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ADRACES

Ferrar a vida no rasto dos cavalos É natural de Alcobaça, mas foi em terras raianas que assentou arreios e que começou a evoluir a sua formação na arte de ferrar cavalos. Comprou uma carrinha e, actualmente, leva o seu saber e o nome da região a todo o Portugal e além-fronteiras

também têm doenças nos pés como as pessoas. Às vezes aparecem casos mais complicados, com os quais nunca lidei. Não hesito em procurar ajuda de alguém com mais experiência na matéria”, revela prontamente, acrescentando que, quando mal ferrados, os equinos podem ficar inutilizados para o resto das suas vidas. E, só a título de curiosidade, aqui fica a indicação de que, em doenças mais sérias, os cavalos devem usar – imagine-se – ferraduras ortopédicas para uma maior celeridade na recuperação. Tudo em prol do bem-estar destes elegantes animais. Mas, o seu trabalho não se resume apenas à colocação de ferraduras. A sua sabedoria nesta arte vai até à origem das peças. Vai até ao ferro moldado pela brasa. Não é uma tarefa que execute frequentemente, uma vez que, hoje em dia, praticamente estão disponíveis para venda ferraduras indicadas para cada patologia do animal. No entanto, em casos mais delicados, não abdica de deitar mãos à obra e transformar ferraduras já fei-

tas, ou ainda fazê-las nascer a partir de uma barra de ferro, para tratamentos mais personalizados e de qualidade superior.

“Carlos Cavalo” A cidade de Alcobaça, do distrito de Leiria, viu nascer há 32 anos atrás Carlos Manuel dos Santos Luís, mais conhecido, no seu mundo profissional, por “Carlos Cavalo”. É este o homem que desde 1992 se encontra a viver nas Termas de Monfortinho, concelho de Idanha-a-Nova, e se dedica a tempo inteiro a cuidar do “calçado” dos cavalos. A sua vinda para a Beira Interior Sul teve contornos bem difíceis de ultrapassar. Os pais compraram uma casa nas Termas de Monfortinho e mudaram-se de vez para terras raianas. Carlos conhecia a Região somente das pequenas férias que tirava quando resolvia visitar os progenitores. Mas, nem lhe aflorava a ideia de que um dia pudesse vir viver para “um sítio com tão pouco movimento”, o que em nada lhe agradava.

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Nome da secção

O anúncio “Sem cascos não há cavalo” sobressai a negro numa carrinha ambulante, totalmente equipada com material da mais alta qualidade, que percorre, além da região raiana, qualquer cantinho do nosso país e até territórios longínquos de Espanha, França e Inglaterra, para prestar serviço ao domicílio na área da ferragem de cavalos. Carlos olha para os cascos de um qualquer equino e, imediatamente, consegue perceber qual o tipo de ferradura mais adequado ao animal em questão. Porque cada caso é um caso. E porque existem cerca de 900 modelos de ferraduras diferentes conforme a espécie do cavalo e, se for animal de competição, consoante a modalidade desportiva que desempenhe. Não que os seus amplos conhecimentos na arte de ferrar cavalos sejam sempre suficientes. Aí, o fundamental é procurar partilhar conhecimentos com veterinários ou outros ferradores que o possam aconselhar sobre a melhor decisão a tomar. “Os cavalos

Viver 2 - A Juventude da BIS  

Encarar os jovens como sérias esperanças para evitar o despovoamento absoluto e a subsequente desertificação da Beira Interior Sul foi o des...

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