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permitam potenciar o processo de reestruturação da personalidade do recluso, para assim possibilitar o seu retorno à vida em liberdade como um indivíduo íntegro. A abordagem teórica apresentada anteriormente bem como o contacto com personalidades ligadas ao contexto prisional102 fizeram-me perceber que é fundamental consciencializarmo-nos que não basta encerrarmos os malfeitores, durante um longo período de tempo, sem qualquer interesse em lhes transmitir uma vontade de se reestruturarem, antes permitindo que neles desperte uma maior revolta e vontade de se orientarem pelo mal, e então, após este processo de enfatização da criminalidade, devolvê-los à sociedade. No documentário “Doing Time, Doing Vipassana”103 é dito: “O corpo de guardas foi treinado segundo o tradicional método da opressão: isolamento e castigo. Eles acreditavam que se o prisioneiro sofresse na prisão não voltaria a cometer crimes após a sua libertação com medo de ser devolvido a este inferno. Mas eles estavam enganados, pois na prisão de Thiar (Índia), os reclusos estavam a especializar-se no crime e não a libertar-se dele”. Este cenário deve ser evitado e corrigido, pois torna os estabelecimentos prisionais num dos piores investimentos de um país, visto ser em si um edifício estagnado e pouco explorado do ponto de vista público. Importa perceber que a sua principal função é impossibilitar o crime, mas, ao mesmo tempo, reabilitar o criminoso. Se estas premissas não forem cumpridas o edifício prisional será um fracasso. Assim, o objectivo deste projecto será encontrar a justa medida entre o castigo e a pedagogia que os

...um limite, uma prisão na Memória | 100

espaços de um edifício prisional têm de conseguir transmitir: “There has to be an appropriete balance between the requirements of security and the adverse consequences of an over-opressive atmosphere, whish can lead to a hostile from the inmates and a negative response from the public”104, bem como ”[…] good prision design allows good relationships to develop between staff and prisioners, provides space and opportunity for a full range of activities, and offers decent working and living conditions.”105 Será este o fio condutor deste projecto: criar um edifício cujas características físicas e conceptuais permitam que o recluso tenha consciência que está a ser punido em consequência das suas acções, mas sinta, simultaneamente, que no espaço reclusivo pode reestruturar a sua conduta e obter a vontade necessária para se reintegrar na sociedade.

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Os sonhos e as expectativas expressas nos esquissos de dois estudantes de arquitectura

Dr.ª Paula Vicente (DGSP), arquitecto António Eloy Castro 102 ARIEL 1997 103 FAIRWEATHER 2003, p. 47 104 Idem, p. XIII 105

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Prova final em arquitectura na FAUP - 2006_2008

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