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The commission’s final report recommended electrocution as the official method of capital punishment. Instead of each country doing its own executions, the State should build execution chambers in the prisons in Auburn, Sing Sing and Dannemora.”43 Na actualidade a própria cadeira eléctrica encontra-se já ultrapassada sendo que o recluso condenado à morte é hoje acompanhado por um médico até ao momento da sua execução, sendo-lhe administrados sedativos em prol do seu bem estar e com a intenção clara de lhe infligir a menor dor possível. O espaço arquitectónico onde acontecem estas execução reflecte, porém, uma certa vergonha e pudor sobre esta atitude legislativa. Já no edifício prisional de Auburn é descrito que era nas caves, escuras e impenetráveis, que se realizavam as execuções por electrocução, sendo que os actuais corredores da morte americanos, equipados com uma cela apropriada para o condenado passar as suas últimas horas de vida para que, posteriormente, possa ser acompanhado a uma sala, fechada e fria, semelhante a uma enfermaria, onde um grupo de testemunhas assiste à administração da injecção que porá termo à vida do condenado. A pena capital foi abolida na maioria dos países, sobre a justificação da crueldade que transmite e a contrariedade ética a ela associada, como refere Beccaria: “[...] o assassinato que nos é apresentado como um crime horrível, vemo-lo sendo cometido friamente, sem remorsos.”44 Ainda hoje esta situação continua a ser discutida e questionada enquanto punição judicial funcional da contemporaneidade, sendo a União Europeia uma das maiores activistas da sua abolição enquanto que os Estados Unidos da América e uma grande percentagem dos países Asiáticos continuam a ver na sua execução a maior arma contra o crime.

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No ano de 1934 o arquitecto Alfred Hopkins desenvolveu uma proposta inovadora para o edifício prisional norte-americano de Norfolk, onde projectava pavilhões prisionais separados entre si e colocados, de forma ordenada, sobre um vasto terreno, criando assim a tipologia pavilhonar. Esta, dividida em “unidade aberta” para uma maior concentração geográfica dos edifícios e em “unidade livre” para uma maior dispersão geográfica dos mesmos, é destinada a albergar alas prisionais para reclusos de perigosidade mínima. Neste esquema organizacional, o espaço exterior constituido por amplas áreas de cultivo, surge como o elemento unificador de todo o esquema, habitualmente composto por três ou quatro edifícios celulares que possibilitam o agrupamento e isolamento dos reclusos segundo classes. Os outros edifícios albergam os diferentes serviços e zonas comuns, como a portaria, os refeitórios, a administração, zonas de culto e oficinas, como é possível perceber pelo projecto da Cadeia para Mulheres de Tires. O arquitecto Rodrigues Lima escreveu “[…] esse partido arquitectónico em pavilhões, por aquilo que me tem sido dado a observar, será o partido arquitectónico mais indicado no futuro […] aumentando ainda mais as possibilidades de recuperação e regeneração dos reclusos que, os novos estabelecimentos prisionais hão-de forçosamente tender cada vez mais para se transformarem em pequenos agrupamentos pavilhonares, sem aspecto intimidativo, nem ambientes pesados ou deprimentes, onde vivam sob vigilância discreta e depois do trabalho em comum, pequenos núcleos de reclusos agrupados pelo seu temperamento semelhante, suas tendências culturais e religiosas, a maior ou menor possibilidade de regeneração [...]”45 como se verificará na tipologia abordada no fim deste texto.

<http://www.correctionhistory.org/auburn&osborne/ brochure1.html> 44 FOUCAULT 1987, p. 13 45 LIMA 1960, p. 38 43

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Prova final em arquitectura na FAUP - 2006_2008