ideal. Não cometera um deslize sequer. Até a noite em que se permitiu ter a liberdade que jamais provara e sentir as emoções mais indescritíveis ao lado de um estranho sedutor. O belo magnata grego Alexios Christofides é famoso por conseguir exatamente o que almeja. Dominado pela sede de vingança, ele seduz impiedosamente a noiva de seu inimigo. Mas a noite que passaram juntos trouxe graves consequências para ambos,


especialmente quando Rachel descobre a verdadeira identidade de Alex!


Rachel pegou a carteira sem pensar. Era uma carteira cara. Couro preto com costuras finas. Como algo que seu pai, ou Ajax, usariam. Os olhos de Rachel esquadrinharam a identidade dele. Ele possuía uma carteira de habilitação americana. O que parecia estranho. Porque ele era grego, sem dúvida. Tudo bem, xereta. Não é da sua conta. E não era. Não estavam trocando histórias de vida, então não era justo


que ela olhasse os pertences pessoais dele. Antes que ela pudesse fechar a carteira e colocá-la sobre a mesa, ela leu seu nome. Sem querer. Mas ela o viu, e então tudo o que pôde fazer foi olhar fixamente. Rachel conhecia o nome dele. E, por completos trinta segundos, não sabia de onde. Alexios Christofides. Ajax vivia dizendo o nome dele, seguido sempre de um resmungo, um xingamento. Ele não era um marinheiro. E não era um desconhecido.


Rachel tinha sido seduzida pelo inimigo de seu noivo.


Querida leitora, Rachel Holt precisava de um pouco de diversão antes de cumprir com seus deveres familiares em um casamento conveniência. Por isso, entregou-se de corpo em alma a uma noite de prazer com um sensual desconhecido. Ela achou que estava no paraíso, mas quando descobriu a verdadeira identidade de seu amante, encontrou o inferno. Alex Christofides, inimigo jurado de seu noivo, apenas queria usála em seu plano de vingança. Para piorar, Rachel descobre que está grávida…


Boa leitura! Equipe Editorial Harlequin Books


Maisey Yates

UMA NOITE POR TODA A VIDA Tradução Fabia Vitiello

2015


CAPÍTULO 1

TODA A atenção de Rachel Holt estava voltada para sua mesa de cabeceira. Para o anel que brilhava ao lado do abajur. Ela ergueu a mão esquerda e observou o dedo onde o anel estivera há apenas algumas horas. Era esquisito vê-lo nu depois de tanto tempo suportando o peso do anel. Mas agora não parecia correto usá-lo.


Rachel o apanhou do criado-mudo e o segurou no alto, vendo-o brilhar, então se virou e olhou para o homem dormindo ao seu lado. Seu braço estava jogado sobre a cabeça, os olhos estavam fechados, com cachos escuros caindo sobre o rosto. Ele era como um anjo. Um anjo caído, maravilhoso, que havia mostrado a ela algumas coisas deliciosamente pecaminosas. Mas não era o homem que havia lhe dado o anel. Ele não era o homem com quem Rachel deveria se casar no próximo mês. Aquilo era um problema. Mas ele era tão bonito que Rachel tinha dificuldade de pensar nele como


um problema. Alex, com seus lindos olhos azul-escuros e pele bronzeada. Alex, que Rachel havia conhecido naquela tarde. Ah, bom Deus, ela o conhecera nas docas havia menos de vinte e quatro horas! Rachel checou o relógio. Ela o conhecia havia oito horas. Oito horas foi o necessário para que pusesse a perder uma vida de comportamento sério e respeitável. Para tirar seu anel de noivado, e seguir seu... Ela não pôde dizer “coração”. Aquela tinha sido uma reação hormonal, claramente. Não costumava se comportar daquela maneira. Nunca permitia que a emoção


ou a paixão sobrepujassem o senso comum e o decoro. Mas naquela noite não tinha havido decoro. Desde o primeiro momento em que Rachel o vira, tinha sido completamente cativada pela maneira como Alex se movia. A maneira como seus músculos se destacavam enquanto ele trabalhava limpando o deque. Rachel fechou os olhos e voltou imediatamente àquele momento. E foi fácil lembrar o que a fez perder a cabeça... e tirar a roupa. ERA O dia mais bonito desde que haviam chegado a Corfu. Não estava


muito quente e o mar trazia uma brisa. Rachel e Alana tinham acabado de almoçar, e a amiga ia voar de volta para Nova York. Rachel ficaria para representar a família Holt em um evento de caridade. Aquelas férias eram seu último grito de liberdade antes de seu casamento, no próximo mês. – Mais sapatos? – perguntou Alana, gesticulando para a pequena butique que ficava do outro lado da rua de pedras. – Vou dizer “não” – disse Rachel, olhando para o outro lado, através da água, para os iates atracados nas docas. – Você está doente?


Rachel riu e andou até a balaustrada do restaurante, apoiando-se nela. – Talvez. – É o casamento, não é? – Não deveria ser. Eu sabia há décadas que esse momento chegaria. Estamos juntos há seis anos. A data do casamento foi marcada há quase um ano. Então... – Você tem permissão para mudar de ideia – disse Alana. – Não. Não tenho. Eu... Você pode imaginar? O casamento é o acontecimento do ano. Jax vai finalmente entrar para a família. Meu pai finalmente terá o filho que sempre quis.


– E o que é que você quer? Fazia tanto tempo desde que Rachel havia se feito aquela pergunta que, honestamente, não sabia a resposta. – Eu... eu gosto de Ajax. – Você o ama? Rachel percebeu movimento em um dos iates. Um homem limpava o deque. Sem camisa, com um short folgado e desbotado preso a seus quadris magros. O sol brilhante destacava seus músculos tonificados. Rachel estava sem fôlego. – Não – disse ela, sem tirar seus olhos do homem no iate. – Não, eu não o amo. Quero dizer, de certa forma sim,


eu o amo, mas não estou apaixonada por Ajax. Por um tempo, Rachel meio que acreditara que essa situação fosse culpa dela. Ajax não era um homem passional. Depois de todos aqueles anos juntos, nunca tinha ido além de beijos. As roupas nunca eram tiradas. A Terra não costumava tremer quando ela estava nos braços dele. Nunca havia sido difícil parar. Há alguns anos, Rachel quase permitira que o desejo a arruinasse. Tinha chegado bem perto. Mas, desde então, mantinha seus impulsos sob rígido controle e acreditava que essa


determinação, aliada à falta de paixão de Ajax, fazia deles o casal ideal. Mas Rachel agora sabia que sim, ela ainda tinha paixão. Estava lá, dentro de seu peito. E ela queria viver aquele sentimento com intensidade. – O que você vai fazer? – perguntou Alana, soando preocupada. O rosto de Rachel ardia. – Hum... sobre o quê? – Você não o ama. Ah. Rachel não estava com a atenção voltada para Alana agora. Ela não sabia que o mundo de Rachel tinha acabado de ser abalado por um homem a quase cem metros de distância. Ela fez um gesto vago.


– Sim, mas isso não é novidade. – Você não tira os olhos daquele homem no iate. Rachel piscou. – É mesmo? – Ah, sim. – Bem, ele é... – Sim, ele é. Vá falar com ele. – O quê? – Rachel se virou bruscamente para encara Alana. – Devo ir falar com ele? – Sim. Seu voo é só mais tarde; então, se você precisar de um álibi, estou aqui. Flertar, viver perigosamente, viver para o momento... Aquilo tudo era parte de um passado tão distante que parecia pertencer à outra pessoa. A


Rachel que escapou por pouco de humilhar a si mesma e sua família tinha desaparecido. Uma Nova Rachel emergira do desastre. E a Nova Rachel era uma seguidora de regras e fazia o que estava ao seu alcance para manter todos felizes. Para ter certeza de que não tinha ultrapassado os limites, distanciando-se da rede de segurança que seu pai providenciara para ela. Mas, por alguma razão, parada lá sob o pôr do sol, pensando na estabilidade que experimentava com Ajax, sentia-se como se estivesse se afogando. Sentia que havia um nó se apertando em torno de seu pescoço, a contagem regressiva para sua execução iminente...


Que drama, Rachel. É um casamento, não um enforcamento. Mas era assim que se sentia. O casamento parecia tão definitivo! Um futuro como a esposa de Ajax. Como a Nova Rachel, obediente e cordata, pelo resto de sua vida. – Você precisa falar com ele – disse Alana. – Você corou assim que o viu. Rachel se engasgou. – Olhe, estou quieta todo esse tempo, sem dar minha opinião sobre seu relacionamento com Ajax – observou Alana. – Mas, como você mesma acaba de dizer, você não está apaixonada por ele. E qualquer um com olhos vê isso.


Sei que éramos irresponsáveis quando jovens e que você mudou, mas... – Eu sei – disse Rachel, sua garganta se estreitando. – Mas o que mais eu posso fazer, Alana? – perguntou Rachel. – Meu pai pagou minha fiança tantas vezes, eu fiz tantas bobagens... E agora eu o deixo orgulhoso. E se Ajax é o preço que eu preciso pagar para isso, então... Eu aceito. – Ao menos ele faz seu sangue ferver? Rachel olhou para o homem no iate novamente. – Não – disse ela, a palavra engasgada. – Ele não faz.


– Então, acho que você deve a si mesma passar algum tempo com um homem que faça isso. – Mesmo? – Sim, mesmo. Eu realmente acho. – Então... Eu simplesmente deveria ir falar com ele? Quer apostar que ele vai praguejar em grego e voltar a trabalhar? Alana riu. – Isso não vai acontecer, Rach. – Como você sabe? Talvez ele não goste de loiras. – Ele vai gostar de você porque você é o tipo de mulher que deixa os homens malucos. – Ah, não, não deixo. – Ajax certamente nunca tinha agido como se


ela o deixasse maluco. – Viva perigosamente por um minuto, querida. Antes que você pare de viver por completo. Rachel não conseguia tirar seus olhos daquele homem estranho, nem mesmo para dar a sua amiga um olhar de repreensão, que era o que realmente devia estar fazendo. – Você leu isso em um biscoito da sorte? – Você já chegou ao clímax com um homem de verdade? Porque eu já cheguei e... O comentário fez o rosto de Rachel ficar vermelho. Não, não ela nunca experimentara aquilo. Tinha


proporcionado essa emoção algumas vezes, mas nunca tinha recebido. – Certo. Eu vou falar com ele – disse ela. – Falar. Só falar. – Certo. E eu estarei por perto. Então, se você... você sabe, precisar de alguma coisa, grite. – Eu também tenho um bastão – disse Rachel. – Ajax insistiu. Rachel estremeceu ao mencionar o nome do noivo. Mas ia apenas falar com o Marinheiro Garanhão Sem Camisa. Não ia fazer nada inapropriado. Seria apenas um momento. Um instante para que arejasse as ideias,


flertando com um homem bonitão. Nada mais que isso. Ela respirou fundo e jogou o cabelo por cima do ombro. – Deseje-me... bem, não exatamente sorte. Alana piscou. – Divirta-se. – Não. Eu não vou trair Jax. – Tudo bem – disse Alana. – Eu não vou. A simples ideia era risível. Havia pessoas que eram assim. Pessoas ousadas que andavam por aí pregando carpe diem por todo o lado. Mas aquilo não tinha lugar na vida dela. Não mais. Seus anos de rebeldia tinham sido


apenas aquilo. Rebeldia. Não apenas um desejo de liberdade, mas um desejo de ultrapassar as barreiras que sempre a haviam mantido no lugar. Até que Rachel percebeu o quanto aquele comportamento afetava outras pessoas e a si mesma e não apenas seu presente, mas também seu futuro. Mas apenas dizer “oi” não seria tão ruim. Não havia mal em se permitir um momento para se banhar no calor que aquele estranho transmitia. – Ceeeerto – disse Alana. – Ah, fique quieta. – Rachel se virou e caminhou pelo píer, as mãos tremendo, seu corpo se rebelando de


todas as formas contra o que estava prestes a fazer. Iria só cumprimentá-lo. E talvez flertar um pouco. Algo inofensivo. Rachel caminhou pelo deque, parou bem na frente do iate e respirou tão profundamente que se engasgou. Então, ao erguer o olhar, foi capturada pelos olhos azuis mais atraentes que já tinha encontrado, seguido de um sorriso lento, cheio de malícia, os dentes brancos contrastando com a pele escura. Ele era ainda mais bonito de perto. Completamente cativante. Ele afastou o cabelo dos olhos e o movimento fez seus músculos se flexionarem. Um espetáculo apenas


para ela. E seus hormônios se levantaram e aplaudiram. E pediram bis. Hormônios estúpidos. – Você está perdida? – perguntou ele, com um forte sotaque. O mesmo de Ajax. Grego. Mas aquele homem falava de forma menos refinada, mais rude, sua voz ecoando no peito dela, chocando-se contra os espaços vazios e escuros e jogando luz em seu coração. E com apenas três palavras. Rachel estava condenada se fizesse alguma outra coisa que não fosse se afastar. Mas não foi o que fez. Permaneceu ali, imóvel.


– Hum... Eu estava... Eu estava ali. – Rachel fez um gesto indicando o lugar onde estivera com Alana, que já havia desaparecido. – E eu vi você. – Você me viu? – Sim. – E isso foi um problema? – Eu... Não um problema. Eu só notei você. – Isso é tudo? Ele pulou do iate para o deque com um movimento inesperado, fluido e... muito sensual. – Sim – Rachel disse. – Isso é tudo. – Seu nome? – Rachel Holt.


Ela esperou que ele a reconhecesse. Que reagisse ao ouvir o nome dela, como fazia a maioria das pessoas. Mas não houve reconhecimento. Nada. – Bem, Rachel – disse ele, e aquela voz a fez tremer –, o que foi que você notou a meu respeito? – Que... hum... você é sensual – disse ela, que nunca em sua vida tinha sido tão ousada. Bem, para ser franca, Rachel não sabia se estava sendo ousada ou idiota. Ela era boa com pessoas. A anfitriã perfeita. Todos, até os jornalistas mais fofoqueiros, gostavam dela. Uma reputação cuidadosamente cultivada.


Mas tinha muito mais experiência em oferecer às pessoas bebidas geladas do que em oferecer seu corpo. Ele arqueou uma sobrancelha escura. – Que eu era sensual? – Sim. Uma mulher nunca deu em cima de você antes? – Rachel estava vermelha, e não era por causa do sol. Sabia que não deveria paquerar um estranho daquela forma, mas ainda assim essas foram as palavras que saíram de sua boca. Boca estúpida. Quase tão estúpida quanto seus hormônios. – Sim, mas não de um jeito tão charmoso. Você tem um objetivo final em mente?


– Eu pensei... – De repente, Rachel soube que sim, tinha um objetivo. Queria tudo, de uma vez só, com aquele estranho. Queria tocá-lo, beijálo, sentir as pontas de seus dedos forjarem uma trilha de fogo sobre a sua pele nua enquanto ele a levava por níveis de êxtase que nunca pensara ser possível desejar, deixando o sentimento de lado. – Pensei que poderíamos tomar alguma coisa. Qual o seu nome? – perguntou Rachel. Já que estava se perdendo em fantasias em que ficava nua com ele, parecia educado perguntar. – Alex. – Somente Alex? – perguntou ela.


Ele levantou um ombro, os músculos em seu peito mudando com o movimento. – Por que não? Por que não, na verdade? Não era tão difícil que houvesse alguma razão para ele ser algo mais. Quem ligava para qual era seu sobrenome? Ela nunca teria oportunidade para usá-lo. Nunca o apresentaria em uma festa, ou precisaria se referir a ele em uma conversa. Nunca mais o veria depois de hoje. – Boa pergunta. Então, um drinque? Ou... seu chefe vai ficar bravo? – Meu chefe? – O proprietário do iate.


Ele franziu o rosto e olhou para trás, então de volta para ela. – Ah. Não, ele foi para Atenas por alguns dias. Eu só devo conferir as coisas de vez em quando. Não há necessidade de ficar amarrado à doca. – Imaginei que não. Você não vai flutuar para longe. – Rachel riu, depois se sentiu imediatamente estúpida. Como se ela tivesse voltado a ser uma garota de 18 anos, e não uma mulher de 28. – Eu não acho. Embora eu tenha flutuado no passado. – Verdade? – Claro. Foi como acabei aqui. Passei muito da minha vida flutuando.


Rachel percebeu as segundas intenções nas palavras dele. E, de uma maneira estranha, ela parecia ver mais honestidade nas palavras daquele estranho do que do homem com quem planejava se casar. – Então... – disse ele. – Uma bebida? – Claro. – Deixe-me apenas pegar uma camisa. – Ele lhe atirou um sorriso e voltou para o barco. Rachel precisou de toda sua força de vontade para não implorar que ele ficasse com o peito nu. Foram a um bar próximo e pediram dois refrigerantes. Rachel enviou uma mensagem de texto para Alana, para que a amiga soubesse que tudo estava


bem. Mas ela não enviou mais mensagens quando ela e Alex andaram pela cidade por horas, ou quando eles acabaram jantando no píer, rindo e conversando amigavelmente. Não enviou uma mensagem de texto para Alana sobre a maneira como Alex a fez provar de seu prato levando o garfo até sua boca, sobre a maneira como seus olhos se encontraram naquele momento. Nem quando ele a levou a uma casa noturna. Na última vez em que Rachel entrara em um lugar como aquele, tinha precisado de uma carteira de identidade falsa. Esse tipo de boate era


um ninho de escândalos e sexo, e de todos os tipos de coisas que seu pai e Ajax nunca teriam aprovado. O tipo de lugar que faria a imprensa crucificá-la se fosse apanhada. Álcool, música alta, pista de dança cheia de gente. Houve um tempo em que Rachel adoraria estar ali. Mas não depois de perceber os tipos de problemas que a esperavam em lugares assim. Mas apenas por agora iria dar uma pausa em seu bom comportamento. Sentia-se isolada e anônima, ilhada pelo feitiço que Alex tinha jogado nela no instante em que o viu. Ninguém parecia encará-la ou ter qualquer expectativa


sobre seu comportamento. Rachel não achou que estava correndo qualquer risco de se expor, como havia acontecido em certa época de sua vida. De alguma maneira, com Alex, tudo aquilo parecia empolgante. E também perigoso – um toque de adrenalina que Rachel costumava desejar e que havia negado a si mesma por muito tempo. Foi tudo perfeito. O dia todo. Foi como estar de férias de sua vida, e Rachel adorou. Ou talvez fossem férias para si mesma, mas ela não queria se aprofundar nesse pensamento. – Isto é tão divertido! – gritou Rachel, tentando fazer com que sua voz soasse mais alta que a música.


– Está se divertindo? – perguntou Alex. – Muito. Ele tomou a mão esquerda dela e o toque de sua pele enviou um raio direto de seu punho para o coração de Rachel. – Eu estou tentando descobrir um jeito de perguntar sobre isso – disse ele, inclinando a articulação de seus dedos de um jeito que seu anel de noivado capturou a luz. Olhar para o anel fez com que o coração dela afundasse. Rachel não queria pensar sobre aquilo. Sobre a realidade. De jeito nenhum. – Não sou casada.


Um sorriso malicioso curvou os lábios de Alex, os olhos azuis brilhando. – Eu não me importaria se você fosse. Talvez apenas perguntasse se seu marido é um cara grande. E se, de algum modo, é ligado ao crime organizado. O pensamento de Ajax estar ligado a algo tão sórdido ou excitante quanto o crime organizado era histericamente engraçado. Ele era sério demais para algo tão ultrajante quanto aquilo. Ajax era uma influência calma e estável em sua vida. Ou, pelo menos, era assim que o pai dela o via. Ajax não era o tipo de homem que frequentava casas noturnas. Se ela


pedisse, provavelmente ele diria que ela fosse com as amigas e se divertisse, enquanto ele se enfiaria no trabalho, preocupado em preencher tabelas com números e mais números, coisa que parecia enchê-lo de satisfação. – Hum... você não precisa se preocupar. Além do mais, não fizemos nada de que devêssemos nos envergonhar – disse ela. – Eu não... violei nenhum voto. – Ainda é cedo – disse Alex, sorrindo de um jeito malvado. – Sim, ainda está cedo – concordou Rachel, com o coração batendo forte. – Quer dançar?


Ela olhou para a mão que Alex oferecia, muito aberta, e sentiu seu coração apertado. Ajax nunca, nem uma única vez, tinha dançado com ela. Nem sequer tinha pedido. E, até aquele momento, Rachel nunca percebeu o quanto estava sentindo falta daquilo. Naquele mesmo momento, ela percebeu que aquilo não era apenas um pedido para uma simples dança. Ela sabia o que era. O momento decisivo. E, se Rachel concordasse, não diria “não” pelo restante da noite. Mas talvez aquilo já fosse verdade há horas. Talvez, desde o momento em que os olhos dela se encontraram com


os dele, dizer “não” fosse uma impossibilidade. – Sim – disse ela, como se a palavra fosse arrancada dela, arranhando sua garganta nua e deixando em seu lugar um sentimento de alívio doce e leve. Ela havia decidido. Naquela noite ela abraçaria a vida, o que quer que isso significasse. – Sim, Alex, eu quero dançar.


CAPÍTULO 2

ELE A beijou pela primeira vez na pista de dança. Havia pessoas em volta deles, e a atração dos corpos era intensa. E Rachel deixou que os outros a empurrassem de encontro a ele, deixou que a conduzissem para ele, para que pudesse sentir o calor rijo de seus músculos contra seu peito. Quando foi pressionada contra ele, ergueu os olhos, encarando-o. Sabia


que estava pedindo por isso e não ligava. Porque precisava daquilo. Mais do que do ar. Não importava o que aconteceria no dia seguinte, ou no mês que viria, antes de seu casamento, nem mesmo importava se não sobrevivesse àquela noite. E parecia que não sobreviveria se ele não a tocasse. Se não pudesse prová-lo. Mas Alex não a fez implorar por muito tempo. Ele abaixou a cabeça e pediu pela boca de Rachel, a língua dele abrindo caminho por entre os lábios dela. Ela os abriu, tomou-o profundamente, beijando-o até se sentir tonta. Nunca tinha beijado dessa maneira. Ninguém.


Um beijo que roubou todos os seus pensamentos e preocupações. Um beijo que a reduziu a nada mais do que desejos, nada mais do que uma dor profunda e física que exigia satisfação. Rachel envolveu o pescoço dele com seus braços e se pendurou nele, seu corpo estreitando-se contra o dele, não mais no ritmo da música, mas no ritmo de seu próprio desejo. Ela enfiou seus dedos pelo cabelo grosso e cacheado de Alex, mantendo-o contra ela, despejando todo o seu ser, todo o desejo que tinha se acumulado por tantos anos em um beijo que não deveria dar. Um beijo proibido.


E aquilo só fez com que ela se irritasse, sentindo-se determinada a receber o que precisava. O que nunca teria depois daquela noite. Era a sua última chance. Uma emoção secreta. Uma porção secreta de aventura. Ninguém jamais saberia. – Venha ao meu hotel comigo – pediu contra a boca dele, incapaz de se separar de seu corpo por um segundo que fosse. Alex não respondeu, apenas a beijou novamente, e Rachel percebeu que ele não podia escutá-la, não com a música tocando naquela altura.


Rachel puxou a cabeça dele para baixo e colocou os lábios contra sua orelha. – Tenho um quarto no hotel. Venha comigo. Era tudo o que ele precisava ouvir para arrastá-la para fora da pista de dança, rumo à noite quente de verão. Alex parou na porta da boate, empurrou-a contra a parede e a beijou, o movimento e o beijo selvagens, explosivos. Perfeito. Rachel arqueou o corpo contra ele, esfregando os seios contra a parede sólida do tórax dele, tentando encontrar satisfação para o desejo que a consumia como a um animal.


– Agora – disse ela, com os olhos bem fechados. – Temos de ir agora. Eu preciso... Eu não posso... – Concordo. – É perto. Eu acho que é perto. Estou confusa, na verdade. É difícil dizer onde, diabos, nós estamos. Alex riu e pressionou sua testa contra a dela. – Sei exatamente onde, diabos, estou. – E onde é isso? – Com você. E não preciso saber de mais nada além disso. Rachel respirou fundo, tentando ignorar a pontada de emoção em seu peito. Não era assim que ela deveria se sentir.


– Uau. Você diz as melhores coisas. Você realmente diz. Alex pegou a mão dela. – Você na frente. Rachel assentiu. E, de alguma maneira, naquele momento, ela se sentiu mais autêntica que nunca. Como se as duas metades de sua vida, a mulher que era em público e a mulher que era na vida particular, tivessem se unido pela primeira vez. Rachel se sentiu corajosa. Sentiu-se certa. Ela se sentiu feliz. Um sussurro de quem ela havia sido antes de ter aprendido a se fechar. Antes do desastre com Colin. E da


chantagem. Antes de precisar encarar o pai e ter de contar a ele o que havia feito. E pensar nas consequências horríveis que poderiam alcançá-la. Não posso mais proteger você, Rachel. Essas escolhas que tem feito são perigosas. As pessoas, os homens, sempre vão tentar tirar vantagem de suas ligações, a imprensa sempre vai persegui-la por ser quem é, e você está brincando com fogo. Chega. Se você continuar assim, não vou encobrir seus erros novamente. Eu a amo demais para ajudá-la em seus erros dessa maneira. A mãe tinha dito palavras menos delicadas. Uma mulher em sua posição não pode se dar ao luxo de cometer esse


tipo de erro! Não é apenas imoral, é perigoso. Pense no que a imprensa vai dizer. Sobre você. Sobre nós. Eu não passei todos esses anos ajudando essa família a chegar aonde chegou para ver você estragar tudo com um comportamento estúpido! Palavras cheias de irritação e ditas em particular. Um lado de sua mãe que somente Rachel conhecia. Ela nunca se esquecera do que a mãe tinha dito e nunca mais tinha saído dos trilhos. Até... até aquele momento. Mas aquela situação era diferente. Alex nem mesmo sabia quem ela era. Não queria usá-la. Não queria colocá-la


em uma posição comprometedora para que pudesse vender fotografias, ou um vídeo erótico. Aquele pensamento simplista afastou toda a escuridão de sua mente. Nem o passado, nem o futuro. Só havia o agora. E o agora era perfeito. Caminharam alguns minutos pela calçada, mas logo estavam correndo e rindo. Ela se abaixou e tirou os sapatos, carregando-nos em sua mão livre conforme corria descalça pelo passeio de pedras. Pararam na frente do hotel, as luzes do saguão lançando um brilho em Alex, nas fontes em frente ao prédio.


– Ah, sim – disse ela ofegante. – Estou em um hotel legal. – Está mesmo. – Ele riu, o som reverberando através do corpo dela. – Não se sinta desconfortável nem envergonhado. – Não me sentirei – disse ele. Claro que ele não se sentiria assim. Era difícil imaginá-lo sentindo-se desconfortável em algum lugar. – Bom. Eu preciso saber pelo menos três coisas mais sobre você antes de entrarmos, tudo bem? – Depende. Você vai pedir um empréstimo? – Juro que não – disse ela –, nem vou tirar suas digitais. Mas... você é um


estranho. – Certo. E o que me faria deixar de ser um estranho? Ela apertou os olhos por um momento e, quando os abriu, Alex preencheu seu campo de visão. – Cor favorita? – Não tenho uma. – Vamos lá. De que cor são seus lençóis? Ele riu. – Pretos. – Tudo bem. Quantos anos você tem? – Tenho 26 – disse ele. – Ah. – Por alguma razão a resposta a deixou levemente excitada. – Bem, eu


tenho 28. Espero que isso não detenha você. – De maneira nenhuma. Na verdade, isso pode me deixar ainda mais excitado. Se for possível. O coração de Rachel disparou. – Mais uma coisa – disse ela. – O que você prefere... dormir sob as estrelas ou em uma suíte bonita? – Tanto faz. Contanto que você esteja comigo. De preferência nua. Rachel ofegou. – Bem, foi a resposta perfeita. – Podemos entrar? – Sim – disse ela, já que não havia mais como dizer “não”. – Você não é


mais um estranho agora, então está tudo certo. – Estou contente. Entraram no hotel, atravessando o saguão rapidamente. Assim que as portas do elevador se fecharam atrás deles, Alex a empurrou contra a parede, a boca dele faminta pela dela, as mãos dele passeando pelas curvas de Rachel. Ela podia sentir a pressão firme do desejo de Alex contra seu quadril, podia sentir a excitação dele, não apenas ali, mas em cada linha de seu corpo. O abraço tenso de seus ombros, as batidas de seu coração, a urgência de seu beijo.


Nunca, em suas fantasias mais malucas, ela havia se imaginado ali. Daquela maneira. Com um homem beijando-a, faminto. Nunca imaginou que estaria beijando um homem como se estivesse faminta dele, também. Suas experiências passadas incluíam beijos confusos, com sabor de álcool e muita coerção. Mas aquilo não envolvia sua consciência entorpecida pelo álcool. Nem coerção. Nada ali era sobre se rebelar contra sua vida ordenada e tranquila. Não era sobre um senso de dever. Era sobre ela. No corredor que levava ao quarto de Rachel, ela foi tomada pela urgência. Se fossem mais devagar, ela poderia ter


morrido – ou ele poderia tê-la levado ao paraíso ainda vestida. Ela estava perto, muito perto, e sabia disso. Rachel não se considerava passional, mas sabia que havia desejo em seu coração. E estava noiva de um homem que resolvera esperar, o que significava que era uma especialista em satisfazer a si mesma. Ela conhecia o clímax. Mas tê-lo completamente fora de seu controle? Seria muito diferente do que conhecia. Tinha dado prazer a Colin, mas ele nunca a satisfizera. E, de qualquer maneira, fazia mais de uma década, e era toda a experiência que tinha com homens na cama.


Agora ela estava ali, e Alex a estava tirando do prumo. Seu prazer estava totalmente no controle dele. Era, ao mesmo tempo, entusiasmante e aterrorizante. Vasculhou a bolsa em busca do cartão que abriria a porta. Por que tinha sido tão descuidada ao jogá-lo ali? Bem, porque não sabia que teria de abrir a porta com tanta urgência. Rachel tinha toda a urgência e nenhuma chave... – Ah, graças a Deus – suspirou, ao encontrar o cartão. – Isso foi um sacrilégio, não foi? – perguntou, olhando para Alex. – Por quê?


– Agradecer a Deus porque achei a chave para que pudéssemos... bem, isto é fornicação, não é? – Será em cinco minutos. Agora é somente luxúria. – Uma coisa realmente poderosa. – Rachel se virou para a porta e enfiou o cartão na fenda. A luz ficou verde. – Então, acho que podemos entrar agora. Alex acariciou o rosto dela com ternura. – Você fica muito bonita quando está nervosa. – Bem, isso é uma coisa gentil de se dizer. Os olhos azuis dele se grudaram aos dela, tão sinceros. Como se Alex


pudesse ver apenas a ela, como se Rachel fosse a única coisa que importava. Ninguém nunca a olhara daquela maneira, nunca. – É verdade. – Bem... obrigada. Mas eu fico menos nervosa quando você me beija. Talvez nós possamos fazer isso de novo, não? Alex não precisou de um segundo pedido. Ele a empurrou para dentro do quarto e para cima da cama. A maciez do colchão contrastava com a rigidez dele. Não havia nada infantil nele agora. Seus olhos, antes bem-humorados, estavam escuros e ferozes.


Rachel gostava daquilo. – Irei mais devagar da próxima vez – disse ele. – Prometo. Eu gosto das preliminares. – Ele se ajoelhou e tirou a camisa. – E haverá algumas. Da próxima vez. Da próxima vez, eu prometo. – Então ele enfiou a mão no bolso do short e tirou sua carteira, pegando um preservativo, jogando a carteira no chão e arrancando toda a sua roupa em seguida. Ela não teve tempo para se sentir nervosa; estava muito ocupada olhando para ele. Alex era incrível, muito mais do que ela imaginara que um homem pudesse ser.


