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Uma publicação do Sistema de Ensino Pueri Domus • Ano 6 • nº 21 • Setembro / Outubro / Novembro

existe ensinar sem aprender? a reflexão é de paulo freire, homenageado na edição 2011 da convenção nacional dos mantenedores. para o educador o ato de ensinar pressupõe visão dialética e estímulo à curiosidade do aluno

e mais!

• os ritos de passagem • o jovem contemporâneo e suas diversas consciências • balanço da educar 2011 • como potencializar as campanhas de matrícula

Entrevista: sérgio gotti, do mec, fala sobre as possibilidades inovadoras de aprendizagem trazidas pela tecnologia à sala de aula


100% Pueri Domus garantia de melhores resultados Parceiros 100% Pueri Domus ganham sempre mais na fidelização de seus alunos, no desempenho de sua equipe pedagógica e na sustentabilidade de sua escola! · Coerência pedagógica (do infantil ao médio) · Formação continuada para todo o corpo docente · Autonomia de aprendizagem durante a vida escolar do aluno · Maior visibilidade da marca · Maior eficiência de aprendizagem

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editorial

A Pedagogia da Autonomia

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sse é o título de uma das grandes obras de Paulo Freire, publicada em vida, que aborda discussões sobre práticas pedagógicas necessárias à educação como forma de construir a autonomia dos educandos, valorizando e respeitando sua cultura e seu acervo de conhecimentos empíricos junto a sua individualidade. A obra reflete que a pessoa que se abre ao mundo e aos outros inaugura com seu gesto uma relação de trocas e diálogos, em que se confirma que a inquietação, a curiosidade e a escuta são molas propulsoras para dar movimento à História. Apresenta que o ensinar é algo profundo e dinâmico, onde a questão de identidade cultural que atinge a dimensão individual e a classe dos educandos traz abertura à aventura do ser, pois ensinando se aprende e aprendendo se ensina, um dos princípios à “prática educativa progressista”. Nesse contexto, de instigar a curiosidade e reforçar a necessidade de um processo contínuo de aprendizagem e formas de estimulá-lo é que se desdobra a matéria de capa da Super Escola. Aliás, Paulo Freire é o grande homenageado da Convenção Nacional de Mantenedores 2011, que promete levar aos participantes um amplo leque de soluções e conceitos oportunizados pelo Pueri Domus/Pearson Brasil para que se tenha cada vez mais uma reflexão crítica sobre a prática educativa, sem a qual a teoria pode se tornar apenas discurso e a prática, uma reprodução alienada, sem questionamentos. A presente edição trata ainda sobre os ritos de passagem, momentos-chave para alunos, pais e educadores, em

que acontecem inúmeras transformações dentro e fora da sala de aula. Faz-se necessária a promoção de atividades interdisciplinares que favoreçam a progressão do processo de aprendizagem, levando-se em consideração realidades vivenciadas pelos estudantes também no âmbito familiar. Se bem conduzidos, tais ritos podem estimular o surgimento de competências e habilidades que, certamente, farão com que esses cidadãos enfrentem com maior naturalidade os obstáculos da vida profissional. Além disso, a Super Escola apresenta a trajetória vitoriosa da educadora Sandra Concon, mantenedora dos Colégios Carpe Diem e Beneditino, parceiros do Sistema de Ensino Pueri Domus. Sandra revela-se verdadeira “artesã” na missão de tecer e conduzir relacionamentos em benefício de uma educação de qualidade. A história, sem dúvida, é inspiradora. Por fim, temos uma entrevista com Sérgio Gotti, diretor de Formulação de Conteúdos Educacionais, da Secretaria de Educação Básica, do MEC, que trata do uso da tecnologia em sala de aula, uma reportagem especial sobre como melhor aproveitar e antecipar campanhas de matrícula e matéria acerca do jovem contemporâneo e suas diversas consciências. Então, boa leitura e grande abraço. Luis Antonio Laurelli Diretor Geral Sistema de Ensino Pueri Domus

A Super Escola é uma publicação trimestral do Sistema de Ensino Pueri Domus. www.sistemapueridomus.com.br

Conselho Editorial

Luís Antonio Laurelli - Diretor Geral Altamar Roberto de Carvalho - Diretor Pedagógico Maísa Dóris - Gerente Nacional de Comunicação Corporativa Danielle Nogueira Buna – Gerente de Educação e Formação Marcos Antonio Muniz Gonçalves – Gerente de Marketing e Vendas

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Reportagens: Adriano Zanni, André Salvagno e Caroline Pellegrino Projeto Gráfico: Arthur Siqueira Design: Isac Meira Barrios Revisão: Gisele C. Batista Rego (Istárion)

Coordenação Geral: Maísa Dóris (Mtb: 29.952)

Produção Gráfica: André Vieira Fotolito e Impressão: Cromat Artes Gráficas Ltda. Tiragem: 14.000 exemplares

Projeto Editorial: Trama Comunicação Diretora de Redação: Leila Gasparindo (MTb: 23.449) Editora-chefe: Helen Garcia (MTb: 28.969) Editor: Adriano Zanni (MTb: 34.799)

Publicidade e Aquisições de Exemplares Andrea Munhoz andrea.munhoz@sistemapueridomus.com.br

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sumário

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Convenção Nacional de Mantenedores Existe ensinar sem aprender? Paulo Freire é o educador homenageado da edição 2011 do evento

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RADAR

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Redação – Olá, Adriane. Ficamos muito felizes e honrados

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zoom in

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história do mantenedor Sandra Concon

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SALA DE AULA Os ritos de passagem

comportamento O jovem e suas várias consciências

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institucional Balanço - Educar 2011

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estudo de caso Colégio Ipiranga, Belém (PA)

Hoje, mais do que nunca, vê-se a importância e o papel “do outro” na vida pessoal e profissional de cada um! Percebe-se que “estar, aprender e fazer juntos”, trocar informações e experiências ajuda-nos a encontrar respostas aos desafios e melhorar o processo educativo. Neste sentido, gostaria de destacar a importância da Super Escola como veículo de interação e compartilhamento de saberes e fazeres entre instituições e profissionais da educação – parceiros do Sistema de Ensino Pueri Domus. Na leitura de cada edição, em todas as seções, desde o editorial, nas entrevistas ou em “Opinião”, temos a oportunidade de conversar com grandes educadores, visitar outras salas de aula e conhecer experiências – “casos” – o que contribui muito para a reflexão e crescimento de nosso próprio trabalho.

Educadora e coordenadora do processo de inclusão Colégio Ipiranga – Belém (PA)

GESTÃO/MARKETING

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superescola@sistemapueridomus.com.br

Adriane de Castro Menezes Sales

Campanha de matrículas: como elas podem fazer o bolo crescer e ainda fidelizar pais e alunos

ENTREVISTA Sérgio Gotti: a tecnologia vai à sala de aula?

Painel do Leitor

indicação de leitura Especial Paulo Freire

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Opinião Daniela de Rogatis

Errata

Na edição número 20, na seção Estudo de Caso, em reportagem que aborda iniciativas do Colégio Ranieri, onde se lê, na página 18, “A instituição, fundada em dezembro de 1995, oferecia, até então, apenas turmas de educação infantil, ensino fundamental e médio”, favor considerar: “A instituição, fundada em dezembro de 1995, oferecia, até então, apenas turmas de educação infantil ”. Segundo os mantenedores, o ensino fundamental passou a ser oferecido somente em 2004 e o ensino médio, em 2006.

com seu e-mail. Temos nos empenhado ao máximo para produzir uma revista de qualidade para nossos leitores. Receber uma mensagem como essa nos orgulha e dá ainda mais incentivo para buscar novos assuntos e abordagens de interesse do setor. Nesta edição, pudemos conhecer um pouco da atuação do Colégio Ipiranga e estamos satisfeitos em poder compartilhar este case tão significativo, que, certamente, servirá de norte para muitas escolas e profissionais de educação. Grande abraço. Conte conosco!

A revista Super Escola é um meio de divulgação muito importante para os mantenedores. Ela é também uma forma de apresentar às outras escolas parceiras os trabalhos feitos pelo Sistema de Ensino Pueri Domus e pela Pearson Brasil. Eu sempre leio a revista. Acho as matérias interessantes e muito enriquecedoras. Sandra Franceschini Mathedi Concon

Diretora e mantenedora Colégio Carpe Diem - Valinhos (SP) e Colégio Beneditino Vinhedo (SP) Redação – Querida Sandra. Agradecemos os elogios e esperamos contar sempre com cases de escolas parceiras como os Colégios Carpe Diem e Beneditino. Com a união do Pueri Domus à Pearson, diversos materiais de excelência estão sendo integrados ao portfólio de soluções oferecido às instituições de ensino. Com isso, a intenção do sistema é sempre ampliar o leque de discussões sobre práticas pedagógicas, oportunizando ferramentas para levar adiante o legado de educadoras como a sua pessoa. Obrigado pelo carinho. Grande abraço.

