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A sua análise permitirá traçar linhas estratégicas para a concretização do projecto que me proponho realizar como conclusão desta abordagem teórica, ao mesmo tempo que servirá de mote para a descrição das iniciativas promovidas pela nova reforma, em vigor desde o ano de 2005. As novas instalações do EP de Paços de Ferreira implantam-se a sudeste da antiga Cadeia Central do Norte, num terreno com uma pendente acentuada no sentido poente-nascente, o que tornou imperativa a subdivisão do edifício em seis volumes, numa composição pavilhonar, organizados segundo plataformas que vencem as diferentes cotas. Todo o terreno é cercado por um muro de sete metros de altura e seiscentos de perímetro, que forma um quadrado e é dotado, nos seus vértices, por torres de vigia. Este equipamento prisional pode ser descrito em dois conjuntos de edifícios distintos, que organizam uma quase prisão dentro de outra, ou seja, um primeiro conjunto composto pelos volumes correspondentes às áreas colectivas e de serviço que contactam entre si através de pátios e se encontram envolvidos pelo muro exterior, e um segundo composto pelos edifícios de reclusão que se encontram fechados dentro de uma segunda cerca, sendo dotados de espaços exteriores independentes que servem cada um dos volumes. Estes dois conjuntos de edifícios contactam entre si através de uma galeria que controla todos os percursos dos reclusos. Os edifícios que compõem o primeiro conjunto mencionado são a portaria, a ala comum e a cisterna, esta última construída para armazenar e servir água ao antigo e ao novo edifício prisional. A portaria, à semelhança do que acontece com o edifício projectado pelo arquitecto Rodrigues Lima, é o único volume que contacta 085 com o exterior e tem como função controlar as entradas e saídas, quer de viaturas quer de visitantes, para além de organizar no seu interior o gabinete para o guarda de serviço, os depósitos de encomendas e sala de espera das visitas. A ala comum constitui o edifício mais complexo de todo o conjunto, já que encerra no seu interior as diferentes áreas do parlatório, espaços para a formação dos reclusos, áreas administrativas e para a permanência do corpo de guardas, bem como algumas zonas de serviço e a garagem. Este edifício organizado em três pisos recebe, na cave, a garagem destinada aos veículos do corpo de guardas e administração, os diferentes equipamentos de controlo infra-estrutural do edifício e as celas disciplinares. No piso térreo encontram-se organizados o parlatório, as salas para os advogados e os quartos para encontros íntimos; uma área administrativa composta pelos vários gabinetes e por uma secção de atendimento ao recluso e, finalmente, uma área de permanência do corpo de guardas, composta por balneários colectivos e zona de cacifos. As áreas reservadas aos reclusos e ao corpo de guardas prolongam-se para o primeiro piso, onde se organizam as salas de formação e a biblioteca destinada aos detidos e as camaratas e quartos individuais destinados aos guardas, sendo que estas duas áreas se encontram rigorosamente separadas e são servidas por acessos verticais e horizontais, independentes. O segundo conjunto de edifícios é composto pelas três alas prisionais, que se organizam em três pisos, segundo uma disposição formal e funcional idêntica. No térreo são incorporados todos os espaços necessários à rotina diária do recluso, ou seja, salas de trabalho, de convívio e o refeitório, onde um só guarda, que se encontra no gabinete de chefe de ala, controla os movimentos no interior destes espaços, bem como os

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Prova final em arquitectura na FAUP - 2006_2008