E ela desejava... Ela somente desejava. Ele abaixou a parte da frente do vestido dela e, enquanto sugava um dos mamilos com força, empurrava a saia por sobre os quadris de Rachel. Alex enganchou seus dedos nas laterais da calcinha e a puxou também, para então se afastar por um momento, abrindo o preservativo e desenrolandoo rapidamente antes de se posicionar entre as coxas dela. Ajeitando o corpo de Rachel e puxando-a para si, Alex a penetrou profundamente. Ela estremeceu com a dor, lutando contra a vontade de choramingar. Não queria arruinar o


momento. Mesmo com a dor, era o momento mais bonito de sua vida. A coisa mais excitante e selvagem que já havia acontecido com ela. Era perfeito. Se Alex percebeu, não teve nenhuma reação. E Rachel ficou feliz. Ao contrário, ele arremeteu fundo dentro dela, levando-os cada vez mais alto até que Rachel estava arfando, puxando os cabelos dele, os lençóis, qualquer coisa em que pudesse se agarrar para não voar para longe e se espatifar em um milhão de pedaços. A dor passou rapidamente, com cada arremetida levando-a mais próximo ao ponto do alívio. Mas não foi fácil. Não


foi uma jornada gentil ao topo. Foi uma viagem feita de fogo e trovoadas. O alívio quase foi arrancado dela quando chegou, repentinamente, antes que Rachel pudesse ter a chance de respirar. Ela estremeceu tomada pelo êxtase, agarrando-se aos ombros de Alex, as pernas entrelaçadas nas panturrilhas dele. Estava certa de que havia enterrado as unhas na carne dele, mas não se importava. Ela não conseguia se importar. Alex ficou imóvel acima dela, grunhindo, rouco, ao alcançar o clímax. Em seguida, saiu de dentro dela e foi até o banheiro.


Rachel se deixou ficar ali, de costas, o vestido enrolado logo abaixo dos seios e sobre os quadris, tentando recuperar o fôlego, com as mãos sobre os olhos. – Ah, bom Deus, o que foi que eu fiz? Alex voltou ao quarto sem preservativo, parecendo irritado. – Você deveria ter contado. – Contado o quê? – perguntou Rachel, sentando-se e tentando colocar o vestido no lugar. – Que você era virgem. – Ah. Bem. Eu poderia ter dito a você. É só que... – Só que o quê?


– Eu não quis. O quanto isso é estúpido? Ele andou até a cama e pegou sua mão esquerda, segurando-a no alto de modo que seu anel de noivado ficasse no mesmo nível de seus olhos. – Quem quer que tenha dado isso a você é um idiota. RACHEL VOLTOU ao presente, olhando fixamente para seu anel, como fizera naquele momento logo após a sua primeira vez com Alex. Fizeram amor pelo menos quatro vezes nas horas que se seguiram desde então. E ele disse a verdade. Realmente gostava de preliminares. Não somente


gostava, como era bom nisso. Bom de verdade. Ela colocou o anel de volta no dedo, um sorriso curvando seus lábios. Rachel se sentou vagarosamente, os músculos de seu corpo reclamando. Alex fizera com que se exercitasse um pouco mais do que estava acostumada. Aquele pensamento a fez sorrir. O que era uma bobagem, talvez, mas ela se sentia... diferente. Tonta. Viva. Meio apaixonada. Rachel fechou os olhos. Não. Não queria aquilo. Era um clichê estúpido. Nem mesmo sabia quem era o homem. Estivera nua com ele, isso era tudo.


Exceto que era fácil se lembrar de como era dançar com Alex. Da sensação de segurar em sua mão enquanto caminhava descalça pelas calçadas da cidade. Como se sentia diferente com ele. Mais viva. Feliz. Então, talvez, não fosse tão idiota por se sentir meio apaixonada. Mas era assustador. Tinha se encantado por alguém antes, e os resultados haviam sido horrorosos. Parecia ter acontecido em outra vida. Como se tivesse acontecido com outra garota. Rachel tinha mudado durante os últimos anos. De maneiras necessárias, mas que a deixaram sentindo-se como


se estivesse presa em uma pele que se tornou pequena demais. E, em algum momento da última noite, tinha mudado mais uma vez. Saiu da cama e cambaleou até o banheiro, para se olhar no espelho. Ela parecia... Seu cabelo estava um horror. Tinha quase certeza de que a marca escura em seu pescoço era um chupão. Rachel sorriu. Não devia estar gostando daquilo. Mas estava. Lidaria com a vida real depois. Jogou o cabelo para trás e voltou ao quarto, parando ao ver a carteira de Alex no chão. Rachel apanhou a carteira sem pensar. Era uma carteira cara. Couro


preto com costuras finas. Como algo que seu pai, ou Ajax, usaria. E isso era estranho porque as roupas dele eram tão usadas! Os olhos de Rachel esquadrinharam a identidade dele. Ele possuía uma carteira de habilitação americana. O que parecia estranho. Porque ele era grego, sem dúvida. Talvez seu empregador fosse americano. Tudo bem, xereta. Não é da sua conta. E não era. Não estavam trocando histórias de vida, então não era justo que ela olhasse os pertences pessoais dele.


Antes que ela pudesse fechar a carteira e colocá-la sobre a mesa, ela leu seu nome. Sem querer. Mas ela o viu, e então tudo o que pôde fazer foi olhar fixamente. Rachel conhecia o nome dele. E, por completos trinta segundos, não sabia de onde. Alexios Christofides. Ajax vivia dizendo o nome dele, seguido sempre de um resmungo, um xingamento. Alex era a pedra no sapato de Ajax havia meses. Comprando ações de seu negócio, denunciando-o à Receita Federal por sonegação, denunciando-o às agências ambientais.


Acusações falsas, mas essas coisas custavam tempo e dinheiro. Ele não era um marinheiro. E não era um desconhecido. Rachel tinha sido seduzida pelo inimigo de seu noivo. Sentiu-se retornando ao passado, a uma situação tão terrível quanto aquela. Colin, tão bravo com a recusa dela em dormir com ele, revelando quem realmente era. O que realmente queria dela. Se você não quer ceder, tudo bem. Mas tenho todas aquelas fotos interessantes de você. E um vídeo realmente curioso. Mostrando tudo o que você fez por mim. Não preciso de


sexo. Um pouco de dinheiro da imprensa será bem mais animador. Ela pensou que agora estava mais esperta. Mais protegida. Diferente. Mas era a mesma garota boba que sempre havia sido. Pior ainda porque, dessa vez, o vilão tinha sido bemsucedido em sua sedução. Ele teve mais do que sucesso. O que Rachel tinha feito com ele... o que ela o havia deixado fazer...? – Alexios? O homem na cama dela se virou e Rachel tentou não desmaiar. Tentou não vomitar. Ou sair correndo, aos gritos, do quarto.


Rachel precisava saber o que havia acontecido. Precisava saber se Alex sabia quem ela era. Claro que ele sabia. Como se ele estivesse ali por acidente! Você só pode ser uma idiota inocente até certo ponto, imbecil. – Alexios... – Rachel repetiu o nome dele e ele se sentou, com um sorriso maldoso curvando seu rosto. Quando a encarou, o sorriso desapareceu. – Rachel – disse ele, com aquela voz forte e sensual que a fazia estremecer. – Você deveria voltar para a cama. – Eu não... Não. – Ela pôs a mão na testa. – Não agora. Eu...


Os olhos dele fitaram as mãos dela. Em um instante, ele mudou. Ele afastou o cabelo escuro da testa e, por um segundo, Rachel pensou que olhava para um estranho. Um estranho nu. Então percebeu que isso era a mais pura verdade. Ela não conhecia aquele homem. De modo algum. Tinha se iludido, pensando que havia alguma coisa entre eles. Que suas almas se conectavam, ou alguma idiotice desse tipo. Mas não era nada disso. O que só a fazia ainda mais estúpida. E fraca. – Você sabe quem eu sou, não sabe?


Ele ficou parado, as cobertas caindo em torno de sua cintura, seu corpo, lindo e firme, à disposição dela. E mesmo então ele fez o coração dela pular em direção à sua garganta. Como se ele estivesse tentando escalar para que pudesse dar uma espiada na vista. – Por que você estava olhando a minha carteira? – Estava no chão. Eu a apanhei. Pensei... que era uma carteira legal para um marinheiro. E... Bem. Conte-me a verdade. – Eu sei quem você é. Imagine a minha surpresa quando você me achou antes que eu pudesse achar você. Imagine minha surpresa quando


percebi que não precisava de uma semana ou de um evento especial para seduzir você. Você foi bem mais fácil do que eu esperava. – Com que intenção? – perguntou ela, com o coração disparado, as mãos tremendo. – Por que você...? – Porque desejo o que ele tem. Tudo. E acabo de obter algo que seria muito especial para ele. Agora nós dois sabemos que eu tive você primeiro. – Seu bastardo – gritou Rachel, percorrendo o quarto atrás de suas roupas. – Você...! Este é o meu quarto. – Ela parou de recolher as próprias roupas e começou a pegar as dele. – Pegue suas roupas e saia! – Ela jogou


seu short nele, e então sua camisa. – Fora! Ele começou a se vestir. – Não sei quem você pensa que seu noivo é, mas eu sei quem ele é. – E eu sei quem você é! Um... Um... Não consigo nem pensar em uma palavra ruim o bastante para descrever o que você é. – Você e eu sabemos quem eu sou. – Você... me seduziu com a intenção de arruinar meu noivado! Pensei que tínhamos algo... Pensei... – A raiva a fez engasgar com as palavras. – Ora, ora, que mocinha inocente – zombou ele.


– Não, não sou, e eu pensei que nós dois soubéssemos disso. Por sua causa! – Por sua causa, agape – disse ele, enfiando o short e fechando o botão. – Você fez a escolha. Não fique brava comigo porque eu mostrei que você é infiel. Antes que ela pudesse pensar em uma resposta, a carteira dele voou das mãos dela, atingindo a parede logo atrás de Alex. – Fora! – berrou ela. Rachel tinha acabado de destruir seu noivado. O futuro da empresa de sua família. Tudo por sexo. Sexo com um homem que a havia usado, enganado e tentado magoar Ajax...


Ajax, que não merecia aquilo de maneira nenhuma. Que se importava com ela. E seu pai... Depois de tudo que havia feito por ela... Rachel esfregou os olhos, tentando manter as lágrimas sob controle. – Fora! Fora daqui! – disse ela. – Rachel... – Você arruinou minha vida! – gritou ela, abrindo os braços. – Pensei que você fosse diferente. Estraguei minha vida por você e foi uma mentira! – Nunca prometi nada. Você errou. Infelizmente para você. – Não ligue para Ajax, por favor. – Não preciso. Você não vai se casar com ele.


– Uma noite com você e eu vou deixar o homem com quem estou comprometida há anos? Duvido. – Apenas alguns minutos antes, ela teria deixado. Havia apenas alguns momentos. Ela teria se exposto ao escândalo, exposto sua família. Ela teria destruído tudo que passara anos reconstruindo por ele. Em que ela estava pensando? E agora... o que tinha feito? O que havia de errado com ela? Não tinha pensado, nem por um momento. Tinha sentido, apenas. Perdida em uma fantasia insana que não possuía esperança nenhuma de se tornar realidade.


Agora ela estava sentada ali, seus sonhos se desfazendo, o herói da história se transformando em vilão. – Apenas vá embora. E, por favor, não entre em contato comigo. Não me ligue, não... Não. – E por quê? – perguntou ele, os lábios se contraindo – Por que eu deveria concordar com isso? Eu consegui exatamente o que desejava. Sou um homem que faz planos cuidadosos, agape, e eu não pretendo mudá-los só porque você derramou uma lágrima. Alex atravessou o quarto, em direção à porta, e saiu. Nem mesmo olhou para ela.


Rachel foi para o chão, os joelhos cedendo completamente. E foi então que percebeu que ainda estava nua. Mas não importava. Colocar roupas não a faria se sentir menos exposta. Não a faria se sentir menos... suja. Era isto: Rachel se sentia suja. Tinha traído Ajax. Aquela era a verdade, não importava quem Alex realmente fosse. Aquela traição era como sal nas feridas dela, como haveria sal nas feridas de Ajax. Ajax... Ela teria se preparado para terminar o relacionamento se houvesse alguma chance de que...


De que Alex não fosse um bastardo mentiroso, horrível, horroroso. Mas não existia essa chance. Ele era tudo isso. E aquilo significava que Rachel tinha de voltar para casa. O casamento tinha que acontecer. A vida dela precisava seguir seu rumo. Como se aquilo não tivesse acontecido... Era por isso que Rachel evitava paixões. Era por isso que evitava fazer coisas arriscadas e malucas. Porque, quando arriscava, ela se machucava. Porque, quando confiava em alguém, tudo voltava para assombrá-la. De joelhos, o peito queimando tanto que ela mal podia respirar, Rachel se


lembrava exatamente do que a levara a se esconder. Nunca mais. Ela voltaria para Ajax, para a segurança. E, se Alex contasse a ele sobre a noite anterior, Rachel imploraria por seu perdão. Ela ergueu os olhos, secos, que queimavam como seu peito. Rachel esqueceria o desejo e o fogo que tinha descoberto na última noite. Ela esqueceria Alexios Christofides.


CAPÍTULO 3

ELE DISSERA para si mesmo que não iria ao casamento. Havia jurado isso ao embarcar em um avião em Nova York em direção à Grécia. Tinha garantido isso a si mesmo, quando se reclinou na primeira classe, aceitando mais taças de vinho do que faria normalmente durante uma viagem. Ele repetiu isso enquanto dirigia do aeroporto para a casa da família Holt,


onde sabia que o casamento estaria acontecendo. Todo mundo sabia onde o casamento seria. Era notícia nos tabloides do mundo todo. O casamento do enigmático empresário e galã Ajax Kouros com sua amada, a herdeira dos Holt. Fotos do evento iriam valer muito dinheiro, o mundo todo esperando com a respiração suspensa por informação, por um vislumbre da cerimônia. A notícia tinha sido jogada em seu rosto a cada publicação desde que ele havia deixado Corfu. Desde que havia sido expulso da cama de Rachel Holt. Rachel.


Alex não podia pensar nela sem sentir dor. Aquela pele macia, aquele sorriso. A maneira como Rachel tinha feito amor com ele, cheia de entusiasmo, com movimentos desajeitados. Bem, ela não tinha experiência, mas o havia desejado. Nunca em sua vida, Alex tinha sido desejado por alguém assim, que não fosse apenas para sexo. Em algum momento durante o curso daquela noite, ele havia se esquecido de que não era apenas Alex e que ela não era apenas Rachel. Ele tinha sido um homem que desejava uma mulher, não um homem contorcido e deformado pela vingança.


Mas a voz doce dela cortando o seu sono chamando Alexios o havia trazido de volta. E, então, tudo virou um inferno. O momento em que Rachel se deu conta de que ele era inimigo de Ajax foi um pavor. E quando ela pediu, com lágrimas nos olhos, que ele não contasse para Ajax, ele não deu o telefonema. Por que lhe obedecera era um mistério para ele. Assim como o fato de que agora estava na casa da família Holt, com um convite falsificado com perfeição. Um convite que permitiria que ele circulasse entre os poucos convidados.


Alex entregou o convite para a recepcionista. Tudo na decoração, das fitas às flores, era contido, elegante. Nada desnecessariamente rebuscado ou romântico. Como a figura da mulher que Rachel parecia ser, na mídia, mas não como a mulher que ele havia conhecido naquele dia ensolarado na Grécia. Alex estava registrando aquilo tudo; poderia ser informação útil. – Siga o caminho até o jardim. O senhor verá que as bebidas já estão sendo servidas, sr. Kyriakis. Bom pseudônimo. – Obrigado.


Ele seguiu as instruções dela e o caminho, cuidadosamente preparado, até o jardim. Havia filas de cadeiras arrumadas de frente para um altar e para o mar. Tudo puro e fresco. Muito parecido com a Rachel de quem a mídia tanto gostava. Nada como a mulher que ele havia conhecido. A mulher que Alex havia conhecido não parecia assim tão pura quando estava com ele, com as pernas enroscadas em seus quadris, a respiração quente na sua orelha enquanto gemia de prazer. Um arrepio percorreu a pele de Alex, começando em seu pescoço e descendo pelos seus braços. Ele flexionou os


dedos, tentando se livrar daquela sensação. Existiam várias opções disponíveis para um homem jovem, bem apanhado e disponível. Por que então, nesse mundo depravado de Deus, estava tão fascinado por uma noite de sexo com uma virgem? Alex não conseguia compreender. Talvez fosse mais gratificante porque ele a havia tomado de Ajax, roubado o que estava, certamente, sendo guardado como um presente para a noite de núpcias. Por que mais Ajax a teria deixado intocada? Só de pensar naquele homem, só de estar tão perto dele, Alex sentia o peito


arder. Se não houvesse, anos atrás, decidido que assassinato era um plano ruim, estaria considerando isso agora. Bem, ele não o faria. Era um bastardo, a vida o havia feito assim, mas não era totalmente um desalmado sem coração. Não era como Ajax. Não era como o pai deles. Não importava a sua posição atual, Ajax havia estado lá, assim como Alex. Um jovem que havia tirado vantagem dos excessos disponíveis. As mulheres, como a mãe de Alex, teriam feito de tudo pela próxima dose. Elas eram escravas, de qualquer modo, vivendo na pobreza e, ao mesmo


tempo, rodeadas pela opulência. Presas aos seus vícios e, no caso de sua mãe, com uma estranha fixação pelo senhor da casa. Um sentimento deturpado, que ela chamava de amor. O tipo de amor que, quando rompido, deixara a mãe dele se esvaindo em sangue no chão. Uma mancha vermelha na memória de Alex que ele nunca poderia limpar. Os anos e o sucesso não mudariam isso, não a trariam de volta. Mas, ainda assim, Ajax agora estava no topo, intacto. Com uma família, uma mulher que o amava. Ele parecia intocado. Ajax poderia fingir ser um respeitável homem de negócios, mas Alex conhecia a verdade.


Cerrou os punhos e olhou na direção da casa. Havia um pequeno grupo de pessoas entrando, liderados por uma mulher vestida de preto, o que era, claramente, o uniforme da equipe do evento. Alex caminhou na direção deles, misturando-se ao grupo. Todos estavam absortos, prestando muita atenção ao que a mulher dizia sobre o afresco na parede exterior, que havia sido removido de uma igreja antiga, blá-bláblá... Alex não prestou atenção. Ele havia passado mais noites em ruínas despedaçadas do que poderia enumerar. E era fã dos confortos modernos. Desde que o preço não fosse


viver sob o mesmo teto que um psicopata violento e sexualmente anormal. Sim, ele teria preferido as ruínas a isso, preferido a rua a isso. Preferido a fome, o frio e tudo o mais que viesse. Ele havia fugido daquela vida, de tudo que ela representava. E não iria se tornar parte dela. Alex seguiu o grupo para dentro da casa, separando-se dele assim que possível e subindo a escadaria. Ninguém o interpelou, pois ele parecia pertencer àquele lugar, um direito que havia conquistado, mesmo que apenas recentemente.


Esse era o seu mundo agora. Ele não era mais alguém que pudesse ser pisoteado pelos ricos e poderosos. Era rico e poderoso, ia aonde quisesse, fazia o que quisesse. – Eu tenho algo para entregar para a noiva – disse Alex para uma empregada que passava. – Onde eu poderia encontrá-la? – A srta. Rachel está na sua suíte. No fim do corredor logo à esquerda. Alex assentiu e continuou na direção indicada. Não queria ter vindo, mas estava feliz por tê-lo feito.


EM TODA a sua vida, Rachel nunca tinha rezado tanto para que seu período viesse. Considerava como garantidas as cólicas e as lágrimas desde os 15 anos. E sempre fora regular. Bem, agora não mais. Estava atrasada. E em pânico. Andava em círculos pelo quarto, de calcinha e sutiã, pelos últimos vinte minutos, um tampão na mesa de cabeceira bem ao lado de um teste de gravidez fechado. Nenhum dos dois havia sido usado, até aquele momento. Fazia um mês desde sua noite com Alex. Um mês que ela passara maldizendo o nome dele, deitada em sua cama, imóvel, encarando o teto,


incapaz de chorar, pois lágrimas eram um alívio que ela não se permitiria sentir. E, então, o seu período não veio. Já estava atrasada seis dias. Finalmente, respirou fundo e apanhou o teste de gravidez. Ela estava pronta para se casar com outro homem, mesmo sabendo que poderia muito bem estar grávida de Alex. Se sua suspeita se confirmasse, não poderia se casar com Ajax, de modo algum. – Vamos lá, Rachel – disse em voz alta. – Vamos descobrir a verdade. A porta do quarto de Rachel se abriu e ela se voltou, agarrando a caixa contra


o peito, em uma tentativa instintiva de se cobrir. AtĂŠ que percebeu que segurava um teste de gravidez, ocultando a caixinha branca e rosa nas costas, uma coxa se cruzando sobre a outra em uma tentativa de esconder que vestia uma calcinha muito curta. Reconhecendo quem era o intruso, ficou por um instante paralisada, aprisionada por aqueles impressionantes olhos azuis. De novo. Foi como se, de tanto pensar nele, ela o houvesse invocado. No pior momento possĂ­vel. O cabelo dele estava mais curto. Seu corpo, embrulhado em um terno sob medida, e nĂŁo naquelas roupas


desgastadas de trabalho. Era muito estranho pensar que o outro Alex fosse um disfarce, enquanto esse era o Alex real. Ah, ela o odiava. Era o dia de seu casamento e ele estava ali. E ela temia estar esperando um bebê dele. – O que, em nome de Deus, você está fazendo aqui? – perguntou Rachel. Ele pareceu tão paralisado quanto ela. – Pelo menos feche a porta – pediu Rachel, dando-se conta de que qualquer um que passasse por ali iria vê-la quase nua. Ele obedeceu, entrando no quarto. – Eu estou nua!


– Não está, não. – Nua o suficiente. – Nem perto de nua o suficiente. – Pare com isso! E o que você está fazendo aqui? – Eu estou aqui para o seu casamento, agape. – Estranho. Eu não acho que Ajax tenha convidado seu inimigo mortal para nosso casamento – disse ela, segurando com força o teste de gravidez escondido às suas costas. – Ah, devo estar na lista. Você procurou em “Inimigo” ou “Mortal”? – Eu estava procurando na letra C, de “canalha”.


– Não vou permitir que se case com ele. – O quê? – Você não sabe o que ele é. – Conheço esse homem há mais de quinze anos. – Você nem mesmo dormiu com ele. – Mas eu vou dormir. Esta noite. Alex avançou na direção dela, tomando sua cintura fina em suas mãos grandes. – Você não vai. – Eu vou, sim. Esta noite. Eu vou deixá-lo entrar em mim. Vou fazer todas aquelas coisas sujas que fiz com você!


Então, Alex se inclinou e a beijou. Como se tivesse direito de fazê-lo. Como se Rachel não tivesse um casamento marcado para acontecer em apenas algumas horas. Como se ela não o odiasse e não o quisesse. Como se a realidade não existisse. Nem Ajax. Nem vinganças dando errado. Ou palavras raivosas. Como se não existisse nada além de paixão. Fogo e calor. Rachel enroscou um braço no pescoço dele, o outro ainda atrás das costas, e abriu os lábios, permitindo que ele deslizasse a língua contra a língua dela. Ela o beijou de volta; pois, por alguma razão, quando Alex a tocava, Rachel não podia pensar em mais nada.


Porque o mês em que haviam estado separados subitamente não importava. Nada mais tinha importância. Nada além do beijo. O calor que inundava o seu corpo, sua mente, sua alma. Ela envolveu o pescoço dele com o outro braço e o acertou na orelha com a borda da caixa. Ele desviou a cabeça para trás e olhou para o lado. Rachel seguiu a linha de visão dele e congelou. Maldição! – O que é isso? – perguntou Alex se afastando, sua mão enroscando no pulso dela. – Nada. Ele arqueou uma sobrancelha. – Tente de novo.


– É um presente... para uma amiga. – Um presente para uma amiga? – Sim... Ela pediu algo que pudesse prever o futuro e eu pensei... “bola de cristal ou teste de gravidez?”. E escolhi o teste de gravidez porque ele responde especificamente “sim” ou “não” a uma questão muito específica. – Você acha que está grávida? – Neste momento? Eu acho que meu período está atrasado. O que, em circunstâncias normais, seria algo como: “Oba! Que boa hora, já que estou quase me casando!”. – Mas? – Já que dormi com o inimigo do meu noivo há um mês, acho essa


situação um pouco preocupante. E, sim, acho que estou grávida. – Vá e descubra – disse ele. – Agora. – Honestamente, Alex, por que você se importa com isso? – Eu me importo porque vou ser parte da vida dessa criança. – Não, não vai. – Você acha que eu vou deixar aquele homem chegar perto de algum filho meu? Eu sei o que acontece com crianças que chegam perto da família Kouklakis. E duvido que você saiba. – Ajax não é um Kouklakis. Ele é... – Ele usa um pseudônimo. Como você pode ser tão idiota? Ele mudou de nome.


– Eu não... – Vá fazer o teste. Sem ter como argumentar, Rachel resolveu não discutir com ele agora. Ela balançou a cabeça devagar, seguindo na direção do banheiro, enquanto Alex a observava. Um filho. Seu filho. Aquilo não era mais vingança. Nem havia sido desde o momento em que ele tomara Rachel para si. Ele a desejava. E ele a teria. Era por isso que estava ali. E porque se recusava a permitir que Ajax Kouros sequer se aproximasse de algum filho ou filha dele.


Não, Ajax não lidava com o tráfico de pessoas ou de drogas, Alex sabia disso, porque investigara o irmão, descobrindo que os negócios dele eram perfeitamente legais. Mas sangue ruim era sangue ruim. Alex sabia disso. Ele sentia isso. Ajax tinha nascido do mesmo sangue que ele e nunca iria escapar de verdade. Se ele não havia escapado, como Ajax conseguiria? Alex descartou aquele pensamento. As coisas haviam mudado para ele. Alex fez sua fortuna jogando na bolsa de valores, primeiro com o dinheiro dos outros e agora com o seu. Era um jogador por natureza, e apostar no


mundo financeiro havia sido lucrativo. Pois, como todo bom apostador, ele tinha talento. Não era apenas sorte, era pesquisa, memória. Um talento natural. Que havia lhe rendido milhões. No seu aniversário de 26 anos, apenas seis meses antes, ele havia embolsado seu primeiro bilhão. Não era mais um pobre garoto desamparado. E nunca mais o seria de novo. A porta do banheiro se abriu e Rachel surgiu, o rosto pálido, os olhos lacrimejantes. – O que foi? – Apareceram duas linhas. – Bem, e o que isso significa? – perguntou Alex, a tensão fazendo seu


coração disparar. – Significa que estou grávida. E, antes que pergunte, sim, o bebê é seu. Eu não vou mentir sobre isso. – Você não vai se casar com ele. – Você sabe que temos, assim, uns... mil convidados chegando? E uns cem repórteres? – Você tem duas opções, Rachel – disse ele, sentindo que a adrenalina que se misturava com seu sangue fazia sua mente disparar em todas as direções possíveis. – Você sai comigo, agora, sem falar com ninguém. Ou você prossegue com o casamento. Mas guarde as minhas palavras, se você fizer isso vou interromper a cerimônia e dizer para


todo mundo que você está grávida de um filho meu. Que eu a seduzi em Corfu e que você se entregou para mim em tempo recorde. Mesmo sem teste de paternidade, o seu precioso Ajax vai saber. Porque eu fui o único homem que já a possuiu. E uma data de nascimento pouco tempo depois de sua lua de mel não vai deixar dúvida. – A imprensa... – A imprensa está aqui e eles vão ouvir e relatar cada palavra que eu disser. Mas a decisão é sua. – Não é minha – disse Rachel, cruzando os braços sob os seios, ainda vestindo apenas a roupa de baixo. – Estou em uma situação impossível aqui.


Não posso voltar atrás. Não posso consertar o que fiz, não posso... – Ela fez uma pausa. – Eu poderia achar um... – Ela desviou o olhar do rosto dele, que a encarava. – Eu poderia fazer isso desaparecer. O coração de Alex se apertou. – Não. Rachel sacudiu a cabeça, seus olhos azuis se enchendo de lágrimas. – Você está certo. Eu não posso. Eu simplesmente... não posso. – Venha comigo. – E depois? – Case-se comigo.


CAPÍTULO 4

– VOCÊ

louco – disse Rachel, virando a saída do ar-condicionado para o seu rosto enquanto o carro esporte vermelho de Alex deslizava para fora da propriedade da família. Inacreditável. Ela havia feito aquilo. Estava fugindo do próprio casamento. Rachel tinha... quase nada. Umas poucas roupas, seus sapatos favoritos, o computador, o celular, uns livros. É


Mas, quando ele havia lhe dado as opções, foi como se ela enxergasse adiante, direto e claro. Poderia sair daquele quarto toda vestida de branco, a noiva virginal, e jurar fidelidade a Ajax, mesmo sabendo que carregava o bebê de outro homem. Sabendo que a imprensa iria esquartejar todos os envolvidos, se Alex marchasse para o altar atrás dela e contasse para todos os presentes o que ela havia feito. Isso era algo que Rachel sabia que não conseguiria fazer, mesmo antes da gravidez ter sido confirmada. Sabia da posição em que se encontrava. Isso lhe havia sido deixado muito claro quando seu pai lhe disse


que não iria mais protegê-la dos escândalos a que ela estava se expondo. Rachel tinha conseguido se manter perfeita aos olhos do público porque a mídia a havia colocado em um pedestal. Isso significava que qualquer sinal de escândalo detonaria um batalhão de repórteres em seu encalço para destruíla. Ninguém gosta de exemplos de perfeição, ninguém mesmo. Eles a haviam mantido no pedestal apenas para ter a chance de vê-la desmoronar. Ela havia sido poupada desse destino, seu pai a havia protegido das consequências de suas ações. E, depois de perceber a extensão do estrago que


poderia ter causado contra si mesma, Rachel tinha decidido que iria representar o papel de filha leal e boa esposa pelo resto da vida. E tudo o que havia feito tinha sido retardar o inevitável. Ela enxergava isso agora. Seria cruel quando eles descobrissem sobre a gravidez. E o modo como ela lidasse com a situação não faria diferença, terminaria como vilã. Disso estava certa. Mas não tinha coragem de permitir que o drama se desenrolasse na frente de todos os amigos de sua família, na frente da imprensa. Permitir que Alex dissesse seu texto assim, na frente de todos aqueles convidados e


jornalistas, sem nenhum controle sobre o que fosse dito, ou como. Só de pensar naquilo... parecia que a sua vida inteira, a vida que tivera tanto trabalho para construir, estava escapando por entre seus dedos. Rachel tinha se tornado A Herdeira dos Holt. Rachel Holt, ícone de estilo e queridinha da mídia, anfitriã eterna, modelo de comportamento e... ela nem sabia o que mais. Aquela noite, Alex havia libertado nela algo que Rachel não sabia que existia e agora estava pagando caro. Rachel apanhou seu celular. – Preciso, pelo menos, mandar uma mensagem de texto para Leah – disse


ela, pensando em sua irmã toda arrumada e feliz em ser sua dama de honra. Sua adorável e doce irmã, sempre tão insultada pela imprensa, mas que era uma das melhores pessoas que Rachel conhecia. Rachel se sentia péssima ao pensar em como ela e o pai iriam se preocupar. E Ajax... Rachel tinha arruinado tudo. E estava, oficialmente, à beira de um ataque de pânico. – Não mande mensagem nenhuma até que o nosso avião esteja a ponto de decolar. E por que eu sou louco? – Porque toda essa história é louca! – explodiu Rachel. – E você quer que nós


nos casemos! Eu não vou me casar com você. Mal o conheço. Além disso, não gosto de você. – Como você pode não gostar de mim se não me conhece? – Certo. Eu não o conheço muito bem. Mas não gosto do que conheço. – Você gosta do meu corpo. – Se você fosse apenas um corpo, talvez isso tivesse importância. Mas, lamentavelmente, existe uma personalidade debaixo desses músculos fortes. O que estraga tudo. – Estraga mesmo? – Você é um mentiroso. Você está determinado a destruir a vida do meu


noivo e eu nem sei o motivo. E você me usou para se vingar dele. – Então... Você teria se casado com ele? – Não. – Eu achei que não. – Aliás, por que você o odeia? Essa informação parece ser importante para o meu futuro. – Ajax Kouros é um nome inventado. Uma identidade inventada. Que inferno, a minha também, a maior parte do tempo. Christofides é inventado. Seja como for, eu nunca fui conhecido pelo sobrenome. – Como isso é possível?