SUPER ESCOLA 5


Entrevista

Sérgio Gotti

A tecnologia vai à escola? No resultado do último Pisa, Brasil aparece entre os três países que mais evoluíram em educação na década. Para Sérgio Gotti, diretor de Formulação de Conteúdos Educacionais, da Secretaria de Educação Básica, do MEC, as possibilidades inovadoras de aprendizagem ainda precisam ser analisadas de forma crítica, antes da real implementação

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Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa, na sigla em inglês), de 2009, revelou que o Brasil cresceu, sobretudo, no aproveitamento dos alunos em matemática – de 334 pontos, em 2000, para 386, em 2009. Em ciências, o índice saltou de 375 para 405. E em leitura, de 396 para 412. Segundo o estudo, que é repetido a cada três anos, o Brasil está no caminho do desenvolvimento quando o assunto é educação básica.

Divulgação

Para o Ministério da Educação (MEC), os investimentos estão sendo feitos, há muito tempo, inclusive na implementação de novas tecnologias em sala de aula que contribuem com o incremento da qualidade. Tanto a distribuição de equipamentos, quanto a produção de nossos e interati-

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vos conteúdos, assim como a formação de professores são consideradas iniciativas que contribuíram para o alcance dos bons resultados. Isso é o que defende Sérgio Gotti, diretor de Formulação de Conteúdos Educacionais, da Secretaria de Educação Básica, do MEC, que recebeu a reportagem da Super Escola com exclusividade. Mas o educador também reconhece: “Precisamos que as escolas tenham os equipamentos, mas, sobretudo, que tenham conteúdos educativos de qualidade e que os professores sejam formados para a utilização efetiva das tecnologias. Isso ainda precisa acontecer”. Super Escola – Como podemos definir o aluno da educação básica dos anos 90 e o aluno de hoje, que tem acesso aos mais variados produtos tecnológicos que influenciam em sua formação pessoal e educacional? Sérgio Gotti – Podemos dizer que os alunos, agora, têm mais acesso à informação, mas, como nos anos 90, continuam precisando de formação, inclusive para separar a boa informação daquela que pouco vale. A escola precisará continuar dando a formação, incorporando, de maneira crítica, a tecnologia disponível.   Super Escola – Quais mudanças ou adaptações são necessárias para atrair o aluno da era da informação para a escola? Essas adaptações estão sendo aplicadas efetivamente? Sérgio Gotti – A TV Escola, por exemplo, está no ar há 15 anos e é o canal da educação. É a televi-

sunto, junto com especialistas, para incorporar as novas tecnopodemos dizer que logias aos programas de distribuios alunos, agora, ção de livros que já funcionam. têm mais acesso à Sem dúvida, eles representam informação, mas, uma grande contribuição. como nos anos 90,   continuam precisando Super Escola – As crianças da educação básica, geralmende formação te, são bastante atraídas pelos jogos de internet e, em especial, por aqueles em redes sociais. A familiaridade que os alunos têm com o conteúdo são pública do MEC destinada a dos games está sendo aproveieducadores, aos educandos e a todos tada nos métodos pedagógicos? os interessados em aprender. Sua fiSérgio Gotti – Todas as planalidade é subsidiar o trabalho rea- taformas têm sido avaliadas para lizado na escola e contribuir para a uso pedagógico, mas só serão efemelhoria da educação. Nas escolas tivas se aplicarmos a mesma lóbrasileiras, cerca de 50 mil escolas gica que já vem sendo aplicada têm antenas e televisores instalados para as demais tecnologias. Prepara recepção da TV Escola. Já o cisamos que as escolas tenham os Programa Nacional de Informáti- equipamentos, mas, sobretudo, ca na Educação (Proinfo) foi ins- que tenham conteúdos educatitituído em 1997 com a finalidade vos de qualidade e que os prode promover o uso pedagógico das fessores sejam formados para a tecnologias aplicadas à educação utilização efetiva das tecnologias. nas escolas públicas de ensino fundamental e médio. São iniciativas Super Escola – Como os governamentais, e há muita coisa professores, gestores e peda“bacana” sendo feita também pela gogos podem se preparar para rede privada. oferecer educação de qualidade   aos alunos? Super Escola – Segundo o Sérgio Gotti – Acreditamos Observatório do Livro e da Lei- que a formação continuada é tura, pelo menos, 3% dos leitores a melhor forma de preparação brasileiros são adeptos de mídias para os atores educacionais. Um digitais (dados de 2008). Qual dos principais pontos do Plano é sua opinião sobre os livros di- de Desenvolvimento da Educagitais? Eles representam a de- ção (PDE), por exemplo, é a formocratização da leitura ou uma mação e a valorização dos proameaça aos métodos tradicionais fissionais. Nesse sentido, o PDE de aprendizagem? promoveu o desdobramento de Sérgio Gotti – O Ministério iniciativas, como: a distinção da Educação vem estudando o as- dada aos profissionais da educaSUPER ESCOLA 7


Entrevista

Sérgio Gotti

ção – única categoria profissional com piso salarial nacional constitucionalmente assegurado – e o comprometimento definitivo da União com a formação de professores para os sistemas públicos de educação básica (a Universidade Aberta do Brasil e o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência – PIBID). Já o Portal do Professor oferece um ambiente de suporte continuado às ações dos professores.

Super Escola – Qual é sua análise sobre a situação da educação básica hoje no País? Sérgio Gotti – Os esforços por uma educação básica de qualidade têm dado bons resultados, especialmente em função de uma articulação no campo das políticas educacionais. A criação do Fundeb, por meio da Lei nº 11494/2007, foi uma iniciativa importante na implementação de uma política nacional direcionada à articulação. O ensino obrigatório passou de oito para nove anos. A arrecadação para repasses da União aos estados e municípios relativos ao salário-educação saltou de R$ 3,7 bilhões, em 2002, para R$ 7 bilhões, em 2006. O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) também mostrou que as notas cresceram, de 2007 para 2010. O crescimento foi equivalente a 5,2% na nota.

Super Escola – Quais são os projetos mais recentes para a educação básica no País que podem ser citados, no sentido de modernizar a educação? Sérgio Gotti – O Programa Ensino Médio Inovador é um dos projetos recentes. Ele surgiu como uma forma de incentivar as redes estaduais de educação a criarem iniciativas inovadoras para o ensino médio. A intenção é estimular novas soluções que diversifiquem os currículos com atividades integradoras, tornando-as ainda mais atraentes.

Super Escola – Quais são os principais desafios para os próximos anos? Sérgio Gotti – Continuar melhorando a qualidade da educação básica. Estamos nesse caminho, como mostram as avaliações nacionais e internacionais. A Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) lançou documentário sobre o expressivo crescimento dos índices brasileiros no Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa). Estamos bem reconhecidos, mas há muito o que fazer.

Fotos: Divulgação

a intenção é estimular novas soluções que diversifiquem currículos com atividades integradoras, tornando-as ainda mais atraentes

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RADAR

Quer saber mais? www.sistemapueridomus.com.br/superescola

Música para os ouvidos

Pesquisa do Cetic.br com 497 escolas públicas brasileiras detecta que infraestrutura de TIC existe, mas ainda é insuficiente. Mais...

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Para pesquisador, a linguagem musical é um estímulo no aprendizado de História por criar um referencial de memória para os alunos. Mais...

TIC: falta infraestrutura

Nível internacional

Abismos

A presidente Dilma Rousseff revelou que, até 2014, o governo pretende conceder 75 mil bolsas de graduação e pós-doutorado no exterior. Mais...

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Shutterstock

Estudo divulgado pela Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República aponta que os índices educacionais da classe média ainda estão muito distantes dos da classe alta. Mais...

Ele falou, ele disse

“O fim do vestibular não significa o fim da meritocracia”. A frase é do ministro da Educação Fernando Haddad quando questionado sobre o Enem tornar-se a única forma de seleção para ingresso no ensino superior. Mais...

Em Rondônia, blogs de professora estimulam aprendizado de alunos de escola estadual. Mais...

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Estudantes blogueiros

Divulgação

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Sala de aula

Os ritos de passagem

A transição com maturidade Aulas divertidas, integração entre alunos e diálogos com os pais são suficientes para preparar os alunos que mudam de fase escolar?

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uforia e transformações marcam a passagem dos alunos para o sexto ano do ensino fundamental, a antiga quinta série. Esse momento costuma ser um período muito aguardado, tanto por pais, quanto pelos próprios estudantes. Mais do que uma nova etapa da escolaridade, trata-se do período de mudanças da infância para a adolescência, quando a criança tem entre 10 e 12 anos de idade. O aumento na quantidade de disciplinas e a maior cobrança por organização são novidades enfrentadas pelos jovens que vão para o sexto ano. Mudanças hormonais e psicológicas também acontecem nessa fase e influenciam certamente no desempenho escolar de meninos e meninas. Dificuldades semelhantes também acontecem ao término do nono ano. Para amenizar os impactos na aprendizagem, pais, alunos e escola devem unir forças e transformar

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a mudança em um desafio agradável e divertido, segundo especialistas.

escolas que atuam de forma ‘superprotetora’ e protelam o crescimento. A escola tem de ter clareza das cobranças e incluir os pais no processo para que o aluno faça a sua parte”, enfatiza.

