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Estas três últimas tipologias analisadas – em espinha, concentracionária e pavilhonar – assumem uma estratégia de implantação muito semelhante, preferindo afastarem-se dos aglomerados habitacionais, não intervindo nem impossibilitando o crescimento urbano. Por outro lado, esta estratégia possibilita a utilização de espaços exteriores amplos, de características agrícolas, que permitiam desenvolver actividades laborais extramuros, importantes para a regeneração dos reclusos e para uma maior aproximação à vida em liberdade. Formalmente, verifica-se uma influência muito forte do Movimento Moderno, onde existe uma utilização sistemática do ângulo recto o que facilita a sua implantação e organização. Os materiais construtivos passam a ser o betão e o ferro, influenciando as suas características plásticas, marcadas agora pela repetição e pela modelação das suas formas. “In the last several decades, prison design has moved away from the panopticon and oppressive monoliths like Eastern, attempting through the use of smaller cellblocks to create a “sense of place” within a larger institution. Large-scale, long-range surveillance systems have proved to neither prevent prison riots or aid in rehabilitation, so the “New Generation” movement stresses the interaction of guards with prisoners in these smaller units—a “community policing” approach.”46 A última tipologia a ser abordada é possível analisar-se através do Metropolitan Correctional Center of Chicago do arquitecto Harry Weese, implantado em pleno centro da cidade, segundo uma forma e escala que dialogam com a sua envolvente urbana e que procura materializar esta nova geração de edifícios prisionais 045 de que fala a citação anterior, cujas preocupações não se restringem ao espaço como elemento de simples confinamento, mas também ao lugar da ressocialização e da reintegração. Este edifício encontra-se dividido em dois corpos, um mais baixo que recebe os espaços comuns, as salas de convívio e os refeitórios e outro que se desenvolve em altura, reservando os seus primeiros nove pisos para serviços públicos e administrativos funcionando os restantes dezoito pisos, “[...] como pequenas unidades em que vivem 10 a 12 detidos e onde existem, contiguamente às zonas onde estão instalados os quartos de cada um, espaços de convívio […]”47, que no fundo representam esquemas reduzidos do panóptico de Bentham, ou seja, um conjunto de celas e zonas comuns periféricas que são supervisionadas por um único guarda que se coloca no centro deste espaço triangular. Esta tipologia, denominada de supervisão directa, tem por base um conceito de psicologia ambiental que visa a redução do sobrepovoamento, o aumento da privacidade do recluso e o equilíbrio entre a vigilância e o controlo dos mesmos, de forma a diminuir a taxa de violência e vandalismo no que diz respeito a acções contra terceiros ou contra si mesmo. Este conceito tem nos nossos dias um uso frequente como é possível verificar pelas novas instalações do EP de Paços de Ferreira, do arquitecto Eloy Castro, onde existe a tentativa de dividir a comunidade prisional, de cerca de duzentos reclusos, em unidades distintas. Esta subdivisão é concretizada através da criação de três volumes que encerram no seu interior os espaços necessários para os reclusos dormirem, alimentarem-se e ocuparem os seus tempos livres. Outro exemplo é o Leoben Judicial Complex do arquitecto Josef Hohensinn que, num edifício que surge quase como uma provocação para a arquitectura prisional devido às suas características formais e materiais,

<http://www.stim.com/Stim-x/7.1/Architect/Architect. html> 47 GONÇALVES 1999, p. 106 46

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Prova final em arquitectura na FAUP - 2006_2008