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Doce Chantagem THE BILLIONAIRE'S MARRIAGE BARGAIN

Carole Mortimer

Kenzie está determinada a se afastar de Dominick Masters. Ele jamais a amou ou quis um filho. Mas agora ela precisa de uma favor de seu marido. Em troca, Kenzie deve passar um fim de semana em sua casa de campo... a mercê dele! Kenzie não tem escolha, mas descobre que ficar sozinha com Dominick é uma deliciosa tentação, mesmo que a paixão roubada tenha seu preço. Agora, como ele reagirá quando ela lhe der uma importante notícia?

Digitalização e Revisão: Crysty


Carole Mortimer - [Dever e Desejo 02] - Doce Chantagem (Jessica 98)

Tradução Dinah Kleve

B

HARLEQUIN O O K S 2009

PUBLICADO SOB ACORDO COM HARLEQUIN ENTERPRISES II B.V./S.à.r.l. Todos os direitos reservados. Proibidos a reprodução, o armazenamento ou a transmissão, no todo ou em parte. Todos os personagens desta obra são fictícios. Qualquer semelhança com pessoas vivas ou mortas é mera coincidência. Título original: BRIDE OF DESIRE Copyright © 2006 by Sara Craven Originalmente publicado em 2006 por Mills & Boon Modem Romance Título original: THE BILLIONAIRE'S MARRIAGE BARGAIN Copyright © 2007 by Carole Mortimer Originalmente publicado em 2007 por Mills & Boon Modem Romance Arte-fmal de capa: Isabelle Paiva Editoração Eletrônica: ABREITS SYSTEM Tel.: (55 XX 21) 2220-3654 / 2524-8037 Impressão: RR DONNELLEY Tel.: (55 XX 11) 2148-3500 www.rrdonnelley.com.br Distribuição exclusiva para bancas de jornais e revistas de todo o Brasil: Fernando Chinaglia Distribuidora S/A Rua Teodoro da Silva, 907 Grajaú, Rio de Janeiro, RJ — 20563-900 Para solicitar edições antigas, entre em contato com o DISK BANCAS: (55 XX 11) 2195-3186/2195-3185/2195-3182 Editora HR Ltda. Rua Argentina, 171,4° andar São Cristóvão, Rio de Janeiro, RJ — 20921-380 Correspondência para: Caixa Postal 8516 Rio de Janeiro, RJ — 20220-971 Aos cuidados de Virgínia Rivera virginia.rivera@harlequinbooks.com.br


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CAPÍTULO UM

O telefone tocou, interrompendo todo o raciocínio de Dominick. Ele deveria ter pedido à secretária para não ser interrompido. Depois de quatro meses de planejamento minucioso, ele estava prestes a alcançar a meta. Passara horas no escritório, saboreando a idéia, sob paz e privacidade. Quatro meses. Parecia mais. Bem mais. Se ele tivesse se apressado, porém, sem dar a devida atenção aos próprios planos, não poderia desfrutar agora de uma vingança tão doce e saborosa. A vingança é um prato que se come frio, diz o ditado. Pois ele estava frio agora, gelado na verdade, e pretendia saborear cada minuto da queda do homem que lhe ferira o orgulho mortalmente há quatro meses, tirando Kenzie dele. Dominick desviou o olhar da vista deslumbrante para atender o interfone, sem disfarçar a irritação. — Sim? — A senhora Masters na linha, Dominick — informou Stella, secretária fiel, sem se incomodar com a impaciência demonstrada por ele. Então a mãe lhe havia telefonado? Dominick não sabia por que ela insistia em usar o sobrenome depois de já ter se casado, e se divorciado, duas vezes depois de ter se separado do pai de Dominick há trinta anos. — Diga-lhe que estou ocupado. — Eu disse — respondeu Stella de forma serena —, mas ela disse que é urgente. Ele suspirou. — Lembre-me de cortar o seu bônus de Natal este ano — resmungou ele, ouvindo a risada de Stella, para então atender a ligação. — Mamãe, seja lá o que tenha a me dizer, terá de ser rápida. Eu tenho... — Dominick. Tudo parou. Movimento. Respiração. Bastou ouvir o nome dele sendo pronunciado por aquela voz sexy e rouca para virar o mundo de cabeça para baixo. Ele já não via nem falava com Kenzie há quatro meses, e não tinha idéia da


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razão de ela estar ligando, embora a coincidência da proximidade da concretização da vingança não lhe tivesse passado despercebida... — Dominick? Não era a mãe, mas sim a mulher que até há pouco tempo ele chamara de esposa. Que ainda era a esposa, ainda que o tivesse deixado para ficar com outro. O homem que Dominick se deleitava em aniquilar. Dominick respirou fundo e estreitou os olhos escuros. — Kenzie — reconheceu ele bruscamente. Ela reconheceu imediatamente aquele tom frio e ameaçador. Chamara-o homem de gelo durante a discussão que precedera a separação. Na verdade, não houve discussão alguma, reconheceu ela, com tristeza, mas apenas um Dominick frio e a incredulidade diante das acusações dele. Kenzie agarrou o celular com força. Não queria ter ligado. Não queria ter sido ela a quebrar o silêncio, sabendo que o ódio de Dominick só poderia ter aumentado naqueles quatro meses. — Bem? — disse Dominick, já inquieto com o silêncio. O mesmo Dominick de sempre, pensou ela. Sempre impaciente, sempre em meio a alguma negociação, sem tempo para ouvi-la ou sequer tentar entendê-la. Kenzie afastou aqueles pensamentos da mente. Não adiantava pensar naquilo agora. Nada mudara. Nem ela, nem tampouco Dominick. Não sabia ao certo se ele estaria em Londres no momento em que ligou, mas podia imaginá-lo perfeitamente, sentado atrás da mesa com tampo de vidro, no escritório moderno e luxuoso. O prédio em que Dominick trabalhava fazia jus ao diversificado e multimilionário império que ele construíra. Alem de possuir a própria linha aérea, uma rede de televisão e um cassino no sul da França, ele também era dono de hotéis exclusivos em todas as capitais mais importantes do mundo. Sim, ela podia imaginá-lo agora, com aquele cabelo escuro um pouco longo, olhos castanhos que podiam ficar negros quando ele era tomado por forte emoção, nariz arrogante e lábios esculpidos sobre uma mandíbula quadrada e determinada. Os ombros largos, a cintura fina e as pernas muito longas deviam estar cobertos por um dos temos caríssimos que ele havia comprado na Itália e, nos pés, sapatos feitos à mão do mesmo país. A imagem fez o coração dela bater descompassado e as palmas das mãos ficarem úmidas... — Ou você me diz por que ligou ou desliga, Kenzie. Eu tenho muito trabalho


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a fazer. — E qual é a novidade nisso? — retrucou ela. — Bem? — insistiu ele, se recusando a reagir ao sarcasmo. Ouvir a voz de Kenzie outra vez, assim, de maneira inesperada, não era nada agradável. Não que houvesse alguma chance de ser diferente no que dizia respeito a ela. Nunca houve meio termo no que se referia às emoções por ela. Sentira um desejo voraz na primeira vez em que a vira e uma fúria gelada quando ela saiu da vida dele nos braços de outro homem. — Eu... Preciso conversar com você, Dominick. Ele fez uma careta. — Não acha que é um pouco tarde para isso? Eu já recebi os papéis do divórcio há um mês. Ele os havia recebido e guardado na gaveta, sem lhe dar nenhuma resposta. Talvez fosse esse o motivo daquele telefonema... Será que Kenzie estava com tanta pressa assim de desfazer legalmente o casamento, a ponto de se dispor a falar com ele pessoalmente para obter uma resposta positiva? Será que ela já estava fazendo planos para se casar outra vez? Jerome Carlton, naturalmente, o homem por quem ela o deixara e que, sem dúvida, estava disposto a lhe dar tudo o que ele não pôde dar. Dominick nunca deveria ter se casado com ela. Na verdade, jamais pensara em se casar antes de conhecê-la. Tendo testemunhado o desastre que fora o casamento dos pais e as subsequentes uniões de ambos, Dominick nunca acalentara o desejo de ter uma esposa, muito menos um filho. A infância fora um verdadeiro pesadelo, repleta de padrastos e madrastas que não duravam muito tempo... Há aproximadamente 14 meses, porém, ele conhecera Kenzie numa festa, em Londres, organizada a fim comemorar a abertura de mais um dos hotéis Masters. Bastou apenas um único olhar daquela linda modelo internacionalmente famosa para ele decidisse que a levaria para a cama. A beleza dela era deslumbrante e a sensualidade fazia com que o pulso dele acelerasse num piscar de olhos. Conhecida por ser avessa a casos efêmeros, ela fora um verdadeiro desafio para Dominick. a via.

Ele a convidou para jantar e ficava cada vez mais encantado a cada vez que


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À medida que a foi conhecendo melhor, e a desejando cada vez mais, a ponto de quase enlouquecer, ele também começou a compreender o motivo pelo qual ela se afastava de homens interessados apenas em sexo. Sob o estilo de vida glamouroso de Kenzie, como uma das modelos mais bem pagas do mundo, havia uma moça de uma pequena cidade na Inglaterra, onde os pais dela ainda viviam e onde Kenzie e as três irmãs haviam nascido e crescido. Toda aquela sofisticação que ela ostentava era apenas fachada. Ela acreditava e ansiava mesmo por uma história de amor na qual o casal fosse "feliz para sempre". Dominick ficou atordoado quando tentou fazer amor com ela e descobriu que a moça ainda era virgem e estava à espera do homem certo. Kenzie não tinha a menor intenção de ter um caso passageiro com ele, ou com qualquer outro homem. E ele não soube ao certo que loucura se apoderou dele quando ela lhe disse tal coisa. Talvez tivesse sido necessidade de possuir uma mulher tão diferente das outras mulheres daquele mundo de relacionamentos superficiais, necessidade de saber que nenhum outro homem jamais a havia tocado, nem tocaria. Tudo o que ele sabia era que o desejo ardente de que ela fosse só dele se intensificou a tal ponto que até mesmo os negócios sofreram diante daquela falta de concentração, algo que ele jamais permitira que acontecesse! Aquela situação não podia continuar. Só havia uma solução. Casamento... Por que não? Ele nunca seria estúpido a ponto de se apaixonar por alguém e correr o risco de passar por toda a dor e desilusão que os pais haviam imposto um ao outro durante anos. Já estava com 37 anos, pensara ele, então. Casar-se com uma mulher linda e bem-sucedida como a modelo internacional Kenzie Miller, assim como levá-la para a cama, podia ser considerado um ótimo negócio. O fato de ele não a amar e de estar determinado a jamais amar mulher alguma nunca fez parte dos cálculos, fato que ele só veio a lamentar profundamente nove meses depois, quando Kenzie o deixou por outro homem que, obviamente, podia lhe dar o que ela queria! Kenzie estava feliz por aquela conversa estar ocorrendo por telefone, aliviada pelo fato de Dominick não poder ver a palidez do rosto delicado, e a tensão nos olhos e boca só por conversar com ele outra vez. Bastou um único olhar para Dominick para que ela se apaixonasse. Ficou


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completamente atordoada quando ele retribuiu o interesse. Eles se tornaram inseparáveis nas semanas seguintes, antes de Dominick surpreendê-la e arrastála para Las Vegas no jatinho particular para se casar com ela. Kenzie ficou um pouco triste pelo fato de os pais e irmãs não terem podido comparecer ao casamento, e sabia que a família também ficaria decepcionada. Tinha certeza de que os pais esperavam que ela se casasse de véu e grinalda tal como as irmãs mais novas. Ela, porém, estava apaixonada por Dominick a ponto de desejar secretamente se tornar a esposa dele, de modo que deixou a tristeza para tr ás e realizou o sonho, passando duas semanas completamente a sós com o marido numa ilha caribenha de propriedade dele. Poucos meses depois do casamento, porém, ela percebeu que não conseguira realizar o sonho de ter o amor retribuído. Tudo o que ele sentia por ela era desejo. Considerava-a apenas mais uma propriedade e nada mais. Nenhuma dessas lembranças dolorosas, porém, ia ajudá-la nesta situação! — Eu não liguei para falar do divórcio, Dominick — disse ela com suavidade. — Não? — retrucou ele, contundente. — Já se passaram quatro meses, Kenzie. Ainda não conseguiu convencer Jerome Carlton a pedi-la em casamento? Ela se encolheu perante o sarcasmo e se perguntou como fora capaz de acreditar que aquele homem estava apaixonado por ela. Não queria, porém, começar a discutir sobre Jerome Carlton. Dominick tinha se recusado a acreditar na inocência dela, quatro meses atrás e, pelo tom de voz, ainda não mudara de idéia. — Eu ainda estou casada com você, Dominick — lembrou Kenzie. — Apenas legalmente — lembrou-a, lacônico. Assim que os papéis do divórcio fossem assinados e a separação legalizada, ela talvez pudesse levar a vida adiante, sem, no entanto, voltar a se casar. Mas como, se ainda amava Dominick? Tinha noção, no entanto, de que não era capaz de viver ao lado dele sabendo que ele não a amava com a mesma intensidade. — Preciso falar com você, Dominick, mas não posso fazê-lo por telefone... — Está sugerindo que nos encontremos? — perguntou ele, com escárnio. Kenzie suspirou. Seria muito doloroso rever Dominick e constatar que ele jamais a amara, e que nunca a amaria. Mas ela sabia que os motivos que o faziam relutar em encontrá-la eram


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bem diferentes. Ela representava o único fracasso da vida dele e, conforme sabia muito bem, o fracasso era algo que Dominick Masters se recusava a reconhecer. Kenzie, na verdade, passara os últimos quatro meses esperando por alguma retaliação por parte dele pelo fato de ter ousado deixá-lo! Quando nada aconteceu, ela chegou a pensar que a própria inatividade havia sido a vingança, uma vez que ele sabia muito bem que ela deveria estar apreensiva, e com certeza se deleitava com isso! — Preciso vê-lo... Para lhe pedir uma coisa — acrescentou ela com cuidado. Apesar de tudo, ela ansiava por vê-lo, mas não aquele homem frio e distante que vira na última vez em que se encontraram. — Preciso lhe pedir... um favor, Dominick? — concluiu ela, estremecendo ao admiti-lo. — A mim? — disse ele, sem disfarçar a surpresa. Podia se lembrar perfeitamente do dia em que Kenzie saiu da vida dele, garantindo que nunca mais lhe pediria coisa alguma. Com exceção do divórcio, naturalmente. — É muito descaramento seu achar que pode simplesmente reaparecer na minha vida depois de quatro meses e me pedir alguma coisa. — Dominick, por favor... — Por favor, você! — interrompeu ele, enérgico. — Você me deixou, Kenzie, foi direto para os braços de outro homem, e agora quer que eu lhe faça um favor? — Eu não o deixei por outro homem! — retrucou ela com veemência, sabendo que ele não acreditava, mas decidida a jamais deixar de reivindicar a própria inocência. — Não é o que me consta. — Você não sabe nada de mim, Dominick. — Ela suspirou. — Nunca soube. Após o primeiro choque, Dominick já estava seguro de que aquele telefonema havia sido apenas uma coincidência. Afinal, Kenzie não tinha a menor idéia de que ele estava prestes a desferir um golpe certeiro na cabe ça do tal amante. — O favor que eu quero lhe pedir não é para mim, Dominick. Bem... Não exatamente — acrescentou ela com impaciência. — Talvez sim — murmurou, pouco à vontade. — Talvez seja melhor você deixar que eu decida isso. Conte-me o que você... precisa de mim — disse ele, escolhendo a palavra a dedo — e eu lhe direi se estou disposto a ajudá-la.


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— Não por telefone — insistiu com determinação. — Eu preciso lhe explicar algumas coisas para ajudá-lo a entender melhor a situação... Dominick, você poderia almoçar comigo? Ele arqueou as sobrancelhas ao ouvir aquela sugestão. Falar com ela ao telefone era uma coisa, mas ficar novamente perto daquela beleza estonteante era outra, bem diferente. — Hoje? — Claro — disse Kenzie, já impaciente. — Sim, hoje — repetiu ela, num tom mais razoável. — Se for possível — acrescentou ainda de forma brusca. Dominick olhou para a agenda aberta à frente, embora já soubesse que não havia nada marcado para a hora do almoço. — Infelizmente não é — disse ele, ignorando completamente o espaço vazio —, mas vou jantar no Rimini, esta noite, às 20h. Importa-se de encontrar comigo lá? Kenzie estremeceu ao pensar em jantar com Dominick, àquela ou qualquer outra noite. Imaginara encontrá-lo num restaurante lotado na hora do almoço. Mas jantar num dos restaurantes exclusivos que eles freqüentaram juntos quando foram marido e mulher... — Será que eu não podia encontrá-lo num bar, antes de você ir jantar? — sugeriu ela. — Eu só vou lhe tomar alguns minutos e... — Está com medo Kenzie? — zombou Dominick. — De você? Era só o que me faltava! — retrucou ela, sabendo que aquilo não era inteiramente verdade. Embora não estivesse com medo do próprio Dominick, sabia que ele possuía dinheiro e poder para se vingar dela de uma forma terrível! — Só não vejo razões para estragar nossa noite dessa maneira. — Foi você quem pediu para se encontrar comigo — lembrou ele. — Sendo assim, creio que seja meu direito impor as condições para isso. Ou janta comigo, ou nada feito. Kenzie tinha mesmo imaginado que ele diria aquilo! — Então eu terei que concordar, não é? — disse ela, pensando que seria obrigada a passar horas, e não minutos, ao lado de Dominick. — Não fique tão entusiasmada, Kenzie — zombou. — Eu posso interpretar isso de maneira equivocada. — Eu não faria isso no seu lugar! Nada mudou. Eu só preciso falar com você — disse ela com firmeza. — Deve ser algo realmente muito importante, para você se dispor a me ver


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de novo — disse ele, se divertindo com a óbvia frustração de Kenzie. Ele já não sorria daquela maneira descontraída há meses. Quatro meses, aliás. Desde que Kenzie o deixara... O sorriso desapareceu com a mesma rapidez que havia surgido. Kenzie havia se separado dele alegando que Dominick era incapaz de sentir por ela o mesmo amor que ela lhe dedicava, e que depois de apenas nove meses de casada ela simplesmente não podia mais viver com ele. Aquilo, porém, não passou de uma mentira para encobrir o caso com Jerome Carlton. Dominick ficou completamente sério ao pensar naquele homem na vida de Kenzie, na cama dela. Sabia que, apesar de tudo o que dissera a respeito de amor, fidelidade e casamento, ela se envolvera com outro homem semanas antes do casamento realmente chegar ao amargo fim! A vingança que havia planejado visava somente Jerome Carlton, embora ele soubesse que a queda do rival acabaria por destruir Kenzie também. Agora, porém, Kenzie voltara por livre e espontânea vontade para a vida dele. Como uma mosca que se deixava enredar nas teias de uma aranha...

CAPÍTULO DOIS

Kenzie não tinha idéia do que estava fazendo num restaurante, esperando para jantar com Dominick Masters, o quase ex-marido. Ele estava atrasado. De propósito, Kenzie tinha certeza, só para deixá-la nervosa. Como se ela já não o estivesse! Dominick sabia muito bem que o assunto a ser tratado deveria ser muito sério, pois Kenzie chegara a ponto de ligar para ele. Sendo assim, ela certamente não iria embora antes que ele se dignasse a chegar. Ela sabia que estava atraindo os olhares dos outros fregueses. O rosto de Kenzie Miller era muito conhecido da época de passarela, e mais recentemente dos anúncios de tevê, outdoors e anúncios de promoções em


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lojas. Kenzie Miller, o rosto da Carlton Cosmetics, sentada sozinha por 15 minutos numa mesa para dois! Era evidente que havia levado um bolo! Decidiu ir embora se Dominick não aparecesse em três minutos, precisando dele ou não... Ele acabara de entrar no restaurante! Mesmo que não o tivesse visto, Kenzie saberia que havia chegado pelo arrepio que lhe percorreu a espinha e o calor dos seios que começaram a latejar, enquanto um fogo ainda mais ardente crescia na barriga. A atração por Dominick não desaparecera. Não que ela tivesse acreditado que isso fosse possível. O fato é que era muito angustiante ter de se confrontar mais uma vez com a evidência de tal fato. Ele estava lindo no terno escuro feito sob medida e camisa de seda branca. Ela imaginou o corpo musculoso esguio sob aquela roupa e observou o cabelos escuros balançarem à medida que ele movia a cabeça, se lembrando de como enterrava os dedos neles e... Dominick não estava nem sequer olhando na direção dela. Kenzie o viu caminhar de um jeito descontraído e se deter para falar com o maitre. Sentiu um frio na barriga ao se dar conta da enormidade daquilo que estava fazendo. Mas não havia outra alternativa. Ele se dirigiu à mesa dela, cumprimentando diversos conhecidos pelo caminho, aparentemente sem se dar conta da presença da ex, nem de que estava quase vinte minutos atrasado! — Espero não tê-la feito esperar — disse ele, frio, ao sentar-se em frente a ela, tão devastadoramente lindo como sempre. Tão lindo como ela o havia imaginado ao conversar por telefone. — Eu fiquei preso num compromisso — disse ele. Dominick, na verdade, a havia visto assim que entrara no restaurante, e ficara chocado ao perceber que o simples fato de olhar para ela ainda mexia com ele de uma forma muito intensa. A boca ficara seca, por isso ele se detivera para falar com o maitre e se recompor. Kenzie estava linda. Deslumbrante, com os cabelos longos e escuros soltos, o vestido justo, sem alças, revelando a pele sedosa dos ombros e o alto dos belos seios alvos. O vestido era do tom exato dos olhos cor de esmeralda. Olhos emoldurados pelos


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mais negros e longos cílios que Dominick já vira, e lábios cheios que continham a promessa de uma paixão que ele conhecera de maneira íntima. Mas Kenzie não era só bonita. Havia algo mais nela. Uma graça, uma sensualidade inata que era evidente até mesmo quando ela estava calada, como agora. A primeira vez em que a havia visto, sentira-se como se alguém tivesse lhe dado um soco no estômago. Hoje, sob circunstâncias totalmente diferentes, ele sentira exatamente a mesma coisa. Nada parecido, lógico, com a arrogância estampada no próprio rosto ao olhar para ela. — Você parece muito bem, Kenzie — disse-lhe com um ar distante enquanto agradecia ao garçom que servia o vinho. — Parece que arranjar um amante lhe fez muito bem — acrescentou ele com rispidez. — Sua imaginação hiperativa continua em ação, Dominick? — retrucou ela, jogando os cabelos para trás, se esforçando para ignorar o efeito que ele causava sobre ela, e encará-lo com firmeza. Ela se vestira com cuidado para o encontro, optando por manter os cabelos soltos, como ele gostava, e por usar um vestido bem justo que evidenciava a perfeição daquelas formas. Ia precisar de todas as armas para conseguir resistir ao desprezo que Dominick agora sentia por ela. Estava decidida a tirar proveito do belo rosto e corpo com que havia feito fortuna, nem que fosse para mostrar a Dominick o que ele perdera ao escolher deixá-la ir embora, em vez de sentar-se com ela e tentar resolver as diferenças. A frieza do olhar dele, percorrendo-a de cima a baixo, porém, não deixava transparecer nenhuma pena em função da perda! Tinha 27 anos e uma bem-sucedida carreira como modelo há oito, porém nunca fora capaz de resistir ao olhar frio e analítico de Dominick, que não deixava transparecer nenhuma emoção. Se é que ele possuía alguma. Tudo o que ele sentia por ela era desejo. Kenzie nunca vira o amor brilhar naqueles profundos olhos escuros, nem por ela, nem por ninguém. — Prefiro não imaginar nada que diga respeito a você e a Jerome Carlton — disse ele, bebendo um pouco mais de vinho. — Só estava constatando que o fim do nosso casamento não parece ter afetado sua beleza!


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— Vamos direto ao assunto — murmurou Kenzie, ressentida com o autocontrole do ex-marido. Se Dominick a tivesse visto há um mês, sentada horas a fio ao lado da cama do pai, no hospital, ele teria visto que ela nem sempre estava tão bonita. — Bem, se eu pudesse lhe explicar por que preciso falar com você... — Importa-se de eu fazer os pedidos antes disso? — interrompeu ele, com determinação, dando a entender, pelo tom de voz, que aquela não era uma pergunta, mas uma declaração. Dominick podia tê-la obrigado a se encontrar com ele naquele restaurante, mas isso não significava que ela realmente comeria algo. Vê-lo de novo e perceber que ainda o amava estava acabando com ela por dentro. Ela engoliu em seco. — Vá em frente. Eu prefiro não comer, se você não se importa — disse ela, fechando o cardápio. Dominick avaliou-a por alguns segundos, afinal sabia que Kenzie nunca fora uma dessas modelos que morriam de fome para se manter magras. Ele levou a mão ao queixo dela e o ergueu para olhá-la nos olhos. Nos últimos quatro meses, Kenzie havia se aperfeiçoado na arte de esconder as emoções, compreendeu ele, ao notar que ela resistia ao olhar dele. Foi então que ele notou algumas pequenas mudanças naquele rosto. Havia uma tensão nos olhos verdes, o rosto estava pálido sob a maquiagem, e a magreza, agora, parecia mais frágil. — O que aconteceu, Kenzie? — perguntou ele, pousando a mão novamente no colo. — Jerome Carlton também não está à altura das suas expectativas? Ela soltou um suspiro cansado. — Por que você nunca acredita quando eu digo que jamais me envolvi com Jerome? Porque ele sabia muito bem como aquele homem a perseguira há cinco meses, desesperado para fazer de Kenzie o "rosto" da nova linha de cosméticos. Dominick sabia que o abismo que havia se formado entre ele e Kenzie facilitara muito as coisas para que Jerome Carlton a seduzisse e a convencesse a fazer parte da vida dele, além de contratá-la para a empresa. Sabia disso porque o próprio Jerome havia se deleitado ao contar a ele! — Onde ele pensa que você está agora? Não jantando comigo, certamente — zombou ele.


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— Eu não vim aqui para falar sobre Jerome. Na verdade, já não o vejo há semanas. Meu pai esteve doente e... — Donald está doente? — repetiu Dominick, afastando o garçom que viera anotar os pedidos, interessado demais no que Kenzie dizia para pensar em comida. Especialmente a parte sobre não ver Jerome há semanas... Também queria saber mais a respeito de Donald. Ele só encontrara o pai de Kenzie três vezes durante o casamento, mas tinha gostado muito dele, além de ficar admirado com a •capacidade daquele homem de sobreviver num lar dominado pela esposa e quatro filhas. Kenzie engoliu em seco. — Ele já não vinha se sentindo bem há meses, até que no mês passado teve um infarto... — Por que você não me avisou? — perguntou Dominick de imediato. Kenzie olhou para ele, surpresa. Conforme aprendera com muito custo, Dominick não fazia o tipo "família". Vindo de uma família que se desfizera quando ele tinha apenas oito anos, poderia ter desfrutado da união da própria família, mas não o fez. Sempre manteve uma distância tanto física quanto emocional da família. E só uma distância emocional dela, lembrou Kenzie, cheia de mágoa. — E por que eu faria uma coisa dessas? Você nunca demonstrou qualquer interesse pela minha família quando éramos casados, por que se preocuparia com eles agora que somos divorciados? — Separados — corrigiu Dominick, áspero. — Eu ainda não assinei os papéis do divórcio. Era verdade, embora Kenzie não compreendesse o motivo. Havia achado que ele ficaria feliz em se ver livre dela e de um casamento que ele desejava que nunca tivesse acontecido. Mas o tempo passou e, até onde ela sabia, os papéis nunca foram assinados. Naquelas circunstâncias, isso poderia até ser uma coisa boa... Facilitava um pouco aquela conversa que estava para ter com ele... — Um mero detalhe técnico. Eu... Ela se deteve quando o garçom veio servir as ostras. Dominick sorriu para ele, grato pelo fato de ele ter compreendido que eles não iam jantar. Kenzie pareceu um pouco confusa. — E como estão seus pais? — perguntou ela, um pouco sem jeito.