Diversas atividades podem ser aplicadas durante o horário escolar para auxiliar a adaptação dos alunos que terão diferentes formatos de aula e uma quantidade considerável de novos conteúdos pela frente. “A escola pode levá-los para conhecer os colegas e professores do ano seguinte, ou disponibilizar uma coordenadora para explicar e tirar dúvidas. É preciso também dar espaço para os alunos falarem de sentimento, ansiedades e perspectivas, dialogando juntamente com pais e professores”, explica Silvia Colello, professora de Psicologia da Educação, na Faculdade de Educação, da Universidade de São Paulo (USP). Na opinião da docente, é importante dar aos estudantes novas responsabilidades de forma gradativa, despertando consciências. “É essencial apelar para o amadurecimento deles. Existem pais e

O Colégio Líder, parceiro do Sistema de Ensino Pueri Domus, em João Pessoa (PB), possui um projeto piloto de integração nas fases de transições. No quinto ano, os alunos passam a ter seis professores. Algumas aulas são geminadas.

No Colégio Geração Raízes, ritos foram estabelecidos para não sobrecarregar alunos

“No segundo semestre, os estudantes também têm aulas com os docentes que serão seus mestres no ano seguinte. Dessa forma, são convidados a fazerem atividades juntamente com alunos do sexto ano”, conta Maria do Socorro Ismael Gomes, diretora pedagógica do Colégio Líder. Segundo Maria do Socorro, a integração contribui para diminuir problemas internos. “Os alu-


Fotos: Divulgação

nos do quinto ano passam a conhecer os professores e sentem-se à vontade. Os estudantes do sexto ano, por outro lado, ficam sabendo quem serão os futuros colegas. Isso evita a descriminação por idade que, eventualmente, acontece nessa fase”, conta.

Duas aulas seguidas (dobradinhas) para que os alunos desenvolvam afinidade com a disciplina

O Colégio Líder não possui ensino médio, porém a direção seleciona anualmente alguns colégios parceiros para apresentarem suas metodologias de ensino e, assim, tirarem as dúvidas dos alunos do nono ano. Já no Colégio Geração Raízes, que também é parceiro do Sistema de Ensino Pueri Domus, em Araçatuba (SP), há diversos ritos de passagem para não sobrecarregar o sexto ano. Quando as crianças estão no primeiro ano, o antigo pré-primário, elas fazem uma excursão. “Há uma programação para estimular o amadurecimento dos alunos. No segundo ano, os alunos vão para um acam-

É essencial apelar para o amadurecimento deles. Existem pais e escolas que atuam de forma ‘superprotetora’ e protelam o crescimento. A escola tem de ter clareza das cobranças e incluir os pais no processo para que o aluno faça a sua parte Silvia Colello, professora de Psicologia da Educação, na Faculdade de Educação, da Universidade de São Paulo (USP)

pamento de três dias, eles aprendem a arrumar a cama e a cumprir horários. São atividades extrassala de aula que ajudam muito na adaptação”, diz Susana Fregonesi, diretora do Geração Raízes.

No terceiro e no quarto anos, os alunos passam a ter seis professores. “No quinto ano, na última semana de aula, eles têm atividades divertidas com os professores que serão os do sexto ano”, revela Susana. O colégio também indica aos alunos do nono ano instituições de ensino médio que utilizam o Sistema de Ensino Pueri Domus para que haja uma continuidade quanto à metodologia de ensino e filosofia pedagógica. Para a mãe de Eduardo, aluno do sexto ano, Ayne Regina Gonçalves Salviano, é importante a participação ativa dos pais nessa fase transitória. “Nós preparamos nossos filhos, mostrando, por exemplo, que o Português vai se desdobrar em Literatura, Gramática e Redação. O meu filho é bom aluno, mas teve receio quando foi para o sexto ano, porém, ele percebeu que seria um desafio e se sentiu apoiado com a participação de todos da escola”, conta. SUPER ESCOLA 11


INSTITUCIONAL

balanço - Educar 2011

Para inglês ver e ensinar A customização, o ensino personalizado e o uso de múltiplos canais de comunicação são marcas da Pearson. No Brasil, o grupo educacional ganha nova liderança, conduzida pelo britânico Guy Gerlach

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atural de Croydon, na Inglaterra, ele chegou ao Brasil em 1980, aos 22 anos, sem conhecer o idioma local, porém já graduado em literatura inglesa e teatro pela Universidade de Exeter. Guy Gerlach iniciou a carreira como professor de Língua Inglesa, em Porto Alegre (RS), e lecionou também no Rio de Janeiro (RJ), o que lhe possibilitou conhecer de perto diferentes realidades educacionais.

Ingressou na Pearson como consultor pedagógico da Editora Longman, em 1986. Em 2002, tornou-se presidente da então Pearson Education do Brasil. Com a nova estrutura da companhia, Guy assumiu recentemente a presidência da, agora denominada, Pearson Brasil, em junho de 2011. Ajudar pessoas a desenvolverem-se por meio da educação é a bandeira do Grupo Pearson, com sólida atuação nos cinco continentes. Em entrevista exclusiva, Guy Gerlach analisa os diferenciais da Pearson, atuante em diversas modalidades educacionais, e faz uma análise crítica sobre os desafios que se ampliam frente à necessidade que o Brasil tem de aprimorar o cenário.

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O executivo também foi presença constante na Educar 2011, evento que aconteceu entre 18 e 21 de maio, em São Paulo, e que apresentou as diversas soluções e possibilidades educacionais projetadas pela Pearson e pelo Pueri Domus para visitantes de escolas de todo o País. Super Escola – Qual é a visão da Pearson sobre a educação no Brasil e no mundo? Guy Gerlach – A meta principal da Pearson é relativamente simples que é de ajudar pessoas a avançarem na vida por meio da educação. Nós atuamos na educação convencional, básica, superior e continuada. A atuação também abrange os educadores, o desenvolvimento profissional de coordenadores e diretores de colégios. Super Escola – Quais são os principais valores da Pearson e diferenciais das soluções educacionais? Guy Gerlach – O Grupo Pearson tem como lema ser corajoso, criativo e correto. Corajoso porque, em meio à concorrência, é preciso enxergar lugares de atuação de forma ampla. Nós buscamos manter a visão abrangente da

Surgida após a aquisição dos sistemas de ensino COC, Dom Bosco, Pueri Domus e Name


Flavio c. Dias

Shutterstock

área de atuação para encontrar oportunidades, entendendo que o mundo educacional está sempre mudando. Criativo, pois buscamos formas em que possamos ajudar pessoas de maneira eficaz, eficiente e produtiva, imaginando produtos e serviços que resolvam a demanda do mercado. Temos um dever moral e não somente comercial, por conta disso, usamos o correto e decente, pois buscamos sempre atuar de forma transparente e respeitosa, para que os nossos clientes e colaboradores sintam-se valorizados. Nosso diferencial está na atuação em ecossistema educacional, em que tudo está interligado. Eu diria que não existe uma empresa

que atue em todas as áreas da educação como a Pearson atua. Super Escola – Como funciona a Edexcel e desde quando ela existe? Guy Gerlach – A Edexcel é uma empresa que surgiu há mais de 150 anos, em Londres. É uma importante referência em certificação acadêmica e nas áreas profissionais. A Pearson adquiriu a Edexcel, que era pública, há cerca de cinco anos e aproveitou todo o know-how e credibilidade de certificações, tornando-a cada vez mais internacional. Atuamos em mais de 100 países. Mais de 7 mil instituições de ensino e de capacitação profissional trabalham com Edexcel.

