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“E ele, ele é a beleza indestrutível, a juventude indestrutível, o poder indestrutível de amar.” “And he, he is the indestructible beauty, the indestructible youth, the indestructible power to love.” Jorge de Sena, O Físico Prodigioso, 1966


Catálogo publicado pela ocasião da exposição “Banho de Sangue” de Adriana Molder, de 17 de Maio a 20 de Julho de 2014, no Museu de Arte Contemporânea de Elvas. This catalogue was published on the occasion of the exhibition “Blood Bath” by Adriana Molder, from 17th May until 20th July 2014, at the Museu de Arte Contemporânea de Elvas.


ADRIANA MOLDER BANHO DE SANGUE BLOOD BATH


Um ensaio escrito a quatro mรฃos. Adriana Molder escreveu um conjunto de frases e a partir destas Filipa Oliveira escreveu o seu texto num diรกlogo encenado que sรณ existe no papel.

An essay written in four hands. Adriana Molder wrote a series of sentences from which Filipa Oliveira wrote her text in a staged dialogue that only exists on paper.


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Banho de Sangue. A destruição dum rosto, a violência da dúvida e a insuportável intensidade de amar alguém. Em 1966, Jorge de Sena escreve “O Físico Prodigioso”, uma novela fantástica com implicações eróticas e revolucionárias que gira em torno de impulsos e desejos conflituantes: o céu e a terra, o espírito e o corpo, a melancolia e o humor, o amor e o desejo, a pureza e o engano, a vida e a morte.

Blood Bath. The destruction of a face, the violence of doubt and the unbearable intensity of loving someone. In 1966, Jorge de Sena wrote The Wondrous Physician, an improbable novel with erotic and revolutionary implications that dwells on conflicting impulses and desires: Heaven and earth, spirit and body, melancholy and humour, love and desire, purity and deceit, life and death.


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Um cavaleiro cura uma mulher banhando-a no seu próprio sangue. A literatura tem sido sempre uma fonte de inspiração para Adriana Molder. Partindo de contos ou romances, do cinema, da história da arte ou de imagens dos média, Molder tem desenvolvido um corpo de trabalho focado no retrato—uma crescente galeria de figuras que habitam entre o real e o ficcional. Antes de serem pintadas, todas as suas personagens existem em fotografias ou filmes, enquadradas pela lente de uma câmara, por um outro olhar que não o seu.

A knight heals a woman by bathing her in his own blood. Literature has always been a source of inspiration for the work of Adriana Molder. Drawing from short stories or novels, from cinema, art history or media images, Molder has developed a body of work focused on portraiture, an ever-expanding gallery of figures that dwell between the real and the fictional self. Before being painted, every character exists on photographs or films, framed by a camera lens, by a gaze that does not belong to her.


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O Diabo apaixona-se por um homem sem alma. Cada desenho é uma personagem, cada uma tem uma história, que é transfigurada através da tragédia e da fatalidade. Cada uma é agente de um drama psicológico que retrata um pouco da natureza humana e explora subjectividades complexas.

The Devil falls in love with a man without a soul. Each drawing is a character, each has a story, which is transfigured through tragedy and fatality. Each one is an agent in a psychological drama that portrays a part of human nature and explores complex subjectivities.


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Uma mulher lasciva mata um adolescente. A sua morte é tão insuportável quanto os seus gritos. As figuras aparecem isoladas contra um fundo neutro, apresentadas em retratos muito próximos, numa espécie de estado de transe psicológico e frequentemente físico também, no qual passam de imagem real a imagem ficcionada, para depois recuperarem a sua humanidade num jogo ambíguo e denso.

A lascivious woman kills a teenager. His death is as unbearable as his screams. The characters are presented isolated against a neutral background, in very close up portraits, in a sort of psychological and often physical trance state, in which they go from real to fictional images, only to recover their humanity again in a dense ambiguous game.