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Dominick balançou a cabeça. Kenzie só os vira uma única vez, em separado. O pai dele havia flertado com ela e a mãe só queria saber que produtos ela usava para se manter tão bela. Kenzie lidara com tais reuniões oferecendo gargalhadas provocantes para o sogro, e um interesse acalorado para a sogra. Dominick ficara impressionado ao ver como ela conseguira lidar com eles. — A mesma coisa de sempre — respondeu ele. — Pare de tentar mudar de assunto, Kenzie. Fale-me sobre seu pai. Ela pegou um camarão e o colocou na boca antes de responder. Dominick se flagrou vidrado nos lábios cheios dela, lábios que ele beijara, lábios que o haviam beijado e o levado às alturas. Como ele ainda a desejava! E como desejava também que aquilo não fosse verdade! Ela passou a língua pelos lábios, com um olhar sombrio. — Ele teve um infarto — repetiu ela. Dominick imaginou o golpe que aquilo devia ter sido para as mulheres da família Miller — Nancy, esposa de Donald há trinta anos, Kathy a filha caçula, para Carly e Suzie, e para a filha mais velha, Kenzie. O pai era adorado por todas elas. Kenzie, a filha mais velha... Que ajuda ele poderia dar a ela? Kenzie era extremamente rica e teria recursos para dar o melhor tratamento médico disponível para o seu pai. Ela sabia que não podia mais adiar as coisas. Era melhor saber logo se ele a ajudaria ou não. Respirou fundo. — Minha irmã Kathy vai se casar no sábado. Quis cancelar o casamento até o meu pai melhorar, mas ele insistiu para que ela não mudasse os planos. Dominick franziu a testa. — E você quer que eu envie um presente de casamento para ela? — É claro que não — suspirou ela, impaciente. — Você certamente não quer que eu leve Kathy ao altar no lugar do pai? — zombou ele. — Você está sendo ridículo! — disse Kenzie exasperada. — O que eu quero, o que eu preciso... Isto não é nada fácil para mim, Dominick! — disse ela com os


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incríveis olhos verdes cheios de lágrimas. Dominick balançou a cabeça. — Temo não poder ajudá-la nisso — disse ele, áspero. Não, ela não podia negar, podia? Nos meses que haviam passado longe um do outro, Kenzie se deu conta de que Dominick não fora o único culpado pelo fim do casamento. Ele sempre fora completamente honesto a respeito dos sentimentos por ela. Jamais dissera que estava apaixonado ou que algo além do corpo dela o atraía. Foi só o seu ideal romântico de como o casamento deveria ser que a havia convencido do contrário. Até se ver confrontada com a dolorosa verdade de maneira irrevogável... Ela engoliu em seco. — O fato é que... Dominick, eu preciso que você venha ao casamento de Kathy comigo no sábado! — disse ela, esperando por uma reação. Dizer que ele estava atordoado seria um eufemismo, embora ele tivesse mascarado rapidamente a emoção, sem, no entanto, conseguir chegar a uma conclusão lógica. — Por quê? — perguntou ele apenas. Aquilo era tão típico dele. Direto ao ponto. Era melhor ela responder da mesma forma. — Porque eles esperam que você vá! — Por quê? — repetiu ele. — Porque... Porque eu não contei à minha família que nós nos separamos! — disse ela, apressada, com o rosto pálido outra vez. Dominick franziu a testa. A família de Kenzie não sabia que o casamento tinha chegado ao fim há quatro meses? Os jornais pareciam ainda não ter sabido do acontecido. O fato de ambos viajarem com freqüência e passar longos períodos longe um do outro provavelmente justificava isso. Que razão Kenzie poderia ter para não ter contado à família? Considerando que ela o deixara para ficar com outro homem, aquilo não fazia sentido algum. O pai dela havia tido o ataque cardíaco há um mês, de acordo com as palavras da própria Kenzie. Foi antes ou depois de ela ter lhe enviado os papéis do divórcio?


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Depois, supunha ele, caso contrário, ela certamente já teria contado a verdade à família, à esta altura. Kenzie não teve coragem de encarar a intensidade do olhar de Dominick, sabendo que tinha sido estupidez da parte dela não contar à família sobre a separação, na esperança de que aquilo não durasse para sempre. Ela simplesmente se recusava a acreditar que Dominick não retribuiria nem um pouco do amor que ela sentia por ele, e que quando estivesse distante dela, ele compreenderia o quanto realmente a amava. Esperava também que ele reconhecesse que as acusações de que ela estava envolvida com Jerome Carlton eram completamente falsas. Não fora tão difícil manter a família à parte daquilo. Ela havia passado quase um mês nos Estados Unidos depois de deixá-lo. Redirecionou o e-mail e ligava para eles sempre do celular, de modo que foi fácil ocultar a mudança de endereço. Nenhum dos integrantes da família perguntou por que Dominick não a acompanhou quando ela os visitou, pois sabiam que ele era um homem ocupado e que viajava constantemente a negócios. A explicação de que ele estava na Austrália quando o pai adoeceu foi aceita por todos. Dominick, porém, não recuou na decisão, apesar de não ter assinado os papéis do divórcio, de modo que ela não tinha outra escolha, a não ser aceitar que ele realmente nunca a amara. Decidiu, então, contar tudo à família, mas antes que pudesse fazê-lo, o pai sofrera o infarto. Os médicos acreditavam que, com o passar do tempo, e poupado de sofrer qualquer tipo de tensão indesejada, ele se recuperaria de maneira plena. O casamento da irmã seria no sábado, e a família ainda não tinha a menor idéia de que ela e Dominick não estavam mais juntos. Nada de tensões impróprias, haviam dito os médicos. Definitivamente, não era a hora de ele ficar sabendo que o casamento da filha mais velha culminara em divórcio! Portanto não tinha outra opção senão pedir a Dominick que concordasse em bancar o marido apenas por um dia. A pergunta agora era se ele aceitaria...


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CAPÍTULO TRÊS

— Por que você não contou a eles? — perguntou Dominick. Ele também não tinha gritado para quem quisesse ouvir o fracasso do casamento, porém achou que Kenzie ia ao menos comunicar o fato à família... Kenzie olhou para nele, mal conseguindo conter as lágrimas. — E pensar no quão idiota eu fui por achar que... Contar que o nosso casamento durou apenas nove meses? — acrescentou ela, balançando a cabeça, rindo de si. — Eu quis contar, mas todos estavam tão envolvidos nos preparativos para o casamento de Kathy! Depois Carly anunciou que estava esperando um bebê, seguida por Suzie, que também comunicou que estava grávida. E eu não podia simplesmente... — Kenzie... — Não se atreva! — disse ela, olhando para Dominick com uma expressão grave no rosto muito pálido. — Você deixou os seus sentimentos sobre "trazer crianças a este mundo" perfeitamente claros há cinco meses! Aquele assunto jamais havia vindo à tona durante o breve namoro, nem no início do casamento! Foi uma surpresa para Dominick quando, depois de oito meses de casados, Kenzie lhe disse que queria ter um filho com ele. Ela pareceu ter se afastado dele depois da recusa de sequer pensar no assunto, deixando, em pouco tempo, de ser a amante fogosa e a companheira risonha dos primeiros meses. Foi então que ela foi até ele e disse que decidira aceitar a oferta de Jerome Carlton de trabalhar exclusivamente para a Carlton Cosmetics, e que partiria para os Estados Unidos na semana seguinte. Foi nesse momento que Dominick provavelmente cometeu o maior erro, lhe dando um ultimato. Dissera-lhe que, se fosse embora, ela não precisaria mais voltar... Kenzie não só foi embora, como também contou com a companhia constante de Jerome Carlton quando o fez! A Carlton Cosmetics, como Dominick viera a saber, era uma empresa familiar. Jack Carlton havia se aposentado há vários anos, deixando o controle dos negócios na mão de Jerome, o filho mais velho. Havia também um irmão e uma irmã, Adrian e Caroline, que eram acionistas significativos. — Eu... Você compreende o meu problema, Dominick? — perguntou Kenzie, olhando-o com expressão ansiosa.


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— Oh, eu compreendo muito bem, Kenzie — admitiu ele, frio. — Não seria nada bom aparecer no casamento de sua irmã com o seu amante a reboque diante das atuais circunstâncias, não é? Kenzie percebeu que estava tremendo. — Isso nunca foi cogitado — disse ela sem alterar o tom de voz. — Eu pretendo contar tudo à minha família, Dominick, só não quero fazê-lo agora. Então... — Ela deu um suspiro profundo e olhou para ele de forma desafiadora: — Você vai ao casamento comigo no sábado, ou não? Se não for por outro motivo, ao menos vá pelo meu pai — acrescentou ela, persuasiva. — Isso é chantagem emocional, Kenzie! — respondeu ele ainda áspero. Provavelmente. Mas Kenzie não estava pensando em si. O único intuito era preservar a saúde do pai. Embora fosse óbvio que Dominick não visse as coisas dessa maneira! — Sei que estou lhe pedindo um grande favor. Eu realmente não o teria incomodado se não fosse uma coisa muito importante. Ficaria muito grata se fizesse isso por mim, Dominick. A expressão de Dominick ficou ainda mais fria. Os olhos estavam tão escuros que era impossível distinguir a íris do restante das nuanças dos olhos castanhos. — Corrija-me se eu estiver errado, Kenzie, mas está me parecendo que você está se oferecendo a mim numa espécie de sacrifício humano para me coagir a concordar em ser seu marido novamente por um dia. — É claro que não! — disse ela ofegante, olhando incrédula para ele. — Eu não quis dizer... Não foi isso o que eu quis dizer. De maneira alguma... Ah, não adianta! — disse ela, erguendo as mãos, frustrada. — Esqueça o que eu lhe pedi! Esqueça até mesmo o que eu lhe contei! Vou encontrar outra maneira de resolver o problema! — acrescentou, determinada. Dominick olhou para as belas e longas mãos de Kenzie. As mesmas mãos que já o haviam tocado e acariciado... Mãos que, ele sabia, vinham tocando e acariciando outro homem nos últimos cinco meses! Estava claro o motivo pelo qual Kenzie não via Jerome Carlton há semanas. Não podia arrastar o amante para visitar o pai no hospital se a família nem sequer sabia da existência dele! — O que você vai fazer, Kenzie? Dirá a todos que eu estou muito ocupado para ir ao casamento de Kathy? — zombou ele.


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Ela já tentara tal artifício na semana anterior. O pai tinha lhe garantido que Dominick voltaria da viagem de negócios à Austrália a tempo de presenciar o casamento de Kathy, lhe dizendo que ele provavelmente a surpreenderia, retornando de forma inesperada. Algo que, Kenzie sabia, Dominick não faria jamais. Ela balançou a cabeça com impaciência. — Eu já disse a eles que você está em Sydney, a negócios, mas meu pai tem certeza de que você fará um esforço para voltar a tempo de assistir o casamento de sua cunhada. — É muito bom saber que ao menos um integrante da família tem um pouco de fé em mim! A expressão no rosto de Dominick era indecifrável. Kenzie quis falar, mas se conteve. O que ela poderia dizer para não piorar ainda mais a situação? — Este não é o lugar adequado para termos essa conversa — disse Dominick, bebendo o restante do vinho, para então se levantar. — Vamos embora — disse ele, tomando o braço de Kenzie para ajudá-la a se levantar também. Ela se concentrou para não tremer quando ele a tocou, determinada a não deixar que ele percebesse o quanto ainda a afetava. Dominick manteve a mão sob o cotovelo dela enquanto eles caminhavam por entre as mesas, fazendo um meneio de cabeça para o maitre no caminho. Tinha uma conta naquele restaurante e incluiria uma boa gorjeta para ele quando recebesse a fatura no fim do mês. — Aonde estamos indo? — perguntou Kenzie, quando Dominick fez sinal para um táxi, muito ciente do leve toque da mão dele, agora nas costas dela. — Para o meu apartamento — respondeu ele de um jeito seco. Kenzie recusou-se a entrar no carro. — Seu... O apartamento onde você... Onde nós... — Vivemos depois de casados? — concluiu ele mantendo o tom frio. — É claro que é esse apartamento, Kenzie. Essa tem sido a minha casa na Inglaterra há mais de cinco anos. Por que eu iria me mudar? Kenzie aceitou os fatos, com pesar, e se acomodou no banco de trás do carro, bem longe dele, para que nem sequer as coxas dela pudessem tocá-lo por acidente. Dominick, conforme ela descobrira durante os nove meses de casamento, não gostava de mudanças. Nem tampouco gostava de se hospedar em hotéis, nem mesmo os de propriedade dele, por isso mantinha uma casa em cada um dos


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países onde tinha negócios. Kenzie achara que isso se devia à infância irregular, quando ele pulara de casa em casa depois do divórcio dos pais, sem ter, efetivamente, um lar. Ela não estava gostando nem um pouco de voltar ao apartamento em que vivera maritalmente com ele, no qual havia compartilhado tantos momentos íntimos, e onde também ocorrera a cena terrível da separação. Estava disposta, porém, a continuar aquela conversa até obter uma resposta definitiva. — Quer beber alguma coisa? — ofereceu ele, já no apartamento, com a garrafa de conhaque na mão. Talvez aquilo a ajudasse a se acalmar, pensou Kenzie. — Sim. Obrigada. Ele lhe serviu uma dose e preparou outra para si, mantendo os olhos fixos no movimento do pescoço de pele alva e macia ao tomar um gole da bebida. Reconheceu, então, o quanto sentira a falta dela nos últimos meses, e não apenas na cama. Muitas vezes sentira um profundo desejo de conversar com ela, de rir junto a ela. — Então — disse ele, com uma voz rouca, se esforçando para sufocar aqueles pensamentos — creio que estávamos discutindo que sacrifício você estaria disposta a fazer para me convencer a acompanhá-la ao casamento de Kathy... Kenzie estava prestes a degustar mais um gole de conhaque, mas engasgou diante da escandalosa observação de Dominick e começou a tossir. — Cuidado! — disse Dominick, dando tapinhas nas costas dela. Com excessivo entusiasmo, pensou Kenzie, certa de que ele não precisava pesar tanto a mão. — Você fez isso de propósito! — disse ela em tom feroz assim que conseguiu falar novamente, com as bochechas vermelhas e os olhos verdes brilhando de raiva. — Mais conhaque? -— ofereceu ele, provocativo, tirando o copo vazio da mão dela. — Não, obrigada. Isso tudo foi um grande erro. — Como você pode saber se eu ainda não lhe dei a minha resposta? — desafiou Dominick. Ela balançou a cabeça. — Você só está jogando comigo, Dominick. Está tendo um prazer perverso


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em me ver exasperada, quando na verdade já sabe que me dirá que não... — Eu não sei disso — interrompeu ele com suavidade. — E nem você. Kenzie suspirou, frustrada. — Não sei como pude acreditar que poderia apelar para o seu lado sensível... — Considerando que nós dois sabemos que eu não tenho um? — disse ele, com desdém. Aquilo não era verdade. Dominick tinha defeitos, mas ela nunca teria se apaixonado se ele hão tivesse um lado mais suave e encantador. Mas agora, outra vez ao lado dele, Kenzie compreendeu o quanto fora tola ao esperar que Dominick a quisesse de volta, ao acreditar que ela era a mulher por quem ele poderia se apaixonar, quando era óbvio que ele nunca havia amado ninguém. Ela fora uma ridícula idiota romântica. Não via aquele lado mais suave de Dominick desde o dia em que lhe dissera que aceitara a oferta da Carlton Cosmetics e avisou que passaria um mês nos Estados Unidos. Eles estavam passando por um período difícil no casamento e ela achou que aquele mês distantes um do outro lhes daria uma chance de refletir e talvez chegar a algum acordo quanto a filhos. Mas Dominick a acusou de ter um envolvimento, e não apenas comercial, com Jerome Carlton, se recusando a acreditar quando ela negou o fato. — Você não era tão sarcástico e ferino assim quando nós nos conhecemos, Dominick. — Talvez eu apenas estivesse sendo galanteador para conseguir levá-la para a cama — zombou. — Ou talvez seja esse o efeito que ó fato de ser trocado por outro exerça sobre um homem! Diga-me, Kenzie, ele é um bom amante? Melhor que eu? A simples idéia de Kenzie nos braços do belo e carismático Jerome Carlton fizera Dominick dizer e fazer coisas que ele normalmente não teria dito nem feito, mas já não havia como recuar. Para Dominick, o envio dos papéis do divórcio, três meses após a separação, apenas confirmara a intenção dela de se casar com outro. — Espero que ele tenha me achado um bom professor! — alfinetou Dominick de maneira áspera quando ela permaneceu em silêncio, ignorando o modo como o próprio rosto empalidecera diante daquelas palavras. Ele ainda não podia suportar o pensamento de que qualquer outro homem a


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tocasse e a acariciasse como ele gostava de fazer. Virou-se então, abruptamente, se recriminando. Será que ele havia enlouquecido? Será que ver Kenzie outra vez o levara à beira do precipício que ele vinha tentando evitar nos últimos quatro meses, ao maquinar a vingança? — Ouça, Dominick. Eu não posso fazer nada além de lhe assegurar que Jerome e eu nunca fomos amantes, nem quando eu e você éramos casados, nem depois. Você está enganado a respeito do tipo de relação que eu tenho com ele! Argumentos que eram pura perda de tempo, uma vez que o amante não hesitara em reconhecer o envolvimento com ela! Era tarde demais para aquilo. Não havia mais retorno desde que Kenzie correspondera à sedução de Jerome Carlton. Como Kenzie não havia tido nenhuma relação sexual com outro homem antes do casamento, Dominick supôs que fidelidade seria o mínimo a se esperar dela. Saber do caso com Jerome Carlton a transformara, aos olhos de Dominick, numa mulher tão pouco digna de confiança como qualquer outra, inclusive a própria mãe. — Acho melhor eu ir embora — disse Kenzie — antes que nos insultemos ainda mais! Ele sabia que eles estavam ferindo um ao outro de forma deliberada. Tentou então relaxar a tensão nos próprios ombros e se virou para encará-la. — A que horas é o casamento de Kathy, no sábado? — perguntou ele de repente. Kenzie arregalou os olhos. — Por que você quer saber? — perguntou ela receosa. Dominick sorriu com ar zombeteiro. — Não vai adiantar nada se eu chegar atrasado, não é? Quer dizer então que ele a ajudaria? Kenzie engoliu em seco. — Se você estiver realmente disposto... Bem, meus pais estarão esperando por nós para um jantar de família, na sexta-feira — disse ela, franzindo a testa. — Você me disse que queria que eu a acompanhasse à cerimônia de casamento. Suponho que queira que eu fique para a recepção também. Não acha que me pedir para ir ao jantar de sexta à noite também já um pouco demais? — provocou ele. Ela fez uma careta. — É pior do que isso. Meus pais nos convidaram para dormir lá de sexta


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para sábado. O que, ela sabia, seria um grande problema, caso Dominick concordasse, mas não a ponto de ser insuperável. Havia camas duplas em todos os quartos de hóspedes da casa dos pais de Kenzie, de modo que eles não precisariam compartilhar a mesma cama, apenas o quarto. Embora o frio controle de Dominick e a reação de Kenzie ao simples toque dele provassem que ela corria mais risco de achar aquela proximidade opressora... Dominick ficou olhando para ela com intensidade durante algum tempo, admirando os cabelos sedosos, o belo rosto, atraído de maneira irresistível pelas profundezas daqueles incríveis olhos cor de esmeralda. Olhos dissimulados, pensou ele, ao se lembrar de como ela continuava negando o envolvimento com Jerome. Agora, porém, ela estava lá, por vontade própria, se colocando, ainda que inconscientemente, ao dispor dele... — Não vejo problema algum em passar a noite lá, Kenzie — disse ele com desdém. — Não? — perguntou ela, pensativa. — De jeito nenhum. Nós já compartilhamos uma cama por nove meses. Estou seguro de que podemos compartilhar um quarto outra vez por uma única noite. Certa de que teria de se estender mais sobre o assunto para convencê-lo a fazer o que estava lhe pedindo, Kenzie ficou atordoada com a própria aquiescência repentina. — Eu... Está bem — disse ela, só então se dando conta de que ele concordara em acompanhá-la ao casamento porque desejava algo em troca. Mas ela teria tempo de sobra para pensar no assunto depois! O que importava agora era o bem-estar e a paz de espírito do pai. — Eles estarão nos esperando em Worcestershire por volta das 19h. — Nós vamos no meu carro. Podemos sair daqui às 16h? — Perfeito — disse ela, franzindo a testa, e incapaz de ler qualquer um dos pensamentos de Dominick por trás daquela expressão indecifrável. — Meu endereço em Londres é... — Eu tenho seu endereço, Kenzie — interrompeu ele. Como ele sabia do apartamento que ela havia comprado ao voltar dos Estados Unidos? — Estava no envelope em que vieram os papéis do divórcio — lembrou ele,


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com severidade. — Agora, se não se importa, eu já perdi muito tempo com esse assunto hoje. Ainda tenho algum trabalho a fazer. — É claro que você tem — disse ela com um sorriso triste, se virando para ir embora. — Ah, Kenzie... — disse ele, detendo-a depois de vê-la dar apenas dois passos. Ela se voltou, receosa. — Sim...? Ele sorriu, malicioso. — Depois lhe direi o que quero em troca pela ajuda que estou lhe dando. Kenzie empalideceu. — Você vai querer algo em troca...? — repetiu ela com cuidado. — Naturalmente — respondeu Dominick. — Você não achou mesmo que eu ia fazer isso tudo a troco de nada, não é? Ela, na verdade, não havia pensado em outra coisa, a não ser em fazer com que ele concordasse em ir ao casamento, no sábado! Dominick balançou a cabeça. — Você continua a mesma ingênua de sempre, Kenzie — zombou ele. — Eu vou pensar no assunto nos próximos dias e lhe comunicarei minha decisão. E até lá, ela teria de se dar por satisfeita, pensou Kenzie com resignação ao se encaminhar para o elevador. Sabia que o pagamento que Dominick exigiria seria algo que ela não estava disposta a dar. Ou pior, algo que ela queria dar, mas que a deixaria vulnerável e exposta a todo o tipo de sofrimento caso o fizesse!

CAPÍTULO QUATRO

— Anime-se, Kenzie — disse Dominick ao estacionar a Ferrari preta atrás do Mercedes do pai dela. — Sorria, pelo amor de Deus! — acrescentou ele, impaciente. Em vez de parecer feliz por estar em casa para o casamento da irmã, Kenzie parecia uma condenada levada à forca. — Meus esforços para tentar


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convencer sua família de que continuamos alegremente casados não vão adiantar se você continuar com essa cara! Deus era testemunha de que aquilo estava sendo muito mais difícil para Dominick do que ele havia imaginado. Conseguira ver com certo desprendimento as diversas fotografias de Kenzie nas revistas e outdoors da cidade, mas nelas ela estava sempre muito produzida e parecia intocável. Ele havia se esquecido de como ela ficava sexy com o cabelo solto, usando o mínimo de maquiagem. Estava usando uma camiseta branca justa e um jeans surrado, bem abaixo dos belos quadris que lhe conferiam uma sensualidade à qual ele não conseguiu ficar imune naquelas duas horas de viagem! Não quis que ela percebesse o quanto ainda mexia com ele, por isso falou somente o necessário durante todo o trajeto. — Sinto muito. Eu estava com o pensamento longe — percebendo pela expressão de Dominick que ele não gostara nem um pouco de saber daquilo. Com certeza ele havia imaginado que ela estava pensando no suposto amante e no quanto estava ávida para que aquele fim de semana acabasse para poder voltar para os braços dele! A verdade, porém, era que ela estava pensando apenas em Dominick, e no quanto aquela proximidade mexia com os sentidos dela. Dominick certamente se divertiria muito se soubesse o quanto a proximidade nas últimas duas horas a perturbara. Ele ficava muito mais sensual e acessível com aquela camiseta preta e jeans do que nos ternos formais que usava para trabalhar. Ela também não conseguira parar de imaginar o que ele exigiria em troca do favor, e quando o faria. Dominick olhou para Kenzie uma última vez, com impaciência. Tirou então as malas do carro e abriu a porta para ela. — Dominick...? — disse ela, pousando a mão no braço dele para detê-lo. Ele olhou para a mão dela de maneira sugestiva. — O que foi? Ela sorriu pesarosa, afastando a mão, ciente do leve latejar na palma por conta daquele breve contato. — Você tem razão, nós não estamos parecendo exatamente um casal feliz! Dominick passou a mão pelo cabelo, impaciente. — Não estou bem certo se sei como é a aparência de um casal feliz!


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Kenzie franziu a testa. — Talvez se você conseguisse pensar num passado recente... — Um passado recente... — repetiu ele com um olhar cheio de segundas intenções. Kenzie arregalou os olhos ao ver aquela expressão no rosto dele e deu um passo para trás. — Dominick... Ela não foi muito longe antes de ele segurá-la com firmeza pelos braços e puxá-la para junto de si, deixando-a ciente de cada músculo firme do corpo másculo, baixando a cabeça para colar os lábios ao dela e beijá-la. De forma intensa. Impetuosa! Aquela era a última coisa que Kenzie esperava que ele fizesse depois do silêncio que imperou durante toda a viagem. Surpresa, ela não conseguiu fazer outra coisa que não agarrar os ombros largos dele e entreabrir os lábios para recebê-lo. Quando, por fim, ele se afastou, havia um brilho de triunfo nos olhos castanhos. — Melhor? — provocou ele. Muito melhor. Até demais. Ela não gostou nem um pouco daquele olhar de vitória e se afastou depois de se desvencilhar dele. —Acho que não havia necessidade de você chegar a esse ponto... — Ah, os casamentos sempre têm este efeito sobre mim também! — disse o pai de Kenzie, alegremente, se aproximando deles. — Discutiremos isso mais tarde — sussurrou Kenzie. — Talvez — murmurou Dominick, passando o braço sobre os ombros de Kenzie quando eles se viraram para cumprimentar Donald. Começou a farsa, pensou Kenzie, angustiada... Riu, então, ao saudar o seu pai, aproveitando para ficar fora do alcance de Dominick. Ele ficou em silêncio, observando pai e filha se abraçarem, notando uma fragilidade pouco comum em Donald Miller. A cor da pele deixava claro que ele não estava bem de saúde, e as roupas um pouco folgadas eram o indício de que ele perdera peso.


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O aperto de mão, porém, continuava firme, notou Dominick, quando ele o cumprimentou, e os olhos verdes também continuavam calorosos e acolhedores. — É muito bom vê-lo outra vez, Dominick — disse Donald com um prazer genuíno. — Sinto que os meus compromissos de trabalho tenham me impedido de vê-lo antes, senhor — respondeu ele com formalidade. agora!

Nunca fora muito íntimo da família de Kenzie, e não pretendia mudar isso

— Oh, sabemos como você é ocupado. Além do mais, eu estou muito bem agora. Vamos entrar. Nancy vai adorar vê-los. A família de Kenzie era bem diferente da dele, pensou Dominick. Embora estivessem casados há mais de trinta anos, era evidente que os pais dela ainda eram profundamente apaixonados um pelo outro, e que amavam as quatro filhas com a mesma intensidade. O abraço apertado que Nancy lhe dera, realmente feliz por encontrá-lo, contrastava em muito com a rigidez e suspeita com que Dominick recebia os próprios pais. O calor com que os Miller o receberam não o deixou muito à vontade com a decisão de tirar proveito do dilema de Kenzie e de se vingar dela por tê-lo traído. Kathy, Carly e Suzie, as duas últimas em diferentes estágios de gravidez, abraçaram-no alegremente. Colin e Neil, os cunhados de Kenzie, ainda não haviam voltado do trabalho. Todas as quatro irmãs tinham o mesmo cabelo escuro, os mesmos belos olhos verdes. Nancy deu início a uma conversa sobre os vestidos que elas usariam no casamento. — Acho que essa é a nossa deixa para bater em retirada — disse Donald. — Dominick e eu vamos levar o cachorro para dar uma volta — disse ele, erguendo a voz para poder ser ouvido em meio ao alvoroço das mulheres. Nancy virou para ele com um olhar perspicaz. — Nós não temos cachorro, Donald, e você sabe perfeitamente que não pode ir ao bar, se é para lá que está querendo ir sorrateiramente. — Eu não estou fazendo nada sorrateiramente — provocou ele —, e posso muito bem ir ao bar. Só não posso é tomar a minha cerveja como gostaria enquanto estiver lá! — Bem, tenho certeza de que Dominick não está nem um pouco interessado em ir ao bar, está Dominick? — perguntou ela, inquisidora.