Super Escola – Quais são as principais soluções que a Pearson disponibiliza para as escolas brasileiras? Guy Gerlach – Existem muitos recursos que são oferecidos nos Estados Unidos, Europa e podem ser viabilizados no Brasil. Podemos citar os Laboratórios Virtuais de Ciências, lançados na feira Educar 2011. Eles são usados por milhares de escolas do mundo. Temos também o Power School que ajuda as escolas a manter uma administração eficiente e confiável dos alunos, das notas, do histórico escolar e de informações familiares. O Sistema de Avaliação, que estamos lançando no segundo semestre de 2011, poderá ser utilizado tanto no ensino superior quanto no básico. Ele permite avaliar os alunos com questões de múltiplas escolhas e discursivas. Tudo é feito via internet e permite que as avaliações sejam enviadas, de todos os cantos do País, para uma central de professores que, em poucas horas, devolve os resultados. Super Escola – Como você analisa a educação básica brasileira? Quais são os principais desafios em sua opinião? Guy Gerlach – Temos vários desafios em um país tão grande como o Brasil. Com as inúmeras diferenças regionais não se pode tratar o País como se fosse uma coisa só. Nosso método de personalização permite um processo adequado para o aprendizado dos alunos, regionalmente. Há uma grande dificuldade estrutural em função do tamanho do país. SaSUPER ESCOLA 13


Pueri Domus é destaque na Educar 2011

Fotos: Divulgação

A 18ª Educar – Feira Internacional de Educação – aconteceu entre 18 e 21 de maio de 2011, em São Paulo, e contou com a participação de 24 escolas parceiras do Sistema de Ensino Pueri Domus. O evento reuniu mais de 100 empresas expositoras e 12 mil participantes.

bemos que uma porcentagem significativa da população ainda tem uma conexão de internet frágil. A tecnologia depende de infraestrutura. Também temos um nível de preparação não igualitário de muitos professores que não tiveram a oportunidade de vivenciar práticas de ensino adequadas e isso pode criar problemas. O professor precisa de um tempo para ativar as técnicas que aprendeu na faculdade. Esses são desafios que temos de superar. Super Escola – O que a inovação na área de tecnologia educacional pode acrescentar ao ensino básico? Guy Gerlach – As pesquisas mostram que tecnologia na educação, quando bem aplicada, pode ajudar bastante. Uma classe de alunos que tem acesso à tecnologia e pode interagir com ela possui uma forma democrática de

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o professor precisa de um tempo para ativar as técnicas que aprendeu na faculdade. esses são desafios que temos de superar

conhecimento. As pessoas também têm vários estilos de aprendizagem e quando você pode utilizar a tecnologia, isso facilita os processos. A tecnologia, por sua vez, permite um ambiente muito mais apropriado para os alunos, que têm uma vida cheia de interatividade. Essa é uma geração que precisa continuar interagindo na sala de aula. A tecnologia também facilita o acompanhamento de dados e de alunos com dificuldades. Mais uma vez, ela ajuda bastante, em vários aspectos.

Nos estandes, foram debatidas estratégias pedagógicas sobre ensino de matemática, uso de tecnologia em sala de aula, acompanhamento pedagógico dos alunos, além da exposição de materiais didáticos da própria Pearson. Entre os principais destaques, menção à apresentação do Fronter – uma plataforma de gestão da aprendizagem, preconizada pela Pearson, utilizada por mais de 10 milhões de usuários, em 9 mil instituições de ensino no mundo todo. A Biblioteca Virtual – com acervo digital de mais de 1,6 mil títulos de editoras consagradas – também foi uma das atrações do evento, juntamente com as soluções para o ensino de língua estrangeira. Na opinião de Priscila Rocha, diretora administrativa de atendimento ao público do Colégio Christus, de Fortaleza, o estande do Pueri Domus ofereceu informações úteis sobre diversos assuntos. “Eu fiquei satisfeita com o evento. Foi muito dinâmico, com atividades multidisciplinares. No estande do Pueri/Pearson, pude conversar com alguns parceiros do sistema de ensino, trocar experiências. Foi um momento de integração”, lembra a diretora do Colégio.


capa

convenção nacional de mantenedores

Existe ensinar sem

aprender? Para Paulo Freire, educador homenageado na edição 2011 da Convenção Nacional de Mantenedores, o ato de ensinar exige uma visão dialética e o estímulo à curiosidade do aluno. A educação vai além da busca por conhecimento e tem caráter permanente

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nsinar, aprender: leitura do mundo, leitura da palavra”. A frase da Carta de Paulo Freire aos professores, escrita em 1993, há exatos 18 anos, ilustra fielmente a conscientização necessária para quem “ousa ensinar”. A percepção da mudança sistêmica da sociedade é requisito para a formação do ensinante, segundo o educador. O legado de Freire é extenso, mas podemos citar a educação libertadora e a crítica à desigualdade como vetores de uma reapropriação da dignidaSUPER ESCOLA 15


convenção nacional de mantenedores

de e da justiça. E é nesse contexto de conscientização e ideais que a Convenção Nacional de Mantenedores 2011 homenageia o educador, nascido em 1921, em Recife (PE). O evento acontece entre os dias 28 e 30 de agosto, no Hotel Estância Barra Bonita, a 278 quilômetros da capital paulista. O tema escolhido é “Aprender Sempre”, pois traduz o espírito do trabalho realizado pelo Sistema de Ensino Pueri Domus. “Todos os anos, o encontro é atrelado a fortes pilares educacionais. O pensamento de Paulo Freire tornou-se referência para profissionais comprometidos com as causas educacionais. E é com esse espírito de dedicação e democracia inspirado pelo mestre que foi desenvolvida toda a programação do evento”, explica Danielle Buna, da Gerência de Formação e Educação do Sistema de Ensino Pueri Domus. Entre os objetivos da Convenção, está a integração das formas educacionais, de produtos e soluções voltados às práticas de aprendizagem. Serão apresentados índices de aquisição das soluções do Pueri e da Pearson Brasil, como as plataformas Fronter, ELT, BV, Edexcel e contextualização do atual ensino de línguas. Serão oferecidos workshops dos produtos e serviços para apresentar a aplicabilidade das opções e fortalecer a parceria com as mantenedoras. Projetos para 2012, o novo portal do sistema de ensino, os novos materiais didáticos e conteúdos digitais também são destaques da programação,

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além da campanha de matrículas e as políticas de relacionamento. Articulação educacional Entre os palestrantes, está Madalena Freire, filha mais velha de Paulo Freire. Ela apresentará seu olhar sobre como a educação pode ser conduzida e, em especial, a respeito da formação do professor. “A apresentação deve provocar uma reflexão sobre o papel da escola, juntamente com a família e a comunidade. Meu pai acreditava que a lucidez crítica é elemento para a construção de um mundo mais digno, alegre e bonito”, conta Madalena. Para Madalena, o educador deve estar em constante renovação. “O professor deve manter-se atualizado sem, contudo, perder a crítica necessária para uma atitude consciente. O mundo está bombardeado por informações, mas o ato de pensar requer priorizar o foco. O ensinante deve possibilitar que o aluno construa o foco de sua educação, caso contrário, o processo pode causar frustrações”, completa. Na visão de Ladislau Dowbor, economista, professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e estudioso do legado deixado por Paulo Freire, a educação enfrenta um desafio sistêmico. “A matéria-prima com que a escola trabalha é justamente o conhecimento. Hoje, o conhecimento não é mais o que o professor tem de fornecer ao aluno, e sim os valores, a metodologia e as técnicas que o tornarão capaz de navegar na imensidão de informações disponíveis. A escola, com isso, precisa ser menos lecionadora e mais articuladora”, opina o docente, enfatizando que “não bas-

Paulo Freire: homenageado da Convenção Nacional de Mantenedores

ta um computador por aluno e acesso gratuito à banda-larga. É preciso desenhar a reorganização pedagógica, dentro das escolas”. O estudioso vai além: “na escola, isso [a reorganização] envolve romper as fatias de 50 minutos de aula e trabalhar por temas, questões e problemas, articulando as diversas áreas de conhecimento. No caso brasileiro, tudo isso tem de possuir um fortíssimo viés de redução das desigualdades herdadas. Paulo Freire, ao ver os potenciais, estaria esfregando as mãos”, avalia. Madalena Freire ainda sugere a construção de um colegiado reflexivo dentro da instituição para auxiliar na preparação permanente. “A sociedade enfrenta mudanças educacionais significativas, muito influenciadas pela rapidez tecnológica. As pessoas estão mais conscientes do potencial de mudança. Estamos em uma sociedade, onde o acesso ao conhecimento, tão central na mensagem de Paulo Freire, tornou-se ainda mais central no resgate da cidadania”, completa Dowbor.

