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si, independentemente do espaço que servem. Esta atitude conferiu ao edifício uma clareza e austeridade formal enorme, permitindo que este se relacione de uma forma harmoniosa com o edifício da antiga Cadeia Central do Norte. No entanto, é no tratamento da cela, nas características dos espaços interiores, na organização dos percursos e no conceito funcional, que encontramos uma atitude mais experimental e cuja abordagem se torna importante para este trabalho, pois alerta para algumas das preocupações inerentes à segurança que estes edifícios têm de garantir e para a humanização e dignificação dos espaços destinados à reclusão, hoje, uma preocupação generalizada para todos os países da comunidade europeia. Neste edifício recorreu-se ao uso das celas individual e colectiva, neste caso especifico destinada a albergar dois reclusos, consequência que advém desta incerteza programática inicial, dado que, hoje se aplica, unicamente, a individual, sendo que a colectiva surge apenas como excepção, como são exemplo as alas prisionais da Penitencier Cantonal, que em cada ala deste edifício organiza vinte e quatro dormitórios individuais e apenas três colectivos que só funcionam em caso de emergência ou quando a própria estratégia de reinserção exige que recluso esteja acompanhado no seu espaço de dormir. No caso de estudo em análise cada ala de reclusão suporta vinte e oito celas colectivas e apenas dezasseis celas individuais contrariando os conceitos actuais. A cela individual, cuja área corresponde a cerca de metade da cela colectiva, é acedida pela galeria de distribuição, através de uma porta de ferro e no seu interior é servida por uma janela que contacta com o 089 exterior, sendo fechada pela caixilharia e pelo gradeamento. O espaço de dormir é composto por uma cama fixa, construída em betão pré-fabricado e por um lavatório de aço inox localizado junto à porta. A instalação sanitária, também organizada no seu interior, inclui uma base de chuveiro e uma sanita, ambos em aço inox, mas não responde aos princípios comuns da privacidade, permitindo que o guarda consiga ver o seu interior, tendo uma percepção total da cela através da galeria de acesso, conseguindo desta forma evitar possíveis ataques e tentativas de fuga por parte do recluso. O uso de materiais que possam ser transformados em armas é evitado, encontrando-se embutidas, por isso, todas as canalizações e reduzida ao mínimo indispensável a utilização de vidros ou espelhos, procurando a sua substituição por acrílicos inquebráveis ou aços polidos. Os espaços interiores da ala de reclusão foram cuidadosamente organizados para satisfazerem as exigências relativas à segurança, existindo uma preocupação de reduzir os pontos de contacto com o exterior a uma única porta, constantemente vigiada, localizada no piso térreo de cada ala de reclusão e em contacto directo com a galeria de acesso aos espaços colectivos. Este gesto de redução ao mínimo possibilita, por um lado, a redução do pessoal vigilante e, por outro, permite que o recluso percorra, livremente, todos os espaços da ala de reclusão, compostos pelo refeitório, salas de convívio e de trabalho e armazéns para lixos e roupas sujas, sem qualquer sensação de vigilância permanente, podendo tirar partido quer destes espaços quer dos individuais. No desenho dos percursos da ala prisional tentou-se conjugar esta preocupação relativa à segurança com uma optimização e rentabilização do espaço. Assim, no piso térreo, a galeria de acesso que surge adossada

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Prova final em arquitectura na FAUP - 2006_2008

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