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Ele não queria ir ao bar, nem ficar a sós com o pai de Kenzie, mas também não queria ficar ali, observando-a no aconchego da família tão unida. Kenzie havia lhe pedido um favor e, em troca, ela teria de lhe dar exatamente o que ele queria. Entrar na intimidade da família dela não fazia parte do trato. Kenzie fitou-o, percebendo a patente falta de entusiasmo em entabular uma conversa do tipo pai e filho. — Talvez seja melhor nós levarmos as nossas coisas lá para cima antes e nos refrescarmos um pouco — disse ela, dando o braço a Dominick. — Vocês podem "levar o cachorro para passear" daqui a meia hora, não é papai? — Até daqui a uma hora, contanto que eu possa escapar um pouco dessa conversa sobre casamento! — disse o pai, sorrindo. Kenzie pôde sentir a tensão de Dominick ao subir a escada com ele. Sabia que ele sempre tivera dificuldade para lidar com a afetuosidade da família dela e que não queria tomar parte naquilo. — Sinto muito por isso — disse ela, sentando numa das camas duplas do quarto onde ela e Dominick passariam a noite. — Acha que vai conseguir agüentar por todo o fim de semana? — perguntou ela, franzindo a testa. — Acho que vou sobreviver — disse ele, enfiando as mãos nos bolsos, andando impaciente pelo quarto. — Qual é o prognóstico do seu pai? — As perspectivas são boas — disse Kenzie, baixando os olhos. — Acho que foi mais um susto. — Olhou então para ele. — Os médicos dizem que foi um aviso para que ele diminuísse o ritmo de trabalho, mas que poderá voltar para a imobiliária daqui a uns dois meses. Minha mãe, porém, quer que ele venda o negócio e se aposente — acrescentou ela, com certo pesar, ciente de que estava falando demais por causa do nervosismo por estar sozinha com Dominick. Sabia muito bem que ele não estava interessado em nada daquilo. Dominick assentiu. — E? Ela deu de ombros. — Ele diz que ainda não chegou aos sessenta e não ganhou dinheiro suficiente para se aposentar. Só que eles não querem aceitar minha ajuda — acrescentou ela com um suspiro. Ele podia compreender isso, mas... Droga! Não tinha nenhuma intenção de se deixar tragar por aquela família acolhedora e amorosa!


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Aquilo ia contra todos os princípios de contenção que havia adotado assim que conseguira escapar da influência dos pais, há vinte anos. Apesar de ter conseguido ingressar na faculdade, preferiu ir trabalhar num hotel, como carregador, chegando à gerência aos 23 anos. Gastara então todas as economias para comprar o hotel e transformá-lo num negócio rentável. Aquilo havia sido apenas o começo. Hoje ele possuía hotéis e apartamentos no mundo todo, entre outras coisas. E daqui a pouco, quando o plano acalentado durante quatro meses se concluísse, ele pretenda possuir também uma companhia de cosméticos... Havia conquistado tudo o que tinha porque nunca permitira que as emoções o influenciassem. Até conhecer e se casar com Kenzie... Uma rachadura na armadura. Rachadura esta, porém, que ele controlara com perfeição, transformandoa em esposa, até ela começar a questioná-lo, querendo saber por que nunca lhe dizia que a amava. Até ela começar a dizer que queria ter um filho com ele. Ela insistira que o filho deles não sofreria da mesma forma que ele havia sofrido na infância. Dominick, porém, permanecera irredutível, causando profunda tristeza a Kenzie. As coisas ficaram tensas entre eles. O sexo já não era mais tão prazeroso como antes e uma barreira começou a se erguer. Mas foi quando Jerome Carlton começou a insistir para que ela aceitasse se transformar no rosto da campanha do novo produto da Carlton Cosmetics que a distância entre eles realmente aumentou. Dominick só teve ciência do tamanho dessa distância algumas semanas depois, quando falou pessoalmente com Jerome Carlton. Mas então já era tarde demais. Kenzie já havia feito uma escolha e não fora ele, nem o casamento. Ela aceitara o contraio e a oferta de Jerome de ocupar um lugar especial na vida dele também! Kenzie suspirou, despertando Dominick dos devaneios. — O banheiro é ali — disse ela, apontando para uma porta contígua. — Leve o tempo que quiser. Se preferir, nem precisa descer mais. Tenho certeza de que a minha família vai entender que você estava muito cansado depois de trabalhar o dia inteiro e ainda guiar até aqui. — Eu só tenho 38 anos, Kenzie, não 88 — disse ele, impaciente. — Lembrome perfeitamente de ter sido capaz de trabalhar normalmente de manhã depois


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de uma de nossas verdadeiras maratonas sexuais — provocou. Kenzie se deteve na porta com uma expressão de dor. — Esta é a diferença entre nós, Dominick — disse ela com tristeza. — Eu achava que nós estávamos fazendo amor, e não participando de uma "maratona sexual"! Ele torceu a boca. — Você sempre gostou de ver as coisas através de lentes cor-de-rosa! — Ao passo que você — murmurou ela — sempre usou óculos de proteção para não enxergar nada mais do que o que estivesse exatamente à sua frente, tendo, por isso, uma visão bem estreita do mundo! Depois fechou a porta com suavidade e foi embora, sabendo que não havia mais a ser dito, e que não conseguiria convencer Dominick a nada daquela maneira. Nunca tinha conseguido. Desceu então as escadas com pressa, contendo as lágrimas, em busca do aconchego da família. Dominick ficou olhando para a porta com escárnio. Amor! Isso era para pessoas como Kenzie, não como ele, que fora destituído de toda e qualquer noção de amor pelas infidelidades cometidas pelos próprios pais quando ele ainda era criança. Simplesmente não acreditava que houvesse algum amor que pudesse durar para sempre. O casamento de Nancy e Donald era uma exceção. Dominick havia aprendido muito cedo a não confiar no amor. Aquele era um sentimento que transformava as pessoas em verdadeiros tolos e ele não tinha a menor intenção de engrossar a lista!

CAPÍTULO CINCO

— Sobre o que foi que você e papai conversaram enquanto estiveram fora? — perguntou Kenzie, curiosa, ao voltar do banheiro, depois de se preparar para dormir.


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Os dois haviam desaparecido por quase uma hora depois que Dominick desceu, e Kenzie não conseguiu conter a ansiedade. Ficou tentando imaginar o que dois homens tão diferentes podiam ter encontrado para conversar por tanto tempo. O olhar de preocupação lhe rendera uma boa provocação por parte das irmãs, que haviam concluído que ela estava com saudade de Dominick. A família não fazia idéia disso, mas ela já havia se acostumado a sentir a falta de Dominick nos últimos quatro meses. Jamais aceitara a separação, mas sabia, também, que não adiantava se acabar por algo que nem ela, nem o próprio amor poderiam mudar. Por isso aceitou a provocação das irmãs com um sorriso, e relaxou, aliviada, quando Colin e Neil chegaram, seguidos por Donald e Dominick. Os nove, então; Kathy, o noivo de Derek, havia sido proibido de ver a noiva antes do casamento. Sentaram-se à mesa para comer a refeição que as mulheres prepararam durante a ausência dos homens. Aquela era a primeira oportunidade de Kenzie, naquela noite, para falar em particular com Dominick. Estava precisando conversar e desanuviar a estranheza que sentia por voltar ao quarto usando apenas um pijama de seda cor de pêssego. Dominick estava esparramado em uma das camas, ainda completamente vestido. Ele ergueu a cabeça do travesseiro para olhar para ela. — Muito sexy — murmurou, avaliando-a de cima a baixo. — Pelo que me lembro, você costumava dormir nua. Desde quando você usa essas coisas pouco atraentes para dormir? Os olhos dela brilharam de raiva. — Desde que eu soube que teria que passar a noite no mesmo quarto que meu ex-marido! Ela sempre dormira nua durante o casamento porque não fazia o menor sentido vestir alguma coisa. Dominick sempre arrancava tudo assim que se deitava com ela. — Quase ex-marido — corrigiu Dominick de maneira severa, se endireitando para olhá-la melhor. — Eu ainda não decidi assinar os papéis — acrescentou ele, revendo a impressão inicial sobre o pijama dela, depois de perceber a maneira como o tecido sedoso caía sobre os belos seios de Kenzie. Notou que os mamilos dela enrijeceram sob o olhar dele. De excitação. Quer dizer que ela hão era tão imune a ele como o queria fazer acreditar... Kenzie evitou encará-lo.


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— Você não respondeu à minha pergunta. Sobre o que você e meu pai conversaram? — insistiu, determinada a não enveredar por uma conversa que poderia acabar em discussão. Ele deu de ombros, sentando-se devagar. — Nada muito importante — disse ele, despindo-a com os olhos. Exceto a alegria de Donald em saber que em dois dias todas as filhas estariam alegremente casadas. Aquilo o fez compreender por que Kenzie não tinha conseguido contar a verdade ao pai. — Você também nunca me disse como Jerome Carlton é na cama. Dominick ainda odiava a idéia de ter outra pessoa ouvindo os gritos de Kenzie quando ela atingia os píncaros do prazer. Ela o observou por vários segundos, se perguntando se ele realmente se importava por ela ter ou não um amante, e se tinha sido o ciúme que o fizera arrancá-la da própria vida de forma tão definitiva. Mas o brilho nos olhos escuros dele e a tensão na mandíbula indicavam mais uma raiva fria do que o ciúme pelo qual ela ansiara. Ela ergueu o queixo em desafio. — Uma dama não revela o que acontece entre quatro paredes. Dominick, o que você está fazendo? — perguntou Kenzie incrédula quando ele saltou da cama e a agarrou pelos braços. — Solte-me! — disse ela com impaciência. — Você não se importa se eu e Jerome fomos amantes? — Ah, não — disse ele entre os dentes. Ela balançou a cabeça. — Você teria que me amar para se importar com isso, Dominick! dela.

Ele parou de repente, sem soltá-la, com o rosto a poucos centímetros do

— Talvez eu só esteja pensando no que os seus pais achariam se soubessem onde é que a pequena Kenzie tem dormido ultimamente. — Achei que o que estávamos discutindo não tinha nada a ver com dormir! — Sua... — disse ele, soltando-a com rudeza e respirando fundo, sem deixar de encará-la. Kenzie era alta e normalmente ficava de igual para igual com a maioria dos homens, mas Dominick sempre fora uns dez centímetros mais alto que ela. Aquela altura toda, acrescida da poderosa largura dos ombros, foi ficando cada vez mais evidente à medida que ele ia tentando recuperar o controle sobre a raiva que ela havia deliberadamente incitado nele.


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— Mas você não se importa, Dominick — zombou ela com frieza, determinada a confrontar o brilho furioso dos olhos dele. — Você nunca se importou porque não acredita no amor, lembra-se? Não, ele não acreditava no amor, reconheceu, mas também não tinha a menor idéia do que estava sentindo por Kenzie no momento. Ele não tivera nenhuma outra mulher desde que se separara. Todo o desejo havia desaparecido por completo desde então. Até o momento em que ele a viu na quarta-feira à noite, quando não conseguiu pensar em mais nada além de sexo. Apenas com Kenzie. Mas não aqui. E não agora. Tudo aconteceria de acordo com os termos que ele estabelecesse e para o próprio prazer. — Eu não acredito no amor — disse ele, deixando as mãos caírem ao lado do corpo ao soltá-la. — Vou usar o banheiro agora. Já vou avisando que não me preparei para dormir com a minha ex-esposa, portanto se não quiser chocar essa sua mente romântica, acho melhor você adormecer antes de eu voltar! — disse ele, para então bater a porta com força. Kenzie ficou olhando para a porta fechada, tentando conter as lágrimas que ameaçavam cair. Sabia que não havia nenhuma esperança para ela e Dominick. Tudo o que existia era raiva e mal-entendidos da parte dele, e amor, ainda, da parte dela... — Pelo amor de Deus, se ajeite de uma vez e durma — reclamou Dominick em meio à escuridão do quarto. Kenzie se deteve na cama ao lado. — Sinto muito. Não sabia que você estava acordado — murmurou ela, que não tivera a menor idéia de que ele havia acompanhado os movimentos inquietos da última hora. Ele soltou um suspiro pesado. — Você pode achar que eu não tenho coração, Kenzie, mas posso lhe garantir que não há absolutamente nada de errado com a minha memória! O que ele estava querendo dizer? Que ainda pensava nela com Jerome Carlton? Ou talvez outra coisa...? — Eu não consigo dormir — disse ela, suspirando. — Isso me parece óbvio! O pior é que agora eu também não! — Sinto muito — sussurrou ela outra vez.


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Dominick afastou o edredom e sentou-se na cama, balançando as pernas. Podia ver apenas o rosto pálido de Kenzie sob a luz do luar que entrava pela janela e a nuvem escura dos cabelos espalhados sobre o travesseiro. — Quer que eu vá para aí? — provocou ele. Não, é claro que não! Ou será que ela...? Não havia dúvidas de que ela estava o tempo todo ciente da proximidade dele, e isso desde quando ele ligara para o apartamento dela, naquela tarde. Compartilhar um quarto com ele, mesmo que em camas separadas, era uma tortura absoluta para os sentidos. Kenzie não tinha imaginado que as coisas seriam assim. Sim, ela ainda amava Dominick e o achava muito atraente, mas pensara que a total falta de confiança e de amor por ela tivessem acabado junto a todo e qualquer desejo sexual que ela ainda pudesse sentir por ele. No entanto, passara a última hora completamente atenta a tudo o que acontecia na cama ao lado: o som da respiração de Dominick, o cheiro de loção após-barba e o calor do corpo. — Não, é claro que eu não quero que você venha para cá — respondeu ela, sem convicção. — Tem certeza? Kenzie se irritou com o tom zombeteiro da voz dele. — É claro que sim! — Você não pareceu muito segura — disse Dominick. — Eu não vou negar que esta situação é... difícil — disse ela em voz baixa. — Quão difícil? — desafiou ele, se levantando e expondo a nudez sob a luz tênue do luar. Kenzie perdeu o fôlego e arregalou os olhos ao vê-lo. Aquela não era uma boa idéia... — Olhe, Dominick — disse ela com rapidez. — Eu sei que nós poderíamos facilmente fazer amor aqui, agora mesmo... — Poderíamos? — provocou ele. — Sim... As estatísticas provam que a maioria dos casais que se separam faz sexo ainda ao menos uma vez depois da separação, antes de efetivar o divórcio. Normalmente é uma decepção para ambas as partes e só faz reafirmar a decisão... — Eu não estou interessado em estatísticas, Kenzie — respondeu ele com


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impaciência. — Você nunca me decepcionou na cama, assim como tenho certeza de que nem eu a você. — Lá vem você falando de sexo outra vez, Dominick — interrompeu, frustrada. Ele balançou a cabeça e sentou-se na borda da cama dela. — Conversar nunca resolveu muita coisa entre nós — reconheceu ele com pesar, levando uma das mãos até o rosto dela. — A verdade é que eu preferiria lhe mostrar do que você abriu mão há quatro meses, em vez de conversar sobre isso! Depois baixou a cabeça e se apossou da boca de Kenzie. Ela lutou com desespero contra o desejo que cresceu rapidamente dentro de si, empurrando o peito nu e afastando a boca de Dominick. — Não... — Sim, Kenzie! — insistiu, áspero. — Nenhum de nós vai conseguir relaxar até darmos vazão a isso! — Mas isso não vai resolver nada... — Provará que você ainda me quer! Porque você ainda me quer, não é, Kenzie? — provocou ele, deslizando os dedos pelo pescoço dela até chegar à concavidade da garganta. Kenzie não conseguiu esconder o tremor. — Você só está querendo me punir, Dominick. Se vingar de mim porque eu ousei deixá-lo... — Oh, não, Kenzie. Garanto que um breve momento na casa dos seus pais não vai ser vingança suficiente para isso. Mas um adiantamento não seria nada mau. Afinal, você está em dívida comigo, lembra-se? Kenzie não só se lembrava, como também acabara de compreender exatamente o que ele ia querer como "pagamento" por aquele fim de semana! — Dominick... —Agora não, Kenzie — disse ele, tomando um dos seios dela em uma das mãos e acariciando o mamilo enrijecido com o polegar enquanto baixava a cabeça para beijá-la de novo. Kenzie foi tomada pelo calor. Quis impedi-lo de prosseguir, mas o corpo a traiu. Ela se derreteu toda, sentindo um imenso prazer em ter os lábios de Dominick junto aos dela mais uma vez, e acabou enterrando os dedos nos cabelos dele, retribuindo o beijo.


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As mãos dele correram inquietas pelas costas de Kenzie, moldando o corpo dela ao dele e esmagando os seios contra a firmeza do próprio peito, enquanto continuava a beijá-la com avidez. Kenzie gemeu quando Dominick se afastou para deslizar a mão pelo decote do pijama, encontrando o seio nu, enquanto a outra abria o restante dos botões. Ela sentiu o ar frio da noite sobre a pele exposta quando Dominick finalmente tirou a peça e tomou um dos seios na boca. Kenzie arqueou o corpo de prazer enquanto ele brincava com um dos mamilos rijos sob calor dos lábios, e acariciava o outro com a ponta do polegar. Podia sentir a ereção dele contra as coxas e também um incontrolável desejo crescendo entre elas. Ela agarrou os cabelos dele com mais força, puxando-o para ainda mais perto, quando ele começou a usar a língua, traçando círculos em torno do mamilo e provocando-o antes de tomá-lo na boca e começar a sugá-lo num ritmo. Completamente tomada de desejo ela fechou a mão em torno dele, deleitada em senti-lo pulsar de modo tão selvagem. Moveu-a então ao longo do rijo prazer, sabendo exatamente como lhe agradar. Ele ergueu a cabeça para olhar para ela. Os olhos brilhavam em meio à escuridão. — Quer que eu a possua, Kenzie? — perguntou ele. — Quer me sentir dentro de você? — Sim! Oh, Deus, sim! —gemeu ela, completamente enlouquecida. — O quanto você me quer, Kenzie? — disse ele, passando a mão levemente pelo seio. — Diga-me quanto! — Dominick...? — disse ela, olhando para ele, atordoada. — Quanto Kenzie? — Dominick, o que você quer de mim? — gemeu ela, confusa de desejo. — Por enquanto — disse ele, se afastando — mais nada. Da próxima vez que eu levá-la para a cama, Kenzie, as coisas vão ser do meu jeito. Esta noite foi só para checar se você era tão imune a mim como disse ser quando me deixou. E você não é nem um pouco — disse ele, sorrindo. — Por favor, não faça isso, Dominick — pediu ela, ainda arfando. — Não destrua o respeito que ainda sentimos um pelo outro... Ele se levantou enfurecido. — Foi você quem fez isso quando foi embora há quatro meses... Sim, ela o deixara, mas embora Dominick não acreditasse, aquilo lhe havia


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partido o coração. — ...para se jogar nos braços de Jerome Carlton! — acrescentou ele com aspereza. Jerome Carlton outra vez. Sempre a mesma coisa. Kenzie não tinha idéia de por que Dominick estava tão convencido de que eles tinham um caso. Tudo o que Jerome fizera foi convidá-la para trabalhar para a empresa, e apoiá-la durante o voo para os Estados Unidos quando ela ainda estava muito abalada depois da última discussão com o marido. Jerome certamente não sabia por que ela estava tão infeliz, mas foi muito atencioso durante toda a sua estadia, sem pedir nada em retorno. Mas Dominick não seria capaz de entender. Ele não acreditava que pudesse existir uma amizade verdadeira entre um homem e uma mulher. Como, se não entendia sequer o que era o próprio amor? — Por favor, não faça nada que me leve a odiá-lo, Dominick — implorou ela. Ele riu, embora sem nenhum humor. — Por que não? Dizem que o ódio é parente do amor! Qualquer emoção é melhor do que a frieza com que você me tratou no mês antes de terminar com a tortura que era nosso casamento. Melhor do que a polidez distante com que você me tratou a noite toda! Aquilo, porém, era a única coisa que ela podia fazer, pensou Kenzie, para evitar que aquele homem a fizesse sofrer ainda mais. — Durma um pouco — aconselhou ele enquanto começava a se vestir. — Aonde você vai? — Não tenho idéia. Mas não se preocupe, Kenzie, eu não vou embora. — Ele se deteve para olhar para ela. — Eu não gosto de casamentos, mas vou cumprir minha parte no trato. Prepare-se para cumprir a sua quando chegar a hora!


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CAPÍTULO SEIS

Kenzie não tinha idéia de onde Dominick havia passado a noite. Tudo o que sabia era que ele não voltara para o quarto, pois não havia conseguido dormir, perturbada demais com tudo o que acontecera. O espelho fora implacável em confirmar a insônia, revelando um rosto pálido e olheiras quando ela foi tomar banho e se trocar, pela manhã. Que bela madrinha seria, pensou Kenzie, aplicando um corretivo na pele para melhorar o próprio aspecto. A simples idéia de encarar Dominick de novo depois das intimidades que eles haviam compartilhado durante a noite a deixava ansiosa. Depois do que ele dissera na noite anterior e da maneira como a havia beijado e acariciado, ela podia muito bem concluir o que ele ia querer em troca do favor que lhe estava fazendo! Mas será que Dominick realmente seria capaz de fazer amor com ela sabendo que ela estaria odiando cada minuto que passasse com ele? A verdade, porém, é que ela certamente não odiaria... Depois daquela reação a ele, Dominick certamente não tinha nenhuma dúvida sobre isso. Ela ainda não imaginava onde ele pretendia executar a vingança, mas sabia que não seria ali. Era um pouco difícil juntar o Dominick vingativo da noite anterior ao homem que ela encontrou na cozinha, pouco depois, junto a Nancy. Ele estava com a sogra, experimentando a gravata-borboleta que ele usaria no casamento, que combinava com a cor dos vestidos das damas de honra. Era um pouco irritante ouvir a sonora gargalhada de Dominick e as risadinhas da mãe enquanto Kenzie tivera de lidar com um marido arrogante e exigente na noite anterior. Dominick estava mesmo um pouco ridículo com a gravata-borboleta sobre a camiseta preta, mas Kenzie não via motivo para tanto riso... Ela ficou parada à porta da cozinha, se perguntando se ele percebia o quanto estava relaxado. Provavelmente não. Dominick não baixava a guarda com freqüência. Será que ele estava apenas representando? Será que tudo não passava de um esforço para mostrar que estava cumprindo a parte no trato? —Estou interrompendo alguma coisa?—murmurou Kenzie, finalmente.


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A gargalhada de Dominick murchou de repente, e ele se voltou para ela com uma expressão zombeteira, confirmando as suspeitas de que só estava preocupado em não lhe dar qualquer motivo de queixa sobre o comportamento dela na frente da família. A mãe de Kenzie continuou a sorrir. — Dominick e eu estávamos dizendo que ele está parecendo um daqueles strippers, momentos antes de arrancar a roupa, quando ficam só de gravata borboleta. Kenzie evitou olhar para Dominick, de propósito, e ergueu as sobrancelhas para a mãe. — E quando foi que você viu um desses? — Nunca — respondeu com um suspiro exagerado de decepção. — Mamãe! — riu Kenzie. Nancy balançou a cabeça com pesar, sorrindo para ambos. — Esse é o problema com vocês, jovens. Acham sempre que foram os primeiros a descobrir os atrativos de um corpo nu! — Não eu — disse Dominick, que havia descoberto aquela manhã que gostava muito daquela versão mais velha de Kenzie. Tinha sentido mesmo muita dificuldade de se manter à parte da felicidade daquela família no dia do casamento da caçula. — É óbvio que você e Donald descobriram estes atrativos, ao menos quatro vezes, nos últimos trinta anos! — provocou ele. — Acho que mereci essa! — disse Nancy, corando. — Kenzie, eu tenho que ligar para o florista para descobrir por que as flores ainda não chegaram, por isso vou deixar que você prepare o café para Dominick — disse ela dando uma palmadinha carinhosa no rosto da filha, para depois se dirigir à porta. — Não se esqueça de que temos que ir ao cabeleireiro daqui a meia hora. Ambos ficaram sozinhos na cozinha, embora fosse óbvio, pelo som das portas se fechando e o burburinho no andar de cima, que eles estavam longe de ser as únicas pessoas na casa. Dominick soltou a gravata e ficou segurando-a entre os dedos, olhando para Kenzie. Ela parecia ter apenas 16 anos de idade, usava um jeans e uma camiseta da cor dos olhos de esmeralda, e o cabelo sedoso estava preso apenas por uma faixa. Ela ergueu os olhos e o encarou, ainda com as lembranças da noite anterior bem vivas na mente. As mesmas lembranças que assombraram Dominick pelo resto da noite que


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ele passara ali, na cozinha, bebendo café. Metade dele queria voltar para o andar de cima e terminar o que eles tinham começado, mas a outra metade sabia que aquela não era a hora nem o lugar para tal. Kenzie o havia abandonado e ele não pretendia lhe dar a oportunidade de fazê-lo outra vez, até que tivesse cobrado dela seu quinhão. Literalmente! Enquanto isso, ele manteria estritamente a promessa do acordo, de modo que Kenzie não tivesse nenhuma desculpa para não cumprir a dela. — Sua mãe disse algo sobre café-da-manhã — lembrou ele, mais para quebrar o silêncio do que por apetite. coisa.

Se bem que com tanto café no organismo, não seria nada mal comer alguma

Kenzie respirou fundo. Não estava esperando que Dominick fizesse algo tão prosaico quanto lhe pedir o café-da-manhã. Se bem que a outra alternativa, discutir o que havia acontecido à noite, também não era uma boa idéia! — E claro — disse ela, começando a fuçar os armários. —Acho que não temos muita coisa hoje, por causa do casamento... Vamos ver... Torrada, cereal, ou ambos? — Pode ser cereal — disse ele, sem dar muita importância para aquilo. — O que você vai fazer no seu cabelo? — perguntou ele, pegando o leite na geladeira e levando-o para a mesa. —Vou fazer cachos e enfeitá-lo com flores cor de pêssego — respondeu ela, com a cabeça longe, enquanto levava o cereal e as duas tigelas para a mesa, para então sentar-se em frente a ele. — Dominick... — Eu não tinha noção de que um casamento envolvia tanta coisa — interrompeu ele, determinado, sabendo através da expressão dela que não ia gostar do que Kenzie estava prestes a dizer. Eles nem sequer conseguiam estremecendo ao servir-se de café.

mais

conversar

direito,

pensou

ela

— Você sentiu falta de tudo isso, não é? — observou ele de súbito. Kenzie piscou, olhando para nele com estranheza. — Da minha casa? Mas eu me mudei para Londres há anos... — Não estou falando disso, Kenzie — disse ele, pousando a colher e afastando a tigela de cereal quase intocada, com os olhos escurecidos injetados nos dela. —Você não gostaria que o seu casamento tivesse sido assim também?


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Um casamento na igreja, com toda a família por perto, em vez de ser carregada para Las Vegas daquele jeito? — Bem... Sim, teria sido bom — reconheceu ela, hesitante —, mas não era o que você queria... — Não estamos falando do que eu queria — disse Dominick, recostando-se na cadeira para analisá-la. Kenzie evitou o olhar inquiridor. — Acho que não adianta muito falar disso agora — disse ela, afastando a xícara vazia. — Por quê? Carlton já lhe prometeu um casamento de véu e grinalda? Kenzie suspirou diante daquela provocação. — Mesmo que Jerome Carlton estivesse interessado em mim, o que definitivamente não é o caso, eu não tenho nenhuma intenção de me casar, nem com ele, nem com ninguém! Não depois dessa experiência desastrosa. Dominick lhe agarrou o braço. — Pois saiba que esse sentimento é mútuo! — Nós só temos mais umas 12 horas juntos hoje, Dominick. Será que não podemos ao menos ser civilizados? — Acho que estou sendo extremamente civilizado — disse ele. Talvez para os seus parâmetros, pensou Kenzie, pesarosa. Dominick era um homem acostumado a ter o que queria de um modo ou de outro. O fato de ela têlo abandonado ferira profundamente o orgulho dos Masters. Kenzie havia sido muito tola por se colocar outra vez sob o poder de Dominick daquela maneira, lhe dando a oportunidade ideal para se vingar. Nem mesmo a felicidade que ela vira no rosto do pai na noite anterior fora suficiente para afastar a apreensão que aquilo lhe causava! Tentou se desvencilhar dele, mas Dominick a segurou com mais força. — Você está me machucando. Ele sorriu, embora não o tenha feito com sinceridade. — Você nem sequer conhece o significado dessa palavra! — disse ele, soltando-a. — Certamente conheço melhor do que você! — respondeu Kenzie, com raiva, resistindo à tentação de esfregar a pele avermelhada. — Tenho certeza de que meus pais compreenderão se você disser que tem de voltar a Londres ainda esta noite e que não poderá ficar até amanhã de manhã. Eu posso pegar um trem


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de volta. Assim você poderá voltar mais cedo para sua vida. Kenzie não via a hora de se livrar dele, pensou Dominick, frustrado. Ela o queria fora da casa da família. Fora da vida em família. Fora da vida dela. Ele também achara que aquilo seria o melhor para ambos, que ele nunca deveria ter se casado com Kenzie, e que o fato de ela tê-lo abandonado só confirmava a pouca seriedade daquela instituição. Apesar disso, a sensação de impotência quando ela foi embora, fora a pior que ele experimentara. Não que ele tivesse sequer considerado a hipótese de lhe pedir para ficar, mas o fato é que depois de ter passado nove meses casado, descobrira que morar sozinho de novo, comer sozinho e dormir sozinho estava sendo muito mais difícil do que imaginara. Ele havia passado semanas enfurecido, brigando com todo mundo, muito zangado com Kenzie e Jerome Carlton, mas principalmente consigo por saber que, apesar de tudo, ele ainda a queria. Dissera a si, porém, que já vivera sozinho antes e, portanto, seria capaz de sobreviver agora também. E ele havia mesmo sobrevivido, se é que continuar a acordar, trabalhar, comer e dormir podia ser chamado de sobreviver... Mas agora Kenzie estava de volta, ainda que não para ficar, e ele pretendia aproveitar aquela oportunidade para saciar a fome e se deleitar naquele corpo de uma vez por todas! Ele sorriu, parecendo se divertir. — Eu não vou a lugar algum, Kenzie. Partiremos juntos amanhã conforme planejamos. Ela respirou fundo. — Pode me dar licença? Tenho que me preparar para ir ao cabeleireiro. Ela não olhou para ele ao sair, odiando o que eles estavam fazendo um com o outro, mas incapaz de encontrar uma forma de parar aquilo.


