Page 1

Uma Esposa Chantageada Sarah Morgan

Zander Volakis era um desumano magnata acostumado a conseguir tudo o que desejava. Mas, para ter o complexo hoteleiro que desejava, teria que mudar sua imagem. A única pessoa que podia ajudá-lo era a mulher que o tinha traído há cinco anos: sua esposa! Lauranne O’neill não queria trabalhar para o Zander. Aquele homem lhe tinha arruinado a vida e sabia que tinha o poder de tornar a fazê-lo. Possivelmente houvesse entre eles uma incrível atração sexual, mas Lauranne sabia que jogar com o Zander era brincar com fogo... Tinha sido comprada e depois chantageada... Por seu marido! Título original: The Greek 's Blackmailed Wife Título em espanhol: Chantaje A Una Esposa Casal Principal: Zander Volakis & Lauranne O’neill Gênero: Comtenporâneo Série: Contribuição a Série multiautoras “Greek Tycoons”

: Tradução, Revisão e Formatação


Séé rié Magnatas Grégos (Gréék Tycoons)

Autor

Título

Ebooks

Data

Constantine's Revenge

(01) - Sabrina EEF 038 - Planos De Sedução

Jan-2000

Jacqueline Baird

Husband On Trust

(02) - ?????

Feb-2000

Lynne Graham

Expectant Bride

(03) - Julia 1084 - Noiva Misteriosa

Mar-2000

Lynne Graham

The Cozakis Bride

(04) - BD 740.1 - Passado Que Condena

May-2000

Michelle Reid

The Tycoon's Bride

(05) - Rede De Mentiras

May-2000

Anne Mather

The Millionaire's Virgin

(06) - Julia 1100 - Outra Vez a Paixão

Jun-2000

Penny Jordan

The Demetrios Virgin

(07) - Julia 1183 - Romance na Grécia

Apr-2001

Jacqueline Baird

Marriage At His Convenience

(08) - BD 775 - Paixão Inesquecível

Aug-2001

Sara Wood

The Kyriakis Baby

(09) - Sab.1261 - Outra Vez o Amor

Nov-2001

Helen Brooks

The Greek Tycoon's Bride

(10) - Sab.1243 Fama de Irresistível

Jun-2002

Jacqueline Baird

The Greek Tycoon's Revenge

(11) - Dívida Saldada

Aug-2002

Anne Mather

His Virgin Mistress

(12) - Terríveis Suspeitas (PtPt)

Feb-2003

Julia James

The Greek Tycoon's Mistress

(13) - Sab.1301 - O Poder de Um Sedutor

Jun-2003

Lynne Graham

The Contaxis Baby

(14) - Dormindo com o Inimigo

Jul-2003

Cathy Williams

Constantinou's Mistress

(15) - Furacão Do Desejo (PtPt)

Aug-2003

Sharon Kendrick

The Greek's Secret Passion

(16) - Px 02 - Um Amor Secreto

Sep-2003

Lucy Monroe

The Greek Tycoon's Ultimatum

(17) - Julia 1271 - Chantagem De Amor

Oct-2003

Kim Lawrence

The Greek Tycoon's Wife

(18) - Px 06 - O Magnata Grego

Nov-2003

Cathy Williams

The Greek Tycoon's Secret Child

(19) - Js 012 - Ironias Do Amor

Feb-2004

Julia James

The Greek's Virgin Bride

(20) - Js 07 - A Prometida

Mar-2004

Penny Jordan

The Mistress Purchase

Lynne Graham

The Stephanides Pregnancy

(22) - Paixão No Egeu

May-2004

Sara Craven

His Forbidden Bride

(23) - ?????

Jun-2004

Kate Walker

(21) - Px 020 - Procura-se Uma Amante Apr-2004

72 72


Autor

Título

Ebooks

Data

Sara Wood

The Greek Millionaire's Marriage

(24) - Js 010 - O Casamento Ideal

Jul-2004

Sarah Morgan

The Greek's Blackmailed Wife

(25) - A Esposa Chantageada (ARE)

Sep-2004

Jacqueline Baird

The Greek Tycoon's LoveChild

(26) - ??????

Oct-2004

Trish Morey

The Greek Boss's Demand

(27) - O Amante Grego (PRT)

Jan-2005

Lynne Graham

The Greek Tycoon's Convenient Mistress

(28) - A Amante Do Grego

Feb-2005

Susan Stephens

The Greek's Seven-Day Seduction

(29) - ??????

Mar-2005

Lucy Monroe

The Greek's Innocent Virgin

(30) - Js 072 - Falsa Ilusão

May-2005

Kim Lawrence

Pregnant By The Greek Tycoon

(31) - Js 071.2 - Sopro De Vida

Jul-2005

Julia James

The Greek's Ultimate Revenge

(32) - ?????

Oct-2005

Jacqueline Baird

Bought By The Greek Tycoon

(33) - Px 034 - Destinos Entrelaçados

Jan-2006

Julia James

Baby of Shame

(34) - Px 036 - Até o Fim

Feb-2006

Melanie Milburne

The Greek's Bridal Bargain

(35) - ??????

May-2006

Cathy Williams

At The Greek Tycoon's Bidding

(36) - Js 064.1 - Pura Sedução ou À Mercê Do Grego (PtPt)

Jul-2006

Kate Walker

The Antonakos Marriage

(37) - Js 64.2 - Promessa Do Coração

Aug-2006

Melanie Milburne

The Greek's Convenient Wife

(38) - ??????

Sep-2006

Lynne Graham

Reluctant Mistress, Blackmailed Wife

(39) - Px 063 - Chantagem Do Desejo

Nov-2006

Cathy Williams

At the Greek Tycoon's Pleasure

(40) - Js 058 - Bel-Prazer

Dec-2006

Trish Morey

The Greek's Virgin

(41) - Js 93.2 - Loucos De Paixão

Jan-2007

Anne McAllister

The Santorini Bride

(42) - Amor Mediterráneo (Espanhol)

Feb-2007

Jane Porter

At The Greek Boss's Bidding

(43) - Js 088.2 - Tentadora Paixão

Apr-2007

Chantelle Shaw

The Greek Boss's Bride

(44) - Noites No Mar

May-2007

72 72


Autor

Título

Ebooks

Data

Natalie Rivers

The Kristallis Baby

(45) - Amor Em Corfu

Jun-2007

Julia James

Bought For The Greek's Bed

(46) - Js 070 - Esposa De Ocasião (Comprada Por Um Grego)

Jul-2007

Lynne Graham

The Petrakos Bride

(47) - Px 073 - Amor Sem Fim

Aug-2007

Helen Bianchin

The Greek Tycoon's Virgin Wife

(48) - PX 101.1 - Escolha Perfeita

Oct-2007

Kate Walker

The Greek Tycoon's Unwilling Wife

(49) - Para Lá Do Esquecimento (PtPt)

Nov-2007

Anne Mather

The Greek Tycoon's Pregnant Wife

(50) - Fruto Do Amor

Dec-2007

Susan Stephens

Bought: One Island, One Bride

(51) - Px 092 - Sedução e Vingança

Feb-2008

Kate Hewitt

The Greek Tycoon's Convenient Bride

(52) - Px 188 - A União Do Desejo

Apr-2008

Michelle Reid

The Markonos Bride

(53) - Px 105 - Renascer Do Amor

May-2008

Sarah Morgan

Bought: The Greek's Innocent Virgin

(54) - Js 103.2 - Sedução Implacável

Aug-2008

Abby Green

The Kouros Marriage Revenge

(55) - Px 177 - Negócios e Prazer

Sep-2008

Kate Walker

Bedded By The Greek Billionaire

(56) - Px 153 - Somente Você ou Dueto 03.1 - Inocência

Nov-2008

Anne McAllister

Antonides' Forbidden Wife

(57) - Js 109.2 - Doce Regresso

Jan-2009

Lucy Gordon

The Greek Tycoon's Achilles Heel

(58) - Js 137.1 - Ponto fraco

2010

Catherine George

The Power Of The Legendary Greek

(59) - Dueto 19.2 - O Poder Do Desejo

2010

Kate Walker

The Good Greek Wife?

(60) - Js 141 - O Retorno

2010

Robyn Donald

Powerful Greek, Housekeeper Wife

(61) - Js 146.1 - Olhos De Sereia

2010

Trish Morey

His Mistress For A Million

(62) - Px 166 - Ao Bel-Prazer

2010

72 72


Capíétulo O clima na reunião era tenso, todos os olhares estavam presos no homem que estava sentado na cabeceira da mesa. Zander Volakis, multimilionário grego e objeto das fantasias de milhões de mulheres, estava sentado comodamente em sua poltrona e a única indicação de que tinha ouvido a acalorada conversa era o brilho mortal de seus Olhos. Aquele homem, de costas largas e incrível beleza, tinha trabalhado muitas horas para fechar aquele negócio. Os homens presentes esperavam seu veredito e o observavam com uma mescla de admiração e inveja. As duas mulheres sentiam algo completamente diferente. Por fim, depois do que aos outros parecera uma eternidade, tomou ar e falou. -Quero essa ilha -declarou olhando a seus empregados com seus penetrantes olhos negros- Terão que achar outra solução. -Não há solução - respondeu alguém com valentia-. Nos últimos vinte e seis anos, muitas pessoas tentaram comprar essa ilha de Theo Kouropoulos e ele não vende. -Venderá -disse Zander muito seguro de si mesmo. Os membros do conselho se olharam uns aos outros se perguntando o que iriam fazer para produzir o milagre. 72 72


-Pelo visto, estaria disposto a vender se... Mudasse sua imagem - disselhe seu advogado. O ambiente ao redor da mesa se fez ainda mais tenso. -Minha imagem? -sorriu Zander. Seu advogado sorriu nervoso. -Terá que ter em conta que Theo Kouropoulos está casado há cinqüenta anos com sua esposa, tem seis filhos e quatorze netos e para ele os valores familiares são muito importantes. Blue Cove Island é um lugar de veraneio familiar. Tal e como estão às coisas agora mesmo, não lhe parece o comprador ideal -explicou-lhe-. O que disse exatamente foi: “É um homem de negócios frio e rude que tem fama de Don Juan e que não respeita absolutamente os compromissos da vida familiar”. -E? -perguntou Zander arqueando uma sobrancelha. Alec olhou ao diretor financeiro em busca de apoio. -E que não quer te vender uma ilha que está orientada para as férias familiares porque você está acostumado a ofertar destinos paradisíacos para solteiros e casados sem filhos, logo, segundo ele, não tem nem idéia de como administrar Blue Cove Island. -Expõe seus raciocínios muito bem - comentou Zander perigosamente-. Trabalha para ele ou para mim? -A realidade é que não te vai vender a ilha se não mudar de imagem -insistiu Alec-. Teria que se casar -respondeu o advogado. O silêncio se fez demolidor. -Não penso em me casar -declarou Zander. Produziram-se umas quantas risadas nervosas. -Bom, nesse caso -pigarreou Alec rebuscando entre seus papéis-, eu gostaria que fosse ver esta empresa em Londres. É uma empresa especializada em assessoramento de imagem pública. Seus resultados são incríveis e são discretos. Zander estudou em silêncio o relatório enquanto tentava controlar as intensas e desagradáveis emoções que lhe tinha produzido a idéia de casar-se. Tinha enterrado aqueles sentimentos nos rincões mais escuros de sua alma e sua repentina aparição não lhe tinha agradado. Casar-se não era a solução para o problema que tinham nas mãos, então a única opção era mudar de imagem. Zander apertou os dentes com impaciência. A verdade era que jamais tinha se importado com a opinião de outras pessoas. Até aquele momento. Sua reputação lhe estava impedindo de comprar Blue Cove Island. Nada em sua expressão revelava quão importante aquela compra era para ele. Queria aquela ilha. Levava vinte e seis anos querendo-a, mas o tinha dissimulado, tinha esperado o momento oportuno. E esse momento tinha chegado. -Está bem - declarou ficando em pé-. Mudarei minha imagem. -E não sabemos absolutamente nada deles? Nem sequer o nome da empresa? Lauranne O’neill procurou nos arquivos de seu chefe, relendo sua apresentação uma vez mais. -Nada, não quiseram dizer nada - respondeu Mary, sua secretária-. É incrível, certo? Talvez seja algum membro de uma família real. O homem com 72 72


quem falei só me disse que queriam falar conosco e que era altamente confidencial. Lauranne sorriu. -Tão confidencial que não nos dizem o nome da empresa? -Não me importa como se chame a empresa se e quando nos pagarem declarou Tom, seu sócio-. Estão subindo. Amanda acaba de ir buscá-los na recepção. Lauranne o olhou divertida. -Não pensa mais que no dinheiro? -Exato - respondeu Tom deixando um montão de documentos sobre a mesa da sala de reuniões-. Por isso esta empresa vai tão bem. Você é a consciência e eu o caixa. Aquilo fez Lauranne rir. Quando Amanda chegou à sala, visivelmente alterada, compreendeu que devia tratar-se de alguém muito famoso e rico. Lauranne ficou em pé para receber a seus clientes com um sorriso, mas o sorriso se tornou surpresa quando viu de quem se tratava. Zander Volakis. Aquele homem bonito e arrogante entrou na sala como se o edifício fosse dele, seguido de perto por uma equipe de homens trajados que guardavam uma distância resseiosa de seu chefe. Lauranne ficou de pé, gelada, sem poder falar. O passado se fez presente e a dor voltou a apoderar-se dela. Aquela dor teria que ter desaparecido com o tempo, mas não tinha sido assim. Apesar de que tinha acontecido há cinco longos anos, seguia ali. “Não mudou nada”, pensou fixando-se em seus olhos frios. Zander Volakis era incrivelmente bonito. Tinha o cabelo liso e negro, a pele azeitonada, o nariz reto e aristocrático, o queixo quadrado e um físico tão masculino que fazia com que as mulheres se derretessem quando passava. Quando seus olhos se encontraram, Lauranne estremeceu. “Zander o caçador”, pensou. Aquele homem estava acostumado a que tudo lhe saísse bem, a converter milhões em trilhões. Nunca ninguém lhe havia dito que não. “Até agora», pensou Lauranne decidida a não voltar a dizer que sim jamais. Não queria lhe dar a satisfação de que se desse conta do quanto a afetava sua presença, assim levantou o queixo e o olhou nos olhos de maneira desafiante. -Vai pro inferno, Zander. Seus empregados ficaram boquiabertos, mas ele nem se alterou. -Vai levar isto ao terreno pessoal? -É obvio - respondeu Lauranne com o coração acelerado-. De que outra maneira poderia ser? Tem a sensibilidade de uma bomba atômica - espetoulhe esquecendo por completo que não estavam sozinhos. Mary empalideceu e olhou para Tom, que estava com a boca aberta em um canto da sala. -Bom dia, senhorita O’neill - disse com cautela um dos homens de Zander-. Meu nome é Alec Trevelyan e trabalho para o Volakis Industries -apresentou-se para quebrar o gelo. 72 72


-Me alegro muito. Espero que tenha seu currículum atualizado porque trabalhar para o Volakis lndustries pode resultar extremamente perigoso. O advogado, que tinha ficado sem fala, olhou a seu chefe para que lhe esclarecesse situação, mas Zander Volakis não o fez. Limitou-se a seguir olhando fixamente à mulher que tinha diante dele. O advogado se virou para Lauranne. Era óbvio que estava passando mal. -Está se dando conta de quem e...? -perguntou-lhe apontando Zander-. Quero dizer Zander é... -Sei perfeitamente quem é - disse-lhe Lauranne sem afastar seus enormes olhos azuis dele-. É o canalha que tentou arruinar a minha vida acrescentou-. É meu marido. Todos os presentes afogaram uma exclamação de surpresa. Lauranne sentiu uma pontada de dor ao compreender que Zander não lhes havia dito que era casado. Ao dar-se conta de que não lhes tinha falado dela, sentiu vontades de fazer um novelo em um canto da sala e esconder-se. Isso era exatamente o que seguia fazendo por cinco anos. Esconder-se. Esconder-se de seu passado, de seu matrimônio, de seus sentimentos. -Tinha esquecido de dizer-lhes- espetou-lhe entretanto com orgulho-. Que descuidado. Certamente, acreditava que eu não o ia dizer, se enganou. Durante um segundo, pareceu-lhe ver admiração nos olhos Zander, mas rapidamente se recordou que Zander não admirava a mulheres como ela. Zander gostava das mulheres submissas e obedientes que entrassem em seu jogo e ela jamais tinha sido assim. Alec meteu o dedo entre o pescoço e a camisa. -Obviamente isto... Não sabíamos senhorita O’neill... Quero dizer, senhora Volakis - balbuciou olhando a seu chefe em busca de alguma reação. Mas Zander não falou. Limitou-se a olhá-la. Lauranne apertou os dentes decidida a não baixar o olhar. Conhecia todos seus truques, sabia o manipulador que era e não estava disposta a ceder. Se Zander acreditou que ia intimidá-la, a tinha subestimado. -Para que veio? -perguntou-lhe. -Obviamente, isto é um engano - interveio Tom-. Seria melhor cancelar a reunião. Zander olhou para o sócio de Lauranne com fúria nos olhos e recordou o que tinha acontecido cinco anos atrás. -Zander, não... -disse-lhe Lauranne ficando diante de Tom. -Continua protegendo-o? -espetou-lhe Zander. - Todos fora - acrescentou virando-se para seus empregados. Sua equipe o olhou surpreso diante do desdobramento de emoções em um homem que era famoso por seu controle. -Zander, talvez... -atreveu-se a dizer Alec. -Quero falar com minha esposa - grunhiu Zander voltando a olhar Lauranne. - Diga para Farrer que saia! -disse-lhe. -Vai - pediu Lauranne a Tom para que a situação não explodisse pelos ares 72 72


-. Você também, Amanda. Tom duvidou. -Não penso em te deixar a sós com ele. Lauranne se deu conta de que Zander se esticava e viu ciúmes em seus olhos, ciúmes e algo muito mais perigoso. -Tom... Tom pressentiu também o perigo e foi para a porta. -Lembre o que ele te fez, Lauranne - disse-lhe dali. -É muito valente a certa distância, Farrer - burlou-se Zander. Tom empalideceu de raiva diante da provocação de seu rival. Lauranne recordou o que tinha acontecido da última vez que os dois homens se viram. Zander odiava Tom por sua culpa, uma culpa com a qual tinha vivido por anos. -Basta! -disse a ambos-. Vai, Tom! Está fazendo tudo ainda mais difícil. Tom assentiu e se foi deixando-os sozinhos. Zander não perdeu o tempo. -Montou uma empresa com ele? Com Farrer? -Sim! -respondeu Lauranne decidida a ver até onde era capaz de enfrentar o tigre-. Efetivamente, montei uma empresa com ele. Tom sempre se deu bem comigo - acrescentou vendo Zander irritar-se do outro lado da mesa. -Disso não tenho dúvida - respondeu Zander. -Não penso voltar para o passado. Isso foi há cinco anos. Se queria falar, devia ter feito então, mas preferiu me chutar do seu lado. Agora, quem se nega a falar sou eu. -Não havia nada que falar. Quando um grego encontra a sua mulher na cama com outro homem, acabam-se as conversas - respondeu amaldiçoando em sua língua materna e aproximando-se da janela. Lauranne se perguntou como tinha sido aquele homem capaz de ganhar reputação de ser frio quando com ela sempre era volátil e explosivo. -Para que veio? Faz cinco anos que não nos vemos. Cinco anos durante os quais Lauranne tinha tentado assumir que seu curto matrimônio tinha sido um desastre que tinha terminado e devia esquecer. -Por que escolheu minha empresa? Zander se girou para ela. -Não fui eu que a escolhi. -Um de seus empregados escolheu e não sabia que era minha? -sorriu Lauranne-. Pobrezinho. -Deveria ter me dado conta ao ler o nome da empresa. Phoenix PR. Renascendo de suas cinzas? -Cinzas que você criou Zander - recordou-lhe Lauranne ruborizando-se -Chutou-me do trabalho e fez todo o possível para que ninguém me contratasse. -É evidente que se saiu bem - comentou Zander olhando ao seu redor. Era certo que profissionalmente tinha ido bem. Havia outros aspectos de sua vida nos que não teve tanta sorte, mas, é obvio, não ia contar. Perguntouse o que pensaria Zander se soubesse que não havia tornado a sair com um homem, que trabalhava até a exaustão pelas noites antes de meter-se na cama, que tinha medo de baixar o ritmo se por acaso às emoções se 72 72


apoderavam dela. Certamente, Zander teria esquecido seu matrimônio fazia já muito tempo, assim Lauranne levantou o queixo. -A empresa é um êxito graças a Tom. Foi ele quem pôs o dinheiro. Contratou-me quando nenhuma outra empresa queria fazê-lo. Se não tivesse sido por ele, não teria tido maneira de ganhar a vida. -Não mencione a esse homem em minha presença. Lauranne sentiu que o pêlo da nuca lhe arrepiava. -Me dê uma razão para não fazê-lo. -É minha - declarou Zander-. Minha. Farrer se atreveu a fazer o que nenhum outro homem teria feito jamais e o fez só porque é um ignorante e não sabia no que estava se metendo. -Seu conceito das relações entre homens e mulheres é da Idade Média. -Não estava se queixava quando estava nua debaixo de mim. Ao recordar cenas parecidas, Lauranne sentiu uma pontada de desejo. -Saia agora mesmo - disse-lhe. -Quer que me vá porque não confia em si mesma quando está comigo? -Quero que vá porque não confio em mim mesma e poderia te bater respondeu Lauranne apertando os dentes-. Sempre nos demos muito bem brigando. -Fazíamos muitas outras coisas muito bem - sorriu Zander. Naquele momento, seus olhos se encontraram e Lauranne recordou o que sentia estando com ele. Meu Deus, não queria sentir. -Vai, Zander. É obvio não se foi. O que fez foi aproximar-se dela e olhá-la aos olhos. Lauranne se obrigou a não dar um passo atrás. -Sempre pensei que fosse como os foguetes, bonita, mas perigosa. -Como continua se aproximando, vai descobrir o quão perigosa posso chegar a ser - respondeu Lauranne com a respiração entrecortada -. Deixe de tentar me fazer acreditar que entre nós havia algo mais que sexo. Para você, só importava isso e se interessou por mim porque não caí rendida a seus pés. -Isso não é certo. Me interessei por você porque foi uma provocação. É certo que nenhuma mulher antes tinha fugido de mim. Você foi a primeira. -É um arrogante --exclamou Lauranne. Zander sorriu encantado. -Sou sincero. Nós dois sabemos que se fez de durona, mas que foi minha desde o começo. Desde a primeira vez que te vi, com sua minissaia e seu cabelo loiro, soube que me pertencia. -Jamais teria falado com você se soubesse quem era - respondeu Lauranne. -Não pôde evitá-lo, Lauranne - disse Zander lhe acariciando o cabelo-. Eu, tampouco. Foi algo muito forte o que houve entre nós. “Continua sendo”, pensou Lauranne. Lauranne recordou como ele falava palavras em grego ao ouvido enquanto se derrubavam pela cálida areia da praia. Apartou aquela lembrança de sua cabeça e se perguntou por que seu cérebro se empenhava em recordar 72 72


coisas boas quando aquele homem lhe tinha feito tanto mal. -Se tivesse sabido quem era, teria me dado conta do perigo que corria estando com você. Teria saído correndo. Como era possível que sentisse aquilo por ele? Depois de tudo o que lhe tinha feito, seguia-o desejando. Era como se seu corpo estivesse voltando para a vida depois de cinco anos hibernando. O único homem que tinha tido esse poder sobre ela era Zander. Só Zander a excitava tanto que lhe custava pensar. Aquele homem era perigoso e criava vício. -Foi uma mescla fascinante de acanhamento e atrevimento -disse-lhe-. Estava nervosa comigo, mas sentia curiosidade. -Certamente, não me equivoquei estando nervosa. Deveria ter saído correndo. -Em lugar de fazê-lo, casou-se comigo. Sim, casou-se com ele porque estava cega e profundamente apaixonada por ele e, desde dia em que se conheceram. -Todo mundo comete enganos, Zander. É desumano e tem o coração de pedra. Não acredito que haja um pingo de compaixão em você. Zander ficou olhando-a pensativo. -Há muita gente que estaria de acordo com você - respondeu-. Por isso, precisamente, vim. -Veio porque sua gente se equivocou, mas, agora que falamos, eu gostaria que saísse pelo mesmo lugar que entrou. -Não, não irei porque, depois de cinco anos, já sei o que vou fazer com você. Quero que volte a trabalhar para mim.