– Eu era o filho de uma mulher que não conseguia se lembrar do seu nome verdadeiro. Ou, se conseguia, decidiu nunca usá-lo. Ela só se referia a si mesma como “Meli”. Mel. Eu acho que era algum tipo de duplo sentido. Nós vivíamos em um lugar cedido pelo pai de Ajax, o infame Nikola Kouklakis. Imagino que você já ouviu falar dele. – Eu vi as notícias horríveis sobre aquela rede de tráfico quando a desmontaram, alguns anos atrás... – Sim, foi chocante. Tantas pessoas, tantas vidas arruinadas. Minha mãe não era uma das raptadas, ela foi seduzida pelas drogas, pelo dinheiro, por alguma forma de amor. Nós morávamos perto


dele. Assim como Ajax. Eu me lembro de vê-lo e pensar que ele era quase uma visão, com seus ternos, os carros. Mas aprendi muito rápido a ter medo dele, porque ele era o filho do chefão. E se ele me visse causando problemas? – Alex...? Eu não... isso não pode ser. – O quê? Você acha que o persigo por brincadeira? Eu o persigo porque acho que ele não merece nada do que tem. Não enquanto tantos de nós vivemos com as feridas incuráveis causadas por sua fortuna. – Mas ele não fez nada... nada de ruim. Ele entrou na minha família quando ainda era um menino, conseguiu trabalho com o meu pai.


– Você não o conhece como eu conheço. Você acha que o conhece, Rachel, mas não o conhece. – Eu conheço. – Por que você nunca dormiu com ele? – Ele não é... muito caloroso. E eu achei que eu também não fosse, então tudo bem. Alex riu, uma risada sombria. – Eu testemunhei algumas atitudes quando garoto, com as mulheres da propriedade onde vivíamos. Pouco caloroso, com certeza, ele não é. E, conhecendo os antecedentes dele, o que acho mais preocupante de tudo é que ele não tenha tocado em você.


Talvez ele fosse apenas saborear a sua virgindade. Rachel enrubesceu. – Ele não sabia que eu era virgem. Eu tive um... um relacionamento, antes dele e eu não... obviamente eu não dormi com ele, mas eu não era casta, está bem? E eu e Ajax nunca discutimos sobre isso. Ele realmente não sabia. – Acredite em mim, agape, ele sabia. – Você não vai me manter prisioneira, vai? – perguntou ela, enrubescendo enquanto se aproximavam do aeroporto. – Se eu quisesse fazer isso, eu o teria feito em Corfu. Eu tinha você bem na palma da minha mão, agape mou.


Rachel trincou os dentes e abriu a porta do carro. Ele a seguiu e um empregado veio buscar as malas. Aquele era um tratamento para lá de especial mesmo para ela, que estava acostumada com a primeira classe. – Na verdade, Alex, não importa o que você diga, nem qual fosse o seu plano, eu tenho certeza de que era eu que tinha você na palma da minha mão. – Você me teve, mas não na palma da sua mão. Rachel fez uma careta. – Você é detestável. E agora? Para qual terminal nós estamos indo?


– Nós vamos em um avião particular. Teremos privacidade para conversar. – Por que será que eu me sinto como se estivesse na presença do grande Lobo Mau? – Por causa do meu grande... dente? – Talvez seja o seu ego. – Pode ser isso. – Eu não gosto de você. – Eu sei, mas você ainda me quer e isso realmente a incomoda. Rachel se irritou porque, diabos, era verdade. – Não mesmo. E ter um filho seu me incomoda. – Então, por que está vindo comigo?


Rachel sacudiu a cabeça e parou de andar. – Porque... porque, mesmo com a raiva que eu estou de você, isso não foi tudo culpa sua. Mesmo. Arruinei o meu futuro por conta própria. Se eu ficar, exponho a minha família a um escândalo maior. – E o modo como isso afeta a sua família é o que realmente importa para você? – Sim. Minha mãe foi a mulher mais adorável e graciosa que conheci. Meu pai é um homem decente. E a minha irmã vive na mira da imprensa. Eu não posso piorar as coisas para eles. – E você?


– Certo, eu não quero câmeras na minha cara e todas aquelas perguntas. E... Alex, você é o pai desse bebê, quer eu goste ou não. Acho que você merece uma chance. Não um casamento, veja bem, mas uma chance. – Então, o que você quer? – Conhecê-lo seria um bom começo. – Entendo que não seria no sentido bíblico. – Nesse sentido já o conheço. E isso não me levou a nenhum lugar, além da gravidez. – Se você espera que eu me sente e fale sobre os meus sentimentos, esqueça. Mas, se você quiser um pouco


de ação, você sabe, no sentido bíblico, eu... Ajax a tratava como se ela fosse uma porcelana fina que ele temia quebrar. Diferente de Alex, que parecia pensar que ela era capaz de aguentar todo tipo de tratamento grosseiro. Bruto. Rachel bufou. Alto. – O que foi? – perguntou Alex. – Você não é muito gentil comigo – disse Rachel, enquanto seguiam o carrinho que levava a bagagem. – E é interessante que você diga que Ajax seja assim tão vilão, mas ele me tratava como uma... – Freira. – ...uma princesa.


– Dentro de algum tempo, Ajax vai achar que você é uma traidora que o abandonou no altar. Rachel não podia discordar. E não podia jogar a culpa nele. Mas ela bem que desejava poder. Muito. A conversa parou quando se aproximaram de um elegante jatinho estacionado na pista. Tudo lá dentro era inacreditavelmente bonito, elegante e aveludado, do chão creme até as poltronas de couro macio. – Tem champanhe gelando – disse Alex. – Claro que você não pode beber. Faz mal para o bebê. – Você é sempre insuportável assim?


– Você é? – Não, eu nunca sou. Na verdade, eu sou extremamente agradável, o tempo todo. É somente você quem me torna... Não existe palavra forte o suficiente para expressar a raiva-barra-ansiedade que eu sinto quando você está por perto. – Atração? Rachel apertou os olhos. – Essa não é a palavra. – Então, por que você me beijou mais cedo? Subitamente esgotada, Rachel se acomodou em uma poltrona. – Você me deixa maluca. Eu faço coisas idiotas perto de você.


– Vou aceitar como um elogio. – Eu não encararia assim. Você pode ao menos me conseguir um suco de laranja? – Claro que sim – disse Alex e, apertando um botão no braço de sua poltrona, fez o pedido. – Enfim, para onde estamos indo, Alex? – De volta para a minha casa. Longe do bombardeio da mídia, que certamente vai ocorrer quando perceberem que a noiva não apareceu para o casamento do século. Aquilo realmente soou bem. Evitar a realidade só um pouco.


– Agora você pode mandar a mensagem para a sua irmã. Rachel apanhou seu celular, seus dedos pairando sobre as letras na tela. O que você diz quando faz uma coisa dessas? – A propósito, por que você não está mandando uma mensagem para Ajax? – Porque prefiro ser coberta de mel e jogada em um formigueiro. Quanto menos dissesse, melhor. Eu não posso me casar. Precisei partir com Alex. Desculpe-me. Diga a Ajax que sinto muito.


Ela inspirou profundamente, então apertou a tecla de enviar. – Pronto. – O que você disse, exatamente? – Que eu não vou me casar. Nada mais. Bem, eu mencionei você, seu primeiro nome. – Veremos quanto tempo leva para Ajax mandar um assassino contratado atrás de mim. – Na verdade... Estou curiosa. – Sobre...? – Por que você não interrompeu o casamento? Por que não ligou para Ajax e se vangloriou? Por que não pendurou o lençol com o meu sangue virginal na


sua janela, como um saqueador ou coisa parecida? – Você me chutou para fora do quarto, não tive tempo de pegar o lençol. – Alex, estou falando sério – disse Rachel. – Já lhe ocorreu que talvez as coisas tenham mudado porque foi você quem me descobriu? – perguntou ele. – Eu... não... Eu não havia pensado nisso. Mas... é verdade. Fui eu quem achou você. – Estranho, não acha? – Talvez. – Eu estava lá por você. Não vou mentir sobre isso. Estava lá para


encontrá-la e seduzi-la com minha fortuna. Queria tomar você de Ajax publicamente. – E depois, o que iria acontecer comigo? Alex deu de ombros. – Isso não era meu problema. Mas, em vez disso, você me achou no cais depois de eu ter acabado de chegar a Corfu. Quais eram as chances de isso acontecer? Mas quando entrei na sua casa hoje... não tinha a ver com vingança. Eu estava lá por sua causa. Os olhos deles se encontraram, eletricidade faiscando entre eles, o coração dela martelando tão forte que ela achou que fosse desmaiar.


O celular de Rachel tocou. Uma mensagem da Leah. Quem é Alex? Alguém que eu conheça? Bem, por que mentir? A imprensa iria vê-la com Alex. Ela teria de explicar, eventualmente, que estava grávida. E quem era o pai. Era melhor que jogasse a bomba por etapas. Rachel digitou: Vocês não o conhecem. Alex Christofides. Desculpem-me. Aquilo era mentira. Leah não o conhecia, mas Ajax sim. E, do modo


que ela havia escrito, fazia parecer que não sabia quem ele era. O que também era mentira. Rachel estava tomada na defensiva, mas... bem. Por que não estaria? Alex. Ele parecia bem calmo. – Por que você não se defendeu? – perguntou ela. – Por que não mentiu? – Porque eu não conseguia pensar – respondeu ele. Era difícil para Alex admitir aquilo, mas era verdade. Não tinha sido capaz de pensar em uma mentira com Rachel encarando-o como se ele a tivesse esfaqueado no peito. Porque, de alguma maneira, durante o correr do


dia deles juntos, a sua sedução havia sido genuína. Ele a desejava. Tinha sido fácil esquecer quem ela era, a quem pertencia. Alex não olhou para ela e viu a noiva do Ajax Kouros. Ele só via Rachel. Tão delicada e elegante, mas também tão apaixonada, tão pronta a se entregar. Ele a havia enxergado. E a havia desejado com cada pedaço de seu corpo. E então ele a tinha possuído. E, quando Rachel o confrontou, não foi capaz de dizer nada além da verdade, porque havia se desviado tanto do seu plano que não tinha ideia de como


voltar para ele. Devia ter mentido. Tentado seduzi-la novamente. Deveria ter se mantido no plano original. Mas não tinha feito isso e era tarde demais para voltar atrás. Seria obrigado a deixá-la ir se fosse isso que Rachel quisesse. Mas agora as coisas eram diferentes. Ela estava grávida e isso significava que ele tinha de mantê-la junto de si. Alex ignorou o murro no peito que o atingira frente à ideia de permitir que ela se casasse com Ajax, grávida ou não. É claro que, se Rachel tivesse querido, ele não a teria impedido. Ele a deixaria ir.


Sua incapacidade de abrir mão dela deixava claro que a considerava especial. Mas Alex não tinha tempo para sentimentos. Em sua vida, arranjara tempo para duas coisas: ganhar dinheiro e planejar sua vingança. Tudo o mais não passava de distração, coisa que ele não se permitia ter. Claro que agora haveria uma criança, e ele teria de abrir espaço para uma terceira causa em sua vida. Porque ele morreria antes que um filho seu fosse criado por um estranho. Seu filho jamais ficaria longe de seus olhos.


Alex conhecia todas as maldades do mundo e, se houvesse qualquer modo de proteger seu bebĂŞ disso, ele o faria. Como se sua prĂłpria vida dependesse disso.


CAPÍTULO 5

A ILHA de Alex era bonita. Ele jamais se cansaria dali, do fato de ela ser sua, do fato de saber que possuía um lugar em que tinha controle de tudo. Na propriedade onde crescera, tudo pertencia a todos. Talvez fosse um conceito muito generoso. Melhor dizer que tudo era disputado. Havia uma classe inferior composta de mulheres, de seguranças. E os seguranças tinham


armas, o que colocava as mulheres abaixo deles. E abaixo delas... Os filhos dessas mulheres. Muitos tinham sido doados pelas mães. Vendidos, ele agora compreendia, por drogas. Alex tinha passado muitos anos perplexo, grato por sua mãe não ter feito isso com ele. Por ela dar algum valor a ele. E por ter se mantido seguro. Aquilo lhe parecia um milagre. Mas então descobriu a verdade. E a verdade não tinha sido um mar de rosas e amor materno. Não, a verdade havia sido um veneno.


Alex era o monstro que sempre havia desprezado. Uma ferramenta que mantinha sua mãe perto de seu maior vício. Não a heroína, mas Nikola Kouklakis. O velho homem a havia, é claro, mantido lá, já que era a mãe do seu filho. Mas Alex descobrira a verdade e, quando sua mãe deixou de ser útil, tudo desabou. Alex, então, fugiu e nunca olhou para trás. Quando finalmente parou, depois de ganhar algum dinheiro com jogo e aquela ilha, conheceu pessoas com quem forjou conexões comerciais e aprendeu sobre a bolsa de valores. Quando finalmente atingiu o topo do


sucesso, olhou para trás pela primeira vez. Olhou para seu passado, encarando toda a dor, toda a injustiça. E, então, voltou seus olhos para o homem que havia passado ileso por aquilo tudo. Limpo, respeitado e impecável. Rico como um Deus e com uma bela mulher pendurada em seus braços. E soube que o próximo compromisso em sua agenda seria fazer com que Ajax Kouros aprendesse o que era desamparo. Fazer com que ele conhecesse o medo. Fazer com que soubesse como era perder as coisas que amava. E, mesmo que ainda não houvesse destruído os negócios do irmão, ainda


que não por falta de tentativa, a noiva de Ajax agora era sua. E, apesar de não estar usando Rachel como instrumento de vingança no momento, aquele pensamento quase o deixou alegre. – Onde estamos? – perguntou Rachel enquanto o avião aterrissava, e uma praia de areia branca e mar cor de turquesa surgiam em seu campo de visão. – Em uma ilha na Turquia. Eu a chamo... – E então se lembrou de que mais cedo tinha dito o nome de sua mãe para Rachel. Aquilo o fez se sentir exposto. Ele se odiava por ainda amar uma mulher que havia preferido terminar com a própria vida a passar


seus dias com ele. – Eu a chamo de Refúgio de Meli... E, antes que você pergunte, não, minha mãe nunca a conheceu. Ela... morreu logo antes de eu partir. Mas se ela não tivesse... era para cá que eu a teria trazido. Para que pudesse descansar finalmente. Mas ela está descansando agora, imagino. – Lamento muito. A minha mãe também morreu. É difícil. Difícil mesmo. – A vida é dura – disse Alex, dando de ombros. – E isso é tudo? – Desculpe-me. A vida é dura e depois você morre. Assim é melhor? Rachel balançou a cabeça.


– Não propriamente. Você não está exatamente aproveitando a viagem, está? – Aproveitar a viagem é para outro tipo de pessoa, com outro tipo de vida. Alguém como você, agape. – Bem, eu não vou negar que tenho uma família ótima. Que fui abençoada com muitas coisas boas. E sim, eu estou aproveitando a viagem. – Você teria gostado de passar o resto da sua viagem com Ajax? – Claro que teria gostado. Eu gosto dele. – Mas você não o ama. – Por que as pessoas são tão obcecadas com o amor? – Alana tinha


tentado convencê-la a desistir do casamento na última hora citando o amor como razão principal. – Eu gosto dele. Eu o amo, de algum modo. Certamente não é aquele amor do tipo devastador, mas... – Mas você não está soluçando de saudade... – Eu estou cheia de problemas. Acabo de descobrir que estou grávida. – Ela parou e respirou fundo. – Grávida. Ah... Eu não posso nem pensar nisso direito. E acabo de fugir da minha cerimônia de casamento. E estou na Turquia. Com você. – Se isso serve de consolo, também me sinto... atropelado. É assim que você


se sente? – Atropelada por um trem, sim. – Isso não precisa ser difícil. – Alex estava quase propondo casamento de novo. Sim, Rachel tinha descartado a sua proposta da primeira vez, mas estava em choque. Iria mudar de ideia, disso ele estava certo. – Como é que isso pode ser fácil? – perguntou Rachel, enquanto a porta do avião se abria e uma lufada de ar quente enchia a cabine. – Ora, talvez... seja fácil e difícil ao mesmo tempo, quem sabe? – Talvez. – Você não parece convencida.


– Eu não estou – disse Rachel, saindo do avião e descendo a escada. Alex a seguiu, os olhos nas curvas dela, no modo com que sua calça capri branca envolvia seu corpo com delicadeza. Ele ainda era um homem, afinal de contas. E ela ainda era uma tentação. E isso não tinha nada a ver com o quão provocativas suas roupas eram. Não era isso, de verdade. Ela exalava classe. Um tipo de elegância rara, a que um homem como ele era raramente exposto. Alex se mexeu e tentou aliviar a pressão causada pela sua crescente excitação. Nada funcionou.


– Existem umas ruínas incríveis nessa ilha. Coloniais e otomanas – disse Alex, tentando retomar a conversa. – Acabo de chegar da Grécia. Temos muitas ruínas lá. Você mora em uma ruína? Ou tem uma casa de verdade? – Tenho uma casa, mas algumas pessoas diriam que eu vivo em ruínas. Você gostaria de caminhar até a minha casa ou prefere o carro? – Você está de smoking. Inadequado para caminhadas. – Tem razão. Estou um pouco desorientado. Ainda estou no fuso horário de Nova York. – Você veio de Nova York? – Sim.


– Por quê? – Vim atrás de você. – Por que você veio atrás de mim? – Eu não sei. Porque eu não quero que ele tenha você, porque quero você para mim, porque acho você bonita e porque a partir de agora você é a única mulher que posso imaginar na minha cama. E, considerando que eu gostaria de fazer sexo em um futuro próximo, seria inconveniente se você se casasse com outro homem. – Isso é quase um elogio. – Quase. Vamos caminhar – disse ele, tirando a jaqueta e enrolando as mangas da camisa. – Pode ser que


ajude a amenizar a troca de fuso horário. – Mostre o caminho, então. Ele a guiou por uma trilha que os levou para perto da praia. – O que você faz em Nova York? – perguntou Rachel. – Eu aposto o dinheiro dos outros. – O quê? – Eu lido com investimentos – respondeu ele. – E sou muito bom nisso. – Não é um ramo um pouco instável? – Pode ser. Mas tenho me saído bem. – Claro que sim, você tem até uma ilha. – Eu a ganhei.


– Você a ganhou? – Em um jogo de cartas. Foi uma das experiências mais interessantes com apostas na minha vida. Sim, no começo de minha vida profissional, eu era literalmente um jogador. Contar cartas é uma capacidade particularmente útil. Acontece que tenho esse talento. Eu era um garoto, vivendo nas ruas, fazendo truques com cartas para os turistas, e um sujeito rico se ofereceu para financiar minha jogatina nos cassinos com o dinheiro dele, por uma comissão. Eu concordei, naturalmente. – Naturalmente – disse Rachel. – Ganhei muito dinheiro. Aluguei um apartamento. Comecei oferecendo


um serviço clandestino. Até que tive dinheiro suficiente para apostar por mim mesmo uma vez por semana. – E? – Acabei em um jogo de peixes grandes. Você não acreditaria nas apostas sobre aquela mesa, incluindo uma noite com a mulher de um deles, o que eu recusei, a propósito. Mas a ilha... eu peguei a ilha. – Você tem mesmo 26 anos, Alex? – Sim. E eu tinha 18 nessa época. A partir daí, percebi que era melhor decidir o que fazer com o dinheiro que havia ganhado. Então, larguei o cassino e comecei a procurar investimentos. E, quando vi que tinha jeito para


administrar dinheiro, por que não fazer aquilo para os outros? – Um homem que se fez sozinho na via. Ele riu. – Nenhum de nós se faz sozinho, Rachel. Nós somos feitos com a ajuda uns dos outros, para o bem e para o mau. As pessoas para quem ganho dinheiro são ajudadas por mim, assim como eu o sou por elas. Você é quem é com a ajuda de seu pai, da mídia... E agora você teria Ajax para ajudá-la, não estou certo? – Não penso nisso desse modo. – Não?


– Eu não sei. Ele é um amigo. E... não sei por que achei que poderia me casar com ele. Pensei que afeição bastasse. – Só porque você nunca teve uma paixão. – Não seja tão presunçoso. Existe alguma conquista mais fácil do que uma mulher ainda virgem na minha idade? – Eu não era inexperiente e, ainda assim, senti a eletricidade entre nós. – Mesmo? – Sim. – E o que significa não ser inexperiente? – Ciúme, Rachel? Eu achei que você não gostasse de mim.


– Não estou com ciúme. Estou curiosa. – Você está dizendo que eu sou especial? – Está bem, Alex, conte-me, houve alguma mulher desde que esteve comigo? – Não. – Ela pareceu triunfante quando ele admitiu aquilo. Essa coisa de honestidade, no que dizia respeito à Rachel, precisava acabar. A casa de Alex tornou-se visível. Ele a construíra quando ganhara a ilha. Queria uma casa moderna, angulosa, de frente para o mar. Não havia excessos dourados, nem opulência.


– Sem dúvida, é muito diferente – disse Rachel. – É mesmo? – Muito… minimalista. – Tive o suficiente de tapetes persas e entalhes para uma vida inteira. E você? Que tipo de arquitetura prefere? – Eu não sei. – Você não sabe em que tipo de casa quer viver um dia? – Eu tive um apartamento. Em Nova York. – Rachel gostava muito do seu apartamento, mas tinha desistido dele antes do casamento, naturalmente. Não era um lugar para receber convidados. Era um lugar só para ela. Abrir mão dele tinha sido difícil.


– Se você fosse construir uma casa, como ela seria? – Eu não sei, está bem? Nunca pensei sobre isso, mas que importância tem esse assunto? Eu ia ter uma casa bonita com Ajax e agora posso terminar na rua porque acabo de abandonar um acordo que era essencial para meu pai e para Ajax. – De repente, os punhos dela se apertaram. – Você sabia disso! – disse Rachel. – Você sabia que quem se casar primeiro fica com a empresa do meu pai. É isso que você quer. Não sou eu, nem machucar Ajax tirando a minha virgindade. Você estava tentando me fazer casar com você para tomar o negócio da minha família.


– Rachel... – Você... – Se eu quisesse isso, se essa fosse a rota que eu tivesse decido tomar, teria enrolado você em Corfu quando viu a minha identidade. Mas eu não fiz nada, eu a deixei ir embora. – E então você voltou. Você ia fazer algum tipo de declaração de amor e tentar me atrair para longe do casamento e me levar para... Las Vegas ou coisa assim? A coisa mais perturbadora sobre essa possibilidade era o fato de que talvez tivesse funcionado. Que, se Rachel não tivesse sabido que estava grávida, se Alex aparecesse e a beijasse e dissesse


que não havia conseguido parar de pensar nela no último mês, que a amava, ela provavelmente teria largado tudo e fugido com ele. Porque Rachel tinha sentimentos por ele. Sentimentos que não conseguia entender totalmente, nem mesmo lidar, mas eram definitivamente sentimentos. Estúpidos, estúpidos sentimentos. Sentimentos que deveriam ser absolutamente sufocados por aquela revelação mais recente. – Eu não entendo. Mesmo que o passado que você diz que têm em comum... mesmo que isso seja verdade, não sei por que você iria querer destruílo tão desesperadamente.


– Claro que você não entende – disse Alex, tomando a frente da caminhada, seguindo na direção da casa. – Porque você vive em um mundo de sonhos, querida. Desconhece como o mundo funciona. E devia ser grata por isso.


CAPÍTULO 6

RACHEL

deitou sobre o edredom branco de penas e olhou fixamente para o teto. Se não fosse tão covarde, pediria para Alex levá-la para casa. Se não tivesse tanto medo de não ter mais uma casa para onde voltar. E se ainda a tivesse a casa estaria cheia de repórteres prontos para cavar a vergonhosa razão pela qual ela havia abandonado Ajax no altar. E o pior é SE


que havia mesmo uma razão e vergonhosa. Se o fato de a noiva estar grávida de outro homem não fosse uma ótima manchete escandalosa, Rachel realmente não sabia o que mais o seria. O casamento do século da alta sociedade revelou-se uma farsa bem rápido, e a imprensa iria adorar aquilo. Alguém bateu à porta. Não era Alex, pois ele não teria batido, e era uma batida suave, a mão de uma mulher, Rachel tinha quase certeza. – Sim? A porta se abriu e uma mulher pequena e de cabelos escuros entrou. – O sr. Alex pediu que se encontre com ele para o jantar lá fora no terraço.


– Ah, agora ele me pede as coisas? – Sim. – A mulher pareceu não perceber a irritação de Rachel ou, pelo menos, não alterou sua expressão. – Quando ele me espera? – Em dez minutos, senhorita. – Diga que eu vou levar o dobro desse tempo, porque preciso me arrumar para o jantar. A mulher assentiu e se retirou. Rachel se sentia como uma bruxa. Uma bruxa malvada e suada. Ela ainda estava quente em função da caminhada e de péssimo humor. Uma chuveirada rápida fez maravilhas afastando o calor, mas a irritação ainda parecia estar


borbulhando sob a superfície, até mesmo quando se enfiou em um simples e esvoaçante vestido preto e um par de sapatos de salto alto. Rachel fechou um cordão de pérolas em volta do pescoço e examinou sua imagem no espelho. Seu cabelo estava arrumado. A maquiagem também estava boa. Ela parecia normal. Como a Rachel a que estava acostumada a ver no espelho todo dia. O que era muito estranho, pois não se sentia como a Rachel normal. Ao menos desde que havia posto os olhos no estúpido Alexios Christofides. Ela soltou um suspiro áspero e saiu do seu quarto, para achar a criada


parada ali, esperando por ela. – Vou levá-la até o sr. Alex. – Obrigada – disse Rachel, ainda que no fundo achasse que ele havia mandado uma acompanhante para ter certeza de que não iria subornar seu piloto para tirá-la da ilha. Foi então que Rachel percebeu o quanto estava presa. A cada passo no piso de mármore branco em direção ao terraço, sentia uma corda em volta do pescoço, as pérolas subitamente parecendo pesadas, como se a estivessem enforcando. Abriu o colar enquanto andava, segurando-o junto do corpo.


– A srta. Rachel – disse a criada, anunciando Rachel como se ela fosse algum tipo de duquesa. Alex se levantou e o coração dela se encolheu. Não importava com quanta raiva estivesse, ele nunca falhava em deixá-la totalmente sem fala. A pele dele parecia ser de um bronze profundo. Ele parecia tão natural. Tão ridiculamente sexy. Não era justo que o corpo dela fosse atraído para um homem como aquele. Um homem que a havia enganado, usado e que estava, basicamente, mantendo-a cativa naquela ilha. O que, diabos, estava errado com ela? Estava se punindo por pecados passados? Ou


havia algo que a atraísse para homens que quisessem... usá-la? – Rachel, você conseguiu descansar? – perguntou ele, assim que se sentaram. – Passei a última hora calada, na privacidade do meu quarto, desesperando-me com o futuro. – Eu imagino que isso seja justificado. Mas lembre-se de que propus casamento a você. Não para tomar de Ajax a empresa do seu pai, mas pelo bem do bebê. – Certo. Mas, por favor, saiba que não vou me casar com você. Nem pelo bebê nem por coisa alguma. Não vou permitir que você atinja Ajax ou minha família dessa maneira. E, se você for


atrás da minha irmã, serei forçada a remover sua masculinidade com um canivete. E não pense que eu não faria isso. Posso ter sido mimada desde o berço, mas sou de Nova York, e nós não brincamos por lá. – Não tenho a intenção de seduzir a sua irmã. Meus planos e prioridades mudaram. Minha lealdade é para com o bebê, e não com minha vingança. – Bem, a gravidez está no começo e as coisas podem dar errado, então casamento está fora de questão. – Para você talvez esteja, mas não para mim. Vou continuar insistindo nesse ponto.


– Você sabe que é insuportável, não sabe? – Sim, eu sei – respondeu Alex, parecendo divertido. – E eu sou uma idiota. Não consigo acreditar que caí na sua conversa fiada, encantada por seus olhos azuis e cabelo cacheado. – Você vai escrever um soneto para mim? – Devo compará-lo com o traseiro de um cavalo? – Genial – comentou Alex, dando um gole em seu vinho. – Preciso perguntar, Alex, porque não faz muito sentido para mim. Por


que um sujeito como você se incomoda com um bebê? – Eu não quero um bebê. Quero o meu bebê, e isso é uma coisa inteiramente diferente. Quero o meu filho perto de mim porque sei como é o mundo. Porque sei como é crescer sem um pai. Sei o que é olhar para as árvores fazendo sombras na parede, e não simplesmente se perguntar que tipo de coisas terríveis um bicho-papão pode fazer, mas saber com toda certeza cada coisa horrível que pode acontecer. Meu filho nunca vai conhecer esses medos. Enquanto eu estiver presente, ele nunca vai se preocupar.


– Isso é muito correto da sua parte, Alex. – É decência humana básica. Todos os pais deviam querer estar presentes na vida de seus filhos. E você, Rachel? Os seus pais estavam lá para você? – Sim. Sempre. Meu pai sempre esteve envolvido na minha vida e na da minha irmã, e quando Ajax apareceu... Ele amou Ajax como um filho, desde o começo. E minha mãe também o amava. – Você disse que a sua mãe morreu? – Há alguns anos. Ela estava doente. Essa é a razão pela qual eu não fui para a faculdade. Mamãe não era a pessoa


mais fácil do mundo e eu precisava ajudar a cuidar dela. – E sobre seu relacionamento com Ajax? Por que você o enrolou tanto tempo sem se casar? – Agora consigo entender por que eu disse que gostaria de viver um pouco antes de me casar porque, na verdade, eu não sentia nada por ele. Saí com outros homens, mas não tive relacionamentos sérios com eles porque, mesmo sabendo que Ajax não havia exigido exclusividade de mim, aquilo me pareceria errado. Então, Ajax fez o pedido oficial e nós ficamos noivos. Mas agora tudo mudou.


– Bem, nem tudo. Você não está casada. – Nem pretendo. – Porque você não confia em mim, não é? – Meu pai prometeu a propriedade da Holt para a filha que se casar primeiro e para o homem com quem ela se casar. Ele não vai voltar atrás em uma promessa. – Animador – disse Alex, com um brilho escuro nos seus olhos azuis. – Sim, bem, você não vai chegar a se beneficiar com isso. Desculpe. – Que pena. – Estou exausta – disse Rachel, se levantando. – Eu acho que esse jantar


não foi a melhor ideia. Eu vou para o meu quarto. – Certo. Devo mandar tirar o seu prato? – Sim. E peça para levarem uns biscoitos para o meu quarto. E café descafeinado. Não quero comer nada saudável. – Você é uma rebelde, Rachel Holt. Como foi que os jornais acreditaram em sua versão boazinha? – Cale a boca, Alex – disse ela, enquanto se afastava. Rachel precisava de alguma coisa. Ela precisava de... biscoitos. E abrir uma janela para poder respirar. Assim que


entrou em seu quarto, afastou as cortinas e escancarou as janelas. Respirou fundo, engolindo o ar como se fosse água. E fechou os olhos, esperando as lágrimas, desesperada por uma rachadura nos alicerces que havia construído. Nada aconteceu. Droga de Alex! Ela estava com tanta raiva dele, tão ferida por tudo o que ele tinha feito. E mesmo assim ansiava por aqueles momentos de alívio, aqueles momentos em que se sentia como se estivesse em casa, sentimento que só alcançava quando estava com ele. Bem, era uma pena. Ela nunca iria voltar para os braços dele, nunca mais.