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CAPÍTULO SETE

Dominick notou Kenzie muito tensa quando sentou-se ao lado dela na festa do casamento. Será que ela havia pensado que ele ia se levantar na igreja, no meio da cerimônia, e dizer que o próprio casamento não passava de uma fraude? Isso tiraria todo e qualquer sentido da tortura que ele vivera nas últimas 24 horas, e ela já o conhecia o suficiente para saber que ele detestava desperdiçar tempo. Estava mais do que preparado para fazer a parte dele hoje, e foi encantador com o restante da família à qual foi apresentando através de Nancy. Ele só não estava preparado era ver Kenzie caminhando em direção ao altar, atrás de Kathy. O vestido verde vaporoso e as flores nos cabelos a faziam parecer uma princesa. Aquilo o havia abalado, mas ele conteve a fraqueza rapidamente e recuperou o controle. Kenzie estava representando tanto quanto ele. Ela não era nenhuma personagem de conto de fadas, nem ele um príncipe encantado! — Olhe! — murmurou Kenzie, alegre, os olhos brilhantes. — Kathy e Derek vão começar a dançar! Dançar? É claro que havia dança, disse Dominick a si, com impaciência. Casamentos não eram o programa favorito dele, mas ele fora a um ou dois deles no passado, inclusive o dos próprios pais. E sempre havia dança depois dos discursos. Ele nunca havia dançado com Kenzie... — Vamos nos unir a eles? Kenzie desviou o olhar do jovem casal que dançava sem ter olhos para mais ninguém, e fitou Dominick ao lado. Ele estava com a mão estendida, convidando-a para dançar, com uma expressão indecifrável nos olhos. — Acho que é isso o que se espera que façamos — disse Dominick ao notar que ela não estava fazendo nenhum esforço para se levantar e olhou sugestivamente para os pais e irmãs dela na pista de dança. E claro que era o esperado, reconheceu Kenzie. Ela era a madrinha e


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Dominick, seu marido. — As pessoas estão começando a olhar, Kenzie — sussurrou ele quando ela continuou a encará-lo sem falar nada. — É claro — aceitou ela com graciosidade, tomando a mão dele ao se levantar. Ele entrelaçou os dedos aos dela e a conduziu. Kenzie ficou com a respiração presa na garganta quando ele se virou para tomá-la nos braços, mantendo a mão na dela enquanto o outro braço lhe envolvia a cintura e a trazia para junto dele. Notou o pulso acelerar quando eles começaram a se mover ao sabor da música, sentindo o calor do corpo dele envolvê-la, e a respiração dele agitar levemente os fios soltos dos cabelo dela. Dominick a guiou com graça e firmeza. Ela não poderia mesmo ter esperado nada diferente. Ele era muito bom em tudo o que fazia: nos negócios, na dança, no ato de fazer amor... Ela tropeçou levemente com aquele último pensamento. Apesar de todas as atribulações daquele dia, as lembranças do que acontecera na noite anterior não lhe deixaram a mente um só momento, e ficar assim perto dele só aumentava ainda mais o desejo. — Segure-se — advertiu Dominick, envolvendo-a com mais força. Ele estava completamente concentrado nela, parecendo não estar preocupado com o fato de que os outros convidados os estavam observando. Dominick não conseguia pensar em mais nada além de tê-la nos braços. — Pelo amor de Deus, Kenzie — murmurou ele. — Relaxe! Eu não vou violentá-la no meio da pista de dança! Os olhos dela pareciam dois imensos lagos verdes, contrastando à palidez do rosto quando ela olhou para ele. — Isso nem me passou pela cabeça — disse ela, com irritação, erguendo o queixo de maneira desafiadora. — Não mesmo? — zombou. — Não! Eu... A dança acabou — percebeu ela com um alívio evidente, se afastando dele para aplaudir os noivos. O olhar de Dominick permaneceu fixo em Kenzie, observando o arco das sobrancelhas, o brilho dos olhos sob os longos cílios escuros, as maçãs do rosto, aqueles lábios cheios e apaixonados e a linha suave do maxilar.


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Linda. Kenzie ainda era a mulher mais bonita que ele já vira. A esposa dele. Talvez não mais, mas ela também não era a esposa de nenhum outro homem ainda. E ainda estava em dívida com ele... — Eu queria lhe agradecer mais uma vez por tudo o que fez nesse fim de semana — disse Kenzie ao sair do carro de Dominick, no domingo, quando ele estacionou em frente ao prédio dela. Estava aliviada que aquilo tudo tivesse acabado e que finalmente podia se ver livre da dominante presença de Dominick. Ela não dormira bem outra vez à noite. Ele parecia não ter enfrentado o mesmo problema. O som regular da respiração deixou evidente que ele havia adormecido no momento em que encostara a cabeça no travesseiro. Dominick havia saído do carro também e estava com a mala dela na mão. — Eu vou levar isso lá para cima — ofereceu. — Não é preciso — recusou ela, franzindo a testa. — Eu posso carregar tranqüilamente. — Eu tenho certeza de que pode — disse Dominick com um sorriso sarcástico, mas você sabe que nós ainda não acabamos de discutir os detalhes da nossa negociação — lembrou. Os ombros de Kenzie enrijeceram. Ela ergueu o queixo e o encarou. — Olhe, Dominick, eu não estou com disposição para isso agora! — Disposição para quê? As bochechas dela coraram de raiva. — Para o que quer que você tenha em mente! Os olhos de Dominick escureceram. Ele sorriu, exibindo dentes muito brancos que contrastavam com a pele bronzeada. — Nesse momento, tudo o que tenho em mente é levar sua mala até lá em cima e esperar que você me faça uma xícara de café. Prometo que lhe avisarei se mudar de idéia! Kenzie ainda relutou em convidá-lo para ir até o apartamento. Não que tivesse algo a esconder. Simplesmente não queria a presença dele ali, no espaço que ela havia criado para ter privacidade. Dominick não tinha mais nada a ver com


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a vida dela agora, e era assim que as coisas deviam continuar depois daquele fim de semana. — Será que a noite anterior não foi o suficiente para você perceber que eu não sou tomado de um desejo irrefreável cada vez que fico sozinho com você? — desdenhou ele, quando notou que ela permanecia em silêncio. O rubor no rosto dela se intensificou ainda mais. — Eu nunca pensei isso! — Não mesmo? — Não — garantiu com teimosia. — Olhe, Dominick, você já se divertiu bastante comigo... — Minha querida Kenzie, eu mal comecei a me divertir com você! Além do mais — acrescentou ele —, nós realmente precisamos discutir o que você vai me dar em troca deste fim de semana. — Dar a você? — repetiu ela. — Sim, dar — disse Dominick, levando a mão até a testa franzida dela. — Não faça tantas caretas, Kenzie. Vai acabar ficando enrugada. O que a Carlton Cosmetics, especialmente Jerome Carlton, ia achar disso? Ela não estava nem um pouco preocupada com isso! Tudo o que a alarmava era o que Dominick poderia exigir depois de ter aberto mão, tão generosamente, do fim de semana por ela. muito!

O fato de o rosto começar a latejar onde ele a tocara também não ajudava

— Está bem. — Ela pegou a mala da mão dele. — Então acho melhor você subir para discutirmos, não é? — disse ela, se virando para entrar no prédio. Dominick ficou observando o balanço sensual dos quadris dela no jeans apertado e o movimento dos cabelos soltos enquanto ela se afastava. Ela era dele. Cada delicioso centímetro dela ia ser dele outra vez. Ela só não sabia disso ainda. Kenzie segurou a porta do elevador para ele. Dominick estava sorrindo ao entrar e aprofundou o sorriso ainda mais ao perceber o incômodo dela à medida que o elevador subia. Era bem mais fácil lidar com uma Kenzie irada do que distante! — Entre — convidou ela, lacônica, depois de destrancar a porta e jogar a mala sobre uma cadeira. Dominick observou tudo ao redor com muito interesse.


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O apartamento dela era todo decorado em tons pastéis, com alguns toques de verde esmeralda e azul mediterrâneo. Os quadros da parede traziam imagens de fim de tarde do século XIX, com mulheres em vestidos vaporosos e chapéus, e homens de casacas. O contraste com o apartamento de Dominick, onde ambos haviam vivido, era muito grande. O estilo dele era mais contemporâneo, com móveis de couro e de vidro, e originais dos pintores mais atuais espalhados pelas paredes. Ele nunca se dera conta de que o gosto de Kenzie era tão diferente do dele. Depois daquele fim de semana com a família de Kenzie, ele podia ver que ela ainda trazia uma influência muito forte das origens consigo. — Muito bonito — disse ele, se voltando para Kenzie. Ela parecia muito tensa, como se temesse que Dominick avançasse a qualquer momento. Bem, ela ia se decepcionar. Ele estava falando sério quando lhe dissera que não tinha intenção de reclamar a parte no trato agora. Não, ele pretendia prolongar aquela satisfação o máximo possível. Queria fazê-la sofrer um pouco, do mesmo modo que ele sofria a cada vez que a imaginava na cama com Jerome Carlton! Kenzie balançou a cabeça, impaciente, nem um pouco interessada em saber o que ele achava do apartamento. — Diga o que você tem a dizer e vá embora — disse ela, muito incomodada com a invasão ao santuário particular. macio.

Dominick, porém, se jogou sobre uma das grandes poltronas de estofado

— Você não está sendo muito gentil, Kenzie. Eu lhe disse que gostaria de um café depois de dirigir esse tempo todo. — As pessoas costumam pedir esse tipo de coisa! — esbravejou ela irritada. Ele arqueou as sobrancelhas. — Eu gostaria muito de um café preto, obrigado. — Está de ressaca? — Sinto muito decepcioná-lo, mas não. Eu só tomei uma taça de champanhe, bebida que, até onde sei, não me dá ressaca — respondeu ele, sem ligar para o


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mau humor dela. — Como você deve se lembrar muito bem, eu prefiro meu café puro. Fazer um café para ele não era problema algum. Na verdade, era até bom poder se afastar um pouco. O problema era o tempo que Dominick passaria no apartamento para bebê-lo. E o pior era que ela sabia que ele estava se divertindo. Longe da família, Kenzie estava achando muito mais difícil manter distância dele. Dominick relaxou na poltrona, cedendo ao cansaço. Havia fingido dormir na noite anterior, mas permanecera acordado ainda muito tempo depois de Kenzie finalmente cair no sono. Arquitetando. Planejando Saboreando. Ele não ia apressar o curso de algo que estava lhe dando tanto prazer só de pensar. —Aqui está — disse ela voltando da cozinha e lhe estendendo uma xícara. — Obrigado — disse Dominick com excessiva polidez. — Não vai me acompanhar? — perguntou ele quando Kenzie sentou-se à frente. — Diga logo o que você quer de mim, Dominick. Vamos parar com esses joguinhos! — Você não está sendo muito delicada comigo depois de eu ter cumprido minha parte no acordo — repreendeu ele. Kenzie se conteve para não lhe dar outra resposta grosseira ao perceber que ele só estava dizendo a verdade. Mas fora ele quem transformara aquilo numa barganha, e só depois que ela havia dito que ficaria muito grata se ele lhe fizesse aquele favor... Sim, mas... Nada de "mas". Ela realmente dissera aquilo e não era de se admirar que ele agora estivesse querendo o pagamento. — Eu sinto muito — murmurou ela. — O que você quer de mim, Dominick? — Bem, primeiro vamos deixar uma coisa bem clara — disse ele, pousando a xícara para se sentar na ponta da poltrona. — Eu nunca levei uma mulher para a


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cama contra a vontade dela! Jamais precisara, pensou Kenzie. Sempre fora conhecido pelos inúmeros casos com mulheres fascinantes que ele acabava, invariavelmente, abandonando. Ela, provavelmente, fora a primeira mulher que o deixara! E esse, é claro, era o motivo da raiva... Mas eles não podiam simplesmente... Ela não podia... Ir para a cama com Dominick daquela maneira fria e calculada ia contra todos os princípios segundo os quais ela havia vivido até hoje. Todos os comentários de Dominick ao longo do fim de semana, porém, sugeriam que era exatamente isso o que ele ia exigir dela. Kenzie tentou se acalmar, determinada a usar a técnica da qual sempre lançava mão quando tinha de passar horas esperando entre uma sessão de fotos e outra. Tentou respirar profunda e regularmente, até conseguir encarar Dominick. Afinal, ele acabara de lhe dizer que jamais levaria uma mulher para a cama contra a vontade dela. Tudo o que precisava fazer era se assegurar de que, não importasse qual fosse a provocação, ela nunca estivesse disposta! Dominick se levantou para olhar os livros da estante. — Pelo jeito, você gosta de ler. — É verdade — respondeu ela, um pouco atordoada com a mudança de assunto. Ele assentiu. — Eu também. Aliás, li a maioria destes livros. Ela arregalou os olhos. — Eu não me lembro de tê-lo visto lendo algo além de contratos e a seção de negócios do jornal quando estávamos juntos! Ele deu de ombros. —Talvez porque sempre tenhamos encontrado interessantes para fazer quando estávamos juntos.

coisas

bem

mais

Era estranho que ela só descobrisse agora, depois de meses de separação, que eles tinham as mesmas preferências literárias. O que mais haveria a respeito dele que ela não tinha descoberto durante os nove meses de casamento? Tudo no que eles conseguiam pensar quando não estavam presos em compromissos era estar um com o outro... Dominick notou a surpresa no rosto dela e decidiu que já havia ido longe demais. Aprendera que a melhor maneira de prosperar em qualquer projeto era


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sempre ir embora, deixando a outra pessoa querendo mais... Afinal, ele não queria apenas levá-la para a cama. Queria que ela o fizesse de livre e espontânea vontade. Na verdade, aquela era a parte mais importante da história toda! Ele se levantou e disse: — Você está livre no próximo fim de semana? — Eu... Acho que sim — disse Kenzie, obviamente surpresa com aquela pergunta, se erguendo para acompanhá-lo até a porta. Dominick se deteve. — Então mantenha-o livre para mim, está bem? — Por quê? Ele balançou a cabeça. — Eu tenho que cuidar de alguns detalhes antes de confirmar tudo com você. Talvez possamos jantar juntos durante a semana... — Jantar? — repetiu ela, frustrada, balançando a cabeça. — Dominick, eu não vou sair com você! — ...para que possamos discutir o assunto — concluiu ele sugestivamente, com um olhar reprovador. — Mas... — Assim como nos encontramos na semana passada para falar do casamento de sua irmã, lembra-se? — Oh, sim — disse ela, pouco à vontade. — Embora eu preferisse que nós realmente comêssemos alguma coisa desta vez — acrescentou ele. — Então é melhor não me levar ao Rimini — disse Kenzie com firmeza. — Ele me traz muitas lembranças do nosso tempo de casados — acrescentou ela quando ele lhe lançou um olhar de reprovação.

Nosso tempo de casados? Eles ainda eram casados, droga! Mas se fosse para ela relaxar um pouco, ele estaria disposto a aceitar a sugestão e jantar em outro lugar. Foi quando outro pensamento lhe ocorreu. — Será que ele lhe lembra as vezes em que você esteve lá com Jerome? Kenzie balançou a cabeça com irritação.


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— Um dia você ainda vai entender que eu não tive nada com Jerome Carlton, nem há quatro meses, e nem agora! Ela conseguia compreender que o fato de ter passado muito tempo na companhia de Jerome Carlton pouco antes de deixar Dominick, e de ter pego um avião para os Estados Unidos com ele depois da separação poderia parecer um pouco suspeito aos olhos de Dominick. Mas o que ela não aceitava era que ele nem sequer tentasse acreditar naquelas negativas. Parecia convencido de antemão de que ela havia se envolvido com Jerome, e nada que Kenzie dissesse ou fizesse podia convencê-lo do contrário. — Avise-me quando quiser jantar, está bem? — disse ela, ávida para que ele partisse imediatamente. — Pode deixar, Kenzie — garantiu ele, vendo a tensão nos olhos dela e a palidez do rosto, se deleitando ao notar como a presença dele mexia com ela. E ele mal começara a executar o plano!

CAPÍTULO OITO

— Eu estou farta, Dominick! Eu me recuso a permitir que você continue brincando comigo desse jeito! Dominick virou-se devagar na cadeira, desviando o olhar do rio que fluía tranqüilamente sob a janela do escritório, e olhou fixamente para o rosto zangado de Kenzie, do outro lado da mesa de trabalho. Olhou então para a secretária, que esperava junto à porta aberta. — Obrigado, Stella — disse ele, dispensando-a. Voltou-se então para Kenzie. — Bem, você estava dizendo... Kenzie olhou para ele, enfurecida. Tudo o que ela queria naquele momento era arrancar aquele sorrisinho do rosto afetado de Dominick. — Eu disse que já estou farta... — Acho que eu entendi essa parte — interrompeu ele, recostando-se na cadeira de couro. Estava usando um terno escuro, com uma camisa branca e uma grava cor de prata.


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— Só não entendi de quê. — Dos seus joguinhos — esbravejou Kenzie, pensando em como ele era arrogante. — Acho que compreendi isso também... — Como você ousa dizer a Stella para me ligar e marcar um jantar com você num restaurante chamado Tonio's, hoje, às 20h? — interrompeu ela, sabendo que Dominick estava gostando de vê-la naquele estado. Maldito! — Você achou 20h cedo demais? O olhar de Kenzie se estreitou de maneira perigosa. — O problema é o dia — esbravejou ela. — Eu não estou à sua disposição, esperando para vir correndo assim que você estalar os dedos! — Ah, não? E o que você tem feito, então? — Eu também trabalho, sabia? — disse Kenzie com impaciência. — E para o seu governo, eu estou ocupada esta noite! — acrescentou ela, satisfeita. Mesmo que não estivesse, ela lhe diria que tinha um compromisso, depois daquele comportamento despótico. Dominick olhou para ela, em silêncio, por um longo tempo. — Por que então, simplesmente, não disse isso a Stella quando ela ligou? — Amanhã à noite também está ótimo para o que eu tenho em mente. Kenzie estava linda, com o cabelo solto, os olhos verdes flamejantes e as bochechas rubras. A blusa e a calça justas que ela usava evidenciavam claramente a perfeição do corpo. Tudo o que ele queria era deitá-la nua sobre a mesa e fazer amor ali mesmo até ela implorar por clemência! Mas isso ia contra os planos, reconheceu ele, com pesar. Kenzie parecia ter relaxado um pouco. — E o que você tem em mente? — perguntou ela, ainda desconfiada. Dominick sorriu ao balançar a cabeça, de maneira zombeteira. — Jantar e conversar — disse ele, despreocupado. — A menos que você tenha alguma ideia melhor para matar o tempo. — Eu já lhe disse que não vou mais permitir que você brinque assim comigo, Dominick — disse ela, impaciente. — E já que estou aqui, disponível para conversar, não vejo motivo para jantarmos juntos! Aquilo fazia sentido, mas aceitar essa condição, pensou Dominick, a


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colocaria no controle da situação! Depois de já ter perdido as rédeas a ponto de acabar se casando com ela, ele não tinha a menor intenção de passar por tudo aquilo uma segunda vez. — Eu ainda não finalizei meus planos, Kenzie — disse ele —, mas espero que esteja tudo concluído hoje à noite. Ela passara os últimos três dias com os nervos à flor da pele pensando em quais seriam os tais planos. A ligação de Stella tinha sido a gota d'água. Ir até o escritório de Dominick e confrontá-lo havia lhe parecido a melhor coisa a fazer. Mas aquilo não a estava levando a lugar algum. ele.

— Você manteve seu fim de semana livre como eu lhe pedi? — perguntou

— Como você mandou que eu fizesse, você quer dizer — corrigiu ela com firmeza. — Mas eu não pretendo ir a lugar algum com você antes de saber para onde e por quê. Dominick colocou os cotovelos sobre a mesa, apoiou o rosto sobre os dedos entrelaçados, e se pôs a observá-la. Ela sustentou o olhar desafiador. — Você não parece tão disposta a cumprir sua parte do trato depois do casamento da sua irmã — murmurou ele, seco. Kenzie deu de ombros. — Talvez não mesmo. A expressão dele endureceu. — Talvez, então, eu deva fazer uma visita aos seus pais e contar a eles que tudo o que vivemos naquele fim de semana não passou de uma farsa! Kenzie olhou para o rosto dele. A expressão era implacável, intransigente. — Você não faria uma coisa dessas, faria? — disse ela, aceitando então o inevitável e se jogando sobre uma cadeira. Pensara muito naqueles três dias, desde que ele deixou o apartamento dela, e decidiu que não havia nenhum modo de Dominick forçá-la a fazer o que quer que fosse, muito menos ir para a cama com ele, ainda que ele tivesse deixado bem claro que não pretendia usar a força! Ela havia se esquecido de como Dominick podia ser determinado quando a situação o favorecia. — Você sabe que sim — disse ele, confirmando o que vira na palidez do rosto de Kenzie. — Por que foi que você veio aqui, afinal? — perguntou ele com


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interesse, cada vez mais convencido de que havia algo além da raiva alegada por causa do telefonema de Stella. Kenzie olhou para ele, assustada como um animal capturado em uma armadilha. — Eu já lhe disse... — Eu ouvi — interrompeu Dominick, se levantando e indo até ela para colocar a mão sob o queixo delicado e lhe erguer o rosto. — Por que, Kenzie? — repetiu ele, áspero, certo de já saber a resposta, mas desejoso de ouvi-la da boca de Kenzie. Ela tentou se afastar, mas ele a segurou com mais determinação. — Eu já lhe disse. Não gosto que brinquem dessa maneira comigo... — Também me disse que estava ocupada esta noite — disse ele. — Será que posso adivinhar com quem você vai se encontrar? — acrescentou. Ela franziu a testa, ao olhar para ele, se perguntando como ele descobrira... — Como você sabia que Jerome viria à Inglaterra? Kenzie tinha certeza de que ele sabia simplesmente ao fitar os olhos frios dele. Jerome havia ligado para ela no dia anterior, numa hora muito imprópria, aliás, para lhe informar que chegaria hoje à Inglaterra, ao final do dia. Queria se encontrar com Kenzie para saber quando ela voltaria aos Estados Unidos para cumprir o contrato com a Carlton Cosmetics. Como ainda não tivera notícias de Dominick, e Jerome era o atual patrão dela, Kenzie achou que teria mesmo de encontrá-lo enquanto estava na Inglaterra. Sabia, porém, que não era aconselhável se encontrar com Jerome, agora que Dominick havia voltado a fazer parte da vida dela, ainda que por pouco tempo. A última coisa de que precisava era que os dois se encontrassem, acidentalmente, no apartamento dela! O telefonema de Stella, depois que ela já havia concordado em se encontrar com Jerome naquela noite, não podia ter vindo em pior hora! Dominick sorriu. — Foi só um palpite feliz — disse ele, soltando o queixo e voltando para trás da mesa. — Ainda insiste em negar que vocês estão envolvidos? — É claro que eu nego! — esbravejou Kenzie. — Jerome está vindo para a Inglaterra a trabalho. O jantar desta noite é apenas uma coincidência. Dominick ficou encarando-a com olhos semicerrados, pensando como uma


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mulher dona de beleza tão inocente podia ser tão falsa. — É verdade? — perguntou ele, contundente. — Sim, é verdade! — repetiu, irritada. — Não que eu espere que você acredite em mim. — Ela balançou a cabeça. — Você parece ter verdadeiro prazer em não acreditar em mim! — Eu não sinto prazer algum nisso, Kenzie — disse ele com amargura. — Acreditava que havia honestidade entre nós, só isso, mas é óbvio que eu estava errado — acrescentou de maneira áspera. Kenzie tinha mentido para ele, traíra-o com Jerome Carlton, um homem que havia tido grande prazer em não mentir para Dominick quando este o confrontou sobre o assunto. Os dois o fizeram de idiota, e isso era algo que Dominick simplesmente não podia deixar barato. Como ele era duro e implacável, pensou Kenzie ao olhar para aquela expressão inflexível. Será que ele havia sido sempre assim? É possível. A diferença era que, no passado, toda aquela dureza não era dirigida a ela, como agora. Kenzie suspirou. — Não creio que discutir o passado vá nos ajudar em alguma coisa, Dominick... — Concordo plenamente. Vamos esquecer o jantar e tratar dos nossos arranjos para o fim de semana agora mesmo — disse ele, no melhor tom de executivo eficiente. — Vou ligar para a sua casa às 15h, no sábado. Vamos ficar fora até o domingo. Kenzie fez uma careta aflita. — Mas eu... Aonde nós vamos exatamente, Dominick? Ele deu de ombros. — Não creio que você realmente precise saber disso... — Preciso sim — garantiu, enérgica. Dominick arqueou as sobrancelhas. — Está com medo de que eu esconda o seu corpo onde ninguém possa achálo? — zombou ele. Kenzie se levantou, impaciente. — Você está sendo ridículo... — Estou? — perguntou ele, olhando para ela com cuidado. — Você ainda não compreendeu que ninguém atravessa o meu caminho e vai embora sem maiores implicações?


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Ela sentiu um tremor de apreensão lhe percorrer a espinha. — Já faz quatro meses, Dominick... — Eu tenho plena consciência de quanto tempo faz, Kenzie — disse ele. Ela olhou para ele, frustrada, desejando apenas reencontrar um pouco do Dominick mais suave e indulgente que havia conhecido durante o casamento e, vez por outra, no último fim de semana na casa dos pais dela. Sabia, porém, que este, ao menos, fora apenas uma farsa em benefício da família, algo que a havia deixado completamente em dívida com Dominick. Se ele ainda sentia algo por ela, era apenas ódio. Kenzie respirou fundo. — Que tipo de roupas devo levar? Ele deu de ombros. —Algo para usar na noite de sábado. E um traje de banho, talvez. Ou não — acrescentou ele, com a voz rouca, olhando-a de cima a baixo sem pressa. Kenzie resistiu ao exame minucioso dele erguendo o queixo com determinação. Estava um pouco confusa, tentando entender que lugar poderia fazê-la precisar de um vestido de noite e de um traje de banho. — Dominick, eu sei que você me acompanhou ao casamento da minha irmã, mas eu realmente não creio que seja capaz de passar o fim de semana lidando com gente do seu mundo de negócios. Os lábios dele se curvaram num sorriso frio. — Eu lhe garanto que o único homem de negócios com quem você terá que lidar esse fim de semana serei eu. Kenzie estava mais confusa do que nunca, mas compreendeu que ele não pretendia lhe dar maiores detalhes. — Está bem, Dominick, se é assim que você quer — concordou ela, abruptamente. — E — assentiu ele. — Vou deixá-lo então para que você possa voltar ao seu... trabalho — disse ela de forma seca, ciente de que ele não estava trabalhando. Quando ela entrou no escritório, sem ser convidada, ele estava contemplando a vista. — E eu vou deixar que você volte para o seu—respondeu ele, inclinando a cabeça, num tom jocoso. — Ah, Kenzie... — disse ele quando ela chegou até a porta. Ela se voltou, relutante. — Sim? — perguntou, receosa.