Capíétulo 2 Lauranne olhou Zander surpreendida. Queria que trabalhasse para ele? Estava louco? Esqueceu-se do que tinha ocorrido entre eles? Tinha esquecido os detalhes? Lauranne sentiu que avermelhava. -Suponho que esteja de brincadeira. Não penso em voltar a trabalhar para você nunca mas. -Ah, não? -respondeu Zander arqueando uma sobrancelha. Lauranne se deu conta de que tinha respondido o pior que podia responder. Uma negativa não fazia mais que alimentar seu feroz instinto 72 72


competitivo. Ninguém dizia nunca e não a Zander Volakis. Devia acreditar que o estava desafiando quando, em realidade, tinha sido seu mais básico instinto de sobrevivência o que a fez se negar a trabalhar para ele. -Não estamos jogando, Zander. Quem dera não estivesse aqui. Mas, já que está, vamos aproveitar para esclarecer coisas - disse-lhe com o coração acelerado-. Quero o divórcio. Zander a olhou com frieza. -Quer o divórcio? -sorriu-. Parece-me um pouco repentino, agape mou. Depois de cinco anos agora tem pressa? Sim, cinco anos de horrível tristeza, de esconder seu passado e de tentar viver. Tinha sido como ignorar uma enorme ferida com a esperança de que se curasse sozinha. Mas não tinha sido assim. -Cometemos um engano, Zander, e o melhor seria arrumá-lo. -Está bem. Faça este trabalho que proponho e o considerarei. -Não! -exclamou Lauranne-. Não quero voltar a trabalhar para você. Seria muito doloroso. Já estava sendo-o. O ter tão perto... -Pode se permitir o luxo de dizer não a um cliente rico? -perguntou-lhe Zander passeando diante ela. -O dinheiro não o é tudo na vida. Por muito que me oferecesse, jamais aceitaria trabalhar para você. Aquilo o fez rir. -Surpreende-me que tenha uma empresa. -Você só pensa em dinheiro. -E no que terá que pensar? -Nas pessoas! Que tem sentimentos... Por que estava sendo tão emotiva? Certamente, os que diziam que o tempo cura tudo em questões de amor, não tinham estado jamais apaixonados por Zander Volakis. Lauranne se deu conta de que sua ferida não estava totalmente curada. Para tentar se acalmar, tomou um copo de água. -Quando digo que não quero trabalhar para você, não te estou desafiando - explicou-lhe-. Em qualquer caso, não entendo por que quer que o faça. -Porque preciso de alguém que trabalhe bem. -E o que te faz pensar que vou estar disposta a aceitar? -Há três razões. A primeira, que estou disposto a pagar uma quantidade de dinheiro tão elevada que não vai poder dizer não. A segunda, que se não fizer não te darei o divórcio que de repente tanto desejas. -E a terceira? -perguntou Lauranne odiando-se a si mesmo por estar tão nervosa. -A terceira é que, se não o fizer bem, destruirei a ti e ao Farrer - sorriu Zander com desdém-. E rápido. Lauranne deixou escorregar copo da mão e cair no chão. -Não fala sério - respondeu olhando Zander sem incomodar-se em recolher os cristais quebrados. -Nunca brinco em questões de trabalho. Deveria saber. Sim, Lauranne sabia. Em questões de trabalho, Zander era implacável. 72 72


Lauranne decidiu tentar outra tática. -É impossível que queira que volte a trabalhar para você depois do que ocorreu. -Há cinco anos não podia suportar estar na mesma sala que você, mas agora, graças a Deus, as coisas mudaram. Vai trabalhar para mim, Lauranne. -Despediu-me - recordou Lauranne com paixão-. Despediu-me diante de todo mundo. -Isso faz muito tempo. Por sorte para você, eu esqueci o passado. Tinha-o esquecido? Tinha significado seu matrimônio tão pouco para ele que o tinha esquecido? E acreditava que ela era capaz de esquecê-lo também? -Foi meu marido e tratou de me destruir - murmurou-. Tinha prometido ante Deus e ante nossos convidados cuidar de mim, mas isso não significou nada para você. É desumano e jamais o esquecerei. -Buscou por isso - respondeu Zander olhando-a nos olhos. Diante da brutalidade de seu comportamento, Lauranne refletiu que sua herança grega lhe levava a ter uma insaciável sede de vingança. Zander foi até ela e Lauranne sentiu que se esticava. Estremeceu e notou que seus joelhos se dobravam. Como era possível que, apesar de que o odiava, seguisse desejandoo? Como podia? Como era possível que seu corpo seguisse reagindo diante aquele homem quando sua mente lhe dizia que não sentisse nada e que fugisse dali? Era impossível estar tão perto de Zander Volakis e não sentir nada. Lauranne seguia sendo vulnerável a sua todo-poderosa sensualidade. Ordenou a si mesma que, embora não pudesse controlar suas reações, tinha que controlar suas ações. Não devia deixar-se levar por seus sentimentos. -Saia daqui se não quiser que chame a segurança - advertiu-lhe apertando os punhos. Ao ver que Zander arqueava uma sobrancelha divertido, Lauranne se deu conta de que sua “segurança” consistia no zelador do edifício, que se ocupava de conectar e desconectar o alarme. -Não tenho medo - respondeu Zander aproximando-se ainda mais a ela. De repente, não havia ar na sala de reuniões. -Quero que vá. Falo sério, Zander - repetiu Lauranne desviando o olhar para não encontrar-se com seus olhos. Tentou concentrar-se na dor e na destruição que aquele homem tinha semeado em sua vida. -Não tenho absolutamente nada mais a dizer. Se quiser mesmo trabalhar com minha empresa, terá que falar com Tom. Não deveria ter dito isso. -Como quer que fale com ele quando sabe o que eu faria se ele voltasse a pôr um pé nesta sala? Não seja idiota. Não, não era idiota. O que lhe acontecia é que se esqueceu de como tratar com um homem grego. Os outros homens que Lauranne conhecia eram civilizados e moderados, não como Zander. Ele era incrivelmente primitivo, de emoções aleatórias e imprevisíveis. Em qualquer caso, Lauranne já não tinha vinte e um anos e não estava 72 72


disposta a deixar que a intimidasse. -Não me assusta, Zander, e se voltar a pôr a mão em cima de Tom... -interrompeu-se diante o ridículo que lhe pareceu, de repente, ameaçar a aquele homem. -O que? -burlou-se Zander-. Continua defendendo esse covarde patético? -Tom não é um covarde patético. -Deixou-te as sós comigo - apontou Zander-. Certamente, não me parece que seja muito valente. Deveria haver ficado para proteger a sua mulher. -Nunca fui sua mulher. Já estava dito. Por fim, havia-o dito. Deveria tê-lo feito cinco anos atrás e o teria feito se não tivesse sido pelo estúpido orgulho e a louca idéia de que podia lidar com ele. -Não insulte minha inteligência - grunhiu Zander-. Deitou-te com ele enquanto levava minha aliança. Lauranne ficou olhando-o e se disse que não valia à pena tentar que compreendesse a verdade. Parte da culpa era dela, certamente, porque tinha querido deixá-lo com ciúmes, queria castigá-lo pelo sofrimento que lhe tinha ocasionado. E o tinha conseguido. Tinha-o feito tão bem, que a reação do Zander lhe tinha dado medo. A situação fugira das suas mãos em um abrir e fechar de olhos e nem sequer teve tempo de confessar a verdade. Não pôde lhe dizer que o abraço que tinha visto entre eles tinha sido um abraço de consolo dado por um amigo, que lhe tinha contado que seu marido não tinha intenção alguma de trocar sua vida de paquerador por que se casou com ela. -É muito tarde para desculpas e explicações - disse-lhe Zander-. Dá-me isso única e exclusivamente para proteger Tom. -Zander... -Quando nos conhecemos, era virgem - recordou-lhe alterado-. O que aconteceu, Lauranne? Queria experimentar? Precisava prová-lo com outros? Aquelas injustas palavras a rasgaram. -Certamente, não tem o monopólio quanto à variedade - espetou-lhe zangada. Zander a olhou nos olhos e Lauranne se sentiu como um animalzinho apanhado diante dos faróis de um carro, consciente do perigo imediato, mas incapaz de mover-se. Zander tinha as mandíbulas apertadas e a olhava com hostilidade. Lauranne pensou que jamais ia poder falar do passado com aquele homem. Então, para sua surpresa, Zander se virou e ficou a olhar as fotografias e os títulos das paredes. Lauranne se deu conta de que tinha estado segurando a respiração e tomou ar. Não podia sair correndo porque estava segura de que Zander a alcançaria, assim que quão único podia fazer era esperar. -Vejo que tem muitos prêmios... -comentou Zander. -Faço bem meu trabalho. Também o fazia quando me despediu. -Nossa relação já não era somente profissional. Não, claro que não e esse tinha sido precisamente seu engano. Casa-se com o chefe e, quando sua vida pessoal termina, seu trabalho, também. 72 72


-Traiu-me e agora tem o que queria uma nova vida com seu amante. -Tom não é meu amante. Lauranne teve uma vontade horrível de rir. Aquele homem que tinha diante de si, tão brilhante para os negócios, era um autêntico burro no amor. É que acaso não sabia quanto o tinha amado? Lauranne abriu a boca para perguntar-lhe, mas a voltou a fechar. Para que? Já era muito tarde. A única coisa que Lauranne queria era que Zander se fosse o quanto antes e, para consegui-lo, o melhor que podia fazer era não falar. -Não quero que Farrer se aproxime de meu caso, mas quero que você volte a trabalhar para mim. Lauranne sentiu que o cérebro estava adormecido. Pelo visto, não era capaz de reagir. Só seus instintos mais básicos estavam alerta. Aniquilada ante sua potente masculinidade, molhou os lábios com a ponta da língua e Zander seguiu o movimento com seus olhos. Imediatamente, Lauranne se encontrou recordando. Olharam-se nos olhos e ela sentiu como a tensão subia entre eles em instantes. Sentiu o olhar de Zander no pescoço, sentiu-o deslizar-se por seu decote até postar-se em seus seios. Estaria se dando conta do que lhe estava fazendo? Lauranne não pode evitar que lhe endurecessem os mamilos e a pélvis lhe doesse. De repente, sentiu-se como hipnotizada, superada por uma força a que não se podia resistir. Obviamente, a atração era mútua. Zander amaldiçoou em grego e afastou o olhar. Claro que sabia o que estava fazendo. Sempre o tinha sabido antes inclusive que ela, o que não constituía nenhuma surpresa porque um homem tão experiente no sexo como Zander conhecia tão bem às mulheres que era capaz de detectar suas reações, o que lhe permitia saber exatamente quando e como atuar. -Farrer não é capaz de satisfazer a uma mulher como você - espetou-lhe surpreendendo-a. -Nem todas as mulheres gostam de seu machismo Neandertal respondeu Lauranne com acidez. Zander ficou diante dela com grande rapidez e a agarrou pelos ombros. -Veremos até que ponto isso está certo - disse-lhe beijando-a com tanta urgência que Lauranne não teve tempo nem de protestar. Sem pensá-lo, abriu a boca e lhe devolveu o beijo com a mesma paixão, enquanto lhe acariciava o cabelo. O beijo, selvagem e acalorado, era o beijo de um homem desesperado e Lauranne se apertou contra ele procurando sua proximidade, sua masculinidade. Não sabia o quanto tinha sentido falta dele. Foi como se seus corpos se reconhecessem, como se uma força mais capital que a física os unisse. Lauranne sentiu que Zander estremecia. De repente, a tomou em braços, sentou-a sobre a mesa e lhe. passou as pernas pela cintura. -Não são todas as mulheres que gostam? -burlou-se-. Tom faz isso assim? Lauranne sentiu uma explosão entre as pernas e se apertou contra ele. Então, de repente, Zander a soltou, amaldiçoou e se separou dela com 72 72


tanta rapidez que Lauranne teve que agarrar-se à mesa para não cair. Ao princípio, foi incapaz de compreender por que Zander tinha quebrado um momento tão perfeito, mas, quando a paixão deixou de lhe cegar o cérebro, compreendeu a situação e se sentiu humilhada. Tinha-o feito porque aquele beijo não tinha nada que ver com química. Era pura vingança. O que estava fazendo? Aquele homem era seu inimigo, mas tinha bastado um beijo para que se abraçasse a ele e se deixasse levar pelo desejo, um desejo que só ele tinha despertado nela. Como podia ser tão superficial? -Odeio-te - mentiu. -Pouco me importa - respondeu Zander afastando-se satisfeito-. Passarei para te buscar as sete e meia para falar sobre as condições de trabalho enquanto jantamos. Lauranne ficou olhando-o aniquilada. -O que? -acrescentou Zander-. Não vais dizer nada? Não vais dizer nada como “é o último homem da terra com o que jantaria”? Se não fizer, isto vai ser muito menos divertido do que eu esperava. -Por que quer que jantemos juntos? -Apesar de assegurar que você não gosta me dá a impressão de que a única maneira de falarmos vai ser estando em um lugar público - sorriu Zander-. Veremos se assim não acabamos na cama. Lauranne compreendeu que ele tinha razão. Como podia ter reagido assim? Deveria tê-lo esbofeteado. -Posso resistir a você - assegurou-lhe. Zander sorriu. -Sabe que não é assim - disse-lhe lhe olhando os seios. Lauranne sabia que os mamilos haviam tornado a endurecer, mas, em lugar de cobrir-se, levantou o queixo numa tentativa de recuperar a dignidade perdida. -Não tenho nada para falar com você, Zander. Nem em particular, nem em público. -Então, falarei eu - respondeu Zander indo para a porta-. Uma última coisa. Se quiser que tenhamos o jantar em paz, não mencione Farrer. Paz? Lauranne teve vontade de rir. -Não vou mencionar nada porque não vou jantar com você. -Não brinque comigo, Lauranne - advertiu-lhe Zander olhando-a nos olhos-. Às sete e meia. Se não estiver, irei buscá-la. Dito isso, abriu a porta e saiu da sala de reuniões. Lauranne ficou ali, petrificada, não sabendo se chorava ou gritava. Durante cinco anos, tinha conseguido esquecer seu passado e agora Zander aparecia de novo em sua vida e todos os seus esforços não valeram de nada. Com um só beijo tinha destampado a caixa de Pandora. Ao vê-lo, enfureceu-se, mas uma vez que a tinha beijado, Lauranne se esquecera de tudo exceto de sua boca e de seu corpo. Maldita humilhação. Lauranne se deu conta de que dava na mesma se divorciar ou não porque o que havia entre eles era tão forte que a única medida possível era 72 72


manter-se afastada dele. Quando Zander se desse conta de que não podia controlar sua vida, a deixaria em paz. Não devia deixar que a intimidasse. Não ia jantar com ele. Na realidade, não ia voltar para essa prisão. Quando Zander chegasse às sete e meia, ela não estaria ali. Certamente, se ele acreditava que ela ia jantar com ele como um dócil cordeirinho estava muito enganado.

Capíétulo 3 Zander avançou para seu carro esportivo. Furioso consigo mesmo por 72 72


não ter conseguido se controlar. “Que demônios me ocorreu?”, perguntou-se entrando no carro enquanto o resto de sua equipe e os guarda-costas iam no carro de atrás. Tinha estado a ponto de possuir Lauranne em cima de uma mesa, algo que jamais tinha feito antes. Ele, um homem que se orgulhava de sua autodisciplina. Era culpa de Lauranne, que fazia com que se comportasse de acordo com seus instintos mais básicos. Queria castigá-la. Assegurou-se que tinha sido pela surpresa de voltar a vê-la. Era a última coisa que esperava e, certamente, não contava voltar a ver Farrer. Tinha sido ouvi-la pronunciar seu nome o que lhe tinha impulsionado a beijá-la, para apagar sua existência, mas assim que sentiu seus lábios perdeu o controle, algo que não lhe passava com nenhuma mulher, só com o Lauranne O’neill. Lauranne... O maior engano de sua vida. Recordou seu cabelo loiro e seu precioso sorriso, que o deixava louco. Recordou suas pernas intermináveis e sua natureza apaixonada. Zander tinha prometido a si mesmo sendo jovem que jamais se casaria, porque tinha visto como seu pai bancara o idiota com várias mulheres, mas quando conheceu Lauranne... No primeiro instante, a paixão tinha regido sua relação, uma paixão que os consumia até uns limites insuspeitados, uma paixão que lhe tinha feito fazer o que se prometera que jamais faria. Casou-se com ela. Ainda não entendia por que. Ao recordar seus impressionantes olhos azuis, sentiu uma pontada de desejo entre as pernas e amaldiçoou. Sempre tinha sido assim com Lauranne, desde a primeira vez, desde que a tinha visto sentada em um tamborete em um dos quiosques da praia. Naquele mesmo instante, tinha posto todas as suas armas masculinas em movimento para conseguir deitar-se com ela. Sua relação com Lauranne tinha sido sempre completa. Ele tirava seu lado apaixonado e ela, seu lado sensível. Até então, Zander não era consciente de poder ser sensível, mas aquela mulher o tinha conseguido. Entretanto, não tinha podido perdoar sua infidelidade. O que tinha ocorrido a seu pai deveria havê-lo preparado para aquela situação, mas se havia sentido tão traído que tinha perdido o controle, algo que odiava. Tinha tirado-a de sua vida para não fazer algo ainda mais estúpido do que casar-se com ela, como perdoá-la. Estar com ela era como olhar ao sol, deixava-o cegado e enjoado. E agora resultava que Lauranne queria divorciar-se. Zander apertou os dentes. Jamais lhe tinha ocorrido. Ele tinha se limitado a esquecer o desastroso episódio e a seguir com sua vida. Voltar a vê-la o tinha feito sentir coisas que acreditava esquecidas. Amaldiçoando de novo, Zander se dirigiu a seu escritório com a firme decisão de tomar uma boa ducha fria para poder pensar com claridade. -Quando o vi entrar, não pude acreditar - comentou Tom olhando Lauranne-. Preciso de um cigarro. -Mas deixou de fumar faz seis meses. 72 72


-Se Volakis voltar para nossas vidas, prometo que volto a fumar - disse Tom muito pálido-. Por favor, me diga que não continuam casados, me diga que isso que ele disse de que segue sendo seu marido era uma brincadeira. Lauranne fechou os olhos e apertou os punhos. -Não, não foi uma brincadeira. -Não se divorciou dele? -Não era o momento. -Não era o momento? Como é isso? Lauranne não quis se divorciar porque acreditava no matrimônio, nas promessas e nos votos que tinha feito a seu marido. -Não queria pensar nisso. -E ele? Que desculpa o tem? -Suponho que se esqueceu de que alguma vez esteve casado comigo respondeu Lauranne mordendo o lábio. -Perfeito. Assim continua casada com ele. E o que quer? -Quer que trabalhe para ele. -Outra brincadeira? -Quem dera. -Mas você não vai aceitar certo? Espero que nem sequer tenha passado pela sua cabeça a possibilidade! -disse passando os dedos pelo cabelo-. Não esqueça o que esse homem a fez sofrer. Traiu-a com outra mulher, te chutou do trabalho e fez tudo o que estava em suas mãos para frear sua carreira. -Sim, não o esqueci. Por isso precisamente, não vou A... -Sim, vai fazer - suspirou Tom frustrado-. Conheço-te muito bem e sei o que sentia por ele. Também sei que durante estes cinco anos, desde que o deixou, não houve outro homem em sua vida. Começo a me perguntar a verdadeira razão pela qual não quis se divorciar dele. -Tom... -Ainda sonha com ele, não é verdade? Lauranne abriu a boca para negá-lo, mas não pôde. -Não faça ilusões, Lauranne. Zander Volakis não te vai fazer nenhum bem. Reapareceu em sua vida, mas sairá e a deixará em pedaços de novo. -Sei e por isso precisamente não vou A... -Sim, o vai fazer porque não pode evitar. Ele, tampouco. Diga-me que não o beijou. Lauranne se ruborizou e Tom amaldiçoou em voz alta. -Sabia! -exclamou exasperado-. Não podem estar juntos sem se despir mutuamente! -Tom, por favor... -Não penso voltar a ficar olhando enquanto se destroça, Lauranne advertiu-lhe-. Lembro que esteve seis meses sem poder sair da cama. Sou seu melhor amigo e por isso, precisamente, estou no dever de lembrá-la que esse homem esteve a ponto de te destruir. Eu a ajudei a sair da fossa, mas não estou seguro de poder voltar a fazer. -Não estou pedindo isso - respondeu Lauranne-. Eu não pedi que viesse. Simplesmente, apresentou-se aqui. -Deveria lhe haver dito que se fora. -Tentei-o. 72 72


