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à parede poente, recebendo os acessos verticais, passa a ser central nos pisos superiores, dando acesso às celas que se encontram adossadas às duas fachadas, rentabilizando ao máximo o seu uso. Esta atitude tem as mesmas consequências negativas que se verificam nas antigas instalações prisionais de Paços de Ferreira, com a agravante que esta galeria central é totalmente encerrada impossibilitando o uso de clarabóias para a sua iluminação permitindo apenas a entrada de luz através das aberturas que pontuam os acessos verticais e os topos do volume. Importa ainda destacar a forma como foram projectados alguns dos percursos deste edifício, nomeadamente, os que correspondem aos movimentos de entrada e saída das visitas, que se verifica entre o exterior e o parlatório, e o mesmo percurso, mas para os reclusos, manifestado entre as alas de reclusão e o referido espaço de encontro. O parlatório corresponde ao espaço mais próximo da liberdade para o recluso e, ao mesmo tempo, o mais próximo da reclusão para a visita. Este facto verifica-se não só pela sua posição, que se encontra organizado no volume mais central de todo o edifício, mas também porque corresponde ao único lugar onde o recluso pode contactar com as pessoas que lhe lembram e o ligam à vida em liberdade. Assim o parlatório corresponde ao “lugar entre” uma realidade e outra e por isso é necessária uma atenção redobrada na concepção do seu desenho para evitar possíveis tentativas de fuga, troca de objectos ou acessos de violência. De forma a perceber como se processa este momento de encontro dentro do edifício prisional, tentarei descrever os percursos destas duas personagens em simultâneo. Através do esquema em anexo é possível 091 perceber que a visita após passar pelo átrio da portaria, onde é revistada, aguarda na sala de espera a altura correcta para se dirigir ao parlatório. A sua chamada para este espaço é efectuada depois da chegada do recluso, que sairá da sua ala de reclusão percorrendo a galeria exterior, sendo revistado antes de ser conduzido a uma mesa localizada no interior deste espaço. Após este momento a visita continua o seu percurso, que é feito através do pátio exterior, de serviço à portaria, e que dá acesso ao átrio do pavilhão comum, onde um guarda a encaminhará para a respectiva mesa do parlatório. No fim do período de encontro o recluso é reencaminhado para o seu espaço de isolamento passando, novamente, pelos gabinetes de revista para eliminar qualquer hipótese de troca de objectos entre este e o seu familiar. A visita por sua vez só poderá sair do parlatório quando o recluso estiver devidamente instalado na cela, mas desta vez percorrendo uma galeria que serpenteia ao longo de trinta metros, possibilitando que durante todo este tempo haja uma verificação da correcta instalação do prisioneiro ao seu espaço de reclusão. Após uma nova revista no átrio da portaria, o visitante terá autorização para abandonar a prisão. O edifício prisional aqui descrito entrou em funcionamento no ano de 2003, um ano após a sua conclusão, e corresponde a uma das últimas acções encetadas pela antiga reforma, que terminou no ano de 2005 para dar lugar à actual, cujos principais objectivos passarei a descrever de forma a destacar aqueles que mais interessam no sentido da renovação e actualização do parque penitenciário português90. Não existe qualquer elemento fotográfico que ajude a caracterizar os espaços das novas e antigas instalações do EP de Paços de Ferreira dado que a DGSP não permitiu a sua publicação –documentos nas páginas 51, 52, 53 e 54 do Volume II 90

“[…] A proposta de lei que agora se apresenta assume-se como um momento fundador de uma nova atitude face ao sistema prisional português, pretendendo assegurar consensualmente a consagração normativa

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Prova final em arquitectura na FAUP - 2006_2008

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