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— Bom jantar esta noite — disse ele com suavidade. Ela avaliou o rosto dele por alguns segundos, porém, mais uma vez, ele conseguiu se fechar de modo que ela não pudesse ler nada na expressão zombeteira. — Sábado, às 15h — repetiu ela, com firmeza, para então finalmente ir embora. O humor desapareceu do rosto de Dominick assim que ele se viu sozinho. Quatro meses, dissera Kenzie. Os mesmos quatro meses que ele havia utilizado para tramar a vingança que afetaria tanto a Kenzie quanto ao amante. Mas agora estava chegando a hora e, em breve, tudo estaria acabado. O fato de Kenzie ter vindo até ele de súbito na semana anterior necessitando de algo que só ele, como marido, poderia fazer, a deixara totalmente em dívida com ele, só havia aumentado a satisfação de Dominick. Ele iria saborear aquele fim de semana, se valendo do conhecimento que tinha das carícias e prazeres que deixavam Kenzie enlouquecida nos braços dele. Aquele seria um doce prazer do qual ele pretendia desfrutar plenamente, especialmente porque ela retornaria para o amante sabendo que tinha se deitado com outro por livre e espontânea vontade. Jerome, então, com certeza lhe informaria de como Dominick se vingara de ambos. Ele esperou até ter certeza de que Kenzie já estava longe para chamar a secretária. — Stella, ligue-me com Caroline Carlton, em Nova York, por favor.

CAPÍTULO NOVE

Dominick olhou para Kenzie por detrás dos óculos escuros, na tarde de sábado, a caminho para o destino deles após tê-la apanhado no apartamento há cerca de uma hora. Ela estava linda como sempre, usando um vestido de verão cor de esmeralda e sandálias de salto alto. As alças finas do vestido deixavam os ombros


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à mostra e valorizavam os belos seios. Os lindos olhos verdes estavam escondidos por detrás de óculos escuros também. Ela, porém, estava muito distante, pensou ele. Não havia dito uma única palavra desde que o cumprimentara, ainda no apartamento. Quem estava jogando agora?, pensou Dominick, com um sorriso duro e a atenção voltada para a estrada. Era muito bom saber que ele podia mexer com o autocontrole dela daquela maneira. — Como foi seu jantar com Carlton na quarta à noite? — perguntou ele com delicadeza, percebendo que ela ficara tensa de imediato. Kenzie se virou para olhá-lo por algum tempo antes de dizer: — Por que me pergunta se não está realmente interessado? — disse ela, suspirando. — Oh, mas eu estou, Kenzie — garantiu. — Você e Carlton tiveram um encontro emocionante? — Nós nem sequer nos encontramos — disse ela. — Jerome teve que cancelar a viagem por alguns dias — explicou ela, tendo a impressão de que Dominick estava esperando que ela dissesse mais alguma coisa. — Deve ter surgido algo mais importante — disse ele num tom sarcástico. Jerome havia lhe telefonado para cancelar o jantar, dizendo que teria de permanecer em Nova York para tratar de algumas questões urgentes. Como o jantar com ela também era para tratar de negócios, ela não se importou, remarcando o compromisso para a segunda-feira, depois de lhe explicar que passaria o fim de semana fora. Preferiu não dizer a ele com quem estaria, pois, ao contrário do que acreditava Dominick, a vida particular de Kenzie não lhe dizia respeito. — Suponho que sim — disse ela. — Pobre Kenzie — murmurou Dominick. — Você também me culpava por colocar os negócios em primeiro lugar — lembrou quando ela o olhou com cara feia. Ela nem se deu ao trabalho de responder. O relacionamento com Jerome não tinha nada a ver com o casamento com Dominick. Não havia como compará-los. — Já estamos perto? — perguntou ela, em vez disso, ao notar que eles estavam chegando a Hampshire. — Não falta muito — confirmou Dominick com satisfação, se perguntando o que Kenzie acharia do Solar Bedforth. Não que isso realmente importasse, afinal, ela nunca mais voltaria lá, mas,


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ainda assim, ele estava interessado na reação dela. Kenzie ficou ainda mais atordoada quando Dominick virou o carro e pegou uma longa estrada pedregosa, ladeada por árvores, que levava até a casa, e se virou para olhá-lo, confusa, quando ele estacionou na frente de uma casa de tijolo aparente de três andares. — Solar Bedforth — disse ele apenas ao sair do carro para pegar as malas. Kenzie o seguiu devagar, se juntando a ele na base da escada que conduzia à imensa porta de entrada. — Isso é um hotel? — perguntou ela. — Se fosse, seria um hotel muito vazio! — respondeu Dominick, olhando ao redor. — Mas... — É só uma casa, Kenzie. E é minha — interrompeu, lacônico, e começou a subir a escada. — Sua? — perguntou Kenzie, seguindo-o, um pouco zonza. — Minha — se virou ele para garantir mais uma vez. Dizer que ela estava surpresa era um eufemismo. Não que não soubesse que Dominick possuía propriedades no mundo inteiro, mas se tratava, na maioria das vezes, de apartamentos, de lugares que podiam ser fechados quando ele os deixava e reabertos para a volta, meses mais tarde. Uma casa como aquela era algo muito mais interessante. Aquilo parecia uma coisa permanente demais para um homem como Dominick, que evitava qualquer tipo de compromisso a todo custo. Ele percebeu a confusão no rosto de Kenzie, mas não tinha a menor intenção de lhe contar que comprara aquela casa originalmente para ela há seis meses, desejoso de lhe dar ao menos a casa que ela tanto queria. Há seis meses, quando ela ainda era a esposa dele, ele teria lhe dado quase tudo que ela quisesse em termos materiais. Antes de ela traí-lo com outro homem! Ele não sabia ainda por que não havia revendido o lugar depois que Kenzie se foi, afinal, não tinha mais nenhuma intenção de se mudar para lá. Agora, porém, estava feliz por não ter se desfeito daquela propriedade. Havia alguma poesia no fato de trazê-la para a casa que ele comprara para ela, mas na qual eles jamais viveriam juntos. Uma casa que ele provavelmente venderia depois daquele fim de semana...


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abriu.

— Ela é linda — disse Kenzie, deslumbrada, quando a porta principal se

Dominick olhou ao redor com satisfação, vendo que a governanta havia seguido as instruções que ele lhe passara por telefone no dia anterior. As flores na mesa do corredor exalavam um forte perfume de boas-vindas, e da cozinha vinha o cheiro delicioso de um jantar fresquinho, pronto para ser aquecido. Ele estava seguro de que o quarto principal, no andar superior, também tinha sido preparado para uso... Ainda segundo as suas instruções, a governanta deixara a casa, de modo que ele e Kenzie pudessem ficar completamente a sós. Ele havia sido sincero quando lhe garantira que ela não teria de lidar com mais ninguém durante aquele fim de semana! — Por que você não vai até a cozinha e prepara um café para nós? — disse ele com um meneio de cabeça na direção do lugar. — Enquanto eu guardo as nossas malas lá em cima? Kenzie olhou em volta, adorando o chão de tábua corrida, o lustre de cristal e a bela escada ampla que levava ao segundo andar. Estava tão surpresa por ele a ter levado a uma casa como aquela e não a um hotel frio e impessoal, tal como ela esperava, que nem sequer nem pensou em discutir diante de sua sugestão. Era uma cozinha linda, de estilo antigo, em tons de verde, que ela adoraria ter na própria casa, cheia de potes e panelas pendurados sobre uma mesa marcada pelos anos. Os equipamentos mais modernos como a geladeira e a máquina de lavar louça estavam escondidos por trás de portas do mesmo carvalho de que eram feitos os armários. Por que justamente Dominick havia comprado uma casa linda e antiga como aquela? E onde estavam todos os empregados para cuidar daquela casa tão grande?, ela se perguntou de repente. Eles precisariam no mínimo de uma cozinheira. Ou será que os planos de Dominick incluíam fazê-la cozinhar também? Não que não soubesse fazê-lo, ela até gostava muito de cozinhar. O fato é que, apesar de Dominick ter lhe dito que ele seria a única pessoa com quem ela teria de lidar durante o fim de semana, Kenzie não havia pensado, sequer por um momento, que eles ficariam completamente a sós. — Ainda não fez o café? — perguntou ele, arqueando as sobrancelhas escuras ao se unir a ela na cozinha. — Não importa, vamos fazer num minuto.


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Talvez você queira dar uma olhada na piscina antes. Havia uma piscina naquela linda casa? Bem, por que não? Dominick talvez não tivesse se estabelecido permanentemente em nenhum lugar nos últimos vinte anos, mas isso não significava que ele não contava com todo o conforto nas diversas casas que possuía. — Por que não? — disse ela, dando de ombros, precisando de algum tempo para colocar os pensamentos em ordem. Um passeio até a piscina seria uma bela oportunidade para isso. — O roseiral — disse Dominick sem muitos comentários quando eles saíram. — Os estábulos — acrescentou ele, apontando para um pouco mais longe — e a piscina — concluiu satisfeito ao tirar uma chave do bolso e destrancar uma porta. Não se podia chamar aquilo simplesmente de piscina. Ele a havia conduzido a uma construção abobadada com enormes janelas de cada um dos lados e grandes portas de vidro ao fim do corredor que conduziam a um terraço e à piscina, que ia de ponta a ponta, toda decorada com mosaicos em azul e branco. A piscina era cercada por pilastras de alabastro, e havia ainda estátuas gregas de mulheres parcialmente vestidas dispostas por entre enormes urnas repletas de flores. — Essa era a fantasia de outra pessoa, não a minha — disse Dominick secamente quando Kenzie se virou para olhá-lo. Era de se esperar. Aquele cenário romântico não combinava em nada com o gosto de Dominick, embora definitivamente combinasse com o dela. Tanto que ela ficou com vontade de pegar o traje de banho na mala, lá em cima, e entrar na água fria. Mas não se isso significasse que Dominick se uniria a ela! Já estava suficientemente atenta à presença dele sem isso, e não havia conseguido desviar a atenção dele desde que entrara no carro. Os cabelos escuros ainda estavam molhados e a barba feita. Os braços musculosos despontavam sob a camisa polo preta e as longas pernas estavam envoltas numa calça da mesma cor. Bastou que ela o olhasse para ficar com todos os sentidos em estado de alerta, algo que ela esperava ter conseguido esconder por trás dos óculos escuros. Kenzie respirou fundo. — Que tal tomarmos aquele café agora? — propôs ela calmamente,


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achando aquele cenário íntimo demais. Dominick colocou a mão sob o cotovelo de Kenzie, com o pretexto de ajudá-la a subir os degraus do caminho de volta para casa, se deleitando ao perceber que ela havia respirado fundo e tensionado o braço em reação ao toque, antes de se desvencilhar e se afastar dele. Ele sorriu para si, constatando que ela ainda o desejava, mesmo que insistisse em negar tal fato... — Só estava tentando ser útil — disse ele, dando de ombros. Dominick tratou de preparar o café por conta própria. Uma vez dentro de casa, Kenzie não teve mais como se esconder por detrás das lentes. Sentou-se à mesa da cozinha e o ficou observando. — Espero que você seja mais prestativa na hora de preparar o jantar — brincou ele. — Como você certamente se lembra, fazer café e aquecer refeições semiprontas no microondas é tudo o que eu domino numa cozinha! Kenzie se lembrava muito bem. Sabia que, antes de se casar com ela, ele sempre havia comido fora de casa ou contado com uma cozinheira em tempo integral, onde quer que fosse. — Onde estão os empregados, Dominick? — perguntou um tanto receosa. — Não há ninguém aqui — respondeu ele, sem parecer se preocupar. — Há uma mulher que vem de vez em quando para cuidar da casa. Ela colocou algumas flores nos vasos e deixou alguma comida para esse fim de semana. De resto, não há mais ninguém. É sério que as flores em vasos e a provisão para o fim de semana foram detalhes mencionados por Dominick quando ele deu as últimas ordens para que a casa estivesse pronta para recebê-los? E o que eles fariam ali, completamente sozinhos durante todo o fim de semana? O que... — Por que você não para de pensar tanto e vai dar um mergulho, Kenzie? — disse Dominick, interrompendo os devaneios com um brilho nos olhos castanhos. — E você ainda acusa a mim de ter uma imaginação hiperativa! Acho que já lhe garanti que não levo nenhuma mulher para a cama à força! E quanto as que se dispõem a fazê-lo de livre espontânea vontade?, pensou Kenzie, sabendo que jamais relutaria em se deitar com Dominick, o homem que amava. Ele havia sido o marido dela, o único homem com quem ela compartilhara a intimidade, e quanto mais tempo ela passava ao lado dele, maior era a dificuldade de separar o homem por quem se apaixonara do estranho em que ele se


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transformara agora. Era assim que as mulheres sobre quem ela havia lido sentiam-se quando pensavam em dormir outra vez com um homem com quem já haviam sido casadas? Uma espécie de curiosidade para ver se não existia realmente mais nenhum vestígio de sentimento ou de esperança entre eles? Ela se levantou de repente. — Acho que vou nadar um pouco então, se você não se importa. Um bom mergulho na água fria certamente era tudo de que ela precisava! — Por que eu me incomodaria se fui eu mesmo quem sugeriu isso? Dominick deu de ombros, obviamente ainda muito irritado. — O quarto fica à primeira porta à esquerda, no alto da escada — disse ele quando ela se virou e saiu depressa. Ela era mesmo uma tola, pensou Kenzie enquanto subia correndo como se estivesse sendo perseguida. Dominick estava deliberadamente brincando com as emoções dela e se divertindo muito, sem dúvida. Ela, porém, não ficou mais tão segura de que essa era a única coisa que ele estava fazendo quando entrou no quarto e viu as malas de ambos sobre a colcha bordada da enorme cama!

CAPÍTULO DEZ

Quando foi até a piscina, quase uma hora depois, Dominick encontrou Kenzie boiando num dos colchões infláveis, com os olhos fechados, como se tivesse adormecido, e as mãos se movendo graciosamente na água. Os cabelos soltos flutuavam na água por trás do colchão. O corpo longilíneo estava mais atraente naquele maio inteiriço vermelho do que jamais estaria num minúsculo biquini. Dominick sentiu o corpo enrijecer e o seu pulso acelerar só de olhar para ela. Ela era linda, e os quatro meses de celibato só faziam aumentar o desejo de explorar cada centímetro daquela beleza. Ele tirou as próprias roupas sem pressa, deixando-as cair ao chão antes de


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entrar na água em silêncio. Nadou então até onde Kenzie estava boiando, na parte mais funda da piscina. O balanço da água a acalmara a ponto de fazê-la cochilar. Ela estava sonhando com Dominick, se lembrando de como era fazer amor com ele, das carícias das mãos firmes dele sobre o corpo, os seios, deslizando pelas costelas dela até tocar... Ela não estava sonhando! Kenzie arregalou os olhos ao se dar conta de que a mão que a acariciava era uma realidade, e encontrar Dominick na água, ao lado. Ele se deteve assim que ela se moveu. A emoção contida na escuridão dos olhos dele era inconfundível. A mesma emoção que tomava conta dela. Desejo. Um desejo quente. Ardente. Urgente! Dominick reconheceu de imediato os sinais de repentina excitação no olhar de Kenzie. Um olhar que parecia acariciá-lo ao percorrer a ampla extensão do peito nu, antes de ela estender uma das mãos e começar a afagar a pele já sensível dele. Ele soltou um gemido rouco e fechou os olhos, abrindo-os novamente e respirando fundo quando os dedos dela desceram pela barriga e descobriram a nudez. — Dominick? — disse ela com a voz rouca, parecendo assustada. — Agora não, Kenzie — disse ele em meio a um gemido, tomando-a nos braços. — Agora não é hora para conversar! — disse ele enérgico, carregando-a em direção à parte mais rasa da piscina. Dominick ficou de pé, na água, mantendo o olhar fixo no dela enquanto lhe tirava o maio. Fez então com que Kenzie sentasse à beira da piscina, permanecendo com a água na altura das coxas e se infiltrou entre elas, antes de a boca devorar a dela. Kenzie retribuiu a avidez dos beijos lançando os braços sobre os ombros dele, enquanto lábios e línguas exigiam o máximo um do outro. Dominick pressionou sua rigidez contra o calor úmido do corpo de Kenzie, se movendo de forma rítmica, sem, no entanto, penetrá-la.


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Ela afastou ainda mais as pernas, convidando-o a se aproximar. Jogou a cabeça para trás enquanto ele corria os lábios pelo pescoço e tomava os seios nas mãos. Ela pressionou o corpo com mais força contra o dele. Queria mais! Muito mais! Dominick mudou de posição devagar e baixou a cabeça para tomar um dos mamilos enrijecidos na boca. Estava passando a língua por ele, quando se deteve para olhar para ela. — Não vai me dizer para parar, Kenzie? — murmurou ele. — Não vai me dizer que não me quer com a mesma intensidade que eu a quero? Não podia fazê-lo, pensou Kenzie. Estava muito excitada. A única resposta foi um gemido rouco saindo da garganta enquanto oferecia o seio a ele de novo. Os olhos de Dominick brilharam intensos, forçando-a a olhar para ele enquanto ele baixava a cabeça, para que ela não apenas sentisse, mas também visse quando ele corresse a ponta da língua lentamente sobre o mamilo, antes de tomá-lo na boca mais uma vez. Kenzie ficou olhando enfeitiçada para Dominick enquanto ele prosseguia, enlouquecendo-a de prazer. Lambendo-a, para então sugá-la suavemente até ela gemer de desejo, quando ele então a sugou com mais força. Ela fechou os olhos, arqueando o corpo contra o dele, sentindo um calor inundá-la entre as coxas, ansiando para que ele a possuísse, desejando o prazer que somente Dominick era capaz de lhe proporcionar. Ele então se afastou levemente e levou uma das mãos até o sexo para acariciar o âmago do desejo com a ponta do polegar, sendo recompensado com uma lamúria da parte dela. Acariciou-a assim ainda por algum tempo, para então inserir um dedo nela. Os músculos dela se contraíram em torno dele, que começou a se mover. O mamilo estava cada vez mais duro na boca de Dominick. Kenzie estava mais excitada do que nunca, perdendo cada vez mais o controle à medida que sentia o clímax se aproximar. Ele ergueu a cabeça, afastando a mão. — Dominick? — gemeu ela em protesto, sentindo o ar frio como uma carícia nos seios em contraste ao fogo ardente que sentia no ventre. Dominick não podia abandoná-la agora. Não podia deixá-la daquele jeito! Ele não o fez. Em vez disso, se ajoelhou na água quente para traçar uma trilha de beijos a partir do umbigo, se detendo para passar a língua na concavidade sensual que encontrou ali, segurando os quadris dela com força.


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Kenzie arqueou as costas, apoiando as mãos no chão ladrilhado, desejando que aquela sensação não acabasse nunca mais, desejando Dominick com intensidade. Queria senti-lo dentro de si. Queria que ele a possuísse, que conduzisse a ambos ao prazer que ele havia feito crescer dentro dela. Era tão intenso que ela chegou a achar que enlouqueceria se ele não a penetrasse. Dominick desceu ainda mais. Kenzie sentiu a respiração quente dele se aproximar do sexo e soltou um grito quando a língua molhada começou a acariciála, ora com firmeza, ora com suavidade, se aninhando cada vez mais e levando-a para mais perto do clímax. Tudo começou bem fundo, lá dentro, em câmera lenta, muito docemente, no meio das coxas, agora mais afastadas para trazê-lo para ainda mais perto. O grito se transformou quase que num urro quando o corpo começou a sacudir, tomado pelas convulsões do prazer. A língua dele continuava a investir contra ela, prolongando e aprofundando o clímax enquanto lágrimas rolavam pela face de Kenzie. Ela sentiu-se desfalecer. Dominick então a tomou nos braços fortes e a carregou, beijando as lágrimas, antes de deitá-la sobre o colchonete de uma das espreguiçadeiras, cobrindo o corpo dela suavemente com o dele, usando o joelho para separar as pernas dela. Kenzie abriu os olhos; viu um desejo ardente no rosto arrogante de Dominick e o seu cabelo em desalinho. Queria dar a ele o mesmo prazer que ele havia lhe proporcionado. Ela se contorceu debaixo dele, e o virou, fazendo com que ele se deitasse de costas, e montou sobre ele. — E agora, Dominick — disse ela, com a voz rouca, deslizando o próprio corpo sobre a pele sedosa dele, vendo o rosto afogueado de desejo. — Quer que eu o possua? — provocou ela. — Diga? Quer entrar em mim? — Você sabe muito bem que eu quero! — gemeu ele de forma gutural. — Eu quero entrar em você agora! — Logo — prometeu ela, deslizando pelo corpo másculo para depois se ajoelhar entre as pernas dele e começar a lambê-lo. — Logo, logo — garantiu ela, ouvindo o gemido quando a boca se fechou em torno dele, e os dedos o acariciaram com suavidade. — Pare, Kenzie! — gritou ele alguns minutos depois, estendendo as mãos para agarrar os ombros dela. — Pare, antes que eu... — A expressão de Dominick foi quase de dor quando ela montou sobre ele de novo. — Pelo amor de Deus,


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Kenzie, agora! — murmurou ele. Ela deslizou muito devagar sobre ele, com os olhos fixos nos dele o tempo todo, enquanto o sentia preencher o corpo quente e escorregadio, pronto para recebê-lo dentro de si. — Droga, você está gostando disso! — gemeu ele. — E você, não? — provocou ela, movendo os quadris levemente contra os dele, sentindo-o se agitar ao fazê-lo. — Oh, estou — admitiu ele, concatenando os movimentos ao ritmo dos dela. — Dê-me o seu seio, Kenzie — gritou ele descontrolado. Ela se inclinou pousando uma mão de cada lado da cabeça dele e levou o seu mamilo até a boca máscula, ofegando quando ele o sugou. Dominick impeliu o corpo contra o dela ao mesmo tempo, intensificando ainda mais o ritmo dos movimentos de ambos até o prazer tomá-los do assalto, transformando-os em pura lava incandescente. Ela caiu fraca, sobre o peito dele. Dominick passou os braços em torno dela com o coração batendo rápido e a respiração ofegante enquanto os corpos permaneciam unidos. O sexo entre eles sempre fora fantástico, mas aquilo... Aquilo tinha sido... — Isso foi incrível! — murmurou Dominick. Aquela era a palavra que ela estava procurando! Incrível. Algo muito além do que eles já haviam compartilhado. Será que aquilo significava...? Seria possível que sentisse alguma coisa por ela, afinal? — Kenzie...? — disse Dominick, quando ela permaneceu sobre ele, completamente sem forças, com apenas a respiração regular indicando que ela havia se recuperado muito antes dele, e que o cérebro astuto por trás do belo rosto já estava novamente ativo. — Pare de analisar tudo, Kenzie! — disse ele com a voz rouca, se deitando ao lado dela e lhe erguendo o queixo para que ela olhasse para ele. — Aceite as coisas como elas são! — disse ele. — Desista de rotular tudo! Ele mesmo ainda não estava muito seguro do que havia acontecido. Aquilo que acabara de compartilhar com Kenzie havia sido mais intenso do que qualquer outra coisa que ele já experimentara, com ela, ou com qualquer outra mulher. O prazer havia sido tão forte, e a alegria da posse dela tão íntima, tão completa, que não dava para descrever. Há 14 meses, ele a desejara o suficiente para querer se casar e não havia se decepcionado. Ir para a cama com Kenzie fora tão bom quanto ele imaginara e


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isso nunca havia mudado. A verdade é que ele não tivera mais vontade de fazer sexo com qualquer outra pessoa além de Kenzie. Mas aquilo que havia acabado de acontecer, porém, era algo completamente diferente. Ele tomara uma rasteira daquelas e estava atordoado. Kenzie chorara de prazer! O que significava aquilo? Não significava nada, disse ele a si com determinação, ao se afastar dela, ficando de pé para começar a se vestir. Era para isso que havia trazido Kenzie, afinal. Sexo. Apenas sexo. Ela estava com outro homem há cinco meses, lembrou ele. Vinha compartilhando a cama de Jerome Carlton, e essa era a razão pela qual tudo havia sido diferente hoje. Kenzie estava diferente. Tinha aprendido novas maneiras de excitar e dar prazer ao parceiro. Ela acabara no comando da situação! O nó frio de raiva que se instalara na garganta de Dominick nos últimos quatro meses se transformou em gelo ao imaginá-la com Jerome Carlton da mesma forma como estivera com ele. Ele não estava sentindo a satisfação que esperava por fazer Kenzie se dobrar à vontade dele. — Dominick...? Ele olhou para Kenzie, já vestido, enquanto ela ainda continuava deitada ali, completamente nua, com o cabelo ainda em desalinho e o corpo quente. — Vista-se, Kenzie — disse ele com desprezo. — Acabou a brincadeira. Eu vou voltar para casa e comer alguma coisa. Ela olhou para ele confusa. Dominick queria comer agora, depois do que acabara de acontecer? Mas o que havia realmente acontecido? Ele tinha vindo até a piscina, encontrara-a seminua e decidira completar o serviço e tomar o que sempre considerara como dele, por direito, conforme lhe advertira que faria. O fato de ela ter sentido um prazer mais intenso do que jamais experimentara, a ponto de se comportar de um jeito completamente diferente do habitual não significava que o mesmo tivesse acontecido a Dominick. A vontade de comer agora, aliás, provava justamente o contrário! — Viu só? As coisas acabaram acontecendo fora da minha cama — disse ele, interrompendo os pensamentos tortuosos dela. — E, como nós dois sabemos muito bem, você não foi forçada a nada! — acrescentou ele num tom de escárnio.


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Kenzie sentiu duas lágrimas de humilhação brotarem nos olhos, antes que a raiva se apoderasse deles, fazendo-os arder como duas esmeraldas em chamas. Ela ficou de pé, indiferente à própria nudez. A única intenção era feri-lo como ele estava fazendo com ela. — Não fui eu quem implorou... Solte-me, Dominick! — disse ela, ofegante, quando ele a agarrou pelos braços para puxá-la contra si, mantendo o rosto a apenas poucos centímetros do dela. Ele a empurrou e cerrou os punhos, sentindo um nervo pulsar no pescoço. — Vista-se e volte para casa. Nosso fim de semana ainda não acabou. Para Kenzie, sim! Não havia nada que Dominick pudesse fazer ou dizer que a fizesse permanecer ali por mais tempo do que o necessário para se vestir e pegar a mala!