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Um homem descreve pormenorizadamente o preciso momento em que se apercebeu de que já não queria nada daquilo que pensava querer até então. O bailarino russo Pavel Dmitrichenko era a estrela principal do Teatro Bolshoi. Em 2013 foi sentenciado a seis anos de prisão por ter colaborado na trama do ataque de ácido contra o director do Teatro, Sergei Filin. Em todas as imagens do julgamento divulgadas pela imprensa, Dimitrichenko aparece a sorrir, com um ar imaculado e juvenil. É nesta imagem simultaneamente angelical e perversa que Adriana Molder se baseou para pintar o retrato do diabo.

A man thoroughly describes the precise moment in which he understood he no longer wanted anything he thought he wanted until then. The Russian ballett dancer Pavel Dmitrichenko was the main star of the Bolshoi Theatre. In 2013 he was sentenced to six years in prison for having collaborated in the plot of the acid attack against the theater’s director, Sergei Filin. In all images of the trial reported in the media, Dimitrichenko appears smiling, with a pure and youthful air. It was in this both angelic and perverse image that Adriana Molder found inspiration to paint the devil’s portrait.


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Uma mulher torna-se mais nela mesma. Outra imagem utilizada nesta série é uma fotografia anónima de uma imigrante italiana a chegar a Ellis Island. Na porta de entrada de um novo mundo, de uma nova vida, a mulher tem na face o semblante da dúvida. Ao mesmo tempo que encara o seu futuro, não consegue deixar de olhar para o passado. Uma mulher dividida pela dúvida, pela dor das histórias que viveu e pela incerteza do que virá a viver.

A woman becomes more herself. Another image that is used in this series is an anonymous photo of an Italian immigrant arriving to Ellis Island. At the gateway to a new world, a new life, the woman’s face presents the look of doubt. While facing her future, she cannot keep herself from looking to the past. A woman divided by the doubt, by the pain of the stories she lived and by the uncertainty of what she will come to live.


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O rosto dum homem é torturado durante anos até se transformar em muitos outros rostos. Giorgio Agamben escreve num pequeno ensaio intitulado O Rosto, que este “não é simulacro, no sentido de qualquer coisa que dissimula ou encobre a verdade: ele é a simultas, o estar-junto dos múltiplos semblantes que o constituem, sem que algum desses seja mais verdadeiro que os outros. Compreender a verdade do rosto significa tomar não a semelhança, mas a simultaneidade dos semblantes, a inquieta potência que os mantêm juntos e os reúne em comum.” Agamben, Giorgio. Il Volto. In: Mezzi senza fine. Note sulla politica. Bollati Boringhieri: Torino, 1996, p. 74-80

The face of a man is tortured for years until it is transformed in many other faces. In a brief essay entitled The Face, Giorgio Agamben writes that “the face is not a simulacrum, in the sense that it is something dissimulating or hiding the truth: the face is the simultas, the being-together of the manifold visages constituting it, in which none of the visages is truer than any of the others. To grasp the face’s truth means to grasp not the resemblance but rather the simultaneity of the visages, that is, the restless power that keeps them together and constitutes their being-in-common.” Agamben, Giorgio. The Face. In: Means without End. Notes on Politics. University of Minnesota Press, 2000, p. 91-100


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Uma mulher corta o rosto dum homem em dois. Nesta série, Adriana Molder explora, num estilo perturbante, a figura ao extremo, ao ponto de a desfigurar. A face é a evidência da alma, das suas transfigurações e traumas. Toda a carga emocional psicológica das personagens é apresentada nas feições do rosto. A dimensão psíquica e afectiva da experiência do grotesco, da desfiguração, é posta em evidência num corpo que se degrada, que deixa de ser corpo para ser apenas pintura.

A woman cuts a man’s face in two. In this series, Adriana Molder explores, in a disturbing style, the figure to the extreme, to the point of disfiguration. The face is the evidence of the soul, of its transfigurations and traumas. All the psychological emotional charge of the characters is shown in the features of the face. The psychic and affective dimension of the experience of the grotesque, of disfigurement, is evidenced in a body that is degraded, that ceases to be body to become only painting.