Nesse caso, Rachel precisava lidar com isso. Ei, ele acaba de se casar comigo. Rachel leu e releu a mensagem da irmã, seu corpo dormente. Leah tinha se casado com Ajax? Quando começou a trocar mensagens com Leah naquela manhã, não havia esperado por isso. Abriu seu computador e leu em um site de notícias: Ajax Kouros se casa com noiva substituta. Ah, meu Deus...


Rachel pegou o celular e digitou: Jesus! Acabei de ler sobre isso na internet! Você está feliz? Você não amava o Ajax, amava? Não desse jeito. Não era do tipo de amor necessário para um casamento de sucesso. Você me entende? Apertou a tecla “Enviar”, sabendo que aquela era uma mentira por omissão, em muitos sentidos. Porque sabia que, apesar de tudo, teria se casado com Ajax se não fosse pelo bebê.


Você ama o Alex? A mensagem da irmã a acertou direto no peito, porque a transportava de volta para a primeira noite deles. Para aquelas sensações tão diferentes de tudo que ela já tinha experimentado. Eu preciso estar com o Alex. Rachel digitou essa mensagem, mas não enviou imediatamente. Era a verdade. Mas ela ainda precisava descobrir como iam fazer o relacionamento funcionar. Passaria metade da noite acordada, navegando na internet, comendo biscoitos e basicamente tentando


descobrir o que tinha dado errado com o mundo dela e como iria resolver tudo. De uma coisa tinha certeza: precisava dar uma chance a Alex de estar na vida do filho. Mas isso era tudo que ela sabia no momento. Terminou a conversa com Leah e atirou o celular sobre a cama. E então se deu conta de que sua linha de defesa já era. A empresa do pai estava fora do alcance de Alex, porque a irmã estava casada. Ah, esperava que Leah fosse feliz; ela sempre tinha gostado de Ajax. Eles sempre se davam bem, mas nunca ocorreu a Rachel que sua irmã quisesse se casar com ele.


Alguém bateu à porta do quarto e, dessa vez, Rachel soube que era Alex. Ora, ele batia antes de entrar! Aquela era uma sutileza social que ela não imaginara que ele dominasse. – Pode entrar – disse ela, se aprumando. Alex entrou com passos largos, como sempre, sua presença impressionante ocupando o espaço. – Eles se casaram – disse ele. – Eu vi. – Você está bem? – Eu estou... bem. Preocupada com Leah. Eu não queria que ela... se casasse com alguém que não ama, só por minha causa.


– O mundo todo não gira em torno de você, sabia? – Sim, eu sei. O que eu quero nunca parece ser tão importante. – Você está arrependida de não ter se casado com ele? – Se eu estou arrependida de não estar presa em um casamento sem amor com Ajax? – Você podia estar presa em um comigo. Talvez isso desviasse sua atenção do destino de sua irmã. – Boa tentativa, mas eu estraguei tudo. Quando a imprensa descobrir... Bem, quando a imprensa descobrir que eu não sou a princesinha que todos achavam... Meu pai deve estar tão


desapontado! Leah precisou se casar com alguém que não ama por minha culpa. Eu baguncei tudo. Estou arruinada. Completamente arruinada. E não posso voltar atrás. Não adianta tentar legitimar minha atitude me casando com o pai do meu bebê. Meu pai não pode pagar alguém e fazer isso tudo desaparecer. – Nesse caso você está pronta para encarar a imprensa, então? – Eu absolutamente não estou. Mas quero que você saiba que, grávida ou não, imprensa ou não, se você tivesse aparecido ou não... Eu não me casaria com Ajax.


– É mesmo? – perguntou com a voz áspera. – Sim. Eu não posso... eu... eu não posso. Mas isso não me faz corajosa. Eu ainda estaria me escondendo, sem o bebê. Eu sou uma covarde e sinto que também sou fraca, que preciso me esconder por um tempo e entender... o que tudo isso significa. E também ver como a gravidez se desenvolve. – Você tem alguma razão para achar que é possível que perca o bebê? – perguntou Alex. Ele parecia perturbado por essa ideia, o que era estranhamente tocante. Era fácil achar que ele estava se envolvendo e fazendo a coisa certa por causa da sua experiência passada, mas


ele quase parecia querer o bebê. Quase parecia como se fosse ficar triste se isso não acontecesse. E Rachel se sentiu um pouquinho chocada pela descoberta de que também ficaria triste se algo acontecesse. Desejava aquele bebê e não importavam as circunstâncias. – Não. Nenhuma razão além das estatísticas. Eu quero dizer... isso acontece, não acontece? – Imagino que sim. Mas não me parece muito certo se planejar para isso. – Eu não estou planejando. Estou apenas sendo precavida. – Preciso voltar para Nova York. Tenho uma semana de trabalho pela


frente. Há reuniões marcadas com vários clientes e isso tem de ser feito pessoalmente. – Por que você não pode ligar para eles pelo Skype ou algo assim? Alex se apoiou contra o batente, braços cruzados sobre o peito largo. – Eu ainda sou relativamente novo na cidade. O que significa que algumas vezes eu preciso jogar pelas regras dos outros. – Você deve odiar isso. Ele deu aquele terrível sorriso sedutor. – Detesto regras. Mas você precisa jogar o jogo. E o jogo tem sido bom para mim até agora. Foi como ganhei


dinheiro. O jogo fez de um garoto sem nenhuma perspectiva um bilionário. – Bem, divirta-se em Nova York – disse Rachel. Ela não queria sondar mais fundo, não queria descobrir mais sobre ele, não queria que Alex parecesse tão humano. – Você não vem comigo? – Ora, é um convite? – Claro. Você prefere ficar aqui? Por mais estranho que fosse, era o que Rachel desejava. Ela devia ir para casa e enfrentar as consequências de seus atos. A raiva de seu pai. Tudo. Mas não estava pronta ainda. Não estava pronta para revelar que ela e Alex tinham... um relacionamento? Ou fosse


o que fosse que eles tivessem. Quando contasse para a família que estava grávida, teria de confessar sobre sua pequena indiscrição. Ainda não estava pronta para expor aquela parte de si mesma, uma parte que havia acabado de descobrir, que Alex tinha descoberto. Rachel não havia sequer entendido que era capaz de ser levada por uma maré de desejo. E ela não estava realmente pronta para deixar qualquer outra pessoa saber dessa revelação. – Sim. – Sozinha? – perguntou Alex. – Parece ideal, realmente. Alex se aprumou.


– Bem, então, sinta-se à vontade. – Pode deixar. – Vejo você na próxima semana. Rachel assentiu. – Está bem, na próxima semana. – E então... Então, vamos decidir o que fazer. Ela assentiu novamente, segurando um gemido. Não estava pronta para decidir nada. – Sem garantias. – As pessoas não me dizem “não”, Rachel, devo avisá-la. – Engraçado, eu lhe disse “não” várias vezes. – Certo. Mas, antes de dizer “não”, você disse “sim”. Enfaticamente. Tenho


certeza de que consigo repetir essa faรงanha.


CAPÍTULO 7

ALEX ESTAVA tão cansado que queria se deitar e não levantar por três dias. Mas não queria ficar deitado sozinho. Queria se deitar ao lado de Rachel, puxar o corpo sinuoso dela contra o seu e apenas abraçá-la enquanto dormia. Aquilo era provavelmente apenas a diferença de fuso horário falando, mas, ah, meu Deus!


Era de manhã na ilha, tarde da noite em Nova York. O que ele precisava fazer era tomar um café expresso e aguentar firme. Ele era jovem, e muita gente da sua idade passava a noite na farra e trabalhava no dia seguinte. Mas, por alguma razão, metade do tempo ele se sentia velho. Talvez fosse o esforço para ser um homem de negócios respeitado mesmo sabendo que aquilo não estava geneticamente programado nele. Ele talvez estivesse melhor vendendo o próprio corpo por dinheiro ou vendendo outras pessoas para gerar lucro.


Alex cortou aquela linha de pensamento e caminhou para dentro da casa. Ele podia ouvir uma cantoria vindo da cozinha. Era desafinado e horroroso. Resmungos dolorosos sobre alguém que desejava fazer alguém se sentir querido. Alex seguiu o barulho como um rastro de farelos de pão. E, no fim da trilha, estava uma loura com o cabelo amontoado alto na cabeça em um coque desleixado, dançando pela cozinha usando um short curto de pijama, com uma caneca vazia na mão. – Bom dia – disse Alex. – O café está pronto?


Assustada, ela ficou paralisada, seus braços bem abertos. – Jesus! – Desculpe interromper. – Você me assustou. Eu não sabia quando ia voltar. – Eu mandei uma mensagem. – Era assim que tinham mantido contato na semana anterior: Alex enviava uma mensagem ocasional só para se certificar de que ela estava bem. Algumas vezes Rachel até respondia sem insultá-lo. – Ainda não chequei meu celular. – Eu estou muito desapontado por você não esperar meu contato com a respiração suspensa.


– Desculpe. – Rachel se dirigiu para a cafeteira e começou a encher a caneca vazia. – Obrigado – agradeceu Alex. – É para mim. Alex disparou contra ela o seu olhar mais mortal e foi até o armário buscar sua própria caneca para, então, servir-se de café. – Acho que você não compreende o quanto preciso de cafeína. – Bem, eu deveria reduzir a cafeína, mas parece que eu não consigo me livrar da necessidade de uma xícara de manhã. Mas o médico disse que isso não era problema. – Médico?


– Sim, eu consegui marcar uma consulta secreta enquanto você estava ausente. Alex se apoiou na bancada. – E? – Ligeiramente grávida, como imaginamos. – E? – É muito cedo. Sem necessidade de ultrassom nem nada assim. – Mas está tudo bem. E você pode tomar café. Rachel enrolou os dedos feito garras em volta da caneca, seus olhos brilhando malignamente. – Eu posso tomar um café.


– Está bem. Foi só uma pergunta; não me bata nem nada assim. Rachel suspirou. – Você acabou de suspirar de desgosto por minha causa? – Suspirar seria dramático demais. Foi um pré-suspiro. Um aviso. Alex a examinou, de pijama, descalça, as unhas dos pés cor-de-rosa brilhante, o cabelo amontoado na cabeça. E riu. Ela era a coisinha mais absurda que ele já havia encontrado. – O que foi? – perguntou Rachel. – Você é tão esquisita. – Sou? – Sim.


– Por que você está chocado com isso? Alex deu de ombros. – A imprensa pinta você como uma... princesinha perfeita, cortadora profissional de fitas, tão séria e equilibrada. – Cortadora de fitas? – Você sabe, aquelas jovens que frequentam inaugurações e a quem é pedido que corte a fita. – Cruzes! Se você acredita no que a mídia diz, é problema seu. Eles só enxergam uma pequena parte de quem sou e publicam essa pequena parte. Esses jornalistas não me conhecem,


nem sabem o que eu faço dentro de casa. – Isso é culpa deles ou sua? – Como assim? – Você é muito reservada, Rachel. Alguém realmente a conhece? – Alana provavelmente. Um pouco. – Alana? – Minha amiga. Aquela com quem eu estava em Corfu e que me encorajou a ir falar com você. Ela fazia compras com Alana, conversava bobagens com ela. Com Leah, Rachel tentava mostrar-se como um exemplo, uma pessoa equilibrada e séria. Com o pai, tinha um relacionamento parecido, porque não


queria mais que ele se preocupasse com ela. E havia Ajax... para quem ela também pareceria estável, tranquila. Mas, na presença de Alex, ela se agitava, dançava de pijama e resmungava quando tinha vontade. – Eu jamais... Todo mundo tem suas expectativas. Com você, por outro lado, bem, não preciso me comportar de determinado jeito, porque eu nem mesmo gosto de você. E também estamos quase presos juntos, então o que você pensa sobre mim realmente não faz diferença. Os olhos de Alex ficaram vazios.


– Eu não sei, realmente, como é viver com alguém com expectativas. – Ah. Bem, não é ruim. Eu não me importo, nem nada disso. Só que... isso significa que preciso me certificar de me comportar de certo modo com certas pessoas. Então eu sou... contida, em certas situações e... – Falsa – disse Alex. – O quê? – Você é falsa. Tudo bem, eu também sou. Digo, sei como ser. Pense em como nos conhecemos. E como é que você acha que sobrevivo a uma semana de reuniões? Eu me forço a moderar a minha linguagem. Aprendi a me vestir de um modo que reflita quem


sou agora, o que eu faço agora, não do modo que reflita quem fui ou de onde venho. – Isso é... agir de forma apropriada em determinados ambientes. Não é ser falso. – Ora, mas não é ser autêntico. – Ei, o que isso significa? – Não estou julgando você, Rachel, estou apenas fazendo uma observação. O celular de Rachel começou a tocar, mas felizmente a tela mostrava o nome de Alana. Ela atendeu. – Oi. O quê? Alana estava falando tão rápido que Rachel mal conseguia entender.


– Um contrato enorme, enorme, e eu não posso cumprir se eu não puder comprar os materiais. Só estão me pagando a metade adiantado. E você nem vai acreditar nisso! Um cano estourou na loja de cima e me inundou completamente. Eu estou com o estoque arruinado, coisas que não tenho como substituir e o meu seguro diz que o seguro da outra loja é responsável e vice-versa e tudo isso é uma loucura completa! – O que eu posso fazer? – Preciso do óbvio, mas hesito em pedir. – Bem, como eu sou dona de parte do negócio, faz sentido que eu ajude,


especialmente já que... Que contrato enorme é esse? – É o figurino de um filme francês realmente grande e... – Não diga mais nada. Eu estou indo. Nós vamos resolver tudo isso. – Você não precisa vir se você ainda estiver afundada em problemas com o seu homem misterioso. Rachel olhou para Alex. – Deixe que eu me preocupe com isso. – Ela desligou. – Preciso ir para Cannes. – O quê? – Minha amiga Alana tem uma boutique lá. Tecnicamente, eu tenho uma boutique lá. Sou dona da maior


parte. Mas sou uma sócia discreta, pode-se dizer. – Como eu não sabia disso? – Ninguém sabe. Nem mesmo Ajax. E sim, eu me sinto um pouco culpada por isso, mas acredito no talento de Alana como designer e quis ajudá-la. Então, financio o sonho dela. E tivemos um lucro decente nos últimos anos. Mas Alana está no meio de uma crise, cano arrebentado no andar de cima e roupas destruídas. Preciso ir até lá e ajudá-la a resolver tudo. – Isso é fácil. Dê algum dinheiro a ela. – Como assim? Simplesmente pagar alguém para ir até lá?


– Por que não? – Eu tenho um orçamento. Bem, eu tenho um fundo financeiro, parte da herança de minha mãe, mas preciso viver dele. – Eu poderia pagar por isso. Você sabe, se você fosse minha mulher eu me sentiria obrigado a pagar por isso. – Ah, não! Mas eu não sou sua mulher. Não sou sequer sua noiva. E quer saber? Eu me sinto muito bem de não ser noiva de ninguém. Mesmo. – Eu estou feliz por você. – Não parece. Bem, de qualquer modo, preciso pegar um avião para fora dessa ilha e ir para Cannes. – Você vai voltar?


– Eu não sei. Devo ficar com a Alana por uns tempos. Isso aqui, você e eu, provavelmente vai acabar em custódia dividida. Alex franziu a testa. – Não é assim que eu quero que termine. – Como você imagina que isso termine? – Com a nossa família junta. Você com o seu bebê, e eu com vocês dois. Você na minha cama. Rachel engasgou com o café, tossindo e gaguejando, apoiando-se na bancada até conseguir respirar. – O quê?


– O que você achou que eu queria quando propus casamento? – Algo não tão... íntimo. – E por que não? – Você só dormiu comigo porque queria roubar a mulher do Ajax e o negócio dele. Não teve nada a ver comigo. – Mas as coisas mudaram, você é a mãe do meu filho e... – Jamais ficarei com alguém por conveniência. Jamais, com homem nenhum. Você falou de ser falsa. Certo, talvez eu tenha sido falsa. Mas eu não sabia... eu não sabia que o que sentia pelo Ajax era diferente de amor, e nunca mais vou me colocar naquela


posição só para deixar as outras pessoas confortáveis. Vou fazer com que eu e o meu filho estejamos confortáveis. Fim da conversa. – Bem, nesse caso, acho melhor terminar meu café e arrumar a mala. – Por quê? – Porque, aparentemente, nós estamos indo para Cannes. – Nós? – Eu ainda não acabei com você, Rachel. Ainda falta muito. E dessa vez eu vou pagar pelo quarto de hotel, já que da última vez você pagou. – Você não ouviu o que eu acabei de dizer?


Rachel realmente precisava que Alex não sugerisse que continuassem de onde haviam parado, em Corfu. Porque estava com medo de ser fraca e não conseguir dizer “não” para ele. Medo de que fosse dizer: “Sim, sim, sim, me leve!”, deitando-se na primeira superfície plana e deixando-o conseguir o que quisesse dela. Isso não ajudaria em nada. Mas seria divertido. Talvez. Mas Rachel não iria mais ter aquele tipo de diversão com ele. Tinha sido libertada, de alguma forma, por aqueles eventos malucos, e iria fazer o máximo com aquela liberdade, e não


caminhar em direção a outro compromisso sem amor. – Eu ouvi você. Eu vou providenciar uma suíte de cobertura para nós, com quartos separados. Vai ser luxuosa e discreta e não vai interferir com o seu orçamento. – Bem... obrigada. Mas por quê? – Porque eu não vou desistir de você, agape mou. De nós. – Porque você me ama tanto assim? – perguntou ela, o coração disparado. Tinha feito a pergunta para fazê-lo desistir. Para debochar dele. Em vez disso, era ela quem estava ali, tremendo, uma parte sua rezando para que a resposta dele fosse “sim”.


– De jeito nenhum. Amor não está nas cartas para um homem como eu, Rachel. Eu nem sequer saberia por onde começar. Mas uma família... eu gostaria de tentar. Rachel engoliu em seco. – Mas eu preciso de mais do que isso, Alex. Eu preciso de mais do que uma tentativa de sua parte. Eu não vou ser a sua experiência de família feliz. Não é justo. – Você não tem uma família feliz no momento, experimental ou não. Então, por que não? Rachel tentou ignorar o baque no peito que as palavras dele causaram. Mas era impossível. Porque havia vivido


mais de uma década mantendo a família unida, sendo o que precisavam dela. E agora estava esgotada. Sua família tinha acabado para ela e Rachel não sabia o que fazer sem ela. Era como descobrir que pedaços de sua armadura haviam sido arrancados, ameaçando deixá-la exposta, vulnerável, frágil, fácil de se machucar. Ela cruzou os braços sobre o peito, como se isso fosse manter o que sobrou da sua armadura perto da pele. Como se isso pudesse protegê-la. Subitamente, tornou-se muito consciente do bebê dentro dela, e de que, apesar do fato de haver um ser humano em seu ventre, nunca tinha se


sentido tão sozinha e amedrontada na vida. Como se tudo, dentro e fora, tivesse se tornado completamente estranho. Rachel podia suportar as fotos da intimidade dela com o seu quase examante sendo publicadas nos jornais, mas não aquela sensação que a agarrou pela garganta naquele momento. – Eu... eu preciso ir – disse Rachel. – Você pode providenciar o avião? Vou arrumar as malas. – Não. Lucy arrumará as malas para você. Descanse. Eu prepararei tudo para irmos. – Para os padrões do Alex, ele parecia quase contrito. – Você realmente não precisa ir.


– Você não quer que eu vá? – perguntou ele. – Não. – Nem sempre se pode ter o que se quer, agape.


CAPÍTULO 8

– EXIBICIONISTA

– DISSE Rachel, espiando a cobertura e caminhando em direção à janela, olhando o mar lá embaixo. O voo para Cannes tinha corrido rápido e sem tumultos. A parte sem tumultos Rachel creditava ao fato de ter ignorado Alex o tempo inteiro. – O que foi? O quarto em que você me colocou em nosso primeiro hotel era


muito bom. E o serviço de quarto, excelente. Alguma coisa, que desagradou Alex, brilhou nos olhos dela. Dor. Vergonha. – Você não está autorizado a fazer piada com aquela noite – disse Rachel. – Eu não gosto de ser lembrada de que você me usou. – Não mais do que você me usou. Você estava noiva de outro homem, afinal. Dificilmente foi inocente. – Mas você sabia. Eu não o enganei, afinal. – Será que podemos não ter essa briga de novo? Essa em que você me diz todas as coisas que eu fiz para magoála? Eu me senti... culpado, Rachel,


depois do que aconteceu. Foi por isso que não liguei. Por isso que não invadi sua casa aos berros. Por isso que eu fui ver você antes da cerimônia, e não ele. Rachel franziu a testa. – Você se sentiu culpado. – Acontece que quando você quer se vingar de alguém que você odeia... por causa do modo como tratava as mulheres, do modo como tratava as pessoas em geral, e você usa alguém para conseguir isso, acaba se sentindo muito parecido com aquilo que despreza. Era verdade. Ele nunca havia se permitido formular inteiramente aquele pensamento. Examinar por que o


incidente com Rachel o fizera sentir-se sujo, vazio. Essa era mais uma evidência de que estava incomodado com aquela situação. Culpado ou inocente. Vítima ou predador. Qual dos dois ele era? Alex nem mesmo sabia a resposta. E isso fazia seu peito arder. – Ora, você tem uma consciência, não é? – perguntou Rachel. – Talvez eu não seja tão mau quanto você pensa, talvez eu não seja tão bom quanto você pensa, mas... Quem sabe, talvez, eu não seja completamente amoral também, o que é bom de saber. – Você quer... ser bom? Alex apertou os olhos.


– Eu não sei. Eu sei o que eu não quero ser. – Então você realmente... você realmente acredita que cresceu em um prostíbulo com Ajax. – Sim – disse Alex, com um aperto no coração. – Ele nem se lembraria de mim, eu era um menino quando ele foi embora, talvez uns 8 anos. Mas eu me lembro dele. E do pai dele. Alex nem podia pensar. Aquilo lhe causava dor de cabeça, e era muito complicado, muito duro. – Ele nunca me contou da sua vida antes de vir trabalhar para a minha família – disse Rachel. – Quero dizer... nada. Ele nunca disse nada sobre isso, e


agora... eu acho que ele é um pouco estranho. Mas, honestamente, Alex, se você o conhecesse... ele é tão sério. Nunca anda fora da linha. Nem consigo imaginar esse homem que você descreve. Ajax sequer bebe. Ele é o homem mais escandalosamente honesto que já conheci. E não, ele não desperta grande paixão em mim. Mas é um amigo, não é má pessoa. – Mas ele era – disse Alex, sentindo necessidade de se justificar. – Ele era. – Ou quem sabe ele apenas tivesse momentos ruins? Todos temos momentos ruins. Deus sabe que tive os meus. – Qual foi seu pior momento?


– Não quero falar sobre isso. Na verdade, preciso ir ver como está Alana. – Eu vou com você. – Você não precisa ir. – Mas quero ir e quero ser parte da sua vida. E eu estou frustrado porque não estou muito certo de como conseguir isso, além de mentir para você. – Se você fosse mentir para me manter na sua vida, o que você diria? Alex encarou aquele rosto imaculado, aqueles olhos profundos, que carregavam uma profusão de intensidades e dores. Dores que ele não queria aumentar, mesmo sabendo que já o havia feito.


– Eu iria dizer que a amava. Que a minha vida não seria nada sem você, que eu precisava de você mais do que do ar. Os olhos azuis de Rachel cintilaram, cheios de lágrimas. E ele desejou por um segundo que o que disse pudesse ser verdade. Mas Alex não sabia como sentir essas coisas. E mesmo que pudesse... Ele nunca se arriscaria. Por alguma razão, naquele momento, ele foi tomado de assalto pela imagem do bebê que viria. Um recém-nascido frágil, que chorava porque precisava do pai. Dele.


Você vai ser pai. Aquele pensamento foi o bastante para travar os seus joelhos. Para jogá-lo direto ao chão. – Bem – disse Rachel, rompendo a névoa dos pensamentos dele. – Isso seria dramático, com certeza. É claro que eu não iria acreditar em você. – Sensato. É isso que se chama aprender com os próprios erros. Rachel hesitou. – Suponho que sim. Bem, vou ver Alana e vou sozinha. Divirta-se sozinho, também. – Você acabou de me dizer para eu me divertir comigo mesmo? – Sim.


– Onde fica a loja? – Eu envio uma mensagem. – Vou descobrir sozinho onde é. E quando devo esperá-la de volta? – Quando eu voltar. – E como vou saber se você está bem, se alguma coisa saiu errada? – Você está... preocupado comigo? – Com o bebê. – Ah, claro. Foi isso que eu quis dizer. Obrigada. Eu... eu vou indo. Eu voltarei lá pelas 19h. Mando uma mensagem se for me atrasar. Alex assentiu, observando-a deixar o quarto e sentindo um peso no peito. Talvez devesse estar grato por Rachel ter se recusado a se casar com ele. O


que sabia sobre ser pai? O que sabia sobre ser um marido? Tudo o que sabia era que sentia uma necessidade de estar perto dela, de protegê-la. E sabia, com toda certeza, que ia se sentir do mesmo jeito sobre o bebê. Alex sempre imaginou as veias de Ajax como se fossem cheias de um veneno negro. E, então, ele tinha descoberto a verdade. Se o sangue dele era negro, então o seu também era, porque tinham o mesmo sangue. O mesmo legado vinha correndo em suas veias desde o nascimento, e mesmo assim ninguém tinha escolhido


ficar com ele. Aquilo fez Alex temer que a única coisa que tivesse herdado fosse a escuridão. A BRISA que vinha do mar deixou Rachel arrepiada. Ela e Alana haviam acabado de fechar a loja depois de avaliar o estrago, e Alana tinha ido com o namorado para o seu apartamento. Rachel se deixou ficar alguns momentos em frente à loja, olhando pelo ancoradouro para os iates, para onde a água azul encontrava o céu azul, os tons misturando-se. Respirou fundo, sentindo novos arrepios. Não era medo. Mas era alguma coisa que não podia ignorar, algo urgente, pequenas


explosões saltando dentro dela, até que ela virou o rosto. Então tudo fez sentido. Alex caminhava em sua direção, com as mãos nos bolsos. – Eu estou grato por ver que você não está soterrada embaixo de fotógrafos. – Oh, bem, graças a Deus por estarmos fora de estação. Houve um silêncio entre eles. Como se aquele tempo na Grécia estivesse acontecendo de novo. Cenário diferente, tempo diferente. Mas a atração estava lá. Mesmo agora, com o bebê e toda a bagagem, aquilo estava lá.


Rachel sabia que Alex também se sentia assim. Podia ver aquilo naqueles terríveis olhos azuis. Ele estava pensando em sexo e pecado e todas aquelas coisas maravilhosas que haviam feito juntos. Rachel não sabia como sabia disso. Por alguma razão, tinha uma conexão com ele que não podia explicar. Uma conexão que não queria, mesmo. Por que ele não podia ser apenas aquele idiota que a havia seduzido? Ou, se ela não conseguisse juntar raiva suficiente para pensar nele como um idiota, por que ele não podia ser apenas a causa da sua gravidez? Uma figura distante, até que tivessem de


estabelecer os termos de custódia dividida? Mas havia outra coisa. Aquela conexão profunda, sexual, que de algum modo parecia... outra coisa. Não importava a profundidade de sentimentos que Rachel estava disposta a admitir que sentia por Alex; uma pequena voz dentro dela continuava sussurrando: É mais que isso? Voz estúpida! – Jantar? – perguntou Alex. – Sim. – Ela sentiu o “sim” escapar dos seus lábios e estremeceu. É só um jantar, criatura patética. Calma.


Alex estendeu a mão e ela não a aceitou. Porque, se o fizesse, sabia que estaria perdida. – Aonde vamos jantar? – perguntou. – Detesto ver um terraço tão lindo ser mal aproveitado, então achei que podíamos jantar na suíte. O jantar já deve estar esperando por nós. E eu vou beber suco, como você. – Isso é... bem, é muito delicado da sua parte. – Você parece surpresa. – Eu estou – disse Rachel, perfeitamente consciente da maneira como ambos mantinham suas mãos ao lado do corpo enquanto andavam. Perfeitamente consciente de como eles


não se tocavam, quando as pontas dos seus dedos estavam tão próximas. Entraram no hotel em completo silêncio, então tomaram o elevador para seu andar. As portas duplas do terraço estavam abertas, um banho de luz noturna cor-de-rosa pintando a área de estar. Rachel caminhou até a parte externa da suíte. A mesa estava arrumada para dois, com uma garrafa de suco de uva em um balde de gelo, embrulhado em uma toalha de linho como se fosse champanhe fino. E os pratos estavam cobertos por cúpulas de prata, tudo arrumado e pronto.


Como se Alex quisesse ter certeza de que não seriam perturbados. – Isso é romântico. – É mesmo? – Ele olhou em volta como se essa ideia o surpreendesse. – Eu só pedi um jantar para dois e que não fôssemos perturbados. Em nome da privacidade, já que estamos discutindo problemas pessoais e você é uma pessoa um pouco pública. Romance nem passou pela minha cabeça. – Naturalmente que não. Você não é muito romântico, é? – Eu nunca tive muita prática com isso. Mas gostaria de pensar que eu fui romântico naquela noite em que estivemos juntos.


– Você me seduziu. Completamente diferente. Eu não estava procurando por romance. – Você estava procurando sexo? – Não. Mas eu acho que foi por isso que funcionou. Ela entregou a garrafa para ele e ele a pegou, abrindo a grade de metal da rolha e fazendo com que ela pulasse. Rachel se encolheu com o som. – Ah. Eu sempre espero que ela voe e acerte alguém no olho. Ele riu. – Pouco provável. Além disso, cautela não é uma coisa ruim. – Esse certamente tem sido o meu lema na vida.


Alex arqueou uma sobrancelha enquanto a servia de suco. – Você nunca namora, não é? – Não. Encontros de uma noite. Estranhamente, isso não a incomodou. Teria ficado incomodada se tivesse existido uma mulher na vida de Alex que ele houvesse amado. – Não é uma ideia ruim, Alex. Não funcionaria comigo, porque os rapazes contariam para a imprensa. – Eu estou feliz por estar fora dos holofotes. – Se você for visto comigo... digo, quando as pessoas descobrirem... você vai estar sob os holofotes. Você


entende, certo? O seu anonimato está acabado. – Eu posso lidar com isso – disse ele, antes que se acomodassem para jantar. – Ah, meu Deus, Alex, esse peixe veio com a cabeça. Acho que não posso... Alex riu e, em seguida, se curvou, colocando o prato dele e o dela de lado. Ainda rindo, foi até o telefone e encomendou uma pizza. Foi a vez de Rachel rir. – Chega em dez minutos – disse ele, assim que desligou. E, antes que ela pudesse dizer alguma coisa: – Sem anchovas, Rachel, eu juro.


Um estranho tipo de calma se estabeleceu entre eles, e isso parecia mais perturbador do que a tensão de antes. Nada parecido com o primeiro encontro deles. Bem, não inteiramente. Havia uma margem de conforto, de domesticidade entre eles que atingiu um nervo em Rachel. Tentaram manter uma conversa sem muito nexo, até que a pizza chegou. – Lá se foi o romantismo deste belo terraço – disse Rachel. Alex deu de ombros. – Assim é melhor. Pelo menos é real. – Verdade. – Rachel ergueu a tampa da caixa e pegou um pedaço da pizza, mastigando a parte queimada na


primeira mordida. Valeu esperar pelo queijo no ponto perfeito. – Então...? – disse ela, depois de engolir. – Você pede pizza com frequência? Alex a encarou. E ela foi atingida, mais uma vez, pelo pleno impacto de sua beleza. – Você quer saber um segredo? – perguntou ele. – Sim. – Quando deixei o lugar em que vivia com a minha mãe... eu não tinha nenhum dinheiro. Então, eu dormia onde pudesse e comia o que pudesse, e, ainda assim, me sentia melhor, porque eu não vivia naquele lugar horrível. – Eu posso entender isso.