Formado em economia política pela Universidade de Lausanne, foi consultor do secretário geral da ONU, na área de Assuntos Políticos Especiais (1980-81). É autor e coautor de cerca de 40 livros e de numerosos artigos. Destacam-se os livros:  Formação do Terceiro Mundo, Brasiliense; O que é capital?, Brasiliense; Aspectos econômicos da Educação, Editora Ática; Introdução ao Planejamento Municipal, Brasiliense


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conexão

Caminhos que alavancam outros Foi esse contexto de articulação que incentivou João Marcelo a seguir adiante na carreira. O músico, filho de Elis Regina e Ronaldo Bôscoli, é hoje um dos sócios da gravadora Trama e diz que o ambiente educacional encontrado no Pueri Domus foi fundamental para aquisição de vivências e conhecimentos que, reunidos, abriram-lhe novas perspectivas. “Estudei no Pueri de 1981 a 1989. O ambiente com aulas de música, prática de esportes e o contato com a natureza estimularam, com certeza, a criatividade. Grande parte dos amigos que fiz, conservo até hoje. Os meus sócios na gravadora, por exemplo, conheci na escola em que estudei”, conta Bôscoli. Para o músico, a continuação do processo de aprendizagem é exigência para todos os profissionais contemporâneos. “Em todas as áreas, é necessário estar se atualizando, ter contato com textos e autores diversos que incentivem a criação. A curiosidade das pessoas não pode parar nunca. Eu fui bastante estimulado nesse sentido”, avaliza. O aprendizado contínuo, gratuito e de alta qualidade também é o foco do Pueri Domus em relação aos projetos voltados para o ensino médio na Associação Crescer Sempre, em Paraisópolis, bairro carente da capital paulista. “Oferecemos toda qualidade, em período integral, sem custo algum para cerca de 120 alunos”, explica Felipe Dias de Menezes, diretor do Pueri Domus/ Crescer Sempre, que atua em

parceria com Terezinha Paladino, diretora executiva da Associação. O objetivo da unidade, criada em 2008, é propiciar condições de aprendizagem à comunidade, proporcionando a permanência do jovem em período integral na escola e aumentando suas possibilidades de ingresso no mercado de trabalho e em grandes universidades. No total, 16 professores atuam no projeto da Associação Crescer Sempre, mantido com o apoio da Porto Seguro Seguradora. Todos os anos, 30 novas vagas são abertas no Pueri Domus/Crescer Sempre para alunos do primeiro ano do ensino médio, que têm a chance de mudar o rumo de suas vidas. Para ingressar no Colégio é necessário ser morador de Paraisópolis e realizar provas de português, matemática e redação. “A importância do aprendizado contínuo é total. Ele permite que as pessoas tenham uma formação e tornem-se efetivamente cidadãs. É necessário que os professores e toda a equipe escolar também continuem aperfeiçoando-se para acompanhar as mudanças. Os nossos alunos abrem mão de trabalhar para ter uma educação de qualidade e gratuita. Isso é um estímulo. Alunos e seus familiares valorizam muito essa oportunidade”, completa Felipe de Menezes.

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Estudo de caso

Colégio Ipiranga, belém (pa)

respeito às diferenças Para a comunidade escolar, convívio de alunos com e sem necessidades educacionais especiais só vem a colaborar com a cidadania

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stá em tramitação, na Câmara dos Deputados, um Projeto de Lei que altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, de dezembro de 1996. Criada pelo senador Gim Argello (PTB-DF), a ementa objetiva incluir entre as incumbências dos estabelecimentos de ensino do País a promoção de ambiente escolar seguro e a adoção de estratégias de prevenção e combate ao bullying. Prover um ambiente seguro deveria fazer parte da lista de responsabilidades das escolas, independentemente de alterações legais. É o que acontece no Colégio Ipiranga, de Belém (PA), fundado há 33 anos e pautado, desde então, no conceito “educar para a cidadania”, que norteia seu Projeto Político Pedagógico (PPP).

ensino da Língua Brasileira de Sinais (Libras) para a turma em que eles estavam matriculados. “Entendemos a importância da comunicação e do diálogo no processo educativo como um todo e incorporamos esta disciplina ao currículo da turma”, explica Adriane Menezes Sales, coordenadora responsável pelo processo de inclusão. Contudo, a oferta de aulas de Libras foi estendida a outras salas, onde não havia alunos surdos. “Foi uma iniciativa nossa, mas também um desejo dos estudantes. Esta experiência é recente e a vemos como resultado concreto de um processo, da construção de uma cultura inclusiva, que tem suas raízes no grupo gestor, mas se legitimam nas atitudes da equipe escolar e, principalmente, dos próprios alunos”, conta a educadora.

No âmbito pedagógico, as “práticas de inclusão” têm como eixo o atendimento/ planejamento individualizado, elaborado de maneira conjunta pelos profissionais da escola. “Entendemos que a inclusão requer o reconhecimento da diferença e a oferta de apoio diferenciado, para que os alunos tenham igualdade nas oportunidades de acesso ao currículo e sucesso em seu deCom a presença de alunos surdos, a senvolvimento acadêmico, social e pessoal. escola passou, por exemplo, a oferecer o Cada aluno é único e possui tempo, ritmo Da educação infantil ao ensino médio, a instituição tem 776 alunos matriculados, dos quais 105 possuem necessidades especiais de aprendizagem ou algum tipo de deficiência. A proposta de inclusão do Ipiranga promoveu mudanças na estrutura curricular.

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e caminhos próprios para a construção de seu conhecimento”, diz Adriane. Dependendo do grau e das especificidades de cada caso, a educadora especifica que há adaptações curriculares de pequeno, médio e grande porte. No caso de alunos com maiores comprometimentos de aprendizagem, por exemplo, a escola “desbasta” o currículo, volta atenção aos conceitos essenciais de cada área de conhecimento e o trabalho acontece com base no planejamento geral da turma, mas respeitando a condição individual do aluno. “Montamos um material personalizado. O engajamento e compromisso dos professores são fundamentais, mas eles não trabalham sozinhos. Temos uma equipe de profissionais de apoio que trabalham diretamente nos processos de adaptação curricular, na montagem dos materiais didáticos e instrumentos avaliativos”, detalha Adriane. É um ir e vir contínuo O foco da escola é olhar o aluno enquanto um ser integral. Doutoranda em Educação Especial pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Adriane comenta que, para o Ipiranga, a inclusão


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inibir comportamentos negativos”, comenta Adriane.

não é um fim a ser alcançado. “Não se trata de um processo que termina ao se obter êxito. É um ir e vir contínuo, no qual o sucesso não tem status de permanência”, destaca. Apesar da vocação inclusiva, ela diz que o Colégio não é especializado em atender pessoas com deficiências. A preocupação com o bem-estar dos alunos e o estabelecimento de estratégias de prevenção ao bullying ocorrem de maneira articulada ao próprio PPP, voltado à formação integral dos discentes, agregando conhecimento e valores éticos, políticos e estéticos. A convivência de alunos com e sem deficiência no mesmo espaço desenvolve-se de maneira natural, como mais uma forma de educar para o respeito às diferenças. O ambiente, no entendimento da instituição, não gera predisposição ao bullying. Para Adriane, isso se deve à construção da cultura de inclusão, a qual prega que a diferença faz parte do ser humano. “A diferença nos constitui, mas para que possamos vê-la de maneira positiva, precisamos educar o nosso olhar. Acredito que o Ipi-

ranga tem isso como princípio e marca de seu trabalho”, afirma. Adriane afirma que tornar o ambiente capaz de acolher a diversidade é uma responsabilidade da escola, o que acaba indo ao encontro da ideia do Projeto de Lei do senador Argello. Contudo, ressalta que não é uma incumbência fácil de lidar. “Costumamos dizer que somos uma escola inclusiva porque temos pré-disposição, planejamento e uma preocupação muito grande com isso”, enfatiza. O trabalho voltado ao atendimento de alunos com necessidades educacionais especiais, ainda que não tenha uma relação direta com a questão do bullying, configura-se em um reforço à construção de um ambiente escolar capaz de acolher a diversidade e dá importante suporte às ações preventivas à violência no colégio. A proposta do Ipiranga é tentar compreender os fatos sem recortá-los da realidade. “Não podemos isolar acontecimentos. Temos de relacionar quais situações dentro da escola podem reforçar e/ou

Para Paulo Guerra Soares, professor e pesquisador do curso de Psicologia da Universidade do Norte do Paraná (Unopar), o combate ao bullying necessariamente passa pelo entendimento da configuração atual da sociedade. “O bullying deve ser entendido e encarado como um fenômeno social, algo macro. Não pode ser utilizado como rótulo para ações isoladas”, diz. Na opinião dele, qualquer trabalho no sentido de inclusão social é importante e contribui no combate a comportamentos ofensivos. “Tudo o que a escola puder fazer em termos de valores éticos é bem-vindo. É fundamental que haja um trabalho conjunto entre escola, pais e sociedade”, destaca. Herança partilhada Segundo Adriane, possuir uma política de inclusão requer, antes de tudo, a construção de uma cultura favorável. O desenvolvimento da mentalidade inclusiva é considerado o diferencial do Ipiranga, que investe permanentemente em recursos humanos, estrutura, estudo e em outras frentes para atender as crianças que demandam atendimento diferenciado. A educadora estudou no colégio paraense durante o ensino fundamental, período em que aprendeu que a diferença faz parte do ser humano. “Essa experiência foi fundamental para a construção de meus valores e de minha prática como educadora”, finaliza. SUPER ESCOLA 19


Campanha de matrículas Shutterstock

Gestão/Marketing Entrevista

como elas podem fazer o bolo crescer A realização de uma campanha de matrículas bemestruturada e intermitente é salutar tanto para captação quanto para fidelização de alunos. Escolas parceiras do Sistema de Ensino contam com amplo material e estratégias promocionais

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odo ano, o Sistema de Ensino Pueri Domus disponibiliza para as escolas parceiras uma campanha de matrículas completa. O material apresenta orientações importantes para retenção, fidelização e captação de novos alunos. Contudo, para que o resultado apareça, o conteúdo precisa ser potencializado por meio de estratégias e ações bem-estruturadas. Em contrapartida, segundo o economista Claudio Gonçalves, especialista em Propaganda, ainda há muito que se explorar no Brasil no que concerne ao Marketing Educacional. A resistência pode estar relacionada à falta de conhecimento dos recursos oferecidos. “Independentemente de tamanho, porte financeiro ou

A escola é uma empresa que precisa lucrar; inclusive, para manter atualizada a qualidade de seu conteúdo Claudio Gonçalves, economista e especialista em Propaganda

foco de negócio, toda instituição tem seus valores e diferencial, que é para onde precisa se direcionar para sair da commodity”, afirma. Para Gonçalves, a escola é uma empresa que precisa lucrar; inclusive, para manter atualizada a qualidade de seu conteúdo e processos metodológicos. “A intenção não é ferir o produto, mas

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refletirá o que ela faz de melhor e gerará os resultados almejados”, orienta Berbel.

