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GRANDE TEMA

Agora, com o dinheiro da televisão, as pessoas que assistem (no sofá) são cada vez mais, e as que participam verdadeiramente são cada vez menos. Mas, como o dinheiro envolvido no desporto é muito mais do que antes, também é maior a necessidade de o espectáculo ser cada vez melhor. Por isso, os atletas têm de ser todos profissionais e, para ter o concurso dos melhores, os salários aumentam de maneira incomportável. Há 50 anos, um atleta profissional não podia competir nos Jogos Olímpicos. Agora, se não for profissional, nenhum atleta consegue os mínimos necessários para poder participar. Há 50 anos, nenhum clube desportivo estava em banca rota, apesar de as receitas serem pequenas. Agora, apesar das grandes receitas geradas, todos têm a corda na garganta. Em Portugal, havia um clube desportivo, o Sporting, que chegou a ser considerado, nos anos 80, o maior clube desportivo do mundo. Nele praticavam desporto nada menos que 15 mil atletas. Tudo isto era subsidiado pelo excedente criado pela modalidade futebol, pelos mais de 100 mil sócios, pelas grandes assistências, pelos muitos títulos conquistados em todas as modalidades. E não tinha dívidas. Agora, com o grande aumento de receitas gerado pela televisão, o dinheiro não chega nem para o futebol. Acabaram os milhares de atletas, os mais de 100 mil sócios e está à beira da banca rota. E não ganha nada. Aqui está um exemplo em como não é o muito dinheiro que faz as boas decisões. Vale mais pouco dinheiro com boas decisões, do que muito dinheiro com más decisões. Tudo isto para tentar tirar as seguintes conclusões: Se o desporto foi sempre fundamental para o desenvolvimento das pessoas e das sociedades, nunca, como agora, a prática desportiva do maior número possível de pessoas foi tão importante. Se dantes todas as pessoas eram obrigadas a andar a pé - e algumas de bicicleta (por falta de outro meio de transporte – também agora as pessoas são obrigadas a andar a pé – ou de bicicleta (por falta de outro meio para manterem a saúde, a elegância e as finanças equilibradas).

Quem não quer andar a pé – ou de bicicleta, é, na prática, contra a sua própria saúde. O Governo tem uma Secretaria de Estado da Juventude e Desportos. Sinceramente, ainda não consegui perceber para que serve. Se é só para o Secretário de Estado aparecer na televisão quando há espectáculos televisivos profissionais, penso que não se justifica a sua existência. Ou é para incrementar a prática do desporto amador no maior número possível de pessoas, ou não vale a pena sequer existir. Mas isso é uma campanha contínua. E é aqui que a existência das organizações desportivas é fundamental. Porque são poucas as pessoas que têm capacidade para, sozinhas, fazerem o exercício físico indispensável. Mas em conjunto tudo se torna mais fácil. As pessoas são para viver em comunidade, não são para viver sozinhas. E o desporto (amador) também contribui, a quem o pratica, para a inserção na comunidade. Aliás, a maior parte dos desportos não é individual, é colectiva. Até o ténis tem de ser jogado, no mínimo, a dois. Só a marcha e a bicicleta podem ser praticadas individualmente. Mas em conjunto é mais fácil. Portugal tem o melhor clima do mundo durante todo o ano para a prática do desporto ao ar livre. Não são precisos grandes investimentos. Mas são precisas pessoas mobilizadas para praticarem desporto. Não para serem campeões. Apenas para terem uma vida saudável. Pela sua saúde. Pela sua elegância. Pelas suas finanças. Ande a pé, de bicicleta e, se puder, pratique um desporto qualquer.

‘11,

Profile for ADRACES BIS

Viver 17 - Desportivamente na BIS  

Pensar o desporto de âmbito local como uma alavanca de dinâmicas sócio-culturais para o desenvolvimento de um território "física e intelectu...

Viver 17 - Desportivamente na BIS  

Pensar o desporto de âmbito local como uma alavanca de dinâmicas sócio-culturais para o desenvolvimento de um território "física e intelectu...

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