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“Todas as manhãs quando me levanto, o meu cavalo chama por mim com sons característicos que só eu entendo!”

Nesta modalidade, trabalha-se um pouco como na ginástica artística. Temos regras fixas para os exercícios, mas a maneira como organizamos a coreografia da nossa prestação é da nossa responsabilidade”.

As imagens que acompanham este breve resumo da vida desta jovem cavaleira da BIS dizem mais do que nós poderíamos dizer falando da sua simpatia, elegância e exuberante paixão pelos cavalos. Ouçamola contar-nos a sua história: “No início dessa paixão está um amigo da família que um dia comprou um cavalo que aos fins-de-semana servia para dar umas voltinhas! A família inteira tomou-lhe o gosto e, um dia, o meu Pai resolveu comprar duas éguas já prenhas e com dois potrinhos. Assim, começámos a dar uns passeios e a participar em raides locais. Quando completei o nono ano, tive a oportunidade de ir estudar Técnicas de Gestão Equina para o pólo de Vila Franca de Xira duma Esco-

Viver: – Ganha-se dinheiro nestes campeonatos? T.L. – Não... não! Servem para fazer currículo, ganhar umas medalhas e uns tostões para ajuda das despesas. A imagem que as pessoas têm desta actividade é que isto dá muito dinheiro. É o contrário, quando muito, dá para nos irmos mantendo. É mais um prazer pessoal... um gosto que se tem! Viver: – É um gosto caro? T.L. – É bastante dispendioso, então quando há lesões, as coisas complicam-se muito. É uma actividade para a classe média, daí para baixo é um pouquinho difícil. Mas também depende daquilo que se quer fazer. Para andar a cavalo uma hora por semana,

sar de ajuda para criar mais centros hípicos, as portas estarão sempre abertas e a disposição para apoiar é permanente. Viver: – Que cavalos têm? T.L. – Temos Lusitanos, holandeses, belgas e cruzados portugueses. Viver: – Funciona bem o mercado deste tipo de cavalos? T.L. - Portugal podia ter um grande mercado internacional para o cavalo lusitano, mas com os cavalos passa-se um pouco a mesma coisa que com os jogadores de futebol. Os muito bons atingem preços muito altos, 50 ou 60 mil contos. Quando um criador português recebe ofertas desta ordem de grandeza, não resiste e vende, depois, quem compra é que vai fazer a verdadeira exploração de alto nível. Uma pipeta de sémen dum animal de eleição vende-se a 5000 euros cada! Os criadores portugueses, ao contrário dos estrangeiros, têm demasiadas éguas a criar, apos-

ANA ALVIM

Teresa Lopes, diz:

Os cavalos também têm alma como aprendizagem ou simples descontracção, ou até como terapia para diferentes problemas de saúde, não é caro, é como ir a um ginásio. Agora se se quer ter um cavalo e entrar em concursos, aí, as despesas são muito elevadas. Não, nunca me passou pela cabeça a ideia de fazer outra coisa. Viver: – O que é que a prende à região? T.L. – Várias coisas. Este investimento que os meus Pais aqui fizeram*, o facto de sempre por aqui ter vivido e feito as minhas relações. Ir para uma cidade grande como Lisboa ou Porto não me seduz. Gostava de contribuir para a evolução da nossa zona em termos equestres. Agora que eu e o meu namorado temos a responsabilidade da gestão da parte equestre deste centro, gostava de sentir que somos úteis nesse sentido. Se alguém preci-

tam mais na quantidade que na qualidade, depois, a selecção é pouco rigorosa. É verdade... os cavalos de alta competição são como os atletas, antes de transitar de um “clube para outro” passam por muitos exames médicos, mas não há exame médico para avaliar a “alma” de um atleta, nem dum cavalo! Para saber até onde pode ir a força do querer dum cavalo, é necessário adquirir essa sensibilidade e treiná-la, aprender a sua “linguagem” – é como aprender inglês? - não porque eles não dão à língua... mas comunicam, o meu chama por mim todas as manhãs! • *P  icadeiro/Centro Hípico da Quinta da Aldeã Rua das Casas Novas, 82 6005-035 Alcains Telem. 934554078

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Grande tema

la que também existe em Alter do Chão e tem a sua sede em Abrantes. Ali permaneci três anos, durante os quais completei o 12º ano de escolaridade. Ao mesmo tempo tirei o diploma da Federação Equestre Portuguesa de” Monitora de Equitação”. Ainda fui para Santarém fazer um curso de “Equinicultura“, mas não gostei, e aceitei um convite para ir estagiar para a Suíça, feito por um criador amigo de um cavaleiro alemão com quem tinha frequentado alguns estágios em Portugal. Fui para lá com um cavalo! De manhã tratava dos cavalos e à tarde recebíamos aulas, davam-me carro e um x para as despesas de alimentação. Estive lá um ano. Entretanto o meu Pai comprou este cavalo que tenho agora, já mais avançado, e com ele fui campeã nacional sénior na modalidade de ensino e vice campeã da Taça de Portugal.

Viver 2 - A Juventude da BIS  

Encarar os jovens como sérias esperanças para evitar o despovoamento absoluto e a subsequente desertificação da Beira Interior Sul foi o des...

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