– Mas quando comecei a ganhar dinheiro e consegui meu próprio apartamento... não quis comprar filet mignon nem lagosta. Eu já tinha provado tudo aquilo. Morar naquela casa... Foi conviver com as partes mais negras do glamour e do excesso. Drogados vomitando pelos corredores, gente transando em público... Mas depois nós nos sentávamos para algum jantar formal, como uma família de insanos ou coisa assim, e comíamos toda espécie de coisas caras. De qualquer modo, eu não queria me lembrar daquilo. Em minha nova vida, eu queria algo mais simples, mais


normal. E encomendei pizza toda noite por... um longo tempo. Alex baixou os olhos e deu uma mordida em sua fatia de pizza, gestos e expressões agora infantis. Aquilo era estranho. Em alguns momentos, ele parecia tão novo. Em outros, parecia ter mil anos. E Rachel podia entender, porque em algumas horas era exatamente assim que ela também se sentia. Muito velha, muito nova, nunca na idade certa. – Qual o sabor da primeira pizza que você pediu? Aposto que você se lembra. Alex sorriu. – Ah, sim. Pepperoni. Azeitonas pretas. Um final feliz, não?


– Foi? – O que você quer dizer com isso? – Bem, ainda não terminou. Agora, exatamente, nós só estamos aqui comendo pizza. Mas nossos problemas não vão simplesmente sumir. – Verdade. – Existem muitos resultados possíveis para a nossa história. E eu não tenho certeza de que qualquer um deles seja feliz. – Isso porque você está procurando por alguma coisa que eu não posso dar. Você poderia ser feliz, se você apenas... – Se eu o quê? – Fizesse concessões. Você estava disposta a fazer isso por Ajax e nem o


amava. Ora, você não estava grávida dele. E agora, bem, você terá um bebê meu, e você me quer, então, não vejo razão para que não se case comigo. O que foi que mudou? – Acho que eu mudei. Ou talvez não tenha mudado, talvez eu apenas tenha me tornado mais medrosa e não queira continuar vivendo minha vida como se fosse outra pessoa. Talvez eu queira procurar alguma espécie de felicidade. – Eu acho que eu a fiz bem feliz na cama, por períodos prolongados – disse ele. – Eu quero você, Rachel. – O quê? Agora? – Cada momento desde a primeira vez que eu a vi. Francamente, sei que


isso não vai me levar a lugar algum com você, mas, acredite, falo a verdade. No momento em que a vi, esqueci o nome de Ajax e cada pensamento de vingança. Porque tudo em que conseguia pensar era em tê-la nua, na minha cama. Nada me importava, só importava quem você era. Eu sei que isso soa estúpido, mas na minha cabeça fazia sentido. O coração de Rachel estava batendo forte. Ela se inclinou, agarrou a gola da camisa de Alex e o puxou para si, beijando sua boca. Não sabia o que estava fazendo nem por que fazia aquilo, mas não podia se conter.


E, junto com o seu coração, as palavras dele reverberavam através dela. Só importava quem você era. Alex tomou o rosto dela nas mãos e a puxou para si, beijando-a mais profundamente, sua língua deslizando contra a dela, disparando uma onda de desejo pelo corpo de Rachel. Nada estava resolvido. E ela não devia estar beijando Alex. Não devia estar tornando as coisas confusas jogando um fósforo na escaldante química dos seus corpos. Mas ele disse que a queria. E tudo em Rachel respondeu àquilo. Tudo lutou para se libertar, para passar empurrando pelos limites que ela havia


colocado em volta de si mesma, uma pequena e arrumada cerca que a mantinha segura e escondida. Porque Alex queria aquela parte dela. Ele não queria que ela a escondesse. Que a mantivesse atrás de uma porta trancada. Que mantivesse sua paixão longe dele. E ela queria dar aquilo para ele. Queria se permitir aquele momento de liberdade, outra chance de arrebatar e ser arrebatada, de tentar sentir alguma coisa. Rachel sabia que havia passado tempo demais sem sentir. Aquilo era como chegar à superfície da água e inspirar, enchendo seus pulmões


doloridos, quando sequer havia percebido ainda o que estava perdendo. Ela não havia percebido quanta dor tinha infligido a si mesma por se manter submersa. Pois aquilo havia sido uma dor de crescimento lento, mais fácil de administrar do que a ideia de se ver exposta na mídia, de ser usada por um homem que pensava amar. Mesmo assim, doeu. E só agora ela estava enxergando o quanto. – Eu estou com hálito de alho – disse ela, quando se separaram, respirando fundo, esperando que não estivesse tão ruim. – Eu também provavelmente estou.


– Bem, não percebi, então acho que você está bem. – Pare de falar, Rachel. Ela assentiu e se aproximou dele. Alex a puxou contra o peito, beijando-a como se estivesse faminto. Ela envolveu o pescoço dele com os braços. Alex a abraçou com mais e mais força, empurrando Rachel até que ela estivesse imprensada contra a parede de pedra. – Eu preciso de você – disse Alex, beijando seu rosto, seu pescoço, seu colo. – Rachel. Theos, como sobrevivi todo esse tempo sem tocá-la? Rachel queria chorar, queria ter prazer e não conseguia decidir qual


necessidade satisfazer primeiro. Aquilo tudo parecia grande demais para ela, demais. Era demais para uma menina acostumada a se esconder em sua própria concha, sentir-se desnuda e exposta desse jeito. Mas ela não conseguia parar. Não podia. Ela puxou a camisa de Alex, abrindoa, sem ligar que isso espalhasse botões por toda parte, sem ligar que podia ouvir os sons do tráfego lá embaixo, que eles não tinham nada com o que se cobrir. Ela puxou a camisa dele e correu as mãos sobre o peito de Alex, os músculos duros, o cabelo áspero. – Você é tão lindo – disse ela.


– Nós já tivemos essa conversa. – Eu sei, mas preciso repetir isso porque isso é tudo no que consigo pensar quando o vejo, quando o toco. Você me deixa... Alex, eu não entendo isso. Eu não achava que eu fosse assim. Não mais. Eu achava que isso estivesse terminado. Ele se abaixou e a beijou, forçando a cabeça dela contra a parede, a superfície áspera contra ela era a única coisa que a impedia de se derreter em uma poça no chão. Uma das mãos dele deslizou até a coxa dela. Seus dedos se afundaram na pele de Rachel enquanto ele erguia a perna dela e a mantinha sobre sua


região lombar, travando-a com a mão e usando a parede de apoio. Alex se moveu contra ela, o volume duro de sua excitação a atingindo no ponto certo. Ela arqueou o corpo e se moveu junto, aumentando a sensação, aproximando-se cada vez mais do limite. Alex beijou os seios dela, sua língua traçando uma linha na margem do tecido do vestido. E então continuou descendo, ainda segurando a perna de Rachel enquanto se abaixava, envolvendo o próprio ombro com a coxa dela e se ajoelhando. Ele empurrou a saia do vestido dela para cima, revelando-a.


– Lembre-se, eu disse que gostava de preliminares, mas naquela primeira vez... eu fui muito rápido. Preciso compensar isso agora. – Eu... oh... Ele deslizou o dedo embaixo da calcinha dela e a acariciou, sentindo sua umidade, sentindo que Rachel estava pronta para ele. Ela podia sentir a respiração de Alex contra sua pele, quente e tentadora. Ele passou o dedo sobre a sua carne, deixando uma trilha de fogo em seu rastro. – É bom, querida? – perguntou. – Você me disse para não falar – disse Rachel. – E agora eu não consigo,


então não faça perguntas. Isso não é justo. – Injusto é o fato de eu estar tremendo – disse Alex, puxando a calcinha dela para o lado, inclinando-se para mais perto. – Você faz isso comigo, sabia? De repente, Rachel tinha esquecido como fazer qualquer outra coisa que não fosse se pressionar contra a parede. – Eu não... eu... Então, os lábios dele fizeram contato com a pele nua dela e Rachel não conseguia pensar, não conseguia respirar e, definitivamente, não conseguia falar.


A língua dele deslizou sobre a carne dela, provocando-a, explorando-a. Rachel espalmou as mãos contra a parede, tentando achar alguma coisa em que se segurar. Seus dedos raspavam contra a pedra, a superfície áspera magoando suas as articulações. Alex moveu sua mão, as palmas largas envolvendo o traseiro de Rachel, puxando-a contra a sua boca enquanto intensificava a atenção no seu corpo, os lábios e a boca enfeitiçando-a, levandoa cada vez mais perto do limite. Rachel apoiou as mãos nos ombros de Alex, se pendurando nele em uma tentativa de se manter ancorada na terra.


Ele correu um dedo, penetrando-a, e Rachel inclinou a cabeça para trás, as estrelas se esvanecendo no céu que escurecia. Então, ele enfiou um segundo dedo e tudo pareceu entrar em combustão, as luzes suspensas explodindo em fogos de artifício. Alex a soltou e parou, seu corpo apertado contra o dela enquanto a beijava profundamente, a prova do próprio desejo dela nos lábios dele. – Vamos entrar – grunhiu ele. Eles entraram, e os lábios dele estavam na nuca dela enquanto caminhavam para dentro. Então, ele a pegou pelos ombros e a virou de frente para ele, beijando-a nos


lábios. – Não posso esperar – disse Alex, puxando o vestido de Rachel até que ele caísse do corpo e abaixando sua calcinha por suas pernas enquanto ela tentava abrir-lhe o jeans. Ele tirou a calça junto com sua cueca, o que o deixava abençoadamente nu. Alex a agarrou pelas pernas e a levantou, para que suas pernas ficassem enganchadas em seu quadril, antes de se abaixarem no tapete. A porta ainda estava aberta, o barulho do tráfego e a brisa do oceano entravam pela suíte, mas ela não ligou. Não existia nada além daquilo, nada além de Alex.


– Por favor, Alex – implorou. – Eu preciso de você. Ele se posicionou e a penetrou, possuindo-a, preenchendo-a centímetro a centímetro. Rachel se sentiu bem pela primeira vez em semanas. Ou talvez, mais honestamente, sentiu-se bem pela primeira vez em mais de uma década. Mais parecida consigo mesma. E, então, seus pensamentos e sua consciência desapareceram em uma espiral de prazer. Não havia nada além da respiração fragmentada de ambos, Alex dizendo coisas ásperas e brutas no ouvido dela. Em inglês, em grego. Palavras que Rachel nunca tinha ouvido. Palavras que enviavam um


tremor de desejo ilícito através dela, que aumentavam o seu desejo, ampliavam sua excitação. Depois do clímax que experimentara no terraço, Rachel ficou chocada ao perceber que a sensação a rondava mais uma vez. Mas, a cada golpe, cada palavra rouca sussurrada, ele a provocava mais e mais, mais rápido, mais rápido. Alex colocou a mão sob as costas dela, ergueu seus quadris do chão e golpeou mais forte dentro dela, o som de pele contra pele abafando o barulho do tráfego na rua lá embaixo. Ele a penetrou uma última vez, produzindo um grito primal, de triunfo,


de prazer. O som, o descontrole dele, a expressão torturada em seu rosto, eram tão intensos que Rachel sentiu como se ecoassem através dela, como se se apossassem do seu prazer e o expandissem, empurrando-a para o abismo, o êxtase dela se unindo ao dele, mesclando-se ao dele, até que ela não pudesse dizer onde começava ou terminava o dela, até sentir que haviam realmente se tornado um só. Quando aquilo terminou, o barulho do tráfego voltou à sua percepção. Ele rolou sobre ela, deitando-se de costas no tapete. Uma brisa soprou pela porta, gelando a pele nua e escorregadia de suor de Rachel.


– Bem... – disse ela. – Sim. – Ela olhou para ele. Alex estava deitado de costas, as mãos embaixo da cabeça. – Imagino que isso era inevitável – disse ela, se sentando e trazendo os joelhos até o peito. – Claramente era – concordou ele. – Obviamente, pois aconteceu. Alex se virou e se levantou, envolvendo o rosto dela com as mãos. – Sim, aconteceu. – Isso não resolveu nada – disse Rachel, uma sensação fria invadindo seu peito. – Não, mas eu nunca achei que sexo pudesse resolver qualquer coisa.


– Pensei que nós pudéssemos... – Rachel se interrompeu, pois não sabia o que dizer a seguir. Que sexo fosse quebrar o mistério? Destruir as defesas? Que fosse uni-los? Resolver as questões e reservas dela? Não, ela não tinha pensado em nada daquilo. Ela não tinha pensado em nada além de desejo. Seu desejo de possuí-lo, o modo como ele a olhava. O modo como ele a tinha desejado. Mas agora, com a neblina do desejo se dissipando, Rachel viu-se bastante consciente do fato de que, mais uma vez, estava nua com um homem que não conhecia. Mais uma vez ela estava exposta a ele.


– Eu acho que preciso... – De um cigarro? – perguntou Alex. Rachel riu. – Não... Eu não fumo há mais de uma década. – Mas você já fumou? Eu estou chocado. Rachel respirou fundo. – Todo mundo tem um passado, sabia? – Ah, acredite em mim... – disse ele. – Eu entendo de passados. – Ah, sim, eu tenho certeza disso. – Você parece tão... boa demais, para ter um passado... – Eu pareço boa?


– Eu só quero dizer... Você era virgem. Você nunca teve seu nome nos jornais por causa de nada, mesmo remotamente, escandaloso. – Tudo arranjado. De qualquer modo, desde quando virgindade é o mesmo que bondade? A minha era... mais medo, mesmo. – Você não me pareceu ter medo naquela noite comigo. Mas você tremeu um pouco. – Eu o odeio. Ele se levantou, ainda nu e totalmente despreocupado. – Aposto que as pessoas no prédio do outro lado estão tendo um show – disse ela.


Alex se virou e acenou. – Provavelmente. – Por Deus, Alex, você não tem vergonha? – Não. Resultado da minha criação, sinto muito. Difícil ter vergonha tendo sido criado no ambiente em que eu fui. – Mas as pessoas do outro lado devem ter vergonha. Ele sorriu forçado e se dobrou, agarrando sua cueca preta e vestindo-a. – Pronto, que tal? – Melhor, para alguns – disse ela. – Para você não? Rachel sentiu o rosto esquentar. – Nem tanto.


– Como é que você manteve toda essa paixão escondida por tanto tempo? – Eu escondi bem. Escondi até de mim mesma. Eles se olharam por um segundo. Rachel ainda estava nua. E ele estava quase nu. E ela percebeu como eles sabiam tão pouco um sobre o outro. E ali estava ela, tendo justamente acabado de se unir a ele da maneira mais íntima possível, grávida de um bebê dele, nada menos do que isso. – Sabe o que eu adorava? – perguntou Rachel. – O quê? – perguntou Alex. – Dirigir como uma louca. Eu era... tão idiota, atrás do volante. Perigosa


mesmo. Alana e eu costumávamos dirigir à toa por aí, quando estávamos na Grécia. Eu tinha um carro esporte. Ele era vermelho e macio, e ele ia... bem, vamos dizer apenas que ele ia muito rápido. – Isso é normal, não é? Eu não sei realmente, pois não tive o que você chamaria de uma adolescência tradicional, mas mesmo assim eu acho que já vi dessas coisas em filmes. – Sem dúvida, suponho que isso seja normal. Mas isso não torna o que fiz seguro ou inteligente. Especialmente porque eu dirigia depois de beber. Eu era idiota e eu... não sei o que estava fazendo. Estava me rebelando contra


uma vida que era muito... tranquila, acho. O vento nos meus cabelos, o sangue efervescendo nas minhas veias... eu também gostava de paquerar. – Você era inocente, então não era como se... – Tem muita distância entre inocência e não ter tido relação sexual, Alex. Eu achei que um homem como você soubesse disso. – Ah... – Ele pareceu... descontente com aquilo. – Saber disso o aborrece? Saber que você não é o primeiro homem com quem eu tive relações íntimas? Mas eu não estou realmente certa de que se possa chamar um sexo oral rápido, na


parte de trás de um carro, de íntimo. De qualquer forma, tomo decisões ruins sob o efeito das drogas e do álcool, digamos assim. – Mas isso nunca esteve nos jornais. Todo mundo fala de você... – Como se eu fosse a santificada herdeira dos Holt que passa os dias sentada em uma nuvem tocando harpa? Eu sei. E isso não é por acidente. Meu pai... ele cobria tudo por mim. Ele pagou cada um dos policiais que me apanharam, pagou por cada foto incriminatória em festas e clubes. Ele me protegeu da exposição. E então... fiz uma coisa muito estúpida. Exagerei e quase perdi tudo. Quase mudei a


maneira como as pessoas me viam, para sempre. Eu... eu sei que mudei a maneira como meu pai e minha mãe me viam. – O que aconteceu? – Conheci esse sujeito em um clube. Colin. Eu gostei dele, mesmo. Nós nos encontramos e saímos para dançar por alguns fins de semana seguidos e ele me perguntou se eu queria... ir para outro lugar, o que, você sabe, significa que o sujeito quer alguma coisa de você. Eu estava bêbada e disposta porque ele era sexy e eu gostava dele. Muito. Ele era bonito e tinha um sorriso lindo. E me achava bonita... Acabei no banco traseiro do carro com ele, o que... você


sabe o que significa. Nós estacionamos na praia. Ele apanhou sua câmera de vídeo. Foi antes das gravações de celular, graças a Deus, porque as coisas eram muito mais concretas naquele tempo, e não essa nebulosa rede digital. Ele poderia ter jogado as imagens, imediatamente, em mil lugares, se fosse hoje. – O que foi que ele fez? – Ele me filmou. Ele pediu e eu pensei: “Por que não?” Eu achei aquilo sexy. Eu estava bêbada. E tinha 17 anos. Achei que talvez o amasse, porque estar bêbada aos 17 anos é tudo o que basta para você achar que ama alguém. Ele me queria, e eu... bem, o que eu


realmente amava era ser desejada. Pelo que eu era realmente, você sabe. Porque, claramente, minha técnica em sexo oral era a minha essência de mulher. – Ele a gravou... – Sim. Fazendo aquilo nele. E na manhã seguinte eu acordei com uma dor de cabeça gritante e muito pouca lembrança da noite anterior. Colin me procurou na noite seguinte querendo que as coisas fossem mais longe. Eu disse que não porque... eu não me sentia pronta para sexo. O que talvez não faça muito sentido, mas... eu sabia que não estava, apenas. Ele enlouqueceu e me ameaçou. Disse que


enviaria a filmagem para a imprensa. E eu estava com tanto medo que ele o fizesse! Pensar nisso me deixa em pânico até agora. Eu nem... posso imaginar nada mais humilhante. Mas contar sobre aquilo para o meu pai e implorar para ele me salvar vinha em seguida. – E o que aconteceu? – Ele fez aquilo tudo desaparecer. Ele me protegeu, porque foi isso que meu pai sempre fez. Mas ele... ele ficou tão decepcionado, eu podia ver. E foi aí que ele me disse que não ia me proteger mais. Ele me disse que tudo podia ter me acontecido, dirigindo bêbada, saindo com homens desconhecidos...


disse que eu ia acabar me matando e que ele não ia assistir enquanto eu fizesse isso. Ele não iria permitir. Sem mais ajuda. Sem mais dinheiro. Sem mais família. Ele disse que eu tinha que me comportar ou perder tudo. E... eu me comportei. Até agora. – É por isso que você não está ligando para casa. Rachel assentiu. – Eu não quero ver meu pai me olhar daquele jeito nunca mais. Com se eu fosse um... caso perdido. Eu não sei por que eu fiz tudo aquilo, de verdade. Mas eu sei por que parei. Porque desejava mais da minha vida do que ia conseguir


indo para noitadas até o meu cérebro sair pelas orelhas. – E o que você desejava de sua vida, afinal, era se casar com um homem que você não amava e com quem nem mesmo queria dormir? – Aparentemente, o que eu estava realmente esperando era conhecer um estranho e ter uma transa de uma noite com ele e engravidar. Meus objetivos eram muito mais elevados do que um mero casamento sem amor. – O seu pai disse a você que aquele homem era um cretino sem valor? – O quê? – Ele disse que pessoa horrível aquele homem era? Sim, você fez péssimas


escolhas e foi irresponsável, mas foi esse tal de Colin quem pretendia tornar público um encontro privado. Foi ele quem tentou expor você. E me parece que só você pagou a pena. E, afinal, o que você queria resolver em sua vida agindo daquele jeito? – Como assim? – perguntou Rachel. – Todo mundo que eu já conheci que esteve nas drogas ou que ia para noitadas até não poder mais pensar, e conheci muitos deles, considerando o meu passado, estava tentando fugir de alguma coisa. Medicando-se por algum motivo. Qual era o seu? – Eu não... eu... – Ela piscou rapidamente e desviou o olhar. – Eu


não me preocupava tanto em ser boa o suficiente quando estava na farra, eu me sentia... feliz. Eu me sentia bem. – E como foi quando você parou? Rachel deu de ombros. – Até recentemente, eu sabia que isso era o melhor para mim. Sentimentos não importavam realmente. – Então, você trocou uma maneira de negar seus sentimentos por outra? – Desculpe, Alex, e eu não quero ser cruel, mas você não entende coisa alguma sobre sentimentos. Quando descobri quem você era, sabia que tinha sido usada porque o seu nome é sinônimo de falta de caráter. Você já


tinha tentado arruinar Ajax com aquelas alegações de fraudes fiscais. Ele deu um meio-sorriso. – E as chances de elas serem verdadeiras pareciam altas. – Lamentavelmente para você, Ajax faz as coisas dentro das regras. – O que foi uma surpresa. De repente, Rachel se sentiu ainda mais nua do que um momento antes. Ela enrolou os braços em volta do corpo e estremeceu. – Conte-me alguma coisa sobre você, Alex. Do que você se envergonha? – Eu não me envergonho de nada. Eu não tenho vergonha. Vi coisas


demais... fiz coisas demais. E não me arrependo delas. – Todos nós nos arrependemos de alguma coisa. Eu me arrependo de entrar no carro com Colin, e me arrependo de beber tanto. Eu me arrependo de ter permitido que ele gravasse nosso encontro. – E isso não muda nada. Então, para que se preocupar com isso? – Porque esses eventos mudaram minha vida. – Ah, sim, e você é muito feliz e bem resolvida agora? – Não. Eu provei, mais uma vez, que quando você segue os seus... hormônios


e emoções... coisas estúpidas acontecem. – É assim que você vê o bebê? Como uma coisa estúpida? – Eu não disse isso. – Você disse que coisas estúpidas acontecem. – Nós vamos ficar parados aqui e fingir que eu tomei uma decisão magnífica quando decidi dormir com você estando noiva de outra pessoa? Eu não tenho talento para mentir desse jeito. – Só para omitir a verdade quando é conveniente para você. – Cale a boca, Alex.


– Você acabou de me pedir para falar de mim. – Faça isso, então. Mas não me jogue pedras. Eu não posso lidar com isso agora. Eu acabei de... bem, de me tornar ainda mais íntima de seu corpo e não estou disposta a aceitar suas críticas. Um silêncio ressentido pairou entre eles. Alex assentiu lentamente. – Desculpe, eu não estou excessivamente chocado com as suas revelações, já que costumava assistir ao vivo a performances como a que você fez naquele vídeo, pelos corredores do lugar onde eu cresci, um prostíbulo


comandado por Kouklakis, pai de seu querido Ajax. Vi a minha própria mãe de joelhos na frente de um homem. Eu a vi implorar e chorar e oferecer favores por uma chance de poder viver ali. Para cuidar de mim, eu pensei. Mas não era isso. Ela queria ficar porque amava a heroína e o homem que era o dono daquilo tudo. Nunca foi por mim. Está bem, você quer saber como realmente a vergonha se parece? Descobrir que a sua mãe ama as drogas e o sexo mais do que ama você. Isso é vergonha. Isso queima, Rachel, de um jeito que você não pode possivelmente imaginar. Você quer saber o que eu sei sobre família? Aí está.


– Alex... – Não – grunhiu ele, avançando na direção dela. – Eu não preciso da sua pena. Eu não sou mais aquele menino. Não sou uma vítima. Escapei por pouco. Arranhei as articulações dos meus dedos escalando o muro daquela prisão. Não escapei ileso, mas escapei. – É por isso que você odeia Ajax? Porque ele não foi afetado? – Claro que isso é parte da razão por que eu o odeio. – O que aconteceu quando você fugiu? Alex a puxou contra o peito. – Eu não quero mais falar. – Alex...


Ele a beijou, seus lábios exigentes se esmagando contra os dela. – Não tenha medo de mim, Rachel – disse ele, suas mãos deslizando pelas curvas dela. – Não se esconda de mim. – Alex... – disse Rachel, o nome dele quase uma súplica. Súplica porque ela não estava certa. Por liberdade? Por um momento, desacorrentada da jaula em que havia se trancado? – Não existe vergonha comigo – disse ele, contra os lábios dela. – Nenhuma mesmo. Você me quer – disse ele, beijando-a no pescoço e no colo. – Diga que você me quer. – Eu não posso...


– Diga o que você quer – exigiu Alex, sua voz firme enquanto ele se abaixava e sugava o mamilo dela. – Nós acabamos de fazer isso, bem, meia hora atrás – murmurou Rachel, enquanto jogava a cabeça para trás. – Sim. Eu sei. E você já me quer de novo. Porque você é muito sensual, Rachel, não importa o que você ache. Porque você tem desejo. Tanto desejo. E isso é lindo. Ela respirou fundo, tentando conter a repentina e inesperada precipitação de emoções. Mas não havia tempo. Não naquele momento. Não quando Alex a estava beijando daquele jeito. Não quando ele estava pegando aquela


memória que Rachel tinha acabado de dividir com ele e mudado o modo com que ela se sentia sobre aquilo. Mudado a maneira com que ela se sentia sobre si. – Diga o que você quer – rosnou Alex. – Você – disse ela. – Diga como eu faço você se sentir – disse ele, erguendo a cabeça, raspando os dentes contra o pescoço dela antes de sugar fortemente a curva delicada de sua pele, afastando a sensação de ferroada. – Eu... eu quero você, Alex. – Como nenhum outro? – Nenhum outro.


Ele colocou a mão entre as coxas dela, acariciando com a ponta do dedo seus recantos secretos, ao mesmo tempo em que a penetrava com um dedo. – Diga... – repetiu ele, a voz rouca por um fio, deixando claro que não haveria discussão com ele. Aquela era uma voz que deveria ser obedecida. – Eu... – As palavras se agarraram à garganta dela, vergonha e autoproteção impedindo-a de dizer qualquer coisa. – Diga, Rachel, ou não vou deixar que vá a lugar nenhum. – Alex... – implorou Rachel, contorcendo-se enquanto ele a mantinha longe do paraíso.


– Eu não tenho tempo para deixar você se esconder, agape. Ou você me quer ou não. Mas você precisa me dizer. – Ele introduziu mais um dedo, ampliou os movimentos, puxando-a para perto sem liberá-la. Ela estava em agonia e ele sabia disso. – Eu... eu quero você dentro de mim. Ele riu malicioso, perverso, malandro. Eletrizante. – Eu estou dentro de você. Ela sacudiu a cabeça. – Não foi isso que eu quis dizer. – Então diz o que você quer. – Eu não... – Você me quer? – Ela assentiu, mordendo o lábio com força. – Então


diga. O rubor inundou o rosto dela, de vergonha e excitação. Tão ridículo, já que era um momento de tanta intimidade. Quando haviam feito ainda mais apenas meia hora atrás, por que ela não conseguia dizer o que queria? Por que era tão difícil ser honesta? Com ele? Consigo mesma? – Eu quero você, quero seu membro dentro de mim. – As palavras saíram agitadas. Alex a beijou profundamente. Então, retirou os dedos de dentro dela e a ergueu nos braços, carregando-a para o quarto e a depositando no meio da


cama, empurrando sua cueca pelas pernas e indo juntar-se a ela. Rachel separou as pernas e agarrou o desejo dele, guiando-o para dentro de seu corpo. Ela arqueou as costas, um gemido áspero escapando dos seus lábios enquanto ele a preenchia. Ela se sentiu tão ávida dele, tão pronta para o prazer. Incrível, considerando o que tinha acontecido mais cedo. Mas era como se Rachel não conseguisse ter o suficiente dele. Rachel tinha esperado por Alex toda a sua vida. Logo que teve esse pensamento, ela o empurrou para longe. Empurrou tudo


para longe, a barreira que ela mantinha entre si mesma e o mundo. Rachel se esqueceu de sentir vergonha, esqueceu de conter as emoções, esqueceu de ser quieta e digna. Pendurou-se nos ombros dele, enterrou as unhas em sua pele e envolveu as pernas no seu quadril. Mordeu o pescoço dele e gritou, surfando a onda de prazer até o êxtase. Ele bateu forte dentro do corpo dela, até que ele se enrijeceu, um grito rouco nos lábios, quando encontrou o ponto exato do próprio prazer, quando jorrou dentro dela. Quando tudo acabou, Rachel ficou deitada ali, tremendo. Sentindo-se


vulnerável e frágil. Como uma criatura que tivesse sido arrastada do seu covil e exposta à força ao sol, descoberta, desprotegida. E ela começou a se retirar tão rápido quanto possível. Fez o possível para tentar reconstruir seu sistema de defesa. Mas os braços dele estavam em volta de seu corpo e ele beijava o seu pescoço, seu ombro, a curva do seu peito. Aquilo tornava impossível para ela se retirar completamente. Porque ele a mantinha cativa. – Você não pode querer fazer isso de novo – disse ela. – Eu estou totalmente esgotada.


– Essa é uma das vantagens dos homens mais jovens – disse Alex, beliscando levemente o mamilo dela. – Nós podemos amar a noite inteira. – Eu não posso. Estou exausta. – Fisicamente ela podia tê-lo mais uma vez. Ela já o desejava. Como poderia se cansar de um homem como ele? Mas emocionalmente? Rachel não tinha forças. Porque ele tinha feito alguma coisa com ela, mais do que libertar uma parte selvagem que ela não sabia existir. Aquilo era mais do que apenas sexo. Rachel estava nua até a alma e não havia como aguentar mais intimidade.


Ela olhou para ele, seus olhos colidindo. Alex era tão bonito. Um homem construído para tentar até a mais correta das mulheres. E ela nunca tinha sido tão correta assim; havia apenas fingido. Esse homem era o pai do seu bebê. Ah, meu Deus, o bebê... – Qual é o problema? – perguntou Alex, sentindo a tensão na pele dela. – Eu não sei... eu... eu estava pensando no bebê. Alex apoiou a mão sobre a barriga dela. – Como você está se sentindo sobre isso?


– Com medo. Tudo bem. Quero dizer... isso é muita coisa para resolver. – Naturalmente. E quais são os seus planos? Se você não se casar comigo, o que você acha que devemos fazer? – Eu não quero falar sobre isso agora. – Ela se sentia esfolada em carne viva, e não achava que podia nem mesmo pensar na gravidez em termos de ela produzir um bebê de verdade no final, muito menos em como Alex e seu relacionamento com ele se encaixaria nisso tudo. – Quando então, Rachel? Você está grávida de um filho meu. Você sempre acaba em minha cama. E você é minha, simples assim.