-Te divorcie dele, Lauranne. Têm umas quantas justificativas. Para começar, adultério. Ou esqueceste? Lauranne sentiu um nó na garganta e negou com a cabeça. É obvio que não tinha esquecido. Aquele dia tinha sabido o que era de verdade a dor. Tom suspirou. -E agora o que? Vai voltar? -Vem me buscar as sete e meia para falar de negócios durante o jantar admitiu Lauranne. -Vais sair para jantar com ele? A última vez que nos vimos jantou os dois. Lauranne, não confie nele. -Não confio nele. -Esse homem me mandou para o hospital. Lauranne fechou os olhos e se estremeceu ao recordá-lo. Se não tivesse beijado Tom... -Já sei, mas aos vermos juntos... É muito possessivo e... -interrompeu-se e se perguntou por que o estava justificando. A julgar pela cara do Tom, ele se estava perguntando o mesmo. -Recorda-te de como se comportou com você. -Mas nos encontrou juntos na cama. -Sim, bom... Admito que isso foi minha culpa. Tinha bebido muito e, quando apareceu com essa carinha de pena... -Não aconteceu nada - disse-lhe Lauranne lhe acariciando o braço-. Nós dois sabemos que foi a bebida o que fez com que tentasse me seduzir. Nós somos amigos verdade? -Faz muito tempo que me dei conta de que para você só havia um homem na vida - suspirou Tom-, assim atirei a toalha e tive a sorte de encontrar outra pessoa. -Menos mal que um de nós conseguiu ser feliz - sorriu Lauranne-. Zander o odeia por minha culpa. À noite em que nos encontrou juntos, eu poderia ter te dado um empurrão se tivesse querido, mas quando o vi na porta a sede de vingança me levou a te beijar para lhe fazer ciúmes. Tom se estremeceu ao recordá-lo. -Por favor, não o volte a fazer. Viu como me olhou? Acreditei que ia me matar. Lauranne fechou os olhos. -Me prometa que não vais estar aqui às sete e meia. -Prometido - respondeu Lauranne. -Não vá para casa tampouco. Te encontraria facilmente. Saia por Londres. Va passear. Compre uma peruca, tinja o cabelo e engorde quarenta quilogramas. Lauranne sorriu. -Nós dois sabemos que, quanto mais difícil seja, mais ele vai insistir. Era certo, mas Lauranne não estava disposta a ser fácil. O que queria exatamente dela? Por que queria que trabalhasse para ele? Já o tinha feito cinco anos atrás... Trabalhar no departamento de Relações Públicas do Volakis Industries nada tinha sido mais incrível. Tinha começado no escritório de Londres e ali tinha conhecido Tom. Nunca viu Zander, só no relatório anual, pois tinha 72 72


escritórios por todo mundo e viajava constantemente. Provavelmente, jamais o teria conhecido se não tivesse ido à inauguração de um de seus hotéis no Caribe. -Vais ficar ali por dois meses - disse-lhe seu chefe uma manhã-. Vais trabalhar em diferentes departamentos para que entenda como funciona a empresa por dentro e, assim, possa te encarregar da imprensa. A idéia é convidar aos jornalistas para jantar e os tratar com atenção, todo o possível para que escrevam maravilhas de nós. -Ele estará lá? -perguntou Lauranne intrigada com a possibilidade de conhecer por fim ao chefe todo-poderoso que se encarregara da empresa que seu pai tinha deixado arruinada e a tinha convertido em um império mundial. -Não sei - respondeu seu chefe encolhendo os ombros-. Provavelmente não, porque está sempre viajando e, quando não viaja, está na cama com alguma modelo ou atriz impressionante, assim não faça ilusões nesse sentido. É obvio que não as fazia, disse Lauranne enquanto fazia as malas. Acabava de fazer vinte e um anos e não tinha nenhuma intenção de apaixonarse e, muito menos, por Zander Volakis que tinha reputação de ser um playboy. Uma noite, estava sentada no bar conversando com outros hóspedes do hotel quando, de repente, teve a sensação de que a estavam observando. Era um homem que se mantinha levemente afastado de outros. Tinha um ar de autoridade e um físico tão impressionante que a deslumbrou. Deveria tê-lo reconhecido, mas não foi assim. Provavelmente, porque as fotografias que tinha visto dele não faziam justiça a vital masculinidade do homem que tinha diante dela. Seus olhos se encontraram e Zander a olhou de cima abaixo a deixando tremendo como uma folha. Era tão bonito. Não deixava de olhá-la. Acostumada a manter aos homens à distância, Lauranne desviou o olhar dizendo-se que não era para ela porque, se estava hospedado ali, devia ser milionário e ela não queria nada com eles por mais bonitos que fossem. -Quero que jante comigo - disse-lhe o desconhecido aproximando-se. Pela primeira vez em sua vida, Lauranne teve a tentação de aceitar uma proposta semelhante. -E sempre consegue o que quer? -respondeu-lhe. -Sempre. -Não posso jantar com hóspedes. -Eu não sou um hóspede - sorriu Zander. Deveria haver-se dado conta de quem era então, mas não deu até muito mais tarde, quando estavam jantando e tinham falado de muitas coisas, quando Lauranne já se havia meio apaixonado por ele. -Oh, Meu deus... -disse deixando o garfo no prato ao dar-se conta com quem estava jantando-. É... É... -Quem sou? -disse Zander arqueando as sobrancelhas. -É você - disse Lauranne tragando saliva-. Teria que te haver reconhecido. Vi-te no relatório anual. -Esse documento de quarenta páginas em que todos saem feios? -riu Zander fazendo-a rir também. -Não posso sair com o chefe - repensou Lauranne de repente-. Vai contra as normas. 72 72


-Sim, mas sou eu quem faz as normas. Posso-as mudar ou te despedir. Isso foi exatamente o que fez, embora um tempo depois. A dez quilômetros dali, Zander Volakis, andava nervoso por seu escritório enquanto recordava a conversa que tinha tido com Lauranne. Alec o observava nervoso. -Procurarei outra empresa de assessoramento de Imagem. -Por quê? -Por que... Bom... É óbvio que... Odeiam-se. Pouco acostumado a analisar seus sentimentos, Zander se sentiu incômodo ante a precisão com a que seu advogado acabava de descrever como se sentia. Ódio? Havia sentido muitas coisas por Lauranne Zero’neill, mas, certamente, o ódio não era uma delas. -Quanto tempo estiveram... Ah... Casados? -Um mês, três dias e seis horas - respondeu Zander rendia-se-. Até então, meu pai tinha o recorde de matrimônio mais curto, mas agora sou eu. -Em teoria continua casado, não? Por que não se divorcias de uma vez? -Porque só se divorcia quando quer casar-se com outra mulher respondeu Zander sentando-se-. E eu não tenho intenção de repetir semelhante engano. -Bem. Acredito que isso se referia precisamente Kouropoulos quando dizia que não tem nenhum compromisso familiar. -Certamente, um matrimônio de quatro semanas, três dias e seis horas não é um bom cartão de visitas. -É uma pena que não possamos trabalhar com essa empresa porque sua mulher tem fama de ser a melhor. Se houver alguém capaz de convencer a Kouropoulos de que é um homem capaz de amar, é ela. Nem momento, nem sequer quer marcar uma entrevista conosco. -Continua sem querer nos receber? Alec negou com a cabeça, visivelmente frustrado. -A semana passada o fotografaram com uma modelo e com uma bailarina. Isso não nos ajudou absolutamente. O problema é que nunca sai com a mesma mulher duas vezes seguida. -Para que? -Zander, temos que convencer Kouropoulos de que sai com tantas mulheres porque, na realidade, está procurando a perfeita para passar o resto de sua vida com ela. Claro que, agora que sei que está casado, nada disto vai dar resultado... Parece-me que vamos ter que admitir a derrota. Fazer parecer um homem de família é realmente difícil e se Kouropoulos se inteira de que já está casado e continua saindo com outras mulheres, temo que não haja nada a fazer. Pensa que ele vive com a mesma mulher desde os vinte anos. -Suponho que por isso vivem em uma ilha, para não ter tentações. Zander não acreditava em que as mulheres fossem capazes de ser fiéis. Se a experiência de seu pai não fosse suficiente, tinha passado pelo mesmo. -Não penso em atirar a toalha, Alec - disse a seu advogado ficando em pé. Não ia parar até que Blue Cave lsland fosse dele. -Não me ocorre nenhuma solução - suspirou Alec. 72 72


-Continue procurando - ordenou-lhe Zander olhando pela janela-. Se precisar mudar de imagem, farei. E minha mulher é a pessoa ideal para fazêla. -Está de brincadeira? -Já sabe que nunca brinco quando falo de negócios. -Poderia te fazer um dano colossal. Odeia-te... -Não, não me odeia - respondeu Zander recordando o episódio daquele mesmo dia. -Sou seu advogado e te aconselho que não o faça porque é muito arriscado, Zander. -O risco não me assusta. -Não te entendo. Zander não respondeu. Também lhe custava entender a si mesmo. Por ser um homem que nunca olhava atrás, estava incomodamente obcecado com a desastrosa relação que tinha tido com Lauranne. Disse-se que era somente porque se negou a trabalhar para ele. Sua relação se apoiou sempre precisamente nisso, em desafiar-se mutuamente. Era uma relação explosiva, mas muito excitante ao mesmo tempo. A possibilidade de voltar ver-se com ela o encheu de uma ansiedade que não foi capaz de explicar.

72 72


Capíétulo 4 Lauranne olhou o relógio e se deu conta de que, se queria seguir o conselho de Tom e perder-se por Londres, tinha que ficar em movimento. Entrou no banheiro que tinha ao lado do escritório e se olhou no espelho. Em lugar de ver o rosto de uma mulher de negócios amadurecida, viu a cara da garota que era há cinco anos. Fechou os olhos e se disse que, por mais que tivesse lutado para mudar sua imagem externa, não tinha conseguido mudar por dentro. Por fora, não ficara nada da garota inocente que se apaixonou perdidamente do Zander Volakis, mas por dentro... Por dentro, aquela garota apaixonada e alegre seguia existindo. Lauranne tocou os lábios e recordou... Tinha sido incrível. Dois meses com Zander. Naquele tempo, tinha descoberto uma parte de si mesma que não conhecia e que negou depois. Sentiu uma pontada de desejo na pélvis com apenas pensar nele. Parecia-lhe impossível que uma mulher pudesse sentir o que Zander lhe tinha feito sentir. Não reconhecia a si mesma. Com ele, tudo era muito mais intenso. Sobretudo, a dor da despedida. Lauranne se agarrou ao lavabo. Se concentrasse nisso, o desejo desapareceria. Já não tinha vinte e um anos e, certamente, não era uma ingênua. Estar com o Zander não só tinha ensinado sexo. Tudo o que sabia sobre a dor, o sofrimento e a perda tinha aprendido com ele. Era uma perita. Por isso, precisamente, ia fugir dele. Não queria que Zander Volakis voltasse a ser parte de sua vida e estava decidida a falar o quanto antes com um advogado para iniciar os trâmites do divórcio. Pôs uns jeans, uma camiseta branca, uma boina e tênis. Satisfeita com sua mudança de imagem, pendurou a bolsa do ombro e se foi. Embora a visse, Zander não se fixaria nela vestida assim. Ele só se fixava em mulheres elegantes. As ruas estavam cheias de gente que voltava do trabalho. Laura se misturou com eles e parou um táxi. Uma vez dentro, disselhe ao condutor que fosse para o rio. Um passeio iria bem para clarear as idéias e poderia tomar um café e comer algo em um dos muitos locais que havia nas bordas. O táxi a deixou perto do Parlamento. Lauranne ficou olhando o ocaso sobre o Tamisa. Estavam em pleno verão e fazia muito calor. Todo mundo tinha pressa para chegar a casa. Ninguém reparou nela. Sentiu-se anônima entre tanta gente e começou a relaxar. Graças ao Tom tinha uma nova vida e devia aproveitá-la. Estava a milhares de quilômetros de distância do Volakis Industries e não devia voltar a mesclar-se com eles jamais. -Sim, chefe, tentou escapar. Tomou um táxi até o rio e deu um passeio. 72 72


Esteve andando um bom tempo, estivemos a ponto de perdê-la porque, a verdade, não se parece em nada com a fotografia que nos deu. Zander olhou seu guarda-costas e riu. Aquilo era típico de Lauranne. Sabia perfeitamente que a ia encontrar, mesmo assim, empenhava-se em fugir. Enquanto subia no carro e dava instruções ao motorista, pensou que era por isso sempre se chocavam. Lauranne era a pessoa mais parecida com ele, teimosa e decidida, que conhecia. As mulheres babavam por ele, mas Lauranne, não. Ela o tinha ignorado, o que lhe tinha forçado a perseguir uma mulher pela primeira vez em sua vida e, enquanto as demais riam de seus comentários, ela discutia e o deixava louco. Era a antítese da mulher que lhe tinham ensinado que devia procurar. Não era uma mulher total e esse era parte de seu atrativo. Lauranne era vivaz, teimosa e difícil de convencer, a mulher perfeita para um homem que gostasse de provocações. Zander sorriu ante a possibilidade de voltar a lutar com ela. Sua relação sempre tinha sido apaixonada e aquela manhã tinha ficado claro que seguia desejando-a. Fez um esforço sobre-humano não possuí-la ali mesmo, sobre a mesa de vidro. Foi onde se equivocou. Deveria ter seguido deitando-se com ela até que estivessem os dois tão exaustos que não tivessem forças para discutir. Mas havia sentido a imperiosa necessidade de casar-se com ela. Seguia sem entender por que o tinha feito. Ao dar-se conta de que o carro parou, fixou-se em um café que tinha um terraço com várias mesas, por trás parecia um menino, mas Zander reconheceu a curva de seu pescoço e o queixo levantado. Estava pronta para entrar em batalha. Era óbvio que estava esperando que a encontrasse. Zander desceu do carro e foi até ela. Lauranne o sentiu antes de vê-lo. Os olhares de todas as mulheres presentes se concentraram em alguém que estava em suas costas e Lauranne sabia muito bem de quem se tratava. Perguntou-se até onde seria capaz de chegar se levantasse e saísse correndo. Esticou-se e se preparou para o confronto, mas não se virou. Tinha-a encontrado mais rapidamente do que tinha imaginado, mas ele era assim. Não havia pessoa a que não pudesse encontrar nem contrato que resistisse. Encontrá-la devia ter sido um jogo de meninos, mas isso não queria dizer que fosse a aceitar fazer o que ele quisesse. Zander se sentou frente a ela, ignorando os olhares das fêmeas que havia a seu redor. Lauranne teve vontade de rir. Tinha passado o mesmo quando o tinha conhecido. Sentiu-se atraída por ele como se fosse um ímã. Teve vontade de lhes gritar que ficassem, mas que tomasse cuidado porque era um homem muito perigoso que não tinha escrúpulos. É obvio, não o fez. Olhou-o nos olhos com vontade de brigar. Era a única maneira de tratar com aquele homem porque, se percebia o mais leve sinal de debilidade, amassava-a. -Misturando-se com a plebe, Zander? Olhou seu redor e deu de ombros. -Foi você que escolheu o campo de batalha. Campo de batalha? Sim, essa era sua relação. Zander fez um sinal a um garçom que obviamente o tinha reconhecido porque correu a atendê-lo com 72 72


uma pressa patética. Lauranne apertou os dentes. O que tinha aquele homem que fazia que todo mundo se rendesse a seus pés? Trocou de roupa. Já não usava terno, mas calças de pregas e uma camisa de linho, mas mesmo assim continuava com tudo sob controle, era o magnata grego em todo seu esplendor. “O chefe da manada”, pensou Lauranne. Zander pediu um café e observou satisfeito que a bebida de Lauranne estava quase intacta. Lançou-lhe um olhar glacial. -Mandou me seguir, não foi? - acusou-o. -Acreditava que não ia fazer isso? -sorriu ele. -Está perdendo tempo, Zander, porque não tenho nada para dizer a menos que queira que falemos do divórcio. -Ah, sim... O divórcio - disse Zander cruzando uma perna sobre a outra. Contra sua vontade, Lauranne se encontrou rememorando aquele glorioso corpo. De repente, deu-se conta de que lhe tinha secado a boca. Horrorizada, desviou o olhar e tomou um gole de sua bebida. -Perguntei-me por que não falaste com seu advogado antes - comentou Zander. -Porque nunca penso em você - mentiu Lauranne, deixando o copo sobre a mesa com as mãos tremulas-. Nosso casamento foi tão breve que já o esqueci. -De verdade? -Sim. -E também esqueceu do sexo, Lauranne? -Sim - respondeu Lauranne apertando os punhos. -Então, por que treme? -observou Zander arqueando uma sobrancelha-. Não parece quase indecente que, apesar de tudo o que se passou entre nós, continuemos nos desejando desesperadamente? Mortificada porque ele tinha adivinhado com facilidade o que lhe ocorria, Lauranne voltou a tomar o copo entre as mãos, mas tremiam tanto que o único conseguiu foi que o conteúdo lhe caísse pelos dedos. -A única coisa que desejo desesperadamente é que vá embora. -Acredite que, onde quer que vá, vai encontrar comigo-disse Zander, muito seguro de si mesmo. -A menos que me seqüestre em plena luz do dia, asseguro-te que isso não vai ser assim - respondeu Lauranne lhe olhando zangada-. Advirto-te que grito muito alto. -Lembro muita bem como grita, Anni - respondeu Zander com voz rouca-. E lembro perfeitamente o que é a te faz gritar, Anni. Lauranne fechou os olhos. Não estava jogando limpo. Ele só a chamava assim nos momentos mais íntimos. Usar aquele nome era uma lembrança de seus encontros sexuais mais proveitosos. -É asqueroso - disse-lhe. -Prefere ter essa conversa em um lugar mais íntimo? -Prefiro que me deixe em paz. Não penso ir a nenhum lugar com você, Zander. -Claro que sim, Lauranne. Me alegro que tenhamos tornado a nos ver. Eu gosto de falar com você. Tinha esquecido o que é estar com alguém que não 72 72


faz automaticamente tudo o que quero. -Mas se você não gosta nada de ser contrariado! -Isso não é verdade. -Se não fosse um galo de briga, as pessoas não teriam medo dizer a verdade. -Acredita que os amedronto? -perguntou Zander divertido. -Ficam aterrorizados. Não tem medida e sempre, absolutamente sempre, tem que ser do teu jeito. De pequeno devia ser insuportável. Se não o tivesse conhecido tão bem, não se teria dado conta da sutil mudança que se operou durante dois segundos em seu rosto por ouvir aquelas palavras. -Me alegro de que o tenha tão claro porque, assim, evitaremos discussões desnecessárias. -Todas as discussões que houve entre nós foram desnecessárias. -Eu não o recordo assim. -Será porque tem memória seletiva - burlou-se Lauranne. -Tenho uma memória perfeita, sobretudo no que se refere a você. Lembro de todas as nossas discussões, todas as acusações que verteu sobre mim e todas as palavras que afogou quando fazíamos o amor. -Deve ter uma memória incrível porque nossa relação foi uma grande discussão sem fim. -Porque você não queria fazer nada sem brigar. Inclusive o sexo entre nós era uma briga. Lauranne sentiu que o calor se apoderava dela quando recordou como tinha sido o sexo entre eles. Selvagem, frenético, descontrolado. Nada havia sido tranqüilo naquela relação. Tinha sido apaixonada e antagonista desde o primeiro dia. -Sabia o que queríamos um para o outro e, entretanto, empenhou-se em jogar. -Não eram jogos, Zander. Simplesmente, somos diferentes. Viemos de diferentes culturas. Você crê em donzelas virgens e em... Amantes -explicoulhe- e eu acredito que para que uma relação funcione, o homem e a mulher têm que ser iguais. -Então o que fez com Farrer? Digo por que não te chega, nem de longe, à sola dos sapatos. -Foi você quem insistiu em que não falássemos do Tom - disse Lauranne ficando em pé-. Está quebrando suas próprias regras. -Sente-se - ordenou-lhe Zander. -Não. Não estou gostando desta conversa. -Podemos continuar falando aqui ou em meu hotel, onde você prefira. Lauranne não queria voltar a ficar a sós com ele depois do que tinha ocorrido aquela tarde, assim voltou a sentar-se. O garçom lhes levou dois cafés. -Este café esta asqueroso - comentou Zander ao prová-lo-. Não há nenhum como o que fazemos na Grécia. -Pois volte para lá o quanto antes - sorriu Lauranne. -Isso é o que quero, mas antes tenho que fazer um trabalho e você também. 72 72


-Já te disse que não me interessa - respondeu Lauranne. -Mesmo? -disse Zander tirando uns papéis de alguma parte-. Uma lista de seus clientes. É incrível que a maioria deles tenha conta em meus bancos. Lauranne tinha esquecido a quantidade de negócios que tinha aquele homem. -Não se atreveria... -Claro que sim, agape mou - sorriu Zander. Lauranne sentiu que o coração lhe acelerava e que lhe suavam as palmas das mãos. Dizer não aquele homem era como tentar parar um tsunami. -Por que quer que trabalhe para você? -Porque preciso mudar a minha imagem pública o quanto antes. -As pessoas se deram conta de como você é na realidade e você não gosta? -riu Lauranne. Zander a olhou com desprezo. -Não posso ajudar - disse-lhe Lauranne olhando-o nos olhos-. Meu trabalho consiste em descobrir e potencializar o lado mais humano das pessoas, mas nós dois sabemos que você carece desse lado, Zander. Tem fama de ser duro e frio e eu não posso fazer nada para mudar isso. -Então, não se importa que Tom perca a empresa? Lauranne tragou saliva. -Seria capaz de fazê-lo? -Quero que trabalhe para mim, Lauranne - respondeu Zander dando de ombros-. Se para consegui-lo, tenho que fazê-lo... -Quer que convença às pessoas de que é doce e amável? -riu Lauranne com incredulidade. -Sou um homem de negócios aos homens de negócios de nada serve ser doce e amável, mas quero que os convença de que tenho meu lado humano. Se o que a incomoda é o passado, estou disposto a esquecê-lo. Lauranne teve vontade de esbofeteá-lo. Pelo visto, o canalha acreditava que estava sendo generoso. -É incrível, Zander. Me jogou na rua, arruinou minha vida profissional e agora quer que façamos como que não fosse nada? -Eu já esqueci. Lauranne gostaria de tê-lo esquecido também. -Por que eu? -perguntou-lhe. -Porque vi o que tem feito com outros clientes. -E por que quer mudar a imagem que as pessoas têm de você? Nunca s e importou. -Porque tenho um negócio muito importante nas mãos - respondeu Zander-. O proprietário do que quero comprar é ridiculamente sentimental e acredita que não sou capaz de entender os valores familiares. -Evidentemente, é um homem muito observador - sorriu Lauranne-. Não se deixa impressionar por sua falta de princípios. Você gosta das coisas rápidas. -Menos em um aspecto de minha vida e você deveria sabê-lo. E sabia. Lauranne sentiu que um intenso calor se apoderava de seu corpo. -Bom, foi fascinante falar com você, Zander, mas tenho que ir. 72 72


-Não terminamos. -Eu, sim - insistiu Lauranne ficando em pé. Zander a agarrou pela mão e a puxou, fazendo-a cair em seu colo. A Lauranne não deu tempo de protestar. Sentiu seus lábios na boca e, instintivamente, beijou-o. Quando abriu os olhos comprovou horrorizada que Zander estava excitado. -Não se mova - disse-lhe com voz rouca. A ereção ameaçava atravessar o tecido das calças. Lauranne fechou os olhos. Ela também estava muito excitada. -Zander. . O que está querendo? -Recordar o passado. disse que esqueceu de mim, me disseram que o melhor para a amnésia é um bom choque. -O que quer de mim? -Que me ajude a fechar essa compra. Quero que faça o que for necessário para convencer Kouropoulos de que sou um homem sensível que entende perfeitamente como se leva um complexo de veraneio familiar. Lauranne o olhou com os olhos muito abertos. -Sou assessora de imagem, não maga. Nós dois sabemos que você não tem nada de sensível. -Há partes de minha anatomia que são incrivelmente sensíveis assegurou-lhe com um grande sorriso. Lauranne se ruborizou e o olhou com cara de nojo. -Não vou fazer. -Sim, sim vai - insistiu Zander lhe afastando uma mecha de cabelo do rosto-. Vai fazer porque é a única maneira de ter o divórcio e porque, se não o fizer, vou arruiná-la pela segunda vez e dessa vez levo junto Tom.