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Tudo sugeria que o pintor os queria levar para o seu atelier porque era um predador, mas na realidade ele só os queria pintar horas a fim. Este conjunto de obras centra-se também sobre as possibilidades da pintura, sobre o que significa pintar, continuar persistentemente a pintar num tempo em que a pintura já não é considerada uma arte maior. Numa era dominada pela cultura visual, Adriana Molder prova que a pintura ainda tem um lugar para propor novos conteúdos e significados. Situados entre a figuração e a abstracção, os seus retratos exploram a destruição e violência do corpo humano tanto física como formalmente.

Everything suggested that the painter wanted to take them to his studio because he was a predator, but in reality he would just paint them for hours on end. This body of work also focuses on the possibilities of painting, on what it means to paint, to persistently continue to paint at a time when painting is no longer considered a high art. In an age dominated by visual culture, Adriana Molder proves that painting can still be a place to propose new contents and meanings. Situated between figuration and abstraction, her portraits physically and formally explore the human body’s violence and destruction.


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O rapaz louro não conseguiu conter as lágrimas ao perceber que aquela criança e aquela mulher não podiam fazer parte da sua vida. Continua Agamben: “A revelação do rosto é a revelação da própria linguagem. Esta não tem, consequentemente, nenhum conteúdo real, não diz a verdade sobre este ou aquele estado da alma ou, de facto, sobre este ou aquele aspecto do homem ou do mundo: é unicamente abertura, unicamente comunicabilidade. Caminhar pela luz do rosto significa ser essa abertura, padecer dela.”

The blond young man could not hold back tears when he realized that that child and that woman could never be part of his life. Agamben continues: “The face’s revelation is revelation of language itself. Such a revelation, therefore, does not have any real content and does not tell the truth about this or that state of being, about this or that aspect of human beings and of the world: it is only opening, only communicability. To walk in the light of the face means to be this opening—and to suffer it, and to endure it.”


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Um homem seminu leva um murro na cara. Em 1852 Gustave Flaubert afirmou que o tempo da beleza tinha acabado. A beleza ganha um novo estatuto, uma nova definição que ultrapassa as convenções morais e sociais. A beleza passa a encontrar-se no mundano, no desfigurado, mesmo no monstruoso. É na arte, e em particular nesta série de trabalhos de Adriana Molder, que o feio se redime, que a devassidão é revogada, e que as dualidades são emparelhadas em controversos retratos.

A semi-naked man is punched in the face. In 1852 Gustave Flaubert said that the time of beauty had ended. Beauty earns a new status, a new definition that goes beyond moral and social conventions. Beauty can now be found in the mundane, the disfigured, even the monstrous. It is in art, and in particular this series of works by Adriana Molder, that ugliness is redeemed, debauchery is revoked, and dualities are paired in controversial portraits.


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Há dois bêbados a viver na minha rua, na rua. Em Banho de Sangue, Adriana Molder continua a sua linha de investigação pictórica—caracterizada por um tratamento incomum da tinta-da-china, em que as manchas geradas aleatoriamente são manipuladas—mas também a desafia ao trocar o habitual papel vegetal pela tela e pela tinta acrílica. As várias transparências e densidades inesperadas que resultam deste método criam o espaço indeterminado e peculiar onde as personagens parecem estar imersas. Molder explora também o tacto com estas pinturas. As suas superfícies são como peles sujeitas a condições extremas que permitem consequentemente a criação de imagens singulares.

There are two drunks living in my street, on the street. In Blood Bath, Adriana Molder continues her pictorial investigation—characterized by an unusual handling of Indian ink, in which randomlygenerated blotches are manipulated—but also challenges it by shifting from her usual tracing paper into canvas and acrylic paint. The various transparencies and unexpected densities that result from this method create the peculiar, indeterminate space in which these characters seem to be immersed. Molder also explores a sense of touch with these paintings. Their surfaces are like skins subjected to extreme conditions which consequently allow for the creation of unique images.