CAPÍTULO ONZE

Kenzie havia se recomposto e voltado para a casa, dando um suspiro de alívio ao perceber que Dominick não estava na cozinha. Não tivera, porém, a mesma sorte ao tentar seguir para o quarto, a fim de pegar a mala. — Quer uma bebida? — perguntou Dominick erguendo o copo de conhaque quando ela abriu a porta que dava para a sala de estar. Kenzie entrou devagar na sala, olhando-o de maneira desafiadora. — Vou precisar de uma? Ele sorriu. — Provavelmente — disse Dominick, tranqüilo, indo até o bar para servir uma dose de conhaque a ela e, em seguida, colocando o copo sobre a mesinha de centro que ficava em frente ao sofá. Ou ele não queria mais tocá-la de novo, nem mesmo ao acaso, ou aquele era um jeito de forçá-la a se sentar-se no sofá, ao lado dele, o que a deixou na defensiva de imediato. Kenzie pegou o copo e caminhou até a janela, ficando de costas para o


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jardim, de modo que os raios de sol incidindo por trás dela mantiveram o rosto em meio às sombras. Havia demorado algum tempo para voltar para dentro de casa, tentando pensar num modo eficaz de escapar. Ficou tentando imaginar como lidaria com Dominick se não conseguisse partir sem vê-lo, sabendo que a reação desinibida a ele na piscina a deixara definitivamente em desvantagem. — Acho que o adverti de que, estatisticamente, esse tipo de... experiência nunca funciona — lembrou-lhe Kenzie antes de tomar um gole do conhaque, sustentando o olhar dele. Dominick a avaliou por trás dos olhos semicerrados desejando magoá-la e beijá-la ao mesmo tempo! Magoá-la porque não suportava imaginá-la fazendo amor com Jerome Carlton tal como ela fizera com ele, e beijá-la porque todos os beijos não haviam sido suficientes para ele! Em vez disso, porém, olhou para ela com frieza. — É óbvio que não — concordou ele, feliz em ver o rubor zangado que tingiu as bochechas dela. Ela não gostou por ele ter dito isso. Ótimo. Porque ele também não estava gostando nada daquela situação. Durante os meses que haviam se passado desde a partida de Kenzie, ele não pensara em outra coisa. Acreditara que a vingança lhe proporcionaria um doce prazer adicional ao fazer amor com ela, mas tudo o que ele sentia era vontade de estar com ela outra vez! — Melhor agora? — perguntou ele ao ver Kenzie tomar mais um gole. — O conhaque é excelente — respondeu ela, fria, surpreendendo-o. Kenzie era realmente admirável, reconheceu Dominick. Sabia que devia estar insegura por causa do modo como ele a tratara depois dos momentos de paixão na piscina, mas não deixava isso transparecer. Parecia totalmente dona de si. Dominick foi tomado por Uma raiva intensa e desejou arrancar aquele ar de confiança , do belo rosto! — Não está curiosa para saber por que foi que o seu namoradinho teve que adiar a visita à Inglaterra por alguns dias? Kenzie enrijeceu, mas apenas por dentro. Depois da humilhação pela qual Dominick a havia feito passar, não tinha a menor intenção de deixá-lo perceber o quanto ficara perturbada pelo comentário. Reagira instintivamente à abordagem dele. Não poderia ter se negado a


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fazer amor nem se tivesse tentado. Dominick devia estar adorando aquilo tudo. Por um breve momento, ele havia voltado a ser o homem que ela amava, o amante experiente, mas atencioso, que a iniciara nos prazeres do sexo. Apesar da recusa em acreditar nisso, Dominick era o único homem com quem ela já havia feito amor. Mas o Dominick de agora não era o mesmo por quem ela se apaixonara. Como podia ter acreditado que aquilo faria alguma diferença para ele? O fato é que ela havia parado de pensar ao ser tocada por ele outra vez. Tudo o que pôde fazer foi apenas sentir! Ela respirou profundamente, tentando se controlar. — Se ao dizer "namoradinho", você estiver se referindo a Jerome... — Quantos namorados você tem, afinal, Kenzie? — zombou Dominick, com expressão dura. Ela não conseguiu controlar o rubor. Jerome era um homem de 42 anos e jamais tivera qualquer relacionamento íntimo com ela, de modo que nunca poderia ser considerado um namoradinho! — Meu casamento com você não me deixou exatamente ansiosa para voltar a namorar! — disse ela, em tom de acusação. Sabia, porém, que o mesmo não podia ser dito a respeito de Dominick. Ele podia não acreditar no amor, mas era um homem extremamente sensual, e já havia se envolvido com diversas mulheres antes de eles se conhecerem. — Quantas vezes eu tenho que lhe dizer que não tenho, nem nunca tive nada com Jerome Carlton, além de negócios? — disse ela com os olhos brilhando de raiva. Dominick deu de ombros. — É você que sente necessidade de fazê-lo, Kenzie, não eu. — Como foi que você ficou sabendo que ele não ia poder vir à Inglaterra? — perguntou ela impaciente, certa, pela atitude de Dominick, que ele sabia de alguma coisa. A expressão dele se suavizou. — Acontecem tantas coisas — respondeu ele, com um sorriso descontraído. Kenzie engoliu em seco. — E você vai me contar o que aconteceu? — Ia deixar que o próprio Carlton o fizesse, mas por que não? — Dominick


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deu de ombros. — Há cerca de dois anos, a Carlton Cosmetics passou por sérias dificuldades financeiras. Foi quando Carlton decidiu vender 49% de suas ações na bolsa, retendo apenas 31% para si, e 10% para a irmã e o irmão mais novos. Kenzie conhecia Adrian e Caroline Carlton. Adrian também trabalhava na empresa e era tão atraente quanto Jerome, ao passo que Caroline Carlton não parecia ter interesse algum pelos irmãos nem pelos negócios, se preocupando apenas com o dinheiro que ela lhe rendia. Kenzie umedeceu os lábios. — E? Dominick fez uma careta. — Eu diria que Carlton passou os últimos dias desnorteado, tentando descobrir como havia perdido o controle de 51% das ações de sua própria empresa! Foi com satisfação que ele viu o rosto de Kenzie empalidecer e os olhos escurecerem. — Você... — Ela engoliu em seco. — Diga-me que você não é o responsável por isso, Dominick! — disse Kenzie, ofegante, sem conseguir acreditar no que estava ouvindo. Ele sorriu outra vez. — E por que eu mentiria a você sobre isso, Kenzie? Ela ficou olhando para ele por algum tempo para então sentar-se no sofá de forma abrupta, com os dedos trêmulos em torno do copo de conhaque. — Eu lhe disse que você talvez precisasse de uma bebida — disse Dominick, com um olhar afetado. Ela estava tão atônita que não se sentia capaz de se mover ou de dizer alguma coisa. Não podia acreditar que ele havia passado os últimos quatro meses conspirando... Então estes eram os "planos" que ele precisava finalizar na quarta-feira! Mas por que ele fizera aquilo? Ele não a amava, nunca a havia amado, então por que a partida dela o abalara tanto, ainda mais se ele acreditava que ela o deixara para se jogar nos braços de outro homem? Ela havia ferido o orgulhos dos Masters e Dominick lhe dera o troco. Mas a esse ponto? — Não posso acreditar que você tenha feito uma coisa dessas, Dominick — disse ela em voz baixa, balançando a cabeça.


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Ele sorriu com desprezo. — Se você ainda tem alguma dúvida de que sou eu a pessoa que agora possui 51% das ações da Carlton Cosmetics, pode desfazê-la — garantiu ele, antes de terminar o conhaque que ainda havia no copo, desfrutando da sensação do líquido que deslizou quente pela garganta. — Mas creio que Carlton só tenha descoberto isso muito recentemente, quando Caroline lhe contou que vendera seus 10% das ações da empresa... para mim — acrescentou ele com satisfação. Dominick deu de ombros, impassível, e ficou observando a reação de Kenzie. No início ela pareceu magoada e incrédula. Logo depois pareceu aceitar o fato, para então ser tomada por uma raiva que agora ardia nas profundezas dos olhos verdes e no rubor do rosto. Ela pousou o copo de conhaque com força sobre a mesinha de centro antes de se levantar e olhar enfurecida para ele, balançando a cabeça. — Não posso crer que até mesmo você tenha feito algo tão desprezível... — Até mesmo eu? — ele ecoou. — Cuidado, Kenzie. Se ainda não se deu conta, o seu contrato com a empresa agora pertence a mim... — salientou ele. Ela ficou em silêncio por alguns segundos, ainda atordoada com o fato de Dominick ter deliberadamente comprado o controle da Carlton Cosmetics. E com a ajuda de Caroline Carlton, a irmã de Jerome! Este detalhe, porém, não chegava a ser surpreendente. Caroline nunca escondera qual era o único interesse nos negócios da família e Kenzie tinha certeza de que a oferta que Dominick lhe fizera deveria ter sido muito tentadora. — Eu nunca vou trabalhar para você, Dominick. — Então receio que terei de processá-la por quebra de contrato. — O meu contrato é com Jerome. — Seu contrato é com a Carlton Cosmetics! — corrigiu ele. — Da qual eu agora sou o principal acionista. Ele havia precisado de quatro meses para descobrir exatamente quem eram os outros acionistas, para então convencê-los a vender as respectivas partes. A. confirmação, na quarta-feira, da compra dos últimos 10% das ações de Caroline, significava que Dominick estava agora no controle da empresa antes dirigida pelo homem que seduzira a esposa dele, além, é claro, do controle dos oito meses pendentes do contrato de Kenzie.


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A vingança, enfim! Kenzie estava mortalmente pálida. — Então você vai ter que me processar, Dominick — disse ela finalmente, ofegante. — Porque eu não vou trabalhar para você de jeito algum! Aliás... — disse ela, tentando se recompor — depois do que aconteceu hoje, eu não quero voltar a pôr os olhos em você! — Ah, é mesmo? — zombou ele. — Sim, é mesmo! — repetiu ela. — Acho que isso vai ser um pouco difícil, Kenzie, já que eu pretendo cuidar de todos os aspectos que envolvam a Carlton Cosmetics — declarou Dominick. Como ele podia ter feito uma coisa daquelas?, se perguntava ela, ainda muito atordoada. Kenzie já vira muitas facetas daquele mesmo homem desde que o havia conhecido. Ele já fora o Dominick por quem ela se apaixonara, o homem com quem ela havia se casado; aquele com quem não pudera mais permanecer porque ele não era capaz de retribuir seu amor, e, finalmente, aquele profundamente zangado por ela ter ousado abandoná-lo. Mas aquele Dominick à frente, agora, estava consumido pelo desejo de se vingar, tanto de Jerome Carlton, quanto dela, a ponto de arruinar a vida de ambos. Ele, com certeza, já acabara com Jerome e não hesitaria em fazer o mesmo com ela, caso se recusasse a continuar trabalhando para a Carlton Cosmetics! — Acho que consigo entender que você queira se vingar de mim, Dominick, mas não consigo compreender por que sente tanta necessidade de arrastar Jerome comigo também... — É mesmo, Kenzie? — interrompeu ele num tom ferino. — Então você definitivamente não me conhece muito bem. Fitou-o com olhar vazio, olhos impassíveis. — Estou começando a achar que nunca soube realmente quem você é — murmurou ela. — Apenas sei que eu nunca o perdoarei por isso, Dominick. Nunca — garantiu ela, antes de se virar. — Aonde você vai? — gritou ele. Ela se voltou com uma expressão decidida. — Para longe daqui. Para longe de você — disse enfaticamente.


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— Acha realmente que vai ser tão fácil assim, Kenzie? Deixá-lo da primeira vez tinha sido horrível, mas deixar aquele perfeito estranho no qual ele havia se transformado não era dificuldade alguma! Mas certamente não era a isso que Dominick estava se referindo. Ele falava como o acionista majoritário da Carlton Cosmetics, advertindo-a de que se não pudesse anular o contrato, e Dominick parecia perfeitamente seguro de que seria impossível!, ela seria obrigada a se manter vinculada a ele por mais oito meses. E certamente iria encontrá-lo algumas vezes durante esse período. Kenzie olhou para ele com pena. — Sabe o que é mais triste nisso tudo, Dominick? — Ela franziu a testa. — Não, é claro que não — disse ela, respondendo à própria pergunta. — O seu comportamento... A sua atitude... — Ela balançou a cabeça, triste. — Oh, eu não posso negar que os próximos oito meses serão muito difíceis para mim... — Tenho certeza disso — disse ele com rispidez. — Mas você não compreende o que acabou provocando, não é, Dominick? — Kenzie suspirou. — Quer você acredite nisso ou não, eu e Jerome só tínhamos uma relação profissional até agora, mas depois do que fez a ele, você acabou conseguindo nos unir contra você. — Isso não é nenhuma novidade — respondeu, contundente. — Eu sinto pena de você, Dominick — sussurrou ela. — De verdade. — Não desperdice a sua piedade comigo — aconselhou ele. — Pode deixar — aceitou ela com pesar, lançando-lhe um último olhar triste antes de se virar e sair. Dominick ficou parado ali, ouvindo-a subir a escada, para, alguns segundos depois, descer de novo e bater a porta principal, indo embora. Kenzie o estava deixando pela segunda vez! Por mais estranho que parecesse, ele não estava sentindo a satisfação que imaginara alcançar por ter feito amor com ela daquela maneira, nem por lhe comunicar que estava no controle acionário da Carlton Cosmetics. Tudo do que conseguia se lembrar era da repugnância e incredulidade no rosto de Kenzie quando ela ficara sabendo do que ele havia feito. O ódio... Ela agora definitivamente o desprezava, compreendeu Dominick, ao servirse de mais uma dose de conhaque. Estava estampado no rosto dela quando ela o encarou, e na desilusão aflita daqueles olhos.


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Bem, era aquilo que ele havia desejado, não era? Aquilo que elaborara por quatro meses. Por que será então que, aquele que deveria ser o doce sabor da vingança, mais parecia um peso sobre os ombros, lhe provocando um frio na barriga em vez do deleite pelo qual ele havia ansiado?

CAPÍTULO DOZE

Kenzie permaneceu completamente em suspenso depois daquele dia terrível no Solar Bedforth. Dominick passou as cinco semanas seguintes no mais profundo silêncio, sem que ela tivesse a menor idéia de qual seria o próximo movimento dele. Não que aquele silêncio lhe proporcionasse alguma espécie de alívio. Estava surpresa, na verdade. Naquela noite, porém, haveria um evento em comemoração ao lançamento de uma nova fragrância da Carlton Cosmetics, acontecimento ao qual Kenzie, como o rosto oficial da empresa, precisaria estar presente. Ela havia tomado um voo para Nova York especialmente para aquela ocasião e, de acordo com o que Jerome lhe informara, Dominick estava decidido a comparecer à festa também. Kenzie e Jerome haviam se unido, como ela mesma advertira a Dominick, e consultado um advogado para saber o que poderia ser feito a respeito da tomada de controle de Dominick sobre a Carlton Cosmetics e o próprio contrato com a empresa. Mas, como ela já deveria saber, não havia nada de ilegal nas transações efetuadas e não nenhuma cláusula no contrato de Kenzie que a liberasse dos compromissos naquela situação, uma vez que não querer trabalhar para o exmarido alienado não era um argumento legalmente válido! Minucioso como sempre, Dominick enredara a ambos nos trâmites legais. — O desgraçado deve fazer sua entrada triunfal a qualquer momento! — resmungou Jerome ao se aproximar dela, em frente ao salão de um dos hotéis mais luxuosos de toda Nova York, onde a festa teria início. Os lustres resplandeciam sobre as cabeças elegantes dos convidados pertencentes à alta sociedade e integrantes da imprensa. Havia um burburinho


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animado embalado pelo som de um quarteto de cordas ao fundo. Não era difícil adivinhar a que "desgraçado" Jerome estava se referindo! — Talvez ele decida nos fazer um favor e acabe não vindo, afinal — disse ela, com a atenção totalmente voltada para a porta enquanto circulava pelo salão, conversando e sorrindo para os convidados. — Não creio que tenhamos tanta sorte — disse Jerome com uma expressão grave, ainda muito bonito, apesar de seus 42 anos de idade. Kenzie, porém, jamais sentira-se atraída por Jerome. Primeiro porque o conhecera quando ainda estava casada com Dominick e não tinha nenhum interesse em outros homens, e depois, porque ele simplesmente não fazia o tipo dela. Assim como nenhum outro homem fazia, desde que ela e Dominick haviam se separado... — Lá vem ele — anunciou Jerome contundente. Kenzie enrijeceu e chegou a derramar champanhe sobre os dedos que seguravam a haste da taça com tamanha força que ela estava sob risco de se quebrar. — E o maldito ainda trouxe Caroline consigo! — acrescentou Jerome, com raiva. Kenzie estava lambendo a champanhe dos dedos quando se virou a tempo de ver as câmeras registrando a entrada de Dominick. Alto como era, parecia todo poderoso no terno preto de noite complementado por camisa branca e gravata vermelha, exatamente do mesmo tom que o vestido justo que Kenzie usava, percebeu ela, atordoada. Ao lado, bela e triunfante, estava Caroline Carlton, com os cabelos loiros caindo soltos sobre os ombros desnudos, e o vestido preto e brilhante, aderindo às curvas voluptuosas. Kenzie não sabia que Dominick pretendia trazer alguém com ele, pois não costumava informar ninguém a respeito dos planos, mas não foi surpresa para ela que a escolhida fosse Caroline. Houve uma briga muito grave entre Caroline e os irmãos depois que eles descobriram o que ela fizera. Eles a haviam proibido de se aproximar deles ou de qualquer outra coisa que dissesse respeito à Carlton Cosmetics. Dominick, com certeza, estava se divertindo muito por trazer aquela mulher para um evento ao qual ela não fora convidada! — Talvez você devesse tentar desconcertá-lo e ir até lá dizer um alô — sugeriu Kenzie, ciente de que a maioria dos convidados agora os estava observando. Todos eles sabiam que Dominick assumira o controle da Carlton Cosmetics,


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afinal os jornais comentaram o fato durante nove dias no mês anterior. As pessoas estavam curiosas para ver o que aconteceria a seguir, em especial aquelas ligadas à imprensa. Mas como ainda não havia sido veiculado nada a respeito do iminente divórcio entre Kenzie e Dominick, ele ainda não tinha assinado os papéis, nenhum órgão da imprensa parecia ciente da separação deles, graças a Deus! Jerome olhou para ela de forma ameaçadora. — Vá você até ele para dar um olá. Eu vou pegar mais uma bebida! — resmungou ele, irritado, antes de desaparecer em meio à multidão. Kenzie fechou os olhos por um segundo. Seis meses e meio de contrato. Isso era tudo o que ela ainda precisaria agüentar... — Você está muito bonita esta noite, Kenzie — sussurrou Dominick ao se aproximar dela. Ele a ficou observando enquanto Kenzie se virava para ele com os olhos verdes arregalados e as bochechas parecendo empalidecer levemente sob a maquiagem aplicada com cuidado sobre o rosto. Maquiagem de que, Dominick sabia muito, Kenzie, na verdade, não precisava. A beleza natural era tamanha que não precisava de nenhum reforço. Ela estava deslumbrante no vestido justo vermelho, com os seios despontando do decote, a cintura delgada e quadris sensualmente arredondados. Ela parecia se destacar naquele salão cheio de pessoas bonitas, com o brilho de uma chama incandescente, de modo que Dominick não teve nenhum problema em localizá-la assim que chegou, mesmo tendo de enfrentar os flashes irritantes e sorrir para as câmeras. — Champanhe? — disse ele, oferecendo uma das taças que havia trazido. Ela arqueou as sobrancelhas. — Você não deveria estar oferecendo isto a Caroline? Ele deu de ombros. — Acho que ela foi ter uma conversa com o irmão mais velho. Kenzie deu uma olhada pelo salão em direção até onde Jerome e Caroline pareciam estar em meio a uma discussão acalorada. — Pelo jeito, não está sendo uma conversa muito agradável — comentou ela friamente, ignorando a champanhe que ele lhe oferecera. — Você não se importa de ter causado um desentendimento deste tamanho na família de Carlton? Sabendo o valor que Kenzie dava à família, a ponto de ter feito aquele acordo com ele, Dominick compreendeu que aquele era realmente um problema grave aos olhos dela, talvez até maior que o fato de ele ter usurpado o controle


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da Carlton Cosmetics de Jerome. — Mas é claro que isso não o incomoda — comentou Kenzie. — Tenho certeza de que isso só serviu para que você confirmasse mais uma vez a fragilidade dos relacionamentos familiares! Tenso, Dominick pressionou os lábios diante da provocação. Não fora nada fácil para ele passar as últimas cinco semanas deliberadamente longe de Kenzie, desejando muito vê-la outra vez, mas sabendo que ele era a última pessoa que ela queria ver. Afinal, deixara isso bem claro na última vez em que estiveram juntos. O problema, que havia, aliás, ficado maior a cada dia que passava, era que ele queria ver Kenzie. A última vez em que eles se encontraram e fizeram amor à beira da piscina, no Solar Bedforth, fora simplesmente de arrasar, e as lembranças daquele momento não saíam da cabeça dele. Kenzie dissera a ele que o casamento havia acabado, que ela queria o divórcio. Como tinha podido então fazer amor com ele daquela maneira se não sentia mais nada? Para ser mais preciso, como é que ele havia feito amor com ela daquela maneira se não sentia nada? Ele sempre fora um homem que sabia controlar as emoções, mas havia perdido completamente as rédeas da situação naquele dia, ao lado da piscina, tendo se sentido verdadeiramente vivo pela primeira vez depois de meses! O fato de a raiva que ardera de maneira tão perigosa dentro dele durante os quatro meses anteriores ter desaparecido depois que Kenzie foi embora, deixando-o com aquele vazio, não estava ajudando em nada. A intenção sempre fora estar presente quando Jerome Carlton ficasse sabendo que tinha perdido o controle da empresa, mas depois daquela conversa com Kenzie, e do olhar de decepção e repugnância que ela lançara antes de ir embora, ele preferiu permanecer distante para não ter de ver aquele olhar no rosto de Kenzie outra vez. Qualquer que tivesse sido a loucura que se apoderara dele depois que Kenzie o abandonara há cinco meses e meio, desaparecera, deixando no lugar apenas a constatação de que Kenzie o odiava, além da consciência de que, graças à própria ânsia de vingança, ele destruíra qualquer sentimento que ela ainda pudesse ter por ele. Dominick havia acreditado piamente que era isso o que ele queria, mas descobrira, depois de ter sido abandonado pela segunda vez, que não era o ódio dela o que ele desejava...


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Não era de admirar que Kenzie tivesse sentido pena dele há cinco semanas. Ele também teria pena de si se não detestasse a autocomiseração! Tinha sido um perfeito idiota, mas só se dera conta disso tarde demais! — Eu não penso em fragilidade quando se trata da sua família — lembrou ele. — Creio que aceitei ir ao casamento de Kathy para ajudá-la em seu esforço de não perturbar nem afligir seu pai depois do ataque do coração... Algo brilhou de relance nos olhos verdes dela. Mas desapareceu antes de Dominick ter chance de analisá-lo. — Mas por um preço, Dominick. Ele franziu a testa ao ser lembrado disso. — Eu também não sou responsável pelo desentendimento na família de Carlton. A culpa é da avareza de Caroline. Kenzie deu de ombros. — Você com certeza lhe fez uma oferta irrecusável! Era verdade. E era óbvio também o que Kenzie pensava de tal manobra. O desprezo que ele estava sentindo por si era tão estranho para ele quanto a autopiedade. — Carlton também pode me fazer uma oferta que eu não possa recusar e comprar as ações de volta de mim! Kenzie olhou para ele afetada por uma sombra de dúvida e então balançou a cabeça, sem acreditar no que ouvira. — Só para que você tivesse a satisfação de recusá-la? Acho melhor não, Dominick! — Talvez eu não dissesse "não" — respondeu, dando de ombros. — Afinal de contas, eu consegui realizar o que havia me disposto a fazer... — Se vingar de Jerome e me humilhar? — interrompeu Kenzie com aspereza, sem saber por quanto tempo conseguiria prolongar aquela conversa. As pernas estavam trêmulas é ela estava começando a ver pequenos pontos de luz dançarem na frente dos olhos. Devia ser porque ainda não havia comido nada, pensou. Estivera nervosa demais com a perspectiva de se encontrar com Dominick outra vez para sequer pensar em comida, e chegara a enjoar pela manhã de tanta apreensão. A julgar pela fraqueza, porém, ela deveria ter se forçado a comer alguma coisa, porque estava se sentindo prestes a desmaiar aos pés de Dominick.


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— Eu não... — Dominick interrompeu a resposta impaciente e franziu a testa, com uma expressão grave ao olhar para ela. — Kenzie, você está bem? — Não, eu não estou nada bem — respondeu irritada. — Essa situação está sendo muito mais difícil do que eu achei que seria! Ele podia ver pela palidez do rosto dela e pelas olheiras escuras sob os olhos. Estava ainda mais magra que da última vez em que a vira cinco semanas atrás... Ele franziu a testa ainda mais. — Acho que você precisa comer alguma coisa... — E eu acho que você precisa me deixar em paz! — disse ela, nervosa. Mas ele não podia fazer isso agora que a vira de novo, que conversara com ela outra vez. Não sabia com ia permitir que ela tivesse mais uma oportunidade de deixá-lo! — Se me der licença, Dominick — disse Kenzie com uma careta, determinada a não desmaiar. Se aquilo fosse acontecer, que ao menos não fosse perto dele! Ele estendeu a mão para lhe tocar o braço. — Kenzie... — Eu preciso retocar minha maquiagem — acrescentou ela com firmeza, se desvencilhando dele. — Pode vir comigo se quiser — adicionou zombeteira ao ver a expressão dele —, mas acho que as pessoas iam estranhar um pouco vê-lo entrando no banheiro das mulheres! Mas foi apenas o olhar dele que a seguiu, cheio de desejo, enquanto ela se movia graciosa pelo salão, se detendo para conversar e sorrir para vários convidados no meio do caminho. Bem, o que ele esperava? O comportamento de cinco semanas atrás havia sido decisivo para que Kenzie nunca mais se dispusesse a ficar na empresa por livre e espontânea vontade. Aliás, ela lhe dissera isso com todas as letras quando se despedira naquele dia. Mas depois de cinco angustiantes semanas, ao olhar com firmeza para si, e não gostar nem um pouco do que via, ele sabia que estava recebendo exatamente o que merecia. Nem mesmo a relação de Kenzie e Jerome Carlton lhe parecera mais tão certa como antes. Kenzie havia dito a Dominick que o amava, mas ele lhe dissera que era incapaz de retribuir aquele amor, portanto talvez fosse ele próprio o


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culpado por ela ter se voltado para Jerome Carlton. Talvez ele mesmo a tivesse jogado nos braços de um homem que realmente a amava...? Só que Dominick não acreditava que Jerome Carlton fosse mais capaz do que ele de amar uma mulher. Sabia, pelas investigações que havia encomendado há cinco meses e meio, que Jerome Carlton era superficial, vaidoso e implacável quando se tratava de negócios, uma característica que Dominick infelizmente reconheceu nele mesmo. Os casos dele eram lendários, bem como o final deles, quando o interesse por elas ou a possibilidade de usá-las para algum propósito chegava ao fim também. Mas não o caso com Kenzie. Ao menos, ainda não... As pernas de Kenzie conseguiram levá-la somente até o toalete, quando ela caiu sobre um pequeno sofá de veludo vermelho que havia no centro do elegante banheiro todo de mármore. Se abaixou para colocar a cabeça entre os joelhos ao sentir uma onda de enjôo se apoderar. Aquilo era horrível. Sabia que aquela noite seria uma provação, mas achou que estava preparada, pelo menos, na medida do possível, e, no entanto, quase havia bancado a idiota, desmaiando na frente dele! Ela não ia desmaiar. Não ia dar esse gostinho a Dominick. Apesar disso, precisou esperar alguns minutos até a vertigem passar para poder ir até a pia e jogar um pouco de água no rosto. Várias outras mulheres entraram no banheiro neste ínterim. Kenzie sorriu para todas em resposta às perguntas preocupadas, garantindo-lhes de que se tratava de um mal-estar passageiro causado pelo calor do salão. Ela estava de pé na frente da pia, verificando a aparência no espelho, quando viu Caroline Carlton entrando, atrás dela. Kenzie enrijeceu levemente antes de desviar o olhar sem qualquer reserva. Elas nunca haviam sido amigas antes e agora tinha absoluta consciência de que o fato de Caroline ter vendido as ações da Carlton Cosmetics os colocou naquela posição. Caroline pressionou os lábios ao se aproximar de Kenzie, na frente do espelho. — Suponho que você não goste muito de mim — zombou ela, enquanto remexia na bolsa à procura do brilho labial. Kenzie deu de ombros. — O que você decide fazer com as suas propriedades decididamente não é


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da minha conta, Caroline — disse Kenzie, virando-se, com a intenção de voltar à recepção. — Então tente convencer meu irmão disso! — resmungou Caroline. Kenzie lançou um sorriso triste para a outra mulher. — Receio que eu não tenha esse tipo de influência sobre Jerome. Caroline deu um sorriso sarcástico. — Mas não é isso o que Dominick acha! Kenzie enrijeceu de imediato. — Dominick...? — repetiu ela, com estranheza. — Você é realmente muito gananciosa, Kenzie — disse Caroline num tom reprovador. — Jerome passou meses atendendo todos os seus caprichos, Dominick ainda continua enfeitiçado por você! — Eu não creio que isso seja verdade — respondeu com tranqüilidade. — De qualquer maneira — acrescentou Kenzie com firmeza, já cansada das pessoas fazerem suposições sobre o seu relacionamento com Jerome. Isso sem falar na suposição de que Dominick estava enfeitiçado por ela... — Fique à vontade — disse Caroline, obviamente entediada com aquele assunto. — Eu só entrei aqui para ver se você estava bem, e como está tudo certo... — E por que você se importaria se eu estou bem ou não? — Eu não me importo, mas Dominick sim — disse Caroline, maliciosa. — Ele me mandou aqui para ver se você estava bem, como se eu fosse um garoto de recados... Kenzie não ouviu o que Caroline disse a seguir. A vertigem voltou com toda a força, enquanto todas as cores do arco-íris pareciam dançar à frente dos olhos antes de ela ser engolida por uma escuridão total.

CAPÍTULO TREZE

Kenzie sentiu-se completamente desorientada ao despertar. Não reconheceu o quarto em que estava nem tinha a menor idéia de como tinha ido


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parar ali. Ao olhar ao redor, porém, conseguiu reconheceu o homem alto na janela, olhando aflito para a vista de Nova York. — Dominick...? cama.