72 72


Capíétulo 5 Essa mulher é um gênio - comentou Alec atônito olhando outro jornal-. Em menos de duas semanas conseguiu que apareça em quase todos os canais de televisão e em todos os jornais importante e sempre sozinho, sem mulheres. Como o tem feito? -Me aborrecendo - respondeu Zander. Não era certo. A verdade era que as duas últimas semanas tinham sido estimulantes e sensuais, mas não pensava dizer isso ao seu advogado. Tinha querido que Lauranne trabalhasse para ele para castigá-la, mas o processo estava resultando um castigo para ele também. Tinha o corpo dolorido de tanto sofrer. -Pois deu resultado - riu Alec-. Agora, é a viva imagem de um homem encantador. Não sabia que doava tanto dinheiro a obras sociais. -Nunca o tinha feito público porque não me parecia oportuno e, certamente, se tivesse me perguntado teria dito que não o divulgasse, mas o tem feito por sua conta. -Seja como for, está fazendo maravilhas. O que me surpreende é que aceitasse trabalhar para você. Como conseguiu? -Mostrei-me... Persuasivo - respondeu Zander. --Em outras palavras, não aceitou um não por resposta. E já terminaste? -Fico para festa desta noite. -Vai com uma mulher? -É obvio. Vou com a mulher perfeita. -Vai convidar ela? -perguntou Alec assombrado-. Por quê? Passa duas semanas aparecendo sozinho na imprensa. Por que vai aparecer agora com uma mulher e, precisamente, com ela? -Tenho razões pessoais - respondeu Zander-. Quero que chame o Kouropoulos para marcar uma entrevista. 72 72


-Não sei se vai querer. . Vai querer. -Vou falar com seus advogados agora mesmo - disse Alec ao ver seu chefe tão convencido. -Muito bem. Saio rumo ao Blue Cove Island esta noite depois da festa. -Muito bem - sorriu Alec-. O farei saber. Vejo que já conseguiu transformá-lo no senhor Perfeito - comentou Tom servindo um café e sentando-se frente à Lauranne-. Não posso acreditar que aceitasse o trabalho, mas o que já me parece incrível de acreditar é que tenha conseguido transformar esse canalha em um bom homem aos olhos das pessoas. Lauranne folheou os jornais. Em circunstâncias normais, estaria muito orgulhosa de seu trabalho, mas aquelas circunstâncias não eram normais. Tinha aceitado o trabalho para proteger Tom e para conseguir o divórcio. -Queria terminar quanto antes - disse-lhe. -Trminou ou há mais? -Terminaremos esta noite indo a uma estréia juntos. -Vai com ele? Não entendo. Porque quer aparecer em público com uma esposa da qual faz anos que se separou? Sente saudades? -A verdade é que não. É trabalho. Depois desta noite, terminou respondeu Lauranne afastando uma mecha de cabelo do rosto-. Zander queria resultados rápidos e os obteve. Da minha parte, o trabalho terminou. -Esta manhã assisti uma entrevista dele e asseguro que, se não soubesse como é na realidade, teria acreditado que é um bom homem. Como fez isso? -É meu trabalho - respondeu Lauranne-. Em qualquer caso, ele tem algumas coisas boas - acrescentou pensando que tinha descoberto umas quantas-. Por exemplo, não encontrei nem um só empregado que fale mal dele. -Bom, recordo que eu trabalhei para ele e poderia falar muito mal dele. Lauranne tentou sorrir para atiçar o assunto. -Doa fortunas e não havia dito a ninguém, Tom. -E o que? Não me dirá que se deixou impressionar? É multimilionário. Pode se permitir o luxo de doar milhões sem inteirar-se. Isso não quer dizer que seja uma boa pessoa. Por favor, Lauranne. -Sim, sei que por doar dinheiro não se é boa pessoa. Lauranne recordou que Zander era capaz de recorrer à chantagem se queria algo, mas não podia esquecer o incômodo que havia sentido quando lhe tinham perguntado por suas doações a obras assistenciais. -Continuo sem entender por que aceitou mudar a imagem dele- insistiu Tom tomando o café. Lauranne desviou o olhar. Não tinha contado ao Tom à conversa que tinha tido com o Zander. -Pareceu-me mais fácil lhe dizer que sim que lhe dizer que não respondeu-. De toda formas, depois desta noite acabou. -De verdade? Tenho a impressão de que o que há entre o Zander e você não terminará jamais. -Entre nós não há nada - assegurou-lhe Lauranne ficando em pé-. Vou para casa me trocar porque ele virá me buscar as sete. 72 72


-Boa sorte. Não esqueça sorrir muito para as câmeras e ter muita paciência porque, quando os meios de comunicação se inteirarem de que é sua esposa, vão se desesperar por você. -Ninguém vai se inteirar de que sou sua esposa, assim não acredito que vão se interessar em mim. -Muito cuidado, Lauranne. Volakis sempre faz as coisas por algum motivo. Se a convidou esta noite para essa festa é porque o interessa. -É porque precisava ir com alguém - disse Lauranne suspeitando que Tom tivesse razão. O que proporia Zander? -Tornou a beijá-la? Lauranne negou com a cabeça. Não lhe tinha feito falta. Se apenas estiver na mesma sala que Zander já se desconcentrava e só podia pensar nele. A atração era mútua e tão intensa que Lauranne se surpreendia que os jornalistas não se dessem conta. -Quer que a leve para casa? -ofereceu-se Tom. -Não, vou andando e, se chover, tomarei um táxi - respondeu Lauranne saindo. Ao chegar à rua, viu o carro e soube quem era. “Zander o caçador”. -Suba - disse-lhe. Era a primeira vez que estava a sós com ele desde que tinha começado o processo de mudança de imagem, durante o qual a tensão entre eles tinha subido até alcançar cotas insuspeitadas. Estar em um carro a sós com ele era a última coisa que Lauranne queria. Era como estar admirando um tigre acreditando que está em preso e descobrir que está solto. Lauranne sentiu que tinha secado a boca e que o coração pulsava descontrolado. Sabia que numa situação perigosa tinha que seguir em frente ou fugir. Fugir de Zander era inútil porque sempre a encontrava, assim não ficava mais remédio que lhe enfrentar. -Prefiro ir andando -respondeu - Quero tomar ar. -Então, irei andando com você - disse Zander saindo do carro. -Prefiro ir sozinha - disse Lauranne zangada. Como de costume, ignorou-a. -Suponho que não se importara que um cliente comentasse a situação depois de um processo tão intenso. Não, não se importava porque, de fato, muitos o faziam, mas Lauranne não queria passar nem um minuto mais do estritamente necessário com ele. Queria estar sozinha para recordar uma e outra vez por que não devia aproximar-se dele, já que duas semanas em sua companhia a tinham afetado sobremaneira e já não confiava em si mesma. -Você não é um cliente normal. Você é um homem que me chantageou. Zander sorriu. -Verdade - admitiu. Lauranne acelerou o passo e se obrigou a olhar para a frente porque olhá-lo, embora só de soslaio, era uma tentação que não podia se permitir. Até sem olhá-lo, sentia sua presença masculina, e todos seus sentidos femininos ficaram alerta quando sentiu que seus braços se roçavam. 72 72


De repente, deu-se conta de que tinha o corpo empapado em suor. -Não tenho nada para dizer, Zander - disse-lhe com a respiração entrecortada. Devia afastar-se dele se não queria perder a cabeça, o trabalho e a vida. -Fiz o que me pediu, assim, depois desta noite, quero que desapareça. Não quero voltar a vê-lo. Além disso, vou falar com meu advogado. Dito aquilo, sentiu umas gotas no rosto e, em um abrir e fechar de olhos, estava ensopada. Lauranne olhou ao redor em busca de um táxi, mas não havia nenhum. Então, Zander amaldiçoou em grego e levantou o braço. Em poucos segundos, apareceu seu carro, que parou junto ao meio-fio. Zander pôs uma mão nas suas costas para que entrasse, mas Lauranne não estava segura de preferir estar no carro a sós com ele que sob a água. -Por favor, não é este o momento para discutir. Se quiser briga, pelo menos que seja em um lugar seco - disse Zander exasperado. Lauranne assentiu por fim entrar no carro. Uma vez dentro, Zander deu instruções em grego ao motorista e acionou um botão que subiu o biombo de separação. Então, Lauranne se deu conta de que tinha a blusa de seda empapada e transparente. Ele podia ver o contorno de seu sutiã. Vermelha de vergonha foi para o canto do assento para afastar-se tudo o que pudesse de Zander. Faltava-lhe o ar. Permaneceram vários segundos em silêncio, olhando-se, até que Zander falou. -É incrível o que chove neste país - comentou abrindo uma gaveta e tirando uma toalha-. Vem aqui - acrescentou. Lauranne tentou escapar dele, mas Zander a ignorou soltou-lhe a presilha que usava no cabelo e começou a secá-la. Lauranne se deu conta pouco depois que os bruscos movimentos se tornaram sedutoras carícias. Ficou paralisada, hipnotizada pelo ruído da chuva sobre o carro e por suas mãos. Estavam completamente sozinhos. Tinha os olhos à altura de seu seio e, ao fixar-se em como a camisa lhe pegava à pele, deu-se conta de que Zander também estava ensopado. Zander atirou a toalha no chão e lhe afastou o cabelo do rosto. Lauranne levantou o olhar e seus olhos se encontraram. Lauranne ficou sem fôlego. Zander lhe acariciou a bochecha com o polegar e Lauranne separou os lábios convidando-o a entrar. Voltaram a se olhar aos olhos em silêncio e, de repente, Zander baixou o olhar a seus seios, claramente visíveis. Lauranne ficou gelada. Não sabia o que fazer. Fugir? Esbofeteá-lo? Beijá-lo? Ambos sabiam o que ia acontecer. Sabiam que ia acontecer do mesmo dia em que se reencontraram. Lauranne sentia que seu corpo pedia aos gritos o prazer que só ele podia lhe dar. Desejava-o tanto que quando, por fim, Zander se inclinou sobre ela e se apoderou de sua boca, afogou um suspiro de alívio e se entregou a ele com 72 72


desespero. Zander tomou seu rosto entre as mãos e a beijou com tanta paixão que Lauranne sentiu que ardia por dentro. Deixou cair à cabeça para trás e sentiu a mão de Zander entre as coxas. -Passei duas semanas querendo fazer isto - gemeu colocando-se sobre ela-. Cada vez que a olhava e a via com seu tallieur e o cabelo preso. Zander lhe beijou o pescoço e voltou para sua boca enquanto Lauranne lhe acariciava o cabelo com rápidos movimentos. Eu também te desejo... -confessou. Então, os beijos se tornaram tão apaixonados que qualquer um pensaria que eram os últimos habitantes do planeta no dia do Dilúvio Universal. -Anni... Ao ouvir que a tinha chamado assim, Lauranne se viu transportada ao Caribe em uma noite de lua cheia. Desabotoou-lhe a camisa com movimentos frenéticos porque morria por senti-lo ainda mais perto. Zander se apertou contra ela para que sentisse sua ereção. Instintivamente, Lauranne se aferrou a ele para sentir seu calor masculino. Sentiu que o desejo se apoderava dela e, até que Zander se separou dela e amaldiçoou em grego, não se deu conta de que estavam a ponto de fazer amor no carro. -Minha mãe, não posso confiar em mim mesmo quando estou com você disse olhando-a com paixão-. Começo querendo te castigar e termino castigando a mim mesmo. Queria castigá-la? Completamente confusa, olhou-o nos olhos enquanto tentava controlar as sensações que tomaram conta de seu corpo. Teve que fazer um grande esforço para não suplicar que fizesse o amor com ela e se perguntou de onde ele teria tirado forças para parar a tempo. Não sabia, mas o certo era que o tinha conseguido. Ao dar-se conta do que tinham estado a ponto de fazer, pelo que ela tinha feito, sentiu-se humilhada. -Isto não deveria ter acontecido- disse-lhe apartando-se dele-. Foi um engano. -Estou de acordo. O carro não é o lugar - respondeu Zander passando os dedos pelo cabelo-. Vamos a meu hotel. -Não! -exclamou Lauranne-. Não me referia ao carro, mas a nós dois. Eu não quero que isto aconteça. -Como que não? -exclamou Zander visivelmente excitado-. E tudo isto? Tirou a minha camisa para que não me resfriasse? -É obvio que não - admitiu Lauranne-, mas não estava certo e nós dois sabemos, Zander. -Por que não? -respondeu ele com o cenho franzido-. É o que ambos queremos e, se eu não tivesse parado, agora mesmo estaríamos fazendo amor. Que lhe recordasse que tinha sido ele quem tinha posto fim aos beijos fez que Lauranne quisesse fazer um buraco na terra e desaparecer. Odiava-se por ser tão vulnerável a ele, por perder o controle quando estava a seu lado. Quando levantou o olhar e se encontrou com seus olhos, desviou-a rapidamente, pois Zander Volakis era a tentação em pessoa. -Sim, foi você que parou, mas em uma relação há mais coisas além do 72 72


sexo. Você e eu não temos nada a ver. -Dizem que os opostos se atraem e parece que em nosso caso é certo. -Sim, e também dizem que os opostos fazem a vida insuportável comentou Lauranne-. Somos muito diferentes. -As diferenças são boas. Nossa relação é tão emocionante, agape mou, precisamente pelas diferenças. É uma mulher imprevisível que sempre me surpreende e eu adoro que me surpreendam. Espero que nunca deixe de fazêlo. -Não voltará a ocorrer! Acredita de verdade que vou deitar com você depois de tudo o que aconteceu entre nós? -Por que não? -respondeu Zander dando de ombros-. Somos adultos e nos atraímos. Eu estou disposto, já lhe disse, a esquecer o passado. Por que não o esquece você também? -Porque nosso casamento terminou! Zander sorriu. -Não mude de assunto. - Eu o odeio... -E eu a você. -Então, diga ao motorista que pare o carro. Quero descer. Está me deixando louca. -Louca te deixei na noite em que nos conhecemos - riu Zander. -Jamais deveríamos ter nos casado - murmurou Lauranne. -Mas nos casamos - respondeu Zander. -Nossa relação foi um desastre. -Nossa relação ia muito bem até que se deitou com o Farrer. -Eu nunca me deitei com o Tom! -Mas os flagrei na cama! Lauranne o olhou indignada, se perguntando como tinha o descaramento de acusá-la de ser infiel quando tinha sido ele quem se deitou com outra mulher. -É verdade que o beijei, mas jamais me deitei com ele. Somos amigos. E lhe beijava para te fazer sofrer, exatamente como você me fazia sofrer. Zander ficou olhando-a em silêncio. -Por que queria me fazer sofrer? “Porque esperava lealdade por sua parte e só encontrei traição”, pensou Lauranne. Tinha chegado o momento de lhe dizer a verdade, de lhe contar por que se jogou nos braços do Tom, de lhe dizer o muito que a tinha ferido? Para que? Já tinham acontecido cinco anos. -Agora já não faz diferença - respondeu-. Em qualquer caso, quero que saiba que nunca tive uma aventura com Tom e que fui eu que o beijei e não ele a mim. Queria que acreditasse que estávamos juntos. -Estavam abraçados. -Éramos amigos. Eu o estava sofrendo e ele me consolava. -Mas era minha mulher - acusou-a Zander-. Se precisava de consolo, deveria ter me pedido isso. Sim, claro, precisamente quando ele era a causa de seu mal-estar. Lauranne jamais tinha comentado que sabia que lhe tinha sido infiel e já não 72 72


valia a pena fazê-lo. -Nunca houve nada entre Tom e eu. Pelo bem do Tom, queria que aquilo ficasse claro. O resto já não importava. -Está apaixonado por você- assegurou-lhe Zander. -Engana-se. -Não parava de te olhar. Se não tivesse sido tão teu amigo, teria o olho arroxeado muito antes. -É um animal. -Eras minha. Ficaram se encarando durante intermináveis segundos e Lauranne sentiu uma cálida sensação que se apoderava de seu corpo. O que estava ocorrendo? Aquela frase deveria ter - Le ofendido, mas não tinha sido assim. -Jamais fui sua. -Ah, não? Quando corríamos pela praia da mão procurando um lugar afastado onde pudéssemos falar e rir não eras minha? Lauranne engoliu em seco. -E quando jantávamos lagosta e vinho em meu terraço, tão excitados que não podíamos esperar para fazer amor, não eras minha? Lauranne abriu a boca para falar, mas não saiu nenhum som. -E a primeira noite? Aquela primeira noite quando me disse que confiava em mim e quando gritou meu nome tampouco foi minha? Então, Lauranne tinha acreditado. Na realidade, queria sê-lo. -Isto me leva a minha primeira pergunta. Por que correu ao Tom em busca de consolo e não a mim? -Porque você foi o problema - confessou Lauranne por fim em tom de recriminação-. Falas de fidelidade quando você não tem nem idéia do que significa essa palavra. Certamente, não entende às mulheres. Por que acha que me casei com você? -Para ter acesso ilimitado a meu cartão de crédito? Lauranne ficou olhando-o aniquilada. -Acredita que me casei com você por dinheiro? -Por qual outro motivo seria? “Porque te amava”. Queria-o tanto que não pensava com clareza, mas era óbvio que ele jamais a tinha amado. -Para que fique claro, repito que jamais me deitei com o Tom! -exclamou Lauranne em atitude desafiante. -Para que fique claro, repito que não acredito - respondeu Zander. -Já não me importa. É história. É história. Agora, me deixe me sair do carro. Depois desta noite, não quero voltar a ver você. Dito isso, Lauranne bateu no vidro que os separava do motorista. O carro se parou imediatamente. Sem demora, Lauranne saltou e ouviu Zander amaldiçoar em grego enquanto tentava impedir-lhe, mas não pôde evitar que saísse correndo.

