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ADRACES

Depois, a solidão e o isolamento social, que só nas grandes urbes conseguem proliferar (quais ervas daninhas), fizeram Carlos pesar na balança os pratos das vantagens e desvantagens de permanecer em Alcobaça. Não teve dúvidas: embora não auspiciasse uma adaptação fácil, preferiu o calor e o sossego do povo beirão e das amenas cavaqueiras. “Vive-se muito melhor aqui do que no Litoral. Uma pessoa acorda de manhã sem aquele stress provocado pela confusão das grandes cidades”, argumenta. Hoje, não tem qualquer reserva em afirmar que já ninguém o tira da BIS. De Alcobaça trouxe a paixão que desde sempre tem nutrido pelos cavalos e a experiência mínima na arte da ferragem. Quando completou o 8º ano de escolaridade, desistiu dos estudos e empenhou-se numa verdadeira carreira de ferrador, aprendendo toda uma formação de base com colegas mais velhos. Mas foi já nas Termas de Monfortinho que Carlos deu o grande salto na sua profissão. Um salto impulsionado pela evolução que a área conheceu a partir de 1999, no sentido da qualificação dos profissionais do “calçado” equestre.

Grande tema

Sem cascos não há cavalo... nem Carlos

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Actualmente, Carlos Luís não tem mãos a medir para satisfazer os inúmeros pedidos de clientes. Há alturas em que chega a ter entre 10 a 20 cavalos para ferrar por dia, que vai conjugando com os tempos de menor procura, para que, diariamente, tenha assegurados, pelo menos, dois ou três serviços, por um preço mínimo de 60 euros (inclui ferragem simples e pequenas deslocações).

O ferrador sabe que, infelizmente, ainda “há demasiada gente a recorrer aos profissionais mais antigos, porque levam mais barato pelo trabalho”, mas que não garantem os níveis elementares de qualidade e eficiência. Carlos, pelo contrário, pela já extensa experiência de 10 anos no meio equestre, tanto na vertente de ferragem como no tratamento de patologias clínicas, e, sobretudo, pela aposta constante em formações para ampliação de conhecimentos, assegura um serviço onde o conforto e saúde dos cavalos são as palavras de ordem. E nem o facto de as acções de formação terem custos elevadíssimos (para a última que fez em Itália dispensou cerca de 800 contos) e de o Governo português não reconhecer a profissão de ferrador, demovem a vontade de Carlos em continuar a sua senda pelo saber dos cascos dos equinos. Entre as incontáveis acções de formação profissional, apenas uma, realizada pela World Equine Organization, em 2001, na Coudelaria Nacional, está certificada pelo Estado. “Eu estou colectado como prestador de serviços à agricultura e não como ferrador. O ferrador não existe em Portugal. Não conseguimos apoios de ninguém”, revela, salientando a feliz excepção granjeada pela ADRACES, que facultou uma formação não remunerada de iniciação à ferragem a 13 pessoas com a duração de três meses. “É isto que este país precisa: de mais certificação em todas as áreas. Se, aliado a isso, esta classe se unir, conseguimos uma valorização e aumento da qualidade do nosso trabalho. E todos vivemos bem, porque nesta arte há trabalho para todos”, sublinha. Para mais informações consulte o site de Carlos Luís na Internet em www.carloscavalo.com. •

Viver 2 - A Juventude da BIS  

Encarar os jovens como sérias esperanças para evitar o despovoamento absoluto e a subsequente desertificação da Beira Interior Sul foi o des...

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