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O homem que trabalha na mina tem o tronco e o rosto mascarrados, o branco dos seus olhos brilha enquanto ele expira o fumo do seu cigarro. Dois olhos gigantes, de um branco quase reluzente, perdidos num mar negro. Olhos que nos olham. Que nos provocam, que nos questionam, que nos suplicam. Olhos que nos intimidam numa consciência de estarmos expostos ao olhar. O olhar da pintura. Conscientes da sua presença hipnótica, estes olhos forçam-nos a repensar o nosso próprio olhar e a forma como nos situamos e movemos em torno desta pintura.

The man working at the mine has the torso and face blackned with soot, the white of his eyes glows while he exhales smoke from his cigarette. Two giant eyes, of an almost gleaming white, lost in a black sea. Eyes that watch us. That provoke us, that question us, that beseech us. Eyes that intimidate us with the consciousness of being exposed to the gaze. The gaze of painting. Aware of their hypnotic presence, these eyes force us to rethink our own gaze and how we stand and move around this painting.


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Uma mulher finge estar morta. A nossa existência actual é marcada por um sentido tenebroso de sobrevivência. Judith Butler afirma que o momento em que nos transformarmos num sujeito activo é também o momento da tomada de consciência da subjugação a uma ordem, que não é nossa mas nos faz e define. A subjectividade leva à submissão. As pinturas de Adriana Molder falam-nos da possibilidade de novas subjectividades, de novos tipos de existência que extravasam a ideia de humano. Um corpo emotivo subjugado à pintura, destruído pela pintura e reconstituído na pintura.

A woman pretends to be dead. Our existence today is marked by a tenebrous sense of survival. Judith Butler argues that the moment in which we are transformed into an active subject is also the moment of awareness of the subjugation to an order which is not ours but that makes and defines us. Subjectivity leads to submission. Adriana Molder’s paintings speak to us of the possibility of new subjectivities, new types of existence that go beyond the idea of human. An emotional body subjugated to painting, destroyed by painting and reconstituted in painting.


Todos as obras da série Banho de Sangue, 2013-2014 All works from the series Blood Bath, 2013-2014

9 O Diabo Encantado acrílico sobre tela, 160 x 100 cm The Enchanted Devil acrylic on canvas, 160 x 100 cm

11 O Homem Sem Alma tinta-da-china e acrílico sobre papel, 76 x 56 cm The Man Without Soul ink and acrylic on paper, 76 x 56 cm

12 Eu Mesma acrílico sobre tela, 210 x 140 cm My Self acrylic on canvas, 210 x 140 cm

15 Eu Próprio tinta-da-china e acrílico sobre papel, 76 x 56 cm I Myself ink and acrylic on paper, 76 x 56 cm

16 O Diabo acrílico sobre tela, 290 x 210 cm The Devil acrylic on canvas, 290 x 210 cm


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O Homem Com Alma tinta-da-china e acrílico sobre papel, 76 x 56 cm.

O Demónio acrílico sobre tela, 154 x 121 cm

The Man With Soul ink and acrylic on paper, 76 x 56 cm

The Demon acrylic on canvas, 154 x 121 cm

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O Teu Rosto aos Bocados I tinta-da-china e acrílico sobre papel, 76 x 56 cm

O Homem que era só Corpo acrílico sobre tela, 160 x 100 cm

Your Face in Pieces I ink and acrylic on paper, 76 x 56 cm

The Man who was only Body acrylic on canvas, 160 x 100 cm

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O Teu Rosto aos Bocados II tinta-da-china e acrílico sobre papel, 76 x 56 cm

A Máscara tinta-da-china e acrílico sobre papel, 76 x 56 cm

Your Face in Pieces II ink and acrylic on paper, 76 x 56 cm

The Mask ink and acrylic on canvas, 76 x 56 cm

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O Rosto no Véu acrílico sobre tela, 165 x 100 cm

Vermelho I e Vermelho II tinta-da-china e acrílico sobre papel, díptico—76 x 56 cm cada

The Face in the Veil acrylic on canvas, 165 x 100 cm

Red I and Red II ink and acrylic on paper, diptych—76 x 56 cm each

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A Morte do Adolescente acrílico sobre tela, 210 x 160 cm