72 72


Capíétulo 6 Zander passeava pelo quarto do hotel. Estava furioso enquanto recordava a conversa que tinha tido com Lauranne. Por que havia dito que não entendia às mulheres? Entendia-as perfeitamente. Bom, o certo era que entendia à maioria das mulheres. A ela não entendia porque Lauranne era diferente. Por que teria querido lhe fazer ciúmes e por que lhe havia dito que não tinha nem idéia do que era a fidelidade quando tinha sido ela quem lhe tinha sido infiel? Zander se serviu um uísque e ficou olhando pela janela. Encontrá-la com o Farrer o tinha deixado tão enciumado que não parou para se perguntar o que tinha visto. Jamais lhe tinha ocorrido fazê-lo até aquela noite. Tomou o uísque de um gole enquanto lhe ocorria que, possivelmente, precipitara-se e tinha exagerado a situação. Outra pergunta que não abandonava sua cabeça era por que Lauranne tinha procurado consolo nos braços de Tom. O fato de que o tivesse procurado em outro homem o punha tão furioso como saber de que tinha uma relação com ele. Zander apertou os dentes furioso, pois tinha a sensação de que estava 72 72


diante de um grande quebra-cabeças que não era capaz de completar. “Por que acha que me casei com você? tinha-lhe perguntado. O certo era que Lauranne jamais tinha demonstrado nenhum interesse no dinheiro nem nos bens materiais. Nas contadas ocasiões nas que lhe tinha querido comprar algo, negara-se. Aquilo tinha surpreendido Zander, que estava acostumado a que as mulheres comprassem sem parar, mas tinha atribuído à natureza teimosa de Lauranne. Disse-se que certamente se tivessem continuado casados, Lauranne teria terminado claudicando diante o consumismo e comprando sem parar porque todas as mulheres o faziam. Entretanto, nos cinco anos que tinham transcorrido desde sua separação, jamais lhe tinha pedido dinheiro. Para isso também tinha recorrido ao Farrer. Zander voltou a apertar os dentes. E pretendia que acreditasse que não se deitara com ele? Naquele momento, bateram na porta. Foi abrir com um sorriso de orelha a orelha que desapareceu quando viu que se tratava de seu advogado. -A quem esperava? -perguntou-lhe Alec. -A ninguém. -Como de costume, tinha razão. Kouropoulos aceitou encontrar-se conosco - informou-lhe Alec. -Perfeito - respondeu Zander. -Só há um detalhe com o que não tínhamos contado. -Do que se trata? -Quer que fique dez dias na ilha - respondeu Alec engolindo em seco. - E quer que... Sua mulher vá com você. -Não há problema -assegurou-lhe Zander surpreendendo-o- Diga que aceitamos o convite. Diga que nos veremos amanhã na hora do jantar. Aquilo resolvia com perfeição o negócio que queria concluir com o Kouropoulos, mas também o que tinha pendente com Lauranne fazia duas semanas. -Sim, lhe diga que chegaremos amanhã e que quero a vila mais afastada do complexo - sorriu Zander. Uma noite mais. Lauranne subiu os suspensórios do vestido vermelho e se olhou ao espelho. Enquanto o fazia, refletiu que era uma sorte que as pessoas só vissem o que havia por fora. Por dentro, estava travando uma intensa batalha em que o bom senso enfrentava ao desejo e a lógica, à paixão. O episódio do carro lhe tinha recordado a incrível atração que havia entre eles. Era impossível negá-la, mas Lauranne não conseguia entendê-lo. Colocou sandálias de salto e se disse que já faltava pouco, que depois daquela noite tudo teria terminado. Não voltaria a vê-lo, Zander voltaria para a Grécia e ela pediria o divórcio, que era o que tinha que fazer. Não? Lauranne se perguntou se o divórcio a liberaria da dor e do desejo. Seria capaz de encontrar outro homem que a excitasse tanto como Zander? Nesse momento, surpreendeu-a o som da campainha. Foi abrir e se encontrou com Zander apoiado no marco da porta e vestido com um smoking negro que 72 72


realçava sua beleza clássica. A primeira coisa que Lauranne pensou foi que ia ser o centro de todos os olhares na festa e a segunda, que estava sorrindo. Aquilo era o pior que podia lhe fazer. Quando Zander se mostrava frio, ela podia mostrar-se fria. Quando Zander ficava desagradável, ela podia ficar igual. Mas quando sorria... Lauranne sentiu uns terríveis desejos de abraçá-lo e de lhe propor que se fosse jantar num restaurantezinho da praia onde ninguém os incomodasse, onde pudessem conversar e rir. Tudo o que queria era esquecer o passado e recomeçar. Surpreendida com seus pensamentos, tentou recordar-se que Zander era seu inimigo, mas aquele inimigo lhe acelerava o coração e a fazia sentir-se mais viva que nunca. -Eu adoro seu vestido - disse-lhe Zander esperando que fechasse a porta e lhe pegando a mão-. Se soubesse, teria vindo com o conversível. É exatamente da mesma cor. -Então agora sou um complemento - comentou Lauranne ignorando sua mão. Zander sorriu e a agarrou pela força. -Os complementos se combinam para que passem despercebidos e você, certamente, não passa despercebida - assegurou-lhe Zander. Quando entraram no carro, Lauranne se encontrou recordando o que tinha ocorrido ali umas horas antes. -Relaxe - disse Zander em tom divertido-. Não me vou pular em você quando estamos a ponto de aparecer na TV em cadeia nacional. Quando por fim fizermos o que os dois morremos por fazer vai ser em total intimidade e sem pressa, e, certamente, não estaremos rodeados de jornalistas. Lauranne sentiu que ficava sem fôlego. -Não vamos fazer nada. -Mas se já estamos fazendo, Anni - sorriu Zander olhando-a nos olhos-. Estamos já no aquecimento e você sabe disso. -Não - negou Lauranne sem pingo de convicção. -Sim -sorriu Zander- por que se empenha em negar o que é óbvio que há entre nós? -Porque não funcionaria. Zander arqueou a sobrancelha. -Mas se já fizemos antes, agape mou. Já sabemos que funciona. É obvio, Zander estava falando de sexo, que era a única coisa que lhe importava, a única que lhe oferecia. Lauranne virou a cabeça e ficou olhando pela janela. O que ocorreria se aceitasse seu convite? Onde a levaria? Ao êxtase? Sim e, logo, à depressão. -Somos muito diferentes, Zander. -Você é uma mulher e eu sou um homem - assinalou Zander renda-se-. É obvio que somos diferentes. O estranho seria que não fôssemos. Lauranne não podia suportar seguir falando deles, assim decidiu trocar de tema. -Então, a campanha saiu bem? Ajudou? -Muito - respondeu Zander. 72 72


-Me alegro -disse Lauranne molhando-os lábios- Pois então, já terminamos. -De verdade? Houve algo em como o disse que fez que Lauranne suspeitasse que tinha alguma surpresa preparada, mas não pôde perguntar porque o carro acabava de parar diante do cinema onde iria se dar a estréia e os flashes das câmaras entravam pelos vidros. -Ainda bem que não a beijei, se não estaria com batom por toda parte comentou Zander-. Sorria, a publicidade é parte de seu trabalho. -Sim, mas não estou acostumada a estar deste lado da câmara -respondeu Lauranne um pouco nervosa-. Vão querer saber o que faz comigo. -Assim que a virem com esse vestido, estará claro, agape mou -sorriu Zander. Lauranne se ruborizou, mas não teve tempo de lhe responder porque Zander abriu a porta e se viu imersa em uma chuva de flashs. Uma vez sobre o tapete vermelho, pegou-a na mão e ambos sorriram aos jornalistas. Lauranne disse que não a necessitava para nada. Justo nesse momento, Zander se inclinou sobre ela e a surpreendeu beijando-a na boca. Como loucos, todos os fotógrafos quiseram captar o momento, a exclusiva que Zander lhes acabava de brindar. “Minha”, disse-lhe em voz baixa. Dele. Satisfeito, Zander sorriu e se entraram no interior do edifício. -Por que fez isso? -perguntou-lhe Lauranne uma vez a sós. Por que queria que o fotografassem com ela quando levara duas semanas tentando fazer acreditar aos meios de comunicação que não era mais um paquerador? -Porque queria que as coisas ficassem claras -respondeu Zander tomando-a entre seus braços. -A que se refere? -Quero que fique claro que é minha. -Não sou um de seus negócios, Zander. -É obvio que não. Me dou muito melhor nos negócios que com você, mas advirto que, a partir de agora, não estou disposto a compartilhar você com ninguém. Lauranne o olhou confusa. Havia-lhe dito que iam se divorciar e agora estava falando de não a compartilhar com ninguém. -Se pensar em bancar o macho grego, eu quebro a sua cara -advertiulhe. -Não esperava menos de você -sorriu Zander olhando-a nos olhos-. eu adoro a guerra, sobre tudo quando é física. -Zander... -Esqueceste a primeira vez? - disse-lhe ao ouvido enquanto lhe separava as pernas com a coxa-. Na praia... Não estava jogando limpo. Deveriam olhar para frente e não para trás. Lauranne fechou os olhos. Crasso engano. Nada mais a fazer, ficou a reviver o passado. -Ignorava-me. 72 72


-Foi meu chefe -respondeu Lauranne abrindo os olhos-. Não queria nada com você. -Mas eu, sim. Fugia de mim. -Teria sido melhor que jamais me alcançasse. -Não, agape mou, não iria perder essa experiência por nada do mundo. Lauranne teve a sensação de que todos os presentes desapareceram e só restavam eles no mundo. Recordou a praia em que tinha perdido a virgindade e do corpo do Zander enquanto faziam amor. -Foi a primeira vez que tive que gozar depois de uma mulher -sorriu Zander-. Aquilo me pareceu incrivelmente erótico. Lauranne sentiu que lhe entrecortava a respiração. Ao dar-se conta de que muita gente os estava olhando, ruborizou-se. -Este não é o lugar adequado para se ter esta conversa -murmurou-. por que me pediu que viesse com você à estréia? -Porque eu gosto de estar com você. -Mas passamos o dia discutindo -riu Lauranne com incredulidade. -Eu gosto de discutir -sorriu Zander-. Essa é uma das razões pelas quais me dedico aos negócios. -Dedica-se aos negócios porque você gosta de ganhar. -Essa é outra das razões -admitiu Zander lhe passando uma taça de champanhe. -Perdeu alguma vez um negócio? -Não, nunca. -Por que é tão ambicioso? -quis saber Lauranne estremecendo-. Por que quer mais apesar de tudo o que tem? -Porque sou um homem de negócios. Nesse momento, alguns dos convidados se aproximaram para saudá-los. Lauranne tentou se concentrar no filme mas todos os seus sentidos estavam apanhados pelo homem que tinha sentado a seu lado. Sentia sua perna, seu braço e seu fôlego. A conexão entre eles era tão forte que morria por tocá-lo.Mas não o fez... Não compartilhavam ternura e amabilidade a não ser fogo e paixão, calor e luxúria. Entretanto, Lauranne sabia que Zander era capaz de ser terno porque se mostrara assim com ela. Era como se não quisesse reconhecê-lo e, em todo caso, não tinha havido nada de ternura na hora de dar por terminada sua relação. Por que seria tão frio? Protegida pela escuridão da sala, perguntou-se o que teria acontecido na sua vida para transformar-se em um homem assim. Concentrada em seus pensamentos, só se inteirou do filme nem das conversas que tiveram lugar depois. Se inteirou foi da presença de Zander, o homem mais poderoso e bonito da festa. Depois daquela noite, não voltaria a vê-lo. Para sua surpresa, aquilo a angustiou. Deveria estar encantada que saísse de sua vida, mas não era assim. Na realidade, sempre tinha estado presente em sua cabeça. Sempre tinha estado presente em sua vida, influenciando suas decisões e seus sentimentos. 72 72


Ao final da projeção, Zander lhe passou o braço pela cintura e a conduziu ao carro que os esperava. -O que achou do filme? -perguntou-lhe. Lauranne o olhou com os olhos muito abertos. Era óbvio que Zander sabia que não se concentrou no filme. -Ah... -disse procurando uma resposta ambígua-. A fotografia era muito bonita. -Não te pareceu muito tenso? -Sim, sim. -E emocionante -acrescentou Zander olhando para sua boca. Lauranne se deu conta então de que não estava falando do filme. -Zander. .. -Por fim, chegou o momento de deixar de jogar, agape mou. -Jogar? -Já estou farto de aquecimentos -disse Zander com a voz rouca- Fizemos isso por duas semanas e estou chegando no meu limite. Lauranne sentia o mesmo. Por isso, precisamente. era bom que Zander se fosse. Assim, Lauranne evitaria fazer algo do qual se arrependeria para o resto de sua vida. Zander Volakis era como uma droga. Tinha conseguido deixá-lo uma vez, mas, agora que havia a tornado a provar, o vício era ainda mais forte. -Então, suponho que pareça bom que nossa relação de trabalho tenha terminado. Zander não se moveu, ficou olhando-a intensamente. - Não terminamos. - Como que não? -Apareceste em todos os meios de comunicação. Não podemos fazer nada mais no momento. -Não me refiro ao trabalho. Graças a sua campanha, Kouropoulos quer conversar. Vou a Grécia nesta mesma noite. -Muito bem -disse Lauranne sem entender o que aquilo tinha que ver com ela-. Assim que conseguiste o que queria ... -Não tudo. Ainda tenho que lhe convencer de fazer o que quero. -E o que isso tem a ver comigo? -Tudo. Você vai comigo como minha esposa para Blue Cove Island, agape mou -respondeu Zander lhe afastando uma mecha de cabelo do rosto- e vai convencer Kouropoulos de que sou um homem carinhoso e terno em quem se pode confiar. Virá comigo a Grécia.

72 72


Capíétulo Depois de fazer esse anúncio, Zander se recostou e se perguntou o que lhe tinha levado a perder a cabeça. Levara meses tentando fechar o negócio com Kouropoulos e, se Lauranne se quisesse se vingar dele na ilha, poderia acabar com o negócio rapidamente. Estava arriscando muito por uma mulher. Uma mulher que o tinha traído. Pela segunda vez em sua vida, não compreendia por que fazia algo. A primeira vez tinha sido quando se casou com Lauranne. -Não penso ir com você para a Grécia -disse-lhe ela. Era a oportunidade perfeita para mudar de opinião, mas o pânico que viu em seus olhos não fez outra coisa a não ser aumentar sua determinação. Ignorando o incrível instinto que o tinha levado a ser multimilionário aos trinta 72 72


anos, insistiu. -Estamos a caminho do aeroporto. -Zander, não! -exclamou Lauranne. Zander viu desejo em seus olhos e sorriu encantado. -Vai ser a oportunidade perfeita para mesclar prazer e negócios -disse-lhe sinceramente. -Está dizendo que precisa de mim para fechar um negócio com esse homem? Obviamente, não e ambos sabiam. -Zander, prometeu-me que, quando terminássemos a campanha de mudança de imagem, me daria o divórcio. Zander notou que Lauranne estava com os mamilos endurecidos e pensou que, em lugar de querer livrar-se dela, só desejava tê-la em sua cama. -Isto não tem nada que ver com nosso matrimônio. É só sexo, atraímonos, então pare de resistir. -Quero que me leve para casa agora mesmo. Zander decidiu que tinha chegado o momento de trocar de tática, assim que se aproximou dela e lhe levantou o queixo com dois dedos. -Continuo te desejando. Jamais desejei a uma mulher como desejo você. Assim que Kouropoulos nos veja juntos se dará conta de que nossa relação é genuína. Ao ver a confusão de seus olhos, beijou-a e sentiu como Lauranne abria a boca e o beijava também. -O que há entre nós é tão forte que não compreendo por que resiste. -Porque não há mais remédio -murmurou Lauranne com indecisão-. Não dará certo, Zander. -Você e eu em uma ilha grega sem Farrer -respondeu Zander-. De verdade, Anni, vai dar certo. Temos coisas que arrumar entre nós e quero fazêlo longe dele. Lauranne fechou os olhos. -Zander, por favor... Zander voltou a beijá-la. Tinha decidido esperar até que chegassem a Grécia, mas de repente lhe parecia que o assento traseiro de seu carro também podia ser um lugar perfeito para fazer amor com ela. -Me machucou muito, Zander -disse-lhe Lauranne ao sentir sua mão no cabelo. -Você também a mim -respondeu Zander-, mas isso ficou para trás. -Eu não quero que volte acontecer. Ao ver que estava a beira das lágrimas, Zander se esticou surpreso. -Anni... Pela primeira vez em sua vida não sabia o que fazer. Jamais tinha visto Lauranne chorar. Não era dessas mulheres. -Jamais me deitei com Tom! - Já te disse que tudo isso ficou para trás -insistiu Zander-. Não volte falar disso. -Mas... -Vem comigo. É o que nós dois queremos e sabe. Lauranne tentou beijá-lo, mas Zander se afastou. 72 72


-Se quer estar comigo, Anni, quero que deixe de mentiras. Zander viu como se debatia no meio das emoções e, ao final, ouviu um apenas audível “de acordo” de seus lábios. Então, sentiu o mesmo triunfo que sentia sempre que saía vencedor de um negócio, suspirou aliviado, inclinou-se para ela e a beijou. -Desta vez, tudo vai sair bem, agape mou. Ao sair do carro no aeroporto e ver o avião particular de Zander, Lauranne se perguntou o que estava fazendo. Cinco anos atrás, tinha conseguido não pensar na riqueza daquele homem, tinha conseguido separar o homem de negócios multimilionário do homem pelo qual estava perdidamente apaixonada. -O que ocorre? -quis saber Zander. Continuando, virou-se para ela e lhe sorriu de uma maneira tão sedutora e encantadora que Lauranne se deu conta de que não tinha escapatória. Deveria insistir que queria divorciar-se e voltar imediatamente para sua casa em Londres, mas se encontrou desejando seguir aquele homem até o fim do mundo. Zander a conduziu escada acima até a aeronave, onde uma bonita aeromoça lhes deu a bem-vinda. Lauranne se sentou em uma ampla e cômoda poltrona de couro enquanto Zander ia falar com o piloto. Pouco depois, reuniuse com ela. Lauranne se deu conta de que a aeromoça a olhava com curiosidade e pensou que Zander devia ter tido alguma aventura com ela. -Não -disse-lhe ele como se lhe tivesse lido o pensamento. -Como? -Está se perguntando se me deitei com ela, verdade? -Ah... -A resposta é não. -Está-me olhando -insistiu Lauranne-. Deve estar pensando que sou a seguinte. -O que deve estar pensando é que é a primeira mulher que sobe a este avião. -A primeira? -disse Lauranne com os olhos muito abertos. -Amanhã, todos os jornais gregos e a imprensa internacional só falarão de minha séria relação com você. -Nenhuma vez trouxeste uma mulher a este avião? -Me ocorrem formas mais entretidas de passar uma noite -respondeu Zander divertido-. É completamente transparente, Lauranne. eu adoro te ver ciumenta. -Não sou ciumenta. -Ah, não? --sorriu Zander-. Este avião só é um meio de transporte. Normalmente, enquanto vôo, trabalho. Asseguro-te que não é um ninho de amor. -Deixa-me muito mais tranqüila -ironizou Lauranne. -Claro que isso poderia mudar. Ao ver a cara de estupefação de Lauranne, retirou o desafio. -Era uma brincadeira. O que tenho em mente fazer com você não se pode fazer no ar porque provocaríamos tremendas turbulências. 72 72


Lauranne ruborizou e sentiu uma pontada de desejo entre as pernas ante aquela promessa de prazer. -Acredito que será melhor que me fale da compra que quer realizar. Se quiser que tenha parte nela, será melhor que tenha toda a informação possível. -Covarde. -Zander... ficaram olhando-se durante vários segundos e, ao final, Zander se recostou na poltrona e relaxou. -O que quer saber sobre a compra? -Para começar, por que quer comprar a ilha. -Porque é um negócio perfeito -respondeu Zander tenso. Lauranne se deu conta de que ele não estava dizendo a verdade. Por que quereria aquela ilha? -Por favor, Zander, me conte a verdade. Me diga o que está pensando. -Jamais digo a ninguém o que penso. Acredito que será melhor que durma um pouco. Parece cansada. -Se estou cansada, é por sua culpa -murmurou Lauranne-. Levo dias trabalhando horas e horas para que você tenha fama de santo. Zander abriu o laptop e ficou trabalhando. Certamente, tinha nervos de aço. Lauranne teria gostado de seguir lhe fazendo perguntas, mas as pálpebras lhe pesavam e adormeceu. Quando despertou, tinham aterrissado e brilhava o sol. -Ah, está acordada -comentou Zander aparecendo pela porta da cabine. Havia tomado banho e trocado de roupa-. Tome um banho, se quiser, e troquese. -E o que ponho? Lembre que não me deu tempo de fazer a bagagem. -Pensei em tudo. É obvio, nossa roupa está nas malas. Mas há algo fora que espero que você goste. -Nossa roupa? -É obvio. Se vamos chegar como um casal, nossa roupa deve chegar junta. -E se me tivesse negado a vir? -Então, suponho que a pessoa que desfizesse minha bagagem pensaria que tenho um gosto muito estranho para me vestir -respondeu Zander olhando o relógio-. Tenho que fazer umas ligações. Lauranne tomou banho rapidamente e escolheu um singelo vestido de linho cor de pêssego. Depois de maquiar-se e pentear-se, buscou Zander, que estava falando com o piloto. -Bonito vestido. -Como sabia o meu tamanho? -perguntou Lauranne com curiosidade. -Não me parece uma pergunta para me fazer em público -sorriu Zander chegando para um lado para que descesse pela escada, que já estava posta sobre a pista de aterrissagem. Embora fosse cedo, fazia calor e o sol brilhava com força, assim Lauranne procurou um par de óculos de sol na bolsa. Zander apareceu a seu lado, pegou-a pelo braço e a conduziu para o carro que os esperava. -Esta pista parece recém construída -comentou Lauranne. 72 72


