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ainda no simples cultivo das terras e na construção e manutenção das redes de rega que possibilitavam a agricultura organizada do Antigo Egipto. Estas são algumas das características do estrato social associado aos prisioneiros e escravos desta civilização, bem como a forma como se organizava o poder legislativo. No entanto, não existem dados suficientes que possibilitem uma descrição fundamentada do espaço dedicado à prisão, a não ser que era um edifício colectivo onde eram encarcerados todos os prisioneiros, sem qualquer estratificação social ou judicial (característica que se vai manter até ao Iluminismo), não sendo possível perceber as suas características formais e estratégia de implantação. O espaço prisional na cultura antiga grega e romana têm, entre si, uma estratégia de implantação semelhante: encontravam-se ambos junto ao centro político, participando na sua organização. No caso grego localizava-se junto ao ágora, como é exemplo a prisão de Atenas, que se constrói próxima dos tribunais atenienses, onde se prevê que tenha estado preso o filósofo Sócrates, antes da sua execução: “Cena: Uma cela, na prisão de Atenas; Sócrates- Admira-me que o guarda da prisão te haja atendido; Críton- Ele já se acostumou comigo, Sócrates, de tanto eu frequentar este lugar.”10 Este espaço assemelha-se às futuras masmorras medievais, sendo construído ao nível da cave e num lugar sombrio e escuro. As aberturas que existiam eram fechadas com gradeamento de ferro e os prisioneiros eram acorrentados para impossibilitar a sua fuga. Em relação ao edifício prisional romano sabe-se, através do tratado de Vitrúvio, que “[...] o tesouro 015 público, a prisão e o palácio da cidade devem estar sobre a Praça de tal forma que a sua dimensão seja proporcionada com a da Praça”. No entanto não existe qualquer referência às características formais desta, mas podemos perceber as preocupações arquitectónicas e urbanísticas a ela associada, possivelmente, pelo seu valor legislativo. Outro espaço cujas características formais são importantes para a percepção do espaço de enclausura romano é aquele dedicado ao fechamento dos escravos e dos gladiadores. As primeiras construções dedicadas a esta função caracterizavam-se por ser autênticos “buracos” no solo, intitulados de ergástulos, que Juan Manuel de Prada descreve como sendo: “[...] cuchitril inmundo donde vivían los esclavos, rebozados en la mugre de sus proprias defecaciones, como bestias aguardan el alivio de la muerte.”11 Estas masmorras destinadas a fechar, conjuntamente, os escravos condenados a trabalhos forçados, situavam-se nas villae romanas e caracterizavam-se por não ter qualquer abertura, maximizando o factor de segurança, sendo a entrada de luz e ar quase inexistente e o seu espaço era de tal forma exíguo que quem nelas se encontrava encarcerado dificilmente conseguia movimentar-se, impossibilitando desta forma qualquer tentativa de fuga. Os gladiadores faziam também parte da classe dos escravos romanos estando, no entanto, condenados a treinar para combater e morrer na arena dos coliseus romanos. Esta comunidade era aprisionada nas chamadas ludi gladiatóri, escolas para gladiadores que se caracterizavam por serem recintos fechados, compostos por alas de celas conjuntas, geralmente com um piso, onde todos eram encerrados de forma colectiva.

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BRUNA 2006 PRADA 2001

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Prova final em arquitectura na FAUP - 2006_2008

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