Dicas valiosas Se a escola definir um conceito de comunicação que revele seus diferenciais e valorize-os, os clientes atuais irão se sentir mais seguros da escolha que fizeram e os novos clientes perceberão valor na proposta da escola. “O boca a boca

Segundo o especialista em Administração Educacional, Marino Menossi Júnior, diretor-geral do Grupo Acerplan, um dos componentes do marketing educacional é a qualidade percebida, que diz respeito ao que o mercado divulga sobre a escola, como ela é vista na microrregião em que atua. “É o boca a boca. A imagem e os resultados da instituição estão em jogo nesta etapa”, comenta.

agregar valor a ele. Afinal, não há homem de marketing que queira ter em mãos um produto ruim”, acrescenta. Maurício Berbel, sócio-consultor da Alabama Consultoria Educacional, concorda que muitas escolas não têm ampla consciência mercadológica. Para ele, existem instituições que fazem um bom trabalho pedagógico, mas enfrentam dificuldades de planejar por falta de conhecimento e de recursos. “Elas têm dificuldade de coordenar a gestão de marketing com as finanças e com o aspecto pedagógico”, acrescenta. A necessidade de comunicar-se com todos os públicos é latente. O Instituto Educacional SPE, parceiro do Pueri Domus, localizado em Mairiporã, município vizinho a São Paulo, aproveita o máximo possível da campanha disponibilizada pelo Pueri, complementando-a com ações específicas, por ter um público diversificado, segundo Augusto Paulo Barbosa da Cruz, assistente de Direção da escola. No Pueri Cantareira, como é conhecida a instituição, as questões financeiras representam o maior entrave na hora de desenvolver a campanha de matrículas. “Uma dificuldade é saber que tipo de material produzir para atingir os resultados esperados sem ter perdas de ordem financeira”, revela Cruz. A força da parceria Marcos Gonçalves, gerente de marketing e vendas do Sistema Pueri Domus, ressalta que o Sistema faz SUPER ESCOLA 21


Gestão/Marketing Entrevista

Campanha de matrículas

uma proposta de campanha de matrículas posicionando-se como se fosse uma escola, tendo como meta atingir o olhar da família. O Pueri propõe essa ação porque sabe que a escola sozinha teria um grande gasto de tempo e dinheiro para bancar uma campanha dessa natureza.

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“Depois de identificar as oportunidades e conceituar a campanha, é entregue a uma agência de primeira linha o desafio de transformar o conceito em uma ação ampla e completa que sirva objetivamente para a maioria das situações de comunicação das escolas parceiras. Sempre com a preocupação de exaltar os diferenciais, a força da parceria e os principais re-

Outro ponto importante é orquestrar cronogramas e orçamentos. Um planejamento adequado prevê desde a cobertura dos principais eventos até a verba para produzir e veicular informações de maneira adequada: impressos, obras na fachada, treinamentos, ambientação da escola, brindes, entre outras peças de promoção. Christian Rocha Coelho, diretor de planejamento da Rabbit Partnership, destaca que, no período de alta sazonalidade (de setembro a março), a ação da propaganda tem como principal finalidade lembrar ao cliente que existe uma boa opção de escola próxima a sua casa, buscando em

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Devemos atingir os prospects várias vezes e de diversas formas para que as ações de propaganda obtenham um efeito de “start” eficiente Christian Rocha Coelho, diretor de planejamento da Rabbit Partnership

sultados para quem se une a nós”, explica Marcos. Para os parceiros, ele afirma que esse investimento permite seguramente a redução significativa de custos com a comunicação (algo

em torno de R$ 40 mil), sem contar que a escola terá uma excelente comunicação, que, dificilmente, poderia ter com recursos próprios, salvo exceções. Cabe ressaltar – conclui Marcos – que uma campanha integrada entre Sistema e escola permite que todos se beneficiem da sinergia já existente, permitindo ao colégio posicionar-se no mercado com mais assertividade e apropriação dos conceitos que já fazem parte de sua proposta educacional. “É muito melhor sermos todos vistos de forma alinhada e coerente para que sejamos percebidos como uma grande rede que entrega o que há de melhor para nossos pais e alunos”, finaliza.

suas lembranças o nome da instituição da qual ele já ouviu falar e que pode ser justamente o que sua família procura. “Em função do excesso de informações que bombardeiam nossos órgãos sensoriais diariamente, devemos atingir os prospects várias vezes e de diversas formas para que as ações de propaganda obtenham um efeito de start eficiente. Para tanto, a instituição deve preparar um planejamento de mídia para fazer que o futuro cliente receba várias informações nos meses de alta sazonalidade”, detalha Coelho. Na opinião do diretor de planejamento da Rabbit Partnership, a eficácia de uma mídia pode variar de acordo com a localização da escola, o público-alvo e a época do ano. Portanto, quanto mais

diversificada for a estratégia da campanha de matrículas, maior será o interesse gerado. Relacionamento em rede As redes sociais compõem outro recurso importante na estratégia de comunicação, segundo Menossi Júnior. Afinal, os alunos estão presentes nelas, muitas vezes, falando da escola. “É a melhor oportunidade para estar junto do cliente, divulgar resultados e, claro, saber o que pensam da escola”, justifica.


Zoom superescola@sistemapueridomus.com.br

A 4ª edição da Olimpíada Conhecimentos em Ação vai premiar alunos e escolas com um tablet. A primeira fase aconteceu no dia 20 de agosto e consistiu em prova com questões de múltipla escolha. Já na segunda fase, em 1º de outubro, haverá questões discursivas. O concurso tem como objetivo proporcionar uma forma alternativa de avaliação de todas as unidades. Já os 2.580 inscritos terão a oportunidade de verificar conhecimentos. Participam alunos do quarto e do oitavo anos do ensino fundamental e estudantes da segunda série do ensino médio. Os resultados das fases serão divulgados nos dias 9 de setembro e 18 de novembro, respectivamente.

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Engajamento com premiação

“Bienvenidos” abril e irá se repetir entre os dias 20 e 23 de outubro. O objetivo da experiência é aproximar os professores das práticas pedagógicas realizadas em solos portenhos. Haverá estudo de diferentes projetos, propostas de avaliação e ainda intercâmbio interdisciplinar. Agende-se!

Trinta e sete pessoas, entre docentes, coordenadores e mantenedores de escolas ligadas ao Sistema de Ensino Pueri Domus, participaram da Semana de Intercâmbio de Estudos, realizada no Colégio Aletheia, em Buenos Aires, Argentina. O encontro aconteceu em

Logo programas esportivos.pdf 1 13/05/2011 13:47:03

Competição e ética reunidas Integração e práticas esportivas marcaram a 8ª edição do programa Vila Olímpica, realizada em maio, por meio de uma parceria entre o Acampamento Nosso Recanto, em Sapucaí Mirim (SP), e o Sistema de Ensino Pueri Domus. Foram quatro dias de intensa programação que envolveu gincanas, oficinas, entregas de troféus e medalhas, incluindo o título de fair play, além de outras atividades de lazer. Ao todo, participaram 205 alunos. C

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Uma semana que deu química O Colégio Jandyra, de Limeira, realizou a VIII Semana de Filosofia, em maio, seguindo o tema do “Ano Internacional da Química”. Participaram alunos do ensino fundamental e do ensino médio, além de pais e visitantes. Ao todo, mais de 600 pessoas prestigiaram o evento. “O objetivo é proporcionar uma

semana nos moldes acadêmicos que estimule a reflexão”, disse o professor coordenador do Colégio, Amaury Lins de Melo Junior. Na edição 2011 da Semana, houve parceria com o curso de nutrição da Universidade de Campinas (Unicamp), que ministrou palestras educativas, e os participantes receberam certificados.