-Sim, Kouropoulos a construiu faz um par de anos. Antes só se podia chegar à ilha de navio. -Suponho que seria mais bonito assim. -O certo é que tinha seu encanto. -Você veio alguma vez? -Sim, quando pequeno. -De férias? -Sim, de férias -respondeu Zander tenso. -Que praias tão bonitas -maravilhou-se Lauranne olhando pela janela enquanto o carro avançava. -À maioria dela só se pode chegar em navio. Eu acredito que isso tira o atrativo para os turistas. -Obviamente, Kouropoulos acreditou justamente o contrário. -Ele construiu seu complexo turístico no sul da ilha. Ali há muitas praias de areia branca e água cristalina, mas o resto da ilha está desabitada. -E quando vinha quando menino onde se hospedava? -Em uma casa... Lauranne decidiu não fazer mais pergunta pois sabia que Zander não gostava de falar de si mesmo. Depois de perguntar-se se as férias infantis que tinha passado ali teriam algo que ver com seu desejo de comprar a ilha, Lauranne voltou a olhar pela janela. -Aí está Blue Cove Resort -disse Zander ao fim de um momento. Ao vê-lo tão tenso, Lauranne pegou instintivamente na mão dele e a apertou com carinho. -Nunca te vi preocupado por um negócio. Não se preocupe, nós os dois o convenceremos para que faça o negócio com você. Zander a olhou surpreso e Lauranne sorriu. Sua reação a tinha surpreendido também. Quando tinha deixado de brigar com ele para converter-se em um apoio? -Já chegamos -anunciou Zander quando o carro parou-. Não esqueça que se supõe que está tão apaixonada por mim que te custa pensar com clareza. Lauranne sentiu que o coração lhe dava um tombo. Era assim que se sentira exatamente cinco anos antes. E agora? Tragou saliva e se deu conta de que não tinha claro quais eram seus sentimentos. Quando estava com ele, não pensava com clareza e lhe custava respirar. Zander lhe estava apertando a mão a um homem mais velho que imediatamente foi para ela com um grande sorriso nos lábios. -E você deve ser Lauranne! As fotografias não lhe fazem justiça! -Que fotografias? -Sua fotografia aparece em todos os jornais. A história do Volakis reconciliando-se com sua esposa é a notícia do dia. Você gostou do filme? Lauranne ficou gelada ao dar-se conta do que tinha acontecido. O beijo... -Sim, muito -respondeu tentando controlar seu aborrecimento. Como tinha sido tão estúpida para acreditar que Zander a queria seu 72 72


lado por seus encantos? Para ele, os negócios eram o primeiro e ela não era nenhuma exceção. Tinha-a usado. -Está um pouco pálida -comentou Kouropoulos-. Suponho que esteja cansada. Tenho que ir a Atenas esta tarde porque surgiu um imprevisto e não voltarei até sexta-feira. Começaremos as negociações então. Assim, poderão descansar. Há um navio a sua disposição para que explorem a ilha. Zander lhe agradeceu e Lauranne se limitou a sorrir por medo de explodir se abrisse a boca. Estava muito zangada para dar-se conta de que Zander e ela ficariam quase uma semana a sós. Enquanto lhes levavam para a vila que iriam ocupar, apenas se fixou na paisagem. A vila era branca e grande, tinha piscina e um fabuloso terraço para o mar. Em outras circunstâncias, Lauranne teria se encantado, mas aquelas circunstâncias não eram normais. Estava tão zangada com Zander que não podia relaxar e desfrutar do que tinha na frente. Não podia acreditar que houvesse a tornado a se enganar com seu encanto. Havia-lhe dito que queria que fosse com ele para ajudá-lo em uma negociação quando, em realidade, estava-a manipulando para ficar com a ilha. -Agora compreendo por que me beijou! -reprovou-lhe uma vez a sós-. Fez para que nos fotografassem! Assim, Kouropoulos tomaria o café da manhã de hoje com nossa fotografia. O marido que volta com sua mulher. Outro truque para convencê-lo de que é um homem bom quando, na realidade, é um manipulador e um asqueroso. -São negócios -recordou-lhe Zander-. Em qualquer caso, não muda o que sinto por você. Por favor, não grite, podem nos ouvir. -Claro, isso é o que importa. Se me ouvem gritar, a farsa que preparada com tanto cuidado voaria pelos ares -espetou-lhe furiosa. -Não diga tolices -respondeu Zander apertando os dentes-. O que você fez por duas semanas não foi manipular a imprensa? -Isso é diferente -suspirou Lauranne-. Não me respeita absolutamente. Já sei que tem todo o dinheiro do mundo e que está acostumado a fazer sempre o que te dá vontade, mas te advirto que eu não sou um brinquedo. -Um brinquedo? Os brinquedos são singelos e só dão prazer. Para tratar com você teria de fazer um curso de desativação de explosivos. Asseguro-te que, se quisesse uma noite de luxúria, teria escolhido uma mulher que não discuta comigo sempre que estamos a sós. -Me usou! -O que tenho feito foi seguir com o que você já tinha feito -assegurou-lhe Zander-. Queria que as pessoas tivessem uma certa idéia e consegui. -Queria que acreditassem que estamos juntos. -E estamos. -Não. -Sim. Não tem mais que pensar nas fotografias. - Me usou - insistiu Lauranne com os olhos cheios de lágrimas-. Por que me trouxe, Zander? Há um montão de mulheres que brigariam por vir com você, que ficariam encantadas por fingir que estavam apaixonadas por você. Porque me escolheu quando sabe que te odeio? 72 72


-Não me odeia. Você gostaria de me odiar, mas não pode. Comigo acontece exatamente o mesmo. Quanto a sua pergunta, escolhi você porque não posso parar de pensar em seu corpo. Lauranne sentiu que o coração acelerava e apertou os punhos até que se cravou as unhas nas palmas das mãos. -Beijou-me única e exclusivamente porque estávamos diante das câmeras. -Beijei porque estava linda, agape mou --respondeu Zander aproximando-se e lhe levantando o queixo-. Me olhe. Lauranne obedeceu e Zander tomou com o outro braço sua cintura e a apertou contra si. Lauranne afogou um grito de surpresa quando sentiu a potência de sua ereção através do vestido. -Zander... -Crê que isto também é para as câmaras? -Você é um canalha. -Não gosto de discutir com você -disse Zander lhe acariciando o lábio inferior com o polegar. Lauranne tentou molhar os lábios e, ao fazê-lo, sua língua entrou em contato com o dedo de Zander e ficaram olhando-se aos olhos durante intermináveis segundos. Ambos se jogaram um sobre o outro. Zander amaldiçoou e a beijou com desespero enquanto lhe passava os braços pelo pescoço e se lançava a beijar sua boca. Foi um beijo brutal e desesperado, resultado de semanas de negação. Zander tomou o rosto entre as mãos e a empurrou contra a porta. Uma vez ali. apertou-se contra ela para que sentisse sua ereção entre as pernas. Lauranne gritou seu nome e Zander a levantou no colo, subiu-lhe o vestido e lhe afastou as pernas com movimentos peritos antes de entrar em seu corpo. Lauranne arqueou as costas para lhe facilitar o acesso. Aquilo era sexo em seu estado mais primitivo, um encontro animal tão intenso que não se poderia dia descrever. Foi rápido e selvagem, tão primitivo, que com cada investida Lauranne ofegava de agonia e prazer. -Me olhe, Anni -ordenou-lhe Zander ao ver que tinha os olhos fechados. -Me olhe. Lauranne obedeceu deixando que Zander a possuísse por completo enquanto os dois alcançavam o orgasmo juntos. Ao sentir o clímax, Lauranne gritou e lhe cravou as unhas nas costas enquanto ele se deixava ir dentro dela. -Meu deus, Anni -disse-lhe deixando-a no chão com cuidado. Lauranne tinha o rosto em seu peito e aspirava seu aroma masculino. Não queria falar. Falar estragaria o momento. Zander pensou o mesmo, porque não abriu a boca. Limitou-se a tomá-la nos braços, a deixá-la na cama e a tombar-se a seu lado. -Isso não foi porque tinha câmeras diante de nós. 72 72


Lauranne conseguiu esboçar um sorriso. -Jamais desejei a uma mulher como desejo você -disse-lhe Zander muito sério lhe acariciando o cabelo-. Tenho medo. Lauranne ficou gelada ante a inesperada confissão emocional. -Sempre me considerei um homem controlado, mas com você ... com você me desespero e não sei quem sou. Aquilo era o mais longe que tinham chegado. Estava-lhe sugerindo que o que havia entre eles era especial. -Zander... Lauranne sentiu sua língua no pescoço. -Levei duas semanas olhando voe e querendo arrancar sua roupa e possui-la. Estava enlouquecendo. Lauranne o olhou frustrada porque Zander acabava de reduzir de novo sua relação a uma relação puramente sexual. Aparentemente encantado por havê-lo deixado claro, tirou a camisa. Enquanto lhe acariciava o musculoso tórax, Lauranne decidiu que, se ele só queria lhe oferecer sexo, ela o aceitaria com prazer. Zander lhe agarrou a mão, a levou a boca e começou a lhe lamber os dedos enquanto a olhava nos olhos. Lauranne sentiu que estremecia, elevou os quadris e o vestido lhe escorregou até a cintura. Zander lhe despiu em um abrir e fechar de olhos. Continuando, despiu-se também e voltou para seu lado. Lauranne admirou seu corpo e se deu conta de que não havia nada que fazer. Aquele homem era muito bonito e sexy para resistir. Zander a beijou e começou a deslizar-se por seu corpo. Quando chegou a seus seios, tomou um de seus mamilos entre os lábios e o sugou fazendo que Lauranne estremecesse. Continuando, seguiu sua viagem para as profundidades de seu corpo. Lauranne gozou como jamais tinha gozado. Estava tão se desesperada que não reconhecia a si mesma. Desejava-o tanto que estava disposta a suplicar. Quando acreditava que ia morrer de prazer, Zander lhe separou as coxas. -Que sexy é, agape mou -disse-lhe com voz rouca-. eu adoro ver que me deseja tanto como eu desejo você. Sem lhe dar tempo a responder, introduziu-se em seu corpo fazendo-a gemer. Lauranne compassou seus movimentos, desejosa de aplacar sua sede, até que alcançou o clímax gritando seu nome. Imediatamente, sentiu que Zander estremecia e se deixou cair sobre ela. Então, entre seus braços, Lauranne se deu conta de que o amava. Sempre o tinha amado e seguia amando-o. Por isso tinha casado. E por isso não se divorciou. Não tinha podido fazê-lo. Em seu coração, sempre seguiria casada com ele. Ao dar-se conta de que jamais poderia gozar de uma relação casual com Zander Volakis, ficou rígida, tentando assimilar que ia de cabeça a um desastre emocional sem precedentes. -Está convencida agora de que te desejo? -perguntou-lhe Zander lhe afastando o cabelo do rosto. 72 72


Lauranne fechou os olhos, comovida em todo seu ser pela incrível experiência que acabavam de compartilhar. Estava convencida de que a desejava, mas ela queria algo mais. Muito mais. Decidida a não pedir o impossível, se aconchegou a seu lado e fechou os olhos para aproveitar o momento. -Foi incrível -disse-lhe Zander beijando-a na testa-. O melhor sexo de minha vida. Sexo. Estava muito claro que Zander não queria outra coisa. Naqueles momentos Lauranne estava muito cansada e se deixou levar pelo sonho porque não havia um lugar melhor no mundo para abandonar-se ao descanso que os braços de seu homem. Zander se perguntou que demônios lhe estava passando. O que tinha sido de sua capacidade de controle? Lauranne dormia junto a ele, feito um novelo, e se disse que não a separava de seu lado porque não queria despertála, assim que ficou olhando ao teto tentando entender a situação. Levá-la com ele à ilha não tinha sido uma boa idéia. Era um risco enorme. Lauranne podia acabar com o negócio que queria fazer. Ao dar-se conta de que pela primeira vez em sua vida tinha deixado que a libido ficasse entre ele e seus negócios, consolou-se pensando que qualquer homem podia deixar-se levar por uma mulher excepcionalmente bonita. E Lauranne era excepcionalmente bonita. E alegre. E inteligente. E interessante. A lista de qualidades foi aumentando de maneira alarmante e Zander decidiu concentrar-se em seus defeitos. Depois de pensar uns quantos minutos, só lhe ocorreu que Lauranne tinha sido a que tinha terminado com sua relação cinco anos atrás. Talvez, por isso se comportava assim com ela agora. Estava acostumado a ser ele quem iniciava e finalizava uma relação. Por isso provavelmente estava obcecado com ela. Para cúmulo, o sexo entre eles era maravilhoso. Como qualquer homem de seu tempo, aproveitava a ocasião. Apesar de seus intentos por racionalizar seu comportamento com Lauranne, Zander se deu conta de que tinha gozado de bom sexo em outras relações, mas nunca tinha perdido o controle. Entretanto, com Lauranne era diferente. Que demônios estava acontecendo? Nesse momento, Lauranne suspirou em seus sonhos e se separou dele e Zander esperou sentir o alívio que sentia sempre. Mas o alívio não chegou e se encontrou lutando consigo mesmo para não voltar a abraçá-la. Zangado consigo mesmo, levantou-se e foi tomar uma ducha fria. Enquanto a água geada lhe escorregava pelo corpo, Zander decidiu que o melhor era pôr distância entre eles. Tinha-o feito com outras mulheres, assim, por que ia ser diferente com o Lauranne? Sexo e divórcio. Não havia problema. Não sentia nada por ela. Quando Lauranne despertou, viu que Zander já estava vestido e a estava observando como se fosse um animal extremamente perigoso e imprevisível. -Me alegro de que tenha despertado -saudou-a de maneira brusca-. 72 72


Vamos dar um passeio. - Um passeio? Lauranne se perguntou o que tinha ocorrido para que Zander tivesse mudado tanto em uma hora. Tinham sido a imaginação dela ou ficou adormecida em seus braços? Quando tinha levantado, tomado banho e vestido? E por que a olhava como se fosse o maior engano de sua vida? -Por que não volta para a cama? -perguntou-lhe levantando-se. Zander negou com a cabeça e deu um passo atrás para a porta para sair ao terraço com uma pressa desmedida. Lauranne suspirou, levantou-se e se vestiu a toda velocidade colocando um bonito chapéu que tinha encontrado em sua bagagem. Se Zander queria que fossem passear, iriam passear. Obviamente estava louco. Quando saiu ao terraço. encontrou-o olhando ao mar com o cenho franzido. Virou-se para ela e ficaram olhando-se aos olhos. Lauranne sabia que Zander não mudaria jamais. Então, por que continuava com ele? Quando fechou a porta, pensou que Zander ia distanciar se dela, mas, para sua surpresa, não o fez. Aproximou-se dela e a beijou como se não pudesse evitá-lo. -Duas semanas sem sexo é muito tempo -disse-lhe. Lauranne ficou olhando-o confusa e se perguntou por que tentava dar desculpas por beijá-la. Ela estava encantada e adulada de que a achasse tão irresistível fisicamente. Já que era só o que ia obter dele, tinha decidido desfrutá-lo. -Está preparada? -sorriu-. Quero-te mostrar minha ilha. -Ainda não a comprou. -Mas será minha breve. -Alguma vez pensa no fracasso, verdade? -Não, é obvio que não. Venha, vamos de excursão. -Levo um traje de banho? -Isso depende de quão valente seja -respondeu Zander em tom divertido. Saíram da vila e Zander, depois de pensar um momento, pegou na sua mão. Tentando não encher-se ilusões por semelhante gesto, Lauranne esboçou um sorriso. -Onde estão os fotógrafos desta vez? -Por acaso não posso ser romântico? -Você não é romântico, Zander. -E o que é o que estamos fazendo desde que chegamos? -Isso é só sexo -respondeu Lauranne. Zander a olhou com um brilho especial nos olhos. -Na cama vai muito bem e eu adoro que não me peça uma história sentimental, como fazem outras mulheres. Lauranne ficou sem palavras. Se alguma vez se voltasse a se apaixonar, coisa que acreditava pouco provável, teria que ser de um homem que tivesse um pouco mais de tato. -Meu pai confundia constantemente o sexo com o amor. Isso lhe custou uma fortuna -explicou-lhe Zander. 72 72


-O que lhe aconteceu? Era a primeira vez que Zander lhe falava de seu pai. -Não aprendeu nem depois de três. Depois do primeiro divórcio milionário, teria que ter aprendido a desconfiar das mulheres. Mas não o fez. Cada vez que conhecia uma, acreditava ter se apaixonado e lhe dava tudo o que queria. -Suponho que ao ser rico tem que tomar cuidado com a relações que cerca, mas me parece bonito que seu pai tivesse ilusão cada vez que começava uma. É romântico. -Romântico? -disse Zander olhando-a nos olhos com incredulidade-. O que tem que romântico em que tomem por tolo? -Quando seu pai iniciava uma relação o fazia acreditando que era definitiva. Está casado agora? -Morreu quando eu tinha vinte e um anos me deixando uma barbaridade de dívidas, muitos empregados descontentes e umas quantas mulheres muito ricas que queriam mais. Lauranne mordeu o lábio ante aquela revelação e começou a entender como funcionava a mente de Zander. -Teria gostado que me dissesse que, ao final, encontrou a alguém que o quis de verdade. Sinto muito, deve ser duro para você. -Bom, digamos que aprendi uma lição muito valiosa -respondeu Zander sorrindo com ironia-. Que o amor custa muito dinheiro. Lauranne se perguntou por que aquele comentário lhe tinha doído tão quando sabia que não a queria. -Certamente, só te ocorre falar assim das relações sentimentais. Zander encolheu os ombros. -Se meu pai tivesse sido como eu, talvez, não tivesse perdido tudo. -E sua mãe? Zander voltou a encolher os ombros. -Minha mãe foi a esposa número dois. Ficou com meu pai o suficiente para lhe dar um filho, eu, e logo decidiu se valer de seu dinheiro para ter uma grande vida. -Que horror -comentou Lauranne fazendo uma careta de desgosto. Zander a olhou com impaciência. -Nem sequer me lembro dela, sendo assim tanto faz. Tinha lhe influenciado muito, sobretudo na hora de tratar com as mulheres. -Não é boa a saída de Kouropoulos? -perguntou trocando de tema. -Não, só está jogando -riu Zander-. A verdade é que me alegro de que se foi porque, assim, poderemos estar sozinhos. Lauranne tragou saliva, mas disse que só estava falando de sexo. Cruzaram a praia e tomaram um estreito atalho. -Aonde vamos? -perguntou Lauranne. -Quero mostrar um lugar -respondeu Zander. -Va mais devagar -pediu-lhe Lauranne pois o caminho avançava costa acima. -Perdoa, já chegamos -sorriu Zander. Lauranne levantou o olhar e se encontrou ante uma baía perfeita de 72 72


areia dourada e água azul turquesa. -Oh-exclamou surpresa-. Isto é um paraíso, parece tirado de um folheto de viagens. -Sim -respondeu Zander a seu lado-. Esta praia se chama “baía azul” porque as cores são muito intensas. O nome da ilha provém desta praia. -Nunca tinha visto nada tão bonito. E olhe essa casa. Estará habitada? -Não. -Como sabe? -perguntou Lauranne compreendendo de repente-. Esta é a casa em que estava acostumado a passar as férias de pequeno, verdade? Zander não respondeu. -Por isso quer comprar a ilha? -perguntou-lhe em voz baixa-. Pela casa? -Sim. -Quer ver a casa? -Não, hoje não --respondeu Zander. Lauranne olhou para a casa e pegou na sua mão. Zander não a retirou. -Quem vivia nela? Zander tomou ar. -Minha avó -respondeu-. Viveu nessa casa toda sua vida. -Era dela? -Esta ilha era de meu pai, mas a perdeu depois de um divórcio -explicoulhe Zander com crueldade. Em seguida, virou-se e tomou o atalho de volta sem lhe soltar a mão. Aquilo deu esperanças a Lauranne. Naquele momento de sua vida, necessitava-a e não era só para deitar-se com ela. Sentia-se como se tivesse conseguido abrir uma porta muito pesada. -Sua avó perdeu a casa? -A teria perdido, mas morreu antes. -Sinto muito. -Estava traumatizada porque meu pai tinha perdido a ilha. Era muito idosa e jamais se recuperou da comoção -explicou-lhe Zander olhando o mar. Lauranne tentou compreender como se devia sentir uma pessoa ao perder a casa em que tinha vivido toda a vida. -Parece-me terrível... -Eu encontrei-a morta -confessou-lhe Zander lhe apertando a mão-. Tinha nove anos. Sem pensá-lo, Lauranne lhe passou as mãos pelo pescoço e o abraçou. A dor que viu em seus olhos era tão intenso que lhe saltaram as lágrimas. -Que horror... -O mais horrível foi perder à única pessoa do mundo que realmente se importava comigo -explicou-lhe-. Minha avó estava furiosa com meu pai. Na noite antes de morrer me fez prometer que, algum dia, recuperaria a ilha. Lauranne fechou os olhos ao compreender, por fim, por que Zander queria comprar a ilha. Estava cumprindo uma promessa. A promessa que lhe tinha feito a sua avó com nove anos. -Desde quando é a ilha do Kouropoulos? -Desde que a vendeu a esposa número três -respondeu Zander-. Comprou-a faz vinte e seis anos e nunca a quis vender. 72 72


--E o que te faz pensar que vai querer vendê-la agora? -Tem problemas econômicos. A verdade é que não me explicou por que não a vendeu antes. -Sabe por que você a quer comprar? -Não tenho nem idéia. -A seu pai deve ter doído muito perdê-la. -Quando a perdeu, tinha problemas mais graves no que pensar. Suas empresas estavam arruinadas. Quando morreu, estavam em suspensão de pagamentos. -Deve ter sido muito duro para você. -Sim, foi. -E quando sua avó morreu com quem você ficou? -Com a seguinte esposa -riu Zander. -Sua infância deve ter sido muito solitária. Por isso doa tanto dinheiro para obras sociais infantis? -Minha infância foi estupenda -respondeu Zander seriamente-. Aprendi desde muito pequeno a não confiar em ninguém mais que de mim mesmo e isso me veio muito bem. Lauranne mordeu o lábio. Talvez, tinha-lhe ido muito bem nos negócios, mas, certamente, para sua vida pessoal, na hora de amar, não. Aquele homem não acreditava no amor e Lauranne estava começando a entender por que. Que demônios estava passando? Zander apertou os dentes irritado. Jamais tinha contado aquilo a ninguém e agora acabara de contar a Lauranne. Sentir seus dedos e ver a compaixão de seus olhos tinha derrubado as barreiras emocionais que tinha colocado entre o mundo e ele. Surpreso por seu comportamento, ignorou o olhar de preocupação de Lauranne e se dirigiu à praia. O que fazia aquela mulher? Por que sempre se comportava de maneira estranha quando estava com ela? -Gostaria de nadar antes do jantar? -propos-lhe Lauranne trocando de tema. -Parece uma criança -sorriu Zander. -Talvez tenha razão, mas não acredito que isso seja ruim - disse Lauranne tirando-as sandálias e correndo para a água-. O que está fazendo! -acrescentou quando Zander a abraçou pelas costas. -O que fará se a jogar na água? -Te darei um olho roxo se me atirar -respondeu Lauranne-. Quero ver como explica isso ao Kouropoulos. -Começo a desejar que Kouropoulos e todo este assunto termine o quanto antes -murmurou Zander-. Eu gostaria de fazer amor com você na praia e preferiria que fosse sem público. Lembra do Caribe? Lauranne estremeceu entre seus braços. -E me pergunta isso aqui diante de todo mundo? Não tem compaixão? Sim, claro que me lembro. Estávamos sozinhos com o mar e as estrelas. Zander disse algo em grego e a deixou cair na água. 72 72