– E por que eu sou sua? – Porque você vai ter o meu filho. E porque eu a quero. – Para ser quem você quiser que eu seja. Para fazer o que você quiser que eu faça. Os lábios dele se curvaram. – Eu perguntei o que você queria. E você me disse. Ah, Deus, você disse mesmo. – Cale a boca, Alex – disse Rachel, afastando-se dele, aquelas palavras começando a ficar familiares. – Por que você ainda quer fingir ser um robô? – Porque não posso lidar com tudo isso logo agora! – explodiu Rachel. –


Com o bebê. E com você... e... e a minha família... eu não posso. – Ela se levantou da cama e começou a procurar por suas roupas. – Precisamos lidar mais cedo ou mais tarde. Rachel teve aquela sensação de novo. Como se a pressão fosse demais. Como se ela estivesse cheia demais de... tudo e como se não houvesse alívio no horizonte. Como se estivesse se afogando dentro de si mesma. – Não exatamente agora – disse ela. Ela olhou em volta e percebeu que suas roupas estavam na sala de estar. – Droga! – Puxou a manta da cama e a


enrolou no corpo, cobrindo suas curvas. – Eu vou para a cama. – Está bem. – E não vou me casar com você. – Ainda – disse Alex, seus olhos azuis cravados nos olhos dela. Ah, aqueles olhos... – Por que você se importa com isso? Você não sabe nada de normalidade. Você mesmo disse que a sua experiência familiar foi... foi horrível, então por que isso importa? – Porque vou dar algo bem melhor do que aquilo para o meu filho. Eu não posso consertar nada do que aconteceu comigo. Eu não posso fazer... desaparecer. Mas posso me certificar de


que nenhum filho meu seja exposto ao que eu fui. Que eles sempre saibam quem são seu pai e sua mãe. Que nós estejamos lá por eles. Se isso não é o que você quer... talvez você devesse ceder a custódia do bebê para mim. O corpo dela recuou com essa ideia. – Não! Eu jamais desistiria do meu bebê. – Você mesma disse que não estava certa de como se sentia em relação à gravidez. – Porque eu estou com medo. Porque eu sei a enorme responsabilidade que isso é! Porque eu não quero... criar uma criança que cresça como eu e eu não sei como não


fazer isso. Como proteger uma criança sem sufocá-la. Como guiá-la sem fazer com que se sinta como se suas escolhas fossem todas erradas... Como protegê-la quando estiver sendo realmente uma idiota. Eu nem mesmo sei quem sou, Alex. Como posso lidar com a vida de outro ser humano? – Comigo – respondeu ele, e sua voz soou áspera. – Sem ofensa, mas não estou certa de que formar um casal com duas pessoas emocionalmente muito prejudicadas vá resultar em nada além de confusão. Rachel se virou e saiu do quarto, o peito inchado, o corpo dolorido.


Ela nĂŁo sabia como resolver aquilo. NĂŁo sabia o que queria. Naquele exato momento, Rachel mal podia se lembrar de como respirar.


CAPÍTULO 9

FAZIA DUAS

semanas desde a viagem para Cannes. E duas semanas desde a última vez em que haviam ficado juntos. E Alex tinha certeza de que sua cabeça iria explodir – isso se outras partes de seu corpo não o fizessem antes. Não tinha ideia de como alcançá-la. Ele nunca quis alcançar uma mulher antes, não de algum jeito que não fosse


o físico. Mas Rachel... Ele queria que ela desse mais a ele. Sem precisar se sentir desconfortável com isso. Com certeza aquilo não era completamente insensato. Ela não queria tudo que ele tinha para dar, de qualquer maneira. Não que ela tivesse alguma ideia do que aquilo poderia significar. Droga, ele mesmo não sabia o que aquilo poderia significar. E não desejava saber. Ainda assim, ela estava com ele, mesmo que vagasse por ali, indignamente curiosa sobre ele na metade do tempo. Rachel estava se escondendo, e Alex sabia disso. Mas


descobriu que não ligava para isso, desde que ela estivesse por perto. Exceto por uma manchete sobre os dois passeando no paraíso, que teve algo a ver com os dois sendo flagrados jantando juntos em Cannes, ninguém tinha ideia sobre o que realmente estava acontecendo. E, considerando a situação pouco definida, aquilo estava bom para ele. Rachel parecia pálida, no entanto. Mais do que quando eles se conheceram, e ele odiou a ideia de que pudesse ser por causa dele. Não deveria ser uma surpresa. Aquilo o atingiu. Atingiu aquilo que havia nele. Um garoto que ninguém poderia amar, um


homem que estava fundamentalmente condenado por sua própria genética. Aquele sangue sujo correndo por suas veias. A imagem da qual ele nunca poderia se livrar. Ele a viu sentada no terraço e caminhou pela sala, atravessando a porta, para se juntar a ela. – Bom dia – disse Alex. – Oi. – Pronta para a visita da médica? – Sim. Parece meio extravagante fazer com que ela atenda em casa. – Até que você esteja pronta para revelar a história, precisamos mantê-la em segredo. Suponho que você ainda


não esteja pronta para revelar ao mundo que terá um bebê, está? – Não. Ainda não contei ao meu pai. Mas vou falar logo. Ele está preocupado. Eu disse a ele... Eu disse a ele que eu só estava me divertindo um pouco. Ele disse... – Ela piscou rapidamente. – Ele disse que estava tudo bem. Que já era hora de eu me divertir. Por que é que ele me apoia tanto? Mesmo quando cometo esses erros estúpidos? – Por que ele não deveria apoiar você? – Não sei. Acho que faria mais sentido se ele apenas ficasse bravo.


– Por quê? Você é uma mulher crescida. Pode fazer suas próprias escolhas. – Não estou certa de ter escolhido sabiamente. Uma empregada apareceu na porta. – A dra. Sands está aqui. – Ótimo. Peça para ela entrar – disse Alex. A dra. Sands, médica de Rachel, que Alex ainda não havia conhecido, entrou no terraço sorrindo. Parecia estranho ter uma médica parada ali, saber que isso era sobre o bebê. Às vezes... bem, o tempo todo... era tão mais fácil não pensar no bebê...


Mas então, se não houvesse bebê, Rachel não teria razão para estar ali. – Olá, Rachel. Podemos subir e começar? Rachel olhou para ele com os olhos muito abertos. – Você está com medo de que eu participe da consulta? – perguntou ele. – Ou com medo de que eu não participe? Ela deu de ombros. – Não tenho certeza. – Eu vou. – Tudo bem. UM VESTIDO de verão folgado e um lençol: esses eram os acessórios que


Rachel usava para a consulta. Ela sabia que, tecnicamente, era cedo demais para precisar de outra consulta. Estava com quase oito semanas, mas não havia muito sentido em conferir de novo as coisas. Com exceção de que estava nervosa. Fazia duas semanas desde que tinha estado com Alex. Duas semanas. E ela havia se negado à única liberação que daria a ela algum alívio. Porque ele era demais. Porque ele queria demais. – Vá em frente e deite-se na cama, Rachel. Vai ser bem rápido. Eu entendo que você queira saber se podemos ouvir as batidas do coração. Não posso garantir nada. Se não ouvirmos, não


significa que as coisas não estão bem, só que ainda é cedo, mas vamos tentar. Ela assentiu. – Obrigada. Sei que está cedo, mas... temos... coisas para lidar. A dra. Sands lhe deu um sorriso empático. – Eu sei. Está tudo bem, vamos resolver tudo. – Alex, será que você poderia ficar... bem, não aí? – perguntou Rachel, enquanto se posicionava para o exame. Alex se moveu para a cabeceira dela enquanto a médica preparava o ultrassom. Rachel gemeu e esperou que as imagens aparecessem na pequena tela


da máquina portátil. – Aqui vamos nós – disse a dra. Sands. – Vê o movimento ritmado aqui? São as batidas do coração. Rachel olhou para o espaço negro na tela, para as pequenas linhas brancas e para o brilho cintilante, que significavam vida. – Parece que está tudo bem. Claro, não há garantias em qualquer estágio – disse a dra. Sands, olhando-a nos olhos. – Então você não quer tomar nenhuma decisão que seja muito drástica agora. Mas você está saudável e não há nenhuma razão para acreditar que qualquer coisa vá dar errado, certo? Rachel concordou.


– Certo. Isso é ótimo. Bom. – Vou deixar você se limpar. Alex? Talvez você queira vir comigo. E, se você tiver alguma questão, seria uma boa hora... As vozes deles desapareceram quando a porta se fechou e Rachel se levantou, as mãos tremendo enquanto entrava no banheiro e tentava se limpar da bagunça que o gel do ultrassom tinha deixado. No que ela havia se metido? Estava grávida e não havia como negar. Lá estavam as batidas do coração. Dentro dela. Nunca tinha estado tão apavorada na vida.


Respirou fundo, tão fundo que engasgou, e voltou ao quarto. Ela estava bem. Ela ficaria bem. Não precisava chorar. Nunca tinha chorado. Não chorava havia anos. Não ia começar agora. Ela não chorava desde que a mãe tinha morrido. A mãe dela... Não é assim que deveria ser, Rachel. Não, Rachel, você está fazendo isso errado. Você está falando alto demais. Você está fazendo muita bagunça. Você não deveria sair à noite. Você não deveria usar aquele vestido. Rachel, como você pôde fazer algo assim? Eu não ensinei você a esperar


pelo seu marido? Rachel piscou rapidamente, tentando bloquear as memórias. A voz crítica em sua cabeça. A voz da mulher que era perfeita e graciosa com todos. Com todos, menos com ela. Porque Rachel não conseguia fazer nada certo. Rachel nunca seria capaz de fazer as coisas da maneira que elas deveriam ser feitas. Rachel nunca faria o certo. Nunca. Ela andou até a cama, apertando o peito, os ombros tremendo enquanto era rompido o dique de emoções represadas há dez anos, mantido nela tão firme, em um bolo tão apertado, que ela se contentara em carregá-lo


dentro dela por aí para sempre. O dique se rompeu e espalhou as emoções por todo o quarto. Ela mal teve consciência da porta do quarto se abrindo. – Rachel? – Era voz de Alex, que em seguida soltou um xingamento agudo. – O que está errado? Você está bem? – Não posso fazer isso, Alex! – Sim, pode. – Não, não posso. Não posso... nunca fazer as coisas da maneira como elas devem ser feitas. Eu estrago tudo. Não sei como amar uma criança, e seguir meu coração, usar minhas emoções, sem tomar decisões ruins. E se eu... se eu continuar como sempre fui e não


ligar... então de que serve? Não posso. É muito difícil. Eu vou estragar tudo, eu sei que vou. Os braços dele estavam em volta dela, abraçando-a apertado, seus lábios na têmpora dela, os dedos entrelaçados em seu cabelo. Na última discussão deles, as palavras raivosas não se evaporaram, mas naquele momento eles estavam em trégua. – Rachel, você pode fazer isso. Você pode. – É mentira, Alex. Sempre foi mentira. Não sou perfeita. Eu escondo todos esses pedaços de mim, e não os mostro para ninguém. Não sei como dar tudo de mim porque tenho muito


medo disso. Nunca vou ser boa o suficiente. Eu tentei, Alex, coloquei tudo em suspenso porque ela estava doente. Eu a ajudei a planejar as festas dela, escolhi Ajax porque ele era seguro e fácil e não desgraçaria a mim ou a minha família. A imprensa me vê e acha que eu sou como ela, mas eu... Ela nunca estava feliz. Eu sou... toda bagunçada por dentro, Alex. Ele a trouxe para si; seu corpo era uma parede para que ela se apoiasse. – Não somos todos uma bagunça? – Eu sei – disse ela, fungando alto. – Eu nem mesmo chorei por... Esta é a primeira vez em oito anos.


– Eu não choro desde que era um garoto. – Há quanto tempo? – Ela quis saber. Quis saber o quanto o fardo que ele carregava era pesado. O dela tinha sido quase insuportável de carregar. – Provavelmente por doze anos. Um garoto de 14 anos. Posso ter chorado naquela época. – Por quê? – Quer meus segredos agora, agape? – Acho que nós não temos motivos para manter segredos. E eu os quero, de uma vez por todas. Mas você não quis contá-los. – Deixar a propriedade dos Kouklakis foi a única coisa difícil que eu


já fiz. O pior dia da minha vida. Minha mãe estava morta. Eu me senti muito sozinho. Com medo do que havia pela frente. Quis fugir, e mesmo assim temi a liberdade. Eu sabia que não podia ficar porque... pelo que eu me tornaria se eu ficasse. Naquele dia, eu chorei. Foi o único lar que eu conheci, e eu o amei tanto quanto o odiei. – Seus problemas são bem maiores que os meus. Devo parecer uma maluca para você. – Não. Não vejo você dessa maneira. – Como? – Porque isso machuca você. Se tem uma coisa que eu aprendi por estar na posição em que eu tenho estado, por


estar próximo aos tipos de pessoas aos quais estou exposto, é que as pessoas têm dores em comum. Elas vêm de lugares diferentes, mas têm os mesmos tipos de dores. – Perdoe-me, Alex, mas você é um dos homens mais amorais que eu já conheci. Você me usou para atingir Ajax, você ia estragar meu casamento... – Talvez. Eu não tinha me decidido. Bem... é provável que eu tivesse impedido você de levá-lo adiante. Porque... como eu disse, você é minha. – Você... não faz nenhum sentido para mim. Você age como se tivesse sido criado por lobos... e então você vem e me diz coisas como esta. Você


vem e me diz coisas tão inspiradoras, e que me fazem sentir como se eu não estivesse sozinha, como se eu não fosse a maluca que acho que sou. – Você provavelmente é maluca, sim – disse ele, as palavras soando tão engraçadas e fora de ritmo naquele sotaque. – Mas uma maluca muito charmosa. – Obrigada. Eu fico agradecida por isso. – Bem, eu não quero ver você se questionando sobre o que pensa sobre mim muito a fundo. Pode fazer com que você repense as coisas, sabe? – Talvez eu deva fazer isso. – Rachel se aproximou ainda mais dele. O


coração dela estava batendo rápido, a emoção fluindo através dela e deixando-a tonta. – Rachel... – O olhar dela encontrou o dele. Ele parecia estar sofrendo, de olhos fechados, um sulco profundo entre as sobrancelhas. – Não vou bater em você – disse ela, esticando-se e beijando o pescoço dele. – Só quero beijar você. Ele se esticou e agarrou o pulso dela, segurando-a em frente aos olhos dele. – Somente se você tiver certeza absoluta de que quer que eu a puxe de volta para aquela cama e possua você rápido e com força. Que torne você minha. Que faça você gritar.


– Acho que quero – disse ela com a voz tremendo, com o corpo todo tremendo. Ele segurou o rosto dela com a outra mão, a expressão intensa. – Isto não é bom o bastante. É melhor que você esteja completamente certa. – Quero você, Alex. – Por quê? – perguntou ele, a voz dura. – Porque você é o único homem que já me fez sentir dessa maneira. Porque você é o único homem que eu já quis, quis de verdade. Tudo que eu fiz, da Rachel rebelde à bem comportada, tem sido por outras pessoas. Você foi a


primeira coisa que eu já fiz por mim mesma. – Entendo. – Ele traçou a linha da mandíbula dela com as pontas dos dedos. – Ainda sou um erro para você, Rachel? – Ainda não sei. – O quê? Você precisa... estar comigo uma vez mais antes de ter certeza? – Posso precisar chegar ao final de... tudo antes de ter certeza. – E nesse meio-tempo você quer fazer amor comigo? Ela acenou lentamente, com as mãos dele ainda segurando as dela. – Sim. Isso me faz ser... Tem algo errado comigo?


– Tem algo errado com nós dois. Porque, devendo ou não, terei você esta noite. – Quando você diz coisas como essa... Alex, é suficiente para deixar uma mulher completamente maluca. E de um jeito bom. – É? – Ninguém nunca me quis. Não de verdade. Não eu. – Eu quero. Sente o quanto? – Ele colocou a mão dela no peito dele, sobre o coração, então a guiou para baixo, sobre a sua ereção, coberta pelo jeans. – Sente isto? – Sim – disse ela, apertando-o. – É impossível não sentir.


– Então você não pode ter dúvidas do quanto eu a quero. Quero isto. Se você quer ter certeza de algo, tenha certeza de mim. Do quanto eu quero você. – Você realmente diz coisas bonitas. – Sou honesto. Quando quero ser. – Isso me instiga muita confiança – disse ela, movendo a mão sobre ele, colocando-a em concha sobre seu jeans. – Acho que você devia tirar isso. – Daqui a pouco. Quero olhar você tirando seu vestido. Sempre fazemos tudo correndo. Não quero me apressar. – Posso não dar escolha a você – disse ela, movendo-se para longe dele, para o centro da cama e deslizando


uma alça do vestido pelo ombro. – Posso pular em você. – Eu receberei o desafio com prazer. Você não teria a metade da graça se não me punisse o tempo todo. – Então você gosta do meu falatório? – perguntou ela, empurrando a segunda alça. – Eu mais do que gosto dele. Ele me excita. Eu já vi mulheres passivas, de olhos vazios, curvadas, fazendo o que foram mandadas, o suficiente para uma vida. Não quero isso de você. Não quero uma complacência vazia ou... aquilo que você vinha fazendo enquanto tentava tornar a vida de todos


mais fácil à custa do que você queria. Eu quero fogo. Ela sorriu e puxou o zíper nas costas do vestido, deixando-o cair, revelando seus seios. – Acho que posso lhe dar fogo. Rachel estava tentando fazer tudo devagar, querendo parecer ousada, mas era difícil fazer isso quando sentia que poderia explodir. Ela empurrou o vestido por sobre os quadris. A luz do sol estava brilhante, filtrada através da janela, e ela estava nua agora. Mas não se sentia desconfortável. Ela se sentia incrível. Porque Alex realmente a queria.


– Nunca serei perfeita – disse Rachel. Ela estava fisicamente nua, mas se sentia como se estivesse emocionalmente nua, também. – Não sei do que você está falando. Você parece completamente perfeita para mim. – Você só está dizendo isso porque eu estou nua. Mas não é o que eu quis dizer. Eu quis dizer que... nunca vou ser o que a minha mãe foi. Eu tentei. Mas não consigo cantar no tom. E eu não gosto de grandes festas chiques, como ela gostava. Eu gosto de ficar em casa de pijama, em vez de usar vestidos de noite. Eu detesto aquelas estúpidas


mostras de arte que ela costumava patrocinar. – E por que você as frequentava? – Porque eu não sabia de que outra maneira eu poderia ser... valiosa. – Bem, agora tocar você parece ser mais importante do que o ar. Eu sinto que, se não tocar você, se eu não tiver você, posso morrer. O que você acha disso? – É bom. Não como um objetivo global de vida, mas bom o suficiente por agora. Alex colocou um joelho na beirada da cama e a puxou contra ele, beijandoa profundamente, seu braço apertado contra a cintura dela, a mão


descansando na curva de seu quadril, enquanto ele a explorava lentamente com seus lábios e língua. – Você é – disse ele, fazendo uma pausa para beijá-la novamente – a mulher mais incrível. A mais bonita. A mais frustrante. Você é, eu detesto dizer, uma cantora horrível. Mas como você pôde duvidar de seu valor? Ele beijou seu pescoço e ela estremeceu, quaisquer palavras que fosse dizer sumindo em sua língua, roubadas completamente pelo toque dele, pelo desejo dela por ele. Alex avançou nela, os braços fortes empurrando-a contra o colchão macio enquanto ele caía sobre ela, com uma


de suas mãos prendendo as dela sobre sua cabeça. – Você disse que comigo fez coisas que não imaginava serem possíveis – disse ele –, mas você me transformou em um homem que eu mal conheço. Eu sonho com você. Com a maciez da sua pele. Com os sons que você faz quando sente prazer. Eu penso em você me dizendo o que queria de mim. – O rosto dela esquentou à menção da lembrança. – Você é uma distração. Uma com a qual nunca esperei ter de lidar. Não consigo nem pensar em vingança, e, agape, eu estava pronto para pensar em vingança quando estava passando fome nas ruas, quando


conquistei meu primeiro milhão, meu primeiro bilhão. Eu sempre fui capaz de pensar em vingança. E pela primeira vez na minha vida minha cabeça está tão cheia de outras coisas, de outros desejos, que não posso. É isso que você faz comigo. Isso é poderoso. Você fez mais do que me fazer agir fora do meu caráter: você me mudou. Rachel riu, querendo tocar o rosto dele. – Não – disse Alex, traçando o mamilo dela com a mão livre. – Não vou deixar você livre ainda. – Por quê? – perguntou ela, implorando, sem fôlego, precisando


tanto dele que pensou que fosse enlouquecer. – Porque eu quero ir devagar. – Ele abaixou a cabeça, sugando profundamente um mamilo. – Quero saborear você. Ele ergueu a mão para acariciar o rosto dela e ela sugou o dedo dele. Alex fez uma pausa, com um sorriso curvando os lábios, o dedo encurvado bem acima da boca de Rachel. Ela o sugou profundamente, a expressão em seu rosto transparecendo uma leve angústia, então, enquanto ela o liberou, ela o mordeu gentilmente. – Você é perigosa. – Ele se curvou e a beijou, mordeu o lábio inferior dela


enquanto eles se separaram. – Mas eu também sou. – Nunca duvidei que você fosse perigoso – disse ela, tentando recuperar o fôlego. – Mas eu não sou. – Você não acha? – Não. – Mentirosa. Você é completamente mortal. Para a minha sanidade. Para meus sentidos. Não acho que consigo nem respirar direito quando olho para você. A mão livre dele passeou pelas curvas dela enquanto ele a mantinha parada. Ela se arqueou e se contorceu, tentando encontrar satisfação. Tentando se libertar. Mas ele a segurou com força


para levá-la ao clímax. E ele estava definitivamente se divertindo em provocá-la naquele momento. – Por favor, Alex. – Por favor o quê? – perguntou ele, beijando o pescoço dela, a curva do seio. Ele se posicionou entre as coxas dela, o jeans áspero contra a pele dela. E ela se moveu contra ele, desesperada por satisfação. – Por favor, me deixe... – Por favor, deixe você...? Lembre-se, você precisa pedir. Não se esconda de mim, Rachel. Diga-me o que você quer. – Por favor, me deixe senti-lo dentro de mim – disse ela, o rosto ficando


quente com a excitação, não por vergonha. – As coisas boas vêm para quem espera – disse ele. – Estou esperando. Tenho esperado por duas semanas. – Eu também. E, agora, quero ir com calma. Alex se afastou dela na cama e tirou a camiseta. Ela observou os músculos dele brincarem por debaixo da pele dourada, enquanto ele tentava tirar o cinto e empurrava a calça e a cueca para baixo. – Quero você – disse ela. – Eu sei. – Eu quis dizer... saia da cama.


– Não obedeço ordens. – Você deveria obedecer essa. Saia da cama. Ele obedeceu, permanecendo perto, e ela se moveu para a beirada da cama, de joelhos. – Quero isto. Ela abaixou a cabeça, o coração batendo forte. E, então, Rachel percebeu que realmente queria fazer aquilo. Ela realmente queria prová-lo. Não porque iria dar prazer a ele, mas porque ela o queria. Queria-o em sua boca. Sua língua se moveu para testar a cabeça de sua haste. Dedos fortes agarraram seu cabelo, puxando-a gentilmente para trás.


– Você não precisa fazer isto. – Eu sei. – Rachel encontrou os olhos dele. – Eu quero, Alex. Ele afrouxou as mãos e ela se curvou novamente, tomando-o na boca. O suspiro agudo que ele deu e a tensão de seu corpo enviaram uma pontada afiada de prazer diretamente para seu peito. Ela estava muito consciente de que aquele era Alex. O passado não estava com eles. Não havia nada vergonhoso ligado a nada que ela estivesse fazendo por ele porque ela queria aquilo. Porque não era egoísmo ou coerção. – Pare, Rachel. – Por quê? – Estamos saboreando, lembra-se?


– Bem, eu estou – disse ela. Ele gemeu e puxou Rachel para si, trazendo-a de volta para a cama antes que ela entendesse o que estava acontecendo. Com um braço, ele a envolvia, e o outro acariciava seu rosto. – Você me leva ao limite do meu controle. O beijo dele foi duro, exigente, sua língua deslizando sobre a dela, a fricção úmida enviando uma onda de luxúria através do corpo. – Eu odiaria ver você perdendo o controle, então – disse ela, ofegando enquanto eles se separavam. – Tenho certeza de que não posso lidar com isso. Ele riu, o som vazio de calor.


– Talvez não. – Ele apertou as mãos nela e os reposicionou, de modo que ele ficou atrás dela. – Então novamente... talvez eu consiga fazer coisas boas com minha perda de controle. Ele segurou um dos seios dela com uma das mãos em concha, virou o rosto dela na direção dele com a outra e beijou os lábios dela. Rachel podia sentir a ereção dele, dura e quente contra ela. Alex tirou a mão do seio dela e se posicionou na entrada do corpo dela, testando-a antes de invadi-la. Ela deixou a cabeça cair para trás contra ele, provando-o tão profundamente quanto podia.


A mão dele se ajeitou por entre as coxas dela, encontrando o ponto do prazer enquanto a penetrava. Ele a segurou contra ele, os braços apertados contra o tórax dela, o hálito quente no pescoço dela enquanto sussurrava palavras sensuais em seu ouvido. Alex gostava de falar coisas picantes. E o fazia muito bem. Falando o quanto o gosto dela era bom e todas as coisas que ele queria fazer com ela, em detalhes explícitos. Rachel estava quente em todos os lugares, o prazer percorrendo o corpo dela em ondas quentes e firmes, chegando perto da impossibilidade.


– Liberte-se para mim – disse ele. – Você queria isso. Agora tem minha permissão. Não deveriam ter sido sensuais, mas as palavras dele, roucas e sussurradas, tão imperiosas, levaram-na ao limite. Um grito rouco escapou dos lábios de Rachel quando ele arremeteu dentro dela uma última vez, o prazer atravessando-a como uma onda, enriquecido pelo pulso do membro dele enquanto ele encontrava o próprio prazer. Rachel se deitou contra ele, ofegante, o corpo tremendo com o prazer, os pulmões queimando. O coração dela estava batendo com força, e doeu.


Porque ele parecia pesado. Ela não conseguia definir nada daquilo, apenas sabia que a fazia sentir-se feliz e desesperadamente triste ao mesmo tempo. Ela o queria. De todas as maneiras. Queria ter aquilo, mantê-lo com ela. E sabia que não ia acontecer. Ela o rejeitara. E Alex era jovem. Ele conheceria outra pessoa. Formaria família com ela. E ela só pôde pensar em uma coisa para dizer. – Eu me casarei com você, Alex.


CAPÍTULO 10

ALEX ESTAVA certo de que não a tinha ouvido corretamente. Ele tinha dificuldade de ouvir qualquer coisa, porque seu sangue ainda rugiam em seus ouvidos e as batidas de seu coração estavam mais altas em sua cabeça do que quaisquer sons na sala. E ainda assim ele a escutou. Rachel havia concordado em se casar com ele.


E, por alguma razão, em vez de parecer que tudo estava se ajeitando, ele se sentiu um pouco como se estivesse caindo aos pedaços. – Estou feliz em ouvir isso, Rachel. – Parece uma conversa estranha para se ter agora. – Não, acho que um homem deveria se sentir lisonjeado se uma mulher decidir, depois do sexo, que ela vai se casar com ele. Melhor do que na última vez. Depois da qual você me disse que não queria conversar e só pensava em fugir intempestivamente. Ela limpou a garganta. – Hum... é só... tudo muito confuso.


Ele se virou, segurando-a delicadamente, o corpo curvilíneo contra o dele. Então colocou a mão no abdômen dela, como havia feito duas semanas atrás. Ainda estava chato. Ainda não havia sinal do bebê que ela carregava. Se não fosse pelo exame mais cedo, ele dificilmente acreditaria que ela estava grávida. – E agora não está? O que mudou? – Se eu disser que foi o clímax, você vai fugir? Ele poderia ter rido da candura dela, se o peito dele não parecesse soterrado uma pilha de tijolos. – Não.


– Bem, não foi isso. Não de verdade. Mas em parte é. Não posso imaginar tentar criar uma criança com você. Vendo você. E pensar em não ter isto... eu só pensei que, e eu serei perfeitamente honesta com você, se eu não me casasse com você haveria outras mulheres. Que você poderia ter um filho com outra pessoa. Eu não quero isso, Alex. O que me leva ao próximo ponto... se você se casar comigo, serei a única mulher que você vai ter. O desejo dela por ele o aqueceu de uma maneira estranha. O pensamento de que ela pudesse estar com ciúmes. Que quisesse garantir que apenas ela o teria.


– Está bem para mim. – De verdade? – Sim. Eu não tenho desejo de fazer você se sentir usada jamais. E não é apenas por causa do seu passado, mas por causa do meu. Do passado da minha mãe. – Você a amava, não é? As palavras dela acertaram o alvo em cheio. – Sim. Ela era minha mãe. – Mas muitas pessoas ficariam bravas com suas mães por as colocarem nessa posição. – Ela foi uma vítima, Rachel. Nada mais que isso. Triste e muito patética e eu não tenho condições de ficar bravo


com ela. Ninguém mais na terra a amou, só eu, e eu estou feliz em ter sido o único. – As palavras pararam em sua garganta, uma nota de tristeza em cada uma delas. Ainda o garoto que esperava o amor da mãe. O garoto que nunca realmente o tivera. – Minha mãe... Quando ela descobriu sobre o vídeo... meu pai teve de contar para ela porque o pagamento a Colin foi bem alto. Veja você, eles tinham tanto dinheiro e ela nunca teria notado, mas ele sentiu que deveria fazer isso. Ela teve tanta vergonha de mim. Ela havia me ensinado mais que isso, a não deixar os homens me convencerem a fazer coisas. Nunca


beber, nunca fumar, nunca macular a reputação da família. Ela me disse para preservar minha virtude. E eu não fiz isso, aos olhos dela. Eu constrangi a família toda, arruinei a minha vida para sempre, e tudo teria sido evitado se eu simplesmente tivesse sido... – Mais como ela. – Ele sentiu um peso de chumbo se assentar em seu peito. Tão estranho, mas ele sentiu por ela. Sentiu a dor dela. Como sentiu o prazer dela quando fizeram amor. – Sim. Mas você... você se lembra das falhas da sua mãe e você a ama. – Eu lembro – disse ele, sua garganta se apertando.


– Eu amo minha mãe, mas às vezes eu acho que me lembrar dela como algo perfeito, da maneira como todos se lembram, é um insulto à memória dela. Sou a única que teve um relacionamento franco com ela. É quase como se eu tivesse conhecido alguém diferente. – São suas memórias, Rachel. Não estão erradas. E você tem o direito de se sentir triste sobre elas. – Você é melhor que um terapeuta, Alex. Claro, enquanto você lida com todas aquelas questões antigas, você me dá todo um conjunto de novas. – É mesmo? – perguntou ele. A piada dela, que ele tinha certeza de que tinha


um fundo de verdade, o fez se sentir inenarravelmente cansado. Fez com que se sentisse como se estivesse estragando algo maravilhoso. – Nada sério – disse ela. – Não, apenas um bebê e um marido. Não estou dando nada sério a você. – Ei, um dia de cada vez, certo? – Então sua solução é não pensar nisso? – Não, eu penso sobre isso. Tudo bem, eu não penso realmente. Mas estou pensando agora. Pensei mais cedo. – Foi o motivo de seu ataque de nervos.


– Estou com medo. Porque sei o quanto uma pessoa, mesmo boa, pode machucar uma criança. Estou com medo de não ser boa o bastante. Estou com medo de não conseguir fazer isso. – Você tem de ter alguma confiança, porque eu fui criado em um bordel e uma casa de drogados e estou bem convicto de que você é a melhor chance de nosso filho ser normal. – Não sei, não. – Você é tão normal quanto pode ser, aliás. – O amor conserta uma série de coisas – disse ela. – Veja como você se sente sobre a sua mãe.