Ele se virou imediatamente ao ouvir a voz de Kenzie, e sentou-se ao lado na

— Não se mexa — disse ele com firmeza quando ela tentou se levantar. — O médico já deve estar chegando — acrescentou. — Mas... — Por favor, não se mexa, Kenzie — disse Dominick segurando levemente os ombros dela, empurrando-a contra os travesseiros. — Nós ainda não temos idéia do que aconteceu com você, e até que tenhamos, acho melhor você ficar deitada, quietinha — aconselhou com doçura, levando a mão instintivamente até os cabelos dela para afastá-los do rosto pálido. Deixou sua mão cair, pois ela afastou o rosto, evitando o toque. Kenzie umedeceu os lábios. — O que aconteceu? Num minuto eu estava conversando com Caroline e no outro... Onde estou? Ou melhor, como foi que eu vim parar aqui? — perguntou ela, franzindo a testa, confusa. — Eu me hospedei aqui no hotel, por isso a trouxe para a minha suíte — explicou Dominick antes de se levantar para se afastar, sem ter idéia do que havia de errado com Kenzie, mas muito ciente de que a proximidade não a estava ajudando a sentir-se melhor. — Quanto a como você chegou aqui, eu a carreguei... — Mas eu estava no banheiro das mulheres quando desmaiei! — protestou Kenzie quando a memória começou a voltar. Dominick deu um sorriso pesaroso. — Eu acabei seguindo-o até o banheiro, no final das contas. Você tinha razão. Foi uma verdadeira sensação — reconheceu ele. — Embora o fato de você ter saído de lá nos meus braços, inconsciente, tenha sido o verdadeiro motivo para isso! — acrescentou ele. Kenzie fechou os olhos, imaginando a comoção que aquilo deveria ter causado. E ela que queria que tudo transcorresse na maior normalidade. Jerome provavelmente tivera um ataque ao ver Dominick salvar o rosto da Carlton Cosmetics daquela maneira despótica! — Por que você me trouxe justamente para o seu quarto de hotel? — protestou ela, tentando se sentar. — Já lhe pedi para ficar quieta! — disse Dominick, voltando para o lado


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dele na cama. Os olhos dela escureceram ao olhar para nele. — Tenho certeza de que você achou que estava fazendo o que era melhor quando me trouxe para cá, Dominick, mas não deixe que isso lhe dê a impressão equivocada de que você tem o direito de me dizer o que fazer! — Talvez não — reconheceu ele com amargura. — Definitivamente não — disse ela, decidida. — Agora, se me der licença, eu tenho um trabalho a fazer... — Você não vai a lugar algum até que o médico a veja — insistiu um Dominick bastante severo. Kenzie sentou-se para lançar as pernas para fora da cama e colocar os pés no chão. — Eu não preciso de nenhum médico. Só estive ocupada demais hoje e não tive tempo para comer, só isso... — Está querendo me dizer que a expectativa de me ver novamente foi tanta que você não conseguiu nem comer!? Dominick sabia exatamente como era a sensação. Ele mesmo não havia conseguido comer nada durante o dia. A verdade é que não conseguia se lembrar da última vez em que fizera uma refeição decente... Kenzie olhou para ele, contundente. — Não seja tão presunçoso, Dominick — disse com desprezo. — Eu não pensei o suficiente em você nessas últimas cinco semanas para sentir o que quer que fosse — acrescentou. — Não? — zombou ele, para esconder o quanto ficara abalado com o que ela dissera. Ele não havia pensado em outra coisa durante esse mesmo período! — Não! — retrucou, firme. — Agora, se você não se importa de sair do meu caminho, preciso descer para tentar reparar os estragos que você possa ter causado com seu ato heróico... — Você preferiria que eu a tivesse deixado ali no chão, é isso? — esbravejou. — Creio que já lhe disse que quero distância de você — disse Kenzie. — Vá procurar Caroline. Tenho certeza de que ela ficará felicíssima em vê-lo! — Caroline? — repetiu Dominick. — O que Caroline tem a ver com isso? — Você veio com ela, não foi? — lembrou Kenzie, com a cara fechada. — Ela veio comigo — corrigiu Dominick. — Telefonou-me antes perguntando


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se podia fazê-lo. — Ah, é mesmo? — É mesmo! — confirmou ele, frustrado, passando a mão pelos cabelos escuros e espessos. — E você ficou muito feliz em dizer que sim! — acusou Kenzie. — Não, eu... — interrompeu ele. — E o que lhe importa com quem eu vim ou deixei de vir à festa, Kenzie? É verdade. Que diferença fazia, ela se perguntou. Ver Dominick outra vez e conversar com ele lhe dera a oportunidade de perceber que os sentimentos por ele não haviam se extinguido. Ela só os tinha escondido num recanto escuro do coração onde não pudessem mais feri-la. Onde Dominick não pudesse mais atingi-la. Nas últimas semanas, ela se concentrara em se lembrar da raiva e da decepção que havia sentido quando se despedira, mas tudo mudou subitamente assim que o viu chegar à festa com Caroline Carlton. Tinha sentido ciúmes daquela mulher agarrada de forma tão íntima ao braço dele! Por que ele escolhera justamente Caroline Carlton, entre todas as mulheres? Uma mulher de quem ela nunca havia gostado, e de quem certamente jamais gostaria agora. Mesmo assim, ainda era ciúme o que sentia. Mesmo depois de tudo o que havia acontecido, depois de toda a dor que eles deliberadamente infligiram um ao outro, ela ainda amava Dominick, e essa era a razão pela qual se importava que ele tivesse ido à festa com outra mulher. — Não me importa — mentiu ela. — Só achei que você poderia ter tido num pouco mais de bom gosto, só isso. Dominick esboçou um olhar ameaçador. — Eu nunca tive nem tenho qualquer envolvimento com Caroline Carlton... — Eu já lhe disse que não tenho o menor interesse em saber com quem você está ou deixa de estar! — Pois não é o que me parece! — Eu não me importo com o que você acha... A discussão foi interrompida por uma batida na porta.


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— Deve ser o médico — disse Dominick. — Ao menos deixe-o examiná-la, já que ele está aqui. Kenzie cedeu aos argumentos de Dominick, recostando-se novamente aos travesseiros, esgotada, enquanto ele ia até a porta para atender o médico. Ainda estava bastante zonza e sabia que seria muita teimosia se levantar agora e descer. Tinha certeza, porém, de que o médico lhe diria que o desmaio se devia ao acúmulo de tensões e ao fato de ela não ter ingerido nenhum alimento ao longo do dia, de modo que não havia razão para Dominick manter um ar tão grave enquanto ela respondia às perguntas. — Dominick, você se importaria de ir para o outro cômodo? — pediu ela quando o médico expressou o desejo de fazer um exame mais minucioso. É claro que ele se importava, reconheceu Dominick. Kenzie não tinha idéia do choque que fora para ele quando Caroline Carlton saiu correndo do banheiro das mulheres dizendo que Kenzie havia desmaiado. Não vira com que gentileza ele a tomou nos braços, ignorando as perguntas de Jerome Carlton quando emergiu no salão lotado, ainda com Kenzie aninhada a ele. Não o viu carregá-la energicamente até o elevador do hotel e gritar para que o gerente chamasse um médico imediatamente, e conduzi-lo à suíte assim que ele chegasse. Ela estava tão pálida... Parecia frágil e leve como uma pluma, apesar da grande estatura. Ele, portanto, se importava, e muito, de sair dali, pois queria saber exatamente o que havia de errado com ela! — O seu marido pode ficar aqui, senhora Masters — disse o médico com um sorriso, obviamente intimidado com o olhar ameaçador de Dominick. O rosto de Kenzie recuperou um pouco da cor natural. — Ele não é... — Vou ficar na outra janela, se isso a deixa mais à vontade, Kenzie — interrompeu Dominick ao perceber que ela ia protestar, dizendo que ele não era mais o marido dela e que não queria ser chamada de senhora Masters. Mas ela ainda o era, pensou Dominick, enquanto seguia para o canto oposto do quarto, sem ouvir mais as vozes de Kenzie e do médico. Kenzie ainda era a senhora Masters, gostasse disso ou não. Ainda era a esposa dele. E ele, marido dela.


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Ele havia tomado os papéis do divórcio nas mãos dezenas de vezes nas últimas cinco semanas, não com a intenção de assiná-los, mas como uma forma de lembrar-se de que, independentemente do quanto ele pudesse ter mudado, Kenzie não queria mais nada com ele. Percebeu vagamente que ela entrara no banheiro, para então retomar, alguns minutos depois, e voltou a ouvir os murmúrios quando o médico falou com ela outra vez. — Bem, acredito que esteja tudo na mais perfeita ordem — disse o médico com um sorriso, se levantando e se voltando também para Dominick. — Não há nada com o que se preocupar, senhor Masters... — Kenzie teve um colapso. É claro que eu estou preocupado — disse abruptamente. — Sua esposa só teve um desmaio, senhor Masters — garantiu o médico ao guardar as coisas de volta na maleta. — Isso é perfeitamente comum nesta fase, eu lhe garanto. E claro que a senhora Masters deverá fazer uma consulta o quanto antes, e se estes desmaios continuarem... — O que há de errado com ela? — interrompeu Dominick, já no limite da paciência. — Creio que devo lhes dar os parabéns — disse o médico. — Sua esposa está nas primeiras semanas de gestação. Grávida? Kenzie estava grávida!

CAPÍTULO QUATORZE

— Tenho a nítida sensação — murmurou Dominick ao retornar ao quarto depois de acompanhar o médico até a porta e ver a expressão de Kenzie — de que não devo sequer ousar fazer alguma pergunta quanto à paternidade do seu bebê neste momento! — Sua sensação está corretíssima! — disse Kenzie por entre os dentes cerrados, sem ainda sequer ter se acostumado à idéia de estar grávida. Aquela possibilidade nem havia lhe ocorrido...


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Ela estava esperando o bebê que tanto desejara seis meses atrás! O bebê de Dominick... Aquele pensamento lhe tirou o fôlego. Chegou mesmo a se surpreender por não ter desmaiado outra vez quando o médico anunciou o diagnóstico. Grávida. Mas não como ela sempre havia sonhado, como conseqüência de um casamento feliz. Ela não vivia mais com o pai do bebê. Ambos estariam divorciados assim que Dominick assinasse os papéis. Ela realmente estava grávida. Grávida de um filho de Dominick. Sabia que ele não queria nem precisava de um filho, mas tinha certeza de que ela amaria aquele bebê por ambos. — Eu não sei o que você está pensando agora, Kenzie — disse Dominick com a voz rouca, vendo as emoções flutuarem no rosto dela. — Embora possa ter uma idéia! — acrescentou com pesar. — O que quer que seja, porém, creio que seria melhor pararmos de discutir, pelo menos até você comer alguma coisa. Aquela calma era apenas aparente. Ele nem sabia dizer o que estava sentindo. Kenzie estava grávida! De um filho dele? Ou seria de Carlton? Sentiu um aperto no coração ao pensar nisso. — Vou pedir alguma coisa para você comer enquanto ligo para os seus pais... — Ainda é muito cedo para contar a eles sobre a minha gravidez — protestou Kenzie. Ela própria ainda não havia se acostumado, que dirá compartilhá-la com o restante da família. — Eu não estava sugerindo que você contasse à sua família sobre a gravidez — garantiu ele secamente. — Só achei que seus pais poderiam ficar preocupados se vissem as manchetes nos jornais de amanhã depois do seu colapso c de todos aqueles repórteres nos fotografando quando eu a carreguei aqui para cima. Seria bom que você ligasse para eles e dissesse que está bem. Kenzie ficou olhando para ele por algum tempo, surpresa por ele ter se importado com o bem-estar dos pais dela. — Está bem — concordou ela finalmente, um pouco receosa.


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Onde estava o Dominick que ela conhecia tão bem e que não hesitaria em acusá-la e recriminá-la? Talvez estivesse apenas atordoado, tal como ela. — Um sanduíche basta, ou você prefere algo mais substancial? — perguntou ele com a mesma calma que tanto a perturbava. — Um sanduíche seria ótimo. café.

— Com café ou suco? Eu realmente não sei se grávidas podem ou não tomar — Um suco seria bom — murmurou Kenzie, ainda desconfiada. Ele assentiu.

— Não vou demorar muito. Se quiser ligar para os seus pais... — lembrou antes de se afastar. Kenzie ficou parada por muito tempo depois de Dominick sair, ainda confusa com o comportamento dele. Há cinco meses, ou até mesmo há cinco semanas, não teria nenhuma dúvida em prever qual seria a reação dele ao saber que ela estava grávida e quanto à perspectiva de ser pai. Agora, porém, ela sabia o que ele estava pensando ou sentindo. Mas isso se devia provavelmente ao fato de ele não ter certeza se aquele bebê era dele, pensou ela. Por que deveria? Eles haviam feito amor apenas uma única vez nos últimos cinco meses e meio, enquanto Dominick achava que ela e Jerome praticamente viviam juntos. Ao passo que ela sabia que aquele filho não podia ser de ninguém mais além de Dominick! Aquilo a deixava numa situação bastante capciosa. Será que ela deveria contar que o bebê era dele, ou seria melhor deixar que ele continuasse acreditando que ela poderia estar grávida de outro? Só tinha certeza de uma coisa: Dominick não queria que aquele bebê fosse dele! Kenzie continuou naquele turbilhão de dúvidas enquanto Dominick providenciava algo para ela comer. Ele e Kenzie haviam feito amor há cinco semanas, de modo que, dependendo do estágio da gravidez, Kenzie poderia estar grávida de um filho dele. Como ele se sentia a esse respeito?


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Não sabia como se sentia a respeito do bebê, e nem sequer estava conseguindo quantificar ou racionalizar as emoções em relação a algo que até agora estava tão além da compreensão dele. A idéia de que Kenzie estava grávida de um filho dele, porém, era algo inteiramente... Se aquele bebê fosse dele, e as chances eram bastante remotas, reconheceu, queria ajudá-la em tudo o que fosse preciso, com presença física e apoio, tanto financeiro quanto qualquer outro. A pergunta era se ela ia querer a ajuda dele para o que quer que fosse. — Seus pais estão bem? — perguntou ele ao voltar para o quarto e encontrá-la ao lado da cama, perto do telefone. Ela se virou para ele sem expressão alguma no rosto, perdida em seus devaneios. — Sim — respondeu ela rapidamente, se levantando. Contenha-se, Kenzie, disse ela a si. Ainda teria muito tempo para pensar na magnitude do que estava acontecendo, quando estivesse sozinha, à noite. — Como está o seu pai agora? — perguntou Dominick. — Bem melhor — respondeu ela, um pouco impaciente. — Dominick, se quiser começar suas acusações agora, vá em frente. Eu já estou bem menos atordoada do que há alguns minutos — garantiu. — Eu não... — Ele balançou a cabeça, empalidecendo. — Eu não sei o que dizer — reconheceu finalmente. Tudo o que sabia era que, o que quer que dissesse nos próximos minutos, estaria errado! — Deve ser a primeira vez que isso acontece com você — murmurou Kenzie. Ele deu de ombros. — Tudo isso é muito novo para mim. — Mas você não quer saber se esse bebê é seu ou não? — perguntou Kenzie. Será que ele queria? Não estava bem certo. Se ela lhe dissesse que não havia meio de aquele bebê ser dele, estaria tudo acabado. Carlton certamente ia querer o bebê, tanto quanto Kenzie, e ele a perderia para sempre. Depois de ter passado o fim de semana com ela, há cinco semanas, e tê-la visto novamente agora, ele só tinha certeza de que não agüentava a idéia de perdê-la. Não suportava sequer pensar em não poder mais abraçá-la, conversar com ela, rir com ela... — Não precisa fazer essa cara de tão preocupado, Dominick — zombou


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Kenzie ao ver a expressão dele. — Este bebê, sendo seu ou não, não vai afetar sua vida em nada... — Não seja tão estúpida, Kenzie! — disse ele com impaciência, enfiando as mãos nos bolsos e começando a andar de um lado a outro. — É claro que isso vai me afetar. Afinal de contas, se trata do meu filho, ou da minha filha! — disse ele franzindo a testa. Ela arqueou as sobrancelhas. — E isso o perturbaria? — É claro que me perturbaria! — Dominick se deteve para olhar para ela. — Eu reconheço que nunca pensei em ser pai... — Nem desejou — acrescentou Kenzie, se lembrando de como ele havia se oposto veementemente àquela idéia, a ponto de acabar com o casamento! — Ou desejado — aceitou ele. — Mas há uma grande diferença entre falar sobre um possível bebê mítico e ser apresentado a um fato consumado! Um fato consumado... Era isso o que Dominick pensava a respeito da criança que ela estava carregando? — Pode relaxar, Dominick, porque este bebê não é seu! Sabendo como ele se sentia em relação à possibilidade de ser pai, ela decidiu que aquele bebê seria somente dela. Dela, e de ninguém mais. Dominick sentiu que lhe faltava o ar. Fechou os olhos para tirar Kenzie do campo de visão enquanto tentava recuperar o fôlego e lutava para conter a náusea que subia pela garganta. Aquele não era o filho dele! Ele quis gritar, brigar, bater em alguém, em qualquer pessoa, sentia a decepção e a dor tomarem conta dele. Como havia desejado que o bebê de Kenzie fosse dele também, como desejara que Kenzie voltasse para ele. Depois daquelas últimas angustiantes semanas em que descobrira que odiava a vida sem ela, ele definitivamente não teria se importado se ela voltasse para ele apenas por causa do bebê. Mas agora ele a perdera para sempre. Ela jamais voltaria a viver com ele esperando um filho de outro homem. Ele se recompôs, tentando recuperar o controle, e olhou para ela. — Como você acha que Carlton vai reagir à notícia — perguntou, cerrando


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os dentes. Kenzie riu. — Eu realmente não creio que isso seja da sua conta, Dominick. Talvez não fosse, mas ele queria saber do mesmo jeito! Carlton era superficial e egoísta. Já tinha 42 anos de idade e jamais tivera um compromisso sério com mulher alguma. E se Carlton não a quisesse, Kenzie... O que ele estava pensando? Que se Carlton não quisesse o bebê, ele poderia convencer Kenzie a voltar para ele? Ela decidiu que já havia tido o bastante por aquela noite, e que precisava ficar o mais longe possível de Dominick para poder pensar no que faria da vida dali em diante. porta.

— Acho... — disse ela finalmente quando se ouviu uma batida forte na

— Masters, abra essa maldita porta! — gritou Jerome logo depois. — Eu sei que Kenzie ainda está aí e quero falar com ela! — acrescentou ele para depois bater outra vez. — Não se incomode — disse Kenzie a Dominick quando ele se virou para abrir. — Eu vou descer de qualquer jeito — disse ela. — Kenzie...? — perguntou Dominick, surpreso. Ela se deteve e olhou para ele com uma expressão zombeteira. — Já lhe disse para não se preocupar comigo, Dominick — disse suavemente. — Já sou bem grandinha e mais do que capaz de cuidar de mim e do bebê, se for preciso. Dominick apertou os lábios. — Eu vou matá-lo se ele não assumir a responsabilidade... — E de que adiantaria isso? — perguntou ela. — Isso me faria sentir bem melhor! — esbravejou ele. — Não sei por quê — disse Kenzie, ainda sorrindo. — Você, por acaso, se esqueceu de que deixou Caroline sozinha lá em baixo? — lembrou-lhe. — Caroline sabe muito bem cuidar de si! — disse ele, sem demonstrar o menor interesse naquele assunto. — Kenzie, você está aí? — gritou Jerome, já chacoalhando a porta. — Eu realmente tenho que ir agora — disse Kenzie a Dominick, com


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firmeza. — Eu... Obrigada pela ajuda — acrescentou ela. — Mas você ainda não comeu nada — insistiu Dominick. — Pedirei alguma coisa lá em baixo — garantiu ela. — Eu... Adeus, Dominick. Ela ainda lhe lançou um último sorriso trêmulo antes de partir. Como se ele fosse um perfeito estranho a quem ela tivesse de agradecer a atenção dispensada, pensou Dominick, ao se ver sozinho. Era isso que ele seria para ela daqui para a frente? Será que ela se casaria com Carlton depois que o divórcio fosse consumado e ele a perderia para sempre? nada.

Não podia ficar ali, parado, deixando tudo aquilo acontecer sem fazer Mas ainda havia alguma coisa a fazer? Claro que sim.

Kenzie já o amara uma vez. Talvez ainda não fosse tarde demais para fazer com que ela voltasse a amá-lo de novo. Ele não ia desistir dela sem lutar, da mesma forma que fizera há cinco meses!

CAPÍTULO QUINZE

— O que você está fazendo aqui, Dominick? — perguntou Kenzie, espantada, olhando para ele, na manhã seguinte, quando atendeu a campainha do apartamento que havia alugado enquanto trabalhava em Nova York, e deu de cara com ele no corredor. — Como você sabia onde eu estava morando — acrescentou ela, com uma expressão severa. Dominick não parecia tão imponente como de costume, pensou ela, depois de observá-lo por alguns momentos. Os cabelos escuros estavam jogados para trás de maneira negligente, a barba por fazer e a roupa amarrotada. As olheiras escuras e profundas davam a impressão de que ele não dormira a noite toda. Ele deu de ombros. — Eu pedi a Caroline que me desse seu endereço... — E ela lhe passou o meu endereço aqui em Nova York sem pensar duas


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vezes, não é? — disse Kenzie, sarcástica. Dominick sorriu. — Ela me xingou um pouco também! Aquilo não era muito difícil de imaginar, considerando a ridícula acusação que Caroline fizera no banheiro das mulheres, dizendo que Dominick ainda era fascinado por ela! — O que você quer, Dominick? — perguntou, ciente de que Jerome estava para chegar a qualquer momento, provavelmente para terminar a discussão à qual eles haviam dado início na noite anterior, depois que todos os convidados se foram. Dominick não havia voltado para a festa, e Kenzie concluiu que isso só poderia se dever ao fato de ele não querer vê-la depois de saber da gravidez. Considerando o próprio estado de confusão, Kenzie chegou a ficar grata por não ter de encará-lo outra vez. Comeu alguma coisa antes de retomar à função como o rosto oficial da Carlton Cosmetics, tentando se desvencilhar da curiosidade dos outros convidados a respeito do desmaio, com a desculpa de que deveria estar pegando uma gripe. Era uma desculpa bastante esfarrapada, mas fora a melhor que ela conseguira inventar na hora! — Dominick? Ele deu de ombros, sem saber ao certo o que estava fazendo lá. Tudo o que sabia era que queria ver como ela estava, depois de ter falado com Carlton na noite anterior... — Eu tive uma reunião logo cedo, por isso pensei em ligar para saber como você estava... — Eu estou bem — respondeu Kenzie, um pouco receosa, ainda estranhando a aparência dele. Dominick sorriu ao perceber o motivo da estranheza. O fato é que ele não tivera a menor preocupação em impressionar a pessoa com quem estivera pela manhã, daí aquela aparência tão casual. Ele fez uma careta. — Também estava curioso para saber como Carlton recebeu a notícia... Kenzie? Você ainda não contou nada a ele, não é? — compreendeu ele ao perceber que ela estava evitando olhá-lo nos olhos. Ela suspirou. —Ainda não — confirmou ela. — Ontem não me pareceu a melhor ocasião. Dominick continuou a olhá-la.


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pai?

— E qual seria a ocasião ideal para informar a um homem que ele vai ser

Ele estremeceu por dentro. O simples fato de pronunciar aquelas palavras em voz alta, doía nele como se ele estivesse cometendo autoflagelação com um pedaço de pau! Talvez se continuasse repetindo aquilo, finalmente acabaria acreditando que era verdade! Passara a noite inteira em claro, andando de um lado a outro no quarto de hotel, tentando decidir o que fazer a seguir. Só tinha certeza de que precisava tomar uma atitude e de que não poderia simplesmente ir embora sem dizer a Kenzie o que realmente sentia por ela. Era o mínimo que devia a ela. Kenzie estava linda, sem um pingo de maquiagem, o cabelo longo preso num rabo-de-cavalo, uma camiseta cor-de-rosa e um jeans justo e surrado. — Posso entrar? — disse ele ao ver que ela não respondia. — Estou precisando de uma boa xícara de café. Kenzie não queria convidá-lo a entrar. Aquilo não fazia sentido. Eles não tinham mais nada a dizer um ao outro. Além do mais, Jerome estava para chegar a qualquer momento, e a última coisa de que ela precisava era que os dois se encontrassem ali. Ainda estava tão insegura em relação ao comportamento de Dominick como estivera na noite anterior, mas tinha certeza de que, se eles se encontrassem, Dominick desafiaria Jerome quanto ao filho que ela estava esperando. E Jerome sabia que não podia ser o pai do bebê! — Eu não vejo motivo algum para você entrar, Dominick — disse ela convicta, sem soltar a maçaneta, mantendo-o do lado de fora do apartamento. — Eu vou sair daqui a pouco mesmo — acrescentou, dispensandoo. Não era mentira. Ia pegar um voo de volta à Inglaterra, ainda hoje... — Vai se encontrar com Carlton? — perguntou ele. Kenzie suspirou impaciente. — Mais uma vez, eu vou ser obrigada a lhe dizer que isso não é da sua conta, Dominick... — É sim — disse ele, com determinação, forçando a passagem. — Você pode não gostar disso, Kenzie, mas o fato é que ainda é a minha esposa e... — Se é isso o que o incomoda, assine logo os papéis do divórcio para que possamos acabar com isto de uma vez por todas! — respondeu, zangada, ciente de


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que o tempo estava passando. Se Dominick confrontasse Jerome a respeito do bebê, ela não teria como evitar que ele revelasse não poder ser o pai daquela criança! Dominick concluiria rapidamente que era o único candidato a pai possível... O homem que havia deixado bem claro, na noite anterior, que considerava qualquer criança, dele ou de outra pessoa, como uma "responsabilidade". — Deixando-a livre para se casar com Carlton! — disse Dominick quase rosnando. — Essa conversa já está ficando extremamente cansativa, Dominick — disse Kenzie, suspirando com impaciência. — Você não acha que ele vai pedi-la em casamento? — perguntou, morrendo de medo de ouvir a resposta. — Talvez não faça muita diferença! — O que isso quer dizer? — perguntou Dominick franzindo profundamente a testa. Ela deu de ombros. — Eu sou rica, independente, e ter o bebê sozinha nessa etapa da minha vida realmente não vai ser um problema muito grande! Dominick já havia chegado à mesma conclusão durante as horas que passara em claro no quarto de hotel. E a família dela, tão unida e acolhedora, com certeza também a ajudaria. — Ouça, Kenzie... — disse ele, passando a mão pelos cabelos já desgrenhados. — Eu não vim aqui para discutir com você... — Não? Então o que você veio fazer aqui? — perguntou. — Porque por mais que eu me esforce, eu realmente não consigo enxergar o que isso possa ter a ver com você! Ela ficou olhando para Dominick, com o rosto afogueado. Meu Deus, a beleza de Kenzie era tamanha que ele tinha vontade de se ajoelhar aos pés dela, pensou Dominick, sentindo um desejo profundo de se apoderar de todo o corpo dela. Kenzie parecia ainda mais esbelta, realçando a fragilidade que ele havia percebido nela na noite anterior, parecendo incrivelmente vulnerável sem qualquer maquiagem e o cabelo preso. Ele não pôde suportar o pensamento de vê-la tentando criar um filho sozinha. Mesmo que o filho não fosse dele.