Lauranne caiu de pé, riu e se agarrou a sua camisa. -O que faz? -Refrescando -sorriu Zander lhe jogando água com o pé. -Zander! Para! -riu as gargalhadas. Quando o olhou nos olhos, viu que Zander a estava olhando com tanto desejo que se assustou. Em seguida, pegou em sua mão, recolheram seus sapatos e correram para a vila. Uma vez dentro, fizeram amor de maneira tão se desesperada e rápida que Lauranne custou acreditar que tivesse acontecido. -Me lembre de comentar ao Kouropoulos que troque o chão das vilas. O mármore não é muito cômodo para fazer amor -comentou Zander. -Se tivesse esperado, teríamos chegado ao quarto - respondeu Lauranne. -Sim, mas já não podia mais -sorriu Zander de maneira sedutora-. Acredito que o melhor será que passemos a tarde na piscina, para ver se assim nos tranqüilizamos. Lauranne tinha sérias dúvidas porque sabia que sua acalorada reação por ele sempre que o tinha perto se devia ao que sentia pelo Zander. Para cúmulo, lhe estava ficando cada vez mais difícil não lhe falar de seus sentimentos. Aquela noite, jantaram no terraço e ficaram conversando e tomando vinho até que anoiteceu. Lauranne estava feliz. Depois de jantar, Zander a conduziu ao dormitório e ali a despiu com mãos amáveis, mas urgentes. Os dias seguintes transcorreram mais ou menos iguais. Levantavam tarde, tomavam o café da manhã no jardim e saíam a percorrer a ilha a pé ou de navio. Quando fazia muito calor, voltavam para casa e faziam amor até que Lauranne ficava exausta. Zander não parecia cansar-se nunca. Inclusive tinha forças para trabalhar no laptop enquanto ela descansava. Nunca se separava dela e isso Lauranne adorava. Era como se não pudesse viver sem ela. Claro que não era isso porque Zander era a pessoa mais independente que conhecia e, além disso, não era tão irresistível. -Não precisa dormir um pouco? -perguntou-lhe um dia. -Me deitar com você me dá energias, agape mou -sorriu Zander lhe dando um beijo na boca-. Embora eu esteja neste paraíso com você, os negócios seguem seu curso e tenho que atendê-los. -Mas está de férias. -Isso parece, mas lembre que isto é uma viagem de negócios. Lauranne sentiu uma terrível pontada de dor. Ela que parecia estar vivendo em uma lua de mel, recordou o motivo de sua viagem e por que a tinha levado com ele. A felicidade se evaporou. No quinto dia, a bolha de felicidade se rompeu definitivamente. - Kouropoulos telefonou -anunciou Zander-. Já voltou e quer que jantemos hoje com ele. -Ah -respondeu Lauranne pensando que tudo tinha acabado. -O que acontece? Qualquer um diria que acaba de morrer o seu cão. -Não, nada, é que eu gostava de estar a sós com você. 72 72


Ao ver que Zander franzia o cenho, pensou que talvez não deveria ter lhe dito a verdade. -Eu também estava gostando muito e prometo que depois de jantar vou traze-la aqui de novo - sorriu. Apesar de que tinha tentado brincar, Lauranne se deu conta de que tinha mudado. Durante os últimos dias relaxara, mas agora o homem de negócios havia voltado e a lua de mel acabou. Lauranne olhou o relógio e se deu conta de que tinha que começar a trocar-se. Olhou Zander, que lia relaxadamente junto à piscina, e foi para ele. -Temos que nos arrumar -disse-lhe beijando-o no ombro-. Esperam-nos dentro de meia hora. -Vá você primeiro, eu tenho que dar uns telefonemas -respondeu Zander. Quando Lauranne saiu da ducha envolta em seu penhoar, Zander estava falando por telefone. Lauranne se aproximou do armário. escolheu um conjunto de roupa íntima, deixou cair o penhoar e começou a vestir-se. Enquanto o fazia, deu-se conta de que Zander tinha deixado de falar. Virou-se para ele e o encontrou olhando-a com avidez. -Nunca mas volte a se trocar diante de mim quando estiver falando ao telefone -disse-lhe em tom divertido- Não me inteirei de nada do que me disse meu advogado -disse-lhe. -Custa-te concentrar quando está comigo? -brincou Lauranne. -Sim -admitiu Zander-. Levo três semanas desconcentrado. -Se lhe desconcentro, por que quiseste que trabalhasse para você? -Porque me disse que não desde o começo e já sabe que eu não gosto das negativas. -Só por isso? Zander duvidou um momento. -Não, também porque entre você e eu há certos assuntos pendentes. Lauranne o olhou com desejo. -Não me olhe assim porque temos pouco tempo e não podemos chegar tarde -advertiu-lhe Zander-. Há um negócio muito importante em jogo. Aquilo foi como um balde de água fria. Lauranne se separou dele e se dirigiu a penteadeira para maquiar-se. -Claro. Zander se meteu no banho e, quando saiu, tirou uma caixinha do bolso do roupão e a entregou de maneira casual, mas a olhou com intensidade. -Comprei isto para você. Lauranne olhou a caixinha e não pôde evitar as ilusões. Zander a abriu e Lauranne afogou um grito de surpresa ao ver que se tratava de uns brincos. Por que havia acreditado que era um anel de compromisso? Nunca lhe tinha dado um porque se casaram tão rápido que não tinha havido tempo. Só tinha a aliança, que estava em alguma gaveta de sua casa. -São lindos, Zander -sorriu dissimulando sua decepção. -Como você. Lauranne ruborizou e os tomou na palma da mão. -Por que me comprou isso? -Para demonstrar que posso ser romântico -respondeu Zander lhe 72 72


afastando o cabelo do rosto- Tenho certeza de que ficarão maravilhosos em você. -Quero ... agradecer -disse-lhe Lauranne olhando-se no espelho. Zander a olhou nos olhos de maneira estranha e, continuando, dirigiu-se ao armário e pegou uma camisa limpa. Quando Lauranne viu que vestia as calças, desviou o olhar antes de que tirasse a toalha que tinha enrolada à cintura. -Prometo que me comportarei bem -disse-lhe da porta-. Sempre e quando você se comportar, claro. Zander riu, guardou-se o celular no bolso e se reuniu com ela. -Pronta?

Capíétulo 8 Lembre, Anni, que está tão apaixonada por mim que custa pensar com clareza-disse-lhe Zander lhe apertando a mão enquanto subiam os degraus do terraço. Lauranne teve vontade de rir ante aquela ironia pois descrevia virtualmente o que sentia na realidade. Quando chegaram e Kouropoulos saiu a recebê-los seguido por uma mulher, Lauranne l apagou o sorriso do rosto. Era Marina, sua antiga chefe. Que fazia ali? -Boa noite, espero que tenham passado bem esses dias -saudou-os seu anfitrião-. Minha esposa e minha filha ficaram em Atenas, mas lhe quero apresentar Marina, minha diretora de assuntos internos. Marina trabalhava para Kouropoulos? Lauranne não teve mais remédio que lhe apertar a mão e tentar sorrir. -Lauranne e eu já nos conhecemos -disse Marina com tanta frieza nos olhos que Lauranne estremeceu. -Marina trabalhava para mim -confirmou Zander. Lauranne se perguntou como podia estar tão tranqüilo. -Deveria havê-la cuidado melhor para que não se fosse- brincou Kouropoulos. Lauranne apertou os dentes. Zander tinha cuidado muito bem de 72 72


Marina. Ignorando-a completamente, Marina foi para ele sorrindo-le de maneira quase indecente e lhe ofereceu uma taça de champanhe. Lauranne teve que agüentar Zander sorrisse agradecido e aceitasse a taça como se não se passasse nada. Será que não tinha consciência? Faziam amor desde que tinham posto um pé na ilha e agora estava flertando com outra mulher. E não com uma mulher qualquer. Marina era a mulher com que Zander se deitara cinco anos atrás. A mulher que tinha destruído seu casamento. Por culpa dela Lauranne tinha procurado consolo em Tom. -O que achou parece da ilha? -perguntou-lhe Kouropoulos. -É linda -respondeu Lauranne sinceramente-. Realmente preciosa. Olhou de esguelha e comprovou que Marina e Zander seguiam falando. Tinham as cabeças tão juntas que lhe deram náuseas. Como podia fazer aquilo Zander? Como podia falar tão abertamente com sua antiga amante? Por como o olhava, ela estava mais que disposta a voltar a ser sua amante outra vez. De repente ocorreu a Lauranneque, talvez, a viagem à ilha não tivesse sido uma viagem de negócios e sim uma maneira de estar com Marina. E então para que a tinha levado? Para distrair-se? -Espero que lhe esteja bem. Amanhã, Zander e eu teremos que falar de negócios, mas Marina ficará com você. -Não quero que se incomode por mim -respondeu Lauranne tão zangada que quase não podia falar-. Prefiro ficar tranqüilamente na piscina, obrigadaacrescentou aproximando-se de Zander para que Marina entendesse quem mandava ali agora-. A verdade é que estou cansada porque não paramos em todo o dia, verdade, querido? Zander se limitou a sorrir. Confusa por sua reação, Lauranne bebeu a taça de champanha de um gole e se serviu de outra. Estava usando Marina para lhe fazer ciúmes ou seria ao reverso? Em qualquer caso, não estava disposta a entrar em seu jogo. Falou pouco enquanto bebiam o champanhe, disposta a matar enquanto observava Zander e Marina, que não paravam de falar. Como podia ter sido tão boba? Zander era incapaz de comprometer-se com uma só mulher mesmo só fosse em uma relação sexual. Zander lhe havia dito que tinha que ser encantadora, mas realmente não conseguia. Passou todo o jantar sem escutar o que se dizia a seu redor. -Desde que deixou Volakis lndustries, foi-te muito bem, não? -perguntou-lhe Kouropoulos enquanto tomava o café--. Vi algumas de suas campanhas e me parecem realmente incríveis. -Obrigada -respondeu Lauranne. -É incrível o bem que faz a alguns o passar do tempo -comentou Marina com frieza-. Suponho que os inumeráveis enganos que cometeu quando trabalhava para mim lhe ensinaram muito. -O único engano que cometi então foi me apaixonar pelo Zander -respondeu Lauranne com a mesma frieza. Era a primeira vez que dizia aquelas palavras em voz alta, mas sabia que 72 72


Zander não as ia levar a sério. Acreditaria que eram parte do papel que lhe havia pedido para interpretar. -Se estava tão apaixonada, como durou tão pouco seu matrimônio? -quis saber Kouropoulos. Aquela pergunta tão direta, que pegou Lauranne de surpresa e não pôde deixar de olhar de esguelha para Marinha. -Tivemos algumas diferenças -respondeu Zander tomando a taça de vinho e brincando por ela-, mas as resolvemos. A Lauranne estava custando cada vez mais seguir com aquela farsa, mas se disse que era necessário. -Naquele tempo, Zander não queria comprometer-se com ninguém -comentou-. Gostava da variedade -acrescentou olhando a Marina de maneira desafiante. Viu como sua antiga chefa empalidecia de raiva e se preparou para o confronto, recordando-se que já não era sua empregada e que aquela mulher não podia lhe fazer absolutamente nada. -Sim, Zander sempre gostou de ter muitas mulheres a seu redor -comentou Kouropoulos-. Espero que isso tenha mudado agora. Como foi que voltaram a estar juntos? -Levávamos vários meses falando e nos vendo, mas não voltamos até um par de semanas -explicou-lhes Zander. -Realmente romântico. -Sim, história longa, não? -interveio Marina-. Parece-me que já vai sendo hora de seguir seu caminho. Lauranne olhou ao Zander nos olhos e viu neles um brilho especial. Zander pegou sua mão. -Não tenho intenção de fazê-lo. Certamente, era um maravilhoso ator. Lauranne teve que fazer um esforço supremo para não retirar a mão e esbofeteá-lo. Haveria tempo quando estivessem a sós. De repente, não pôde suportar mais e ficou em pé. -Sinto muito, mas estou muito cansada -desculpou-se olhando Kouropoulos-. Importa-lhes que me retire? -É obvio que não -respondeu seu anfitrião-. Zander, vai com ela se quiser porque amanhã conversaremos. -Por que não volta depois e tomamos uma taça? -sugeriu Marina-. É muito cedo para ir-se à cama. -Bom, isso depende... -riu Kouropoulos-. Parece-me que nos veremos na reunião de amanhã. Marina apertou os dentes, mas se forçou a sorrir. -Nesse caso, até amanhã. Eu também vou estar na reunião. Lauranne olhou para Zander, mas não percebeu nenhuma expressão em seu rosto. Depois de dar boa noite, tomaram o caminho de volta à vila. Assim que chegaram, Lauranne deixou sair toda a raiva e a humilhação. -Como te atreve? Como te atreve a me levar a um jantar em que sabe que vai estar essa mulher? -espetou-lhe soluçando e fora de controle. Zander ficou gelado no sítio, visivelmente surpreso por seu ataque. -Não sei de que falas. Se continuar se comportando como nesta noite, vai 72 72


acabar com a venda. - Não me importa! -mentiu Lauranne com as lágrimas lhe escorregando pelas bochechas-. O único que me importa é que tiveste o descaramento de me sentar à mesa com sua amante. -Como diz? -Um homem jamais deve apresentar a sua esposa a sua amante! -insistiu Lauranne. -Mas do que me está falando? Acredita que Marina é minha amante? -Agora não sei -respondeu Lauranne zangada-. Sei que a cinco anos ela o era! -Já basta. O que diz não tem sentido. Eu acreditava que estava zangada porque Marina era sua chefe e te despedi diante dela. Acreditei que estava envergonhada e que por isso estava tão calada. - Eu não tenho nada do que me envergonhar -respondeu Lauranne em atitude desafiante-. Eu não fiz nada para que me despedisse, equivocou-te ao fazê-lo, e espero que lhe pese na consciência. -Vamos por partes. Por que acreditas que Marina é meu amante? -Porque o era então e esta noite parecia muito contente de voltar a vê-la. -Me escute atentamente, Lauranne, porque não tenho costume de repetir. Nunca tive uma aventura com Marina -disse-lhe Zander agarrando-a com força o braço. -Como pode dizer isso? -respondeu Lauranne olhando-o doída-. Estava em seu escritório. Nua. -Quando? -perguntou Zander confunso-. Quando viu marina nua em meu escritório? -A noite em que me encontrou com o Tom! O que te acreditava que ia fazer? Acreditava que ia me comportar como uma esposa obediente? -espetoulhe Lauranne escapando de suas garras. -Quero que me conte exatamente o que ocorreu aquela noite -disse Zander com a respiração acelerada-. Quero saber de tudo. Lauranne fechou os olhos e deixou escapar uma lágrima. -Já foi horrível então, por favor, não me peça para o reviver. -Preciso que me conte isso tudo -insistiu Zander. Lauranne tomou ar. -O que quer agora? -tinha perguntado Lauranne deixando a lista de meios de comunicação que estava fazendo e sorrindo abertamente. -Parece que seu marido não pode ficar separado de ti muito tempo -respondeu Tom. -Acreditava que estava trabalhando -respondeu Lauranne ficando em pé. -Há dois meses, desde que conseguiu caçá-lo, o chefe não pensa muito no trabalho -comentou Tom com sarcasmo. Lauranne franziu o cenho. Tom e ela eram muito amigos, mas algo em sua relação tinha mudado desde que se casou com Zander. -Bom, vou ver o que quer. Se alguém me necessitar... -Direi que está com o chefe -respondeu Tom encaminhando-se ao bar. Enquanto ia para o escritório de seu marido, Lauranne pensou que teria que falar com seu amigo seriamente mais tarde porque estava bebendo muito 72 72


ultimamente. Encantada de que não pudesse estar umas horas sem vê-la, soltou o cabelo porque sabia que Zander gostava assim e se encaminhou para a sala onde tinha seu escritório. Ao chegar à zona em que normalmente estavam as secretárias, estranhou ver que não havia ninguém. Bateu na porta e entrou. no princípio, acreditou que não havia ninguém ali, mas, então, viu-a. Marina vestia tão somente um penhoar, levava o cabelo recolhido e sorria encantada. -Marina? -exclamou Lauranne. -Lauranne -respondeu sua chefe olhando para a porta do banheiro. Nesse momento, Lauranne ouviu o ruído da água da ducha e, em seguida, a voz de Zander dizendo a Marina que deixasse uns documentos sobre a mesa. Lauranne sentiu náuseas. -Como pôde? -Não acreditou que ia ser só para você, verdade? -sorriu sua chefa-. Assim que quis, tornou comigo. A água parou de correr e Lauranne se deu conta de que, em breves momentos, teria que enfrentar Zander. Não podia fazê-lo, então saiu correndo pelo corredor, onde se encontrou com o Tom. -Lauranne, o que aconteceu? Lauranne tremia tanto que Tom lhe passou um braço pelos ombros. -Vamos a minha sala-indicou-lhe. Lauranne não podia nem pensar, assim que o seguiu sem dizer uma palavra. Uma vez na sua sala, não pôde parar de chorar por um bom tempo, abraçada a ele. De repente, Tom tombou-se sobre ela e começou a lhe dar beijos que cheiravam a uísque. Lauranne tentou tirar-lhe de cima, mas não pôde. -Esqueça dele, Lauranne, não vale a pena. -Tom! -É linda e te desejo faz muito tempo. Sabe? Não, não sabia e aquilo não estava gostando nada daquilo. Nesse momento, abriu-se a porta e apareceu Zander completamente furioso. Ao recordar sua traição, Lauranne abraçou Tom e o beijou. Zander ficou olhando-a em silêncio. -Quem te deu o recado de que te queria ver? -perguntou-lhe. -Tom -respondeu Lauranne. Zander apertou os dentes. -Quero que me diga exatamente o que me ouviu dizer da ducha. -Não sei, não me lembro. -Puxe pela memória! -Acredito que... estava dizendo algo sobre uma lista de convidados -respondeu Lauranne sem compreender por que era importante aquele detalhe-. Sim, disse-lhe que a deixasse sobre a mesa. 72 72


-E logo o que aconteceu? -Parei de ouvir a ducha, olhei a Marina e ela... sorriu. Obviamente, queria que os visse juntos. -Mas não estávamos juntos. Eu estava na ducha e ela, em meu escritório! -E o que? Estava nua! -De verdade? -Sabe perfeitamente. -Não, eu não sei de nada. Lembro que aquela noite veio a meu escritório e tentou me seduzir, como tantas outras vezes. A mim cada vez aquilo punha mais e mais irritado. Não entrei na ducha até me haver assegurado de que estava sozinho. Certamente, não sabia que você estava ali. Lauranne ficou gelada. -Tentou te seduzir? -Deixa que te conte minha versão daquela noite -suspirou Zander-. Quando saí da ducha, o escritório estava vazio. Estava me vestindo quando recebi uma chamada de Marina me dizendo que havia visto muito afetada por algo em companhia de Tom. É obvio, fui te buscar. -É obvio? Importava-te que estivesse mal? -Claro -assegurou-lhe Zander-. Embora não sei para que porque, quando te encontrei, estava beijando o Farrer. -Não sei o que lhe aconteceu aquela noite -recordou Lauranne-. Estava meio bêbado. Levava todo o dia comportando-se de maneira estranha e, para rematá-lo, equilibrou-se sobre mim. Quando te vi na porta, estava tão doída que quis te demonstrar que não me importava. Zander ficou olhando-a aos olhos em silêncio. -Parece-me que estou começando a compreender o que aconteceu. Beijou Farrer para me fazer ciúmes porque acreditava que tinha traído com Marina. Dá-te conta do arriscado de sua ação? Poderia havê-lo matado por estar com você! -Deu-lhe um olho roxo e lhe partiu o nariz -recordou Lauranne-. Em qualquer caso, não estava com ele. -Mas era o que queria que acreditasse e eu acreditei -respondeu Zander andando pela sala da vila-. Se não tivéssemos sido tão teimosos, não teriam nos explorado de maneira tão imbecil. -Manipularam-nos, Zander --respondeu Lauranne-. Aos dois. E, para cúmulo, despediu-me. Disse-me “saia daqui, nunca mais quero voltar a te ver”. -Admito que me enganei... mas é que te ver na cama com outro homem ... estava ciumento. - Eu também. -Entretanto, de verdade, que nenhum dos dois tinha razões para estar. Se em vez de nos zangar, tivéssemos falado, tudo teria ficado claro. Por que não me perguntou por Marina? -Porque, ao encontrá-la nua em seu escritório, dava por feito que estava com ela. -Tão pouca confiança em mim? -Suponho que sim. -Por que? 72 72


Lauranne tragou saliva. -Suponho que porque, no fundo, não podia acreditar na sorte que tinha tido. As mulheres de meio mundo corriam detrás de você e você me tinha escolhido . Esperava que acontecesse algo assim, mas me pegou de surpresa. Era muito cedo... -O que quer dizer? -Sabia que não era um homem de compromissos a longo prazo. Não o foi então e não o é agora. As mulheres o assediavam. Com tantas tentações ao seu redor, eu tinha assumido que, cedo ou tarde, iria com uma delas. -E se casou comigo apesar de tudo? Lauranne afastou o olhar. -Foi um arrebatamento... -Assim que pensou o pior de mim. -Exatamente igual a você de mim. Zander passou os dedos pelo cabelo. -O problema é que somos os dois muito teimosos. Você não queria que me inteirasse de que tinha feito sofrer e eu estava com muitos ciumes para falar com você e perguntar o que estava acontecendo. -Jura não tinha uma aventura com Marinha? -Não -respondeu Zander indo para ela e tomando as suas mãos. -Minha mãe... -suspirou Lauranne fechando os olhos. O que tinham feito? -Marina queria destruir nosso casamento -disse-lhe Zander lhe acariciando o cabelo. -Agora entendo tudo. -Estava apaixonada por mim e sua repentina aparição em minha vida deve ter a enraivecido. Você era jovem, inteligente, impresionantemente bonita e eu estava completamente cativado por você. Todo mundo sabia que tinha me entregue a você por completo. Lauranne o olhou aniquilada. -Nos dois meses que estava com você, não podia me concentrar no trabalho -explicou-lhe Zander-. Meus empregados estavam alucinados. -Então, você crê que Marina... ? -Tentou desfazer-se de você da única maneira que lhe ocorreu. Sabia que eu jamais suportaria te encontrar com outro homem. -E como soube que ia refugiar-me nos braços do Tom? -Porque eram muito amigos. -Agora me dou conta de que eu também agi muito apressadamente -disse Lauranne lhe beijando a boca. -Não temos que nos deixar levar pelos arrebatamentos, temos que pensar com tranqüilidade -disse Zander tomando-a nos braços e a levando para o quarto. -O que está fazendo? -Desta vez, quero fazer amor na cama -sorriu Zander-. O chão de mármore nos vai matar. E daquela vez fez amor com tanta ternura que a Lauranne escaparam as lágrimas. -Não chore -disse-lhe Zander abraçando-a até que dormisse. 72 72