– O amor unilateral não é suficiente – disse ele, com a voz rouca, as palavras que ele odiava dizer mais do que tudo soltas no ar agora. – Claro que ela amava você, Alex. Ela provavelmente só tinha dificuldade em demonstrar isso. Como a minha mãe. Mas as palavras da mãe dele ressoavam em seus ouvidos. As últimas palavras que ela dissera para ele. – Você estragou tudo! Eu o mantive todo este tempo para ele! E agora você o roubou de mim. Ele é a única coisa que eu amei. Ele é a única razão para que eu mantivesse você todo esse tempo! Porque eu soube, então, que ele nos


deixaria ficar! E agora ele quer que eu vá. Eu não tenho mais nada! – A mim, mamãe. Você tem a mim. – Eu não quero você, garoto estúpido! Eu nunca quis. Eu prefiro morrer a ficar sem ele. – Tenho certeza de que foi isso – disse ele, as palavras vazias, a visão da ameaça de sua mãe tão firme em sua mente. – Tudo ficará bem. E ele sabia que não acreditava em nada do que acabara de dizer. RACHEL PRECISAVA ligar para casa. Fazia quase dois meses que cancelara o casamento e, ainda assim, ninguém


sabia que ela estava noiva de Alex, nem do bebê. Ajax e Leah tinham passado por muitos problemas, que resultaram em uma ligação de Ajax para ela. Aquilo tinha sido estranho. Mas ele só queria falar de Leah. Ele a amava, o que fez Rachel se sentir bem. Sobre tudo. Porque Ajax e Leah tinham sido feitos um para o outro, e agora, agora que Ajax fora capaz de confessar seu amor, eles estavam juntos. E eles iriam ter um casamento bem melhor do que ele e Rachel teriam tido. Tão bom para eles, mas agora ela deveria atravessar a barreira dela e de


Alex. Escondendo-se na casa dele. Fazendo viagens ocasionais a Cannes juntos, para conferir a butique cara. A coisa boa era que a loja era bemsucedida, e Alana estava pensando em abrir um segundo ponto. E Alex aconselhava Rachel a investir, então ela estava analisando outros negócios também. Ela estava se tornando uma investidora do mercado de capitais. Rachel tinha talento para o negócio e possuía um fundo para começar. E ainda mantinha sua mente fora de toda a realidade que a esmagava. E, meu Deus, havia muito para absorver. Para começar, estava cultivando alguns sentimentos reais e sérios por


Alex, e aquilo era algo difícil de lidar. Era assustador, especialmente quando tanto do futuro deles estava em jogo. E, então, havia o negócio do casamento. Outro grande casamento. Apenas alguns meses depois de ela ter desistido do original. A coisa toda a fazia se sentir meio estranha. Ou muito estranha. Rachel ainda tinha uma ligação para fazer. Ela encontrou o número de Leah em seus contatos e apertou “chamar”, respirando profundamente e sentandose no sofá.


– Oi, Leah – disse ela, quando sua irmã atendeu. – Rachel! Não falo com você há... muito tempo. – Eu sei. Sinto muito, mas estou meio que lidando com minhas coisas, e não quis atrapalhá-la, porque sei que você também está resolvendo sua vida. Leah suspirou. – Sim. Mas está tudo bem agora. Eu o amo, Rachel. – Houve uma breve pausa. – E isso, em parte, foi o motivo de não termos sido tão próximas quanto deveríamos todos estes anos. Porque sempre o amei. É minha culpa, não sua. É difícil estar próxima a alguém que tem o homem que você ama.


– Você o amava? – Sempre. – Rachel ouviu um som surpreendente na voz da irmã. – Sempre o amei. Uma lágrima escorreu pelo rosto de Rachel. Era tão fácil chorar atualmente! – Estou tão feliz por você ter se casado com ele, Leah, porque eu não o amava. Eu nunca o amei. E se eu tivesse tido alguma pista de que você o amava... Nunca teria nos colocado nisso. – Mas, no fim, tudo deu certo. Estou tão feliz com ele! – Ah, querida, e eu fico feliz por você.


– Certo, agora você precisa me contar sobre Alex, porque eu estou preocupada com você. Nós estamos preocupados com você. Ajax, também. Rachel sorriu. – Sim, ele está preocupado. Claro. – E Alex... ele é Alexios Christofides. Rachel hesitou. – Sim. – Você sabia? – Não de cara. Mas, quando soube, fugi do casamento. Quero dizer, isso é a coisa que eu meio que preciso dizer a todos vocês. – Não havia um jeito fácil ou indolor de dizer aquilo. Então ela simplesmente foi em frente. – Estou grávida. Alex e eu teremos um bebê.


– Ah... Ah, meu Deus. Eu não sei o que dizer. Eu vou lhe fazer um buquê de doces para o seu chá de bebê. Rachel riu. – Ah, uau. Um buquê de doces. Obrigada. Eu não... Eu não acho que eu queira um chá de bebê, na verdade. Acho que estou enlouquecendo. – Por quê? – Porque não é... Ele não... Ele quer se casar comigo por causa do bebê. Eu disse “sim”. Eu finalmente disse “sim”, porque ele é o pai do meu filho e não há outro homem com quem eu queira me casar. Então, “sim”, pareceu a coisa certa a dizer. Mas agora eu... Estou com medo. De tudo. De ter um marido que


não me ama. De ter um bebê quando não me lembro da última vez em que segurei um. – Eu posso... ver como isso seria assustador. – Certo? – E eu sei o que é casar com um homem sabendo que ele não o ama. Olhar para ele e saber... saber que não é você que ele quer. – Oh, Leah... A irmã dela fez uma pequena pausa. – Se você não quer se casar com ele, apenas venha para casa. – Eu acho que sim. Que eu quero, na verdade. Acho que preciso.


– Por causa do bebê? Você não precisa, Rachel. Todos nós apoiaríamos você. Você sabe disso. – Eu sei disso. Eu preciso por mim. Porque, por mais que, às vezes, eu sinta que eu não sei o que estou fazendo com ele, eu sei que eu não seria feliz sem ele. – O pior é que eu sei exatamente como você se sente. – Ajax? – Está tudo bem agora – disse Leah, suspirando –, mas no começo... sim. Eu precisei fazer uma escolha. Se eu queria ficar com ele, mesmo sabendo que eu não era ideal, ou se eu queria ficar sem ele.


– E obviamente você escolheu ficar com ele. – Sim, e funcionou. Mas não funcionou sempre. – Eu sei disso. – Eu sei que você sabe, mas alguém precisa dizer. Só para o caso de ter sido removido da sua cabeça pelo doce amor de Alex, o qual, estou supondo, foi o que atraiu você para ele no começo. – Aí é que está. Mas você sabe... havia algo a mais. No primeiro momento, havia algo a mais. Ela não tinha certeza exatamente do que o algo a mais era. E estava muito certa de que não queria saber. Embora tivesse uma suspeita.


E, como quase tudo que envolvia Alex, era a coisa mais excitante e assustadora que ela já havia experimentado. – Você o ama – disse Leah, no tom de voz experiente de alguém que tinha sido afligida pelo mesmo mal. O coração de Rachel afundou, e uma explosão de alegria surgiu dentro dela ao mesmo tempo. Foi aterrorizante. E maravilhoso. E horrível. Subitamente era como se as paredes tivessem vindo abaixo e não houvesse a Nova Rachel ou a Velha Rachel ou a Rachel com as Paredes de Aço em Volta de seu Coração. Só havia Rachel.


Rachel Holt, que amava Alexios Christofides mais do que tudo. – Sim. Eu o amo. – OLÁ, QUERIDA. Alex entrou no seu quarto, bem, no quarto que ele normalmente dividia com Rachel, e parou. Ela estava parada lá usando nada mais que uma camisola curta de renda, e com a expressão sedutora. – A que eu devo o prazer? – perguntou ele. – De quê? – Da sedução. Porque está claro o que está acontecendo aqui.


– Eu contei a eles. A minha irmã, ao meu pai. Sobre o bebê. Eles ficaram... surpreendentemente calmos. E eu... bem... eu me senti como se não pudesse me preocupar mais. Sobre decepcionar todo mundo. – Não está mais assustada sobre o bebê agora? – Ah, não, estou aterrorizada. Terrivelmente aterrorizada. Mas me sinto um pouco mais como se pudesse respirar novamente. Na verdade, sinto como se pudesse respirar em um longo tempo. Porque... porque, se eu realmente estou bem, como estou, quero dizer, se eu não tenho realmente de ser apenas um clone de minha mãe,


bem, então talvez eu possa me concentrar em ser uma boa mãe, porque eu não estarei me esforçando tanto para me manter sob controle. Isso faz sentido? – Tanto sentido quanto qualquer das nossas questões faz. Ela riu, tão doce e bonita em sua camisola de renda, o cabelo loiro cascateando por sobre o ombro... Era uma sedutora. Havia algo tão perfeito sobre isso. Algo tão libertador. Ele queria capturar aquilo, mantê-la com ele para sempre. Mas então... então ela não seria tão livre. Então, ela estaria em uma jaula


desenhada por ele, em vez de uma construída por Ajax ou por seu pai. O pensamento o deixou desnorteado. E mesmo assim não diminuiu a necessidade de mantê-la junto a si. De reclamá-la como sua. – Acho que isso é verdade. Acho que nada disto faz sentido para ninguém além de nós, certo? Aqui, entretanto – ela colocou a mão no peito dele –, está a coisa mais real da minha vida. Tentando lidar com a voz crítica, tentando melhorar, ser melhor. Enquanto morria secretamente de tédio. Não fui capaz de ser eu mesma por dentro. Não tive nem mesmo emoções que pertencessem a mim


porque... me disseram tantas vezes que eu estava errada... – Eu ignorei minhas emoções porque era a coisa mais segura a fazer. – Exceto que ele não havia ignorado suas emoções, não realmente. Ressentimento, raiva e aquele sentimento de impotência que toma um garoto que sente não ser amado... ainda estava tudo lá. E ele odiava aquilo. O silêncio caiu entre eles, a luz nos olhos dela mudando. Ela parecia feroz. Brava. – Você nunca deveria ter se sujeitado a essas coisas. Eu tenho vontade... de voltar atrás e proteger você e eu não posso. E me dói saber que eu não posso.


Ele sentiu que ela havia tocado diretamente em seu peito, tocado seu coração com a mão, apertando-o com força. – Não preciso de proteção. – Talvez não agora, mas você precisou. Eu queria que alguém tivesse protegido você. Acho que é maravilhoso que você ame sua mãe, em parte porque ninguém mais o fez. Mas eu queria, de verdade, que alguém tivesse se apresentado para protegê-lo. – Você... se importa tanto comigo, Rachel? – Mais do que isso, Alex. Na verdade, eu... eu queria dizer... Eu ia esperar até que tivéssemos feito amor e


que você estivesse sonolento, mas... eu amo você. Alex congelou. – Diga de novo – disse ele. – Eu amo você. Ela disse novamente, e tudo recomeçou. O coração dele batendo forte, causando uma mudança dentro dele que o fez sentir como se ele estivesse desmoronando, cada batida comprometendo as paredes de pedra construídas em torno dele para proteção. – Por quê? – perguntou. Alex não tivera a intenção de perguntar aquilo, mas no minuto em que o fez percebeu que era a


verbalização da dúvida que martelava em sua cabeça. Porque não fazia sentido. Porque ninguém fazia sentido. E ele não estava certo de por que aquela mulher bonita e incrível que parecia acender o mundo em chamas quando sorria, realmente pudesse se sentir daquela maneira a respeito dele. – Porque eu chorei na sua frente. Quis seduzir você, e ser seduzida por você e dizer coisas sensuais para você. Eu posso cantar fora de tom na sua frente. E você não me julga, nem olha torto para mim. Você me aceita dessa maneira, e eu me sinto como se pudesse me aceitar dessa maneira também.


Alex sentiu-se excitado. Sem controle. Despreparado para aceitar o que ela estava dando a ele, incapaz de devolver. Mas uma coisa de que tinha certeza era que ela lhe pertencia. O amor poderia fazer com que Rachel ficasse. Ele realmente tinha feito isso. Ele a havia feito amá-lo e, agora que ela o amava, ela não iria embora. Ela ficaria. Sua Rachel ficaria. Ele sentiu a necessidade, a intensa, indesejável necessidade, de marcá-la e solidificar aquele laço. Votos. Documentos legais. Ele precisava daquele casamento agora. Precisava têla em seus braços.


– Mostre-me o quanto você me ama – disse ele, com a voz em um gemido que ele não reconheceu. Os sentimentos nele eram estranhamente desconhecidos, algo que estava além de seu reconhecimento. – Como? – perguntou ela. – Mostre-me – repetiu ele, sentindose desesperado. Rachel se afastou dele e uma faísca disparou dentro dele. O fato de ela não tocá-lo o deixava maluco, mas ele tinha que deixá-la parar, porque ele tinha que ver o que ela faria a seguir. Alex estava impotente para fazer qualquer coisa, a não ser observá-la.


Rachel tirou a camisola rendada, expondo seu corpo a ele vagarosamente. E em seus olhos ele viu as emoções dela. Ela não estava fazendo pausas para piadas. Não estava interrompendo o momento com um comentário. Rachel se aproximou, os seios volumosos pressionados contra o peito dele. Alex forçou sua coxa entre as pernas dela, sentindo a umidade dela na sua pele. O desejo dela por ele. Ele colocou a mão na parte de baixo do corpo de Rachel e se moveu contra ela. A cabeça dela tombou para trás, os lábios separados, um som doce de prazer escapando de sua boca.


Ele segurou o queixo dela, firme, curvando-se para beijá-la enquanto continuava a se mover, continuava a satisfazê-la. Ele lhe daria aquilo. Não amor. Mas aquilo. E ela o amaria, tanto que seria suficiente. Porque ela diria que ele a fazia se sentir bem. E que o sexo importava. Alex mostraria a ela apenas o quanto ele poderia fazê-la se sentir. Apenas o quanto o sexo importava. Ele daria a ela tudo o que tinha para dar. Tudo. Ele afastou sua coxa do meio das pernas dela e a levou até a cama, empurrando-a para que seu quadril


repousasse sobre o colchão e as pernas ficassem por sobre a lateral. – Preciso de você – disse Alex, as palavras ditas dolorosamente. Você não sabe o quanto. Ele enganchou as pernas dela sobre seus quadris e arremeteu dentro dela. As costas dela se arquearam na cama, seus seios arredondados arrepiados. Ele tomou um mamilo com a boca e o sugou com força, até que ela gemesse. Até que ele sentisse os músculos internos dela se contraindo em torno do desejo dele. Rachel agarrou seus ombros, as unhas se enterrando nas costas dele enquanto Alex arremetia dentro dela,


duro e incontrolável. Ele não tinha controle. Não foi capaz de esperar. Ele precisava demais dela. Precisava continuar, correr do rugido do sangue em suas veias, forçar para uma libertação que faria a dor em seu peito acabar. Que faria tudo claro e calmo. Um êxtase que o purgaria de toda a espera e dor que estavam pesando nele. Alex a agarrou pelos quadris, puxoua para encontrar seu corpo com cada movimento. Não conseguia ter o bastante dela. Não achava que algum dia conseguiria. Ele nunca havia se sentido assim, como se estivesse desvendando os nós de seu coração.


Ela gritou quando chegou ao clímax e isso o levou ao extremo, seu próprio clímax engolfando-o enquanto ele se curvava para a frente, as mãos apoiadas no colchão de cada lado dela enquanto ele se encolhia. Os músculos dele em convulsão, o corpo tremendo. Foi a experiência sexual mais intensa de sua vida. Mas não havia tirado o peso de seu peito. A dor. A confusão. Mas havia deixado uma coisa profundamente enraizada nele. Ela era dele. Ele se afastou de Rachel, deitou na cama ao lado dela, suas pernas para


fora da beirada da cama, como as dela, enquanto tentava recuperar o fôlego. – Vou planejar o casamento para o mais rápido possível – disse ele. – O quê? Alex olhou para Rachel, viu-a respirar com dificuldade. Quando ela estava sem nada na parte de cima do corpo, era uma visão deliciosa. Ele apreciou o movimento gentil dos seios dela. – O casamento. Não há motivo para adiá-lo. Sua gravidez logo vai se tornar evidente. – Alex colocou suas mãos sobre a barriga dela, que parecia um pouco mais macia agora. Uma estranha


onda de orgulho o tomou, algo que ele não quis examinar muito de perto. – Talvez eu goste do visual de noiva grávida. – Você realmente gosta? – Não. – Tudo bem então, desde que você tome a decisão. E, uma vez que você me ama... não vejo motivos para adiar a cerimônia. – Você está sendo autoritário. – Sim. – Você é mais jovem do que eu. Você é que deveria ser meu brinquedinho, mas você é o líder da matilha? Não me parece certo.


Ele rolou e colocou suas mãos de cada lado dela, seus peitos grudados. – Você gosta disso. – Gosto. – Então, não reclame. Estaremos casados em breve. Vou contratar uma coordenadora de casamentos e você pode dizer a ela o que deseja. – Sim, isso parece... fácil. O coração dele disparou. – Você quer reclamar sobre isso? – Não, de maneira nenhuma. Não mesmo. Eu meio que já planejei um casamento. Pelo último ano da minha vida. E eu acabei não indo a ele, então isso é meio que... eu não me importo realmente com os detalhes.


Aquilo o atingiu com força. – Você não se importa com os detalhes de seu casamento comigo depois de um ano planejando seu casamento com Ajax? – Não fale assim. Não foi isso que quis dizer. Eu só estou... O casamento em si não parece tão importante, se considerarmos todas as coisas. É isso que eu quis dizer. Devemos pensar em como nossas vidas serão depois da cerimônia. – E como serão nossas vidas serão depois do casamento? – perguntou Alex. – Estaremos juntos.


Sim, Rachel era dele. Ela realmente pertencia a ele. Os músculos do corpo de Alex relaxaram, o corpo todo dele chegando ao langor pós-sexo que ele tinha antecipado. Não havia nada com que se preocupar. Ele ainda estava no controle de tudo, do começo ao fim. Claro, as coisas tinham saído dos trilhos algumas vezes, mas, no final, estava conseguindo o que desejava. No final, ele ia ficar com ela.


CAPÍTULO 11

ERA O dia do casamento dela. De novo. Como era estranho ter um segundo dia do casamento em um período de pouco mais de três meses! Mas ali estava o grande dia, novamente. Ela alisou a frente de seu vestido de noiva e se olhou no espelho. Era um vestido simples de chiffon que fluía por sobre sua barriga. Aquela barriguinha


que não podia ser comprimida em algo muito justo. Seu ventre estava macio e ela já estava usando calcinhas de gestante. A diferença é que agora Rachel amava Alex, e sabia que estar com ele era exatamente o que desejava. Não, ele não a amava, não exatamente. Ou pelo menos não dissera que a amava, mas ela queria estar com ele. E, como Leah tinha dito, algumas vezes é preciso fazer escolhas. Eles estavam se casando na ilha de Alex, e não na propriedade do pai dela. Aquilo a fez se sentir meio melancólica e triste. Na verdade, o fato de que sua família não se sentia parte de tudo,


como em seu primeiro casamento, era o que a fazia sentir-se melancólica e triste. E Alana não pôde ir porque teve de comparecer ao lançamento de um filme nos Estados Unidos, como convidada de uma celebridade para quem desenhava roupas. Ótimo para ela, mas péssimo para Rachel. Não que ela fosse pedir à amiga para desistir da oportunidade. Afinal de contas, era pelo negócio delas. Era a carreira de Alana, mas era o investimento de Rachel. Era uma ótima distração, de verdade. Saber que estavam a caminho do sucesso. Casamentos, quer ela amasse o noivo ou não, a faziam sentir-se nervosa.


Mas pelo menos Rachel sabia que agora não haveria nenhum amante do passado invadindo a cerimônia. Ela respirou fundo e apanhou seu buquê. Não, nada estragaria aquele dia. E, então, ela e Alex estariam casados, e o resto do mundo... simplesmente continuaria girando. Rachel ignorou o peso em seu coração que dizia o contrário. ALEX OLHOU pela janela de seu escritório, para o campo abaixo. Cadeiras tinham sido montadas na praia, e já havia pessoas ocupando os lugares. Um arco enfeitado marcava o altar. E havia flores em toda parte.


Parecia um pouco pomposo demais para Rachel. Nada ali parecia ter sido escolhido pela pessoa que planejara seu primeiro casamento, mas, como Rachel dissera não querer tomar parte na organização, a coordenadora de casamentos tomara as decisões importantes. Alex esperava que ela gostasse de tudo por ali, porque tinha sido ela que decidira não se envolver. Não importava. Tudo o que importava era que o casamento acontecesse, e rapidamente. Alex estava pronto para começar. Era hora, na verdade, de ele descer. Abriu a porta e se dirigiu ao vestíbulo.


Era isso. A peça final para mantê-la com ele. Porque Rachel o fez sentir-se novo. Fez com que ele se sentisse diferente de si mesmo. Ela o fez se sentir como um homem amado. E ele precisava daquilo. Precisava dela. Alex desceu as escadas e abriu as portas da frente da mansão, avançando a passos largos pelo caminho para a praia. Atravessou o pátio, ignorando as cabeças dos convidados, que se viraram. As pessoas que ele não conhecia. Convidadas de Rachel. Porque ninguém estava lá por ele. Ele não trouxera nada, em termos de


conexões ou amizades, para o casamento. Ele não tinha amigos. Tinha clientes. Ele possuía inimigos. Ele tinha Rachel. E isso bastava. Ela possuía amigos. Tinha uma família que a amava. Uma luz para ela, que, mesmo com sua dor e vulnerabilidade, parecia brilhar. Rachel era boa. E aquilo não era algo que se pudesse dizer dele. Havia uma razão para que ninguém nunca o houvesse amado. Uma grande pedra se assentou sobre seu coração, crescendo a cada passo. Fazendo com que cada passo se tornasse um desafio.


E, quando Alex passou os olhos pela multidão, seus olhos se encontraram com os de Ajax Kouros. Sentado na fileira da frente, sozinho, pois sua esposa entraria com Rachel. Ajax se parecia muito com o pai deles. Na cabeça de Alex, era uma bênção que ele não se parecesse. Perguntou-se se eles pareciam irmãos. Achou que reconhecia algumas semelhanças. O mesmo maxilar. O mesmo queixo. Os olhos de Ajax eram escuros enquanto Alex tinha os olhos de sua mãe. Mas parado ali, próximo ao altar, foi tomado por um sentimento nauseante e horrível.


Ajax tinha os olhos do pai deles. O amor do pai deles. Um amor que Alex não deveria desejar, mas desejou. Porque ele queria ser alvo do amor de alguém. De qualquer um. E Ajax tinha o amor de tantas pessoas. De sua esposa, de seu sogro. Ele possuía uma família. Tinha amigos. Alex estava sozinho. Alex, que acreditou poder encurralar essa mulher, essa adorável e linda mulher, em um casamento que ia oferecer tão pouco a ela. A mesma maneira que seu pai havia mantido sua mãe em seu prostíbulo. Em uma rédea feita de vício em drogas e um amor terrível e doentio.


Alex não era melhor que o pai. Ele havia usado o corpo de uma mulher em uma aposta por vingança. E agora estava amarrando-a a ele quando sabia que não podia lhe dar nada além de sua raiva, nada além do sangue sujo e ruim de suas veias. Observando Ajax sentado ali, Alex não viu nada além de um homem. Não um monstro, não um demônio. Não, o demônio nunca tinha estado em Ajax. O demônio sempre estivera dentro de Alex. Era a coisa que ele temia, a coisa que ele odiava. E era ele. Era por isso que ninguém o amava. O motivo de sua mãe ter preferido a morte a uma vida com ele.


Sempre tinha sido ele. Ele deu um passo atrás no corredor. E outro. E outro, até que estava saindo da praia, de volta a casa. Cambaleou para dentro e fechou ambas as portas atrás dele. Ergueu os olhos a tempo de ver Rachel descendo as escadas, com sua irmã, Leah, caminhando atrás dela, ajudando com a cauda do vestido. Ela parecia um anjo. Toda de branco, o arredondado sutil do seu abdômen destacado pelo tecido macio e fluido. Seu cabelo loiro arrumado em cachos soltos, um halo dourado que o fez sofrer e odiar o homem que tirara a inocência dela e a usara em seus jogos.


Odiou-se. Mais do que jamais odiou Ajax. Mais do que já havia odiado seu pai. Mais do que ele havia odiado sua mãe enquanto via o sangue escorrer de seu corpo, enquanto sentia que ela fosse roubada dele. Por que alguém amaria a criatura que ele era? Sua mãe deveria saber, mesmo na época, o que ele era. Ela foi capaz de amar Kouklakis, mas nunca tinha sido capaz de amar Alex. Preferiu se matar a encarar uma vida longe do bordel. A encarar uma vida com apenas ela e Alex. Se houvesse algo mais a dizer, ele não sabia o que era.


Eu teria salvado você. Ele lamentava aquele dia. Com força. Sem esperança. Teria dado tudo a você. Nunca tinha sido importante. Porque ele não foi suficiente. Ele nunca seria suficiente. – Preciso falar com você – disse ele. Rachel piscou. – Sobre o quê? Está tudo bem? – Precisamos conversar, Rachel. – Tudo bem. Leah, você pode nos dar um momento? A irmã dela concordou e se retirou, mas não sem antes dar a Alex um olhar duro que dizia que não se impressionava com ele. Bem, ela ficaria bem menos impressionada depois disso.


Mas não importava. Nada mais importava. Ninguém o odiava mais do que ele mesmo. Talvez, exceto, por Rachel. Mas ela o odiaria mais ainda se ele a sujeitasse a uma vida com ele. – Não vou me casar com você – disse ele. – O quê? – Você me ouviu. Não vou me casar com você hoje. – Por que não? Tenho um vestido. Temos uma licença. O que há de errado com você? – Tem uma coisa que eu não contei. Algo que vai mudar a maneira como você se sente a meu respeito.


– O que você acabou de dizer já começou a mudar a maneira como eu me sinto a seu respeito. – É compreensível. Mas você precisa ouvir isso, também. Rachel jogou o buquê no degrau e cruzou os braços. – Certo. Ótimo. Vamos ouvir. Pode falar. – Ajax Kouros é meu irmão. Aquilo a deixou chocada e em silêncio por um momento. – O quê? – Ajax é meu irmão. Nikola Kouklakis é nosso pai. Temos mães diferentes. Nunca soube quem era a


mãe de Ajax, e sem dúvida nenhuma ele também não soube. – Por que ele nunca disse nada? – Ele não sabe. Eu não descobri até depois que ele tivesse partido. Quando ele se foi, eu tinha por volta de 8 anos e ele deveria ter uns 16. Ele nunca soube. – Alex engoliu com dificuldade. – Quando eu tinha 14 anos, o próprio Nikola me contou que era meu pai. Eu fiquei aterrorizado, porque sempre tive medo dele. Sempre o odiei. Mas, ele disse que, como Ajax havia partido, eu deveria ser o herdeiro dele. E então... E então ele disse à minha mãe que era hora de ela ir embora, porque ali ela


atrapalharia os planos dele para mim. Ele não precisava mais dela. Alex fez uma pausa, o coração batendo forte e o corpo tremendo. Ele nunca havia contado a ninguém sobre aquilo. Ele nunca havia falado aquelas palavras em voz alta. Odiava essa lembrança. Odiava essa verdade. – Ele me contou como se importava comigo. Como proibiu quaisquer dos homens da casa de me tocarem. Como ele garantiu que eu fosse bem alimentado. Sempre pensei que fosse ela. Mas não era. Nunca foi ela. – Alex respirou fundo. – Eu fugi do escritório dele. Eu não queria ter nada a ver com ele. Com nada daquilo. Ela ficou tão


brava comigo. Ela me disse... que eu tinha estragado tudo. Ela nunca me quis. Tudo era sempre para ele. Eu disse que cuidaria dela. Eu disse que tudo ficaria bem. – O que aconteceu? – Ela se matou. Na minha frente. Por causa daquele futuro. No fim de tudo, preferiu se matar a ter que passar a vida comigo. Os olhos de Rachel se abriram com o horror, sua imagem da vida já obscurecida por causa dele. Por causa de sua verdade. Ele já a estava arruinando. – Alex... Eu não... Sua mãe tinha problemas, Alex, não era você.


– Não era eu? Ela amou Nikola Kouklakis, mas não pôde me amar. Todos amam Ajax. Todo o mal se concentrou em mim. Eu provoco... destruição só por respirar. – Baseado em quê você diz isso? Nas ações de uma mulher que estava sofrendo demais para reconhecer o verdadeiro amor quando o viu? – É mais do que isso. É o que meu pai fez. Ele estragava as pessoas. E eu faço isso sem nem mesmo tentar. – Isso não é verdade. Não ligo para quem seu pai seja. Não ligo para quem seu irmão seja. Qual é o seu sobrenome, de onde você veio. Se sua mãe era uma prostituta ou se você se


prostituía. Eu não ligo. Sei quem você é agora. Eu amo quem você é agora. As palavras dela queimaram nele, uma ferroada certeira e que quase o aliviou. Antisséptico em uma infecção. Ele não podia aceitar. – Você não pode. – Posso. Alex, eu amo você. Sua mãe tinha um monte de coisas erradas dentro dela, e nada daquilo era culpa sua. Ela não podia amar você, mas isso era por causa do coração dela, não do seu. Não há nada de errado com você. Você é um bom homem, e eu o amo mais do que tudo. Alex não podia suportar. Não podia. Tudo o que conseguia ver era o rosto de


sua mãe, assustador, cheio de sofrimento, ante o pensamento da vida sem o homem que amava. Da vida com Alex. E, depois, sem vida e fria. Ele pensou em Ajax, que transcendeu tudo aquilo. Que encontrou o amor e uma vida longe de tudo aquilo enquanto Alex parecia ter ficado preso no mesmo lugar, por fios invisíveis e cruéis. Ele nunca conseguiria se limpar. Nunca. Ele só envenenaria Rachel. – Não seja tão ingênua. Sempre vai acontecer dessa maneira. Eu não queria a empresa dos Holt. Nunca quis. Eu não queria nada mais do que a sua humilhação e de Ajax. A fuga dele foi


parte do que disparou o suicídio de minha mãe. Ele escapou sem consequências, e era minha tarefa fazer com que as encarasse, de uma forma ou de outra. Ele se casou com sua irmã, a segunda opção, porque ele não pôde ter você. E, então, eu vou deixá-la disponível para ele quando for tarde demais. Agora que você vai ter o meu filho e ele está casado com outra pessoa. Você não consegue enxergar o quanto você foi enganada? Não me canse com mais declarações de amor. Elas não significam nada, porque você não sabe quem eu sou. Você não pode me amar – disse Alex, quase sufocado por suas próprias palavras. Ele sabia que elas


eram verdadeiras. Rachel não podia amá-lo. – Você não pode amar alguém que nunca conheceu realmente. Ela ergueu a mão trêmula, uma lágrima correndo por sua face. – Então é um prazer conhecê-lo, Alexios Christofides. Alex estendeu a mão e fechou os dedos sobre os dela. Ela era tão macia e perfeita que ele queria chorar. Era a última vez que ele a tocaria. Ela o deixaria agora, e seria melhor. Por ela. Pelo filho deles. O filho deles não deveria conhecê-lo. Jamais. Todos estariam melhor sem ele em suas vidas.


