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QUARTA-FEIRA, 3 DE SETEMBRO DE 2008 ANO XXI, NÚMERO 7.461

A arte é pop Com raízes no dadaísmo de Marcel Duchamp, a Pop Art começa a tomar forma na década de 1950 e sobrevive por quase 60 anos no mercado. vazias, reflexo desse consumismo. Produtos como a sopa Campbell’s e as garrafas de Coca-Cola apresentadas em latas serigrafadas e mecanizadas, ao invés

do tradicional trabalho manual, transformam personalidades famosas e objetos em símbolo cultural da época, figuras criadas pela publicidade. A pop arte é a cultura comercial cujo objetivo é a venda. Desmitificando conceitos entre “arte fina” e

“arte vulgar”, o estilo pop art é produzido e consumido nos dias de hoje, embora nos dias de hoje o pop exerça um papel mais estético do que crítico. Atualmente, os principais precursores da Pop Art são os estadunidenses Scott Lefavor e Jeff Koons, que fazem releituras de obras dos pioneiros Warhol e Lichtenstein, além do brasileiro Romero Britto, radicado em Miami. Sua arte atrai cantores e atores famosos de Hollywood,

mas recebe críticas negativas dos puristas, que defendem a arte não-comercial, aquela que foge do maquinário da indústria cultural para o consumo em massa. Com suas cores gritantes e desenhos esti-

Andy Warhol

A

pop art surge na Inglaterra, durante o pósguerra, quando o povo britânico cobiçava a prosperidade econômica da sociedade americana. Formada inicialmente pelo “Independent Group”, grupo de artistas cujos participantes eram Eduardo Luigi Paolozzi, Richard Smith e Peter Blake, a Arte Pop teve como precussores americanos Andy Warhol e Roy Lichtenstein. A arte transposta à cultura industrial tem por finalidade a reprodução em massa: retrato d o consumo exacerbado e desprovido de discernimento e crítica por parte dos consumidores. Personalidades públicas como Marilyn Monroe, Elvis Presley e Marlon Brando, entre outros, são retratados por Andy Warhol como figuras impessoais e

Roy Lichtenstein

C

onhecido por suas obras de histórias em quadrinhos, Lichtenstein criticava a cultura de massa e aspectos do mundo moderno através de clichês, misturando arte comercial e abstração. Socos, tiros, lágrimas de amor se transformam em arte com textos de apoio. Suas técnicas incluíam cores brilhantes com contorno preto, que gerava grande impacto, e o reticulado que imitava as revistas em quadrinhos. Ele define o movimento como o uso do que é desprezado. Já na década de 60 passa a empregar em sua arte elementos da propaganda, e faz de Mickey, Pernalonga e Pato Donald inspiração para quadros gigantes. Foi um grande crítico da massificação difundida principalmente pela propaganda.

Audi RS4 decorado por Romero Britto.

lizados de corações, flores e pessoas, o pintor que começou no grafite tem suas obras reproduzidas em carros, garrafas de

vodka e até em caixas de sabão em pó, para a alegria das donas de casa e o desespero dos críticos de arte.

Andy Warhol

U

m dos grandes nomes da pop art, Warhol começou em Nova York como ilustrador de revistas importantes como a Vogue, Harper’s Bazaar e The New Yorker após graduar-se em design. Ganhou vários prêmios como diretor de arte do Art Director’s Club e do The American Institute of Graphic Arts. Em sua primeira mostra individual exibiu quinze desenhos baseados na obra de Truman Capote, que foram mostrados em diversos outros lugares, inclusive o MoMA, Museum of Modern Art de Nova York. A partir dos anos 60, ele incorpora conceitos da publicidade às suas obras, trazendo cores fortes e tintas acrílicas. Traz para a pop art a reprodução mecânica e a serigrafia com temas do cotidiano e itens de consumo, tais como a lata de sopa Campbells e a Coca-Cola, e rostos de famosos como Marilyn Monroe, Elvis Presley e Che Guevara, reproduzidos com cores diferentes e berrantes. Atuou também em outras áreas artísticas, como o cinema, produzindo filmes conceituais, e a música, com o grupo de rock Velvet Underground, ajudando a difundir o glitter rock originado em Londres, que enfatiza elementos de androginia mostrando a decadência dos padrões de comportamento vigentes.

Curiosidades  A Pop Art é uma abreviação do termo inglês

popular art, que não é feita pelo povo artesanalmente, mas para as massas.

 A Pop Art é considerada a mais extraordinária inovação da arte no século XX, pois foi o movimento de maior aceitação, até hoje seus conceitos são usados na propaganda e em produtos.  Em 1967, Andy Warhol esteve na Bienal em São Paulo. Os pop artistas dominaram a representação nos EUA, já no Brasil não houve a mesma repercussão, a Pop Art ficou restrita a colecionadores, frequentadores de galerias e museus na época. Crying Girl, de Roy Lichtenstein.

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Caderno 2  

Trabalho de construção da primeira página do Caderno 2 realizado na Universidade Anhembi Morumbi

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