Quando se assegurou de que estava adormecida, Zander saiu no terraço e ficou olhando-a. De repente, sentiu algo que não havia sentido jamais, Culpa. Sentia-se culpado porque Lauranne não tinha então mais que vinte e um anos e ele a tinha arrasado pessoal e profissionalmente. Jamais tinha tratado uma pessoa com tão pouca compaixão. Não tinha ido falar com ela, não tinha pedido explicações porque tinha dado por feito que Lauranne era como todas as mulheres que tinha conhecido em sua vida, infiéis e ambiciosas. Zander se perguntou por que a tinha tirado de seu lado com tanta pressa. Depois de olhá-la durante um momento, compreendeu por que o tinha feito. Pela primeira vez em sua vida, tinha visto ameaçado seu bem-estar emocional. Pela primeira vez em sua vida, uma mulher lhe importava de verdade. Pela primeira vez em sua vida, apaixonou-se. Zander fechou os olhos e aceitou a verdade. Casou-se com ela por amor. E por amor jamais tinha querido divorciar-se dela. O amor tinha alimentado o ciúmes que havia sentido quando a tinha encontrado com o Farrer. Agora entendia por que Lauranne se negou a trabalhar para ele a segunda vez. A primeira devia tê-la deixado tão traumatizada que não queria repetir a experiência. Zander pensou que, se tivesse podido escolher, certamente, não teria ido com ele à ilha, mas ele a tinha obrigado com sua chantagem. Então, decidiu enfrentar a provocação mais importante de sua vida: convencê-la de que não se divorciasse dele. Na manhã seguinte, tomaram o café da manhã na terraço. Lauranne pensou que Zander estava mais tenso do que o normal, mas o atribuiu à reunião que ia ter para tratar a compra da ilha. Enquanto comia uma torrada, recordou o quão carinhoso tinha sido a noite anterior com ela, mas se disse que aquilo não significava nada. -Por que segue trabalhando com o Tom? -Perguntou-lhe de repente. Lauranne deu de ombros. -A empresa é dos dois -respondeu-. Nunca me ocorreu ir. Obviamente, não tinha dinheiro, então ele entrou com o dinheiro... -Ah, sim... o dinheiro -disse Zander tornando-se para trás na cadeira-. Por que se casou comigo, Lauranne? Lauranne o olhou em silêncio, perguntando-se se ele teria se dado conta do muito que o amava. Conseguindo sorrir de maneira casual, deu de ombros. -Suponho que, tal e como você disse, porque o sexo entre nós era maravilhoso e por ter um cartão de crédito sem limite -respondeu-. Que mais podia pedir uma garota de minha idade? -Isso me pergunto eu -respondeu Zander-. Jamais usou meu cartão de crédito. Não gastou absolutamente nada do meu dinheiro. -Não tive tempo -justificou-se Lauranne. -Outras mulheres gastam uma fortuna em menos tempo do que você necessita para escovar os dentes. -Eu não sou como as outras mulheres. -Não preciso que me lembre disso. 72 72


-Olhe, nós dois sabemos que nosso matrimônio foi um engano e quando isto terminar... -Por que foi um engano? - Por que? Obviamente, porque não a queria. -Porque a única coisa que havia entre nós, Zander, era sexo e com isso não se pode construir um casamento. Para ela, sua relação tinha sido verdadeira, algo que sabia que jamais encontraria com outro homem, mas para ele somente tinha sido sexo. -Não era só sexo. É certo que me excita mais que qualquer outra mulher, mas eu também gosto de todo o resto. É divertida, inteligente e interessante. -Diz isso porque sou a única pessoa do mundo que se atreve a te dizer que não. Zander riu. -Muita gente se atreve a me dizer que não, Anni. Não sou tão mau como você acredita -sorriu. -Não acredito que seja uma má pessoa -assegurou-lhe Lauranne olhando-o nos olhos. -Não me olhe assim, que tenho que encontrar com o Kouropoulos dentro de menos de meia hora. Quero que venha comigo. -Mas Marina... -Não me diga que está com medo? A mim não exita em me pôr em meu lugar quando a tiro do sério. Por que não faz o mesmo com ela? -Porque não tenho provas do que fez. -Então, a façamos confessar. -Como? -Já me ocorrerá algo. -Tome cuidado, Zander, vai atrás de você. -Sim, mas eu já estou ocupado. Lauranne se disse que para fazer-se ilusões, que Zander lhe tinha pedido que o acompanhasse à ilha única e exclusivamente para convencer Kouropoulos de que estavam perdidamente apaixonados. Nada daquilo era real, mas recordou a promessa que Zander tinha feito a sua avó e decidiu ajudá-lo. -Vamos a eles.

72 72


Capíétulo 9 Enquanto Theo Kouropoulos estudava os documentos que tinha ante si, Lauranne ficou olhando fixamente à mesa. Estava aterrorizada porque não estava acostumada àqueles jogos tão elaborados. Sabia que Zander desejava desesperadamente ficar com a ilha, mas nada em sua linguagem corporal o revelava. -Quer fechar o complexo turístico -comentou Kouropoulos. -Efetivamente -respondeu Zander. -É certo que não vai tudo tão bem como teria que ir, mas com um pequeno investimento... -Não me interessa o complexo turístico. Quero a ilha para algo completamente diferente. -Para que? -quis saber Kouropoulos. -Por razões pessoais -respondeu Zander em inglês passando a falar em grego. Durante uns minutos, Kouropoulos e ele falaram em grego sem que Marina e Lauranne compreendessem uma só palavra da conversa. De repente, Kouropoulos a olhou com um grande sorriso. Confundida, Lauranne olhou para Zander. -Estava contando ao Theo nossos planos -disse-lhe ele. Seus planos? -A milhões de mulheres lhes vai romper o coração, Lauranne -comentou Kouropoulos estalando a língua-. Reconheço que estava começando a perder as esperanças de que Zander arrumasse seu matrimônio. - Como? Lauranne voltou a olhar para Zander em busca de respostas. -Estava-lhe contando ao Theo que não vamos nos divorciar -disse Zander olhando-a nos olhos-. Jamais. Lhe disse que quero esta ilha para minha esposa e para nossos filhos. Lauranne o olhou surpreendida, mas conseguiu dissimular. Durante uns segundos, permitiu-se o luxo de acreditar que era verdade. Quando recordou o muito que Zander desejava comprar a ilha, deu-se conta de que é obvio que não o havia dito a sério. -Acreditei que não viveria para ver este dia -comentou Kouropoulos. -Eu também, mas isso foi antes de me dar conta de que estava apaixonado. -Se não vão se divorciar, por que Lauranne não usa aliança aliança? -quis saber Marinha. -Porque a estão ajustando -sorriu Zander-, mas nunca mais a vai tirar -acrescentou olhando a Marina com frieza. Marina empalideceu ao compreender a mensagem. 72 72


-Não deixe que o enganem, Theo. Levam cinco anos separados. Tudo isto é uma farsa para que venda a ilha. -Nossa história não é uma farsa -assegurou Lauranne-. Sou a mulher mais afortunada do mundo. Zander a olhou agradado e a agarrou pela mão. -É certo que nossa relação foi tempestuosa -admitiu-, mas isso é parte do encanto. Entretanto, passamos muito tempo brigando. Lauranne sentiu que o coração lhe dava um tombo. Se não tivesse sabido que não era verdade, teria jurado que Zander estava falando a sério. -Assim que tenha a ilha, se livrará de você -advertiu-lhe Marina. -Jamais me separarei de Lauranne -assegurou-lhe Zander com um brilho especial nos olhos-. Então, vende-me a ilha? -perguntou a Kouropoulos. -Sim, seu pai ficaria encantado. Ante aquelas palavras, Zander se esticou. -Meu advogado chegará em algumas horas para falar com os seus. Kouropoulos assentiu ficando em pé e lhe apertando a mão. -Espero que fiquem uns dias mais. -Sim, fiquem - disse-lhes Marina-. Seria uma pena que fossem quando as coisas se estão ficando interessantes. Lauranne não confiava naquela mulher. Por que quereria que ficassem? Enquanto saíam da vila de Kouropoulos, Lauranne percebeu que teriam que tomar cuidado com Marina porque sabia por experiência que, quando estava ciumenta, e naquele momento o estava e muito, podia resultar perigosa. Naquela tarde, enquanto Zander ultimava a venda com o Kouropoulos, Lauranne ficou na piscina de sua vila. -Não me diga isso. Tornou-te a deixar e está tentando te afogar -disse uma voz enquanto nadava. Ao olhar, viu que era Tom. -O que faz aqui? -perguntou-lhe saindo da água, secando-se e abraçando-o. Como soube onde estava? -Sim, isso, Farrer, nos conte o que faz aqui -disse Zander aparecendo de repente. -Estava preocupado por Lauranne e queria ver como estava. -Pois agora que a viu, já pode ir por onde vieste -espetou-lhe Zander furioso. Então, Lauranne viu Marina, que sorria muito satisfeita em companhia de seu chefe. De repente, compreendeu como tinha sabido Tom onde estava e por que tinha ido procurar por ela. -Não precisava ter vindo, Tom -disse-lhe virando-se para ele-. De verdade, estou bem. É melhor que vá. Tinha sido Marina. Sabia que a presença de Tom ali era quão único podia tirar o Zander do sério. -Não penso ir sem você, Lauranne -respondeu Tom-. Sei que só vieste para ajudá-lo a fechar a compra da ilha e acredito que já tem feito bastante por ele. - Tom, por favor. -Não penso deixar que volte a fazer mal -insistiu Tom olhando ao Zander-. Está tão apaixonada por você que faz loucuras por ti. Quando está 72 72


perto dela, volta-se louca. -Tom... -gemeu Lauranne. -Quando a abandonou, ficou tão arrasada que tinha que ir todas as manhãs a sua casa a tirar da cama para que fosse trabalhar. Fui eu quem esteve a seu lado. -Sei -respondeu Zander. -Não penso deixar que lhe volte a fazer mal -advertiu-lhe Tom dando um passo para ele com os punhos apertados-. Se quiser a ilha, consiga sem fingir que estão juntos. Kouropoulos franziu o cenho e olhou ao Zander. -Assim Marina tinha razão. Tudo isto da reconciliação era mentira, era uma farsa para me convencer de que te vendesse a ilha -acusou-o-. Volakis, não vendo. Mas Zander nem sequer o olhou. Seus olhos estavam fixos em Lauranne e em seus lábios havia um sorriso que ela não conseguia entender. Continuando, sem dizer uma só palavra, virou-se e entrou na casa. -Certamente, que pena -comentou Marina. Aquilo fez que Lauranne perdesse a compostura. -Como se atreve? -espetou-lhe furiosa. Lauranne deu um passo atrás. -Eu não fiz nada -defendeu-se-. Tudo foi culpa do Zander e tua por querer enganar e não ter parado de mentir desde que puseram um pé aqui. -Eu não enganei a ninguém. Estou apaixonada por Zander e sempre estive. Nosso casamento acabou fazem cinco anos por sua culpa e agora tornaste a danificar tudo -acusou-a. -Não sei do que me fala. -Claro que sabe, mas já não faz diferença. Agora, a única coisa que importa é que impediste que Zander cumprisse sua promessa. Zander não quer comprar esta ilha para fazer dinheiro mas sim porque o prometeu a sua avó quando era um menino. -Você sabia? -perguntou-lhe Kouropoulos. -Sim -respondeu Lauranne- Custou-lhe muito me dizer isso porque não confia nas mulheres por culpa de mulheres como ela -acrescentou olhando a Marinha-. É uma serpente. -Parece que o defende com o coração -disse Kouropoulos. -Faria tudo por ele -admitiu Lauranne. -O ama tanto? -Sim, a única coisa que quero é vê-lo feliz -respondeu Lauranne olhando para Tom-. Já sei que acredita que estou louca... -Não pode evitá-lo -disse seu amigo lhe passando o braço pelos ombros-. Já fez suficiente, faz as malas e vamos daqui. Lauranne sentiu uma vontade terrível de chorar, mas se controlou. Agora que a venda não ia se realizar, era óbvio que Zander já não a necessitava, assim que o melhor que podia fazer era voltar para a Inglaterra com o Tom. O fato de que Zander se foi sem lhe dizer nada falava por si só. Não a queria a seu lado. -Não há vôos até a noite -disse Kouropoulos ao Tom-, assim lhe venham 72 72


a casa conosco enquanto Lauranne faz a bagagem e... o que tenha que fazer. A que se referia? NĂŁo havia nada que pudesse fazer exceto voltar para casa.

72 72


Capíétulo 10 Depois de fazer as malas, Lauranne decidiu que não queria reunir-se com outros na casa de Kouropoulos, assim tomou o atalho da praia e foi para a baía azul onde vivia a avó de Zander. Não tinha nem idéia de onde estava Zander. Estava zangada com ele por ter se ido sem dizer nada. Lauranne supôs que Zander tinha dado por certo que entre o Tom e ela havia algo. Como podia estar tão cego? Sentiu uma terível vontade de chorar, mas não o fez porque se disse que não valia a pena chorar por Zander Volakis. Era um homem egoísta, patológicamente ciumento e... queria-o tanto! Tudo tinha saído mal por culpa de Marina. Outra vez. Ao ver uma silhueta conhecida, ficou gelada. -Se voltar a abraçar ao Farrer estando meio nua, não respondo de meus atos. Lauranne se virou para ele com lágrimas nos olhos. -Foi embora e me deixaste ali sozinha. -Fui porque estava zangado e não confiava em mim mesmo. -Por que quando está comigo não utiliza o cérebro? Tudo foi urdido por Marina! No mesmo momento em que disse que não nos íamos divorciar, esteve tramando algo e você sabia. -Sim, sabia. -Então, por que está zangado? -Porque te tornei a encontrar em braços do Tom. -Meu deus, Zander, é meu amigo. -Não me lembre disso -disse Zander passando os dedos pelo cabelo-. Como crê que me sinto sabendo que foi ele quem te consolou depois de que eu te destroçei? -Zander... -E como acredita que me sinto agora sabendo que veio recolher de novo os pedacinhos? - Tom veio porque Marina o chamou. Ela sabia que sua presença aqui causaria problemas e assim foi - explicou-lhe Lauranne-. Sinto muito pela ilha -acrescentou com tristeza. -A ilha não mais me importa -assegurou-lhe Zander olhando-a nos olhos. -Mas queria comprá-la com toda sua alma... -Eu acreditava nisso, mas descobri que há algo que desejo muito mais. Lauranne ficou olhando-o fixamente, incapaz de falar. -Quando vi Farrer, senti medo de que fosse com ele - explicou-lhe Zander indo para ela. -Teve medo? -Provavelmente, foi a primeira vez em minha vida, mas, sim -confessou Zander-. Ele sempre esteve do seu lado enquanto que eu ... eu não tenho feito mais que te fazer a vida impossível. Tratei-te muito mal, agape mou, e te peço perdão por isso. 72 72


Zander lhe estava pedindo perdão? Lauranne não podia acreditar. -Tudo isso que disse Farrer de que me quer tanto que estaria disposta a fazer qualquer coisa por mim... é verdade? Lauranne assentiu. -Me alegro porque o que mais desejo no mundo é que me perdoe -disse Zander tomando-a entre seus braços-. Quero que me perdoe por te haver feito mal, por não confiar em ti e por aparecer em sua vida e te chantagear. -Me alegro de que me chantageasse -sorriu Lauranne-. Se não o tivesse feito, agora mesmo não estaríamos aqui e teríamos nos divorciando. -Jamais teria te concedido o divórcio -disse Zander. Por fim, Lauranne reuniu coragem para lhe perguntar o que mais desejava saber. -Por que? -Porque te amo -respondeu Zander-. Porque te amo-repetiu com um grande sorriso-. É a primeira vez que digo estas palavras a alguém. -Tem certeza? -Absoluta. Acredito que sempre te quis, mas não tinha me dado conta. Talvez, não queria vê-lo. Faz cinco anos, dava-me medo o que sentia por ti. Suponho que por isso te separei de minha vida com tanta rapidez. De repente, Lauranne teve vontade de rir. -Por que me trouxeste aqui com você? -Porque queria te ter vigiada e não queria te deixar com o Farrer -respondeu Zander-. Meu instinto me dizia que era arriscado do ponto de vista empresarial. Mas decidi fazer-lo de qualquer maneira. -Por que era arriscado? -Porque estava furiosa comigo e poderia entorpecer a venda. Meu advogado ficou verde quando lhe disse que vinha comigo. -Desde que me contou que queria comprar a ilha porque tinha prometido a sua avó, só quis te ajudar a conseguí-la. Asseguro-te que jamais teria sido um obstáculo. -Sei. És uma pessoa boa e generosa e eu te tratei muito mal. -Confesso que eu não deferia ter tentado te fazer ciúmes. -Consegui-lo deveria ter me feito compreender que estava apaixonado por você - sorriu Zander-. Em qualquer caso, Farrer tem razão. Sou um canalha egoísta e provavelmente o melhor que poderia fazer é te afastar de mim. Entretanto, eu não sou tão generoso como você. Sinto muito, mas não vou conceder o divórcio. És minha e quero passar o resto de minha vida te recompensando por haver me comportado tão mal com você. Lauranne sentiu que o coração lhe dava um tombo, mas não pôde evitar desafiá-lo. -E se eu quiser me divorciar? -Não quer -respondeu Zander abraçando-a. -Como está você tão seguro, senhor Volakis? -Porque sei por que te casou comigo de verdade fazem cinco anos. Se tivesse sido por dinheiro, teria gasto algo, mas não gastou absolutamente nada. -O único eu queria de ti não estava a venda. Queria que me quisesse. -E te queria, mas, então, cegaram-me os ciúmes. Agora vejo 72 72


clararamente. Teríamos que ter falado e esclarecido a situação. O certo é que foi a primeira mulher em minha vida que me fez pensar no amor e estava aterrorizado. Lauranne levantou a mão e lhe acariciou o rosto. -Seu pai teve má sorte, Zander. -Sim, não como eu, que sou um homem muito afortunado -respondeu Zander olhando-a nos olhos. -E o que fazemos agora? -perguntou Lauranne lhe passando os braços pelo pescoço. -O que te parece se fica a meu lado para toda a vida? Emocionada, Lauranne o beijou. -Parece-me a melhor idéia do mundo -respondeu-. Quando te deu conta de que estava apaixonado por mim? -Quando me surpreendi mesmo te contando coisas de minha vida pessoal que não nunca tinha contado a ninguém. Lauranne sorriu encantada. -É uma grande distração, sabe? -sorriu Zander-. Não posso estar cinco minutos sem ti. Não sei o que vai ser de minhas empresas. Ao melhor, arruínome -riu-. Quando contei ao Kouropoulos que queria seguir casado com você, não o tinha premeditado, saiu-me assim. Suponho que lhe disse diante de outros porque me dava medo lhe dizer isso a sós se por acaso me dissesse que não. -O que é uma pena é que tenha ido assim porque, talvez, se te tivesse ficado, Kouropoulos se teria dado conta de que me quer de verdade e te teria vendido a ilha. -Efetivamente -comentou Kouropoulos a suas costas-. Então, este matrimônio é de verdade ou não? -acrescentou divertido. Zander olhou Lauranne nos olhos. -É de verdade -respondeu-. Completamente de verdade -acrescentou beijando-a. -Nesse caso, a ilha é tua -disse Kouropoulos. -De verdade? -sorriu Lauranne encantada. -De verdade -respondeu Kouropoulos olhando Zander-. Sabia da promessa que tinha feito a sua avó e sabia que não poderia cumpri-la durante os primeiros anos porque estava montando sua empresa, assim esperei porque eu também tinha feito uma promessa. Prometi a seu pai que somente venderia a você. Zander o olhou surpreso. -Falou com meu pai deste assunto? Kouropoulos deu de ombros. -Seu pai queria que a ilha voltasse para a família e tinha fé em você, sabia que você faria cargo da empresa e que a converteria em um império do que ele teria ficado orgulhoso. -Mas por que pôs como requisito para me vender isso que mudasse de imagem? -Porque seu pai se sentia muito culpado, acreditava que por sua culpa não confiava nas mulheres. Tudo o que queria, era vê-lo apaixonado -sorriu Kouropoulos-. Se o visse agora, estaria feliz. A ilha é tua, Volakis. Bem-vindo a 72 72


casa, Zander -concluiu virando-se e afastando-se pela praia. -O que vais fazer com a ilha? -quis saber Lauranne. -Exatamente o que disse para Kouropoulos -sorriu Zander-. Quero-a para minha esposa e para os numerosos filhos que vamos ter, agape mou. Exatamente um ano depois, Tom foi convidado para a inauguração da casa de Lauranne e Zander. -Vejo que te trata bem -comentou seu amigo. -Trata-me maravilhosamente -respondeu Lauranne sinceramente. -Por fim, está se comportando. Reconheço-o. Parece que domaste à fera. Agora, ao menos, deixa-me falar com você a sós. -Se antes o disser... -sorriu Lauranne-. Aqui vem. Tom se esticou, mas Zander sorriu e lhe estreitou a mão. Os dois homens falaram durante um momento e, logo, Tom se misturou com outros convidados e os deixou a sós. -Obrigado por convidá-lo -disse-lhe. - Cada dia te controla mais. -Sempre e quando não te tocar, não há nenhum problema -respondeu Zander beijando-a. -Quantos dormitórios temos afinal? -perguntou de repente Lauranne. Zander a olhou surpreso, recordando as inumeráveis conversas que tinham tido com a equipe de arquitetos que tinha construído a mansão. -Pergunta a sério? -Pergunto porque vamos precisar de outro quarto-respondeu Lauranne com inocência. -Para que? Lauranne sorriu. -És um homem muito inteligente para os negócios, mas, às vezes, para outras coisas é um pouco lento -disse-lhe tomando a mão e colocando-lhe em sua barriga- Vamos ter um filho. -Um filho? -Sim, e vai nascer na ilha, exatamente igual a sua avó -sorriu Lauranne olhando-o com adoração-. Está contente? -Contente? -sorriu Zander-. Estou feliz -acrescentou tomando-a nos braços e dirigindo-se à praia. -Zander, os convidados -recordou-lhe Lauranne. -Estarão perfeitamente bem atendidos -assegurou-lhe seu marido levando-lhe na escuridão. -Certamente, sempre faz o que tem vontade né? Embora, agora me ocorra algo ainda melhor. -Ah, sim? -sorriu Zander olhando-a com desejo-. E se importaria me dizer o que é? -Será um prazer -respondeu Lauranne beijando-o-. Um autêntico prazer. Fim

72 72

(Magnatas Gregos 25) Sarah Morgan - A Esposa Chantageada  
(Magnatas Gregos 25) Sarah Morgan - A Esposa Chantageada  
Advertisement