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O tema da arquitectura prisional pode ser dividido em dois grandes momentos históricos: um anterior e 013 outro posterior à Revolução Francesa. No primeiro procurava-se apenas construir o espaço que isolasse o criminoso perante a sociedade, enquanto que no segundo, a que Rui Abrunhosa Gonçalves chama “advento do século XVIII”, existiu uma constante procura de humanizar o sistema penitenciário, esforço reforçado por personagens como John Howard, Montesquieu e Beccaria, que transportaram para este tema um sentido de respeito pelo prisioneiro. Nesta pequena abordagem histórica tentarei sintetizar e relacionar estes dois momentos, evidenciando as suas principais características e diferenças, procurando perceber a evolução do pensamento punitivo e das formas da arquitectura prisional. A história da arquitectura prisional permite perceber as atitudes relacionadas com o crime e com a sua punição, o carácter mais ou menos humano das sociedades e o próprio funcionamento de uma civilização. A referência a um primeiro espaço prisional surge associado ao Antigo Império Egípcio, no livro A vida no antigo Egipto de Dominique Valbelle: “[...] não nos legaram, que se saiba, arquivos respeitantes à população trabalhadora […] apenas os prisioneiros de guerra conservavam, por diversas vezes, a sua imagem simbólica e os seus efectivos gravados na pedra.”8 A personagem do prisioneiro surge associado aos militares capturados em tempo de guerra, bem como trabalhadores e desertores, aos infractores, devedores, ladrões ou criminosos que eram: “[…] encarcerados, após julgamento (que era presidido pelo Faraó), na Grande Prisão e reduzidos a um estado muito próximo da escravatura, pois podiam ser legados por herança, cedidos ou vendidos.”9 Ao longo da civilização egípcia sabe-se que os prisioneiros, foram elementos fundamentais para a construção do Império trabalhando, na sua maioria, como escravos na construção de muitos dos centros habitacionais, como é o caso da capital Mênfis, na edificação das pirâmides e seus complexos funerários ou

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VALBELLE 1988, p. 31 Idem

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Prova final em arquitectura na FAUP - 2006_2008

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