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Sandra Concon

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história do mantenedor

Artesã na missão de educar

Aos 20 anos, ela recebeu do pai uma escola de educação infantil e o legado de levar adiante um processo de aprendizagem calcado em valores éticos e em uma metodologia diferenciada. Hoje, Sandra orgulha-se por ter feito do Colégio Carpe Diem referência perante as comunidades de Valinhos, no interior paulista

Envie a sugestão de sua história para o e-mail: superescola@sistemapueridomus.com.br

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adolescência havia terminado. A vida universitária fervilhava. Um universo de novos conceitos à disposição e a vontade de fazer diferente permeavam os pensamentos na sala de aula do curso de pedagogia. Foi quando seu pai notou certa vocação natural e decidiu presenteá-la com uma escola de educação infantil, regalo bastante incomum para uma jovem da época, com apenas 20 anos de idade. No entanto, o desafio estava aceito. Em 1983, a então estudante universitária Sandra Concon tinha em suas mãos a Escola Guri que, 13 anos depois, viria a se tornar o Colégio Carpe Diem, atual parceiro do Sistema de Ensino Pueri Domus, na cidade de Valinhos, interior de São Paulo. “A escola que ganhei de presente cresceu significativamente e, em 1996, fundamos o Carpe Diem para dar início às turmas de ensino fundamental”, relembra Sandra. A expressão que deu origem ao nome do Colégio vem do latim e pode ser traduzida como “viva intensamente cada dia, aproveitando e colhendo o que ele tem de melhor.”


E foi exatamente com essa filosofia de vida que Sandra deu os primeiros passos na educação. Tendo cursado Magistério, Pedagogia e Psicopedagogia, começou a carreira como auxiliar. “Iniciei em uma escola de educação infantil na qual permaneci por três anos como assistente de classe, no período em que cursava o magistério. Depois, por dois anos, fui professora alfabetizadora em uma escola do Sesi, antes de assumir a direção da escola que recebi de meu pai”, conta. As experiências lhe ampliaram visões administrativas e pedagógicas, além de contribuírem para a ratificação de valores muito difundidos nas instituições que administra. “Na sociedade atual, nossas crianças e jovens enfrentam várias situações sobre as quais necessitam ter um pensamento crítico e socialmente responsável. Buscamos encontrar, no planejamento contínuo de nossos educadores, estratégias nas quais o aluno saiba utilizar o diálogo com respeito como mediação de seus conflitos para que, no futuro, façam prevalecer o coletivo frente ao individual”, enfatiza. Localizado no bairro Nova Itália, o Carpe Diem chega aos 15 anos de existência com cerca de 380 alunos e 27 professores. “Os principais valores que orientam as nossas atividades fundamentam-se em uma ação educativa vivida na cidadania, na ética, na solidariedade e no compromisso social”, diz Sandra que faz questão de ressaltar o comprometimento de toda a equipe de colaboradores e docentes com suas iniciativas, muito atuante em todo

o processo de aprendizagem com vistas a uma educação que ela mesma batizou como “artesanal”. “O professor e a coordenação mediam sempre as ações pedagógicas e possibilitam um atendimento personalizado de nossos estudantes. Além disso, promovemos o envolvimento dos alunos em ações mais amplas, inserindo a realidade das comunidades em que eles habitam dentro da escola também”, diz. Tecendo outras redes Diversas conquistas pessoais e profissionais marcam a trajetória da mantenedora. O reconhecimento da comunidade local, que considera o Colégio como referência em ensino de qualidade e a própria construção do prédio no qual está instalado o Carpe Diem são motivos de orgulho. Tanto que Sandra ampliou horizontes e, em 2004, também passou a responder pela administração do Colégio Beneditino, antigo São Bento, no município de Vinhedo, vizinho de Valinhos e distante 75 quilômetros da capital. O Colégio, fundado em 1998, no bairro Junco, é fruto de uma parceria entre empresários da cidade e o Mosteiro São Bento. Em função da sólida atuação por parte da nova mantenedora, o Beneditino incorporou diretrizes administrativas e pedagógicas, já bemsucedidas no Carpe Diem, de modo a atender às necessidades de pais e alunos. A troca do nome ocorreu em 2010, lembra Sandra. “Ele foi alterado por questões contratuais, as quais limitavam o uso da nomenclatura São Bento. O Beneditino já possuía esse registro, feito pela antiga man-

tenedora, o que acabou facilitando essa transição”, explica. Hoje, o Colégio Beneditino conta com 332 alunos e 36 professores. “Orgulho-me de poder comemorar 25 anos de dedicação à formação íntegra do ser humano. A parceria com o Sistema de Ensino Pueri Domus é muito salutar porque vai ao encontro da filosofia de nossos colégios, os quais consideram como elementos indispensáveis ao processo de aprendizagem o compartilhamento de ideias, a interação com o próximo e a ocupação e usufruto de espaços físicos em comum de modo que todos se sintam responsáveis pelo ambiente e pelo semelhante”, conclui Sandra, mãe orgulhosa de Admar Neto, 23 anos, e Matheus, 20 anos, ambos ex-alunos de suas escolas, hoje estudantes de economia e medicina, respectivamente. SUPER ESCOLA 25


Comportamento

O jovem e suas várias consciências

Geração digital e engajada P

olítica, economia e responsabilidade social são assuntos cada vez mais frequentes no cotidiano do jovem brasileiro. Preocupada com o futuro do planeta em que vive, a nova geração está cada vez mais engajada em questões que dizem respeito ao bem-estar coletivo.

lizou um estudo para entender o novo olhar da sociedade brasileira, buscando desvendar tendências e identificar comportamentos socioculturais dos jovens do País. Denominado Sonho Brasileiro, o projeto consiste em uma ação de responsabilidade social, sem viés de consumo ou fins lucrativos.

Se no século XX, a ordem econômica era o desenvolvimento a qualquer custo, hoje em dia as organizações que não têm responsabilidade social e de cunho ambiental tendem a cair no conceito dos chamados nativos digitais. É o reflexo da existência das redes de relacionamento, que ampliaram a voz do cidadão comum.

Foram realizadas 2,9 mil entrevistas, em 173 cidades de 23 estados. O público escolhido para participar é constituído por pessoas de 18 a 24 anos, das classes A, B, C, D e E. Segundo a Box 1824, eles representam a faixa etária mais influente na criação e disseminação de novas ideias. “Enquanto os mais jovens aspiram ser como eles, os mais velhos inspiram-se em seus valores e comportamentos”, destaca o pesquisador Gabriel Milanez, um dos envolvidos no estudo.

As redes tornaram a comunicação colaborativa. Graças ao boom das mídias sociais qualquer assunto repercute com uma velocidade antes inimaginável, assim como as opiniões referentes a ele. Isso acontece porque o jovem está plugado e tem uma infinidade de canais para expressar-se acerca de assuntos da atualidade. De olho neste fenômeno digital, recentemente a agência de pesquisa Box 1824 rea-

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O mundo colaborativo apresentado pelas mídias digitais é o impulso que faltava para a sociedade ter consciência de que pode fazer a diferença. Hoje, as pessoas sabem que suas ações são capazes de interferir no meio em que vivem. “Aproximadamente 92% dos jovens acreditam que suas ações podem mudar a so-

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Pesquisa destaca que jovens estão antenados a vários assuntos do cotidiano. Segundo estudo, o individualismo dá espaço ao coletivo e a cultura da colaboração é impulsionada pelas redes de conexões


ciedade”, revela Milanez, que é formado em Sociologia pela Universidade Paris IV Sorbonne, na França. “Eles têm promovido microrrevoluções silenciosas que transformam o mundo de forma lenta, gradual e positiva”, complementa. Para justificar a realização do estudo, a empresa aponta que, ao mesmo tempo que se firma como um importante ator mundial, o Brasil, neste momento, encontra sua primeira geração de jovens nascidos em um mundo hiperconectado. “O jovem de hoje vive em um cenário com configurações diferentes. Ele está ressignificando várias áreas da sociedade”, explica Milanez, referindo-se aos pilares profissão, trabalho, economia, política, educação, família e religião. Trabalho: carreira, realização e relevância social O jovem da geração atual, a exemplo das anteriores, pensa em boa remuneração e carreira. Só que aspectos como realização pessoal e relevância social passaram a ter grande peso na relação deste público com a vida profissional. Conforme o estudo da Box 1824, 90% dos jovens gostariam de ter um trabalho que seja útil à sociedade de alguma forma. Do ponto de vista da realização pessoal, Milanez revela que, para ter qualidade de vida, boa parte deles prefere receber um salário menor, se necessário. “Um dos entrevistados falou que o dinheiro é importante, mas como ganhá-lo também é. Para ele, a pessoa deve trabalhar com o que SUPER ESCOLA 27


Comportamento

Anseios coletivos do jovem brasileiro

31%

Menos violência e corrupção

28%

Mais educação, empregos e igualdade social

8%

Fim da miséria

6%

Desenvolvimento do País

6%

Melhorias na saúde

Fonte: Sonho Brasileiro, estudo realizado pela Box 1824

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Set/out/nov

O jovem e suas várias consciências

gosta e enxergar um sentido no trabalho. Isso é realização pessoal”, comenta. Economia: dinheiro humanizado Para 91% dos participantes da pesquisa, as pessoas consomem mais do que precisam. Conscientes, os jovens defendem que o dinheiro deve circular e que a mentalidade do acúmulo é um dos principais vilões sociais. Segundo o pesquisador da Box 1824, ainda que seja um número tímido, 6% dos entrevistados preferem gastar o próprio dinheiro para ajudar ao próximo, ao invés de guardar. “É uma amostra que a geração atual pensa de maneira diferente”, avalia Milanez. Política: engajados, mas apartidários O jovem acompanha o noticiário de política e tem opinião própria sobre os assuntos pertinentes a ela. Contudo, 59% dos entrevistados não têm preferência por algum partido político. Eles não se sentem tão representados pelo sistema político institucional e entendem que a maior parte dos atores no poder deixou de zelar pelo bem comum para atender a interesses individuais. Segundo o pesquisador, que é graduado em Comunicação Social e Ciências Sociais pela USP, o jovem não tem medo de falar sobre política e entende que ela faz parte de várias esferas de seu cotidiano – consumo, internet, trabalho etc. Nesse sentido, o mundo digital representa uma área importante para ampliação de dis-

Perspectivas para o Brasil

elementos de diferentes igrejas para construir as próprias crenças.