– Tenho certeza de que você não quis dizer isso – disse ele. – Não. Na verdade, é uma droga conhecer você. – Você comunica que cancelamos tudo, ou eu faço isso? – Eu faço. Posso cuidar de mim mesma. Você já fez muito. Mando alguém buscar as minhas coisas depois. Não nos falaremos novamente. Suponho que você não quer ter nada a ver com o bebê, não é? O coração dele gritou. E Alex o ignorou. – Não, não quero. – Bom. Bom, isso é... ótimo. Se você se aproximar da minha família


novamente, eu vou castrar você, entendeu? Porque você me liberou, e eu não vou embora quieta. Não vou deixar que você saia com nada. Se você aparecer em nossas vidas, juro que vou matá-lo. Você acha que sua vingança contra Ajax foi cruel? Espere. – Rachel passou por ele e abriu as portas, e a luz do sol a banhou. Ela não era mais um anjo inocente, mas um anjo vingador. Incandescente com a luz do sol. Alex precisou desviar o olhar. Fechou os olhos e ainda assim podia ver a impressão dela em suas retinas, como que marcada a ferro. Alex tinha a impressão de que, quando fechasse os olhos para dormir, pelo resto de sua


vida, Rachel seria tudo o que ele poderia ver. As portas se fecharam. E ele ouviu passos atrás dele. E então algo frio bateu na parte de trás de sua cabeça. Ele se virou e viu o buquê de Rachel no chão atrás dele, danificado irremediavelmente pela pancada. E lá estava Leah, parecendo pronta para castrá-lo de verdade. – Ainda não acabou para você – ameaçou ela. – Não mesmo. Quando Ajax descobrir o que você fez... – Deixe que ele venha. Diga a ele que traga toda a artilharia. Não tenho nada a perder. – Não agora. Não havia nada sobrando para que ele perdesse,


que tivesse qualquer valor ou significado. Alex simplesmente havia cortado os laços com a mulher que... A mulher que significava mais do que ele jamais poderia dizer. E seu filho. Um filho que ele nunca veria. Nunca tocaria. Nunca seguraria. É melhor. É por eles. Ele passou por Leah e subiu as escadas, de volta ao seu escritório. Passou pela porta e a bateu atrás dele, trancando-a. Olhou pela janela e viu Rachel parada embaixo do arco horroroso sozinha, explicando para todas aquelas pessoas que não haveria casamento.


Então, o mundo balançou embaixo de seus pés e Alex caiu de joelhos no chão. Ele não podia respirar. Não pensou que seria capaz de levantar novamente porque se sentia esmagado sob o peso daquilo tudo. Ele a havia perdido. E só agora percebia que a amava. Mas não importava. Amá-la não era uma gentileza se significava mantê-la presa a um homem que tinha veneno em seu coração. Tudo o que ele fez a ela desde que tinham se conhecido... Ele era tão amargo e Rachel merecia mais que aquilo. Rachel merecia tudo. Rachel merecia alguém que não estivesse estragado,


defeituoso. Ele não servia para ela. De alguma maneira... muito fundamental, ele tinha sido formado de um jeito que ninguém era capaz de amá-lo. Uma ferramenta para seu pai, um peão para sua mãe. Ela merecia mais. Rachel merecia tudo. Lágrimas quentes e úmidas atravessaram o rosto de Alex. Ele não ligava. Havia provocado as primeiras lágrimas de Rachel em anos, e agora ela causava as dele. Um final justo. Theos, Alex odiou que isso fosse o final.


CAPÍTULO 12

– MAIS DOCE, Rach? – Sim – gemeu Rachel, esticando a mão para sua irmã e deixando que ela a enchesse com pequenos chocolates. Rachel estava deitada no sofá da cobertura de Leah e Ajax em Nova York, na qual vinha se hospedando havia quase duas semanas, tentando se curar de um coração completamente destruído.


Ela havia sobrevivido à primeira semana. Um ódio total, profundo e cheio de aversão por Alex, que tornou impossível chorar por tê-lo perdido. Tornou impossível pensar sobre a última conversa em detalhes, nas coisas sórdidas e horríveis que ele tinha dito. Ela havia deixado que o ódio a preenchesse, a carregasse e a impedisse de desabar. Na frente dos convidados do casamento, Rachel não fez nada além de dizer a verdade. Não fez nada para esconder deles o verme nojento que ele era. Ela estava furiosa. Uma ursa, sentindo raiva por sua cria. Alex dissera que não queria ver o


bebê deles. A rejeição dele por Rachel era ruim, mas a rejeição pelo bebê tinha aberto um poço de emoções maternais que ela nunca tinha sentido, enchendo Rachel com o desejo momentâneo, honesto e profundo de feri-lo. Fisicamente. De atingi-lo com algo duro. Repetidamente. Mas agora a raiva tinha cedido. E partes da conversa final deles estavam se repetindo, partes que Rachel havia tentado esquecer. As revelações dele sobre si mesmo. Como ele se sentia a respeito de si próprio. Que a mãe dele havia preferido se matar a estar com ele. Que ele se sentia indigno de ser amado. Ele havia odiado


Ajax porque Ajax tinha a única coisa que Alex não pensava ser capaz de merecer. Amor. E, por alguma razão, o amor dela não tinha sido suficiente. Ou, então, Alex estava apenas amedrontado que o amor de Rachel pudesse feri-lo de alguma maneira. E aquele pensamento tornou difícil odiá-lo. Algo aconteceu no dia do casamento. Rachel tinha cada vez mais certeza disso. Mas, até que entendesse o que acontecera e pensasse no que fazer, até que tivesse energia para dizer a Ajax que Alex era seu meio-irmão, teria de


mentir e comer mais dos doces de sua irmã. – Você está bem? – perguntou Leah. – Não. Eu não sei se algum dia estarei bem de novo. Eu acho que ainda o amo. – Sim, eu sei como isso funciona. É o pior. Ajax entrou na sala então, bonito como sempre, com uma calça escura e uma camisa branca. Ela podia notar agora, olhando para ele, uma vaga semelhança com Alex. Mas ele não tinha aqueles olhos. Ou aquela chama malvada. Bem, ele tinha um pouco quando olhava para Leah. E aquilo a deixou


feliz. Porque isso era, de longe, o Ajax mais feliz e relaxado que ela já havia visto. – O que é o pior? – Você era – disse Leah. – Você sabe, quando nós quase nos divorciamos. – Sim – concordou ele, seu tom de voz bem sério. Típico de Ajax. – Eu fui o pior. – Ei, Jax – disse Rachel. – Sim? – Você disse algo a Alex no casamento? – Não – disse ele, franzindo o rosto. – Mas você precisa saber que nunca confiei nele. Eu estou triste, mas pouco surpreso com o que aconteceu.


– Mas eu estou surpresa. Passei meses com ele. Eu era... Ele foi meu amante. Vamos ter um bebê. Eu senti como se o conhecesse e nada disso realmente faz sentido para mim. Talvez ele apenas seja um bom ator. Ou talvez haja mais para descobrir. Tenho pensando em perguntar a ele. – Ele não disse nada. Ele... me encarou antes de se retirar, mas, a menos que Alex tenha algum tipo de amor não correspondido por mim, não consigo entender o que se passou. – Sim, esse não é o problema dele. Confie em mim. Ela se recostou no sofá.


– Outro filme? – perguntou Leah, com tom de pena. Bom. Rachel merecia pena. Ela estava sozinha. E grávida. – Sim. E bolo. Tem bolo? Ajax deu a ela um olhar que espelhava o de sua esposa. – Vou pegar o bolo. Rachel respirou fundo e olhou fixo para a televisão, sem realmente absorver o que se passava. Ela estava muito infeliz. Estava apaixonada por um homem que não merecia seu amor. Um homem que precisava de amor como uma flor do deserto precisava de água. Alex estava seco por dentro. Morrendo. E não buscaria ajuda,


Rachel sabia disso. Ele estava determinado a abraçar toda aquela raiva e empurrar todos de quem ele gostava para longe. E sim, ele realmente bagunçou a vida dela e fez com que Rachel se sentisse horrível. Mas ele havia feito algumas coisas boas por ela, também. E talvez ela devesse tentar se lembrar dessas coisas, e não ficar alimentando raiva e choro. – Sabe, Leah, eu não quero assistir a um filme. – Você ainda quer bolo? – Sim. Ah, sim, eu quero bolo. – Bom. Você terá o bolo. O que você quer fazer?


– Conversar, talvez? – perguntou Rachel. – Eu acho... eu acho que passamos muitos anos sem falar. – Minha culpa, Rach, de verdade – disse Leah, franzindo a testa. – Eu estava me oferecendo para o seu homem. Isso dificultou as coisas. Rachel balançou a cabeça. – Claro, tem isso. Mas... se fôssemos próximas, eu não teria percebido? – Eu não sei. Mas não estou a fim de culpar você por isso. De qualquer maneira, eu e Ajax somos bons juntos. Então está tudo bem. – Eu deveria garantir que não seria uma má influência para você, sabia? Leah riu.


– Você? Uma má influência para mim? Você é tão doce e... querida. E eu não sou. Nunca fui. – Bem, eu não fui por um tempo. – Rachel pensou nas noites que passou bêbada nas boates. Dirigindo rápido demais. – Eu fui muito festeira por um tempo. Mas você era uma criança. Você não se lembraria. Papai sempre ajudou a encobrir. Mamãe sempre ajudou a desaprovar. – Você teve uma vida secreta! Estou verdadeiramente impressionada. – Não fique. Fui uma idiota. Veja, foi por isso que eles não me deixaram contar a você! Você é facilmente influenciável.


Leah riu de novo e Rachel não pôde evitar rir com ela, até que ela estivesse quase sem ar, a necessidade de outros sentimentos além da tristeza e da raiva se fortalecendo. – Bem, estamos rindo juntas... Isso é um bom começo, não é? – É sim, Rach, é um bom começo. Rachel sorriu. Mas tinha sentimentos em relação a Alex para pôr em ordem e, depois, realmente achava que ela e o filho teriam uma boa chance de ser felizes juntos. Especialmente se a criança tivesse lindos e marcantes olhos azuis... Por enquanto, ia tentar se distrair e curar aquele coração partido, o que


levaria um tempo longo. Pelo menos, tinha sua irmã. Rachel se consolou pensando que poderia passar algum tempo com Leah, fazendo o seu melhor para esquecer a dor. ALEX ODIAVA ter de se arrumar. Vagar bêbado por seu apartamento, só de cueca, era única coisa que realmente desejava fazer nos últimos tempos. Mas ali estava ele, barbeado, de banho tomado e usando um terno. Porque ele tinha negócios para resolver. Um negócio que envolvia um homem que muito provavelmente gostaria de matá-lo. Mas, então, pelo menos não haveria um fim ao inferno


que Alex estava vivendo. A morte parecia ser uma opção bastante serena, considerando os dias que vinha enfrentando. – Senhor Christofides. – Um homem sentado atrás de uma mesa na antecâmara do escritório de Ajax se dirigiu a ele. – O sr. Kouros vai recebêlo agora. – Ótimo. Suponho que você não saiba se ele está ou não com disposição de cometer assassinato hoje. – No trabalho, o sr. Kouros geralmente está. – Bem – disse Alex –, então será um dia interessante.


Alex obrigou-se a sorrir e entrou no escritório de Ajax. – Alexios! – disse Ajax assim que o viu. – Fiquei surpreso quando você disse que queria me ver. Você é o responsável por muita dor em minha casa. Fale rápido o que deseja. – Pensei em me explicar. Contar por que fiz todas aquelas coisas. – Você vivia na propriedade, não vivia? No bordel. Você não me é estranho. – Alex assentiu. – Nesse caso, entendo por que você acredita ter razão para não gostar de mim. No entanto, saiba que, e eu digo isso não para tentar me desculpar dos pecados passados, mas para lhe dar alguma espécie de


fechamento, fui uma peça fundamental no processo e destruição do império de crimes do meu pai. – Fico feliz em saber disso. Gostaria de ter feito alguma coisa também. – Ora, você é jovem – disse Ajax. – Precisei de tempo e de estar mais velho para fazer a coisa certa. – Vivi naquela casa – disse Alex. – Mas essa não é realmente a parte mais importante da história. A parte mais importante é o que descobri depois que você saiu. – E que é...? – Seu pai teve outro filho. – Isso não me surpreende. – E sou eu.


Ajax fez uma pausa. – Você tem certeza? – Ele tinha. O suficiente para me oferecer o seu império como herança. – Por isso você foi atrás de mim? E do meu negócio? – Sim. A raiva que eu sentia era cega, irracional. E descontei em você. Você e sua vida perfeita. A vida que eu não podia ter. Uma família que o amava. Uma mulher incrível. Eu não tinha nada. Então, quis destruí-lo, quis tirar tudo de você. Eu fiz as coisas mais estúpidas em nome de uma vingança igualmente estúpida. Servindo como um instrumento da raiva, do rancor. Culpando o mundo em geral, e você em


particular, pela minha vida, pela minha infância. Mas, Ajax, eu estou cansado. Agir assim não fez nada por mim. Estou cansado. Cansado de toda a feiura dentro de mim. Eu só quero me libertar disso. E eu nunca vou ser o homem que Rachel precisa. Aceito isso. Mas, ainda assim, preciso me livrar da raiva. – Você entende – disse Ajax – que, por causa de Rachel, a nossa relação não pode ser... – Claro, claro que sim. Mas, acredite, não sou do tipo de homem que tem laços familiares estreitos. Não se preocupe. – Estou feliz por você ter me contado que é meu irmão.


– Chega de segredos. Aquele velho bastardo não tem mais poder sobre nós. Ajax assentiu. – Obrigado por me receber. Só mais uma coisa. Antes de ir embora, posso lhe fazer uma pergunta? – Qualquer coisa. – Como você conseguiu? – O quê? – Livrar-se de toda a raiva, seguir em frente, construir uma vida, não apenas bem-sucedida financeiramente, mas feliz, para si mesmo. Como você conseguiu ser amado, ser bom? Você veio do mesmo lugar que eu. Eu nunca fui amado. E imagino que a razão para isso tenha sido meu sangue ruim,


minha herança de dor. Então, como você conseguiu? Como você mantém uma mulher em sua vida sem temer magoá-la? Ajax ficou em silêncio por um instante. – Não importa o que você acredita merecer, Alex: não havia amor no coração de nosso pai. Não estou dizendo que não havia amor por você. Não havia amor. Nenhum, por ninguém. Eu sempre soube disso, e sempre acreditei que o amor seria o que faria de mim um homem realizado. – Foi o amor que levou minha mãe a se matar. – Alex, o que as drogas fazem?


– Elas nos deixam viciados. – Elas nos levam a sentir coisas, a precisar mais e mais delas. Mas isso não é amor. Dependência não é amor. O amor me salvou, Alex. O amor de Joseph Holt, que me ama como um pai. O amor de Rachel, que me amou do jeito dela. O amor absoluto de Leah. Dinheiro, poder, vingança, nada disso teve importância. O amor me curou. Quando o aceitei, quando me julguei merecedor, renasci. Pense sobre isso. Sobre o que realmente é o amor. – Sim. Vou pensar. Será que era simples assim? Aceitar o amor e acreditar que ele faria com que tudo ficasse bem?


Será que seria tão simples apenas dizer “Eu a amo, estou perdido e acho que você merece coisa melhor, mas, por Deus, tente me amar assim mesmo”? Será que o amor o tornaria merecedor daquela mulher incrível? Alex pensou no rosto lindo de Rachel, em seu sorriso estonteante. Sim. Por Deus. Sim. Seria o suficiente. Alex sabia que jamais estaria à altura de Rachel. Ela merecia um homem melhor, mais íntegro, correto. Ao deixar o prédio, estava quase correndo. Tentaria fazer com que Rachel voltasse para ele. Pediria de joelhos se fosse necessário.


Precisava tentar. Sem Rachel, suas propriedades, sua ilha, cada centavo que tinha, deixariam de ter importância. Ter o mundo todo no bolso não mais importaria se a única coisa que realmente precisava não fosse sua. – ONDE ESTÁ o sorvete, Leah Kouros? – resmungou Rachel, vasculhando o freezer. – Onde está o maldito sorvete, afinal? Leah não estava ali para ouvir a irmã blasfemar. De repente, a porta da frente se abriu e Rachel endireitou o corpo. Suas


reclamações talvez tivessem trazido Leah de volta. – Ei, socorro! Como é possível que essa casa tenha tantos doces e nada de sorvete? – Não faço ideia. Rachel se virou, sem acreditar em seus ouvidos, apavorada. – Alex – sussurrou. Achou que fosse desmaiar. Era como se tivesse levado uma sacudidela. Não se viam havia quase um mês. Instintivamente, Rachel colocou a mão sobre a barriga. A gravidez era perceptível agora que estava com cinco meses. – O que você está fazendo aqui?


O olhar de Alex seguiu a mão dela, e uma expressão agoniada surgiu no rosto dele. – Seu corpo mudou. – Bem, Alex, eu estou grávida. O bebê não para de crescer. – Tudo bem com ele? – Sim. Alex deu um longo suspiro. – Fico aliviado. – Pensei que você não se importasse. – Eu me importo, claro que me importo. Lamento não estar aqui com você, para você, por todas essas semanas. Eu me arrependo de ter agido como agi.


– Eu fui sincera com você, Alex. Contei como me sentia. Mostrei a você quem era e você se aproveitou disso. – Menti para você porque... Rachel, quando vi aquela multidão, e vi como era amada, eu me odiei por tudo o que não sou. Por não merecê-la. Por ser este homem que se valeu de subterfúgios para mantê-la presa a ele, mesmo sabendo que não havia esperança de ser tudo o que você merecia. Um homem que manteria você usando qualquer meio, até seu amor. Vi a mim mesmo naquele momento. Vi que eu era um homem que não podia ser amado pela própria mãe, e ela estava certa. Eu... – inspirou profundamente, trêmulo. –


Não podia permitir que você se prendesse a mim, que aquele casamento acontecesse. – Alex... Você está me dizendo que você fingiu comigo todo o tempo em que estivemos juntos? – Não, mas eu planejei tudo. Manipulei seus sentimentos. – Você me considera uma mulher inteligente, Alex? – Claro. – Então você confia em mim no que se refere a conhecer meu próprio coração? – Por quê? Eu, com certeza, não conhecia o meu.


– Coitado. Bem, eu conheço o meu. E amei tanto você... Quando você me afastou... Quando me disse que jamais veria nosso filho... Eu quis bater em você com algo bem pesado. – Não tiro sua razão. Alex puxou Rachel contra seu peito e a beijou profundamente, com desespero e abandono. Ela não o empurrou. Não lutou. Porque precisava dele. Sentia raiva, sim, mas ainda o amava, ainda o desejava. Nunca deixara de amá-lo. Nunca deixara de desejá-lo. Alex a empurrou contra a geladeira sem parar de beijá-la. Ela correu as mãos pelo pescoço dele, chorando e


soluçando, e despejou naquele beijo toda sua dor e angústia. – Bem – disse ela, ofegante –, precisamos conversar, e não fazer sexo. – É verdade – respondeu Alex, arfando. – E então, por que você está aqui? – Porque passei o último mês bêbado, destruído. Porque toda vez que penso na possibilidade de não conhecer nosso filho tenho vontade de morrer. E toda vez que penso na possibilidade de não ver você de novo... Rachel, eu só desejo morrer. – Por quê? – Porque eu a amo. Eu me dei conta disso há semanas, mas fiquei pensando


que não seria justo pedir a você para passar o resto da vida com um homem como eu. Sem você, minha vida não significa nada. – Alex, por que você acredita não estar à minha altura? Eu não sou perfeita. Não quero e não preciso de um homem perfeito. – Mas você merece um homem melhor – disse Alex. – Com todo respeito – respondeu ela –, você é um idiota. – Por quê? – Porque eu sei do que preciso. Sei quem sou. Não existe melhor para mim. Para mim, só existe você. Eu me


apaixonei no instante em que o vi. Isso não é uma loucura? Ele a abraçou. – Eu também a amo desde o primeiro momento, Rachel. Não sou nada sem você. – Por que você demorou tanto para entender que me amava? – Eu nunca soube o que era ser amado. Nunca. Eu não reconheci o sentimento, não soube o que fazer. – Estou feliz. Tão feliz! – Ajax me fez ver o que, sozinho, eu não consegui. É o amor, Rachel. O amor. O amor que sinto por você me fez mudar, arder, desejar, sofrer. E me fez feliz. E é a coisa mais assustadora e,


ao mesmo tempo, maravilhosa que já senti. Mudaremos, mas estaremos sempre juntos. Eu me sinto grato e só posso tentar ser o homem que acho que você merece. – Seja apenas o homem que você é, Alex. Você é maravilhoso e é tudo o que desejo. Você me libertou para ser quem desejo ser, não vê isso? Eu me sentia presa ao corpo de alguém estranho, tentando desesperadamente ser alguém que eu não desejava ser. Tentava não temer, mas também não conseguia. E você é… você é maravilhoso e o que você me dá é maravilhoso. Você me entende e me quer, do jeito que eu sou.


– Sim, isso é verdade, eu amo tudo o que você é, tudo o virá a ser. E, seja lá o que a vida tenha planejado para nós, vamos enfrentá-lo. Juntos. – Então, quando vamos nos casar? – Em seis meses ou mais – disse ela. – Por que tanto tempo? – Preciso de tempo para planejar a cerimônia. Eu o amo e sempre vou amá-lo. E você me ama. É isso que faz um casamento de verdade. Além disso, decidi que não sou fã do visual da noiva grávida. – Você vai me fazer esperar, não é, Rachel? – Apenas por algumas coisas, Alex. Não por outras.


HORAS DEPOIS, eles continuavam deitados na cama dela, as pernas entrelaçadas, a respiração ofegante. Rachel percorria os músculos do braço dele com a ponta dos dedos e sorria. Sim, ela amava esse homem, mais do que tudo no mundo. O começo da história deles tinha sido bastante confuso, mas agora estava tudo bem e eles tinham a vida inteira pela frente. – Sabe, se sobrevivermos a isso, acredito que poderemos sobreviver a qualquer coisa – disse ela. – Concordo. – Contanto que sejamos honestos um com o outro daqui para a frente.


– Bem, em nome da honestidade – disse ele –, quero dizer que seus seios aumentaram de tamanho e que eu adorei isso. – Ah, que romântico. – Pode não ser muito romântico, mas é do fundo do meu coração. – Certo. De repente, Rachel se lembrou da noite em que comeram pizza em Cannes, naquele hotel tão sofisticado. Eles conversaram sobre finais felizes, então. – Você conseguiu seu final feliz – sussurrou ela. Alex a beijou no rosto e ela poderia jurar que sentiu uma lágrima na pele


dele. – Ainda não acabou. – Não, não mesmo – disse ela. – E graças a Deus por isso. – Sim, tenho toda uma vida ao seu lado. Com altos e baixos, cheia de emoção. E aceito tudo, desde que seja com você. Rachel o beijou na testa e se aconchegou nele. – Isso é muito melhor do que qualquer final feliz de novela. Alex suspirou e julgou perceber um sorriso na voz dele. – Eu concordo, agape. Eu concordo.


EPÍLOGO

– FOI UM

casamento lindo – disse

Leah. – E finalmente aconteceu – brincou Ajax. – Ah, você é um insensível – disse Leah, provocando o marido. Ajax deu de ombros e espiou Alex, parado bem ali na frente dele, usando um smoking, já sem a gravata, com o filho de dois meses nos braços.


– Você me acha insensível, irmãozinho? Alex sorriu e baixou os olhos para o filho. Liam não se importava que os pais tivessem acabado de se casar. Ele estava calmo como sempre, e tudo no mundo parecia em seu devido lugar. O coração de Alex transbordava de amor e orgulho. Seu filho tinha toda uma família para amá-lo. A vida do pequenino seria muito mais feliz do que a sua ou a de Ajax. Liam nunca conheceria uma mãe crítica e amarga, como a que Rachel tivera de enfrentar. Nunca precisaria se rebelar ou fechar-se completamente, sem poder ser o que realmente


desejava. Liam jamais se perguntaria se era realmente amado, porque ouviria isso todos os dias de sua vida. – Sim, você é, mas é parte do seu charme. – Não o encoraje, Alex – disse Leah. Rachel voltou em seguida, de braço dado com seu pai. Eles tinham acabado de dançar e Rachel estava radiante. Ela ainda estava cheinha e com o rosto redondo, e Alex a amava assim. – Como é bom – disse Joseph Holt – ter meus filhos e neto todos reunidos no mesmo lugar. O coração de Alex apertou quando ele olhou para sua família. – Sim, é mesmo.


– Você se importa se eu roubar o meu neto por um momento? – perguntou Joseph. – Troco sua noiva por ele. Alex entregou Liam para o sogro e tomou Rachel pela mão, levando-a para a pista de dança. – Esta cerimônia tem a sua cara, não? – perguntou Alex, olhando em volta para a decoração simples de cores brilhantes. O lugar transpirava alegria. Assim como sua esposa. – Sim – concordou Rachel. – Com você, sou mais autêntica. Ele a beijou no nariz. – Fico feliz em ouvir isso porque, com você, sou uma versão melhor de


mim. É incrível o que pode acontecer dentro do peito da pessoa que começa a entender o amor. A substituir a raiva por ele. – Fico feliz que o tenha feito, Alex, porque você tem tanto amor para dar. – Eu nunca estive tão feliz quanto hoje – disse ele, sua esposa em seus braços, seu filho ali pertinho. – Então nós temos uma nova meta – disse ela. – E qual será? – Encontrar felicidade ainda maior, todos os dias. Enquanto vivermos. – Com você, Rachel, acho que isso não será difícil.


DESAFIANDO O DESTINO Lynne Graham Dante estudou a morena de compleição pequena com total atenção. O cabelo castanho-escuro e um tanto cacheado lhe caía pelas costas quase até a cintura. Possuía olhos grandes e amendoados cor de mel, pele acetinada e um tanto morena e lábios cheios, rosados. O rosto bonito tinha formato de coração e, apesar da baixa estatura,


era dona de curvas benfeitas e exuberantes. Os seios cheios comprimiam-se contra o algodão fino da blusa, e os quadris arredondados abaixo da cintura fina estavam perfeitamente delineados pela saia de caimento justo. Ele ficou perplexo com a reação instantânea de seu corpo, pois desde a adolescência não reagia com tamanho impacto ao primeiro olhar que lançava a uma mulher. Para sua irritação, ela nem sequer fazia seu tipo. Sempre gostara de louras altas e elegantes. Evidentemente, porém, seus hormônios traiçoeiros eram de opinião diferente, e Dante só pôde se sentir


grato por ainda estar usando o paletó por cima da calça. Topsy estendeu a mão delicada. – Topsy Marshall. – Dante Leonetti. – Ele pegou-lhe a pequena mão, mal notando a presença do padrasto ainda por perto, enquanto seu olhar perscrutador se mantinha fixo no rosto sorridente da jovem. Tratou de ordenar os pensamentos. Era evidente que ela lhe sorria, que reagia com charme e encanto! De que outro modo lidaria com um homem muito rico? Afinal, se fosse uma interesseira, ele era bem mais abastado e um alvo bem mais recompensador do que Vittore. Seguindo-se a esse


pensamento, uma excelente ideia tomou forma. Era rico, solteiro e, consequentemente, tinha de ser um partido bem mais tentador do que o padrasto. Era possível que Vittore ainda estivesse apenas acalentando a ideia de adultério, ponderou, pois o padrasto não seria tolo a ponto de oferecer rosas à garota sob as vistas de todos se já a tivesse levado para a cama. Presumindo que nada ainda acontecera entre os dois, ocorreu-lhe que ele tinha o poder de impedir um relacionamento extraconjugal ali antes que a mãe saísse magoada. Se demonstrasse interesse pela funcionária da mãe, Vittore teria de


resistir à fraqueza e recuar. – Sua mãe ficará feliz em vê-lo – comentou Topsy. A fluência dela no idioma italiano surpreendeu Dante. – Você fala o nosso idioma? – Falo vários idiomas – admitiu Topsy em um tom descontraído –, mas a minha melhor amiga na faculdade era italiana e, como dividíamos o quarto do dormitório, aprendi as frases mais coloquiais. – Tem uma pronúncia admirável – elogiou Dante, sentindo a curiosidade despertada. – Que outras línguas fala? – Francês, espanhol e alemão. Escolhas um tanto antiquadas –


comentou ela ironicamente. – Gostaria de ter tido visão o bastante para estudar russo e chinês. Até mesmo um conhecimento básico desses idiomas poderia ter sido mais útil. Dante deu de ombros de leve, começando a se adiantar na direção da entrada lateral do castelo. – Só tem a ganhar com esses idiomas enquanto está na Europa. – Levarei você diretamente até sua mãe – ofereceu-se Vittore, adiantandose depressa na direção da escadaria de pedra ao final do corredor. – E eu tenho que entregar as rosas antes que comecem a murchar – acrescentou Topsy, com o coração


disparando quando Dante parou por um instante para lhe lançar um olhar que não foi nada amistoso. O que havia de errado com o homem? Antipatizara com ela ao primeiro olhar? Dante cerrou os dentes. Estava no próprio lar, e havia semanas que não via a mãe. Não precisava de guia até os aposentados dela, nem de acompanhantes, e ficou imediatamente desconfiado. Vittore dirigiu-lhe um olhar quase apreensivo por sobre o ombro quando chegou ao alto da es cada e, então, sua atenção voltou-se ansiosamente para Topsy. Notando aquela comunicação tácita entre ambos, Dante percebeu um forte


indĂ­cio de duplicidade que o deixou ainda mais de sobreaviso.


429 – O DIREITO DO SHEIK – LYNNE GRAHAM Para desgosto de seu povo, o sheik Zhair casou-se com uma mulher ocidental, que o abandonou antes da noite de núpcias. Agora, Zahid não poupará esforços para encontrá-la e exigir o que é seu por direito. 430 – UMA NOVA MULHER – CATHY WILLIAMS James sempre se sentiu atraído por Jennifer, filha dos empregados de sua


mansão. Quando ela volta de Paris, anos mais tarde, transformada em uma bela mulher, James usará todo o seu poder de persuasão para levá-la para cama. 431 – IMAGEM REAL – LYNNE GRAHAM Bastian achou que poderia usar sua estagiária para afastar sua ex-noiva. Afinal, a foto dela estava em um site de acompanhantes. Porém, Emmie não fazia ideia que esse site existia. Mas o cheque já havia sido descontado, e Bastian irá exigir o que é seu por direito…


433 – DESAFIANDO O DESTINO – LYNNE GRAHAM Dante Leonetti está desconfiado que a nova acompanhante de sua mãe está interessada na fortuna de sua família, e ele fará de tudo para descobrir a verdade. Até mesmo seduzi-la…

Próximos lançamentos: 434 – IMPÉRIO DA PAIXÃO – LUCY MONROE 435 – MENTIRA INOCENTE – MAISEY YATES 436 – AMOR POSSESSIVO – LUCY MONROE


437 – PODER & ATRAÇÃO – MAYA BLAKE


CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO NA FONTE SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ

Y36u Yates, Maisey Uma noite por toda a vida [recurso eletrônico] / Maisey Yates; tradução Fabia Vitiello. - 1. ed. - Rio de Janeiro: Harlequin, 2015. recurso digital Tradução de: One night to risk it all Formato: ePub Requisitos do sistema: Adobe Digital Editions Modo de acesso: World Wide Web ISBN 978-85-398-1759-7 (recurso eletrônico) 1. Romance americano. 2. Livros eletrônicos. I. Vitiello, Fabia. II. Título.


15-19626

CDD: 813 CDU: 821.111(73)-3

PUBLICADO MEDIANTE ACORDO COM HARLEQUIN BOOKS S.A. Todos os direitos reservados. Proibidos a reprodução, o armazenamento ou a transmissão, no todo ou em parte. Todos os personagens desta obra são fictícios. Qualquer semelhança com pessoas vivas ou mortas é mera coincidência. Título original: ONE NIGHT TO RISK IT ALL Copyright © 2014 by Maisey Yates Originalmente publicado em 2014 por Mills & Boon Modern Romance Projeto gráfico de capa: Nucleo i designers associados


Arte-final de capa: Isabelle Paiva Produção do arquivo ePub: Ranna Studio Editora HR Ltda. Rua Argentina, 171, 4º andar São Cristóvão, Rio de Janeiro, RJ — 20921-380 Contato: virginia.rivera@harlequinbooks.com.br


Capa Texto de capa Teaser Querida leitora Rosto Capítulo 1 Capítulo 2 Capítulo 3 Capítulo 4 Capítulo 5 Capítulo 6 Capítulo 7 Capítulo 8 Capítulo 9 Capítulo 10 Capítulo 11 Capítulo 12


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Maisey Yates - Uma Noite Por Toda a Vida