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exploração agrícola e localizado no extremo sul da composição. Este último espaço destina-se a actividades que incentivem a formação profissional do recluso, e que, ao mesmo tempo, facilitem a produção de alimentos que poderiam ser utilizados pela própria comunidade interna. Entre a cave e o terceiro piso do edifício reclusivo, desenvolve-se um conjunto de espaços empresariais que seriam administradas por entidades exteriores à realidade prisional que possam admitir também população livre para desta forma transformar a prisão num espaço o mais possível próximo da vida em liberdade. Desta forma, é criado um conjunto de armazéns no piso térreo, que apoiam os espaços multifuncionais que se localizam a sul, com uma dimensão ampla e pé-direito que corresponde à altura do muro, e que surgem em alternativa às salas menores que se desenvolvem no primeiro piso e ao longo do muro que materializa a fachada norte. Estas empresas poderiam integrar actividades que formassem profissionalmente aqueles reclusos cuja conduta fosse exemplar e que mostrassem uma sincera vontade de se recuperarem, garantindo-lhes, desta forma, um emprego, uma vez em liberdade. Esta acção seria uma contribuição fundamental para a sua reintegração, dado que o indivíduo preso nunca estará devidamente reinserido, se não tiver uma habitação própria e um trabalho que o sustente e motive. Os acessos que pontuam todo o edifício reclusivo servem também estes espaços de trabalho, que se

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encontram limitados pelos átrios nascente e poente, ambos desenhados no piso térreo. O primeiro contacta com o saguão, um espaço limitado por quatro planos verticais que conduzem o olhar para cima, enquadrando o céu na sua cobertura. Este espaço que, sendo exterior é também interior, marca a transição entre o edifício e os pátios que se desenvolvem no intra-muros desta prisão.

O segundo corresponde ao átrio do edifício, cujo desenho foi sucessivamente afinado ao longo do processo de trabalho. Numa fase inicial este ocupava a área total deste topo servindo, unicamente, como átrio de admissão. Contudo as críticas construtivas do orientador deste trabalho fizeram-me perceber que a dimensão e o desenho que eu estava a procurar para este vestíbulo deveria traduzir-se num espaço com maior importância conceptual e funcional, objectivo a que eu procurei dar resposta até à fase final do projecto e que tentarei expor da melhor forma na última passagem deste texto expositivo/explicativo.

Quando visitei o EP de Paços de Ferreira tive a oportunidade de constatar como se desenvolve a admissão do recluso. A sua entrada é feita no interior de um veículo celular da policia, totalmente encerrado, que, após passar a portaria se dirige a um dos pátios que integra o conjunto deste estabelecimento. Já no exterior o recluso é conduzido a um átrio, no fundo, o primeiro espaço com que este contacta no interior do edifício e cujo tratamento, ao nível dos materiais, dos planos ou da luz, não se diferencia do restante edifício.

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Prova final em arquitectura na FAUP - 2006_2008