Dos entrevistados pelo estudo Sonho Brasileiro, 76% acreditam que o País está mudando para melhor e 87% entendem que ele é importante no cenário mundial

Educação: conhecimento compartilhado Colaboração é uma das palavras de ordem para o jovem brasileiro e traduz a proposta das redes sociais, que é difundir e compartilhar o saber. Para ele, não faz sentido o conhecimento ficar estagnado e sob domínio de poucas pessoas. Milanez ressalta que, na visão do jovem, o conhecimento compartilhado tem um poder transformador.

cussões e realização de ações políticas. O ambiente on-line permite que o jovem aja, ao invés de esperar que façam algo por ele ou pela sociedade. Família: constituir ou não, é uma questão de opção Práticas muito comuns e quase que obrigatórias para as gerações anteriores, casar e constituir família não são tabus para os jovens brasileiros. Para 74% deles, formar uma família é uma escolha pessoal. Hoje em dia, trabalho e viagens são encarados como prioridade para muitos. Religião: busca pela espiritualidade Independentemente de religiões, a maior parte dos entrevistados tem suas crenças e é livre de preconceito: 77% dos participantes da pesquisa da Box 1824 sentemse livres para experimentar diversas religiões. Eles são tão desprendidos de rótulos que alguns misturam

Para 81% dos entrevistados, as tradições populares são tão importantes quanto as escolas na difusão de conhecimento. Além disso, 84% sentem falta de fontes de conhecimento alternativas, além das escolas. “Esse é um ponto interessante. Talvez os colégios possam se apegar a esse número e desenvolver ações e atividades que complementem a educação e atendam aos anseios dos jovens engajados e digitais”, opina o pesquisador. Por estar redesenhando a sociedade, o comportamento do jovem influencia diretamente aspectos ligados, até mesmo, ao funcionamento operacional das escolas. “Para ele, o conhecimento está em todos os lugares. Por conta disso, os educadores precisam se adaptar de alguma forma. Atividades fora das dependências do colégio ou no próprio ambiente on-line podem ser positivas, por promover maior integração”, finaliza.


indicação de leitura

Especial Paulo Freire

Para quem busca atualização sobre a obra de Paulo Freire, a reportagem pesquisou algumas opções recentes no mercado editorial. A história do educador, sua filosofia pedagógica e a aplicação de seus ensinamentos na gestão de escolas são temas abordados nas publicações. Boa leitura!

Paulo Freire The Man from Recife Ano: 2011 - 1a edição Autor: James D. Kirylo Editora: Peter Lang Pub Número de páginas: 400 Preço: R$ 55,00 O desdobramento da filosofia de Paulo Freire, singularidade e a lente através da qual ele via o mundo começou em uma idade jovem em sua cidade natal, Recife. Notavelmente fundamentado na sabedoria da humildade, mas dotado de uma força determinada, profundo conhecimento e inteligência perceptiva, Freire não só acredita no espírito humano, na bondade e na promoção de um mundo mais esperançoso, mas foi também profundamente empenhado, desafiador de estruturas políticas, educacionais e religiosas que perpetuam o status quo. O livro narra a vida e o pensamento de um homem notável, que apareceu em um ponto crítico na história, cuja coragem e a voz profética de consciência permanecem.

Pedagogia da Autonomia Ano: 2011 - 43ª edição Autor: Paulo Freire Editora: Paz e Terra Número de Páginas: 144 Preço: R$ 14,90

Educação como Prática da Liberdade Ano: 2011 – 34ª edição Autor: Paulo Freire Editora: Paz e Terra Número de Páginas: 192 Preço: R$ 29,90 Escrita quando o autor se encontrava no exílio, a obra reflete a maturação e a autocrítica, sendo o primeiro texto a trazer à tona suas experiências pedagógicas. Paulo Freire não deixa dúvidas quanto à concepção de educação: defende ardorosamente a pedagogia conscientizadora como força de mudança e libertação.

Na obra, de 1996, Paulo Freire apresenta uma reflexão sobre a relação entre educadores e educandos e elabora propostas de práticas pedagógicas, orientadas por uma ética universal, que desenvolvem a autonomia. Criando os fundamentos para a implementação e consolidação desse diálogo políticopedagógico e sintetizando questões fundamentais para a formação dos educadores e para uma prática educativoprogressiva, Paulo Freire estabelece neste livro novas relações e condições para a tarefa da educação.

Paulo Freire e a Administração Escolar A busca de um sentido Ano: 2008 - 1ª edição Autor: Marcia Regina Canhoto de Lima Editora: Liber Livro Número de Páginas: 148 Preço: R$ 25,00 Dentro de concepção freiriana da administração escolar, todos os sujeitos da escola e da comunidade são reconhecidos e valorizados como sujeitos do planejamento, da execução e da avaliação, em um processo coletivo e democrático de gestão escolar.

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opinião

Daniela de Rogatis

Divulgação

A flexibilização do ensino médio

C Daniela de Rogatis é educadora, pesquisadora e consultora na área de Educação e Família, com ênfase em Family Room e Planejamento Educacional. É também fundadora da Companhia de Educação, uma empresa que presta serviços de consultoria e “design” de aprendizagem a famílias que desejam apoio na condução do processo formativo de seus filhos. Participa de projetos internacionais do 21th Century Skills for Child Education, de iniciativas de educação individualizada e tutoriais do All Kinds of Minds Institute e de eventos e cursos do Project Zero, da Universidade de Harvard, entre outros, e, atualmente, certifica-se em Biologia Cultural pela Escuela Matriztica, no Chile

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onversando com pais de jovens matriculados no ensino médio, são muitos os que relatam tédio e desinteresse de seus filhos em relação à escola. São famílias que deixam entrever um enorme desconforto pelo fato de a educação estar cada vez mais voltada ao sucesso no vestibular e não à construção de uma bagagem cultural sólida e particular. Nesse sentido, a ideia de revisar a relevância dos conteúdos escolares e a busca dos educadores em dar-lhes sentido – ajudando o aluno a aplicar na vida aquilo que aprende em sala de aula – surge como oportunidade de solução para essa problemática que assola sistematicamente a maioria das famílias ao longo das últimas décadas. Ressignificar o currículo para instigar a curiosidade e a vontade de conhecer do aluno é o grande valor da proposta do Conselho Nacional de Educação. No entanto, há um limite mínimo de conhecimentos sobre o universo, sistemas complexos, sociedade, matemática, tecnologia, cuja ausência reduz a capacidade de refletir, ponderar, pensar, agir e criar dos jovens, dentro e fora da escola. São temas de que não podemos prescindir, sendo nosso dever garantir que nossos filhos tenham

acesso a eles e possam, dessa forma, constituir uma base fértil de entendimento sobre o mundo. É na construção desse repertório intelectual e dessa bagagem cultural adequada que está a maior parte dos anseios das famílias brasileiras e também os debates referentes à flexibilização curricular e à autonomia das instituições de ensino nessas definições. O ensino médio nasceu com a função de ampliar a cultura geral e transmitir conteúdos valiosos a todos os alunos em sua diversidade de interesses. Não podemos prever, é verdade, os desafios que uma pessoa terá pela frente nem os conhecimentos específicos de que precisará no futuro. Mas sabemos, sim, os universais – aqueles que compõem o patrimônio intelectual da humanidade. Ao mantermos esse equilíbrio entre o todo e a parte, estaremos no caminho certo. Como diz o psicólogo Yves de La Taille, em Formação Ética, “a escola ajuda a criança a adquirir uma bagagem, e esta bagagem é a memória da nossa humanidade”. Se a flexibilização levar em conta, portanto, o cuidado e o respeito com a abrangência cultural e com o propósito do ensino médio, terá cumprido seu papel no desenvolvimento educacional de nosso país.


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