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Ana Hormigo e Abel Louro

Um casal raro!

ANA ALVIM

Nascer no Interior é bom. O judo é uma via para uma vida de suavidade e saúde. O Amor e a amizade alimentam a fixação às nossas raízes, e a família e os amigos são o calor e a brisa que infla as velas do nosso percurso de vida. Os estudos dão-nos os instrumentos para governar a nossa “barca”. Porque tudo isso tivemos... por aqui ficamos, com gosto!

Nascer no interior é bom

Porque aquilo que nós tivemos e ganhámos com a nossa vivência enquanto crescemos, nenhuma criança de Lisboa ou de outra grande cidade teve. Não tiveram nem têm essas boas recordações de infância. Aquela malta nunca brincou junto dos quintais dos vizinhos, não roubou fruta com os amigos, não jogou com pedrinhas, não trepou às árvores, nunca foi aos ninhos nem apanhar rãs e grilos, quer dizer... o Interior traz coisas boas para a saúde e para a educação das crianças.

O judo é uma via para uma vida de suavidade e saúde

O judo ajuda muito as pessoas, e sobretudo os jovens, a rejeitar as coisas más da Sociedade. Contribui para definir um rumo de vida. Judo, quer dizer, “via da suavidade”. A Ana começou a praticar aos nove anos e o Abel com 11. O Judo está impregnado de uma filosofia muito oriental dada a sua origem, uma filosofia de grande respeito pelos mestres e companheiros e com muita disciplina. Isto ajuda a formar o carácter dos jovens. Eu respeito toda a gente mas não caio em exageros de subserviência! Uma pessoa que leve o desporto a sério, tem que ser regrada. Eu não posso ir treinar a correr para depois ir para borgas com os amigos... não convém!

O amor e a amizade alimentam a fixação às nossas raízes, e a família e os amigos são o calor e a brisa que infla as velas do nosso percurso de vida.

Já namorávamos quando acabámos os estudos e se pôs a questão do rumo a dar às nossas vidas. É verdade. O amor pesou nas decisões que tomámos. Não apenas o amor entre nós... mas num sentido muito mais amplo. Amor à família, aos amigos, às coisas que conhecemos bem e nos dão conforto e maior segurança no dia a dia, o porto de abrigo que nos permite o risco da aventura, da descoberta do desconhecido e da plenitude das nossas próprias capacidades.

Os estudos dão-nos os instrumentos para podermos governar a nossa “barca”

Nós também ouvimos desde bem cedo o tal discurso, – “isto é uma pasmaceira, por aqui não há nada a fazer”, etc., etc. – Discutimos a questão de onde fazer os estudos. O Abel estava mais livre para ir para qualquer lado, a Ana estava um pouco mais presa. C. Branco talvez

seja a Cidade que tem melhores condições para praticar Judo. Discutiram a questão e decidiram: O Abel foi fazer o curso de Professor do Ensino Básico na variante de Educação Visual e Tecnológica na ESE de Castelo Branco, (curso dos mais cotados a nível nacional). Na mesma Escola, a Ana decidiu-se por um curso de Tradução e Relações Internacionais. Esta opção foi tomada, mesmo sabendo a Ana que o seu estatuto de atleta de alta competição lhe abria as portas de qualquer Universidade sem estar sujeita à apresentação de médias mínimas! Contudo, também decidiram que não abandonariam o Judo, antes pelo contrário, iriam aperfeiçoar-se ao máximo para poder ensinar e juntar mais esta competência às suas capacidades para viabilizar o projecto “CROCOEDUCA”, que desde então foram amadurecendo. Hoje os dois são professores diplomados de Judo. Fundaram a sua empresa há dois anos, recorrendo ao Programa ILE – Iniciativas Locais de Emprego. Pouco a pouco e com muito esforço e dedicação a empresa está-se consolidando, por enquanto, como dizem, também com a ajuda das actividades profissionais que cada um desenvolve extra empresa.

Ficamos com gosto

A Ana reconhece que o facto de viajar bastante no âmbito da sua actividade desportiva, onde goza de imensa popularidade e prestígio, mesmo a nível internacional, aumenta o seu prazer de voltar à terra e sentir-se bem. Para o Abel...viajar é importante, mas para ir e voltar! Compreende que os jovens queiram “ir para o grande Mundo”, mas deveria ser possível conciliar a satisfação desse desejo com a contribuição de cada um à terra onde se criou. Há que explorar muito mais as oportunidades que as novas tecnologias da comunicação permitem, há que desenvolver o trabalho à distância, hoje é possível trabalhar para uma grande empresa longínqua a partir do lugar onde se vive, por mais pequeno que ele seja. Sem atitudes de passiva resignação, temos que ser nós os jovens, aqui e agora, a tudo fazer para alterar a situação. • Títulos e participações internacionais de Ana Hormigo dos dois últimos anos 2006 Super Copa do Mundo em Paris (França) Copa do Mundo em Birmingham (Inglaterra) Campeonato da Europa em Tampere (Finlândia)

5º lugar 5º lugar 7º lugar

2005 Campeonato do Mundo no Cairo (Egipto) Copa do Mundo em Leonding (Áustria) Copa do Mundo em Tampere (Finlândia) Copa do Mundo em Madrid (Espanha) Super Copa do Mundo em Hamburgo (Alemanhã)

9º lugar 2º lugar 3º lugar 7º lugar 7º lugar

Posição no ranking europeu

3º lugar

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Grande tema

Dito o que atrás se escreveu, pouco mais haveria a dizer. A Ana e o Abel conversaram connosco numa das salas da sua empresa, um centro de estudos complementares e de actividades lúdicas para crianças, denominado CROCOEDUCA. Do muito que se disse, aqui vos deixamos um resumo:

Viver 2 - A Juventude da BIS  

Encarar os jovens como sérias esperanças para evitar o despovoamento absoluto e a subsequente desertificação da Beira Interior Sul foi o des...

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