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teorias e práticas de desenvolvimento local

Pactos Locais. Um processo francês de Desenvolvimento Local

O desenvolvimento local: o exemplo do Haute Vallée de l’Aude (Vale de l’Aude) O Sul do distrito constitui a planície oriental da cadeia dos Pirinéus e é ocupado pelo Vallée de l’Aude. Esta constituía o eixo organizador da actividade económica, concentrando 60% da população e a maioria das empresas. As últimas fecharam: ateliers de fabricação de chapéus em feltro de lã, a fábrica Formica está descentralizada por decisão dos accionistas americanos, a fábrica de sapatos Myrys fechou, a madeira e a viticultura estão «em crise» a nível mundial, o que se repercute até aqui. O subprefeito em representação do Estado, encarregado de ajudar os territórios que vivem das descentralizações e das reestruturações, diz ainda que «este território está riscado do mapa económico» e não voltará a ser ajudado! Neste contexto de fragilidade económica, a abertura de uma linha aérea de baixo custo em Carcassonne torna o território de fácil acesso para a Inglaterra, a Irlanda, a Bélgica e a Alemanha, com efeitos contrastados. O impacto a longo prazo é difícil de determinar. Se a frequência turística estiver em forte crescimento, os preços do imobiliário também estarão. Os locais eleitos têm muito menos meios para reagir. Os habitantes deste território sofrem as consequências desta evolução que não desejaram. Enquanto pais, já não podem assegurar a transmissão, nem pela língua occitana, nem pela profissão, quer seja agrícola ou industrial.

Com que forças vivas pode este território contar?

1 Estudo SEGESA- BASE Sud Audois, 2003. Disponível no site do Pays

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de la Haute Vallée de l’Aude: www.payshva.org

Nesta situação, é bastante útil saber quem são os habitantes, de que vivem e quais são as suas razões pessoais para lá viverem, se são naturais de lá ou de fora…? Em 2003, a Associação BASE Sud Audois (Bureau pour l’Action Solidaire dans l’Espace Sud Audois – Gabinete para a Acção Solidária no Território Sud Audois) tomou a iniciativa de realizar um estudo demográfico, quantitativo e qualitativo. Quem são os novos residentes ao fim de dez anos? Trata-se de esclarecer a tomada de decisão dos responsáveis locais. A associação apoiou-se no saber fazer de um demó-

grafo para dar credibilidade aos resultados obtidos1. Muitos dos seus membros participaram no inquérito, desde a sua concepção até à sua exploração. Depois, os resultados foram postos em debate público nos municípios do inquérito, junto dos habitantes, dos eleitos, dos serviços públicos. Os resultados demonstram bem as ideias recebidas: 54% são activos empregados. A taxa é superior à taxa média do Haute Vallée de l’Aude no seu total que é de 42% (extrapolação 2003). 28% têm menos de vinte anos enquanto a percentagem é de 22% no HVA. Existe um fenómeno que não deixa de ser inquietante: o das partidas e dos regressos. Se contarmos 13 080 novos residentes entre 1990 e 1999 (31,5% da população total), podemos contar também 11 639 partidas de residentes. E o saldo natural revela-se negativo (- 2 1999). O saldo migratório estabelece-se em 1 441 pessoas. A situação é, portanto, frágil, ou mesmo reversível. Qual o motivo destas partidas? O que se passa? Os novos residentes do Haute Vallée de l’Aude, em 70% dos casos, provêm da área mediterrânica, do distrito de Aude (20%) e dos distritos vizinhos dos Pirinéus Orientais, de Ariège ou das regiões vizinhas dos Midi-Pyrénées ou de Provence Alpes Côtes d’Azur (50 %). Apenas 30% vêm do Norte do Loire, essa linha de demarcação linguística altamente simbólica para a cultura occitana: da região Parisiense (8%) e da Bretanha, do Norte de Pas de Calais (7%) e da Europa (15%). Estaríamos, portanto, errados ao pensar que a amálgama se generaliza. Na grande maioria, a preferência diz respeito às mobilizações de curtas distâncias culturais e familiares, de forma a não perder o contacto com o seu meio de origem. Os presidentes das câmaras questionados são sensíveis ao facto de que a chegada de novos residentes aumenta o ramo imobiliário, construído e não construído, e origina uma forte procura de alojamento. A extensão das aldeias não se faz com base na definição de um «direito de construir», com um projecto de urbanismo concertado, mas sim como uma coisa a seguir à outra. O mercado imobiliário está largamen-

Viver 2 - A Juventude da BIS  

Encarar os jovens como sérias esperanças para evitar o despovoamento absoluto e a subsequente desertificação da Beira Interior Sul foi o des...

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