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— Eu vim... — disse ele, para então engolir em seco. — Eu vim porque simplesmente não consigo ficar longe de você! — conseguiu dizer finalmente, sabendo, pela confusão estampada no rosto de Kenzie, que ela ficara tão aturdida com aquela admissão quanto ele ficara, às 3h da manhã, no quarto de hotel, quando reconhecera dolorosamente o fato para si. Ele havia sido um perfeito idiota, cinco meses atrás, quando a deixara partir. Não se importava que ela estivesse grávida de Carlton. Ele seria um tolo maior ainda se permitisse que ela saísse da vida dele pela segunda vez! Kenzie balançou a cabeça. — Eu não estou entendendo, Dominick... — Creio que não. Eu mesmo tenho tido muita dificuldade de me entender ultimamente. Mas... — Ele respirou fundo antes de continuar. — Kenzie, eu gostaria que você soubesse que, se as coisas não derem certo entre você e Carlton... O som estridente da campainha o interrompeu. — Deve ser Jerome — interrompeu Kenzie, sentindo-se cada vez mais confusa com a ausência de raiva e escárnio da parte dele. — Dominick... — Eu não vou embora, Kenzie — interrompeu ele, com firmeza. — Se preferir falar com Carlton em particular, eu posso ir para a cozinha, mas eu ainda não lhe disse tudo o que tinha para lhe dizer. Eu não vou embora — repetiu ele, olhando com teimosia para o rosto dela para mostrar que estava falando sério. Dominick estava diferente, percebeu Kenzie, franzindo a testa ao perceber em que exatamente consistia aquela diferença. Aquele "homem de gelo" que tomara parte na discussão há cinco meses e meio não estava lá... Aquele homem frio e implacável de cinco semanas atrás não estava lá... Ela ainda não sabia ao certo o que aquilo queria dizer, mas fazia algum sentido? O que ele havia querido lhe assegurar, caso as coisas entre ela e Jerome não funcionassem? — Jerome não vai gostar nem um pouco de saber que você está aqui — disse ela, para então suspirar. Jerome fora muito grosseiro com ela na noite anterior, recriminando-a por ter desaparecido com Dominick daquela maneira, como se ela tivesse alguma escolha, e provavelmente continuaria sendo hoje também. — Eu não me importo nem um pouco — disse Dominick, respirando fundo


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antes de continuar — com o que Jerome Carlton acha ou deixa de achar. É você que importa para mim, Kenzie — acrescentou ele, com ênfase. — Você e o que você realmente quer. Ele havia chegado à conclusão de que a Kenzie que ele conhecia não poderia ter feito amor com ele no Solar Bedforth daquela maneira se estivesse apaixonada por outro homem. Mas será que isso significava que estava apaixonada por ele? Ela continuou a olhá-lo por alguns segundos, dando um gemido impaciente quando a campainha tocou pela segunda vez. — Está bem, Dominick, fique — aceitou ela, indo em direção à porta. — Mas... Oh, não importa! — disse ela, sabendo que não adiantaria pedir a ele que não discutisse com Jerome. Dominick e Jerome discutiam toda vez que se encontravam, então por que seria diferente hoje? — Kenzie! — Sim? — respondeu ela, voltando-se receosa, com os olhos arregalados ao ver Dominick se aproximar energicamente dela e lhe tomar o rosto nas mãos. — Você quer se casar com Carlton? — perguntou ele. Kenzie fechou os olhos para evitar a intensidade do olhar de Dominick, sabendo que o enganara ao dizer que o bebê que carregava não era dele. — Kenzie, por favor! — incitou ele. — Você quer se casar com Carlton, independentemente do bebê? — Independentemente do bebê? O que ele estava querendo dizer? — Pelo amor de Deus, Kenzie! Abra os olhos e olhe para mim! — encorajou ele, emocionado. Ela ergueu os olhos, por fim, mirando fundo nos olhos dele, procurando, enxergando... O que ela havia enxergado? Algo que não reconheceu. Algo que achou que jamais veria nos olhos de Dominick. Algo que fez a respiração ficar presa na garganta. — Não — disse ela respirando com dificuldade. — Eu não quero me casar com Jerome — admitiu. Dominick continuou a examiná-la por algum tempo, tremendo só por tocá-la


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daquela maneira. — Ótimo — murmurou ele finalmente. — Porque há outra alternativa além de se casar com Carlton ou criar o bebê por conta própria. — Há...? — perguntou ela, ainda confusa, cornos olhos fixos nos dele. Dominick sorriu com pesar. — Pode ser que não seja a alternativa que você vai escolher, mas eu queria que você soubesse que ela existe do mesmo jeito. — Ele tomou fôlego antes de prosseguir. — Você pode permanecer casada comigo. Ela arregalou os olhos. — Mas... — Acho melhor eu ir lá para dentro e deixar que você receba Carlton antes que ele arrombe a porta — disse, soltando-a quando Jerome esmurrou a porta mais uma vez. Kenzie seguiu atordoada em direção à porta, sem saber ao certo o que Dominick estava querendo lhe dizer, nem por que o estava fazendo. Assim como também não estava bem certa de qual havia sido aquela emoção que ela vira nos olhos dele há alguns minutos, sabendo apenas qual havia sido o primeiro instinto. Amor. Um amor brilhante. Intenso. Amor...?

CAPÍTULO DEZESSEIS

Ela já havia se convencido de que estava enganada quando chegou até a porta. Dominick não era capaz de amar ninguém; jamais se permitiria amar alguém. Muito menos ela. Mas se ele não a amava, por que então lhe dissera que poderia permanecer


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casada com ele, se acreditava que ela estava esperando o filho de outro homem? — Já não era sem tempo — disse Jerome quando Kenzie finalmente abriu a porta. Ele estava com a aparência habitual, com um terno escuro e uma camisa azul clara, e uma gravata listrada azul marinha. — O que você quis dizer com... — Você se importaria de me acompanhar até a sala, Jerome? — pediu Kenzie, praticamente ordenando. — Eu não estou acostumada a conversar no corredor para todo mundo ouvir. Ele a olhou com uma expressão de desagrado. — Se você não tivesse me deixado esperando aqui fora por dez minutos... — Não foi nem perto disso... — Você... — Eu aceitaria o convite de Kenzie se fosse você, Carlton — disse Dominick, zangado, da porta da sala. — Garanto que o meu convite seria muito menos gentil! Jerome se virou para encarar o outro homem, estreitando os olhos. — Eu deveria ter adivinhado! Você passou a noite aqui, Masters? — provocou ele antes de sorrir para Kenzie de forma zombeteira. Kenzie sentiu-se empalidecer, depois de ter enxergado Jerome sob uma ótica muito diferente na noite anterior. — Se eu passei ou não a noite com a minha esposa, isso não é da sua conta! — disse Dominick a Jerome enquanto se aproximava de Kenzie num gesto protetor, lhe tocando o braço com delicadeza. — Por que não passamos todos para o outro cômodo e tentamos ter uma conversa civilizada? — disse ele ao sentir que Kenzie estava tremendo. Aquele tipo de cena não podia fazer bem a ela nas condições atuais. A presença dele ali certamente estava piorando ainda mais as coisas, reconheceu com pesar, sabendo também que não poderia estar em nenhum outro lugar. Só queria estar onde Kenzie estivesse dali em diante... — Conversa civilizada? — repetiu Carlton com desdém, caminhando até a sala. — Você tornou isso completamente impossível quando comprou o controle da minha empresa! — Da empresa da sua família — corrigiu Dominick, sem soltar o braço de Kenzie.


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por lá!

— Sim, da minha família — disse Jerome. — E agora é você quem manda

Ela olhou para ambos, frustrada, antes de se afastar de Dominick e sentar-se em uma das poltronas. Tudo o que ela havia querido naquela manhã fora acertar as coisas com Jerome antes de deixar Nova York a fim de voltar para a Inglaterra, e ficar longe dos dois. Em vez disso, porém, ambos estavam no apartamento dela discutindo em tons furiosos! Uma discussão inevitável, ela sabia. Mas eles bem que poderiam ter escolhido outro lugar para tal! Dominick enfiou as mãos nos bolsos da calça jeans. — E se não for eu? — desafiou ele. — Se não for você o quê? — respondeu Jerome. — Se não for eu quem está mandando por lá — disse Dominick. Kenzie olhou para ele, aturdida, entendendo tão pouco quanto Jerome. — Está me dizendo que, apesar de deter o controle acionário da Carlton Cosmetics, você não pretende presidir a empresa? — perguntou ele, cético. Dominick lançou um olhar de zombaria para o outro homem. — Não, eu não estou dizendo nada disso... — Eu não pensei mesmo que estivesse! — esbravejou Jerome. — Carlton, se você soubesse conduzir a sua empresa, vocês jamais teriam enfrentado as dificuldades pelas quais passaram há alguns anos... — Nós já superamos isso — disse Jerome, se defendendo. — Só porque venderam 49% de suas ações e então contrataram Kenzie para ser o novo rosto da empresa — provocou Dominick. — Seu pai fez a empresa crescer, mas desde que ele se aposentou, há cinco anos, e o deixou na gerência, ela vem afundando cada vez mais... — Isso é mentira! — gritou Jerome. — É a mais pura verdade — insistiu Dominick com calma. — Você pode ser o filho mais velho e o herdeiro de Jack Carlton, mas certamente não deveria ter sido você o irmão à frente da Carlton Cosmetics nesses últimos cinco anos. — Você acha que Adrian, meu irmão mais novo, teria se saído melhor? — De acordo com as minhas pesquisas, sim — garantiu Dominick com severidade. — Suponho que você ainda não tenha falado com ele esta manhã —


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acrescentou. — Com Adrian? — perguntou Jerome, surpreso. — E por que eu deveria? Sim, por que ele deveria? Kenzie se perguntou, hipnotizada por aquela conversa que prosseguia como se ela não estivesse ali. Até as últimas poucas semanas, só havia conhecido um Jerome mais sofisticado e encantador que ele exibia ao mundo. Depois de testemunhar o comportamento dele na noite anterior, porém, assim como hoje de manhã, sabia que ele não era nada daquilo. Jerome mais parecia um fanfarrão completamente dominado por um Dominick bem mais controlado. Os dois homens eram muito diferentes na aparência também, mas Kenzie sempre soubera a quem preferia! Embora Dominick sempre tivesse se recusado a acreditar nisso. Será que ele ainda achava...? A conversa que tivera com ele antes de abrir a porta para Jerome parecia implicar em outra coisa. — Eu tomei café com Adrian hoje de manhã — disse Dominick a ambos. — Tivemos uma reunião muito interessante, e eu acredito que da próxima vez em que falar com ele, você vai descobrir que ele agora detém mais do que 51% das ações da Carlton Cosmetics e que, como acionista majoritário, tem o direito de conduzir a empresa como bem lhe aprouver. Kenzie ofegou. Quer dizer que a reunião à qual Dominick havia se referido fora com Adrian Carlton, o irmão mais novo de Jerome...? O rosto bonito de Carlton se fechou, zangado. — Eu não acredito — disse ele finalmente. — Adrian não teria dinheiro suficiente para isso. Kenzie percebeu, pelo sorriso autoconfiante de Dominick, que ele estava dizendo a verdade. — Oh, mas ele não comprou as ações de mim — disse Dominick, cheio de ironia. — Eu vou passá-las a ele esta tarde em troca da liberação do contrato de Kenzie. — Você... Isso foi extremamente arrogante da sua parte, Dominick! — disse Kenzie ofegante, sem acreditar no que tinha ouvido. — Você não me deixou acabar, Kenzie — disse ele. — Adrian concordará em liberá-la somente se você assim o desejar — completou.


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— E por que eu ia querer fazer uma coisa dessas? — perguntou ela, franzindo a testa. — Porque está grávida — salientou Dominick. — Como você imagina continuar trabalhando quando estiver com sete ou oito meses de gravidez? — Acho que sou eu quem deve decidir isso! — Você está grávida? — interrompeu Jerome. — Foi por isso que você desmaiou ontem à noite? — perguntou ele, olhando para ela com exasperação. — Foi por isso que ela desmaiou ontem à noite — esclareceu Dominick, sabendo que Kenzie não havia compreendido que ele queria apenas lhe dar a possibilidade de ser livre, conforme ela desejara há cinco semanas... — Eu não acredito nisso! — disse Jerome, balançando a cabeça, e começando a caminhar impaciente. — Isto é simplesmente inacreditável — murmurou ele. — Você a engravidou de propósito? — perguntou, acusando Dominick. — Estava tão determinado a reconquistá-la que decidiu engravidá-la para ter o que queria? — disse ele com desprezo. Kenzie enrubesceu. — Não seja ridículo, Jerome... — Você fez isso, não foi? — disse Jerome olhando para Dominick com ódio. — Jerome, não seja tão... — Deixe-o falar, Kenzie — interrompeu Dominick, permanecendo imóvel enquanto fitava o outro homem com os olhos semicerrados. — Por que está tão seguro de que o bebê é meu? — E de quem mais seria? Kenzie é tão pudica que deveria entrar para um convento! Mas creio que eles não aceitam freiras grávidas... O que você está fazendo? — disse ele, quando Dominick o agarrou pela camisa, quase levantando-o do chão. — Tire as mãos de mim, Masters! Soltar aquele homem era a última coisa que Dominick tinha vontade de fazer no momento em que a verdade nua e crua se abatia sobre ele com toda a força. Uma verdade que Kenzie sempre insistira em repetir, mas na qual ele havia se recusado a acreditar! Acreditara mais na palavra daquele homem do que na da esposa, e acreditara imediatamente que ela e Carlton tinham um caso. Tudo não passava de uma mentira! Mentira da qual Carlton parecia ter se esquecido completamente durante a


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raiva. — Você mentiu para mim, Carlton! — denunciou Dominick, empurrando-o longe. — Por que me disse que você e Kenzie estavam tendo um caso? — O que você disse a ele? — perguntou Kenzie, olhando incrédula para Jerome. — Eu disse que nós dois estávamos vivendo um louco e impetuoso caso de amor que havia fugido do nosso controle — zombou Jerome —, e que você só estava hesitando em vir para Nova York comigo porque não queria magoá-lo! — Mas... Mas por que você fez uma coisa dessas? — perguntou Kenzie, atordoada, completamente abalada por aquela revelação. nela.

Ao menos aquilo explicava a recusa obstinada de Dominick em acreditar Ele devia ter ficado arrasado, achando que ela só estava com ele por pena.

Para um homem como Dominick, que não acreditava no amor, aquela devia ter sido a pior das humilhações... Jerome deu de ombros, não parecendo estar nem um pouco arrependido. — Porque vender 49% das ações da Carlton Cosmetics não foi o suficiente para salvar a empresa. Eu precisava de algo mais, algo maior. Foi então que tive a idéia de usar o belo rosto da modelo internacional Kenzie Miller como o novo rosto da Carlton Cosmetics. Mas tive que tirar o brutamontes do seu marido do caminho primeiro! Kenzie não hesitou em esbofetear o rosto duro de Jerome, com os olhos ardendo de raiva. Ele se virou com uma expressão de escárnio, levando a mão até o rosto que havia ficado vermelho com rapidez. — Vocês dois parecem ter perdido o fio da meada em algum ponto — resmungou ele. — A pergunta que realmente deveriam se fazer não é por que menti sobre o romance com Kenzie, mas sim por que Masters acreditou em mim tão facilmente... O fato de que ele estava certo só deixou Dominick ainda mais zangado. — Vá embora, Carlton — gritou ele, pálido, com os olhos escurecidos e assombrados. — Vá embora agora mesmo, antes que eu ceda à tentação e faça com você o que realmente quero fazer! — acrescentou antes de se virar e enxergar apenas Kenzie. Agora ele tinha consciência exata do que fizera, e sabia também que Kenzie jamais seria capaz de perdoá-lo, graças à maneira como ele havia duvidado


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dela. E por que deveria? Ele dera ouvidos a Jerome e acreditara na palavra de um homem que não significava nada, em detrimento da palavra da mulher que era tudo na vida dele...

CAPÍTULO DEZESSETE

— Dominick? — disse Kenzie, ainda um pouco insegura, assim que ambos se viram sozinhos depois que Jerome saiu, batendo a porta, seguindo sabiamente o conselho de Dominick. Aquela discussão esclarecedora para ela...

entre

os

dois

havia

sido

terrível,

mas

muito

Kenzie umedeceu os seus lábios secos. — Dominick, quando foi exatamente que Jerome lhe disse que eu e ele estávamos tendo um caso? — Não! — disse ele em meio a um gemido, virando-se para respirar fundo e tentar recuperar o controle. — Eu... Você... Eu agi tão mal, Kenzie! — murmurou, desesperado. — Eu fui tão arrogante, e ainda estou sendo, não é? — acrescentou ele, se autorrecriminando. — Se você quiser continuar trabalhando para a Carlton Cosmetics eu posso ligar, contarei para Adrian hoje à tarde e... — Eu não quero isso — interrompeu ela, impaciente, sabendo que depois de tudo o que havia sido dito, ela nunca mais poderia continuar trabalhando para a Carlton Cosmetics, ainda que Adrian estivesse agora no comando da empresa. — O que eu quero é que você responda à minha pergunta. — Você está com raiva de mim — disse Dominick, para então suspirar. — Você tem todo o direito de se sentir assim — aceitou ele com tristeza, passando a mão pelos cabelos espessos. — Como eu foi idiota — murmurou ele. — Um estúpido, um idiota completo! Acha que algum dia será capaz de me perdoar, Kenzie? — perguntou, encarando-a com olhos aflitos. — Eu não sei se há realmente algo a perdoar — disse ela, em voz baixa. — Parece-me que ambos fomos manipulados por um homem totalmente sem


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escrúpulos que viu na fragilidade do nosso casamento uma maneira de tirar proveito para si. Dominick esboçou um sorriso. — Isso é muito generoso da sua parte, Kenzie. Não tenho certeza se conseguiria ter a mesma atitude diante das mesmas circunstâncias... — Dominick, por favor, diga-me quando Jerome lhe contou todas essas mentiras horrorosas sobre nós dois — insistiu ela. — Foi depois de uma de nossas piores discussões. — Ele fez uma careta ao recordar da situação. — É difícil me lembrar ao certo qual delas foi. Nós estávamos brigando muito naquele mês que antecedeu a separação. E, por ironia, as brigas eram justamente por causa do bebê que você agora está esperando — reconheceu ele com pesar. Sim, pensou Kenzie. Um bebê que ela já amava, mas a respeito do qual não tinha a menor idéia de como Dominick se sentia, agora que eleja sabia que o filho era dele... Dominick balançou a cabeça, desgostoso. — Eu sempre fui tão determinado a nunca me apaixonar, a nunca me expor ao perigo de passar pela dor e pelo sofrimento que meus pais haviam infligido um ao outro e a mim! — Ele suspirou. — Até mesmo quando a pedi em casamento, eu pensei logicamente! Já tinha 37 anos. Uma esposa, especialmente uma mulher bela e bem-sucedida como você, poderia trazer muitas vantagens para os meus negócios. Eu a desejava e você a mim, então por que não casar? Oh, meu Deus, como eu fui arrogante. Está bem — disse ele, rindo de si ao ver o sorriso no rosto de Kenzie. — Como eu fui e ainda continuo sendo arrogante! — Você acha mesmo? — provocou Kenzie com ternura. — Não, eu acho que não — disse ele, com pesar. —Aqueles primeiros quatro meses sem você foram indescritíveis! Eu tentei dizer a mim que estava apenas zangado. Furioso. E tinha uma boa razão para isso. Você não só havia me abandonado, como me trocado por outro homem e viajado com ele para Nova York. — Porque Jerome mentiu para você, dizendo que nós dois estávamos tendo um caso... — disse Kenzie, franzindo a testa, se lembrando das palavras de Jerome e reconhecendo que, em parte, ele tinha razão: se ela e Dominick tivessem um casamento baseado no amor e na confiança um pelo outro, nada daquilo teria acontecido... — Nós mal nos falávamos — prosseguiu Dominick —, que dirá fazer amor. Havíamos nos transformado praticamente em dois estranhos educados que


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dividiam o mesmo apartamento. Quando você então pareceu tão determinada em aceitar a oferta de contrato da Carlton Cosmetics, eu decidi falar com Carlton pessoalmente. Não sei onde eu estava com a cabeça naquela época. O homem que eu era me parece outra pessoa agora. — Ele estremeceu. — Um homem frio, arrogante que parecia acreditar que o mundo inteiro, mas especialmente você, deveria se submeter às suas vontades. Mesmo quando se tratava de ter ou não filhos... — acrescentou ele, pesaroso. — Nós podemos falar do bebê daqui a pouco — garantiu Kenzie, sentindo uma onda de felicidade começar a crescer dentro dela, e aumentando a cada segundo que passava. — O que importa para mim é que você acredita que Jerome estava mentindo — respondeu ela com firmeza. — Que você acredita que eu nunca tive um caso com ele. Nem com ele, nem com ninguém mais. — E como eu não acreditaria? — disse ele. — Mas você não vê? Eu deveria ter acreditado em você desde o começo! Se eu tivesse confiado em você e acreditado no amor que você disse sentir por mim... — Você não teve muitos bons exemplos do que era o amor até então, Dominick... — Não arranje desculpas para mim, Kenzie — murmurou ele, interrompendo-a. — Eu me comportei de maneira abominável quando você me disse que aceitaria o contrato independentemente do que eu dissesse. E me comportei de maneira mais terrível ainda há seis semanas, tirando proveito da situação, quando você veio pedir minha ajuda quanto ao casamento de Kathy — reconheceu. Era verdade. Mas Kenzie podia imaginar o quanto havia sido difícil para Dominick acreditar nela naquela época em que o relacionamento ia tão mal, quando, apesar de reiteradas negativas, o próprio Jerome lhe dissera que eles estavam tendo um caso. Se eles se amassem e estivessem seguros desse amor, nada, nem ninguém, teria sido capaz de destruir o que havia entre eles... — Eu não a culpo por me odiar, Kenzie — disse Dominick, em vista do silêncio dela. — É o mínimo que eu mereço depois do modo como me comportei. — Dominick fechou os olhos por segundos. Havia uma dor profunda neles quando os abriu outra vez para fitá-la. — Se eu pudesse voltar, se pudesse desfazer o que fiz... Droga! Eu não tinha o direito de tratá-la daquela maneira. Não como fiz há seis meses, e certamente não como fiz há cinco semanas, quando a forcei a ir comigo ao Solar Bedforth. — O rosto dele estava muito pálido. Eu comprei aquela casa para você. Kenzie. Pouco antes de você me deixar. Dominick comprara aquela casa maravilhosa, acolhedora e familiar para


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ela? — Não faz muito sentido, não é? — reconheceu ele ao ver a surpresa estampada no rosto dela. — Eu pensei em levá-la até lá e lhe contar que havia comprado aquela casa para vivermos nela, e ver o seu rosto se iluminar como costumava acontecer quando você ficava feliz... — Ele balançou a cabeça. — E, em vez disso, quatro meses depois, eu a forcei a ir até lá comigo e... — Dominick — interrompeu Kenzie. — Você tem que parar com isso agora. Dilacerar-se desse jeito não vai ajudar nem a mim nem a você. — Mas é isso que eu mereço! — disse ele com energia. — Por que não me deixa decidir o que você merece? — sussurrou ela. Ele sorriu sem humor algum. — Está bem, Kenzie, diga-me o que você acha que eu mereço — disse ele enrijecendo os ombros, como se estivesse se preparando para um golpe. — Dominick, quando nós nos conhecemos, eu me apaixonei perdida, irrevogável e absolutamente por você. — Eu sei disso! — respondeu ele com um gemido aflito. — Um amor que eu me achava completamente incapaz de retribuir!

Achava? Aquilo deu a Kenzie o estímulo de que ela necessitava. — O que você parece não se dar conta é de que eu ainda sou completa, irrevogável e absolutamente apaixonada por você! — disse ela, sorrindo, trêmula. Dominick ficou completamente imóvel. O coração batia tão forte que ele quase conseguia ouvi-lo. — Eu jamais poderia ter feito amor com você no Solar Bedforth daquela na maneira se não estivesse apaixonada — prosseguiu Kenzie. — O bebê que eu estou carregando, o nosso bebê, foi, pelo menos de minha parte, concebido com muito amor. Dominick engoliu em seco, tomado de principalmente de um profundo amor por Kenzie.

admiração,

alegria,

mas

— Dominick, antes de Jerome chegar, você disse que eu tinha outra alternativa — lembrou ela. — Você me ofereceu a possibilidade de continuar casada com você, mesmo acreditando que eu estava esperando um filho de outro homem. Dominick, você fez isso porque... Você me ama? Por favor, responda, Dominick! — pediu, emocionada. — Sim, eu a amo! — disse, dando um passo hesitante em direção a ela. — Agora sei que eu sempre a amei. Desde o momento em que a vi pela primeira vez.


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Desde a primeira vez em que você sorriu para mim. Só não tinha compreendido isso até fazer amor com você no Solar Bedforth. Aquilo foi tão emocionante, tão profundo, tão diferente de tudo o que já havíamos compartilhado! — Para mim também — admitiu ela. Ele engoliu em seco. — Por favor, você precisa acreditar que eu mudei, Kenzie! Que eu realmente a amo. Que eu a amarei até o dia da minha morte — disse com toda a certeza do mundo. Os últimos cinco meses e meio sem Kenzie haviam lhe dado a exata dimensão do quanto ele a amava e precisava dela. Ele estendeu a mão e acariciou o rosto dela. — Acredite em mim, Kenzie — disse ele com a voz embargada. — Eu realmente a amo. — Ele respirou fundo. — Quero que você saiba que o nosso filho, um filho que eu lhe asseguro que quero muito, muito, foi concebido com muito amor de minha parte também — sussurrou ele. — Nós fizemos amor naquele dia de verdade, minha querida, e aquilo me deixou apavorado! Kenzie pareceu não notar as lágrimas que rolavam pelas próprias faces enquanto ria para ele. — Então o que você merece, Dominick, o que nós dois merecemos, é uma segunda chance para sermos felizes juntos. E dessa vez vamos fazer tudo direitinho! — prometeu ela, com determinação. — Você está falando sério, Kenzie? — perguntou ele, aturdido. — Você vai me aceitar de volta? Vai me dar uma segunda chance? Vai permitir que eu seja o pai do nosso filho? — Sim para tudo isso, Dominick — disse ela, tentando conter as lágrimas. — E desta vez, nós não vamos deixar que nada, nem ninguém, intervenha! Dominick não quis mais saber se merecia ou não uma segunda chance. Tratou apenas de agarrá-la com as duas mãos, decidido a nunca mais soltá-la! — Eu a amo! — disse ele, num gemido, tomando-a nos braços e segurando-a com força contra si. — Eu a amo. Amo! Amo! Começou então a encher o rosto dela de beijos, primeiro nos olhos, depois no nariz, e então, finalmente na boca, beijando-a com todo o amor que tinha dentro de si por aquela mulher bela e generosa. Ele ainda tinha muito a aprender sobre o amor, mas não tinha dúvidas de que Kenzie lhe ensinaria como, juntos, com honestidade e confiança, eles poderiam alcançar qualquer coisa que desejassem... — Nós podemos morar no Solar Bedforth? — perguntou Kenzie um pouco


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depois. — Eu adorei aquela casa. E a piscina. Afinal, foi lá que o nosso filho foi concebido — acrescentou ela, provocativa, aninhada agora a ele no sofá. — Eu não me importo de morar onde quer que seja, contanto que seja com você — declarou Dominick, sentindo uma felicidade que ele jamais acreditou que fosse possível sentir. Ele finalmente havia compreendido que, para ser realmente feliz, era preciso retribuir o amor que se recebia. E ele amava Kenzie mais do que à própria vida. O filho era o fruto desse amor e cresceria sabendo que os pais o amavam tanto quanto amavam um ao outro. — O que acha de renovarmos os nossos votos de casamento na mesma igreja em que as suas irmãs se casaram? — propôs ele, deleitando-se na maciez do cabelo dela. Kenzie virou para olhar para ele. — Você realmente gostaria de fazer isso...? — Sim, gostaria — garantiu, sem hesitar. — Quero fazer tudo adequadamente desta vez, Kenzie. Quero prometer amá-la pelo resto da minha vida na presença de toda a sua família. — Então é isso que nós faremos — concordou ela, tomada de emoção por causa da felicidade que eles haviam, enfim, encontrado juntos. Dominick sorriu para ela. — Também pensei em comprar uma certa imobiliária em Worcestershire... No nome de uma empresa, é claro, para que o seu pai não saiba que sou eu. O que você acha? Kenzie o beijou ligeiramente nos lábios. —Acho que é melhor você não mudar muita coisa, Dominick, se não eu vou acabar não o reconhecendo mais! — provocou ela. — Hum — murmurou ele, tomado pela mesma emoção. — Talvez devêssemos entrar no quarto então, para refrescar nossas memórias...? — É uma boa idéia. — Kenzie se levantou e estendeu a mão para ele. — Afinal, há mais de uma forma de renovarmos nossos votos — sussurrou ela, seguindo de mãos dadas com ele para o quarto. A filha deles, Sophie Louise, nasceu oito meses depois. O rosto de Dominick se encheu de lágrimas de felicidade ao receber o pequeno milagre nos braços. A menina era muito linda. Tão perfeita.


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TĂŁo igualzinha Ă mĂŁe, concluiu ele, olhando para Kenzie com amor. O amor da vida dele...

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