A Máscara Morta tinta-da-china e acrílico sobre papel, 76 x 56 cm

The Death of the Teenager acrylic on canvas, 210 x 160 cm

The Dead Mask ink and acrylic on canvas, 76 x 56 cm

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A Doença Inexplicável acrílico sobre tela, 142 x 108 cm

A Máscara a Dormir tinta-da-china e acrílico sobre papel, 76 x 56 cm

The Unexplainable Disease acrylic on canvas, 142 x 108 cm

The Sleeping Mask ink and acrylic on canvas, 76 x 56 cm


Cara Assombrada, 2012

V, 2008

Der Traumdeuter, 2007

H么tel, 2006

The Rescue of a Portrait, 2011

Dodecaedro, 2013

The Passenger, 2008 Play Dead 2007

Encontro Marcado, 2006

Adriana Molder nasceu em Lisboa em 1975. Vive em Berlim.


Copycat, 2003

The Winter Was Hard, 2011

Jogadores, 2004

No Place for a Woman, 2006

Cavaleira, 2008

A Dama PĂŠ-de Cabra, 2012

A Madrugada de Wilhelm e Leopoldine, 2007

Mad About the Boy, 2012

Adriana Molder was born in Lisbon in 1975. She lives in Berlin.

En la Casa del LĂŠon, 2011


Daniel Blaufuks, 2012

Ângela Ferreira, 2013

Prémio Rot

7 Artistas ao 10 Mês, 2008

Impossible Exchange, 2009

Junho das Artes, 2010

Junho das Artes, 2010

Filipa Oliveira nasceu em Lisboa em 1974. Vive e trabalha em Lisboa.

Verride, 2012

Jimmy Robert, 2012


PatrĂ­cia Garrido, 2013

thschild, 2008 Red Bull House of Art, 2011

Arena, 2010

Pedro Calapez, 2013 The Unsurpassable Horizon, 2010

Rosa Barba, 2012

Carlos Bunga, 2010

Rosa Barba, 2012

Eu Podia Fazer Isto, 2011

The Unsurpassable Horizon, 2010

Filipa Oliveira was born in Lisbon in 1974. She lives and works in Lisbon.


CATÁLOGO/ CATALOGUE

MUSEU DE ARTE CONTEMPORÂNEA DE ELVAS

Edição/ Published By Museu de Arte Contemporânea de Elvas

Coordenação Geral Elsa Grilo

Coordenação Editorial/ Editorial Coordinator Adriana Molder FIlipa Oliveira Design Roberto Dias Rui Cruz Textos/ Texts Adriana Molder Filipa Oliveira Revisão/ Proofreading José Gabriel Flores Tipos de Letra/ Typeface Grifith Gothic Calluna

(Vice Presidente da Câmara Municipal de Elvas)

Programação/ Museologia Exhibition Programming/ Museology Isabel Pinto Patricia Machado Serviço Educativo/ Education Programme Leonor Calado Museografia/ Museography Manuel Neves Romão Mimoso BANHO DE SANGUE/ BLOOD BATH Curadoria/ Curated by Filipa Oliveira

Depósito Legal/ Legal Storage 375912/14 Direitos de Autor/ Copyright Obras/ Works ©Adriana Molder Edição/ Edition ©Museu de Arte Contemporânea de Elvas Textos/ Texts ©Adriana Molder ©Filipa Oliveira Imagens/ Images ©Daniel Malhão (9, 11, 12, 15, 16, 19, 20, 23, 25, 26, 31) ©Thomas Bruns (28, 29, 33, 34, 35, 36, 39)

A artista e a curadora gostaríam de expressar o seu agradecimento a António Cachola e Ana Cachola, e ainda a Esther Gallodoro e Frank Berberich (Lettre International). The artist and the curator would like to express their gratitude to António Cachola and Ana Cachola, and also to Esther Gallodoro and Frank Berberich (Lettre International).


Banho de Sangue Blood Bath